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Aprendizagem Motora
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Dra. Ana Maria Forti Barela
Revisão Textual:
Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti
Introdução à aprendizagem motora e aos princípios da 
performance motora
• Habilidades motoras e performance
• Capacidades motoras e diferenças individuais
• Processamento de informação e tomada de decisão
 · Definir e distinguir os principais termos utilizados no contexto de 
aprendizagem motora e classificar as habilidades motoras.
 · Definir o termo capacidade e distinguí-lo do termo habilidade.
 · Apresentar os estágios de processamento de informação para a 
tomada de decisão, o conceito de tempo de reação e os principais 
fatores que afetam o tempo de reação.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Nesta Unidade, vamos introduzir alguns dos principais termos que são 
utilizados na disciplina de Aprendizagem Motora. Portanto, leia atentamente 
o conteúdo disponibilizado e registre suas dúvidas para transmiti-las ao 
professor-tutor.
Bom estudo!!!
ORIENTAÇÕES
Introdução à aprendizagem motora e 
aos princípios da performance motora
UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Contextualização
Nas aulas de Educação Física, o professor lida (ou pelo menos deveria lidar) 
predominantemente com o processo de ensino e aprendizagem de tarefas 
motoras. Por um lado, e mais comumente, é o professor quem ensina uma nova 
tarefa motora ou a forma correta de realizá-la. Por outro lado, o aluno é quem 
normalmente aprende o que lhe é ensinado. Aparentemente, esse processo pode 
parecer simples, mas se levarmos em consideração que a maioria dos aprendizes 
apresenta caraterísticas diferentes entre si, que existem inúmeras tarefas motoras e 
que podem ser empregadas em diferentes contextos, a sensação que dá é que é muito 
difícil ser professor de Educação Física. Tal constatação está correta e, portanto, é 
necessário e imprescindível que tenhamos conhecimentos para enfrentar e facilitar 
o processo de ensino e aprendizagem.
Nesta Unidade, apresentaremos alguns dos conceitos relacionados à 
Aprendizagem Motora que servirão de base para as demais Unidades. Porém, 
antes de iniciar a leitura do material contido nesta Unidade, convido-o(a) para 
refletir sobre os seguintes questionamentos:
O que difere duas pessoas, com habilidades distintas, no que se refere ao manejo da bola 
de basquete? Como é possível detectar as diferenças entre as duas pessoas? 
Ex
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Habilidades motoras e performance
Bem, o foco principal da disciplina Aprendizagem Motora é performance 
de habilidades motoras. Sendo assim, os dois primeiros termos que devemos 
entender são: habilidades motoras e performance. Usamos o termo habilidade 
para se referir a qualquer tarefa que tem uma finalidade específica a ser alcançada. 
Dessa forma, podemos pensar nas diferentes tarefas que realizamos diariamente. 
Por exemplo, andamos de um lugar para outro, cuidamos da nossa vestimenta e 
higiene pessoal, nos alimentamos, digitamos textos no aparelho celular e enviamos 
para nossos amigos, realizamos operações matemáticas, etc. Porém, é importante 
ressaltar que habilidades motoras, especificamente, exigem movimento(s)! Dessa 
forma, se considerarmos as operações matemáticas, por exemplo, o raciocínio em 
si não envolve movimentos, portanto, são simplesmente habilidades.
Habilidades motoras devem ser entendidas como atividades ou tarefas que 
requerem movimentos voluntários do corpo como um todo ou partes do nosso 
corpo para atingir uma meta ou um propósito específico (MAGILL, 2011). 
Performance, um outro termo que utilizaremos muito e que algumas pessoas 
o substituem pelo termo desempenho (portanto, são sinônimos), se refere ao 
ato comportamental de executar uma habilidade em um tempo específico e em 
uma situação específica (MAGILL, 2011) e é, portanto, observável (SCHMIDT; 
WRISBERG, 2010). Sendo assim, para atingir uma meta específica, realizamos um 
ou vários movimentos que compõem determinada habilidade motora, que por sua 
vez, pode ser observada por meio da performance.
