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Produção sustentável de Peixes Amazônicos I Criação sustentável de peixes redondos 2 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos 5. Larvicultura e alevinagem Apresentação Na piscicultura, é muito importante compreender a reprodução dos peixes, o que torna necessário conhecer sua biologia reprodutiva. Os peixes ocupam os mais diversos ambientes aquáticos e se reproduzem, dependendo da espécie, mesmo em condições adversas, como temperaturas e altitudes extremas. O tipo de desova, a presença ou não de cuidado parental, as fases do ciclo de vida e outros aspectos podem diferir em cada espécie. Neste módulo, serão abordadas características da larvicultura e alevinagem das espécies de peixes redondos, os peixes nativos de maior importância comercial produzidos no Brasil. Objetivo de aprendizagem Conhecer critérios sanitários e de desempenho zootécnico para realizar a produção ou aquisição adequada de alevinos de peixes redondos. 3 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos 5.1 Larvicultura de peixes redondos Na reprodução dos peixes redondos, o período de incubação varia para cada espécie e, também, em função da temperatura da água de criação. Em geral, águas mais quentes aceleram o tempo de eclosão e o desenvolvimento das larvas. Figura 5.1. Distribuição de ovos hidratados em incubadora Fo to : Je ff er so n C hr is to fo le tt i Os ovos formados e hidratados devem ser levados às incubadoras, conforme mostra a Figura 5.1, colocando-se de 100 a 200 gramas de ovos em cada estrutura de 200 litros. Cada grama de ovócito do tambaqui contém entre 1.000 e 1.200 ovócitos. O tempo de desenvolvimento deles varia de 14 a 18 horas a uma temperatura média de 25 a 29°C. Cuidados como controle da velocidade da água e presença de telas na incubadora são necessários para evitar a perda de ovos. Um detalhe importante do processo de incubação dos ovos é o fluxo de água nas incubadoras, que deve ser suficiente para movimentar os ovos, favorecendo a oxigenação, mas não pode ser intenso a ponto de causar choques mecânicos nos ovos. Recomenda-se uma vazão de 1 a 2 litros por minuto nas primeiras 4 horas de incubação, subindo para 3 a 4 litros por minuto nas próximas 4 horas e 5 a 6 litros por minuto no terço final da incubação. Atenção 4 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Após a eclosão dos ovos, as larvas devem ser mantidas em um fluxo de água de 5 a 6 litros por minuto. Nessa fase, cuidados com a qualidade da água que abastece as incubadoras são essenciais ao desenvolvimento embrionário. Alguns parâmetros indicam se a água tem as características ideais em uma incubadora de tambaqui: • de 5 a 7 mg/L de oxigênio dissolvido; • acima de 30 mg/L para dureza e alcalinidade; • pH de 7,0 a 8,0; • temperatura entre 26 e 29°C. Devido ao acúmulo de resíduos dos ovos, após a eclosão das larvas, é necessário e muito importante realizar a limpeza das incubadoras. Esse procedimento deve ser feito diariamente enquanto as larvas estiverem nas incubadoras. A elevada quantidade de resíduos acumulados – como lama, larvas mortas e resquícios da estrutura dos ovos – pode causar obstrução nas telas das incubadoras, transbordamento e, consequentemente, o escape de larvas. Fo to : A dr ia na L im a Para a limpeza, o abastecimento de água precisa ser interrompido por alguns minutos, tempo necessário para decantação dos resíduos. Depois, deve ser realizado o sifonamento das larvas que estão na coluna d’água e, posteriormente, a sucção dos sedimentos acumulados no fundo da incubadora. Essas larvas precisam ser imediatamente transferidas para uma incubadora limpa. Fo to : M el an ie D ig m ay er As larvas recém-eclodidas ainda não são capazes de se alimentar. Seu sistema digestivo não está completamente formado e seu desenvolvimento varia de acordo com a espécie. Para que garantam sua sobrevivência, possuem uma reserva energética conhecida como saco vitelínico. 5 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos É muito importante que o produtor esteja atento à primeira alimentação das larvas, levando em consideração as informações acerca do sistema digestivo da espécie criada. Atenção A larvicultura do tambaqui começa na incubadora, onde as larvas, após a eclosão, permanecem por um período que vai de três a seis dias, a depender do laboratório. Esse tempo variável determina o momento ideal de iniciar a preparação dos viveiros que receberão os futuros peixes. Geralmente, os laboratórios que deixam as larvas por mais tempo nas incubadoras oferecem alimentação logo que elas abrem a boca pela primeira vez, o que ocorre, em média, 36 horas após a eclosão. A alimentação inicial é baseada em zooplâncton filtrado, alimentos microencapsulados ou gema crua de ovo de galinha. Quando as larvas são incubadas por um período menor, são transferidas para os viveiros sem essa primeira refeição. Após a saída das larvas da incubadora, inicia-se a alevinagem. Essa fase normalmente é realizada em viveiros escavados, quando os peixes ainda merecem uma atenção especial, sobretudo em relação ao número de refeições diárias e cuidados com possíveis predadores. Figura 5.2. Viveiro escavado Fo nt e: M at av el i e t al . (n o pr el o, p . 6 ). 