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Cirrose Hepática: 
Epidemiologia: 
A cirrose é uma das principais causas de morte no mundo. No Brasil não se tem uma estimativa da prevalência da doença, sabe-se que a cirrose é responsável por cerca de 40.000 internações hospitalares e por uma mortalidade de 12,6 % por 100 mil habitantes. Em números, a causa principal é o abuso de álcool, seguido de hepatite C e B. 
Etiologia: 
Pode surgir em decorrência de infecção (as hepatites B, C e delta). Pode ter explicação autoimune. A causa mais comum é por excesso de álcool. Pode ocorrer também mediante uso de fármacos (principalmente aqueles que influenciam no metabolismo lipídico). A obstrução biliar também é uma das causas para o processo patológico, englobando colangites, fibrose cística, hipoplasias intra-hepáticas, entre outras afecções. Além das pontuadas existem também as causas metabólicas (deficiência enzimática, esteatose hepática e outras hepatopatias não alcóolicas, etc) e as causas vasculares. A cirrose ainda pode ser criptogênica, ou seja, sem causa definida ou explicada (cerca de 15% das cirroses).
Processo patológico:
A cirrose hepática é uma lesão crónica do fígado, consequente de todas as doenças hepáticas crônicas e ocorre por um processo difuso, caracterizado por fibrose tecidual e pela conversão da arquitetura normal em nódulos estruturalmente anormais, sendo tradicionalmente considerada como uma lesão irreversível, muito embora estudos recentes questionam a sua irreversibilidade. Seu processo patológico, seja ele desencadeado por metabolismo alcoólico ou por problemas em metabolizar gordura e na esterificação (aumento de triglicerídeos e liberação de mediadores - citocinas etc), terá a presença de dos seguintes mecanismos: fibrose hepática e regeneração de células hepáticas. A regeneração é uma resposta a perda celular, que ativa fatores de regeneração e crescimento, levando a formação nodular e formação de vasos (angiogênese). A irrigação nodular errônea leva ao envolvimento extra-hepático da circulação e gera a hipertensão portal. Esta pode influenciar nos mecanismos renais (hiperfiltração glomerular), circulação colateral, aumento do débito e da freqüência cardíaca, que se associam à diminuição da resistência vascular sistêmica e queda da pressão arterial. Outras consequências são a retenção de sódio para compensar a desregulação circulatória e a posterior ascite. 
O processo regenerativo da doença representa fator de risco para desenvolvimento de CA hepatocelular. 
Aspectos histológicos:
Divisão em micro e macronodular: Apesar de não conseguirmos traçar a etiologia da cirrose através de seus aspectos histológicos macroscópicos, tem-se:
Micronodular: mais própria da etiologia alcoólica. Quando evidenciada cor amarelada em superfície, indica-se esteatose hepática. Após ingesta mesmo que moderada de álcool, gotículas lipídicas acumulam-se nos hepatócitos (esteatose microgoticular). Se a ingesta se torna crônica, o lípide agrega-se em glóbulos maiores (esteatose macrogoticular), que deslocam o núcleo para a periferia. A alteração é inicialmente centrolobular, depois progride para o lóbulo inteiro. Macroscopicamente, um fígado com esteatose pode chegar a 4-6 kg, com aspecto amarelado e amolecido. A esteatose é totalmente reversível se a ingesta de álcool for suspensa.
Macronodular: sugere etiologia pós-necrótica
A cirrose que envolve micro e macronódulos é chamada IRREGULAR 
Por que formam-se os nódulos: Os nódulos resultam da perda de arquitetura do parênquima hepático, com desaparecimento do padrão lobular normal e formação de traves de fibrose que recortam o fígado de forma irregular. Os hepatócitos entre as faixas de tecido fibroso não têm mais a organização radiada normal e, como se regeneram, formam nódulos irregulares, que constituem as áreas salientes na superfície. As áreas deprimidas são devidas à fibrose.
Histologia microscópica da cirrose: 
Na imagem observa-se à direita tecido cirrótico com lesões típicas da patologia: pseudolóbulos separados por traves de tecido fibroso denso. A organização das trabéculas dos hepatócitos normais se perdem, assim como a forma radiada e o trajeto do sangue ocorrendo da periferia para o centro do lóbulo. Os pseudolóbulos regeneram-se de forma randômica.
Outra possível alteração na cirrose é a tumefação celular por entrada de água: confere aos hepatócitos longe das células de tumor um aspecto grumoso. A entrada de água deve-se a uma anóxia e causa perda de funcionamento de bombas de ATP, bem como alterações vacuolares (reversíveis à oxigenação). 
Outra explicação para o aspecto granuloso são os grânulos de pigmento (bilirrubina (chamada de COLESTASE) ou hemossiderina) no citoplasma.
O aumento de volume celular é chamado de BALONIZAÇÃO e é acompanhado de necrose. 
À direita, nota-se tecido já neoplásico, com presença de corpos de Mallory: são acúmulos de proteínas do grupo das citoqueratinas, associadas a outras. É uma lesão hialina.

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