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DESENHO ARQUITETÔNICO
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
2014
Croquis e prancha para concurso 
do projeto urbanístico de
Brasília.
2
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
“O rabisco não é nada, o risco - o traço – é tudo. O risco tem carga, 
é desenho com determinada intenção - é o “design”. É por isto que os 
antigos empregavam a palavra risco no sentido de “projeto”: o “risco 
para a capela de São Francisco”, por exemplo.
Tremulo ou fi rme, esta carga é o que importa. Portinari costumava dar 
como exemplo a assinatura, feita com esforço, pelo analfabeto (risco), 
com o simples fi ngimento de uma assinatura (rabisco).
O arquiteto (pretendendo ser modesto) não deve jamais empregar a ex-
pressão “rabisco” e sim risco.
O risco é desenho não só quando quer compreender ou signifi car, mas 
“fazer”, construir.”
(Lúcio Costa, 1940 – O Ensino do Desenho, Programa para a reformulação do ensino de 
desenho no curso secundário, por solicitação do ministro Capanema)
3
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
Eu não sei desenhar. Você sabe?
 O título da postagem é uma leve provocação e ao 
mesmo tempo um convite para refl exão. Depois de ler o 
texto do arquiteto norte americano Jim Leggitt (Jim 
Leggitt’s Early Drawings: High School 1968!) falan-
do sobre suas primeiras experiências gráfi cas resolvi 
também falar um pouco sobre o assunto. Para quem não 
sabe este arquiteto é o autor do conhecido livro “Dra-
wing Shortcuts - developing quick drawing skills using 
today’s tecnology” além de ser um desenhista e ilus-
trador de mão cheia. Na sua postagem ele comenta como 
aconteceu seu processo de aprendizado do desenho e é 
muito interessante observar como seu traço e técnica 
amadureceram muito ao longo dos anos.
 A primeira vez que tive contato com técnicas de 
desenho foi em 1991 quando, ainda pré- universitário, 
fi z o curso do professor Eneas Botelho que preparava 
alunos para a prova de habilidade específi ca do vestibu-
lar do curso de arquitetura da Universidade Federal do 
Ceará. Sempre gostei de desenhar e me lembro nitidamen-
te de ir ao primeiro dia de aula achando que já sabia 
alguma coisa uma vez que costumava fazer perspectivas 
de casas (ou da minha vizinhança ou imaginadas) baseado 
unicamente nas instruções que, na época, encontrei na 
extinta enciclopédia Delta Universal. Um desses dese-
nhos pode ser visto na imagem 2. Grande engano. Durante 
o curso, enquanto era apresentado às diversas técnicas 
de desenho e à geometria descritiva, descobri que ainda 
não sabia nada!
Quando terminei esse curso e, felizmente, fui aprovado 
na prova de desenho e no vestibular me lembro também 
de entrar na escola de arquitetura e urbanismo achando 
que já sabia desenhar alguma coisa. Novamente um grande 
engano!
 Durante a graduação tive, por exemplo, o privi-
légio de cursar a disciplina Desenho de Observação com 
o arquiteto e artista plástico Nearco Araújo. As aulas 
que mais gostava eram aquelas nas quais ele levava seus 
desenhos para nos mostrar. Admirava seus trabalhos e 
constatava, mais uma vez, que ainda tinha muito o que 
aprender. Também foram de enorme valia e aprendizado 
as disciplinas Técnicas de Representação I e II com a 
excelente professora e arquiteta Zilsa Santiago a quem 
devo a assimilação de diversas técnicas de perspectiva 
e de representação gráfi ca arquitetônica. As imagens 3 e 
4 mostram desenhos feitos para as disciplinas Projeto 
Arquitetônico I e IV respectivamente. Notem a nítida 
evolução em relação ao primeiro desenho. Nessa época 
eu era estagiário da Nasser Hissa e me inspirava nos 
desenhos do Mauro Jucá, um dos arquitetos da empresa e 
grande desenhista de perspectivas. 
Imagem 2 - Casa desenhada 
aos 14 anos de idade - 1988 
(aprox.)
Imagem 3 - Croqui de projeto 
de Oswald Bratke para trabalho 
de P.A. I - 1993
Imagem 4 - Projeto de condomí-
nio residencial da disciplina P.A. 
