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A Bíblia
COMENTADA À LUZ DA
Doutrina Católica
 
 
2
STENIO CARNEIRO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Bíblia
COMENTADA À LUZ DA
Doutrina Católica
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2016
 
 
3
C289b Carneiro, Francisco Stenio de Araújo
A Bíblia Comentada à Luz da Doutrina Católica/ Francisco Stenio de Araújo Carneiro. 1ª
ed. Joinville, SC: Clube de Autores Publicações S/A, 2016.
 
ISBN: 978-85-916915-3-1
 
1. Religião. 2. Bíblia. I. Título. 
 
CDU: 22 
__________________________________________________________
 
Catalogação na Fonte: Kelly M. Bernini – CRB-10/1541
Imagem da capa: Calvary of Jesus Christ por Falco
 
 
Copyright © 2016 por Stenio Carneiro
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte
deste livro pode ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes sem
autorização por escrito do autor.
 
 
4
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
 
O	ANTIGO	TESTAMENTO
 
DEUS CRIA OS CÉUS E A TERRA
A Criação do Mundo
O Sétimo Dia
DEUS CRIA O HOMEM E A MULHER
À Criação para o Homem
Criados à Imagem e Semelhança de Deus
A Felicidade dos Primeiros Homens
A Alma Imortal do Homem
Os Dons Preternaturais
O Livre-Arbítrio
A Graça de Deus e o Estado de Justiça Original
SATANÁS REBELA-SE CONTRA DEUS
A Revolta de Lúcifer
DEUS ESTABELECE LIMITES PARA O HOMEM
A Árvore da Ciência do Bem e do Mal
DEUS CRIA A FAMÍLIA
A Criação da Família
O HOMEM DESOBEDECE A DEUS
Adão e Eva negam a Deus
O Pecado Original
Estamos Abandonados nas Mãos do Demônio?
A PROMESSA DE DEUS
O Primeiro Anúncio da Salvação
A Promessa de Salvação
Porei Ódio entre Ti e a Mulher
Entre a Tua Descendência e a Dela
AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
O Aparecimento da Morte
O Sofrimento e a Dor
5
O HOMEM É EXPULSO DO PARAÍSO
A Expulsão do Paraíso
A Árvore da Vida
A MALDADE CHEGA AO SEU LIMITE
Deus Arrepende-se de Ter Criado o Homem
A ARCA DE NOÉ
O Dilúvio
Noé
A Arca e a Igreja
O SINAL DA PRIMEIRA ALIANÇA
O Arco-íris
A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS
A Torre de Babel
A Criação de um Novo Povo
DEUS DIRIGE-SE A ABRÃO
O Início de um Povo
Darei esta Terra à Tua Posteridade
DEUS TESTA A FÉ DE ABRÃO
A Fé de Abrão é Testada
O Nome Abrão Muda para Abraão
Sodoma e Gomorra
O SACRIFÍCIO DE ISAAC
Deus Testa novamente a Fé de Abraão
A ESCRAVIDÃO NO EGITO
Os Hebreus no Egito
DEUS NA SARÇA ARDENTE
Deus se Revela
A LIBERTAÇÃO DO EGITO
Os Hebreus Fogem do Egito
O Cordeiro Oferecido e Jesus Cristo
A Páscoa dos Cristãos
O MANÁ NO DESERTO
O Maná
Maná, Sinal da Eucaristia
MOISÉS RECEBE OS MANDAMENTOS
Cláusulas da Aliança - O Decálogo
Aliança no Monte Sinai
O Decálogo
A ARCA DA ALIANÇA
A Arca da Aliança
6
A Proibição de Fabricação de Imagens
OS HEBREUS ROMPEM A ALIANÇA
O Rompimento da Aliança
OS HEBREUS MURMURAM CONTRA DEUS
Quarenta Anos no Deserto
MOISÉS MORRE E JOSUÉ ASSUME
Josué
A Renovação do Povo Hebreu no Deserto
Moisés Não Entrará na Terra Prometida
OS HEBREUS ENTRAM NA PALESTINA
Deus Expulsa os Habitantes de Canaã
A Tribo de Judá
AS INFIDELIDADES E AS INVASÕES
O Contato com as Nações Pagãs Vizinhas
AS INFIDELIDADES NAS MONARQUIAS
O Pecado do Povo Hebreu ao Pedir um Rei
O Pecado do Rei Saul
O Pecado do Rei Davi
O Pecado do Rei Salomão
A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL
A Divisão do Reino de Israel
O Surgimento dos Profetas
O Profeta Isaías
O REINO DE ISRAEL
O Fim do Reino de Israel
A DEPORTAÇÃO DO POVO DE JUDÁ
A Primeira Deportação
A Segunda Deportação
JERUSALÉM É INVADIDA PELOS VIZINHOS
A Posse da Terra
O Profeta Jeremias
OS HEBREUS EXILADOS ESQUECEM DEUS
A Cultura Babilônica Influência os Hebreus
Os Hebreus Exilados
O Exílio
Ezequiel
CHEGA AO FIM O EXÍLIO DOS HEBREUS
O Rei Ciro
O Retorno à Terra Prometida
NASCE O JUDAÍSMO
7
O Judaísmo e os Fariseus
ALEXANDRE MAGNO E ANTIOCO EPIFANES
Alexandre Magno
Antioco Epifanes IV
A GUERRA DOS MACABEUS
A Revolta dos Macabeus
ROMA INVADE A JUDÉIA
A Invasão Romana
A EXPECTATIVA POR UM MESSIAS
A Expectativa do Povo Hebreu por um Messias
O Conhecimento da Vinda de Jesus Cristo
CONCLUSÃO
O Valor da Fidelidade a Deus
O	NOVO	TESTAMENTO
 
A GENEALOGIA DE JESUS CRISTO
A Genealogia Existente na Bíblia
O ANJO APARECE A MARIA SANTÍSSIMA
São José
A Anunciação da Virgem Maria
Maria Santíssima
A Oração “Ave-Maria” e o Santo Rosário
O Advento
O Nome de Jesus Cristo
O NASCIMENTO DE JESUS CRISTO
O Verbo de Deus
Herodes
O Mistério da Encarnação
Privilégios da Virgem Maria
A Assunção de Nossa Senhora
A Natureza Humana do Filho de Deus
Jesus Cristo, Deus e Homem ao mesmo Tempo
A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade
A INFÂNCIA DE JESUS CRISTO
A Purificação da Virgem Maria
A Circuncisão de Jesus Cristo
Não Existe Mistério na Infância de Jesus Cristo
JOÃO BATISTA ANUNCIA O MESSIAS
São João Batista
O BATISMO DE JESUS CRISTO
8
O Batismo de Jesus Cristo
O Cordeiro de Deus
O Sacramento do Batismo
A Confirmação ou Crisma
A TENTAÇÃO NO DESERTO
A Tentação no Deserto
Não Tentarás o Senhor, Teu Deus
A Quaresma
Jejum e Abstinência
A ESCOLHA DOS APÓSTOLOS
O Reino de Deus
Os Doze Apóstolos
AS BODAS EM CANÁ DA GALILÉIA
A Intercessão da Santíssima Virgem
A Intercessão dos Santos
A CONVERSA COM NICODEMOS
A Verdadeira Adoração
A Serpente de Bronze
A SAMARITANA NO POÇO DE JACÓ
Os Samaritanos
O Espírito Santo
O FIM DO MUNDO
O Pecado
O Purgatório
O Céu
O Inferno
O Limbo
O Juízo Particular
O Fim do Mundo
A Ressurreição da Carne
O Juízo Final
O Suplício Eterno
A Vida Eterna
O SERMÃO DA MONTANHA
A Nova Lei
As Bem-Aventuranças
A ORAÇÃO DO PADRE-NOSSO
A Oração
A Oração do Padre-Nosso
JESUS RESPONDE AO CENTURIÃO
9
A Salvação é para Todos
O PERDÃO DOS PECADOS
A Missão de Jesus Cristo
O ENVIO DOS APÓSTOLOS
O Envio dos Apóstolos
O Reino de Deus na Terra
SÃO JOÃO BATISTA
É Ele o Elias que Devia Voltar
A Responsabilidade pelo Conhecimento
JESUS CRISTO É O SENHOR DO SÁBADO
A Tradição Farisaica
Os Atos de Jesus Condenados pelos Fariseus
O Pecado Contra o Espírito Santo
AS PARÁBOLAS
As Parábolas
A SAGRADA EUCARISTIA
A Compreensão do Sacramento da Eucaristia
A Sagrada Eucaristia
Melquisedec
A IGREJA DE JESUS CRISTO
O Reino de Deus na Terra
A Doutrina Cristã
A Santa Igreja Católica Apostólica Romana
A Igreja Docente e a Igreja Discente
O Vigário de Jesus Cristo na Terra
O Poder das Chaves
A TRANSFIGURAÇÃO
A Transfiguração
A ANTIGA DIGNIDADE DO MATRIMÔNIO
A Antiga Dignidade do Matrimônio
O Matrimônio
O JOVEM RICO
O Jovem Rico
A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
A Ressurreição de Lázaro
Eu Sou a Ressurreição e a Vida
A CAMINHO DE JERUSALÉM
A Entrada em Jerusalém
A Semana Santa
JESUS CRISTO CRITICA OS FARISEUS
10
Crítica aos Fariseus
OS FALSOS PROFETAS
Cuidado com os Falsos Profetas
A Reencarnação
CONSPIRAÇÃO PARA MATAR JESUS
A Conspiração Contra Jesus Cristo
A CEIA PASCAL
O Sacramento da Eucaristia
A Consagração
A Transubstanciação
A Eficácia do Sacramento da Eucaristia
A VINDA DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo
NO HORTO DAS OLIVEIRAS
Jesus no Horto das Oliveiras
JULGAMENTO DE JESUS CRISTO
O Julgamento de Jesus Cristo
A Negação dos Apóstolos
A MORTE DE JESUS CRISTO NA CRUZ
A Obra de Redenção
A Paixão de Jesus Cristo
O Corpo, a Alma e a Divindade
A Corrupção do Corpo
O Nascimento da Igreja
O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
Os Sacrifícios a Deus
O Altar do Sacrifício
Os Sacrifícios no Antigo Testamento
O Sacrifício da Lei Patriarcal
O Sacrifício da Lei Mosaica
O Valor dos Sacrifícios no Antigo Testamento
O Sacrifício do Novo Testamento
O Santo Sacrifício da Missa
A Missa é um Sacrifício
A Missa Tradicional da Santa Igreja
O Sacrifício da Missa
A Celebração do Santo Sacrifício da Missa
O Mesmo Sacrifício da Cruz
JESUS CRISTO DESCE AOS INFERNOS
Jesus Cristo Desceu aos Infernos
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A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO
A Ressurreição de Jesus Cristo
Não Existe Reencarnação
Do Sábado para o Domingo
JESUS APARECE AOS APÓSTOLOS
Apresentação aos Apóstolos
A Ascensão de Jesus Cristo
O Poder de Julgar de Jesus Cristo
O Poder de Perdoar os Pecados
O Arrependimento dos Pecados
Jesus é Rei, Sacerdote e Profeta
PENTECOSTES
Pentecostes
A Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos
A IGREJA PRIMITIVAApós Pentecostes
BIBLIOGRAFIA
12
APRESENTAÇÃO
 
 
 
Este livro foi elaborado utilizando a Sagrada Escritura e, como base para os
comentários de suas passagens, diversos livros católicos tradicionais, colocando como
destaque o Catecismo Romano, o Catecismo de São Pio X e a Suma Teológica de Santo
Tomás de Aquino.
Ele não foi redigido para ensinar tão somente a Palavra de Deus, mas, sobretudo,
auxiliar na difusão da Doutrina Católica, para que o fiel aumente o amor por sua Igreja.
Para obter esse resultado, o trabalho foi desenvolvido como uma narrativa,
utilizando as principais passagens que compõem o Antigo e o Novo Testamento e
seguindo a ordem cronológica dos fatos históricos, da criação do mundo até à formação
da Igreja. Através dos comentários, procurou-se abordar as questões doutrinárias mais
relevantes relacionadas com as passagens bíblicas e que precisam ser conhecidas e estar
presentes na vida de todo Católico.
No final de cada capítulo, segue uma opção de leitura para ser usada como um
direcionamento ao se buscar a Palavra de Deus.
Por fim, gostaria de sugerir que o leitor, caso venha a gostar do livro, deixe seu
comentário no site onde o adquiriu, assim mais pessoas poderão ter acesso a boa
experiência que teve.
Stenio Carneiro
"Revesti-vos da armadura de Deus, 
para que possais resistir às ciladas do demônio" 
Efésios 6, 11
13
14
O ANTIGO TESTAMENTO
 
15
DEUS CRIA OS CÉUS E A TERRA
A criação do mundo visível e invisível por Deus:
“No princípio, Deus criou os céus e a terra.”
(Gn 1,1)
A CRIAÇÃO DO MUNDO
A Criação é o ato pelo qual Deus deu existência a tudo o que há no mundo: anjos,
homens, animais, plantas e tudo o mais. Sendo assim, antes de Deus ter criado o mundo,
não existia coisa alguma, exceto Ele mesmo, porque só Ele existe necessariamente, e
tudo o mais, em virtude do seu Poder.
Quanto ao poder de Deus, a Sagrada Escritura ensina que Ele tem poder infinito.
O próprio Deus, em Gen 17, 1, declara de Si mesmo como sendo "Todo-Poderoso".
Sendo assim, Ele sabe todas as coisas, e todas as coisas estão igualmente sujeitas ao Seu
poder e soberania.
Por conseguinte, nada se pode pensar ou imaginar que Deus não tenha a virtude
de realizar. Pode, portanto, não só operar prodígios que, por maiores que sejam, não
excedem de maneira absoluta o âmbito de nossas ideias, como por exemplo, fazer voltar
ao nada todas as coisas, ou num ápice tirar do nada outros mundos; mas pode também
fazer coisas muito maiores, que a inteligência humana não chega sequer a suspeitar. Foi,
por saber dessas verdades, que o anjo Gabriel afirmou a Maria Santíssima que "a Deus,
nada é impossível" (Lc 1, 37).
Agora, que ninguém caia no erro de pensar que só a Ele é atribuído o predicado de
Todo-Poderoso, de sorte que não seja também comum ao Filho e ao Espírito Santo.
16
Como afirmamos que o Pai é Deus, que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus,
sem por isso reconhecer três deuses, mas a um só Deus; assim também dizemos que o
Pai é todo-poderoso, que o Filho é todo-poderoso e que o Espírito Santo é todo-
poderoso, sem contudo asseverarmos que haja três onipotentes, mas um só onipotente.
Damos ao Pai esse atributo pela especial razão de ser Ele a fonte de tudo quanto existe.
Por conta de sua onipotência divina, Deus não formou o mundo de uma matéria 
preexistente, mas criou-o do nada, sem a tanto ser obrigado por violência estranha ou 
necessidade natural; mas por Sua livre e espontânea vontade. Nenhum outro motivo O 
impeliu a criar o mundo, senão a Sua própria bondade. Queria comunicá-la a todas as 
coisas que criasse. Possuindo por Sua natureza toda a felicidade, Deus não tem falta de 
coisa nenhuma. Logo, Deus não criou o mundo por necessidade nem por ambição, muito 
ao contrário; criou-o por pura benevolência, para comunicar às criaturas parte da sua 
Bondade infinita. Importante mencionar que somente quando aprouve ao seu divino 
querer foi que Deus criou o mundo, podia, por conseqüência, ter deixado de criá-lo.
Apesar de todo esse poder, Deus não pode todavia mentir, nem enganar, nem ser
enganado, nem pecar, nem perecer, nem tampouco ignorar alguma coisa. Isto porque
essas deficiências só podem ocorrer numa natureza cuja operação é imperfeita. Ora,
operando sempre de maneira perfeitíssima, Deus não é capaz de tais coisas.
Observamos todas essas realidades na passagem de Gn 1, 1-25, a qual revela que
a criação do mundo é fruto de um Deus infinitamente poderoso, que fez do nada o céu e
a terra, e todas as coisas que neles estão contidos, para manifestar a sua glória e a sua
grandeza; como também veio de um Deus que é puro amor e bondade, que desejou
comunicar aos seres parte do bem infinito que possui.
Perceba, no entanto, que depois de consumada a obra da Criação, os seres por Ele
criados não podem continuar a subsistir sem o auxílio de Sua potência infinita. Como
tudo só existe graças à onipotência, sabedoria e bondade do Criador, todas as criaturas
recairiam logo em seu nada, se Deus lhes não assistisse continuamente pela Sua
Providência, e não as conservasse pelo mesmo poder que, desde o princípio, empregou
para criá-las.
Ressalte-se aqui que o mundo não foi criado somente por Deus Pai, pois sua
criação teve a participação conjunta das três Pessoas divinas, porque aquilo que uma
Pessoa faz relativamente às criaturas, fazem-no com um só e o mesmo ato também as
outras. É o que nos ensina a passagem de Gn 1, 26: “Então Deus disse: Façamos o
homem à nossa imagem e semelhança”.
Vale lembrar que, comumentemente, é atribuída a criação a Deus Pai porque a
criação é efeito da onipotência divina a qual se atribui particularmente a Deus Pai, como
se atribui a sabedoria ao Filho e a bondade ao Espírito Santo, embora todas as três
Pessoas tenham a mesma onipotência, sabedoria e bondade.
Quanto à existência de Deus Pai, sabemos que Ele é espírito, que está
absolutamente isento de matéria e de qualquer elemento estranho ao seu ser. No entanto,
17
temos ao Senhor como um ser real porque a nossa razão no-lo demonstra, e a fé no-lo
confirma.
Ele é, no sentido mais absoluto e transcendental, o Ser por essência e as restantes
coisas são seres particulares, são tais seres e não o Ser.
Dizer que Ele é o ser por essência significa que existe per se e concentra em si
mesmo todos os modos do ser; é, portanto perfeito e, sendo perfeito, necessariamente há
de ser bom. É, além disso, infinito, condição indispensável para que nenhum ser tenha
ação sobre Ele; se é infinito possui o dom da ubiqüidade (faculdade divina de estar
concomitantemente presente em toda parte). É imutável, porque, se mudasse, havia de
ser em busca de uma perfeição que lhe faltasse. Sendo imutável, é eterno, porque o
tempo é sucessão e toda sucessão revela mudança. Sendo perfeito em grau infinito, não
pode haver mais do que um; se houvesse dois seres infinitamente perfeitos, nada teria
um que o outro não possuísse, não haveria meios de distingui-los e seriam, portanto, um.
Nós O temos como Pai porque, além de termos sido por Ele criados, pela graça,
fomos eleitos filhos adotivos de Deus.
O homem pode, apesar de sua fraqueza, cooperar com a ação divina no governo
do mundo, empenhando-se, como instrumento de Deus, em promover o bem dos seus
semelhantes.
O SÉTIMO DIA
Sobre o número de dias da criação do mundo, o Gênesis ensina que foram
utilizados seis dias para terminá-lo, apesar de que Deus poderia tê-lo criado, se assim O
desejasse, em um só instante.
Revela, também, que no sétimo dia Deus descansou, “abençoou e o consagrou,
porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação” (Gn 2, 3). Esse dia, para os
judeus da época de Jesus Cristo, era o sábado, que quer dizer descanso. Anteriormente,
na época de Moisés, Deus havia ordenado que este dia fosse santificado e consagrado a
Ele.
Após a ressurreição de Jesus Cristo, os cristãos passaram a adotar o domingo
como o “primeiro dia da semana” (Mt 28, 1-10) e como o dia do “repouso sagrado”.
Domingo provém do latim “dominica díes”, que quer dizer “dia do Senhor”.Ele
substituiu o sábado, porque foi em dia de domingo que Nosso Senhor Jesus Cristo
ressuscitou.
 
