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Súmulas Vinculantes - Argumentos Contrários e Favoráveis - Teoria do Direito - Cesmac 2021.1

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Disciplina: TEORIA DO DIREITO 
Professor: MARCELO JORGE DE SAMPAIO 
Aluno (a): Ana Alice Ferreira de Lima 
Turma: 1.AN Turno: Noite 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Súmula vinculante 
Argumentos contrários e favoráveis 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 de março de 2021, Maceió, AL 
Súmula vinculante 
 O termo súmula significa resumo. No âmbito jurídico, uma súmula é um 
resumo da jurisprudência (decisões judiciais em um mesmo sentido proferida pelos 
tribunais) que predomina sobre um determinado assunto. 
 Essa é a mesma definição súmula vinculante. Porém, ela é mais do que uma 
simples súmula, já que tem dois detalhes de extrema relevância: Ela se refere 
necessariamente a questão de teor constitucional. Ela possui efeito vinculante. 
 Ou seja, quando o assunto é pacificado através de uma súmula vinculante, 
nenhum magistrado poderá dar a sentença em outro sentido, se não o da súmula. 
Sendo assim, ele tem a mesma força de qualquer outra lei. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Argumentos contrários à adoção da Súmula Vinculante 
 Alguns estudiosos do direito têm se manifestado contra a adoção da súmula 
vinculante pelo direito brasileiro. Abaixo, alguns argumentos para essa 
contrariedade: 
1. Violação ao princípio da tripartição de poderes – Esse é um dos argumentos 
contrários mais usados quando se fala sobre súmulas vinculantes em nosso 
ordenamento jurídico. 
 Alguns defensores dizem que a as súmulas aprovadas seguindo a 
sistemática da Lei n. 11.417 /2006 e da CF, são um tipo de "superlei", uma norma 
geral e abstrata, que configuraria afronta e usurpação da função típica de legislar, 
que pertence ao Poder Legislativo. 
 
2. Violação ao princípio do juiz natural e sua independência judicial - Os 
poderes constituídos devem ter autonomia financeira, orçamentaria e 
administrativa, e política (vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de 
subsídios) e jurídica. 
 Alguns juristas têm se abrigado no argumento de que a súmula vinculante 
atinge esse princípio, violando um dos princípios mais fundamentais do Estado 
democrático de direito, o princípio da independência dos juízes. 
Segundo os que defendem esse argumento, o magistrado, no exercício de sua 
função jurisdicional, deve ater-se somente ao que está previsto em lei (espécies 
normativas previstas no artigo 59 da CF) e à sua consciência jurídica, a qual se 
origina de sua atividade interpretativa. 
 
3. Engessamento da jurisprudência - Alguns opositores da súmula vinculante, 
argumentam que, quando se ataca o instituto, se tem um verdadeiro atrofiamento, 
do livre convencimento judicial dos magistrados de primeiro grau, dos que atuam 
nas instâncias inferiores. 
 Ainda, alegam que os magistrados estão em melhores condições de decidir 
conforme as peculiaridades do caso concreto e entregar, de forma mais 
equilibrada, necessária e justa, a tutela jurisdicional, sem as prisões de 
determinado enunciado que se tem em súmula que não foi criada por eles. 
Nas convicções deles, as súmulas vinculantes levariam a um padrão da 
jurisprudência, modelando o Direito com base em modelos de decisões 
preestabelecidas por um grupo de único grupo de juízes. Porém, esses 
argumentos não tem embasamento plausíveis que lhes deem sustentabilidade. Há 
previsão expressa de revisão e/ou cancelamento de súmulas vinculantes, pelo 
STF: a Lei das Súmulas Vinculantes em seus artigos 2º, § 3º, dispõe: 
§ 2º O Procurador-Geral da República, nas propostas que não houver 
formulado, manifestar-se-á previamente à edição, revisão ou cancelamento de 
enunciado de súmula vinculante. 
§ 3º A edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula com efeito 
vinculante dependerão de decisão tomada por 2/3 (dois terços) dos membros do 
Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária. 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95096/lei-11417-06
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10633557/artigo-59-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
Argumentos favoráveis à adoção da Súmula Vinculante 
1. Combate à morosidade do Poder Judiciário - Há um número elevado de 
processos protocolados no STF e nos demais tribunais superiores (STJ; TST; 
TSE; STM), sendo este um dos principais motivos para a lentidão da prestação da 
tutela jurisdicional. 
 Os que advogam em favor da súmula vinculante, acreditam que o seu 
acolhimento pelo ordenamento jurídico, torna possível que em um breve espaço 
de tempo, esse elevado número de processos que são levados aos tribunais 
superiores, que em sua maioria, tratam de temas idênticos, sejam reduzidos, de 
forma drástica. 
 
2. Respeito ao princípio constitucional da segurança jurídica - A adoção da 
súmula vinculante e a unificação interpretativa, permitiria uma certa 
homogeneidade e previsibilidade ao sistema, que unificam o seguimento do 
princípio constitucional da segurança jurídica. 
 Com a vinculação dos Juízos inferiores, em sua função jurisdicional, 
seguindo o que é dito nos enunciados das súmulas, decisões em conflito sobre um 
mesmo tema, deixarão de existir, trazendo uma maior segurança nas relações 
jurídicas postas sob decisão. 
 
3. Mecanismo de implementação do princípio constitucional da isonomia – O 
objetivo, com a adoção da súmula vinculante, não é a efetivação do princípio da 
isonomia, de forma absoluta e inquestionável. Existem casos em que não 
podemos esperar que o magistrado aplique a mesma súmula que em casos que, 
são idênticos, do ponto de vista formal, material, porém, há circunstâncias que o 
impedem de decidir da mesma forma que decidiu em outro caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conclusão em relação aos argumentos 
 
 Com base no que foi pesquisado e estudado, os argumentos á favor, 
mostram mais embasamento, que os contrários. O argumento que traz uma 
solução para a lentidão do judiciário é o que mais chama atenção. Diante de 
tantos processos protocolados, as súmulas vinculantes se fazem uma opção mais 
viável que a própria análise, caso a caso, em seus detalhes. Mas, também deve 
ser levado em consideração que nem todo caso, por mais parecido que seja, é 
igual. Isso é o que mostra o último argumento, onde se fala que a súmula 
vinculante não é a adoção cega do princípio da isonomia. 
 As súmulas vinculantes não ferem, nem violam nenhuma cláusula pétrea 
inscrita no artigo 60, § 4º, da CF. A aplicação elas, não dispensa que o 
magistrado, fundamente sua decisão judicial, o que é pressuposto processual 
(artigo 92 , inciso IX , da CF), ela integra e soma aos elementos que estão à 
disposição do magistrado, no exercício de sua função jurisdicional. 
 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10633322/artigo-60-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10632328/par%C3%A1grafo-4-artigo-60-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626562/artigo-92-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988