IV - Modelo de casa - 1994
Imagem 5 - Projeto residencial 
feito com aproximadamente dois 
anos de formado - 1999
Imagem 6 - Croqui de estudo 
para projeto residencial - 2009
4
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
 Depois que me formei, em 1997, voltei a ter aquela equivocada sensação 
de que agora sim, fi nalmente, eu tinha aprendido a desenhar. Outro grande enga-
no! Montei escritório de arquitetura e vi que deveria continuar aperfeiçoando 
minhas técnicas de desenho e a procurar inspiração nos grandes mestres como, 
por exemplo, Helmut Jacoby que, para mim, foi e ainda é um dos maiores pers-
pectivistas da história da arquitetura. Tive o privilégio de ser presentea-
do, pelo professor Eneas Botelho, com dois raros livros de ilustrações desse 
arquiteto que até hoje são fonte de consulta e referência. A imagem 5 mostra 
uma perspectiva dessa fase de recém formado na qual também podemos perceber 
uma evolução em relação à anterior. Estou usando projetos residenciais para 
melhor comparação.
 Você deve estar se perguntando onde estou querendo chegar, não? Na ver-
dade é simples. Quero mostrar ao leitor, e principalmente ao estudante que 
está iniciando nesse universo, que aprender a desenhar é um processo constan-
te. Jamais podemos parar de praticar e de estudar e sempre haverá margem para 
aperfeiçoamentos. Hoje já posso contabilizar quase quatorze anos de formado 
e quase vinte anos ensinando desenho. Todo esse tempo e razoável experiência 
me fi zeram ver, com bastante nitidez, que não devo parar de estudar o assunto 
e de me aprimorar cada vez mais. Vejam, por exemplo, a imagem 6. Ela mostra 
um desenho recente onde, mais uma vez, percebo evolução de traço, de técnica 
e de outros parâmetros quando comparados com os anteriores.
 Pois bem, mesmo com “toda essa experiência” acumulada resolvi, seguindo 
a minha própria recomendação, me matricular em um curso de extensão em desenho 
e pintura oferecido pela Unifor e ministrado pelo artista plástico Edu Oli-
veira. Venho frequentando as aulas desde o ano passado e desta vez não entrei 
com aquela já citada sensação de que já sabia desenhar embora a constatação 
posterior tenha sido a mesma das anteriores, ou seja, vi mais uma vez que ain-
da tenho muito o que aprender. Desta vez o foco é o aperfeiçoamento do lado 
artístico e, a exemplo do que já fazia antes, venho procurando inspiração em 
artistas. Cárcamo, Maurício Takiguthi e Scott Burdick são alguns exemplos. A 
primeira imagem desta postagem e a imagem 6 mostram alguns estudos dessa nova 
fase.
 Então é isso caro leitor, não fi que constrangido ou desestimulado durante 
suas aulas de desenho ou durante seu processo de produção gráfi ca. Lembre-
-se que a caminhada é longa e que o mais importante não é o resultado fi nal e 
sim o que você absorve durante o processo do desenho. Estabeleça um objetivo 
e tente chegar lá. Me lembro bem que nas aulas do professor Nearco eu olhava 
com grande admiração para seus desenhos, mas nunca me passou pela cabeça que 
eu não poderia desenhar como ele, mas que um dia poderia chegar a atingir o 
seu nível (que na verdade ainda estou tentando). Desenhar bem é o resultado de 
muita prática, amadurecimento e estudo. Concluindo, hoje em dia, prefi ro achar 
que ainda não sei desenhar. E você, sabe?
Imagem 6 - Estudo em carvão sobre papel texturizado - 2011
Texto do site:
http://www.marcosbandeira.com/2011/03/eu-nao-sei-desenhar-voce-sabe.html#more
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
DESENHO DE PLANTAS
A planta é o resultado do corte 
de um PLANO PARALELO ao piso do 
pavimento que se quer repre-
sentar em uma altura de aproxi-
madamente 1,20 a 1,50 m.O mais 
importante é que todas as ja-
nelas sejam cortadas.
Você deverá imaginar a parte 
superior retirada do conjunto 
e fi xar a atenção na parte in-
ferior como mostrado a seguir:
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
A planta surgirá dos elementos secionados somados aos elementos que fi caram 
abaixo e acima do plano de corte.
