Logo Passei Direto
Buscar
Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

TSThais Santos
Nutricionista
Seletividade alimentar da criança (2 a 10 anos de idade)
São Paulo
2021
Introdução 
 A fase da primeira infância é considerada a base para todas as aprendizagens humanas. Nessa fase, desenvolvem-se habilidades que permitem as crianças saltar, correr, pular, andar de bicicleta; começa o período das muitas perguntas, do processo de socialização, do esforço pela independência, e o organismo também se torna estruturalmente capacitado para o exercício de atividades psicológicas mais complexas (LANES et al., 2012).	
 A alimentação saudável durante a infância é duplamente benéfica, pois se por um lado facilita o desenvolvimento intelectual e crescimento adequado para a idade, por outro, previne uma série de patologias relacionadas com uma alimentação incorreta e desequilibrada, como a anemia, obesidade, desnutrição, cárie dentária, atraso de crescimento, entre outras (Rego et al., 2004).	
 Com essa mudança no tipo de consumo alimentar, algumas crianças tem apresentado seletividade alimentar. A seletividade alimentar é caracterizada por recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, mas, quando presente em ambientes familiares desfavoráveis, pode acentuar-se e permanecer até a adolescência (SAMPAIO et al., 2013). Os alimentos mais rejeitados são verduras, legumes e frutas (KACHANI et al., 2005).	
 Nem sempre a família está preparada para lidar com esta restrição. A impaciência dos familiares para a criança comer pode levar à substituição de alimentos saudáveis por aqueles de baixo valor nutritivo, os quais normalmente fazem parte das preferências dos seletivos (SAMPAIO et al., 2013).	
 Contudo, o tratamento da seletividade alimentar na infância evita as consequências de carências nutricionais e obesidade, proporcionando o crescimento e o desenvolvimento adequado, garantindo, assim, melhor prognóstico (SAMPAIO et al., 2013). Prado et al. (2016), acreditam que as atividades de educação alimentar e nutricional (EAN) compõem um pequeno início no aprendizado sobre alimentação saudável, pois ações efetivas e duradouras devem ser realizadas de forma contínua e permanente, desde a primeira infância.
Objetivo
 Compreender quais são as dificuldades alimentares de crianças que desenvolvem seletividade alimentar, e sua associação com práticas alimentares e estado nutricional.
O que é seletividade alimentar?
 A seletividade alimentar é caracterizada por restrições alimentares, falta de apetite e desinteresse pelo alimento. Por vezes a criança aceita apenas uma textura de alimento (pastosos, crocantes ou secos), determinadas cores (alimentos amarelos, brancos, vermelhos e verdes), ou recusa alimentos com cheiro marcante ou muito temperados; também se recusa a experimentar novos alimentos, podendo apresentar náusea e vômito ao tentar alimentar-se, apresentando uma alteração de sensibilidade.
 Essa situação gera uma angústia na família pela quantidade limitada de alimentos que a criança aceita, levando a uma dieta bem restritiva e muitas vezes pobre de vitaminas e nutrientes.
Alimentação de acordo com a faixa etária (2 a 10 anos de idade) 
2 anos - a criança tem a necessidade de tocar os alimentos para explorá-los, sendo natural que ela coma com as mãos. O ideal é não proibir, apenas auxiliar, pois, é nessa idade torna o ato de se alimentar mais complexo, por estar envolvida com fatores fisiológicos (a identificação de cores, formas, cheiros de cada alimento), psicológicos (os hábitos, os horários certos), sociais e culturais.
3 a 6 anos – é nessa fase que as crianças apresentam maior seletividade alimentar, onde impõem suas preferências alimentares. Devemos levar em consideração que nesta idade se estabelecem os hábitos alimentares e a alimentação tem grande influência na saúde na idade adulta. 	
Para evitá-la, deve-se servir pouca comida. Se necessário, por solicitação da criança, repetir; Nesta idade é comum a criança adotar os costumes alimentares dos familiares, sendo importante estimular o consumo de frutas, legumes e verduras e evitar o hábito de ingerir os líquidos durante as refeições, pois assim fará com que a criança se habitue a mastigar os alimentos e a não sobrecarregar o sistema digestório.
