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livro atividade empresarial

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LEGISLAÇÃO 
EMPRESARIAL 
APLICADA 
Tiago Ferreira Santos
Revisão técnica:
Miguel do Nascimento Costa 
Advogado
Graduado em Ciências Sociais
Especialista em Processo Civil
Mestre em Direito Público 
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB 10/2147
L514 Legislação empresarial aplicada / Tiago Ferreira Santos... [et 
al.]; [revisão técnica: Miguel do Nascimento Costa]. – 
Porto Alegre: SAGAH, 2018.
304 p. : il. ; 22,5 cm
ISBN 978-85-9502-437-3
1. Direito empresarial. 2. Direito comercial. I. Santos, 
Tiago Ferreira.
CDU 347.72
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Atividade empresarial
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Caracterizar a atividade empresarial.
 Analisar a inscrição do empresário, bem como a sua capacidade.
 Explicar a importância do registro da empresa.
Introdução
Na contemporaneidade, é inegável a importância das empresas na 
sociedade. Diversas tecnologias, antes inexistentes, foram desenvol-
vidas pela criatividade de pessoas que trabalhavam para elas e, além 
disso, muitos dos inventos apenas puderam ser objeto de produção 
em larga escala devido a essa forma específica de atividade econômica. 
Na verdade, mesmo áreas que em outros momentos eram incum-
bidas exclusivamente ao Estado, atualmente estão sendo exercidas 
empresarialmente.
Neste capítulo, você vai estudar os requisitos que caracterizam a 
atividade empresarial, bem como as principais disposições normativas 
acerca da inscrição e da capacidade do empresário. Ademais, será capaz 
de indicar a importância do seu registro e destacar os prejuízos decor-
rentes do seu exercício irregular.
Caracterização da atividade empresarial
Na primeira fase do Direito comercial, a sua atividade era caracterizada por 
uma perspectiva subjetiva proveniente do registro das pessoas nas corporações 
de ofício e respaldo em usos e costumes. Posteriormente, surgiu a teoria dos 
atos do comércio de natureza objetivista, a qual infl uenciou o Direito brasileiro. 
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Por fi m, atualmente, após a edição do atual Código Civil (CC), adotou-se a 
teoria da empresa de caráter subjetivista, mas com a peculiaridade de que ser 
empresário independe, em regra, de inscrição, bastando apenas o cumprimento 
de certos requisitos.
A seguir serão estudadas as duas teorias que mais influenciaram o Direito 
brasileiro, acerca da forma de caracterização da atividade empresarial e de-
signação mais condizente com o atual momento, embora não se negue que, 
por tradição, há ainda quem a designe como comercial.
Teoria dos atos de comércio
Na França, com o Código Comercial vigorante a partir de 1º de janeiro de 1808, 
um dos códigos napoleônicos, consolidou-se a teoria dos atos do comércio 
nesse país, o que infl uenciou, durante um largo período da história, o restante 
do mundo, sendo certo que no Brasil foi aprovado o Código Comercial de 
1850 sob essa inspiração.
Por essa teoria, as normas jurídicas exemplificavam os atos de comércio, 
os quais delimitavam, apenas por consequência, a figura do comerciante. 
Desse modo, ela é considerada pela doutrina como objetiva. O Direito 
brasileiro a adotava na primeira parte do mencionado código, o qual foi 
revogado, parcialmente, pelo CC de 2002, que preferiu a teoria da empresa 
de origem italiana.
Segundo Tarcísio Teixeira (2018, p. 34), essa crise pela qual passou a teoria 
dos atos de comércio no Direito brasileiro se justifica, historicamente, pelo 
desenvolvimento das atividades econômicas industriais e de prestação de 
serviços, sendo que “[...] a teoria dos atos de comércio tornou-se insuficiente 
como disciplina jurídica para o Direito Comercial, até porque as novas ativi-
dades econômicas não eram alcançadas” por ela.
