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Abdome agudo inflamatório

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ceco facilitará a localização e liberação do 
apêndice em geral. O mesoapêndice é ligado e seccionado entre pinças. A base do apêndice é esqueletizada em 
sua junção com o ceco. Um fio absorvível é colocado em torno da base do apêndice, e o mesmo é clampeado, 
seccionado e ressecado. 
Faz-se, então, uma sutura em bolsa de tabaco com fio absorvível ou uma sutura em Z em torno da parede cecal 
e o coto apendicular é sepultado no fundo do ceco. A ligadura simples e o sepultamento provavelmente têm 
resultados equivalentes. Se a base do apêndice e o ceco adjacente estiverem extensamente solidificados, realiza-
se uma ressecção ileocecal. A incisão cirúrgica é fechada primariamente na maioria dos casos porque a taxa de 
infecção da ferida operatória é inferior a 5%. 
A apendicectomia laparoscópica oferece a vantagem da laparoscopia diagnóstica combinada com o potencial 
de recuperação mais rápida e incisões que são menos agressivas. Caso uma TC seja realizada no período pré-
operatório, ela deve ser avaliada pelo cirurgião para colher informações que podem ajudar na identificação da 
posição do apêndice em relação ao ceco. Após a injeção do anestésico local, colocamos uma porta de 10 mm 
no umbigo, seguida de uma porta de 5 mm na região suprapúbica na linha média e uma porta de 5 mm a meio 
caminho do trajeto entre as duas primeiras portas e à esquerda do músculo reto do abdome. 
A, Superior esquerda, localização das 
portas locais para apendicectomia 
laparoscópica. Direita, divisão do mesoapêndice com o bisturi harmônico. B, Colocação de um Endoloop 
absorvível que circunda a base do apêndice. C, Divisão do apêndice por Endoloops. D, Colocação do 
apêndice em uma bolsa de amostra antes da remoção do apêndice pela porta umbilical. 
O laparoscópio de 5 mm e óptica de 30 graus é orientado para a porta central com o cirurgião e o assistente à 
esquerda do paciente. Com o paciente na posição de Trendelenburg e inclinado para o lado esquerdo, 
investigando delicadamente o íleo terminal medialmente e seguindo a tênia do ceco caudalmente para localizar 
o apêndice, que é, então, pinçado. O mesoapêndice é seccionado usando-se um bisturi harmônico de 5 mm ou 
Liga-Sure, ou entre clipes, dependendo da espessura desse tecido. Em geral envolvemos o apêndice com um 
ou dois Endoloops absorvíveis colocados na base do apêndice, e, então, colocamos um terceiro Endoloop (≈ 1 
cm distalmente) e seccionamos o apêndice. Nos casos em que a base está endurada e friável, usamos um 
grampeador endoscópico de 30 mm para seccionar o apêndice. Na maioria dos casos, entretanto, o custo 
adicional considerável do grampeador é injustificado. Qualquer líquido extravasado é prontamente aspirado e, 
da mesma forma, qualquer apendicolito identificado é removido para evitar formação de abscesso pós-
operatório. O apêndice é colocado em uma bolsa e removido pela porta da cicatriz umbilical. A fáscia a 10 mm 
do local do trocarte é suturada, e todas as feridas são fechadas primariamente. Aos pacientes, prescreve-se uma 
dieta sem restrições e medicamento oral após a intervenção cirúrgica. A maioria dos pacientes com apendicite 
não perfurada recebe alta 24 horas após o procedimento. 
REFERÊNCIA: Lopes Reis 
O tratamento da apendicite aguda e de suas complicações é sempre cirúrgico. Embora alguns poucos autores 
indiquem tratamento inicialmente clínico, essa conduta somente deve ser preconizada para raras situações, 
como em doentes moribundos. É discutida a possibilidade de instaurar conduta conservadora diante dos 
abscessos apendiculares e da apendicite hiperplásica; contudo, em ambas as situações, o tratamento definitivo 
será a apendicectomia eletiva. 
Para a quase totalidade dos doentes portadores de apendicite aguda, impõe-se a apendicectomia como método 
terapêutico ideal, estando sua precocidade relacionada à evolução pós-operatória. 
