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ATENDIMENTO
PRÉ-
HOSPITALAR
ABELINE
ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE EDUCAÇÂO
ONLINE
Total da carga horária de 120h/a
Base legal: nº.9394/96 art. 67 e 87,
inciso III e Parecer nº.64/2004 - CEDF
CNPJ.: 21.197.672/0001-09
-1° Módulo: Introdução Pág -03
- 2° Módulo: Direção Defensiva Pág-09
- 3° Módulo: Cinemática do Trauma Pág-32
- 4° Módulo: Equipamentos utilizados no atendimento Pág-53
- 5° Módulo: Sinais Vitais Pág-67
- 6° Módulo: Atendimento Inicial Pág- 86
- 7° Módulo: Vias Aéreas Pág-104
- 8° Módulo: Ressuscitação Cardiopulmonar Pág-130
- 9° Módulo: Hemorragia e Choque Pág-170
- 10° Módulo: Fraturas e luxações Pág-191
- 11° Módulo: Traumatismo cranioencefálico e raquimedular Pág-205
- 12° Módulo: Trauma de tórax Pág-224
- 13° Módulo: Referências Bibliográficas Pág-248
1° Módulo: Introdução
A ÉTICA E HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO PRÉ-
HOSPITALAR
1. Ética
Toda pessoa é dotada de uma consciência moral que a
faz distinguir entre o certo e o errado, entre o bem e o
mal, capacitando-a a avaliar suas ações no contexto a
que é solicitado, ou seja, é capaz de nortear suas
atitudes pela ética, a qual pode-se dizer é um conjunto
de valores, que se tornam deveres em determinadas
culturas ou grupos, sendo expressos em ações.
A ética é, normalmente, uma norma de cunho moral
que obriga a conduta de uma determinada pessoa, sob
pena de sanção específica, mas pode também
regulamentar o comportamento de um grupo particular
de pessoas, como, por exemplo, bombeiros, policiais,
médicos, enfermeiros, etc. A partir deste momento,
estamos nos referindo à ética profissional, mais
conhecida como deontologia, que caracteriza-se como
conjunto de normas ou princípios que têm por fim
orientar as relações profissionais entre pares, destes
com os cidadãos, com sua guarnição de serviço, com
as instituições a que servem, entre outros.
Como a sua margem de aplicação é limitada ao círculo
profissional, faz com que estas normas sejam mais
específicas e objetivas, gerando o advento dos
Códigos de Ética elaborados por associações de
classe, como, por exemplo, o Código de Ética Médica
Brasileiro.
No caso do Corpo de Bombeiros do Paraná, o Decreto
Estadual nº 5.075/98 (Regulamento de Ética
Profissional dos Militares
Estaduais do Paraná), prescreve em seu artigo 5º, que
a ―... deontologia militar é constituída pelo elenco de
valores e deveres éticos, traduzidos em normas de
conduta, que se impõem para que o exercício da
profissão militar atinja plenamente os ideais de
realização do bem comum, através da preservação da
ordem pública.‖ Assim como a atividade do médico e
do enfermeiro possuem codificações próprias, o
bombeiro militar também tem sua conduta pesada em
Código próprio, que o obriga a prestar seu serviço de
atendimento pré-hospitalar calcado em valores e
deveres militares, não menos importantes, que o dos
códigos dos profissionais de saúde.
Ao longo do Curso de Socorristas, são ensinadas
normas técnicas que indicam fórmulas do fazer, que
são apenas meios de capacitação, levando o homem a
atingir resultados. Todavia a técnica não deve perder
sua correlação natural com as normas éticas, que
atenuam o sofrimento da vítima e humanizam o
atendimento.
O socorrista deve saber equilibrar os dois pratos da
balança que formam seu caráter profissional: o lado
técnico e o lado emocional. Caso haja uma prevalência
de qualquer um dos lados, o atendimento pode ser
comprometido tanto pelo lado humano, quanto pelo
lado científico. O bombeiro militar que tenha completo
domínio do atendimento pré-hospitalar, mas que não
tenha o discernimento necessário para atuar com
atenção especial nos casos que assim requeiram, não
possui o caráter ético-profissional para ser socorrista.
O mesmo se aplica àquele que possua um equilíbrio
emocional e não saiba as técnicas pré-hospitalares.
Para um atendimento pré-hospitalar satisfatório o
socorrista deve possuir, além do equilíbrio emocional e
da competência
técnico-científica, uma competência ética,
fundamental para a humanização do serviço.
A competência ética no atendimento pré-hospitalar é
formada por quatro vertentes de relacionamento,
sendo elas:
● Socorrista e outros militares;
● Socorrista e profissionais de saúde;
● Socorrista e vítima;
● Socorrista e parentes/conhecidos/outros envolvidos.
As relações dos socorristas com outros militares e
profissionais de saúde não trazem muitos problemas,
pois a formação militar facilita o relacionamento.
Resta-nos analisar e fundamentar os princípios para
um relacionamento ético entre bombeiros e vítimas, e
bombeiros e parentes/conhecidos/outros envolvidos no
trauma. Estes dois tipos de relacionamentos estão
baseados em três princípios fundamentais:
● Respeito à pessoa;
● Solidariedade;
● Sentimento do dever cumprido.
Tendo por base estas três premissas, o socorrista
saberá pautar suas atitudes e considerar as alterações
emocionais decorrentes do trauma. Não se deixará
influenciar pela conduta social da vítima incorrendo
num julgamento errôneo (fará um atendimento
imparcial), atentará para os cuidados com a exposição
da vítima, terá atenção especial com crianças, e terá
a seriedade como base para uma postura profissional
que se espera.
Um atendimento perfeito ocorre quando, mesmo com o
sucesso do emprego de todas as técnicas dominadas
pelo socorrista, atende-se a dignidade da pessoa
humana em todo seu alcance, angariando o respeito e
a admiração da vítima e outras pessoas envolvidas,
pelo elevado grau de profissionalismo existente na
corporação.
2. Humanização: Um Abrandamento do Caráter
Técnico da Medicina
A Portaria GM/MS n.º 1.863, de 29 de setembro de
2003, trata da ―Política Nacional de Atenção às
Urgências‖ trazendo novos elementos conceituais,
como o princípio da humanização.
Parece estranho falar de humanização num campo em
que deveria ser implícito o ―amor ao próximo‖, como é
o caso da medicina. Todavia, com o advento da vida
moderna, a explosão demográfica e os parcos e
poucos recursos e investimentos na área da saúde,
fazem com que o profissional, muitas vezes, tenha uma
sensação de impotência frente ao sofrimento de
milhares de pessoas, e, com isso faz crescer no seu
íntimo, mesmo que de modo imperceptível,
mecanismos de defesa em que cria uma verdadeira
―casca‖, não vendo na vítima uma pessoa, mas um
objeto que necessita de seus cuidados profissionais,
visto que não tem a solução para todas as mazelas
criadas por falta de políticas públicas de saúde.
Necessário foi ao Ministério da Saúde humanizar o
serviço, através de um programa próprio, visando
atenuar os efeitos desumanizantes, que retira da
pessoa humana seu mais importante valor: a
dignidade.
No caso do atendimento pré-hospitalar, o
conhecimento cientifico deveria ser, por si só, motivo
de sucesso para um
resultado positivo quando no socorro à vítima. O que
se tem observado recentemente é que este fator,somado à estressante rotina dos numerosos
atendimentos diários nos grandes centros, bem como
a fragilidade do ser humano, tanto do paciente como
do socorrista (ambos envolvidos com sentimentos de
respeito, simpatia, empatia, angústia, raiva, medo,
compaixão), o que tem gerado problemas no
atendimento à vítima. Deixamos de ver nele muitas
vezes o ser humano que está necessitado, hora pelo
enfoque direto no trauma, hora pela banalização do
acidente.
Necessário, então, é falar em humanização no
atendimento pré-hospitalar. Então: o que é
humanização ? Podemos entende-la como valor, na
medida em que resgata o respeito à vida humana,
levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas,
educacionais e psíquicas presentes em todo
relacionamento humano.
Humanizar o atendimento não é apenas chamar a
vítima pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios
constantemente, mas também compreender seus
medos, angústias e incertezas, dando-lhe apoio e
atenção permanente.
O profissional humanizado deve apresentar algumas
características que tornam o atendimento a um
traumatizado mais digno:
● Focalizar não somente o objeto traumático, mas
também os aspectos globais que envolvem o paciente,
não se limitando apenas às questões físicas, mas
também aos aspectos emocionais;
● Manter sempre contato com a vitima, buscando uma
empatia por parte da mesma;
● Prestar atenção nas queixas do paciente, tentando
sempre que possível aliviar a dor do paciente;
● Manter a vitima, sempre que possível, informada
quanto aos procedimentos a serem adotados;
● Respeitar o modo e a qualidade de vida do
traumatizado;
● Respeitar a privacidade e dignidade do paciente,
evitando expor o mesmo sem necessidade.
Os profissionais da área da saúde e não oriundos da
área da saúde, como os bombeiros militares, por sua
formação, dedicam-se ao atendimento humanitário. E,
assim sendo devem ter sempre uma conduta
humanista, no entender de Pablo González Blasco:
"humanista é o homem que define atitudes concretas
diante da vida, fruto da sua reflexão e como
conseqüência de uma filosofia que norteia sua
existência. Se este homem humanista é médico, essas
atitudes que envolvem a sua própria vida atingirão as
outras vidas, aquelas que ele tem que cuidar, e
portanto implicarão uma postura concreta diante da
vida humana, da vida doente, do sofrimento e da dor,
da vida que se acaba".
Humanizar também é, além do atendimento fraterno e
humano, procurar aperfeiçoar os conhecimentos
continuadamente; é valorizar, no sentido antropológico
e emocional, todos os elementos implicados no evento
assistencial. Na realidade, a humanização do
atendimento, seja em saúde ou não, deve
valorizar o amor ao próximo, prestigiando a melhoria
nos relacionamentos entre pessoas em geral.
1° Módulo: Introdução
2° Módulo: Direção Defensiva
3° Módulo: Cinemática do Trauma
4° Módulo: Equipamentos utilizados no atendimento
5° Módulo: Sinais Vitais
6° Módulo: Atendimento Inicial
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4048
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4049
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4050
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4051
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4052
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4053
7° Módulo: Vias Aéreas
8° Módulo: Ressuscitação Cardiopulmonar
9° Módulo: Hemorragia e Choque
10° Módulo: Fraturas e luxações
11° Módulo: Traumatismo cranioencefálico e
raquimedular
12° Módulo: Trauma de tórax
13° Módulo: Referências Bibliográficas
2° Módulo: Direção Defensiva
1. Introdução
Como motorista de uma ambulância, além de
dominar todas as habilidades indispensáveis à
prática da direção segura de veículos em geral,
você deverá estar familiarizado com conceitos
próprios da condução de uma vítima e da equipe
que lhe oferece atendimento, pois na qualidade de
motorista você é responsável pela sua própria vida
e das outras pessoas presentes no trânsito. Além
disso, você é responsável pela segurança da sua
equipe de socorristas e pelo bem estar da vítima
conduzida no interior da ambulância.
2. Direção e Segurança
A maioria dos acidentes de trânsito, decorrem em
sua maioria de erros humanos, pelos seguintes
motivos:
● Desrespeito as Leis, Normas e regulamentos de
trânsito;
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4054
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4055
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4056
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4057
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4058
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4058
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4059
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4060
● Abuso dos limites operacionais de segurança do
veículo;
● Pressa excessiva em querer chegar no local da
ocorrência, e posteriormente ao hospital;
● Descortesia no trânsito: ser cortês alivia o stress
do trânsito, demonstra alto nível de educação e
elevação social.
● Irresponsabilidade agindo com negligência,
imprudência ou imperícia;
● Condição física do condutor, como cansaço,
sonolento e sob efeito de drogas em geral (álcool,
medicamentos, etc.)
3. Elementos de Direção Defensiva
Direção defensiva é dirigir de modo a evitar
acidentes, apesar das ações incorretas (erradas)
dos outros e das condições adversas (contrárias),
que encontramos nas vias de trânsito.
Existem alguns elementos fundamentais para a boa
prática da direção defensiva, com a observação
dos mesmos o risco é diminuído, são eles.
3.1. Conhecimento
É o ato de estar sempre consciente das noções
exigidas para a habilitação, os conteúdos do CTB
(Código de Trânsito Brasileiro) e as informações
sobre os riscos e a melhor forma de evitá-los.
Embora a experiência seja uma fonte
importantíssima de conhecimento, demonstra-se
que, o programa de treinamento aumenta em muito
a capacidade defensiva do motorista.
3.2. Atenção
Enquanto dirige, o motorista tem que estar alerta o
tempo todo, zelando pela sua própria segurança,
dos passageiros e da vítima que está
transportando, bem como pelos demais presentes
no trânsito. Estar alerta significa estar com a
atenção concentrada todo o tempo no ato de
dirigir, sem distrações, vendo tudo o que se passa
adiante, atrás (espelhos retrovisores) e nas laterais
do veículo. O pensamento deve ocupar-se
exclusivamente do ato de dirigir e não de outros
assuntos. Atento, o motorista pode reconhecer
situações de perigo potencial, reagir em tempo e
agir de modo a prevenir acidentes.
3.3. Previsão
É a capacidade de antecipar ou antever situações
e eventos, são muitas vezes frações de segundos,
porém, tendo em mente uma atitude de
previsibilidade, será suficiente, para tentar uma
reação positiva, evitando um acontecimento. Se o
motorista, vistoria o veículo antes de assumir o
serviço, programa o itinerário, reduz a velocidade
próximo a áreas de risco como cruzamentos,
escolas, hospitais, etc., se o motorista, ao ver uma
criança brincando na calçada, antevê a
possibilidade de que ela possa atravessar a rua
repentinamente e diminuí a velocidade, terá
melhores condições de frenagem ou desvio do
veículo caso o inesperado aconteça.
3.4. Decisão
É a possibilidade da ação de decidir, diante de uma
situação de risco. É saber escolher dentre as
opções possíveis a de maior segurança naquele
momento específico.
3.5. Habilidade
É o requisito desenvolvido através do aprendizado
e do treinamento. Conduzir um veículo de socorro,
é um ato de muita responsabilidade, muitas vezesa emergência, a adrenalina, o stress, tendem a
dominar a situação, porém o bom motorista, se
mantém paciente e calmo, não deixando-se
dominar por sensações que tendem a alterar seu
estado psicológico e as funções mecânicas do
corpo físico. Necessitando o motorista,
desenvolver a habilidade de realizar manobras
entre veículos, ultrapassagens, cruzamentos,
canaletas de expresso, entre outros. Mas, com
condições, é fundamental demonstrar as suas
ações para os outros motoristas, o que pretende
fazer, qual a atitude que pretende tomar, lembre-se
as outras pessoas não são obrigadas a adivinhar
seu pensamento.
4. Direção em Condições Adversas
Algumas condições climáticas e naturais afetam as
condições de trânsito. Sendo fatores ou
combinações de fatores que contribuem para
aumentar as situações de risco no trânsito,
podendo comprometer a segurança. Sob estas
condições, o motorista da ambulância, deverá
adotar atitudes preventivas que garantam, como já
foi visto, a segurança da equipe, da vítima e dos
demais usuários das vias públicas.
4.1. Chuva
Reduz a possibilidade de ver e ser visto de todos os
condutores, pelo acúmulo de água nos para-brisas
e pelo embaçamento dos vidros no carro fechado,
causado pela respiração de seus ocupantes. Além
disso, deposita uma lâmina de água sobre a pista,
o que modifica a aderência dos pneus, dificultando
a frenagem e favorecendo derrapagens,
proporcionando a ocorrência de hidro ou
aquaplanagem.
4.1.1. Atitudes defensivas do motorista:
● Conserve e revise constantemente os limpadores
de pára-brisas e seu sistema de acionamento e
fusíveis;
● Ao dirigir redobre os cuidados e a atenção;
● Reduza a velocidade para aumentar a aderência
dos pneus ao solo, evitando derrapagens e
favorecendo as ações dos freios;
● Aumente a distância com o veículo à frente, e
evite ficar ao lado de outros veículos;
● Se possível, deixe dois centímetros das janelas
abertas, para evitar o embaçamento e acione os
dispositivos desembaçadores disponíveis;
● Acenda os faróis baixos;
● Não freie bruscamente, acione o freio suave e
gradativamente;
● Em caso de chuva torrencial ou chuva de granizo,
que impeçam a direção com segurança e a perda
de visibilidade, estacione em local seguro, acione
as luzes de alerta, e aguarde que o tempo melhore.
4.2. Aquaplanagem
É quando o veículo flutua na água, perdendo a
aderência do pneu com o solo, o motorista perde
totalmente o controle do veículo, podendo ocorrer
em qualquer tipo de piso.
4.2.1. Atitudes defensivas do motorista:
● Observar com atenção presença de poças de
água sobre a pista, mesmo não havendo chuva;
● Reduzir a velocidade antes de entrar na área
empoçada;
● Quando o veículo estiver na poça, não utilize os
freios, segure firmemente o volante, procurando
mantê-lo reto com a pista, até conseguir
novamente a aderência do veículo;
● Sempre verifique a profundidade dos sulcos dos
pneus da ambulância;
4.3. Vento
Produzido por condições climáticas ou pela
passagem de outros veículos, pode deslocar o seu
veículo, reduzindo e ocasionando a perda de
estabilidade e o descontrole do veículo.
4.3.1. Atitudes defensivas do motorista:
● Acostume-se a olhar a vegetação ao redor da
pista, é um bom indicativo da velocidade dos
ventos e sua direção;
● Ao perceber um grande veículo em sentido
contrário ou ultrapassando-o, reduza a velocidade;
● Tome o controle firme do volante, afaste-se um
pouco para a direita;
● Cuidado especial com pontes e viadutos.
4.4. Neblina ou Cerração
4.4.1. Atitudes defensivas do motorista:
● Ligue os faróis baixos (a luz alta causa o
fenômeno da reflexão, causando ainda menos
visibilidade), ou a luz de neblina se tiver;
● Redobre a atenção e o cuidado, diminuindo a
velocidade;
● Evite realizar ultrapassagens;
● Caso não haja condições mínimas de segurança e
visibilidade, estacione, e aguarde melhores
condições de dirigibilidade;
● Caso seja absolutamente necessário dirigir,
procure seguir um veículo maior como caminhão ou
ônibus, com certa distância segura;
● Atenção com frenagens bruscas ou até mesmo
paradas repentinas dos veículos à frente.
4.5. Iluminação
A intensidade da luz modifica a possibilidade de
ver e ser visto. A luz em excesso ofusca a visão e a
penumbra oculta as pessoas e outros veículos.
4.5.1. Atitudes defensivas do motorista:
● Em condições de iluminação inadequada reduza a
velocidade;
● Havendo excesso de luz, abaixe o papa sol, em
certos casos use óculos escuros (crepúsculo
matutino ou vespertino);
● Desvie o olhar da fonte luminosa e busque
referências, como o meio fio ou o traçado lateral
da via;
● À noite, use faróis baixos ao cruzar veículos e
desvie o olhar do foco dos faróis que cruzam com
você;
● Em condições de penumbra deixe as luzes do
veículo acessas, facilitando ser visto.
4.6. Condições Adversas da Via
O motorista da ambulância deve estar, atento as
inúmeras alterações das condições das vias, que
são muito variáveis nos atendimentos das
ocorrências, como:
● Largura insuficiente;
● Ponte estreita;
● Trechos escorregadios;
● Má conservação da pista;
● Falta de acostamento;
● Curvas mal dimensionadas;
● Força centrífuga;
● Falta de placas de sinalização;
● Vegetação muito alta e muito próxima da pista;
● Drenagem insuficiente.
5. Orientações Para Evitar o Desgaste Físico ao Dirigir
● Dirija com os braços e pernas ligeiramente
flexionados e relaxados, evitando tensões;
● Apóie o corpo junto ao banco o mais próximo de
um ângulo de 90º;
● Procure manter a cabeça junto ao encosto, sem
forçar a musculatura do pescoço;
● A posição das mãos sobre o volante, deve estar
na posição do relógio, às 09 horas e 15 minutos;
● Procure manter os calcanhares apoiados sobre o
assoalho, evite manter os pés sobre os pedais
quando não estiver usando-os;
● Nunca dirigir ao fazer uso de bebidas alcoólica ou
drogas;
● Nunca dirigir fumando ou ao telefone celular;
● Nunca dirigir se estiver utilizando remédios que
modifiquem o comportamento psicofísico, de
acordo com o seu médico;
● Evite dirigir após ter participado de discussões
com seus familiares ou no trabalho;
● Evite dirigir sob forte tensão, ou acometido de
forte emoção;
● Evite dirigir quando estiver com sono, os ficar
muito tempo sem dormir, dormir pouco ou dormir
mal;
● Evite dirigir logo após realizar refeições muito
pesadas, que induzem ao sono;
● Certificar-se que não há nenhum objeto que
possa ser deslocado quando em movimento;
● Dirigir com roupas confortáveis, e adequadas a
temperatura ambiente, para não sentir muito frio e
nem muito calor;
● Sempre faça check-up completo para constatar
problemas, como histórico de problemas cardio-
vasculares, pressão arterial fora dos padrões
normais, com suspeita de epilepsia, ou qualquer
outro que possa colocar em risco as seguras
condições de direção. Ao constatar, solicite
imediatamente afastamento das funções de
motorista, desde que comprovadamente orientado
por médico responsável;
● Esteja sempre em dia com os exames
oftalmológicos, para uso de óculos ou lentes
corretivas;
● Enquanto dirige converse apenas o indispensável
com a equipe de serviço;
● Quando a ambulância em movimento, o rádio
deverá ser acionado por outro integrante da
equipe;
6. Inspeção Veicular
Todo veículo, inclusive a ambulância, dispõe de
equipamentos e sistemas importantes para evitar
situações de perigo que possam levar a acidentes,
como pneus, sistema de freios, iluminação,
suspensão, direção, etc.
Todos os componentes e equipamentos do veículo,
se desgastam com o uso; o desgaste de um
componente pode prejudicar o funcionamento de
outros e comprometer a segurança. Isso deve ser
evitado, observando-se a vida útil e a durabilidade
definida pelos fabricantes doscomponentes,
dentro de condições específicas de uso.
É de responsabilidade do motorista, em toda
passagem de serviço, ao assumir a ambulância,
realizar a manutenção preventiva e verificar o
funcionamento de itens obrigatórios. A observação
é simples seja pela inspeção do painel ou inspeção
visual/manual.
Realizar uma ficha de vistoria da ambulância, para
facilitar o acompanhamento das manutenções e as
condições gerais da ambulância, onde deverá
conter: Identificação da ambulância, kilometragem,
data, nome do motorista e deixar um espaço para
anotar observações apontadas pelo motoristas que
está saindo de serviço.
Deverá ainda verificar obrigatoriamente:
● Indicador do nível de combustível;
● Observar os reservatórios do nível de óleo do
motor, do sistema de freio, direção hidraúlica e
sistema de transmissão (câmbio);
● Certifique-se que não há vazamentos presentes,
ou sinais de consumo excessivo;
● Aferir as condições dos filtros de ar e óleo;
marcar na ficha de apontamentos a quilometragem
para a troca destes itens;
● Nível do reservatório da água do radiador e do
reservatório do limpador do pára-brisa;
● Palhetas do limpador do pára-brisa, se estiverem
danificadas ou ressecadas, solicite a substituição;
● Funcionamentos das luzes dos faróis, luzes baixa,
média e alta;
● Funcionamento dos piscas, da luzes traseira, luz
de ré e de freio;
● Verificar sirene,luzes de emergência;
● Pneus : verifique as condições gerais, desgastes,
profundidade dos sulcos, existência de
deformidades;
● Calibragem: deve ser feita para as ambulâncias,
pelo menos uma vez a cada três dias, siga as
recomendações do fabricante para as libras de
pressão necessárias (não esqueça do estepe);
● Verifique, os cintos de segurança, freio de mão,
espelhos retrovisores, extintor de incêndio;
● Verificar as mangueiras (combustível, óleo e
água), procurando por vazamentos, ressecamentos
e encaixes, os quais podem romper as mesmas;
● Verificar visualmente as correias, atenção para a
kilometragem recomendada para troca pelo
fabricante.
Importante, é anotar todas as alterações
encontradas, repassar imediatamente ao
responsável para que providencie a imediata
substituição, avise sempre durante a passagem de
serviço, mostrando a ficha de apontamentos para o
motorista que estará assumindo a ambulância;
quando houver qualquer alteração das peças
acima, bem como a troca ou complemento do óleo
da e água, também deverá ser anotado para
controle. Percebendo qualquer tipo de situação
anormal com a ambulância, barulhos que não são
normais, falhas de acionamento elétrico ou do
motor, sons estranhos, etc., comunicar
imediatamente, para evitar que o problema se
agrave. Não se esqueça a vítima pode ser você.
Assim você estará fazendo a sua parte, cuidando
do bem público, aumentando a vida útil do veículo.
7. Velocidade e Tempo de Reação
Do ponto de vista da segurança devemos estar
sempre muito atentos na condução de um veículo,
pois a qualquer momento pode ser necessário
tomar uma ação rápida para evitar se envolver em
um acidente de trânsito. Quando um motorista
precisar frear bruscamente, o seu automóvel deve
ter uma distância mínima do veículo que segue à
frente para garantir a sua segurança e a dos
outros. Mesmo que as condições do motorista, do
automóvel, dos freios, dos pneus e do asfalto
sejam as melhores possíveis, existe um
determinado tempo para que o motorista possa
reagir a uma situação de risco. Esse tempo é
denominado TEMPO DE REAÇÃO que varia de
pessoa para pessoa (+ ou – de 0,75 a 1,5 segundo)
e é decorrente de um estímulo e uma reação
efetiva do condutor (resposta). Já a DISTÂNCIA DE
REAÇÃO é o espaço percorrido pelo veículo no
instante em que o motorista percebeu uma
situação de risco potencial a sua frente, até o
momento em que ele acionou o sistema de freios
do seu veículo. Do momento em que o motorista
acionou o pedal de freios até o ponto em que o
veículo parou – nesse segmento, que varia segundo
o estado dos freios, dos pneus, das condições da
via pública (seca, rugosa, lisa, molhada, aclive,
declive) – essa distância percorrida pelo veículo é
chamada de DISTÂNCIA DE FRENAGEM. Para
sabermos qual é o espaço necessário para parar o
veículo, deve-se somar a distância de reação à
distância de frenagem. Quando estamos logo atrás
de outro veículo é indispensável que exista uma
distância de segurança que nos permita imobilizar
o automóvel sem colidir com o veículo da frente,
em caso de uma freada ou manobra brusca. Essa
distância varia de acordo com a velocidade
desenvolvida e a permitida para o local. A tabela
3.1 nos proporcionará uma idéia dos tempos de
reação, distância de reação e de velocidade,
necessários para um veículo parar em diferentes
velocidades:
Existem vários tipos de colisão que podem
acontecer com o seu veículo, e os comportamentos
perigosos dos condutores nas vias também são
bem variados, mas o fator mais comum nos
acidentes é não ter conseguido desviar ou parar a
tempo o seu veículo, evitando a colisão.
8. Como Parar
Você, condutor defensivo, deve conhecer os tipos
de paradas do veículo, tempo e distância
necessários para cada uma delas.
● Distância de seguimento – É aquela que você
deve manter entre o seu veículo e o que vai à
frente, de forma que você possa parar, mesmo
numa emergência, sem colidir com a traseira do
outro. O ideal é manter a distância de
aproximadamente dois segundos em relação a um
ponto fixo.
● Distância de reação – É aquela que seu veículo
percorre, desde o momento que você vê a situação
de perigo, até o momento em que pisa no freio. Ou
seja, desde o momento em que o condutor tira o pé
do acelerador até colocá-lo no freio. Varia de
pessoa para pessoa, mas no geral está entre 0,75 e
1,5 segundos.
● Distância de frenagem – É aquela que o veículo
percorre depois de você pisar no freio até o
momento total da parada. Você sabe que o seu
veículo não pára imediatamente, não é mesmo?
● Distância de parada – É aquela que o seu veículo
percorre desde o momento em que você vê o
perigo e decide parar até a parada total do seu
veículo, ficando a uma distância segura do outro
veículo, pedestre ou qualquer objeto na via. Ou
seja, é a soma da distância da reação com a
distância da frenagem.
9. Distância Segura
Para você saber se está a uma distância segura
dos outros veículos, vai depender das condições
climáticas (sol ou chuva), da velocidade, das
condições da via, dos pneus e do freio do carro, da
visibilidade e da sua capacidade de reagir
rapidamente.
Existem tabelas e fórmulas para você calcular esta
distância, principalmente nas rodovias, mas como
elas variam muito, e dependem além do tipo e peso
do veículo, de outros fatores que também variam
muito, o melhor é manter-se o mais longe possível
(dentro de um juízo de bom senso), para garantir a
sua segurança.
Porém, para manter uma distância segura entre os
veículos nas rodovias, sem a utilização de
cálculos, fórmulas ou tabelas, vamos lhe ensinar a
usar "o ponto de referência fixo":
● Observe a estrada à sua frente e escolha um
ponto fixo de referência (à margem) como uma
árvore, placa, poste, casa, etc.
● Quando o veículo que está à sua frente passar
por este ponto, comece a contar pausadamente:
mil e um, mil e dois. (mais ou menos dois
segundos).
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência
antes de contar (mil e um e mil e dois), deve
aumentar a distância, diminuindo a velocidade,
para ficar em segurança.
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência
após você ter falado as seis palavras, significa que
a sua distância, é segura.
● Este procedimento ajuda você a manter-se longe
o suficiente dos outros veículos em trânsito,
possibilitando fazer manobras de emergênciaou
paradas bruscas necessárias, sem o perigo de uma
colisão.
10. Dirigindo uma Ambulância
10.1. Responsabilidade do Motorista de uma
Ambulância
No atendimento pré-hospitalar a vítimas de
emergências, o papel do motorista da equipe
reveste-se especial importância, sem ele a unidade
de atendimento não se desloca e dele depende a
segurança do conjunto socorrista-vítima, adotado
em sua cidade:
Para desempenhar bem o seu papel o motorista da
unidade de emergência deve:
● Ser habilitado, atualmente o CTB, exige a
categoria ―D‖, para ser motorista de ambulância;
● Ter feito pelo menos um curso de direção
defensiva;
● Conhecer a cidade e dominar seu sistema viário,
conhecendo as principais referências para se
situar em qualquer bairro;
● Saber situar com rapidez o destino para o qual é
despachado e saber obter informações adicionais
da central de operações, via rádio, para melhor
localizar o destino exato;
● Decidir-se pelo caminho mais rápido e seguro e
dirigir-se diretamente para o local;
● Dirigir com a rapidez possível, dando prioridade
total á segurança da ambulância e sua equipe, dos
demais veículos e seus ocupantes e dos pedestres;
● Estacionar a ambulância cuidadosamente e em
segurança;
● Participar do atendimento da vítima (o ideal é que
o motorista também seja socorrista);
● Conhecer as lesões apresentadas pela vítima e o
tipo de atendimento que deverá receber em rota,
dirigindo de modo compatível com a segurança;
● Cuidados com freadas bruscas, lombadas,
deformações na pista, evitando agravar as lesões;
● Usar o caminho menos acidentado e mais direto
para o hospital destinado a receber vítima;
● Usar de modo apropriado a sinalização da
ambulância;
● Administrar seu tempo de folga garantindo
repouso pessoal adequado a um desempenho
seguro.
