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HÉRNIAS DA 
parede
ABDOMINAL
Definição 
Do latim: hernia = ruptura. É a saída/protrusão anormal do 
conteúdo de uma cavidade, órgão ou tecido, através de um 
orifício natural, adquirido ou de uma fraqueza em suas 
paredes circundantes.
Epidemiologia 
- 5% da população desenvolverá 
- Aumenta prevalência com a idade 
- 75% das hérnias abdominais ocorrem na região inguinal. 
- 10-15% são incisionais
Classificação 
Quanto à localização: inguinal, incisional, umbilical, femoral, 
epigástrica, lombar, especiais. 
Quanto à extensão: externa (protusão através de todas 
camadas da parede abdominal); interna (protusão do 
intestino através de um defeito dentro da cavidade 
peritonial); interparietal (o saco herniário está dentro da 
camada músculo-aponeurótica da parede abdominal). 
Quanto à redutibilidade: redutível (conteúdo do saco 
herniário pode ser manualmente reintroduzido na cavidade 
abdominal); irredutível (não complicadas ou complicadas;) 
-> As complicadas podem ser: encarceradas (conteúdo não 
pode ser reintroduzido na cavidade abdominal) ou 
estranguladas (há comprometimento do suporte vascular da 
víscera contida na hérnia, levando à isquemia e gangrena). 
Quanto à etiologia: congênita (umbilical/ inguinal indireta) ou 
adquirida (lombar/ inguinal direta).. 
Etiologia 
Multifatorial! (Aumento crônico da pressão intra-abdominal + 
fragilidade da parede abdominal). 
-> Aumento da PIA: por obesidade, constipação, esforço 
abdominal por exercícios ou levantamento de peso, tosse, 
prostatismo, ascite, diálise peritonial ambulatorial crônica, 
tumores pélvicos./ abdominais. 
-> Fragilidade da parede: idade avançada, doenças 
debilitantes crônicas, traumatismos, atrofia muscular, doenças 
do colágeno, tabagismo. 
Pontos de Fragilidade da Parede Abdominal 
Linha alba, linha semilunar, região umbilical, canal inguinal, 
triângulo de Hesselbach, anel femoral (triângulo lombar 
superior e inferior).
 Canal inguinal: 4cm de comprimento; entre o anel inguinal 
interno (profundo) e o externo (superficial). Contém o cordão 
espermático no homem, ligamento redondo na mulher e nervo 
ilioinguinal em ambos.. 
Anel inguinal profundo: 
defeito na fáscia trans-
versalis à meia distân-
cia entre a espinha ilí-
aca ântero-superior e 
o tubérculo púbico, 
2cm acima do liga-
mento inguinal. 
Anel inguinal superficial 
defeito na aponeurose 
do oblíquo externo, 
imediatamente acima 
e lateral ao tubérculo 
púbico. 
P a r e d e a n t e r i o r : 
aponeurose do múscu
lo obíquo externo e fibras musculares do obíquo interno no 1/3 
lateral. 
Parede posterior: fáscia transversalis e aponeurose do m. 
transverso. 
Parede superior: oblíquo interno e transverso do abdome. 
Parede inferior: ligamento inguinal e ligamento lacunar na 
porção mais medial. 
 Triângulo de Hesselbach:: Área de fraqueza; limite 
superolateral -> vasos epigástricos inferiores; medial -> bordo 
lateral do reto abdominal; inferior -> ligamento inguinal; 
pavimento -> fáscia transversalis. Formam-se hérnias diretas 
nesta área..


 Anel Femoral: limite superior -> ligamento inguinal; limite 
inferior -> m. pectíneo; limite lateral -> veia femoral; limite 
medial -> ligamento lacunar
Triângulo lombar superior (Grynfelt): limite superior: 12a costela; 
medial -> m. quadrado lombar; inferolateral-> oblíquo interno; 
pavimento -> aponeurose do transverso do abdome. 
Triângulo lombar inferior (Petit): medial -> grande dorsal; lateral 
-> m. oblíquo externo; inferior -> crista ilíaca; pavimento -> 
oblíquo interno. 
Etiologia 
- Anomalias congênitas (hidropsia fetal, ambiguidade genital, 
hipospádia, criptorquidia). 