A performance motora é considerada como sendo crítica para avaliar 
aprendizagem motora, e as medidas de performance podem ser classificadas 
como produto e processo. Enquanto produto indica o resultado da performance 
motora, o processo indica o comportamento de aspectos específicos durante a 
performance motora (MAGILL, 2011). Por exemplo, durante um salto vertical, a 
altura do salto se refere ao produto da performance. A forma como os braços, 
pernas, tronco foram movimentados se refere ao processo da performance.
Importante!
Movimento é um meio que utilizamos para interagir com o ambiente que estamos 
inseridos e abrange mudança de lugar ou mudança de posição ou de postura. 
Movimentos são características comportamentais de uma parte específi ca ou de várias 
partes do corpo. Sendo assim, temos que adaptar as características do movimento para 
atingir as metas da habilidade motora de acordo com a situação.
Importante!
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UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Vamos considerar, por exemplo, o andar que é uma habilidade motora que a maioria de nós 
consegue realizar! Para andar, temos que movimentar partes específicas de nosso corpo, tais 
como pernas e braços alternadamente, e normalmente, mantemos tronco e cabeça eretos. 
Em termos de metas da tarefa, podemos utilizar o andar para chegar até a porta de entrada 
da nossa casa, para nos deslocarmos em uma loja movimentada, levar uma encomenda 
até a casa do amigo que fica na próxima quadra da nossa casa ou simplesmente para nos 
exercitar. De acordo com a situação, combinaremos os movimentos de nosso corpo de tal 
modo que reproduziremos o andar sem descaracterizá-lo (ou seja, quem nos observar, 
notará que estamos andando). Sendo assim, como seria você andando dentro de casa, ao 
redor de várias pessoas, em uma via com árvores e/ou calçamento danificado que temos 
que desviar, sobre um chão molhado e escorregadio, carregando algum objeto, ou em 
uma esteira motorizada. As partes do seu corpo envolvidas em cada uma dessas situações 
se movimentariam da mesma maneira ou você teria que adaptar as características do 
movimento para atingir a meta da habilidade motora (que nesse exemplo é o andar)?
Ex
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or
A aprendizagem motora enfatiza a aquisição de habilidades motoras e o 
aprimoramento da performance de habilidades motoras, decorrentes de 
prática estruturada, sendo nosso foco predominantemente nas mudanças 
comportamentais que ocorrem nos aprendizes e nos experts. Com isso, além de 
utilizarmos o termo habilidade motora como tarefa propriamente dita e conforme 
definido anteriormente, o termo habilidade motora também pode ser utilizado para 
indicar a qualidade da performance, ou seja, a proficiência. Nesse caso, dizer 
que alguém é habilidoso(a) é o mesmo que dizer que ele/ela é competente para 
executar bem uma tarefa em qualquer situação ou contexto, ou de acordo com 
Guthrie (1952), que ele/ela é competente para atingir um resultado final com o 
máximo de certeza e o mínimo consumo de energia e/ou tempo.
Classificação das habilidades motoras
Podemos classificar as habilidades motoras com o intuito de determinar quais 
características são similares entre as inúmeras habilidades motoras que podemos 
realizar. Para tanto, a característica comum é dividida em duas categorias que 
representam dois extremos de um continum. Cada habilidade motora pode ser 
classificada em termos da categoria que a característica da habilidade é mais 
parecida, sem precisar categorizar tal habilidade de acordo com as características 
que a enquadrem em uma categoria exclusiva. Apresentamos três categorias 
para classificar as habilidades motoras (MAGILL, 2011): tamanho do grupo 
muscular principal utilizado para realizar a habilidade motora, especificidade do 
início e do fim dos movimentos envolvidos na habilidade motora, e estabilidade 
do contexto ambiental.8
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Classificação pelo tamanho do grupo muscular utilizado para realizar a 
habilidade motora
Uma característica que distingue as habilidades motoras é o tamanho dos 
grupos musculares que são predominantes para executar a habilidade. Nesse 
caso, habilidades motoras que requerem predominantemente a ativação dos 
grupos musculares grandes para atingir a meta da tarefa são classificadas como 
habilidades motoras grossas, enquanto que as habilidades motoras que requerem 
predominantemente a ativação dos grupos musculares pequenos para atingir a 
meta da tarefa são classificadas como habilidades motoras finas. De modo geral, 
as habilidades motoras grossas requerem movimentos menos precisos, tais como, 
andar, correr, arremessar um dardo, quicar uma bola, e as habilidades motoras finas 
requerem movimentos mais precisos, tais como, digitar um texto no computador, 
desenhar, abotoar uma camisa.
