Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ INSTITUTO DE ENGENHARIA E GEOCIÊNCIAS BACHARELADO EM GEOLOGIA GEOLOGIA ESTRUTURAL _______________________________________________________ DEFORMAÇÃO DÚCTIL Discente: Marcos Vinícius Tosin de Araújo Docente: Antônio Alessandro De Jesus Braga 1 Sumário Introdução Deformação Dúctil Aspectos Geométricos Classificação (Concavidade) Classificação Baseada na Linha de Charneira e da Superfície Axial Classificação (Simetria) Dobras com Geometria Distintas Classificação Baseada nas Isógonas de Mergulho Classificação Baseada no Ângulo de Interflancos Mecanismos de Dobramento Referências 2 Introdução As forças tectônicas provocam deformações nas rochas; As deformações da litosfera traduz-se na formação de estruturas geológicas (dobras e falhas); O comportamento que a rocha irá apresentar vai depender de fatores intrínsecos à própria rocha (composição mineralógica e textura) e de fatores extrínsecos (a temperatura, o tempo, tipo e intensidade da tensão; A mesma rocha pode apresentar comportamento frágil em algumas circunstâncias, e dúctil em outras , isso vai depender das condições no qual essa rocha foi exposta Deformação Dúctil Deformação Dúctil Dobras são ondulações tanto convexas quanto côncavas existentes em corpos originalmente planos, na maioria dos casos relacionadas a eventos tectônicos. Podem ocorrer em rochas sedimentares, ígneas ou metamórficas; As dobras são estruturas visualmente atrativas e que podem formar-se em praticamente qualquer tipo de rocha, contexto tectônico e profundidade Aspectos Geométricos (Dobras) Em geral as dobras são formadas por uma charneira que liga dois flancos com orientações distintas; A charneira pode ser aguda ou nítida, mas geralmente sua curvatura é gradual, definindo uma zona de charneira; Ponto Charneira: Ponto de máxima curvatura em uma camada dobrada, localizado no centro da zona de charneira; Linha de Charneira: É a conexão dos pontos de charneira. Geralmente são curvas, mas quando aparecem em linha reta são denominadas eixo de dobra Classificação (Concavidade) Antiforme: é uma estrutura cujos flancos mergulham e se afastam da zona de charneira. Possui concavidade para baixo; Sinforme: oposto do antiforme, com concavidade para cima (forma de canal). Classificação (Concavidade) Sinclinal: é uma dobra côncava para cima. É definido como uma dobra com rochas mais novas no centro da curvatura. Anticlinal: é uma dobra convexa para baixo. É definido como uma dobra com rochas mais velhas no centro de curvatura. Classificação Baseada na Linha de Charneira e da Superfície Axial Quando o plano axial é vertical e o eixo horizontal (Normal horizontal) Quando o plano axial se inclina e o eixo é horizontal (Moderadamente inclinada) Quando o plano axial é horizontal e o eixo também é horizontal (Recumbente) Quando o plano axial é vertical e o eixo também é vertical (vertical) Quando o plano axial inclinado e o eixo também é inclinado (Reclinada) Classificação (Simetria) As dobras podem ser Assimétricas ou Simétricas : Simétricas: é quando os flancos da dobra possuem o mesmo ângulo de mergulho e comprimento (traço axial idêntico); Assimétricas: é quando os flancos da dobra possuem diferentes ângulos de mergulho e comprimento (traço axial distinto); Simétrica Assimétrica Classificação (Simetria) Dobras em Chevron Dobras Concêntricas As dobras podem ser Assimétricas ou Simétricas : Simétricas: é quando os flancos da dobra possuem o mesmo ângulo de mergulho e comprimento (traço axial idêntico); Assimétricas: é quando os flancos da dobra possuem diferentes ângulos de mergulho e comprimento (traço axial distinto); Homoclinal: flancos mergulhando no mesmo sentido mas sem inversão das camadas (não possuem charneiras); Monoclinal: corresponde a uma flexão em forma de degraus, passando de suaves mergulhos a mergulhos fortes (apresentam um único flanco); Monoclinal Homoclinal Dobras com Geometria Distintas 12 Dobras Harmônicas: guardam proporções entre flancos e os pontos de charneira estão alinhados; Dobras desarmônicas: não guardam proporções entre os flancos e os pontos de charneira estão desalinhados entre si. Harmônica Dobras Desarmônicas Dobras com Geometria Distintas 13 Dobras com Geometria Distintas Dobras Kinks Dobras kinks: são dobras assimétricas, com charneira angulosa e flancos planos. Apresentam-se em escala milimétrica a centimétrica, que se desenvolvem em rochas finamente acamadadas. Dobras com Geometria Distintas Dobras em Chevron Dobras Chevron: os ápices são terminados em ângulo, parecendo quebrados (flancos mantém a mesma espessura) Dobras com Geometria Distintas Dobras Concêntricas: apresentam Charneiras circulares Dobras Concêntricas Dobras com Geometria Distintas Dobras em Caixa: Traços isoclinais (“mesmo ângulo” com flancos de mesma atitude) incluídos uns em relação aos outros. Dobra em Caixa Dobras Cúspide: flancos suavemente em forma de arco cujas zonas de charneiras são pequenas e agudas. Dobras Cúspide Dobras com Geometria Distintas Dobras Ptigmáticas: formam-se sob altas condições de elasticidade (são comuns em zonas migmátiticas) As dobras ptigmáticas afetam geralmente veios isolados, oblíquos à estruturação planar das suas encaixantes. Estas dobras, de uma maneira geral isópacas, têm uma forma arredondada característica e complexa. Elas podem apresentar estrangulamento e são geralmente ligadas a fortes contrastes de viscosidade entre o veio e sua encaixante Dobras Ptigmáticas Dobras com Geometria Distintas Classificação (Simetria) Existem 3 dobras de segunda ordem (dobras Parasíticas): Dobras M: denominadas dobras simétricas; Dobras S: denominada dobra assimétrica, essas dobras indicam rotação no sentido anti-horário (sinistral); Dobras Z: Também é denominada uma dobra assimétrica, porém esse tipos de dobras indicam rotação no sentido horário (destral). Vergência: representa o sentido para onde as dobras se inclinam. 20 Classificação Baseada nas Isógonas de Mergulho Em alguns tipos de dobras, as camadas preservam suas espessuras, enquanto outros tipos apresentam espessamento de flancos ou charneira; Isógonas de mergulho: são linhas que conectam pontos de mesmo mergulho em dobras com orientação vertical; As isógonas retratam a diferença entre a superfície interna e externa, e portanto, mudanças na espessura da camada (Ramsay,1967) Com base nas isógonas de mergulho, as dobras podem ser classificadas em três principais classes: Classificação Baseada nas Isógonas de Mergulho Classe 1 – As isógonas de mergulho convergem para o arco interno, que é mais fechado que o arco externo; Classe 2 (dobras similares ou dobras de cisalhamento) – As isógonas de mergulho são paralelas ao traço axial. As formas dos arcos interno e externo são idênticas; Classe 3 – As isógonas de mergulho divergem em direção ao arco interno, que é mais aberto que o arco externo. Classificação Baseada no Ângulo de Interflancos Uma forma de descrever as dobras é pela abertura dos ângulos entre os flancos; O ângulo interflancos é o ângulo interno medido entre os dois flancos (limb); Ângulo interflancos esboçam a quantidade de deformação durante o dobramento; São classificados da seguinte maneira : Mecanismos de Dobramento A principal diferença nos modos como as rochas são dobradas está na resposta passiva ou ativa do acamamento em relação ao campo de deformação imposto; A classificação dos mecanismos de dobramentos se dá de três maneiras: 1 - Dobramento ativo ou flambagem (buckling); 2 - Dobramento passivo; 3 - Dobramento Flexural (bending); 24 Mecanismos de Dobramento Dobramento ativoou flambagem (buckling): é um processo que pode iniciar-se quando uma camada é encurtada na direção paralela ao seu acamamento Flambagem 25 Mecanismos de Dobramento Dobramento passivo: é típico de rochas nas quais ocorre fluxo passivo, ou seja, onde o acamamento não exerce influência mecânica sobre o dobramento. Acamamento serve somente de expressão visual, sem contraste mecânico ou de competência entre camadas. Dobramentos passivos 26 Mecanismos de Dobramento Dobramento Flexural: ocorre se as forças agirem em alto ângulo através da camada, de modo distinto das dobras ativas (flambagem), onde a força principal age como modo paralelo à camada. Dobras forçadas Acima de intrusões rasas e diásparo de sal Acima de falhas reativadas Acima de rampas de cavalgamento Entre Boudins 27 Referência Fossen, Haakon – Geologia Estrutural / Haakon Fossen; tradução Fábio R.D. de Andrade – São Paulo : Oficina de Textos, 2012