Prévia do material em texto
Falsificação de medicamentos: prática ilegal Profa. Me. Milena Martins Introdução Medicamentos falsificados são aqueles deliberada e fraudulentamente rotulados de forma incorreta, com relação à identificação e/ou fonte. A falsificação pode se aplicar tanto a produtos de marca quanto a genéricos, que podem ter princípios corretos ou incorretos, ausência de princípios ativos, princípios ativos insuficientes ou embalagem falsa. OMS, 1999 Alguns exemplos de tipos de medicamentos falsificados incluem: Produtos que não contêm nenhum dos princípios ativos especificados, apesar de declarados no rótulo; Produtos que contêm outros princípios ativos que não os especificados em seus rótulos; Produtos que contêm os princípios ativos especificados, mas a fonte é diferente da que foi declarada; Produtos que contêm os princípios ativos especificados, mas em potência diferente da que foi declarada; podem também conter diferentes impurezas e quantidades diversas das mesmas. Introdução A falsificação de produtos comerciais é uma prática antiga CÓDIGO FILIPINO (BRASIL COLÔNIA) “ ... se alguma pessoa falsificar alguma mercadoria, assim como cera, ou outra qualquer, que nela fizer valer hum marco de prata, morra por isso. E se for de valia de um marco para baixo, seja degredado para sempre para o Brasil” (Livro V, das Ordenações do Reino - Código Filipino ). Motivada pelos enormes lucros com ela obtidos Tem se disseminado internacionalmente As técnicas utilizadas são cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar. Os medicamentos falsificados figuram como um problema global de saúde pública; Assola tanto países desenvolvidos quanto em desenvolvimento; Incapacitando e ferindo adultos e crianças indistintamente. Introdução Medicamentos falsificados Agravamento da doença Intoxicação Resistência de microrganismos Morte Falta de credibilidade no sist. de saúde Danos físicos e psicológicos Superlotação do sist. de saúde Prevenção e combate à falsificação Prevenção e combate à falsificação e à fraude de medicamentos são responsabilidades compartilhadas: Ministério Público Polícias Federal Rodoviária Federal Civis e Militares Receita Federal Defesa do Consumidor Indústrias farmacêuticas Distribuidores, farmácias e drogarias Profissionais de saúde e consumidores Medicamento X mercadoria Medicamento não é uma mercadoria comum, pois se destina ao tratamento e diagnóstico das enfermidades. Devem ser rigorosamente elaborados e manuseados para garantir a segurança, eficácia e qualidade. O SNVS regula e fiscaliza toda a cadeia de fornecimento de medicamentos. Somente empresas autorizadas podem exercer atividades relacionadas a medicamentos. Avanços na Legisla os na Legislação DECRETO 2848, DE 07.12.1940 ( CÓDIGO PENAL ) Originalmente não mencionava o crime de falsificação; Alteração pela pela lei n° 9.677/98 que adicionou os artigos 273 a 277. Lei 9695/98 - classificou o delito como crime hediondo, incluindo hediondo, incluindo-o na redação do Art.1º da Lei 8072/90. Legislações Específicas Portaria 802/98–MS e RDC 333/2003 Embalagens com lacres de segurança Tinta Reativa – (logotipo do fabricante) Tinta Reativa Tinta reativa - as embalagens de medicamentos destinados ao comércio têm que apresentar um espaço reservado para a tinta reativa, para visualizar a palavra “Qualidade” e a logomarca da empresa quando raspada com objeto de metal. RDC n° 333/2003: determina que o local estabelecido para colocação da tinta reativa deve ser em uma das laterais. FALSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS Lei nº 9.677/98 Lei nº 9.677/98 Art. 273 – Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: § 1.º quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito, distribui e entrega a consumo § 1.º- A. Produtos: os medicamentos, as matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico § 1.º-B. Condições: sem registro, em desacordo com a fórmula constante no registro, identidade e qualidade admitidas, redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade; de procedência ignorada; adquiridos em estabelecimentos sem licença da autoridade sanitária competente. Pena: 10 a 15 anos + multa; FALSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS Lei nº 9.677/98 "§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a produtos em qualquer das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 9.677/98) I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente; (Incluído pela Lei nº 9.677/98) II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior; (Incluído pela Lei nº 9.677/98) III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização; (Incluído pela Lei nº 9.677/98) IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade; (Incluído pela Lei nº 9.677/98) V - de procedência ignorada; (Incluído pela Lei nº 9.677/98) VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente. (Incluído pela Lei nº 9.677/98) FALSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS A Lei n.º 9.695/98, alterou a Le i n.º 8.072/90, para incluir, no rol de delitos hediondos, o crime de "falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais", previsto no art. 273 do Código Penal. Lei de Crimes Hediondos: extremo potencial ofensivo Insuscetíveis de anistia, graça, indulto ou fiança. Principais tipos de falsificações de medicamentos encontrados entre 1999 e 2000 pela OMS: Tipo de falsificação Porcentagem Produtos sem princípio ativo 32.1% Produtos com a quantidade incorreta de princípio ativo 20.2% Produtos com o princípio ativo errado 21.4% . Produtos com as quantidades corretas de princípios ativos, mas com embalagens falsas 15.6% Cópia de um produto original 1% Produtos com alto grau de impurezas ou contaminantes 8.5% Ações da ANVISA em relação aos medicamentos falsificados Plano nacional de prevenção e combate a falsificação e fraude Ações de Fiscalização Monitoramento da qualidade Plano Nacional de Prevenção e Combate a Falsificação e Fraude de Medicamentos ANVISA – VISAs – OPAS Prioridades estabelecidas Estratégias de Ação/Inspeção; Capacitar Recursos Humanos (VISAs); Revisar e fortalecer a Legislação; Criar e implantar um Sistema de Informações; Fortalecer a divulgação/educação para a sociedade; Principais informações de uma Embalagem Secundária: Nome comercial do medicamento (ausente em genéricos); Denominação genérica da substância ativa; Nome, endereço e CNPJ do detentor de registro no Brasil; Nome do fabricante e local de fabricação do produto; Número do lote; Data de fabricação (no mínimo mês/ano); Data de validade (no mínimo mês/ano); Sigla “MS” seguida do número de registro no Ministério da Saúde (treze dígitos); Telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC); Cuidados de conservação, indicando a faixa de temperatura e condições de armazenamento.