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Resumo - Aspectos Microbiológicos em Bactérias e Fungos

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Júlia Figueirêdo – LPI DOENÇAS RESULTANTES DA AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE 
ENTEROBACTÉRIAS: 
As enterobactérias são um grupo de 
bacilos gram-negativos que, mesmo sendo 
encontrados amplamente na natureza, 
infestam majoritariamente os intestinos de 
seres humanos e outros animais, seja 
como membros normais da microbiota ou 
como fontes de infecção. 
 
A identificação de uma enterobactéria é 
normalmente feita por meio de provas 
bioquímicas, seguidas ou não de provas 
sorológicas. Em se tratando de 
enterobactérias enteropatogênicas, as 
provas bioquímicas são sempre 
acompanhadas de provas sorológicas, seja 
para confirmar a identificação bioquímica ou 
para diferenciar os sorogrupos e sorotipos. 
Quando a infecção é causada por uma 
enterobactéria não patogênica, sua 
identificação é feita apenas por meio de 
provas bioquímicas, exceto quando se 
isolam as salmonellas, tíficas e paratíficas. 
Atualmente, as enterobactérias são os 
germes mais frequentemente identificados 
em processos infecciosos, representando 
em torno de 70 a 80% das amostras de 
germes gram-negativos isolados em rotina 
de laboratório. A prevalência dos diferentes 
gêneros e espécies é fortemente 
influenciada pelo local onde a infecção foi 
adquirida, isto é, se na comunidade ou no 
hospital. 
Dentre as características comuns a esse tipo 
de bactérias, sabe-se que a maioria dos 
membros do grupo entérico pode utilizar um 
grande número de compostos orgânicos 
simples como substratos para o metabolismo 
respiratório: ácidos orgânicos, aminoácidos, 
carboidratos. Em condições aeróbicas, todas 
as bactérias crescem em meio bacteriológico 
complexo convencional, sendo que os 
constituintes nitrogenados fornecem 
substratos oxidáveis. 
Sob condições anaeróbias, entretanto, o 
crescimento bacteriano é dependente da 
presença de um carboidrato fermentável: 
alguns monossacarídeos, dissacarídeos e 
poliálcoois são fermentados por todos os 
membros do grupo entérico. 
A fermentação realizada por estes seres 
vivos se dá pela via Embden-Meyerhof, com 
produtos variados em tipo e quantidade. 
Estas fermentações apresentam uma 
característica bioquímica singular, que não é 
encontrada em outras fermentações 
bacterianas: um modo especial de clivar o 
ácido pirúvico para produzir ácido fórmico: 
CH3COCOO + CoA ---- CH3COCoA + 
HCOO. 
Esse ácido é, portanto, frequentemente o 
produto final nos processos fermentativos. 
Mas nem sempre este ácido é acumulado, 
pois algumas bactérias entéricas possuem o 
sistema enzimático formiase, que oxida o 
ácido fórmico a C02 e H2: HC00- ---- CO2 + 
H2. 
A fermentação de açúcares mais comum no 
grupo entérico é a fermentação ácido-mista, 
que produz principalmente ácido lático, ácido 
acético, ácido succínico, ácido fórmico (ou 
CO2 e H2), e etanol. Esta fermentação é 
característica dos gêneros Escherichia, 
Júlia Figueirêdo – LPI DOENÇAS RESULTANTES DA AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE 
Salmonella, Shigella, Proteus, Yersinia, 
Photobacterium e Vibrio e em algumas 
espécies de Aeromonas. 
A formação de gás como um resultado da 
fermentação de açúcares é uma 
característica de valor diferencial no grupo 
entérico, que se divide em formadores de 
gás como os gêneros Escherichia, e os que 
fermentam açúcares sem produzir gás como 
os gêneros Shigella e Salmonella typhi. 
Outra característica de considerável 
importância para diagnóstico de bactérias do 
grupo entérico é a capacidade para 
fermentar o dissacarídeo lactose, que 
depende da síntese das enzimas 
galactosídeo permease e b-galactosidase. 
As linhagens que não possuem a permease, 
mas, sintetizam b-galactosidase não podem 
utilizar a lactose à uma taxa suficiente para 
produzir uma fermentação vigorosa e 
normalmente devem ser classificadas como 
não fermentadores deste açúcar. O 
metabolismo da lactose é característica da 
Escherichia e Enterobacter e é ausente nos 
gêneros Salmonella, Shigella e Proteus. 
 