 
A partir daí você deverá seguir a seguinte regra geral:
1. Os elementos secionados pelo plano estarão em corte e serão desenhados com 
linha contínua e grossa.
2. Os elementos abaixo do plano estarão em vista e serão desenhados com linha 
contínua e fi na.
Planta do pavimento térreo
Planta do pavimento superior
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
3. Os elementos acima do plano estarão em projeção e serão desenhados com li-
nha tracejada e fi na. 
 
Elementos que estejam atrás de outros também deverão ser considerados em pro-
jeção. Observe-os nas fi guras a seguir que mostram as plantas dos dois pavi-
mentos.
Planta do pavimento térreo
Planta do pavimento superior
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
A representação de desenho arquitetônico é padronizada pela NBR6492 da ABNT 
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) entretanto estas normas não tem 
poder de lei. Desta forma, podem existir variações no modo de representação.
O mais importante é manter a simplicidade da representação e a perfeita legi-
bilidade dos desenhos. 
Os elementos que constituem as plantas podem ser divididos em:
Elementos Construtivos:
Paredes e elementos estruturais; aberturas (portas, janelas, portões, etc.); 
pisos e seus componentes (degraus, rampas, escadas, etc.); equipamentos de 
construção (aparelhos sanitários, armários, lareiras, etc.); aparelhos elé-
tricos de porte (fogões, geladeiras, máquinas de lavar, etc.) e elementos de 
importância não visíveis (dutos de ventilação, reservatórios, etc.).
Informações:
Nome dos compartimentos, áreas úteis dos compartimentos, níveis, posições dos 
planos de corte vertical, cotas das aberturas, cotas gerais, níveis e outras 
informações. Observe a seguir como são usados e representados tais elementos.
AS PORTAS
A representação das portas em planta é feita através do desenho de um retângu-
lo que representa a folha da porta e de um arco de 90 graus que representa o 
sentido e a área de abertura da porta. Em planta as portas são representadas 
sempre ABERTAS.
Veja a seguir desenhos representativos de portas. Observe a linha tracejada 
que aparece nas vistas. Ela indica o sentido de abertura da porta. A base do 
triângulo mostra em que lado fi cam as dobradiças e o vértice indica o lado da 
maçaneta. A altura padrão de uma porta é de 2.10 m, mas isto pode variar de 
acordo com as intenções do projeto.
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AS JANELAS
A representação das janelas baixas em planta é feita através do desenho de 
duas linhas externas que representam a vista do peitoril e de duas linhas 
internas que representam a janela. Estas linhas têm um peso maior que as ex-
ternas.
A altura de um peitoril fi ca entre 0.90 m e 1.00 m para janelas baixas, e en-
tre 1.50 m e 1.80 m para janelas altas. Estas alturas também podem variar de 
acordo com o projeto e com as normas de segurança.
COTAGEM DE ESQUADRIAS
Na cotagem de esquadrias são representadas 
três diferentes dimensões, sempre na mesma or-
dem: largura da esquadria,altura da esquadria 
e altura do peitoril (distância da parte
inferior da esquadria até o piso interno da 
edifi cação).
Além das dimensões das esquadrias é usual que 
sejam informados códigos para as mesmas, uti-
lizados para identifi cá-las na planilha e nos 
desenhos de detalhes de esquadrias, que fre-
quentemente acompanham os projetos. (Ver qua-
dro de esquadria).
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
REPRESENTAÇÃO DE PAREDES DE ALVENARIA
As paredes, geralmente em alvenaria, são sec-
cionadas pelo plano de corte que gera a plan-
ta baixa. São representadas através de linhas 
paralelas de espessura grossa.
Paredes baixas (menor do que 1.50 m de altura) 
não são cortadas pelo plano e por conseqüência 
são representadas em vista, com linhas de es-
pessura média, conforme exemplo ao lado.
ÁREAS MOLHADAS
Os pisos frios das áreas molhadas (banheiros, cozinhas e terraços/varandas 
devem ser representados com hachuras xadrez com linhas fi nas.
Na representação de pisos também deve ser observado à densidade das hachuras, 
ou seja, o distanciamento entre suas linhas em relação ao tamanho do compar-
timento onde os mesmos são aplicados. Deve-se evitar a utilização de hachuras 
muito densas em compartimentos de grandes dimensões e de hachuras pouco densas 
em compartimentos pequenos.