10.2. Sinalização da Ambulância
A sinalização da ambulância tem por finalidade
assinalar aos demais motoristas e pedestres a
presença de um veículo deslocando-se em regime
de urgência, seja para chegar a um local onde um
atendimento foi requisitado, seja por estar
transportando uma pessoa em estado crítico,
necessitando chegar a um hospital ao menor
tempo possível, com segurança máxima. Somente
nestes casos está indicado e justificado o uso da
sinalização especial do veículo.
A sinalização tem limitações no seu alcance, não
garante que todos irão percebela, nem tampouco
garante que aqueles que perceberam vão colaborar
e lhe dar passagem. Ou seja, embora usando toda a
sinalização disponível, ainda assim o condutor da
ambulância deve tomar todos os cuidados
prescritos pela prática da direção defensiva.
A luz vermelha é mais eficaz como sinalização
dirigida para os veículos que transitam em sentido
oposto. A sirene é mais efetiva para alertar os
motoristas dos veículos à frente da ambulância,
devendo ser ligada com antecedência, para ser
ouvida de longe (acionar a sirene logo atrás do
veículo da frente pode assustar o motorista,
fazendo-o frear bruscamente, com risco de
colisão). O comportamento desejado (e nem
sempre produzido) é de que o condutor do veículo à
frente libere a passagem, retirando seu veículo o
mais o para a direita possível e parando até que o
veículo de emergência ultrapasse. Quando mais de
um veículo de emergência está em deslocamento,
a distância mínima entre eles deve ser de 150
metros. Veículos de emergência não devem se
ultrapassar.
10.3. Transportando uma Vítima
Poucas emergências exigem o deslocamento
urgente para o hospital. Entre elas destaca-se a
hemorragia incontrolável e os casos de nível 3.
Mesmo neste caso, entretanto, a segurança
continua tendo prioridade sobre a urgência, uma
vez que um acidente envolvendo a ambulância
produzirá considerável atraso na chegada da vítima
ao seu destino.
Nas emergências em que o diagnóstico pré-
hospitalar da vítima não seja muito grave (nível 1 e
2), portanto, em que a urgência seja relativa, o
deslocamento suave impede que as lesões
apresentadas pela vítima sofram agravos
secundários, decorrentes de solavancos,
deslizamentos e deslocamentos, sendo de todo
desejável. Isto é particularmente verdadeiro se a
vítima apresenta fraturas, especialmente aquelas
com lesão associada de vasos sangüíneos e
nervos.
Nos pacientes com problemas cardiológicos, o
tranporte deve ser o menos turbulento possível.
São pacientes que experimentam uma aguda
sensação de morte iminente, que pode ser
acentuada pela remoção tumultuada. Em princípio
está contra indicado o uso da sinalização da
ambulância, especialmente a sirene. Se o paciente
encontra-se em parada cardio-respiratória, é claro
que há urgência em se chegar ao hospital.
Entretanto, a equipe não pode manter uma RCP
adequada se a ambulância estiver se deslocando
em alta velocidade, o que impede manobras
efetivas.
Pacientes psiquiátricos também se sentem melhor
e mais cooperativos se transportados sem a
sinalização sonora.
Nas emergências obstétricas, o transporte também
deve ser calmo e cuidadoso. Se o parto se
desencadeia, o melhor a fazer é estacionar a
ambulância em segurança e ajudar na realização
do mesmo e no cuidado do recém-nato, após o que
pode-se prosseguir até o hospital.
10.4. Seqüência de Procedimentos ao Estacionar a
Ambulância
● Aproximar-se do local da emergência com
cautela;
● Avaliar a área de estacionamento a ser utilizada;
● Observar as condições de risco do local para
pessoas e coisas;
● Decidir sobre o local de estacionamento com
base no emprego da ambulância, facilitando o
embarque da vítima;
● Avisar o COBOM de sua chegada e das condições
encontradas;
● Estacionar de forma que se permita , se possível,
a fluidez do trânsito, deixando espaço para outras
viaturas;
● Posicionar as viaturas de forma a proteger as
guarnições;
● Calçar a viatura e estabilizá-la quando for o caso;
● Sinalizar a viatura e o local escolhido;
● Isolar a área;
● Informar o COBOM sobre as áreas de
estacionamento, e qualquer informação que auxilie
as outras viaturas que poderão ser deslocadas ao
sinistro.
3° Módulo: Cinemática do Trauma
1. Introdução
Trauma é uma lesão caracterizada por uma
alteração estrutural ou fisiológica resultante da
ação de um agente externo que resulta na
exposição a uma energia (mecânica, térmica,
elétrica), esta energia pode ter origens bio-físico-
químicas.
As mortes ocasionadas por traumas ocupam entre
a segunda ou terceira posição geral na morbidade
dos países, (perdendo apenas para as doenças
cardiovasculares e neoplasias). Porém entre os
indivíduos das faixas etárias inferiores a 40 anos é
a principal causa de morte.
Cada vítima de trauma aparenta ter suas próprias
apresentações de lesões, mas na verdade muitos
pacientes possuem métodos similares de
traumatismos. O conhecimento destes
mecanismos de lesões permitirão ao médico e
socorrista um rápido diagnóstico ou pelo menos a
suspeita das lesões através de métodos usuais.
No atendimento inicial do traumatizado devemos
apreciar criteriosamente os mecanismos que
produziram os ferimentos. Entendendo os
mecanismos de trauma e mantendo um alto grau
de suspeita, o socorrista ganha em aptidão para
diagnosticar os ferimentos ocultos e um precioso
tempo na instituição do tratamento. Todo
ferimento potencialmente presente deve ser
investigado, tendo em vista o mecanismo de
trauma em questão.―Saber onde procurar lesões e
tão importante quanto saber o que fazer após
encontra- las‖
Embora existam vários mecanismos de trauma os
mais comuns relacionam-se com o movimento,
respondendo pela maioria das mortes por trauma.
Cinemática do Trauma é portanto o processo de
análise e avaliação da cena do acidente, com o
escopo de se estabelecer um diagnóstico o mais
precoce possível das lesões resultantes da
energia, força e movimentosenvolvidos. Através da
cinemática do trauma o socorrista pode informar
ao médico intervencionista e/ou regulador dados de
suma importância para o tratamento mais
adequado a ser dispensado na fase hospitalar, e
também guiar seu próprio atendimento pré-
hospitalar. Esta ciência é baseada em princípios
fundamentais da física:
- Primeira Lei de Newton -"Todo corpo permanece
em seu estado de repouso ou de movimento
uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado
a mudar seu estado por forças impressas a ele." -
Princípio da Inércia. (Mesmo que um carro colida e
pare, as pessoas no seu interior continuam em
movimento até colidirem com o painel, direção,
pararias etc.)
Mas, por que este repentino início ou parada de
movimento resulta em trauma ou lesões? Esta
questão é respondida por um segundo princípio da
Física:
―A energia pode ser transformada de uma forma em
outra em um sistema isolado, mas não pode ser
criada ou destruída; a energia total do sistema
sempre permanece constante‖. Considerando-se o
movimento de um carro como uma forma de
energia (energia cinética), quando o carro colide,
esta forma de energia é transformada em outras
(mecânica, térmica, elétrica, química).
Conclui-se que quanto maior a velocidade, maior a
troca de energia resultando assim em maiores
danos aos organismos envolvidos.
Para que um objeto em movimento perca
velocidade é necessário que sua energia de
movimento seja transmitida a outro objeto. Esta
transferência de energia ocorre quando, por
exemplo um objeto em movimento colide contra o
corpo humano ou quando o corpo humano em
movimento é lançado contra um objeto parado, os
tecidos do corpo humano são deslocados
violentamente para longe do local do impacto pela
transmissão de energia, criando uma cavidade,
este fenômeno chama-se cavitação. A avaliação da
extensão da lesão tecidual é mais difícil quando
não existe penetração cutânea do que quando há
uma lesão aberta. Por exemplo, um soco desferido
no abdome pode deformar profundamente a parede
abdominal sem deixar marcas visíveis
externamente, mas com lesão de órgãos
abdominais internos. Por isso é obrigatório
pesquisar a história do evento traumático. Uma
cavidade com deformação visível após um impacto
é definida como permanente. Já uma cavidade (ou
deformidade) não visualizada quando o socorrista
ou médico examina a vítima é definida como
temporária, na qual o tecido retorna para a sua
posição normal. A diferença entre as duas está
relacionada a elasticidade dos tecidos.
Fig 4.1 – Fenômeno da cavitação gerando cavidade
temporária e definitiva nos ferimentos por projétil
de arma de fogo
Analisando o mecanismo de trauma é possível ao
socorrista estimar o tamanho da cavidade no
momento do impacto, assim como as demais
lesões decorrentes do mesmo.
2. Fases da Cinemática do Trauma
Na avaliação da cinemática do evento que possa
causar traumatismos em um indivíduo podemos
dividir sua evolução em 3 fases: Pré-colisão,
Colisão e Pós-colisão. (Consideremos a colisão não
apenas como acidente automobilístico mas
também colisão de qualquer objeto, corpo ou forma
de energia contra o corpo humano).
2.1. Pré-colisão: A história do incidente
traumatizante começa com a pré-colisão com
dados como ingestão de álcool ou drogas, doenças
preexistentes, condições climáticas e ainda
tamanho, peso, idade e sexo da vítima e/ou
agressor.
2.2. Colisão: A segunda e talvez a mais importante
fase na anamnese do trauma é a ―fase da colisão
propriamente dita‖, fase esta que começa quando
um objeto colide com outro e ocorre uma
transmissão de energia entre eles. Os objetos
podem estar em movimento ou um deles
estacionado, e qualquer um dos objetos ou ambos,
podem ser um corpo humano. Esta fase começa
pelo início das trocas e transformações
energéticas entre os corpos e termina quando a
ação energética se extingue ou deixa de atuar
sobre o organismo da vítima.
São considerações importantes para o
atendimento:
● A direção na qual a variação de energia ocorreu.
● Quantidade de energia transmitida.
● Forma com que estas forças afetaram o paciente.
(Exemplo: altura da queda, calibre da arma,
tamanho da lâmina).
2.3. Pós-colisão: As informações conseguidas nas
fases anteriores são usadas para melhor
abordagem da vítima na fase pós-colisão, fase esta
que inicia tão logo a energia se extingua ou deixe
de atuar sobre o organismo da vítima.
3. Trauma Contuso x Trauma Penetrante
Está diretamente relacionado ao tamanho da
superfície de contato do objeto contra o corpo no
momento do impacto.
Se toda a energia do objeto está concentrada
numa pequena área de contato com a superfície do
corpo, se espera que a pele se rompa e o objeto
penetre no corpo (trauma penetrante). Por outro
lado, um objeto grande, a energia vai se espalhar
por uma grande área da superfície corporal e a pele
pode não ser rompida (trauma contuso). Da mesma
forma podemos concluir que o trauma contuso cria
uma cavidade temporária, já no trauma penetrante
a cavidade pode ser temporária ou definitiva. Por
exemplo: um projétil de arma de fogo, rompe e
penetra na pele cavidade definitiva — e no seu
trajeto pelo corpo pode provocar deslocamento de
tecidos no sentido frontal e lateral — cavidade
temporária.
De acordo com o exposto, podemos deduzir que o
efeito do conjunto de forças que resulta em lesões
corporais está diretamente relacionado ao
conhecimento da anatomia do corpo humano e das
diversas formas de energia.
Considerando-se portanto, a relevância do
movimento nos mecanismos de trauma, é
obrigatória a análise clínica da vítima focada nos
aspectos relacionados a cinemática dos corpos
envolvidos na cena do acidente.
O conhecimento da ocorrência de permuta de
energia e de suas variáveis pela equipe de resgate,
tem grande importância prática. Isto pode ser
evidenciado quando se compara duas equipes que
atendem um motorista que se chocou
violentamente contra o volante. A que conhece
cinemática do trauma, mesmo não reconhecendo
lesões externas, saberá que ocorreu uma
cavitação temporária e uma grande desaceleração
suspeitando de lesões de órgãos intratorácicos.
Com isso, a conduta será mais agressiva,
minimizando a morbi-mortalidade dos
pacientes. Já a que não tem estes conhecimentos,
não suspeitará de lesões de órgãos intratorácicos,
retardando o diagnóstico e conduta das mesmas,
influenciando diretamente na sobrevida dos
pacientes.
4. Mecanismos de Lesão
4.1. Acidente Automobilístico – Colisão Frontal
4.1.1. Cabeça e Pescoço: Quando a cabeça colide
contra o para-brisa geralmente ocorrem ferimentos
corto-contusos em crânio e face, com possíveis
lesões nos olhos, o crânio pode ser ainda
comprimido e fraturado ocorrendo a penetração de
fragmentos ósseos no cérebro. A coluna cervical
sofre uma violenta compressão podendo ser
angulada além de seus limites anatômicos,
podendo sofrer luxações e/ou rupturas de vértebras
com consequentes lesões aos tecidos moles do
pescoço e medula espinhal.
4.1.2. Tórax e Abdômen: Durante uma colisão, o
movimento do corpo é suspenso, mas os órgãos da
cavidade torácica e abdominal tendem a continuar
o movimento para frente, estando sujeitos a se
romperem no ponto onde estão ligados à parede
torácica e abdominal, como no pedículo vascular
de órgãos (aorta ascendente, rins, baço, intestino
delgado e grosso). Outra situação em
conseqüência da desaceleração é a laceração do
fígado, geralmente pela compressão do abdômen
contra o volante. Com o aumento de pressão no
abdômen, pode haver ruptura do diafragma.
4.1.3. Joelho: Quando o ocupante do veículo
continua o movimento para a frente e para baixo
depois que o carro para, o impacto do joelho contra
o painel do veículo resulta em sua fratura ouluxação, com lesão de vasos que, se não
detectada, pode levar até à amputação da perna.
A energia do impacto do joelho contra o painel, se
transmitida, causa fratura de fêmur e/ou fratura e
luxação de quadril. Esse tipo de fratura costuma
provocar forte hemorragia, pondo em risco a vida
da vítima.
4.2. Acidente Automobilístico – Colisão Traseira
Se o veículo parado ou que se desloca lentamente
sofre colisão na parte traseira, a energia do
impacto provoca aceleração rápida e o lança à
frente, assim como tudo o que está em contato
com ela. Se não houver apoio para a cabeça, pode
acontecer a hiperextensão do pescoço e o risco de
lesão na medula espinhal. Geralmente, após a
aceleração rápida, o veículo é obrigado a parar
subitamente e seus ocupantes lançados para a
frente, como no mecanismo de colisão frontal.
Como o veículo sofre dois tipos de impacto (frontal
e traseiro), o socorrista ficará atento a essa
possibilidade e, na cena do acidente, buscará as
lesões relacionadas aos dois tipos de situação.
4.3. Acidente Automobilístico – Colisão Lateral
O veículo sofre colisão na sua lateral, causando
deslocamento no sentido do impacto. Toda a
lataria do veículo é lançada sobre o lado do
ocupante, que sofrerá lesões por duas maneiras:
Pelo movimento do carro – lesão bem-discreta se o
passageiro estiver com o cinto de segurança.
Pela projeção da porta para o interior, comprimindo
o passageiro.
Recebendo o impacto no tórax, haveria fratura de
costelas pelo lado da colisão, além de contusão
pulmonar, tórax instável, ruptura de fígado ou
baço. A compressão do ombro contra a clavícula
causaria fratura desse osso.
A força lateral aplicada pela porta do veículo sobre
a cabeça do fêmur, forçando-o medialmente,
resultaria em sua fratura e em fratura da pelve.
A coluna cervical está sujeita a flexão lateral e
rotação pelo impacto lateral, e a combinação
desses dois movimentos é responsável por lesões
graves de coluna cervical.
O socorrista também deve estar atento à
possibilidade de colisão dos ocupantes do veículo
entre si, principalmente entre cabeças e ombros.
4.4. Acidente Automobilístico – Capotamento
Num capotamento, o carro sofre uma série de
impactos em diferentes ângulos, assim como os
ocupantes do veículo e seus órgãos internos.
Assim, todos os tipos de ferimentos mencionados
anteriormente podem ser esperados, além da
probabilidade de trauma de coluna vertebral. Se as
vítimas forem ejetadas do veículo (por estarem
sem cinto de segurança), a situação geralmente é
grave.
4.5. Cinto de Segurança
A maior parte das vítimas com as lesões descritas
anteriormente não estava utilizando o cinto de
segurança. Vinte e sete por cento (27%) das
mortes que ocorrem nos acidentes de trânsito se
devem ao fato de as vítimas serem ejetadas do
veículo. Estas têm seis vezes mais chances de
morrer. Entre as vítimas que não vão a óbito,
grande parte sofre trauma de coluna e fica com
seqüelas graves.
As estatísticas comprovam que o cinto de
segurança realmente salva vidas, considerando-se
mais adequado aquele que cruza tórax e abdômen
e atravessa a pelve (cinto de 3 pontos).
Nos acidentes automobilísticos cujas vítimas
utilizam o cinto de segurança, as lesões
geralmente são poucas e de menor gravidade.
Quando o cinto utilizado apóia somente a pelve, a
energia do impacto é absorvida pelos tecidos
moles da cavidade abdominal, em retroperitônio,
predispondo a lesões de órgãos abdominais
internos.
Ainda assim, seguramente, as lesões são menos
graves do que as de quem não usa qualquer cinto
de segurança.
Para crianças até 10 anos de idade é obrigatória a
permanência no banco traseiro do veículo, e ainda
existem cuidados especiais conforme a tabela
abaixo:
4.6. "Airbag"
Bastante útil na colisão frontal, o air bag absorve a
energia lentamente, aumentando a distância de
parada do corpo na desaceleração rápida, o que
amortece o impacto do corpo contra o interior do
veículo.
Não registra grande benefício na colisão lateral, na
colisão traseira, no capotamento e tampouco numa
segunda colisão, visto que ele desinsufla
rapidamente após o impacto.
4.7. Acidente Automobilístico – Acidente de
Motocicleta
Os acidentes de motocicleta são responsáveis por
grande número de mortes todos os anos. O
mecanismo de trauma é o mesmo da colisão de
veículo e segue as leis da Física.
Numa colisão frontal contra um objeto, a moto
inclina-se para a frente e o motociclista é jogado
contra o guidom, esperando-se trauma de cabeça,
tórax e abdômen. Caso pés e pernas permaneçam
fixos no pedal e a coxa colida contra o guidom,
pode ocorrer fratura bilateral de fêmur.
Na colisão lateral do motociclista, geralmente há
compressão de membros inferiores provocando
fraturas de tíbia e fíbula. a lesão, irradiando-se a
energia para o resto do corpo. Como nos
automobilísticos, geralmente as lesões são muito
graves nesse tipo de acidente.
4.8. Acidente Automobilístico – Atropelamento
Na abordagem de vítima de atropelamento, é
importante conhecer sua idade, pois existem
mecanismos distintos de trauma entre adultos e
crianças. Quando o adulto percebe estar prestes a
ser atropelado, ele se vira de costas para o veículo,
na tentativa de se proteger; logo, as lesões se
localizam nas regiões posterior e lateral do corpo.
Por outro lado, as crianças encaram o veículo
atropelador de frente.
Existem três fases no atropelamento:
● Impacto inicial nas pernas, às vezes atingindo
coxa e quadril;
● Tronco lançado contra o capô do veículo;
● Vítima caída no asfalto – geralmente o primeiro
impacto na cabeça, com possibilidade de trauma
de coluna cervical.
Concluímos que se espera grande número de
lesões em vítima de atropelamento, conforme
análise de cada fase: fraturas de tíbia e fíbula, de
pelve e terço superior de fêmur, trauma de tórax,
abdômen e coluna vertebral, traumatismo craniano.
Na avaliação da cena do acidente, o socorrista
deve determinar se, após o atropelamento a vítima
não foi atropelada uma segunda vez por veículo
que trafegava próximo.
Na criança, pelo fato de ser menor em altura, o
fêmur ou pelve pode sofrer o primeiro impacto e
fraturar já na primeira fase. Seguem trauma de
tórax, cabeça e face. Lesões intratorácicas em
crianças inicialmente seriam assintomáticas,
devendo o socorrista estar atento a essa
possibilidade.
4.9. Quedas
A queda se caracteriza por uma desaceleração
vertical rápida.
No atendimento às vítimas de queda, o socorrista
deve conhecer:
● altura da queda;
● tipo de superfície com que a vítima colidiu.
Exemplos: gramado, concreto etc.;
● parte do corpo que sofreu o primeiro impacto.
Como a velocidade na queda aumenta com a
altura, grandes alturas predispõem a lesões mais
graves.
Como referência, considera-se grave a queda de
altura três vezes maior que a altura da vítima.
Chamamos de "síndrome de Don Juan" a queda de
altura com aterrissagem pelos pés. Conforme a
altura, acontece fratura bilateral de calcâneos.
Após os pés, as pernas são as próximas partes a
absorver a energia - fratura de tornozelos, ossos
longos e quadril. No terceiro momento, verificar
fratura com compressão de coluna torácica e
lombar.
Se a vítima apóia as mãos na queda, espera-se
fratura de punho.
Assim, cabe-nos determinar a parte do corpo que
sofreu o primeiro impacto e, conseqüentemente,
deduzir as lesões relacionadas.
4.10. LESÕES POR EXPLOSÃO
Essas lesões, antes relacionadas somente aos
períodos de guerra, estão tornando-se cada vez
mais comuns no mundo civilizado, visto
acontecerem em refinarias, lojas de fogos de
artifício, estaleiros, indústrias, minas e também em
domicílios, pela explosão de botijões de gás.
A explosão tem três fases:
● Causada pela onda de pressão proveniente da
explosão,atinge particularmente órgãos ocos ou
contendo ar, como pulmões e aparelho
gastrointestinal. Podem ocorrer sangramento
pulmonar, pneumotórax, perfuração de órgãos do
aparelho digestivo. A onda de pressão rompe a
parede de pequenos vasos sangüíneos e também
lesa o sistema nervoso central. A vítima morre sem
que se observem lesões externas. O socorrista,
sempre atento a essas possibilidades, pesquisa
sinais de queimadura nas áreas descobertas do
corpo.
● Em vítima atingida por estilhaços e outros
materiais provenientes da explosão, é possível
encontrar lace rações, fraturas, queimaduras e
perfurações.
● Se a vítima é lançada contra um objeto, haverá
lesões no ponto do impacto e a força da explosão
se transfere a órgãos do corpo. Elas são aparentes
e muito similares àquelas das vítimas ejetadas de
veículos ou que sofrem queda de grandes alturas.
5. Traumas Penetrantes
5.1. Ferimentos Por Arma Branca
A gravidade dos ferimentos por arma branca
depende das regiões anatômicas atingidas, da
extensão da lâmina e do ângulo de penetração,
lembrando que o ferimento no abdômen superior
pode atingir o tórax, e ferimentos abaixo do quarto
É fundamental, no atendimento préhospitalar de
ferimentos por arma branca, cuja lâmina ainda se
encontre alojada no corpo, não remover o objeto e,
sim, imobiliário junto ao corpo e transportar
rapidamente a vítima ao hospital.
A lâmina pode estar promovendo compressão das
extremidades vasculares, o que contém
hemorragias, só devendo ser removida em
ambiente hospitalar.
5.2. Ferimentos Por Arma de Fogo
No atendimento a vítimas de acidentes por arma de
fogo, o sococorrista tenta informar-se sobre o tipo
da arma, seu calibre e a distância de onde foi
disparada.
Calibre - diâmetro interno do tambor, que
corresponde ao calibre da munição usada por
aquela arma em particular.
Munição - usualmente projéteis construídos em liga
de chumbo sólido que apresentam ou não uma
jaqueta parcial de aço ou cobre; formato
arredondado, chato, cônico ou pontiagudo;
extremidade anterior do projétil macio ou côncavo
para favorecer expansão e fragmentação.
Armas de alta e de baixa velocidade - as que
aceleram os projéteis a velocidades mais baixas
são menos letais, incluindo-se aqui todas as armas
de mão e alguns rifles. Ferimentos com essas
armas são menos destrutivos que os produzidos
por projéteis que alcançam altas velocidades,
embora também causem ferimentos letais,
dependendo da área de impacto.
Fatores que contribuem para o dano tecidual.
Tamanho do projétil - quanto maior o projétil, maior
a resistência oferecida pelos tecidos e maior a
lesão produzida por sua penetração.
Deformidade do projétil - projéteis de "extremidade
anterior macia" achatam-se na ocasião do impacto,
resultando no comprometimento de superfície
maior.
Projétil com jaqueta - a jaqueta se expande e amplia
a superfície do projétil.
Giro - o giro do projétil amplia seu poder de
destruição.
Desvio - o projétil pode oscilar vertical e
horizontalmente ao redor do seu eixo, ampliando a
área de destruição.
Distância do tiro - quanto mais próximo o disparo,
maior a lesão produzida.
Densidade dos tecidos atingidos - o dano produzido é
proporcional à densidade do tecido.
Órgãos altamente densos, como ossos, músculos e
fígado, sofrem mais danos do que os menos
densos, lembrando que, ao percorrer o corpo, a
trajetória da bala nem sempre será retilínea,
sofrendo desvios e atingindo órgãos insuspeitados,
considerando os orifícios de entrada e saída.
Ferida de entrada; Geralmente óbvia, pode não ser
identificada se a vítima não for completamente
despida e examinada.
Ferida de saída; Nem sempre existe (se o projétil
não abandonar o corpo) e pode ser múltipla para
um único projétil, devido à sua fragmentação ou à
de ossos. Geralmente a ferida de saída é mais
larga que a de entrada e apresenta bordos
lacerados.
Feridas internas; Projéteis em baixa velocidade
danificam principalmente os tecidos com os quais
entram em contato. A alta velocidade produz
prejuízos a distância, lesando tanto os tecidos com
que o projétil faz contato, como transferindo
energia cinética aos tecidos em redor. Nesse caso,
a lesão é produzida por ondas de choque e pela
formação de uma cavidade temporária ao redor da
bala, com diâmetro trinta a quarenta vezes maior
que o dela própria, criando imensa pressão nos
tecidos.
Com relação ao atendimento de paciente com
ferimento por arma de fogo, transportá-Io
rapidamente ao hospital, principalmente se o
ferimento atingir cabeça, tórax e abdômen. Mesmo
pessoas atingidas enquanto usavam coletes à
prova de bala podem apresentar contusões
orgânicas graves, sendo mais sérias a miocardíaca
e a pulmonar.
4° Módulo: Equipamentos utilizados no
atendimento
1. Introdução
No atendimento a uma situação de emergência é
essencial que a viatura destinada a atender estes
tipos de ocorrência, esteja equipada com todo o
equipamento e material indispensável a oferecer
assistência pré-hospitalar a vítima traumatizada.
Além disso, a guarnição escalada na viatura deve
estar perfeitamente treinada, com conhecimento
profundo quanto à identificação rápida dos
equipamentos e materiais, bem como, das técnicas
de utilização dos mesmos, tornando assim o
atendimento ágil e eficiente.
2. Classificação dos Equipamentos e Materiais
Para fins didáticos, estaremos classificando os
equipamentos e materiais da seguinte forma:
● Equipamentos de comunicação móvel e portátil;
● Equipamentos para segurança no local do
acidente;
● Equipamentos de reanimação e administração de
oxigênio;
● Equipamentos de imobilização e fixação de
curativos;
● Materiais utilizados em curativos;
● Materiais de uso obstétrico;
● Equipamentos para verificação de sinais vitais;
● Macas e acessórios;
● Equipamentos de uso exclusivo do médico.
3. Definição dos Equipamentos e Materiais
3.1. Equipamentos de Comunicação Móvel e Portátil:
● Equipamentos de comunicação móvel, - rádios
VHF/FM: são os mais utilizados no Corpo de
Bombeiros, são capazes de identificar chamadas
possuindo no mínimo 16 canais à 64 canais.
Possuem scan com prioridade dupla e grande visor
alfanumérico de 14 caracteres.
● Equipamentos de comunicação portátil – rádios
VHF/FM: O rádio Portátil possui várias opções e
características que destacam seu desempenho
sendo utilizados no Corpo de Bombeiros modelos
que possuemdesde 16 canais à 64 canais, sem
visor ou com visor alfanumérico de 8 caracteres,
várias faixas de freqüênciaPL/DPL, VOX integrada e
múltiplas opções de baterias.
3.2. Equipamentos para Segurança no Local do
Acidente
● Equipamento de proteção individual – este conjunto
de equipamentos destinam-se a proteção do
socorrista e da vítima, objetivando evitar a
transmissão de doenças, seja pelo contato com a
pele ou através da contaminação das mucosas;
materiais de uso obrigatório no atendimento no
interior das viaturas do Corpo de Bombeiros: luvas
descartáveis, máscara de proteção facial, óculos
de proteção, aventais e capacetes (em locais de
risco iminente de acidentes)
● Equipamento de segurança no local – este conjunto
de equipamentos destinam-se a garantir a
segurança das guarnições no local do acidente,
bem como, das vítimas envolvidas e da população
em geral; destacam-se entre esses materiais os
cones de sinalização, lanternas, fitas para
isolamento e extintores de incêndios.
3.3. Equipamentos de Reanimação e Administração de
Oxigênio
● Cânula orofaríngea ou Cânula de Guedel –
equipamento destinado a garantir a permeabilidade
das vias áreas em vítimas inconscientes devido a
queda da língua contra as estruturas do palato,
promovendo a passagem de ar através da
orofaringe. Possui vários tamanhos.
● Reanimador ventilatóriomanual ou Ambu –
equipamento destinado a estabelecer ventilação
artificial manual. Composto de bolsa, valva ou
válvula e máscara, garantindo assim eficiente
insuflação de ar e maior concentração de oxigênio
para a vítima. Equipamento disponível nos
tamanhos adulto e infantil.
● Equipamento de administração de oxigênio portátil –
unidade portátil destinada a dar suporte
de oxigênio a vítima acidentada no local da
ocorrência inicial, com capacidade de 300 litros e
fluxômetro a fim de dosar a administração de pelo
menos 12 litros de oxigênio por minuto. Toda a
ambulância possui uma segunda unidade fixa com
capacidade de armazenamento maior,
possibilitando a continuação da administração de
oxigênio durante o deslocamento até o pronto
socorro.
● Equipamento para aspiração – destinado a
aspiração de secreções da cavidade oral, as quais
obstruem a passagem de oxigênio sendo
indispensável uma unidade portátil e uma unidade
fixa na ambulância.