- Circunstâncias neonatais: prematuridade, baixo peso, 
peritonite meconial, problemas relacionados ao aumento 
da PIA intra-útero ou logo após nascimento; 
- Doenças hereditárias: mucopolissacaridoses, fibrose cística, 
doenças do tec conjuntivo, Ehlers-Danlos. 
Quadro Clínico 
Pode ser assintomático; dor/ desconforto local, que aumenta 
durante o dia; sensação de repuxamento; dor testicular 
principalmente nas inguinais; alteração trânsito intestinal; dor 
muito forte com hipersensibil idade pode ser por 
estrangulamento (cirurgia urgente). 
Sinais: tumefação que aumenta durante o dia/ com esforço.
Antecedentes Pessoais 
-> Outras patologias e condições que aumentem 
cronicamente a PIA; História individual de hérnias e sua 
reparação. 
Exame Físico: em posição ortostática e decúbito 
dorsal; 
Inspeção -> localização e forma da tumefação; impulso da 
tumefação com tosse; presença de sinais flogísticos; 
cicatrizes? Manobra de Valsalva. 
Ausculta/ Percussão -> avaliar conteúdo do saco herniário e 
sinais de oclusão intestinal. 
Palpação -> tamanho, consistência, limites, mobilidade em 
relação aos planos profundos e pele, sensibilidade dolorosa. 
Palpar orifício herniário; impulso com a tosse; redutibilidade e 
coercibilidade. 
Exames Complementares: apenas em dúvida 
diagnóstica. 
- Rx de abdome simples 
- US 
- TC 
 O DIAGNÓSTICO É APENAS COM 
 HISTÓRIA + EXAME FÍSICO
Tratamento 
Conservador: evitar situações que 
aumentem a PIA (ex: esforço, pegar 
objetos pesados); cintas elásticas. 
Indicações: hérnias pequenas, assinto-
máticas e facilmente redutíveis; 
cirurgias com contra-indicações ou 
recusa do paciente.
Cirúrgico: somente hérnias estranguladas são urgentes. 
- Não complicada: eletivo; prazo definido pelo médico e 
paciente. 
- Encarcerada: urgência -> pode-se reduzir a hérnia nas 
primeiras 6h e posteriormente operar; quanto > o tempo 
exteriorizada, > risco de perfuração durante a tentativa 
de redução. 
-> A cirurgia pode ser aberta ou via laparoscópica. 
Tempos Cirúrgicos (via aberta): 
1. Dissecção das estruturas inguinais 
2. Tratamento do saco herniário 
3. Reconstrução da parede inguinal (difere entre as 
técnicas de herniorrafia). 
-> Técnicas de reparo da parede inguinal: 
- Via aberta/ convencional sem prótese: métodos deBassini, 
Andrews, McVay, Shouldice. 
- Via aberta/ convencional com prótese: Lichtenstein (com 
colocação de tela), Stoppa.
 

Hérnia Inguinal 
São as + frequentes (75% das hérnias); acomete mais o 
sexo masculino e à D; Podem ser indiretas (+ comum) ou 
diretas -> mecanismo de formação. 
Outros: Deslizamento, Richter (bordo assimétrico do 
intestino) e Littré (divertículo de Meckel). 
Limites anatômicos: caudalmente -> prega inguinal; medial -> 
o relevo da borda externa do m. reto abdominal; cranial -> 
linha horizontal que une as espinhas ilíacas ântero-superiores. 
Na pele, pode-se usar as incisões retilíneas paralelas à prega 
inguinal - 2cm medial à ela. 
Tela subcutânea -> possui 3 folhetos (superficial/ fáscia 
areolar - Camper; fáscia lamelar - Scarpa; fáscia inominata - 
Gallauder -> sobre a superfície externa do m. oblíquo 
externo. 
M. oblíquo externo (MOE): abaixo do tec subcutâneo está a 
aponeurose do MOE; na região inguinal, é constituído 
exclusivamente por sua aponeurose de inserção, repartida 
em 3 fascículos: 
- superior: passa pela frente do m. reto abdominal 
- médio: suas fibras dirigem-se obliquamente ao púbis, 
onde se inderem 
- inferior: formam o ligamento inguinal 
Ligamento Inguinal (Poupart) -> espessamento da borda livre 
da aponeurose do MOE, que segue da espinha ilíaca ântero-
superior em direção ao tubérculo púbico. 
Esta aponeurose + aponeuroses bilaminares do MOI e 
transverso do abdome = bainha anterior do reto. Também 
forma a linha alba. 