6 a 10 anos - apresentam um grande desafio em termos de educação nutricional. Para atingir as mudanças ou a educação nutricional, devem ser levados em consideração diversos fatores que influenciam as preferências alimentares, como o envolvimento dos pais, exposição da mídia e modelo alimentar. O aparelho digestório do escolar já está desenvolvido, apresentando características semelhantes ao do adulto. Portanto, um aluno bem alimentado apresenta um melhor aproveitamento escolar, atinge o equilíbrio necessário para o seu crescimento e o desenvolvimento das defesas orgânicas indispensáveis para a manutenção da saúde.
	
Como melhorar a alimentação da criança?
 O estímulo de práticas alimentares saudáveis na infância é de extrema importância, pois é durante esse período que fixamos muitos dos hábitos que nos acompanharão durante o restante de nossas vidas. São muitas as práticas que podem ser adotadas em casa, mas também devemos estar em constante alerta na alimentação da criança durante o período escolar, pois muitas vezes a influência dos amiguinhos e a comida disponibilizada no colégio na hora do lanche podem não estar de acordo com a dieta que você mantém dentro de casa, assim a criança se sente estimulado a experimentar e conseguir comer algo novo.
 O que estamos vivendo hoje em dia em tempos de coronavírus, uma estratégia legal seria se as pessoas aproveitassem para deixar de lado os alimentos ultraprocessados, cozinhando mais. Pois, esse momento que tem que ficar dentro de casa, é um momento para aumentar o preparo dos nossos alimentos. Ao invés de comer um pão industrializado, por que a gente não faz uma receita de pão, até com as crianças. É importante aproveitar esse tempo de quarentena para cuidar mais do preparo dos alimentos e deixar a alimentação das crianças mais variada.	
 Assim, a maneira como o alimento é ofertado para criança é uma forma de fazer com que ela fique mais interessada naquilo. A introdução de novos alimentos na rotina de uma criança autista deve ser feita com cautela. Os pais precisam respeitar os limites da criança, fazendo cada mudança aos poucos.
Estratégias para lidar com crianças seletivas para comer: Orientações gerais. 	
1. Respeite o apetite da criança – ou a falta dele
 Se a criança está sem fome, não é recomendado forçar uma refeição ou um lanche. Da mesma forma, não a suborne ou pressione a comer determinadas comidas, ou seja, quando ela disser “estou cheia” ou “estou satisfeita”. Isso poderá apenas desencadear (ou reforçar) uma luta pelo poder sobre o prato.	
 Respeitar igualmente o “estou com fome” e evite o exagero da precisão dos horários: às vezes, dependendo da alimentação anterior, seu filho deseja comer um pouco antes da hora. Futuramente, ele poderá associar a hora das refeições com ansiedade e frustração ou se tornar menos sensível aos seus parâmetros de fome e saciedade. Procure servir pequenas porções para evitar inibi-lo na hora da alimentação e dar a oportunidade de, por livre e espontânea vontade, pedir mais.	
 Lembrar que as crianças podem alternar dias de muito apetite com dias de pouco volume isso é normal e depende de vários fatores. O importante é assegurar que estejam crescendo normalmente. Não espere um padrão homogêneo!
2. Peça ajuda a criança 
 No supermercado, nas feiras ou na padaria, peça que a criança o ajude a selecionar frutas, vegetais e outras opções saudáveis. Assim a criança se sente importante ao escolher aquilo que ela também vai comer e vai associar a escolha como uma prática saudável.	 
 Não comprar nada que você não queira que seu filho
coma. Em casa, chame-os para lavar os vegetais, mexer molhos ou preparar a mesa. Quanto maior o envolvimento no preparo das refeições, mais fácil é educar sobre alimentação. Até porque a participação da criança nesse processo aumenta a chance de ela experimentar o resultado do prato final.
3. Não oferecer sobremesas como recompensa 
 Barganhar a sobremesa pode transmitir a mensagem equivocada de que as sobremesas são os melhores alimentos, o que aumentará o desejo das crianças por doces. Ao invés de proibir, você poderá selecionar uma ou duas noites na semana como “noites da sobremesa” ou definir, posteriormente, quando mais velhas, pequenas porções de sobremesas ao final das refeições, passando os conceitos de complementaridade e moderação. Ou poderá redefinir a sobremesa nos demais dias da semana com frutas, iogurte ou outras escolhas menos convencionais.	 