3.4. Equipamentos de Imobilização e Fixação de
Curativos
● Tala articulada de madeira e tala de papelão – são
equipamentos indispensáveis na imobilização de
fraturas e luxações.
● Bandagens triangulares e ataduras de crepom –
destinam-se à fixação de talas e curativos.
● Cintos de fixação – cintos flexíveis e resistentes
que destinam-se a prender a vítima junto a tábua
de imobilização
● Tração de fêmur – equipamento destinado à
imobilização de membros inferiores, com fraturas
fechadas. Confeccionado em alumínio ou aço inox,
possuindo regulagem de comprimento com fixação
através de tirantes e sistema de catraca.
•Colete de imobilização dorsal (ked)- equipamento
destinado a retirada de vítimas do interior de
veículos que estiverem sentadas, objetivando a
imobilização da coluna cervical, torácica e lombar
superior. Sua fixação dá-se através de tirantes
flexíveis fixos e móveis.
● Colar cervical – equipamento destinado a
imobilização da coluna cervical quanto à
movimentos axiais, confeccionado em polietileno,
dobrável e de vários tamanhos e modelos.
● Tabua de imobilização – equipamento destinado à
imobilização da vítima deitada, de vários modelos e
tamanhos, possuindo aberturas para fixação de
cintos e imobilizadores de cabeça.
● Imobilizadores de cabeça – equipamento destinado
à imobilização total da cabeça da vítima
acidentada. Confeccionado em espuma revestida
de um material impermeável e lavável.
3.5. Materiais Utilizados em Curativos
● Gaze, ataduras de crepom, bandagem, fita adesiva –
material indispensável na limpeza superficial de
ferimentos e contenção de hemorragias em
vítimas.
3.6. Materiais de Uso Obstétrico
● Material de assistência ao parto – material
esterilizado, normalmente colocado em pacotes
hermeticamente fechados, contendo campos
duplos e simples, clamps para laqueadura
umbilical, lençóis e tesoura.
3.7. Equipamentos para Verificação de Sinais Vitais
● Esfigmomanômetro – equipamento destinado à
aferição da pressão arterial.
● Estetoscópio - aparelho destinado a ausculta
cardíaca e pulmonar.
● Oxímetro de pulso portátil - aparelho eletrônico
destinado a medição da saturação periférica de
oxigênio.
● Desfibriladores automáticos externos (DEA) –
equipamento destinado a verificação de arritmias
ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se
confirmadas através da obediência aos comandos
emanados, resultará na aplicação de choques
buscando a reversão do quadro apresentado.
OBS: a Classificação do DEA, neste grupo deve-se
ao mesmo atuar também como monitor cardíaco,
identificando o padrão de atividade elétrica do
coração, é um material de uso de pessoal treinado,
mas não necessariamente de profissional de
saúde, o que o diferencia do cardioversor.
3.8. Macas e Acessórios
● Maca – equipamento destinado ao transporte de
vítima, sendo confeccionado em alumínio, com
mecanismo de travamento, possibilitando que a
maca aumente ou diminua a altura.
Cobertor e manta aluminizada – material destinado
ao conforto térmico da vítima.
3.9. Equipamentos de Uso Exclusivo do Médico
Pode estar disponível no próprio veículo de
emergência ou em uma maleta médica que é
transportado pelo médico quando se dirige à cena.
Inclui:
● Laringoscópio - material de uso exclusivo do
médico, destinado a visualização da laringe a fim
de realizar o procedimento de colocação de
cânulas de entubação endotraqueal.
● Cânulas de entubação endotraqueal – equipamento
que garante a ventilação manual ou mecânica,
garantindo a permeabilidade das vias aéreas
devido ao um balonete que sela a traquéia.
● Monitor cardíaco – equipamento destinado ao
monitoramento das atividades cardíacas da vítima,
objetivando o acompanhamento da melhora ou não
do quadro clínico do paciente.
● Medicamentos – são ‗drogas‘ utilizadas no
atendimento que aplicadas pelo médico buscam
estabilizar o quadro geral do paciente até a
chegada ao pronto socorro
● Cardioversor – equipamento destinado ao
monitoramento das atividades cardíacas,
conjugado com a verificação de arritmias
ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se
confirmadas resultarão na aplicação de choque, a
fim de restabelecer os batimentos cardíacos do
paciente. Este equipamento só é operado pelo
médico de serviço.
5° Módulo: Sinais Vitais
Os sinais vitais são indicadores das funções vitais
e podem orientar o diagnóstico inicial e o
acompanhamento da evolução do quadro clínico da
vítima. São eles:
● Pulso;
● Respiração;
● Pressão arterial;
● Temperatura.
Sua verificação é essencial na avaliação da vítima,
devendo ser realizada simultaneamente à história e
ao exame físico. São mais significativos quando
obtidos em série, possibilitando o
acompanhamento de suas variações, e seus
valores devem ser analisados conforme a situação
clínica.
Na obtenção dos sinais vitais devemos considerar
as seguintes condições:
● Condições ambientais, tais como temperatura e
umidade no local, que podem causar variações nos
valores;
● Condições pessoais, como exercício físico
recente, tensão emocional e alimentação, que
também podem causar variações nos valores;
● Condições do equipamento, que devem ser
apropriados e calibrados regularmente.
O socorrista deve estar atento, pois o uso de
equipamentos inapropriados ou descalibrados
podem resultar em valores falsos.
1. Pulso
Pulso é a onda provocada pela pressão do sangue
contra a parede arterial cada vez que o ventrículo
esquerdo se contrai. Em locais onde as artérias de
grosso calibre se encontram próximas à superfície
cutânea, pode ser sentido à palpação. Cada onda
de pulso sentida é um reflexo do débito cardíaco,
pois a freqüência de pulso equivale à freqüência
cardíaca. Débito cardíaco é o volume de sangue
bombeado por cada um dos lados do coração em
um minuto.
A determinação do pulso é parte integrante de uma
avaliação cardiovascular. Além da freqüência
cardíaca (número de batimentos cardíacos por
minuto), os pulsos também devem ser avaliados em
relação ao ritmo (regularidade dos intervalos -
regular ou irregular) e ao volume (intensidade com
que o sangue bate nas paredes arteriais - forte e
cheio ou fraco e fino). O pulso fraco e fino, também
chamado filiforme, geralmente está associado à
diminuição do volume sangüíneo (hipovolemia).
Sob circunstâncias normais, existe um
relacionamento compensatório entre a freqüência
cardíaca e o volume sistólico. Esta compensação é
vista claramente no choque hipovolêmico, no qual
um volume sistólico diminuído é equilibrado por
uma freqüência cardíaca aumentada e o débito
cardíaco tende a permanecer constante.
Podem ser considerados normais os seguintes
índices de freqüência cardíaca:
● Adultos – 60 a 100 bpm;
● Crianças – 80 a 120 bpm;
● Bebês – 100 a 160 bpm.
1.1.Taquicardia
Taquicardia é o aumento da freqüência cardíaca
(acima de 100 bpm nos adultos). Em vítimas de
trauma pode ocorrer por hipóxia ou hipovolemia.
Pode estar associada também a derrame
pericárdico ou a outras causas, como por exemplo,
febre, medo, sepse e exercícios físicos. A
taquicardia sem uma causa óbvia pode indicar um
evento cardíaco primário.
Embora a ansiedade e a dor possam causar
taquicardia, em vítimas de trauma, até prova em
contrário, devemos julgar que ela seja decorrente
de hipóxia ou choque hipovolêmico ou
cardiogênico.
1.2. Bradicardia
Bradicardia é a diminuição da freqüência cardíaca
(abaixo de 60 bpm nos adultos). Nas vítimas de
trauma pode estar associada a choque
neurogênico. Pode estar associada também a
doenças primárias do coração ou doenças da
tireóide.
1.3. Locais para Obtenção do Pulso
Os melhores locais para se palpar o pulso são onde
artérias de grosso calibre se encontram próximas à
superfície cutânea e possam ser comprimidas
contra uma superfície firme (normalmente um
osso). As artérias radiais, ao nível dos punhos, são
mais comumente usadas na checagem do pulso em
vítimas conscientes. As artérias carótidas, ao nível
do pescoço, são normalmente usadas para
palpação do pulso em vítimas inconscientes.
Pode-se também sentir o pulso palpando as
seguintes artérias: femoral na raiz da coxa,
braquial no braço, axilar na axila e pedioso no
dorso do pé. Também podermos medir o pulso pela
ausculta cardíaca, no ápice ou ponta do coração,
no lado esquerdo do tórax, levemente abaixo do
mamilo (pulso apical).
1.4. Procedimentos para Palpação do Pulso
1) Relaxe a vítima. Para palpar o pulso radial,
mantenha o braço da vítima descansando
confortavelmente, preferencialmente cruzando a
parte inferior do tórax. Para o pulso carotídeo,
palpe a cartilagem tireóide no pescoço (pomo de
Adão) e deslize os dedos lateralmente até sentir o
pulso.
2) Use dois ou três dedos para encontrar e sentir o
pulso. Use somente a ponta dos dedos e nunca o
polegar (usando o polegar o examinador poderá
sentir seu próprio pulso digital).
3) Evite muita pressão. Pressionando forte poderá
interromper o pulso da vítima.
4) Sinta e conte o pulso durante 30 ou 60 segundos
(se contar por 30 segundos, multiplique por dois).
Use relógio que marque os segundos.
5) Anote a freqüência, o ritmo e o volume do pulso,
bem como a hora da medição. Exemplo: Pulso - 72,
regular, cheio, 10h50min.
Em vítima com doença cardíaca, o ideal é medir o
pulso durante um minuto. Sentir o pulso de uma
criança muito pequena é difícil: o pescoço de
comprimento curto e, algumas vezes, rico em
gordura, torna difícil localizar o pulso carotídeo,
sendo recomendável que seja pesquisado o pulso
braquial. Com o crescimento torna-se possível a
palpação dos vasos periféricos. Ao atender uma
criança pesquise os diversos locais de pulso até
encontrar aquele mais acessível.
2. Respiração
Respiração é o processo através do qual ocorre
troca gasosa entre a atmosfera e as células do
organismo. É composta pela ventilação e pela
hematose. Na ventilação ocorre a entrada de ar
rico em oxigênio para os pulmões (inspiração) e a
eliminação de ar rico em dióxido de carbono para o
meio ambiente (expiração). A hematose consiste
na liberação de dióxido de carbono e captação de
oxigênio feita pelas hemácias durante a perfusão
pulmonar. Perfusão pulmonar é a passagem do
sangue pelos capilares pulmonares, que por sua
vez estão em íntimo contato com os alvéolos
pulmonares.
A avaliação da respiração inclui: freqüência
respiratória (movimentos respiratórios por minuto –
mrpm), caráter (superficial e profunda) e ritmo
(regular e irregular). Deve ser avaliada sem que a
vítima perceba, preferencialmente enquanto se
palpa o pulso radial, para evitar que a vítima tente
conscientemente controlar a respiração. Avalie a
freqüência respiratória tendo em vista os sinais e
sintomas de comprometimento respiratório:
cianose, inquietação, dispnéia, sons respiratórios
anormais.
A freqüência respiratória pode variar com a idade:
● Adultos – 12 a 20 movimentos respiratórios por
minuto (mrpm);
● Crianças – 20 a 30 mrpm;
● Bebês – 30 a 60 mrpm.
Outros fatores podem alterar a respiração como
exercícios físicos, hábito de fumar, uso de
medicamentos e fatores emocionais.
Em um adulto em repouso a profundidade da
respiração ou o volume de ar inalado é
aproximadamente 500 ml por inspiração. Uma
freqüência respiratória rápida não significa,
necessariamente, que a vítima está movimentando
maior quantidade de ar. Por exemplo: um adulto em
condições normais, com 16 mrpm, mobilizaria 08
litros de ar por minuto, enquanto uma vítima de
trauma apresentando várias fraturas de costela,
com 40 mrpm, mobilizando 100 ml de ar em cada
movimento respiratório, mobilizaria 04 litros de ar
por minuto.
Podem ser encontradas as seguintes alterações
nos padrões respiratórios:
● Apnéia – Cessação intermitente (10 a 60
segundos) ou persistente (parada respiratória) das
respirações;
● Bradipnéia – Respiração lenta e regular;
● Taquipnéia – Respiração rápida e regular;
● Dispnéia – Respiração difícil que exige esforço
aumentado e uso de músculos acessórios.
2.1. Procedimentos para Analise da Respiração
1) Se possível, estando a vítima consciente,
coloque o braço da mesma cruzando a parte
inferior do tórax. Segure o pulso da mesma
enquanto estiver observando a respiração, como se
estivesse palpando o pulso radial.
2) Aproxime sua face do rosto da vítima, olhando
para o seu tórax. Com o tato da pele do seu rosto e
com a sua audição você vai perceber o movimento
da corrente de ar mobilizada pela respiração e com
a visão você irá observar os movimentos de subida
e descida do tórax e/ou do abdome.
3) Conte com os movimentos respiratórios durante
um minuto (use relógio com marcação de
segundos). Ao mesmo tempo observe o caráter e o
ritmo da respiração.
4) Anote a freqüência respiratória, o caráter, o
ritmo e a hora. Exemplo: Respiração normal, 16
mrpm, 10h50min.
Em crianças muito pequenas o movimento torácico
é menos evidente que nos adultos e, usualmente,
ocorre próximo ao abdome. A mão colocada
levemente sobre a parte inferior do tórax e superior
do abdome pode facilitar a contagem da atividade
respiratória. Por causa do pequeno volume e da
reduzida força do fluxo de ar, em crianças também
é quase impossível ouvir a respiração normal ou
sentir a movimentação do ar através da boca e do
nariz.
3. Pressão Arterial
A pressão arterial (PA) é a pressão exercida pelo
sangue no interior das artérias. Depende da força
desenvolvida pela sístole ventricular, do volume
sangüíneo e da resistência oferecida pelas paredes
das artérias.
O sangue sempre está sob pressão no interior das
artérias. Durante a contração do ventrículo
esquerdo (sístole) a pressão está no seu valor
máximo, sendo chamada pressão sistólica ou
máxima. Durante o relaxamento do ventrículo
esquerdo (diástole) a pressão está no seu valor
mínimo ou basal, sendo chamada pressão
diastólica ou mínima.
A pressão arterial é medida em milímetros de
mercúrio (mmHg). O primeiro número, de maior
valor, corresponde à pressão sistólica, enquanto o
segundo, de menor valor, corresponde à pressão
diastólica. Não há um valor preciso de pressão
normal, mas, em termos gerais, diz-se que o valor
de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal para
um adulto jovem, entretanto, medidas até 140
mmHg para a pressão sistólica e 90 mmHg para a
diastólica também podem ser aceitas como
normais.
Valores médios de pressão arterial considerados
ideais de acordo com a idade:
● 04 anos – 85/60 mmHg;
● 06 anos – 95/62 mmHg;
● 10 anos – 100/65 mmHg;
● 12 anos – 108/67 mmHg;
● 16 anos – 118/75 mmHg;
● Adultos – 120/80mmHg;
● Idosos – 140 a 160/90 a 100 mmHg.
A posição em que a vítima se encontra (em pé,
sentado ou deitado), atividade física recente e
manguito inapropriado também podem alterar os
níveis da pressão.
Vítimas particularmente sob o risco de alteração
dos níveis tencionais são aqueles com doença
cardíaca, doença renal, diabetes, hipovolemia ou
com lesão craniana ou coluna espinhal.
O local mais comum de verificação da pressão
arterial é no braço, usando como ponto de ausculta
a artéria braquial. Os equipamentos usados são o
esfigmomanômetro e o estetoscópio.
Uma pressão sangüínea normal não deve ser
considerada como uma clara indicação de
estabilidade. Os pacientes saudáveis e jovens são
particularmente propensos a compensar o déficit
de volume.
3.1. Procedimentos para Medir a Pressão Arterial
Em casos de longa duração do atendimento pré-
hospitalar (resgates em locais de difícil acesso e
remoção), medir a PA a cada 5 minutos, anotando
cada horário de tomada e respectivos valores.
Deve-se explicar para a pessoa o que será
realizado. É comum entre profissionais de saúde
ocultar da vítima o valor medido. Isto costuma
resultar em grande ansiedade para a vítima e,
algumas vezes, em desconforto afetivo para
ambos. O mais correto é, se a vítima perguntar o
valor da pressão, informá- lo de forma neutra e
imparcial.
A pressão sangüínea é difícil de ser obtida em
crianças. O manguito deve ter largura de dois
terços em relação ao comprimento da porção da
extremidade onde será medida a PA (manguitos
maiores dão leituras falsamente baixas e
manguitos menores dão leituras falsamente
elevadas). Os dois métodos a seguir descritos
(palpatório e auscultatório) são usados para obter
a PA em crianças. O estetoscópio deve ter um
diafragma pequeno o suficiente para cobrir apenas
a área sobre o ponto do pulso (estetoscópios
pediátricos são úteis).
3.1.1. Método Auscultatório
1) Posicione a vítima com o braço apoiado a nível
do coração. Use, sempre que possível, o braço não
traumatizado.
2) Localize o manômetro de modo a visualizar
claramente os valores da medida.
3) Selecione o tamanho da braçadeira para adultos
ou crianças. A largura do manguito deve
corresponder a 40% da circunferência braquial e
seu comprimento a 80%.
4) Localize a artéria braquial ao longo da face
interna superior do braço palpando- a.
5) Envolva a braçadeira, suave e confortavelmente,
em torno do braço, centralizando o manguito sobre
a artéria braquial. Mantenha a margem inferior da
braçadeira 2,5cm acima da dobra do cotovelo.
Encontre o centro do manguito dobrandoo ao meio.
6) Determine o nível máximo de insuflação
palpando o pulso radial até seu desaparecimento,
registrando o valor (pressão sistólica palpada) e
aumentando mais 30 mmHg.
7) Desinsufle rapidamente o manguito e espere de
15 a 30 segundos antes de insuflá-lo novamente.
8) Posicione o estetoscópio sobre a artéria braquial
palpada abaixo do manguito na fossa antecubital.
Deve ser aplicado com leve pressão assegurando o
contato com a pele em todos os pontos.
9) Feche a válvula da pera e insufle o manguito
rapidamente até 30 mmHg acima da pressão
sistólica palpada registrada.
10) Desinsufle o manguito de modo que a pressão
caia de 2 a 3 mmHg por segundo.
11) Identifique a pressão sistólica (máxima)
observando no manômetro o ponto correspondente
ao primeiro batimento regular audível.
12) Identifique a pressão diastólica (mínima)
observando no manômetro o ponto correspondente
ao último batimento regular audível.
13) Desinsufle totalmente o aparelho com atenção
voltada ao completo desaparecimento dos
batimentos.
14) Retire o aparelho do braço e guarda-lo
cuidadosamente afim de evitar danos.
15) Anote a PA e a hora. Exemplo PA. 126X84,
10h55min.
3.1.2. Método Palpatório
Este método de medir a PA aplica-se somente é
pressão sistólica e não é muito preciso. Em um
veículo em movimento, toda via, ele poderá ser o
único método viável, permitindo observar a
tendência geral da pressão sistólica que, a rigor, é
a que realmente importa no atendimento pré-
hospitalar do traumatizado.
1) Coloque as pontas dos dedos no pulso radial.
Sinta o pulso.
2) Infle o manguito até ultrapassar um valor em que
cesse o pulso.
3) Vagarosamente esvazie o manguito, olhando o
mostrador ou a coluna de mercúrio.
4) Quando perceber o retomo do pulso, leia a
pressão sistólica aproximada.
5) Anote a PA, hora e método usado. Exemplo: PA
120 (palpação), 10h55min.
3.2. Causas de Resultados Incorretos na Medida da
Pressão Arterial
3.2.1. Causas Relacionadas ao Equipamento
● Aparelhos descalibrados ou inadequadamente
calibrados ou testados.
● Defeitos do esfigmomanômetro: orifício de ar
obstruído, manguito incompletamente vazio,
tubulação defeituosa, sistema de inflação ou
válvula de escape, mercúrio insuficiente no
reservatório ou indicador zero errado.
● Estetoscópio danificado.
● Tamanho da braçadeira em desacordo com o do
braço. Circunferência do membro em relação à
variação da largura da braçadeira maior ou menor
que 2,5 produz leituras de pressão indireta
falsamente altas ou baixas respectivamente.
3.2.2. Causas Relacionadas ao Examinador
● Braço da vítima sem apoio dão pressões
falsamente altas.
● O examinador posiciona o instrumento ao nível
acima ou abaixo do coração ou comprime o
estetoscópio demasiadamente firme sobre o vaso.
● Mãos do examinador e equipamento frios
provocam aumento da pressão sangüínea.
● Interação entre examinado e examinador pode
afetar a leitura da pressão arterial.
4. Temperatura
Existem vários fatores que influenciam no controle
da temperatura corporal, sendo influenciada por
meios físicos e químicos e o controle feito através
de estimulação do sistema nervoso. A temperatura
reflete o balanceamento entre o calor produzido e
o calor perdido pelo corpo.
A temperatura do corpo é registrada em graus
célsius (centígrados). O termômetro clínico de
vidro, mais usado, tem duas partes: o bulbo e o
pedúnculo. O bulbo contém mercúrio; um metal
liquido, o qual se expande sob a ação do calor e
sobre pelo interior do pedúnculo, indicando a
temperatura em graus e décimos de graus.
Normalmente os termômetros clínicos são
calibrados em graus e décimos de graus, na faixa
de temperatura de 35ºC a 42ºC. Não é necessária
uma faixa de tempera tura mais ampla, pois
raramente o ser humano sobrevive com
temperatura corporal fora desta faixa.
O índice normal de temperatura é de 37ºC,
admitindo-se variações de até 0,6ºC para mais ou
para menos. As crianças têm temperaturas mais
altas que os adultos, porque seu metabolismo é
mais rápido. Tem-se observado que a temperatura
do corpo é mais baixa nas primeiras horas da
manhã, e mais alta no final da tarde ou no início da
noite.
A temperatura corporal pode se elevar em
situações de infecção, trauma, medo, ansiedade,
etc. Exposição ao frio e choque são causas
freqüentes de temperatura abaixo do normal.
4.1. Procedimentos e Locais para Verificação da
Temperatura
O termômetro deve estar seco (se necessário
enxugue com algodão ou gaze) e marcando
temperatura inferior a 35ºC (se necessário sacudi-
lo cuidadosamente até que a coluna de mercúrio
desça).
A temperatura corporal pode ser medida nos
seguintes locais:
● Boca – Temperatura Oral: Colocar o termômetro
de vidro sob a língua da vítima, na bolsa sublingual
posterior. Fazer com que a vítima mantenha o
termômetro no local por 3 a 8 minutos com lábios
fechados. O método oferece temperatura central e
é indicado para aqueles que respiram pela boca
com suspeita de infecção grave.
● Canal anal – Temperatura Retal: Para o adulto,
inserir 03 centímetros do termômetro lubrificado
no ânus. Não forçar o termômetro. Mantê-lo no
local por 2 a 4 minutos. É contra-indicadoapós
cirurgia do reto ou ferimento no reto e em
pacientes com hemorróidas.
● Axila – Temperatura axilar: Mais utilizado, tendo
em vista a facilidade. Colocar o termômetro no
centro da axila, mantendo o braço da vítima de
encontro ao corpo, e mantê-lo ali por 3 a 8 minutos.
O método é conveniente, mas é contra-indicado
para crianças pequenas; em pacientes com estado
mental alterado, trauma facial ou distúrbio
convulsivo; após fumar ou beber liquidos quentes
ou frios; durante administração de oxigênio por
cânula ou máscara; e na presença de sofrimento
respiratório.
6° Módulo: Atendimento Inicial
O objetivo do atendimento inicial à vítima de
trauma é identificar rapidamente situações que
coloquem a vida em risco e que demandem
atenção imediata pela equipe de socorro. Deve ser
rápido, organizado e eficiente de forma que permita
decisões quanto ao atendimento e ao transporte
adequados, assegurando à vítima maiores chances
de sobrevida.
O atendimento inicial à vítima de trauma se divide
em quatro etapas seqüenciais:
1) Controle de cena;
2) Abordagem primária;
3) Abordagem secundária;
4) Sinais vitais e escalas de coma e trauma.
1. Controle de Cena
1.1. Segurança do Local
Antes de iniciar o atendimento propriamente dito, a
equipe de socorro deve garantir sua própria
condição de segurança, a das vítimas e a dos
demais presentes. De nenhuma forma qualquer
membro da equipe deve se expor a um risco com
chance de se transformar em vítima, o que levaria
a deslocar ou dividir recursos de salvamento
disponíveis para aquela ocorrência.
1.2. Mecanismo de Trauma
Enquanto se aproxima da cena do acidente, o
socorrista examina o mecanismo de trauma (ver
capítulo 4), observando e colhendo informações
pertinentes. Em uma colisão entre dois veículos,
por exemplo, avaliar o tipo de colisão (frontal,
lateral, traseira), veículos envolvidos, danos nos
veículos, número de vítimas, posição dos veículos
e das vítimas, etc.
2. Abordagem Primária
Visa identificar e manejar situações de ameaça à
vida, A abordagem inicial é realizada sem mobilizar
a vítima de sua posição inicial, salvo em situações
especiais que possam comprometer a segurança
ou agravar o quadro da vítima, tais como:
● Situações climáticas extremas:
Geada, chuva, frio, calor, etc.;
● Risco de explosão ou incêndio;
● Risco de choque elétrico;
● Risco de desabamento.
Obs.: Só se justifica mobilizar a vítima de sua
posição inicial na abordagem primária quando a
situação de risco não possa ser afastada. Por
exemplo: Havendo risco de choque elétrico e sendo
possível a interrupção da passagem de energia,
não há necessidade de mobilizar a vítima.
Na abordagem primária, havendo mais de uma
vítima, o atendimento deve ser priorizado conforme
o risco, ou seja, primeiro as que apresentem risco
de morte, em seguida as que apresentem risco de
perda de membros e, por último todas as demais.
Esta recomendação não se aplica no caso de
acidente com múltiplas vítimas (ver capítulo 28),
onde os recursos para o atendimento são
insuficientes em relação ao número de vítimas e,
por tanto, o objetivo é identificar as vítimas com
maiores chances de sobrevida.
A abordagem primária é realizada em duas fases:
1) Abordagem primária rápida;
2) Abordagem primária completa.
2.1. Abordagem Primária Rápida
É a avaliação sucinta da respiração, circulação e
nível de consciência. Deve ser completada em no
máximo 30 segundos. Tem por finalidade a rápida
identificação de condições de risco de morte, o
início precoce do suporte básico de vida (SBV) e o
desencadeamento de recursos de apoio, tais como
médico no local e aeronave para o transporte.
Na abordagem primária rápida devem ser seguidos
os seguintes passos:
1) Aproximar-se da vítima pelo lado para o qual a
face da mesma está volta, garantindo-lhe o
controle cervical.
2) Observar se a vítima está consciente e
respirando. Tocando o ombro da vítima do lado
oposto ao da abordagem, apresente-se, acalme-a e
pergunte o que aconteceu com ela: ―Eu sou o...
(nome do socorrista), do Corpo de Bombeiros, e
estou aqui para te ajudar. O que aconteceu
contigo?‖. Uma resposta adequada permite
esclarecer que a vítima está consciente, que as
vias aéreas estão permeáveis e que respira. Caso
não haja resposta, examinar a respiração. Se
ausente a respiração, iniciar as manobras de
controle de vias aéreas e a ventilação artificial.
3) Simultaneamente palpar pulso radial (em vítima
inconsciente palpar direto o pulso carotídeo) e
definir se está presente, muito rápido ou lento. Se
ausente, palpar pulso de artéria carótida ou
femoral (maior calibre) e, caso confirmado que a
vítima está sem pulso, iniciar manobras de
reanimação cardiopulmonar (ver capítulo 9).
4) Verificar temperatura, umidade e coloração da
pele e enchimento capilar. Palidez, pele fria e
úmida e tempo de enchimento capilar acima de
dois segundos são sinais de comprometimento da
perfusão oxigenação dos tecidos (choque
hipovolêmico por hemorragia interna ou externa,
por exemplo), que exigem intervenção imediata.
5) Observar rapidamente da cabeça aos pés
procurando por hemorragias ou grandes
deformidades.
6) Repassar as informações para a Central de
Emergência.
2.2. Abordagem Primária Completa
Na abordagem primária completa segue-se uma
seqüência fixa de passos estabelecida
cientificamente. Para facilitar a memorização,
convencionou-se o ―ABCD do trauma‖ para
designar essa seqüência fica de passos, utilizando-
se as primeiras letras das palavras (do inglês) que
definem cada um dos passos: 1) Passo ―A‖ (Airway)
– Vias aéreas com controle cervical;
2) Passo ―B‖ (Breathing) – Respiração (existente e
qualidade);
3) Passo ―C‖ (Circulation) – Circulação com
controle de hemorragias;
4) Passo ―D‖ (Disability) – Estado neurológico;
5) Passo ―E‖ (Exposure) – Exposição da vítima (para
abordagem secundária).
Lembre-se de somente passar para próximo passo
após ter completado o passo imediatamente
anterior. Durante toda a abordagem da vítima o
controle cervical deve ser mantido. Suspeitar de
lesão de coluna cervical em toda vítima de trauma.
2.2.1. Passo ―A‖ – Vias Aéreas com Controle Cervical
Após o controle cervical e a identificação,
pergunte à vítima o que aconteceu. Uma pessoa só
consegue falar se tiver ar nos pulmões e se ele
passar pelas cordas vocais. Portanto, se a vítima
responder normalmente, é porque as vias aéreas
estão permeáveis (passo "A" resolvido) e
respiração espontânea (passo "B" resolvido).
Seguir para o passo "C".
Se a vítima não responder normalmente, examinar
as vias aéreas. Desobstruir vias aéreas de sangue,
vômito, corpos estranhos ou queda da língua,
garantindo imobilização da coluna cervical. Para a
manutenção da abertura das vias aéreas pode ser
utilizada cânula orofaríngea ou nasofaríngea (ver
capítulo 8). Estando as vias aéreas desobstruídas,
passar para o exame da respiração (passo "B").
2.2.2. Passo ―B‖ – Respiração
Checar se a respiração está presente e efetiva
(ver, ouvir e sentir). Se a respiração estiver
ausente, iniciar respiração artificial (passo "B"
resolvido temporariamente). Estando presente a
respiração, analisar sua qualidade: lenta ou rápida,
superficial ou profunda, de ritmo regular ou
irregular, silenciosa ou ruidosa.
Se observar sinais de respiração difícil (rápida,
profunda, ruidosa), reavaliar vias aéreas (passo
"A") e solicitar a presença do médico no local. A
necessidade de intervenção médica é muito
provável. Se observar sinais que antecedam parada
respiratória (respiração superficial, lenta ou
irregular), ficar atento para iniciar respiração
artificial.
Iniciar a administração de oxigênio a 12 litros por
minuto, sob máscara de contorno facial bem-
ajustado. Garantir que os passos "A" e "B" nãosejam interrompidos antes de passar ao exame da
circulação ("C").