Classificação pela especificidade do início e do fim dos movimentos 
envolvidos na habilidade motora
Outra maneira de classificar as habilidades motoras é com base no quão 
específicas são nas posições iniciais e finais dos movimentos que constituem as 
habilidades. Se a habilidade requer uma posição inicial e uma posição final específica 
e, normalmente requer a execução de uma sequência única de movimentos, ela 
é classificada como habilidade motora discreta. Imagine, por exemplo, alguém 
saltando para cima ou para frente, chutando uma bola em direção ao gol, rebatendo 
uma bola de tênis. Para realizar qualquer uma dessas habilidades motoras, a pessoa 
precisa posicionar as partes do corpo envolvidas na tarefa em locais específicos no 
espaço onde a habilidade será realizada, iniciar e finalizar sua execução com uma 
sequência dos movimentos envolvidos. Do contrário, não será possível realizar a 
tarefa. Caso o executante queira repetir a tarefa, seguirá os mesmos procedimentos.
Por outro lado, se as posições inicial e final da habilidade não interferem na 
execução da tarefa (i.e., posições arbitrárias) e, normalmente, contém movimentos 
repetitivos, a habilidade é classificada como habilidade motora contínua. Nesse 
caso, imagine alguém andando, correndo, nadando. Para realizar qualquer uma 
dessas habilidades, não importa necessariamente o posicionamento das partes do 
corpo envolvidas na tarefa no ínicio e/ou no fim, e repetimos a mesma sequência 
de movimentos até chegar a um determinado ponto, por exemplo.
Entre os extremos da classificação de habilidade motora discreta e habilidade 
motora contínua, temos uma outra categoria de habilidade motora classificada como 
habilidade motora serial. Nessa classificação, a habilidade requer uma posição 
inicial e uma posição final específica, porém, há uma sequência de movimentos 
discretos para realizar a habilidade. Por exemplo, para digitar a palavra “ESTUDO” 
usando um computador, temos que digitar cada letra da palavra (habilidade motora 
discreta) E S T U D O, até formar a palavra. Outros exemplos de habilidades 
motoras seriais são tocar piano, trocar a marcha de um carro ou de uma moto.
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UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Classificação pela estabilidade do contexto ambiental
A terceira maneira de classificar as habilidades motoras leva em consideração o 
contexto ambiental (espaço físico específico) onde a habilidade motora é executada, 
sendo necessário considerar três características: superfície de contato em que o 
executante estiver apoiado durante a execução da habilidade, os objetos envolvidos 
na execução da habilidade e as outras pessoas envolvidas no local da performance. 
Quando essas três características forem estacionárias (não se movimentam durante 
a execução da habilidade), elas caracterizam o ambiente como estável e previsível 
para o executante. Consequentemente, o executante inicia a habilidade quando 
ele/ela achar que está pronto para tal, e nesse caso, a habilidade é classificada 
como habilidade motora fechada. Imagine-se andando dentro de uma sala cheia 
de móveis sem qualquer outra pessoa a sua volta. O piso dessa sala (superfície de 
contato que você se apoia para andar) e os móveis (objetos) são estacionários. 
Portanto, o contexto ambiental é previsível e a habilidade é fechada.
Ao contrário, quando pelo menos uma das três características mencionadas 
se movimentarem durante a execução da habilidade, o contexto ambiental 
passa a ser instável e/ou imprevisível para o executante da habilidade motora. 
