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ATENDIMENTO 
PRÉ-
HOSPITALAR 
 
ABELINE 
ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE EDUCAÇÂO 
ONLINE 
 
 
 
 
Total da carga horária de 120h/a 
Base legal: nº.9394/96 art. 67 e 87, 
inciso III e Parecer nº.64/2004 - CEDF 
CNPJ.: 21.197.672/0001-09 
 
-1° Módulo: Introdução Pág -03 
- 2° Módulo: Direção Defensiva Pág-09 
- 3° Módulo: Cinemática do Trauma Pág-32 
- 4° Módulo: Equipamentos utilizados no atendimento Pág-53 
- 5° Módulo: Sinais Vitais Pág-67 
- 6° Módulo: Atendimento Inicial Pág- 86 
- 7° Módulo: Vias Aéreas Pág-104 
- 8° Módulo: Ressuscitação Cardiopulmonar Pág-130 
- 9° Módulo: Hemorragia e Choque Pág-170 
- 10° Módulo: Fraturas e luxações Pág-191 
- 11° Módulo: Traumatismo cranioencefálico e raquimedular Pág-205 
- 12° Módulo: Trauma de tórax Pág-224 
- 13° Módulo: Referências Bibliográficas Pág-248 
 
 
 
 
 
1° Módulo: Introdução 
A ÉTICA E HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO PRÉ-
HOSPITALAR 
1. Ética 
Toda pessoa é dotada de uma consciência moral que a 
faz distinguir entre o certo e o errado, entre o bem e o 
mal, capacitando-a a avaliar suas ações no contexto a 
que é solicitado, ou seja, é capaz de nortear suas 
atitudes pela ética, a qual pode-se dizer é um conjunto 
de valores, que se tornam deveres em determinadas 
culturas ou grupos, sendo expressos em ações. 
A ética é, normalmente, uma norma de cunho moral 
que obriga a conduta de uma determinada pessoa, sob 
pena de sanção específica, mas pode também 
regulamentar o comportamento de um grupo particular 
de pessoas, como, por exemplo, bombeiros, policiais, 
médicos, enfermeiros, etc. A partir deste momento, 
estamos nos referindo à ética profissional, mais 
conhecida como deontologia, que caracteriza-se como 
conjunto de normas ou princípios que têm por fim 
orientar as relações profissionais entre pares, destes 
com os cidadãos, com sua guarnição de serviço, com 
as instituições a que servem, entre outros. 
Como a sua margem de aplicação é limitada ao círculo 
profissional, faz com que estas normas sejam mais 
específicas e objetivas, gerando o advento dos 
Códigos de Ética elaborados por associações de 
classe, como, por exemplo, o Código de Ética Médica 
Brasileiro. 
No caso do Corpo de Bombeiros do Paraná, o Decreto 
Estadual nº 5.075/98 (Regulamento de Ética 
Profissional dos Militares 
Estaduais do Paraná), prescreve em seu artigo 5º, que 
a ―... deontologia militar é constituída pelo elenco de 
valores e deveres éticos, traduzidos em normas de 
conduta, que se impõem para que o exercício da 
profissão militar atinja plenamente os ideais de 
realização do bem comum, através da preservação da 
ordem pública.‖ Assim como a atividade do médico e 
do enfermeiro possuem codificações próprias, o 
bombeiro militar também tem sua conduta pesada em 
Código próprio, que o obriga a prestar seu serviço de 
atendimento pré-hospitalar calcado em valores e 
deveres militares, não menos importantes, que o dos 
códigos dos profissionais de saúde. 
Ao longo do Curso de Socorristas, são ensinadas 
normas técnicas que indicam fórmulas do fazer, que 
são apenas meios de capacitação, levando o homem a 
atingir resultados. Todavia a técnica não deve perder 
sua correlação natural com as normas éticas, que 
atenuam o sofrimento da vítima e humanizam o 
atendimento. 
O socorrista deve saber equilibrar os dois pratos da 
balança que formam seu caráter profissional: o lado 
técnico e o lado emocional. Caso haja uma prevalência 
de qualquer um dos lados, o atendimento pode ser 
comprometido tanto pelo lado humano, quanto pelo 
lado científico. O bombeiro militar que tenha completo 
domínio do atendimento pré-hospitalar, mas que não 
tenha o discernimento necessário para atuar com 
atenção especial nos casos que assim requeiram, não 
possui o caráter ético-profissional para ser socorrista. 
O mesmo se aplica àquele que possua um equilíbrio 
emocional e não saiba as técnicas pré-hospitalares. 
Para um atendimento pré-hospitalar satisfatório o 
socorrista deve possuir, além do equilíbrio emocional e 
da competência 
técnico-científica, uma competência ética, 
fundamental para a humanização do serviço. 
A competência ética no atendimento pré-hospitalar é 
formada por quatro vertentes de relacionamento, 
sendo elas: 
● Socorrista e outros militares; 
● Socorrista e profissionais de saúde; 
● Socorrista e vítima; 
● Socorrista e parentes/conhecidos/outros envolvidos. 
As relações dos socorristas com outros militares e 
profissionais de saúde não trazem muitos problemas, 
pois a formação militar facilita o relacionamento. 
Resta-nos analisar e fundamentar os princípios para 
um relacionamento ético entre bombeiros e vítimas, e 
bombeiros e parentes/conhecidos/outros envolvidos no 
trauma. Estes dois tipos de relacionamentos estão 
baseados em três princípios fundamentais: 
● Respeito à pessoa; 
● Solidariedade; 
● Sentimento do dever cumprido. 
Tendo por base estas três premissas, o socorrista 
saberá pautar suas atitudes e considerar as alterações 
emocionais decorrentes do trauma. Não se deixará 
influenciar pela conduta social da vítima incorrendo 
num julgamento errôneo (fará um atendimento 
imparcial), atentará para os cuidados com a exposição 
da vítima, terá atenção especial com crianças, e terá 
a seriedade como base para uma postura profissional 
que se espera. 
Um atendimento perfeito ocorre quando, mesmo com o 
sucesso do emprego de todas as técnicas dominadas 
pelo socorrista, atende-se a dignidade da pessoa 
humana em todo seu alcance, angariando o respeito e 
a admiração da vítima e outras pessoas envolvidas, 
pelo elevado grau de profissionalismo existente na 
corporação. 
2. Humanização: Um Abrandamento do Caráter 
Técnico da Medicina 
A Portaria GM/MS n.º 1.863, de 29 de setembro de 
2003, trata da ―Política Nacional de Atenção às 
Urgências‖ trazendo novos elementos conceituais, 
como o princípio da humanização. 
Parece estranho falar de humanização num campo em 
que deveria ser implícito o ―amor ao próximo‖, como é 
o caso da medicina. Todavia, com o advento da vida 
moderna, a explosão demográfica e os parcos e 
poucos recursos e investimentos na área da saúde, 
fazem com que o profissional, muitas vezes, tenha uma 
sensação de impotência frente ao sofrimento de 
milhares de pessoas, e, com isso faz crescer no seu 
íntimo, mesmo que de modo imperceptível, 
mecanismos de defesa em que cria uma verdadeira 
―casca‖, não vendo na vítima uma pessoa, mas um 
objeto que necessita de seus cuidados profissionais, 
visto que não tem a solução para todas as mazelas 
criadas por falta de políticas públicas de saúde. 
Necessário foi ao Ministério da Saúde humanizar o 
serviço, através de um programa próprio, visando 
atenuar os efeitos desumanizantes, que retira da 
pessoa humana seu mais importante valor: a 
dignidade. 
No caso do atendimento pré-hospitalar, o 
conhecimento cientifico deveria ser, por si só, motivo 
de sucesso para um 
resultado positivo quando no socorro à vítima. O que 
se tem observado recentemente é que este fator,somado à estressante rotina dos numerosos 
atendimentos diários nos grandes centros, bem como 
a fragilidade do ser humano, tanto do paciente como 
do socorrista (ambos envolvidos com sentimentos de 
respeito, simpatia, empatia, angústia, raiva, medo, 
compaixão), o que tem gerado problemas no 
atendimento à vítima. Deixamos de ver nele muitas 
vezes o ser humano que está necessitado, hora pelo 
enfoque direto no trauma, hora pela banalização do 
acidente. 
Necessário, então, é falar em humanização no 
atendimento pré-hospitalar. Então: o que é 
humanização ? Podemos entende-la como valor, na 
medida em que resgata o respeito à vida humana, 
levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas, 
educacionais e psíquicas presentes em todo 
relacionamento humano. 
Humanizar o atendimento não é apenas chamar a 
vítima pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios 
constantemente, mas também compreender seus 
medos, angústias e incertezas, dando-lhe apoio e 
atenção permanente. 
O profissional humanizado deve apresentar algumas 
características que tornam o atendimento a um 
traumatizado mais digno: 
● Focalizar não somente o objeto traumático, mas 
também os aspectos globais que envolvem o paciente, 
não se limitando apenas às questões físicas, mas 
também aos aspectos emocionais; 
● Manter sempre contato com a vitima, buscando uma 
empatia por parte da mesma; 
● Prestar atenção nas queixas do paciente, tentando 
sempre que possível aliviar a dor do paciente; 
● Manter a vitima, sempre que possível, informada 
quanto aos procedimentos a serem adotados; 
● Respeitar o modo e a qualidade de vida do 
traumatizado; 
● Respeitar a privacidade e dignidade do paciente, 
evitando expor o mesmo sem necessidade. 
Os profissionais da área da saúde e não oriundos da 
área da saúde, como os bombeiros militares, por sua 
formação, dedicam-se ao atendimento humanitário. E, 
assim sendo devem ter sempre uma conduta 
humanista, no entender de Pablo González Blasco: 
"humanista é o homem que define atitudes concretas 
diante da vida, fruto da sua reflexão e como 
conseqüência de uma filosofia que norteia sua 
existência. Se este homem humanista é médico, essas 
atitudes que envolvem a sua própria vida atingirão as 
outras vidas, aquelas que ele tem que cuidar, e 
portanto implicarão uma postura concreta diante da 
vida humana, da vida doente, do sofrimento e da dor, 
da vida que se acaba". 
Humanizar também é, além do atendimento fraterno e 
humano, procurar aperfeiçoar os conhecimentos 
continuadamente; é valorizar, no sentido antropológico 
e emocional, todos os elementos implicados no evento 
assistencial. Na realidade, a humanização do 
atendimento, seja em saúde ou não, deve 
valorizar o amor ao próximo, prestigiando a melhoria 
nos relacionamentos entre pessoas em geral. 
 
1° Módulo: Introdução 
2° Módulo: Direção Defensiva 
3° Módulo: Cinemática do Trauma 
4° Módulo: Equipamentos utilizados no atendimento 
5° Módulo: Sinais Vitais 
6° Módulo: Atendimento Inicial 
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4048
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4049
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4050
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4051
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4052
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4053
7° Módulo: Vias Aéreas 
8° Módulo: Ressuscitação Cardiopulmonar 
9° Módulo: Hemorragia e Choque 
10° Módulo: Fraturas e luxações 
11° Módulo: Traumatismo cranioencefálico e 
raquimedular 
12° Módulo: Trauma de tórax 
13° Módulo: Referências Bibliográficas 
2° Módulo: Direção Defensiva 
1. Introdução 
Como motorista de uma ambulância, além de 
dominar todas as habilidades indispensáveis à 
prática da direção segura de veículos em geral, 
você deverá estar familiarizado com conceitos 
próprios da condução de uma vítima e da equipe 
que lhe oferece atendimento, pois na qualidade de 
motorista você é responsável pela sua própria vida 
e das outras pessoas presentes no trânsito. Além 
disso, você é responsável pela segurança da sua 
equipe de socorristas e pelo bem estar da vítima 
conduzida no interior da ambulância. 
2. Direção e Segurança 
A maioria dos acidentes de trânsito, decorrem em 
sua maioria de erros humanos, pelos seguintes 
motivos: 
● Desrespeito as Leis, Normas e regulamentos de 
trânsito; 
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4054
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4055
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4056
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4057
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4058
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4058
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4059
https://cursosabeline.com.br/estudando-atendimento-pre-hospitalar-4060
● Abuso dos limites operacionais de segurança do 
veículo; 
● Pressa excessiva em querer chegar no local da 
ocorrência, e posteriormente ao hospital; 
● Descortesia no trânsito: ser cortês alivia o stress 
do trânsito, demonstra alto nível de educação e 
elevação social. 
● Irresponsabilidade agindo com negligência, 
imprudência ou imperícia; 
● Condição física do condutor, como cansaço, 
sonolento e sob efeito de drogas em geral (álcool, 
medicamentos, etc.) 
3. Elementos de Direção Defensiva 
Direção defensiva é dirigir de modo a evitar 
acidentes, apesar das ações incorretas (erradas) 
dos outros e das condições adversas (contrárias), 
que encontramos nas vias de trânsito. 
Existem alguns elementos fundamentais para a boa 
prática da direção defensiva, com a observação 
dos mesmos o risco é diminuído, são eles. 
3.1. Conhecimento 
É o ato de estar sempre consciente das noções 
exigidas para a habilitação, os conteúdos do CTB 
(Código de Trânsito Brasileiro) e as informações 
sobre os riscos e a melhor forma de evitá-los. 
Embora a experiência seja uma fonte 
importantíssima de conhecimento, demonstra-se 
que, o programa de treinamento aumenta em muito 
a capacidade defensiva do motorista. 
3.2. Atenção 
Enquanto dirige, o motorista tem que estar alerta o 
tempo todo, zelando pela sua própria segurança, 
dos passageiros e da vítima que está 
transportando, bem como pelos demais presentes 
no trânsito. Estar alerta significa estar com a 
atenção concentrada todo o tempo no ato de 
dirigir, sem distrações, vendo tudo o que se passa 
adiante, atrás (espelhos retrovisores) e nas laterais 
do veículo. O pensamento deve ocupar-se 
exclusivamente do ato de dirigir e não de outros 
assuntos. Atento, o motorista pode reconhecer 
situações de perigo potencial, reagir em tempo e 
agir de modo a prevenir acidentes. 
3.3. Previsão 
É a capacidade de antecipar ou antever situações 
e eventos, são muitas vezes frações de segundos, 
porém, tendo em mente uma atitude de 
previsibilidade, será suficiente, para tentar uma 
reação positiva, evitando um acontecimento. Se o 
motorista, vistoria o veículo antes de assumir o 
serviço, programa o itinerário, reduz a velocidade 
próximo a áreas de risco como cruzamentos, 
escolas, hospitais, etc., se o motorista, ao ver uma 
criança brincando na calçada, antevê a 
possibilidade de que ela possa atravessar a rua 
repentinamente e diminuí a velocidade, terá 
melhores condições de frenagem ou desvio do 
veículo caso o inesperado aconteça. 
3.4. Decisão 
É a possibilidade da ação de decidir, diante de uma 
situação de risco. É saber escolher dentre as 
opções possíveis a de maior segurança naquele 
momento específico. 
3.5. Habilidade 
É o requisito desenvolvido através do aprendizado 
e do treinamento. Conduzir um veículo de socorro, 
é um ato de muita responsabilidade, muitas vezesa emergência, a adrenalina, o stress, tendem a 
dominar a situação, porém o bom motorista, se 
mantém paciente e calmo, não deixando-se 
dominar por sensações que tendem a alterar seu 
estado psicológico e as funções mecânicas do 
corpo físico. Necessitando o motorista, 
desenvolver a habilidade de realizar manobras 
entre veículos, ultrapassagens, cruzamentos, 
canaletas de expresso, entre outros. Mas, com 
condições, é fundamental demonstrar as suas 
ações para os outros motoristas, o que pretende 
fazer, qual a atitude que pretende tomar, lembre-se 
as outras pessoas não são obrigadas a adivinhar 
seu pensamento. 
4. Direção em Condições Adversas 
Algumas condições climáticas e naturais afetam as 
condições de trânsito. Sendo fatores ou 
combinações de fatores que contribuem para 
aumentar as situações de risco no trânsito, 
podendo comprometer a segurança. Sob estas 
condições, o motorista da ambulância, deverá 
adotar atitudes preventivas que garantam, como já 
foi visto, a segurança da equipe, da vítima e dos 
demais usuários das vias públicas. 
4.1. Chuva 
Reduz a possibilidade de ver e ser visto de todos os 
condutores, pelo acúmulo de água nos para-brisas 
e pelo embaçamento dos vidros no carro fechado, 
causado pela respiração de seus ocupantes. Além 
disso, deposita uma lâmina de água sobre a pista, 
o que modifica a aderência dos pneus, dificultando 
a frenagem e favorecendo derrapagens, 
proporcionando a ocorrência de hidro ou 
aquaplanagem. 
4.1.1. Atitudes defensivas do motorista: 
● Conserve e revise constantemente os limpadores 
de pára-brisas e seu sistema de acionamento e 
fusíveis; 
● Ao dirigir redobre os cuidados e a atenção; 
● Reduza a velocidade para aumentar a aderência 
dos pneus ao solo, evitando derrapagens e 
favorecendo as ações dos freios; 
● Aumente a distância com o veículo à frente, e 
evite ficar ao lado de outros veículos; 
● Se possível, deixe dois centímetros das janelas 
abertas, para evitar o embaçamento e acione os 
dispositivos desembaçadores disponíveis; 
● Acenda os faróis baixos; 
● Não freie bruscamente, acione o freio suave e 
gradativamente; 
● Em caso de chuva torrencial ou chuva de granizo, 
que impeçam a direção com segurança e a perda 
de visibilidade, estacione em local seguro, acione 
as luzes de alerta, e aguarde que o tempo melhore. 
4.2. Aquaplanagem 
É quando o veículo flutua na água, perdendo a 
aderência do pneu com o solo, o motorista perde 
totalmente o controle do veículo, podendo ocorrer 
em qualquer tipo de piso. 
4.2.1. Atitudes defensivas do motorista: 
● Observar com atenção presença de poças de 
água sobre a pista, mesmo não havendo chuva; 
● Reduzir a velocidade antes de entrar na área 
empoçada; 
● Quando o veículo estiver na poça, não utilize os 
freios, segure firmemente o volante, procurando 
mantê-lo reto com a pista, até conseguir 
novamente a aderência do veículo; 
● Sempre verifique a profundidade dos sulcos dos 
pneus da ambulância; 
4.3. Vento 
Produzido por condições climáticas ou pela 
passagem de outros veículos, pode deslocar o seu 
veículo, reduzindo e ocasionando a perda de 
estabilidade e o descontrole do veículo. 
4.3.1. Atitudes defensivas do motorista: 
● Acostume-se a olhar a vegetação ao redor da 
pista, é um bom indicativo da velocidade dos 
ventos e sua direção; 
● Ao perceber um grande veículo em sentido 
contrário ou ultrapassando-o, reduza a velocidade; 
● Tome o controle firme do volante, afaste-se um 
pouco para a direita; 
● Cuidado especial com pontes e viadutos. 
4.4. Neblina ou Cerração 
4.4.1. Atitudes defensivas do motorista: 
● Ligue os faróis baixos (a luz alta causa o 
fenômeno da reflexão, causando ainda menos 
visibilidade), ou a luz de neblina se tiver; 
● Redobre a atenção e o cuidado, diminuindo a 
velocidade; 
● Evite realizar ultrapassagens; 
● Caso não haja condições mínimas de segurança e 
visibilidade, estacione, e aguarde melhores 
condições de dirigibilidade; 
● Caso seja absolutamente necessário dirigir, 
procure seguir um veículo maior como caminhão ou 
ônibus, com certa distância segura; 
● Atenção com frenagens bruscas ou até mesmo 
paradas repentinas dos veículos à frente. 
4.5. Iluminação 
A intensidade da luz modifica a possibilidade de 
ver e ser visto. A luz em excesso ofusca a visão e a 
penumbra oculta as pessoas e outros veículos. 
4.5.1. Atitudes defensivas do motorista: 
● Em condições de iluminação inadequada reduza a 
velocidade; 
● Havendo excesso de luz, abaixe o papa sol, em 
certos casos use óculos escuros (crepúsculo 
matutino ou vespertino); 
● Desvie o olhar da fonte luminosa e busque 
referências, como o meio fio ou o traçado lateral 
da via; 
● À noite, use faróis baixos ao cruzar veículos e 
desvie o olhar do foco dos faróis que cruzam com 
você; 
● Em condições de penumbra deixe as luzes do 
veículo acessas, facilitando ser visto. 
4.6. Condições Adversas da Via 
O motorista da ambulância deve estar, atento as 
inúmeras alterações das condições das vias, que 
são muito variáveis nos atendimentos das 
ocorrências, como: 
● Largura insuficiente; 
● Ponte estreita; 
● Trechos escorregadios; 
● Má conservação da pista; 
● Falta de acostamento; 
● Curvas mal dimensionadas; 
● Força centrífuga; 
● Falta de placas de sinalização; 
● Vegetação muito alta e muito próxima da pista; 
● Drenagem insuficiente. 
5. Orientações Para Evitar o Desgaste Físico ao Dirigir 
● Dirija com os braços e pernas ligeiramente 
flexionados e relaxados, evitando tensões; 
● Apóie o corpo junto ao banco o mais próximo de 
um ângulo de 90º; 
● Procure manter a cabeça junto ao encosto, sem 
forçar a musculatura do pescoço; 
● A posição das mãos sobre o volante, deve estar 
na posição do relógio, às 09 horas e 15 minutos; 
● Procure manter os calcanhares apoiados sobre o 
assoalho, evite manter os pés sobre os pedais 
quando não estiver usando-os; 
● Nunca dirigir ao fazer uso de bebidas alcoólica ou 
drogas; 
● Nunca dirigir fumando ou ao telefone celular; 
● Nunca dirigir se estiver utilizando remédios que 
modifiquem o comportamento psicofísico, de 
acordo com o seu médico; 
● Evite dirigir após ter participado de discussões 
com seus familiares ou no trabalho; 
● Evite dirigir sob forte tensão, ou acometido de 
forte emoção; 
● Evite dirigir quando estiver com sono, os ficar 
muito tempo sem dormir, dormir pouco ou dormir 
mal; 
● Evite dirigir logo após realizar refeições muito 
pesadas, que induzem ao sono; 
● Certificar-se que não há nenhum objeto que 
possa ser deslocado quando em movimento; 
● Dirigir com roupas confortáveis, e adequadas a 
temperatura ambiente, para não sentir muito frio e 
nem muito calor; 
● Sempre faça check-up completo para constatar 
problemas, como histórico de problemas cardio-
vasculares, pressão arterial fora dos padrões 
normais, com suspeita de epilepsia, ou qualquer 
outro que possa colocar em risco as seguras 
condições de direção. Ao constatar, solicite 
imediatamente afastamento das funções de 
motorista, desde que comprovadamente orientado 
por médico responsável; 
● Esteja sempre em dia com os exames 
oftalmológicos, para uso de óculos ou lentes 
corretivas; 
● Enquanto dirige converse apenas o indispensável 
com a equipe de serviço; 
● Quando a ambulância em movimento, o rádio 
deverá ser acionado por outro integrante da 
equipe; 
6. Inspeção Veicular 
Todo veículo, inclusive a ambulância, dispõe de 
equipamentos e sistemas importantes para evitar 
situações de perigo que possam levar a acidentes, 
como pneus, sistema de freios, iluminação, 
suspensão, direção, etc. 
Todos os componentes e equipamentos do veículo, 
se desgastam com o uso; o desgaste de um 
componente pode prejudicar o funcionamento de 
outros e comprometer a segurança. Isso deve ser 
evitado, observando-se a vida útil e a durabilidade 
definida pelos fabricantes doscomponentes, 
dentro de condições específicas de uso. 
É de responsabilidade do motorista, em toda 
passagem de serviço, ao assumir a ambulância, 
realizar a manutenção preventiva e verificar o 
funcionamento de itens obrigatórios. A observação 
é simples seja pela inspeção do painel ou inspeção 
visual/manual. 
Realizar uma ficha de vistoria da ambulância, para 
facilitar o acompanhamento das manutenções e as 
condições gerais da ambulância, onde deverá 
conter: Identificação da ambulância, kilometragem, 
data, nome do motorista e deixar um espaço para 
anotar observações apontadas pelo motoristas que 
está saindo de serviço. 
Deverá ainda verificar obrigatoriamente: 
● Indicador do nível de combustível; 
● Observar os reservatórios do nível de óleo do 
motor, do sistema de freio, direção hidraúlica e 
sistema de transmissão (câmbio); 
● Certifique-se que não há vazamentos presentes, 
ou sinais de consumo excessivo; 
● Aferir as condições dos filtros de ar e óleo; 
marcar na ficha de apontamentos a quilometragem 
para a troca destes itens; 
● Nível do reservatório da água do radiador e do 
reservatório do limpador do pára-brisa; 
● Palhetas do limpador do pára-brisa, se estiverem 
danificadas ou ressecadas, solicite a substituição; 
● Funcionamentos das luzes dos faróis, luzes baixa, 
média e alta; 
● Funcionamento dos piscas, da luzes traseira, luz 
de ré e de freio; 
● Verificar sirene,luzes de emergência; 
● Pneus : verifique as condições gerais, desgastes, 
profundidade dos sulcos, existência de 
deformidades; 
● Calibragem: deve ser feita para as ambulâncias, 
pelo menos uma vez a cada três dias, siga as 
recomendações do fabricante para as libras de 
pressão necessárias (não esqueça do estepe); 
● Verifique, os cintos de segurança, freio de mão, 
espelhos retrovisores, extintor de incêndio; 
● Verificar as mangueiras (combustível, óleo e 
água), procurando por vazamentos, ressecamentos 
e encaixes, os quais podem romper as mesmas; 
● Verificar visualmente as correias, atenção para a 
kilometragem recomendada para troca pelo 
fabricante. 
Importante, é anotar todas as alterações 
encontradas, repassar imediatamente ao 
responsável para que providencie a imediata 
substituição, avise sempre durante a passagem de 
serviço, mostrando a ficha de apontamentos para o 
motorista que estará assumindo a ambulância; 
quando houver qualquer alteração das peças 
acima, bem como a troca ou complemento do óleo 
da e água, também deverá ser anotado para 
controle. Percebendo qualquer tipo de situação 
anormal com a ambulância, barulhos que não são 
normais, falhas de acionamento elétrico ou do 
motor, sons estranhos, etc., comunicar 
imediatamente, para evitar que o problema se 
agrave. Não se esqueça a vítima pode ser você. 
Assim você estará fazendo a sua parte, cuidando 
do bem público, aumentando a vida útil do veículo. 
7. Velocidade e Tempo de Reação 
Do ponto de vista da segurança devemos estar 
sempre muito atentos na condução de um veículo, 
pois a qualquer momento pode ser necessário 
tomar uma ação rápida para evitar se envolver em 
um acidente de trânsito. Quando um motorista 
precisar frear bruscamente, o seu automóvel deve 
ter uma distância mínima do veículo que segue à 
frente para garantir a sua segurança e a dos 
outros. Mesmo que as condições do motorista, do 
automóvel, dos freios, dos pneus e do asfalto 
sejam as melhores possíveis, existe um 
determinado tempo para que o motorista possa 
reagir a uma situação de risco. Esse tempo é 
denominado TEMPO DE REAÇÃO que varia de 
pessoa para pessoa (+ ou – de 0,75 a 1,5 segundo) 
e é decorrente de um estímulo e uma reação 
efetiva do condutor (resposta). Já a DISTÂNCIA DE 
REAÇÃO é o espaço percorrido pelo veículo no 
instante em que o motorista percebeu uma 
situação de risco potencial a sua frente, até o 
momento em que ele acionou o sistema de freios 
do seu veículo. Do momento em que o motorista 
acionou o pedal de freios até o ponto em que o 
veículo parou – nesse segmento, que varia segundo 
o estado dos freios, dos pneus, das condições da 
via pública (seca, rugosa, lisa, molhada, aclive, 
declive) – essa distância percorrida pelo veículo é 
chamada de DISTÂNCIA DE FRENAGEM. Para 
sabermos qual é o espaço necessário para parar o 
veículo, deve-se somar a distância de reação à 
distância de frenagem. Quando estamos logo atrás 
de outro veículo é indispensável que exista uma 
distância de segurança que nos permita imobilizar 
o automóvel sem colidir com o veículo da frente, 
em caso de uma freada ou manobra brusca. Essa 
distância varia de acordo com a velocidade 
desenvolvida e a permitida para o local. A tabela 
3.1 nos proporcionará uma idéia dos tempos de 
reação, distância de reação e de velocidade, 
necessários para um veículo parar em diferentes 
velocidades: 
 
Existem vários tipos de colisão que podem 
acontecer com o seu veículo, e os comportamentos 
perigosos dos condutores nas vias também são 
bem variados, mas o fator mais comum nos 
acidentes é não ter conseguido desviar ou parar a 
tempo o seu veículo, evitando a colisão. 
8. Como Parar 
Você, condutor defensivo, deve conhecer os tipos 
de paradas do veículo, tempo e distância 
necessários para cada uma delas. 
 
● Distância de seguimento – É aquela que você 
deve manter entre o seu veículo e o que vai à 
frente, de forma que você possa parar, mesmo 
numa emergência, sem colidir com a traseira do 
outro. O ideal é manter a distância de 
aproximadamente dois segundos em relação a um 
ponto fixo. 
● Distância de reação – É aquela que seu veículo 
percorre, desde o momento que você vê a situação 
de perigo, até o momento em que pisa no freio. Ou 
seja, desde o momento em que o condutor tira o pé 
do acelerador até colocá-lo no freio. Varia de 
pessoa para pessoa, mas no geral está entre 0,75 e 
1,5 segundos. 
● Distância de frenagem – É aquela que o veículo 
percorre depois de você pisar no freio até o 
momento total da parada. Você sabe que o seu 
veículo não pára imediatamente, não é mesmo? 
● Distância de parada – É aquela que o seu veículo 
percorre desde o momento em que você vê o 
perigo e decide parar até a parada total do seu 
veículo, ficando a uma distância segura do outro 
veículo, pedestre ou qualquer objeto na via. Ou 
seja, é a soma da distância da reação com a 
distância da frenagem. 
9. Distância Segura 
Para você saber se está a uma distância segura 
dos outros veículos, vai depender das condições 
climáticas (sol ou chuva), da velocidade, das 
condições da via, dos pneus e do freio do carro, da 
visibilidade e da sua capacidade de reagir 
rapidamente. 
Existem tabelas e fórmulas para você calcular esta 
distância, principalmente nas rodovias, mas como 
elas variam muito, e dependem além do tipo e peso 
do veículo, de outros fatores que também variam 
muito, o melhor é manter-se o mais longe possível 
(dentro de um juízo de bom senso), para garantir a 
sua segurança. 
 