2.2.3. Passo ―C‖ – Circulação com Controle de
Hemorragias
O objetivo principal do passo "C" é estimar as
condições do sistema circulatório e controlar
grandes hemorragias. Para tanto devem ser
avaliados: pulso; perfusão periférica; coloração,
temperatura e umidade da pele. Neste passo
também devem ser controladas as hemorragias
que levem a risco de vida eminente.
2.2.3.1. Pulso
Em vítima consciente, verificar inicialmente o
pulso radial; se este não for percebido, tentar
palpar o pulso carotídeo ou o femoral; em vítima
inconsciente, examinar o pulso carotídeo do lado
em que você se encontre.
A avaliação do pulso dá uma estimativa da pressão
arterial. Se o pulso radial não estiver palpável,
possivelmente a vítima apresenta um estado de
choque hipovolêmico descompensado, situação
grave que demanda intervenção imediata. Se o
pulso femoral ou carotídeo estiver ausente, iniciar
manobras de reanimação cardiopulmonar. Estando
presente o pulso, analisar sua qualidade: lento ou
rápido, forte ou fraco, regular ou irregular.
2.2.3.2. Perfusão Periférica
A perfusão periférica é avaliada através da técnica
do enchimento capilar. É realizada fazendo-se uma
pressão na base da unha ou nos lábios, de modo
que a coloração passe de rosada para pálida.
Retirando-se a pressão a coloração rosada deve
retomar num tempo inferior a dois segundos. Se o
tempo ultrapassar dois segundos é sinal de que a
perfusão periférica está comprometida
(oxigenação/perfusão inadequadas). Lembre-se que
à noite e com frio essa avaliação é prejudicada.
2.2.3.3. Coloração, Temperatura e Umidade da Pele
Cianose e palidez são sinais de comprometimento
da oxigenação/perfusão dos tecidos. Pele fria e
úmida indica choque hipovolêmico (hemorrágico).
2.2.3.4. Controle de Hemorragias
Se o socorrista verificar hemorragia externa, deve
utilizar métodos de controle (ver capítulo 10).
Observando sinais que sugerem hemorragia
interna, deve agilizar o atendi mento e transportar
a vítima o mais brevemente possível ao hospital,
seguindo sempre as orientações da Central de
Emergências.
2.2.4. Passo ―D‖ – Estado Neurológico
Tomadas as medidas possíveis para garantir o
―ABC‖, importa conhecer o estado neurológico da
vítima (passo "D"), para melhor avaliar a gravidade
e a estabilidade do quadro.
O registro evolutivo do estado neurológico tem
grande valor. A vítima que não apresente
alterações neurológicas num dado momento, mas
passe a apresentá-las progressivamente,
seguramente está em situação mais grave que
outra cujo exame inicial tenha mostrado algumas
alterações que permaneçam estáveis no tempo.
Na avaliação do estado neurológico o socorrista
deve realizar a avaliação do nível de consciência e
o exame das pupilas.
2.2.4.1. Avaliação do Nível de Consciência
Deve sempre ser avaliado o nível de consciência
porque, se alterado, indica maior necessidade de
vigilância da vítima no que se refere às funções
vitais, principalmente à respiração. A análise do
nível de consciência é feita pelo método ―AVDI‖, de
acordo com o nível de resposta que a vítima tem dá
aos estímulos:
● A – Vítima acordada com resposta adequada ao
ambiente.
● V – Vítima adormecida. Os olhos se abrem
mediante estímulo verbal.
● D – Vítima com os olhos fechados que só se
abrem mediante estímulo doloroso.
O estímulo doloroso deve ser aplicado sob a forma
de compressão intensa na borda do músculo
trapézio, na região póstero-lateral do pescoço.
● I – Vítima não reage a qualquer estímulo.
A alteração do nível de consciência pode ocorrer
pelos seguintes motivos:
● Diminuição da oxigenação cerebral (hipóxia ou
hipoperfusão);
● Traumatismo cranioencefálico (hipertensão
intracraniana);
2.2.4.2. Exame das Pupilas
Em condições normais as pupilas reagem à luz,
aumentando ou diminuindo seu diâmetro conforme
a intensidade da iluminação do ambiente. O
aumento do diâmetro, ou midríase, ocorre na
presença de pouca luz, enquanto a diminuição, ou
miose, ocorre em presença de luz intensa.
Quanto à simetria, as pupilas são classificadas em
isocóricas (pupilas normais ou simétricas), que
possuem diâmetros iguais, e anisocóricas (pupilas
anormais ou assimétricas), de diâmetros desiguais.
O socorrista deve avaliar as pupilas da vítima em
relação ao tamanho, simetria e reação à luz.
Pupilas anisocóricas sugerem traumatismo ocular
ou cranioencefálico. Neste caso a midríase em
uma das pupilas pode ser conseqüência da
compressão do nervo oculomotor no nível do
tronco encefálico, sugerindo um quadro de
gravidade.
Pupilas normais se contraem quando submetidas à
luz, diminuindo seu diâmetro. Se a pupila
permanece dilatada quando submetida à luz,
encontra-se em midríase paralítica, normalmente
observada em pessoas inconscientes ou em óbito.
Pupilas contraídas (miose) em presença de pouca
luz podem indicar intoxicação por drogas ou
doença do sistema nervoso central.
Se houver depressão do nível de consciência e
anisocoria, ficar alerta, pois existe o risco de
parada respiratória. Manter-se atento para o ―ABC‖.
3. Abordagem Secundária
Finalmente, no passo "E", expor a vítima, à procura
de lesões. Entretanto, em nível pré-hospitalar, as
roupas da vítima só serão removidas para expor
lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas
pelo exame segmentar, respeitando seu pudor no
ambiente público. No hospital, ao contrário, é
imperdoável deixar de despir completamente a
vítima antes de iniciar a abordagem secundária.
Só iniciar a abordagem secundária depois de
completada a abordagem primária. Examinar todos
os segmentos do corpo, sempre na mesma ordem
(exame segmentar): crânio, face, pescoço, tórax,
abdômen, quadril, membros inferiores, membros
superiores e dorso. Nesta fase, realizar:
● Inspeção: cor da pele, sudorese, simetria,
alinhamento, deformidade e ferimento;
● Palpação: deformidade, crepitação, rigidez,
flacidez, temperatura e sudorese;
● Ausculta: tórax (campos pleuropulmonares e
precordial) – procedimento exclusivo do médico.
Durante todo o exame segmentar, manter- se
atento a sinais de dor ou a modificações das
condições constatadas na abordagem primária da
vítima. Exame segmentar:
1) Cabeça: palpar o crânio com os polegares fixos
na região frontal, mantendo o controle cervical.
Palpar as órbitas. Simultaneamente, inspecionar
cor e integridade da pele da face, hemorragia e
liqüorragia pelo nariz e ouvidos, hematoma
retroauricular (sugestivo de fratura de coluna
cervical alta ou base de crânio), simetria da face,
hemorragia e laceração dos olhos e
fotorreatividade pupilar (não a valorize em olho
traumatizado). Retirar corpos estranhos (lentes de
contato e próteses dentárias móveis)
eventualmente remanescentes.
2) Pescoço: inspecionar o alinhamento da traquéia
e a simetria do pescoço. Palpar a cartilagem
tireóide e a musculatura bilateral. Inspecionar as
veias jugulares: se ingurgitadas, princi palmente
com piora na inspiração, preocupar-se com lesão
intratorácica grave (derrame de sangue no
pericárdio, impedindo os movimentos normais do
coração: hemopericárdio com tamponamento
cardíaco). Palpar as artérias carótidas
separadamente e a coluna cervical, verificando
alinhamento, aumento de volume, crepitação e
rigidez muscular. Completado o exame, colocar o
colar cervical.
3) Tórax: inspecionar a caixa torácica (face
anterior), buscando simetria anatômica e funcional,
respiração paradoxal, áreas de palidez, eritema ou
hematoma (sinais de contusão) e ferimentos.
Palpar as clavículas separadamente, buscando dor
e crepitação. Palpar os arcos costais e esterno em
busca de rigidez muscular, flacidez e crepitação.
Examinar até a linha axilar posterior. Realizar
ausculta pulmonar e cardíaca (procedimentomédico).
4) Abdômen: inspecionar sinais de contusão,
distensão e mobilidade. Palpar delicadamente,
analisando sensibilidade e rigidez de parede
(abdômen em tábua).
5) Quadril: afastar e aproximar as asas ilíacas em
relação à linha média, analisando mobilidade
anormal e produção de dor. Palpar o púbis no
sentido antero-posterior. A região genital também
deve ser avaliada, sugerindo haver lesão conforme
as queixas da vítima ou o mecanismo de trauma.
6) Membros inferiores: inspecionar e palpar da raiz
das coxas até os pés. Observar ferimento,
alinhamento, deformidade, flacidez, rigidez e
crepitação. Cortar a roupa onde suspeitar de
ferimento ou fratura. Retirar calçados e meias.
Examinar a mobilidade articular ativa e passiva.
Executar movimentos suaves e firmes de flexão,
extensão e rotação de todas as articulações.
Palpar pulsos em tornozelos e pés. Testar
sensibilidade, motricidade e enchimento capilar.
7) Membros superiores: inspecionar e palpar dos
ombros às mãos. Observar ferimento, alinhamento,
deformidade, flacidez, rigidez e crepitação. Cortar
a roupa onde suspeitar de ferimento ou fratura.
Palpar os pulsos radiais. Testar a mobilidade ativa
e passiva. Executar movimentos suaves e firmes
de flexão, extensão e rotação de todas as
articulações. Testar a simetria da força muscular
nas mãos. Verificar sensibilidade, motricidade e
enchimento capilar.
8) Dorso: realizar a manobra de rolamento a
noventa graus para examinar o dorso. Inspecionar
alinhamento da coluna vertebral e simetria das
duas metades do dorso. Palpar a coluna vertebral
em toda a extensão, à procura de edema,
hematoma e crepitação. Terminado o exame do
dorso, rolar a vítima sobre a tábua de imobilização
dorsal.
Após completar o exame segmentar, fazer
curativos, imobilizações e outros procedimentos
necessários.
Fazem também parte da abordagem secundária os
seguintes procedimentos, que são realizados por
médicos no ambiente hospitalar: radiografias,
sonda gástrica, toque retal, cateterismo vesical e
lavagem peritonial.
Durante a abordagem secundária, o socorrista deva
reavaliar o ABCD quantas vezes forem necessárias,
principalmente em vítimas inconscientes.
Após a abordagem secundária, realizar a
verificação de dados vitais (ver capítulo 6) e
escalas de coma e trauma.
4. Sinais Vitais e Escalas de Coma e Trauma
4.1. Sinais Vitais
Avaliar pulso, respiração, pressão arterial e
temperatura (ver capítulo 6).
4.2. Escala de Coma
A Escala de Coma de Glasgow, é baseada na
avaliação da abertura dos olhos (AO), da melhor
resposta motora (MRM) e da melhor resposta
verbal (MRV). É uma escala prática para se avaliar
a evolução do nível de consciência da vítima. Para
cada um dos três itens avaliados é atribuído um
número, conforme a resposta da vítima, que
somados irão nos mostrar o nível de consciência
da vítima no momento da avaliação.
Obs.: Impossível avaliar resposta verbal de vítima
que não possa falar (trauma de face ou intubação
oro traqueal). Nesse caso, registrar a
impossibilidade no formulário próprio (RAS).
A avaliação da gravidade do comprometimento
neurológico será feita com base no resultado da
escala de coma de Glasgow:
TCE grave: 03 a 08;
● TCE moderado: 09 a 12;
● TCE leve: 13 a 15.
Sempre que na avaliação da Escala de Coma de
Glasgow, o estado neurológico for avaliado como
igual ou menor que 9 (nove), torna-se necessário o
acionamento de apoio médico no local da
ocorrência.
4.3. Escala de Trauma
A escala de trauma leva em consideração os
seguintes itens: freqüência respiratória, pressão
sistólica e escala de coma. Com base no valor de
cada ítem, a cada um deles é atribuída pontuação
de zero a quatro, cuja soma será o resultado da
escala de trauma, que pode variar de zero a doze.
● Trauma grave: 0 a 06;
● Trauma moderado: 07 a 10;
● Trauma mínimo: 11 a 12.
Sempre que na avaliação da Escala de Trauma, for
obtido resultado menor que 9 (nove), torna-se
necessário o acionamento de apoio médico no
local da ocorrência.
7° Módulo: Vias Aéreas
1. Aspectos Anatômicos e Funcionais
As vias aéreas têm como função principal conduzir
o ar entre o meio ambiente e os pulmões (alvéolos
pulmonares), proporcionando a entrada de ar
filtrado, aquecido e rico em oxigênio, assim como a
saída de ar rico em dióxido de carbono do aparelho
respiratório, participando assim do processo da
respiração.
Dividem-se em vias aéreas superiores e vias aéreas
inferiores:
1.1. Vias Aéreas Superiores:
● Cavidade nasal (nariz);
● Cavidade oral (boca);
● Faringe (Nasofaringe, orofaringe e laringofaringe
ou hipofaringe. Destas três, a nasofaringe é
exclusivamente via aérea, a laringofaringe é
exclusivamente via digestiva e a orofaringe é um
caminho comum ao ar e aos alimentos.);
1.2. Vias Aéreas Inferiores:
● Laringe.
● Traquéia;
● Brônquios/bronquíolos;
● Pulmões/alvéolos pulmonares.
O acesso às vias aéreas superiores é direto e sua
visualização é quase completa, exceto pela
nasofaringe (região posterior à cavidade nasal e
póstero-superior à úvula - "campainha‖).
As vias aéreas superiores terminam e as inferiores
têm início na laringe, com a epiglote, estrutura que
protege a abertura das vias aéreas inferiores,
obstruindo-a durante o reflexo de deglutição e
abrindo-a para a passagem do ar. Seu acesso e
visualização dependem de procedimento médico
denominado laringoscopia.
2. Obstrução de Vias Aéreas
O atendimento pré-hospitalar da vítima de trauma
tem por objetivo, após rápida verificação do
mecanismo de trauma e das condições de
segurança no local, prestar suporte básico e
avançado de vida, iniciando-se com a avaliação de
vias aéreas (A). Esse processo denominado
avaliação primária ou ―ABCD‖ prioriza a abordagem
das vias aéreas que, se estiverem comprometidas,
de imediato afetam as funções vitais – respiração
(B) e circulação (C).
Um processo de pensamento organizado e
condicionado referente aos passos da avaliação
primária, impedirá o socorrista de ter sua atenção
voltada para alterações mais evidentes e menos
urgentes, como ferimentos e fraturas,
despercebendo-se de alterações nas vias aéreas,
principalmente em se tratando de vítima
inconsciente.
A avaliação e o controle das vias aéreas se fazem
mediante condutas rápidas e simples, não exigindo
inicialmente qualquer equipamento, bastando a
aplicação de técnicas manuais de controle e
desobstrução, sem a necessidade de aguardar
equipamentos ou pessoal.
Entende-se por obstrução de vias aéreas toda
situação que impeça total ou parcialmente o
trânsito do ar ambiente até os alvéolos
pulmonares. A restauração e manutenção da
permeabilidade das vias aéreas nas vítimas de
trauma são essenciais e devem ser feitas de
maneira rápida e prioritária.
A vítima de trauma pode ter as vias aéreas
comprometidas direta ou indiretamente por
mecanismos distintos, sendo os principais os
enumerados a seguir:
2.1. Inconsciência
A causa mais freqüente de obstrução de vias
aéreas em vítimas de trauma é a inconsciência,
provocando o relaxamento da língua que se projeta
contra a orofaringe (fundo da garganta) da vítima
em decúbito dorsal, impedindo a passagem de ar
das vias aéreas superiores para as inferiores.
Geralmente é causada por trauma
cranioencefálico, choque ou situações clínicas. A
inconsciência também favorece o refluxo do
conteúdo gástrico seguido de broncoaspiração.
2.2. Trauma Direto Sobre Vias Aéreas
Trauma direto sobre as vias aéreas, causando
sangramento em seu interior, compressão externa
por edema e/ou hematomas e fraturas da árvore
laringotraqueobrônquica, e/ou broncoaspiração de
dentes fraturados.
2.3. Queimaduras em Vias Aéreas
Queimaduras em vias aéreas podem produzir
inflamação e edema de glote e de vias aéreasinferiores.
2.4. Corpo Estranho em Vias Aéreas
Fragmentos de próteses dentárias, alimentos,
balas, chicletes e pequenos objetos podem causar
obstrução de vias aéreas em diferentes níveis.
3. Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho
(OVACE)
3.1. Causas
3.1.1. Causas de OVACE em Adultos
Embora a perda de consciência seja a causa mais
freqüente de obstrução de vias aéreas, a obstrução
por corpos estranhos pode ser causa de perda de
consciência e parada cardiopulmonar. A
eventualidade de corpos estranhos obstruírem vias
aéreas em pessoas conscientes ocorre mais
freqüentemente durante as refeições, sendo a
carne a causa mais comum. Outras causas de
obstrução: próteses dentárias deslocadas,
fragmentos dentários, chicletes e balas.
A obstrução de vias aéreas pelo conteúdo
regurgitado do estômago pode ocorrer durante a
parada cardiopulmonar ou nas manobras de
reanimação cardiopulmonar. Pessoas com nível de
consciência alterado também correm risco de
obstrução de vias aéreas pela aspiração de
material vomitado.
3.1.2. Causas de OVACE em Crianças
Em crianças a principal causas de obstrução de
vias aéreas é a aspiração de leite regurgitado ou
de pequenos objetos. Outras causas freqüentes
são alimentos (balas, chicletes, etc.) e causas
infecciosas (epiglotite). Neste último caso, a
presença do médico ou o transporte imediato para
o hospital se fazem imperiosos.
Os lactentes (até 1 ano de idade) são as principais
vítimas de morte por aspiração de corpo estranho
na faixa etária pediátrica.
3.2. Reconhecimento
O reconhecimento precoce da obstrução de vias
aéreas é indispensável para o sucesso no
atendimento. O socorrista deve estar atento, pois a
obstrução de vias aéreas e conseqüente parada
respiratória rapidamente evolui para parada
cardiopulmonar.
A obstrução das vias aéreas pode ser parcial (leve)
ou total (grave). Na parcial, a vítima pode ser capaz
de manter boa troca gasosa, caso em que poderá
tossir fortemente, apesar dos sibilos entre as
tossidas. Enquanto permanecer uma troca gasosa
satisfatória, encorajar a vítima a persistir na tosse
espontânea e nos esforços respiratórios, sem
interferir nas tentativas para expelir o corpo
estranho.
A troca insuficiente de ar é indicada pela presença
de tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios
estridentes ou gementes, dificuldade respiratória
acentuada e, possivelmente, cianose. Neste ponto,
iniciar o manejo da obstrução parcial como se
houvesse obstrução total.
Em adultos, a obstrução por corpo estranho deve
ser suspeitada em toda vítima que subitamente
pare de respirar, tornando-se cianótica e
inconsciente, sem razão aparente. Deve-se tomar
cuidado na diferenciação de OVACE e parada
cardiorespiratíria (ver capítulo específico –
Ressuscitação Cardiopulmonar).
Em crianças a OVACE deve ser suspeitada nos
seguintes casos: dificuldade respiratória de início
súbito acompanhada de tosse, respiração ruidosa,
chiado e náusea. Se essa obstrução se tornar
completa, ocorre agravamento da dificuldade
respiratória, cianose e perda de consciência.
3.2.1. Reconhecimento de OVACE em Vítima
Consciente
A obstrução total das vias aéreas é reconhecida
quando a vítima está se alimentando ou acabou de
comer e, repentinamente, fica incapaz de falar ou
tossir. Pode demonstrar sinais de asfixia,
agarrando o pescoço, apresentando cianose e
esforço respiratório exagerado. O movimento de ar
pode estar ausente ou não ser detectável. A pronta
ação é urgente, preferencialmente enquanto a
vítima ainda está consciente.
Em pouco tempo o oxigênio disponível nos pulmões
será utilizado e, como a obstrução de vias aéreas
impede a renovação de ar, ocorrerá a perda de
consciência e, rapidamente, a morte.
3.2.2. Reconhecimento de OVACE em Vítima
Inconsciente
Quando um adulto for encontrado inconsciente por
causa desconhecida, suspeitar de parada
cardiopulmonar por infarto, acidente vascular ou
hipóxia secundária à obstrução de via aérea. Ele
será avaliado pensando-se em parada
cardiopulmonar, deixando para fazer o manejo de
desobstrução de vias aéreas apenas se o fato se
evidenciar. Tratando- se de criança, devemos
suspeitar imediatamente de OVACE.
4. Desobstrução de Vias Aéreas
Os métodos de desobstrução de vias aéreas
dividem-se em dois tipos, conforme a natureza da
obstrução: obstrução por líquido (rolamento de 90º
e aspiração) ou obstrução por sólido (remoção
manual e manobras de desobstrução).
4.1. Obstrução por Líquido
4.1.1. Rolamento de 90º
Esta manobra consiste em lateralizar a vítima em
monobloco, trazendo-a do decúbito dorsal para o
lateral, com o intuito de remover secreções e
sangue das vias aéreas superiores.
Estando a vítima na cena do acidente, ainda sem
intervenção do socorrista, ou seja, sem qualquer
imobilização (colar cervical e tábua), havendo a
necessidade da manobra, esta deverá ser realizada
com controle cervical manual.
Estando a vítima já imobilizada em tábua, proceder
a manobra mediante a lateralização da própria
tábua.
4.1.2. Aspiração
A aspiração de secreções e sangue pode ser
realizada ainda na cena do acidente, mediante uso
de aspiradores portáteis, ou no interior da
ambulância, pelo uso de aspiradores fixos. Os
aspiradores devem promover vácuo e fluxo
adequado para sucção efetiva da faringe, através
de sondas de aspiração de vários diâmetros.
A unidade de sucção fixa instalada deve ter
potência suficiente para um fluxo de 30 litros por
minuto na extremidade final do tubo de entrada e
um vácuo acima de 300 mm de mercúrio quando o
tubo é fechado. Controlar a pressão de sucção em
crianças e vítimas intubadas. Para a sucção
traqueal, utilizar um tubo em "V" ou ''T', com
abertura lateral para controlar a aspiração
intermitente.
Quando aspirando a boca ou a faringe, mover o
cateter de sucção de tal modo que atinja todas as
áreas acessíveis, evitando que se fixe na mucosa e
perca sua eficácia.
A inserção pode ser continuada lentamente, com
movimentos rotatórios do cateter, enquanto houver
material a ser aspirado. Cuidado ao utilizar
cateteres duros, para evitar trauma da laringe.
Aplicar a sucção por períodos de no máximo 05
segundos de cada vez, alternando-a com o suporte
ventilatório.
4.2. Obstrução por Sólido
4.2.1. Remoção Manual
Durante a avaliação das vias aéreas, o socorrista
pode visualizar corpos estranhos, passíveis de
remoção digital. Somente remover o material que
cause obstrução se for visível.
É difícil o uso dos dedos para remover corpos
estranhos das vias aéreas. Em muitos casos é
impossível abrir a boca da vítima e inserir os dedos
para esse propósito, a menos que a vítima esteja
inconsciente. Em alguns casos, especialmente
envolvendo crianças e lactentes, um dedo adulto
pode aprofundar o corpo estranho, causando a
obstrução completa.
A técnica de remoção manual consiste em abrir a
boca da vítima utilizando a manobra de tração da
mandíbula ou a de elevação do mento (abordadas à
frente) e retirar o corpo estranho com o indicador
―em gancho‖, deslocar e retirar o corpo estranho.
Estando o corpo estranho mais aprofundado, existe
a alternativa de utilizar os dedos indicador e médio
―em pinça‖. Em recém-nato e lactente, utilizar o
dedo mínimo em virtude das dimensões reduzidas
das vias aéreas. Somente tentar a remoção se o
corpo estranho estiver visível; se não, está contra-
indicada a procura do material com os dedos.
4.2.2. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em
Adultos
São manobras realizadas manualmente para
desobstruir vias aéreas de sólidos que lhe ficarem
entalados.
Para vítimas inconscientes deve ser aplicada a
manobra de ressuscitação cardiopulmonar, pois as
compressões torácicas forçam a expelição do
corpo estranho e mantém a circulação sangüínea,
aproveitando o oxigênioainda presente no ar dos
pulmões.
Para vítimas conscientes usa-se uma das seguintes
técnicas:
4.2.2.1. Compressão Abdominal
Também chamada manobra de Heimlich, consiste
numa série de quatro compressões sobre a região
superior do abdômen, entre o apêndice xifóide e a
cicatriz umbilical.
● Vítima em pé ou sentada:
1) Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em
torno do abdômen;
2) Segurar o punho da sua outra mão e aplicar
compressão contra o abdômen, entre o apêndice
xifóide e a cicatriz umbilical no sentido superior
(tórax), por quatro vezes;
3) Estando a vítima em pé, ampliar sua base de
sustentação, afastando as pernas, e posicionar
uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a
queda caso fique inconsciente.
● Vítima deitada:
1) Posicionar a vítima em decúbito dorsal;
2) Ajoelhar-se ao lado da vítima, ou a cavaleiro
sobre ela no nível de suas coxas, com seus joelhos
tocando-lhe lateralmente o corpo;
3) Posicionar a palma da mão (região tenar) sobre o
abdômen da vítima, entre o apêndice xifóide e a
cicatriz umbilical, mantendo as mãos sobrepostas;
4) Aplicar quatro compressões abdominais no
sentido do tórax.
4.2.2.2. Compressão Torácica
A compressão torácica é utilizada quando a
compressão abdominal é inviável ou contra-
indicada, como nos casos de obesidade com
circunferência abdominal muito larga e gestação
próxima do termo. Consciente em uma série de
quatro compressões torácicas sobre o terço
inferior do esterno, logo acima do apêndice xifóide.
● Vítima em pé ou sentada:
1) Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em
torno do tórax;
2) Segurar o punho da sua outra mão e aplicar
compressão contra o esterno, acima do apêndice
xifóide, por quatro vezes;
3) Estando a vítima em pé, ampliar sua base de
sustentação, afastando as pernas, e posicionar
uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a
queda caso fique inconsciente.
● Vítima deitada:
1) Posicionar a vítima em decúbito dorsal;
2) Ajoelhar-se ao lado da vítima;
3) Aplicar quatro compressões torácicas como na
manobra de ressuscitação cardiopulmonar - RCP;
4.2.3. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em
Crianças
A remoção manual de material que provoque
obstrução sem ser visualizado não é recomendada.
Para crianças maiores de um ano, aplicar a
manobra de Heimlich, de forma semelhante à do
adulto; nos lactentes, uma combinação de palmada
nas costas (face da criança voltada para baixo) e
compressões torácicas (face voltada para cima),
sempre apoiando a vítima no seu antebraço;
mantenha-o com a cabeça mais baixa que o tronco,
próximo a seu corpo.
● Técnica:
1) Utilizar a região hipotenar das mãos para aplicar
até 05 palmadas no dorso do lactente (entre as
escápulas);
2) Virar o lactente segurando firmemente entre
suas mãos e braços (em bloco);
3) Aplicar 05 compressões torácicas, como na
técnica de reanimação cardiopulmonar (comprima
o tórax com 02 dedos sobre o esterno, logo abaixo
da linha mamilar).
Os passos da manobra de Heimlich para crianças
maiores e os da combinação de palmada nas
costas com compressões torácicas para lactentes
devem ser repetidos até que o corpo estranho seja
expelido ou a vítima fique inconsciente. Neste
caso, proceder as manobras de abertura de vias
aéreas, repetir os passos de desobstrução iniciar
manobras de RCP.
5. Métodos de Controle de Vias Aéreas
Os métodos de controle de vias aéreas são de três
tipos: manual , mecânico e cirúrgico, sendo que o
método mecânico se subdivide em básicos,
avançados e alternativos.
A causa mais comum de obstrução de vias aéreas
é a inconsciência de qualquer natureza e, na
grande maioria dos casos, os métodos manuais
conseguem promover e manter a permeabilidade
das vias aéreas.
5.1. Métodos Manuais
5.1.1. Manobra de Tração de Mandíbula (Jaw-Thrust)
Essa técnica tem como vantagem o fato de não
mobilizar a coluna cervical, visto que promove a
desobstrução das vias aéreas por projetar a
mandíbula anteriormente, deslocando também a
língua.
Como desvantagem, é tecnicamente mais difícil de
executar, se comparada à manobra de inclinação
da cabeça e elevação do mento, além de não
permitir que o socorrista (estando sozinho)
continue a avaliação da vítima, visto que estará
com as duas mãos envolvidas na manutenção da
manobra.
Executar da seguinte forma:
1) Apoiar a região tenar da mão sobre a região
zigomática da vítima, bilateralmente, estando
posicionado na sua "cabeceira";
2) Colocar a ponta dos dedos indicador e médio
atrás do ângulo da mandíbula, bilateralmente,
exercendo força suficiente para deslocá-Ia
anteriormente;
3) Apoiar os polegares na região mentoniana,
imediatamente abaixo do lábio inferior, e promover
a abertura da boca.
5.1.2. Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do
Mento (Chin Lift)
Essa técnica tem como vantagens ser
tecnicamente mais fácil de executar se comparada
à manobra de tração de mandíbula e o socorrista,
mesmo sozinho, consegue manter a manobra sem
perder o controle cervical.
Executar da seguinte forma:
1) Manter o controle cervical com uma das mãos
posicionada sobre a região frontal da vítima;
2) Posicionar o polegar da outra mão no queixo e o
indicador na face inferior do corpo da mandíbula;
3) Pinçar e tracionar anteriormente a mandíbula,
promovendo movimento discreto de extensão da
cabeça, o suficiente para liberar as vias aéreas.
Após a realização de qualquer das manobras
manuais, o socorrista deve observar a cavidade
oral e, somente caso visualize qualquer corpo
estranho este deve ser removido. Em caso de
corpos líquidos deve ser executado o rolamento de
90º ou a aspiração.
5.2. Métodos Mecânicos
5.2.1. Básicos
5.2.1.1. Cânula Orofaríngea
Também conhecida como cânula de Guedel, é um
dispositivo destinado a manter pérvia a via aérea
superior em vítimas inconscientes. Introduzida em
vítima consciente ou em estupor, pode produzir
vômito ou laringoespasmo. É necessário cuidado
na colocação da cânula, porque a inserção
incorreta pode empurrar a língua para trás, na
faringe, e produzir obstrução de via aérea,
manifestada por troca insuficiente de ar, indicada
por tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios
estridentes, dificuldade respiratória acentuada e
até mesmo cianose (cor azulada de pele, unhas e
lábios).
A cânula orofaríngea está disponível em medidas
para recém-natos, crianças e adultos. O melhor
modo de identificar o tamanho adequado da cânula
é segurá-Ia ao lado da face da vítima, com a
extremidade inferior tocando o ângulo da
mandíbula, logo abaixo do lóbulo da orelha e
estender a outra extremidade até a comissura
labial.
