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XEROSTOMIA

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Patologia bucal 
 
Xerostomia 
 
CONCEITO: 
 
- É o ressecamento da boca provocado por diminuição ou ausência do fluxo salivar; 
- Xerostomia de longa duração pode proporcionar cavitações dentais graves e 
candidíase oral; 
- É queixa mais comum nos idosos 
 
PODE GERAR: 
 
- desconforto; 
- interferir na fala e na deglutição; 
- dificultar o uso de próteses dentais; 
- causar halitose e prejudicar a higiene oral, ao provocar diminuição do pH oral e 
aumento do crescimento bacteriano 
 
FISIOPATOLOGIA: 
 
- O estímulo à mucosa oral ativa os núcleos salivares na medula, desencadeando 
resposta eferente; 
- Os impulsos eferentes provocam liberação de acetilcolina nos terminais nervosos 
das glândulas salivares, ativando receptores muscarínicos (M3), que elevam a 
produção e o fluxo de saliva; 
- Os impulsos medulares responsáveis pela salivação também podem ser modulados 
por conexões corticais de outros estímulos (ex: paladar, olfato, ansiedade) 
 
ETIOLOGIA: 
 
- Fármacos; 
- Irradiação de cabeça e pescoço (tratamento de câncer); 
- Distúrbios sistêmicos são menos comumente a causa, mas a xerostomia é comum 
na síndrome de sjogren (SS) e pode ocorrer em HIV/ aids, diabetes descompensada 
e outras doenças. 
 
OS FÁRMACOS: 
 
- são a causa mais comum 
- cerca de 400 fármacos causam a diminuição da produção de saliva; 
- As mais comuns: fármacos antiparkinsonianos, antineoplásicos (quimioterapia) 
 
 
 
 
 
CAUSAS DA XEROSTOMIA: 
 
- Exemplos fármacos: 
● Anticolinérgicos; antidepressivos; antieméticos; anti-histamínicos; 
antipsicóticos; antiespasmódicos; ansiolíticos; anti-hipertensivos; 
antineoplásicos (quimioterápicos); antiparkinsonianos; broncodilatadores; 
descongestionantes; diuréticos; meperidina; metadona e outros opioides. 
 
- Drogas recreacionais / ilícitas / lícitas: 
● Cannabis; anfetaminas; tabaco. 
- Doenças sistêmicas: 
● Amiloidose; infecção pelo HIV; Hanseníase; Sarcoidose; Síndrome de 
Sjogren; Tuberculose; Respiração oral crônica; traumatismo de cabeça e 
pescoço; Radioterapia; Infecções virais. 
 
QUIMIOTERÁPICOS E FÁRMACOS: 
 
- provocam grave ressecamento e estomatite enquanto estão sendo usadas; 
- Cessam uma vez que a terapia é interrompida; 
- Outras classes de medicamentos comuns que causam xerostomia são os 
anti-hipertensivos, ansiolíticos e antidepressivos 
 
DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS: 
 
- O aumento do uso ilícito de metanfetamina resultou em maior incidência da boca 
anfetamínica, com cáries dentais graves e inflamação periodontal causadas pela 
xerostomia induzida pela anfetamina 
- O problema é agravado pelo bruxismo e trincamento dos dentes causado pelo 
fármaco, junto com ingestão elevada de bebidas açucaradas e a má higiene oral 
enquanto se está sob influência do fármaco; 
- Essa combinação provoca destruição muito rápida dos dentes; 
- O uso de tabaco geralmente provoca diminuição da saliva 
 
RADIAÇÃO: 
 
- A irradiação incidental das glândulas salivares durante a radioterapia para o câncer 
de cabeça e pescoço geralmente provoca xerostomia grave; 
 
AVALIAÇÃO: 
 
- História da doença atual deve incluir: 
● o momento da instalação; 
● As características temporais (presença apenas ao acordar) 
● Fatores desencadeantes, incluindo aspectos momentâneos ou psicogênicos 
(apenas em períodos de estresse, certas atividades, estado de hidratação do 
corpo) 
● O uso esporádico de fármacos também deve ser especificamente elucidado; 
● A revisão dos sistemas deve buscar sintomas de distúrbios causais, incluindo 
olhos secos , pele seca, exantemas e dores articulares (síndrome de sjogren) 
● A história clínica anterior deve abordar as condições associadas à 
xerostomia, incluindo síndrome de Sjogren, história de radioterapia, 
traumatismo de cabeça e pescoço e diagnóstico ou presença de fatores de 
risco de infecção por HIV 
● O perfil dos fármacos buscando fármacos que podem causar xerostomía 
 