Porém, para manter uma distância segura entre os 
veículos nas rodovias, sem a utilização de 
cálculos, fórmulas ou tabelas, vamos lhe ensinar a 
usar "o ponto de referência fixo": 
● Observe a estrada à sua frente e escolha um 
ponto fixo de referência (à margem) como uma 
árvore, placa, poste, casa, etc. 
● Quando o veículo que está à sua frente passar 
por este ponto, comece a contar pausadamente: 
mil e um, mil e dois. (mais ou menos dois 
segundos). 
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência 
antes de contar (mil e um e mil e dois), deve 
aumentar a distância, diminuindo a velocidade, 
para ficar em segurança. 
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência 
após você ter falado as seis palavras, significa que 
a sua distância, é segura. 
● Este procedimento ajuda você a manter-se longe 
o suficiente dos outros veículos em trânsito, 
possibilitando fazer manobras de emergênciaou 
paradas bruscas necessárias, sem o perigo de uma 
colisão. 
10. Dirigindo uma Ambulância 
10.1. Responsabilidade do Motorista de uma 
Ambulância 
No atendimento pré-hospitalar a vítimas de 
emergências, o papel do motorista da equipe 
reveste-se especial importância, sem ele a unidade 
de atendimento não se desloca e dele depende a 
segurança do conjunto socorrista-vítima, adotado 
em sua cidade: 
Para desempenhar bem o seu papel o motorista da 
unidade de emergência deve: 
● Ser habilitado, atualmente o CTB, exige a 
categoria ―D‖, para ser motorista de ambulância; 
● Ter feito pelo menos um curso de direção 
defensiva; 
● Conhecer a cidade e dominar seu sistema viário, 
conhecendo as principais referências para se 
situar em qualquer bairro; 
● Saber situar com rapidez o destino para o qual é 
despachado e saber obter informações adicionais 
da central de operações, via rádio, para melhor 
localizar o destino exato; 
● Decidir-se pelo caminho mais rápido e seguro e 
dirigir-se diretamente para o local; 
● Dirigir com a rapidez possível, dando prioridade 
total á segurança da ambulância e sua equipe, dos 
demais veículos e seus ocupantes e dos pedestres; 
● Estacionar a ambulância cuidadosamente e em 
segurança; 
● Participar do atendimento da vítima (o ideal é que 
o motorista também seja socorrista); 
● Conhecer as lesões apresentadas pela vítima e o 
tipo de atendimento que deverá receber em rota, 
dirigindo de modo compatível com a segurança; 
● Cuidados com freadas bruscas, lombadas, 
deformações na pista, evitando agravar as lesões; 
● Usar o caminho menos acidentado e mais direto 
para o hospital destinado a receber vítima; 
● Usar de modo apropriado a sinalização da 
ambulância; 
● Administrar seu tempo de folga garantindo 
repouso pessoal adequado a um desempenho 
seguro. 
10.2. Sinalização da Ambulância 
A sinalização da ambulância tem por finalidade 
assinalar aos demais motoristas e pedestres a 
presença de um veículo deslocando-se em regime 
de urgência, seja para chegar a um local onde um 
atendimento foi requisitado, seja por estar 
transportando uma pessoa em estado crítico, 
necessitando chegar a um hospital ao menor 
tempo possível, com segurança máxima. Somente 
nestes casos está indicado e justificado o uso da 
sinalização especial do veículo. 
A sinalização tem limitações no seu alcance, não 
garante que todos irão percebela, nem tampouco 
garante que aqueles que perceberam vão colaborar 
e lhe dar passagem. Ou seja, embora usando toda a 
sinalização disponível, ainda assim o condutor da 
ambulância deve tomar todos os cuidados 
prescritos pela prática da direção defensiva. 
A luz vermelha é mais eficaz como sinalização 
dirigida para os veículos que transitam em sentido 
oposto. A sirene é mais efetiva para alertar os 
motoristas dos veículos à frente da ambulância, 
devendo ser ligada com antecedência, para ser 
ouvida de longe (acionar a sirene logo atrás do 
veículo da frente pode assustar o motorista, 
fazendo-o frear bruscamente, com risco de 
colisão). O comportamento desejado (e nem 
sempre produzido) é de que o condutor do veículo à 
frente libere a passagem, retirando seu veículo o 
mais o para a direita possível e parando até que o 
veículo de emergência ultrapasse. Quando mais de 
um veículo de emergência está em deslocamento, 
a distância mínima entre eles deve ser de 150 
metros. Veículos de emergência não devem se 
ultrapassar. 
10.3. Transportando uma Vítima 
Poucas emergências exigem o deslocamento 
urgente para o hospital. Entre elas destaca-se a 
hemorragia incontrolável e os casos de nível 3. 
Mesmo neste caso, entretanto, a segurança 
continua tendo prioridade sobre a urgência, uma 
vez que um acidente envolvendo a ambulância 
produzirá considerável atraso na chegada da vítima 
ao seu destino. 
Nas emergências em que o diagnóstico pré-
hospitalar da vítima não seja muito grave (nível 1 e 
2), portanto, em que a urgência seja relativa, o 
deslocamento suave impede que as lesões 
apresentadas pela vítima sofram agravos 
secundários, decorrentes de solavancos, 
deslizamentos e deslocamentos, sendo de todo 
desejável. Isto é particularmente verdadeiro se a 
vítima apresenta fraturas, especialmente aquelas 
com lesão associada de vasos sangüíneos e 
nervos. 
Nos pacientes com problemas cardiológicos, o 
tranporte deve ser o menos turbulento possível. 
São pacientes que experimentam uma aguda 
sensação de morte iminente, que pode ser 
acentuada pela remoção tumultuada. Em princípio 
está contra indicado o uso da sinalização da 
ambulância, especialmente a sirene. Se o paciente 
encontra-se em parada cardio-respiratória, é claro 
que há urgência em se chegar ao hospital. 
Entretanto, a equipe não pode manter uma RCP 
adequada se a ambulância estiver se deslocando 
em alta velocidade, o que impede manobras 
efetivas. 
Pacientes psiquiátricos também se sentem melhor 
e mais cooperativos se transportados sem a 
sinalização sonora. 
Nas emergências obstétricas, o transporte também 
deve ser calmo e cuidadoso. Se o parto se 
desencadeia, o melhor a fazer é estacionar a 
ambulância em segurança e ajudar na realização 
do mesmo e no cuidado do recém-nato, após o que 
pode-se prosseguir até o hospital. 
10.4. Seqüência de Procedimentos ao Estacionar a 
Ambulância 
● Aproximar-se do local da emergência com 
cautela; 
● Avaliar a área de estacionamento a ser utilizada; 
● Observar as condições de risco do local para 
pessoas e coisas; 
● Decidir sobre o local de estacionamento com 
base no emprego da ambulância, facilitando o 
embarque da vítima; 
● Avisar o COBOM de sua chegada e das condições 
encontradas; 
● Estacionar de forma que se permita , se possível, 
a fluidez do trânsito, deixando espaço para outras 
viaturas; 
● Posicionar as viaturas de forma a proteger as 
guarnições; 
● Calçar a viatura e estabilizá-la quando for o caso; 
● Sinalizar a viatura e o local escolhido; 
● Isolar a área; 
● Informar o COBOM sobre as áreas de 
estacionamento, e qualquer informação que auxilie 
as outras viaturas que poderão ser deslocadas ao 
sinistro. 
 3° Módulo: Cinemática do Trauma 
1. Introdução 
Trauma é uma lesão caracterizada por uma 
alteração estrutural ou fisiológica resultante da 
ação de um agente externo que resulta na 
exposição a uma energia (mecânica, térmica, 
elétrica), esta energia pode ter origens bio-físico-
químicas. 
As mortes ocasionadas por traumas ocupam entre 
a segunda ou terceira posição geral na morbidade 
dos países, (perdendo apenas para as doenças 
cardiovasculares e neoplasias). Porém entre os 
indivíduos das faixas etárias inferiores a 40 anos é 
a principal causa de morte. 
Cada vítima de trauma aparenta ter suas próprias 
apresentações de lesões, mas na verdade muitos 
pacientes possuem métodos similares de 
traumatismos. O conhecimento destes 
mecanismos de lesões permitirão ao médico e 
socorrista um rápido diagnóstico ou pelo menos a 
suspeita das lesões através de métodos usuais. 
No atendimento inicial do traumatizado devemos 
apreciar criteriosamente os mecanismos que 
produziram os ferimentos. Entendendo os 
mecanismos de trauma e mantendo um alto grau 
de suspeita, o socorrista ganha em aptidão para 
diagnosticar os ferimentos ocultos e um precioso 
tempo na instituição do tratamento. Todo 
ferimento potencialmente presente deve ser 
investigado, tendo em vista o mecanismo de 
trauma em questão.―Saber onde procurar lesões e 
tão importante quanto saber o que fazer após 
encontra- las‖ 
Embora existam vários mecanismos de trauma os 
mais comuns relacionam-se com o movimento, 
respondendo pela maioria das mortes por trauma. 
Cinemática do Trauma é portanto o processo de 
análise e avaliação da cena do acidente, com o 
escopo de se estabelecer um diagnóstico o mais 
precoce possível das lesões resultantes da 
energia, força e movimentosenvolvidos. Através da 
cinemática do trauma o socorrista pode informar 
ao médico intervencionista e/ou regulador dados de 
suma importância para o tratamento mais 
adequado a ser dispensado na fase hospitalar, e 
também guiar seu próprio atendimento pré-
hospitalar. Esta ciência é baseada em princípios 
fundamentais da física: 
- Primeira Lei de Newton -"Todo corpo permanece 
em seu estado de repouso ou de movimento 
uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado 
a mudar seu estado por forças impressas a ele." - 
Princípio da Inércia. (Mesmo que um carro colida e 
pare, as pessoas no seu interior continuam em 
movimento até colidirem com o painel, direção, 
pararias etc.) 
Mas, por que este repentino início ou parada de 
movimento resulta em trauma ou lesões? Esta 
questão é respondida por um segundo princípio da 
Física: 
―A energia pode ser transformada de uma forma em 
outra em um sistema isolado, mas não pode ser 
criada ou destruída; a energia total do sistema 
sempre permanece constante‖. Considerando-se o 
movimento de um carro como uma forma de 
energia (energia cinética), quando o carro colide, 
esta forma de energia é transformada em outras 
(mecânica, térmica, elétrica, química). 
 
Conclui-se que quanto maior a velocidade, maior a 
troca de energia resultando assim em maiores 
danos aos organismos envolvidos. 
Para que um objeto em movimento perca 
velocidade é necessário que sua energia de 
movimento seja transmitida a outro objeto. Esta 
transferência de energia ocorre quando, por 
exemplo um objeto em movimento colide contra o 
corpo humano ou quando o corpo humano em 
movimento é lançado contra um objeto parado, os 
tecidos do corpo humano são deslocados 
violentamente para longe do local do impacto pela 
transmissão de energia, criando uma cavidade, 
este fenômeno chama-se cavitação. A avaliação da 
extensão da lesão tecidual é mais difícil quando 
não existe penetração cutânea do que quando há 
uma lesão aberta. Por exemplo, um soco desferido 
no abdome pode deformar profundamente a parede 
abdominal sem deixar marcas visíveis 
externamente, mas com lesão de órgãos 
abdominais internos. Por isso é obrigatório 
pesquisar a história do evento traumático. Uma 
cavidade com deformação visível após um impacto 
é definida como permanente. Já uma cavidade (ou 
deformidade) não visualizada quando o socorrista 
ou médico examina a vítima é definida como 
temporária, na qual o tecido retorna para a sua 
posição normal. A diferença entre as duas está 
relacionada a elasticidade dos tecidos. 
 
Fig 4.1 – Fenômeno da cavitação gerando cavidade 
temporária e definitiva nos ferimentos por projétil 
de arma de fogo 
Analisando o mecanismo de trauma é possível ao 
socorrista estimar o tamanho da cavidade no 
momento do impacto, assim como as demais 
lesões decorrentes do mesmo. 
2. Fases da Cinemática do Trauma 
Na avaliação da cinemática do evento que possa 
causar traumatismos em um indivíduo podemos 
dividir sua evolução em 3 fases: Pré-colisão, 
Colisão e Pós-colisão. (Consideremos a colisão não 
apenas como acidente automobilístico mas 
também colisão de qualquer objeto, corpo ou forma 
de energia contra o corpo humano). 
2.1. Pré-colisão: A história do incidente 
traumatizante começa com a pré-colisão com 
dados como ingestão de álcool ou drogas, doenças 
preexistentes, condições climáticas e ainda 
tamanho, peso, idade e sexo da vítima e/ou 
agressor. 
2.2. Colisão: A segunda e talvez a mais importante 
fase na anamnese do trauma é a ―fase da colisão 
propriamente dita‖, fase esta que começa quando 
um objeto colide com outro e ocorre uma 
transmissão de energia entre eles. Os objetos 
podem estar em movimento ou um deles 
estacionado, e qualquer um dos objetos ou ambos, 
podem ser um corpo humano. Esta fase começa 
pelo início das trocas e transformações 
energéticas entre os corpos e termina quando a 
ação energética se extingue ou deixa de atuar 
sobre o organismo da vítima. 
São considerações importantes para o 
atendimento: 
● A direção na qual a variação de energia ocorreu. 
● Quantidade de energia transmitida. 
● Forma com que estas forças afetaram o paciente. 
(Exemplo: altura da queda, calibre da arma, 
tamanho da lâmina). 
2.3. Pós-colisão: As informações conseguidas nas 
fases anteriores são usadas para melhor 
abordagem da vítima na fase pós-colisão, fase esta 
que inicia tão logo a energia se extingua ou deixe 
de atuar sobre o organismo da vítima. 
3. Trauma Contuso x Trauma Penetrante 
 
Está diretamente relacionado ao tamanho da 
superfície de contato do objeto contra o corpo no 
momento do impacto. 
 Se toda a energia do objeto está concentrada 
numa pequena área de contato com a superfície do 
corpo, se espera que a pele se rompa e o objeto 
penetre no corpo (trauma penetrante). Por outro 
lado, um objeto grande, a energia vai se espalhar 
por uma grande área da superfície corporal e a pele 
pode não ser rompida (trauma contuso). Da mesma 
forma podemos concluir que o trauma contuso cria 
uma cavidade temporária, já no trauma penetrante 
a cavidade pode ser temporária ou definitiva. Por 
exemplo: um projétil de arma de fogo, rompe e 
penetra na pele cavidade definitiva — e no seu 
trajeto pelo corpo pode provocar deslocamento de 
tecidos no sentido frontal e lateral — cavidade 
temporária. 
De acordo com o exposto, podemos deduzir que o 
efeito do conjunto de forças que resulta em lesões 
corporais está diretamente relacionado ao 
conhecimento da anatomia do corpo humano e das 
diversas formas de energia. 
 
Considerando-se portanto, a relevância do 
movimento nos mecanismos de trauma, é 
obrigatória a análise clínica da vítima focada nos 
aspectos relacionados a cinemática dos corpos 
envolvidos na cena do acidente. 
O conhecimento da ocorrência de permuta de 
energia e de suas variáveis pela equipe de resgate, 
tem grande importância prática. Isto pode ser 
evidenciado quando se compara duas equipes que 
atendem um motorista que se chocou 
violentamente contra o volante. A que conhece 
cinemática do trauma, mesmo não reconhecendo 
lesões externas, saberá que ocorreu uma 
cavitação temporária e uma grande desaceleração 
suspeitando de lesões de órgãos intratorácicos. 
Com isso, a conduta será mais agressiva, 
minimizando a morbi-mortalidade dos 
pacientes. Já a que não tem estes conhecimentos, 
não suspeitará de lesões de órgãos intratorácicos, 
retardando o diagnóstico e conduta das mesmas, 
influenciando diretamente na sobrevida dos 
pacientes. 
4. Mecanismos de Lesão 
4.1. Acidente Automobilístico – Colisão Frontal 
4.1.1. Cabeça e Pescoço: Quando a cabeça colide 
contra o para-brisa geralmente ocorrem ferimentos 
corto-contusos em crânio e face, com possíveis 
lesões nos olhos, o crânio pode ser ainda 
comprimido e fraturado ocorrendo a penetração de 
fragmentos ósseos no cérebro. A coluna cervical 
sofre uma violenta compressão podendo ser 
angulada além de seus limites anatômicos, 
podendo sofrer luxações e/ou rupturas de vértebras 
com consequentes lesões aos tecidos moles do 
pescoço e medula espinhal. 
4.1.2. Tórax e Abdômen: Durante uma colisão, o 
movimento do corpo é suspenso, mas os órgãos da 
cavidade torácica e abdominal tendem a continuar 
o movimento para frente, estando sujeitos a se 
romperem no ponto onde estão ligados à parede 
torácica e abdominal, como no pedículo vascular 
de órgãos (aorta ascendente, rins, baço, intestino 
delgado e grosso). Outra situação em 
conseqüência da desaceleração é a laceração do 
fígado, geralmente pela compressão do abdômen 
contra o volante. Com o aumento de pressão no 
abdômen, pode haver ruptura do diafragma. 
 
 
4.1.3. Joelho: Quando o ocupante do veículo 
continua o movimento para a frente e para baixo 
depois que o carro para, o impacto do joelho contra 
o painel do veículo resulta em sua fratura ouluxação, com lesão de vasos que, se não 
detectada, pode levar até à amputação da perna. 
A energia do impacto do joelho contra o painel, se 
transmitida, causa fratura de fêmur e/ou fratura e 
luxação de quadril. Esse tipo de fratura costuma 
provocar forte hemorragia, pondo em risco a vida 
da vítima. 
 
4.2. Acidente Automobilístico – Colisão Traseira 
Se o veículo parado ou que se desloca lentamente 
sofre colisão na parte traseira, a energia do 
impacto provoca aceleração rápida e o lança à 
frente, assim como tudo o que está em contato 
com ela. Se não houver apoio para a cabeça, pode 
acontecer a hiperextensão do pescoço e o risco de 
lesão na medula espinhal. Geralmente, após a 
aceleração rápida, o veículo é obrigado a parar 
subitamente e seus ocupantes lançados para a 
frente, como no mecanismo de colisão frontal. 
Como o veículo sofre dois tipos de impacto (frontal 
e traseiro), o socorrista ficará atento a essa 
possibilidade e, na cena do acidente, buscará as 
lesões relacionadas aos dois tipos de situação. 
 
4.3. Acidente Automobilístico – Colisão Lateral 
O veículo sofre colisão na sua lateral, causando 
deslocamento no sentido do impacto. Toda a 
lataria do veículo é lançada sobre o lado do 
ocupante, que sofrerá lesões por duas maneiras: 
Pelo movimento do carro – lesão bem-discreta se o 
passageiro estiver com o cinto de segurança. 
Pela projeção da porta para o interior, comprimindo 
o passageiro. 
Recebendo o impacto no tórax, haveria fratura de 
costelas pelo lado da colisão, além de contusão 
pulmonar, tórax instável, ruptura de fígado ou 
baço. A compressão do ombro contra a clavícula 
causaria fratura desse osso. 
A força lateral aplicada pela porta do veículo sobre 
a cabeça do fêmur, forçando-o medialmente, 
resultaria em sua fratura e em fratura da pelve. 
A coluna cervical está sujeita a flexão lateral e 
rotação pelo impacto lateral, e a combinação 
desses dois movimentos é responsável por lesões 
graves de coluna cervical. 
O socorrista também deve estar atento à 
possibilidade de colisão dos ocupantes do veículo 
entre si, principalmente entre cabeças e ombros. 
4.4. Acidente Automobilístico – Capotamento 
Num capotamento, o carro sofre uma série de 
impactos em diferentes ângulos, assim como os 
ocupantes do veículo e seus órgãos internos. 
Assim, todos os tipos de ferimentos mencionados 
anteriormente podem ser esperados, além da 
probabilidade de trauma de coluna vertebral. Se as 
vítimas forem ejetadas do veículo (por estarem 
sem cinto de segurança), a situação geralmente é 
grave. 
4.5. Cinto de Segurança 
A maior parte das vítimas com as lesões descritas 
anteriormente não estava utilizando o cinto de 
segurança. Vinte e sete por cento (27%) das 
mortes que ocorrem nos acidentes de trânsito se 
devem ao fato de as vítimas serem ejetadas do 
veículo. Estas têm seis vezes mais chances de 
morrer. Entre as vítimas que não vão a óbito, 
grande parte sofre trauma de coluna e fica com 
seqüelas graves. 
As estatísticas comprovam que o cinto de 
segurança realmente salva vidas, considerando-se 
mais adequado aquele que cruza tórax e abdômen 
e atravessa a pelve (cinto de 3 pontos). 
Nos acidentes automobilísticos cujas vítimas 
utilizam o cinto de segurança, as lesões 
geralmente são poucas e de menor gravidade. 
Quando o cinto utilizado apóia somente a pelve, a 
energia do impacto é absorvida pelos tecidos 
moles da cavidade abdominal, em retroperitônio, 
predispondo a lesões de órgãos abdominais 
internos. 
Ainda assim, seguramente, as lesões são menos 
graves do que as de quem não usa qualquer cinto 
de segurança. 
Para crianças até 10 anos de idade é obrigatória a 
permanência no banco traseiro do veículo, e ainda 
existem cuidados especiais conforme a tabela 
abaixo: 
 
4.6. "Airbag" 
Bastante útil na colisão frontal, o air bag absorve a 
energia lentamente, aumentando a distância de 
parada do corpo na desaceleração rápida, o que 
amortece o impacto do corpo contra o interior do 
veículo. 
Não registra grande benefício na colisão lateral, na 
colisão traseira, no capotamento e tampouco numa 
segunda colisão, visto que ele desinsufla 
rapidamente após o impacto. 
 
4.7. Acidente Automobilístico – Acidente de 
Motocicleta 
Os acidentes de motocicleta são responsáveis por 
grande número de mortes todos os anos. O 
mecanismo de trauma é o mesmo da colisão de 
veículo e segue as leis da Física. 
Numa colisão frontal contra um objeto, a moto 
inclina-se para a frente e o motociclista é jogado 
contra o guidom, esperando-se trauma de cabeça, 
tórax e abdômen. Caso pés e pernas permaneçam 
fixos no pedal e a coxa colida contra o guidom, 
pode ocorrer fratura bilateral de fêmur. 
Na colisão lateral do motociclista, geralmente há 
compressão de membros inferiores provocando 
fraturas de tíbia e fíbula. a lesão, irradiando-se a 
energia para o resto do corpo. Como nos 
automobilísticos, geralmente as lesões são muito 
graves nesse tipo de acidente. 
4.8. Acidente Automobilístico – Atropelamento 
Na abordagem de vítima de atropelamento, é 
importante conhecer sua idade, pois existem 
mecanismos distintos de trauma entre adultos e 
crianças. Quando o adulto percebe estar prestes a 
ser atropelado, ele se vira de costas para o veículo, 
na tentativa de se proteger; logo, as lesões se 
localizam nas regiões posterior e lateral do corpo. 
Por outro lado, as crianças encaram o veículo 
atropelador de frente. 
Existem três fases no atropelamento: 
● Impacto inicial nas pernas, às vezes atingindo 
coxa e quadril; 
● Tronco lançado contra o capô do veículo; 
● Vítima caída no asfalto – geralmente o primeiro 
impacto na cabeça, com possibilidade de trauma 
de coluna cervical. 
Concluímos que se espera grande número de 
lesões em vítima de atropelamento, conforme 
análise de cada fase: fraturas de tíbia e fíbula, de 
pelve e terço superior de fêmur, trauma de tórax, 
abdômen e coluna vertebral, traumatismo craniano. 
Na avaliação da cena do acidente, o socorrista 
deve determinar se, após o atropelamento a vítima 
não foi atropelada uma segunda vez por veículo 
que trafegava próximo. 
Na criança, pelo fato de ser menor em altura, o 
fêmur ou pelve pode sofrer o primeiro impacto e 
fraturar já na primeira fase. Seguem trauma de 
tórax, cabeça e face. Lesões intratorácicas em 
crianças inicialmente seriam assintomáticas, 
devendo o socorrista estar atento a essa 
possibilidade. 
4.9. Quedas 
A queda se caracteriza por uma desaceleração 
vertical rápida. 
No atendimento às vítimas de queda, o socorrista 
deve conhecer: 
● altura da queda; 
● tipo de superfície com que a vítima colidiu. 
Exemplos: gramado, concreto etc.; 
● parte do corpo que sofreu o primeiro impacto. 
Como a velocidade na queda aumenta com a 
altura, grandes alturas predispõem a lesões mais 
graves. 
Como referência, considera-se grave a queda de 
altura três vezes maior que a altura da vítima. 
Chamamos de "síndrome de Don Juan" a queda de 
altura com aterrissagem pelos pés. Conforme a 
altura, acontece fratura bilateral de calcâneos. 
Após os pés, as pernas são as próximas partes a 
absorver a energia - fratura de tornozelos, ossos 
longos e quadril. No terceiro momento, verificar 
fratura com compressão de coluna torácica e 
lombar. 
Se a vítima apóia as mãos na queda, espera-se 
fratura de punho. 
Assim, cabe-nos determinar a parte do corpo que 
sofreu o primeiro impacto e, conseqüentemente, 
deduzir as lesões relacionadas. 
4.10. LESÕES POR EXPLOSÃO 
Essas lesões, antes relacionadas somente aos 
períodos de guerra, estão tornando-se cada vez 
mais comuns no mundo civilizado, visto 
acontecerem em refinarias, lojas de fogos de 
artifício, estaleiros, indústrias, minas e também em 
domicílios, pela explosão de botijões de gás. 
A explosão tem três fases: 
● Causada pela onda de pressão proveniente da 
explosão,atinge particularmente órgãos ocos ou 
contendo ar, como pulmões e aparelho 
gastrointestinal. Podem ocorrer sangramento 
pulmonar, pneumotórax, perfuração de órgãos do 
aparelho digestivo. A onda de pressão rompe a 
parede de pequenos vasos sangüíneos e também 
lesa o sistema nervoso central. A vítima morre sem 
que se observem lesões externas. O socorrista, 
sempre atento a essas possibilidades, pesquisa 
sinais de queimadura nas áreas descobertas do 
corpo. 
● Em vítima atingida por estilhaços e outros 
materiais provenientes da explosão, é possível 
encontrar lace rações, fraturas, queimaduras e 
perfurações. 
● Se a vítima é lançada contra um objeto, haverá 
lesões no ponto do impacto e a força da explosão 
se transfere a órgãos do corpo. Elas são aparentes 
e muito similares àquelas das vítimas ejetadas de 
veículos ou que sofrem queda de grandes alturas. 
5. Traumas Penetrantes 
5.1. Ferimentos Por Arma Branca 
A gravidade dos ferimentos por arma branca 
depende das regiões anatômicas atingidas, da 
extensão da lâmina e do ângulo de penetração, 
lembrando que o ferimento no abdômen superior 
pode atingir o tórax, e ferimentos abaixo do quarto 
É fundamental, no atendimento préhospitalar de 
ferimentos por arma branca, cuja lâmina ainda se 
encontre alojada no corpo, não remover o objeto e, 
sim, imobiliário junto ao corpo e transportar 
rapidamente a vítima ao hospital. 
A lâmina pode estar promovendo compressão das 
extremidades vasculares, o que contém 
hemorragias, só devendo ser removida em 
ambiente hospitalar. 
5.2. Ferimentos Por Arma de Fogo 
No atendimento a vítimas de acidentes por arma de 
fogo, o sococorrista tenta informar-se sobre o tipo 
da arma, seu calibre e a distância de onde foi 
disparada. 
Calibre - diâmetro interno do tambor, que 
corresponde ao calibre da munição usada por 
aquela arma em particular. 
Munição - usualmente projéteis construídos em liga 
de chumbo sólido que apresentam ou não uma 
jaqueta parcial de aço ou cobre; formato 
arredondado, chato, cônico ou pontiagudo; 
extremidade anterior do projétil macio ou côncavo 
para favorecer expansão e fragmentação. 
Armas de alta e de baixa velocidade - as que 
aceleram os projéteis a velocidades mais baixas 
são menos letais, incluindo-se aqui todas as armas 
de mão e alguns rifles. Ferimentos com essas 
armas são menos destrutivos que os produzidos 
por projéteis que alcançam altas velocidades, 
embora também causem ferimentos letais, 
dependendo da área de impacto. 
Fatores que contribuem para o dano tecidual. 
Tamanho do projétil - quanto maior o projétil, maior 
a resistência oferecida pelos tecidos e maior a 
lesão produzida por sua penetração. 
Deformidade do projétil - projéteis de "extremidade 
anterior macia" achatam-se na ocasião do impacto, 
resultando no comprometimento de superfície 
maior. 
Projétil com jaqueta - a jaqueta se expande e amplia 
a superfície do projétil. 
Giro - o giro do projétil amplia seu poder de 
destruição. 
Desvio - o projétil pode oscilar vertical e 
horizontalmente ao redor do seu eixo, ampliando a 
área de destruição. 
Distância do tiro - quanto mais próximo o disparo, 
maior a lesão produzida. 
Densidade dos tecidos atingidos - o dano produzido é 
proporcional à densidade do tecido. 
Órgãos altamente densos, como ossos, músculos e 
fígado, sofrem mais danos do que os menos 
densos, lembrando que, ao percorrer o corpo, a 
trajetória da bala nem sempre será retilínea, 
sofrendo desvios e atingindo órgãos insuspeitados, 
considerando os orifícios de entrada e saída. 
Ferida de entrada; Geralmente óbvia, pode não ser 
identificada se a vítima não for completamente 
despida e examinada. 
Ferida de saída; Nem sempre existe (se o projétil 
não abandonar o corpo) e pode ser múltipla para 
um único projétil, devido à sua fragmentação ou à 
de ossos. Geralmente a ferida de saída é mais 
larga que a de entrada e apresenta bordos 
lacerados. 
Feridas internas; Projéteis em baixa velocidade 
danificam principalmente os tecidos com os quais 
entram em contato. A alta velocidade produz 
prejuízos a distância, lesando tanto os tecidos com 
que o projétil faz contato, como transferindo 
energia cinética aos tecidos em redor. Nesse caso, 
a lesão é produzida por ondas de choque e pela 
formação de uma cavidade temporária ao redor da 
bala, com diâmetro trinta a quarenta vezes maior 
que o dela própria, criando imensa pressão nos 
tecidos. 
Com relação ao atendimento de paciente com 
ferimento por arma de fogo, transportá-Io 
rapidamente ao hospital, principalmente se o 
ferimento atingir cabeça, tórax e abdômen. Mesmo 
pessoas atingidas enquanto usavam coletes à 
prova de bala podem apresentar contusões 
orgânicas graves, sendo mais sérias a miocardíaca 
e a pulmonar. 
 
4° Módulo: Equipamentos utilizados no 
atendimento 
1. Introdução 
No atendimento a uma situação de emergência é 
essencial que a viatura destinada a atender estes 
tipos de ocorrência, esteja equipada com todo o 
equipamento e material indispensável a oferecer 
assistência pré-hospitalar a vítima traumatizada. 
Além disso, a guarnição escalada na viatura deve 
estar perfeitamente treinada, com conhecimento 
profundo quanto à identificação rápida dos 
equipamentos e materiais, bem como, das técnicas 
de utilização dos mesmos, tornando assim o 
atendimento ágil e eficiente. 
2. Classificação dos Equipamentos e Materiais 
Para fins didáticos, estaremos classificando os 
equipamentos e materiais da seguinte forma: 
● Equipamentos de comunicação móvel e portátil; 
● Equipamentos para segurança no local do 
acidente; 
● Equipamentos de reanimação e administração de 
oxigênio; 
● Equipamentos de imobilização e fixação de 
curativos; 
● Materiais utilizados em curativos; 
● Materiais de uso obstétrico; 
● Equipamentos para verificação de sinais vitais; 
● Macas e acessórios; 
● Equipamentos de uso exclusivo do médico. 
3. Definição dos Equipamentos e Materiais 
3.1. Equipamentos de Comunicação Móvel e Portátil: 
● Equipamentos de comunicação móvel, - rádios 
VHF/FM: são os mais utilizados no Corpo de 
Bombeiros, são capazes de identificar chamadas 
possuindo no mínimo 16 canais à 64 canais. 
Possuem scan com prioridade dupla e grande visor 
alfanumérico de 14 caracteres. 
● Equipamentos de comunicação portátil – rádios 
VHF/FM: O rádio Portátil possui várias opções e 
características que destacam seu desempenho 
sendo utilizados no Corpo de Bombeiros modelos 
que possuemdesde 16 canais à 64 canais, sem 
visor ou com visor alfanumérico de 8 caracteres, 
várias faixas de freqüênciaPL/DPL, VOX integrada e 
múltiplas opções de baterias. 
 
3.2. Equipamentos para Segurança no Local do 
Acidente 
● Equipamento de proteção individual – este conjunto 
de equipamentos destinam-se a proteção do 
socorrista e da vítima, objetivando evitar a 
transmissão de doenças, seja pelo contato com a 
pele ou através da contaminação das mucosas; 
materiais de uso obrigatório no atendimento no 
interior das viaturas do Corpo de Bombeiros: luvas 
descartáveis, máscara de proteção facial, óculos 
de proteção, aventais e capacetes (em locais de 
risco iminente de acidentes) 
 
● Equipamento de segurança no local – este conjunto 
de equipamentos destinam-se a garantir a 
segurança das guarnições no local do acidente, 
bem como, das vítimas envolvidas e da população 
em geral; destacam-se entre esses materiais os 
cones de sinalização, lanternas, fitas para 
isolamento e extintores de incêndios. 
 
3.3. Equipamentos de Reanimação e Administração de 
Oxigênio 
● Cânula orofaríngea ou Cânula de Guedel – 
equipamento destinado a garantir a permeabilidade 
das vias áreas em vítimas inconscientes devido a 
queda da língua contra as estruturas do palato, 
promovendo a passagem de ar através da 
orofaringe. Possui vários tamanhos. 
 
● Reanimador ventilatóriomanual ou Ambu – 
equipamento destinado a estabelecer ventilação 
artificial manual. Composto de bolsa, valva ou 
válvula e máscara, garantindo assim eficiente 
insuflação de ar e maior concentração de oxigênio 
para a vítima. Equipamento disponível nos 
tamanhos adulto e infantil. 
 
● Equipamento de administração de oxigênio portátil – 
unidade portátil destinada a dar suporte 
de oxigênio a vítima acidentada no local da 
ocorrência inicial, com capacidade de 300 litros e 
fluxômetro a fim de dosar a administração de pelo 
menos 12 litros de oxigênio por minuto. Toda a 
ambulância possui uma segunda unidade fixa com 
capacidade de armazenamento maior, 
possibilitando a continuação da administração de 
oxigênio durante o deslocamento até o pronto 
socorro. 
 
● Equipamento para aspiração – destinado a 
aspiração de secreções da cavidade oral, as quais 
obstruem a passagem de oxigênio sendo 
indispensável uma unidade portátil e uma unidade 
fixa na ambulância. 
 