Inserir a cânula com a concavidade para cima,
dirigindo sua extremidade para o palato duro ("céu
da boca"), logo atrás dos dentes incisivos
superiores. Não permitir que a cânula toque o
palato, aplicando um movimento de rotação
helicoidal de 180º (em parafuso) sobre ela mesma,
posicionando-a sobre a língua. Um abaixador de
língua pode ser útil para impedir que a cânula
empurre a língua para trás durante sua inserção.
Em crianças pequenas, a cânula de Guedel é
inserida diretamente sobre a língua, com a
concavidade para baixo, sem a rotação de 180º.
Dessa forma evitam-se traumatizar dentes e palato.
5.2.1.2. Cânula Nasofaríngea
É um dispositivo confeccionado em látex, mais
flexível e de menor diâmetro que a cânula
orofaríngea, em virtude de sua inserção através da
cavidade nasal. Bem lubrificada, introduzi-Ia numa
das narinas (naquela que aparentemente não
esteja obstruída) e, delicadamente, introduzi-la até
a orofaringe. A cânula nasofaríngea é preferível à
orofaríngea na vítima consciente, por ser melhor
tolerada e menos propensa a induzir vômitos.
Durante a inserção, encontrando obstáculo na
progressão da cânula, interromperimediatamente
o procedimento, tentando a seguir introduzi-la
através da outra narina.
5.2.2. Avançado
5.2.2.1. Intubação Endotraqueal
Procedimento médico que se define como via aérea
definitiva, através da inserção de cânula
endotraqueal por via oral ou nasal. É o meio mais
efetivo de proteção de vias aéreas contra
aspiração e permite uma ventilação pulmonar
adequada.
Esse procedimento está indicado quando não se
consegue manter via aérea permeável por outros
métodos ou se pretendem proteger as vias aéreas
inferiores contra a aspiração de sangue ou vômito.
Dessa forma consegue-se manter uma melhor
ventilação da vítima utilizando balão auto-inflável
(ambu) ou respirador para manter ventilação
artificial enriquecida com oxigênio.
O socorrista deve conhecer o material necessário
para a intubação traqueal, objetivando auxiliar o
médico nesse procedimento:
● Cânulas endotraqueais (nos 2,5 a 9,0);
● Laringoscópio (cabo e lâminas de nos 0 a 4)
● Pinças de Magill (adulto e infantil);
● Guia;
● Cadarço (para fixação da cânula);
● Seringa (para insuflar o ".cuff').
5.2.3. Alternativos
5.2.3.1. Obturador Esofágico
É um dispositivo composto de uma máscara facial
que cobre boca e nariz, adaptada a um tubo com
balonete na extremidade oposta. O tubo é passado
por via oral e se localizará no esôfago, o qual será
obliterado pela insuflação do balonete. A vitima
será ventilada através da máscara que deve estar
bem adaptada à sua face.
5.2.3.2. Combitube
O Combitube é um tubo de duplo lúmem com 02
balonetes (proximal orofaríngeo e distal). Um
lúmem se assemelha ao obturador esofágico, com
fundo cego e perfurações laterais na altura da
faringe. O outro lúmem apresenta a extremidade
distal aberta similar ao um tubo traqueal
convencional. O Combitube é introduzido às cegas
e permite adequada ventilação independentemente
de sua posição ser esofágica ou traqueal.
5.2.3.3. Máscara Laríngea
A Máscara Laríngea é um tubo semicurvo, que se
inicia em um conector padrão e termina em uma
pequena máscara com um suporte periférico
inflável, que forma uma vê dação à volta da
entrada da laringe. Sua inserção é muito rápida e
dispensa a laringoscopia.
5.3. Método Cirúrgico
5.3.1. Cricotireoidostomia
Procedimento médico que se define como via aérea
definitiva cirúrgica, por meio de inserção de agulha
ou cânula traqueal através da membrana
cricotireoidea (primeiro sulco transversal abaixo
do "pomo de Adão", na face anterior do pescoço).
Esse procedimento está indicado quando não é
factível a intubação traqueal, como, por exemplo,
nos casos de edema de glote, fratura de laringe,
ferimentos faciais graves ou grande hemorragia
orofaríngea.
5.3.2. Traqueostomia
Procedimento médico através do qual se
estabelece um orifício artificial na traquéia, abaixo
da laringe, indicado em emergências.
Trata-se de um procedimento simples. O pescoço
do paciente é limpo e coberto e logo são feitas
incisões para expor os anéis cartilaginosos que
formam a parede externa da traquéia.
Posteriormente são cortados dois desses anéis,
resultando num orifício, através do qual é inserida
uma cânula.
8° Módulo: Ressuscitação
Cardiopulmonar
1. Histórico
A reanimação tem sido uma aspiração humana há
séculos. No século passado a reanimação foi uma
prática comum na Europa, pela técnica de rolar
vítimas inconscientes sobre barris, na tentativa de
mover o ar para dentro e para fora dos pulmões.
Foles também foram usados com o mesmo intuito.
No início do século XX, a técnica mais usada era o
método de pressão prona de Schafer, segundo a
qual se pressionava clinicamente a região lombar
para movimentar o ar entre os pulmões e o
ambiente. Essa técnica permitia a manutenção das
vias aéreas abertas pela ação da gravidade na
base da língua. No entanto, essas e outras
técnicas não eram eficientes pela baixa ventilação
alveolar que ofereciam.
Apesar da ventilação boca-a-boca estar descrita na
Bíblia (usada em recém-nascidos por parteiras)
somente no início dos anos 50 ela foi redescoberta
pelos Dr James Elam e Peter Safar nos Estados
Unidos.
Nos anos 60 Kouwenhoven, Jude e Knickerbocker
desenvolveram e apresentaram a técnica de
compressão torácica externa. O acoplamento
dessa técnica com a ventilação artificial boca-a-
boca é, hoje, largamente utilizada na reanimação
cardiorrespiratória como suporte básico de vida. A
simplicidade dessa técnica, que requer apenas
duas mãos e ventilações na boca, tornou-a
altamente popular.
Em 1993 foi formada uma Aliança Internacional dos
Comitês em Ressuscitação (ILCOR) pelas
Sociedade de Cardiologia Americana (AHA), pelo
Conselho Europeu em Ressuscitação (ERC), e pelo
Comitê Australiano em Ressuscitação com o
intuito de realizar estudos a partir de evidências
cientificas.
No ano de 2000, o ILCOR realizou a primeira
Conferência para um Consenso em RCP e em
conjunto com a AHA lançou uma nova diretriz para
RCP. Em 2005, após uma nova Conferência de
Consenso, a AHA lançou outra diretriz com
diversas mudanças para RCP baseadas em
evidências científicas, dentre as quais a principal é
a mudança da taxa de compressão-ventilação de
30:2, sendo que anteriormente era de 15:2.
2. Morte Clínica e Biológica
Ressuscitação cardiopulmonar é o conjunto de
manobras realizadas para restabelecer a
ventilação pulmonar e a circulação sangüínea, tais
como, respiração artificial e massagem cardíaca
externa, manobras essas utilizadas nas vítimas em
parada cardiopulmonar (morte clínica).
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) é também
uma aspiração médica, porque a morte clínica não
é seguida instantaneamente da morte biológica. Ou
seja, no momento em que um paciente apresenta
sinais de morte clínica (inconsciência sem
resposta a qualquer estímulo e ausência de
movimentos respiratórios e de pulso), há ainda
viabilidade biológica dos órgãos internos. Dessa
forma, se for possível manter a oferta de oxigênio
aos tecidos e recuperar a respiração e a circulação
espontâneas, antes da morte biológica dos tecidos,
a reanimação é conseguida com sucesso (gráfico
1).
Esta tabela mostra a evolução da morte clínica até
a morte biológica e os vários cenários possíveis
após a RCP, segundo o tempo decorrido entre a
parada circulatória e a restauração do fluxo
sangüíneo espontâneo.
A viabilidade do cérebro é que define a vida
humana. Na ausência de intervenção terapêutica, a
morte clínica é rapidamente seguida de lesão
biológica tecidual irreversível. Essa seqüência é
um processo que se estende de 5 a 20 minutos no
cérebro, de 20 a 30 minutos no coração e por horas
na pele. Devido à variação na longevidade dos
diferentes tecidos corporais, a morte encefálica
tem sido considerada o indicador da morte
biológica (Fig 9.1).
Para alguns pacientes com parada cardiopulmonar
e com funções neurológica e cardiorrespiratória
previamente preservadas, a utilização rápida das
técnicas de RCP, seguidas de cuidados médicos
definitivos, pode ser salvadora. O tempo disponível
de viabilidade dos tecidos antes da morte biológica
é curto e o principal determinante do sucesso da
RCP.
3. Parada Respiratória
A parada respiratória evolui em alguns minutos
para uma parada cardiopulmonar e apesar de ser a
menor causa de paradas, possui resultados
positivos quando aplicado RCP logo no início da
parada, principalmente em obstrução de vias
aéreas ou afogamento.
São causas de parada respiratória por ordem de
incidência:
● Doenças do pulmão;
● Trauma;
● Obstrução de Vias Aéreas por inconsciência
(queda da língua em contato com as partes moles
da boca);
● Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho
(OVACE);
● Acidente Cardiovascular (AVC);
● Overdose por drogas;
● Afogamento;
● Inalação de fumaça;
● Epiglotite elaringite;
● Choque elétrico;
4. Parada Cardíaca
Doenças cardíacas são a principal causa de morte
em todo o mundo e em cerca de 60% destas
mortes ocorre uma Parada Cardíaca Súbita (PCS).
A parada cardíaca súbita corresponde a 80% das
paradas cardiopulmonares. Estas paradas
cardíacas súbitas tem como principal causa o
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e durante o
infarto a grande maioria das vítimas apresenta
algum tipo de fibrilação ventricular (FV) durante a
parada.
Nenhum tipo de RCP consegue reverter este
quadro, mas garante a oxigenação dos tecidos até
a chegada de um desfibrilador. Um RCP aplicado
com alta qualidade pode dobrar ou triplicar as
taxas de sobrevivência de PCS.
Outras causas de Parada Cardíaca são:
● Trauma direto no coração;
● Uso de Drogas.
5. Sinais de Parada Cardiopulmonar
São três os sinais que demonstram que uma vítima
está em parada cardiopulmonar:
● Inconsciência sem resposta a estímulo;
● Ausência de movimentos respiratórios;
● Ausência de Pulso.
6. Delineação da idade
Crianças não devem ser vistas como pequenos
adultos, nem tão pouco podemos afirmar que uma
criança de 8 anos é igual fisiologicamente a um
bebe de menos de 1 ano. Com o objetivo de aplicar
as técnicas conforme a idade da vítima é
necessário definir tal situação:
● Adultos: vítimas que apresentem caracteres
sexuais secundários (pré-adolescentes);
● Crianças: a partir de 1 (um) ano de idade até a
presença de caracteres sexuais secundários;
● Bebês ou lactentes: até 1 (um) ano de idade;
● Neonatos ou recém-nascidos: das primeiras horas
do parto até a saída do hospital;
7. Corrente da Sobrevivência para Adultos
Como parte de um processo para diminuir as
mortes por parada cardiopulmonar, tendo em vista
que algumas pessoas são muito jovens para morrer
apesar de alguma falha no coração, a American
Heart Association (AHA) criou um fluxograma
simples baseada em uma corrente com 4 (quatro)
elos: a Corrente da Sobrevivência (Fig 9.2).
Cada elo da corrente de Sobrevivência significa:
● 1º - Reconhecimento imediato da emergência e
acionamento do Sistema Médico de Emergência:
ligue 192 ou 193;
● 2º - Aplicação de RCP desde logo;
● 3º - Aplicação imediata de choque com um
desfibrilador assim que disponível;
● 4º - Suporte Avançado de Vida seguido de
tratamento pós-ressuscitação.
Quem presencia uma parada cardiopulmonar pode
prover 3 dos 4 elos se houver um desfibrilador
disponível. Como esta ainda não é a realidade no
Brasil, o ensino da corrente da sobrevivência é
restrito aqueles que possam ter acesso a um
desfibrilador, normalmente profissionais da área de
saúde.
Caso a causa da parada cardiopulmonar derive de
uma parada respiratória conhecida, a aplicação de
2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP desde
logo precede ao acionamento do SME, se o
socorrista estiver sozinho, pois este procedimento
pode retomar rapidamente a respiração e
circulação quando feito sem demora.
8. Procedimentos para Ressuscitação Cardiopulmonar
Ressuscitação cardiopulmonar é o conjunto de
manobras realizadas para restabelecer a
ventilação pulmonar e a circulação sangüínea, tais
como, respiração artificial e massagem cardíaca
externa, manobras essas utilizadas nas vítimas em
parada cardiopulmonar.
A ressuscitação cardiopulmonar requer uma
seqüência de procedimentos parecido com o ABCD
da avaliação inicial com a diferença que o D do
RCP se refere a desfibrilação:
● A – Vias Aéreas: manter as vias aéreas
permeáveis para a passagem do ar;
● B – Respiração: ventilar os pulmões da vítima
para garantir um mínimo de troca de ar;
● C – Circulação: comprimir o tórax de forma a
realizar uma pressão intratorácica que faça o
coração bombear sangue para os órgão vitais;
● D – Desfibrilação: aplicação de um choque no
coração para normalizar os batimentos cardíacos
que entram em movimentos descompassados como
a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular.
9. RCP em Adultos
A grande maioria das mortes em adulto é causada
pela PCS e por mais bem feita que seja, a RCP não
consegue reverter este quadro. Caso o socorrista
esteja sozinho no local da ocorrência o
acionamento ao SME, para a aplicação do
desfibrilador, é prioritário para então na seqüência
iniciar o RCP.
A exceção fica para os casos de parada
respiratória (OVACE, afogamento, etc) em que o
emprego imediato de ventilações tem prioridade
sobre o acionamento do SME. O socorrista se
estiver sozinho deve então executar o RCP por
pelos menos 2 (dois) minutos antes de acionar o
SME.
A seguir verificamos a seqüência do RCP conforme
descrito de forma sucinta acima.
9.1. Abertura de Vias Aéreas
Estabelecida que a vítima apresenta os sinais
característicos de parada cardiopulmonar você
deve iniciar os procedimentos de RCP. Para tanto o
primeiro passo é garantir que a vítima esteja em
decúbito dorsal (costas no chão).
Estando a vítima em decúbito dorsal efetue a
abertura das vias aéreas, o que muitas vezes pode
garantir o retorno da respiração se a vítima estava
somente em parada respiratória. Se ao verificar as
VVAA você encontrar qualquer objeto (chicletes,
próteses) ou líqüido (vomito, sangue), retire com
uma pinça, ou os dedos, ou aspirador, ou ainda
através do rolamento 90º. Não retire dentaduras
bem fixas da vitima, pois ela ajudam a manter os
contornos da boca, auxiliando em uma boa
vedação para a ventilação.
9.1.1. Tração de Mandíbula
Está é a técnica recomendada para abertura de
VVAA em vítimas com suspeita de lesão na coluna
cervical ou TCE. Para a tração da mandíbula siga
os seguintes passos:
● Deslize suas mãos para cada lado da cabeça e
apóie as pontas dos dedos nos ângulos da
mandíbula (Fig 9.3).
● Coloque os polegares sobre a parte anterior da
mandíbula e tracione deslocando o mento para a
frente sem movimentar a cabeça.
● Em caso dos lábios se fecharem afaste-os com os
dedos.
9.1.2. Inclinação da Cabeça e Elevação do Mento
A inclinação da cabeça e elevação do mento (Fig
9.4) é a técnica mais recomendada para abertura
de VVAA sem instrumentos e pode ser usada em
situações de trauma após 3 (três) tentativas sem
sucesso com a tração da mandíbula:
● Com uma das mãos apóie na testa da vítima e
exerça uma pequena tração para trás, fazendo uma
pequena extensão do pescoço;
● Ao mesmo tempo que você apóia a mão na testa
com a outra mão faça uma pinça com os dedos
elevando o queixo e abrindo-o;
● Caso o ar não passe tente estender um pouco
mais o pescoço e procure por OVACE a cada
procedimento.
9.1.3. Cânula Orofaríngea
A cânula orofaríngea ou cânula de Guedes é
disponível em vários tamanhos e é o procedimento
padrão para o socorrista bombeiro estando na
ambulância. A cânula só é recomendada para
pacientes inconscientes em comatose, pois caso o
paciente ainda tenha reflexos glossofaringeal a
cânula pode provocar vomito ou espasmos na
laringe. Para a colocação da cânula (Fig 9.5):
● Meça o tamanho da cânula verificando desde o
ângulo da mandíbula até a boca;
● Insera a cânula com a curva voltada para baixo e
gire-a na posição correta após verificar que a ponta
já está na base da língua.
● Em crianças coloque a cânula diretamente na sua
posição normal, auxilie com uma puxador de língua
se necessário.
É possível que a cânula fique obstruída por 03
(três) situações: parte da língua pode obstruir a
ponta da cânula, a cânula pode se alojar na
vallecula, e as VVAA podem ficar obstruídas com a
oclusão da epiglote pela cânula.
9.1.4. Vias Aéreas Avançadas
VVAA avançadas são equipamentos que garantem
uma maior ventilação ao pulmão, pois elas
conseguem direcionar o ar diretamente para a
traquéia. A colocação destes equipamentos são
procedimentos exclusivos do profissional médico.
Intubação Endotraqueal
Intubação endotraquealé o método preferido para
estabelecer uma via aérea permeável durante a
RCP. Ela permite bom volume corrente, ventilação
com altas frações de O² e aspiração das vias
aéreas inferiores, além de proteger a via aérea de
aspiração de conteúdo gástrico. A RCP não deve
ser suspensa por mais de 30 segundos para tentar
a intubação (Fig 9.6).
Combitubo
O combitubo é uma VVAA avançada com um tubo
de saída de ar e dois de entrada. Sua grande
vantagem é a de que não importa em qual canal o
tubo entra, se a traquéia ou o esôfago, sempre é
possível efetuar a ventilação, pois a ventilação
pode ser direcionada pelos tubos de entrada. É
indicada em casos de trauma onde a colocação é
de difícil acesso (Fig 9.7).
Máscara Laríngea
A máscara laríngea é como o próprio nome diz uma
máscara conectada em um tubo, mas
diferentemente do obturador esofágico, a máscara
é introduzida na laringe vedando a entrada para a
traquéia (Fig 9.8).
Cricotireoidostomia e traqueostomia
Se uma via aérea não-cirúrgica não for possível, a
cricotireoidostomia de emergência está indicada. A
realização da traqueostomia durante as manobras
de RCP é um procedimento difícil e seguido de
várias complicações. Nesta fase, a
cricotireoidostomia é o método cirúrgico de
eleição (Fig 9.9).
Pressão Cricóide
A pressão cricóide ou manobra de Sellick é
realizada com o objetivo de evitar que o ar enviado
por uma ventilação vá para o estômago, prevenindo
a distensão gástrica, diminuindo o risco de
regurgitação e aspiração e evitando que o
estômago pressione a veia cava e venha a diminuir
o retorno venoso.
A pressão cricóide só é recomendada para vítimas
inconscientes e por um terceiro socorrista que não
participa das manobras de RCP. Caso a passagem
de ar esteja difícil ou a vítima vomite retire a
pressão na cricóide. Para aplicar a pressão
cricóide realize os seguintes passos (Fig 9.10):
● Localize a cartilagem tireóide (pomo-de-adão)
com o dedo indicador.
● Deslize o dedo até a base da cartilagem e apalpe
o anel horizontal logo abaixo desta (cartilagem
cricóide).
● Com o dedo indicador e a ponta do polegar
pressione para baixo a cartilagem cricóide.
9.2. Ventilação
Após a abertura das VVAA, analise a respiração da
vítima usando o método do Ver-Ouvir-Sentir. Este
exame não deve demorar mais do que dez
segundos, se constatar que não há respiração, ou a
respiração é inadequada (respirações agônicas), ou
ainda, você não tem certeza se a respiração é
adequada; inicie as ventilações artificiais.
9.2.1. Ventilação Boca-a-boca
Para realizar a ventilação boca-a-boca.
● Pince o nariz da vítima usando o polegar e dedo
indicador da mão que está na testa da vítima;
● Respire normalmente e coloque seus lábios na
boca da vítima, vedando-a completamente,
impedindo vazamento de ar;
● Ventile 2 (duas) vezes (cerca de 1 segundo para
cada ventilação) a cada 30 (trinta) compressões
torácicas;
● A ventilação deve provocar elevação visível do
tórax;
● Observar o tórax subindo e descendo, ouvir e
sentir o fluxo de ar;
● Manter as vias aéreas abertas para a expiração;
● Não demore mais do que 10 (dez) segundos na
aplicação das ventilações;
● Se a ventilação não elevar o tórax após algumas
tentativas, inicie a compressão torácica;
● Havendo pulso, efetue de 10 a 12 ventilações por
minuto sem compressões torácicas;
● Evite a hiperventilação, pois isto pode causar
uma distensão gástrica reduzindo o débito
cardíaco.
9.2.2. Ventilação Boca-nariz
Recomendada quando não é possível ventilar boca
a boca, como: trauma de face, boca disforme, ou
boca-boca/nariz em lactentes:
● Com a mão que está no queixo da vítima, feche a
boca da vítima;
● Respire normalmente, coloque os lábios ao redor
do nariz da vítima e ventile;
● Deixe a vítima expirar passivamente, pode ser
necessário abrir a boca;
● Manter a mesma recomendação de ritmo anterior
(boca-a-boca).
9.2.3. Ventilação Boca-estoma
Estoma traqueal é uma abertura permanente na
parte da frente do pescoço em pessoas que
tiveram sua laringe removida por cirurgia. A
ventilação nestes casos é feita diretamente no
estoma da mesma maneira do boca-a-boca. Após a
ventilação não esqueça de permitir a saída de ar
após cada ventilação.
9.2.4. Ventilação Bolsa-Válvula-Mascara
A ventilação bolsa-válvula-máscara é o
procedimento padrão para SME na aplicação da
ventilação no RCP. A maioria destes equipamentos
é constituída por uma máscara que garante a
vedação da boca e nariz, uma válvula que impede a
reinalação e uma bolsa com um volume
aproximado de 1.600 ml. Assim que possível
conecte também o reservatório com O² para
garantir a entrega de 100% de oxigênio a vítima,
sem este equipamento a entrega de O² fica em
apenas 70%.
Para a ventilação bolsa-válvula-máscara, segure
firmemente com uma das mãos a máscara e o um
dos ângulos da mandíbula da vítima, com a outra
mão comprima lentamente a bolsa até verificar
elevação visível do tórax. A ventilação com 2 (dois)
socorristas garante uma maior efetividade, pois
enquanto um comprime a bolsa, o outro veda a
máscara com as duas mãos, uma em cada ângulo
da mandíbula.
9.2.5. Ventilação VVAA Avançadas
Para a ventilação com VVAA avançadas conecte o
ambu e assim que possível forneça a bolsa e
reservatório com O² para a vítima. Na ventilação
com VVAA avançadas estas devem ser aplicadas
de 8 (oito) a 10 (dez) ventilações por minuto sem
pausa nas compressões torácicas.
9.3. Compressão Torácica
Conforme a diretriz de 2005 da AHA as
compressões torácicas são enfatizadas. A
compressão torácica consegue criar um pequeno
fluxo de sangue para os órgãos vitais, como
cérebro e miocárdio. A cada interrupção este fluxo
para e durante as primeiras compressões ele não
se estabelece de forma efetiva, por isto as
compressões têm maior importância.
Durante a PCS a necessidade de ventilação é
menor do que o normal, pois durante os
procedimentos de RCP o fluxo sangüíneo que vai
para os pulmões é muito menor que o normal, não
havendo necessidade de uma grande troca de ar.
9.3.1. Verificação do Pulso
A verificação do pulso em vítimas inconscientes
sempre é realizada pela palpação da carótida (Fig
9.15). Em cerca de 10% dos casos de vítimas sem
pulso os socorristas não são capazes de identificá-
lo e acabam atrasando o início das compressões
torácicas. Caso você não tenha certeza de que a
vítima tem pulso, mas sabe que esta não respira,
inicie as manobras de RCP com compressão
torácica.
Para verificar o pulso carotídeo localize a traquéia
com dois dedos e deslize-os suavemente entre a
traquéia e os músculos laterais do pescoço,
exercendo uma leve compressão sem obstruir a
artéria. Esta operação não deve demorar mais do
que 10 (dez) segundos. O socorrista pode também
procurar por pulso na artéria femural da vítima
inconsciente.
9.3.2. Posição do Corpo e das Mãos
Verificado que a vítima não possui pulso, o
socorrista deve iniciar as compressões torácicas:
● Certifique-se de que a vítima esteja em decúbito
dorsal sobre uma superfície rígida;
● Ajoelhe-se ao lado do peito da vítima;
● Exponha o peito da vítima e coloque uma das
mãos no centro do peito na altura da linha mamilar
(Fig 9.16);
● Coloque a outra mão sobre a primeira e entrelace
os dedos com esta, não aplique nenhuma pressão
sobre as costelas, o término do esterno, ou o
abdômen;
●Posicione-se verticalmente sobre a vítima com os
braços retos e seus ombros sobre o peito da vítima
e comprima o tórax de forma que o peso de seu
corpo auxilie na compressão.
9.3.3. Técnica da Compressão
Para efetuar as compressões é importante lembras
destes detalhes:
●Comprima 30 (trinta) vezes o peito para cada 02
(duas) ventilações na vítima adulta, independente
de estar em 1 ou 2 socorristas;
● Ataxa de compressão deve ser de 100 (cem)
compressões por minuto;
● Comprima rápido, comprima forte e permita o
retorno completo do tórax;
● Execute a compressão com uma profundidade de
4 (quatro) a 5 (cinco) centímetros;
● Tempo de compressão e descompressão devem
ser iguais;
● Limite as interrupções, a compressão torácica é
o procedimento mais importante para garantir uma
sobre vida a vítima;
● Após 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP
reavalie a vítima, não demore mais do que dez
segundos nesta avaliação.
● A cada 2 (dois) minutos troque, se possível, o
socorrista que comprime o tórax; estudos
comprovaram que mesmo sem referir cansaço o
socorrista perde eficiência em apenas dois minutos
de compressão.
10. RCP em Crianças
O RCP em crianças é quase o mesmo para adultos
com algumas diferenças devido as diferenças
anatômicas e fisiológicas.
10.1. Corrente da Sobrevivência
A corrente da sobrevivência para crianças e
mesmo para jovens adultos (até 21 anos) apresenta
uma diferença em relação à corrente para o
adultos. Como as mortes nesta faixa etária são
mais comuns devido ao trauma (acidentes de
trânsito, afogamento, queimadura, FAB, FAF), a
prevenção ganha em importância para estes casos,
pois uma parada nestas situações só é revertida de
2 a 5% dos casos e a sua maioria desenvolve
alguma complicação neurológica (Fig 9.18).
Os elos da Corrente da Sobrevivência para
crianças são:
● 1º – Prevenção nas causas de parada
cardiorrespiratória;
● 2º - Aplicação de 2 (dois) minutos ou 5 (cinco)
ciclos de RCP desde logo;
● 3º - Acionamento rápido do Sistema Médico de
Emergência: ligue 192 ou 193;
● 4º - Suporte Avançado de Vida em Pediatria
seguido de tratamento pós-ressuscitação.
Caso você tenha conhecimento de que a criança
sofra de alguma doença cardíaca, o acionamento
do SME é prioritário à aplicação de RCP.
10.2. Abertura de Vias Aéreas
O procedimento é o mesmo realizado para adultos.
10.3. Ventilação
Após a abertura das VVAA aplique 2 (duas)
ventilações efetivas na criança. Devido ao tamanho
da caixa torácica da criança ser menor do que do
adulto menos ar é necessário na respiração, ao
ventilar forneça apenas ar suficiente para elevar o
tórax da criança (Fig 9.19).
Se houver pulso aplique de 12 (doze) a 20 (vinte)
ventilações por minuto, pois a criança
normalmente possui uma freqüência respiratória
mais elevada que o adulto. Com VVAA avançadas
efetue de 8 (oito) a 10 (dez) ventilações por minuto
sem interrupção nas compressões.
10.4. Compressão Torácica
Para a compressão torácica em crianças siga os
seguintes passos :
● Apalpe o pulso carotídeo em no máximo 10 (dez)
segundos, se não estiver presente prepare- se para
iniciar as compressões.
● Certifique-se de que a vítima esteja em decúbito
dorsal sobre uma superfície rígida;
● Ajoelhe-se ao lado do peito da vítima;
● Exponha o peito da vítima e coloque uma das
mãos com o braço reto sobre o centro do peito na
altura da linha mamilar (Fig 9.20), se achar
necessário é possível colocar as duas mãos;
● Se estiver sozinho, comprima 30 (trinta) vezes o
peito para cada 02 (duas) ventilações;
● Em 2 socorristas, comprima 15 (quinze) vezes
para cada 02 (duas) ventilações;
● A taxa de compressão deve ser de 100 (cem)
compressões por minuto;
● Comprima rápido, comprima forte e permita o
retorno completo do tórax;
● Execute a compressão com uma profundidade de
½ a ⅓ do tamanho do tórax;
● Tempo de compressão e descompressão devem
ser iguais;
● Após 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP
reavalie a vítima, não demore mais do que dez
segundos nesta avaliação.
11. RCP em Bebês
Em bebês, menos de 1 (um) ano de idade, as
causas mais comuns de parada cardiorrespiratória
são: síndrome da morte súbita em lactentes,
doenças respiratórias, OVACE, afogamento e
doenças neurológicas. A ressuscitação nestes
casos é extremamente difícil e resultam muitas
vezes em complicações neurológicas.
A corrente de sobrevivência para bebês é a mesma
aplicada as crianças com a diferença de que a
prevenção deve atuar mais nas doenças acima. Em
bebês o uso do desfibrilador externo automático,
DEA, não é recomendado.
11.1. Abertura de Vias Aéreas
O procedimento é praticamente idêntico ao do
adulto com a diferença de que em bebês é indicada
a colocação de uma pequena toalha sobre os
ombros da criança para manter as VVAA abertas
devido a relação da cabeça da criança com o tórax
.
11.2. Ventilação
A ventilação recomendada para bebes sem o uso
de equipamentos é a boca-boca e nariz, devido as
diferenças anatômicas entre adulto e o bebê.
Assim como para crianças a ventilação fornecida
para bebês é menor do que a para adultos, ao
ventilar forneça apenas ar suficiente para elevar o
tórax do bebê.
11.3. Compressão Torácica
Principais diferenças na aplicação de compressões
torácicas em relação à criança:
● Apalpe o pulso braquial em bebês, se estiver
ausente inicie o RCP;
● Se estiver sozinho o socorrista pode executar o
RCP sentado com o bebê em seu braço, apoiado
em uma das pernas, porém a superfície rígida é
mais apropriada;
●A aplicação da compressão é realizada logo
abaixo da linha mamilar;
●Comprima o tórax com 2 (dois) dedos sobre o
esterno, ou se possível, com os dois polegares,
abraçando o peito da vítima com as mãos.