INCORRETO CORRETO
DESNÍVEIS
Os desníveis devem ser representados com li-
nhas fi nas, mas mais espessas e/ou escuras do 
que as que representam os pisos das áreas mo-
lhadas.
EQUIPAMENTOS FIXOS
As linhas de contorno dos equipamentos fi xos, 
tais como louças sanitárias, balcões de ba-
nheiros e cozinhas, pias, tanques e outros, 
são representados na sua grande maioria com 
espessura média e seus detalhes são represen-
tados por linhas fi nas.
NÍVEIS
Na planta utiliza-se o símbolo ao lado para 
informar a altura de determinados pontos do 
projeto. Devem ser indicados todos os diferen-
tes níveis presentes na planta baixa.
Evita-se a repetição desnecessária de níveis,
identifi cando-os sempre que for visualizada uma 
diferença de nível, não sendo necessário in-
formar a cota de nível de todos os comparti-
mentos, mas sim os lugares aonde há mudança 
nas alturas dos pisos.
Os níveis devem ser sempre indicados em METROS 
e acompanhados do sinal negativo caso loca-
lizarem abaixo do nível de referência (00) – 
(usa-se o sinal positivo para o caso de níveis 
localizados acima do nível de referência). 
Sempre são indicados com referência ao nível
ZERO do projeto.
Símbolo 
nível em 
planta
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
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Linhas de chamada:
Exemplo carimbo prefeitura
A legenda (CARIMBO) deve sem-
pre estar no lado direito in-
ferior da folha de
desenho e conter, no mínimo, as 
seguintes informações:
• Designação e emblema da em-
presa que está elaborando o 
projeto;
• Nome do responsável técnico 
pelo conteúdo do desenho, com 
sua identifi cação (inscrição no 
órgão de classe) e local para 
assinatura;
• Local e data;
• Nome ou conteúdo do projeto;
• Conteúdo da prancha (quais 
desenhos estão presentes na 
prancha)
• Escala(s) adotada(s) no de-
senho e unidade;
• Número da prancha.
O local em que cada uma destas 
informações deve ser posicio-
nada dentro da legenda pode ser 
escolhido pelo projetista, de-
vendo sempre procurar destacar 
mais as informações de maior 
relevância.
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
QUADRO DE ÁREAS
O quadro de áreas é obrigatório 
nas plantas dos pavimentos.
A área construída inclui todo 
o perímetro da construção in-
cluindo as paredes. A áreade 
piso, ou área útil são os espa-
ços internos medidos a partir 
do piso, excluindo as paredes.
O índice de aproveitamento (IA) 
é o valor obtido pela divisão 
da área construída pela área 
do terreno. A taxa de ocupação 
(TO) é a porcentagem da área do 
terreno ocupada pela projeção 
horizontal da edifi cação, não 
sendo computados, nessa proje-
ção, os elementos componentes 
de facahadas, tais como: “bri-
se-soleil”, jardineiras, mar-
quises, pérgulas e beirais.
QUADRO DE ESQUADRIAS
As legendas que aparecem ao 
lado do desenho das esquadrias 
(P1, J1) indicam onde as mesmas 
estarão especifi cadas no quadro 
de esquadrias.
A nomenclatura usada pode va-
riar, contanto que se mantenha 
a clareza e a legibilidade. É 
aconselhável que o quadro de 
esquadrias apareça na mesma 
prancha onde elas estão dese-
nhadas (planta baixa).
QUADRO DE ACABAMENTOS
As legendas que aparecem den-
tro de cada ambiente indicam 
as especifi cações dos materiais 
que foram aplicados no piso, 
na parede e no teto de cada um 
deles.
Veja no quadro ao lado a posi-
ção de cada elemento. Cabe ao 
arquiteto a pesquisa dos mate-
riais adequados em catálogos de 
fornecedores ou na internet. A 
escolha sempre deve levar em 
consideração os aspectos téc-
nico-construtivos, estéticos e 
de conforto ambiental.
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
DENOMINAÇÃO E QUANTIDADE
Qualquer construção de um único piso terá a necessidade óbvia de uma única 
planta, que será denominada simplesmente de “PLANTA”. Em construções com 
vários pavimentos, será necessária uma planta para cada pavimento arqui-
tetonicamente distinto. Vários pavimentos iguais terão como representação uma 
única planta, que neste caso será denominada de “PLANTA DO PAVIMENTO 
TIPO”.