A laparotomia clássica, por incisão oblíqua ou transversa, na fossa ilíaca direita, permite acesso ao apêndice 
cecal, que é removido, seguindo-se a limpeza da cavidade abdominal. 
A drenagem da cavidade peritoneal é tema controverso, sendo justificável em casos de necrose do apêndice e 
abscesso local. No entanto, nota-se tendência ao seu abandono. 
Nos últimos anos, muitos autores têm preferido a abordagem por videolaparoscopia, com excelentes resultados 
não apenas cosméticos mas, particularmente, no que diz respeito à volta às atividades físicas. Restrições se 
fazem ao custo do procedimento e à experiência dos profissionais. 
O tratamento cirúrgico da apendicite aguda tem como principais complicações o abscesso de parede abdominal 
e abscesso intraperitoneal. Fístulas estercorais são raras e de tratamento complexo. 
Colecistite aguda 
REFERÊNCIA: Tratado de Cirurgia – Sabiston 
Embora a infecção seja um evento secundário que segue a estase e a inflamação, a maioria dos casos de 
colecistite aguda é complicada pela superinfecção da vesícula inflamada. Deste modo, suspende-se a ingesta 
oral dos pacientes e inicia-se areposição hídrica e eletrolítica e a antibioticoterapia parenterais. Considerando 
que as bactérias aeróbias Gram-negativas são os organismos mais comumente encontrados na colecistite aguda, 
seguidas por anaeróbios e aeróbios Gram-positivos, justifica-se a administração de antibióticos de amplo 
espectro. Uma sedação com opiáceos parenteral é geralmente necessária para controlar a dor. 
A colecistectomia, seja aberta ou laparoscópica, é o tratamento de escolha para a colecistite aguda. O momento 
da intervenção operatória nos casos de colecistite aguda tem sido fonte de questionamentos. No passado, muitos 
cirurgiões defendiam a protelação da colecistectomia, com pacientes sendo tratados de forma não cirúrgica 
durante sua internação inicial e recebiam alta com a resolução dos sintomas. Uma colecistectomia era realizada 
num intervalo de aproximadamente seis semanas do primeiro episódio. Estudos recentes mostram que quando 
realizada na fase inicial do processo (na primeira semana), a cirurgia pode ser feita por via laparoscópica com 
morbimortalidade e duração da internação igual ou superior a colecistectomia aberta, bem como com uma taxa 
de conversão semelhante. Além disso, aproximadamente 20% dos pacientes inicialmente admitidos para 
controle não operatório não tiveram sucesso no tratamento médico anterior à colecistectomia planejada e 
necessitaram de intervenção cirúrgica. A terapia inicial não cirúrgica é ainda uma opção viável para pacientes 
que apresentam uma fase de evolução demorada e deve ser decidida individualmente. 
Como o processo inflamatório ocorre na porta hepática, a conversão precoce para a colecistectomia aberta deve 
ser considerada quando a delineação da anatomia não está clara ou quando a intervenção cirúrgica não pode 
ser feita por via laparoscópica. No caso de inflamação substancial, uma colecistectomia parcial, cortando a 
vesícula transversalmente no infundíbulo com cauterização da mucosa remanescente (técnica de Thorek), é 
aceitável para evitar lesão do colédoco. Alguns pacientes apresentam colecistite aguda, mas têm risco cirúrgico 
proibitivo. Para esses pacientes, a drenagem percutânea da vesícula deve ser considerada. Frequentemente 
realizada sob orientação de ultrassonografia sob efeito de anestesia local com alguma sedação, este tipo de 
procedimento pode funcionar como uma medida contemporizadora drenando a bile infectada. A drenagem 
percutânea possibilita melhora nos sintomas e da fisiologia, autorizando a postergação da colecistectomia para 
três a seis meses, mas sob observação médica. 
REFERÊNCIA: Lopes Reis 
A colecistite aguda tem na remoção da vesícula biliar seu tratamento específico e definitivo. 
Embora existam autores que preconizam o tratamento clínico já citado anteriormente, para proceder à 
colecistectomia eletiva 30 a 60 dias após, somos da opinião que a colecistectomia precoce é a melhor conduta, 
pois não apenas remove a causa

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