12. RCP em Neonatos
Como o RCP em Neonatos somente é aplicável na
primeiras horas após o parto, dificilmente uma
equipe de socorristas irá usá-lo, mas como pode
haver a ocorrência de um parto de emergência na
ambulância, o socorrista deve saber aplicá-lo.
12.1. Abertura de Vias Aéreas
Procedimento igual ao da criança com a diferença
de que logo após o parto se faz necessário aspirar
as VVAA por completo para retirar qualquer
possibilidade de obstrução pelo líqüido amniótico.
12.2. Ventilação
Mesma ventilação recomendada para crianças
deve ser aplicada aos neonatos com a diferença de
que neste caso somente deve ser aplicada 1 (uma)
ventilação antes de iniciar as compressões.
12.3. Compressão Torácica
Principais diferenças na aplicação de compressões
torácicas em relação à criança:
●Apalpe o pulso braquial em neonatos, se estiver
ausente inicie o RCP;
● A aplicação da compressão é realizada logo
abaixo da linha mamilar;
● Comprima o tórax com os 2 (dois) polegares,
abraçando o peito da vítima com as mãos (Fig
9.24);
● Comprima 3 (três) vezes o tórax para cada 1
(uma) ventilação;
●Comprima a uma taxa de 90 (noventa)
compressões por minuto.
13. Complicações na RCP
Algumas complicações são encontradas na
aplicação da RCP para vítimas em parada. Começa
muitas vezes pela demora no início da RCP, cerca
de 10% dos socorristas profissionais ao verificar o
pulso pensam que este está presente quando não
está, atrasando a RCP.
Alguns socorristas podem ficar relutantes na
entrega de ventilações sem equipamentos. A
possibilidade de contrair uma doença é pequena e
somente alguns casos de tuberculose foram
verificados na ventilação boca-a-boca. Se mesmo
assim o socorrista relutar em ventilar a vítima,
este não deve atrasar o emprego das compressões
torácicas que tem se mostrado mais importante do
que as ventilações em um curto prazo.
A interrupção das compressões deve ser evitada
ao máximo, procedimentos como intubação,
aplicação de drogas não devem demorar mais do
que 30 (trinta) segundos. Estudos têm mostrado
que mesmo mantendo as compressões a um ritmo
de 100/min, devido as interrupções esta taxa cai
para 60/min prejudicando as chances da vítima.
A hiperventilação já não é mais recomendada,
sendo até mesmo prejudicial. A maior parte do ar
entregue na ventilação acaba indo para o
estômago, ocorrendo uma distensão gástrica que
prejudica a pressão intratorácica aplicada pelas
compressõese principalmente o retorno venoso
para o coração.
Algumas complicações podem surgir com a
execução das compressões: fratura de costelas,
pneumotórax, lesões na região abdominal. Apesar
destas complicações a compressão torácica não
deve ser interrompida até que a vítima retorne.
14. Desfibrilador Externo Automático
O uso do desfibrilador externo automático, DEA,
tem se difundido no Brasil, principalmente após a
morte de Serginho, jogador do São Caetano, que
faleceu em campo devido uma PCS. O uso do DEA é
grande nos Estados Unidos e tem demonstrado
uma maior eficiência quando empregados por
socorristas leigos em locais de grande público
como aeroportos, shoppings, estádios, do que
quando empregado somente pelo sistema médico
de emergência.
O DEA é um aparelho capaz de analisar o ritmo
cardíaco e aplicar o choque quando necessário.
Para isso o ritmo cardíaco apresentado pela vítima
deve ser chocável, o que ocorre somente com a
Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia
Ventricular sem perfusão (TV). Cerca de 70 % das
PCS apresentam FV em algum momento da parada.
Vítimas com parada devido a um trauma
normalmente apresentam assistolia (sem ritmo).
14.1. Aplicação do Choque
Para a aplicação do choque o socorrista deve
observar os mesmo sinais de parada citados
acima: inconsciência sem resposta a estímulos,
ausência de movimentos respi ratórios e ausência
de pulso. Verificado que a vítima está em parada o
socorrista deve seguir os seguintes passos:
● Ligue o DEA, se estiver na ambulância em
movimento, pare-a para evitar interferências na
análise;
● Exponha o peito da vítima e fixe as pás auto-
adesivas no tórax conforme o desenho indicativo
que se encontra nas próprias pás (Fig 9.26);
● Afaste-se da vítima e aguarde o DEA analisar o
ritmo cardíaco, alguns aparelhos requerem que o
operador aperte um botão para realizar a análise
(Fig 9.27);
●Após a análise o DEA indicará o choque ou não, se
não for indicado avalie a vítima e inicie o RCP;
●Com o choque indicado afaste todos da vítima e
aplique o choque (Fig 9.28);
Após o choque reinicie o RCP imediatamente com
compressões torácicas, sem reavaliar o pulso e
sem retirar as pás. Após o primeiro choque com o
DEA, mais de 90% dos corações em FV respondem,
retornando a um ritmo normal. Porém, muitas vezes
o coração não consegue estabelecer este ritmo por
mais de um minuto e precisa da aplicação de
compressões torácicas para restabelecer o ritmo.
Quando a PCS aconteceu a mais de 4 (quatro) a 5
(cinco) minutos, o músculo cardíaco permanece
por muito tempo em hipóxia não reagindo bem ao
choque. Para isso a aplicação de 2 (dois) minutos
ou 5 (cinco) ciclos de RCP garante um mínimo de
oxigenação ao músculo cardíaco para responder de
forma mais efetiva ao choque. Como normalmente
esta é a condição em que a equipe do SME vai
encontrar no local da ocorrência.
Nos casos em que o choque não é indicado reinicie
com compressões e realize 2 (dois) minutos ou 5
(cinco) ciclos de RCP. Após isto reative o DEA para
analisar novamente o ritmo cardíaco. Não é
necessário retirar as pás durante o RCP.
O uso do DEA também é indicado em crianças,
preferencialmente com pás menores adaptadas
para a proporção das crianças. Caso não haja pás
para crianças use as pás para adultos. O DEA ainda
não é recomendado para bebês (menores de 1 ano).
Algumas complicações podem surgir devido ao
excesso de pelos ou a presença de água no peito
da vítima. Se o DEA não conseguir analisar
arranque as pás com os pelos e coloque outras no
lugar, se não funcionar corte os pêlos com uma
tesoura. Nunca aplique o DEA se a vítima estiver
submersa, retire-a da água e seque o peito da
vítima para conectar as pás.
15. Tratamento Pós-ressuscitação
Em caso de sucesso nas manobras de
ressuscitação deve seguir um tratamento para
restabelecer os sinais vitais da vítima as
condições normais. Investigue as causas que
levaram a parada para melhor tratá-la. O primeiro
passo é garantir as VVAA e a ventilação adequada
da vítima, de preferencia com oxigênio e
ventilação positiva, pois a maioria das vítimas que
retornam após RCP precisam de auxílio na
respiração.
Em caso de trauma os procedimentos para controle
de hemorragias e imobilização da vítima vem na
seqüência. Se o caso for clínico a vítima deve ser
colocada na posição de recuperação conforme a
seqüência (Fig 9.29). Evite a hipertermia
(aquecimento) da vítima no ambiente pré-hospitalar
tratando a febre de maneira intensiva após a
ressuscitação.
16. Quando Interromper RCP?
A grande maioria dos procedimentos para
ressuscitação não são bem-sucedidas e falham
neste processo, principalmente quando o trauma é
a causa. Muitos fatores influenciam a decisão de
interromper a RCP. Acredita-se que se o coração
persiste em FV, a RCP não deve ser interrompida e
se o coração já está em mais de 20 minutos em
assistolia, a RCP pode ser interrompida.
No SIATE, porém, a interrupção do RCP por
irreversibilidade do quadro é de competência
médica.
17. Quando Não Iniciar o RCP?
A equipe de socorrista não inicia a RCP se as
seguintes situações estiverem presentes:
● Rigidez cadavérica;
● Decapitação;
● Decomposição
● Esmagamento do tórax;
● A execução do RCP pode colocar o socorrista sob
risco.
18. RCP para Leigos
Os bombeiros socorristas são atualmente os
maiores difusores de informações à população de
procedimentos para o suporte básico de vida
(SBV). Após uma avaliação sobre os métodos de
ensino para leigos, a AHA decidiu diferenciar o
ensino do RCP para leigos.
18.1. Sinais de Parada Cardiopulmonar
Leigos não conseguem identificar pulso e podem
atrasar a aplicação da RCP por este motivo, por
isso somente estes dois sinais devem ser
verificados:
● Inconsciência sem resposta a estímulo;
● Ausência de movimentos respiratórios;
18.2. Delineação da Idade
A delineação da idade também difere, pois leigos
normalmente não sabem identificar caracteres
sexuais secundários:
● Adultos: a partir 8 (oito) anos de idade;
● Crianças: a partir de 1 (um) ano de idade até 8
(oito) anos de idade;
● Bebês ou lactentes: até 1 (um) ano de idade;
● Neonatos ou recém-nascidos: não há diferença de
bebes para leigos.
18.3. Abertura de Vias Aéreas
Ensine apenas a inclinação da cabeça e elevação
do mento para leigos. A tração da mandíbula
realizada por leigos não é tão eficiente e
dificilmente consegue-se evitar a movimentação da
cabeça e pescoço com esta manobra.
18.4. Ventilação
Diferenças entre RCP para profissionais de saúde e
socorristas leigos:
● Como os socorristas leigos não verificam o pulso,
eles não devem aplicar a ventilação artificial sem
compressões torácicas;
● Caso o leigo fique relutante em efetuar
ventilações, este deve pelo menos efetuar
compressões torácicas.
18.5. Compressão Torácica
Leigos tem dificuldade de guardar várias taxas, por
isso uma única taxa de compressão-ventilação de
30:2 para todas as faixas etárias deve ser ensinada
aos leigos.
18.6. Corrente da Sobrevivência para Leigos
A corrente da sobrevivência não é um método de
ensino que deve ser aplicado no Brasil, pois não
encontram-se muitos DEAs disponíveis em locais
públicos. Aplique esta metodologia somente se
houver DEA no local do ensino.
Prefira o método: ligue por primeiro, RCP desde
logo para adultos, e RCP por 2 minutos e ligue para
o SME para crianças e bebes.
● Reconheça imediatamente a emergência, ligue
para o serviço de emergência médica: 193 ou 192;
● Verifique a respiração (Ver – Ouvir – Sentir), faça
a abertura das vias aéreas e efetue duas
ventilações;
● Localize o centro do peito e posicione a mão
sobre a linha mamilar;
● Comprima o peito por 30 vezes, comprima forte,
comprima rápido e permita o retorno do tórax.
9° Módulo:Hemorragia e Choque
1. Introdução
Para um melhor entendimento dos mecanismos (da
hemorragia e do choque) fazse necessário uma
pequena revisão de alguns aspectos conceituais de
anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular.
Vejamos:
1.1. Coração
É um órgão muscular oco que se contrai
ritmicamente, impulsionando o sangue através de
toda a rede vascular. Está situado no centro do
tórax, num espaço denominado mediastino, que
fica entre os dois pulmões (limites laterais), por
cima do diafragma (limite inferior), por diante da
porção torácica da coluna vertebral (limite
posterior) e por trás do osso esterno (limite
anterior). É como uma bomba que impulsiona o
sangue. Para que trabalhe de forma apropriada,
necessita fundamentalmente de dois fatores:
primeiro de volume de sangue suficiente circulando
dentro dos vasos, dependendo também da pressão
sistólica para impulsioná-lo.
Divide-se interiormente em quatro cavidades,
sendo duas superiores e duas inferiores. As
cavidades superiores denominam-se átrios e as
cavidades inferiores denominamse ventrículos. Os
átrios (direito e esquerdo), não se comunicam
entre si. Da mesma forma os ventrículos (direito e
esquerdo). Entretanto os átrios comunicam-se
amplamente com os ventrículos correspondentes,
comunicação esta que permite a divisão do
coração em duas partes completamente distintas;
a esquerda por onde circula o sangue arterial
(oxigenado) e a direita por onde transita o sangue
venoso (rico em gás carbônico).
1.2. Vasos Sanguineos
1.2.1. Artérias
São os vasos que se afastam do coração levando o
sangue arterial para distribuí-lo a todos os órgãos
do corpo. Desde a sua origem, no coração, as
artérias ramificam-se de modo sucessivo ficando
progressivamente mais finas, isto é, diminuem de
tamanho à medida que se afastam do coração.
As artérias se distribuem em dois circuitos, o
primeiro, de menor tamanho, que leva o sangue aos
pulmões através do tronco pulmonar (também
chamado de pequena circulação); e o outro, de
tamanho maior, que conduz o sangue oxigenado a
todas as células do organismo (também chamado
de grande circulação). As principais artérias do
corpo humano são: tronco pulmonar (pequena
circulação) e a artéria aorta (grande circulação)
responsável pela irrigação de todo o corpo.
As paredes das artérias são grossas para melhor
suportarem a pressão arterial; pulsam conforme a
sístole cardíaca. Quando lesadas, a hemorragia se
faz por jatos intermitentes.
1.2.2. Veias
O sangue que sai do coração, por intermédio das
artérias, retorna ao mesmo pelas veias. Portanto,
veias são os vasos sangüíneos que trazem o
sangue venoso dos diversos órgãos de volta ao
coração.
Como as veias convergem, são mais finas quanto
mais distantes e mais calibrosas conforme se
aproximam do coração.
As paredes das veias, finas e delgadas, não
pulsam.
1.2.3. Capilares
São vasos muito finos que representam a transição
entre artérias e veias. É nos capilares que se dá a
troca de oxigênio e nutrientes por gás carbônico e
detritos, para serem eliminados pelo sistema
venoso.
Ao fluxo constante de sangue pelos capilares
chamamos de perfusão, sendo ele essencial à
manutenção de vida nos tecidos.
A diminuição do volume sangüíneo afeta a perfusão.
Uma falha na perfusão leva os tecidos à morte.
1.3. Sangue
O sangue é constituído por uma parte líquida
(plasma) e por elementos figurados (glóbulos
vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas).
O sangue corresponde de 7 a 8% do peso corporal
de uma pessoa. Seu volume varia de uma pessoa
para outra, conforme a massa corporal. Por
exemplo: uma pessoa de 75 kg tem um volume de 5
a 6 litros de sangue. A perda de volume sangüíneo
é impor
tante, principalmente pela perda de plasma. Todas
as pessoas necessitam de um volume de sangue
mínimo para manter o aparelho cardiovascular
trabalhando de modo eficiente à vida.
2. Hemorragia
É o extravasamento de sangue dos vasos
sangüíneos através de ruptura nas suas paredes.
2.1. Classificação
A hemorragia pode ser classificada em:
2.1.1. Hemorragia externa – visível porque extravasa
para o meio ambiente. Exemplos: ferimentos em
geral, hemorragia das fraturas expostas, epistaxe
(hemorragia nasal).
2.1.2. Hemorragia interna – o sangue extravasa para
o interior do próprio corpo, dentro dos tecidos ou
cavidades naturais. Exemplos: trauma contuso,
ruptura ou laceração de órgãos de tórax e
abdômen, hemorragia de músculo ao redor de
partes moles.
2.2. Tipos de hemorragia
2.2.1. Arterial
Ocorre quando há perda de sangue de uma artéria.
O sangue tem coloração viva, vermelho claro,
derramado em jato, conforme o batimento
cardíaco, geralmente rápido e de difícil controle.
2.2.2. Venosa
Ocorre quando há perda de sangue por uma veia.
Sangramento de coloração vermelho escuro, em
fluxo contínuo, sob baixa pressão. Pode ser
considerada grave se a veia comprometida for de
grosso calibre.
2.2.3. Capilar
Ocorre quando há sangramento por um leito
capilar. Flui de diminutos vasos da ferida. Possui
coloração avermelhada, menos viva que a arterial,
e facilmente controlada.
2.3. Fatores determinantes da gravidade da
hemorragia
2.3.1. Volume de sangue perdido
A perda de pequeno volume em geral não produz
efeitos evidentes; já a perda de 1,5 litro em adulto
ou 200 ml em criança pode ser extremamente
grave, inclusive colocando a vida em risco.
2.3.2. Calibre do vaso rompido
O rompimento de vasos principais de pescoço,
tórax, abdômen e coxa provoca hemorragias
severas, e a morte pode sobrevir em 1 a 3 minutos.
2.3.3. Tipo do vaso lesado
O sangramento arterial é considerado de maior
gravidade. As veias geralmente estão mais
próximas da superfície do corpo do que as artérias,
sendo de mais fácil acesso. O sangramento capilar
é lento e, via de regra, coagula espontaneamente
em 6 a 8 minutos. O processo de coagulação
desencadeado em boa parte dos pequenos e
médios sangramentos pode ser suficiente para
controlar a hemorragia, e o coágulo formado age
como uma rolha, impedindo a saída de sangue.
2.3.4. Velocidade da perda de sangue
A perda rápida de 1 litro de sangue pode colocar o
indivíduo em risco de vida. Quando a perda de
sangue é lenta, o organismo desenvolve
mecanismos de compensação, suportando melhor
a situação.
2.4. Sinais e sintomas da hemorragia
A hemorragia externa, por ser visualizada, é
facilmente reconhecida. A hemorragia interna pode
desencadear choque hipovolêmico, sem que o
socorrista identifique o local da perda de sangue.
As evidências mais comuns de sangramento
interno são áreas extensas de contusão na
superfície corpórea. Alguém com fratura de fêmur
perde facilmente até um litro de sangue, que fica
confinado nos tecidos moles da coxa, ao redor da
fratura.
Outros sinais que sugerem hemorragia severa:
● Pulso fraco e rápido;
● Pele fria e úmida (pegajosa);
● Pupilas dilatadas com reação lenta à luz;
● Queda da pressão arterial;
● Paciente ansioso, inquieto e com sede;
● Náusea e vômito;
● Respiração rápida e profunda;
● Perda de consciência e parada respiratória; e
● Choque
2.5. Métodos de controle da hemorragia externa
2.5.1. Pressão Direta
Quase todos os casos de hemorragia externa são
controlados pela aplicação de pressão direta na
ferida, o que permite a interrupção do fluxo de
sangue e favorece a formação de coágulo.
Preferencialmente, utilizar uma compressa estéril,
pressionando-a firmemente por 10 a 30 minutos; a
seguir, promover a fixação da compressa com
bandagem. Em sangramento profuso, não perder
tempo em localizar a compressa (pressionar
diretamente com a própria mão enluvada).
Após controlar um sangramento de extremidade,
certifique-se de que existe pulso distal; em caso
negativo, reajuste a pressão da bandagem pararestabelecer a circulação.
2.5.2. Elevação da área traumatizada
Quando uma extremidade é elevada, de forma que
a área lesionada fique acima do nível do coração, a
gravidade ajuda a diminuir o fluxo de sangue.
Aplicar este método simultaneamente ao da
pressão direta. Não o utilizar, porém, em casos de
fraturas, luxações ou de objetos empalados na
extremidade.
2.5.3. Pressão digital sobre o ponto de pulso
Utilizar a pressão sobre pulso de artéria quando os
dois métodos anteriores falharem ou não tiver
acesso ao local do sangramento (esmagamento,
extremidades presas em ferragens).
É a pressão aplicada com os dedos sobre os pontos
de pulso de uma artéria contra uma superfície
óssea. É necessária habilidade do socorrista e
conhecimento dos pontos exatos de pressão das
artérias.
Principais pontos: - artéria braquial - para
sangramento de membros superiores (Fig 10.5) -
artéria femoral - para sangramento de membros
inferiores (Fig 10.6) – artéria temporal- para
sangramento de couro cabeludo(Fig 10.7) - artéria
radial - sangramento da mão(Fig 10.5)
2.5.4. Aplicação de gelo
O uso de compressas de gelo diminui o
sangramento interno ou mesmo interrompe
sangramento venosos e capilares. Nas contusões,
a aplicação de gelo previne a equimose (mancha
arroxeada). Deve-se observar o tempo de uso,
evitando-se uso demasiadamente prolongados, pois
diminui a circulação, podendo causar lesões de
tecidos.
2.5.5. Torniquete
Deve ser considerado como o último recurso
(praticamente em desuso), o torniquete só será
utilizado se todos os outros métodos falharem,
devendo ser considerado apenas nos casos de
destruição completa ou amputação de
extremidades, com sangramento severo.
Consiste numa bandagem constritora colocada em
torno de uma extremidade até que o fluxo
sangüíneo pare por completo. Podem ser utilizados
tubos de borracha, gravatas, etc.
Apertado demais pode lesar tecidos, músculos,
nervos e vasos. Deve ser colocado entre a ferida e
o coração, observado explicitamente o horário de
aplicação. O membro abaixo do torniquete deve
tornar-se pálido, e o pulso arterial, abaixo do
torniquete, desaparecer. Caso não esteja apertado
o suficiente pode interromper o fluxo venoso sem
interromper o fluxo arterial, dando como resultado
maior sangramento pela ferida.
2.6. Métodos de controle da hemorragia interna
Para suspeitar que a vítima esteja com hemorragia
interna, é fundamental conhecer o mecanismo de
lesão. Os traumas contusos são as principais
causas de hemorragias internas (acidentes de
trânsito, quedas, chutes e explosões).
Alguns sinais de alerta para suspeitar de
hemorragia interna: fratura da pelve ou ossos
longos (braços ou coxa), rigidez abdominal, área de
equimose em tórax e abdômen, ferida penetrante
em crânio, tórax ou abdômen.
O tratamento de hemorragia interna é cirúrgico. O
atendimento pré-hospitalar consiste em instalar
duas vias venosas após garantir a respiração da
vítima e transportá-la a um centro médico.
Administrar oxigênio em altas concentrações
durante o transporte.
Para detectar hemorragia interna, conhecer o
mecanismo de lesão, observar lesões que possam
provocar sangramento interno e estar
permanentemente atento aos sinais e sintomas
que a vítima apresentar.
3. Choque
Choque é a situação de falência do sistema
cardiocirculatório em manter suficiente sangue
circulando para todos os órgãos do corpo.
Trata-se de uma condição de extrema gravidade,
cuja identificação e atendimento fazem parte da
abordagem primária da vítima. Uma vez que o
estado de choque atinja certo nível de severidade,
o paciente não será salvo. Todo esforço deverá ser
feito pela equipe de socorro para identificar o
choque, tomando-se as medidas necessárias e
transportando a vítima rapidamente ao tratamento
definitivo no hospital. Vítima de trauma que recebe
o tratamento definitivo no hospital até uma hora
após sofrer a lesão tem maior chance de sobrevida.
3.1. Mecanismo do choque
Como já visto, o aparelho cardiovascular é
responsável por transportar oxigênio e nutrientes
para todos os tecidos do corpo e eliminar gás
carbônico e resíduos resultantes do processo de
nutrição celular. Para realizar adequadamente esse
trabalho, o sistema circulatório retira oxigênio dos
pulmões, nutrientes do intestino e fígado e leva-os
para todas as células do organismo. Depois disso,
retira o gás carbônico e detritos celulares da
intimidade dos tecidos, levando-os para os órgãos
responsáveis pela excreção (pulmões, rins, fígado
etc.). A esse processo, que ocorre em nível de
capilares, dá-se o nome de perfusão tecidual.
Para que esse sistema funcione de forma eficiente
e adequada, é necessário que o coração se
mantenha bombeando o sangue, que o volume de
sangue circulante seja suficiente para encher os
vasos e que o calibre dos vasos se ajuste às
condições normais.
Uma falha em qualquer desses fatores irá provocar
falha na perfusão tecidual, levando a vítima a
desenvolver o estado de choque.
Com a diminuição de perfusão tecidual, os órgãos
terão sua função prejudicada basicamente pela
falta de oxigênio, nutrientes e acúmulo de
resíduos. A falha na circulação cerebral leva à
diminuição do nível de consciência da vítima, os
rins diminuem o débito urinário e o coração
aumenta a freqüência de batimentos, num esforço
para manter o fluxo de sangue para órgãos vitais;
com o agravamento do choque, o músculo cardíaco
comprometido desenvolve bradicardia e parada
cardíaca.
3.2. Tipos de Choque
3.2.1. Choque hipovolêmico
Tipo mais comum de choque que o socorrista vai
encontrar no atendimento préhospitalar. Sua
característica básica é a diminuição acentuada do
volume de sangue. Pode ser causado pelos
seguintes fatores:
● Perda direta de sangue: hemorragia interna e
externa;
● Perda de plasma: em caso de queimaduras,
contusões e lesões traumáticas;
● Perda de líquido pelo trato gastrointestinal:
provoca desidratação (vômito ou diarréia).
No caso de fratura de fêmur, estima-se a perda de
aproximadamente 1 litro de sangue circulante,
parte devido ao sangramento e parte à
transudação (perda de plasma e outros fluidos nos
tecidos moles danificados pela fratura). Nas
queimaduras, quantidade considerável de plasma
deixa a circulação em direção aos tecidos
adjacentes à area queimada.
A redução no volume de sangue circulante causa
diminuição no débito cardíaco e reduz toda a
circulação (perfusão tecidual comprometida). O
reconhecimento precoce e o cuidado efetivo no
atendimento do choque hipovolêmico podem salvar
a vida do paciente.
O tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a
reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue).
3.2.1.1. Sinais e sintomas
Sinais e sintomas do choque hipovolêmico podem
variar e não aparecer em todas as vítimas. O mais
importante é suspeitar e estabelecer os cuidados
antes que se desenvolvam. A vítima apresentaria
os seguintes sinais e sintomas:
● Ansiedade e inquietação;
● Náusea e vômito;
● Sede, secura na boca, língua e lábios;
● Fraqueza, tontura e frio;
● Queda acentuada de pressão arterial (PA menor
que 90mm/Hg);
● Respiração rápida e profunda - no agravamento
do quadro, a respiração torna- se superficial e
irregular;
● Pulso rápido e fraco em casos graves; quando há
grande perda de sangue, pulso difícil de sentir ou
até ausente;
● Enchimento capilar acima de 2 segundos;
● Inconsciência parcial ou total;
● Pele fria e úmida (pegajosa);
● Palidez ou cianose (pele e mucosas
acinzentadas); e
● Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas
(sugerindo apreensão e medo). casos graves;
quando há grande perda de sangue, pulso difícil de
sentir ou até ausente;
● Enchimento capilar acima de 2 segundos;
● Inconsciência parcial ou total;
● Pele friae úmida (pegajosa);
● Palidez ou cianose (pele e mucosas
acinzentadas); e
● Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas
(sugerindo apreensão e medo).
3.2.1.2. Cuidados de emergência
O tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a
reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue)
O socorrista deve providenciar a chegada do
profissional médico à cena do atendimento ou o
transporte rápido para o hospital.
Aplicar as seguintes medidas às vítimas em
choque:
● Tratar a causa: interromper sangramento quando
acessível (usar o método da pressão direta,
elevação do membro);
● Assegurar via aérea permeável e manutenção da
respiração;
● Administrar oxigênio em alta concentração (12
litros por minuto sob máscara facial perfeitamente
ajustada);
● Imobilizar e alinhar fraturas - diminui a dor e o
sangramento;
● Confortar o paciente - quanto mais calmo e
colaborativo, melhores chances de sobrevida;
● Colocar a vítima em posição de choque: a melhor
é em decúbito dorsal, com as pernas elevadas mais
ou menos 25 cm. O objetivo é concentrar o volume
sangüíneo na cabeça, no tórax e na parte alta do
abdômen. Caso essa posição não seja possível,
isto é, se causar dor ou desconforto ao paciente,
mantenha-o no plano. Se estiver vomitando e não
houver qualquer contra- indicação, transporte-o em
decúbito lateral;
● Não dar nenhum líquido ou alimento;
● Monitorar o paciente durante o transporte;
conferir os sinais vitais a cada 5 minutos e
comunicar qualquer alteração; e
● Manter o paciente aquecido; certificar-se de que
esteja coberto sob e sobre o corpo, remover a
roupa úmida, considerando a temperatura do meio
ambiente para não provocar sudorese.
Em resumo, a vítima de trauma em choque
hipovolêmico deve ter a via aérea permeável,
oxigenação restaurada, ser rápida e
eficientemente imobilizada e transportada
imediatamente ao hospital para receber
tratamento definitivo.
3.2.1.3. Choque hipovolêmico na criança
O trauma na infância geralmente resulta em perda
significativa de sangue. No entanto, as
características fisiológicas próprias da criança
fazem com que, muitas vezes, as alterações dos
sinais vitais sejam pequenas e o choque
hipovolêmico em fase inicial passe despercebido.
Daí resulta a indicação para monitorar
cuidadosamente a evolução dos sinais vitais em
crianças traumatizadas.
A primeira alteração perceptível é a taquicardia
que, entretanto, pode ocorrer também como
resposta ao estresse psicológico, à dor e ao medo.
Considere que a freqüência cardíaca varia em
função da idade da criança (ver capítulo 18).
De modo geral, taquicardia com extremidades frias
e PA sistólica menor que 70 mmHg são indicadores
de choque na criança.
Os cuidados de emergência a serem dispensados
pelo socorrista são os mesmos descritos para
adultos, ressaltando-se que a perda de calor
corporal numa criança hipotensa pode ser letal.
3.2.2. Choque cardiogênico
Decorre de uma incapacidade do coração bombear
o sangue de forma efetiva. Este enfraquecimento
do músculo cardíaco pode ser conseqüência de
infarto agudo do miocárdio, situação freqüente,
sendo que a vítima, normalmente, apresenta dor
torácica antes de entrar em choque. Outras
situações que podem gerar choque cardiogênico:
● Arritmias cardíacas (prejuízo da eficácia de
contração); e
● Tamponamento pericárdico (por restrição de
expansão do coração).
Os sinais e sintomas são semelhantes aos do
choque hipovolêmico e o pulso pode estar
irregular. Já com relação aos cuidados de
emergência, a vítima não necessita de reposição
de líquidos ou elevação de membros inferiores;
freqüentemente respira melhor semi-sentada.
Administrar oxigênio e, se necessário, manobras
de reanimação.
3.2.3. Choque neurogênico
Causado por falha no sistema nervoso em controlar
o diâmetro dos vasos, em conseqüência de lesão
na medula espinhal, interrompendo a comunicação
entre o cérebro e os vasos sangüíneos. O resultado
é a perda da resistência periférica e a dilatação da
rede vascular. Se o leito vascular estiver dilatado,
não existirá sangue suficiente para preencher a
circulação, havendo perfusão inadequada de
órgãos.
Com exceção do pulso, os sinais e sintomas do
choque neurogênico são os mesmos do choque
hipovolêmico. O paciente apresenta bradicardia
(pulso lento).
3.2.4. Choque psicogênico
De mecanismo semelhante ao choque neurogênico,
aparece em condições de dor intensa,
desencadeado por estímulo do nervo vago e tem
como característica principal braquicardia inicial
seguida de taquicardia na fase de recuperação. O
paciente se recupera espontaneamente se
colocado em decúbito dorsal.