3.4. Equipamentos de Imobilização e Fixação de 
Curativos 
● Tala articulada de madeira e tala de papelão – são 
equipamentos indispensáveis na imobilização de 
fraturas e luxações. 
● Bandagens triangulares e ataduras de crepom – 
destinam-se à fixação de talas e curativos. 
● Cintos de fixação – cintos flexíveis e resistentes 
que destinam-se a prender a vítima junto a tábua 
de imobilização 
 
● Tração de fêmur – equipamento destinado à 
imobilização de membros inferiores, com fraturas 
fechadas. Confeccionado em alumínio ou aço inox, 
possuindo regulagem de comprimento com fixação 
através de tirantes e sistema de catraca. 
 
•Colete de imobilização dorsal (ked)- equipamento 
destinado a retirada de vítimas do interior de 
veículos que estiverem sentadas, objetivando a 
imobilização da coluna cervical, torácica e lombar 
superior. Sua fixação dá-se através de tirantes 
flexíveis fixos e móveis. 
 
● Colar cervical – equipamento destinado a 
imobilização da coluna cervical quanto à 
movimentos axiais, confeccionado em polietileno, 
dobrável e de vários tamanhos e modelos. 
● Tabua de imobilização – equipamento destinado à 
imobilização da vítima deitada, de vários modelos e 
tamanhos, possuindo aberturas para fixação de 
cintos e imobilizadores de cabeça. 
● Imobilizadores de cabeça – equipamento destinado 
à imobilização total da cabeça da vítima 
acidentada. Confeccionado em espuma revestida 
de um material impermeável e lavável. 
 
3.5. Materiais Utilizados em Curativos 
● Gaze, ataduras de crepom, bandagem, fita adesiva – 
material indispensável na limpeza superficial de 
ferimentos e contenção de hemorragias em 
vítimas. 
 
3.6. Materiais de Uso Obstétrico 
● Material de assistência ao parto – material 
esterilizado, normalmente colocado em pacotes 
hermeticamente fechados, contendo campos 
duplos e simples, clamps para laqueadura 
umbilical, lençóis e tesoura. 
3.7. Equipamentos para Verificação de Sinais Vitais 
● Esfigmomanômetro – equipamento destinado à 
aferição da pressão arterial. 
● Estetoscópio - aparelho destinado a ausculta 
cardíaca e pulmonar. 
 
● Oxímetro de pulso portátil - aparelho eletrônico 
destinado a medição da saturação periférica de 
oxigênio. 
● Desfibriladores automáticos externos (DEA) – 
equipamento destinado a verificação de arritmias 
ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se 
confirmadas através da obediência aos comandos 
emanados, resultará na aplicação de choques 
buscando a reversão do quadro apresentado. 
OBS: a Classificação do DEA, neste grupo deve-se 
ao mesmo atuar também como monitor cardíaco, 
identificando o padrão de atividade elétrica do 
coração, é um material de uso de pessoal treinado, 
mas não necessariamente de profissional de 
saúde, o que o diferencia do cardioversor. 
 
3.8. Macas e Acessórios 
● Maca – equipamento destinado ao transporte de 
vítima, sendo confeccionado em alumínio, com 
mecanismo de travamento, possibilitando que a 
maca aumente ou diminua a altura. 
Cobertor e manta aluminizada – material destinado 
ao conforto térmico da vítima. 
3.9. Equipamentos de Uso Exclusivo do Médico 
Pode estar disponível no próprio veículo de 
emergência ou em uma maleta médica que é 
transportado pelo médico quando se dirige à cena. 
Inclui: 
● Laringoscópio - material de uso exclusivo do 
médico, destinado a visualização da laringe a fim 
de realizar o procedimento de colocação de 
cânulas de entubação endotraqueal. 
● Cânulas de entubação endotraqueal – equipamento 
que garante a ventilação manual ou mecânica, 
garantindo a permeabilidade das vias aéreas 
devido ao um balonete que sela a traquéia. 
 
● Monitor cardíaco – equipamento destinado ao 
monitoramento das atividades cardíacas da vítima, 
objetivando o acompanhamento da melhora ou não 
do quadro clínico do paciente. 
● Medicamentos – são ‗drogas‘ utilizadas no 
atendimento que aplicadas pelo médico buscam 
estabilizar o quadro geral do paciente até a 
chegada ao pronto socorro 
● Cardioversor – equipamento destinado ao 
monitoramento das atividades cardíacas, 
conjugado com a verificação de arritmias 
ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se 
confirmadas resultarão na aplicação de choque, a 
fim de restabelecer os batimentos cardíacos do 
paciente. Este equipamento só é operado pelo 
médico de serviço. 
 
 
5° Módulo: Sinais Vitais 
Os sinais vitais são indicadores das funções vitais 
e podem orientar o diagnóstico inicial e o 
acompanhamento da evolução do quadro clínico da 
vítima. São eles: 
● Pulso; 
● Respiração; 
● Pressão arterial; 
● Temperatura. 
Sua verificação é essencial na avaliação da vítima, 
devendo ser realizada simultaneamente à história e 
ao exame físico. São mais significativos quando 
obtidos em série, possibilitando o 
acompanhamento de suas variações, e seus 
valores devem ser analisados conforme a situação 
clínica. 
Na obtenção dos sinais vitais devemos considerar 
as seguintes condições: 
● Condições ambientais, tais como temperatura e 
umidade no local, que podem causar variações nos 
valores; 
● Condições pessoais, como exercício físico 
recente, tensão emocional e alimentação, que 
também podem causar variações nos valores; 
● Condições do equipamento, que devem ser 
apropriados e calibrados regularmente. 
O socorrista deve estar atento, pois o uso de 
equipamentos inapropriados ou descalibrados 
podem resultar em valores falsos. 
1. Pulso 
Pulso é a onda provocada pela pressão do sangue 
contra a parede arterial cada vez que o ventrículo 
esquerdo se contrai. Em locais onde as artérias de 
grosso calibre se encontram próximas à superfície 
cutânea, pode ser sentido à palpação. Cada onda 
de pulso sentida é um reflexo do débito cardíaco, 
pois a freqüência de pulso equivale à freqüência 
cardíaca. Débito cardíaco é o volume de sangue 
bombeado por cada um dos lados do coração em 
um minuto. 
A determinação do pulso é parte integrante de uma 
avaliação cardiovascular. Além da freqüência 
cardíaca (número de batimentos cardíacos por 
minuto), os pulsos também devem ser avaliados em 
relação ao ritmo (regularidade dos intervalos - 
regular ou irregular) e ao volume (intensidade com 
que o sangue bate nas paredes arteriais - forte e 
cheio ou fraco e fino). O pulso fraco e fino, também 
chamado filiforme, geralmente está associado à 
diminuição do volume sangüíneo (hipovolemia). 
Sob circunstâncias normais, existe um 
relacionamento compensatório entre a freqüência 
cardíaca e o volume sistólico. Esta compensação é 
vista claramente no choque hipovolêmico, no qual 
um volume sistólico diminuído é equilibrado por 
uma freqüência cardíaca aumentada e o débito 
cardíaco tende a permanecer constante. 
Podem ser considerados normais os seguintes 
índices de freqüência cardíaca: 
● Adultos – 60 a 100 bpm; 
● Crianças – 80 a 120 bpm; 
● Bebês – 100 a 160 bpm. 
 
1.1.Taquicardia 
Taquicardia é o aumento da freqüência cardíaca 
(acima de 100 bpm nos adultos). Em vítimas de 
trauma pode ocorrer por hipóxia ou hipovolemia. 
Pode estar associada também a derrame 
pericárdico ou a outras causas, como por exemplo, 
febre, medo, sepse e exercícios físicos. A 
taquicardia sem uma causa óbvia pode indicar um 
evento cardíaco primário. 
Embora a ansiedade e a dor possam causar 
taquicardia, em vítimas de trauma, até prova em 
contrário, devemos julgar que ela seja decorrente 
de hipóxia ou choque hipovolêmico ou 
cardiogênico. 
1.2. Bradicardia 
Bradicardia é a diminuição da freqüência cardíaca 
(abaixo de 60 bpm nos adultos). Nas vítimas de 
trauma pode estar associada a choque 
neurogênico. Pode estar associada também a 
doenças primárias do coração ou doenças da 
tireóide. 
1.3. Locais para Obtenção do Pulso 
Os melhores locais para se palpar o pulso são onde 
artérias de grosso calibre se encontram próximas à 
superfície cutânea e possam ser comprimidas 
contra uma superfície firme (normalmente um 
osso). As artérias radiais, ao nível dos punhos, são 
mais comumente usadas na checagem do pulso em 
vítimas conscientes. As artérias carótidas, ao nível 
do pescoço, são normalmente usadas para 
palpação do pulso em vítimas inconscientes. 
Pode-se também sentir o pulso palpando as 
seguintes artérias: femoral na raiz da coxa, 
braquial no braço, axilar na axila e pedioso no 
dorso do pé. Também podermos medir o pulso pela 
ausculta cardíaca, no ápice ou ponta do coração, 
no lado esquerdo do tórax, levemente abaixo do 
mamilo (pulso apical). 
 
1.4. Procedimentos para Palpação do Pulso 
1) Relaxe a vítima. Para palpar o pulso radial, 
mantenha o braço da vítima descansando 
confortavelmente, preferencialmente cruzando a 
parte inferior do tórax. Para o pulso carotídeo, 
palpe a cartilagem tireóide no pescoço (pomo de 
Adão) e deslize os dedos lateralmente até sentir o 
pulso. 
2) Use dois ou três dedos para encontrar e sentir o 
pulso. Use somente a ponta dos dedos e nunca o 
polegar (usando o polegar o examinador poderá 
sentir seu próprio pulso digital). 
3) Evite muita pressão. Pressionando forte poderá 
interromper o pulso da vítima. 
4) Sinta e conte o pulso durante 30 ou 60 segundos 
(se contar por 30 segundos, multiplique por dois). 
Use relógio que marque os segundos. 
5) Anote a freqüência, o ritmo e o volume do pulso, 
bem como a hora da medição. Exemplo: Pulso - 72, 
regular, cheio, 10h50min. 
Em vítima com doença cardíaca, o ideal é medir o 
pulso durante um minuto. Sentir o pulso de uma 
criança muito pequena é difícil: o pescoço de 
comprimento curto e, algumas vezes, rico em 
gordura, torna difícil localizar o pulso carotídeo, 
sendo recomendável que seja pesquisado o pulso 
braquial. Com o crescimento torna-se possível a 
palpação dos vasos periféricos. Ao atender uma 
criança pesquise os diversos locais de pulso até 
encontrar aquele mais acessível. 
2. Respiração 
Respiração é o processo através do qual ocorre 
troca gasosa entre a atmosfera e as células do 
organismo. É composta pela ventilação e pela 
hematose. Na ventilação ocorre a entrada de ar 
rico em oxigênio para os pulmões (inspiração) e a 
eliminação de ar rico em dióxido de carbono para o 
meio ambiente (expiração). A hematose consiste 
na liberação de dióxido de carbono e captação de 
oxigênio feita pelas hemácias durante a perfusão 
pulmonar. Perfusão pulmonar é a passagem do 
sangue pelos capilares pulmonares, que por sua 
vez estão em íntimo contato com os alvéolos 
pulmonares. 
A avaliação da respiração inclui: freqüência 
respiratória (movimentos respiratórios por minuto – 
mrpm), caráter (superficial e profunda) e ritmo 
(regular e irregular). Deve ser avaliada sem que a 
vítima perceba, preferencialmente enquanto se 
palpa o pulso radial, para evitar que a vítima tente 
conscientemente controlar a respiração. Avalie a 
freqüência respiratória tendo em vista os sinais e 
sintomas de comprometimento respiratório: 
cianose, inquietação, dispnéia, sons respiratórios 
anormais. 
A freqüência respiratória pode variar com a idade: 
● Adultos – 12 a 20 movimentos respiratórios por 
minuto (mrpm); 
● Crianças – 20 a 30 mrpm; 
● Bebês – 30 a 60 mrpm. 
Outros fatores podem alterar a respiração como 
exercícios físicos, hábito de fumar, uso de 
medicamentos e fatores emocionais. 
Em um adulto em repouso a profundidade da 
respiração ou o volume de ar inalado é 
aproximadamente 500 ml por inspiração. Uma 
freqüência respiratória rápida não significa, 
necessariamente, que a vítima está movimentando 
maior quantidade de ar. Por exemplo: um adulto em 
condições normais, com 16 mrpm, mobilizaria 08 
litros de ar por minuto, enquanto uma vítima de 
trauma apresentando várias fraturas de costela, 
com 40 mrpm, mobilizando 100 ml de ar em cada 
movimento respiratório, mobilizaria 04 litros de ar 
por minuto. 
Podem ser encontradas as seguintes alterações 
nos padrões respiratórios: 
● Apnéia – Cessação intermitente (10 a 60 
segundos) ou persistente (parada respiratória) das 
respirações; 
● Bradipnéia – Respiração lenta e regular; 
● Taquipnéia – Respiração rápida e regular; 
● Dispnéia – Respiração difícil que exige esforço 
aumentado e uso de músculos acessórios. 
 
2.1. Procedimentos para Analise da Respiração 
1) Se possível, estando a vítima consciente, 
coloque o braço da mesma cruzando a parte 
inferior do tórax. Segure o pulso da mesma 
enquanto estiver observando a respiração, como se 
estivesse palpando o pulso radial. 
2) Aproxime sua face do rosto da vítima, olhando 
para o seu tórax. Com o tato da pele do seu rosto e 
com a sua audição você vai perceber o movimento 
da corrente de ar mobilizada pela respiração e com 
a visão você irá observar os movimentos de subida 
e descida do tórax e/ou do abdome. 
3) Conte com os movimentos respiratórios durante 
um minuto (use relógio com marcação de 
segundos). Ao mesmo tempo observe o caráter e o 
ritmo da respiração. 
4) Anote a freqüência respiratória, o caráter, o 
ritmo e a hora. Exemplo: Respiração normal, 16 
mrpm, 10h50min. 
Em crianças muito pequenas o movimento torácico 
é menos evidente que nos adultos e, usualmente, 
ocorre próximo ao abdome. A mão colocada 
levemente sobre a parte inferior do tórax e superior 
do abdome pode facilitar a contagem da atividade 
respiratória. Por causa do pequeno volume e da 
reduzida força do fluxo de ar, em crianças também 
é quase impossível ouvir a respiração normal ou 
sentir a movimentação do ar através da boca e do 
nariz. 
3. Pressão Arterial 
A pressão arterial (PA) é a pressão exercida pelo 
sangue no interior das artérias. Depende da força 
desenvolvida pela sístole ventricular, do volume 
sangüíneo e da resistência oferecida pelas paredes 
das artérias. 
O sangue sempre está sob pressão no interior das 
artérias. Durante a contração do ventrículo 
esquerdo (sístole) a pressão está no seu valor 
máximo, sendo chamada pressão sistólica ou 
máxima. Durante o relaxamento do ventrículo 
esquerdo (diástole) a pressão está no seu valor 
mínimo ou basal, sendo chamada pressão 
diastólica ou mínima. 
A pressão arterial é medida em milímetros de 
mercúrio (mmHg). O primeiro número, de maior 
valor, corresponde à pressão sistólica, enquanto o 
segundo, de menor valor, corresponde à pressão 
diastólica. Não há um valor preciso de pressão 
normal, mas, em termos gerais, diz-se que o valor 
de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal para 
um adulto jovem, entretanto, medidas até 140 
mmHg para a pressão sistólica e 90 mmHg para a 
diastólica também podem ser aceitas como 
normais. 
Valores médios de pressão arterial considerados 
ideais de acordo com a idade: 
● 04 anos – 85/60 mmHg; 
● 06 anos – 95/62 mmHg; 
● 10 anos – 100/65 mmHg; 
● 12 anos – 108/67 mmHg; 
● 16 anos – 118/75 mmHg; 
● Adultos – 120/80mmHg; 
● Idosos – 140 a 160/90 a 100 mmHg. 
A posição em que a vítima se encontra (em pé, 
sentado ou deitado), atividade física recente e 
manguito inapropriado também podem alterar os 
níveis da pressão. 
Vítimas particularmente sob o risco de alteração 
dos níveis tencionais são aqueles com doença 
cardíaca, doença renal, diabetes, hipovolemia ou 
com lesão craniana ou coluna espinhal. 
O local mais comum de verificação da pressão 
arterial é no braço, usando como ponto de ausculta 
a artéria braquial. Os equipamentos usados são o 
esfigmomanômetro e o estetoscópio. 
Uma pressão sangüínea normal não deve ser 
considerada como uma clara indicação de 
estabilidade. Os pacientes saudáveis e jovens são 
particularmente propensos a compensar o déficit 
de volume. 
3.1. Procedimentos para Medir a Pressão Arterial 
Em casos de longa duração do atendimento pré-
hospitalar (resgates em locais de difícil acesso e 
remoção), medir a PA a cada 5 minutos, anotando 
cada horário de tomada e respectivos valores. 
Deve-se explicar para a pessoa o que será 
realizado. É comum entre profissionais de saúde 
ocultar da vítima o valor medido. Isto costuma 
resultar em grande ansiedade para a vítima e, 
algumas vezes, em desconforto afetivo para 
ambos. O mais correto é, se a vítima perguntar o 
valor da pressão, informá- lo de forma neutra e 
imparcial. 
A pressão sangüínea é difícil de ser obtida em 
crianças. O manguito deve ter largura de dois 
terços em relação ao comprimento da porção da 
extremidade onde será medida a PA (manguitos 
maiores dão leituras falsamente baixas e 
manguitos menores dão leituras falsamente 
elevadas). Os dois métodos a seguir descritos 
(palpatório e auscultatório) são usados para obter 
a PA em crianças. O estetoscópio deve ter um 
diafragma pequeno o suficiente para cobrir apenas 
a área sobre o ponto do pulso (estetoscópios 
pediátricos são úteis). 
 
3.1.1. Método Auscultatório 
1) Posicione a vítima com o braço apoiado a nível 
do coração. Use, sempre que possível, o braço não 
traumatizado. 
2) Localize o manômetro de modo a visualizar 
claramente os valores da medida. 
3) Selecione o tamanho da braçadeira para adultos 
ou crianças. A largura do manguito deve 
corresponder a 40% da circunferência braquial e 
seu comprimento a 80%. 
4) Localize a artéria braquial ao longo da face 
interna superior do braço palpando- a. 
5) Envolva a braçadeira, suave e confortavelmente, 
em torno do braço, centralizando o manguito sobre 
a artéria braquial. Mantenha a margem inferior da 
braçadeira 2,5cm acima da dobra do cotovelo. 
Encontre o centro do manguito dobrandoo ao meio. 
6) Determine o nível máximo de insuflação 
palpando o pulso radial até seu desaparecimento, 
registrando o valor (pressão sistólica palpada) e 
aumentando mais 30 mmHg. 
7) Desinsufle rapidamente o manguito e espere de 
15 a 30 segundos antes de insuflá-lo novamente. 
8) Posicione o estetoscópio sobre a artéria braquial 
palpada abaixo do manguito na fossa antecubital. 
Deve ser aplicado com leve pressão assegurando o 
contato com a pele em todos os pontos. 
9) Feche a válvula da pera e insufle o manguito 
rapidamente até 30 mmHg acima da pressão 
sistólica palpada registrada. 
10) Desinsufle o manguito de modo que a pressão 
caia de 2 a 3 mmHg por segundo. 
11) Identifique a pressão sistólica (máxima) 
observando no manômetro o ponto correspondente 
ao primeiro batimento regular audível. 
12) Identifique a pressão diastólica (mínima) 
observando no manômetro o ponto correspondente 
ao último batimento regular audível. 
13) Desinsufle totalmente o aparelho com atenção 
voltada ao completo desaparecimento dos 
batimentos. 
14) Retire o aparelho do braço e guarda-lo 
cuidadosamente afim de evitar danos. 
15) Anote a PA e a hora. Exemplo PA. 126X84, 
10h55min. 
3.1.2. Método Palpatório 
Este método de medir a PA aplica-se somente é 
pressão sistólica e não é muito preciso. Em um 
veículo em movimento, toda via, ele poderá ser o 
único método viável, permitindo observar a 
tendência geral da pressão sistólica que, a rigor, é 
a que realmente importa no atendimento pré-
hospitalar do traumatizado. 
1) Coloque as pontas dos dedos no pulso radial. 
Sinta o pulso. 
2) Infle o manguito até ultrapassar um valor em que 
cesse o pulso. 
3) Vagarosamente esvazie o manguito, olhando o 
mostrador ou a coluna de mercúrio. 
4) Quando perceber o retomo do pulso, leia a 
pressão sistólica aproximada. 
5) Anote a PA, hora e método usado. Exemplo: PA 
120 (palpação), 10h55min. 
3.2. Causas de Resultados Incorretos na Medida da 
Pressão Arterial 
3.2.1. Causas Relacionadas ao Equipamento 
● Aparelhos descalibrados ou inadequadamente 
calibrados ou testados. 
● Defeitos do esfigmomanômetro: orifício de ar 
obstruído, manguito incompletamente vazio, 
tubulação defeituosa, sistema de inflação ou 
válvula de escape, mercúrio insuficiente no 
reservatório ou indicador zero errado. 
● Estetoscópio danificado. 
● Tamanho da braçadeira em desacordo com o do 
braço. Circunferência do membro em relação à 
variação da largura da braçadeira maior ou menor 
que 2,5 produz leituras de pressão indireta 
falsamente altas ou baixas respectivamente. 
3.2.2. Causas Relacionadas ao Examinador 
● Braço da vítima sem apoio dão pressões 
falsamente altas. 
● O examinador posiciona o instrumento ao nível 
acima ou abaixo do coração ou comprime o 
estetoscópio demasiadamente firme sobre o vaso. 
● Mãos do examinador e equipamento frios 
provocam aumento da pressão sangüínea. 
● Interação entre examinado e examinador pode 
afetar a leitura da pressão arterial. 
4. Temperatura 
Existem vários fatores que influenciam no controle 
da temperatura corporal, sendo influenciada por 
meios físicos e químicos e o controle feito através 
de estimulação do sistema nervoso. A temperatura 
reflete o balanceamento entre o calor produzido e 
o calor perdido pelo corpo. 
A temperatura do corpo é registrada em graus 
célsius (centígrados). O termômetro clínico de 
vidro, mais usado, tem duas partes: o bulbo e o 
pedúnculo. O bulbo contém mercúrio; um metal 
liquido, o qual se expande sob a ação do calor e 
sobre pelo interior do pedúnculo, indicando a 
temperatura em graus e décimos de graus. 
Normalmente os termômetros clínicos são 
calibrados em graus e décimos de graus, na faixa 
de temperatura de 35ºC a 42ºC. Não é necessária 
uma faixa de tempera tura mais ampla, pois 
raramente o ser humano sobrevive com 
temperatura corporal fora desta faixa. 
O índice normal de temperatura é de 37ºC, 
admitindo-se variações de até 0,6ºC para mais ou 
para menos. As crianças têm temperaturas mais 
altas que os adultos, porque seu metabolismo é 
mais rápido. Tem-se observado que a temperatura 
do corpo é mais baixa nas primeiras horas da 
manhã, e mais alta no final da tarde ou no início da 
noite. 
A temperatura corporal pode se elevar em 
situações de infecção, trauma, medo, ansiedade, 
etc. Exposição ao frio e choque são causas 
freqüentes de temperatura abaixo do normal. 
4.1. Procedimentos e Locais para Verificação da 
Temperatura 
O termômetro deve estar seco (se necessário 
enxugue com algodão ou gaze) e marcando 
temperatura inferior a 35ºC (se necessário sacudi-
lo cuidadosamente até que a coluna de mercúrio 
desça). 
A temperatura corporal pode ser medida nos 
seguintes locais: 
● Boca – Temperatura Oral: Colocar o termômetro 
de vidro sob a língua da vítima, na bolsa sublingual 
posterior. Fazer com que a vítima mantenha o 
termômetro no local por 3 a 8 minutos com lábios 
fechados. O método oferece temperatura central e 
é indicado para aqueles que respiram pela boca 
com suspeita de infecção grave. 
● Canal anal – Temperatura Retal: Para o adulto, 
inserir 03 centímetros do termômetro lubrificado 
no ânus. Não forçar o termômetro. Mantê-lo no 
local por 2 a 4 minutos. É contra-indicadoapós 
cirurgia do reto ou ferimento no reto e em 
pacientes com hemorróidas. 
● Axila – Temperatura axilar: Mais utilizado, tendo 
em vista a facilidade. Colocar o termômetro no 
centro da axila, mantendo o braço da vítima de 
encontro ao corpo, e mantê-lo ali por 3 a 8 minutos. 
O método é conveniente, mas é contra-indicado 
para crianças pequenas; em pacientes com estado 
mental alterado, trauma facial ou distúrbio 
convulsivo; após fumar ou beber liquidos quentes 
ou frios; durante administração de oxigênio por 
cânula ou máscara; e na presença de sofrimento 
respiratório. 
6° Módulo: Atendimento Inicial 
O objetivo do atendimento inicial à vítima de 
trauma é identificar rapidamente situações que 
coloquem a vida em risco e que demandem 
atenção imediata pela equipe de socorro. Deve ser 
rápido, organizado e eficiente de forma que permita 
decisões quanto ao atendimento e ao transporte 
adequados, assegurando à vítima maiores chances 
de sobrevida. 
 
O atendimento inicial à vítima de trauma se divide 
em quatro etapas seqüenciais: 
1) Controle de cena; 
2) Abordagem primária; 
3) Abordagem secundária; 
4) Sinais vitais e escalas de coma e trauma. 
1. Controle de Cena 
1.1. Segurança do Local 
Antes de iniciar o atendimento propriamente dito, a 
equipe de socorro deve garantir sua própria 
condição de segurança, a das vítimas e a dos 
demais presentes. De nenhuma forma qualquer 
membro da equipe deve se expor a um risco com 
chance de se transformar em vítima, o que levaria 
a deslocar ou dividir recursos de salvamento 
disponíveis para aquela ocorrência. 
1.2. Mecanismo de Trauma 
Enquanto se aproxima da cena do acidente, o 
socorrista examina o mecanismo de trauma (ver 
capítulo 4), observando e colhendo informações 
pertinentes. Em uma colisão entre dois veículos, 
por exemplo, avaliar o tipo de colisão (frontal, 
lateral, traseira), veículos envolvidos, danos nos 
veículos, número de vítimas, posição dos veículos 
e das vítimas, etc. 
2. Abordagem Primária 
Visa identificar e manejar situações de ameaça à 
vida, A abordagem inicial é realizada sem mobilizar 
a vítima de sua posição inicial, salvo em situações 
especiais que possam comprometer a segurança 
ou agravar o quadro da vítima, tais como: 
● Situações climáticas extremas: 
Geada, chuva, frio, calor, etc.; 
● Risco de explosão ou incêndio; 
● Risco de choque elétrico; 
● Risco de desabamento. 
Obs.: Só se justifica mobilizar a vítima de sua 
posição inicial na abordagem primária quando a 
situação de risco não possa ser afastada. Por 
exemplo: Havendo risco de choque elétrico e sendo 
possível a interrupção da passagem de energia, 
não há necessidade de mobilizar a vítima. 
Na abordagem primária, havendo mais de uma 
vítima, o atendimento deve ser priorizado conforme 
o risco, ou seja, primeiro as que apresentem risco 
de morte, em seguida as que apresentem risco de 
perda de membros e, por último todas as demais. 
Esta recomendação não se aplica no caso de 
acidente com múltiplas vítimas (ver capítulo 28), 
onde os recursos para o atendimento são 
insuficientes em relação ao número de vítimas e, 
por tanto, o objetivo é identificar as vítimas com 
maiores chances de sobrevida. 
A abordagem primária é realizada em duas fases: 
1) Abordagem primária rápida; 
2) Abordagem primária completa. 
2.1. Abordagem Primária Rápida 
É a avaliação sucinta da respiração, circulação e 
nível de consciência. Deve ser completada em no 
máximo 30 segundos. Tem por finalidade a rápida 
identificação de condições de risco de morte, o 
início precoce do suporte básico de vida (SBV) e o 
desencadeamento de recursos de apoio, tais como 
médico no local e aeronave para o transporte. 
Na abordagem primária rápida devem ser seguidos 
os seguintes passos: 
1) Aproximar-se da vítima pelo lado para o qual a 
face da mesma está volta, garantindo-lhe o 
controle cervical. 
2) Observar se a vítima está consciente e 
respirando. Tocando o ombro da vítima do lado 
oposto ao da abordagem, apresente-se, acalme-a e 
pergunte o que aconteceu com ela: ―Eu sou o... 
(nome do socorrista), do Corpo de Bombeiros, e 
estou aqui para te ajudar. O que aconteceu 
contigo?‖. Uma resposta adequada permite 
esclarecer que a vítima está consciente, que as 
vias aéreas estão permeáveis e que respira. Caso 
não haja resposta, examinar a respiração. Se 
ausente a respiração, iniciar as manobras de 
controle de vias aéreas e a ventilação artificial. 
3) Simultaneamente palpar pulso radial (em vítima 
inconsciente palpar direto o pulso carotídeo) e 
definir se está presente, muito rápido ou lento. Se 
ausente, palpar pulso de artéria carótida ou 
femoral (maior calibre) e, caso confirmado que a 
vítima está sem pulso, iniciar manobras de 
reanimação cardiopulmonar (ver capítulo 9). 
4) Verificar temperatura, umidade e coloração da 
pele e enchimento capilar. Palidez, pele fria e 
úmida e tempo de enchimento capilar acima de 
dois segundos são sinais de comprometimento da 
perfusão oxigenação dos tecidos (choque 
hipovolêmico por hemorragia interna ou externa, 
por exemplo), que exigem intervenção imediata. 
5) Observar rapidamente da cabeça aos pés 
procurando por hemorragias ou grandes 
deformidades. 
6) Repassar as informações para a Central de 
Emergência. 
2.2. Abordagem Primária Completa 
Na abordagem primária completa segue-se uma 
seqüência fixa de passos estabelecida 
cientificamente. Para facilitar a memorização, 
convencionou-se o ―ABCD do trauma‖ para 
designar essa seqüência fica de passos, utilizando-
se as primeiras letras das palavras (do inglês) que 
definem cada um dos passos: 1) Passo ―A‖ (Airway) 
– Vias aéreas com controle cervical; 
2) Passo ―B‖ (Breathing) – Respiração (existente e 
qualidade); 
3) Passo ―C‖ (Circulation) – Circulação com 
controle de hemorragias; 
4) Passo ―D‖ (Disability) – Estado neurológico; 
5) Passo ―E‖ (Exposure) – Exposição da vítima (para 
abordagem secundária). 
Lembre-se de somente passar para próximo passo 
após ter completado o passo imediatamente 
anterior. Durante toda a abordagem da vítima o 
controle cervical deve ser mantido. Suspeitar de 
lesão de coluna cervical em toda vítima de trauma. 
2.2.1. Passo ―A‖ – Vias Aéreas com Controle Cervical 
Após o controle cervical e a identificação, 
pergunte à vítima o que aconteceu. Uma pessoa só 
consegue falar se tiver ar nos pulmões e se ele 
passar pelas cordas vocais. Portanto, se a vítima 
responder normalmente, é porque as vias aéreas 
estão permeáveis (passo "A" resolvido) e 
respiração espontânea (passo "B" resolvido). 
Seguir para o passo "C". 
Se a vítima não responder normalmente, examinar 
as vias aéreas. Desobstruir vias aéreas de sangue, 
vômito, corpos estranhos ou queda da língua, 
garantindo imobilização da coluna cervical. Para a 
manutenção da abertura das vias aéreas pode ser 
utilizada cânula orofaríngea ou nasofaríngea (ver 
capítulo 8). Estando as vias aéreas desobstruídas, 
passar para o exame da respiração (passo "B"). 
2.2.2. Passo ―B‖ – Respiração 
Checar se a respiração está presente e efetiva 
(ver, ouvir e sentir). Se a respiração estiver 
ausente, iniciar respiração artificial (passo "B" 
resolvido temporariamente). Estando presente a 
respiração, analisar sua qualidade: lenta ou rápida, 
superficial ou profunda, de ritmo regular ou 
irregular, silenciosa ou ruidosa. 
Se observar sinais de respiração difícil (rápida, 
profunda, ruidosa), reavaliar vias aéreas (passo 
"A") e solicitar a presença do médico no local. A 
necessidade de intervenção médica é muito 
provável. Se observar sinais que antecedam parada 
respiratória (respiração superficial, lenta ou 
irregular), ficar atento para iniciar respiração 
artificial. 
Iniciar a administração de oxigênio a 12 litros por 
minuto, sob máscara de contorno facial bem-
ajustado. Garantir que os passos "A" e "B" nãosejam interrompidos antes de passar ao exame da 
circulação ("C"). 
2.2.3. Passo ―C‖ – Circulação com Controle de 
Hemorragias 
O objetivo principal do passo "C" é estimar as 
condições do sistema circulatório e controlar 
grandes hemorragias. Para tanto devem ser 
avaliados: pulso; perfusão periférica; coloração, 
temperatura e umidade da pele. Neste passo 
também devem ser controladas as hemorragias 
que levem a risco de vida eminente. 
2.2.3.1. Pulso 
Em vítima consciente, verificar inicialmente o 
pulso radial; se este não for percebido, tentar 
palpar o pulso carotídeo ou o femoral; em vítima 
inconsciente, examinar o pulso carotídeo do lado 
em que você se encontre. 
A avaliação do pulso dá uma estimativa da pressão 
arterial. Se o pulso radial não estiver palpável, 
possivelmente a vítima apresenta um estado de 
choque hipovolêmico descompensado, situação 
grave que demanda intervenção imediata. Se o 
pulso femoral ou carotídeo estiver ausente, iniciar 
manobras de reanimação cardiopulmonar. Estando 
presente o pulso, analisar sua qualidade: lento ou 
rápido, forte ou fraco, regular ou irregular. 
2.2.3.2. Perfusão Periférica 
A perfusão periférica é avaliada através da técnica 
do enchimento capilar. É realizada fazendo-se uma 
pressão na base da unha ou nos lábios, de modo 
que a coloração passe de rosada para pálida. 
Retirando-se a pressão a coloração rosada deve 
retomar num tempo inferior a dois segundos. Se o 
tempo ultrapassar dois segundos é sinal de que a 
perfusão periférica está comprometida 
(oxigenação/perfusão inadequadas). Lembre-se que 
à noite e com frio essa avaliação é prejudicada. 
2.2.3.3. Coloração, Temperatura e Umidade da Pele 
Cianose e palidez são sinais de comprometimento 
da oxigenação/perfusão dos tecidos. Pele fria e 
úmida indica choque hipovolêmico (hemorrágico). 
2.2.3.4. Controle de Hemorragias 
Se o socorrista verificar hemorragia externa, deve 
utilizar métodos de controle (ver capítulo 10). 
Observando sinais que sugerem hemorragia 
interna, deve agilizar o atendi mento e transportar 
a vítima o mais brevemente possível ao hospital, 
seguindo sempre as orientações da Central de 
Emergências. 
2.2.4. Passo ―D‖ – Estado Neurológico 
Tomadas as medidas possíveis para garantir o 
―ABC‖, importa conhecer o estado neurológico da 
vítima (passo "D"), para melhor avaliar a gravidade 
e a estabilidade do quadro. 
O registro evolutivo do estado neurológico tem 
grande valor. A vítima que não apresente 
alterações neurológicas num dado momento, mas 
passe a apresentá-las progressivamente, 
seguramente está em situação mais grave que 
outra cujo exame inicial tenha mostrado algumas 
alterações que permaneçam estáveis no tempo. 
Na avaliação do estado neurológico o socorrista 
deve realizar a avaliação do nível de consciência e 
o exame das pupilas. 
2.2.4.1. Avaliação do Nível de Consciência 
Deve sempre ser avaliado o nível de consciência 
porque, se alterado, indica maior necessidade de 
vigilância da vítima no que se refere às funções 
vitais, principalmente à respiração. A análise do 
nível de consciência é feita pelo método ―AVDI‖, de 
acordo com o nível de resposta que a vítima tem dá 
aos estímulos: 
● A – Vítima acordada com resposta adequada ao 
ambiente. 
● V – Vítima adormecida. Os olhos se abrem 
mediante estímulo verbal. 
● D – Vítima com os olhos fechados que só se 
abrem mediante estímulo doloroso. 
O estímulo doloroso deve ser aplicado sob a forma 
de compressão intensa na borda do músculo 
trapézio, na região póstero-lateral do pescoço. 
● I – Vítima não reage a qualquer estímulo. 
A alteração do nível de consciência pode ocorrer 
pelos seguintes motivos: 
● Diminuição da oxigenação cerebral (hipóxia ou 
hipoperfusão); 
● Traumatismo cranioencefálico (hipertensão 
intracraniana); 
2.2.4.2. Exame das Pupilas 
Em condições normais as pupilas reagem à luz, 
aumentando ou diminuindo seu diâmetro conforme 
a intensidade da iluminação do ambiente. O 
aumento do diâmetro, ou midríase, ocorre na 
presença de pouca luz, enquanto a diminuição, ou 
miose, ocorre em presença de luz intensa. 
Quanto à simetria, as pupilas são classificadas em 
isocóricas (pupilas normais ou simétricas), que 
possuem diâmetros iguais, e anisocóricas (pupilas 
anormais ou assimétricas), de diâmetros desiguais. 
O socorrista deve avaliar as pupilas da vítima em 
relação ao tamanho, simetria e reação à luz. 
Pupilas anisocóricas sugerem traumatismo ocular 
ou cranioencefálico. Neste caso a midríase em 
uma das pupilas pode ser conseqüência da 
compressão do nervo oculomotor no nível do 
tronco encefálico, sugerindo um quadro de 
gravidade. 
Pupilas normais se contraem quando submetidas à 
luz, diminuindo seu diâmetro. Se a pupila 
permanece dilatada quando submetida à luz, 
encontra-se em midríase paralítica, normalmente 
observada em pessoas inconscientes ou em óbito. 
Pupilas contraídas (miose) em presença de pouca 
luz podem indicar intoxicação por drogas ou 
doença do sistema nervoso central. 
Se houver depressão do nível de consciência e 
anisocoria, ficar alerta, pois existe o risco de 
parada respiratória. Manter-se atento para o ―ABC‖. 
3. Abordagem Secundária 
Finalmente, no passo "E", expor a vítima, à procura 
de lesões. Entretanto, em nível pré-hospitalar, as 
roupas da vítima só serão removidas para expor 
lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas 
pelo exame segmentar, respeitando seu pudor no 
ambiente público. No hospital, ao contrário, é 
imperdoável deixar de despir completamente a 
vítima antes de iniciar a abordagem secundária. 
Só iniciar a abordagem secundária depois de 
completada a abordagem primária. Examinar todos 
os segmentos do corpo, sempre na mesma ordem 
(exame segmentar): crânio, face, pescoço, tórax, 
abdômen, quadril, membros inferiores, membros 
superiores e dorso. Nesta fase, realizar: 
● Inspeção: cor da pele, sudorese, simetria, 
alinhamento, deformidade e ferimento; 
● Palpação: deformidade, crepitação, rigidez, 
flacidez, temperatura e sudorese; 
● Ausculta: tórax (campos pleuropulmonares e 
precordial) – procedimento exclusivo do médico. 
Durante todo o exame segmentar, manter- se 
atento a sinais de dor ou a modificações das 
condições constatadas na abordagem primária da 
vítima. Exame segmentar: 
 