Estruturas importantes 
Ficam abaixo do plano da fáscia transversalis -> importantes 
no reparo das hérnias. 
- Ligamento de Cooper: espessamento do periósteo da 
face interna do ramo superior do púbis; utilizado no 
Reparo de McVay. 
- Ligamento de Thomson (trato ileopúbico): conjunto de 
fibras aponeuróticas do m. transverso. Tem trajeto 
paralelo e posterior ao lig inguinal. Importante na via 
laparoscópica.
Canal Inguinal 
Passagem entre a musculatura da parede abdominal, de 
direção oblíqua, que segue de lateral para medial.Cerca de 
4cm no adulto. 
Conteúdo: 
✴ Sexo masculino -> funículo espermático, n. ilioinguinal e 
ramo genital do n. genitofemoral. 
✴ Sexo feminino -> ligamento redondo do útero, artéria e 
veia do ligamento redondo, n. ilioinguinal e ramo genital do 
n. genitofemoral. 
Funículo espermático -> formado pelo músculo cremáster, 
ducto deferente com sua artéria e veia, artéria e veia 
espermáticas externas, conduto peritônio vaginal, plexo 
panpiniforme e ramo genital do n genitogemoral. 
-> Aponeurose é o limite superficial do canal inguinal; 
O ligamento inguinal é a margem inferior da aponeurose; 
Anel inguinal externo é uma abertura ovóide da aponeurose. 
M. oblíquo interno (MOI): fibras correm em direção 
transversa na região inguinal; funciona como borda superior 
do canal inguinal. 
M. transverso do abdome e fáscia transversal: fibras cursam 
p/ baixo levemente oblíquas na região inguinal; margem 
inferior do m. participa formando o arco aponeurótico do 
transverso do abdome. 
LAPAROSCOPIA 
1. Dissecção do peritônio 
2. Tratamento do saco herniário 
3. Fixação da tela de material sintético. 
Abordagem intraperitoneal: reparação pré-peritoneal 
transabdominal (TAPP); ou totalmente extraperitoneal (TEP). 
Vantagens da videolaparoscopia: reduz dor no PO, encurta a 
ausência ao trabalho, reduz índices de recidiva; bom em 
obesos e com hérnias recidivadas. 
Desvantagens: imediato -> lesão de estruturas; tardias -> 
aderências; alto custo, anestesia geral. 
Cuidados no Pós-Operatório 
Repouso domiciliar na primeira semana; retorno ao trabalho 
entre a primeira (Lichtenstein e vídeo) e segunda semana 
(convencionais). Evitar esforço por 30 dias. 
-> A taxa global de complicações é estimada em 10%. 
Podem ocorrer infecções de ferida, lesões nervosas, 
hematomas, embolia pulmonar, hemorragia, entre outras. 
 

Hérnia Inguinal 
-> Mais frequente no sexo masculino 
-> Diretas ou indiretas.
INDIRETAS DIRETAS
> prevalência - comuns
+ frequentes em crianças e 
adultos jovens
mais comuns nos idosos
costumam ser sintomáticas e 
+ associadas a complicações
menos sintomas e raro ter 
complicações
+ freq no sexo masculino + freq no sexo feminino
Etiopatogenia 
Hérnias oblíquas externas (indiretas): 
- secundárias à alt congênitas pelo não fechamento do 
conduto peritônio vaginal (no homem) 
- Orifício inguinal alargado 
- Persistência do conduto de Nuck na mulher 
- Perda da função esfincteriana do anel inguinal interno 
Classificação de Nyhus 
I. Hérnia indireta, anel interno normal 
II. H. indireta, anel interno dilatado 
III. A) H. direta 
III. B) H. indireta, c/ fraqueza do assoalho inguinal. Por 
deslizamento. 
III. C) hernia femoral 
IV. H. reicidivada (A. direta; B: indireta; C: femoral; D: outra).
Recidivas 
A maioria ocorre nos primeiros 2 anos após o reparo. São 
menores com os reparos livres de tensão e com telas. 
Maiores com os anatômicos (sem prótese). 
- Mais comum em hérnias diretas. 
Motivos: condição do doente (doenças respiratórias, 
obesidade, defeitos de cicatrização). Também podem 
ocorrer por falhas do cirurgião (ex: não reforço do anel 
interno, suturas deficientes, falta de assepsia, entre outras).
