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Módulo 1, Etapa 3. Histopatologia. Kawanny Arruda, FITS. Necrose celular É a morte celular ocorrida em organismo vivo e seguida de autólise. Agressão forte o suficiente para interromper as funções vitais → lisossomos não conseguem conter hidrolases → saem para o citosol e são ativadas pela concentração de Ca++ no citoplasma → iniciam a autólise. As hidrolases dos lisossomos podem digerir todos os substratos celulares → essas enzimas que ditam as alterações morfológicas após a morte celular. Depois da necrose são liberadas alarminas (HMGB1, uratos, fosfatos) que são reconhecidas em receptores celulares e desencadeiam uma reação inflamatória. Necrose isquêmica em órgãos com circulação terminal: coloração esbranquiça e fica tumefeita, fazendo saliência na superfície dos órgãos ou na superfície de corte. Necrose anóxica de órgãos com circulação dupla: sangue extravasa a partir do vaso não obstruído, cria aspecto hemorrágico (vermelho escuro ou vinho). Necrose na tuberculose: aspecto de massa de queijo, esbranquiçada e quebradiça (necrose caseosa). Necrose na sífilis: tem aspecto de goma (necrose gomosa). Necrose por liquefação ou coliquativa: o tecido é digerido até ficar mole e semifluido. As alterações morfológicas derivam da autólise, sendo observada após a morte celular. Logo, O TEMPO ENTRE A MORTE CELULAR E O APARECIMENTO DE ALTERAÇÕES DETECTÁVEIS NA ML VARIA DE TECIDO PARA TECIDO. Ao ME a necrose é diagnosticada mais precocemente. No fígado isquêmico as alterações indicativas de necrose aparecem em torno de 7 horas após a morte celular. Principais achados microscópicos: Alterações nucleares devido a contração e condensação da cromática: →Núcleo fica basófilo, homogêneo e menor: picnose nuclear. →Digestão da cromatina que impede diferenciar os núcleos: cariólise (ausência de núcleo nas células) →Núcleo pode se fragmentar e se dispersar no citoplasma: cariorrexe. Picnose, cariólise e cariorrexe resultam do abaixamento excessivo do pH e da ação de proteases ácidas que digerem cromatina e fragmentam membrana nuclear. No ME, o tempo de autólise dita os aspectos: Fases iniciais: vacuolização de mitocôndrias, retículo endoplasmático e complexo de golgi. Com o avançar, as organelas perdem a individualidade e não são mais reconhecidas. Podem ser encontrados depósitos cristalinos de sais de Ca ++. Podem ser observados complexos juncionais quando outras estruturas celulares não são mais distinguíveis. O aspecto da lesão varia com a causa, mas necroses de diferentes agentes podem ser semelhantes. Agentes agressores produzem ela por: 1. Redução de energia, obstrução vascular (isquemia, anóxia) ou inibição dos processos respiratória da célula; 2. Geração de radicais livres; Módulo 1, Etapa 3. Histopatologia. Kawanny Arruda, FITS. 3. Ação direta sobre enzimas, inibindo processos vitais da célula (agentes químicos e toxinas); 4. Agressão direta a membrana citoplasmática, criam canais hidrofílicos que perdem eletrólitos e morre. Macroscopicamente: área atingida é esbranquiçada e salientada na superfície do órgão, quase sempre ela é circundada por um halo avermelhado (hiperemia para compensar isquemia). Microscopicamente: cariólise e citoplasma com aspecto de coagulado, ele fica acidófilo e granuloso, gelificado. No início é possível ver contornos celulares, depois a arquitetura tecidual fica perdida. Necrose isquêmica do miocárdio. A: Cariólise de miocélulas, com citoplasma homogêneo e acidófilo (necrose por coagulação), setas mostram núcleos picnóticos. B: Infiltração de células fagocitárias e de linfócitos, iniciando remoção de cardiomiócitos e reparação (cicatrização-setas) Hepatócitos íntegros com núcleos com cromatina frouxa e citoplasma discretamente basófilo. Necrose em que os hepatócitos possuem citoplasma acidófilo e homogêneo, sem núcleos (cariólise). Setas amarelas: núcleos picnóticos. Setas azuis: hepatócitos contraídos e acidófilos com núcleo picnócito. A região necrosada tem consistência mole, semifluida ou liquefeita. Comum após anóxia ao TN, na suprarrenal ou na mucosa gástrica. É causada pela liberação de enzimas lisossômicas. Está presente em inflamações purulentas, sendo produzida por enzimas