Referência: A criação do mundo (Gn 1, 1-25).
18
19
DEUS CRIA O HOMEM E A MULHER
No mundo visível, Deus cria o homem e a mulher com tanto amor que os faz à
sua imagem e semelhança. O homem recebe, nesse momento, o dom da liberdade, a
graça da santidade e o estado de justiça original:
“E viu Deus que isto era bom, e (por fim) disse: Façamos o homem à nossa
imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e às aves do Céu, e aos
animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis, que se movem sobre a
terra. E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, varão
e fêmea os criou.”
(Gn 1,26-27)
À CRIAÇÃO PARA O HOMEM
Por pura bondade, Deus formou do limo da terra o corpo do homem, de maneira
que fosse imortal e impassível.
Pelo mesmo motivo, criou e mantém o curso regular do universo em proveito do
homem. Sendo assim, tudo o que existe foi disposto para servir ao homem em todas as
suas necessidades. Fez isso por considerá-lo a criatura mais débil e a que mais necessita
de cuidados espirituais e materiais. Por outro lado, a graça, juntamente com as virtudes e
os dons recebidos, faz do homem o ser mais perfeito da criação na ordem natural,
superior, inclusive, aos anjos, não incluindo a sua natureza.
O homem, em virtude de sua criação, deve reconhecer a Deus como fonte e
princípio de todo o bem, e consagrar-se a Ele como seu fim último.
20
CRIADOS À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS
Quando a Bíblia fala da criação do homem e diz que o homem e a mulher foram
criados à “Imagem de Deus”, ela não está dizendo que eles foram feitos à representação
visível de Deus, já que Este é puro espírito, mas afirmando que a natureza e operações
mais elevadas do homem lhe permitem entrever a natureza divina e a vida íntima da
Augusta Trindade e imitam de certo modo a perfeição das pessoas divinas.
Podemos perceber essa “imagem e semelhança” na alma humana, pois as
operações mais perfeitas da nossa alma, entender e amar, têm por objeto a primeira
Verdade e o Bem supremo, que é Deus. No mundo corpóreo, não há, além do homem,
nenhum outro ser feito à imagem e semelhança de Deus, isso porque somente ele possui
natureza espiritual.
Cabe anotar que o Senhor assim agiu, concedendo ao homem ser criado à sua
imagem, porque se apiedou mais do gênero humano do que dos demais seres existentes
na terra, pois via que ele era incapaz, pela lei de sua própria natureza, de subsistir para
sempre.
Sendo assim, considerou Deus que o homem, possuindo uma espécie de sombra
do Verbo, e sendo racional, poderia permanecer na bem-aventurança, vivendo no paraíso
a verdadeira vida, que realmente possuem os santos.
A expressão “Semelhante a Deus” indica que, embora o homem seja “imagem de
Deus”, ele não é Deus e nunca poderá ser.
A FELICIDADE DOS PRIMEIROS HOMENS
O homem foi criado perfeito por Deus. Seu primitivo estado de felicidade
compreendia ciência claríssima e universal, justiça original unida à prática de todas as
virtudes, império absoluto da alma sobre o corpo e domínio sobre todas as criaturas.
Nesse estado, o homem gozava de muita felicidade. Não era, entretanto, a última
e suprema felicidade a que podia aspirar, pois sendo temporal, a ela devia seguir-se outra
mais alta e definitiva. Para atingir o estado de felicidade último e perfeito, deveria ele
contrair méritos no primitivo estado.
Ora, como as únicas fontes de mérito para o homem reduzem-se à amizade com
Deus, à vida da graça e a prática das virtudes sob a inspiração divina do Espírito Santo,
deveria ele, para obter a verdadeira felicidade, concentrar-se em buscar um bem que traz
perfeição diretamente ao espírito, no caso, Deus, Sumo Bem, Soberano e Infinito.
Caso assim agisse, no final de sua existência, seria levado por Deus para o céu e,
em companhia dos anjos, receberia o galardão que haveria de coroar a sua vida, a
felicidade plena.
21
A ALMA IMORTAL DO HOMEM
O homem, apesar de ter sido criado da terra, foi animado por uma alma imortal,
uma alma criada à “imagem e semelhança” de Deus. Isso aconteceu no momento em que
Deus “formou o homem do barro da terra” e “inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida
e este se tornou um ser vivente”, significando que a alma é criada no momento da
concepção do homem, uma alma nova, não uma que foi “reencarnada” como ensinam
muitas falsas doutrinas. Portanto, a doutrina da reencarnação é totalmente anticristã.
A alma é a parte mais nobre do homem porque é substância espiritual, dotada de
inteligência e de vontade, capaz de conhecer a Deus e de possuí-Lo eternamente.
Atente que as plantas e os animais também têm alma, no entanto, a alma das
plantas é exclusivamente vegetativa; a dos animais vegetativa e sensitiva; e a humana,
além destas faculdades, possui a inteligência, que é o que distingue o homem dos demais
seres corpóreos.
Jesus Cristo estabeleceu o destino futuro da nossa alma. Distinta do corpo, ela não
morre com ele; mas comparece perante Deus e recomeça uma vida nova e eterna.
OS DONS PRETERNATURAIS
O homem, no paraíso, estava dotado de todos os dons naturais, aos quais a
bondade divina tinha ajuntado dons sobrenaturais.
Na ordem natural, foi-lhe concedida uma inteligência perfeita, isenta das trevas e
dúvidas da ignorância; sua vontade era norteada para o bem e livre de toda tendência ao
mal; seu coração dirigia-se espontaneamente a Deus e ao que é bom, alheio, por
completo, ao triste peso da concupiscência.
Na ordem sobrenatural, o homem gozava dos Dons Preternaturais: o dom da
liberdade, a graça da santidade, de onde veio à imortalidade, e o estado de justiça
original, que gerava a harmonia com a criação que o rodeava. Por meio desses dons, o
homem usufruía de um estado de graça, harmonia e felicidade que lhe possibilitava
participar da filiação divina. Além disso, Deus lhe acrescentava a promessa de fazê-los
participar da própria ventura, e isto durante a eternidade.
O LIVRE-ARBÍTRIO
No ato da criação, o homem recebe algo digno de alguém agraciado por Deus, o
Livre-Arbítrio de pensar, de praticar atos e até mesmo de discordar e negar a quem lhe
22
deu esse dom. Paralelo a essa liberdade, foi-lhe dada inteligência suficiente para que
pudesse rejeitar o mal e desejar o bem, além de uma consciência superior, que nenhum
outro animal possui, que o alerta quando se afasta da vontade de seu criador. Portanto, a
liberdade humana não reside exclusivamente na vontade, em querer ou não querer, mas
na vontade unida à inteligência. Por conta disso, tem o homem condições de rejeitar o
mal e desejar o bem.
Observe, no entanto, que essa liberdade não é absoluta. Lembre que o governo de
Deus neste mundo, chamado de 'Providência Divina’, estende-se a todas as coisas, tanto
aos seres inanimados como aos atos livres do homem. Assim, os atos livres do homem
estão de tal maneira sujeitos às disposições da Providência Divina, que coisa nenhuma
pode o homem fazer, se Deus a não ordena ou a permite, pois a liberdade não lhe
confere independência a respeito de Deus.
A GRAÇA DE DEUS E O ESTADO DE JUSTIÇA ORIGINAL
Adão e Eva saíram das mãos de Deus inocentes e puros; estado esse que se
chama de Justiça Original.
Sendo assim, Deus não somente presenteou o homem com uma natureza
semelhança a sua, mas concedeu-lhe a Sua graça.
A Graça da Santidade fazia com que os primeiros homens pudessem participar da
vida de Deus, de sua amizade. Pela propagação desta graça, todos os aspectos de suas
vidas eram fortalecidos. 
Além da graça santificante, Deus concedeu aos nossos primeiros pais outros dons
que os ajudavam e que deviam transmitir aos seus descendentes, como a integridade, isto
é, a perfeita sujeição dos sentidos à razão, onde o espírito nada sabia das trevas da
ignorância e a alma estava inclinada para o bem; a imortalidade, pois o homem não havia
de sofrer nem de morrer, sendo que seu corpo, isento do trabalho e das misérias da vida,
devia passar desta existência terrestre para uma vida sem fime sempre feliz; e a
imunidade a todas as dores e misérias terrenas.
O Estado de Justiça Original, recebido de Deus, criava a harmonia entre o homem
e a mulher, com eles mesmos e com toda a criação, gerando uma paz absoluta. Essa
harmonia somente será superada pela glória da nova criação em Jesus Cristo.
 
Referência: A criação do homem e da mulher (Gn 1, 26-31 e 2, 1-8).
23
SATANÁS REBELA-SE CONTRA DEUS
No mundo invisível, Deus cria anjos para servi-Lo. Acontece que o anjo a quem o
Senhor deu o comando sobre todos os demais, rebela-se contra a sua autoridade e
santidade:
“Depois apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, com a
lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. Ela
está grávida, e clama com dores, atormentada para dar a luz.
Foi visto ainda um outro sinal no céu: era um grande Dragão, cor de fogo,
que tinha sete cabeças e dez pontas, e nas suas cabeças sete diademas. A sua
cauda arrasta a terça parte das estrelas do céu, e precipitou-as na terra.
Depois o Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, a fim de
devorar o seu filho, logo que ela o tivesse dado à luz.”
(Ap 12, 1-4)
A REVOLTA DE LÚCIFER
Antes da criação do homem, Deus havia criado os anjos, puros espíritos
destinados a viverem sem que fossem, como a nossa alma, unidos aos corpos. 
O Senhor, cujas obras todas eram boas, os criara na santidade, e eles podiam
perpetuá-la, obedecendo a seu Criador. 
Acontece que os anjos, igualmente aos homens, tiveram que passar por uma
provação.
Ao final desta provação, a maior parte permaneceu fiel e foi confirmado para
sempre no seu estado de perfeição e de felicidade. São os anjos bons que adoram a Deus
24
no céu, cumprem as suas ordens no universo e zelam pela salvação dos homens.
Os demais, entretanto, com Lúcifer à sua frente, cegos pelo orgulho, negaram a
Deus o ato de submissão que Ele lhes pedia.
Deus havia elevado Lúcifer (anjo de luz) acima dos demais anjos para que melhor
O servisse no céu.No entanto, não se contentando em ser o que era e devorado de
ciúmes à vista da ventura do homem e dos seus altos destinos, juntou-se a outros anjos e
atentou contra o Senhor.
Ao arcanjo Miguel foi concedida a missão de travar contra eles uma batalha.
Derrotados, recebem como castigo a expulsão para sempre do Paraíso e a condenação ao
Inferno por toda a eternidade:
 
"Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão.
O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar
no céu para eles." (Ap 12, 7-8).
 
Quando o Demônio viu que seus planos haviam perecido e que seu sonho de ser
Deus definitivamente acabara, ficou possuído de uma grande ira e pensou em vingar-se.
Entretanto, não adiantava enfrentar Deus. Lembrou-se, então, do homem que Deus
havia criado na terra. Imaginou que não existiria mal maior do que transformar este
homem em inimigo de Deus:
 
"Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e
Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos.
Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais.
Mas, ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande
ira, sabendo que pouco tempo lhe resta (para perder almas).
O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz
o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o
deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a
metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra
a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher,
abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara.
Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua
descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus."
(Ap 12, 9-18)
 
Os Anjos que se conservaram fiéis a Deus foram confirmados em graça, passando
a gozarem para sempre da vista de Deus no céu, onde estão a amá-Lo, bendizê-Lo e
louvá-Lo eternamente.
 
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Referência: A batalha do apocalipse (Ap 12, 1-18).
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DEUS ESTABELECE LIMITES PARA O HOMEM
Deus, sabendo das más intenções de Lúcifer, adverte o homem de que deve
sempre obedecê-Lo:
“Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no jardim do Eden,
para que o cultivasse e guardasse.E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de
todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do
bem e do mal, porque, no dia em que dele comeres, morrerás
indubitavelmente.”
(Gn 2, 15-17)
A ÁRVORE DA CIÊNCIA DO BEM E DO MAL
Deus colocou o homem no paraíso em perfeito estado de inocência, graça e
felicidade, isento, portanto, da morte e de todas as misérias da alma e do corpo.
O Senhor, entretanto, usando do seu direito de soberano, colocou uma condição
para a conservação desta ventura terrena e desta felicidade sobrenatural: queria um ato
de submissão e dependência do homem.
Assim, permitiu-lhe que comesse de todos os frutos do Paraíso terrestre,
proibindo-lhe apenas que experimentasse o fruto da árvore que estava no meio do
jardim.
A intenção de Deus era dar um preceito ao homem para que este soubesse que
tem um mestre. Seria um preceito ligado a uma coisa sensível, porque o homem possuía
sentidos; e fácil de seguir, pois Deus queria que a vida lhe corresse agradável, enquanto
se conservasse inocente.
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Ora, o homem era por natureza corruptível, mas pela graça da participação do
Verbo havia escapado desta condição natural. Caso permanecesse na virtude e
continuado bom, o prêmio para ele seria o aumento de graça e de felicidade. Teria, por
conseguinte, sempre no paraíso vida isenta de tristeza, dor, preocupações, além da
imortalidade prometida no céu.
No entanto, em caso de desobediência, ele e seus descendentes, decairiam daquela
perfeição e experimentariam o mal, tanto espiritual como corporal. Deixariam, portanto,
de viver no paraíso, sendo dali expulsos para ficarem doravante sujeitos à morte e à
corrupção (do corpo). Com efeito, devido à presença do Verbo a corrupção natural não
os podia tocar. É o que afirma o livro da Sabedoria: “Deus criou o homem para a
incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade; é por inveja do diabo que a
morte entrou no mundo” (Sb 2, 23-24).
A passagem de Gn 2, 16, revela a preocupação de Deus com o futuro do homem.
Mostra, simbolicamente, o que ele não deve fazer: “não comam do fruto da árvore da
ciência do bem e do mal” e, de maneira clara, a conseqüência caso o faça: “no dia em
que dele comerem, morrerás indubitavelmente”.
Isso significa dizer que, se o homem decidir comer do “fruto da árvore” (ou seja,
se “desobedecer a Deus”), perderá a “graça da santidade” e, com isso, o “dom da
imortalidade”, passando a morrer.
A expressão “árvore da ciência do bem e do mal” significa o LIMITE que o
homem deve respeitar para sua própria felicidade porque, como ser criado por Deus, não
tem condições de discernir sozinho o que é bom e o que é mal. A partir da observação
desse Limite é que o homem evitará o mal em sua vida.
 
Referência: O Limite do homem (Gn 2, 9-17).
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DEUS CRIA A FAMÍLIA
Após criar o homem e a mulher, Deus origina a instituição ao redor da qual toda a
humanidade se desenvolverá: a Família:
“Disse mais o Senhor Deus: 
Não é bom que o homem esteja só: façamos-lhe um adjutório semelhante a
ele. Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão, e enquanto
ele estava dormindo, tirou uma das suas costelas, e pôs carne no lugar dela. E
da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher, e a
levou a Adão. E Adão disse: eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da
minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada. Por isso
deixará o homem seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão
uma só carne.”
(Gn 2, 18; 2, 21-25)
A CRIAÇÃO DA FAMÍLIA
Ao terminar de formar Adão, Deus decidiu associar-lheuma companheira e
consorte. Para tanto, “infundiu-lhe um profundo sono; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe
uma costela, da qual formou a mulher, que apresentou a Adão. Este a recebeu com
alegria e a chamou Eva”. Neste momento, Deus instituiu a Família.
Formada como reflexo da Santíssima Trindade, a Família não é uma comunhão
meramente material e formal, mas uma aliança de amor, o que a capacita a resistir a toda
e qualquer maldade vinda do demônio. Portanto, através da família, o homem terá um
meio seguro para alcançar o Reino do céu. Perceba que a família foi um projeto querido
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pelo coração de Deus desde o início da criação.
Para perpetuá-la, Deus institui o Matrimônio. Ele representa não apenas a simples
união entre um homem e uma mulher, mas uma “aliança” entre os dois e Deus, por isso
mesmo, indissolúvel.
Na Família criada por Deus, o interesse de um dos membros não deve se
sobressair sobre o interesse dos demais. Essa percepção, por parte dos membros, é que
faz com que o adultério, as discussões, o egoísmo, enfim, o mal, que possa prejudicar a
família, seja evitado.
No momento de sua celebração, Deus abençoa seus integrantes, fazendo com que
um sirva de “ajuda adequada” (Gn 2, 18) ao outro e que os dois, transformados em
“uma só carne” (Gn 2, 23), participem de sua natureza criadora através da fecundidade
do casal: “Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a.” (Gn 1, 28).
Em Gn 2, 22, encontramos uma verdade que não pode ser esquecida: “o Senhor
Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem”, ou seja, Deus fez a mulher para
o homem. Ele não fez um homem para coabitar com outro homem ou uma mulher para
ser esposa de outra. Da mesma forma, ensina o Catecismo Romano: “os fiéis devem
saber, antes de tudo, que o Matrimônio foi instituído por Deus. Está escrito no Gênesis:
'Criou-os como homem e mulher; e Deus os abençoou, e disse: Crescei, e multiplicai-
vos'.” (MARTINS, p. 377). Sendo assim, qualquer situação, além da ordem divina, está
fora da vontade de Deus e deve ser rejeitada.
 
Referência: Deus cria a Família (Gn 2, 18-25).
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O HOMEM DESOBEDECE A DEUS
Satanás, ao chegar a terra, procura induzir o homem ao pecado. Este, estimulado
pelo Espírito do Mal, que lhe apareceu sob a forma de serpente, então inofensiva,
revolta-se contra Deus. Nesse momento, o pecado original toma forma:
“Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor
Deus tinha feito. E ela disse à mulher: por que vos mandou Deus que não
comêsseis de toda a árvore do paraíso?
Respondeu-lhe a mulher: nós comemos do fruto das árvores, que estão no
paraíso, mas do fruto da árvore, que está no meio do paraíso, Deus nos
mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que
MORRAMOS.
Porém a serpente disse à mulher: vós de nenhum modo morrereis; mas Deus
sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, se abrirão os vossos olhos, e
sereis como DEUSES, conhecendo o bem e o mal.
Viu, pois, a mulher que (o fruto) da árvore era bom para comer, formoso aos
olhos e desejável para alcançar a sabedoria, e tirou do fruto dela, e comeu: e
deu a seu marido, que também comeu.”
(Gn 3, 1-7)
ADÃO E EVA NEGAM A DEUS
Satanás, cheio de revolta, vendo que não podia atingir a Deus, dirige-se a terra e
passa a mentir para o homem. Fala-lhe que Deus não é bom, que não é fiel e que não é o
único a discernir sobre o que é bom e o que é mal, que ele próprio tem a capacidade de
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fazê-lo, que pode ser igual a Deus. Estava, na realidade, reproduzindo na terra o que se
havia passado com ele mesmo no céu quando desejou ser Deus.
Quando o homem recebeu o dom da liberdade, adquiriu, entre outras coisas, a
capacidade de repelir a satanás e seus aliados. Esses são poderosos pelo fato de serem
puro espírito, mas, como criaturas, não são capazes de influírem na vida do homem que
não os deseja.
O homem, mesmo sabendo disso, ao ser tentado pelo Diabo não o rejeita,
deixando morrer em seu coração a confiança em Deus. Prefere a si mesmo em vez de
seu Criador. Assim, ao invés de querer, por intermédio de Deus, participar de sua
natureza divina, aceita a sugestão do demônio de que, pelas suas próprias forças,
chegaria ao mesmo propósito.
Então, munido do dom da liberdade, o homem decide desobedecer a Deus na
esperança de tornar-se igual a Ele, conhecedor e determinador do bem e do mal. 
Deste modo, Eva colheu a fruta proibida e comeu. Em seguida, levou-a a seu
marido que dela também comeu, instigado pelo exemplo da sua companheira. 
Imediatamente, abriram-se-lhes os olhos; foram esconder-se depois de terem
encoberto o corpo com folhagem na esperança de ocultarem a vergonha e o pecado.
Observa-se, com essa decisão, que a raiz do pecado, sem dúvida, foi a soberba do
homem. A partir desse momento, o homem, longe da graça da santidade, não mais
poderá atingir a perfeição a que foi destinado. Todo pecado, de então em diante, passará
a ser uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em seu amor.
O PECADO ORIGINAL
Pecado original é a mancha do pecado que se transmite a todos os homens devido
a queda de nossos primeiros pais. Essa mancha sobreveio com a perda dos dons
preternaturais.
Ora, Deus pôde retirar os dons prometidos porque ao conferir ao gênero humano,
em Adão, a graça santificante e os outros dons preternaturais, o fez com a condição de
que ele não Lhe desobedecesse. Com a desobediência, os dons foram retirados.
Importante anotar que Adão desobedeceu na qualidade de cabeça e pai do gênero
humano, o que acabou por tornar todos os homens rebeldes a Deus. Essa qualidade é
comprovada em At 17, 26, ao lermos que “de um só fez toda a raça humana”.
Lembre-se que Adão havia recebido os dons de Deus não exclusivamente para si,
mas para todos os seus descendentes. Da mesma forma, ao pecarem, transmitem a todos
o pecado e, consequentemente, suas implicações, no caso, a privação da graça, a perda
do Paraíso, a ignorância, a inclinação para o mal, a morte e todas as demais misérias.
Observe, entretanto, que apesar de todos estes motivos de pecado é preciso sustentar
que o homem é livre quando executa atos morais e que jamais peca por necessidade.
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Na Sagrada Escritura, em Rm 5, 12, encontramos São Paulo fazendo referência
ao pecado original na passagem: “Por isso, como por um só homem entrou o pecado no
mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque
todos pecaram”.
Observe que todos os homens contraem o pecado original, exceto a Santíssima
Virgem que dele foi preservada por Deus, com singular privilégio, devido aos
merecimentos de Jesus Cristo.
Diante do que foi exposto, percebe-se que o pecado original não tem nada a ver
com relação sexual. Não é devido a esse ato biológico que se transmite o pecado original,
pois mesmo a criança que se origina de meios não naturais já nasce com o mesmo.
Por último, vale salientar que quem não acredita no pecado original não pode
dizer-se cristão, pois não acredita no mistério de Jesus Cristo, na Salvação por Ele
conquistada. Como disse João Batista a respeito de Cristo: “Eis o Cordeiro de Deus que
veio retirar o pecado do mundo”.
ESTAMOS ABANDONADOS NAS MÃOS DO DEMÔNIO?
Dizemos que o demônio é maligno porque nos promove uma guerra sem tréguas e
nutre contra nós um ódio de morte.
Apesar do grande poder e obstinação do demônio, e seu ódio mortal contra o
gênero humano, ele não pode tentar-nos e importunar-nos com a força ou pelo tempo
que ele queira, pois toda a sua influência é regulada pela vontade e permissão de Deus.
 Quando Deus permite a tentação, Ele nunca deixa que ela seja maior do que a 
nossa capacidade de repeli-la. É o que percebemos ao ler I Cor 10, 13: “Não tendes sido
provados além do que é humanamente suportável. Deus é fiel, e não permitirá que sejais
provados acima de vossas forças”.
Sendo assim, com piedade e pureza de intenção, devemos pedir a Deus que não
permita sermos tentados além do que podem as nossas forças, e nos faça, antes, tirar
alento da própria tentação, para que,resistindo com firmeza, fortaleçamos as nossas
virtudes e aumentemos os nossos merecimentos para fazer-nos dignos de alcançar, algum
dia, a graça suprema da visão beatífica.
 