4. Evitar distrações na hora das refeições
 Desligar a TV, celulares e outros jogos eletrônicos durante as refeições. Isso ajudará a criança a focar na comida. Tenha em mente que as propagandas na TV podem também estimular desejo por outros alimentos menos nutritivos, como propagando de uma marca de chocolate e propagandas de fast food.
5. Dar um bom exemplo
 Se você come alimentos saudáveis variados, a probabilidade de seu filho seguir seu exemplo é maior. Contudo, se você for tiver restrições a alguns alimentos, aproveite a oportunidade e a boa causa para mudar seus hábitos – você estará fazendo um grande investimento para a consolidação de hábitos saudáveis, além de ajudar a prevenir doenças da vida adulta. 
6. Ter paciência 
 Crianças pequenas habitualmente tocam ou cheiram novas comidas e podem até colocar pequenos pedaços na boca e retirar novamente. É normal que ela necessite de repetidas exposições ao novo até que decida morder um pedaço a rejeição é esperada. Por isso, incentive seu filho conversando sobre cor, forma, aroma e textura – e não se o alimento tem ou não um bom sabor. Sirva a novidade junto daquelas opções já conhecidas por ele. Mantenha a oferta das escolhas saudáveis até que se tornem familiares e preferidas também.	
7. Tornar a refeição mais agradável 
 Preparar uma refeição alternativa para seu filho quando ele rejeita a original poderá promover e reforçar o padrão seletivo. Encoraje-o a permanecer na mesa mesmo que ele não coma – um novo alimento será oferecido na próxima vez. Uma outra opção é servir brócolis e outros vegetais com um molho favorito. Corte os alimentos em vários formatos (estrelas, bolas, bichos etc), com variedade de cores vivas e ofereça aqueles do café da manhã no jantar.
Conclusão
 Cada caso de seletividade alimentar tem suas peculiaridades, requer orientação individualizada, segundo as características específicas da criança, da família e do meio. Os múltiplos fatores determinantes da seletividade da criança têm seu impacto nutricional melhor avaliado através da ação do pediatra e da nutricionista. Casos graves podem demandar, também, uma assistência psicológica especializada, visto que muitos problemas alimentares são decorrentes de conflitos intra familiares que se explicitam no âmbito alimentar.
 A educação permanente é uma estratégia importante para a qualidade de vida, para que a criança venha a ter o crescimento adequado junto com o desenvolvimento saudável, evitando o sobrepeso, obesidade e desnutrição. Por isso faz-se importante a realização de atividades de EAN nas escolas de forma contínua e duradouras para promover a formação de hábitos alimentares saudáveis e melhorar a qualidade de vida das crianças. 	
 Além disso, é preciso maior empenho e dedicação dos pais, pois estes precisam continuar estimulando as crianças a provarem novos sabores.
Referências bibliográficas 
KACHANI, Adriana Trejger et al. Seletividade alimentar da criança. Pediatria, v. 27, n. 1, p. 48-60, 2005.
LANES, Dário Vinícius Ceccon et al. Estratégias lúdicas para a construção de hábitos alimentares saudáveis na educação infantil. Revista Ciencias&Ideias, Uruguaiana, v. 4, n. 1, p. 1-12, jul. 2012.
REGO, Carla [et al.&"93 (2004) - Obesidade pediátrica: a doença que ainda não teve direito a ser reconhecida. A propósito do 1º Simpósio Português sobre Obesidade Pediátrica. Acta Pediátrica Portuguesa. p. 1-5.
SAMPAIO, Ana Beatriz de Mello et al. Seletividade alimentar: uma abordagem nutricional. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, São Paulo, v.62, n.2, p. 164-170, fev./maio 2013.
VIEIRA, M. L. F.; SILVA, J. L. C. P; FILHO, A. A. B. A amamentação e a alimentação complementar de filhos de mães adolescentes são diferentes das de filhos de mães adultas? Jornal de Pediatria, v. 79, n. 4, 2013. Disponível em: Acesso em: 3 ago.2019.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina