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Introdução a histologia e a microscopia

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Introdução 
↪Histologia é o estudo das células e dos tecidos do 
corpo e de como essas estruturas se organizam para 
constituir os órgãos. Em razão das pequenas dimensões 
das células, seu estudo é realizado com auxílio de 
microscópios; 
↪É definida como sendo a ciência, parte da biologia, 
que estuda os tecidos. O termo histologia foi usado pela 
primeira vez em 1819 por Mayer, que aproveitou o 
termo “tecido” que Bichat (anatomista francês) instituiu, 
muito tempo antes (por volta de 1800), para descrever 
macroscopicamente as diferentes texturas encontradas 
por ele no corpo animal. Mayer fez a conjunção do 
termo histos = tecido e logos = estudo. 
Introdução à Microscopia 
 
O estudo da histologia depende da utilização da 
microscopia. Na realidade para se conhecer a “anatomia 
microscópica” dos tecidos e órgãos é necessário o uso 
do microscópio. O mais utilizado é o microscópio óptico 
que utiliza a luz. Para diferenciação celular e 
inevitavelmente tecidual, se faz necessário que o tecido 
seja corado. 
Preparação de espécimes para exame 
m1croscop1co 
↪A pequena dimensão das células e dos componentes 
da matriz extracelular (MEC) contida entre as células faz 
com que a histologia dependa do uso de microscópios; 
↪O procedimento mais usado no estudo de tecidos ao 
microscópio de luz consiste na preparação de cortes 
histológicos. No microscópio de luz (também chamado 
de microscópio óptico ou fotônico) a imagem se forma 
a partir dos raios luminosos de um feixe de luz que 
atravessou uma estrutura; 
 
 
 
 
 
↪Apenas, células vivas, camadas muito delgadas de 
células ou de tecidos, membranas transparentes de 
animais vivos, por exemplo, podem ser observadas 
diretamente ao microscópio; 
↪Em contrapartida, na maioria dos casos os tecidos e 
órgãos são espessos e não possibilitam a passagem 
adequada da luz para a formação de uma imagem. Por 
essa razão, antes de serem examinados ao microscópio 
eles devem ser fatiados em secções ou cortes 
histológicos muito delgados que são colocados sobre 
lâminas de vidro; 
↪Os cortes são obtidos por meio de instrumentos de 
grande precisão chamados micrótomos, mas antes os 
tecidos e órgãos necessitam passar por uma série de 
tratamentos. 
 
Métodos de Estudos Histológicos 
↪Vários são os métodos de estudos dos tecidos, 
variando do estudo dos tecidos in vivo até aqueles que 
utilizam os tecidos mortos. O método mais utilizado em 
histologia é o PREPARADO HISTOLÓGICO 
PERMANENTE (LÂMINA HISTOLÓGICA) estudado em 
microscópio óptico. A seguir descrevemos as etapas de 
produção de uma lâmina histológica: 
1ª Etapa: COLETA DA AMOSTRA 
↪A primeira etapa de todo o processo de preparação 
de uma lâmina histológica consiste em coletar a 
amostra, ou seja, obtê-la e isto pode ser feito de cinco 
diferentes maneiras: 
Introdução à Histologia e Microscopia 
JUNQUEIRA, Histologia Básica, Texto e Atlas - 12ª Ed 
A. Biópsia cirúrgica – é a obtenção da amostra de 
tecido ou órgão através de uma incisão cirúrgica; 
 