Referência: O pecado original (Gn 3, 1-13).
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A PROMESSA DE DEUS
Vendo que o homem caíra na tentação, Deus, cheio de compaixão, não o
abandona, mas promete-lhe uma salvação:
“E o Senhor Deus disse à serpente: pois que fizeste isto, és maldita entre todos
os animais e bestas da terra: andarás de rastos sobre o teu peito, e comerás
terra todos os dias da tua vida.
Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade
dela. Ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar.”
(Gn 3, 14-15)
O PRIMEIRO ANÚNCIO DA SALVAÇÃO
Esse é o primeiro anúncio que a bíblia nos traz da vinda de Jesus Cristo e de sua
vitória sobre o demônio. Ela nos dá um curtíssimo relato de como as coisas ocorrerão e
quais as pessoas que estarão envolvidas.
Identificamos, em seu conteúdo, dois pontos: o primeiro é a promessa de Deus de
que o Mal seria vencido definitivamente; o segundo é que, se de uma mulher surgiu o
pecado, de outra nasceria aquele que venceria o demônio e tiraria o pecado do mundo.
A PROMESSA DE SALVAÇÃO
O pecado desencadeou contra o homem toda a sua força, trazendo contra ele o
veredicto divino que pesava sobre a transgressão do mandamento.
Por conseguinte, o homem ficou privado dos dons que havia recebido, como, por
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exemplo, a graça santificante com as virtudes sobrenaturais infusas e dos dons do
Espírito Santo; além disso, foi-lhe retirado o privilégio da integridade vinculado aos dons
sobrenaturais.
Observe que o privilégio da integridade tinha grande importância na vida do
homem, pois produzia a subordinação perfeita dos sentidos à razão, e do corpo à alma.
Através desse dom, o homem conseguia com que as faculdades afetivas não
experimentassem nenhum movimento desordenado.
Enfim, com a falta dos dons, o homem se viu em total desespero. Nada podia
levantar o gênero humano e reintegrá-lo ao estado primitivo, nem as forças humanas,
nem as forças angélicas.
A razão do homem não poder, por si mesmo, reconciliar-se com Deus é porque tal
empresa excedia os méritos e esforços da simples criatura, ainda que fosse a mais
perfeita. A salvação só podia vir de um Deus feito homem. 
Sendo assim, o homem não tinha como salvar-se, se Deus não usasse para com
ele de misericórdia.
Então, uma vez que o homem havia decaído de tão alta dignidade que teria Deus
de fazer? Deixar perecer algo que tinha participado da Sua imagem? Guardar silêncio e
ignorar o homem que foi enganado pelo demônio, sabendo que tal erro causaria a sua
ruína e perda? 
Pois bem, vendo a situação de ruína e desgraça em que o homem encontrava-se,
Deus não desamparou Adão e sua descendência em tão desventurada sorte. Ao lado da
justiça que pune, surge a misericórdia a perdoar, a prometer salvação.
A misericórdia de que Deus usou para com a humanidade foi prometer logo a
Adão um Redentor divino, ou Messias, enviá-Lo depois a seu tempo para libertar os
homens da escravidão do demônio e do pecado e merecer-lhe a glória.
Tal fato, no entanto, não podia acontecer sem a destruição da morte e da
corrupção (do corpo). Por conseguinte, convinha que o Redentor assumisse um corpo
mortal a fim de aniquilar em si a morte. Para tamanho empreendimento, Deus somente
poderia contar com a Imagem Dele próprio.
Ora, a Escritura ensina, em Jo 14, 9, que o Filho é a imagem do Pai: “Quem vê o
Filho, vê o Pai”. Caberia, portanto, ao Filho de Deus vir a terra assumir a fraqueza de
nossa carne, destruir a infinita malícia do pecado, e pelo Seu Sangue reconciliar-nos com
Deus.
A promessa de um redentor foi sendo repetida por Deus durante todo o Antigo
Testamento, inicialmente aos primeiros Patriarcas e, por meio dos Profetas, ao povo
hebreu.
A Providência irá conceder aos Patriarcas longuíssima vida para que ensinem a
seus descendentes a Religião revelada e para que, velando sobre a fiel tradição das
divinas promessas, perpetuem a fé no futuro Messias.
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POREI ÓDIO ENTRE TI E A MULHER
No mesmo instante que condenava o gênero humano, imediatamente após o
pecado, Deus fez nascer a esperança de resgate, pelas (próprias) palavras com que
anunciou ao demônio a dura derrota que lhe resultaria da libertação dos homens: "Porei
ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu
lhe ferirás o calcanhar".
A “mulher” citada no texto é Maria Santíssima, mãe de Jesus Cristo, que
despontará como uma nova Eva. Ela nascerá sem o pecado original e, durante sua vida,
não cometerá o pecado da desobediência, já que acolherá, plenamente, o chamado de
Deus com um “sim”. Ao contrário de Eva, que fez a própria vontade, Maria Santíssima
cumprirá a vontade de Deus.
ENTRE A TUA DESCENDÊNCIA E A DELA
A descendência da mulher de que fala a passagem de Gn 3, 15, “entre a tua
descendência e a (descendência) dela” (de Maria Santíssima), é Jesus Cristo.
Encontramos no livro do Apocalipse, em Ap 12, 4-5, uma referência a mesma
Mulher vista no Gênesis e a sua descendência direta (seu filho Jesus Cristo):
 
"Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que,
quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele
que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado
para junto de Deus e do seu trono".
 
Referência: O primeiro anúncio da Salvação (Gn 3, 14-15).
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AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
Em seguida aparecem as conseqüências do pecado da desobediência de Adão e
Eva, entre elas, a Morte:
“Disse também à mulher: multiplicarei os teus trabalhos, e (especialmente os
de) teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e desejarás com ardor a teu
marido, que te dominará.
E disse a Adão: porque destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da
árvore, de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita
por tua causa: tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da
tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra.
Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste
tomado, porque tu és pó, e em pó te hás de tornar.”
(Gn 3, 16-19)
O APARECIMENTO DA MORTE
Deus não apenas havia feito o homem do nada, mas também lhe tinha
graciosamente concedido a Sua própria vida pela graça do Verbo. 
O homem, entretanto, achando-se senhor de suas ações, decidiu desprezar e
transgredir a ordem de Deus, excluindo-O de sua vida.
O Senhor que presenciara a desobediência, inicialmente, amaldiçoou a serpente,
primeiro autor da desgraça; depois, sentenciou contra os culpados o devido castigo. 
Foram, então, duramente acusados e condenados por aquela terrível sentença: "A
terra será maldita por causa de tua obra. Com sacrifício tirarás dela o teu sustento, todos
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os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás ervas da terra”
(Gn 3, 17-18). Por fim, recebem o castigo anunciado para o caso de desobediência,
aparece a figura da morte no mundo: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até
que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.” (Gn 3,19).
Observe que seria incoerente que a palavra de Deus mentisse no caso de que,
promulgada com toda certeza a lei de morte para o homem transgressor do preceito, este
não morresse após a transgressão, mas ficasse sem efeito a sentença divina. Deus não
seria verdadeiro se após ter declarado que haveríamos de morrer, de fato não
morrêssemos. Portanto, como a sentença havia sido promulgada, ela, certamente, seria
executada.
Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus o destinava à imortalidade.
É, portanto, com o pecado que ele passou a ter os dias de sua vida contados. Vê-se,
desta forma, que Deus não criou a morte, ela entrou no mundo por causa do pecado. E o
assassino do homem, aquele que o fez pecar, foi exatamente o demônio. Por isso, Jesus
Cristo, em Jo 8, 44, chama odemônio de “homicida desde o princípio”, pois ele
realmente “matou” o homem, fê-lo experimentar a morte.
Perceba que o que aconteceu com nossos primeiros pais foi que a desobediência
ao mandamento os reconduziu ao seu estado natural, e assim como haviam passado do
nada ao ser, era justo que doravante fossem sujeitos no decurso do tempo à corrupção,
voltando ao nada. Por isso, uma vez que antes nada eram por natureza, e a presença e a
filantropia do Verbo os chamaram à vida, conseqüentemente, quando alheios a vontade
de Deus, os homens foram privados do ser, e voltaram ao nada.
Agora, se tivessem correspondido ao desejo daquele que os criou, teriam
diminuído a força da corrupção natural e se conservado incorruptível, conforme assevera
a Sabedoria: "O respeito das leis é garantia de incorruptibilidade” (Sb 6, 18).
O SOFRIMENTO E A DOR
Deus também havia criado o homem isento do sofrimento e da dor. Isso acontecia
porque a alma, por especial privilégio, protegia o corpo contra todo o mal e ela por sua
vez de coisa alguma podia receber dano, enquanto a vontade permanecesse submissa a
Deus.
Devido a queda do homem, Deus, para Se desagravar da ofensa, os pune com
toda a sorte de sofrimentos interiores e exteriores. Aparecem, então, o sofrimento e a
dor, como pode ser visto em Gn 3,16: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à
luz com dores”.
Deduz-se, do que foi dito nos parágrafos anteriores, que a morte e as outras
misérias corporais são efeitos do próprio pecado.
Observe que, apesar de tão graves sinais da cólera e vingança divina, transparece,
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como um clarão, o amor que Deus tem aos homens. Pois dizem as Escrituras: “Deus
Nosso Senhor fez para Adão e sua mulher umas túnicas de peles, e assim os cobriu” (Gn
3, 21). Nesse simples fato vai a maior prova de que Deus jamais haveria de abandonar
os homens.
Somente na volta triunfante de Jesus Cristo, quando o pecado for definitivamente
derrotado, é que a morte será vencida. Assim ensina São Paulo, em I Cor 15, 26, quando
diz que “o último inimigo a ser vencido será a morte”.
 
Referência: O aparecimento da morte (Gn 3, 16-22).
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O HOMEM É EXPULSO DO PARAÍSO
De imediato, surge outra conseqüência do pecado: o homem fica completamente
afastado da presença de Deus:
“O Senhor Deus expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden
querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da
árvore da vida.”
(Gn 3, 21-24)
A EXPULSÃO DO PARAÍSO
Enquanto contraía méritos para ser levado à glória, o homem habitava num jardim
de delícias, expressamente preparado por Deus, chamado Paraíso terreal.
Após algum tempo de provas e méritos no primitivo estado, receberia o galardão
que haveria de coroar a sua felicidade, qual seja, o céu da glória, em companhia dos
anjos, para onde seria levado por Deus.
No entanto, preferiu romper com a aliança que havia feito com seu criador e
passou a desobedecê-Lo na vã esperança de tornar-se igual a Ele.
Com isso, o homem perdeu a graça e a amizade de Deus; deixou de possuir o
direito a bem-aventurança eterna que havia de ser sua recompensa; suas faculdades
foram entibiadas; seu espírito passou a conhecer a ignorância e sua vontade propendeu
para o mal; foi desfeito a qualidade de filho de Deus e perdido a herança do Paraíso.
Sem poder mais viver na presença Divina, o homem foi desterrado daquele lugar
de delícias, lançado fora dali para que ganhasse o pão entre inumeráveis trabalhos e
fadigas, conforme se lê nas Escrituras: “um Querubim se postou à entrada do Paraíso,
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brandindo uma espada de fogo, para lhes tirar toda esperança de lá tornarem”.
Portanto, a expulsão do paraíso aconteceu devido o homem ter ofendido a Deus
infinitamente bom e digno por Si mesmo de ser amado. Sendo assim, a impossibilidade
de o homem morar no paraíso junto com seu criador foi ocasionada por ele próprio.
Jesus Cristo, na cruz, restituirá a Glória perdida com o pecado e libertará os
espíritos cativos, dando-lhes a oportunidade de, novamente, serem chamados de “filhos”
e poderem ficar na presença de Deus Pai.
Após a expulsão de Adão e Eva do paraíso, a Sagrada Escritura passa a contar,
através das histórias de seus descendentes, os desdobramentos resultantes do pecado
destes dois personagens. Um desses exemplos é a história de Caim que mata seu irmão
Abel. A intenção do autor sagrado é mostrar o que o pecado da desobediência levou a
maldade para dentro do coração do homem.
Importante comentar que Abel, o justo que é morto apesar da sua inocência, é
figura de Jesus Cristo, o Messias que haveria de morrer crucificado, sob os golpes de um
ódio cego e violento, pelos Judeus, seus irmãos.
A ÁRVORE DA VIDA
Em Gn 3, 19, observamos que é da natureza do homem ser pó, ou seja, ser
mortal. Mais adiante, em Gn 3, 22, encontramos o indício de que Deus havia concedido
ao homem, quanto a sua vida mortal, um dom além do natural, o dom da imortalidade.
Esse indício encontra-se de forma simbólica na expressão “Árvore da vida”, à qual o
homem perdeu o acesso quando de sua queda:
 
“E o Senhor Deus disse: Eis que o homem se tornou como um de nós,
conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e
tome também do fruto da Árvore da vida, e o coma, e viva eternamente“.
 
O homem somente obterá, novamente, o acesso à “Árvore da vida”, à Vida
Eterna, no final dos tempos, mas esta será alcançada não mais através de um dom
preternatural, como o da “imortalidade”, mas do dom da “ressurreição”.
O termo “morrer” significa não mais participar da vida bem-aventurada de Deus.
Isso aconteceu no momento em que o homem perdeu o acesso à “Árvore da vida” (Gn
3, 22).
 
Referência: O homem é expulso do paraíso (Gn 3, 23-24).
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A MALDADE CHEGA AO SEU LIMITE
O homem, entregue aos seus próprios pensamentos, é completamente dominado
pelo pecado que o leva ao sofrimento e à insatisfação. A maldade humana generaliza-se e
logo toda a criação perde o equilíbrio:
“O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os
pensamentos do seu coração estavam continuamente voltados para o mal.
O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração
ferido de íntima dor.”
(Gn 6, 5-6 )
DEUS ARREPENDE-SE DE TER CRIADO O HOMEM
Desde o início dos tempos, Deus infundiu nas criaturas o instinto de seu próprio
bem, de sorte que elas por uma propensão natural estão sempre a buscá-Lo.
Acontece que, com o pecado original, enquanto as criaturas irracionais
conservaram seu pendor natural, e até hoje continuam na bondade primitiva de sua
criação, o pobre gênero humano abandonou o bom caminho; pois não só deixou a perder
os dons da justiça original, com que Deus o dotara e enobrecera, além das exigências da
natureza humana, mas também suprimiu o apreciável gosto pela virtude, que é inato em
seu coração.
Afora isto, a atitude do homem também levou ao desfazimento do estado de
integridade e justiça original, o que rompeu com a harmonia entre homem e mulher, e
entre eles e toda a criação.
A conseqüência disto tudo foi que os descendentes de Adão começaram a se
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perverter e, em pouco tempo, toda terra se encheu de vícios e pecados.
A maldade, no entanto, não se deteve em certos limites, mas cresceu tanto que
ultrapassou qualquer medida, superando toda espécie de iniqüidade. Além do mais, não
se limitou a um só pecado, mas novos delitos foram sendo inventados. Difundiram-se
adultérios e roubos e toda a terra se encheu de morticínios e rapinas. Cidades guerreavam
entre si, nações se insurgiam contra nações, a terra estava dilacerada por rebeliões e
batalhas. Nem mesmo se abstinham do que é contra a natureza, conforme afirma o
Apóstolo: “Suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza;
igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns
para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si
mesmos a paga de sua aberração” (Rm 1, 26-27).
Quanto a tudo isso, diz a Escritura que “todos se transviarame se corromperam
sem exceção. Não há quem faça o bem, não aparece um sequer.” (Sl 52, 4). Realmente,
todos, individualmente e em comum, cometiam toda espécie de pecados.
Com a maldade dominando o homem, ninguém passou a achar mais gosto nas
coisas da salvação, todos se inclinaram para o mal e se deixaram dominar pelas más
tendências, como à cólera, o ódio, à soberba, à ambição, e todas as demais espécies de
maldades. O resultado de tudo isso é um assustador aumento do sofrimento e da
insatisfação.
Diante da escolha do homem pelo mal, Deus sofre profundamente, chegando, de
certa maneira, a arrepender-se de tê-lo criado, como diz a Escritura: “O Senhor
arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor”.
(Gn 6, 6).
Apesar de sua tristeza, Deus, na sua justiça, não se esqueceu de ter misericórdia
para com o homem. Lembrando que tinha prometido a Eva um Messias que havia de
salvar os homens, conservou a vida de um justo em meio aquele turbulento período. Noé
será herdeiro da posteridade donde sairá o Salvador esperado.
 
Referência: A maldade humana (Gn 6, 1-7).
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A ARCA DE NOÉ
Deus manifesta seu descontentamento através do dilúvio. Esforça-se, entretanto,
em salvar a Noé e sua família, pequeno grupo que, livremente, procura seguir seus
ensinamentos. O dilúvio será a resposta de Deus aos homens que buscam a maldade e a
Arca de Noé a resposta aos que procuram segui-lo:
“E disse: ‘Exterminarei da superfície da terra o homem que criei porque me
arrependo de tê-lo criado’.
Noé, entretanto, encontrou graça aos olhos do Senhor. Noé era um homem
justo e perfeito no meio dos homens de sua geração.
Então Deus disse a Noé: ‘Faze para ti uma arca de madeira resinosa. Eis que
vou fazer cair o dilúvio sobre toda a terra. Tudo que está sobre a terra
morrerá’.”
(Gn 6, 8-17; 7, 1-4)
O DILÚVIO
Diante de tanta corrupção, Deus decide castigar o gênero humano com um dilúvio
universal.
O Senhor vinha avisando sobre o castigo desde Henoch, isto é, durante quase mil
anos adiava sua decisão na esperança dos homens abandonarem o mau caminho; mas o
abuso das graças fatalmente acarreta a punição: desta feita, veio terrível e deixou uma
lembrança imorredoura.
Assim, durante quarenta dias e quarenta noites chove tanto que as águas cobrem
os montes mais altos. Morrem afogados todos os homens, salvando-se apenas Noé e sua
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família.
Noé foi salvo devido a sua estrita obediência, pois havia acatado a ordem de Deus,
recebida muito antes do dilúvio, para que começasse a fabricar sua Arca.
O relato do dilúvio tem o objetivo de mostrar a extensão destruidora do pecado de
Adão na vida dos homens. Para o autor sagrado, a corrupção da humanidade aumentou
de tal forma que Deus se utilizou das coisas inanimadas como instrumento à Justiça
divina para castigar o pecado, fazendo padecer o pecador as conseqüências de sua culpa.
Sendo assim, o dilúvio aconteceu porque o pecado dos homens chegou a tal limite
que Deus, assim como aconteceu em Sodoma e Gomorra, precisou intervir. Com efeito,
não poderia Deus, por ser justo e puro, apesar de ser amor e misericórdia, deixar o mal
imperar de forma absoluta.
O Dilúvio foi um grande acontecimento que purificou e renovou a terra. A Igreja o
considera figura do batismo de Jesus Cristo, que hoje lava os nossos pecados.
Observe que o antigo uso dos sacrifícios outra vez posto em vigor por Noé ao sair
da arca e aceito solenemente por Deus, destaca os animais puros, figura de Jesus Cristo,
como os únicos a serem admitidos nos holocaustos: 
“E Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas
as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar" (Gn 8, 20). 
Diz a Sagrada escritura que Deus ficou muito satisfeito com a piedade do seu
servo e manifestou-lhe que tinha por agradável este sacrifício: "O Senhor respirou um
agradável odor". (Gn 8, 21).
Com relação à questão dos sacrifícios é importante fazer algumas considerações:
Após a queda, não havia nenhum meio possível do homem voltar a reconciliar-se
com Deus que não fosse pela mediação do Redentor, o qual lhe havia sido prometido por
uma misericórdia completamente gratuita.
Sendo assim, todas as práticas do culto e da moral realizadas pelo homem teriam
que se apoiar nos méritos futuros do Messias e só obteriam valor por sua união com eles.
Devido a isso, o culto depois da queda passou a revestir um caráter
excepcionalmente novo; veio a ser, ao mesmo tempo, expiatório e representativo.
Era expiatório no sentido de que o homem culpado não poderia mais contentar-se
em dar, como tributo a Deus, uma simples homenagem de adoração, louvor e
agradecimento, como acontecia nos dias da sua inocência; mas, doravante, como
expiação acrescentaria a oferta dos produtos da terra, e já que, segundo explica o
Apóstolo São Paulo, não há expiação sem efusão de sangue (Hb 9, 22), haveria de
oferecer animais em sacrifício.
Através do sacrifício expiatório, o homem confessa que é pecador e reconhece que
não tem mais direito a vida; e para externar esta disposição, derrama o sangue de uma
vítima em lugar do próprio sangue.
O culto da religião primitiva também era representativo. Com efeito, o sangue das
vítimas imoladas, por si mesmo, não era apto a satisfazer a justiça de Deus. Da mesma
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forma, o Senhor não queria o sangue do homem, o qual, aliás, não teria nenhum valor
para Ele. Mas aceita os sacrifícios que Lhe eram ofertados porque representam e
anunciam o único sacrifício que devia expiar o pecado cometido, isto é, a imolação de
Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.
NOÉ
Em meio a toda aquela corrupção, surge um homem justo, da família de Seth,
ardente de amor por Deus e desejoso de escutar e cumprir suas ordens. Seu entusiasmo
e zelo chegam à presença do Senhor que, por causa de sua fidelidade, decide dar uma
nova chance à humanidade.
A misericórdia divina para com a humanidade se manifesta através de uma aliança
entre Deus e Noé, representando todos os homens.
Encontramos essa verdade em Eclo 44, 17-19: “Noé foi julgado justo e perfeito, e
no tempo da ira tornou-se o elo de reconciliação. Por isso foram deixados alguns na
terra, quando veio o dilúvio. Ele foi o depositário das alianças feitas com o mundo, a fim
de que ninguém doravante fosse destruído por dilúvio”.
Noé, salvando a humanidade da destruição, pressagiava o futuro Redentor que
purificaria do pecado toda a raça humana, preservando-a da morte eterna.
Ele será o exemplo de homem que o mundo, repleto de pecado, precisará se
espelhar até a vinda de Jesus.
Perceba que, por causa de Noé, homem justo, Deus salvou sua família e os
animais. Lembre-se que, para a Sagrada Escritura, homem justo é aquele que tem uma
vida íntegra e reta diante de Deus, ou seja, que obedece a Sua vontade. Sejamos,
portanto, justos diante Deus e assim, Ele, em sua infinita misericórdia, poderá nos salvar
e também as nossas famílias da morte.
Por fim, vale lembrar que depois do dilúvio, Cam, um dos filhos de Noé, veio a
 desrespeitá-lo. Este, então, pronunciou contra ele uma pena gravíssima, sua
descendência seria reduzida a condição de escravidão, e a seus irmãos, Sem e Jafet, deu
uma bênção como prêmio pela compaixão demonstrada:
"Noé, que era agricultor, plantou uma vinha. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e
apareceu nu no meio de sua tenda. Cam, o pai de Canaã, vendo a nudez de seu pai, saiu
e foi contá-lo aos seus irmãos. Mas, Sem e Jafet, tomando uma capa, puseram-na sobre
os seus ombros e foram cobrir a nudez de seu pai, andando de costas; e não viram a
nudez de seu pai, pois que tinham os seus rostos voltados. Quando Noé despertou de sua
embriaguez, soube o que lhe tinha feito o seu filho mais novo. Disse Noé:
'Abençoado seja Sem pelo Senhor, meu Deus, Canaã seja seu escravo. Deus
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engrandeça Jafet e encontre morada nas tendas de Sem e seja Canaã escravo deles.'"
(Gn 9, 20-24).
Este primado de Sem somente pode ser entendido em sentido messiânico; isto é,
será de Sem que descenderá a estirpe destinada ao domínioespiritual do mundo, como
portadora da salvação.
A ARCA E A IGREJA
A Arca, onde a família de Noé se estabeleceu para fugir do dilúvio, é figura da
Igreja, que acolhe a todos para levá-los a salvação eterna. A relação é a seguinte: assim
como ninguém sobreviveu fora da Arca de Noé, ninguém se salva fora da Igreja.
Sendo assim, fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-
se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé.
Nesse sentido escreve São Jerônimo ao Papa Dâmaso: "Estou a falar com quem
sucedeu ao Pescador, com o Discípulo da Cruz. Nenhum chefe supremo reconheço
senão a Cristo; por isso me ponho em comunhão com vossa Santidade, isto é, com a
cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja. Quem comer o
Cordeiro fora desta casa, não pertence ao povo eleito. Quem se não recolher na Arca de
Noé, há de perecer por ocasião do Dilúvio" (MARTINS, p. 170).
Portanto, podemos afirmar que para salvar os homens, Noé construiu a Arca,
Jesus Cristo, a sua Igreja.
 
