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Controle interno na gestão pública - um estudo de caso da controladoria geral municipal no estado de Alagoas

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as administrações precedentes, sobretudo aquelas baseadas no modelo dos Estados Absolutistas. (CAMPELO, 2010, p. 306).
Campelo (2010) e Bresser Pereira (1996) dizem que, a mudança para o modelo burocrático de administração é evidenciada através da necessidade de uma visualização objetiva sobre o patrimônio público e privado, com a intenção de proteger o interesse coletivo e evitar erros e disfunções contidas no patrimonialismo como corrupção, clientelismo e interesses particulares. Durante a transição para a nova forma de gerir, alguns métodos foram adotados como o uso de controle dos procedimentos e dos atos administrativos além de formalismo demasiado.
A criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público) em 1936, segundo Bresser Pereira (1996), é uma das grandes características do período e, foi uma tentativa feita pelo governo para forma uma nova cultura administrativa, tendo em vista que órgão teriam que implementar diretrizes, forma administradores de alto escalão e ainda supervisionar a administração pública. 
O modelo burocrático, segundo Campelo (2010) baseava-se em três princípios: formalismo, impessoalidade e profissionalismo. O autor ainda destaca que o formalismo se definia pelos deveres e as atribuições serem determinadas por normas e regulamentos, as normas serem responsáveis pela padronização da rotina e procedimentos da administração pública e ainda a padronização e devida documentação de toda comunicação existente na gestão pública.
A gestão burocrática no Brasil, perante Drumond, Silveira e Silva (2014) e Bresser Pereira (1996), demonstrou ser cara, lenta, morosa, centralizada e com pouca eficiência para a sociedade, desse modo se fez necessário mais uma vez redefinir o modelo administrativo brasileiro. Bresser Pereira (1996) ainda destaca que em meio aos problemas decorrentes da burocracia, o Estado estava necessitado de uma nova administração [...] com ideias de descentralização e flexibilização, surge então a ideia de administração pública gerencial. Sobre a mudança para o modelo gerencial o autor diz que:
A necessidade de uma administração pública gerencial, portanto, decorre de problemas não só de crescimento e da decorrente diferenciação de estruturas e complexidade crescente da pauta de problemas a serem enfrentados, mas também de legitimação da burocracia perante as demandas da cidadania. (BRESSER PEREIRA, 1996, p.11).
A gestão burocrática, analisando os autores, resolveu grandes problemas como o clientelismo e as perdas do patrimônio público, porem apresentou falhas em seus processos, pois eram rígidos, lentos e centralizados. Pelo momento de crescimento industrial e tecnológico do Brasil, esses desvios tinham que ser superados, então surge o gerencialismo, com aspecto da administração privada.
2.1.3 O MODELO GERENCIAL
A mudança do modelo burocrático para o gerencial foi um modo do Estado se reforma (MATIAS-PEREIRA, 2012). O autor ainda menciona que a mudança segue princípios do modelo privado de administração como administração por objetivos, serviços públicos voltados para o consumidor, descentralização, qualidade total e pagamento por desempenho. Princípios esses que podem ser aplicados com sucesso na administração pública, no modelo gerencial.
Para Bresser Pereira (1996) o gerencialismo no Brasil é uma ideia que percorre o setor público brasileiro a muito tempo, mesmo em meio ao patrimonialismo em adjunto a sistema burocrático brasileiro, é evidenciado tentativas de desburocratizar e modernizar o serviço público no Brasil com a criação de uma autarquia em 1938 e em 1967, com o Decreto-Lei 200 que deu origem a administração indireta com autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista. 
De acordo com Campelo (2010), o gerencialismo teve sua efetiva consolidação em 1995, com a ênfase na qualidade e produtividade, introdução de agências reguladoras, valorização das técnicas e profissionalismo do servidor e ainda fundação do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, liderado pelo então ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, responsável pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado – PDRAE.
A administração gerencial traz consigo uma gestão pública que supriu as necessidades não contempladas pelos outros modelos de administração como qualidade, eficiência, eficaz, efetividade social, transparência com crescimento econômico e controle orçamentário e financeiro (CAMPELO, 2010).
Observando os autores, a administração gerencial, apesar de ter seus processos baseados no modelo privado, demonstrou ser eficaz para as necessidades do Brasil no período de sua implantação, atendendo aos desejos do Estado e da sociedade.
Benedicto, et al. (2013), ao tratar o gerencialismo, menciona que:
Os administradores públicos se encontram cada vez mais diante de decisões morais e defrontam-se com desafiantes pressões por melhores resultados econômicos, sem abandonar o aspecto social, operando em um ambiente de fortes influências políticas. Isso faz com que seja extremamente valorizada uma postura ética e transparente. A gradativa conscientização dos cidadãos tem produzido demandas cada vez mais complexas, assim como, expectativas que aumentam na mesma proporção. (BENEDICTO et al., 2013, p. 287).
O gerencialismo, segundo Campelo (2010, p.315) “De uma forma geral, os princípios norteadores [...] baseiam-se nos seguintes fatores: interesse público, responsabilidade (accountability), descentralização, participação social (capital social), transparência, honestidade, liderança e eficiência”. O autor continua mencionando que o interesse público é a finalidade da gestão pública, a responsabilidade está atrelada a submissão dos órgãos, entes e agentes públicos aos tios de fiscalização e controle, a descentralização com a característica de que poderes estatais antes realizados somente hierarquias ou entidades da administração pública poderá ser feita por outros setores e a participação social adota que vários setores da sociedade participe das funções estatais.
Moreira Neto (1998) observa que, a transição para o modelo gerencial de gestão manteve certas características relacionadas ao serviço público, como o seu objetivo de atender ao interesse coletivo, entretanto, a mente dos administradores públicos necessitou de uma reforma na ideia de gestão, pois o gerencialismo traz pontos da administração privada, via reduzir custos e elevar a qualidade do serviço, observando o cidadão como cliente que faz uso do serviço, mas ainda mantendo o foco na coletividade, ética e transparência.
Campelo (2010) ainda acrescenta que:
A transparência decorre da necessária motivação das decisões, da abertura do acesso às informações, do contraditório e da aceitação da participação popular [...] a honestidade, no caso, funcional, impõe ao agente público o dever de declarar eventuais impedimentos e de proteger de todo modo o interesse público [...] a liderança significa o conjunto de atitudes dos agentes públicos no sentido de implementar ações voltadas para o empreendedorismo e à proatividade nas ações públicas [...] A eficiência é a procura do equilíbrio entre os custos e benefícios da adoção de políticas públicas. (CAMPELO, 2010, p.316).
O modelo gerencial de gestão trouxe oportunidades para os administradores, com a flexibilidade dos processos e a descentralização das atividades obtendo redução nos custos, e para a população, com acesso a serviços públicos mais eficientes e com maior qualidade (MOREIRA NETO, 1998).
Pelos conceitos e características apresentados, muitos ganhos foram conquistados no gerencialismo e, continuam surgindo, pois é um modo flexível de administrar, apesar de seguir procedimentos legais e princípios constitucionais, ainda segue sendo moldado pelos poderes governamentais.
2.1.4 Coexistência dos Modelos de Gestão
Observando os três modelos de gestão que passaram pela administração pública brasileira pode-se ter a noção que foram períodos únicos e distintos, ou seja, que no período da administração burocrática apenas ocorria a gestão burocrática.

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