Consequentemente, o executante deverá agir de acordo com as características 
do contexto ambiental e, nesse caso, a habilidade é classificada como habilidade 
motora aberta. Imagine-se andando em um local cheio de outras pessoas que 
também estejam andando, ou imagine-se andando em uma esteira motorizada. No 
primeiro caso, as pessoas a sua volta estão em movimento, e no segundo caso, a 
superfície de contato que você se apoia para andar está em movimento. Tendo em 
vista que essas duas características (pessoas e superfície de contato) do contexto 
ambiental determinarão como o executante deve agir para iniciar ou continuar a 
tarefa, a habilidade motora é considerada aberta.
Compreender as bases para classificar as habilidades motoras pode ajudá-lo(a) a determinar 
como diferentes habilidades motoras depositam diferentes demandas sobre as pessoas que 
aprenderão a executá-las. Como resultado, você pode estabelecer as condições de ensino 
e aprendizagem que são mais apropriadas para os seus futuros alunos. Portanto sempre 
leve em consideração a classificação da habilidade motora que ensinará em suas aulas de 
Educação Física!
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Capacidades motoras e diferenças 
individuais
Suponha que você tenha um amigo que nunca teve qualquer experiência em 
jogar tênis e resolva jogar uma partida com ele. Você observa que ele não consegue 
realizar as habilidades e produzir os gestos do tênis tão bem quanto você, pois 
a proficiência dele não é tão boa quanto a sua que tem experiência e consegue 
apresentar melhor performance por já ter aprendido jogar tênis. Entretanto, ao 
longo do jogo, seu amigo continua a melhorar durante a partida, enquanto você 
parece manter o mesmo nível de habilidade sem qualquer melhora. Evidentemente, 
seu amigo é diferente de você em termos de capacidade para jogar tênis e, 
eventualmente, ele poderá até se tornar melhor que você. Por que será? Quais são 
as diferenças entre vocês dois? Isso significa que seu amigo será melhor que você 
em outras atividades também?
Bem, todos nós conseguimos notar que somos diferentes um do outro, sendo que 
em algumas das diferenças há pouco controle de cada um nós, como por exemplo 
o sexo, a idade, a raça, a cultura, a estatura, algum tipo de deficiência física ou 
intelectual, enquanto outras diferenças podem ser em termos de temperamento, 
influências sociais, massa corporal. Além dessas diferenças, nós possuímos 
capacidades que podem influenciar na qualidade de nossa performance motora.
Capacidades, nesse contexto, se referem aos traços inatos da pessoa, 
relativamente permanentes e estáveis, que embasam vários tipos de habilidades 
(SCHMIDT & WRISBERG, 2010). Diferenças individuais, por outro lado, são 
diferenças estáveis e duradouras entre as pessoas que contribuem para as diferenças 
na performance das habilidades (SCHMIDT & WRISBERG, 2010). Alguns fatores 
que contribuem para as diferenças na performance das habilidades motoras são as 
capacidades, tipo corporal, nível de aptidão física, nível maturacional, experiências 
prévias sociais e de movimento, entre outras.
As capacidades motoras, por sua vez, são as potencialidades relacionadas 
especificamente à performance de uma habilidade motora (MAGILL, 2011). 
Normalmente, capacidades motoras são geneticamente determinadas e não são 
modificadas pela prática ou pela experiência, e todos nós temos algum nível de 
capacidades. Força explosiva (capacidade de despender o máximo de energia em 
um ato breve de força, como durante o arremessode peso, salto em distância e 
em altura, corrida de 100m no atletismo), força estática (capacidade de exercer 
força contra um objeto relativamente pesado ou praticamente impossível de se 
movimentar, como por exemplo, levantamento de peso, mover um piano de calda), 
força dinâmica (capacidade de mover ou de apoiar o peso do corpo repetidamente 
ou continuamente, como por exemplo, subir por uma corda, ginástica nas argolas), 
resistência (capacidade de exercitar o corpo inteiro por um tempo prolongado, 
como por exemplo, corredores de longas distâncias, ciclistas), coordenação motora 
ampla (capacidade de realizar vários movimentos complexos simultaneamente, 
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UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
como por exemplo, malabaristas que pedalam um monociclo e manuseiam vários 
objetos), tempo de reação (capacidade para reagir rapidamente a um estímulo, 
como é abordado mais adiante nesta unidade), entre outras, são exemplos de 
capacidades motoras.
Consulte uma lista de capacidades motoras que é apresentada no livro de SCHMIDT; 
WRISBERG (2010): p. 191-192
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A eficácia das capacidades motoras pode variar de pessoa para pessoa em 
diferentes níveis (baixo, moderado, alto). Tendo em vista que uma combinação 
das diferentes capacidades motoras é exigida para executar qualquer habilidade 
motora, um dos motivos para que algumas pessoas não consigam atingir um 
alto nível de performance mesmo com extensa experiência enquanto que 
outras sem muita experiência conseguem atingir o alto nível, como na situação 
hipotética apresentada no ínicio deste tópico, é porque as pessoas “mal sucedidas” 
não possuem as capacidades fundamentais necessárias para executar tal tarefa 
(SCHMIDT & WRISBERG, 2010). Dessa forma, o nível de proficiência (ser 
habilidoso) que nós conseguimos atingir depende das capacidades que carregamos 
conosco e da quantidade e da qualidade das experiências anteriores que tivemos 
com a habilidade motora em questão.
Retomando a situação apresentada no início deste tópico, é bem provável 
que seu amigo possui níveis mais elevados das principais capacidades motoras 
necessárias para jogar tênis do que você e, consequentemente, para que ambos 
atinjam proficiência semelhante, você precisará de mais prática do que ele. O 
quadro a seguir apresenta algumas das diferenças entre capacidades e habilidades.
Capacidades motoras Habilidades motoras
Normalmente, determinadas geneticamente Desenvolvidas com a prática
Normalmente, estáveis e permanentes Modificáveis com a prática
Poucas em número Muitas em número
Servem de base para a performance de muitas habilidades motoras Dependem das diferentes capacidades
Importante!
O professor de Educação Física deve esperar diferentes capacidades entre seus alunos e 
saber que a performance motora de cada um será influenciada por essas capacidades. 
A partir daí, o professor deverá determinar quais habilidades são mais adequadas para 
cada aluno e fazer com que eles melhorem as habilidades em que suas capacidades não 
são eficazes.
Trocando ideias...
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Processamento de informação e tomada
de decisão
Um dos principais assuntos de interesse para as pessoas habilidosas é a avaliação 
da informação que leva à tomada de decisão sobre uma ação futura. Neste tópico, 
vamos descrever alguns dos princípios do processamento de informação que são 
mais relevantes para uma performance habilidosa.
Alguns psicólogos explicam o processo de aprendizagem de habilidades motoras 
a partir de um modelo que trata o ser humano como um processador de informação 
similar a um computador (Figura 1). Nesse modelo, a pessoa recebe estímulos 
(informação presente no ambiente), processa esses estímulos no sistema nervoso 
central (encéfalo) e apresenta uma resposta motora por meio de sua performance 
motora (comportamento observável).
Input
(estímulos)
Informação do ambiente
Encéfalo
Comportamento observável
Ser Humano
Output
(ação motora)
Figura 1. Representação esquemática simplifi cada de um modelo de processamento de informação
Fonte: Elaborado pelo autor
Atualmente, é assumido que entre o input e o output há três estágios de 
processamento de informação (Figura 2), e que em cada um desses estágios, 
a informação é processada e somente passa para o próximo estágio após o 
processamento ter sido completado no estágio anterior (SCHMIDT & WRISBERG, 
2010). Esses estágios são: identificação do estímulo, seleção da resposta e 
programação da resposta.
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UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Input
Identi�cação
do estímulo
Seleção da
resposta
Output
Programação
da resposta
Figura 2. Representação esquemática dos três estágios de processamento de informação
Fonte: Adaptado de Schmidt & Wrisberg, 2010
No primeiro estágio (identificação do estímulo), o executante deve identificar a 
informação que está chegando até ele (estímulo) e analisar a informação ambiental 
por meio da visão, da audição, do tato, entre outros. No segundo estágio (seleção 
da resposta), o executante deve decidir como responder ao estímulo recebido 
de maneira mais apropriada. No terceiro estágio (programação da resposta), o 
executante deve preparar uma ação antes que ela seja iniciada.