Referência: Noé, o dilúvio e a Arca (Gn 6-8).
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O SINAL DA PRIMEIRA ALIANÇA
Depois do Dilúvio, cheio de compaixão, Deus faz uma primeira aliança com a
nova humanidade. Como sinal desse pacto, Deus faz aparecer o arco-íris no céu:
“Deus disse a Noé: ‘Eis o sinal da aliança, que Eu faço convosco e com todos
os animais viventes, que estão convosco, por todas as gerações futuras: Porei
o meu Arco nas nuvens, e ele será o sinal da aliança entre mim e a terra’.”
(Gn 9, 12-13)
O ARCO-ÍRIS
Segundo as Escrituras, o Arco-íris no céu é um ato de amor, onde Deus demonstra
seu desejo de esquecer o pecado da humanidade ao desistir de destruir o mundo.
Este sinal chancela a primeira aliança de Deus com o homem após seu pecado,
tendo como propósito prepará-lo para sua futura redenção:
 
"Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco
aparecerá nas nuvens, e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo
de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura.” (Gn
9,14-16).
 
Noé foi o protagonista dessa primeira Aliança. Sua importância é tão grande que
permaneceu em vigor durante todo o tempo das nações até à proclamação do Evangelho:
 
“Dirigindo-se a Noé, Deus acrescentou: Este é o sinal da aliança que faço entre
mim e todas as criaturas que estão na terra." (Gn 9, 17).
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Seu fundamento consiste na observância, pelo homem, dos primeiros
mandamentos divinos. Tais exigências tinham por objetivo preparar a humanidade para a
vinda do Redentor:
 
“Deus abençoou Noé e seus filhos e disse-lhes:
Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Toda a ave do céu, tudo o que se
arrasta sobre o solo e todos os peixes do mar: eles vos são entregues nas mãos. Tudo o
que se move e vive vos servirá de alimento; eu vos dou tudo isto, como vos dei a erva
verde. Somente não comereis carne com a sua alma, com seu sangue. Eu pedirei conta
de vosso sangue, por causa de vossas almas, a todo animal; e ao homem (que matar) o
seu irmão, pedirei conta da alma do homem.” (Gn 9, 1-7).
 
Referência: A nova humanidade e a Aliança com Deus (Gn 9).
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A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS
Ocorre que, como o dilúvio não libertou os homens do pecado, os descendentes
de Noé voltam a pecar e, mais uma vez, se afastam de Deus:
“Depois disseram: ‘Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo
cimo atinja os Céus.”
(Gn 11, 4)
A TORRE DE BABEL
Após o dilúvio, a humanidade volta a mostrar sua natureza ferida pelo pecado
original. Muito embora houvesse conservado o desejo do bem, era atraída pelo mal e
sujeita ao erro. 
Por conta disto, a resposta dos descendentes de Noé à Aliança de Deus é idêntica
à que levou nossos primeiros pais ao pecado: orgulhosos, continuam desejosos de
tornarem-se iguais a Deus. 
Essa posição soberba do homem de desejar construir, isolado de Deus, o próprio
caminho é vista, simbolicamente, na Torre de Babel. 
Sua história é a seguinte: Durante muitos anos os descendentes de Noé habitaram
numa mesma região, na planície de Senaar. Acontece que com o tempo foram
multiplicando-se de tal forma que ficaram sem condições de viverem juntos, precisando
de novas terras. Disseram, então, entre si: “Vinde, façamos para nós uma cidade e uma
torre, cujo cimo chegue até ao céu, e tornemos célebre o nosso nome, antes que nos
espalhemos por toda a terra” (Gn 11, 4).
Babel quer dizer “confusão”, pois Deus, ofendido com o orgulho dos homens em
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quererem construir uma torre que chegasse ao céu, desceu e confundiu suas línguas, de
maneira que os soberbos edificadores, não se entendendo uns aos outros, tiveram de
dispersar-se sem levar adiante seu ambicioso projeto. Observe que até aquele momento
os homens falavam uma só e mesma língua.
Em Pentecostes, após a efusão do Espírito Santo, encontraremos o surgimento de
homens totalmente dispostos a obedecer e realizar a vontade Deus, exatamente o
contrário da atitude soberba que tiveram os homens que edificaram a Torre de Babel.
Por isso, em Pentecostes, as diferentes raças e línguas não serão obstáculos para que os
povos de outras nações venham a compreender o louvor que os apóstolos farão subir ao
céu como ato de adoração a Deus.
A CRIAÇÃO DE UM NOVO POVO
Os homens, ao separarem-se, levaram por toda a parte as tradições dos
acontecimentos anteriores e a promessa de um Salvador; e acima de tudo, a idéia de um
Deus criador e único.
Porém, à medida que o tempo ia passando, os homens esqueciam as sãs tradições
que tinham recebido dos antepassados. A soberba os levava a não mais acreditarem em
Deus e em suas promessas; até chegar ao ponto do culto supremo ser rebaixado às
criaturas e negado ao Senhor. 
Sendo assim, o homem passou a adorar os próprios objetos que fazia. Pensava
que podia prender o espírito divino e encerrá-lo nas estatuas que criasse.
A idolatria, dessa forma, passou a cobrir a terra. Tudo era Deus, menos o próprio
Deus, e o mundo, que Deus criara para manifestar a sua onipotência, parecia ter se
tornado um templo de ídolos.
Impurezas imagináveis foram introduzidas nos sacrifícios. O homem culpado
passou a julgou que não poderia mais satisfazer sua divindade com as vitimas ordinárias.
Passou, então, a derramar o sangue humano com o dos animais. Esse processo cresceu
tanto que chegou ao ponto dos pais imolarem seus próprios filhos. 
Finalmente, o homem foi divinizando as próprias paixões; excluindo o remorso de
seu coração, passou a cometer crimes horrorosos contra a sua natureza.
Deus viu que a maldade cresceu assustadoramente na humanidade e que esta
chegou ao extremo de perder o conhecimento do verdadeiro Deus, ao entregar-se à
idolatria.
Então, a fim de conservar na terra a verdadeira religião, Deus decide escolher um
povo e tomar a seu cargo o governá-lo com especial providência, preservando-o da
corrupção geral. 
A este povo, Deus ensinará, desde a sua origem, a tê-lO como único e verdadeiro
Deus. 
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Para conduzi-lo nesta jornada, Deus se revelará como nunca havia feito, e para
alguns de seus membros, falará face a face, como a um amigo bem próximo, tudo por
conta do amor que tais homens demonstrarão. Apesar das fraquezas que, porventura,
alguns venham a ter, nunca deixarão de existir homens em seu meio cujos corações
coloquem o Senhor acima de todas as coisas.
Será a partir deste pequeno rebanho que nascerá o Filho de Deus.
 
Referência: A Torre de Babel (Gn 11, 1-9).
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DEUS DIRIGE-SE A ABRÃO
Deus, a fim de iniciar seu povo, dirige-se pessoalmente a um homem, Abrão, não
mais à humanidade inteira, para com ele fazer aliança e preparar o bem de todos:
“O Senhor disse a Abrão: ‘Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai, vai
para a terra que Eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; todas as famílias
da terra serão benditas em ti.’
Tomou Sarai, sua mulher, e Ló, filho de seu irmão, assim como todos os
bens que possuíam e os escravos que tinham adquirido em Harã, e partiram
para a terra de Canaã.
O Senhor apareceu a Abrão e disse-lhe:'Darei esta terra à tua posteridade'.”
(Gn 12,1-7)
O INÍCIO DE UM POVO
Deus sempre teve na terra adoradores verdadeiros a quem Ele salvou da
corrupção e do erro por efeito da sua graça. Estes justos foram santificados pela fé no
Messias prometido e pelas obras que praticavam com o auxilio da sua graça.
Entre esses justos encontramos um homem da Caldéia, de nome Abrão. Deus o
escolheu para torná-lo o predecessor de um novo povo que desenvolverá os alicerces da
verdadeira Aliança.
Abrão e sua esposa, Sarai, moravam ao norte da Mesopotâmia. Abrão era
descendente dos antigos Patriarcas pela linhagem de Heber. Por isso, o povo que se
originará dele será chamado Povo hebreu.
Deus ordena-lhe que saia de sua terra e caminhe para a terra de Canaã, chamada
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também Palestina, prometendo-lhe que o faria cabeça de um grande povo e que de sua
descendência nasceria o Messias.
O apelo de Deus é exigente: Abrão deve deixar seu modo de vida pagão e confiar
unicamente em Deus. Poderia ele recusar, mas aceita a obscuridade da fé.
Saiu, então, Abrão de sua terra e foi para Canaã, conforme Deus lhe ordenara.
Ao povo que nascerá do sim de Abrão será cobrado o fundamento da Aliança
aceito por seu Patriarca, qual seja, ter o Senhor como único Deus.
Observe que Deus escolheu criar uma nova nação e não utilizar uma das já
existentes na terra. Sua intenção era provocar o estímulo das nações, para que estas,
vendo a felicidade dos israelitas, convertessem-se ao culto do Deus verdadeiro.
Tempos depois, no Monte Sinai, Deus fará com este povo uma “Aliança”:
"Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o
meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vós me sereis um
reino de sacerdotes e uma nação consagrada." (Ex 19, 5-6)
No alto da cruz, Jesus Cristo fará com este mesmo povo uma “Nova Aliança”. A
partir dela, surgirá um “novo povo”, a “Igreja”, corpo místico de Cristo, do qual surgirá
um “novo reino de sacerdotes e uma nova nação consagrada”.
DAREI ESTA TERRA À TUA POSTERIDADE
Esta posteridade mencionada no texto e na qual recairão as promessas feitas a
Abraão, será Jesus Cristo. É o que nos fala São Paulo em Gal 3, 16: “Ora, as promessas
foram feitas a Abraão e à sua Descendência. Não diz: aos seus descendentes, como se
fossem muitos, mas fala de um só: e à tua descendência, isto é, a Cristo”.
 
Referência: A escolha de Abrão (Gn 12-14).
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DEUS TESTA A FÉ DE ABRÃO
Devido a grandeza da missão de Abrão, Deus precisou testar sua fé, e, para tanto,
não lhe concedeu, durante muitos anos, a graça de ter filhos:
“A palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão, nesses termos: Nada
temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande’.
Abrão respondeu: ‘Vós não me destes posteridade, e é um escravo que será o
meu herdeiro’.
Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nesses termos: ‘Não é ele que será
o teu herdeiro, mas aquele que vai sair de tuas entranhas’.
Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça.”
(Gn 15, 1-6)
A FÉ DE ABRÃO É TESTADA
Deus testa a fé de Abrão de uma forma muito concreta. No início, quando Deus
lhe apareceu, prometeu-lhe uma numerosa posteridade. Esta era a grande promessa. No
entanto, o tempo passou e Sarai não lhe deu filhos.
Apesar disso, Abrão não deixou de acreditar em Deus, mesmo vendo-se com
quase 100 anos e Sarai, sua mulher, com 90. Acreditava que, para aquele que tudo criou,
nada pudesse ser impossível.
Por isso, Deus “prometeu que ele cresceria como o pó da terra. Prometeu-lhe que
exaltaria sua raça como as estrelas, e que seu quinhão de herança se estenderia de um
mar a outro: desde o rio até as extremidades da terra. Ele fez o mesmo com Isaac, por
causa de seu pai, Abraão" (Eclo 44, 22-24).
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Neste momento, Deus ordena que Abrão praticasse a circuncisão e usasse este
mesmo costume para com todos os filhos que nascessem de seu sangue.
O NOME ABRÃO MUDA PARA ABRAÃO
Quando Abrão aceita fazer a aliança com Deus, Este modifica seu nome de Abrão
(um pai elevado) para Abraão (o pai de uma multidão) (Gn 17, 5). A intenção de Deus
foi mudar a missão de Abraão, que deixou de ser o patriarca de sua família, para ser o
pai do povo de Deus. Isso também ocorrerá com Sarai, sua esposa estéril, que terá seu
nome mudado para Sara (mãe das nações), agora uma mulher fértil.
Essa atitude de Deus, de modificar o nome, é observada na Sagrada Escritura
quando Ele deseja mudar a missão de alguém. É, por exemplo, o caso da mudança do
nome de Jacó para Israel, que passou a ter como missão desenvolver o povo de Deus
(Gn 32, 28: “Teu nome não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque lutaste com
Deus e com os homens, e venceste.”).
Também encontramos isso acontecer quando Jesus Cristo muda o nome de Simão
para Pedro (Jo 1, 42: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Kepha.”, em
português Cefas, que quer dizer pedra). Em Mt 16, 18, Jesus explica o porquê dessa
mudança: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as
portas do inferno não prevalecerão contra ela.”. Portanto, Jesus está dando uma nova
missão a Pedro. Será sobre a fé e o testemunho de Pedro que Cristo construirá a sua
Igreja. Como pastor do rebanho, terá por missão defender a fé de todo desfalecimento e
de consolidar nela os outros apóstolos. Pedro viria a ser o primeiro Bispo de Roma e a
sucessão Papal prova que sua missão foi bem sucedida.
SODOMA E GOMORRA
Em Gn 18, 20, Deus fala a Abraão que "é imenso o clamor que se eleva de
Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande". Anuncia, nesse momento, seu
plano de castigar Sodoma devido seus habitantes serem “perversos, e grandes pecadores
diante do Senhor” (Gn 13, 13).
Abraão, apesar de saber como Sodoma estava se comportando, intercede pelo
povo sodomita. Deus se compraz com os sentimentos de Abraão e diz que se
encontrasse pelo menos dez pessoas justas, ela não seria destruída. No entanto, não
existindo o número definido, acabou a cidade por ser aniquilada.
A epístola de Judas, em Jd 1, 7, traz uma forte luz sobre o pecado dos habitantes
de Sodoma e Gomorra: “Da mesma forma Sodoma, Gomorra e as cidades
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circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a
natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”.
Para o autor sagrado é preciso fugir absolutamente da ociosidade. Conforme se lê
nas profecias de Ezequiel, foi o ócio que embruteceu os habitantes de Sodoma e os
precipitou naquele imundíssimo crime da mais abjeta devassidão:
 
"O crime da tua irmã Sodoma era este: opulência, glutoneria, indolência,
ociosidade; eis como vivia ela, assim como suas filhas, sem tomar pela mão o miserável e
o indigente. Tornaram-se arrogantes e, sob os meus olhos, se entregaram à abominação;
por isso Eu as fiz desaparecer." (Ez 16, 49-50)
 
A passagem em que Deus aniquila as cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 18-19)
mostra o quanto Deus abomina as perversões sexuais. Este tipo de maldade expande-se
pelo mundo de forma violenta, numa afronta direta ao plano de Deus para com a
humanidade. São Pedro, em II Pd 2, 6, explica que Deus “condenou à destruição e
reduziu à cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra para servir de exemplo para os ímpios
do porvir”. Isso nos faz pensar: até quando Deus terá paciência com este mundo?
 
Referência: A aliança com Deus e a intercessão por Sodoma (Gn 15-20).
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O SACRIFÍCIO DE ISAAC
Enfim, chega o dia em que a promessa é cumprida e Sara concebe. Deus, então,
decide provar Abraão uma segunda vez, pedindo-lhe o sacrifício de Isaac:
“Sara concebeu e, apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão, no
tempo fixado por Deus.
Depois disto, Deus provou a Abraão. Deus disse:‘Toma teu filho; teu único
filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás
em holocausto’.
No dia seguinte, tomou consigo Isaac e partiu.
Quando chegaram ao lugar, Abraão edificou um altar; Amarrou Isaac e o pôs
Isaac sobre o altar. Depois, estendendo a mão, tomoua faca para imolá-lo.
O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do céu: ‘Abraão! Abraão!’ - ‘Eis-me
aqui!’
- ‘Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora sei
que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único’.”
(Gn 21, 2; 22, 1-12)
DEUS TESTA NOVAMENTE A FÉ DE ABRAÃO
O Senhor, quando apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré, prometeu-lhe
que dentro de um ano Sara conceberia.
O ano passou e o Senhor visitou Sara, cumprindo em seu favor o que havia
prometido.
Desta forma, Sara concebeu e, apesar de sua velhice, deu à luz um filho a Abraão,
59
no exato período fixado por Deus. Abraão deu-lhe o nome de Isaac. Passados oito dias
do seu nascimento, circuncidou-o, como Deus lhe tinha ordenado.
Algum tempo depois, Deus decide provar novamente a fé de Abraão.
Então, pela segunda vez, Deus aparece e pede-lhe algo além de sua compreensão:
deveria levar Isaac à terra de Moriá, onde o ofereceria em holocausto sobre um dos
montes.
Para Abraão, esse pedido era extremamente difícil de obedecer, já que Isaac lhe
fora dado como um presente pela sua confiança, pelo seu despojamento e pela sua
perseverança em manter a Aliança com o Senhor.
Abraão, no entanto, seguro das promessas, não titubeou na fé, e, como está na
Sagrada Escritura, esperou contra a própria esperança; preparou tudo para o sacrifício e
saiu para executá-lo.
No último instante, entretanto, um Anjo deteve-lhe a mão, e, como prêmio de sua
fidelidade, Deus o abençoou e lhe anunciou que daquele seu filho nasceria o Redentor do
mundo:
 
“Porque assim procedeste, a ponto de não poupar teu filho único, Eu te
abençoarei, e multiplicarei tua descendência como as estrelas do céu, e como a areia que
jaz nas praias do mar. Tua geração possuirá as portas de teus inimigos, e em tua raça
serão abençoados todos os povos da terra, porque obedeceste à minha voz.” (Gn 22, 15-
18)
 
Destas palavras, percebe-se que, da posteridade de Abraão, nascerá Aquele que
haverá de livrar todos os homens da horrenda tirania de Satanás, e trazer-lhes a salvação.
O Messias, ainda que seja, como homem, gerado do sangue de Abraão, deverá ser
[também] Filho de Deus para que possa cumprir tal promessa.
Mesmo com o transcorrer dos anos, Deus nunca deixou de renovar a recordação
de Sua promessa, nem de manter a esperança do Salvador entre os descendentes de
Abraão.
O sacrifício que Deus acaba de exigir de Abraão é uma imagem do sacrifício
futuro de Jesus Cristo. Os pontos que os identificam são os seguintes: Ambos são
levados a serem sacrificados em um monte. Isaac carregou a lenha do sacrifício, Jesus há
de carregar a cruz, instrumento do seu suplicio. Isaac consente na própria imolação,
Jesus se oferece à morte. Abraão, não obstante o amor pelo filho inocente, está pronto
para feri-lo; Deus Pai, não obstante seu amor por Jesus Cristo, dispôs-se a entregá-lo à
cruz. Depois do sacrifício tanto Isaac como Jesus continuam vivos.
 
Referência: A história de Isaac, Jacó, Esaú e José (Gn 21-50).
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61
A ESCRAVIDÃO NO EGITO
Devido a uma grande seca, os descendentes de Abraão vão se estabelecer no
Egito. Habitam nesta terra durante quatro séculos e crescem de tal forma que passam a
ser um povo. Acontece que um faraó, considerando-os um perigo nacional, devido ao
seu grande número, procura eliminá-los:
“Entretanto, subiu ao trono do Egito um novo rei, que não tinha conhecido
José.
Ele disse ao seu povo: ‘Vede: os israelitas tornaram-se numerosos e fortes
demais para nós. Vamos! É preciso tomarmos precaução contra eles e impedir
que se multipliquem, para não acontecer que, sobrevindo uma guerra, se
unam com os nossos inimigos e combatam contra nós, e se retirem do país’.”
(Ex 1, 8-10)
OS HEBREUS NO EGITO
Durante muito tempo os hebreus, descendentes de Jacó, foram respeitados e
tolerados pelos egípcios. 
Deus os havia levado para o Egito para dar ao povo escolhido tempo suficiente
para proliferar e tornar-se capaz de conquistar e povoar a terra que lhe era destinada. 
Acontece que devido terem se multiplicado tanto, a ponto de formarem um grande
povo, um novo Faraó, que não os conhecia e assustado com esta imensa massa de
estrangeiros que não tinham o culto nem os costumes dos Egípcios, decidiu oprimi-los
com o jugo da mais dura escravidão.
Foram então forçados a construírem diques para deter as águas do Nilo, muralhas
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para cercar as cidades, canais e toda espécie de serviços forçados. Considerando que os
hebreus ainda estavam se multiplicando, Faraó ordenou que os filhos varões recém-
nascidos fossem jogados no Nilo.
Entretanto, a bondade de Deus os amparou de tal forma que se multiplicavam
milagrosamente, por mais que Faraó se opusesse a eles e procurasse exterminá-los.
Quando a perseguição atingiu grande intensidade, e passaram a ser tratados com a
maior crueldade, Deus suscitou como chefe a Moisés, que os liderou com o auxílio de
Seu poder.
Caso Deus não os tivesse arrancado das mãos de seus cruéis opressores, todo o
povo hebreu teria perecido na escravidão do Egito.
A respeito do sofrimento dos hebreus no Egito é importante mencionar o quanto
isso foi significativo para trazer o povo de volta a Deus.
Para entender esta questão é preciso compreender que, se por um lado, a
permanência dos hebreus no Egito serviu para que eles se desenvolvessem, tornando-os
um grande povo, por outro, o longo contato com a cultura e religião Egípcia fez com que
grande parte deles esquecesse a aliança que tinham feito com Deus.
Por conta disso, a escravidão no Egito, com um cativeiro duro e insuportável, ao
invés de abatê-los, acabou servindo tanto para reascender o desejo de ver realizada a
promessa proferida por Deus a Abraão, como para libertá-los da forte atração exercida
pela civilização egípcia, que os influenciava há quatro séculos.
 