Quanto aos demais pavimentos, o título da planta inclui a denominação 
do piso. Por exemplo, planta do 1º pavimento (ou pavimento tér-
reo), planta do segundo subsolo, planta da sobre loja, e assim por diante.
Para adequação a norma NB-140, são utilizadas as denominações “PISO” e “PA-
VIMENTO”. Não podendo ser empregada a terminologia “ANDAR”. A denominação do 
número é dada: nos subsolos 1, 2, 3, etc., no sentido de quem desce; nos pa-
vimentos 1 (ou pav. térreo), 2, 3, etc., no sentido de quem sobe.
ESCALA
A escala usual para a representação das plantas é a de 1:50. Ocorre que para 
determinadas edifi cações, em função de suas dimensões, essa escala pode ser 
muito grande e de difícil representação. Nesses casos, costuma-se utilizar as 
escalas de 1:75 e 1:100. 
Escalas menores do que estas, em projetos executivos, não devem ser utiliza-
das, sendo preferível a representação da planta por partes, através de pran-
chas articuladas.
ESCALA DOS ELEMENTOS TEXTUAIS
Devem manter seu principal requisito: a legibilidade. No desenho feito à mão 
os textos devem ter altura de 3 mm e 5 mm para os títulos ou textos de desta-
que. Lembrando que numa prancha se deve ter no máximo duas alturas de letras.
CHECKLIST PLANTA DOS PAVIMENTOS:
• Elementos de estrutura com indicação dos elementos estruturais (pilares);
• Modulação (se houver);
• Indicação de cortes e denominação dos mesmos (AA, BB, etc.);
• Localização dos principais equipamentos fi xos e hidráulicos, como escadas, elevado-
res, balcão, sanitários, pias, bebedouros, etc.;
• Projeção da cobertura;
• Indicação dos rebaixos e projeções;
• Indicação da projeção dos reservatórios de água (inferior e superior) e sua capa 
cidade em litros;
• Indicação da função e área útil em m² de cada ambiente;
• Indicação dos níveis dos pisos;
• Indicação das especifi cações de acabamentos de piso, parede e teto;
• Indicação das referências das esquadrias: portas (P1, P2, etc.), janelas (J1, J2, 
etc.), grades (G1, G2, etc.), divisórias (D1, D2, etc.)
• Indicação do sentido de abertura das esquadrias (portas);
• Indicação dos principais acessos;
• Indicação do sentido de subida nas escadas e rampas, inclusive numerando os degraus 
e colocando a porcentagem das rampas;
• Uso das convenções ofi ciais de hachurar os ambientes revestidos com materiais lavá-
veis (banheiros, cozinhas, áreas de serviço e terraços/varandas);
• Cotas parciais e totais de todos os elementos construtivos, em m ou cm;
• Indicação da orientação (Norte);
• Quadro de áreas, quadro de esquadrias e quadro de acabamentos;
• Denominação e escala do desenho sob o mesmo.
Escalas: 1/50, 1/75, 1/100
Desenhando uma planta
O desenho de uma planta deve obedecer uma sequência que visa aumentar a pre-
cisão e a organização do processo.
Essa técnica pode ser apliacada na confecção de croquis, de desenho em pran-
cheta ou em desenhos em prancheta ou em desenhos elaborados em CAD.
O ponto de partida para o desenho de uma planta é a marcação de dois eixos de 
referência, sendo um vertical e outro horizontal.
A partir deles procede-se à marcação das posições das paredes. Marca-se pri-
meiro sua espessura e em seguida a dimensão do vão do ambiente. Esse processo 
segue até que todas as paredes estejam desenhadas. Em CAD você usará os co-
mandos de cópia paralela como, por exemplo, o comando OFFSET.
O próximo passo é fazer uma limpeza prévia no desenho eliminando as linhas 
auxiliares que posicionam as paredes.
Em seguida você deverá marcar as posições dos vãos das portas e janelas. Veja 
a fi gura a seguir:
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
19
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
Uma vez marcados os vãos deve-se efetuar a abertura dos mesmos para que os 
elementos representativos das portas e janelas sejam desenhados. Em CAD você 
usará os comandos de corte de segmento como, por exemplo, o conhecido comando 
TRIM. Veja a fi gura a seguir:
Na fase seguinte já se pode desenhar as esquadrias assim como os elementos 
complementares como: escadas, linhas de nível, projeções, mobiliários, entre 
outros.