Seguindo essa descrição, imagine que você deseja atravessar uma rua e identifica 
um carro se aproximando (1º estágio). Você poderá decidir esperar o carro passar 
antes de atravessar a rua ou atravessar a rua rapidamente antes do carro passar 
(2º estágio). A partir do momento em que selecionou a resposta e antes de 
começar a atravessar a rua, você se prepara para isso (3º estágio). Somente após 
o processamento dos três estágios é que começa haver movimento, e o resultado 
final do processamento de informação desses estágios é o output, que pode ser 
observado, e que nesse caso seria o próprio ato de atravessar a rua.
14
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Não é possível medir ou controlar quanto tempo o executante permanece em 
cada estágio de processamento de informação. Entretanto, é possível estimar a 
duração total dos três estágios de processamento com o intuito de estimar o quão 
rápido a pessoa processa as informações. Uma medida utilizada para isso é o 
tempo de reação, que é descrito a seguir.
Tempo de reação e tomada de decisão
Tempo de reação é uma capacidade motora que se refere ao intervalo de tempo 
entre a apresentação do estímulo e o início da reposta. Tempo de reação indica 
quanto tempo uma pessoa leva para tomar decisões e iniciar a ação, e é considerado 
um componente fundamental para as habilidades motoras que requerem tomada 
de decisão rápida e eficiente, tais como, na largada de corridas de velocidade de 
100m no atletismo, 50m na natação, frear o carro para evitar atropelar um animal 
que atravessou a sua frente, pegar um copo que caiu de repente da mesa para 
evitar que ele atinja o chão e se quebre, entre outras.
Bem, parece que mesmo que intuitivamente, estamos constantemente 
processando um determinado estímulo ambiental e iniciando uma resposta a esse 
estímulo. Para tanto, precisamos de um tempo mínimo para isso, porém, quanto 
mais capazes formos de diminuir o tempo de reação, mais chances teremos de 
ser bem sucedidos na execução da tarefa. É claro que existe um tempo mínimo, 
que é por volta de 200 milissegundos, entretanto, vários fatores interferem 
nesse tempo de reação. Nesta Unidade abordaremos dois fatores, o número de 
alternativas de estímulo e resposta e a compatibilidade ou incompatibilidade entre 
estímulo e resposta.
Número de alternativas de estímulo e resposta
Imagine que você tenha que fazer um teste de tempo de reação. Para tanto, você 
senta diante de um computador e em um primeiro momento, você precisa apertar 
uma tecla específica com seu dedo indicador assim que um círculo se iluminar na 
tela do computador. Nesse caso, definimos essa situação como tempo de reação 
simples (um único estímulo e uma única resposta).
Posteriormente, você deve apertar uma tecla específica,utilizando um dedo 
específico de acordo com a cor do círculo que se iluminar na tela do computador. 
Por exemplo, se a cor do círculo for azul, “tecla 1” deverá ser pressionada com o 
dedo indicador, se a cor do círculo for vermelha, “tecla 2” deverá ser pressionada 
com o dedo médio, se a cor do círculo for verde, “tecla 3” deverá ser pressionada 
com o dedo anular (Figura 3). Nesse caso, definimos essa situação como tempo de 
reação de escolha (cada estímulo requer uma resposta específica).
15
UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Estímulo
Resposta
Dedo
indicador
(A)
Dedo
indicador
Dedo
médio
(B)
Dedo
anelar
Figura 3. Representação esquemática de dois tipos de tempo de reação: 
tempo de reação simples (A) e tempo de reação de escolha (B)
Embora a situação apresentada seja comumente utilizada em um contexto de 
laboratório, situações que envolvam os dois tipos de tempo de reação (simples e 
de escolha) são comuns no nosso dia a dia. Por exemplo, em provas de atletismo, 
na natação, na Fórmula 1, entre outras situações, assim que se apresenta o sinal 
de largada, o atleta inicia a largada. Por outro lado, ao dirigir um carro e ao 
se aproximar de um cruzamento com semáfaro, você deve decidir o que fazer 
conforme a luz que estiver acessa: se for vermelha, você deve frear o veículo; se for 
verde, você deve acelerar e continuar com o veículo; se for amarela, você deve se 
preparar para parar.