Referência: A escravidão no Egito dos hebreus (Ex 1).
63
DEUS NA SARÇA ARDENTE
Vendo a opressão que sofriam os judeus, Deus escolhe Moisés para salvá-los e a
ele se apresenta no Monte Sinai, do meio de uma sarça ardente:
“O Senhor disse a Moisés: ‘Eis que os clamores dos Israelitas chegaram até a
mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios. Vai, Eu te envio ao Faraó
para tirar do Egito os Israelitas, meu povo’.
Moisés disse a Deus: 'Quem sou eu para ir ter com Faraó e tirar do Egito os
israelitas?’
- 'Eu estarei contigo', respondeu Deus.
Moisés disse a Deus: 'Quando eu for para junto dos israelitas e lhes disser que
o Deus de seus pais me enviou a eles, que lhes responderei se me perguntarem
qual é o seu nome?’
Deus respondeu a Moisés: ‘EU sou aquele que SOU’.
E ajuntou: ‘Eis como responderás aos israelitas: é Javé, o Deus de Isaac e o
Deus de Jacó. Este é o meu nome para sempre, e é assim que me chamarão de
geração em geração’.”
(Ex 3, 9-10; 3, 14-15)
DEUS SE REVELA
Deus não tem corpo como nós, pois está, absolutamente, isento de matéria e de
qualquer elemento estranho ao seu ser. Portanto, não podemos vê-Lo enquanto
habitarmos neste mundo. Somente no céu com os olhos da alma glorificada é que O
contemplaremos. É o que nos diz São João: "Caríssimos, agora somos filhos de Deus,
64
mas ainda não se manifestou o que seremos. No entanto, sabemos que, ao tornar-se
manifesto, seremos semelhantes a Ele, porquanto O veremos como é." (I Jo 3, 2).
Apesar de não podermos contemplá-Lo face a face, quis Deus, por amor ao
homem, apresentar-se no monte Horeb. Neste lugar, o Senhor, do meio da sarça ardente,
revelou-se a Moisés ao descrever-se como “Eu sou aquele que sou” (Ex 3, 14).
“Aquele que sou” (Yahweh) traduz a grandeza daquele que é todo perfeito, pois,
enquanto o homem, como criatura, precisa “estar sendo” formado para atingir sua
perfeição, Deus, como criador, já “É”, não necessitando de mais nada. Portanto, Deus
não se apresenta com um nome humano, como Paulo, por exemplo, mas como aquele
que “tudo que existe Dele depende” e também como aquele que “não teve começo e não
terá fim”.
A expressão, “Eu sou”, também foi utilizada, no mesmo sentido acima, por Jesus
Cristo,em Jo 8, 56-58, ao proclamar-se como o próprio Deus para os Judeus: “Abraão,
vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria.
Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinqüenta anos e viste Abraão!… Respondeu-
lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, Eu sou”.
Por fim, cabe mencionar que até aquela época Deus tinha falado com os patriarcas
sem praticar prodígio algum que o desse a conhecer. Mas agora, depois de ter escolhido
Moisés para ensinar a Religião que devia perdurar até a vinda do Messias, o Senhor
concede um duplo meio de atestar a veracidade da sua delegação: a profecia e o milagre.
 
Referência: Moisés e a sarça ardente (Ex 2-4).
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A LIBERTAÇÃO DO EGITO
A libertação do povo hebreu do Egito ocorreu com o enfrentamento de muitas
dificuldades. Começou com as dez pragas e foi concluída após a travessia do Mar
Vermelho pelo povo cativo:
“Deus disse: ‘E quando vossos filhos vos disserem: Que significa este rito?
Respondereis: é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os
egípcios, passou por cima das casas dos Israelitas no Egito e preservou nossas
casas’.”
(Ex 12, 26-27)
OS HEBREUS FOGEM DO EGITO
Deus, para livrar o povo que estava cativo no Egito, serviu-se de um hebreu,
chamado Moisés, que havia sido salvo das águas do Nilo pela filha do Faraó.
Quando Moisés cresceu, ordenou-lhe o Senhor que, em companhia de seu irmão
Aarão, fosse até o Faraó e o intimasse a permitir a saída dos hebreus do Egito. O Faraó
recusou. Então Moisés, a mando de Deus, feriu o Egito com dez pragas.
A última delas foi a mais terrível. Por volta da meia-noite, um anjo passou pela
casa de todas as famílias do Egito e matou todos os primogênitos dos egípcios, tanto dos
homens como dos animais, começando pelo filho do Faraó.
Depois desse fato, o Faraó e todos os egípcios apressaram os hebreus a que
saíssem. No entanto, quando os hebreus estavam junto à praia do Mar Vermelho, Faraó
arrependeu-se de tê-los deixado sair e indo ao encalço deles os alcançou junto ao mar.
Naquele momento, Deus concedeu-lhes uma grande libertação, as águas se
66
dividiram, deixando-os passar a pé enxuto. Obstinado em sua perseguição, o Faraó
lançou-se atrás deles com seu exército por aquele caminho; mas, quando chegaram ao
meio, as águas caíram sobre eles e todos morreram afogados.
Importante perceber que todos os acontecimentos que proporcionaram a libertação
do povo de Israel do Egito passarão a ser à base da crença de que Deus está em seu
meio, protegendo-o, e da esperança de que as promessas que lhe foram feitas,
certamente, seriam realizadas.
É pela manducação do cordeiro pascal e pela instituição da Páscoa que o povo
hebreu inaugura sua nova existência.
O CORDEIRO OFERECIDO E JESUS CRISTO
Na noite em que iria ocorrer a última praga, Deus havia ordenado aos hebreus que
celebrassem, pela primeira vez, a Páscoa. O rito mandado por Deus foi que cada família
matasse um cordeiro sem defeito, macho, de um ano; tomasse seu o sangue e passasse
sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta das casas. Desta forma, estaria a salvo
da passagem do Anjo exterminador (Ex 12, 7-8).
Para a celebração da primeira Páscoa, Deus escolheu um cordeiro para ser
oferecido como vítima no lugar dos primogênitos dos hebreus. Dentre tantos outros
animais, ele foi o escolhido como figura do Salvador que estava por vir. Três são os
aspectos visíveis desta analogia:
- em primeiro lugar, a opção pelos cordeiros perfeitos nos sacrifícios procura
revelar a natureza interior com que virá o filho de Deus (Ex 12, 5: “O animal será sem
defeito, macho, de um ano.”);
- em segundo, a forma com que este se comporta ao ir ao matadouro traduz a
submissão do Filho ao projeto do Pai (Is 53, 7: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a
boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do
tosquiador.”);
- finalmente, em terceiro, o ponto central desta analogia: da mesma forma que o
sangue do cordeiro, nas ombreiras das portas, libertou e protegeu os filhos dos hebreus
(Ex 12, 7.13), o sangue derramado por Jesus Cristo (o Cordeiro de Deus) na cruz
libertará o homem do pecado e o protegerá de voltar a nele cair:
 
Ex 12, 7: “Tomarão do seu sangue e pô-lo-ão sobre as duas ombreiras e sobre a
verga da porta das casas em que o comerem.”; e
Ex 12, 13: “Naquela noite, passarei através do Egito, e ferirei os primogênitos no
Egito, tanto os dos homens como os dos animais. O sangue sobre as casas em que
habitais vos servirá de sinal (de proteção): vendo o sangue, passarei adiante, e não sereis
atingidos pelo flagelo destruidor, quando Eu ferir o Egito.”.
67
 
Esse paralelo entre o cordeiro e Nosso Senhor Jesus Cristo é revelado em muitas
passagens da Sagrada Escritura, como, por exemplo:
 
- “João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo." (Jo 1, 29);
- “não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da
vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso
sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado
antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós.”
(I Pd 1, 18-20);
- "Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os
sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do
Cordeiro." (Ap 7, 14);
- "e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado
no trono, e do Cordeiro." (Ap 7, 10);
- "bradando em alta voz: Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a
riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor." (Ap 5, 12).
A PÁSCOA DOS CRISTÃOS
O nome Páscoa proveio de uma das festas mais solenes da Antiga Lei, instituída
como lembrança da passagem do Anjo exterminador dos primogênitos dos egípcios e da
milagrosa libertação dos hebreus da escravidão do Egito. A ordem de Deus foi a seguinte:
 
“Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do
Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua.”
“Observareis esse costume como uma instituição perpétua para vós e vossos
filhos. Quando tiverdes penetrado na terra que o Senhor vos dará, como prometeu,
observareis esse rito. E quando vossos filhos vos disserem: que significa esse rito?
respondereis: é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios,
passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas.” (Ex 12, 14;
12, 24-27)
 
Para os cristãos, no entanto, a Páscoa é mais que uma recordação celebrada em
honra de Deus. Isso porque, na Páscoa cristã, celebra-se o mistério da Ressurreição de
Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Referência: A libertação do povo hebreu do Egito (Ex 5-15, 1-21).
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69
O MANÁ NO DESERTO
Muitos foram os milagres que ocorreram com os hebreus em sua peregrinação
para Canaã. Um dos principais foi o Maná. Ele aparecia todas as manhãs aonde quer que
fossem acampar:
“O Senhor disse a Moisés: ‘Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o
povo e colherá diariamente a porção de cada dia. No sexto dia, quando
prepararem o que tiverem ajuntado, haverá o dobro do que recolherem cada
dia’.”
(Ex 16, 4-5)
O MANÁ
O Maná, vegetal que “assemelhava-se à semente de coentro: era branco e tinha o
sabor de uma torta de mel” (Ex 16, 31), aparecia todas as manhãs com o orvalho. “Os
israelitas comeram o maná durante quarenta anos, até a sua chegada a uma terra
habitada. Comeram o maná até que chegaram aos confins da terra de Canaã” (Ex, 16,
35).
Ele teve importante papel na formação espiritual do povo hebreu. É o que nos
ensina o livro do Dt 8, 3: Deus “humilhou-te com a fome; deu-te por sustento o maná,
que não conhecias nem tinham conhecido os teus pais, para ensinar-te que o homem não
vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor.”.
Ao dar-lhes “de comer o pão vindo do céu” (Sl 77, 24), Deus proporcionou-lhes
muitos ensinamentos.Um deles foi utilizar o Maná como um importante instrumento
para levar o povo a confiar na Sua providência, já que não havia como guardá-lo para o
70
dia seguinte, visto que apodrecia. Isso é observado em Ex 16, 19-20: “Moisés disse-lhes:
Ninguém reserve dele para o dia seguinte. Alguns não o ouviram e guardaram dele até
pela manhã; mas criou vermes e cheirou mal".
O Maná também serviu para ensinar o povo hebreu a guardar, seguindo a ordem
de Deus, o descanso do sábado. Acontecia que durante toda a semana o Maná aparecia
normalmente, mas quando chegava no dia anterior ao sábado, ele aparecia em dobro. O
povo, então, devia colher o dobro do normal que sempre colhia. Uma parte seria
consumida no mesmo dia e a outra deveria ser guardada para o dia seguinte. Importante
anotar que o que se guardava para o outro dia, o sábado, não apodrecia. Com isso, o
povo podia ficar no sábado sem sair de casa e comendo o que havia colhido no dia
anterior.
Encontramos essa explicação na passagem de Ex 16, 22-27: “No sexto dia,
recolheram uma dupla quantidade de alimento, dois gomores para cada um. Vieram
todos os chefes da assembléia e contaram-no a Moisés. Este lhes disse: É isso o que o
Senhor ordenou. Amanhã é um dia de repouso, o sábado consagrado ao Senhor. Por
isso, o que tendes a cozer no forno, cozei-o, e o que tendes a cozer em água, cozei-o; e
o que sobrar, ponde-o de lado até pela manhã. Guardaram-no até o dia seguinte, segundo
a ordem de Moisés; e não cheirou mal, nem se acharam vermes nele. No sétimo dia
alguns saíram para fazer sua provisão, mas nada encontraram”.
Moises mandou encher um vaso com este pão maravilhoso e ordenou que fosse
conservado na arca de aliança. Posteriormente, foi guardado no templo de Jerusalém,
entre as coisas santas de Israel.
MANÁ, SINAL DA EUCARISTIA
Os hebreus, logo no início de sua caminhada no deserto, passaram a murmurar
contra Deus, diziam: “Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito,
quando nos assentávamos diante das panelas de carne e tínhamos pão em abundância!
Vós nos conduzistes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão” (Êx 16,
3).
Diante desta situação, “o Senhor disse a Moisés: ‘Vou fazer chover pão do alto do
céu’” (Ex 16, 4). Em seguida, Deus “fez chover o maná para saciá-los, deu-lhes o trigo
do céu” (Sl 77, 24). A partir daquele momento, o Maná passou a ter um significado
especial na vida do povo hebreu.
Para os cristãos ele é considerado figura da Eucaristia, pois mantém relação com o
alimento espiritual que Jesus Cristo nos presenteou.
Nas duas passagens a seguir, encontramos Jesus Cristo revelando a diferença entre
o Maná e o alimento que trouxe do céu para os homens:
 
71
“Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu
Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu” (Jo 6, 32). E conclui: “Eu sou o pão da
vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do
céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do
céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha
carne para a salvação do mundo.” (Jo 6, 48-51)
 
Referência: A água impura de Mara, o Maná e as codornizes. (Ex 15, 22-27 e 16-
17).
72
MOISÉS RECEBE OS MANDAMENTOS
Chegando os israelitas ao Monte Sinai, Moisés recebe os alicerces da Aliança que
o Senhor deseja realizar com eles, os Dez Mandamentos:
“Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no
meio de chamas.
Então Deus pronunciou todas estas palavras: ‘Eu sou o Senhor teu Deus,
Que te fez sair do Egito, da casa da servidão’.”
(Ex 19, 18; 20, 2 )
CLÁUSULAS DA ALIANÇA - O DECÁLOGO
Até este momento, os homens somente tinham a razão natural e as tradições de
seus antepassados para se governar. Nada por escrito havia sido dado por Deus que
pudesse servir de norma. 
Sendo assim, as crenças se perpetuavam pelo ensino dos pais aos filhos, e os
principais deveres da moral estavam baseados na consciência e na lei natural. 
Nas cerimônias e nos cultos, os hebreus tinham a mais do que os outros povos,
além do uso dos sacrifícios de animais, a circuncisão, que identificava o sinal da aliança
que haviam feito com Deus.
Quando o povo chegou ao pé do monte Sinai, o Senhor não quis mais deixar
entregue à memória dos homens o mistério da religião e de sua aliança. 
Havia chegado à hora de erigir uma fortificação mais forte à idolatria que grassava
no gênero humano e que ia apagando os últimos vestígios da luz natural. 
Deus fez isso dando a seu povo, por intermédio de Moisés, uma lei escrita, logo
73
depois que o povo hebreu saiu do Egito.
A lei mosaica era um livro perfeito, o qual, junto com a história do povo de Deus,
ensinava a um só tempo sua origem, sua religião, seus costumes, sua filosofia, enfim,
tudo o quanto serve para nortear a vida em sociedade. Como ponto central dessa lei
encontramos os dez mandamentos.
É importante que em cada Mandamento se observe a parte positiva e a parte
negativa; isto é, o que nos é ordenado e o que nos é proibido.
 
1º “Amar a Deus sobre todas as coisas”
Deus ordena-nos que o reconheçamos, adoremos, amemos e sirvamos a Ele só, como
nosso Soberano Senhor.
Ele nos proíbe a idolatria, a superstição, o sacrilégio, a heresia, e todo e qualquer outro
pecado contra a religião.
( Ex 20, 3)
 
2º “Não tomar seu santo nome em vão”
Deus ordena-nos que honremos o Santo Nome de Deus, e que cumpramos, além dos
juramentos, também os votos.
Ele nos proíbe de pronunciar o nome de Deus sem respeito; blasfemar contra Deus,
contra a Santíssima Virgem ou contra os Santos; fazer juramentos falsos ou não
necessários, ou proibidos desta ou daquela maneira.
(Ex 20, 7 )
 
3º “Guardar os domingos e festas”
Deus ordena-nos a guardar domingos e festas, ordena-nos que honremos a Deus com
obras de culto nos dias de festa.
Ele nos proíbe os trabalhos servis, e qualquer obra
que nos impeça o culto de Deus.
(Ex 20, 8)
 
4º “Honra teu pai e tua mãe”
Deus ordena-nos respeitar o pai e a mãe, obedecer- lhes em tudo o que não é pecado, e
auxiliá-los em suas necessidades espirituais e temporais.
Ele nos proíbe ofender os nossos pais com palavras,
obras, ou de qualquer outra maneira.
(Ex 20, 12)
 
5º “Não matar”
Deus ordena-nos que perdoemos aos nossos inimigos
e queiramos bem a todos.
74
Ele nos proíbe dar a morte ao próximo, nele bater ou feri-lo, ou causar qualquer outro
dano no seu corpo, por nós ou por meio de outrem. Proíbe também ofendê-lo com
palavras injuriosas
e querer-lhe o mal. Proíbe ainda ao homem dar,
a morte a si mesmo, isto é, o suicídio.
(Ex 20, 13)
 
6º “Não pecar contra a castidade”
Deus ordena-nos que sejamos castos e modestos nas ações, nos olhares,
no porte e nas palavras.
Ele nos proíbe qualquer ação, palavra ou olhar contrários à santa pureza,
e a infidelidade no matrimônio.
(Ex 20, 14)
 
7º “Não furtar”
Deus ordena-nos que respeitemos as coisas alheias,
que paguemos o justo salário aos operários,
e que observemos a justiça em tudo o que se refere à propriedade alheia.
Ele nos proíbe tirar ou reter injustamente as coisas alheias, e causar dano ao próximo nos
seus bens de qualquer outro modo.
(Ex 20, 15)
 
8º “Não levantar falso testemunho”
Deus ordena-nos que digamos oportunamente a verdade, e que interpretemos em bom 
sentido, tanto quanto pudermos,
as ações do nosso próximo.
Ele nos proíbe atestar falsidade em juízo; proíbe também a detração ou murmuração, a
calúnia, a adulação, o juízo e a suspeita temerários,
e toda espécie de mentiras.
(Ex 20, 16)
 
9º “Não desejar a mulher do próximo”
Deus ordena-nos que sejamos castos e puros, ainda mesmo no nosso íntimo,
isto é, na alma e no coração.
Ele nos proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se
juraram ao contrair matrimônio;
e proíbe também todo o pensamento culpável
e todo desejo de ação proibida pelo sexto Mandamento.
(Ex 20, 17)
 
75
10º “Não cobiçar as coisas alheias”
Deus ordena-nos que noscontentemos com o estado em que Deus nos colocou,
e que soframos com paciência a pobreza, quando Deus nos queira neste estado.
Ele nos proíbe o desejo de privar o próximo dos seus bens,
e o desejo de adquirir bens por meios injustos.
(Ex 20, 17)
ALIANÇA NO MONTE SINAI
Ao pé do Monte Sinai, Deus chamou os hebreus para estabelecer com eles uma
aliança. No entanto, para que a aliança fosse concretizada, o povo teria que concordar
em ser absolutamente fiel, seguindo rigorosamente suas leis e somente a Ele prestar
culto.
Desejava o Senhor, com esta condição, que Israel se tornasse seu povo particular:
"Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu
povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vós me sereis um reino
de sacerdotes e uma nação consagrada." (Ex 19, 5-6).
Então, para cumprir a vontade de Deus, subiu Moisés ao alto do monte Sinai para
receber as primeiras instruções. Quando desceu, reuniu "os anciãos do povo, comunicou-
lhes as palavras que o Senhor lhe ordenara repetir. E todo o povo respondeu a uma voz:
'Faremos tudo o que o Senhor disse.'” (Ex 19, 7-8).
Satisfeito com a resposta do povo, Deus chamou Moisés uma segunda vez ao
cume do monte Sinai e ali, entre relâmpagos e trovões, promulgou Sua Lei em dez
Mandamentos, escritos em duas tábuas de pedra.
“Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o monte Sinai, entregou-lhe as
duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus.” (Ex 31, 18)
.
Observe que a lei antiga não foi dada a todos os homens, mas só ao povo judeu.
O Senhor assim determinou porque dele sairia o Salvador do Mundo, seu filho Jesus
Cristo.
Além dos dez preceitos, Deus fizera a Moisés várias comunicações que devia
transmitir a seu povo. São como que admiráveis explicações e comentários do Decálogo.
Encontrados nos diversos livros do Pentateuco, o legislador as escrevia a medida em que
as recebia de Deus.
O DECÁLOGO
76
Deus entrega a Moisés, no monte Sinai, os Dez Mandamentos, ou decálogo,
porque dez é o número dos mandamentos divinos.
Tais Mandamentos chegaram às mãos de Moisés através de duas pedras escritas
com o dedo de Deus. A primeira das tábuas continha três mandamentos e a segunda,
sete.
A forma da entrega dos Mandamentos ao povo foi muito importante porque dentre
as razões que movem o coração do homem a cumprir os preceitos do Decálogo,
sobressai, como a mais eficiente, o fato de ser Deus o autor dessa mesma Lei.
Os Mandamentos da primeira tábua se referem diretamente a Deus e aos deveres
que temos para com Ele: “Amar a Deus sobre todas as coisas”, “Não tomar seu santo
nome em vão” e “Guardar os domingos e festas”. Os dois primeiros removem os
principais obstáculos que se opõem ao culto divino: a superstição ou o culto dos falsos
deuses, e a irreligião ou falta de acatamento ao verdadeiro Deus. O terceiro impõe ao
homem a necessidade de abster-se de trabalhos servis no dia de culto, para que possa
dedicar-se aos serviços de Deus. Os outros sete se referem ao próximo e aos deveres que
temos para com ele.
Somos obrigados a observá-los porque, para alcançarmos o céu, necessitamos
viver segundo a vontade de Deus e os mandamentos nos mantêm firmes neste propósito.
Observe que tamanha é a responsabilidade de segui-los corretamente, que basta
transgredir gravemente um só deles para merecermos o Inferno.
No entanto, apesar de obrigatórios, observá-los não é nenhum sacrifício, pois
Deus não nos manda cumprir nenhuma coisa impossível. Além do mais, quem observa a
Lei de Deus só tem a ganhar, pois terá como galardão, nesta e na outra vida,
incalculáveis alegrias e prêmios.
Inclusive, ponto fundamental para saber se o homem ama a Deus é observar se
ele guarda Seus Mandamentos e os põe em prática, pois quem age assim
verdadeiramente ama a Deus, é o que nos ensina Jesus Cristo no Evangelho de São João:
"Quem Me ama, guarda a Minha Palavra." (Jo 14, 23).
Nosso Senhor ensina que os dez mandamentos se encerram em dois: Amar a Deus
sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Esse ensinamento é visto em
Mac 12, 29-31, onde encontramos Jesus Cristo proclamando: "O primeiro de todos os
mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; amarás ao
Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de
todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.".
É certo que os Dez Mandamentos não foram esquecidos no Novo Testamento.
Jesus Cristo, em uma pregação na Judéia, tanto ratificou os dez mandamentos como
legítimos caminhos para o céu, como os tornou perenes. Isso aconteceu, em Mt 19, 16-
22, quando o jovem rico perguntou a Jesus Cristo o que era preciso para alcançar a vida
eterna e Ele mandou que ele observasse os mandamentos: “Um jovem aproximou-se de
Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe
77
Jesus: Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom.
Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais? perguntou ele. Jesus
respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso
testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo”.
Muito embora o Decálogo tenha sido dado por Deus aos judeus no monte Sinai, a
Lei já estava, desde o princípio dos tempos, impressa e gravada nos corações de todos os
homens. Dessa maneira, através da promulgação da Lei a Moisés, Deus não trouxe uma
nova lei, mas deu antes maior fulgor à primitiva.
Por fim, resta salientar que a observância dos dez mandamentos é suficiente para
o exercício das virtudes referentes aos deveres essenciais para com Deus e para com o
próximo; mas para adquirir a perfeição de todas as virtudes é preciso que o homem os
guarde com as revelações dos Profetas, da antiga Lei, e os mais amplos e acabados
ensinamentos de Jesus Cristo e de seus Apóstolos.
 