3.2.5. Choque anafilático
Resulta de uma reação de sensibilidade a algo a
que o paciente é extremamente alérgico; como
picada de inseto (abelhas, vespas), medicação,
alimentos, inalantes ambientais, etc
A reação anafilática ocorre em questão de
segundos ou minutos após o contato com a
substância a que o paciente é alérgico.
Alguns sinais e sintomas são característicos:
● Pele avermelhada, com coceira ou queimação;
● Edema de face e língua;
● Respiração ruidosa e difícil devido ao edema de
cordas vocais; e
● Finalmente queda da pressão arterial, pulso
fraco, tontura, palidez e cianose; - coma.
O paciente em choque anafilático necessita de
medicação de urgência para combater a reação,
administrada por médico.
Ao socorrista cabe:
● Dar suporte básico de vida à vítima (manter vias
aéreas e oxigenação); e
● Providenciar o transporte rápido ao hospital que
deverá ser comunicado antecipadamente.
3.2.6. Choque séptico
Numa infecção severa, toxinas são liberadas na
circulação, provocando dilatação dos vasos
sangüíneos e conseqüente aumento da capacidade
do sistema circulatório. Além disso, ocorre perda
de plasma pela parede dos vasos, diminuindo o
volume sangüíneo.
Esse tipo de choque ocorre em pacientes
hospitalizados, sendo excepcionalmente visto por
socorrista no atendimento pré-hospitalar.
10° Módulo: Fraturas e luxações
1. Fraturas
Fratura é a lesão óssea de origem traumática,
produzida por trauma direto ou indireto. O conjunto
de fragmentos ósseos produzidos pela fratura e os
tecidos lesados em torno da lesão é denominado
foco de fratura. O osso é o único tecido do nosso
organismo que cicatriza com o mesmo tecido
anterior à lesão. O processo de cicatrização óssea
denomina- se consolidação.
O risco de surgir uma fratura óssea nas mulheres é
maior devido a osteoporose, são fraturas
resultantes de quedas de baixo impacto, portanto
não resultantes de acidentes graves. A massa
óssea, principalmente das mulheres, começa a
diminuir depois da menopausa por influência dos
hormônios.
Os homens também podem sofrer de osteoporose,
depois dos 65 anos de idade, mas a relação com os
hormônios não é tão evidente. A qualidade de vida
das pessoas idosas, que sofrem fraturas,
geralmente, piora muito, pois, a cicatrizarão é mais
lenta e a recuperação muscular é mais difícil.
Uma das fraturas mais grave no idoso é a do fêmur
e para sua imobilização não está indicado a
utilização aparelho de tração de fêmur, assim
como em fraturas expostas.
1.1. Classificação
1.1.1. Quanto ao traço de fratura
Incompleta: ocorre a lesão óssea, mas não rompe a
continuidade óssea; tipo de ocorrência comum em
crianças.
Completa: os fragmentos ósseos perdem a
continuidade, ficando desviados ou não. O
manuseio destas fraturas deve ser cuidadoso e
técnico, para evitar lesão nos tecidos vizinhos.
1.1.2. Quanto à exposição do foco de fratura
Fechada: o foco de fratura está protegido por
partes moles e com pele íntegra.
Aberta ou exposta: o foco de fratura está em
contato com o meio externo, com o osso
exteriorizado ou não. A pele, nestes casos, está
sempre lesada. O grau de lesão dessaspartes
moles permite classificar as fraturas expostas. A
lesão da pele pode ocorrer pelo trauma, pelos
fragmentos ósseos e pelo manuseio intempestivo
da vítima, tornando uma fratura fechada em aberta.
Devido à comunicação do foco de fratura com o
meio externo, as fraturas expostas são sempre
contaminadas, variando apenas o grau de
contaminação, podendo causar osteomielite
(infecção óssea), que retarda ou impede a
consolidação óssea; em casos extremos, causa a
perda do membro lesado. Em casos mais graves, a
infecção dissemina-se pelo organismo (septicemia)
e, em pacientes debilitados, leva a óbito. A fratura
exposta é uma situação de urgência se não for
acompanhada de choque.
1.1.3. Quanto à presença de lesões associadas
1.1.3.1. simples:
A fratura é uma lesão única, sem evidência de
lesão associada.
1.1.3.2 complicada
Está acompanhada de lesões associadas. O trauma
causador de fratura exposta é de alta energia e
velocidade, podendo ocorrer lesões associadas
locais, como as musculares, tendinosas, nervosas,
vasculares, bem como lesões sistêmicas
associadas (trauma abdominal, torácico e
craniano).
1.2. Sintomas e Sinais
1.2.1. Dor
Devido ao trauma localizado, sempre haverá dor no
local da fratura, que varia muito de um paciente
para outro, sendo aliviada por manobras de tração,
alinhamento e imobilização.
1.2.2. Aumento de volume
Devido ao trauma, ocorre uma lesão dos tecidos
vizinhos à fratura, produzindo sangramento local,
detectado como um aumento de volume,
produzindo, com o passar do tempo, edema
localizado. Em algumas fraturas, de fêmur e pélvis,
por exemplo, o sangramento pode causar choque
hipovolêmico.
1.2.3. Deformidade
O segmento fraturado apresenta angulações,
rotações e encurtamentos evidentes à simples
observação da vítima, comparando-se o membro
lesado com o não afetado.
1.2.4. Impotência funcional
A fratura impede ou dificulta os movimentos,
devido à dor e à alteração músculoesquelética, no
que diz respeito à anatomia.
1.2.5. Crepitação óssea
Sensação audível e palpável causada pelo atrito
entre os fragmentos ósseos. Não deve ser
reproduzida intencionalmente, porque provoca dor
e aumenta a lesão entre os tecidos vizinhos à
fratura.
1.3. Atendimento
1.3.1. Não movimente vítima com fraturas antes de
imobilizá-Ia adequadamente.
Se há risco real de incêndio, desabamento ou
explosão, arraste-a por meio do maior eixo do
corpo. Se há necessidade de posicionar a vítima
para instituir RCP, proceda de modo a manter em
alinhamento os segmentos fraturados.
1.3.2. Nas fraturas expostas
Controle o sangramento e proteja o ferimento,
ocluindo-o com curativos estéreis e bandagens.
1.3.3. Em fratura dos ossos longos
Execute manobras de alinhamento e tração antes
de imobiliza-los. Examine a sensibilidade e os
pulsos periféricos antes e depois de tracionar e
alinhar.
Reveja seu procedimento se esses parâmetros
mostrarem sinais de piora.
Mantenha a tração e o alinhamento até que á tala
de imobilização esteja posicionada e fixa.
Imobilize deformidades situadas próximas a
articulações que não se corrijam com tração suave
na posição em que se encontram.
1.3.4. Quando imobilizar uma fratura
Inclua na tala a articulação proximal e distal à
lesão.
1.3.5. As talas
Devem ser ajustadas e não apertadas, de maneira
a não interromper a circulação local.
Forre toda a tala. Nos pontos de deformidade e nas
saliências ósseas, coloque estofamento extra.
1.3.6. Transporte da vítima
De modo confortável e seguro; o principal objetivo
do resgate é não agravar as lesões preexistentes.
O atendimento correto evita o agravamento das
lesões, reduz a dor e o sangramento.
2. Luxações
Deslocamento de superfícies articulares,
modificando as relações naturais de uma
articulação.
Nas articulações existe uma congruência articular
entre as superfícies ósseas em contato. Estas são
recobertas por cartilagem articular e mantidas por
uma cápsula articular reforçada por ligamentos. Os
traumas indiretos, normalmente produzidos por
quedas com apoio nas extremidades, fazem com
que essas superfícies articulares saiam de sua
posição, produzindo perda da congruência articular
da função da articulação correspondente. As
luxações ocorrem mais comumente em
articulações móveis (ombro, quadril, dedos da
mão).
2.1. Sinais e sintomas
2.1.1. Dor
Geralmente intensa devido à compressão de
estruturas locais; pode levar ao choque
neurogênico.
2.1.2. Deformidade
Sinal evidente à simples inspeção da vítima; deve
ser comparada com o lado oposto.
2.1.3. Impotência funcional
Devido à perda da congruência articular, existe
perda completa da função articular, e qualquer
tentativa de mobilidade é extremamente dolorosa.
2.1.4. Palidez
Localizada, causada pela compressão do osso
luxado sob a pele.
2.1.5. Edema
Tardio varia com o grau de deformidade e a
articulação luxada.
2.1.6. Encurtamento ou alongamento
Podem ocorrer devido à deformidade da
articulação luxada.
2.2. Cuidados de emergência
A manipulação das luxações cabe exclusivamente
ao médico. Manobras inadequadas e intempestivas
podem agravar a lesão já existente e produzir dano
adicional aos tecidos vizinhos, inclusive fraturas.
No atendimento pré-hospitalar, a imobilização deve
ser na posição de deformidade, buscando oferecer
o máximo de conforto à vítima. Ficar atento a
sinais e sintomas de choque, informando se
ocorrerem.
2.2.1. Luxação Acrômio Clavicular
Causada por queda sobre ombro, sendo freqüentes
principalmente em jovens desportistas. O acrômio
se desloca para baixo e a clavícula para cima,
principalmente pela ação dos músculos do trapézio
e esternocledomastóideo.
2.2.2. Luxação de cotovelo
Ocorre por trauma indireto causado por queda com
apoio sobre a mão. A vítima tem dor intensa, com
deformidade visível no nível da articulação do
cotovelo e impotência funcional. Sempre examinar
o vásculo nervoso para detectar qualquer lesão
dessas estruturas.
2.2.3. Luxação do punho
Rara e normalmente associada ou confundida com
fraturas do radiodistal; tanto a fratura como a
luxação são causadas por trauma com apoio sobre
a mão. Imobilizar na posição de deformidade e
sempre examinar a sensibilidade e motricidade da
mão.
2.2.4. Luxação dos dedos dos pés e das mãos
Causada na maioria das vezes durante a prática
esportiva, manifesta-se por dor, deformidade,
encurtamento e impotência para fletir o dedo.
O segmento deve ser protegido, apoiado e
imobilizado em posição de deformidade.
2.2.5. Luxação do quadril
Ocorre em traumas de alta energia e velocidade
em pacientes que sofreram quedas ou acidentes de
trânsito, muitos casos associados a fraturas. A
vítima tem dor intensa, impotência funcional e
grande deformidade de todo o membro inferior
lesado. A deformidade caracteriza-se por rotação e
encurtamento de todo o segmento.
Deve ser cuidadosamente rolada sobre uma tábua
longa. Se necessário erguê-Ia
apenas o necessário para deslizar a tábua sob ela.
Use almofadas e cobertores para acolchoar
e apoiar o membro lesado na posição de
deformidade. Fixe a vítima à tábua com
cintos e bandagens. Não esqueça de examinar o
vásculo nervoso do segmento lesado.
Esteja atento a sinais de choque neurogênico e, às
vezes, a choque hipovolêmico.
2.2.6. Luxação de joelho
Causada por trauma indireto. A vítima apresenta
grande deformidade, com dor intensa e impotência
funcional do segmento. Examinar o vásculo
nervoso, pois existe grande incidência de lesão
arterial associada à luxação de joelho. Imobilizar a
articulação na posição de deformidade, usando
tala que se estenda do quadril ao tornozelo e
acolchoando o joelho de forma a proteger a
angulação local.
A imobilização de joelho é semelhante a de
cotovelo.
2.2.7. Luxação detornozelo
Causada por trauma indireto, apresenta
deformidade característica, às vezes associada a
grande aumento de volume, também com dor
intensa, impotência funcional, geralmente
associada à fratura. Imobilizar na posição de
deformidade.
3. Imobilização de Membro Inferior com Aparelho de
Tração Portátil- Vítimas com Fratura de Fêmur
3.1. Procedimento deve ser realizado por dois
Socorristas
Um examina o membro, ficando responsável pela
tração e alinhamento manuais da fratura; o outro
se responsabiliza pelo preparo adequado do
aparelho de tração.
3.2. Passo 1
O socorrista 1 prepara-se para realizar a tração e o
alinhamento; o socorrista 2 usa o membro inferior
não-traumatizado como referência para
estabelecer o comprimento da tração.
3.3. Passo 2
Alinhamento e tração do membro pelo socorrista 1.
Preparo da tração com fixação dos fechos de
comprimento, abertura de todas as faixas e
liberação da faixa de tração, pelo socorrista 2.
3.4. Passo 3
O posicionamento do socorrista 2 fixando
inicialmente a cinta próxima a raíz da coxa.
3.5. Passo 4
Fixação da tornozeleira com a cinta de velcro que
substituirá a tração na instalação da tala.
3.6. Passo 5
O socorrista 1 somente soltará a tração após o
socorrista 2 instalar e fixar a tração pela catraca
do equipamento.
3.7. Passo 6
Fixar as demais fitas da coxa ao tornozelo.
3.8. Passo 7
Terminar a instalação da tração com avaliação do
pulso, sensibilidade e motricidade distal.
4. Fixação da Vitima com Tração de Fêmur na Tábua
de Remoção
Quando a vítima foi imobilizada com equipamento
de tração portátil de fêmur e necessita ser
colocada em tábua dorsal, o procedimento de
rolamento deve ser feito pelo lado sem lesão.
4.1. Passo 1
Os três socorrista posicionados em linha, fazem o
rolamento de 90º para posicionamento da tábua.
4.2. Passo 2
Um socorrista ficará responsável exclusivamente
do apoio da tração de fêmur, acompanhando o giro
dos demais.
4.3. Passo 3
Centralizar a vítima na tábua.
Fixar o suporte elevado da tração com faixa ou
bandagem, para que no transporte, não haja
movimentação.
4.5. Passo 5
Não apoiar os cintos de fixação por cima do
membro afetado.
11° Módulo: Traumatismo
cranioencefálico e raquimedular
Traumatismo Cranioencefálico – TCE
TCE é o principal motivo de morte na população
jovem, cujas causas mais freqüentes
compreendem acidentes automobilísticos e
agressões interpessoais. Estima-se que ocorra um
TCE a cada 15 segundos e que um paciente morra
devido ao TCE a cada doze minutos.
Aproximadamente 50% das mortes de causa
traumática estão associadas a TCE e mais de 60%
de mortes por acidente automobilístico se devem
ao TCE.
1. Avaliação de Trauma Cranioencefállco
Cinemática – é possível relacionar o mecanismo de
trauma com determinados tipos de TCE.
Esta informação ajuda no diagnóstico e na terapia
corretos.
As informações sobre a cena do acidente e o
mecanismo de trauma devem ser passadas ao
médico da sala de emergências.
1.1. Avaliação Inicial – muitos fatores influenciam na
avaliação neurológica inicial; por isso, a avaliação
cardiopulmonar deve acompanhar o exame
neurológico. O controle e a manipulação das vias
aéreas, respiração e circulação são prioritários.
O uso de álcool ou drogas que deprimam o sistema
nervoso ou ainda fatores tóxicos podem influenciar
na avaliação inicial do paciente.
1.2. Avaliação dos Sinais Vitais – o TCE pode alterar
os dados vitais, sendo muitas vezes difícil saber se
essas alterações se devem ao TCE ou a outros
fatores.
Nunca atribuir a hipotensão ao TCE, embora,
eventualmente, laceração de escalpo leve ao
choque hipovolêmico, principalmente em crianças.
O sangramento intracraniano não produz choque.
Hipertensão, bradicardia e diminuição da
freqüência respiratória (tríade cushing) são uma
resposta específica ao aumento agudo e
potencialmente fatal à hipertensão intracraniana,
indicando necessidade de intervenção imediata.
1.3. AVDI e Avaliação Neurológica – o método
mnemônico AVDI, será realizado rapidamente na
abordagem primária passo ―D‖ (nível de
consciência), posteriormente mensurado na
abordagem secundária com a avaliação
neurológica (função pupilar e alteração de força
muscular nas extremidades) determinam a
presença ou severidade da lesão neurológica.
1.4. Avaliação da Reação Pupilar - Avaliada por sua
simetria e resposta igual à luz. A diferença de mais
de 1 mm no diâmetro das pupilas já é considerada
anormal; uma resposta lenta ao estímulo luminoso
pode indicar lesão intracraniana.
1.5. Avaliação de Força Muscular - pesquisa de
diminuição de força muscular. A vítima com
paresia ou paralisia de uma das extremidades, isto
é, com resposta motora não-simétrica, indica lesão
intracraniana.
O objetivo do exame neurológico é determinar a
presença de lesão cerebral, sua severidade e uma
deterioração neurológica. Lembrando-se que para
avaliações da Escala de Coma de Glasgow com
índice igual ou inferior a 9 deve-se solicitar a
presença de médico no local da ocorrência.
Independente da escala de coma de Glasgow, o
paciente é considerado com TCE grave se
apresentar qualquer das situações seguintes:
● Assimetria de pupilas
● Assimetria motora
● Fratura de crânio com perda de liquor ou
exposição do tecido cerebral
● Deterioração neurológica (queda de 2 ou mais
pontos na escala de Glasgow ou cefaléia intensa
ou aumento do diâmetro de uma pupila ou
desenvolvimento de paresia assimétrica)
● Fratura com afundamento craniano
2. Tipos Específicos de Trauma Craniano
Após avaliação inicial e reanimação, estabelecer o
diagnóstico anatômico da lesão cerebral,
assegurar suplemento metabólico ao cérebro e
prevenir lesão cerebral secundária devida à
hipóxia, isquemia e hipertemia.
As lesões cerebrais são divididas em:
● Fratura de crânio
● Lesão cerebral difusa
● Lesão focal
● Ferimento de couro cabeludo
A severidade é diferente em cada grupo.
2.1. Fratura de Crânio
As fraturas são comuns, mas nem sempre
associadas à lesão cerebral, apesar de muitas
lesões cerebrais graves ocorrerem sem fratura
craniana. A identificação da fratura de crânio é
muito importante, pela possibilidade da presença
ou do desenvolvimento de hemorragia
intracraniana, devendo esse paciente ficar sob
observação.
Fratura linear sem afundamento - Não requer
tratamento específico, somente observação se
houver suspeita de lesão cerebral. Atenção às
fraturas que cruzem leito vascular ou suturas
cranianas, em virtude da possibilidade de
hematoma epidural.
Afundamento craniano - Pode não ser uma
emergência cirúrgica, dependendo da lesão
cerebral, mas devido ao risco de seqüelas graves e
crises convulsivas de difícil controle. Geralmente o
tratamento é cirúrgico, com retirada e elevação do
fragmento ósseo.
Fratura de crânio aberta – Havendo comunicação
direta entre o escalpe lacerado e a substância
cerebral, essa condição é diagnosticada por tecido
cerebral visível ou perda de LCR (líquido
cefaloraquidiano), exigindo tratamento cirúrgico.
Fratura de base de crânio - O diagnóstico clínico se
baseia na perda de LCR pelo ouvido (otoliquorréia)
ou pelo nariz (rinoliquorréia), equimose na região
da mastóide (sinal de Battle), sangue na membrana
timpânica (hemotímpano) e equimose periorbitária
(olhos de guaxinim).
Esse tipo de fratura muitas vezes não aparece na
radiografia convencional; indiretamente, a suspeita
surge devido à presença de ar intracraniano e
opacificação do seio esfenóide.
O sinal de Battle e a equimose periorbitária são
sinais tardios de fratura de base de crânio.
2.2. Lesão Cerebral Difusa
Geralmente produzida por rápidos movimentos da
cabeça (aceleração e desaceleração), leva à
interrupção das funções cerebrais. É importante
tentardistinguir lesão cerebral difusa da lesão
focal, pois esta, via de regra, necessita de cirurgia
de emergência.
Concussão – Distúrbio que não se associa à lesão
anatomopatológica; caracteriza- se por perda
rápida das funções neurológicas, com possível
confusão ou amnésia temporária. Geralmente a
concussão causa perda temporária ou prolongada
de consciência. O paciente pode apresentar
cefaléia, náusea e vômitos, mas sem sinais de
localização, devendo ficar em observação até
cessar a sintomatologia.
Lesão Axonal Difusa – caracterizada por coma
prolongado, é uma lesão de alta velocidade com
estiramento ou chacoalhamento do tecido
cerebral, com mortalidade de 33% e, nos casos
mais severos, de 50%, geralmente causada por
aumento da pressão intracraniana secundária ao
edema cerebral, causado por mini hemorragias
(petequias) em substancia branca. O diagnóstico é
realizado em pacientes em coma, com posturas de
descerebração ou decorticação.
2.3. Lesão Focal
As lesões focais consistem em contusões,
hemorragias e hematomas, normalmente exigindo
tratamento cirúrgico.
Contusão – Única ou múltipla, geralmente
associada a uma concussão, caracteriza- se por
longo período de coma e confusão mental. A
contusão pode ocorrer na área de impacto ou em
áreas remotas (contragolpe). Lobos frontais e
temporais revelam- se os locais mais comuns
desse tipo de lesão.
Se a contusão for grande e apresentar edema
perilesional, pode ocorrer compressão de tronco
cerebral devida à herniação causada pelo efeito
massa da lesão. Somente nesta situação é
indicado o tratamento cirúrgico.
Hemorragia Intracraniana – Classifica-se em
meníngea e cerebral. Devido à grande variação de
local, tamanho e rapidez de sangramento, o quadro
clínico também é variável.
- Hemorragia meníngea, se subdivide conforme sua
localização
● Hematoma epidural agudo – O sangramento
epidural ocorre geralmente por lesão de uma
artéria dural, principalmente da artéria meníngea
média, e uma pequena porcentagem devido à lesão
de seios da dura. Sua evolução é rapidamente fatal
e, em geral, essa lesão está associada a fraturas
lineares temporais ou parietais.
Ocasiona geralmente perda de consciência seguida
de períodos de lucidez, de depressão no nível de
consciência e hemiparesia do lado oposto. Podese
encontrar uma pupila fixa e dilatada no mesmo
lado da lesão ou, às vezes, alteração pupilar
contralateral ao hematoma.
O prognóstico é bom com intervenção imediata.
● Hematoma subdural agudo – Muito mais comum
que os hematomas epidurais, ocorre geralmente
por rotura de veias entre córtex e dura; a fratura de
crânio está ou não presente, e o prognóstico
melhora quanto mais precoce a intervenção
cirúrgica.
A compressão cerebral lenta pela expansão do
hematoma causará sintomas dentro de poucas
horas ou dias, como cefaléia, irritabilidade,
vômitos, alteração do nível de consciência,
anisocoria e alterações sensitivas e motoras.
● Hemorragia subaracnóide – Esse tipo de
hemorragia leva a um quadro de irritação
meníngea, e o paciente queixa-se de cefaléia e/ou
fotofobia; tratamento clínico.
- Hemorragias e lacerações cerebrais
● Hematomas intracerebrais – As hemorragias
intraparenquimatosas podem ter qualquer
localização; o déficit neurológico depende da área
afetada e do tamanho da hemorragia. As
hemorragias intraventricular e cerebral estão
associadas a altas taxas de mortalidade.
● Ferimentos penetrantes – Todo corpo intracraniano
estranho só deve ser retirado em centro cirúrgico.
Fixá-Io se for o caso, para que ele não produza
lesões secundárias no transporte.
● Ferimento por arma de fogo – Quanto maior o
calibre e a velocidade do projétil, maior a
probalidade de lesões graves e até letais. Cobrir a
entrada e saída do projétil com compressa
esterilizada até o tratamento neurocirúrgico ser
providenciado.
2.4. Ferimento de Couro Cabeludo
Apesar da aparência dramática, o escalpe
geralmente causa poucas complicações. A
localização e o tipo de lesão nos dão a noção de
força e direção da energia transmitida.
Perda sangüínea – o sangramento por lesão de
couro cabeludo pode ser extenso e, especialmente
em crianças, levar ao choque hipovolêmico; em
adultos, sempre procurar outra causa para o
choque.
Localizar a lesão e parar o sangramento por
compressão; a grande maioria dos sangramentos é
controlada com aplicação de curativo compressivo.
Inspeção da lesão – avaliar a lesão para detectar
fratura de crânio, presença de material estranho
abaixo da lesão de couro cabeludo e perda de
líquor.
3. Avaliação de Emergência
No atendimento a vítimas de TCE, permanecem
válidas todas as recomendações da abordagem
primária, com ênfase especial para a proteção da
coluna cervical, pela possibilidade de lesão
cervical associada, e para a vigilância da
respiração, que pode ficar irregular e deficitária,
pela compressão de centros vitais. Se houver
parada respiratória, iniciar imediatamente
manobras de RCR.
Realizar avaliações neurológicas sucessivas, pois
podem demonstrar tendência à estabilidade do
quadro ou ao agravamento (TCE em evolução).
É prioridade determinar o nível de consciência
baseado na escala de coma de Glasgow. Se estiver
igual ou menor que 8, determinar imediatamente se
as pupilas são simétricas ou não e se há déficit
motor localizado.
LEMBRAR QUE O EXAME NEUROLÓGICO NORMAL
INCLUI ESTADO MENTAL NORMAL e não deve
presumir que a alteração de consciência seja por
intoxicação alcoólica.
4. Tratamento de Emergência
As vítimas de TCE devem ser transportadas
recebendo oxigênio (a hipóxia agrava o edema
cerebral) e com a cabeça elevada em 30 graus, o
que facilita o retorno venoso, atenuando o edema.
Havendo ferimento, enfaixe a cabeça, porém sem
exercer pressão no curativo, pois em caso de
fratura de crânio, a compressão poderia lesar o
cérebro com fragmentos ósseos, agravando o
quadro.
À vítima desorientada e agitada, garanta-lhe
proteção. Seja gentil, porém firme.
5. Protocolo de Atendimento da Vítima com TCE
5.1. Avaliação Primária
● ABC – Vias aéreas, respiração e circulação –
Imobilização da coluna cervical;
● Realização de exame neurológico rápido.
– AVDI: Alerta, resposta verbal, resposta à dor, sem
resposta
– Avaliação pupilar: simetria e reação à luz
– Avaliação senso-motora: Simetria motora e
sensitiva das extremidades
5.2. Avaliação Secundária
● Inspeção
– Lacerações
– Saída de LCR pelo nariz ou ouvido
● Palpação
– Fraturas
– Lacerações com fraturas
● Inspeção das lacerações do couro cabeludo
– Presença de tecido cerebral
– Afundamento craniano
– Perda de substância
– Perda de líquor
● Determinação da escala de coma de Glasgow
– Resposta ocular
– Resposta verbal
– Resposta motora
● Palpação da coluna cervical para descartar
possibilidade de fraturas
● Determinação de extensão das lesões
● Reavaliação contínua, observando sinais de
deterioração
– Freqüência
– Parâmetros usados
TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR -TRM
O traumatismo da medula espinhal também é
chamado de traumatismo raquimedular – TRM. A
maioria dessas lesões é causada por acidentes
automobilísticos, quedas, acidentes desportivos
(principalmente mergulhos em águas rasas) e
ferimentos por arma de fogo.
Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes
sem que haja lesões de medula espinhal; por isso,
mobilizar a vítima quando há qualquer suspeita de
lesão medular, mantendo- a assim até ser
radiologicamente afastada qualquer suspeita de
fraturas ou luxações.
―O socorrista e o médico devem estar conscientes
de que manipulação, movimentos e imobilização
inadequados podem causar dano adicional ao
traumatismo de coluna vertebral e piorar o
prognóstico da lesão‖
Suspeitar sempre de traumatismo raquimedular
nas seguintes situações:● TRM Cervical – Lesão supraclavicular – qualquer
vítima de trauma que apresente lesões acima das
clavículas
● TCE – Qualquer vítima de traumatismo
cranioencefálico
● TRM Cervical, Torácica e Lombar – Múltiplos
traumas – vítima politraumatizada – Acidente
automobilístico Localizações mais freqüentes de
TRM:
● cervical – Entre a quinta vértebra cervical (C5) e a
primeira torácica (T1), geralmente associado a
TCE;
● transição toracolombar – Entre a décima primeira
ou décima segunda vértebra torácica (T11) (T12) e
primeira lombar (L 1).
Sinais e sintomas do TRM dependem do nível da
lesão, com comprometimento neurológico abaixo
desse nível, geralmente com alterações motoras
(paralisias ou apenas diminuição de força muscular
- paresia) e sensitivas (anestesia, diminuição da
sensibilidade e parestesias - formigamento,
amortecimento etc.).
São três os principais objetivos no tratamento de
paciente com TRM:
● Imobilização de coluna para prevenir lesões
neurológicas adicionais. Nesta etapa, é essencial o
atendimento pré-hospitalar adequado às vítimas,
incluindo avaliação clínica e imobilização. As duas
outras etapas estão relacionadas ao tratamento
hospitalar definitivo.
● Cirurgia para redução de fraturas com
descompressão medular de raízes.
● Realinhamento de coluna com fixação externa ou
interna.
Para o diagnóstico de TRM, examinar a coluna
vertebral cuidadosamente, com a vítima em
posição neutra; em hipótese alguma fletir qualquer
segmento da coluna, verificando deformidades,
dor, limitação de movimentos e queixa de
amortecimento de extremidades ou
impossibilidade de movimentação.
Na avaliação clínica de vítima com suspeita de
TRM, realizar avaliação da estrutura óssea e de
lesões medulares.
1. Avaliação Vertebral
Examinar toda a coluna vertebral à procura de:
● Dor localizada
● Deformidades ósseas
● Dor à palpação
● Edemas e equimoses
● Espasmo muscular
● Posição da cabeça e dificuldade ou dor ao tentar
colocá-Ia na posição neutra
● Desvio de traquéia
2. Avaliação Medular
Pesquisar alterações neurológicas, sempre
comparando um lado com o outro, avaliando:
● Déficit de força muscular, ou seja, diminuição de
força ou paralisia uni ou bilateral abaixo da lesão
medular
● Déficit de sensibilidade, ou seja, alteração
sensitiva abaixo do nível da lesão
● Diminuição ou ausência de reflexos tendinosos.
● Disfunção autonômica em que o paciente perde a
capacidade de controlar esfíncteres
3. Avaliação do TRM
3.1. Vítimas conscientes
Solicitar que a vítima movimente suas
extremidades-e testar sua força muscular sempre
comparando um lado com o outro. Evitar
movimento de membros fraturados.
Testar a sensibilidade sempre em sentido
ascendente e comparando um lado com o outro.
Para o teste pode-se usar objeto pontiagudo ou
mesmo gaze, perguntando se a vítima está
sentindo o objeto; caso contrário, subir pelo corpo
até o momento em que ela comece a perceber o
toque; dessa forma se localiza o nível da lesão.
3.2. Vítimas inconscientes
Suspeitar sempre de traumatismo de coluna
cervical se a vítima estiver inconsciente devido a
TCE por acidente automobilístico, sendo essencial
a imobilização cervical.
Principais sinais clínicos que sugerem TRM
cervical em vítima inconsciente:
● Ausência de reflexos
● Respiração diafragmática
● Flexão apenas de membros superiores
● Resposta a estímulo doloroso somente acima da
clavícula
● Hipotensão com bradicardia, sem sinais de
hopovolemia
● Parada Cardiorespiratória – Lesões de coluna
cervical alta (C1 a C4) podem levar à parada
respiratória devido à paralisia de musculatura
respiratória – diafragma.