Um aspecto importante que deve ser considerado ao executar tarefas que 
envolvam as situações apresentadas é que o número possível de opções de resposta 
interfere diretamente no tempo de processamento de informação. Sendo assim, 
quanto maior o número de possibilidades, maior o tempo necessário para se 
preparar para a execução da tarefa.
Compatibilidade ou incompatibilidade entre estímulo e resposta
Agora, imagine que você tenha que fazer um outro teste de tempo de reação. 
Você continua sentado diante de um computador e na tela há quatro círculos 
organizados em um arranjo 2 x 2. Para cada círculo que se iluminar, você terá que 
pressionar um tecla específica com seu dedo indicador (Figura 4). Porém, em uma 
situação as teclas que você terá que pressionar estão organizadas em um arranjo 
2 x 2 (Figura 4A) e em outra situação essas teclas estão organizadas em um arranho 
1 x 4 (Figura 4B). Na primeira situação, dizemos que os estímulos e as respostas 
são compatíveis, e na segunda situação, dizemos que os estímulos e as respostas 
são incompatíveis.
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Es
tím
ul
o
Resposta
(A)
Es
tím
ul
o
Resposta
(B)
Figura 4. Representação esquemática ilustrando compatibilidade
(A) e incompatibilidade (B) entre estímulo e resposta
No caso dessas situações, a relação entre os estímulos e respostas é espacial 
(posição do estímulo na tela e posição da tecla que deve ser pressionada). No 
entanto, há uma outra situação que a aparência do estímulo sugere um tipo de 
resposta específica, mas a situação requer uma resposta diferente. O melhor 
exemplo para essa situação é o “Efeito Stroop” (STROOP, 1935), que é um 
fenômeno que ocorre quando você tem que responder verbalmente a cor da tinta 
que foi usada para uma palavra que nomeia uma cor (Figura 5). Quando a palavra 
e a cor da palavra são as mesmas, estímulo e resposta são compatíveis, e quando 
a palavra e a cor da palavra são diferentes, estímulo e resposta são incompatíveis.
Observe a Figura 5 e tente falar o nome da cor da tinta em que a palavra está 
escrita o mais rápido que conseguir. Em qual das duas situações (A e B) você acha 
que seu tempo de reação foi menor?
(A) VERMELHO AZUL VERDE
(B) VERMELHO AZUL VERDE
Figura 5. Ilustração de uma situação em que há compatibilidade
(A) e incompatibilidade (B) entre estímulo e resposta
A compatibilidade e a incompatibilidade entre estímulo e resposta interfere no 
tempo de preparação para os movimentos necessários na execução da tarefa. 
Nesse caso, quanto mais compatível for estímulo e resposta, menor será o tempo 
de reação e quanto mais incompatível for estímulo e resposta, maior será o tempo 
de reação.
17
UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Relacionando tempo de reação com tempo de movimento e 
tempo de resposta
Na prática, normalmente temos mais facilidade de medir quanto tempo levamos 
para perceber um estímulo e executar uma tarefa. Por exemplo, em uma prova de 
100m no atletismo, o resultado divulgado para todos é a duração da prova e não o 
tempo de reação propriamente dito. Sendo assim, além de considerar o intervalo 
de tempo entre o estímulo e a resposta, devemos considerar outros eventos e 
intervalos de tempo envolvidos na execução de habilidades motoras que requerem 
tomada de decisão.
Ainda pensando no exemplo da prova de 100m do atletismo, os atletas se 
posicionam em suas marcas, recebem um sinal de alerta (normalmente, “prepara”), 
há o tiro de largada (estímulo) e devem correr o mais rápido possível até a linha 
de chegada (conclusão da prova). O atleta que apresentar o menor tempo para 
completar a prova é considerado o vencedor.