Referência: A aliança de Deus com os hebreus no deserto, os Dez Mandamentos
da aliança e sua conclusão. (Ex 19; 20, 1-21 e 24).
78
A ARCA DA ALIANÇA
Embora Deus não admitisse ter representação material, sua preocupação com a
fidelidade do povo Hebreu, leva-O a dar um sinal sensível de sua presença, a Arca da
Aliança:
“Farás uma arca de madeira de acácia. Colocarás a tampa sobre a arca
e porás dentro da arca os meus mandamentos. Ali virei ter contigo, e é de
cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a Arca da Aliança,
que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”
(Ex 25, 21-22)
A ARCA DA ALIANÇA
O centro do culto do povo de Israel era o Tabernáculo. Ele era uma tenda portátil,
amparada por quarenta espessas tábuas de acácia. Tinha a forma retangular e dividia-se
em duas partes separadas por uma cortina de rica fazenda. A primeira parte, na qual se
entrava primeiro, era chamada Santo ou Lugar santo; a segunda, oculta atrás da cortina,
era conhecida como Santuário ou o Santo dos santos; ali é que se depositava a Arca da
Aliança. Na frente do Tabernáculo estava o adro, espécie de pátio onde se ofereciam os
sacrifícios e se ajuntava o povo.
A Arca da Aliança era um cofre de madeira de setim, forrado com laminas de ouro
por dentro e por fora, com um metro e setenta e cinco metros de comprimento e oitenta
centímetros de largura. Ela era estava coberta com uma mesa de ouro chamada
propiciatório a cujas extremidades estavam representados dois querubins de asas soltas.
Dentro da Arca “estava a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu
79
e as tábuas da aliança” (Hb 9, 5).
A intenção de Deus, ao permitir que os israelitas construíssem a Arca da Aliança,
foi mostrar ao povo que Ele estava presente em seu meio. Infelizmente, muitas foram às
vezes que os israelitas, desviando-se do sentido que uma imagem deva ter, consideraram-
na como uma espécie de amuleto protetor, esquecendo-se de adorar Deus em espírito e
em verdade.
A PROIBIÇÃO DE FABRICAÇÃO DE IMAGENS
A criação da Arca da Aliança mostra que Deus não proibia a confecçãode
imagens religiosas quaisquer, mas somente a representação figurada de sua pessoa como
objeto de adoração.
Sendo assim, as passagens “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que
está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.”,
encontrada em Ex 20, 4, e “Não farás para ti imagem de escultura representando o que
quer que seja do que está em cima no céu, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da
terra”, observada em Dt 5, 7-8, referem-se a prática da idolatria, ou seja, o prestar a
alguma criatura o culto supremo de adoração devido só a Deus, como, por exemplo, a
uma estátua, a uma imagem, a um ser humano. Essa prática é proibida pelo primeiro
Mandamento.
Por conta disso, não são todas as imagens que a passagem proíbe, mas só as das
falsas divindades, feitas com intuito de adoração, como faziam os idólatras. E tanto isto é
verdade que o próprio Deus deu ordem a Moisés para fazer algumas, como a serpente de
bronze (Nn 21, 8) e os querubins afixados na Arca da Aliança.
Portanto, Deus nunca proibiu a fabricação de imagens. A utilização de imagem
somente passa a ser proibida quando a colocamos no lugar do próprio Deus para
adoração, empregando-a como um ídolo.
Repare que quando Moisés prostrava-se diante da Arca da Aliança, não a adorava
como se fosse Deus, mas venerava-a, entendendo que somente a Deus, que é o modelo
original, é que cabe adoração.
Adorar é prestar culto e somente deve ser feito a Deus, enquanto venerar é
reverenciar, fazer memória, ter grande respeito.
É nesse sentido que a Igreja Católica “venera” as imagens dos santos, não as
“adora”. Adorar algo ou alguém que não seja Deus é idolatria e isso Deus proíbe.
No culto que prestamos a Deus, adoramo-Lo pela sua infinita excelência, ao passo
que aos Santos não os adoramos, mas só os honramos e veneramos como amigos de
Deus e nossos intercessores junto dEle. O culto que prestamos a Deus chama-se “latria”,
isto é, de adoração, e o culto que prestamos aos Santos chama-se “dulia”, isto é, de
veneração aos servos de Deus; o culto especial que prestamos a Maria Santíssima
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chama-se “hiperdulia”, isto é, de essencialíssima veneração, como Mãe de Deus.
Inclusive, o culto e a invocação dos Santos que adormeceram na paz do Senhor, a
veneração de suas relíquias e cinzas, longe de diminuírem a glória de Deus, dão-lhe o
maior vulto possível, na proporção que animam e reforçam a esperança dos homens, e
os induzem a imitarem os Santos.
 
Referência: A Arca da Aliança (Ex 25, 1-22).
81
OS HEBREUS ROMPEM A ALIANÇA
Enquanto Moisés, no alto do monte Sinai, recebia de Deus os mandamentos da
Aliança, o povo, que havia sido deixado no acampamento, esquecia tudo o que o Senhor
lhe havia dito e feito:
“Vendo que Moisés tardava a descer da montanha, o povo agrupou-se em
volta de Aarão e disse-lhe: 'Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa
frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito
dele'.
Aarão respondeu-lhes: 'Tirai os brincos de ouro que estão nas orelhas de
vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mos'. Aarão pôs o ouro
em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido.
Então exclamaram: 'Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito'.”
(Ex 32, 1-4)
O ROMPIMENTO DA ALIANÇA
Logo no início da peregrinação dos hebreus pelo deserto, Deus decide fazer com
eles uma aliança. Contudo, como ainda não estavam preparados, Moisés nem ainda
havia descido do monte Sinai com os termos da aliança e eles já a rompiam com sua
infidelidade, construindo um bezerro de ouro.
Assim, os hebreus em sua loucura não somente perdem a noção de Deus, como
forjam do metal um deus em sua substituição. “Trocam a verdade de Deus pela mentira,
e adoram e servem à criatura em vez do Criador.” (Rm 1, 25). Pior ainda, transferem as
honras devidas a Deus a um bezerro feito de metal.
82
Devido a isto, Deus se enche de indignação e decide exterminá-los, revelando que
construirá um novo povo a partir de Moisés:
 
"O Senhor disse a Moisés: Vai, desce, porque se corrompeu o povo que tiraste do
Egito. Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro
de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó
Israel, o teu Deus que te tirou do Egito. Vejo, continuou o Senhor, que esse povo tem a
cabeça dura. Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada;
mas de ti farei uma grande nação." (Ex 32, 7-10)
 
Diante daquela situação, Moisés torna a subir ao Monte e implora o perdão de
Deus para o povo. O Senhor, demonstrando misericórdia, perdoa-lhe as faltas e renova
mais uma vez a aliança:
 
“O Senhor disse a Moisés: “Escreve estas palavras, pois são elas a base da aliança
que faço contigo e com Israel. Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta
noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da
aliança, as dez palavras. Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas
da lei.” (Ex 34, 27-29)
Importante anotar que entre Moises e o Profeta por excelência, de quem é o
precursor, muitas são as analogias. De fato, Moises é libertador do seu povo, legislador e
fundador de uma religião, taumaturgo, medianeiro na aliança entre Deus e o povo,
homem entregue a dor e ao sacrifício, entre tantos outros tantos caracteres figurativos do
Messias.
 
Referência: O bezerro de ouro e a ruptura da aliança, o perdão de Deus e a
renovação da aliança. (Ex 32-34).
83
OS HEBREUS MURMURAM CONTRA DEUS
Após a renovação da aliança, Deus ordena que os hebreus atravessem o deserto
em busca da terra prometida. Porém, ao iniciarem a caminhada e enfrentarem as
primeiras dificuldades, começam a murmurar contra Deus e Moisés. Deus, então, antes
de introduzi-los em Canaã, decide formá-los:
“Os israelitas puseram-se em marcha e partiram do deserto do Sinai, e a
nuvem parou no deserto de Farã.
O povo pôs-se a murmurar amargamente aos ouvidos do Senhor.
O Senhor disse a Moisés: ‘Até quando me desprezará esse povo? Até quando
não acreditarão em mim, apesar de todos os prodígios que fiz no meio
deles?’.”
(Nm 10, 12-13; 11, 1; 14, 11)
QUARENTA ANOS NO DESERTO
A travessia do deserto do Sinai para a terra prometida deveria levar pouco tempo,
isso se o povo hebreu houvesse sido obediente à lei divina e às ordens de Moisés; porém,
havendo prevaricado e se revoltado muitas vezes, Deus fez com que ele vagasse no
deserto durante quarenta anos. As Escrituras apontam dois fatos para Deus ter tomado
esta atitude:
1 – O primeiro deles é o fato de que muitos hebreus acataram o que disseram os
espiões enviados a Canaã quanto a não ser possível sua conquista, o que os levou a se
revoltarem contra Deus:
 
84
“Tendo voltado os exploradores, passados quarenta dias, foram ter com Moisés e
Aarão e toda a assembléia dos israelitas em Cades, no deserto de Farã.
Eis como narraram a Moisés a sua exploração: Fomos à terra aonde nos enviaste.
É verdadeiramente uma terra onde corre leite e mel, como se pode ver por esses frutos.
Mas os habitantes dessa terra são robustos, suas cidades grandes e bem muradas.
Caleb fez calar o povo que começava a murmurar contra Moisés, e disse: Vamos
e apoderemo-nos da terra, porque podemos conquistá-la.
Mas os outros, que tinham ido com ele, diziam: Não somos capazes de atacar esse
povo; é mais forte do que nós. E diante dos filhos de Israel depreciaram a terra que
tinham explorado: A terra, disseram eles, que exploramos, devora os seus habitantes: os
homens que vimos ali são de uma grande estatura; vimos até mesmo gigantes, filhos de
Enac, da raça dos gigantes; parecíamos gafanhotos comparados com eles.” (Nm 13, 25-
33)
 
A atitude do povo de murmurar representou aos olhos de Deus uma grande falta
de confiança em Seu poder e indicou o quanto estavam inaptos a conquistarem a terra
prometida.
Decepcionado com tamanha falta de fé, Deus afirma que nenhum dos hebreus que
estavam ali presentes, exceto Caleb e Josué, filho de Nun, entrariam naterra prometida:
 
"Nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e
no deserto, que me provocaram já dez vezes e não me ouviram, verá a terra que prometi
com juramento aos seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram a verá. Quanto ao
meu servo Caleb, porém, que animado de outro espírito me obedeceu fielmente, eu o
introduzirei na terra que ele percorreu, e a sua posteridade a possuirá." (Nm 14, 22-24)
 
Dessa forma, os quarenta anos no deserto servirão tanto para renovar toda aquela
geração que não acreditou em seu poder como para preparar seus filhos que, embora não
tenham presenciado os milagres já realizados, serão homens muitos mais cheios de fé e
de esperança que seus pais.
2 - O segundo motivo foi porque o povo hebreu que havia saído do Egito, país
politeísta, precisava se fortalecer espiritualmente antes de encontrar os povos que
habitavam na Palestina, que também adoravam muitos deuses, como os cananeus, os
moabitas, os jebuseus, os filisteus e tantos outros.
No deserto, o Senhor ensinará seus mandamentos e suas leis aos hebreus e, com
isso, fortalecê-los-á para que abandonem as idolatrias adquiridas durante o cativeiro e
evitem os cultos pagãos que irão encontrar em Canaã:
 
"Quando o Senhor teu Deus tiver exterminado diante de ti as nações, cujos
territórios invadirás para despojá-los, quando ocupares a sua terra, guarda-te de cair no
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laço, imitando-as, depois de sua destruição. Guarda-te de seguir os seus deuses, dizendo:
como adoravam essas nações os seus deuses, para que também eu faça o mesmo?
Não farás assim com o Senhor, teu Deus; porque tudo o que o Senhor odeia, tudo
o que ele detesta, elas fizeram-no pelos seus deuses, chegando mesmo a queimar em sua
honra os seus filhos e filhas. Cuidareis de fazer tudo o que vos prescrevo, sem
acrescentar nada, nem nada tirar." (Dt 12, 29-32)
É sempre bom ter em mente que a terra prometida aos patriarcas era, por assim
dizer, uma imagem do céu; nesse sentido, era preciso conquistá-la pela provação e pela
paciência. Era também uma terra santa, e Deus, antes de introduzir nela o seu povo,
queria purificá-lo, deixá-lo expiar suas fraquezas, suas murmurações, suas revoltas.
Havia de ser ela uma recompensa, e como somente os eleitos entram no céu, assim
também Deus fez com que na herança prometida aos patriarcas somente estivessem os
Israelitas que fossem dignos dela.
 
Referência: A caminhada no deserto (Nm 9-10), as murmurações do povo (Nm
11-14; 16-17 e 20, 1-13), as primeiras lutas e as orientações de Deus (Nm 20-27 e 31-
36).
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MOISÉS MORRE E JOSUÉ ASSUME
Finalmente, chega o momento de o povo entrar na tão sonhada Terra Prometida.
Moisés, no entanto, não entrará:
“Subiu Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Fasga.
O Senhor mostrou-lhe toda a terra. O Senhor disse-lhe: 'Eis a terra que jurei a
Abraão, a Isaac e a Jacó dar à sua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas
não entrarás nela”.
(Dt 34, 1-4)
JOSUÉ
Completada sua missão, Moisés, sob a inspiração divina, deixa como seu sucessor
um homem enérgico e temente a Deus chamado Josué.
Josué aparece na Sagrada Escritura como capitão do exército israelita durante a
primeira batalha contra os amalecitas: “Amalec veio atacar Israel em Rafidim. Moisés
disse a Josué: Escolhe-nos homens e vai combater Amalec. Amanhã estarei no alto da
colina com a vara de Deus na mão. Josué obedeceu Moisés e foi combater Amalec,
enquanto Moisés, Aarão e Hur subiam ao alto da colina.” (Ex 17, 8-15). Segundo Nm
32, 12, ele sempre obedeceu a Deus e, por conta disso, Ele sempre o teve em
consideração.
Até aquele momento, Josué vinha sendo o braço direito de Moisés, ajudando-o
durante toda a estadia do povo hebreu no deserto. Agora, uma nova missão lhe é dada
por Deus: deverá introduzir o povo no país de Canaã no lugar de Moisés.
Josué sucedeu a Moisés, mas não herdou do mesmo poder. Moisés tinha reunido
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em suas mãos o poder religioso e o poder civil. Josué, no entanto, só conservou o poder
temporal, pois o poder religioso passou ao sumo sacerdote Eleazar. 
Apesar de Josué ter sido menor do que Moisés no poder e nas obras, ele tinha
grande conceito junto a Deus, a ponto de ordenar que o sol parasse e permitisse que se
completasse a vitoria dos hebreus sobre seus inimigos:
"Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos
filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas: Sol, detém-te sobre Gabaon, e tu, ó
lua, sobre o vale de Ajalon. E o sol parou, e a lua não se moveu até que o povo se
vingou de seus inimigos. Isto acha-se escrito no Livro do Justo. O sol parou no meio do
céu, e não se apressou a pôr-se pelo espaço de quase um dia inteiro. Não houve, nem
antes nem depois, um dia como aquele, em que o Senhor tenha obedecido à voz de um
homem, porque o Senhor combatia por Israel." (Js 10, 12-14).
A RENOVAÇÃO DO POVO HEBREU NO DESERTO
De todo o povo que estava presente quando os exploradores voltaram de sua
expedição (Nm 13, 25-33 e 14, 22-24), somente Caleb e Josué, que ficaram a favor da
conquista de Canaã, estavam vivos:
 
“Tal é o recenseamento dos israelitas que fizeram Moisés e o sacerdote Eleazar
nas planícies de Moab, às margens do Jordão, perto de Jericó. Não se achou entre eles
nenhum daqueles que tinham sido recenseados antes por Moisés e Aarão, no deserto do
Sinai, porque o Senhor dissera deles: ‘Morrerão no deserto’. Não ficou nenhum deles,
exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.” (Nm 26, 63-65)
 
Dessa forma, os quarenta anos no deserto serviram para renovar todo o povo que
havia saído do Egito. Agora, um novo povo, jovem e entusiasta, estava pronto para
retomar o projeto de conquista.
MOISÉS NÃO ENTRARÁ NA TERRA PROMETIDA
O motivo de Moisés não entrar na terra prometida aconteceu no episódio das
águas de Meribá. Devido às murmurações do povo israelita por água, Deus mandou
Moisés reunir toda a assembléia e dirigir-se a um grande rochedo. Chegando lá, Moisés
deveria glorificar a Deus e, em seguida, bater com a vara no rochedo, o que faria
escorrer água da pedra.
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Moisés, diante da assembléia, ao tocar com sua vara duas vezes no rochedo deu a
entender ao povo que as águas poderiam não brotar. Esta atitude representou para Deus
uma grande falta de confiança e mostrou que Moisés não estava preparado para liderar o
povo nas grandes dificuldades que ainda estavam para acontecer ao entrarem na
Palestina. Por esta razão, nem Moisés e nem Aarão entrarão na terra prometida por
Deus:
 
“Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e
Aarão, procurou disputar com Moisés e gritou: ‘Oxalá tivéssemos perecido com nossos
irmãos diante do Senhor! Por que conduziste a assembléia do Senhor a este deserto, para
nos deixar morrer aqui com os nossos rebanhos? Por que nos fizeste sair do Egito e nos
trouxeste a este péssimo lugar, em que não se pode semear, e onde não há figueira, nem
vinha, nem romãzeira, e tampouco há água para beber?’
Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de
reunião, onde se prostraram com a face por terra.
Apareceu-lhes a glória do Senhor, e o Senhor disse a Moisés: ‘Toma a tua vara e
convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que
dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos
seus rebanhos’.
Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado.
Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes
Moisés: ‘Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?’ Moisés levantou
a mão e feriu o rochedo com a sua vara DUAS VEZES; as águas jorraram em
abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais.
Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: ‘Porque faltastes à confiança em
mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta
assembléia na terra que lhe destino’.” (Nm 20, 2-13)
 
Após este episódio, Moisés pede a Deusque nomeie um homem para que assuma
seu lugar e introduza o povo em Canaã:
 
“Moisés disse ao Senhor: 'O Senhor Deus dos espíritos e de toda a carne escolha
um homem que chefie a assembléia, que marche à sua frente e guie os seus passos, para
que a assembléia do Senhor não seja como um rebanho sem pastor'.
O Senhor respondeu a Moisés: 'Toma Josué, filho de Nun, no qual reside o
Espírito, e impõe-lhe a mão. Apresentá-lo-ás ao sacerdote Eleazar e a toda a assembléia,
e o empossarás sob os seus olhos. Tu o investirás de tua autoridade, a fim de que toda a
assembléia dos israelitas lhe obedeça.'” (Nm 27, 15-20)
 
Depois disso, "subiu Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do
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Fasga, defronte de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Galaad até Dá, todo
o Neftali, a terra de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até o mar ocidental,
o Negeb, a planície do Jordão, o vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Segor.
O Senhor disse-lhe: Eis a terra que jurei a Abraão, a Isaac e a Jacó dar à sua
posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela. E Moisés, o servo do
Senhor, morreu ali na terra de Moab, como o Senhor decidira. E ele o enterrou no vale
da terra de Moab, defronte de Bet-Fogor, e ninguém jamais soube o lugar do seu
sepulcro. Moisés tinha cento e vinte anos no momento de sua morte: sua vista não se
tinha enfraquecido, e o seu vigor não se tinha abalado." (Dt 34, 1-7)
 