1) Cabeça: palpar o crânio com os polegares fixos 
na região frontal, mantendo o controle cervical. 
Palpar as órbitas. Simultaneamente, inspecionar 
cor e integridade da pele da face, hemorragia e 
liqüorragia pelo nariz e ouvidos, hematoma 
retroauricular (sugestivo de fratura de coluna 
cervical alta ou base de crânio), simetria da face, 
hemorragia e laceração dos olhos e 
fotorreatividade pupilar (não a valorize em olho 
traumatizado). Retirar corpos estranhos (lentes de 
contato e próteses dentárias móveis) 
eventualmente remanescentes. 
2) Pescoço: inspecionar o alinhamento da traquéia 
e a simetria do pescoço. Palpar a cartilagem 
tireóide e a musculatura bilateral. Inspecionar as 
veias jugulares: se ingurgitadas, princi palmente 
com piora na inspiração, preocupar-se com lesão 
intratorácica grave (derrame de sangue no 
pericárdio, impedindo os movimentos normais do 
coração: hemopericárdio com tamponamento 
cardíaco). Palpar as artérias carótidas 
separadamente e a coluna cervical, verificando 
alinhamento, aumento de volume, crepitação e 
rigidez muscular. Completado o exame, colocar o 
colar cervical. 
 
3) Tórax: inspecionar a caixa torácica (face 
anterior), buscando simetria anatômica e funcional, 
respiração paradoxal, áreas de palidez, eritema ou 
hematoma (sinais de contusão) e ferimentos. 
Palpar as clavículas separadamente, buscando dor 
e crepitação. Palpar os arcos costais e esterno em 
busca de rigidez muscular, flacidez e crepitação. 
Examinar até a linha axilar posterior. Realizar 
ausculta pulmonar e cardíaca (procedimentomédico). 
4) Abdômen: inspecionar sinais de contusão, 
distensão e mobilidade. Palpar delicadamente, 
analisando sensibilidade e rigidez de parede 
(abdômen em tábua). 
5) Quadril: afastar e aproximar as asas ilíacas em 
relação à linha média, analisando mobilidade 
anormal e produção de dor. Palpar o púbis no 
sentido antero-posterior. A região genital também 
deve ser avaliada, sugerindo haver lesão conforme 
as queixas da vítima ou o mecanismo de trauma. 
6) Membros inferiores: inspecionar e palpar da raiz 
das coxas até os pés. Observar ferimento, 
alinhamento, deformidade, flacidez, rigidez e 
crepitação. Cortar a roupa onde suspeitar de 
ferimento ou fratura. Retirar calçados e meias. 
Examinar a mobilidade articular ativa e passiva. 
Executar movimentos suaves e firmes de flexão, 
extensão e rotação de todas as articulações. 
Palpar pulsos em tornozelos e pés. Testar 
sensibilidade, motricidade e enchimento capilar. 
7) Membros superiores: inspecionar e palpar dos 
ombros às mãos. Observar ferimento, alinhamento, 
deformidade, flacidez, rigidez e crepitação. Cortar 
a roupa onde suspeitar de ferimento ou fratura. 
Palpar os pulsos radiais. Testar a mobilidade ativa 
e passiva. Executar movimentos suaves e firmes 
de flexão, extensão e rotação de todas as 
articulações. Testar a simetria da força muscular 
nas mãos. Verificar sensibilidade, motricidade e 
enchimento capilar. 
8) Dorso: realizar a manobra de rolamento a 
noventa graus para examinar o dorso. Inspecionar 
alinhamento da coluna vertebral e simetria das 
duas metades do dorso. Palpar a coluna vertebral 
em toda a extensão, à procura de edema, 
hematoma e crepitação. Terminado o exame do 
dorso, rolar a vítima sobre a tábua de imobilização 
dorsal. 
Após completar o exame segmentar, fazer 
curativos, imobilizações e outros procedimentos 
necessários. 
Fazem também parte da abordagem secundária os 
seguintes procedimentos, que são realizados por 
médicos no ambiente hospitalar: radiografias, 
sonda gástrica, toque retal, cateterismo vesical e 
lavagem peritonial. 
Durante a abordagem secundária, o socorrista deva 
reavaliar o ABCD quantas vezes forem necessárias, 
principalmente em vítimas inconscientes. 
Após a abordagem secundária, realizar a 
verificação de dados vitais (ver capítulo 6) e 
escalas de coma e trauma. 
4. Sinais Vitais e Escalas de Coma e Trauma 
4.1. Sinais Vitais 
Avaliar pulso, respiração, pressão arterial e 
temperatura (ver capítulo 6). 
4.2. Escala de Coma 
A Escala de Coma de Glasgow, é baseada na 
avaliação da abertura dos olhos (AO), da melhor 
resposta motora (MRM) e da melhor resposta 
verbal (MRV). É uma escala prática para se avaliar 
a evolução do nível de consciência da vítima. Para 
cada um dos três itens avaliados é atribuído um 
número, conforme a resposta da vítima, que 
somados irão nos mostrar o nível de consciência 
da vítima no momento da avaliação. 
 
Obs.: Impossível avaliar resposta verbal de vítima 
que não possa falar (trauma de face ou intubação 
oro traqueal). Nesse caso, registrar a 
impossibilidade no formulário próprio (RAS). 
 
A avaliação da gravidade do comprometimento 
neurológico será feita com base no resultado da 
escala de coma de Glasgow: 
 
TCE grave: 03 a 08; 
● TCE moderado: 09 a 12; 
● TCE leve: 13 a 15. 
Sempre que na avaliação da Escala de Coma de 
Glasgow, o estado neurológico for avaliado como 
igual ou menor que 9 (nove), torna-se necessário o 
acionamento de apoio médico no local da 
ocorrência. 
4.3. Escala de Trauma 
A escala de trauma leva em consideração os 
seguintes itens: freqüência respiratória, pressão 
sistólica e escala de coma. Com base no valor de 
cada ítem, a cada um deles é atribuída pontuação 
de zero a quatro, cuja soma será o resultado da 
escala de trauma, que pode variar de zero a doze. 
 
● Trauma grave: 0 a 06; 
● Trauma moderado: 07 a 10; 
● Trauma mínimo: 11 a 12. 
Sempre que na avaliação da Escala de Trauma, for 
obtido resultado menor que 9 (nove), torna-se 
necessário o acionamento de apoio médico no 
local da ocorrência. 
 
 7° Módulo: Vias Aéreas 
1. Aspectos Anatômicos e Funcionais 
As vias aéreas têm como função principal conduzir 
o ar entre o meio ambiente e os pulmões (alvéolos 
pulmonares), proporcionando a entrada de ar 
filtrado, aquecido e rico em oxigênio, assim como a 
saída de ar rico em dióxido de carbono do aparelho 
respiratório, participando assim do processo da 
respiração. 
Dividem-se em vias aéreas superiores e vias aéreas 
inferiores: 
1.1. Vias Aéreas Superiores: 
● Cavidade nasal (nariz); 
● Cavidade oral (boca); 
● Faringe (Nasofaringe, orofaringe e laringofaringe 
ou hipofaringe. Destas três, a nasofaringe é 
exclusivamente via aérea, a laringofaringe é 
exclusivamente via digestiva e a orofaringe é um 
caminho comum ao ar e aos alimentos.); 
1.2. Vias Aéreas Inferiores: 
● Laringe. 
● Traquéia; 
● Brônquios/bronquíolos; 
● Pulmões/alvéolos pulmonares. 
O acesso às vias aéreas superiores é direto e sua 
visualização é quase completa, exceto pela 
nasofaringe (região posterior à cavidade nasal e 
póstero-superior à úvula - "campainha‖). 
 
As vias aéreas superiores terminam e as inferiores 
têm início na laringe, com a epiglote, estrutura que 
protege a abertura das vias aéreas inferiores, 
obstruindo-a durante o reflexo de deglutição e 
abrindo-a para a passagem do ar. Seu acesso e 
visualização dependem de procedimento médico 
denominado laringoscopia. 
 
2. Obstrução de Vias Aéreas 
O atendimento pré-hospitalar da vítima de trauma 
tem por objetivo, após rápida verificação do 
mecanismo de trauma e das condições de 
segurança no local, prestar suporte básico e 
avançado de vida, iniciando-se com a avaliação de 
vias aéreas (A). Esse processo denominado 
avaliação primária ou ―ABCD‖ prioriza a abordagem 
das vias aéreas que, se estiverem comprometidas, 
de imediato afetam as funções vitais – respiração 
(B) e circulação (C). 
Um processo de pensamento organizado e 
condicionado referente aos passos da avaliação 
primária, impedirá o socorrista de ter sua atenção 
voltada para alterações mais evidentes e menos 
urgentes, como ferimentos e fraturas, 
despercebendo-se de alterações nas vias aéreas, 
principalmente em se tratando de vítima 
inconsciente. 
A avaliação e o controle das vias aéreas se fazem 
mediante condutas rápidas e simples, não exigindo 
inicialmente qualquer equipamento, bastando a 
aplicação de técnicas manuais de controle e 
desobstrução, sem a necessidade de aguardar 
equipamentos ou pessoal. 
Entende-se por obstrução de vias aéreas toda 
situação que impeça total ou parcialmente o 
trânsito do ar ambiente até os alvéolos 
pulmonares. A restauração e manutenção da 
permeabilidade das vias aéreas nas vítimas de 
trauma são essenciais e devem ser feitas de 
maneira rápida e prioritária. 
A vítima de trauma pode ter as vias aéreas 
comprometidas direta ou indiretamente por 
mecanismos distintos, sendo os principais os 
enumerados a seguir: 
2.1. Inconsciência 
A causa mais freqüente de obstrução de vias 
aéreas em vítimas de trauma é a inconsciência, 
provocando o relaxamento da língua que se projeta 
contra a orofaringe (fundo da garganta) da vítima 
em decúbito dorsal, impedindo a passagem de ar 
das vias aéreas superiores para as inferiores. 
Geralmente é causada por trauma 
cranioencefálico, choque ou situações clínicas. A 
inconsciência também favorece o refluxo do 
conteúdo gástrico seguido de broncoaspiração. 
2.2. Trauma Direto Sobre Vias Aéreas 
Trauma direto sobre as vias aéreas, causando 
sangramento em seu interior, compressão externa 
por edema e/ou hematomas e fraturas da árvore 
laringotraqueobrônquica, e/ou broncoaspiração de 
dentes fraturados. 
2.3. Queimaduras em Vias Aéreas 
Queimaduras em vias aéreas podem produzir 
inflamação e edema de glote e de vias aéreasinferiores. 
2.4. Corpo Estranho em Vias Aéreas 
Fragmentos de próteses dentárias, alimentos, 
balas, chicletes e pequenos objetos podem causar 
obstrução de vias aéreas em diferentes níveis. 
3. Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho 
(OVACE) 
3.1. Causas 
3.1.1. Causas de OVACE em Adultos 
Embora a perda de consciência seja a causa mais 
freqüente de obstrução de vias aéreas, a obstrução 
por corpos estranhos pode ser causa de perda de 
consciência e parada cardiopulmonar. A 
eventualidade de corpos estranhos obstruírem vias 
aéreas em pessoas conscientes ocorre mais 
freqüentemente durante as refeições, sendo a 
carne a causa mais comum. Outras causas de 
obstrução: próteses dentárias deslocadas, 
fragmentos dentários, chicletes e balas. 
A obstrução de vias aéreas pelo conteúdo 
regurgitado do estômago pode ocorrer durante a 
parada cardiopulmonar ou nas manobras de 
reanimação cardiopulmonar. Pessoas com nível de 
consciência alterado também correm risco de 
obstrução de vias aéreas pela aspiração de 
material vomitado. 
3.1.2. Causas de OVACE em Crianças 
Em crianças a principal causas de obstrução de 
vias aéreas é a aspiração de leite regurgitado ou 
de pequenos objetos. Outras causas freqüentes 
são alimentos (balas, chicletes, etc.) e causas 
infecciosas (epiglotite). Neste último caso, a 
presença do médico ou o transporte imediato para 
o hospital se fazem imperiosos. 
Os lactentes (até 1 ano de idade) são as principais 
vítimas de morte por aspiração de corpo estranho 
na faixa etária pediátrica. 
3.2. Reconhecimento 
O reconhecimento precoce da obstrução de vias 
aéreas é indispensável para o sucesso no 
atendimento. O socorrista deve estar atento, pois a 
obstrução de vias aéreas e conseqüente parada 
respiratória rapidamente evolui para parada 
cardiopulmonar. 
A obstrução das vias aéreas pode ser parcial (leve) 
ou total (grave). Na parcial, a vítima pode ser capaz 
de manter boa troca gasosa, caso em que poderá 
tossir fortemente, apesar dos sibilos entre as 
tossidas. Enquanto permanecer uma troca gasosa 
satisfatória, encorajar a vítima a persistir na tosse 
espontânea e nos esforços respiratórios, sem 
interferir nas tentativas para expelir o corpo 
estranho. 
A troca insuficiente de ar é indicada pela presença 
de tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios 
estridentes ou gementes, dificuldade respiratória 
acentuada e, possivelmente, cianose. Neste ponto, 
iniciar o manejo da obstrução parcial como se 
houvesse obstrução total. 
Em adultos, a obstrução por corpo estranho deve 
ser suspeitada em toda vítima que subitamente 
pare de respirar, tornando-se cianótica e 
inconsciente, sem razão aparente. Deve-se tomar 
cuidado na diferenciação de OVACE e parada 
cardiorespiratíria (ver capítulo específico – 
Ressuscitação Cardiopulmonar). 
Em crianças a OVACE deve ser suspeitada nos 
seguintes casos: dificuldade respiratória de início 
súbito acompanhada de tosse, respiração ruidosa, 
chiado e náusea. Se essa obstrução se tornar 
completa, ocorre agravamento da dificuldade 
respiratória, cianose e perda de consciência. 
3.2.1. Reconhecimento de OVACE em Vítima 
Consciente 
A obstrução total das vias aéreas é reconhecida 
quando a vítima está se alimentando ou acabou de 
comer e, repentinamente, fica incapaz de falar ou 
tossir. Pode demonstrar sinais de asfixia, 
agarrando o pescoço, apresentando cianose e 
esforço respiratório exagerado. O movimento de ar 
pode estar ausente ou não ser detectável. A pronta 
ação é urgente, preferencialmente enquanto a 
vítima ainda está consciente. 
Em pouco tempo o oxigênio disponível nos pulmões 
será utilizado e, como a obstrução de vias aéreas 
impede a renovação de ar, ocorrerá a perda de 
consciência e, rapidamente, a morte. 
3.2.2. Reconhecimento de OVACE em Vítima 
Inconsciente 
Quando um adulto for encontrado inconsciente por 
causa desconhecida, suspeitar de parada 
cardiopulmonar por infarto, acidente vascular ou 
hipóxia secundária à obstrução de via aérea. Ele 
será avaliado pensando-se em parada 
cardiopulmonar, deixando para fazer o manejo de 
desobstrução de vias aéreas apenas se o fato se 
evidenciar. Tratando- se de criança, devemos 
suspeitar imediatamente de OVACE. 
4. Desobstrução de Vias Aéreas 
Os métodos de desobstrução de vias aéreas 
dividem-se em dois tipos, conforme a natureza da 
obstrução: obstrução por líquido (rolamento de 90º 
e aspiração) ou obstrução por sólido (remoção 
manual e manobras de desobstrução). 
4.1. Obstrução por Líquido 
4.1.1. Rolamento de 90º 
 
Esta manobra consiste em lateralizar a vítima em 
monobloco, trazendo-a do decúbito dorsal para o 
lateral, com o intuito de remover secreções e 
sangue das vias aéreas superiores. 
Estando a vítima na cena do acidente, ainda sem 
intervenção do socorrista, ou seja, sem qualquer 
imobilização (colar cervical e tábua), havendo a 
necessidade da manobra, esta deverá ser realizada 
com controle cervical manual. 
Estando a vítima já imobilizada em tábua, proceder 
a manobra mediante a lateralização da própria 
tábua. 
4.1.2. Aspiração 
A aspiração de secreções e sangue pode ser 
realizada ainda na cena do acidente, mediante uso 
de aspiradores portáteis, ou no interior da 
ambulância, pelo uso de aspiradores fixos. Os 
aspiradores devem promover vácuo e fluxo 
adequado para sucção efetiva da faringe, através 
de sondas de aspiração de vários diâmetros. 
A unidade de sucção fixa instalada deve ter 
potência suficiente para um fluxo de 30 litros por 
minuto na extremidade final do tubo de entrada e 
um vácuo acima de 300 mm de mercúrio quando o 
tubo é fechado. Controlar a pressão de sucção em 
crianças e vítimas intubadas. Para a sucção 
traqueal, utilizar um tubo em "V" ou ''T', com 
abertura lateral para controlar a aspiração 
intermitente. 
Quando aspirando a boca ou a faringe, mover o 
cateter de sucção de tal modo que atinja todas as 
áreas acessíveis, evitando que se fixe na mucosa e 
perca sua eficácia. 
A inserção pode ser continuada lentamente, com 
movimentos rotatórios do cateter, enquanto houver 
material a ser aspirado. Cuidado ao utilizar 
cateteres duros, para evitar trauma da laringe. 
Aplicar a sucção por períodos de no máximo 05 
segundos de cada vez, alternando-a com o suporte 
ventilatório. 
4.2. Obstrução por Sólido 
4.2.1. Remoção Manual 
Durante a avaliação das vias aéreas, o socorrista 
pode visualizar corpos estranhos, passíveis de 
remoção digital. Somente remover o material que 
cause obstrução se for visível. 
É difícil o uso dos dedos para remover corpos 
estranhos das vias aéreas. Em muitos casos é 
impossível abrir a boca da vítima e inserir os dedos 
para esse propósito, a menos que a vítima esteja 
inconsciente. Em alguns casos, especialmente 
envolvendo crianças e lactentes, um dedo adulto 
pode aprofundar o corpo estranho, causando a 
obstrução completa. 
A técnica de remoção manual consiste em abrir a 
boca da vítima utilizando a manobra de tração da 
mandíbula ou a de elevação do mento (abordadas à 
frente) e retirar o corpo estranho com o indicador 
―em gancho‖, deslocar e retirar o corpo estranho. 
Estando o corpo estranho mais aprofundado, existe 
a alternativa de utilizar os dedos indicador e médio 
―em pinça‖. Em recém-nato e lactente, utilizar o 
dedo mínimo em virtude das dimensões reduzidas 
das vias aéreas. Somente tentar a remoção se o 
corpo estranho estiver visível; se não, está contra-
indicada a procura do material com os dedos. 
 
4.2.2. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em 
Adultos 
São manobras realizadas manualmente para 
desobstruir vias aéreas de sólidos que lhe ficarem 
entalados. 
Para vítimas inconscientes deve ser aplicada a 
manobra de ressuscitação cardiopulmonar, pois as 
compressões torácicas forçam a expelição do 
corpo estranho e mantém a circulação sangüínea, 
aproveitando o oxigênioainda presente no ar dos 
pulmões. 
Para vítimas conscientes usa-se uma das seguintes 
técnicas: 
4.2.2.1. Compressão Abdominal 
 
Também chamada manobra de Heimlich, consiste 
numa série de quatro compressões sobre a região 
superior do abdômen, entre o apêndice xifóide e a 
cicatriz umbilical. 
● Vítima em pé ou sentada: 
1) Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em 
torno do abdômen; 
2) Segurar o punho da sua outra mão e aplicar 
compressão contra o abdômen, entre o apêndice 
xifóide e a cicatriz umbilical no sentido superior 
(tórax), por quatro vezes; 
3) Estando a vítima em pé, ampliar sua base de 
sustentação, afastando as pernas, e posicionar 
uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a 
queda caso fique inconsciente. 
● Vítima deitada: 
1) Posicionar a vítima em decúbito dorsal; 
2) Ajoelhar-se ao lado da vítima, ou a cavaleiro 
sobre ela no nível de suas coxas, com seus joelhos 
tocando-lhe lateralmente o corpo; 
3) Posicionar a palma da mão (região tenar) sobre o 
abdômen da vítima, entre o apêndice xifóide e a 
cicatriz umbilical, mantendo as mãos sobrepostas; 
4) Aplicar quatro compressões abdominais no 
sentido do tórax. 
4.2.2.2. Compressão Torácica 
 
A compressão torácica é utilizada quando a 
compressão abdominal é inviável ou contra-
indicada, como nos casos de obesidade com 
circunferência abdominal muito larga e gestação 
próxima do termo. Consciente em uma série de 
quatro compressões torácicas sobre o terço 
inferior do esterno, logo acima do apêndice xifóide. 
● Vítima em pé ou sentada: 
1) Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em 
torno do tórax; 
2) Segurar o punho da sua outra mão e aplicar 
compressão contra o esterno, acima do apêndice 
xifóide, por quatro vezes; 
3) Estando a vítima em pé, ampliar sua base de 
sustentação, afastando as pernas, e posicionar 
uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a 
queda caso fique inconsciente. 
● Vítima deitada: 
1) Posicionar a vítima em decúbito dorsal; 
2) Ajoelhar-se ao lado da vítima; 
3) Aplicar quatro compressões torácicas como na 
manobra de ressuscitação cardiopulmonar - RCP; 
4.2.3. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em 
Crianças 
A remoção manual de material que provoque 
obstrução sem ser visualizado não é recomendada. 
Para crianças maiores de um ano, aplicar a 
manobra de Heimlich, de forma semelhante à do 
adulto; nos lactentes, uma combinação de palmada 
nas costas (face da criança voltada para baixo) e 
compressões torácicas (face voltada para cima), 
sempre apoiando a vítima no seu antebraço; 
mantenha-o com a cabeça mais baixa que o tronco, 
próximo a seu corpo. 
● Técnica: 
1) Utilizar a região hipotenar das mãos para aplicar 
até 05 palmadas no dorso do lactente (entre as 
escápulas); 
2) Virar o lactente segurando firmemente entre 
suas mãos e braços (em bloco); 
3) Aplicar 05 compressões torácicas, como na 
técnica de reanimação cardiopulmonar (comprima 
o tórax com 02 dedos sobre o esterno, logo abaixo 
da linha mamilar). 
Os passos da manobra de Heimlich para crianças 
maiores e os da combinação de palmada nas 
costas com compressões torácicas para lactentes 
devem ser repetidos até que o corpo estranho seja 
expelido ou a vítima fique inconsciente. Neste 
caso, proceder as manobras de abertura de vias 
aéreas, repetir os passos de desobstrução iniciar 
manobras de RCP. 
 
5. Métodos de Controle de Vias Aéreas 
Os métodos de controle de vias aéreas são de três 
tipos: manual , mecânico e cirúrgico, sendo que o 
método mecânico se subdivide em básicos, 
avançados e alternativos. 
A causa mais comum de obstrução de vias aéreas 
é a inconsciência de qualquer natureza e, na 
grande maioria dos casos, os métodos manuais 
conseguem promover e manter a permeabilidade 
das vias aéreas. 
5.1. Métodos Manuais 
5.1.1. Manobra de Tração de Mandíbula (Jaw-Thrust) 
Essa técnica tem como vantagem o fato de não 
mobilizar a coluna cervical, visto que promove a 
desobstrução das vias aéreas por projetar a 
mandíbula anteriormente, deslocando também a 
língua. 
Como desvantagem, é tecnicamente mais difícil de 
executar, se comparada à manobra de inclinação 
da cabeça e elevação do mento, além de não 
permitir que o socorrista (estando sozinho) 
continue a avaliação da vítima, visto que estará 
com as duas mãos envolvidas na manutenção da 
manobra. 
Executar da seguinte forma: 
1) Apoiar a região tenar da mão sobre a região 
zigomática da vítima, bilateralmente, estando 
posicionado na sua "cabeceira"; 
2) Colocar a ponta dos dedos indicador e médio 
atrás do ângulo da mandíbula, bilateralmente, 
exercendo força suficiente para deslocá-Ia 
anteriormente; 
3) Apoiar os polegares na região mentoniana, 
imediatamente abaixo do lábio inferior, e promover 
a abertura da boca. 
5.1.2. Manobra de Inclinação da Cabeça e Elevação do 
Mento (Chin Lift) 
 
Essa técnica tem como vantagens ser 
tecnicamente mais fácil de executar se comparada 
à manobra de tração de mandíbula e o socorrista, 
mesmo sozinho, consegue manter a manobra sem 
perder o controle cervical. 
Executar da seguinte forma: 
1) Manter o controle cervical com uma das mãos 
posicionada sobre a região frontal da vítima; 
2) Posicionar o polegar da outra mão no queixo e o 
indicador na face inferior do corpo da mandíbula; 
3) Pinçar e tracionar anteriormente a mandíbula, 
promovendo movimento discreto de extensão da 
cabeça, o suficiente para liberar as vias aéreas. 
Após a realização de qualquer das manobras 
manuais, o socorrista deve observar a cavidade 
oral e, somente caso visualize qualquer corpo 
estranho este deve ser removido. Em caso de 
corpos líquidos deve ser executado o rolamento de 
90º ou a aspiração. 
5.2. Métodos Mecânicos 
5.2.1. Básicos 
5.2.1.1. Cânula Orofaríngea 
Também conhecida como cânula de Guedel, é um 
dispositivo destinado a manter pérvia a via aérea 
superior em vítimas inconscientes. Introduzida em 
vítima consciente ou em estupor, pode produzir 
vômito ou laringoespasmo. É necessário cuidado 
na colocação da cânula, porque a inserção 
incorreta pode empurrar a língua para trás, na 
faringe, e produzir obstrução de via aérea, 
manifestada por troca insuficiente de ar, indicada 
por tosse ineficaz e fraca, ruídos respiratórios 
estridentes, dificuldade respiratória acentuada e 
até mesmo cianose (cor azulada de pele, unhas e 
lábios). 
A cânula orofaríngea está disponível em medidas 
para recém-natos, crianças e adultos. O melhor 
modo de identificar o tamanho adequado da cânula 
é segurá-Ia ao lado da face da vítima, com a 
extremidade inferior tocando o ângulo da 
mandíbula, logo abaixo do lóbulo da orelha e 
estender a outra extremidade até a comissura 
labial. 
Inserir a cânula com a concavidade para cima, 
dirigindo sua extremidade para o palato duro ("céu 
da boca"), logo atrás dos dentes incisivos 
superiores. Não permitir que a cânula toque o 
palato, aplicando um movimento de rotação 
helicoidal de 180º (em parafuso) sobre ela mesma, 
posicionando-a sobre a língua. Um abaixador de 
língua pode ser útil para impedir que a cânula 
empurre a língua para trás durante sua inserção. 
Em crianças pequenas, a cânula de Guedel é 
inserida diretamente sobre a língua, com a 
concavidade para baixo, sem a rotação de 180º. 
Dessa forma evitam-se traumatizar dentes e palato. 
5.2.1.2. Cânula Nasofaríngea 
É um dispositivo confeccionado em látex, mais 
flexível e de menor diâmetro que a cânula 
orofaríngea, em virtude de sua inserção através da 
cavidade nasal. Bem lubrificada, introduzi-Ia numa 
das narinas (naquela que aparentemente não 
esteja obstruída) e, delicadamente, introduzi-la até 
a orofaringe. A cânula nasofaríngea é preferível à 
orofaríngea na vítima consciente, por ser melhor 
tolerada e menos propensa a induzir vômitos. 
Durante a inserção, encontrando obstáculo na 
progressão da cânula, interromperimediatamente 
o procedimento, tentando a seguir introduzi-la 
através da outra narina. 
 