Depois já se pode inserir as cotas e os elementos textuais tais como: nome do 
ambiente, área, indicações das projeções, marcação de nível, legenda de es-
quadrias, entre outros.
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
Finalmente, entram no processo, o desenho de elementos tais como: indicações 
de cortes, indicação de fachadas, título, indicação de escala, entre outros.
Exemplo de prancha com todos os elementos de uma planta.
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Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
TAXA DE OCUPAÇÃO E COEFICIENTE DE 
APROVEITAMENTO
(Texto de Renato Saboya (com adaptações)- Arquiteto e Urbanis-
ta, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC e do
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo - PosArq 
- UFSC.)
1. Taxa de Ocupação (TO)
 A TO é a relação percentual entre a pro-
jeção da edifi cação e a área do terreno. Ou 
seja, ela representa a porcentagem do terreno 
sobre o qual há edifi cação.
 Por isso, a TO não está diretamente li-
gada ao número de pavimentos da edifi cação. Na 
realidade, se os pavimentos superiores esti-
verem contidos dentro dos limites do pavimento 
térreo, o número de pavimentos não fará di-
ferença nenhuma na TO. Se, ao contrário, um 
ou mais pavimentos tiverem elementos que se 
projetam para fora, então a TO será alterada, 
conforme pode ser visto na Figura 2.
Figura 1 - A TO mede apenas a projeção da 
edifi cação sobre o terreno.
Figura 2 - A TO apenas muda com o número 
de pavimentos se houver elementos que se 
projetam para além dos limites do pavimen-
to térreo.
 Como padrão de referência, a Figura 3 apresenta uma idéia do que repre-
sentam taxas de ocupação diferentes.
Figura 3 - Parâmetros de referência para a TO
2. Índice de Aproveitamento (IA)
 O Índice de Aproveitamento é um número que, multiplicado pela área do 
lote, indica a quantidade máxima de metros quadrados que podem ser construídos 
em um lote, somando-se as áreas de todos ospavimentos.
 A Figura 4 apresenta duas possibilidades de edifi cação em um lote de 24 
x 30 m, com IA = 2. A primeira, que utiliza TO = 50%, permite apenas 4 pavi-
mentos. A segunda distribui a área edifi cada em 8 pavimentos, cada um com TO 
de 25%.
Explicando melhor...
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 Dessa forma, o autor do projeto arqui-
tetônico pode ir testando as possibilidades 
de edifi cação resultantes das diversas combi-
nações de Taxa de Ocupação e Índice de Apro-
veitamento, sempre levando em consideração os 
objetivos para cada zona (adensar, restringir 
a ocupação, proteger a paisagem, e assim por 
diante).
 Dessa forma, o autor do projeto arqui-
tetônico pode ir testando as possibilidades 
de edifi cação resultantes das diversas combi-
nações de Taxa de Ocupação e Índice de Apro-
veitamento, sempre levando em consideração os 
objetivos para cada zona (adensar, restringir 
a ocupação, proteger a paisagem, e assim por 
diante).
Figura 4 - Variações do número de pavimentos e da TO, mantendo 
o mesmo IA.
3. Legislação Específi ca para T.O. e I.A.
 Os detalhes sobre a aplicação desses parâmetros são defi nidos caso-a-
-caso, ou seja, não há uma regra geral nem uma Lei Federal que estipule com 
detalhes como esses instrumentos devem ser aplicados em cada município.
 Cada município possui suas próprias regras para a aplicação desses con-
teúdos. Em outras palavras, é a legislação urbanística municipal quem irá de-
terminar os detalhes da aplicação do coefi ciente de aproveitamento e da taxa 
de ocupação.
 Essa legislação urbanística inclui, normalmente, o Plano Diretor, a Lei 
de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Obras. Elas devem defi nir:
• Quais os limites máximos para cada um dos parâmetros, em cada zona da cidade;
• O que deve ser contabilizado e o que não deve ser contabilizado para efeitos
de aplicação dos instrumentos. Por isso, não é possível saber de antemão esses 
detalhes. Isso vai depender da realidade de cada município. Entretanto, alguns 
aspectos parecem se repetir em diversos locais.