EXAME FÍSICO: 
 
- Focado na cavidade oral, com atenção especial para: 
● qualquer ressecamento aparente (ex: se a mucosa está seca, grudenta ou 
úmida; se a saliva está espumosa, pegajosa ou normal em sua aparência) 
- Presença de quaisquer lesões causadas por candida albicans, e para as condições 
dentárias; 
- A existência e a gravidade da xerostomia podem ser avaliadas de várias formas: 
● Um abaixador de língua pode ser segurado em contato com a mucosa bucal 
por 10 segundos; 
● Se o abaixador cair imediatamente quando for solto, o fluxo salivar é 
considerado normal. Quanto maior a dificuldade na remoção do abaixador de 
língua, mais grave a xerostomia 
- Em mulheres, o sinal do batom, em que o batom se adere aos dentes anteriores, 
pode ser indicador útil de xerostomia 
- Se há ressecamento aparente, glândulas submandibulares, sublinguais e parótidas 
devem ser palpadas enquanto se observa o fluxo salivar pelas aberturas dos ductos 
- Secar as aberturas dos ductos com gaze antes de apalpá-los auxilia na observação 
- Se um recipiente demarcado estiver disponível, o paciente pode cuspir uma vez 
para esvaziar a boca e, então, cuspir dentro do recipiente toda a sua ​produção de 
saliva: 
● A produção normal de saliva varia de 0,3 a 0,4 mL/min 
● Observa-se xerostomia significativa a 0,1 mL/min 
- Pode-se observar cáries dentárias nas margens das restaurações ou em locais 
pouco usuais (ex: na linha gengival, nas bordas incisais ou nas pontas das cúspides 
dos dentes) 
- Uma manifestação comum das infecções por C. albicans são as áreas de eritema e 
atrofia (ex: perda de papilas no dorso da língua) 
- Menos comuns são as conhecidas placas esbranquiçadas, caseosas, que provocam 
sangramento ao serem removidas. 
 
 
SINAIS DE ALERTA: 
 
- Os achados a seguir são particularmente preocupantes: 
● Cárie dental extensa; 
● Concomitância de olhos secos, pele seca, rash cutâneo ou dores articulares 
● Fatores de risco de HIV 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DOS ACHADOS: 
 
- A xerostomia é diagnosticada por sintomas, aparência da cavidade oral e ausência 
de fluxo salivar a massagem das glândulas salivares; 
- Não há necessidade de investigação adicional quando a xerostomia se instala após 
o início de nova terapia medicamentosa e cessa logo após sua suspensão ou 
quando os sintomas se iniciam algumas semanas após irradiação da região de 
cabeça e pescoço; 
- A xerostomia que começa abruptamente após traumatismo da região de cabeça e 
pescoço pode ser causada por dano neural; 
- Concomitância de olhos secos, pele seca, rash cutâneo ou dores articulares, 
particularmente em paciente do sexo feminino, sugere o diagnóstico de síndrome de 
Sjogren. 
- Cavitação e pigmentação dentais graves, desproporcional aos resultados esperados, 
podem ser indicativas de uso de drogas ilícitas, particularmente metanfetaminas; 
- A xerostomia que ocorre apenas durante o período noturno, notada ao acordar, pode 
ser sinal de respiração oral importante, em ambiente seco. 
 
EXAMES: 
 
- Sialometria 
- Biópsia das glândulas salivares 
- Para as pacientes em que a xerostomia não está esclarecida, a sialometria pode ser 
realizada, colocando-se coletores sobre orifícios dos ductos salivares maiores e 
estimulando-se a salivação, com ácido cítrico, ou mastigando parafina; 
- O fluxo parotídeo normal é de 0,4 a 1,5 mL/min/glândula. 
- Monitoramento do fluxo pode ajudar a determinar a resposta terapêutica; 
- A causa da xerostomia é frequentemente aparente; 
- Se a etiologia é incerta e a doença sistêmica é considerada possível, avaliação 
adicional deve ser realizada por meio de biópsia da glândula salivar menor e exame 
para HIV; 
- O lábio inferior é um local conveniente para a biópsia. 
 
TRATAMENTO: 
 
- A causa é tratada e fármacos causadores são interrompidos quando possível; 
- Uso de fármacos colinérgicos; 
- Substitutos da saliva; 
- Higiene bucal regular e atendimento odontológico para prevenir cárie dentária; 
- Quando possível, a causa da xerostomia deve ser identificada e tratada; 
- Para pacientes com xerostomia relacionada a