5.2.2. Avançado 
5.2.2.1. Intubação Endotraqueal 
Procedimento médico que se define como via aérea 
definitiva, através da inserção de cânula 
endotraqueal por via oral ou nasal. É o meio mais 
efetivo de proteção de vias aéreas contra 
aspiração e permite uma ventilação pulmonar 
adequada. 
Esse procedimento está indicado quando não se 
consegue manter via aérea permeável por outros 
métodos ou se pretendem proteger as vias aéreas 
inferiores contra a aspiração de sangue ou vômito. 
Dessa forma consegue-se manter uma melhor 
ventilação da vítima utilizando balão auto-inflável 
(ambu) ou respirador para manter ventilação 
artificial enriquecida com oxigênio. 
O socorrista deve conhecer o material necessário 
para a intubação traqueal, objetivando auxiliar o 
médico nesse procedimento: 
● Cânulas endotraqueais (nos 2,5 a 9,0); 
● Laringoscópio (cabo e lâminas de nos 0 a 4) 
● Pinças de Magill (adulto e infantil); 
● Guia; 
● Cadarço (para fixação da cânula); 
● Seringa (para insuflar o ".cuff'). 
5.2.3. Alternativos 
5.2.3.1. Obturador Esofágico 
É um dispositivo composto de uma máscara facial 
que cobre boca e nariz, adaptada a um tubo com 
balonete na extremidade oposta. O tubo é passado 
por via oral e se localizará no esôfago, o qual será 
obliterado pela insuflação do balonete. A vitima 
será ventilada através da máscara que deve estar 
bem adaptada à sua face. 
5.2.3.2. Combitube 
O Combitube é um tubo de duplo lúmem com 02 
balonetes (proximal orofaríngeo e distal). Um 
lúmem se assemelha ao obturador esofágico, com 
fundo cego e perfurações laterais na altura da 
faringe. O outro lúmem apresenta a extremidade 
distal aberta similar ao um tubo traqueal 
convencional. O Combitube é introduzido às cegas 
e permite adequada ventilação independentemente 
de sua posição ser esofágica ou traqueal. 
 
5.2.3.3. Máscara Laríngea 
A Máscara Laríngea é um tubo semicurvo, que se 
inicia em um conector padrão e termina em uma 
pequena máscara com um suporte periférico 
inflável, que forma uma vê dação à volta da 
entrada da laringe. Sua inserção é muito rápida e 
dispensa a laringoscopia. 
5.3. Método Cirúrgico 
5.3.1. Cricotireoidostomia 
 
Procedimento médico que se define como via aérea 
definitiva cirúrgica, por meio de inserção de agulha 
ou cânula traqueal através da membrana 
cricotireoidea (primeiro sulco transversal abaixo 
do "pomo de Adão", na face anterior do pescoço). 
Esse procedimento está indicado quando não é 
factível a intubação traqueal, como, por exemplo, 
nos casos de edema de glote, fratura de laringe, 
ferimentos faciais graves ou grande hemorragia 
orofaríngea. 
5.3.2. Traqueostomia 
Procedimento médico através do qual se 
estabelece um orifício artificial na traquéia, abaixo 
da laringe, indicado em emergências. 
Trata-se de um procedimento simples. O pescoço 
do paciente é limpo e coberto e logo são feitas 
incisões para expor os anéis cartilaginosos que 
formam a parede externa da traquéia. 
Posteriormente são cortados dois desses anéis, 
resultando num orifício, através do qual é inserida 
uma cânula. 
 
 8° Módulo: Ressuscitação 
Cardiopulmonar 
1. Histórico 
A reanimação tem sido uma aspiração humana há 
séculos. No século passado a reanimação foi uma 
prática comum na Europa, pela técnica de rolar 
vítimas inconscientes sobre barris, na tentativa de 
mover o ar para dentro e para fora dos pulmões. 
Foles também foram usados com o mesmo intuito. 
No início do século XX, a técnica mais usada era o 
método de pressão prona de Schafer, segundo a 
qual se pressionava clinicamente a região lombar 
para movimentar o ar entre os pulmões e o 
ambiente. Essa técnica permitia a manutenção das 
vias aéreas abertas pela ação da gravidade na 
base da língua. No entanto, essas e outras 
técnicas não eram eficientes pela baixa ventilação 
alveolar que ofereciam. 
Apesar da ventilação boca-a-boca estar descrita na 
Bíblia (usada em recém-nascidos por parteiras) 
somente no início dos anos 50 ela foi redescoberta 
pelos Dr James Elam e Peter Safar nos Estados 
Unidos. 
Nos anos 60 Kouwenhoven, Jude e Knickerbocker 
desenvolveram e apresentaram a técnica de 
compressão torácica externa. O acoplamento 
dessa técnica com a ventilação artificial boca-a-
boca é, hoje, largamente utilizada na reanimação 
cardiorrespiratória como suporte básico de vida. A 
simplicidade dessa técnica, que requer apenas 
duas mãos e ventilações na boca, tornou-a 
altamente popular. 
Em 1993 foi formada uma Aliança Internacional dos 
Comitês em Ressuscitação (ILCOR) pelas 
Sociedade de Cardiologia Americana (AHA), pelo 
Conselho Europeu em Ressuscitação (ERC), e pelo 
Comitê Australiano em Ressuscitação com o 
intuito de realizar estudos a partir de evidências 
cientificas. 
No ano de 2000, o ILCOR realizou a primeira 
Conferência para um Consenso em RCP e em 
conjunto com a AHA lançou uma nova diretriz para 
RCP. Em 2005, após uma nova Conferência de 
Consenso, a AHA lançou outra diretriz com 
diversas mudanças para RCP baseadas em 
evidências científicas, dentre as quais a principal é 
a mudança da taxa de compressão-ventilação de 
30:2, sendo que anteriormente era de 15:2. 
2. Morte Clínica e Biológica 
Ressuscitação cardiopulmonar é o conjunto de 
manobras realizadas para restabelecer a 
ventilação pulmonar e a circulação sangüínea, tais 
como, respiração artificial e massagem cardíaca 
externa, manobras essas utilizadas nas vítimas em 
parada cardiopulmonar (morte clínica). 
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) é também 
uma aspiração médica, porque a morte clínica não 
é seguida instantaneamente da morte biológica. Ou 
seja, no momento em que um paciente apresenta 
sinais de morte clínica (inconsciência sem 
resposta a qualquer estímulo e ausência de 
movimentos respiratórios e de pulso), há ainda 
viabilidade biológica dos órgãos internos. Dessa 
forma, se for possível manter a oferta de oxigênio 
aos tecidos e recuperar a respiração e a circulação 
espontâneas, antes da morte biológica dos tecidos, 
a reanimação é conseguida com sucesso (gráfico 
1). 
Esta tabela mostra a evolução da morte clínica até 
a morte biológica e os vários cenários possíveis 
após a RCP, segundo o tempo decorrido entre a 
parada circulatória e a restauração do fluxo 
sangüíneo espontâneo. 
 
A viabilidade do cérebro é que define a vida 
humana. Na ausência de intervenção terapêutica, a 
morte clínica é rapidamente seguida de lesão 
biológica tecidual irreversível. Essa seqüência é 
um processo que se estende de 5 a 20 minutos no 
cérebro, de 20 a 30 minutos no coração e por horas 
na pele. Devido à variação na longevidade dos 
diferentes tecidos corporais, a morte encefálica 
tem sido considerada o indicador da morte 
biológica (Fig 9.1). 
 
Para alguns pacientes com parada cardiopulmonar 
e com funções neurológica e cardiorrespiratória 
previamente preservadas, a utilização rápida das 
técnicas de RCP, seguidas de cuidados médicos 
definitivos, pode ser salvadora. O tempo disponível 
de viabilidade dos tecidos antes da morte biológica 
é curto e o principal determinante do sucesso da 
RCP. 
3. Parada Respiratória 
A parada respiratória evolui em alguns minutos 
para uma parada cardiopulmonar e apesar de ser a 
menor causa de paradas, possui resultados 
positivos quando aplicado RCP logo no início da 
parada, principalmente em obstrução de vias 
aéreas ou afogamento. 
São causas de parada respiratória por ordem de 
incidência: 
● Doenças do pulmão; 
● Trauma; 
● Obstrução de Vias Aéreas por inconsciência 
(queda da língua em contato com as partes moles 
da boca); 
● Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho 
(OVACE); 
● Acidente Cardiovascular (AVC); 
● Overdose por drogas; 
● Afogamento; 
● Inalação de fumaça; 
● Epiglotite elaringite; 
● Choque elétrico; 
4. Parada Cardíaca 
Doenças cardíacas são a principal causa de morte 
em todo o mundo e em cerca de 60% destas 
mortes ocorre uma Parada Cardíaca Súbita (PCS). 
A parada cardíaca súbita corresponde a 80% das 
paradas cardiopulmonares. Estas paradas 
cardíacas súbitas tem como principal causa o 
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e durante o 
infarto a grande maioria das vítimas apresenta 
algum tipo de fibrilação ventricular (FV) durante a 
parada. 
Nenhum tipo de RCP consegue reverter este 
quadro, mas garante a oxigenação dos tecidos até 
a chegada de um desfibrilador. Um RCP aplicado 
com alta qualidade pode dobrar ou triplicar as 
taxas de sobrevivência de PCS. 
Outras causas de Parada Cardíaca são: 
● Trauma direto no coração; 
● Uso de Drogas. 
5. Sinais de Parada Cardiopulmonar 
São três os sinais que demonstram que uma vítima 
está em parada cardiopulmonar: 
● Inconsciência sem resposta a estímulo; 
● Ausência de movimentos respiratórios; 
● Ausência de Pulso. 
6. Delineação da idade 
Crianças não devem ser vistas como pequenos 
adultos, nem tão pouco podemos afirmar que uma 
criança de 8 anos é igual fisiologicamente a um 
bebe de menos de 1 ano. Com o objetivo de aplicar 
as técnicas conforme a idade da vítima é 
necessário definir tal situação: 
● Adultos: vítimas que apresentem caracteres 
sexuais secundários (pré-adolescentes); 
● Crianças: a partir de 1 (um) ano de idade até a 
presença de caracteres sexuais secundários; 
● Bebês ou lactentes: até 1 (um) ano de idade; 
● Neonatos ou recém-nascidos: das primeiras horas 
do parto até a saída do hospital; 
7. Corrente da Sobrevivência para Adultos 
Como parte de um processo para diminuir as 
mortes por parada cardiopulmonar, tendo em vista 
que algumas pessoas são muito jovens para morrer 
apesar de alguma falha no coração, a American 
Heart Association (AHA) criou um fluxograma 
simples baseada em uma corrente com 4 (quatro) 
elos: a Corrente da Sobrevivência (Fig 9.2). 
 
Cada elo da corrente de Sobrevivência significa: 
● 1º - Reconhecimento imediato da emergência e 
acionamento do Sistema Médico de Emergência: 
ligue 192 ou 193; 
● 2º - Aplicação de RCP desde logo; 
● 3º - Aplicação imediata de choque com um 
desfibrilador assim que disponível; 
● 4º - Suporte Avançado de Vida seguido de 
tratamento pós-ressuscitação. 
Quem presencia uma parada cardiopulmonar pode 
prover 3 dos 4 elos se houver um desfibrilador 
disponível. Como esta ainda não é a realidade no 
Brasil, o ensino da corrente da sobrevivência é 
restrito aqueles que possam ter acesso a um 
desfibrilador, normalmente profissionais da área de 
saúde. 
Caso a causa da parada cardiopulmonar derive de 
uma parada respiratória conhecida, a aplicação de 
2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP desde 
logo precede ao acionamento do SME, se o 
socorrista estiver sozinho, pois este procedimento 
pode retomar rapidamente a respiração e 
circulação quando feito sem demora. 
8. Procedimentos para Ressuscitação Cardiopulmonar 
Ressuscitação cardiopulmonar é o conjunto de 
manobras realizadas para restabelecer a 
ventilação pulmonar e a circulação sangüínea, tais 
como, respiração artificial e massagem cardíaca 
externa, manobras essas utilizadas nas vítimas em 
parada cardiopulmonar. 
A ressuscitação cardiopulmonar requer uma 
seqüência de procedimentos parecido com o ABCD 
da avaliação inicial com a diferença que o D do 
RCP se refere a desfibrilação: 
● A – Vias Aéreas: manter as vias aéreas 
permeáveis para a passagem do ar; 
● B – Respiração: ventilar os pulmões da vítima 
para garantir um mínimo de troca de ar; 
● C – Circulação: comprimir o tórax de forma a 
realizar uma pressão intratorácica que faça o 
coração bombear sangue para os órgão vitais; 
● D – Desfibrilação: aplicação de um choque no 
coração para normalizar os batimentos cardíacos 
que entram em movimentos descompassados como 
a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular. 
9. RCP em Adultos 
A grande maioria das mortes em adulto é causada 
pela PCS e por mais bem feita que seja, a RCP não 
consegue reverter este quadro. Caso o socorrista 
esteja sozinho no local da ocorrência o 
acionamento ao SME, para a aplicação do 
desfibrilador, é prioritário para então na seqüência 
iniciar o RCP. 
A exceção fica para os casos de parada 
respiratória (OVACE, afogamento, etc) em que o 
emprego imediato de ventilações tem prioridade 
sobre o acionamento do SME. O socorrista se 
estiver sozinho deve então executar o RCP por 
pelos menos 2 (dois) minutos antes de acionar o 
SME. 
A seguir verificamos a seqüência do RCP conforme 
descrito de forma sucinta acima. 
9.1. Abertura de Vias Aéreas 
Estabelecida que a vítima apresenta os sinais 
característicos de parada cardiopulmonar você 
deve iniciar os procedimentos de RCP. Para tanto o 
primeiro passo é garantir que a vítima esteja em 
decúbito dorsal (costas no chão). 
Estando a vítima em decúbito dorsal efetue a 
abertura das vias aéreas, o que muitas vezes pode 
garantir o retorno da respiração se a vítima estava 
somente em parada respiratória. Se ao verificar as 
VVAA você encontrar qualquer objeto (chicletes, 
próteses) ou líqüido (vomito, sangue), retire com 
uma pinça, ou os dedos, ou aspirador, ou ainda 
através do rolamento 90º. Não retire dentaduras 
bem fixas da vitima, pois ela ajudam a manter os 
contornos da boca, auxiliando em uma boa 
vedação para a ventilação. 
9.1.1. Tração de Mandíbula 
 
Está é a técnica recomendada para abertura de 
VVAA em vítimas com suspeita de lesão na coluna 
cervical ou TCE. Para a tração da mandíbula siga 
os seguintes passos: 
● Deslize suas mãos para cada lado da cabeça e 
apóie as pontas dos dedos nos ângulos da 
mandíbula (Fig 9.3). 
● Coloque os polegares sobre a parte anterior da 
mandíbula e tracione deslocando o mento para a 
frente sem movimentar a cabeça. 
● Em caso dos lábios se fecharem afaste-os com os 
dedos. 
9.1.2. Inclinação da Cabeça e Elevação do Mento 
A inclinação da cabeça e elevação do mento (Fig 
9.4) é a técnica mais recomendada para abertura 
de VVAA sem instrumentos e pode ser usada em 
situações de trauma após 3 (três) tentativas sem 
sucesso com a tração da mandíbula: 
● Com uma das mãos apóie na testa da vítima e 
exerça uma pequena tração para trás, fazendo uma 
pequena extensão do pescoço; 
● Ao mesmo tempo que você apóia a mão na testa 
com a outra mão faça uma pinça com os dedos 
elevando o queixo e abrindo-o; 
● Caso o ar não passe tente estender um pouco 
mais o pescoço e procure por OVACE a cada 
procedimento. 
 
9.1.3. Cânula Orofaríngea 
A cânula orofaríngea ou cânula de Guedes é 
disponível em vários tamanhos e é o procedimento 
padrão para o socorrista bombeiro estando na 
ambulância. A cânula só é recomendada para 
pacientes inconscientes em comatose, pois caso o 
paciente ainda tenha reflexos glossofaringeal a 
cânula pode provocar vomito ou espasmos na 
laringe. Para a colocação da cânula (Fig 9.5): 
● Meça o tamanho da cânula verificando desde o 
ângulo da mandíbula até a boca; 
● Insera a cânula com a curva voltada para baixo e 
gire-a na posição correta após verificar que a ponta 
já está na base da língua. 
● Em crianças coloque a cânula diretamente na sua 
posição normal, auxilie com uma puxador de língua 
se necessário. 
 
É possível que a cânula fique obstruída por 03 
(três) situações: parte da língua pode obstruir a 
ponta da cânula, a cânula pode se alojar na 
vallecula, e as VVAA podem ficar obstruídas com a 
oclusão da epiglote pela cânula. 
9.1.4. Vias Aéreas Avançadas 
VVAA avançadas são equipamentos que garantem 
uma maior ventilação ao pulmão, pois elas 
conseguem direcionar o ar diretamente para a 
traquéia. A colocação destes equipamentos são 
procedimentos exclusivos do profissional médico. 
Intubação Endotraqueal 
Intubação endotraquealé o método preferido para 
estabelecer uma via aérea permeável durante a 
RCP. Ela permite bom volume corrente, ventilação 
com altas frações de O² e aspiração das vias 
aéreas inferiores, além de proteger a via aérea de 
aspiração de conteúdo gástrico. A RCP não deve 
ser suspensa por mais de 30 segundos para tentar 
a intubação (Fig 9.6). 
 
Combitubo 
O combitubo é uma VVAA avançada com um tubo 
de saída de ar e dois de entrada. Sua grande 
vantagem é a de que não importa em qual canal o 
tubo entra, se a traquéia ou o esôfago, sempre é 
possível efetuar a ventilação, pois a ventilação 
pode ser direcionada pelos tubos de entrada. É 
indicada em casos de trauma onde a colocação é 
de difícil acesso (Fig 9.7). 
 
Máscara Laríngea 
A máscara laríngea é como o próprio nome diz uma 
máscara conectada em um tubo, mas 
diferentemente do obturador esofágico, a máscara 
é introduzida na laringe vedando a entrada para a 
traquéia (Fig 9.8). 
 
Cricotireoidostomia e traqueostomia 
Se uma via aérea não-cirúrgica não for possível, a 
cricotireoidostomia de emergência está indicada. A 
realização da traqueostomia durante as manobras 
de RCP é um procedimento difícil e seguido de 
várias complicações. Nesta fase, a 
cricotireoidostomia é o método cirúrgico de 
eleição (Fig 9.9). 
 
Pressão Cricóide 
A pressão cricóide ou manobra de Sellick é 
realizada com o objetivo de evitar que o ar enviado 
por uma ventilação vá para o estômago, prevenindo 
a distensão gástrica, diminuindo o risco de 
regurgitação e aspiração e evitando que o 
estômago pressione a veia cava e venha a diminuir 
o retorno venoso. 
A pressão cricóide só é recomendada para vítimas 
inconscientes e por um terceiro socorrista que não 
participa das manobras de RCP. Caso a passagem 
de ar esteja difícil ou a vítima vomite retire a 
pressão na cricóide. Para aplicar a pressão 
cricóide realize os seguintes passos (Fig 9.10): 
 
● Localize a cartilagem tireóide (pomo-de-adão) 
com o dedo indicador. 
● Deslize o dedo até a base da cartilagem e apalpe 
o anel horizontal logo abaixo desta (cartilagem 
cricóide). 
● Com o dedo indicador e a ponta do polegar 
pressione para baixo a cartilagem cricóide. 
9.2. Ventilação 
Após a abertura das VVAA, analise a respiração da 
vítima usando o método do Ver-Ouvir-Sentir. Este 
exame não deve demorar mais do que dez 
segundos, se constatar que não há respiração, ou a 
respiração é inadequada (respirações agônicas), ou 
ainda, você não tem certeza se a respiração é 
adequada; inicie as ventilações artificiais. 
9.2.1. Ventilação Boca-a-boca 
Para realizar a ventilação boca-a-boca. 
● Pince o nariz da vítima usando o polegar e dedo 
indicador da mão que está na testa da vítima; 
● Respire normalmente e coloque seus lábios na 
boca da vítima, vedando-a completamente, 
impedindo vazamento de ar; 
● Ventile 2 (duas) vezes (cerca de 1 segundo para 
cada ventilação) a cada 30 (trinta) compressões 
torácicas; 
● A ventilação deve provocar elevação visível do 
tórax; 
● Observar o tórax subindo e descendo, ouvir e 
sentir o fluxo de ar; 
● Manter as vias aéreas abertas para a expiração; 
● Não demore mais do que 10 (dez) segundos na 
aplicação das ventilações; 
● Se a ventilação não elevar o tórax após algumas 
tentativas, inicie a compressão torácica; 
● Havendo pulso, efetue de 10 a 12 ventilações por 
minuto sem compressões torácicas; 
● Evite a hiperventilação, pois isto pode causar 
uma distensão gástrica reduzindo o débito 
cardíaco. 
9.2.2. Ventilação Boca-nariz 
Recomendada quando não é possível ventilar boca 
a boca, como: trauma de face, boca disforme, ou 
boca-boca/nariz em lactentes: 
● Com a mão que está no queixo da vítima, feche a 
boca da vítima; 
● Respire normalmente, coloque os lábios ao redor 
do nariz da vítima e ventile; 
● Deixe a vítima expirar passivamente, pode ser 
necessário abrir a boca; 
● Manter a mesma recomendação de ritmo anterior 
(boca-a-boca). 
9.2.3. Ventilação Boca-estoma 
Estoma traqueal é uma abertura permanente na 
parte da frente do pescoço em pessoas que 
tiveram sua laringe removida por cirurgia. A 
ventilação nestes casos é feita diretamente no 
estoma da mesma maneira do boca-a-boca. Após a 
ventilação não esqueça de permitir a saída de ar 
após cada ventilação. 
9.2.4. Ventilação Bolsa-Válvula-Mascara 
A ventilação bolsa-válvula-máscara é o 
procedimento padrão para SME na aplicação da 
ventilação no RCP. A maioria destes equipamentos 
é constituída por uma máscara que garante a 
vedação da boca e nariz, uma válvula que impede a 
reinalação e uma bolsa com um volume 
aproximado de 1.600 ml. Assim que possível 
conecte também o reservatório com O² para 
garantir a entrega de 100% de oxigênio a vítima, 
sem este equipamento a entrega de O² fica em 
apenas 70%. 
Para a ventilação bolsa-válvula-máscara, segure 
firmemente com uma das mãos a máscara e o um 
dos ângulos da mandíbula da vítima, com a outra 
mão comprima lentamente a bolsa até verificar 
elevação visível do tórax. A ventilação com 2 (dois) 
socorristas garante uma maior efetividade, pois 
enquanto um comprime a bolsa, o outro veda a 
máscara com as duas mãos, uma em cada ângulo 
da mandíbula. 
9.2.5. Ventilação VVAA Avançadas 
Para a ventilação com VVAA avançadas conecte o 
ambu e assim que possível forneça a bolsa e 
reservatório com O² para a vítima. Na ventilação 
com VVAA avançadas estas devem ser aplicadas 
de 8 (oito) a 10 (dez) ventilações por minuto sem 
pausa nas compressões torácicas. 
9.3. Compressão Torácica 
Conforme a diretriz de 2005 da AHA as 
compressões torácicas são enfatizadas. A 
compressão torácica consegue criar um pequeno 
fluxo de sangue para os órgãos vitais, como 
cérebro e miocárdio. A cada interrupção este fluxo 
para e durante as primeiras compressões ele não 
se estabelece de forma efetiva, por isto as 
compressões têm maior importância. 
Durante a PCS a necessidade de ventilação é 
menor do que o normal, pois durante os 
procedimentos de RCP o fluxo sangüíneo que vai 
para os pulmões é muito menor que o normal, não 
havendo necessidade de uma grande troca de ar. 
9.3.1. Verificação do Pulso 
 
A verificação do pulso em vítimas inconscientes 
sempre é realizada pela palpação da carótida (Fig 
9.15). Em cerca de 10% dos casos de vítimas sem 
pulso os socorristas não são capazes de identificá-
lo e acabam atrasando o início das compressões 
torácicas. Caso você não tenha certeza de que a 
vítima tem pulso, mas sabe que esta não respira, 
inicie as manobras de RCP com compressão 
torácica. 
Para verificar o pulso carotídeo localize a traquéia 
com dois dedos e deslize-os suavemente entre a 
traquéia e os músculos laterais do pescoço, 
exercendo uma leve compressão sem obstruir a 
artéria. Esta operação não deve demorar mais do 
que 10 (dez) segundos. O socorrista pode também 
procurar por pulso na artéria femural da vítima 
inconsciente. 
9.3.2. Posição do Corpo e das Mãos 
Verificado que a vítima não possui pulso, o 
socorrista deve iniciar as compressões torácicas: 
● Certifique-se de que a vítima esteja em decúbito 
dorsal sobre uma superfície rígida; 
● Ajoelhe-se ao lado do peito da vítima; 
● Exponha o peito da vítima e coloque uma das 
mãos no centro do peito na altura da linha mamilar 
(Fig 9.16); 
 
● Coloque a outra mão sobre a primeira e entrelace 
os dedos com esta, não aplique nenhuma pressão 
sobre as costelas, o término do esterno, ou o 
abdômen; 
●Posicione-se verticalmente sobre a vítima com os 
braços retos e seus ombros sobre o peito da vítima 
e comprima o tórax de forma que o peso de seu 
corpo auxilie na compressão. 
9.3.3. Técnica da Compressão 
Para efetuar as compressões é importante lembras 
destes detalhes: 
●Comprima 30 (trinta) vezes o peito para cada 02 
(duas) ventilações na vítima adulta, independente 
de estar em 1 ou 2 socorristas; 
● Ataxa de compressão deve ser de 100 (cem) 
compressões por minuto; 
● Comprima rápido, comprima forte e permita o 
retorno completo do tórax; 
● Execute a compressão com uma profundidade de 
4 (quatro) a 5 (cinco) centímetros; 
● Tempo de compressão e descompressão devem 
ser iguais; 
● Limite as interrupções, a compressão torácica é 
o procedimento mais importante para garantir uma 
sobre vida a vítima; 
● Após 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP 
reavalie a vítima, não demore mais do que dez 
segundos nesta avaliação. 
● A cada 2 (dois) minutos troque, se possível, o 
socorrista que comprime o tórax; estudos 
comprovaram que mesmo sem referir cansaço o 
socorrista perde eficiência em apenas dois minutos 
de compressão. 
10. RCP em Crianças 
O RCP em crianças é quase o mesmo para adultos 
com algumas diferenças devido as diferenças 
anatômicas e fisiológicas. 
10.1. Corrente da Sobrevivência 
A corrente da sobrevivência para crianças e 
mesmo para jovens adultos (até 21 anos) apresenta 
uma diferença em relação à corrente para o 
adultos. Como as mortes nesta faixa etária são 
mais comuns devido ao trauma (acidentes de 
trânsito, afogamento, queimadura, FAB, FAF), a 
prevenção ganha em importância para estes casos, 
pois uma parada nestas situações só é revertida de 
2 a 5% dos casos e a sua maioria desenvolve 
alguma complicação neurológica (Fig 9.18). 
 
Os elos da Corrente da Sobrevivência para 
crianças são: 
● 1º – Prevenção nas causas de parada 
cardiorrespiratória; 
● 2º - Aplicação de 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) 
ciclos de RCP desde logo; 
● 3º - Acionamento rápido do Sistema Médico de 
Emergência: ligue 192 ou 193; 
● 4º - Suporte Avançado de Vida em Pediatria 
seguido de tratamento pós-ressuscitação. 
Caso você tenha conhecimento de que a criança 
sofra de alguma doença cardíaca, o acionamento 
do SME é prioritário à aplicação de RCP. 
10.2. Abertura de Vias Aéreas 
O procedimento é o mesmo realizado para adultos. 
10.3. Ventilação 
Após a abertura das VVAA aplique 2 (duas) 
ventilações efetivas na criança. Devido ao tamanho 
da caixa torácica da criança ser menor do que do 
adulto menos ar é necessário na respiração, ao 
ventilar forneça apenas ar suficiente para elevar o 
tórax da criança (Fig 9.19). 
 
Se houver pulso aplique de 12 (doze) a 20 (vinte) 
ventilações por minuto, pois a criança 
normalmente possui uma freqüência respiratória 
mais elevada que o adulto. Com VVAA avançadas 
efetue de 8 (oito) a 10 (dez) ventilações por minuto 
sem interrupção nas compressões. 
10.4. Compressão Torácica 
Para a compressão torácica em crianças siga os 
seguintes passos : 
● Apalpe o pulso carotídeo em no máximo 10 (dez) 
segundos, se não estiver presente prepare- se para 
iniciar as compressões. 
● Certifique-se de que a vítima esteja em decúbito 
dorsal sobre uma superfície rígida; 
● Ajoelhe-se ao lado do peito da vítima; 
● Exponha o peito da vítima e coloque uma das 
mãos com o braço reto sobre o centro do peito na 
altura da linha mamilar (Fig 9.20), se achar 
necessário é possível colocar as duas mãos; 
 
● Se estiver sozinho, comprima 30 (trinta) vezes o 
peito para cada 02 (duas) ventilações; 
● Em 2 socorristas, comprima 15 (quinze) vezes 
para cada 02 (duas) ventilações; 
● A taxa de compressão deve ser de 100 (cem) 
compressões por minuto; 
● Comprima rápido, comprima forte e permita o 
retorno completo do tórax; 
● Execute a compressão com uma profundidade de 
½ a ⅓ do tamanho do tórax; 
● Tempo de compressão e descompressão devem 
ser iguais; 
● Após 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP 
reavalie a vítima, não demore mais do que dez 
segundos nesta avaliação. 
11. RCP em Bebês 
Em bebês, menos de 1 (um) ano de idade, as 
causas mais comuns de parada cardiorrespiratória 
são: síndrome da morte súbita em lactentes, 
doenças respiratórias, OVACE, afogamento e 
doenças neurológicas. A ressuscitação nestes 
casos é extremamente difícil e resultam muitas 
vezes em complicações neurológicas. 
A corrente de sobrevivência para bebês é a mesma 
aplicada as crianças com a diferença de que a 
prevenção deve atuar mais nas doenças acima. Em 
bebês o uso do desfibrilador externo automático, 
DEA, não é recomendado. 
11.1. Abertura de Vias Aéreas 
O procedimento é praticamente idêntico ao do 
adulto com a diferença de que em bebês é indicada 
a colocação de uma pequena toalha sobre os 
ombros da criança para manter as VVAA abertas 
devido a relação da cabeça da criança com o tórax 
. 
11.2. Ventilação 
A ventilação recomendada para bebes sem o uso 
de equipamentos é a boca-boca e nariz, devido as 
diferenças anatômicas entre adulto e o bebê. 
Assim como para crianças a ventilação fornecida 
para bebês é menor do que a para adultos, ao 
ventilar forneça apenas ar suficiente para elevar o 
tórax do bebê. 
11.3. Compressão Torácica 
Principais diferenças na aplicação de compressões 
torácicas em relação à criança: 
● Apalpe o pulso braquial em bebês, se estiver 
ausente inicie o RCP; 
● Se estiver sozinho o socorrista pode executar o 
RCP sentado com o bebê em seu braço, apoiado 
em uma das pernas, porém a superfície rígida é 
mais apropriada; 
●A aplicação da compressão é realizada logo 
abaixo da linha mamilar; 
●Comprima o tórax com 2 (dois) dedos sobre o 
esterno, ou se possível, com os dois polegares, 
abraçando o peito da vítima com as mãos. 
12. RCP em Neonatos 
Como o RCP em Neonatos somente é aplicável na 
primeiras horas após o parto, dificilmente uma 
equipe de socorristas irá usá-lo, mas como pode 
haver a ocorrência de um parto de emergência na 
ambulância, o socorrista deve saber aplicá-lo. 
12.1. Abertura de Vias Aéreas 
Procedimento igual ao da criança com a diferença 
de que logo após o parto se faz necessário aspirar 
as VVAA por completo para retirar qualquer 
possibilidade de obstrução pelo líqüido amniótico. 
12.2. Ventilação 
Mesma ventilação recomendada para crianças 
deve ser aplicada aos neonatos com a diferença de 
que neste caso somente deve ser aplicada 1 (uma) 
ventilação antes de iniciar as compressões. 
12.3. Compressão Torácica 
Principais diferenças na aplicação de compressões 
torácicas em relação à criança: 
●Apalpe o pulso braquial em neonatos, se estiver 
ausente inicie o RCP; 
● A aplicação da compressão é realizada logo 
abaixo da linha mamilar; 
● Comprima o tórax com os 2 (dois) polegares, 
abraçando o peito da vítima com as mãos (Fig 
9.24); 
● Comprima 3 (três) vezes o tórax para cada 1 
(uma) ventilação; 
●Comprima a uma taxa de 90 (noventa) 
compressões por minuto. 
 