Referência: A morte de Moisés e a convocação de seu sucessor (Dt 31-34).
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OS HEBREUS ENTRAM NA PALESTINA
Ao chegar à terra prometida, a Palestina, o povo Hebreu deparou-se com uma
infinidade de povos guerreiros que lá habitavam. Precisou, portanto, lutar para conquistá-
la. Após todos esses acontecimentos, surge um período de paz:
“Conquistou, pois, Josué toda a terra, como o Senhor tinha dito a Moisés, e
deu-a em herança a Israel, repartindo-a segundo as suas tribos.
E a terra repousou da guerra.”
(Js 11, 23)
DEUS EXPULSA OS HABITANTES DE CANAÃ
A Sagrada Escritura nos revela que Deus não estava satisfeito com os habitantes
de Canaã. Ela esclarece que eles eram povos pagãos que tinham diversas divindades,
muitas cruéis, que exigiam sacrifícios humanos. Foi por causas dessas e de outras
práticas abusivas que Deus os expulsou da palestina, colocando, em seus lugares, o povo
hebreu:
 
“Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a
imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra. Não se ache no meio de ti quem
faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia,
aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos
mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por
causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações.
Serás inteiramente do Senhor, teu Deus. As nações, que vais despojar ouvem os
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agoureiros e os adivinhos; a ti, porém, o Senhor, teu Deus, não o permite.” (Dt 18, 9-14)
 
“Segundo a ordem do Senhor, teu Deus, votarás ao interdito os hiteus, os
amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, para que não suceda que
eles vos ensinem a imitar as abominações que praticam em honra de seus deuses, e
venhais a pecar contra o Senhor, vosso Deus.” (Dt 20, 17-19)
 
Repare que em Sodoma e Gomorra superabundava a depravação sexual e outras
práticas imorais. Em Canaã, a maldade se materializava através de atos como a
adivinhação, a astrologia, os agouros, o feiticismo, a magia, o Espiritismo, a adivinhação,
a invocação dos mortos, entre outras práticas pagãs. Tanto as ações dos povos das
cidades de Sodoma e Gomorra como as das cidades de Canaã eram consideradas por
Deus práticas abomináveis. As penas por seus delitos foram diferentes, mas tiveram o
mesmo efeito. Sodoma e Gomorra foram alvos de “uma chuva de enxofre e de fogo,
vinda do Senhor, do céu, que destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos
os habitantes das cidades e a vegetação do solo” (Gn 19, 24-25), enquanto os habitantes
de Canaã foram dizimados pelos hebreus através de lutas em batalhas (Dt 18, 9-14). A
metodologia de Deus, nesse caso, foi dar condições espirituais e materiais aos hebreus,
durante sua estadia no deserto, para combaterem e vencerem os habitantes dessas
cidades, homens mais fortes e mais bem preparados.
A TRIBO DE JUDÁ
Após subjugarem os povos que habitavam a terra de Canaã, os hebreus a
dividiram em tribos. Essas tribos tomaram os nomes de Rubens, Simeão, Levi, Judá,
Issacar, Zabulão, Dan, Neftali, Gad, Aser, Benjamim, Filhos de Jacó; e de Efraim e
Manassés, filhos de José.
Josué não teve sucessor. Depois da sua morte, as doze tribos formaram uma
espécie de Estado federativo cujo verdadeiro e único chefe era Deus. 
Será da tribo de Judá, segundo a profecia de Jacó em seu leito de morte, que virá
o Messias, o Redentor do mundo. Este aparecerá quando Judá não tiver mais o cetro da
autoridade, ou seja, quando Israel passar sob a dominação estrangeira:
 
"Judá, teus irmãos te louvarão. Pegarás pela nuca os inimigos; os filhos de teu pai
se prostrarão em tua presença. Filhote de leão, Judá: voltas trazendo a caça, meu filho.
Dobra-se, deita-se como um leão; como uma leoa: quem o despertará? Não se apartará o
cetro de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até que venha aquele a quem
pertence por direito, e a quem devem obediência os povos." (Gn 49, 8-10)
 
92
A tribo de Levi não recebeu território à parte, pois Deus a designou para o ofício
sacerdotal e quis ser Ele mesmo sua porção e sua herança: "À tribo de Levi, porém, não
deu herança alguma, porque o Senhor, Deus de Israel, é a sua herança, como ele lho
tinha dito" (Js 13, 33).
 
Referência: A ocupação do povo israelita na palestina (Js 1-12) e O adeus de
Josué (Js 23-24).
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AS INFIDELIDADES E AS INVASÕES
O povo hebreu, mesmo sendo testemunha ocular das inúmeras maravilhas
realizadas por Deus em seu meio, ao invés de firmar-se com mais vigor na fidelidade ao
Senhor, deixa-se seduzir pela vida fácil das nações vizinhas, adotando seus costumes e
cultos. Com isso, afasta-se de Deus. Logo, o país é invadido e dominado por seus
inimigos. Arrependido, recorre ao Senhor que lhe suscita uma libertação por meio de um
de seus cidadãos que passa a denominar-se Juiz:
“Ora, quando o Senhor suscitava juízes, ele estava com o juiz para livrá-los de
seus inimigos enquanto vivesse o juiz: o Senhor compadecia-se dos gemidos
que soltavam diante de seus opressores.
Mas, depois que o juiz morria, corrompiam-se e se tornavam ainda piores do
que seus pais, seguindo a outros deuses, servindo-os e adorando-os.”
(Jz 2, 18-19 )
O CONTATO COM AS NAÇÕES PAGÃS VIZINHAS
Enquanto viveu a geração que tinha presenciado as maravilhas praticadas pelo
Senhor, o povo permaneceu fiel às suas promessas. Mas quando a geração formada por
Moises desapareceu, os filhos de Israel foram atraídos para o mal e deixaram-se arrastar
pela idolatria dos povos vizinhos que eles não tinham aniquilado, apesar das ordens do
Senhor. 
Assim, contrariando o desejo de Deus, o povo passou a manter contato com as
nações vizinhas, assimilando seus cultos e afastando-se da lei mosaica. Com efeito,
praticavam, em todos os lugares, as práticas abomináveis que haviam feito os antigos
94
habitantes serem expulsos:
 
“O anjo do Senhor subiu de Gálgala a Boquim e disse: Eu vos fiz subir do Egito e
vos conduzi a esta terra que eu tinha prometido com juramento a vossos pais. E vos
tinha dito: jamais hei de romper a aliança que fiz convosco; vós, porém, não fareis
aliança com os habitantes desta terra e lançareis por terra os seus altares! Ora, vós não
obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso?” (Jz 2, 1-3)
 
Longe de Deus, os hebreus passam a sofrer sucessivas invasões dos povos
vizinhos. 
Essa situação de infidelidade aconteceu várias vezes durante todo o primeiro
período após o estabelecimento na Palestina, perto de quinhentos anos, e na mesma
medidaocorreram as invasões contra Israel.
Nesta época, a justiça era ministrada nas cidades por magistrados especiais, e o
grande conselho dos anciãos geria os negócios públicos. Não havia nenhum comandante
militar ou chefe supremo, sendo os Israelitas governados por meio das leis de Deus. 
No entanto, quando se tratava de fatos extraordinários ou de guerras importantes,
Ele passava a sua autoridade para pessoas escolhidas para tal fim. Entretanto, somente
intervia quando os israelitas arrependiam-se profundamente de suas ações pecaminosas.
Sendo assim, quando o povo se via dominado e sem esperança, e renunciava aos
erros e a idolatria, podia voltar-se a Deus e pedir o seu socorro. A resposta de Deus a
essa súplica manifesta-se através dos Juízes. 
Os Juízes eram pessoas, entre as quais duas mulheres, Débora e Jael, suscitadas e
escolhidas por Deus, de tempos em tempos, para livrar os hebreus sempre que esses, em
castigo por seus pecados, caíam sob o poder de seus inimigos. Os dois Juízes mais
ilustres foram Sansão e Samuel. Esses libertadores temporários tinham como missão
restaurar a independência do povo cativo e mantê-lo na verdadeira religião.
Observe que eles não eram mais do que os oficiais do Senhor, que os escolhia, às
vezes, dentre os mais humildes; e para deixar bem patente que a vitória vinha d’Ele e não
desses homens, recusava utilizar com freqüência o grande número dos soldados e a força
das armas. De tempos em tempos prorrogava a missão dos Juízes durante a vida inteira
sem, contudo, lhes comunicar autoridade soberana nem tornar hereditário o seu poder:
 
“Os israelitas fizeram então o mal aos olhos do Senhor e serviram a Baal.
Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram
outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles,
excitando assim a cólera do Senhor. Abandonaram o Senhor para servirem Baal e
Astarot.
A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e Ele entregou-os nas mãos de
piratas, que os despojaram, e vendeu-os aos inimigos dos arredores, de sorte que não
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puderam mais resistir-lhes. Para onde quer que fossem, a mão do Senhor estava contra
eles para fazer-lhes mal, como o Senhor lhes tinha dito e jurado, e viram-se em grande
aflição.
(Entretanto) o Senhor suscitava-lhes juízes que os livraram das mãos dos
opressores, mas nem mesmo os seus juízes ouviam e continuavam prostituindo-se a
outros deuses, adorando-os. Abandonaram depressa o caminho que tinham seguido seus
pais, na obediência aos mandamentos do Senhor, e não os imitaram.
Ora, quando o Senhor suscitava juízes, ele estava com o juiz para livrá-los de seus
inimigos enquanto vivesse o juiz: o Senhor compadecia-se dos gemidos que soltavam
diante de seus inimigos e de seus opressores. Mas, depois que o juiz morria,
corrompiam-se e se tornavam ainda piores do que seus pais, seguindo outros deuses,
servindo-os e adorando-os; e não renunciavam aos seus crimes e à sua obstinação.
Inflamou-se, pois, contra Israel a cólera do Senhor: Visto que este povo violou o
meu pacto, dizia Ele, a aliança que Eu tinha feito com seus pais, e não obedeceram à
minha voz, também Eu não expulsarei de diante deles nenhuma das nações que Josué
deixou ao morrer.
Por elas, queria o Senhor provar os israelitas, e ver se eles seguiriam ou não o
caminho do Senhor, como o tinham feito seus pais.
E o Senhor deixou subsistir todas essas nações que não tinha entregue nas mãos
de Josué, e não as quis expulsar logo.” (Jz 2, 11-23)
 
Esse período acabou sendo marcado pelas inúmeras misericórdias de Deus, pois
cada infidelidade correspondeu a uma formação e a uma salvação.
 
Referência: Todo o livro dos Juízes.
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AS INFIDELIDADES NAS MONARQUIAS
Contrariando a vontade de Deus, os israelitas se organizam sob governos
monárquicos, sendo os mais conhecidos os de Saul, de Davi e de Salomão. Essa nova
forma de organização leva a um crescente aumento da infidelidade à aliança:
“Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida: Que fazes aqui, Elias?
Ele respondeu: Estou devorado de zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos.
Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos
altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem
tirar-me a vida.”
(I Rs 19, 14)
O PECADO DO POVO HEBREU AO PEDIR UM REI
Deus criou o povo hebreu para que esse O tivesse como único Deus e governante
eterno. Para ajudá-lo, entregou-lhe Suas leis e mandamentos. Mas, alheio à vontade do
Senhor, Israel prefere que um homem o governe (o rei Saul inicialmente e depois o rei
Davi e seus herdeiros).
Primeiramente, peca ao rejeitar as orientações de Deus através de suas leis e de
seus profetas. Depois, peca por buscar ser igual às nações vizinhas, governadas por reis e
abominadas por Deus por causa de seus cultos pagãos:
 
“Todos os anciãos de Israel vieram ter com Samuel em Ramá, e disseram-lhe:
‘Estás velho e teus filhos não seguem as tuas pisadas. Dá-nos um rei que nos governe,
como o têm todas as nações’. O Senhor disse-lhe: ‘Ouve a voz do povo em tudo o que
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te disserem. Não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, pois já não querem que eu reine
sobre eles’.” (I Sm 8, 4-7)
 
Essa atitude de Israel, com o passar do tempo, levará a um grande aumento na
infidelidade à aliança, o que trará como resultado final o exílio. Nele, todo orgulho e toda
segurança irão ruir. E o povo, desprovido de tudo, retornará ao primeiro amor: Deus.
O PECADO DO REI SAUL
Samuel, por ordem de Deus, reuniu o povo, que alvoroçado pedia um Rei, e em
sua presença elegeu e consagrou Saul, da tribo de Benjamim, para primeiro Rei de todo o
povo hebreu.
No entanto, após dois anos de reinado, Deus o rejeitou em virtude de gravíssima
desobediência. As Escrituras revelam duas situações que levaram a sua rejeição:
I - Deus, por intermédio do Profeta Samuel, avisa a Saul que deve ir a cidade de
Gálgala para lá confirmar seu título de rei e oferecer sacrifícios de ações de graças:
 
"Samuel disse ao povo: Vamos a Gálgala, e renovemos ali a realeza. Partiu, pois,
todo o povo para Gálgala para ali confirmar Saul, em presença do Senhor, no seu título
de rei, e oferecer naquele lugar sacrifícios de ações de graças. E Saul, com todos os
israelitas, alegraram-se grandemente." (I Sm 11, 14-15)
 
Acontece que, devido a um problema com os Filisteus, Saul, que deveria aguardar
Samuel durante sete dias para confirmá-lo na realeza, antecipa-se e ele mesmo passa a
oferecer sacrifícios ao Senhor, desobedecendo a uma ordem direta de Deus:
 
"Saul esperou sete dias, prazo fixado por Samuel, mas este não chegava, e o povo
começou a afastar-se. Então Saul disse: Trazei-me o holocausto e os sacrifícios pacíficos.
E ofereceu o holocausto. Apenas acabava de o oferecer, chegou Samuel, e Saul saiu-lhe
ao encontro para o saudar. Que fizeste?, disse Samuel.
Vendo que o povo se dispersava e que tu não chegavas no tempo fixado, e que os
filisteus se tinham juntado em Macmas, pensei comigo: Agora eles vão cair sobre mim
em Gálgala, sem que eu tenha aplacado o Senhor. Por isso ofereci eu mesmo o
holocausto.
Samuel replicou-lhe: Procedeste insensatamente, não observando o mandamento
que te deu o Senhor, teu Deus, que estava pronto a confirmar para sempre o teu trono
sobre Israel. Agora o teu reino não subsistirá." (I Sm 13, 8-14)
 
II - Saul havia recebido do profeta Samuel a ordem de ferir Amalec e votar ao
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interdito tudo o que lhe pertence, sem nada poupar. Saul, no entanto, destruiu apenas os
despojos de guerra que não tinham valor, ficando com todo o resto. Para Samuel aquilo
era uma grave ofensa a Deus, pois Saul colocou seus interesses acima da vontade do
Senhor.
Para o profeta Samuel, Deus não se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios
como na obediência à sua voz. Para ele “a desobediência é como o pecado de idolatria”
(I Sm 15, 23), um pecado extremamente grave. Por isso, Samuel afirma: “Pois que
rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeita e te despoja da realeza!” (I Sm 15,23).
A partir deste dia, Samuel foi embora e não tornou a ver Saul; mas não deixou de
chorar sobre o desventurado destino deste príncipe que o Espírito de Deus tinha
abandonado.
O PECADO DO REI DAVI
Muitos anos depois de Deus ter rejeitado Saul, sobe ao trono o Rei Davi, da tribo 
de Judá. Este governou Israel durante quarenta anos e ao longo desse tempo terminou de 
conquistar toda a Palestina. Apoderando-se de Jerusalém, escolheu-a para sede de seu 
Reino. 
Davi sempre procurou seguir os mandamentos do Senhor até o dia em que se
deixou seduzir pela beleza de uma mulher, Betsabé, filha de Elião, mulher de Urias, o
hiteu.
Ao saber que Betsabé estava grávida de um filho seu, Davi decide enviar Urias
para frente de batalha para que os inimigos de Israel o matassem.
Ao obter seu intento, Davi manda buscar Betsabé e a torna sua mulher. Depois de
certo tempo, nasce o filho do adultério.
Tal procedimento de Davi desagradou profundamente ao Senhor que lhe disse:
"Ungi-te rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul, dei-te a casa do teu senhor e pus as
suas mulheres nos teus braços. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá e, se isso fosse
ainda pouco, eu teria ajuntado outros favores. Por que desprezaste o Senhor, fazendo o
que é mau aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, o hiteu, para fazer de sua mulher
a tua esposa, e o fizeste perecer pela espada dos amonitas." (II Sm 12, 7-9).
Depois de chamar-lhe a atenção, Deus aplica-lhe um severo castigo: "Por isso,
jamais se afastará a espada de tua casa, porque me desprezaste, tomando a mulher de
Urias, o hiteu, para fazer dela a tua esposa. Eis o que diz o Senhor: vou fazer com que se
levantem contra ti males vindos de tua própria casa. Sob os teus olhos, tomarei as tuas
mulheres e dá-las-ei a um outro que dormirá com elas à luz do sol! Porque agiste em
segredo, mas eu o farei diante de todo o Israel e diante do sol." (II Sm 12, 10-12). Disse
ainda: “Como desprezaste o Senhor com essa ação, morrerá o filho que te nasceu.” (II
99
Sm 12, 13).
Davi arrependeu-se totalmente do que havia feito e, por conta disso, o Senhor
perdoou o seu pecado, não lhe retirando a vida: “Davi disse a Natã: Pequei contra o
Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado; não morrerás.” (II Sm 12,
13).
No entanto, apesar de ter perdoado o pecado a Davi, Deus não deixou de aplicar-
lhe o castigo prometido, tendo seu filho Absalão mandado matar seu próprio irmão e
tentado matar o rei, para retirar-lhe o reino.
David faleceu aos setenta anos. Tinha reinado sete anos em Hebrão e trinta e três
em Jerusalém.
Foi um rei poderoso e glorioso, também foi um profeta inspirado e figura do
Messias que ele anunciava em seus escritos e cânticos.
Nos seus belíssimos salmos, David descreveu de antemão o Libertador esperado,
sua origem na tribo de Judá, sua descendência real, seu reino, seu sacerdócio eterno,
depois, sua paixão e sua morte, sua ressurreição e seu reino sem fim.
O PECADO DO REI SALOMÃO
Salomão foi o segundo filho de Davi com Betsabé. Seu reinado durou quarenta
anos e foi o último rei que governou sobre todo Israel.
No início de sua vida monarca, Deus ofereceu dar-lhe o que quisesse, mas pediu
somente “um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o
mal” (I Rs 3, 9). Feliz com esse seu desejo, Deus o cumula com todos os tipos de
bênçãos.
Salomão, entretanto, não soube corresponder a tantos privilégios, nem mostrar-se
na altura de tamanha glória. Terrível exemplo da fragilidade e da fraqueza humanas; não
soube conservar a franqueza e a singeleza de coração que Deus lhe tinha deparado.
Durante muitos anos, seu amor por Deus fez parte de sua vida, mas à medida que
envelhecia, pelas artes insidiosas de suas muitas mulheres estrangeiras, caiu na idolatria e
foi se afastando das orientações do Senhor. Na realidade, isso aconteceu porque Salomão
desconsiderou a Lei Mosaica que dizia: “Guarde-se também o rei de multiplicar suas
mulheres, para que não suceda que seu coração se desvie (de Deus).” (Dt 17, 17):
 
“O rei Salomão, além da filha do faraó, amou muitas mulheres estrangeiras:
moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hitéias, pertencentes às nações das quais o
Senhor dissera aos israelitas: Não tereis relações com elas, nem elas tampouco convosco,
porque certamente vos seduziriam os corações arrastando-os para os seus deuses. E suas
mulheres perverteram-lhe o coração.
Sendo já velho, elas seduziram o seu coração para seguir outros deuses. E o seu
100
coração já não pertencia sem reservas ao Senhor, seu Deus, como o de Davi, seu pai.
Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, o abominável ídolo
dos amonitas. Fez o mal aos olhos do Senhor, não lhe foi inteiramente fiel como o fora
seu pai Davi.
Por esse tempo edificou Salomão no monte, que está a oriente de Jerusalém, um
lugar alto a Camos, deus de Moab, e a Moloc, abominação dos amonitas. E o mesmo fez
para todas as suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e sacrificavam aos
seus deuses.” (I Rs 11, 1-8).
 