B. Biópsia endoscópica – utilizada para avaliar órgãos 
ocos como estômago, intestino, etc. Através de 
endoscopia; 
C. Biópsia por agulha – a amostra é obtida pela punção 
do órgão (fígado, pulmão) através de agulha de 
ponta romba sem precisar abrir a cavidade natural; 
D. Cirurgias amplas (radicais) – a amostra corresponde a 
peças grandes (ex. tumores) ou órgãos (ex. mama, 
útero); 
E. Necropsia – procedimento utilizado para estudo 
anatômico dos órgãos ou dos tecidos, no animal 
morto. 
↪As peças grandes (cirúrgicas) ou de autópsia, devem 
ser clivadas previamente para reduzir sua espessura 
permitindo a penetração fácil do fixador; 
↪O princípio fundamental de clivagem é que o 
fragmento possua em torno de 4 mm de espessura.. 
2ª Etapa: FIXAÇÃO 
↪Logo após sua remoção do corpo, células ou 
fragmentos de tecidos e órgãos devem ser submetidos 
a um processo chamado fixação; 
↪A base de uma boa preparação histológica é a 
fixação que deve ser completa e adequada. Para tanto 
é preciso tomar algumas precauções que são 
obrigatórias: 
1. O material coletado deve ser imerso rapidamente no 
fixador; 
2. O volume de fixador deve ser no mínimo dez vezes 
(10 X) maior que o volume da peça coletada. 
↪ Os principais objetivos da fixação são: 
↳ Evitar a digestão dos tecidos por enzimas existentes 
nas próprias células (autólise) ou em bactérias; 
↳Coagular ou endurecer o tecido e tornar difusíveis as 
substâncias insolúveis; 
↳Preservar os vários componentes celulares e 
tissulares; 
↳Melhorar a diferenciação ótica dos tecidos; 
↳Facilitar a subsequente coloração. 
↪A fixação Química: 
↳ Na fixação química os tecidos são imersos em 
soluções de agentes desnaturantes ou de agentes que 
estabilizam as moléculas ao formar pontes com 
moléculas adjacentes. Essas soluções são chamadas de 
fixadores; 
↳Como demora algum tempo para que o fixador se 
difunda de maneira rápida e completa pelo interior dos 
fragmentos, um grande fragmento deve ser cortado 
em outros menores antes de ser imerso no fixador; 
↳De modo alternativo, pode ser utilizada a perfusão 
intravascular do fixador, o qual, então, alcança o interior 
dos tecidos rapidamente pelos vasos sanguíneos, 
resultando em uma fixação melhor; 
↳Os fixadores podem agir precipitando as proteínas ou 
as coagulando, assim temos como principais fixadores: 
A. Que precipitam as proteínas: cloreto de mercúrio e 
ácido pícrico; 
B. Que coagulam as proteínas: aldeído fórmico (o mais 
utilizado no mundo e conhecido como fixador universal), 
tetróxido de ósmio e o aldeído glutárico. 
↳ Um dos fixadores mais usados para microscopia de 
luz é uma solução de formaldeído a 4%; 
↳Em virtude da alta resolução oferecida pelo 
microscópio eletrônico, é necessário um cuidado muito 
maior na fixação para mais bem preservar detalhes da 
ultraestrutura das células e da matriz. Para essa 
finalidade uma fixação dupla, usando uma solução de 
glutaraldeído tamponado, seguida por uma segunda 
fixação em tetróxido de ósmio, que preserva e fornece 
contraste aos lipídios e proteínas; 
↳Com o intuito de se conseguir o fixador ideal, os 
histologistas elaboraram diversas misturas fixadoras 
como, por exemplo, o líquido de BOUIN e o líquido de 
HELLY; 
 
↳O formol a 10% para microscopia óptica e o aldeído 
glutárico em solução de 2% a 6% para microscopia 
eletrônica são os fixadores simples mais comumente 
utilizados; 
↳O tempo de fixação varia de acordo com o tamanho 
da peça, constituição do tecido, poder de fixação do 
fixador, objetivos a pesquisar e temperatura ambiente. 
No entanto, de forma geral, tendo o fragmento, a ser 
fixado, uma espessura de 4 mm o tempo mínimo de 
fixação é de doze (12) horas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
↪Fixação Física ou Fixação Física por Congelação: 
↳Um modo completamente diferente de preparar 
secções de tecidos ocorre após submeter os tecidos a 
um congelamento rápido; dessa maneira, os tecidos são 
fixados por congelação, um método físico de fixação, 
tornando-se rígidos e, assim, prontos para serem 
seccionados; 
↳São os assim chamados "cortes por congelação". 
Congelar tecidos é também muito útil para o estudo 
histoquímico de enzimas e de outras proteínas em 
cortes histológicos; isso porque o congelamento, ao 
contrário da fixação química, não inativo a maioria das 
enzimas e mantém muitas proteínas em suas 
conformações naturais e em seus locais originais; 
↳Quando se deseja estudar lipídios contidos nos tecidos, 
aconselha-se o uso de secções congeladas, já que a 
imersão de tecidos em solventes como xilol dissolve 
essas substâncias. 
↪Processamento: 
↳Após a preservação do tecido a etapa seguinte 
consiste em prepará-lo para o exame microscópico. 
Com a finalidade de permitir que a luz o atravesse, 
cortes muito delgados de tecido têm que ser feitos. 
Infelizmente, embora o processo de fixação