13. Complicações na RCP 
Algumas complicações são encontradas na 
aplicação da RCP para vítimas em parada. Começa 
muitas vezes pela demora no início da RCP, cerca 
de 10% dos socorristas profissionais ao verificar o 
pulso pensam que este está presente quando não 
está, atrasando a RCP. 
Alguns socorristas podem ficar relutantes na 
entrega de ventilações sem equipamentos. A 
possibilidade de contrair uma doença é pequena e 
somente alguns casos de tuberculose foram 
verificados na ventilação boca-a-boca. Se mesmo 
assim o socorrista relutar em ventilar a vítima, 
este não deve atrasar o emprego das compressões 
torácicas que tem se mostrado mais importante do 
que as ventilações em um curto prazo. 
A interrupção das compressões deve ser evitada 
ao máximo, procedimentos como intubação, 
aplicação de drogas não devem demorar mais do 
que 30 (trinta) segundos. Estudos têm mostrado 
que mesmo mantendo as compressões a um ritmo 
de 100/min, devido as interrupções esta taxa cai 
para 60/min prejudicando as chances da vítima. 
A hiperventilação já não é mais recomendada, 
sendo até mesmo prejudicial. A maior parte do ar 
entregue na ventilação acaba indo para o 
estômago, ocorrendo uma distensão gástrica que 
prejudica a pressão intratorácica aplicada pelas 
compressõese principalmente o retorno venoso 
para o coração. 
Algumas complicações podem surgir com a 
execução das compressões: fratura de costelas, 
pneumotórax, lesões na região abdominal. Apesar 
destas complicações a compressão torácica não 
deve ser interrompida até que a vítima retorne. 
14. Desfibrilador Externo Automático 
O uso do desfibrilador externo automático, DEA, 
tem se difundido no Brasil, principalmente após a 
morte de Serginho, jogador do São Caetano, que 
faleceu em campo devido uma PCS. O uso do DEA é 
grande nos Estados Unidos e tem demonstrado 
uma maior eficiência quando empregados por 
socorristas leigos em locais de grande público 
como aeroportos, shoppings, estádios, do que 
quando empregado somente pelo sistema médico 
de emergência. 
O DEA é um aparelho capaz de analisar o ritmo 
cardíaco e aplicar o choque quando necessário. 
Para isso o ritmo cardíaco apresentado pela vítima 
deve ser chocável, o que ocorre somente com a 
Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia 
Ventricular sem perfusão (TV). Cerca de 70 % das 
PCS apresentam FV em algum momento da parada. 
Vítimas com parada devido a um trauma 
normalmente apresentam assistolia (sem ritmo). 
14.1. Aplicação do Choque 
Para a aplicação do choque o socorrista deve 
observar os mesmo sinais de parada citados 
acima: inconsciência sem resposta a estímulos, 
ausência de movimentos respi ratórios e ausência 
de pulso. Verificado que a vítima está em parada o 
socorrista deve seguir os seguintes passos: 
● Ligue o DEA, se estiver na ambulância em 
movimento, pare-a para evitar interferências na 
análise; 
● Exponha o peito da vítima e fixe as pás auto-
adesivas no tórax conforme o desenho indicativo 
que se encontra nas próprias pás (Fig 9.26); 
 
● Afaste-se da vítima e aguarde o DEA analisar o 
ritmo cardíaco, alguns aparelhos requerem que o 
operador aperte um botão para realizar a análise 
(Fig 9.27); 
 
●Após a análise o DEA indicará o choque ou não, se 
não for indicado avalie a vítima e inicie o RCP; 
●Com o choque indicado afaste todos da vítima e 
aplique o choque (Fig 9.28); 
Após o choque reinicie o RCP imediatamente com 
compressões torácicas, sem reavaliar o pulso e 
sem retirar as pás. Após o primeiro choque com o 
DEA, mais de 90% dos corações em FV respondem, 
retornando a um ritmo normal. Porém, muitas vezes 
o coração não consegue estabelecer este ritmo por 
mais de um minuto e precisa da aplicação de 
compressões torácicas para restabelecer o ritmo. 
Quando a PCS aconteceu a mais de 4 (quatro) a 5 
(cinco) minutos, o músculo cardíaco permanece 
por muito tempo em hipóxia não reagindo bem ao 
choque. Para isso a aplicação de 2 (dois) minutos 
ou 5 (cinco) ciclos de RCP garante um mínimo de 
oxigenação ao músculo cardíaco para responder de 
forma mais efetiva ao choque. Como normalmente 
esta é a condição em que a equipe do SME vai 
encontrar no local da ocorrência. 
Nos casos em que o choque não é indicado reinicie 
com compressões e realize 2 (dois) minutos ou 5 
(cinco) ciclos de RCP. Após isto reative o DEA para 
analisar novamente o ritmo cardíaco. Não é 
necessário retirar as pás durante o RCP. 
O uso do DEA também é indicado em crianças, 
preferencialmente com pás menores adaptadas 
para a proporção das crianças. Caso não haja pás 
para crianças use as pás para adultos. O DEA ainda 
não é recomendado para bebês (menores de 1 ano). 
Algumas complicações podem surgir devido ao 
excesso de pelos ou a presença de água no peito 
da vítima. Se o DEA não conseguir analisar 
arranque as pás com os pelos e coloque outras no 
lugar, se não funcionar corte os pêlos com uma 
tesoura. Nunca aplique o DEA se a vítima estiver 
submersa, retire-a da água e seque o peito da 
vítima para conectar as pás. 
15. Tratamento Pós-ressuscitação 
Em caso de sucesso nas manobras de 
ressuscitação deve seguir um tratamento para 
restabelecer os sinais vitais da vítima as 
condições normais. Investigue as causas que 
levaram a parada para melhor tratá-la. O primeiro 
passo é garantir as VVAA e a ventilação adequada 
da vítima, de preferencia com oxigênio e 
ventilação positiva, pois a maioria das vítimas que 
retornam após RCP precisam de auxílio na 
respiração. 
 
Em caso de trauma os procedimentos para controle 
de hemorragias e imobilização da vítima vem na 
seqüência. Se o caso for clínico a vítima deve ser 
colocada na posição de recuperação conforme a 
seqüência (Fig 9.29). Evite a hipertermia 
(aquecimento) da vítima no ambiente pré-hospitalar 
tratando a febre de maneira intensiva após a 
ressuscitação. 
16. Quando Interromper RCP? 
A grande maioria dos procedimentos para 
ressuscitação não são bem-sucedidas e falham 
neste processo, principalmente quando o trauma é 
a causa. Muitos fatores influenciam a decisão de 
interromper a RCP. Acredita-se que se o coração 
persiste em FV, a RCP não deve ser interrompida e 
se o coração já está em mais de 20 minutos em 
assistolia, a RCP pode ser interrompida. 
No SIATE, porém, a interrupção do RCP por 
irreversibilidade do quadro é de competência 
médica. 
17. Quando Não Iniciar o RCP? 
A equipe de socorrista não inicia a RCP se as 
seguintes situações estiverem presentes: 
● Rigidez cadavérica; 
● Decapitação; 
● Decomposição 
● Esmagamento do tórax; 
● A execução do RCP pode colocar o socorrista sob 
risco. 
18. RCP para Leigos 
Os bombeiros socorristas são atualmente os 
maiores difusores de informações à população de 
procedimentos para o suporte básico de vida 
(SBV). Após uma avaliação sobre os métodos de 
ensino para leigos, a AHA decidiu diferenciar o 
ensino do RCP para leigos. 
18.1. Sinais de Parada Cardiopulmonar 
Leigos não conseguem identificar pulso e podem 
atrasar a aplicação da RCP por este motivo, por 
isso somente estes dois sinais devem ser 
verificados: 
● Inconsciência sem resposta a estímulo; 
● Ausência de movimentos respiratórios; 
18.2. Delineação da Idade 
A delineação da idade também difere, pois leigos 
normalmente não sabem identificar caracteres 
sexuais secundários: 
● Adultos: a partir 8 (oito) anos de idade; 
● Crianças: a partir de 1 (um) ano de idade até 8 
(oito) anos de idade; 
● Bebês ou lactentes: até 1 (um) ano de idade; 
● Neonatos ou recém-nascidos: não há diferença de 
bebes para leigos. 
18.3. Abertura de Vias Aéreas 
Ensine apenas a inclinação da cabeça e elevação 
do mento para leigos. A tração da mandíbula 
realizada por leigos não é tão eficiente e 
dificilmente consegue-se evitar a movimentação da 
cabeça e pescoço com esta manobra. 
18.4. Ventilação 
Diferenças entre RCP para profissionais de saúde e 
socorristas leigos: 
● Como os socorristas leigos não verificam o pulso, 
eles não devem aplicar a ventilação artificial sem 
compressões torácicas; 
● Caso o leigo fique relutante em efetuar 
ventilações, este deve pelo menos efetuar 
compressões torácicas. 
18.5. Compressão Torácica 
Leigos tem dificuldade de guardar várias taxas, por 
isso uma única taxa de compressão-ventilação de 
30:2 para todas as faixas etárias deve ser ensinada 
aos leigos. 
18.6. Corrente da Sobrevivência para Leigos 
A corrente da sobrevivência não é um método de 
ensino que deve ser aplicado no Brasil, pois não 
encontram-se muitos DEAs disponíveis em locais 
públicos. Aplique esta metodologia somente se 
houver DEA no local do ensino. 
Prefira o método: ligue por primeiro, RCP desde 
logo para adultos, e RCP por 2 minutos e ligue para 
o SME para crianças e bebes. 
● Reconheça imediatamente a emergência, ligue 
para o serviço de emergência médica: 193 ou 192; 
● Verifique a respiração (Ver – Ouvir – Sentir), faça 
a abertura das vias aéreas e efetue duas 
ventilações; 
● Localize o centro do peito e posicione a mão 
sobre a linha mamilar; 
● Comprima o peito por 30 vezes, comprima forte, 
comprima rápido e permita o retorno do tórax. 
 
9° Módulo:Hemorragia e Choque 
1. Introdução 
Para um melhor entendimento dos mecanismos (da 
hemorragia e do choque) fazse necessário uma 
pequena revisão de alguns aspectos conceituais de 
anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular. 
Vejamos: 
1.1. Coração 
É um órgão muscular oco que se contrai 
ritmicamente, impulsionando o sangue através de 
toda a rede vascular. Está situado no centro do 
tórax, num espaço denominado mediastino, que 
fica entre os dois pulmões (limites laterais), por 
cima do diafragma (limite inferior), por diante da 
porção torácica da coluna vertebral (limite 
posterior) e por trás do osso esterno (limite 
anterior). É como uma bomba que impulsiona o 
sangue. Para que trabalhe de forma apropriada, 
necessita fundamentalmente de dois fatores: 
primeiro de volume de sangue suficiente circulando 
dentro dos vasos, dependendo também da pressão 
sistólica para impulsioná-lo. 
Divide-se interiormente em quatro cavidades, 
sendo duas superiores e duas inferiores. As 
cavidades superiores denominam-se átrios e as 
cavidades inferiores denominamse ventrículos. Os 
átrios (direito e esquerdo), não se comunicam 
entre si. Da mesma forma os ventrículos (direito e 
esquerdo). Entretanto os átrios comunicam-se 
amplamente com os ventrículos correspondentes, 
comunicação esta que permite a divisão do 
coração em duas partes completamente distintas; 
a esquerda por onde circula o sangue arterial 
(oxigenado) e a direita por onde transita o sangue 
venoso (rico em gás carbônico). 
1.2. Vasos Sanguineos 
1.2.1. Artérias 
São os vasos que se afastam do coração levando o 
sangue arterial para distribuí-lo a todos os órgãos 
do corpo. Desde a sua origem, no coração, as 
artérias ramificam-se de modo sucessivo ficando 
progressivamente mais finas, isto é, diminuem de 
tamanho à medida que se afastam do coração. 
As artérias se distribuem em dois circuitos, o 
primeiro, de menor tamanho, que leva o sangue aos 
pulmões através do tronco pulmonar (também 
chamado de pequena circulação); e o outro, de 
tamanho maior, que conduz o sangue oxigenado a 
todas as células do organismo (também chamado 
de grande circulação). As principais artérias do 
corpo humano são: tronco pulmonar (pequena 
circulação) e a artéria aorta (grande circulação) 
responsável pela irrigação de todo o corpo. 
As paredes das artérias são grossas para melhor 
suportarem a pressão arterial; pulsam conforme a 
sístole cardíaca. Quando lesadas, a hemorragia se 
faz por jatos intermitentes. 
1.2.2. Veias 
O sangue que sai do coração, por intermédio das 
artérias, retorna ao mesmo pelas veias. Portanto, 
veias são os vasos sangüíneos que trazem o 
sangue venoso dos diversos órgãos de volta ao 
coração. 
Como as veias convergem, são mais finas quanto 
mais distantes e mais calibrosas conforme se 
aproximam do coração. 
As paredes das veias, finas e delgadas, não 
pulsam. 
 
1.2.3. Capilares 
São vasos muito finos que representam a transição 
entre artérias e veias. É nos capilares que se dá a 
troca de oxigênio e nutrientes por gás carbônico e 
detritos, para serem eliminados pelo sistema 
venoso. 
Ao fluxo constante de sangue pelos capilares 
chamamos de perfusão, sendo ele essencial à 
manutenção de vida nos tecidos. 
 
A diminuição do volume sangüíneo afeta a perfusão. 
Uma falha na perfusão leva os tecidos à morte. 
1.3. Sangue 
O sangue é constituído por uma parte líquida 
(plasma) e por elementos figurados (glóbulos 
vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). 
O sangue corresponde de 7 a 8% do peso corporal 
de uma pessoa. Seu volume varia de uma pessoa 
para outra, conforme a massa corporal. Por 
exemplo: uma pessoa de 75 kg tem um volume de 5 
a 6 litros de sangue. A perda de volume sangüíneo 
é impor 
tante, principalmente pela perda de plasma. Todas 
as pessoas necessitam de um volume de sangue 
mínimo para manter o aparelho cardiovascular 
trabalhando de modo eficiente à vida. 
 
2. Hemorragia 
É o extravasamento de sangue dos vasos 
sangüíneos através de ruptura nas suas paredes. 
 
2.1. Classificação 
A hemorragia pode ser classificada em: 
2.1.1. Hemorragia externa – visível porque extravasa 
para o meio ambiente. Exemplos: ferimentos em 
geral, hemorragia das fraturas expostas, epistaxe 
(hemorragia nasal). 
2.1.2. Hemorragia interna – o sangue extravasa para 
o interior do próprio corpo, dentro dos tecidos ou 
cavidades naturais. Exemplos: trauma contuso, 
ruptura ou laceração de órgãos de tórax e 
abdômen, hemorragia de músculo ao redor de 
partes moles. 
2.2. Tipos de hemorragia 
2.2.1. Arterial 
Ocorre quando há perda de sangue de uma artéria. 
O sangue tem coloração viva, vermelho claro, 
derramado em jato, conforme o batimento 
cardíaco, geralmente rápido e de difícil controle. 
2.2.2. Venosa 
Ocorre quando há perda de sangue por uma veia. 
Sangramento de coloração vermelho escuro, em 
fluxo contínuo, sob baixa pressão. Pode ser 
considerada grave se a veia comprometida for de 
grosso calibre. 
2.2.3. Capilar 
Ocorre quando há sangramento por um leito 
capilar. Flui de diminutos vasos da ferida. Possui 
coloração avermelhada, menos viva que a arterial, 
e facilmente controlada. 
2.3. Fatores determinantes da gravidade da 
hemorragia 
2.3.1. Volume de sangue perdido 
A perda de pequeno volume em geral não produz 
efeitos evidentes; já a perda de 1,5 litro em adulto 
ou 200 ml em criança pode ser extremamente 
grave, inclusive colocando a vida em risco. 
2.3.2. Calibre do vaso rompido 
O rompimento de vasos principais de pescoço, 
tórax, abdômen e coxa provoca hemorragias 
severas, e a morte pode sobrevir em 1 a 3 minutos. 
2.3.3. Tipo do vaso lesado 
O sangramento arterial é considerado de maior 
gravidade. As veias geralmente estão mais 
próximas da superfície do corpo do que as artérias, 
sendo de mais fácil acesso. O sangramento capilar 
é lento e, via de regra, coagula espontaneamente 
em 6 a 8 minutos. O processo de coagulação 
desencadeado em boa parte dos pequenos e 
médios sangramentos pode ser suficiente para 
controlar a hemorragia, e o coágulo formado age 
como uma rolha, impedindo a saída de sangue. 
2.3.4. Velocidade da perda de sangue 
A perda rápida de 1 litro de sangue pode colocar o 
indivíduo em risco de vida. Quando a perda de 
sangue é lenta, o organismo desenvolve 
mecanismos de compensação, suportando melhor 
a situação. 
2.4. Sinais e sintomas da hemorragia 
A hemorragia externa, por ser visualizada, é 
facilmente reconhecida. A hemorragia interna pode 
desencadear choque hipovolêmico, sem que o 
socorrista identifique o local da perda de sangue. 
As evidências mais comuns de sangramento 
interno são áreas extensas de contusão na 
superfície corpórea. Alguém com fratura de fêmur 
perde facilmente até um litro de sangue, que fica 
confinado nos tecidos moles da coxa, ao redor da 
fratura. 
Outros sinais que sugerem hemorragia severa: 
● Pulso fraco e rápido; 
● Pele fria e úmida (pegajosa); 
● Pupilas dilatadas com reação lenta à luz; 
● Queda da pressão arterial; 
● Paciente ansioso, inquieto e com sede; 
● Náusea e vômito; 
● Respiração rápida e profunda; 
● Perda de consciência e parada respiratória; e 
● Choque 
2.5. Métodos de controle da hemorragia externa 
2.5.1. Pressão Direta 
Quase todos os casos de hemorragia externa são 
controlados pela aplicação de pressão direta na 
ferida, o que permite a interrupção do fluxo de 
sangue e favorece a formação de coágulo. 
Preferencialmente, utilizar uma compressa estéril, 
pressionando-a firmemente por 10 a 30 minutos; a 
seguir, promover a fixação da compressa com 
bandagem. Em sangramento profuso, não perder 
tempo em localizar a compressa (pressionar 
diretamente com a própria mão enluvada). 
Após controlar um sangramento de extremidade, 
certifique-se de que existe pulso distal; em caso 
negativo, reajuste a pressão da bandagem pararestabelecer a circulação. 
 
2.5.2. Elevação da área traumatizada 
Quando uma extremidade é elevada, de forma que 
a área lesionada fique acima do nível do coração, a 
gravidade ajuda a diminuir o fluxo de sangue. 
Aplicar este método simultaneamente ao da 
pressão direta. Não o utilizar, porém, em casos de 
fraturas, luxações ou de objetos empalados na 
extremidade. 
2.5.3. Pressão digital sobre o ponto de pulso 
Utilizar a pressão sobre pulso de artéria quando os 
dois métodos anteriores falharem ou não tiver 
acesso ao local do sangramento (esmagamento, 
extremidades presas em ferragens). 
É a pressão aplicada com os dedos sobre os pontos 
de pulso de uma artéria contra uma superfície 
óssea. É necessária habilidade do socorrista e 
conhecimento dos pontos exatos de pressão das 
artérias. 
Principais pontos: - artéria braquial - para 
sangramento de membros superiores (Fig 10.5) - 
artéria femoral - para sangramento de membros 
inferiores (Fig 10.6) – artéria temporal- para 
sangramento de couro cabeludo(Fig 10.7) - artéria 
radial - sangramento da mão(Fig 10.5) 
 
2.5.4. Aplicação de gelo 
O uso de compressas de gelo diminui o 
sangramento interno ou mesmo interrompe 
sangramento venosos e capilares. Nas contusões, 
a aplicação de gelo previne a equimose (mancha 
arroxeada). Deve-se observar o tempo de uso, 
evitando-se uso demasiadamente prolongados, pois 
diminui a circulação, podendo causar lesões de 
tecidos. 
2.5.5. Torniquete 
Deve ser considerado como o último recurso 
(praticamente em desuso), o torniquete só será 
utilizado se todos os outros métodos falharem, 
devendo ser considerado apenas nos casos de 
destruição completa ou amputação de 
extremidades, com sangramento severo. 
Consiste numa bandagem constritora colocada em 
torno de uma extremidade até que o fluxo 
sangüíneo pare por completo. Podem ser utilizados 
tubos de borracha, gravatas, etc. 
Apertado demais pode lesar tecidos, músculos, 
nervos e vasos. Deve ser colocado entre a ferida e 
o coração, observado explicitamente o horário de 
aplicação. O membro abaixo do torniquete deve 
tornar-se pálido, e o pulso arterial, abaixo do 
torniquete, desaparecer. Caso não esteja apertado 
o suficiente pode interromper o fluxo venoso sem 
interromper o fluxo arterial, dando como resultado 
maior sangramento pela ferida. 
2.6. Métodos de controle da hemorragia interna 
Para suspeitar que a vítima esteja com hemorragia 
interna, é fundamental conhecer o mecanismo de 
lesão. Os traumas contusos são as principais 
causas de hemorragias internas (acidentes de 
trânsito, quedas, chutes e explosões). 
Alguns sinais de alerta para suspeitar de 
hemorragia interna: fratura da pelve ou ossos 
longos (braços ou coxa), rigidez abdominal, área de 
equimose em tórax e abdômen, ferida penetrante 
em crânio, tórax ou abdômen. 
O tratamento de hemorragia interna é cirúrgico. O 
atendimento pré-hospitalar consiste em instalar 
duas vias venosas após garantir a respiração da 
vítima e transportá-la a um centro médico. 
Administrar oxigênio em altas concentrações 
durante o transporte. 
Para detectar hemorragia interna, conhecer o 
mecanismo de lesão, observar lesões que possam 
provocar sangramento interno e estar 
permanentemente atento aos sinais e sintomas 
que a vítima apresentar. 
3. Choque 
Choque é a situação de falência do sistema 
cardiocirculatório em manter suficiente sangue 
circulando para todos os órgãos do corpo. 
Trata-se de uma condição de extrema gravidade, 
cuja identificação e atendimento fazem parte da 
abordagem primária da vítima. Uma vez que o 
estado de choque atinja certo nível de severidade, 
o paciente não será salvo. Todo esforço deverá ser 
feito pela equipe de socorro para identificar o 
choque, tomando-se as medidas necessárias e 
transportando a vítima rapidamente ao tratamento 
definitivo no hospital. Vítima de trauma que recebe 
o tratamento definitivo no hospital até uma hora 
após sofrer a lesão tem maior chance de sobrevida. 
3.1. Mecanismo do choque 
Como já visto, o aparelho cardiovascular é 
responsável por transportar oxigênio e nutrientes 
para todos os tecidos do corpo e eliminar gás 
carbônico e resíduos resultantes do processo de 
nutrição celular. Para realizar adequadamente esse 
trabalho, o sistema circulatório retira oxigênio dos 
pulmões, nutrientes do intestino e fígado e leva-os 
para todas as células do organismo. Depois disso, 
retira o gás carbônico e detritos celulares da 
intimidade dos tecidos, levando-os para os órgãos 
responsáveis pela excreção (pulmões, rins, fígado 
etc.). A esse processo, que ocorre em nível de 
capilares, dá-se o nome de perfusão tecidual. 
Para que esse sistema funcione de forma eficiente 
e adequada, é necessário que o coração se 
mantenha bombeando o sangue, que o volume de 
sangue circulante seja suficiente para encher os 
vasos e que o calibre dos vasos se ajuste às 
condições normais. 
Uma falha em qualquer desses fatores irá provocar 
falha na perfusão tecidual, levando a vítima a 
desenvolver o estado de choque. 
 
Com a diminuição de perfusão tecidual, os órgãos 
terão sua função prejudicada basicamente pela 
falta de oxigênio, nutrientes e acúmulo de 
resíduos. A falha na circulação cerebral leva à 
diminuição do nível de consciência da vítima, os 
rins diminuem o débito urinário e o coração 
aumenta a freqüência de batimentos, num esforço 
para manter o fluxo de sangue para órgãos vitais; 
com o agravamento do choque, o músculo cardíaco 
comprometido desenvolve bradicardia e parada 
cardíaca. 
3.2. Tipos de Choque 
3.2.1. Choque hipovolêmico 
Tipo mais comum de choque que o socorrista vai 
encontrar no atendimento préhospitalar. Sua 
característica básica é a diminuição acentuada do 
volume de sangue. Pode ser causado pelos 
seguintes fatores: 
● Perda direta de sangue: hemorragia interna e 
externa; 
● Perda de plasma: em caso de queimaduras, 
contusões e lesões traumáticas; 
● Perda de líquido pelo trato gastrointestinal: 
provoca desidratação (vômito ou diarréia). 
No caso de fratura de fêmur, estima-se a perda de 
aproximadamente 1 litro de sangue circulante, 
parte devido ao sangramento e parte à 
transudação (perda de plasma e outros fluidos nos 
tecidos moles danificados pela fratura). Nas 
queimaduras, quantidade considerável de plasma 
deixa a circulação em direção aos tecidos 
adjacentes à area queimada. 
A redução no volume de sangue circulante causa 
diminuição no débito cardíaco e reduz toda a 
circulação (perfusão tecidual comprometida). O 
reconhecimento precoce e o cuidado efetivo no 
atendimento do choque hipovolêmico podem salvar 
a vida do paciente. 
O tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a 
reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue). 
3.2.1.1. Sinais e sintomas 
Sinais e sintomas do choque hipovolêmico podem 
variar e não aparecer em todas as vítimas. O mais 
importante é suspeitar e estabelecer os cuidados 
antes que se desenvolvam. A vítima apresentaria 
os seguintes sinais e sintomas: 
● Ansiedade e inquietação; 
● Náusea e vômito; 
● Sede, secura na boca, língua e lábios; 
● Fraqueza, tontura e frio; 
● Queda acentuada de pressão arterial (PA menor 
que 90mm/Hg); 
● Respiração rápida e profunda - no agravamento 
do quadro, a respiração torna- se superficial e 
irregular; 
● Pulso rápido e fraco em casos graves; quando há 
grande perda de sangue, pulso difícil de sentir ou 
até ausente; 
● Enchimento capilar acima de 2 segundos; 
● Inconsciência parcial ou total; 
● Pele fria e úmida (pegajosa); 
● Palidez ou cianose (pele e mucosas 
acinzentadas); e 
● Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas 
(sugerindo apreensão e medo). casos graves; 
quando há grande perda de sangue, pulso difícil de 
sentir ou até ausente; 
● Enchimento capilar acima de 2 segundos; 
● Inconsciência parcial ou total; 
● Pele friae úmida (pegajosa); 
● Palidez ou cianose (pele e mucosas 
acinzentadas); e 
● Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas 
(sugerindo apreensão e medo). 
3.2.1.2. Cuidados de emergência 
O tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a 
reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue) 
O socorrista deve providenciar a chegada do 
profissional médico à cena do atendimento ou o 
transporte rápido para o hospital. 
Aplicar as seguintes medidas às vítimas em 
choque: 
● Tratar a causa: interromper sangramento quando 
acessível (usar o método da pressão direta, 
elevação do membro); 
● Assegurar via aérea permeável e manutenção da 
respiração; 
● Administrar oxigênio em alta concentração (12 
litros por minuto sob máscara facial perfeitamente 
ajustada); 
● Imobilizar e alinhar fraturas - diminui a dor e o 
sangramento; 
● Confortar o paciente - quanto mais calmo e 
colaborativo, melhores chances de sobrevida; 
● Colocar a vítima em posição de choque: a melhor 
é em decúbito dorsal, com as pernas elevadas mais 
ou menos 25 cm. O objetivo é concentrar o volume 
sangüíneo na cabeça, no tórax e na parte alta do 
abdômen. Caso essa posição não seja possível, 
isto é, se causar dor ou desconforto ao paciente, 
mantenha-o no plano. Se estiver vomitando e não 
houver qualquer contra- indicação, transporte-o em 
decúbito lateral; 
● Não dar nenhum líquido ou alimento; 
● Monitorar o paciente durante o transporte; 
conferir os sinais vitais a cada 5 minutos e 
comunicar qualquer alteração; e 
● Manter o paciente aquecido; certificar-se de que 
esteja coberto sob e sobre o corpo, remover a 
roupa úmida, considerando a temperatura do meio 
ambiente para não provocar sudorese. 
Em resumo, a vítima de trauma em choque 
hipovolêmico deve ter a via aérea permeável, 
oxigenação restaurada, ser rápida e 
eficientemente imobilizada e transportada 
imediatamente ao hospital para receber 
tratamento definitivo. 
3.2.1.3. Choque hipovolêmico na criança 
O trauma na infância geralmente resulta em perda 
significativa de sangue. No entanto, as 
características fisiológicas próprias da criança 
fazem com que, muitas vezes, as alterações dos 
sinais vitais sejam pequenas e o choque 
hipovolêmico em fase inicial passe despercebido. 
Daí resulta a indicação para monitorar 
cuidadosamente a evolução dos sinais vitais em 
crianças traumatizadas. 
A primeira alteração perceptível é a taquicardia 
que, entretanto, pode ocorrer também como 
resposta ao estresse psicológico, à dor e ao medo. 
Considere que a freqüência cardíaca varia em 
função da idade da criança (ver capítulo 18). 
De modo geral, taquicardia com extremidades frias 
e PA sistólica menor que 70 mmHg são indicadores 
de choque na criança. 
Os cuidados de emergência a serem dispensados 
pelo socorrista são os mesmos descritos para 
adultos, ressaltando-se que a perda de calor 
corporal numa criança hipotensa pode ser letal. 
3.2.2. Choque cardiogênico 
Decorre de uma incapacidade do coração bombear 
o sangue de forma efetiva. Este enfraquecimento 
do músculo cardíaco pode ser conseqüência de 
infarto agudo do miocárdio, situação freqüente, 
sendo que a vítima, normalmente, apresenta dor 
torácica antes de entrar em choque. Outras 
situações que podem gerar choque cardiogênico: 
● Arritmias cardíacas (prejuízo da eficácia de 
contração); e 
● Tamponamento pericárdico (por restrição de 
expansão do coração). 
Os sinais e sintomas são semelhantes aos do 
choque hipovolêmico e o pulso pode estar 
irregular. Já com relação aos cuidados de 
emergência, a vítima não necessita de reposição 
de líquidos ou elevação de membros inferiores; 
freqüentemente respira melhor semi-sentada. 
Administrar oxigênio e, se necessário, manobras 
de reanimação. 
3.2.3. Choque neurogênico 
Causado por falha no sistema nervoso em controlar 
o diâmetro dos vasos, em conseqüência de lesão 
na medula espinhal, interrompendo a comunicação 
entre o cérebro e os vasos sangüíneos. O resultado 
é a perda da resistência periférica e a dilatação da 
rede vascular. Se o leito vascular estiver dilatado, 
não existirá sangue suficiente para preencher a 
circulação, havendo perfusão inadequada de 
órgãos. 
Com exceção do pulso, os sinais e sintomas do 
choque neurogênico são os mesmos do choque 
hipovolêmico. O paciente apresenta bradicardia 
(pulso lento). 
3.2.4. Choque psicogênico 
De mecanismo semelhante ao choque neurogênico, 
aparece em condições de dor intensa, 
desencadeado por estímulo do nervo vago e tem 
como característica principal braquicardia inicial 
seguida de taquicardia na fase de recuperação. O 
paciente se recupera espontaneamente se 
colocado em decúbito dorsal. 
3.2.5. Choque anafilático 
Resulta de uma reação de sensibilidade a algo a 
que o paciente é extremamente alérgico; como 
picada de inseto (abelhas, vespas), medicação, 
alimentos, inalantes ambientais, etc 
A reação anafilática ocorre em questão de 
segundos ou minutos após o contato com a 
substância a que o paciente é alérgico. 
Alguns sinais e sintomas são característicos: 
● Pele avermelhada, com coceira ou queimação; 
● Edema de face e língua; 
● Respiração ruidosa e difícil devido ao edema de 
cordas vocais; e 
● Finalmente queda da pressão arterial, pulso 
fraco, tontura, palidez e cianose; - coma. 
O paciente em choque anafilático necessita de 
medicação de urgência para combater a reação, 
administrada por médico. 
Ao socorrista cabe: 
● Dar suporte básico de vida à vítima (manter vias 
aéreas e oxigenação); e 
● Providenciar o transporte rápido ao hospital que 
deverá ser comunicado antecipadamente. 
3.2.6. Choque séptico 
Numa infecção severa, toxinas são liberadas na 
circulação, provocando dilatação dos vasos 
sangüíneos e conseqüente aumento da capacidade 
do sistema circulatório. Além disso, ocorre perda 
de plasma pela parede dos vasos, diminuindo o 
volume sangüíneo. 
Esse tipo de choque ocorre em pacientes 
hospitalizados, sendo excepcionalmente visto por 
socorrista no atendimento pré-hospitalar. 
 
