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Psicologia Social I - Aulas EAD

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percepção como a subjetividade do processo perceptivo. Desta forma, entendemos como percepção de pessoa as contribuições de cada um de nós na obtenção de informações dos objetos examinados. 
· Para tornar consciente e dar sentido às sensações provenientes do mundo externo, todos os sujeitos interpretam com certo grau de subjetividade, dando sentido a todas essas informações. Esta subjetividade da percepção de pessoa pode ser definida através de várias particularidades, como veremos a seguir.
· Seletividade - Para Krüger (1986), os diversos elementos que compõem a realidade objetiva não se apresentam em iguais condições para todos os sujeitos. De fato, quando percebemos aplicamos, inevitavelmente, valorizações diferentes para os diversos componentes da realidade objetiva, construindo assim nossa realidade subjetiva.
· Qualidade de ser organizada e significativa - Desde o ponto de vista psicológico, necessitamos ressaltar que nossas percepções dos objetos são ordenadas, ou seja, respondem às leis de ordem e significado, e que precisamos das mesmas para poder significar as nossas sensações. Devemos ressaltar que, na maioria das vezes, buscamos interpretar o que foi percebido. Por estes motivos, dois sujeitos podem chegar a conclusões diferentes ao perceber o mesmo estímulo.
· Categorização - É inevitável aplicar rótulos verbais a tudo que estimula os nossos sentidos no mundo circundante. Os psicólogos preocupam-se com o estudo da categorização para entender as influências de termos generalizados, na percepção de membros de grupos sociais, tais como étnicos, profissionais, ideológicos e outros.
· Formação de impressões - Em antigos trabalhos experimentais, como os de Asch (1946), pesquisou-se a hipótese de que os traços centrais da personalidade influem, de forma significativa, a impressão global que temos de outras pessoas. Para Asch (1946): "(...) uma constelação de traços da personalidade não deve ser interpretada aditivamente, pois essas variáveis se interinfluenciam, determinando uma resultante que decorre da articulação peculiar das características arroladas, não sendo, por conseguinte, redutível à sua mera adição" (apud Krüger, 1986, p. 57). Neste sentido, podemos entender que a forma como percebemos os outros é o resultado da inter-relação do conjunto de traços que caracterizam o sujeito. O resultado desta mistura de características nos permite formar impressões sobre os outros, muito mais do que uma simples soma de cada traço.
· Por outro lado, o comportamento não verbal nos permite entender também a maneira como formamos impressões sobre as outras pessoas, como veremos a seguir.
Comunicação Não Verbal
· Normalmente, prestamos enorme atenção ao que o outro fala quando interagimos. Mas, na verdade, as palavras que ouvimos não representam a totalidade do que percebemos no momento. Existem outras fontes de informação muito importantes além da fala que, muitas das vezes, percebemos sem tomar plena consciência delas. Estamos nos referindo à comunicação não verbal que vem sendo estudada de forma significativa para desvendar como as pessoas se comunicam, seja intencionalmente ou não, sem o emprego das palavras. As fontes de informação mais importantes aqui estão representadas pelas expressões faciais, o tom de voz, os gestos, a linguagem corporal, e o modo de olhar.
Expressões Faciais
· As expressões faciais representam o ponto forte da comunicação não verbal. Elas vêm recebendo atenção e sendo pesquisadas desde longa data. O próprio Charles Darwin (1872) escreveu um livro sobre este assunto destacando as expressões emotivas tanto em animais como em humanos.
· Segundo Darwin, as expressões primárias transmitidas pelo rosto são universais. Em outras palavras, os animais de uma mesma espécie expressam as emoções da mesma forma e os outros conseguem interpretá-las com a mesma precisão. Este processo de codificação e decodificação das emoções pelas expressões faciais estaria relacionado, segundo o autor, com o fenômeno da evolução e não com fatores culturais.
· Para Darwin, as expressões faciais foram adquirindo uma função adaptativa e, por tanto, a expressão de certos estados emocionais acaba tendo, na verdade, um valor de sobrevivência para a espécie. Por este motivo, a maioria dos autores, hoje, coincide em afirmar que existem pelo menos seis grandes manifestações emocionais: raiva, felicidade, surpresa, medo, nojo e tristeza.
· A decodificação de fotos de pessoas representando facialmente estes seis tipos de emoções é feita com precisão, independentemente, do grupo cultural dos indivíduos fotografados ou de quem os decodificam. No entanto, Paul Elkman e seus colegas (1969 apud Aronson et al, 2002) notaram existirem regras de manifestações das emoções determinadas por fatores culturais. Estes autores destacaram que manifestamos de forma específica nossas emoções dependendo do grupo cultural ao qual pertencemos. Assim, por exemplo, na cultura americana, os meninos são desestimulados a expressar tristeza de forma aberta como o choro. Já em outras culturas como no Japão, as mulheres não devem exibir um sorriso largo e completo.
· Segundo Aronson et al. (2002), a comunicação não verbal serve a vários fins. Através dela podemos expressar emoções, transmitir atitudes, opiniões e preferências, comunicar traços de personalidade e facilitar a comunicação não verbal complementando a mensagem falada.
· Certamente, o comportamento não verbal nos fornece diferentes pistas que contribuem de forma significativa na construção de nossas impressões gerais sobre os outros.
· Existem várias outras formas de comunicação não verbal obedecendo a fatores culturais. Assim, temos o contato do olhar, o espaço pessoal, o toque físico, os gestos das mãos e cabeça, entre outros. Desta forma, como Aronson, Wilson e Akert (2002) destacam, o fenômeno da comunicação acaba acontecendo por uma multiplicidade de canais, permitindo-nos obter informações completas e complementares da mensagem que está sendo transmitida.
Atribuição de Causalidade
· A teoria de atribuição de causalidade analisa como explicamos o comportamento das pessoas. Apesar de existirem diferentes variações desta teoria elas compartilham vários pontos em comum. 
· Nas teorias de atribuição encontramos, normalmente, dois grupos de fatores relevantes: os fatores ambientais e os fatores pessoais ou de personalidade. Estes dois grupos podem exercer pressão em conjunto ou não, e a dinâmica resultante se manifesta no comportamento observável.
· Um dos grandes representantes das teorias de atribuição, Fritz Heider (1958), observou como as pessoas explicam os eventos cotidianos e concluiu que a maioria tem a tendência de atribuir o comportamento dos outros a causas externas (fatores ambientais, situacionais) ou causas internas (fatores pessoais, características da pessoa). Esta diferenciação entre os dois grupos de fatores/causas se torna, muitas das vezes, pouco clara, já que em muitos casos fatores externos podem produzir mudanças internas. Por exemplo, quando afirmamos que alguém é pouco capaz (atribuição pessoal) quando na verdade as condições do ambiente e das circunstâncias são as responsáveis pela falta de motivação dessa pessoa (atribuição situacional).
Erro Fundamental de Atribuição
· Na atribuição de causalidade existe um tipo de erro que muitas vezes realizamos quando tentamos explicar porque alguém fez o que fez. É chamado de erro fundamental de atribuição. Em muitas ocasiões consideramos que os outros são responsáveis pelo que acontece e quando se trata de nós mesmos, consideramos que as nossas ações foram determinadas pelas circunstâncias. Da mesma forma, quando nos referimos a nós mesmos usamos verbos que descrevem as nossas ações, já quando falamos de outra pessoa temos a tendência de usar o verbo ser, como por exemplo, “ele é pouco interessante”. Em outras palavras, existe uma distorção na maneira como explicamos o comportamento dos outros, onde muitas vezes ignoramos importantes determinantes situacionais. Isto pode ser explicado através da diversidade