6 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Clique no link inserido no título abaixo para aprender mais a respeito da preparação de um bom viveiro para alevinagem e os cuidados que ele requer, assista à videoaula a seguir. Preparação e cuidados do viveiro para alevinagem 5.2 Alevinagem de peixes redondos Na fase da alevinagem, é comum a utilização de estruturas de menor tamanho, pois os alevinos possuem apenas de 2 a 3 gramas e, assim, demandam pouco espaço físico. Figura 5.3. Exemplo de alevino saudável Fo nt e: R od rig ue s (2 01 3 , p. 3 51 ). Nos viveiros escavados, recomenda-se o uso de estruturas de até 2.000 m². Para os tanques-rede usados como berçários, devem ser utilizados depósitos de pequeno volume e com abertura de malha adequada ao tamanho do animal – em geral, as telas precisam ter, no máximo, 5 mm entre os nós da trama. https://youtu.be/GPHaX_khTDU 7 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Há dois tipos de povoamento na alevinagem. Acompanhe: Povoamento direto nos viveiros: Para produtores que conseguem realizar todo o procedimento de preparação dos viveiros, de modo a garantir a ausência de predadores na água e um ambiente com boa quantidade e qualidade de alimento natural. Essa é a forma mais adequada e que resulta em um melhor desempenho. Povoamento em berçários: Se o produtor trabalha em grandes barragens, onde não é possível realizar os procedimentos iniciais de preparação descritos (esvaziamento, secagem e desinfecção), e faz a aquisição de peixes com tamanho inferior a 100 g, é aconselhável estocá-los inicialmente em uma estrutura denominada berçário. O berçário pode ser um viveiro de menor tamanho ou um tanque-rede instalado na própria barragem, em baixa densidade para que os alevinos ganhem tamanho e só então sejam liberados. Ele atua como proteção contra possíveis predadores porque os futuros peixes, quando maiores, são menos suscetíveis à predação no ambiente de criação. Se essa estrutura for feita em tanques-rede, é preciso cuidado para que não haja o entupimento da malha. Se isso acontecer, a baixa circulação de água dentro do berçário pode levar à morte dos peixes. 8 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Figura 5.4. Estrutura em tanques-rede Fo to : Je ff er so n C hr is to fo le tt i. Outro aspecto que deve receber mais atenção do piscicultor é o crescimento dosanimais nos berçários: se há ganho de peso ou se há estagnação ou redução. Em alguns casos, é provável que a biomassa de peixes esteja muito elevada para o tamanho do berçário. Clique no link inserido no título abaixo para assistir a animação a seguir para conhecer as medidas de proteção contra predadores que podem ser adotadas na infraestrutura, veja a animação a seguir. Proteção dos viveiros https://youtu.be/GPHaX_khTDU 9 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Caso haja mortalidade constante durante a alevinagem, verifique se a água apresenta os parâmetros ideais para a produção, conforme estudamos no Módulo 3, em que discutimos a qualidade da água para a criação de peixes redondos. Caso os indicadores não sejam os adequados, faça os manejos necessários à correção. Se as mortes continuarem acontecendo mesmo depois de a água ter sido corrigida, será necessário investigar as causas com o auxílio de um técnico especializado, como veremos no Módulo 8: Sanidade na produção de peixes redondos. Atenção Clique no link inserido no título abaixo para ouvir o podcast a seguir para aprender a respeito de um importante fator na piscicultura: a sanidade na fase de alevinagem. Você vai conhecer meios para garantir que esse estágio não tenha problemas sanitários. Sanidade na alevinagem 5.3 Transporte dos alevinos Para transportar os alevinos adequadamente, algumas medidas preventivas são necessárias. Veja: Observar a densidade de animais nos sacos plásticos em função do tempo de transporte. Fo to : Je ff er so n C hr is to fo le tt i https://ava.sede.embrapa.br/pluginfile.php/1444403/mod_resource/content/1/Sanidade%20na%20alevinagem.mp3 10 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Maiores densidades podem resultar em mais mortalidade. Fo to : Je ff er so n C hr is to fo le tt i Um ponto importante é preferir transportar os alevinos nos horários mais frescos do dia, uma vez que a qualidade da água fica prejudicada a altas temperaturas. Sem um ambiente aquático saudável, o metabolismo dos animais se acelera, o que aumenta a necessidade de oxigênio dissolvido e a liberação de amônia. Uma ação preventiva é inserir os sacos em caixas de papelão ou térmicas, pois isso ajuda a manter a temperatura da água do transporte constante e impede choques físicos diretamente nas embalagens. Figura 5.5. Estocagem em sacos Fo to : Je ff er so n C hr is to fo le tt i. Outra iniciativa primordial para minimizar a mortalidade é manter os animais em jejum por pelo menos 24 horas antes de serem transportados. 11 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Síntese Terminamos o quinto módulo do curso. Aqui, aprendemos a respeito da larvicultura e da alevinagem de peixes redondos, com o estudo da infraestrutura para a reprodução (viveiros, berçários) e, também, do transporte dos animais. No próximo módulo, aprofundaremos nosso conhecimento acerca da alimentação e biometria de peixes redondos. Confira! 12 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Glossário Ovócito: célula que se desenvolve no ovário, é a célula reprodutiva feminina do peixe. 13 Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – Criação sustentável de peixes redondos Referências Lima, A. F.; Rodrigues, A.P.O.; Lima, L.K.F.; Maciel, P.O.; Rezende, F.P.; Freitas, L.E.L.; Dias, M.T.; Bezerra, T.A. 2017. Alevinagem, recria e engorda do pirarucu. Brasília: Embrapa, 152p. Mataveli, M.; Digmayer, M.; Shiotsuki, L; Evangelista, D.K.R.; Maciel, P.O. Recomendações técnicas para produção de alevinos de tambaqui. No prelo. Palmas: Embrapa Pesca e Aquicultura. Rodrigues A.P.O., Lima A., Alves A., Rosa D., Torati L.; Santos V. 2013. Piscicultura de água doce: multiplicando conhecimentos. Brasília: Embrapa, 440p.