Por exemplo, não costuma ser contabilizado no coefi ciente de aproveitamento:
• Sacadas, até um limite máximo de área ou de balanço;
• Garagens (nos edifícios, e mesmo assim apenas em municípios que incentivam 
os pavimentos-garagem);
• Beirais;
• Áreas abertas, tais como piscinas;
• Áticos, desde que não ultrapassem uma determinada porcentagem da área do 
pavimento-tipo;
 Portanto, para assegurar-se sobre o que conta e o que não conta em uma 
cidade, só mesmo consultando as leis mencionadas anteriormente.
4. Referências
SABOYA, R. Taxa de Ocupação e Coefi ciente de Aproveitamento. Disponível em: <http://urbanidades.arq.
br/2007/12/taxa-de-ocupacao-e-coefi ciente-deaproveitamento/>.Acesso em: 15 mar. 2009.
Prof.ª Rosa Karina Carvalho Cavalcante
1º lance
2º lance
23
ESCADAS
 CONCEITO:
 Elemento arquitetônico que faz a circu-
lação vertical de pessoas, num edifício, in-
teriormente ou exteriormente, e também em ruas 
e passeios.
Forma, quantidade de lances, patamares, 
desenho do quarda-corpo???
São em função:
→ Implicações técnico construtivas,
→ Condicionantes de segurança,
→ Objetivos plásticos.
 ELEMENTOS DAS ESCADAS:
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OUTROS ELEMENTOS:
- FOCINHO OU BOCEL: Saliência do piso sobre o 
espelho (3 a 5 cm).
- CAIXA DA ESCADA: Local ou forma que contém 
a escada.
- PATAMAR: É o descanso entre os lances 
da escada. Escadas com mais de 16 degraus 
devem ter patamar. A largura do patamar é 
a mesma da escada.
- LINHA DE PISO OU DE TRÂNSITO: É o traçado 
da trajetória seguida, subindo ou descen-
do a escada, pela pessoa que se apoia no 
corrimão. Em escadas estreitas e curvas a 
distância da linha de trânsito ao corrimão 
é de 35 a 40 cm. Já em escadas cômodas de 
lances retos, a linha de trânsito está a 
55 cm do corrimão.
Usamos traçar também no centro da escada.
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- LEQUE: É a parte da escada em que os 
degraus mudam de direção.
- MASTRO: É a peça vertical na qual se en-
caixam os degraus da escada helicoidal.
- PERNAS: São as peças que recebem os de-
graus, sendo de madeira têm a dimensão de 
4 x 25 ou 6 x 30 cm.
 DIMENSIONAMENTO:
 O deslocamento vertical deve ser execu-
tado de maneira segura e confortável.
 Para tanto, é fundamental que os elemen-
tos da escada sejam dimensionados corretamen-
te.
 Dimensões de referência:
 As dimensões dos pisos e espelhos devem 
ser constantes em toda a escada, atendendo às 
seguintes condições: (Segundo a NBR 9050)
a) pisos (p): 0,28 m < p < 0,32 m;
b) espelhos (e) 0,16 m < e < 0,18 m;
c) 0,63 m < p + 2e < 0,65 m.
 Para saber o grau de inclinação de uma 
escada, aplicar o ábaco da fi gura 84.
 Espelho mínimo: 16 cm
 Espelho máximo: 18 cm
 Piso mínimo: 28 cm
 Piso ideal: 30 cm
 Piso máximo: 32 cm
“O princípio fundamental da 
escada é que o esforço para 
vencer a distância vertical 
deve ser o mesmo para ven-
cer o dobro da distância na 
horizontal.”
→ Esses valores servem de base 
para o dimensionamento das es-
cadas e até mesmo das alturas 
entre pavimentos de uma edifi -
cação.
Figura 84 — Escadas – Ábaco
NBR 9050
MASTRO
PERNAS
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“Toda escada deve obedecer à formula de Blondel.” (Cód. de Obras Tere-
sina)
 A fórmula de Blondel segue este princípio:
2.h + p = K
Onde:
h é a distância vertical (altura do espelho do degrau),
p é a distância horizontal (piso) e
K é um coefi ciente que corresponde a uma distância media do passo humano, ge-
ralmente igual a 62, 63 ou 64 cm, dependendo da destinação da escada.
