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DIREITO PROCESSUAL PENAL I - CCJ0040 
Título 
Caso Concreto 3 
Descrição 
CASO 01: 
Um transeunte anônimo liga para a circunscricional local e diz ter ocorrido um 
crime de homicídio e que o autor do crime é Paraibinha, conhecido no local. A 
simples delatio deu ensejo à instauração de inquérito policial. Pergunta-se: é 
possível instaurar inquérito policial, seguindo denúncia anônima? Responda, 
orientando-se na doutrina e jurisprudência. 
Sim, é possível instaurar o inquérito policial, com base em informações 
anônimas, conforme artigo 5º, § 3º, CPP "Qualquer pessoa do povo que tiver 
conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, 
verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada 
a procedência das informações, mandará instaurar o inquérito", iniciando-se pela 
verificação preliminar da informação. 
 
CASO 2- Tendo em vista o enunciado nº 14 da Súmula Vinculante, quanto ao 
sigilo do inquérito policial, é correto afirmar que a autoridade policial poderá 
negar ao advogado 
a) a vista dos autos, sempre que entender pertinente. 
b) a vista dos autos, somente quando o suspeito tiver sido indiciado formalmente. 
c) do indiciado que esteja atuando com procuração o acesso aos depoimentos 
prestados pelas vítimas, se entender pertinente. 
d) o acesso aos elementos de prova que ainda não tenham sido documentados 
no procedimento investigatório. 
 
CASO 3- Em um processo em que se apura a prática dos delitos de supressão 
de tributo e evasão de divisas, o Juiz Federal da 4ª Vara Federal Criminal de 
Arroizinho determina a expedição de carta rogatória para os Estados Unidos da 
América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento à carta, o 
tribunal americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à 
Justiça Brasileira, a 4ª Vara Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, 
ao se deparar com o teor do ato praticado, requer que o mesmo seja declarado 
nulo, tendo em vista que não foram obedecidas as garantias processuais 
brasileiras para o réu. Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual 
no Espaço, a alegação do advogado está correta? 
a) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que 
as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território 
nacional. 
b) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as 
normas processuais brasileiras só se aplicam no território nacional. 
c) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as 
normas processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território. 
d) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que 
as normas processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional. 
 
 
 
 
Eugênio Pacelli de Oliveira se posiciona da seguinte forma: 
observa-se que, diante da gravidade do fato noticiado e da verossimilhança da 
informação, a autoridade policial deve encetar diligências informais, isto é, no 
plano da apuração da existência do fato – e não da autoria – para comprovação 
da notícia. É dizer: o órgão persecutório deve promover diligências para apurar 
se foi ou não, ou se está ou não, sendo praticada a alegada infração penal. O 
que não se deve é determinar a imediata instauração de inquérito policial sem 
que se tenha demonstrada a infração penal nem mesmo qualquer indicativo 
idôneo de sua existência. Em duas palavras, […] deve-se agir com prudência e 
discrição, sobretudo para evitar a devassa indevida no patrimônio moral de quem 
tenha sido, levianamente, apontado na delação anônima (OLIVEIRA, 2011, p. 
55). 
 
 
Delação Anônima - Investigação Penal - Ministério Público - Autonomia 
Investigatória (Transcrições) HC 100042-MC/RO* RELATOR: MIN. CELSO 
DE MELLO EMENTA: A INVESTIGAÇÃO PENAL E A QUESTÃO DA 
DELAÇÃO ANÔNIMA. DOUTRINA. PRECEDENTES. PRETENDIDA 
EXTINÇÃO DO PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO, COM O 
CONSEQÜENTE ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL. 
DESCARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DA PLAUSIBILIDADE JURÍDICA DO 
PEDIDO. MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA. - As autoridades públicas não 
podem iniciar qualquer medida de persecução (penal ou disciplinar), apoiando-
se, unicamente, para tal fim, em peças apócrifas ou em escritos anônimos. É por 
essa razão que o escrito anônimo não autoriza, desde que isoladamente 
considerado, a imediata instauração de “persecutio criminis”. - Peças apócrifas 
não podem ser formalmente incorporadas a procedimentos instaurados pelo 
Estado, salvo quando forem produzidas pelo acusado ou, ainda, quando 
constituírem, elas próprias, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de 
resgate no crime de extorsão mediante sequestro, ou como ocorre com cartas 
que evidenciem a prática de crimes contra a honra, ou que corporifiquem o delito 
de ameaça ou que materializem o “crimen falsi”, p. ex.). - Nada impede, contudo, 
que o Poder Público, provocado por delação anônima (“disque-denúncia”, p. ex.), 
adote medidas informais destinadas a apurar, previamente, em averiguação 
sumária, “com prudência e discrição”, a possível ocorrência de eventual situação 
de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança 
dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso positivo, a 
formal instauração da “persecutio criminis”, mantendo-se, assim, completa 
desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas. Aldo 
de Campos Costa: Denúncia anônima tem limitações para motivar inquérito. 
Conjur. O debate referente à possibilidade de se admitir acusações baseadas 
em declarações anônimas envolve questões complexas e controvertidas. Uma 
delas consiste em saber em que hipóteses a utilização de um documento cujo 
autor não foi identificado justifica a instauração de um processo administrativo 
de investigação. Para esse efeito, a doutrina afirma que, num primeiro momento, 
o órgão persecutório deve promover diligências informais, no plano da existência 
do fato - e não da autoria - para apurar se foi ou não, ou se está ou não, sendo 
praticada a alegada infração penal.

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