Cuidados importantes na avaliação de vítimas com
TRM:
● Hipoventilação – Lesões de coluna cervical de C5
a T1 podem levar à paralisia de musculatura
intercostal, causando dificuldade respiratória e
hipoventilação.
● Lesões Mascaradas – Lesões medulares costumam
mascarar outras lesões, pois a ausência de
sensibilidade deixaria passar um abdômen agudo
por inabilidade de sentir dor.
● Luxações cervicais altas podem ocasionar desvio
cervical com torcicolo, NÃO SE DEVENDO TENTAR
CORRIGIR A ROTAÇÃO.
4. Tratamento
O principal objetivo no atendimento à vítima com
traumatismo raquimedular é prevenir agravamento
de lesões preexistentes, por manuseio inadequado,
na imobilização de toda a coluna vertebral.
IMOBILIZAÇÃO COM COLAR CERVICAL (vide
capítulo 14)
IMOBILIZADOR LATERAL DE CABEÇA (vide capítulo
14)
COLETE DORSAL (se necessário) (vide capítulo 14)
IMOBILIZAÇÃO EM TÁBUA LONGA. (vide capítulo
14)
ENCAMINHAMENTO AO HOSPITAL DE REFERÊNCIA
12° Módulo: Trauma de tórax
1. Introdução
O traumatismo torácico nos dias atuais assume
grande importância devido, em parte, à sua
incidência e, por outro lado, pelo aumento da
gravidade e da mortalidade das lesões. Isto se
deve pelo aumento do número, poder energético e
variedade dos mecanismos lesivos, como por
exemplo, a maior velocidade dos automóveis, a
violência urbana, e dentro desta, o maior poder
lesivo dos armamentos, além de outros fatores. As
lesões de tórax são divididas naquelas que
implicam em risco imediato à vida e que, portanto,
devem ser pesquisadas no exame primário e
naquelas que implicam em risco potencial à vida e
que, portanto, são observadas durante o exame
secundário.
Os métodos diagnósticos e terapêuticos devem ser
precoces e constar do conhecimento de qualquer
médico, seja ele clínico ou cirurgião, pois, na
maioria das vezes, para salvar a vida de um
traumatizado torácico, não se necessita de
grandes cirurgias, mas sim de um efetivo controle
das vias aéreas, manutenção da ventilação, da
volemia e da circulação.
2. Classificação
2.1. Quanto ao Tipo de Lesão:
● Aberto: São, grosso modo, os ferimentos. Os mais
comuns são os causados por arma branca (FAB) e
os por arma de fogo (FAF).
● Fechado: São as contusões. O tipo mais comum
dessa categoria de trauma é representado pelos
acidentes automobilísticos.
2.2. Quanto ao Agente Causal
● FAF
● FAB
● Acidentes Automobilísticos
● Outros
2.3. Quanto à Manifestação Clínica
● Pneumotórax (hipertensivo ou não)
● Hemotórax
● Tamponamento Cardíaco
● Contusão Pulmonar
● Lesão de Grandes Vasos (aorta, artéria pulmonar,
veias cavas)
● Outros
3. Mecanismos de lesão
Trauma direto – Neste mecanismo, a caixa torácica
é golpeada por um objeto em movimento ou ela vai
de encontro a uma estrutura fixa. Nesse caso, a
parede torácica absorve o impacto e o transmite à
víscera. Além disso, nesse tipo de trauma é
freqüente que o indivíduo, ao perceber que o
trauma irá ocorrer, involuntariamente, inspire e
feche a glote, o que poderá causar um
pneumotórax no paciente. No trauma direto,
geralmente, ocorrem lesões bem delimitadas de
costelas e mais raramente de esterno, coração e
vasos, apresentando um bom prognóstico.
Trauma por compressão – Muito comum em
desmoronamentos, construção civil, escavações,
etc. Apresenta lesões mais difusas na caixa
torácica, mal delimitadas e, se a compressão for
prolongada, pode causar asfixia traumática,
apresentando cianose cérvico- facial e hemorragia
subconjuntival. Em crianças, este mecanismo é de
primordial importância, visto que a caixa torácica é
mais flexível, podendo causar lesões extensas de
vísceras torácicas (Síndrome do esmagamento)
com o mínimo de lesão aparente. Em determinadas
situações, a lesão do parênquima pulmonar é
facilitada pelo próprio paciente, como já visto
anteriormente (O acidentado, na eminência do
trauma, ―prende a respiração‖, fechando a glote e
contraindo os músculos torácicos, com o intuito de
se proteger, mas aumenta demasiadamente a
pressão pulmonar. No momento do choque, a
energia de compressão faz com que aumente ainda
mais essa pressão, provocandoo rompimento do
parênquima pulmonar e até de brônquios).
Trauma por desaceleração (ou contusão) –
Caracterizado por processo inflamatório em
pulmão e/ou coração no local do impacto,
causando edema e presença de infiltrado
linfomonocitário o que caracterizará a contusão.
Nesse tipo de trauma, o paciente terá dor local,
porém sem alterações no momento do trauma.
Após cerca de 24h, no entanto, o paciente
apresentará atelectasia ou quadro semelhante à
pneumonia. No coração ocorre, geralmente,
diminuição da fração de ejeção e alteração da
função cardíaca (insuficiência cardíaca, arritmias
graves, etc.). Esse tipo de trauma é muito comum
em acidentes automobilísticos e quedas de
grandes alturas. O choque frontal (horizontal)
contra um obstáculo rígido, como, por exemplo, o
volante de um automóvel, causa à desaceleração
rápida da caixa torácica com a continuação do
movimento dos órgãos intratorácicos, pela lei da
inércia. Isto leva a uma força de cisalhamento em
pontos de fixação do órgão, causando ruptura da
aorta logo após a emergência da artéria subclávia
esquerda e do ligamento arterioso, que são seus
pontos de fixação. Na desaceleração brusca, o
coração e a aorta descendente báscula para frente
rompendo a aorta no seu ponto fixo. Já em quedas
de grandes alturas, quando o indivíduo cai sentado
ou em pé, podem ocorrer lesões da valva aórtica.
Traumas penetrantes – É o mecanismo mais
comum de traumas abertos. Pode ser causado
criminalmente ou acidentalmente por armas
brancas, objetos pontiagudos, estilhaços de
explosões, projéteis de arma de fogo etc. As armas
brancas provocam lesões mais retilíneas e
previsíveis, pela baixa energia cinética. Já as
armas de fogo causam lesões mais tortuosas,
irregulares, sendo por isso mais graves e de mais
difícil tratamento.
4. Avaliação Inicial das Lesões Traumáticas Torácicas
O atendimento do paciente deve ser orientado
inicialmente segundo os critérios de prioridade,
comuns aos vários tipos de traumas (ABCD do
trauma, que tem por objetivo manter a ventilação e
perfusão adequados, evitando, assim, as
deficiências respiratórias e circulatórias,
respectivamente, pelo mecanismo de parada
cardíaca anóxica.).
Vias aéreas – Aqui se deve certificar a
permeabilidade das vias aéreas (a sensação tátil e
ruidosa pelo nariz e boca do paciente nos orienta
sobre ela e também sobre distúrbios na troca
gasosa). Também pode ser notado sinais de
insuficiência respiratória, como tiragem de fúrcula,
batimento da asa do nariz, etc. A orofaringe
sempre deve ser examinada à procura de
obstrução por corpos estranhos, particularmente
em pacientes com alterações da consciência.
Respiração – Fazer uma rápida propedêutica do
tórax, avaliando o padrão respiratório, através da
amplitude dos movimentos torácicos, presença de
movimentos paradoxais (afundamento torácico),
simetria da expansibilidade, fraturas no gradeado
costal, enfisema de subcutâneo, etc.
Circulação – Para sua avaliação faz-se a
monitorização da pressão arterial, do pulso
(qualidade, freqüência, regularidade, etc. Ex: os
pacientes hipovolêmicos podem apresentar
ausência de pulsos radiais e pediosos), bem como
de estase jugular e perfusão tecidual.
Estes parâmetros são muito úteis para uma
avaliação geral do sistema cárdio-circulatório.
4.1. Fraturas
São as lesões mais comuns do tórax e assumem
fundamental importância, pois a dor causada por
elas dificulta a respiração e levam ao acúmulo de
secreção.
As etiologias mais comuns das fraturas são o
trauma direto e a compressão do tórax.
Geralmente as lesões por trauma direto formam
espículas que se direcionam para o interior do
tórax, logo com maior potencialidade de lesar a
cavidade pleural. Nas lesões por compressão, as
espículas se direcionam para fora, diminuindo a
potencialidade de acometimento da cavidade
pleural, porém, com maior chance de levar a um
tórax instável e lesões de órgãos internos.
As fraturas da caixa torácica dividem-se
didaticamente em três tipos principais: fraturas
simples de costelas, afundamentos e fraturas de
esterno.
4.1.1. Fraturas de costelas
É a mais comum das lesões ósseas da parede
torácica, podendo ocorrer isoladamente ou
associada a pneumotórax ou hemotórax.
Lembramos que as fraturas dos últimos arcos
costais podem se associar à lesão de fígado ou
baço e a lesão dos primeiros arcos se associam a
traumas graves com possíveis lesões vasculares.
Uma particularidade do trauma pediátrico é que as
crianças apresentam muito menos fraturas costais
pela maior elasticidade dos ossos, fazendo com
que lesões internas por compressão possam
ocorrer sem o aparecimento de fraturas. 4.1.1.1.
Diagnóstico
● Dor e possível crepitação à palpação de ponto
localizado (fraturado).
● Obs. Nem sempre na radiografia simples
conseguimos ver a fratura. Ela deve ser avaliada
com bastante atenção, procurando-se bem a
fratura e, nos casos de dúvida, repetir a radiografia
em outras incidências. Lembramos que a porção
anterior e cartilaginosa pode apresentar lesão não
visível na radiografia.
4.1.1.2. Conduta
Na fratura simples, não complicada, indicamos a
sedação eficaz da dor com analgésicos.
Se insuficiente, faz-se anestesia local no foco de
fratura ou nos espaços intercostais adjacentes na
porção mais posterior do tórax.
Medidas como enfaixamento torácico devem ser
evitadas, por serem pouco eficientes e por
restringirem a mobilização torácica, dificultando a
fisioterapia e predispondo a infecções pulmonares.
4.1.2. Afundamentos (fraturas múltiplas de costelas)
Estão associadas aos traumatismos mais graves
do tórax e freqüentemente também de outros
órgãos.
Define-se como fraturas múltiplas à fratura de dois
ou mais arcos costais em mais de um local
diferente, determinando perda da rigidez de parte
ou de todo o envoltório ósseo torácico, fazendo
com que essa parte do tórax possa se movimentar
de uma maneira diferente do restante (movimento
paradoxal do tórax).
Durante muitos anos julgou-se que o movimento
paradoxal fosse a causa da insuficiência
respiratória desses doentes. Atualmente já foi
provado que o grande problema não é o movimento
paradoxal e sim a contusão pulmonar conseqüente
ao trauma torácico grave.
4.1.2.1. Diagnóstico
● À inspeção, presença de movimento paradoxal do
tórax, isto é, depressão da região fraturada à
inspiração e abaulamento à expiração.
● À palpação nota-se crepitação nos arcos costais
à respiração, com intensa dor.
● Radiografia de tórax mostra os arcos fraturados
(múltiplas soluções de continuidade), podendo-se
ver a sua mudança de posição, da área flácida,
conforme a radiografia for inspirada ou expirada.
4.1.2.2. Conduta
O tratamento é feito pelo controle da dor e
fisioterapia respiratória, sendo que nos casos mais
graves é indicada a entubação orotraqueal com
ventilação mecânica assistida, além de reposição
volêmica. É importante, então, frisar que a
terapêutica inicial inclui a correção da
hipoventilação, a administração de oxigênio e a
reposição volêmica e a terapia definitiva consiste
em reexpandir o pulmão, garantir a oxigenação
mais completa possível, administrar líquidos
judiciosamente e fornecer analgesia para melhorar
a ventilação. Deve-se lembrar que está totalmente
contra-indicada a imobilização da caixa torácica,
pois esta, além de não proporcionar melhor
prognóstico, ainda diminui a amplitude respiratória
e favorece o acúmulo de secreções.
4.1.3. Fraturas do Esterno
São lesões raras, mas de alta mortalidade, devido à
ocorrência de lesões associadas (contusão
cardíaca, ruptura traqueobrônquica, ferimentos
musculares) que devem ser pesquisadas
concomitantemente.
Deve-se seguir a mesma orientação terapêutica do
afundamento torácico, com a diferença de que a
indicação de fixaçãocirúrgica com fios de aço é
mais freqüente devido ao movimento paradoxal
intenso e doloroso que pode ocorrer. A infiltração
do foco de fratura esternal é conduta auxiliar de
grande valor para o controle da dor.
5. Alterações da Cavidade Pleural
5.1. Pneumotórax (PTX)
É a presença de ar na cavidade pleural, podendo
levar à compressão do parênquima pulmonar e
insuficiência respiratória. Nas contusões, dois
mecanismos podem ser responsáveis pela lesão
pulmonar com extravasamento de ar para a pleura,
uma laceração do pulmão pela compressão aguda
do tórax, ou uma espícula óssea, de uma costela
fraturada, perfurando o pulmão. Se houver fístula
de parênquima pulmonar com mecanismo
valvulado o pneumotórax pode se tornar
hipertensivo com desvio do mediastino para o lado
contralateral, com torção das veias cavas e
choque e se não for rapidamente tratado pode
levar à morte.
5.1.1. Diagnóstico
● Dispnéia (relacionada ao grau de compressão do
parênquima pulmonar).
● Abaulamento do hemitórax afetado (mais nítido
em crianças).
● Hipertimpanismo à percussão.
● Ausência ou diminuição do murmúrio vesicular.
● Nos casos de pneumotórax hipertensivo,
aparecem sinais de choque com pressão venosa
alta (estase jugular).
● Radiografia de tórax revela a linha de pleura
visceral afastada do gradeado costal. Julgamos
importante lembrar que quando o paciente estiver
com condição clínica desfavorável (principalmente
se com sinais de pneumotórax hipertensivo), deve-
se instituir a terapêutica sem os exames
radiológicos, apenas com os dados do exame
físico.
Pode-se seguir duas classificações para
pneumotórax:
● Aberto x Fechado;
● Simples x Hipertensivo.
5.1.2. Pneumotórax Aberto
É caracterizado pelo contato do espaço pleural
com o meio ambiente (solução de continuidade
entre a cavidade e o meio externo), Levando a uma
equivalência entre as pressões atmosférica e
intratorácica, o que ocasionará, em última
instância, o colapso pulmonar, queda da hematose
e uma hipóxia aguda. Esse tipo de pneumotórax
geralmente não é causado por ferimentos por arma
de fogo ou arma branca, já que, nesses casos, os
músculos da parede torácica tamponam a lesão.
Pode ser causado, no entanto, por, por exemplo,
acidentes viários, devido à "arrancamentos" de
caixa torácica, o que é incomum.
Seu tratamento baseia-se no tamponamento
imediato da lesão através de curativo quadrangular
feito com gazes esterilizadas (vaselinada ou outro
curativo pouco permeável ao ar) de tamanho
suficiente para encobrir todas as bordas do
ferimento, e fixado com fita adesiva (esparadrapo,
etc) em três de seus lados. A fixação do curativo
oclusivo em apenas três lados produz um efeito de
válvula; desse modo, na expiração, tem-se a saída
de ar que é impedido de retornar na inspiração,
evitando, assim, formar um pneumotórax
hipertensivo.
5.1.3. Pneumotórax Simples
O pneumotórax simples tem sua etiologia baseada,
principalmente, no trauma penetrante e na
contusão torácica.
Seu diagnóstico é dado pela hipersonoridade à
percussão e diminuição ou ausência de murmúrio
vesicular e complementado pelo Rx de tórax, onde
há uma maior radiotransparência do pulmão
acometido, devido ao acúmulo de ar no local que
era para ser ocupado pelo parênquima pulmonar.
O tratamento preconizado para ele (ATLS) é a
drenagem pleural feita no quinto ou sexto espaço
intercostal (EIC), na linha axilar média (LAM), a fim
de se evitar complicações como lesão de
diafragma, fígado ou outros órgãos. Em casos onde
há borbulhamento persistente do selo d'água é
indicado uma aspiração contínua com -20 a -30 cm
de água de pressão.
5.1.4. Pneumotórax Hipertensivo
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando há um
vazamento de ar para o espaço pleural por um
sistema de "válvula unidirecional" (geralmente por
fratura do arco costal). O sistema de válvula faz
com que o ar entre para a cavidade torácica sem a
possibilidade de sair, colapsando completamente o
pulmão do lado afetado. O mediastino e a traquéia
são deslocados para o lado oposto, diminuindo o
retorno venoso e comprimindo o pulmão oposto.
Pode ocorrer óbito rápido do paciente devido à
compressão do parênquima pulmonar contralateral
(e não pela compressão de veias cavas), que leva a
hipóxia. Ocasionalmente, lesões traumáticas da
parede torácica podem causar PTX hipertensivo.
Uma incidência significante de PTX decorre dos
procedimentos de inserção de cateteres em veia
subclávia ou jugular interna. É caracterizado por
dispnéia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio
da traquéia, ausência de murmúrio vesicular
unilateral, distensão das veias do pescoço (estase
jugular), hipersonoridade, desvio do ictus e cianose
como uma manifestação tardia. Pela semelhança
dos sintomas, o PTX hipertensivo pode,
inicialmente, ser confundido com tamponamento
cardíaco.
5.2. Hemotórax (HTX)
É a presença de sangue na cavidade pleural
resultante de lesões do parênquima pulmonar, de
vasos da parede torácica ou de grandes vasos
como aorta, artéria subclávia, artéria pulmonar ou
mesmo do coração. Apesar de na maioria dos
doentes a presença do hemotórax não significar
uma lesão extremamente grave, todo doente
traumatizado com derrame pleural supostamente
hemorrágico, deve ser encarado e acompanhado
como um doente potencialmente de risco, até o
total esclarecimento da sua lesão e do volume do
sangue retido na cavidade pleural.
5.2.1. Diagnóstico
● Choque hipovolêmico na dependência do volume
retido ou da intensidade da lesão
● Dispnéia decorrente da compressão do pulmão
pela massa líquida nos casos volumosos
● Propedêutica de derrame pleural.
● Radiografia de tórax revelando linha de derrame
ou apenas velamento difuso do hemitórax quando a
radiografia é realizada com o doente deitado (o que
normalmente acontece no trauma).
A toracotomia está indicada quando houver saída
imediata na drenagem pleural de mais de 1.500 ml
de sangue (ou de mais de 20ml/kg de peso) ou, se
na evolução, o sangramento horário for maior de
300ml por hora no período de duas horas
consecutivas. A outra indicação é nos casos em
que, apesar da drenagem, mantém-se imagem
radiológica de velamento com possíveis coágulos
no tórax.
Além disso, a infusão de cristalóide para repor o
volume sanguíneo perdido, deve ser feita
simultaneamente à descompressão da cavidade
torácica e assim que possível administra-se o
sangue autotransfundido ou outro tipo-específico.
Alguns autores alertam que, na presença de
sangramento persistente, caracterizado por esses
por drenagem inicial de 1.000 a 1.500 ml, seguido
de sangramento contínuo de 200 a 300 ml/h,
durante 4 horas consecutivas e em casos de HTX
coagulado (ambas complicações do HTX), devese
fazer toracotomia de urgência (lembrando sempre
que esta deve ser feita por um cirurgião ou por um
outro médico devidamente treinado e qualificado).
5.3. Quilotórax
O quilotórax é o acúmulo de líquido linfático na
cavidade pleural. Sua etiologia geralmente é
devido a um ferimento transfixante do tórax que
acomete o ducto torácico. O diagnóstico é
semelhante ao HTX, porém quando se drena um
líquido vertente, de aspecto leitoso e rico em
células linfóides, é caracterizado o quilotórax. Seu
tratamento é feito pela drenagem pleural ou por
toracocentese e, complementado por uma dieta
rica em triglicérides, que aceleram a cicatrização
da lesão do ducto.
6. Traumatismo Cardíaco
Os traumatismos cardíacos podem ser divididos em
duas condições básicas, que são o tamponamento
cardíaco e a contusão cardíaca.
6.1. Tamponamento Cardíaco
Presença de líquido na cavidade pericárdica,
comprimindo as câmaras cardíacas, promovendo
restrição diastólica e colapso circulatório, nas
contusões a sua origem pode ser a ruptura
cardíaca ou a lesão de vasossangüíneos cardíacos
ou pericárdicos.
6.1.1. Diagnóstico
● Trauma sobre a região torácica anterior.
● Fácies pletórica.
● Estase jugular e hipotensão arterial (choque com
pressão venosa alta).
● Bulhas cardíacas abafadas.
● Pulso paradoxal de Kussmaul (diminuição da
amplitude do pulso à inspiração profunda).
● Eletrocardiograma com complexos de baixa
voltagem.
● Radiografia de tórax com aumento de área
cardíaca (freqüentemente não é um grande
aumento).
O tamponamento cardíaco resulta, mais
comumente, de ferimentos penetrantes,
principalmente aqueles que incidem na perigosa
área de Ziedler. Sua fisiopatologia funciona como a
de um choque hipovolêmico, no qual ocorre
restrição de enchimento das câmaras cardíacas
direitas, levando à restrição diastólica pela
diminuição do retorno venoso, que diminui a pré-
carga.O trauma contuso também pode causar um
derrame pericárdico de sangue proveniente do
coração, dos grandes vasos, ou dos vasos
pericárdicos. No caso dos esmagamentos ou
perfurações por pontas ósseas, o quadro é mais
grave e esses pacientes raramente chegam vivos
ao hospital. Nessas situações ocorre um
derramamento de sangue no saco pericárdico e,
como este é muito pouco distensível, faz com que
ocorra uma limitação da diástole ventricular,
causando um grande déficit da "bomba" cardíaca,
mesmo quando a quantidade de sangue derramado
for pequena.
A suspeita clínica é caracterizada pela tríade de
Beck, que consiste na elevação da pressão venosa
central (PVC), diminuição da pressão arterial e
abafamento das bulhas cardíacas (este último
item, no entanto, não está presente no TC agudo
porque o pericárdio é inelástico; no TC "crônico",
ao contrário, o pericárdio vai se acomodando e
chega a suportar até dois litros de sangue). Pode
ocorrer também estase jugular, pulso paradoxal,
dispnéia, taquicardia e cianose de extremidades,
sendo que os dois primeiros sinais, em alguns
casos, podem estar ausentes ou serem
confundidos com pneumotórax hipertensivo.
A dissociação eletromecânica, na ausência de
hipovolemia e de pneumotórax hipertensivo, sugere
TC. A toracotomia exploradora somente está
indicada em sangramento contínuo, ausência de
resposta após aspiração, recorrência após
aspiração ou a presença de projétil de arma de
fogo no espaço pericárdico. O diagnóstico
diferencial do tamponamento cardíaco deve ser
feito com o pneumotórax hipertensivo, já citado
anteriormente.
6.2. Contusão Cardíaca
Este tipo de lesão ocorre em traumatismos
fechados, pelos quais se procede à compressão do
coração entre o esterno e a coluna. Em grandes
afundamentos frontais do tórax deve-se sempre
suspeitar de contusão cardíaca. As queixas de
desconforto referidas pelo paciente geralmente
são interpretadas como sendo devidas à contusão
da parede torácica e a fraturas do esterno e/ou de
costelas.
7. Contusão Pulmonar (com ou sem tórax instável)
A contusão pulmonar é a lesão torácica
potencialmente letal. A insuficiência respiratória
pode ser sutil e, inicialmente, passar despercebida
e desenvolver-se depois de algum tempo. O
tratamento definitivo pode exigir alterações à
medida que o tempo passa, com base na cuidadosa
monitorização e reavaliação do paciente.
Alguns pacientes em condições estáveis podem
ser tratados seletivamente, sem entubação
endotraqueal ou ventilação mecânica. Os
pacientes com hipóxia significante devem ser
intubados e ventilados já na primeira hora após a
lesão ou até mesmo traqueostomizados, se
necessário. Enfermidades associadas, tais como
doença pulmonar crônica e insuficiência renal,
predispõem à necessidade de entubação precoce e
de ventilação mecânica.
A entubação e a ventilação mecânica devem ser
consideradas sempre que o paciente não conseguir
manter uma oxigenação satisfatória ou apresentar
uma das complicações descritas acima.
8. Lesão de Grandes Vasos
Ocorre em acidentes envolvendo altas velocidades
ou quedas de grandes alturas, em que há o
mecanismo de desaceleração súbita.
Aproximadamente 90% das vítimas de ruptura de
aorta morrem no local do acidente, apenas 10%
chegam vivas ao hospital e, destas, 50% falecem
nas primeiras 2h após a admissão se a conduta
correta não for tomada.
A ruptura incide mais na região do istmo aórtico,
ou seja, logo após a emergência da artéria
subclávia esquerda e ocasiona enorme hemotórax.
Os sobreviventes se mantém vivos por um período,
pois, há formação de grande hematoma periaórtico,
tamponado temporariamente pela pleura
mediastinal e pulmão. O diagnóstico e a conduta
cirúrgica devem ser feitos rapidamente.
8.1. Diagnóstico
● História do trauma (desaceleração súbita).
● Sinais de grande hemotórax esquerdo e choque
nos casos de ruptura para a cavidade pleural. Nos
doentes em que a lesão está tamponada, o exame
físico não mostra alterações significativas.
● Radiografia de tórax de frente mostra
alargamento mediastinal superior.
9. Laceração traqueobrônquica
A ruptura traqueobrônquica pode ser dividida em
lesões de traquéia cervical e de traquéia torácica
ou brônquios principais.
9.1. Traquéia cervical
O mecanismo mais freqüente é o trauma direto
com contusão traqueal e ruptura, também a
hiperextensão do pescoço nos impactos frontais
pode lesar esta região.
9.1.1. Diagnóstico
● Sinais externos de trauma cervical (escoriações
e hematomas no pescoço).
● Carnagem ou voz rouca.
● Crepitação dos anéis traqueais à palpação
cervical.
● Enfisema subcutâneo cervical.
● Broncoscopia confirma o diagnóstico (se houver
condições respiratórias).
9.1.2. Conduta
● Emergência: restabelecer a perviabilidade das
vias aéreas com entubação traqueal ou
traqueostomia, fazendo a cânula ultrapassar o
local de ruptura.
● Após a recuperação da ventilação: abordagem
cirúrgica com sutura da lesão ou dependendo do
grau de destruição traqueal ressecção segmentar e
anastomose término-terminal.
9.2. Traquéia torácica ou brônquios principais
Pode resultar de compressão antero-posterior
violenta do tórax ou de desaceleração súbita como
nos impactos frontais ou nas quedas de grandes
alturas. O local mais comum de lesão é na Carina
ou no brônquio principal direito.
9.2.1. Diagnóstico
● História do trauma com possível desaceleração
súbita.
● Desconforto respiratório.
● Escarro com sangue ou mais raramente
hemoptise moderada.
● Enfisema subcutâneo grande e logo disseminado.
● Radiografia de tórax com presença de
pneumomediastino, pneumotórax ou atelectasia
total do pulmão.
● Grande perda de ar pelo dreno após a drenagem
pleural sob selo d‘água (pode não haver, caso a
lesão esteja bloqueada pela pleura).
● Fibrobroncoscopia que irá confirmar o
diagnóstico e mostrar o local da lesão.
9.2.2. Conduta
● Emergência: Se houver insuficiência respiratória
ou perda aérea intensa pelo dreno pleural, realizar
entubação seletiva contralateral.
● Após a recuperação da ventilação - toracotomia
rapidamente para sutura da lesão, broncoplastia ou
traqueoplastia.
As principais etiologias que levam a esse tipo de
lesão são a desaceleração horizontal (força tipo
momento), O diagnóstico é dado, principalmente,
pela história clínica, pelo tipo de trauma, pelo
borbulhamento contínuo do selo d'água, por um
enfisema subcutâneo evidente e por episódios de
hemoptise no início do quadro clínico.
Se as bordas da lesão estiverem alinhadas e
tamponadas, o tratamento se dá espontaneamente,
porém, caso isso não ocorra, haverá a necessidade
de uma toracotomia póstero-lateral direita.
A mais freqüente e grave complicação desta lesão
é o PTX hipertensivo.
10. Lesão Esofágica
O esôfago torácico pode ser traumatizado por dois
mecanismos: em primeiro lugar de uma maneira
interna, na maioria das vezes iatrogênica pela
passagem de sondas enterais ou instrumentospara
dilatação ou cauterização de varizes e, em
segundo lugar, menos freqüente, mas não menos
importante, nos ferimentos externos torácicos,
principalmente por arma de fogo e transfixante
latero-laterais no tórax.
Na maior parte da vezes, ao contrário de outras
lesões graves, a lesão do esôfago é ―silenciosa‖ na
sua fase inicial demonstrando muito poucos
sintomas, muitas vezes nenhum, quando a lesão é
exclusiva do esôfago. Assim, não devemos
aguardar os sintomas para o diagnóstico do
ferimento do esôfago torácico, pois quando os
sintomas, já tardios aparecem, manifestam-se por
mediastinite, possivelmente acompanhada de
empiema pleural. Quadro infeccioso grave, de
difícil controle e solução.
Conforme a progressão da infecção, isto é, a fase
evolutiva da doença, iremos decidir sobre o
tratamento definitivo: fechamento da fístula
esofágica ou esofagectomia com reconstrução
futura.
10.1. Diagnóstico
● O diagnóstico deve ser um tanto quanto rápido,
pois as lesões esofágicas podem ser devastadoras
se não tratadas rapidamente.
● Ferimento transfixante latero-lateral do
mediastino.
● Dor após manipulação no lúmen do esôfago (por
sondas, cateteres, etc.).
● Em todo ferimento transfixante do mediastino é
obrigatório se descartar lesão de esôfago, mesmo
sem sintomas, devendo-se realizar: radiografia
contrastada do esôfago, de preferência com
contraste não baritado e esofagoscopia para o
diagnóstico precoce da lesão esofágica.
● Na fase tardia (após 12 a 24 horas), quando não
diagnosticado precocemente inicia-se a seqüência
sintomática da lesão do esôfago, com mediastinite
representada por dor e febre, progredindo o quadro
para possível empiema pleural e septicemia.
10.2. Conduta
● Na fase aguda deve ser abordado o esôfago por
toracotomia e a lesão ser suturada, mantendo-se o
doente em jejum oral por, no mínimo sete dias
(mantendo-se a alimentação por sonda enteral).
● Na fase tardia, com mediastinite, deve-se instituir
a antibióticoterapia e realizar-se uma toracotomia
para desbridamento amplo da região lesada e
drenagem, para em um segundo tempo realizar-se o
tratamento definitivo.
13° Módulo: Referências Bibliográficas
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PARANÁ.
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