Em verdade, mesmo que o rol de atos de comércio previsto em normas 
jurídicas pudesse ser ampliado para fins de alcançar as novas atividades 
econômicas, ainda assim, terminologicamente, essa teoria de influência 
francesa parecia ser inadequada, além disso, tal situação poderia ser solu-
cionada de forma mais satisfatória de acordo com a teoria da empresa de 
inspiração italiana.
Teoria da empresa e atividade empresarial
Em 1942, com a adoção da teoria da empresa pelo Direito italiano, espe-
cialmente no art. 2081 do seu CC, ainda vigente, uma nova fase iniciou 
Atividade empresarial16
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no Direito empresarial, sendo esta mais adequada ao diminuído papel do 
comerciante, em contraste com o crescimento dos setores industriais e 
de serviços.
Essa teoria, tanto no Direito italiano como no brasileiro, conceitua legal-
mente a figura do empresário. Assim, é considerada uma teoria subjetiva 
moderna, ou seja, a conceituação jurídica de atividade empresarial não é 
diretamente proveniente da lei, mas, sim, de uma construção doutrinária e 
jurisprudencial.
Nesse sentido, por uma interpretação do art. 966 do CC brasileiro, entende-
-se que a atividade empresarial é aquela econômica, organizada e exercida 
profissionalmente para a produção ou a circulação de bens e serviços. A influ-
ência da teoria da empresa é evidente. Na verdade, as disposições brasileiras 
e italianas são quase idênticas.
Em consequência de uma interpretação dos requisitos de empresarialidade, a doutrina 
destaca ainda a habitualidade.
Há de se destacar que não há empresarialidade, portanto, quanto à fina-
lidade for atender ao consumo próprio ou familiar em vez de produção ou 
circulação de bens e serviços para o mercado. Nesse sentido, André Luiz Santa 
Cruz Ramos (2016, p. 38): “[...] só restará caracterizada a empresa quando a 
produção ou circulação de bens ou serviços destinar-se o mercado, e não ao 
consumo próprio”.
Essa é a regra adotada pelo CC no art. 966, caput, consoante visto até o 
momento. Entretanto, há uma exceção relevante. Em princípio, essa atividade 
que será analisada a seguir atende, integralmente, aos requisitos estudados 
até aqui, mas, por determinação legal, especificamente do art. 966, parágrafo 
único, não é enquadrada na condição de atividade empresarial.
Assim, no âmbito da teoria da empresa adotada no Brasil por influência 
italiana, o conceito de atividade empresarial decorre de uma interpretação 
doutrinária e jurisprudencial acerca da definição legal de empresário. Pois 
bem, ao dispor sobre a exceção, não foi diverso o tratamento.
A lei afirmou, expressamente, que não “[...] se considera empresário 
quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou 
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artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o 
exercício da profissão constituir elemento de empresa” (BRASIL, 2002, 
documento on-line).
Profissão intelectual = científica, literária ou artística
A profissão intelectual não é atividade empresarial, salvo se o exercício da profissão 
constituir elemento da empresa. 
A profissão intelectual de natureza científica “[...] está relacionada com 
quem é pesquisador ou cientista, ou seja, alguém especializado em uma ciência 
(conhecimentos sistêmicos)” (TEIXEIRA, 2018, p. 53). Nesse sentido, segue 
lição elucidativa:
As atividades realizadas pelos profissionais de uma das áreas do conhecimento 
(humanas, exatas e biológicas) podem se enquadrar na atividade intelectual, 
citando-se, como exemplos, o preparador físico, o fisioterapeuta, o psicólo-
go, o químico, o médico etc. Pode-se dizer que esses são cientistas nas suas 
respectivas áreas (TEIXEIRA, 2018, p. 53).
Por sua vez, a profissão intelectual de natureza literária “[...] está relacio-
nada com a expressão da linguagem, ideias, sentidos e símbolos, especial-
mente por meio da escrita” (TEIXEIRA, 2018, p. 53). São seus exemplos, 
conforme aponta doutrina, “[...] o escritor, o compositor, o poeta, o jornalista 
etc.” (TEIXEIRA,

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