 O valor 62 seria para escadas econômicas e os outros para escadas com 
fi nalidades mais nobres.
 O dimensionamento pela fórmula de Blondel é feito fi xando-se um dos valo-
res, geralmente h, que varia entre 15,5 e 18,5 cm (altura máxima), e calculando 
o outro, no caso, p.
 Por exemplo, para uma escada econômica (K=62 cm), fi xemos, h=16cm.
2.16+p=62...p=30 cm
 O degrau da escada terá 16 cm de altura e 30 cm de piso.
CALCULANDO
 Tomando como referência as dimensões mostradas, usa-se esse procedimen-
to:
 Sabe-se que o número de espelhos (E) é igual ao número de pisos (P) + 1, 
ou seja:
E = P + 1
 Divide-se a altura do deslocamento vertical (Ex. 2.80 m) pela altura do 
espelho ideal (2.80 / 0.18 = 15.5555).
 Como não podemos ter um número quebrado de espelhos, arredondamos para 
16 e fazemos a conta inversa (2.80 / 16 = 17.5 cm).
 Conclusão: Espelho terá 17.5 cm de altura. (Dentro da tolerância).
 A escada então terá 16 espelhos de 17.5 cm cada.
 De acordo com a fórmula E = P + 1, se temos 16 espelhos precisamos então 
de 15 pisos.
→ Esses pisos na quantidade de lances que o projetista achar necessário.
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CÓDIGO DE OBRAS
Art. 79. A largura mínima das escadas de uso coletivo deve ser:
I - 1,50 m (um metro e cinqüenta centímetros), no caso de edifi cações para hos-
pitais, clínicas e similares, escolas e locais de reuniões esportivas, recre-
ativas, sociais e culturais;
II - 1,20 m (um metro e vinte centímetros) para as demais edifi cações.
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Art. 80. A largura máxima permitida para uma escada é 3,00 m (três metros).
Art. 82. Sãoobrigatórios patamares intermediários nas escadas retas, quan-
do o lance da escada precisar vencer altura superior a 2,90 m (dois metros e 
noventa centímetros).
 
Art. 83. A capacidade de elevadores, escadas rolantes ou de outros disposi-
tivos de circulação por meio mecânico, não deve ser considerada para redução 
dos valores calculados do escoamento da população do edifício.
Art. 86. Toda escada deve ser disposta de forma a assegurar passagem com al-
tura livre igual ou superior a 2,10 m (dois metros e dez centímetros).
Art. 87. O comprimento do patamar de qualquer
escada não pode ser inferior à largura adotada para a escada.
Art. 90. As escadas de uso coletivo devem ter, obrigatoriamente, corrimãos 
em ambos os lados, com:
 
I - altura constante, sem interrupções, entre 80 cm (oitenta centímetros) e 92 
cm (noventa e dois centímetros), acima do nível da borda do piso dos degraus; e
II - afastamento das paredes de, no mínimo, 4 cm (quatro centímetros).
 
Art. 91. Quando a largura da escada de uso coletivo for superior a 1,80 m (um 
metro e oitenta centímetros), deve ser instalado também corrimão intermediá-
rio.
DESENHANDO:
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Lembretes:
- Tracejar o que estiver acima 
do plano de corte da planta do 
térreo;
- Numerar os degraus até o piso 
do 2º pavimento;
- Cotar profundidade e largura 
dos degraus;
- Cotar toda a extensão da es-
cada (projeção horizontal);
- Indicar a linha de trânsito 
do início ao fi m da escada e co-
locar se sobe ou desce;
- Desenhar corretamente o cor-
rimão.
ESCADA HELICOIDAL
 Calcula-se o raio médio, que é onde se 
determina a linha de trânsito. Nesta linha os 
pisos são todos iguais (balanceamento).
 O raio é calculado pegando-se o compri-
mento da linha da circunferência:
 
c = 2πr = p(n-1) → R = p(n-1)
 2π
 Calculado o raio médio, a linha de trân-
sito ao corrimão interno ou ao mastro é no mí-
nimo 50 cm (ou 1/3 da largura da escada).
 O raio total da circunferência é deter-
minado pela área disponível ou dimensão dese-
jada para a escada. Verifi car o escape de 2 m.
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