ESTRUTURA ANTIGÊNICA: 
As estruturas bacterianas são compostas por 
segmentos antigênicos que permitem a 
diferenciação sorológica de gêneros e 
espécies, baseando-se nos componentes 
somáticos O, flagelares H, capsulares K e 
fimbriais F, classificados sob a forma de 
números, permitindo diversas combinações 
(O e K nunca podem ser acompanhados por 
zero) 
O antígeno somático O corresponde ao 
lipopolissacarídeo (LPS), elemento 
termorresistente que se projeta da 
membrana externa para o ambiente 
extracelular. O lipídeo A (endotoxina), 
componente do LPS, é liberado durante a 
multiplicação ou após a morte da bactéria, 
atua na ativação de macrófagos e de 
mediadores da inflamação. O comprimento 
da cadeia lateral na unidade de repetição do 
antígeno somático O impedem a ligação do 
complexo de ataque a membrana do sistema 
complemento. 
Os antígenos capsulares K são 
polissacarídeos capsulares relacionados à 
resistência bacteriana perante o sistema 
complemento. A cápsula é um dos 
componentes bacterianos de menor 
patogenicidade, sendo removida quando 
submetida a temperatura de 100°C por uma 
hora. 
Antígenos flagelares H são compostos 
proteicos indicadores de estruturas móveis, 
mas não são associados frequentemente à 
patogenicidade bacterana. 
Os antígenos fimbriais F, também chamados 
de adesinas, pili ou fímbrias, são moléculas 
proteicas que recobrem a superfície 
bacteriana, capazes de reconhecer 
receptores específicos na superfície de 
células eucarióticas. A expressão de 
adesinas é considerada um gene de 
virulência fundamental para aderência e 
colonização dos tecidos do hospedeiro. Elas 
também conferem especificidade de 
aderência da bactéria em relação a 
determinados tecidos e órgãos do 
hospedeiro. Embora essas adesinas 
apresentem poucas diferenças morfológicas, 
existem características antigênicas e 
hemaglutinantes distintas. 
Júlia Figueirêdo – LPI DOENÇAS RESULTANTES DA AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE 
 
FATORES DE VIRULÊNCIA COMUNS À FAMÍLIA 
ENTEROBACTERIACEAE: 
 Endotoxina: a é um fator de virulência 
encontrado em bactérias Gram-negativas 
aeróbias e algumas anaeróbias. A 
atividade dessa toxina depende do lipídio 
A, componente do LPS, que é liberado na 
lise celular. Muitas manifestações 
sistêmicas das infecções por bactérias 
Gram-negativas são iniciadas pela 
endotoxina que ativa o complemento, 
causando liberação de citocinas, 
leucocitose, trombocitopenia, coagulação 
intravascular disseminada, febre, 
diminuição da circulação periférica, 
choque e morte; 
 Presença de cápsula: enterobactérias 
encapsuladas são protegidas da 
fagocitose pelos antígenos capsulares 
hidrofílicos, que repelem a superfície 
hidrofóbica da célula fagocítica. Esses 
antígenos interferem na ligação dos 
anticorpos à bactéria, são pouco 
imunogênicos e incapazes de ativar o 
complemento; 
 Variação de fase antigênica: as 
expressões dos antígenos somático O, 
capsular K e flagelar H estão sob controle 
genético do microrganismo. Cada um 
desses antígenos pode ser 
alternadamente expresso ou não 
(variação de fase), uma característica 
que protege a bactéria da morte mediada 
por anticorpo; 
 Sistemas de secreção tipo III: esse 
mecanismo pode ser imaginado como 
uma seringa molecular com 
aproximadamente 20 proteínas que 
facilitam a transferência de fatores de 
virulência bacterianos para as 
células-alvo do hospedeiro. Embora os 
fatores de virulência e seus efeitos sejam 
diferentes entre os vários bacilos 
Gram-negativos, o mecanismo pelo qual 
os fatores de virulência são introduzidos 
é o mesmo. Na ausência do sistema 
secretório tipo III, a bactéria tem sua 
virulência diminuída; 
 Sequestro de fatores de crescimento: 
para se replicar adequadamente e 
promover a colonização do hospedeiro, a 
bactéria deve manifestar caráter 
predador, produzindo substâncias 
competidoras por fatores de crescimento 
(ex.: ferro),