A Figura 6 ilustra uma representação esquemática típica para as habilidades 
motoras que requerem tomada de decisão. Observe que antes de apresentar o 
estímulo, há um sinal de alerta considerado um “pré-período”, que se refere ao 
intervalo de tempo entre a apresentação do sinal de alerta e a apresentação do 
estímulo. É importante que o sinal de alerta seja apresentado para que o executante 
da tarefa esteja preparado para receber o estímulo e para otimizar o tempo de 
reação. O intervalo do tempo de reação não inclui qualquer movimento relacionado 
à tarefa específica, mas sim ao intervalo de tempo antes do movimento começar. A 
partir do instante em que começa o movimento (início da resposta) até a conclusão 
da tarefa (término da resposta), considera-se o tempo de movimento. O tempo de 
resposta, por sua vez, é junção do tempo de reação e do tempo de movimento, 
que no exemplo da prova de 100m do atletismo corresponde à conclusão da prova 
após o tiro de largada. As pessoas que são capazes de minimizar o tempo de 
reação apresentam uma grande vantagem nessas habilidades (MAGILL, 2011).
 
Tempo
Sinal de
Alerta
(pré-período)
Tempo de
Reação
Tempo de
Movimento
Tempo de
Resposta
Apresentação
do estímulo
Início da
resposta
Término da
resposta
Figura 6. Representação esquemática ilustrando os eventos (“sinal de alerta”, “apresentação do estímulo”, “início 
da resposta” e “término da resposta”) e os intervalos de tempo entre esses eventos (tempo de reação, tempo de 
movimento e tempo de resposta)
Fonte: Adaptado de Magill, 2011
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Na prática, as estratégias de ensino adotadas pelo professor de Educação Física 
podem influenciar no tempo de reação e na tomada de decisão. Em termos de 
idenficação do estímulo, no pré-período para melhorar o estado de alerta do 
executante, é importante informar sobre qual tipo de estímulo será apresentado 
(por exemplo, sonoro, visual) e variar o intervalo de tempo entre o sinal de alerta 
e a apresentação do estímulo para evitar a previsibilidade temporal de ocorrência 
do estímulo. As características do estímulo também interferem na sua identificação, 
portanto, é importante que o estímulo seja claro, evidente e que em um primeiro 
momento um número reduzido de estímulos seja oferecido, e que esse número 
aumente gradativamente.
Em se tratando da seleção da resposta, é preferível que em um primeiro momento 
um número reduzido de alternativas seja oferecido e que esse número aumente 
gradativamente, e sempre que possível, informar sobre qual tipo de resposta deve 
ser dada. Além disso, aumente a compatibilidade entre o estímulo e a resposta 
sempre que possível.
Por fim, quanto maior o número de elementos envolvidos na programação da 
resposta maior será o tempo de reação. Portanto, em um primeiro momento, 
sempre que possível, reduza o número de movimentos ou de partes do corpo 
envolvidasna tarefa e aumente esse número à medida que o executante melhore 
sua performance.
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UNIDADE Introdução à aprendizagem motora e aos 
princípios da performance motora
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Aprendizagem e controle motor
MAGILL, R. A. Aprendizagem e controle motor. 8. ed. São Paulo: Phorte, 2011.
Aprendizagem e performance motora
SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma 
abordagem da aprendizagem baseada na situação. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
 Vídeos
Usain Bolt New World Record 100m In 9. 58 Seconds In Berlin.Gold medal in Beijing 9.68 sec
https://youtu.be/NHmEpqUFLZ8
Usain Bolt Batendo Recorde Mundial dos 200 Mts Rasos
https://youtu.be/rk4Pxa8LE44
Aline Carvalho mostra que aprender a jogar tênis não é bicho de 7 cabeças
https://youtu.be/quaNTmjshVk
The Best Game Of Tennis Ever? | Australian Open 2012
https://youtu.be/oyxhHkOel2I
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Referências
GUTHRIE, E. R. The psychology of learning. New York: Harper & Row, 1952.
MAGILL, R. A. Aprendizagem e controle motor. 8. ed. São Paulo: Phorte, 2011.
SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: 
uma abordagem da aprendizagem baseada na situação. 4. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2010.
STROOP, J. R. Studies of interference in serial verbal reactions. Journal of 
Experimental Psychology, 18: 643-662.
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