lisossômicas liberadas por leucócitos exsudados. Hepatócitos em hepatites virais que sofreram lise ou esfacelo (necrose por esfacelo). Área necrosada com aspecto de queijo. Células necróticas são transformadas em massa homogênea, acidófila, com picnóticos e muitos núcleos fragmentos na periferia- cariorrexe. Elas perdem contornos e detalhes estruturais. Comum na tuberculose, e menos comum na paracoccidioidomicose e tularemia. Parece depender da ação de linfotoxinas e de produtos citotóxicos de macrófagos. Antes dela surgir, têm-se síntese de proteínas pró-apoptóticas e redução de proteínas antiapoptóticas, do centro para periferia. Na periferia da região de necrose caseosa, tem: cariorrexe evidente. No centro: cariólise extensa. Módulo 1, Etapa 3. Histopatologia. Kawanny Arruda, FITS. Área de necrose com aspecto acidófilo e homogêneo, apresentando núcleos picnóticos na periferia. Tecido necrosado tem aspecto compacto e elástico como borracha (goma) ou fluido e viscoso. Na sífilis tardia. Forma de necrose que compromete adipócitos, vista na pancreatite aguda necro-hemorrágica (extravasam ácinos pancreáticos destruídos). Células mortas e autolisadas desencadeiam resposta do organismo, promovendo reabsorção e permitindo reparo depois. A área de necrose pode seguir vários caminhos: 1. Regeneração: Restos celulares são reabsorvidos por meio da resposta inflamatória instalada → células vizinhas e leucócitos liberam fatores de crescimento que induz multiplicação celular parenquimatosa. Estroma pouco alterado? Regeneração completa. Ex. O que ocorre no fígado se as áreas de necrose forem pequenas, conversando a malha de fibras reticulares; Em necrose extensa, a trama reticular sofre colapso e mesmo regenerados os hepatócitos não conseguem se organizar e formam nódulos. 2. Cicatrização (tecido necrosado substituído por tecido conjuntivo cicatricial): Ocorre quando a lesão é extensa e as células afetadas não tem capacidade regenerativa. Destruição tecidual → liberam DAMP que induz liberação de mediadores → começam alterações vasculares e exsudação celular necessárias a reabsorção dos restos celulares → surge reação inflamatória → leucócitos que migram para área digerem os restos teciduais → citocinas agem e liberam estímulos para proliferação vascular e do TC que forma a cicatriz. A proliferação fibroblástica e endotelial depende: fatores de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) e fatores de crescimento de fibroblastos (FGF) produzidos por macrófagos; fator de crescimento transformante beta e fator de crescimento para endotélio, liberados por linfócitos T e macrófagos. A: área de nova formação de TC cicatricial, muitas células e misturas do tipo inflamatória a fibroblastos e células endoteliais. B: cicatriz completa e recente. 3. Encistamento: Material necrótico não é absorvido pois é volumoso ou não tem migração de leucócitos → desenvolve reação inflamatória somente na periferia → isso causa proliferação conjuntiva e formação de uma cápsula que encista o tecido necrosado, ele é absorvido lentamente. 4. Eliminação: Módulo 1, Etapa 3. Histopatologia. Kawanny Arruda, FITS. Zona de necrose atinge a parede canalicular e o material necrosado é eliminado → forma uma cavidade. É comum na tuberculose, forma cavernas tuberculosas. 5. Calcificação: Alguns tendem a isso, como a necrose caseosa na infância. É uma forma de evolução de necrose que resulta da ação de agentes externos sobre o tecido necrosado. O tecido desidratado da região atingida, gera a gangrena seca: Ela ocorre nas extremidades de dedos, artelhos e ponta do nariz. Consequência de lesões vasculares; A zona de gangrena seca tem cor escura, azulada ou negra por conta da hemoglobina, podendo formar uma linha entre o tecido morto e o não lesado; A gangrena úmida ou pútrida deriva da invasão da área necrosa por microrganismos anaeróbios que produzem enzima que tendem a liquefazer tecidos mortos e produzir odor fétido acumulador em bolhas. Comum em necroses do tubo digestivo, pulmões e da pele em que condições úmidas favorecem. A gangrena gasosa é secundária a contaminação do tecido necrosado com microrganismos Clostridium, produzindo enzimas e gás, formam as bolhas. Comum em feridas infectadas.