 10° Módulo: Fraturas e luxações 
1. Fraturas 
Fratura é a lesão óssea de origem traumática, 
produzida por trauma direto ou indireto. O conjunto 
de fragmentos ósseos produzidos pela fratura e os 
tecidos lesados em torno da lesão é denominado 
foco de fratura. O osso é o único tecido do nosso 
organismo que cicatriza com o mesmo tecido 
anterior à lesão. O processo de cicatrização óssea 
denomina- se consolidação. 
O risco de surgir uma fratura óssea nas mulheres é 
maior devido a osteoporose, são fraturas 
resultantes de quedas de baixo impacto, portanto 
não resultantes de acidentes graves. A massa 
óssea, principalmente das mulheres, começa a 
diminuir depois da menopausa por influência dos 
hormônios. 
Os homens também podem sofrer de osteoporose, 
depois dos 65 anos de idade, mas a relação com os 
hormônios não é tão evidente. A qualidade de vida 
das pessoas idosas, que sofrem fraturas, 
geralmente, piora muito, pois, a cicatrizarão é mais 
lenta e a recuperação muscular é mais difícil. 
Uma das fraturas mais grave no idoso é a do fêmur 
e para sua imobilização não está indicado a 
utilização aparelho de tração de fêmur, assim 
como em fraturas expostas. 
1.1. Classificação 
1.1.1. Quanto ao traço de fratura 
Incompleta: ocorre a lesão óssea, mas não rompe a 
continuidade óssea; tipo de ocorrência comum em 
crianças. 
Completa: os fragmentos ósseos perdem a 
continuidade, ficando desviados ou não. O 
manuseio destas fraturas deve ser cuidadoso e 
técnico, para evitar lesão nos tecidos vizinhos. 
 
1.1.2. Quanto à exposição do foco de fratura 
Fechada: o foco de fratura está protegido por 
partes moles e com pele íntegra. 
Aberta ou exposta: o foco de fratura está em 
contato com o meio externo, com o osso 
exteriorizado ou não. A pele, nestes casos, está 
sempre lesada. O grau de lesão dessaspartes 
moles permite classificar as fraturas expostas. A 
lesão da pele pode ocorrer pelo trauma, pelos 
fragmentos ósseos e pelo manuseio intempestivo 
da vítima, tornando uma fratura fechada em aberta. 
Devido à comunicação do foco de fratura com o 
meio externo, as fraturas expostas são sempre 
contaminadas, variando apenas o grau de 
contaminação, podendo causar osteomielite 
(infecção óssea), que retarda ou impede a 
consolidação óssea; em casos extremos, causa a 
perda do membro lesado. Em casos mais graves, a 
infecção dissemina-se pelo organismo (septicemia) 
e, em pacientes debilitados, leva a óbito. A fratura 
exposta é uma situação de urgência se não for 
acompanhada de choque. 
 
1.1.3. Quanto à presença de lesões associadas 
1.1.3.1. simples: 
A fratura é uma lesão única, sem evidência de 
lesão associada. 
1.1.3.2 complicada 
Está acompanhada de lesões associadas. O trauma 
causador de fratura exposta é de alta energia e 
velocidade, podendo ocorrer lesões associadas 
locais, como as musculares, tendinosas, nervosas, 
vasculares, bem como lesões sistêmicas 
associadas (trauma abdominal, torácico e 
craniano). 
1.2. Sintomas e Sinais 
1.2.1. Dor 
Devido ao trauma localizado, sempre haverá dor no 
local da fratura, que varia muito de um paciente 
para outro, sendo aliviada por manobras de tração, 
alinhamento e imobilização. 
1.2.2. Aumento de volume 
Devido ao trauma, ocorre uma lesão dos tecidos 
vizinhos à fratura, produzindo sangramento local, 
detectado como um aumento de volume, 
produzindo, com o passar do tempo, edema 
localizado. Em algumas fraturas, de fêmur e pélvis, 
por exemplo, o sangramento pode causar choque 
hipovolêmico. 
1.2.3. Deformidade 
O segmento fraturado apresenta angulações, 
rotações e encurtamentos evidentes à simples 
observação da vítima, comparando-se o membro 
lesado com o não afetado. 
1.2.4. Impotência funcional 
A fratura impede ou dificulta os movimentos, 
devido à dor e à alteração músculoesquelética, no 
que diz respeito à anatomia. 
1.2.5. Crepitação óssea 
Sensação audível e palpável causada pelo atrito 
entre os fragmentos ósseos. Não deve ser 
reproduzida intencionalmente, porque provoca dor 
e aumenta a lesão entre os tecidos vizinhos à 
fratura. 
1.3. Atendimento 
1.3.1. Não movimente vítima com fraturas antes de 
imobilizá-Ia adequadamente. 
Se há risco real de incêndio, desabamento ou 
explosão, arraste-a por meio do maior eixo do 
corpo. Se há necessidade de posicionar a vítima 
para instituir RCP, proceda de modo a manter em 
alinhamento os segmentos fraturados. 
1.3.2. Nas fraturas expostas 
Controle o sangramento e proteja o ferimento, 
ocluindo-o com curativos estéreis e bandagens. 
1.3.3. Em fratura dos ossos longos 
Execute manobras de alinhamento e tração antes 
de imobiliza-los. Examine a sensibilidade e os 
pulsos periféricos antes e depois de tracionar e 
alinhar. 
Reveja seu procedimento se esses parâmetros 
mostrarem sinais de piora. 
Mantenha a tração e o alinhamento até que á tala 
de imobilização esteja posicionada e fixa. 
Imobilize deformidades situadas próximas a 
articulações que não se corrijam com tração suave 
na posição em que se encontram. 
1.3.4. Quando imobilizar uma fratura 
 
Inclua na tala a articulação proximal e distal à 
lesão. 
1.3.5. As talas 
Devem ser ajustadas e não apertadas, de maneira 
a não interromper a circulação local. 
Forre toda a tala. Nos pontos de deformidade e nas 
saliências ósseas, coloque estofamento extra. 
1.3.6. Transporte da vítima 
De modo confortável e seguro; o principal objetivo 
do resgate é não agravar as lesões preexistentes. 
O atendimento correto evita o agravamento das 
lesões, reduz a dor e o sangramento. 
2. Luxações 
Deslocamento de superfícies articulares, 
modificando as relações naturais de uma 
articulação. 
Nas articulações existe uma congruência articular 
entre as superfícies ósseas em contato. Estas são 
recobertas por cartilagem articular e mantidas por 
uma cápsula articular reforçada por ligamentos. Os 
traumas indiretos, normalmente produzidos por 
quedas com apoio nas extremidades, fazem com 
que essas superfícies articulares saiam de sua 
posição, produzindo perda da congruência articular 
da função da articulação correspondente. As 
luxações ocorrem mais comumente em 
articulações móveis (ombro, quadril, dedos da 
mão). 
2.1. Sinais e sintomas 
2.1.1. Dor 
Geralmente intensa devido à compressão de 
estruturas locais; pode levar ao choque 
neurogênico. 
2.1.2. Deformidade 
Sinal evidente à simples inspeção da vítima; deve 
ser comparada com o lado oposto. 
2.1.3. Impotência funcional 
Devido à perda da congruência articular, existe 
perda completa da função articular, e qualquer 
tentativa de mobilidade é extremamente dolorosa. 
2.1.4. Palidez 
Localizada, causada pela compressão do osso 
luxado sob a pele. 
2.1.5. Edema 
Tardio varia com o grau de deformidade e a 
articulação luxada. 
2.1.6. Encurtamento ou alongamento 
Podem ocorrer devido à deformidade da 
articulação luxada. 
2.2. Cuidados de emergência 
A manipulação das luxações cabe exclusivamente 
ao médico. Manobras inadequadas e intempestivas 
podem agravar a lesão já existente e produzir dano 
adicional aos tecidos vizinhos, inclusive fraturas. 
No atendimento pré-hospitalar, a imobilização deve 
ser na posição de deformidade, buscando oferecer 
o máximo de conforto à vítima. Ficar atento a 
sinais e sintomas de choque, informando se 
ocorrerem. 
2.2.1. Luxação Acrômio Clavicular 
Causada por queda sobre ombro, sendo freqüentes 
principalmente em jovens desportistas. O acrômio 
se desloca para baixo e a clavícula para cima, 
principalmente pela ação dos músculos do trapézio 
e esternocledomastóideo. 
2.2.2. Luxação de cotovelo 
 
Ocorre por trauma indireto causado por queda com 
apoio sobre a mão. A vítima tem dor intensa, com 
deformidade visível no nível da articulação do 
cotovelo e impotência funcional. Sempre examinar 
o vásculo nervoso para detectar qualquer lesão 
dessas estruturas. 
2.2.3. Luxação do punho 
Rara e normalmente associada ou confundida com 
fraturas do radiodistal; tanto a fratura como a 
luxação são causadas por trauma com apoio sobre 
a mão. Imobilizar na posição de deformidade e 
sempre examinar a sensibilidade e motricidade da 
mão. 
2.2.4. Luxação dos dedos dos pés e das mãos 
Causada na maioria das vezes durante a prática 
esportiva, manifesta-se por dor, deformidade, 
encurtamento e impotência para fletir o dedo. 
O segmento deve ser protegido, apoiado e 
imobilizado em posição de deformidade. 
2.2.5. Luxação do quadril 
Ocorre em traumas de alta energia e velocidade 
em pacientes que sofreram quedas ou acidentes de 
trânsito, muitos casos associados a fraturas. A 
vítima tem dor intensa, impotência funcional e 
grande deformidade de todo o membro inferior 
lesado. A deformidade caracteriza-se por rotação e 
encurtamento de todo o segmento. 
Deve ser cuidadosamente rolada sobre uma tábua 
longa. Se necessário erguê-Ia 
apenas o necessário para deslizar a tábua sob ela. 
Use almofadas e cobertores para acolchoar 
e apoiar o membro lesado na posição de 
deformidade. Fixe a vítima à tábua com 
cintos e bandagens. Não esqueça de examinar o 
vásculo nervoso do segmento lesado. 
Esteja atento a sinais de choque neurogênico e, às 
vezes, a choque hipovolêmico. 
2.2.6. Luxação de joelho 
 
Causada por trauma indireto. A vítima apresenta 
grande deformidade, com dor intensa e impotência 
funcional do segmento. Examinar o vásculo 
nervoso, pois existe grande incidência de lesão 
arterial associada à luxação de joelho. Imobilizar a 
articulação na posição de deformidade, usando 
tala que se estenda do quadril ao tornozelo e 
acolchoando o joelho de forma a proteger a 
angulação local. 
A imobilização de joelho é semelhante a de 
cotovelo. 
2.2.7. Luxação detornozelo 
Causada por trauma indireto, apresenta 
deformidade característica, às vezes associada a 
grande aumento de volume, também com dor 
intensa, impotência funcional, geralmente 
associada à fratura. Imobilizar na posição de 
deformidade. 
3. Imobilização de Membro Inferior com Aparelho de 
Tração Portátil- Vítimas com Fratura de Fêmur 
3.1. Procedimento deve ser realizado por dois 
Socorristas 
Um examina o membro, ficando responsável pela 
tração e alinhamento manuais da fratura; o outro 
se responsabiliza pelo preparo adequado do 
aparelho de tração. 
3.2. Passo 1 
O socorrista 1 prepara-se para realizar a tração e o 
alinhamento; o socorrista 2 usa o membro inferior 
não-traumatizado como referência para 
estabelecer o comprimento da tração. 
 
3.3. Passo 2 
Alinhamento e tração do membro pelo socorrista 1. 
Preparo da tração com fixação dos fechos de 
comprimento, abertura de todas as faixas e 
liberação da faixa de tração, pelo socorrista 2. 
3.4. Passo 3 
O posicionamento do socorrista 2 fixando 
inicialmente a cinta próxima a raíz da coxa. 
3.5. Passo 4 
 
Fixação da tornozeleira com a cinta de velcro que 
substituirá a tração na instalação da tala. 
3.6. Passo 5 
O socorrista 1 somente soltará a tração após o 
socorrista 2 instalar e fixar a tração pela catraca 
do equipamento. 
3.7. Passo 6 
Fixar as demais fitas da coxa ao tornozelo. 
 
3.8. Passo 7 
Terminar a instalação da tração com avaliação do 
pulso, sensibilidade e motricidade distal. 
4. Fixação da Vitima com Tração de Fêmur na Tábua 
de Remoção 
Quando a vítima foi imobilizada com equipamento 
de tração portátil de fêmur e necessita ser 
colocada em tábua dorsal, o procedimento de 
rolamento deve ser feito pelo lado sem lesão. 
4.1. Passo 1 
Os três socorrista posicionados em linha, fazem o 
rolamento de 90º para posicionamento da tábua. 
4.2. Passo 2 
Um socorrista ficará responsável exclusivamente 
do apoio da tração de fêmur, acompanhando o giro 
dos demais. 
4.3. Passo 3 
Centralizar a vítima na tábua. 
Fixar o suporte elevado da tração com faixa ou 
bandagem, para que no transporte, não haja 
movimentação. 
4.5. Passo 5 
Não apoiar os cintos de fixação por cima do 
membro afetado. 
 
11° Módulo: Traumatismo 
cranioencefálico e raquimedular 
Traumatismo Cranioencefálico – TCE 
TCE é o principal motivo de morte na população 
jovem, cujas causas mais freqüentes 
compreendem acidentes automobilísticos e 
agressões interpessoais. Estima-se que ocorra um 
TCE a cada 15 segundos e que um paciente morra 
devido ao TCE a cada doze minutos. 
Aproximadamente 50% das mortes de causa 
traumática estão associadas a TCE e mais de 60% 
de mortes por acidente automobilístico se devem 
ao TCE. 
1. Avaliação de Trauma Cranioencefállco 
Cinemática – é possível relacionar o mecanismo de 
trauma com determinados tipos de TCE. 
Esta informação ajuda no diagnóstico e na terapia 
corretos. 
As informações sobre a cena do acidente e o 
mecanismo de trauma devem ser passadas ao 
médico da sala de emergências. 
1.1. Avaliação Inicial – muitos fatores influenciam na 
avaliação neurológica inicial; por isso, a avaliação 
cardiopulmonar deve acompanhar o exame 
neurológico. O controle e a manipulação das vias 
aéreas, respiração e circulação são prioritários. 
O uso de álcool ou drogas que deprimam o sistema 
nervoso ou ainda fatores tóxicos podem influenciar 
na avaliação inicial do paciente. 
1.2. Avaliação dos Sinais Vitais – o TCE pode alterar 
os dados vitais, sendo muitas vezes difícil saber se 
essas alterações se devem ao TCE ou a outros 
fatores. 
Nunca atribuir a hipotensão ao TCE, embora, 
eventualmente, laceração de escalpo leve ao 
choque hipovolêmico, principalmente em crianças. 
O sangramento intracraniano não produz choque. 
Hipertensão, bradicardia e diminuição da 
freqüência respiratória (tríade cushing) são uma 
resposta específica ao aumento agudo e 
potencialmente fatal à hipertensão intracraniana, 
indicando necessidade de intervenção imediata. 
1.3. AVDI e Avaliação Neurológica – o método 
mnemônico AVDI, será realizado rapidamente na 
abordagem primária passo ―D‖ (nível de 
consciência), posteriormente mensurado na 
abordagem secundária com a avaliação 
neurológica (função pupilar e alteração de força 
muscular nas extremidades) determinam a 
presença ou severidade da lesão neurológica. 
1.4. Avaliação da Reação Pupilar - Avaliada por sua 
simetria e resposta igual à luz. A diferença de mais 
de 1 mm no diâmetro das pupilas já é considerada 
anormal; uma resposta lenta ao estímulo luminoso 
pode indicar lesão intracraniana. 
1.5. Avaliação de Força Muscular - pesquisa de 
diminuição de força muscular. A vítima com 
paresia ou paralisia de uma das extremidades, isto 
é, com resposta motora não-simétrica, indica lesão 
intracraniana. 
O objetivo do exame neurológico é determinar a 
presença de lesão cerebral, sua severidade e uma 
deterioração neurológica. Lembrando-se que para 
avaliações da Escala de Coma de Glasgow com 
índice igual ou inferior a 9 deve-se solicitar a 
presença de médico no local da ocorrência. 
Independente da escala de coma de Glasgow, o 
paciente é considerado com TCE grave se 
apresentar qualquer das situações seguintes: 
● Assimetria de pupilas 
● Assimetria motora 
● Fratura de crânio com perda de liquor ou 
exposição do tecido cerebral 
● Deterioração neurológica (queda de 2 ou mais 
pontos na escala de Glasgow ou cefaléia intensa 
ou aumento do diâmetro de uma pupila ou 
desenvolvimento de paresia assimétrica) 
● Fratura com afundamento craniano 
2. Tipos Específicos de Trauma Craniano 
Após avaliação inicial e reanimação, estabelecer o 
diagnóstico anatômico da lesão cerebral, 
assegurar suplemento metabólico ao cérebro e 
prevenir lesão cerebral secundária devida à 
hipóxia, isquemia e hipertemia. 
As lesões cerebrais são divididas em: 
● Fratura de crânio 
● Lesão cerebral difusa 
● Lesão focal 
● Ferimento de couro cabeludo 
A severidade é diferente em cada grupo. 
2.1. Fratura de Crânio 
 
As fraturas são comuns, mas nem sempre 
associadas à lesão cerebral, apesar de muitas 
lesões cerebrais graves ocorrerem sem fratura 
craniana. A identificação da fratura de crânio é 
muito importante, pela possibilidade da presença 
ou do desenvolvimento de hemorragia 
intracraniana, devendo esse paciente ficar sob 
observação. 
Fratura linear sem afundamento - Não requer 
tratamento específico, somente observação se 
houver suspeita de lesão cerebral. Atenção às 
fraturas que cruzem leito vascular ou suturas 
cranianas, em virtude da possibilidade de 
hematoma epidural. 
Afundamento craniano - Pode não ser uma 
emergência cirúrgica, dependendo da lesão 
cerebral, mas devido ao risco de seqüelas graves e 
crises convulsivas de difícil controle. Geralmente o 
tratamento é cirúrgico, com retirada e elevação do 
fragmento ósseo. 
Fratura de crânio aberta – Havendo comunicação 
direta entre o escalpe lacerado e a substância 
cerebral, essa condição é diagnosticada por tecido 
cerebral visível ou perda de LCR (líquido 
cefaloraquidiano), exigindo tratamento cirúrgico. 
Fratura de base de crânio - O diagnóstico clínico se 
baseia na perda de LCR pelo ouvido (otoliquorréia) 
ou pelo nariz (rinoliquorréia), equimose na região 
da mastóide (sinal de Battle), sangue na membrana 
timpânica (hemotímpano) e equimose periorbitária 
(olhos de guaxinim). 
Esse tipo de fratura muitas vezes não aparece na 
radiografia convencional; indiretamente, a suspeita 
surge devido à presença de ar intracraniano e 
opacificação do seio esfenóide. 
O sinal de Battle e a equimose periorbitária são 
sinais tardios de fratura de base de crânio. 
2.2. Lesão Cerebral Difusa 
Geralmente produzida por rápidos movimentos da 
cabeça (aceleração e desaceleração), leva à 
interrupção das funções cerebrais. É importante 
tentardistinguir lesão cerebral difusa da lesão 
focal, pois esta, via de regra, necessita de cirurgia 
de emergência. 
Concussão – Distúrbio que não se associa à lesão 
anatomopatológica; caracteriza- se por perda 
rápida das funções neurológicas, com possível 
confusão ou amnésia temporária. Geralmente a 
concussão causa perda temporária ou prolongada 
de consciência. O paciente pode apresentar 
cefaléia, náusea e vômitos, mas sem sinais de 
localização, devendo ficar em observação até 
cessar a sintomatologia. 
Lesão Axonal Difusa – caracterizada por coma 
prolongado, é uma lesão de alta velocidade com 
estiramento ou chacoalhamento do tecido 
cerebral, com mortalidade de 33% e, nos casos 
mais severos, de 50%, geralmente causada por 
aumento da pressão intracraniana secundária ao 
edema cerebral, causado por mini hemorragias 
(petequias) em substancia branca. O diagnóstico é 
realizado em pacientes em coma, com posturas de 
descerebração ou decorticação. 
2.3. Lesão Focal 
As lesões focais consistem em contusões, 
hemorragias e hematomas, normalmente exigindo 
tratamento cirúrgico. 
 
Contusão – Única ou múltipla, geralmente 
associada a uma concussão, caracteriza- se por 
longo período de coma e confusão mental. A 
contusão pode ocorrer na área de impacto ou em 
áreas remotas (contragolpe). Lobos frontais e 
temporais revelam- se os locais mais comuns 
desse tipo de lesão. 
Se a contusão for grande e apresentar edema 
perilesional, pode ocorrer compressão de tronco 
cerebral devida à herniação causada pelo efeito 
massa da lesão. Somente nesta situação é 
indicado o tratamento cirúrgico. 
Hemorragia Intracraniana – Classifica-se em 
meníngea e cerebral. Devido à grande variação de 
local, tamanho e rapidez de sangramento, o quadro 
clínico também é variável. 
- Hemorragia meníngea, se subdivide conforme sua 
localização 
● Hematoma epidural agudo – O sangramento 
epidural ocorre geralmente por lesão de uma 
artéria dural, principalmente da artéria meníngea 
média, e uma pequena porcentagem devido à lesão 
de seios da dura. Sua evolução é rapidamente fatal 
e, em geral, essa lesão está associada a fraturas 
lineares temporais ou parietais. 
 
Ocasiona geralmente perda de consciência seguida 
de períodos de lucidez, de depressão no nível de 
consciência e hemiparesia do lado oposto. Podese 
encontrar uma pupila fixa e dilatada no mesmo 
lado da lesão ou, às vezes, alteração pupilar 
contralateral ao hematoma. 
O prognóstico é bom com intervenção imediata. 
● Hematoma subdural agudo – Muito mais comum 
que os hematomas epidurais, ocorre geralmente 
por rotura de veias entre córtex e dura; a fratura de 
crânio está ou não presente, e o prognóstico 
melhora quanto mais precoce a intervenção 
cirúrgica. 
A compressão cerebral lenta pela expansão do 
hematoma causará sintomas dentro de poucas 
horas ou dias, como cefaléia, irritabilidade, 
vômitos, alteração do nível de consciência, 
anisocoria e alterações sensitivas e motoras. 
● Hemorragia subaracnóide – Esse tipo de 
hemorragia leva a um quadro de irritação 
meníngea, e o paciente queixa-se de cefaléia e/ou 
fotofobia; tratamento clínico. 
- Hemorragias e lacerações cerebrais 
● Hematomas intracerebrais – As hemorragias 
intraparenquimatosas podem ter qualquer 
localização; o déficit neurológico depende da área 
afetada e do tamanho da hemorragia. As 
hemorragias intraventricular e cerebral estão 
associadas a altas taxas de mortalidade. 
● Ferimentos penetrantes – Todo corpo intracraniano 
estranho só deve ser retirado em centro cirúrgico. 
Fixá-Io se for o caso, para que ele não produza 
lesões secundárias no transporte. 
● Ferimento por arma de fogo – Quanto maior o 
calibre e a velocidade do projétil, maior a 
probalidade de lesões graves e até letais. Cobrir a 
entrada e saída do projétil com compressa 
esterilizada até o tratamento neurocirúrgico ser 
providenciado. 
2.4. Ferimento de Couro Cabeludo 
Apesar da aparência dramática, o escalpe 
geralmente causa poucas complicações. A 
localização e o tipo de lesão nos dão a noção de 
força e direção da energia transmitida. 
Perda sangüínea – o sangramento por lesão de 
couro cabeludo pode ser extenso e, especialmente 
em crianças, levar ao choque hipovolêmico; em 
adultos, sempre procurar outra causa para o 
choque. 
Localizar a lesão e parar o sangramento por 
compressão; a grande maioria dos sangramentos é 
controlada com aplicação de curativo compressivo. 
Inspeção da lesão – avaliar a lesão para detectar 
fratura de crânio, presença de material estranho 
abaixo da lesão de couro cabeludo e perda de 
líquor. 
3. Avaliação de Emergência 
No atendimento a vítimas de TCE, permanecem 
válidas todas as recomendações da abordagem 
primária, com ênfase especial para a proteção da 
coluna cervical, pela possibilidade de lesão 
cervical associada, e para a vigilância da 
respiração, que pode ficar irregular e deficitária, 
pela compressão de centros vitais. Se houver 
parada respiratória, iniciar imediatamente 
manobras de RCR. 
Realizar avaliações neurológicas sucessivas, pois 
podem demonstrar tendência à estabilidade do 
quadro ou ao agravamento (TCE em evolução). 
É prioridade determinar o nível de consciência 
baseado na escala de coma de Glasgow. Se estiver 
igual ou menor que 8, determinar imediatamente se 
as pupilas são simétricas ou não e se há déficit 
motor localizado. 
LEMBRAR QUE O EXAME NEUROLÓGICO NORMAL 
INCLUI ESTADO MENTAL NORMAL e não deve 
presumir que a alteração de consciência seja por 
intoxicação alcoólica. 
 
4. Tratamento de Emergência 
As vítimas de TCE devem ser transportadas 
recebendo oxigênio (a hipóxia agrava o edema 
cerebral) e com a cabeça elevada em 30 graus, o 
que facilita o retorno venoso, atenuando o edema. 
Havendo ferimento, enfaixe a cabeça, porém sem 
exercer pressão no curativo, pois em caso de 
fratura de crânio, a compressão poderia lesar o 
cérebro com fragmentos ósseos, agravando o 
quadro. 
À vítima desorientada e agitada, garanta-lhe 
proteção. Seja gentil, porém firme. 
5. Protocolo de Atendimento da Vítima com TCE 
5.1. Avaliação Primária 
● ABC – Vias aéreas, respiração e circulação – 
Imobilização da coluna cervical; 
● Realização de exame neurológico rápido. 
– AVDI: Alerta, resposta verbal, resposta à dor, sem 
resposta 
– Avaliação pupilar: simetria e reação à luz 
– Avaliação senso-motora: Simetria motora e 
sensitiva das extremidades 
5.2. Avaliação Secundária 
● Inspeção 
– Lacerações 
– Saída de LCR pelo nariz ou ouvido 
● Palpação 
– Fraturas 
– Lacerações com fraturas 
● Inspeção das lacerações do couro cabeludo 
– Presença de tecido cerebral 
– Afundamento craniano 
– Perda de substância 
– Perda de líquor 
● Determinação da escala de coma de Glasgow 
– Resposta ocular 
– Resposta verbal 
– Resposta motora 
● Palpação da coluna cervical para descartar 
possibilidade de fraturas 
● Determinação de extensão das lesões 
● Reavaliação contínua, observando sinais de 
deterioração 
– Freqüência 
– Parâmetros usados 
TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR -TRM 
O traumatismo da medula espinhal também é 
chamado de traumatismo raquimedular – TRM. A 
maioria dessas lesões é causada por acidentes 
automobilísticos, quedas, acidentes desportivos 
(principalmente mergulhos em águas rasas) e 
ferimentos por arma de fogo. 
Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes 
sem que haja lesões de medula espinhal; por isso, 
mobilizar a vítima quando há qualquer suspeita de 
lesão medular, mantendo- a assim até ser 
radiologicamente afastada qualquer suspeita de 
fraturas ou luxações. 
―O socorrista e o médico devem estar conscientes 
de que manipulação, movimentos e imobilização 
inadequados podem causar dano adicional ao 
traumatismo de coluna vertebral e piorar o 
prognóstico da lesão‖ 
Suspeitar sempre de traumatismo raquimedular 
nas seguintes situações:● TRM Cervical – Lesão supraclavicular – qualquer 
vítima de trauma que apresente lesões acima das 
clavículas 
● TCE – Qualquer vítima de traumatismo 
cranioencefálico 
● TRM Cervical, Torácica e Lombar – Múltiplos 
traumas – vítima politraumatizada – Acidente 
automobilístico Localizações mais freqüentes de 
TRM: 
● cervical – Entre a quinta vértebra cervical (C5) e a 
primeira torácica (T1), geralmente associado a 
TCE; 
● transição toracolombar – Entre a décima primeira 
ou décima segunda vértebra torácica (T11) (T12) e 
primeira lombar (L 1). 
Sinais e sintomas do TRM dependem do nível da 
lesão, com comprometimento neurológico abaixo 
desse nível, geralmente com alterações motoras 
(paralisias ou apenas diminuição de força muscular 
- paresia) e sensitivas (anestesia, diminuição da 
sensibilidade e parestesias - formigamento, 
amortecimento etc.). 
São três os principais objetivos no tratamento de 
paciente com TRM: 
● Imobilização de coluna para prevenir lesões 
neurológicas adicionais. Nesta etapa, é essencial o 
atendimento pré-hospitalar adequado às vítimas, 
incluindo avaliação clínica e imobilização. As duas 
outras etapas estão relacionadas ao tratamento 
hospitalar definitivo. 
● Cirurgia para redução de fraturas com 
descompressão medular de raízes. 
● Realinhamento de coluna com fixação externa ou 
interna. 
Para o diagnóstico de TRM, examinar a coluna 
vertebral cuidadosamente, com a vítima em 
posição neutra; em hipótese alguma fletir qualquer 
segmento da coluna, verificando deformidades, 
dor, limitação de movimentos e queixa de 
amortecimento de extremidades ou 
impossibilidade de movimentação. 
Na avaliação clínica de vítima com suspeita de 
TRM, realizar avaliação da estrutura óssea e de 
lesões medulares. 
1. Avaliação Vertebral 
Examinar toda a coluna vertebral à procura de: 
● Dor localizada 
● Deformidades ósseas 
● Dor à palpação 
● Edemas e equimoses 
● Espasmo muscular 
● Posição da cabeça e dificuldade ou dor ao tentar 
colocá-Ia na posição neutra 
● Desvio de traquéia 
2. Avaliação Medular 
Pesquisar alterações neurológicas, sempre 
comparando um lado com o outro, avaliando: 
● Déficit de força muscular, ou seja, diminuição de 
força ou paralisia uni ou bilateral abaixo da lesão 
medular 
● Déficit de sensibilidade, ou seja, alteração 
sensitiva abaixo do nível da lesão 
● Diminuição ou ausência de reflexos tendinosos. 
● Disfunção autonômica em que o paciente perde a 
capacidade de controlar esfíncteres 
3. Avaliação do TRM 
3.1. Vítimas conscientes 
Solicitar que a vítima movimente suas 
extremidades-e testar sua força muscular sempre 
comparando um lado com o outro. Evitar 
movimento de membros fraturados. 
Testar a sensibilidade sempre em sentido 
ascendente e comparando um lado com o outro. 
Para o teste pode-se usar objeto pontiagudo ou 
mesmo gaze, perguntando se a vítima está 
sentindo o objeto; caso contrário, subir pelo corpo 
até o momento em que ela comece a perceber o 
toque; dessa forma se localiza o nível da lesão. 
3.2. Vítimas inconscientes 
Suspeitar sempre de traumatismo de coluna 
cervical se a vítima estiver inconsciente devido a 
TCE por acidente automobilístico, sendo essencial 
a imobilização cervical. 
Principais sinais clínicos que sugerem TRM 
cervical em vítima inconsciente: 
● Ausência de reflexos 
● Respiração diafragmática 
● Flexão apenas de membros superiores 
● Resposta a estímulo doloroso somente acima da 
clavícula 
● Hipotensão com bradicardia, sem sinais de 
hopovolemia 
● Parada Cardiorespiratória – Lesões de coluna 
cervical alta (C1 a C4) podem levar à parada 
respiratória devido à paralisia de musculatura 
respiratória – diafragma. 
Cuidados importantes na avaliação de vítimas com 
TRM: 
● Hipoventilação – Lesões de coluna cervical de C5 
a T1 podem levar à paralisia de musculatura 
intercostal, causando dificuldade respiratória e 
hipoventilação. 
● Lesões Mascaradas – Lesões medulares costumam 
mascarar outras lesões, pois a ausência de 
sensibilidade deixaria passar um abdômen agudo 
por inabilidade de sentir dor. 
● Luxações cervicais altas podem ocasionar desvio 
cervical com torcicolo, NÃO SE DEVENDO TENTAR 
CORRIGIR A ROTAÇÃO. 
4. Tratamento 
O principal objetivo no atendimento à vítima com 
traumatismo raquimedular é prevenir agravamento 
de lesões preexistentes, por manuseio inadequado, 
na imobilização de toda a coluna vertebral. 
IMOBILIZAÇÃO COM COLAR CERVICAL (vide 
capítulo 14) 
IMOBILIZADOR LATERAL DE CABEÇA (vide capítulo 
14) 
COLETE DORSAL (se necessário) (vide capítulo 14) 
IMOBILIZAÇÃO EM TÁBUA LONGA. (vide capítulo 
14) 
ENCAMINHAMENTO AO HOSPITAL DE REFERÊNCIA 
12° Módulo: Trauma de tórax 
1. Introdução 
O traumatismo torácico nos dias atuais assume 
grande importância devido, em parte, à sua 
incidência e, por outro lado, pelo aumento da 
gravidade e da mortalidade das lesões. Isto se 
deve pelo aumento do número, poder energético e 
variedade dos mecanismos lesivos, como por 
exemplo, a maior velocidade dos automóveis, a 
violência urbana, e dentro desta, o maior poder 
lesivo dos armamentos, além de outros fatores. As 
lesões de tórax são divididas naquelas que 
implicam em risco imediato à vida e que, portanto, 
devem ser pesquisadas no exame primário e 
naquelas que implicam em risco potencial à vida e 
que, portanto, são observadas durante o exame 
secundário. 
Os métodos diagnósticos e terapêuticos devem ser 
precoces e constar do conhecimento de qualquer 
médico, seja ele clínico ou cirurgião, pois, na 
maioria das vezes, para salvar a vida de um 
traumatizado torácico, não se necessita de 
grandes cirurgias, mas sim de um efetivo controle 
das vias aéreas, manutenção da ventilação, da 
volemia e da circulação. 
2. Classificação 
2.1. Quanto ao Tipo de Lesão: 
● Aberto: São, grosso modo, os ferimentos. Os mais 
comuns são os causados por arma branca (FAB) e 
os por arma de fogo (FAF). 
● Fechado: São as contusões. O tipo mais comum 
dessa categoria de trauma é representado pelos 
acidentes automobilísticos. 
2.2. Quanto ao Agente Causal 
● FAF 
● FAB 
● Acidentes Automobilísticos 
● Outros 
2.3. Quanto à Manifestação Clínica 
● Pneumotórax (hipertensivo ou não) 
● Hemotórax 
● Tamponamento Cardíaco 
● Contusão Pulmonar 
● Lesão de Grandes Vasos (aorta, artéria pulmonar, 
veias cavas) 
● Outros 
3. Mecanismos de lesão 
Trauma direto – Neste mecanismo, a caixa torácica 
é golpeada por um objeto em movimento ou ela vai 
de encontro a uma estrutura fixa. Nesse caso, a 
parede torácica absorve o impacto e o transmite à 
víscera. Além disso, nesse tipo de trauma é 
freqüente que o indivíduo, ao perceber que o 
trauma irá ocorrer, involuntariamente, inspire e 
feche a glote, o que poderá causar um 
pneumotórax no paciente. No trauma direto, 
geralmente, ocorrem lesões bem delimitadas de 
costelas e mais raramente de esterno, coração e 
vasos, apresentando um bom prognóstico. 
Trauma por compressão – Muito comum em 
desmoronamentos, construção civil, escavações, 
etc. Apresenta lesões mais difusas na caixa 
torácica, mal delimitadas e, se a compressão for 
prolongada, pode causar asfixia traumática, 
apresentando cianose cérvico- facial e hemorragia 
subconjuntival. Em crianças, este mecanismo é de 
primordial importância, visto que a caixa torácica é 
mais flexível, podendo causar lesões extensas de 
vísceras torácicas (Síndrome do esmagamento) 
com o mínimo de lesão aparente. Em determinadas 
situações, a lesão do parênquima pulmonar é 
facilitada pelo próprio paciente, como já visto 
anteriormente (O acidentado, na eminência do 
trauma, ―prende a respiração‖, fechando a glote e 
contraindo os músculos torácicos, com o intuito de 
se proteger, mas aumenta demasiadamente a 
pressão pulmonar. No momento do choque, a 
energia de compressão faz com que aumente ainda 
mais essa pressão, provocandoo rompimento do 
parênquima pulmonar e até de brônquios). 
Trauma por desaceleração (ou contusão) – 
Caracterizado por processo inflamatório em 
pulmão e/ou coração no local do impacto, 
causando edema e presença de infiltrado 
linfomonocitário o que caracterizará a contusão. 
Nesse tipo de trauma, o paciente terá dor local, 
porém sem alterações no momento do trauma. 
Após cerca de 24h, no entanto, o paciente 
apresentará atelectasia ou quadro semelhante à 
pneumonia. No coração ocorre, geralmente, 
diminuição da fração de ejeção e alteração da 
função cardíaca (insuficiência cardíaca, arritmias 
graves, etc.). Esse tipo de trauma é muito comum 
em acidentes automobilísticos e quedas de 
grandes alturas. O choque frontal (horizontal) 
contra um obstáculo rígido, como, por exemplo, o 
volante de um automóvel, causa à desaceleração 
rápida da caixa torácica com a continuação do 
movimento dos órgãos intratorácicos, pela lei da 
inércia. Isto leva a uma força de cisalhamento em 
pontos de fixação do órgão, causando ruptura da 
aorta logo após a emergência da artéria subclávia 
esquerda e do ligamento arterioso, que são seus 
pontos de fixação. Na desaceleração brusca, o 
coração e a aorta descendente báscula para frente 
rompendo a aorta no seu ponto fixo. Já em quedas 
de grandes alturas, quando o indivíduo cai sentado 
ou em pé, podem ocorrer lesões da valva aórtica. 
Traumas penetrantes – É o mecanismo mais 
comum de traumas abertos. Pode ser causado 
criminalmente ou acidentalmente por armas 
brancas, objetos pontiagudos, estilhaços de 
explosões, projéteis de arma de fogo etc. As armas 
brancas provocam lesões mais retilíneas e 
previsíveis, pela baixa energia cinética. Já as 
armas de fogo causam lesões mais tortuosas, 
irregulares, sendo por isso mais graves e de mais 
difícil tratamento. 
4. Avaliação Inicial das Lesões Traumáticas Torácicas 
O atendimento do paciente deve ser orientado 
inicialmente segundo os critérios de prioridade, 
comuns aos vários tipos de traumas (ABCD do 
trauma, que tem por objetivo manter a ventilação e 
perfusão adequados, evitando, assim, as 
deficiências respiratórias e circulatórias, 
respectivamente, pelo mecanismo de parada 
cardíaca anóxica.). 
Vias aéreas – Aqui se deve certificar a 
permeabilidade das vias aéreas (a sensação tátil e 
ruidosa pelo nariz e boca do paciente nos orienta 
sobre ela e também sobre distúrbios na troca 
gasosa). Também pode ser notado sinais de 
insuficiência respiratória, como tiragem de fúrcula, 
batimento da asa do nariz, etc. A orofaringe 
sempre deve ser examinada à procura de 
obstrução por corpos estranhos, particularmente 
em pacientes com alterações da consciência. 
Respiração – Fazer uma rápida propedêutica do 
tórax, avaliando o padrão respiratório, através da 
amplitude dos movimentos torácicos, presença de 
movimentos paradoxais (afundamento torácico), 
simetria da expansibilidade, fraturas no gradeado 
costal, enfisema de subcutâneo, etc. 
Circulação – Para sua avaliação faz-se a 
monitorização da pressão arterial, do pulso 
(qualidade, freqüência, regularidade, etc. Ex: os 
pacientes hipovolêmicos podem apresentar 
ausência de pulsos radiais e pediosos), bem como 
de estase jugular e perfusão tecidual. 
Estes parâmetros são muito úteis para uma 
avaliação geral do sistema cárdio-circulatório. 
4.1. Fraturas 
São as lesões mais comuns do tórax e assumem 
fundamental importância, pois a dor causada por 
elas dificulta a respiração e levam ao acúmulo de 
secreção. 
As etiologias mais comuns das fraturas são o 
trauma direto e a compressão do tórax. 
Geralmente as lesões por trauma direto formam 
espículas que se direcionam para o interior do 
tórax, logo com maior potencialidade de lesar a 
cavidade pleural. Nas lesões por compressão, as 
espículas se direcionam para fora, diminuindo a 
potencialidade de acometimento da cavidade 
pleural, porém, com maior chance de levar a um 
tórax instável e lesões de órgãos internos. 
As fraturas da caixa torácica dividem-se 
didaticamente em três tipos principais: fraturas 
simples de costelas, afundamentos e fraturas de 
esterno. 
4.1.1. Fraturas de costelas 
É a mais comum das lesões ósseas da parede 
torácica, podendo ocorrer isoladamente ou 
associada a pneumotórax ou hemotórax. 
Lembramos que as fraturas dos últimos arcos 
costais podem se associar à lesão de fígado ou 
baço e a lesão dos primeiros arcos se associam a 
traumas graves com possíveis lesões vasculares. 
Uma particularidade do trauma pediátrico é que as 
crianças apresentam muito menos fraturas costais 
pela maior elasticidade dos ossos, fazendo com 
que lesões internas por compressão possam 
ocorrer sem o aparecimento de fraturas. 4.1.1.1. 
Diagnóstico 
● Dor e possível crepitação à palpação de ponto 
localizado (fraturado). 
● Obs. Nem sempre na radiografia simples 
conseguimos ver a fratura. Ela deve ser avaliada 
com bastante atenção, procurando-se bem a 
fratura e, nos casos de dúvida, repetir a radiografia 
em outras incidências. Lembramos que a porção 
anterior e cartilaginosa pode apresentar lesão não 
visível na radiografia. 
4.1.1.2. Conduta 
Na fratura simples, não complicada, indicamos a 
sedação eficaz da dor com analgésicos. 
Se insuficiente, faz-se anestesia local no foco de 
fratura ou nos espaços intercostais adjacentes na 
porção mais posterior do tórax. 
Medidas como enfaixamento torácico devem ser 
evitadas, por serem pouco eficientes e por 
restringirem a mobilização torácica, dificultando a 
fisioterapia e predispondo a infecções pulmonares. 
4.1.2. Afundamentos (fraturas múltiplas de costelas) 
Estão associadas aos traumatismos mais graves 
do tórax e freqüentemente também de outros 
órgãos. 
Define-se como fraturas múltiplas à fratura de dois 
ou mais arcos costais em mais de um local 
diferente, determinando perda da rigidez de parte 
ou de todo o envoltório ósseo torácico, fazendo 
com que essa parte do tórax possa se movimentar 
de uma maneira diferente do restante (movimento 
paradoxal do tórax). 
Durante muitos anos julgou-se que o movimento 
paradoxal fosse a causa da insuficiência 
respiratória desses doentes. Atualmente já foi 
provado que o grande problema não é o movimento 
paradoxal e sim a contusão pulmonar conseqüente 
ao trauma torácico grave. 
4.1.2.1. Diagnóstico 
● À inspeção, presença de movimento paradoxal do 
tórax, isto é, depressão da região fraturada à 
inspiração e abaulamento à expiração. 
● À palpação nota-se crepitação nos arcos costais 
à respiração, com intensa dor. 
● Radiografia de tórax mostra os arcos fraturados 
(múltiplas soluções de continuidade), podendo-se 
ver a sua mudança de posição, da área flácida, 
conforme a radiografia for inspirada ou expirada. 
4.1.2.2. Conduta 
O tratamento é feito pelo controle da dor e 
fisioterapia respiratória, sendo que nos casos mais 
graves é indicada a entubação orotraqueal com 
ventilação mecânica assistida, além de reposição 
volêmica. É importante, então, frisar que a 
terapêutica inicial inclui a correção da 
hipoventilação, a administração de oxigênio e a 
reposição volêmica e a terapia definitiva consiste 
em reexpandir o pulmão, garantir a oxigenação 
mais completa possível, administrar líquidos 
judiciosamente e fornecer analgesia para melhorar 
a ventilação. Deve-se lembrar que está totalmente 
contra-indicada a imobilização da caixa torácica, 
pois esta, além de não proporcionar melhor 
prognóstico, ainda diminui a amplitude respiratória 
e favorece o acúmulo de secreções. 
4.1.3. Fraturas do Esterno 
São lesões raras, mas de alta mortalidade, devido à 
ocorrência de lesões associadas (contusão 
cardíaca, ruptura traqueobrônquica, ferimentos 
musculares) que devem ser pesquisadas 
concomitantemente. 
Deve-se seguir a mesma orientação terapêutica do 
afundamento torácico, com a diferença de que a 
indicação de fixaçãocirúrgica com fios de aço é 
mais freqüente devido ao movimento paradoxal 
intenso e doloroso que pode ocorrer. A infiltração 
do foco de fratura esternal é conduta auxiliar de 
grande valor para o controle da dor. 
5. Alterações da Cavidade Pleural 
5.1. Pneumotórax (PTX) 
É a presença de ar na cavidade pleural, podendo 
levar à compressão do parênquima pulmonar e 
insuficiência respiratória. Nas contusões, dois 
mecanismos podem ser responsáveis pela lesão 
pulmonar com extravasamento de ar para a pleura, 
uma laceração do pulmão pela compressão aguda 
do tórax, ou uma espícula óssea, de uma costela 
fraturada, perfurando o pulmão. Se houver fístula 
de parênquima pulmonar com mecanismo 
valvulado o pneumotórax pode se tornar 
hipertensivo com desvio do mediastino para o lado 
contralateral, com torção das veias cavas e 
choque e se não for rapidamente tratado pode 
levar à morte. 
5.1.1. Diagnóstico 
● Dispnéia (relacionada ao grau de compressão do 
parênquima pulmonar). 
● Abaulamento do hemitórax afetado (mais nítido 
em crianças). 
● Hipertimpanismo à percussão. 
● Ausência ou diminuição do murmúrio vesicular. 
● Nos casos de pneumotórax hipertensivo, 
aparecem sinais de choque com pressão venosa 
alta (estase jugular). 
● Radiografia de tórax revela a linha de pleura 
visceral afastada do gradeado costal. Julgamos 
importante lembrar que quando o paciente estiver 
com condição clínica desfavorável (principalmente 
se com sinais de pneumotórax hipertensivo), deve-
se instituir a terapêutica sem os exames 
radiológicos, apenas com os dados do exame 
físico. 
Pode-se seguir duas classificações para 
pneumotórax: 
● Aberto x Fechado; 
● Simples x Hipertensivo. 
5.1.2. Pneumotórax Aberto 
É caracterizado pelo contato do espaço pleural 
com o meio ambiente (solução de continuidade 
entre a cavidade e o meio externo), Levando a uma 
equivalência entre as pressões atmosférica e 
intratorácica, o que ocasionará, em última 
instância, o colapso pulmonar, queda da hematose 
e uma hipóxia aguda. Esse tipo de pneumotórax 
geralmente não é causado por ferimentos por arma 
de fogo ou arma branca, já que, nesses casos, os 
músculos da parede torácica tamponam a lesão. 
Pode ser causado, no entanto, por, por exemplo, 
acidentes viários, devido à "arrancamentos" de 
caixa torácica, o que é incomum. 
Seu tratamento baseia-se no tamponamento 
imediato da lesão através de curativo quadrangular 
feito com gazes esterilizadas (vaselinada ou outro 
curativo pouco permeável ao ar) de tamanho 
suficiente para encobrir todas as bordas do 
ferimento, e fixado com fita adesiva (esparadrapo, 
etc) em três de seus lados. A fixação do curativo 
oclusivo em apenas três lados produz um efeito de 
válvula; desse modo, na expiração, tem-se a saída 
de ar que é impedido de retornar na inspiração, 
evitando, assim, formar um pneumotórax 
hipertensivo. 
5.1.3. Pneumotórax Simples 
O pneumotórax simples tem sua etiologia baseada, 
principalmente, no trauma penetrante e na 
contusão torácica. 
Seu diagnóstico é dado pela hipersonoridade à 
percussão e diminuição ou ausência de murmúrio 
vesicular e complementado pelo Rx de tórax, onde 
há uma maior radiotransparência do pulmão 
acometido, devido ao acúmulo de ar no local que 
era para ser ocupado pelo parênquima pulmonar. 
 
O tratamento preconizado para ele (ATLS) é a 
drenagem pleural feita no quinto ou sexto espaço 
intercostal (EIC), na linha axilar média (LAM), a fim 
de se evitar complicações como lesão de 
diafragma, fígado ou outros órgãos. Em casos onde 
há borbulhamento persistente do selo d'água é 
indicado uma aspiração contínua com -20 a -30 cm 
de água de pressão. 
5.1.4. Pneumotórax Hipertensivo 
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando há um 
vazamento de ar para o espaço pleural por um 
sistema de "válvula unidirecional" (geralmente por 
fratura do arco costal). O sistema de válvula faz 
com que o ar entre para a cavidade torácica sem a 
possibilidade de sair, colapsando completamente o 
pulmão do lado afetado. O mediastino e a traquéia 
são deslocados para o lado oposto, diminuindo o 
retorno venoso e comprimindo o pulmão oposto. 
Pode ocorrer óbito rápido do paciente devido à 
compressão do parênquima pulmonar contralateral 
(e não pela compressão de veias cavas), que leva a 
hipóxia. Ocasionalmente, lesões traumáticas da 
parede torácica podem causar PTX hipertensivo. 
Uma incidência significante de PTX decorre dos 
procedimentos de inserção de cateteres em veia 
subclávia ou jugular interna. É caracterizado por 
dispnéia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio 
da traquéia, ausência de murmúrio vesicular 
unilateral, distensão das veias do pescoço (estase 
jugular), hipersonoridade, desvio do ictus e cianose 
como uma manifestação tardia. Pela semelhança 
dos sintomas, o PTX hipertensivo pode, 
inicialmente, ser confundido com tamponamento 
cardíaco. 
5.2. Hemotórax (HTX) 
É a presença de sangue na cavidade pleural 
resultante de lesões do parênquima pulmonar, de 
vasos da parede torácica ou de grandes vasos 
como aorta, artéria subclávia, artéria pulmonar ou 
mesmo do coração. Apesar de na maioria dos 
doentes a presença do hemotórax não significar 
uma lesão extremamente grave, todo doente 
traumatizado com derrame pleural supostamente 
hemorrágico, deve ser encarado e acompanhado 
como um doente potencialmente de risco, até o 
total esclarecimento da sua lesão e do volume do 
sangue retido na cavidade pleural. 
5.2.1. Diagnóstico 
● Choque hipovolêmico na dependência do volume 
retido ou da intensidade da lesão 
● Dispnéia decorrente da compressão do pulmão 
pela massa líquida nos casos volumosos 
● Propedêutica de derrame pleural. 
● Radiografia de tórax revelando linha de derrame 
ou apenas velamento difuso do hemitórax quando a 
radiografia é realizada com o doente deitado (o que 
normalmente acontece no trauma). 
A toracotomia está indicada quando houver saída 
imediata na drenagem pleural de mais de 1.500 ml 
de sangue (ou de mais de 20ml/kg de peso) ou, se 
na evolução, o sangramento horário for maior de 
300ml por hora no período de duas horas 
consecutivas. A outra indicação é nos casos em 
que, apesar da drenagem, mantém-se imagem 
radiológica de velamento com possíveis coágulos 
no tórax. 
Além disso, a infusão de cristalóide para repor o 
volume sanguíneo perdido, deve ser feita 
simultaneamente à descompressão da cavidade 
torácica e assim que possível administra-se o 
sangue autotransfundido ou outro tipo-específico. 
Alguns autores alertam que, na presença de 
sangramento persistente, caracterizado por esses 
por drenagem inicial de 1.000 a 1.500 ml, seguido 
de sangramento contínuo de 200 a 300 ml/h, 
durante 4 horas consecutivas e em casos de HTX 
coagulado (ambas complicações do HTX), devese 
fazer toracotomia de urgência (lembrando sempre 
que esta deve ser feita por um cirurgião ou por um 
outro médico devidamente treinado e qualificado). 
 
5.3. Quilotórax 
O quilotórax é o acúmulo de líquido linfático na 
cavidade pleural. Sua etiologia geralmente é 
devido a um ferimento transfixante do tórax que 
acomete o ducto torácico. O diagnóstico é 
semelhante ao HTX, porém quando se drena um 
líquido vertente, de aspecto leitoso e rico em 
células linfóides, é caracterizado o quilotórax. Seu 
tratamento é feito pela drenagem pleural ou por 
toracocentese e, complementado por uma dieta 
rica em triglicérides, que aceleram a cicatrização 
da lesão do ducto. 
6. Traumatismo Cardíaco 
Os traumatismos cardíacos podem ser divididos em 
duas condições básicas, que são o tamponamento 
cardíaco e a contusão cardíaca. 
6.1. Tamponamento Cardíaco 
Presença de líquido na cavidade pericárdica, 
comprimindo as câmaras cardíacas, promovendo 
restrição diastólica e colapso circulatório, nas 
contusões a sua origem pode ser a ruptura 
cardíaca ou a lesão de vasossangüíneos cardíacos 
ou pericárdicos. 
6.1.1. Diagnóstico 
● Trauma sobre a região torácica anterior. 
● Fácies pletórica. 
● Estase jugular e hipotensão arterial (choque com 
pressão venosa alta). 
● Bulhas cardíacas abafadas. 
● Pulso paradoxal de Kussmaul (diminuição da 
amplitude do pulso à inspiração profunda). 
● Eletrocardiograma com complexos de baixa 
voltagem. 
● Radiografia de tórax com aumento de área 
cardíaca (freqüentemente não é um grande 
aumento). 
O tamponamento cardíaco resulta, mais 
comumente, de ferimentos penetrantes, 
principalmente aqueles que incidem na perigosa 
área de Ziedler. Sua fisiopatologia funciona como a 
de um choque hipovolêmico, no qual ocorre 
restrição de enchimento das câmaras cardíacas 
direitas, levando à restrição diastólica pela 
diminuição do retorno venoso, que diminui a pré-
carga.O trauma contuso também pode causar um 
derrame pericárdico de sangue proveniente do 
coração, dos grandes vasos, ou dos vasos 
pericárdicos. No caso dos esmagamentos ou 
perfurações por pontas ósseas, o quadro é mais 
grave e esses pacientes raramente chegam vivos 
ao hospital. Nessas situações ocorre um 
derramamento de sangue no saco pericárdico e, 
como este é muito pouco distensível, faz com que 
ocorra uma limitação da diástole ventricular, 
causando um grande déficit da "bomba" cardíaca, 
mesmo quando a quantidade de sangue derramado 
for pequena. 
A suspeita clínica é caracterizada pela tríade de 
Beck, que consiste na elevação da pressão venosa 
central (PVC), diminuição da pressão arterial e 
abafamento das bulhas cardíacas (este último 
item, no entanto, não está presente no TC agudo 
porque o pericárdio é inelástico; no TC "crônico", 
ao contrário, o pericárdio vai se acomodando e 
chega a suportar até dois litros de sangue). Pode 
ocorrer também estase jugular, pulso paradoxal, 
dispnéia, taquicardia e cianose de extremidades, 
sendo que os dois primeiros sinais, em alguns 
casos, podem estar ausentes ou serem 
confundidos com pneumotórax hipertensivo. 
A dissociação eletromecânica, na ausência de 
hipovolemia e de pneumotórax hipertensivo, sugere 
TC. A toracotomia exploradora somente está 
indicada em sangramento contínuo, ausência de 
resposta após aspiração, recorrência após 
aspiração ou a presença de projétil de arma de 
fogo no espaço pericárdico. O diagnóstico 
diferencial do tamponamento cardíaco deve ser 
feito com o pneumotórax hipertensivo, já citado 
anteriormente. 
6.2. Contusão Cardíaca 
Este tipo de lesão ocorre em traumatismos 
fechados, pelos quais se procede à compressão do 
coração entre o esterno e a coluna. Em grandes 
afundamentos frontais do tórax deve-se sempre 
suspeitar de contusão cardíaca. As queixas de 
desconforto referidas pelo paciente geralmente 
são interpretadas como sendo devidas à contusão 
da parede torácica e a fraturas do esterno e/ou de 
costelas. 
7. Contusão Pulmonar (com ou sem tórax instável) 
A contusão pulmonar é a lesão torácica 
potencialmente letal. A insuficiência respiratória 
pode ser sutil e, inicialmente, passar despercebida 
e desenvolver-se depois de algum tempo. O 
tratamento definitivo pode exigir alterações à 
medida que o tempo passa, com base na cuidadosa 
monitorização e reavaliação do paciente. 
Alguns pacientes em condições estáveis podem 
ser tratados seletivamente, sem entubação 
endotraqueal ou ventilação mecânica. Os 
pacientes com hipóxia significante devem ser 
intubados e ventilados já na primeira hora após a 
lesão ou até mesmo traqueostomizados, se 
necessário. Enfermidades associadas, tais como 
doença pulmonar crônica e insuficiência renal, 
predispõem à necessidade de entubação precoce e 
de ventilação mecânica. 
A entubação e a ventilação mecânica devem ser 
consideradas sempre que o paciente não conseguir 
manter uma oxigenação satisfatória ou apresentar 
uma das complicações descritas acima. 
8. Lesão de Grandes Vasos 
Ocorre em acidentes envolvendo altas velocidades 
ou quedas de grandes alturas, em que há o 
mecanismo de desaceleração súbita. 
Aproximadamente 90% das vítimas de ruptura de 
aorta morrem no local do acidente, apenas 10% 
chegam vivas ao hospital e, destas, 50% falecem 
nas primeiras 2h após a admissão se a conduta 
correta não for tomada. 
A ruptura incide mais na região do istmo aórtico, 
ou seja, logo após a emergência da artéria 
subclávia esquerda e ocasiona enorme hemotórax. 
Os sobreviventes se mantém vivos por um período, 
pois, há formação de grande hematoma periaórtico, 
tamponado temporariamente pela pleura 
mediastinal e pulmão. O diagnóstico e a conduta 
cirúrgica devem ser feitos rapidamente. 
8.1. Diagnóstico 
● História do trauma (desaceleração súbita). 
● Sinais de grande hemotórax esquerdo e choque 
nos casos de ruptura para a cavidade pleural. Nos 
doentes em que a lesão está tamponada, o exame 
físico não mostra alterações significativas. 
● Radiografia de tórax de frente mostra 
alargamento mediastinal superior. 
9. Laceração traqueobrônquica 
A ruptura traqueobrônquica pode ser dividida em 
lesões de traquéia cervical e de traquéia torácica 
ou brônquios principais. 
9.1. Traquéia cervical 
O mecanismo mais freqüente é o trauma direto 
com contusão traqueal e ruptura, também a 
hiperextensão do pescoço nos impactos frontais 
pode lesar esta região. 
9.1.1. Diagnóstico 
● Sinais externos de trauma cervical (escoriações 
e hematomas no pescoço). 
● Carnagem ou voz rouca. 
● Crepitação dos anéis traqueais à palpação 
cervical. 
● Enfisema subcutâneo cervical. 
● Broncoscopia confirma o diagnóstico (se houver 
condições respiratórias). 
9.1.2. Conduta 
● Emergência: restabelecer a perviabilidade das 
vias aéreas com entubação traqueal ou 
traqueostomia, fazendo a cânula ultrapassar o 
local de ruptura. 
● Após a recuperação da ventilação: abordagem 
cirúrgica com sutura da lesão ou dependendo do 
grau de destruição traqueal ressecção segmentar e 
anastomose término-terminal. 
9.2. Traquéia torácica ou brônquios principais 
Pode resultar de compressão antero-posterior 
violenta do tórax ou de desaceleração súbita como 
nos impactos frontais ou nas quedas de grandes 
alturas. O local mais comum de lesão é na Carina 
ou no brônquio principal direito. 
9.2.1. Diagnóstico 
● História do trauma com possível desaceleração 
súbita. 
● Desconforto respiratório. 
● Escarro com sangue ou mais raramente 
hemoptise moderada. 
● Enfisema subcutâneo grande e logo disseminado. 
● Radiografia de tórax com presença de 
pneumomediastino, pneumotórax ou atelectasia 
total do pulmão. 
● Grande perda de ar pelo dreno após a drenagem 
pleural sob selo d‘água (pode não haver, caso a 
lesão esteja bloqueada pela pleura). 
● Fibrobroncoscopia que irá confirmar o 
diagnóstico e mostrar o local da lesão. 
9.2.2. Conduta 
● Emergência: Se houver insuficiência respiratória 
ou perda aérea intensa pelo dreno pleural, realizar 
entubação seletiva contralateral. 
● Após a recuperação da ventilação - toracotomia 
rapidamente para sutura da lesão, broncoplastia ou 
traqueoplastia. 
As principais etiologias que levam a esse tipo de 
lesão são a desaceleração horizontal (força tipo 
momento), O diagnóstico é dado, principalmente, 
pela história clínica, pelo tipo de trauma, pelo 
borbulhamento contínuo do selo d'água, por um 
enfisema subcutâneo evidente e por episódios de 
hemoptise no início do quadro clínico. 
Se as bordas da lesão estiverem alinhadas e 
tamponadas, o tratamento se dá espontaneamente, 
porém, caso isso não ocorra, haverá a necessidade 
de uma toracotomia póstero-lateral direita. 
A mais freqüente e grave complicação desta lesão 
é o PTX hipertensivo. 
10. Lesão Esofágica 
O esôfago torácico pode ser traumatizado por dois 
mecanismos: em primeiro lugar de uma maneira 
interna, na maioria das vezes iatrogênica pela 
passagem de sondas enterais ou instrumentospara 
dilatação ou cauterização de varizes e, em 
segundo lugar, menos freqüente, mas não menos 
importante, nos ferimentos externos torácicos, 
principalmente por arma de fogo e transfixante 
latero-laterais no tórax. 
Na maior parte da vezes, ao contrário de outras 
lesões graves, a lesão do esôfago é ―silenciosa‖ na 
sua fase inicial demonstrando muito poucos 
sintomas, muitas vezes nenhum, quando a lesão é 
exclusiva do esôfago. Assim, não devemos 
aguardar os sintomas para o diagnóstico do 
ferimento do esôfago torácico, pois quando os 
sintomas, já tardios aparecem, manifestam-se por 
mediastinite, possivelmente acompanhada de 
empiema pleural. Quadro infeccioso grave, de 
difícil controle e solução. 
Conforme a progressão da infecção, isto é, a fase 
evolutiva da doença, iremos decidir sobre o 
tratamento definitivo: fechamento da fístula 
esofágica ou esofagectomia com reconstrução 
futura. 
10.1. Diagnóstico 
● O diagnóstico deve ser um tanto quanto rápido, 
pois as lesões esofágicas podem ser devastadoras 
se não tratadas rapidamente. 
● Ferimento transfixante latero-lateral do 
mediastino. 
● Dor após manipulação no lúmen do esôfago (por 
sondas, cateteres, etc.). 
● Em todo ferimento transfixante do mediastino é 
obrigatório se descartar lesão de esôfago, mesmo 
sem sintomas, devendo-se realizar: radiografia 
contrastada do esôfago, de preferência com 
contraste não baritado e esofagoscopia para o 
diagnóstico precoce da lesão esofágica. 
● Na fase tardia (após 12 a 24 horas), quando não 
diagnosticado precocemente inicia-se a seqüência 
sintomática da lesão do esôfago, com mediastinite 
representada por dor e febre, progredindo o quadro 
para possível empiema pleural e septicemia. 
10.2. Conduta 
● Na fase aguda deve ser abordado o esôfago por 
toracotomia e a lesão ser suturada, mantendo-se o 
doente em jejum oral por, no mínimo sete dias 
(mantendo-se a alimentação por sonda enteral). 
● Na fase tardia, com mediastinite, deve-se instituir 
a antibióticoterapia e realizar-se uma toracotomia 
para desbridamento amplo da região lesada e 
drenagem, para em um segundo tempo realizar-se o 
tratamento definitivo. 
13° Módulo: Referências Bibliográficas 
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PARANÁ. 
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