Diagnóstico Diferencial 
Lipoma, Neoplasia, Linfonodomegalia, Hidrocele, Torção 
testicular, Varicocele, Abscessos da região, Criptorquidia e 
Hematomas pós-traumáticos.
Hérnias oblíquas internas (diretas): não resultam de alt 
congênitas. 
- Enfraquecimento das fibras de colágeno e elástica da 
parede abdominal. 
- Inserção alta da aponeurose do MOI e m. trasnverso da 
bainha do reto 
- Preferencialmente ocorrem no triângulo de Hesselbach,. 
-> A hérnia também pode ser mista. 
Hérnia Femoral 
Saco herniário se anuncia pelo canal femoral. A rigidez do 
canal femoral promove maior risco de encarcerar e 
estrangular. 
-> Mais encontradas em mulheres obesas, acima dos 45 
anos. Mais comum à D e 20% são bilaterais. Sintomas 
semelhantes à inguinal. 
-> CIrurgia: realizada pela técnica de McVay. O reparo é feito 
com a sutura do tendão conjunto no ligamento de Cooper, 
desde o tubérculo púbico até os vasos femorais. Faz-se o 
uso de tela.
Hérnia Epigástrica 
Protusão da gordura peritoneal na linha alba, através dos 
orifícios criados pelos vasos perfurantes, entre a apófise 
xifoide e o umbigo. 
-> + frequente em homens, entre os 20-30 anos. 20% são 
múltiplas. 
-> Sintomas: dor epigástrica ligeira até dor profunda com 
irradiação para dorso, com distensão abdominal, náuseas e 
vômitos. 
Diagnóstico Diferencial: úlcera péptica, patologias da vesícula 
biliar; hérnia do hiato; pancreatite; dástase dos rectos. 
Complicações: hérnias pequenas têm maior risco de 
encarceramento e estrangulamento. 
Cirurgia: 10-20% de recorrência após cirurgia (muitas vezes 
devido à falha em reconhecer as múltiplas hérnias).
Hérnia incisional 
Através de uma cicatriz cirúrgica na parede abdominal. 
Etiologia: téc cirúrgica deficiente, infecção pós-operatória, 
idade avançada, desnutrição, ascite, obesidade, gravidez, 
tosse intensa e crônica. 
-> 10% das cirurgias abdominais ocasionam hérnias incisionais. 
Menos frequentes após incisões transversais. 
-> QC: tumefação de tamanho variável na linha da incisão; 
desconforto local. 
Complicações:encarceramento e estrangulamento; disfunção 
respiratória. 
Tratamento: geralmente cirúrgico. 
Hérnia Umbilical 
- Congênita: obliteração incompleta do anel umbilical, 
durante o colapso dos vasos umbilicais, logo após 
nascimento. Muito comum. Complicações são raras. 
Resolução pode ser espontânea até 3-4 anos. Se não, 
abordagem cirúrgica aos 7 anos, mais ou menos. 
- Adquirida: tecido cicatricial que fecha o anel umbilical cede 
gradualmente. Fatores predisponentes: múltiplas 
gestações, ascite, obesidade, grandes TU intra-abdominais. 
Ela aumenta gradualmente de tamanho, sendo rara a 
obliteração espontânea. Estrangulamento é comum. Tto 
cirúrgico. 
 
Hérnia de Littré 
Contém um divertículo de Meckel no saco herniário. Mais 
frequente nas hérnias inguinais (50%). Reparação cirúrgica da 
hérnia e, se possível, excisão do divertículo. 
Hérnia de Spiegel 
Ocorre na fáscia de Spiegel, frequentemente abaixo da linha 
arqueada. Por vezes, de difícil diagnóstico, por não haver 
massa palpável. 
-> alta incidência de estrangulamento. 
Hérnia lombar 
Ocorre nas áreas frágeis da parede abdominal posterior 
(triângulo lombar superior e inferior). 
Podem ser congênitas, adquiridas ou iatrogênicas. Mais 
frequentes no triângulo lombar superior. 
10% encarceram e estrangulam. 
Hérnia Obturadora 
Por enfraquecimento da membrana obturadora e 
consequente alargamento do canal obturador. Mais 
frequente em mulheres. 
Manifesta-se com tumefação na região superomedial da 
coxa + dor que irradia para a parte medial do joelho. 
-> Frequente encarcerar e estrangular. 
-> Elevada taxa de mortalidade (13-40%).

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