O comportamento de Salomão levou Deus a tratá-lo como havia feito com Saul,
retirando-lhe o reino. Entretanto, em consideração a Davi, não deixou que esse castigo
acontecesse durante sua vida. Também, em atenção a Davi, não lhe retirou o reino todo,
deixando uma parte para um de seus filhos:
 
“O Senhor irritou-se contra Salomão, por se ter seu coração desviado do Senhor,
Deus de Israel, que lhe aparecera por duas vezes, e lhe tinha proibido expressamente que
se unisse a deuses estranhos.
O Senhor disse-lhe então: Já que procedeste assim, e não guardaste a minha
aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo ao teu servo. Todavia,
em atenção ao teu pai Davi, não o farei durante a tua vida. Tirá-lo-ei, sim, mas da mão
de teu filho. Não lhe tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por amor de
meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi.” (I Rs 11, 9-13)
 
Referência: A vida do profeta Samuel (1Sm 1-7), o reinado de Saul até sua morte
e o reinado de Davi (1Sm 8-31) e todo o Livro de Samuel II.
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A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL
Após a morte de seu terceiro rei, Salomão, filho de Davi, o reino é dividido em
dois (Cisma): ao norte, o reino de Israel, com a capital Samaria e, ao sul, o reino de Judá,
que permaneceu fiel à dinastia de Davi e conservou Jerusalém como Capital:
"Vendo que o rei não os atendia, o povo respondeu-lhe: Que temos nós a ver
com Davi? Vai, pois, para as tuas tendas, ó Israel! E os israelitas retiraram-se
para as suas tendas.
Roboão reinou, no entanto, sobre os israelitas que habitavam em Judá.
Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.
Ouvindo os filhos de Israel que Jeroboão tinha voltado, convidaram-no à sua
assembléia e aclamaram-no rei de todo o Israel.
Só a tribo de Judá ficou fiel à casa de Davi.”
(I Rs 12, 13-20)
A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL
O rei Salomão, à medida que envelhecia, foi se afastando das orientações de Deus
e ficando distante do povo. O resultado foi o acúmulo de trabalhos e impostos sobre seus
súditos, o que gerou muitas revoltas.
Com a morte de Salomão, assume seu filho Roboão. Seguindo os passos de seu
pai, Roboão continua a castigar o povo com pesados trabalhos e altos impostos.
Devido Roboão não querer aliviar a carga duríssima dos tributos impostos por seu
pai, dez tribos, estabelecidas no norte de Israel, rebelaram-se, tomando por Rei a
Jeroboão, cabeça dos insurrectos. Deste modo, o reino foi dividido.
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De um lado ficou Roboão, reinando sobre as tribos de Judá e Benjamim,
conhecido como Reino de Judá, com capital Jerusalém, e do outro, Jeroboão, reinando
sobre as dez tribos do norte de Israel, conhecido como Reino de Israel, com capital
Samaria:
 
“O rei Roboão, filho de Salomão, falou com dureza ao povo. Sem fazer caso
algum do conselho dos anciãos, respondeu ao povo como lhe aconselharam os jovens:
Meu pai impôs-vos um jugo pesado? Pois eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai vos
castigoucom açoites? Pois eu vos castigarei com escorpiões. E o rei não atendeu ao
povo.
Vendo que o rei não os atendia, o povo respondeu-lhe: Que temos nós a ver com
Davi? Que temos nós de comum com o filho de Isaí? Vai, pois, para as tuas tendas, ó
Israel! Cabe a ti tratar de tua casa, ó Davi!
E os israelitas retiraram-se para as suas tendas.
Roboão reinou, no entanto, sobre os israelitas que habitavam em Judá.
O rei Roboão enviou Adurão, superintendente dos trabalhos, mas os israelitas
apedrejaram-no e ele morreu. O rei subiu então precipitadamente no seu carro e fugiu
para Jerusalém.
Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.
Ouvindo os filhos de Israel que Jeroboão tinha voltado, convidaram-no à sua
assembléia e aclamaram-no rei de todo o Israel. Só a tribo de Judá ficou fiel à casa de
Davi.” (I Rs 12, 13-20).
Para impedir que seus súditos fossem levar ao templo de Jerusalém suas
homenagens e suas ofertas, Jeroboão, despertando neles a idolatria egípcia, mandou
fundir dois bezerros de ouro, um em Bethel outro em Dan e ordenou a todo seu povo
que viesse ali sacrificar. Assim tomou vulto em Israel um culto idolatra quase
permanente.
O SURGIMENTO DOS PROFETAS
Com a divisão do reino, o povo afasta-se de Deus de tal forma que se passa a
presenciar uma intensa busca por divindades pagãs, tanto no reino de Judá como no de
Israel.
Para socorrer o povo frente às crescentes seduções do paganismo, Deus envia os
Profetas.
Eles aparecem para conservar o povo na observância da Lei ou para fazê-lo voltar
a ela, quando prevaricava, e em especial para preservá-lo da idolatria. Com efeito, os
homens agora podiam procurar os profetas e, por meio deles, chegarem a vontade de
Deus, e assim perceberem que o culto dos ídolos constitui impiedade totalmente
103
sacrílega.
Os Profetas tinham como principal missão conservar viva a memória da promessa
do Messias e preparar o povo para que O reconhecesse. Anunciaram muitos séculos
antes, o tempo preciso da sua vinda, e descreveram com tais pormenores seu
Nascimento, Vida, Paixão e Morte, que, lendo o conjunto de suas profecias, mais
parecem estudiosos da história do que Profetas.
Perceba que todas as profecias tiveram sua realização na Pessoa de Nosso Senhor
Jesus Cristo, e só n’Ele; logo, Ele é o verdadeiro Messias prometido.
O PROFETA ISAÍAS
O profeta mais importante dessa época foi Isaías. Ele profetizou a destruição de
Samaria, a queda de Jerusalém (Is 28 a 33) e sua posterior libertação e restauração (Is 40
a 66), bem como a confiança em Deus e a vinda do Messias (Is 42, 1-4; 49, 1-6; 50, 4-
11; 52, 13-15 e 53) que libertaria Israel da verdadeira escravidão causada pelo pecado.
Isaías viveu antes da deportação, no tempo dos seguintes reis de Judá: Ozias,
Joatão, Acaz e Ezequias (II Reis 15 a 20). Esses reinados foram marcados por
constantes ataques militares estrangeiros, que criaram grandes instabilidades políticas,
levando a escandalosas injustiças sociais. Essa situação levou Isaías a denunciar a
corrupção dos poderosos, a miséria do povo e a mediocridade do culto a Deus.
Segundo a tradição dos judeus, Isaías foi morto quando tinha 100 anos pelo rei
Manassés que o mandou serrar ao meio.
104
O REINO DE ISRAEL
A divisão acarreta sucessivas invasões dos inimigos dos dois reinos. O primeiro a
sofrer é o reino de Israel, que cai nas mãos do exército Assírio. Seus habitantes são
levados como escravos, dispersados por todo o império Assírio e substituídos por grupos
de colonos babilônicos, sírios e árabes:
“No ano nono do reinado de Oséias, o rei da Assíria apoderou-se de Samaria
e deportou os israelitas para a Assíria, estabelecendo-os em Hala, às margens
do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média.
Assim aconteceu porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor,
seu Deus, adorando outros deuses e adotando os costumes das nações que o
Senhor tinha expulsado.”
(II Rs 17, 6-8)
O FIM DO REINO DE ISRAEL
Os Reis de Israel foram em número de dezenove e governaram pelo espaço de
254 anos. Foram todos perversos e afundados na idolatria de tal forma que arrastaram a
maior parte do povo das dez tribos para a sua loucura.
Em castigo de suas enormes iniquidades, parte do povo foi dispersa e parte levada
cativa para a Assíria por Salmanasar, Rei dos assírios. Desapareceu, assim, o reino de
Israel para não se erguer mais (ano 722 a.C.) (II Rs 17, 1-41).
No lugar dos habitantes da terra, foram enviadas colônias de gentios para repovoar
o país, aos quais se associaram em tempos sucessivos alguns israelitas retornados de seu
desterro e alguns maus judeus, e entre todos formaram depois um povo, que se chamou
105
Samaritano, inimigo acérrimo da nação judaica.
106
A DEPORTAÇÃO DO POVO DE JUDÁ
O reino de Judá, berço da promessa divina, não leva em consideração o
acontecido com o reino de Israel e continua a multiplicar seus delitos contra o Senhor.
Devido a isso, duas deportações ocorrerão para Babilônia:
“Todos os chefes dos sacerdotes e o povo continuaram a multiplicar seus
delitos, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs.
Em vão o Senhor lhes tinha enviado, por meio de seus mensageiros, avisos
sobre avisos, pois tinha compaixão de seu povo. Eles zombavam de seus
enviados, desprezavam seus conselhos e riam de seus Profetas, até que a ira de
Deus se desencadeou sobre o seu povo e não houve mais remédio.
Então, Deus suscitou contra eles o rei dos caldeus, Nabucodonosor, que
deportou para a Babilônia todos os que tinham escapado à espada e eles se
tornaram seus escravos, dele e de seus filhos, até que completaram setenta
anos”.
(II Cr 36, 14-20)
A PRIMEIRA DEPORTAÇÃO
Os Reis de Judá, em número de vinte, dos quais alguns foram piedosos e bons e
outros grandes criminosos, reinaram somados, 388 anos.
Para tais reis, bem como para os habitantes de Judá, o Templo de Jerusalém era
muito mais do que uma simples construção de pedras, era um local sagrado, onde Deus
se manifestava aqui na terra.
Devido a essa certeza, quando os Assírios invadiram Israel, os habitantes de Judá
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não se preocuparam, pois acreditavam que Deus jamais iria permitir que povos pagãos
destruíssem seu Templo e a cidade santa de Jerusalém, onde habitava.
Tamanha era essa segurança que, infelizmente, não viam nenhuma necessidade de
modificarem seu mau comportamento diante de Deus.
Acontece que tanto a moral, como a justiça e o verdadeiro culto estavam sendo
postos de lado há muito tempo. A injustiça, a corrupção, a imoralidade e o culto a deuses
estrangeiros proliferavam em todo o reino de Judá.
Tal situação permaneceu sem alteração durante longo tempo, mesmo tendo o
Senhor enviado profetas ao povo de Judá pedindo que modificasse seu comportamento.
Por fim, não suportando mais tanta rebeldia, pronuncia seu castigo:
 
“A palavra do Senhor foi nestes termos dirigida a Jeremias: Vai à porta do templo
do Senhor; lá pronunciarás este discurso: reformai vosso procedimento e a maneira de
agir, e eu vos deixarei morar neste lugar. Não vos fieis em palavras enganadoras,
semelhantes a estas: Templo do Senhor, templo do Senhor, aqui está o templo do
Senhor.
Se reformardes vossos costumes e modos de proceder, se verdadeiramente
praticardes a justiça; se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão, a viúva; se não
espalhardes neste lugar o sangue inocente e não correrdes, para vossa desgraça, atrás dos
deuses alheios, então permitirei que permaneçais neste lugar, nesta terra que dei a vossos
pais por todos os séculos. Vós, contudo, vos fiais em fórmulas enganadoras que de nada
vos servirão.
Roubais, matais, cometeis adultérios, prestais juramentos falsos; ofereceis incenso
a Baal e procurais deuses que vos são desconhecidos; E depois, vindes apresentar-vos
diante de mim, nesta casa em que foi invocado meu nome, e exclamais: Estamos salvos!
- para, em seguida, recomeçar a cometer todas essas abominações.
É, por acaso, a vossos olhos uma caverna de bandidos esta casa em que meu
nome foi invocado? Também eu o vejo - oráculo do Senhor. Ide, portanto,à minha casa
de Silo, onde a princípio habitou meu nome, e vede o que lhe fiz por causa da maldade
do meu povo de Israel.
E agora, porque tendo-vos já continuamente advertido, não me atendestes, vou
fazer da casa em que foi invocado meu nome e na qual depositastes vossa confiança,
desse lugar que vos dei assim como a vossos pais, o que fiz de Silo, e vos repelirei de
minha presença, assim como repeli vossos irmãos, a raça inteira de Efraim.” (Jr 7, 1-15).
 
A profecia de Jeremias se realizou no reinado de Joaquim, quando
Nabucodonosor, rei de Babilônia, invadiu Jerusalém e fez a primeira deportação dos
hebreus:
“Levou para o cativeiro toda a Jerusalém, todos os chefes e todos os homens de
valor, ao todo dez mil, com todos os ferreiros e artífices; só deixou os pobres. Deportou
108
Joaquim para Babilônia, com sua mãe, suas mulheres, os eunucos do rei e os grandes da
terra. Todos os homens de valor, em número de sete mil, os ferreiros e os artífices, em
número de mil e todos os homens aptos para a guerra, o rei de Babilônia os deportou
para Babilônia.” (II Rs 24, 14-16).
A SEGUNDA DEPORTAÇÃO
Mesmo após a primeira invasão, o restante dos habitantes de Judá, sob o governo
de Sedecias, continuou a fazer o mal aos olhos do Senhor, não dando atenção às palavras
de seus enviados.
Ocorreu, então, o que os profetas previam se Judá não modificasse seu
comportamento. Nabucodonosor invadiu, pela segunda vez, Jerusalém e deportou, para a
Babilônia, grande parte do que restava de sua população:
 
“Nabuzardã, chefe da guarda, deportou para Babilônia o que restava da população
da cidade, os que já se tinham rendido ao rei de Babilônia e todo o povo que restava. O
chefe da guarda só deixou ali alguns pobres como viticultores e agricultores.” (II Rs 25,
11-12).
 
Com a segunda deportação, Nabucodonosor retirou tudo que Israel tinha de valor:
seu rei, a terra que o Senhor lhe havia prometido, a cidade santa de Jerusalém e o
Templo de Salomão, destruído até os alicerces.
A Deportação foi um duro golpe para a fé de Israel, que se sentia seguro devido às
promessas divinas. No entanto, tais promessas estavam vinculadas à fidelidade de Israel
a ter o Senhor como único Deus, e isso já não vinha acontecendo há muito tempo.
A partir da reflexão dos episódios das deportações, concluímos que os castigos que
se abateram sobre Jerusalém infiel refletem o fato de que o abuso das graças põe um
limite ao exercício da misericórdia de Deus.
 
Referência: Os últimos atos de Davi e o reinado de Salomão (1Rs 1-11), e Os reis
de Judá e de Israel (1Rs 12-22 e todo o livro de Reis II).
109
JERUSALÉM É INVADIDA PELOS VIZINHOS
Aproximadamente, cinco anos depois, os poucos hebreus que restaram em
Jerusalém acabam fugindo para o Egito, temendo represálias dos caldeus pelo assassinato
de seu representante na região, Godolias:
“Guerreiros, mulheres, crianças e eunucos, fê-los todos regressar de Gabaon.
Puseram-se então a caminho, detendo-se em Caamã, nas proximidades de
Belém, para de lá se retirarem para o Egito.
Queriam assim furtar-se aos caldeus, dos quais receavam represálias, dado que
Ismael assassinara Godolias, nomeado para governar a terra pelo rei de
Babilônia.”
(Jr 41, 16-18)
A POSSE DA TERRA
Jerusalém não recebeu contingentes de outros povos, como tinha acontecido com
Samaria; não obstante, os vizinhos amonitas, árabes e edomitas se estabeleceram em
certos lugares da região. Serão esses povos que causarão, aos hebreus, dificuldades na
época da volta do exílio.
Com esse fato, completam-se as profecias a respeito do reino de Judá.
O PROFETA JEREMIAS
Nessa época encontramos o profeta Jeremias. Ele profetizou a queda do reino de
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Israel e de Judá (Jr 2-29), a restauração do que sobrou de Israel e dos deportados de
Judá (Jr 30-33) e a vinda do Messias (Jr 33, 14-16). Suas pregações insistiam na
conversão do povo e na denúncia daqueles que levavam o povo ao pecado.
Teve um papel importantíssimo junto ao povo entre a primeira e a segunda
deportação, pois sustentou a esperança de uma futura restauração da comunidade
israelita. Anunciava, no entanto, que a restauração não viria deles, mas de judeus fiéis a
Deus, nascidos no exílio.
Ao exortar o povo de Israel à penitência, insistia que tomasse a sério os efeitos
calamitosos do pecado. Dizia Ele: “Olha, pois, que é coisa má e amarga o haveres
abandonado o Senhor teu Deus, e o não teres temor de Mim, diz o Senhor Deus dos
exércitos.” (Jer 2, 19).
Suas profecias sobre a destruição da cidade de Jerusalém foram muito duras, o 
que lhe custou inúmeros inimigos. No dia em que Nabucodonosor sitiou Jerusalém, ele
estava dentro da cidade, preso como traidor, no interior de um poço. Quando os
conquistadores foram embora, ele foi deixado na cidade com os poucos habitantes que
restaram.
Jeremias iniciou suas pregações no tempo de Josias, rei de Judá, e continuou até
sua morte no Egito. Segundo a tradição judaica, Jeremias morreu em Táfnis, cidade do
Egito, apedrejado pelos próprios judeus.
Sua vida toda foi uma profecia viva dos sofrimentos e da paixão de Nosso Senhor;
é por isso que a Igreja aplica muitas vezes ao Salvador as palavras que o profeta dizia
diretamente de si próprio.
 
Referência: O livro de Jeremias (Jr 40-45).
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OS HEBREUS EXILADOS ESQUECEM DEUS
Os hebreus, sobreviventes de Judá, após se estabelecerem na Babilônia, passam a
esquecer a aliança com o Senhor. Deus, então, envia o profeta Ezequiel para exortá-los a
respeito de sua má conduta, prometendo-lhes que, se fossem fiéis a Aliança, Ele os
reconduziria de volta a Canaã:
“Deus disse a Ezequiel: ‘Filho do homem, envio-te aos israelitas, a essa nação
de rebeldes, revoltada contra mim, a qual, do mesmo modo que seus pais,
vem pecando contra mim até este dia. É a esses filhos, de testa dura e de
coração insensível, que te envio.
Quando houverem extirpado os ídolos e objetos abomináveis, Eu lhes darei
um só coração e os animarei com um espírito novo: extrairei do seu corpo o
coração de pedra, para substituí-lo por um coração de carne, a fim de que
observem as minhas leis, sejam o meu povo e Eu o seu Deus’.”
( Ez 2, 3-4; 11, 18-20 )
A CULTURA BABILÔNICA INFLUÊNCIA OS HEBREUS
Deportados para a Babilônia, os hebreus sobreviventes de Judá, organizam-se em
comunidades. Acontece que a condição de não serem considerados escravos leva os
hebreus a uma grande aproximação com a florescente civilização Babilônica. Com isso,
as dores da saudade da pátria e da vida religiosa nacional vão sendo esquecidas sob a
influência dos novos costumes e ritos pagãos. Observa-se, desse modo, que o castigo da
deportação não havia sido bem assimilado.
O resultado foi que passaram a não mais seguirem as orientações do Senhor, e,
112
conseqüentemente, a sofrerem em sua religiosidade, abandonando seus costumes e cultos
nacionais.
Sendo assim, como aconteceu no Egito, a influência de outra civilização mais
desenvolvida arrasta o povo a esquecer a aliança com Deus e, como de outras vezes, não
só a cultura é absorvida, mas também os cultos religiosos pagãos.
Para trazê-los de volta a aliança, Deus envia o profeta Ezequiel com a missão de
exortá-los sobre o porquê do acontecido, além de anunciar que, se voltassem novamente
seus corações ao Senhor, Ele os reconduziria de volta a Jerusalém: “Por isso diz à casa
de Israel: eis o que diz o Senhor Javé: retornai! Renunciai a vossos ídolos, deixai de vez
todas as vossas práticas abomináveis.” (Ez 14, 7)
OS HEBREUS EXILADOS
Os judeus que foram exilados na Babilônia eram a classe alta do país: líderes
políticos, sacerdotes e intelectuais. Portanto, homens com condições de desempenharem
papéis importantes nos diversos segmentos de uma sociedade. Já que lhes foi permitida a
oportunidade de melhoria econômica, como aconteceu com muitos deles, vários foram
os que preferiram ficar na Babilônia depois que Ciro permitiu que retornassem à
Palestina.
Mas não foi somente o fator econômico que manteve os israelitas na Babilônia,
muitos ficaram porque estavam tão integradosnos cultos religiosos babilônicos que não
seguiam mais as orientações de Deus.
O EXÍLIO
O exílio, aparente fracasso da promessa, foi uma das provas mais difíceis para
Israel, pois longe de suas cidades, sem esperança de libertação, teve que se sustentar,
exclusivamente, nas promessas de restauração feitas pelo Senhor através dos profetas,
entre eles, Jeremias e Ezequiel. 
O Exílio mostrou que a Providencia Divina sabe mudar o que julgamos ser um mal
num bem maior, pois ensinou aos filhos exilados de Israel a apreciar melhor, em meio a
um povo idólatra, o beneficio das suas instituições divinas; da mesma forma, patenteou a
sua intervenção poderosa aos olhos das nações infiéis assim como à vista do seu povo.
Apesar do povo, durante o tempo do cativeiro, não ter templo nem culto público,
a Lei escrita se aperfeiçoou e se desenvolveu devido ao ensino dos profetas.
O maior benefício do exílio, por assim dizer, foi ter ensinado aos hebreus que
foram suas múltiplas infidelidades à aliança que levaram à ruína o reino de Israel e de
113
Judá, e que, para retornar à sua terra, teriam que voltar a obedecer a Deus e seguir seus
mandamentos. 
Dessa forma, o exílio acabou sendo um dos mais frutíferos momentos para a
formação espiritual do povo hebreu.
EZEQUIEL
Ezequiel era da raça sacerdotal. Onze anos antes da ruína definitiva de Jerusalém
(598 A. C.), foi levado por Nabucodonosor para Babilônia onde exerceu por vinte e dois
anos seu papel profético.
Ezequiel foi a semente plantada por Deus para florescer e dar frutos durante boa
parte do exílio. Foi acreditando nas profecias de libertação, proclamadas por ele e pelos
outros profetas, que o povo se manteve unido e firme na fé até seu retorno a Jerusalém.
Sobre a queda de Jerusalém, pronunciou muitos oráculos da parte do Senhor,
como, por exemplo: “Dize-lhe: eis o que diz o Senhor Javé: ah! cidade que espalhas o
sangue em tuas ruas para que chegue a tua hora, que eriges ídolos para te sujares, pelo
sangue que tens derramado tu te tornaste culpada e te poluíste pelos teus ídolos que
talhaste; precipitaste a tua hora, adiantaste o termo de teus anos. Por isso vou
abandonar-te aos ultrajes das nações, e ao escárnio de todos os países.” (Ez 22, 3-5).
Estava presente durante o cerco que Nabucodonosor empreendeu em Jerusalém.
Foi, no entanto, ao contrário de Jeremias, levado cativo para a Babilônia com os
primeiros deportados, onde profetizou, durante 20 anos, até sua morte. Exercia seu
ministério no cativeiro, enquanto Jeremias exercia o seu em Jerusalém.
Quando ainda estava em sua pátria, sua mensagem falava de conversão e
fidelidade a Deus. No exílio, seu anúncio mudou para esperança e restauração:
“Concluirei com eles uma aliança de paz, um tratado eterno. Eu os plantarei e multiplicá-
los-ei. Estabelecerei para sempre o meu santuário entre eles. Minha residência será no
meio deles. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Ez 37, 26-27).
Pregava a mensagem de um messias que viria da casa de Davi e que iria pastorear
as ovelhas perdidas da casa de Israel: “Meu servo Davi será o seu rei; não terão todos
senão um só pastor; obedecerão aos meus mandamentos, observarão as minhas leis e as
porão em prática.” (Ez 24, 37).
A presença de Ezequiel foi de suma importância no exílio, pois auxiliou a manter
no povo, durante os longos anos que passaram no cativeiro, a esperança de uma futura
volta ao seu país.
 
Referência: O Livro de Ezequiel
114
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CHEGA AO FIM O EXÍLIO DOS HEBREUS
Longo tempo depois da deportação, Deus suscita Ciro, rei da Pérsia, que
conquista a Babilônia e deixa os Hebreus retornarem à Palestina:
“O Senhor suscitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual mandou fazer em
todo o seu reino a seguinte proclamação: ‘Assim, fala Ciro: o Senhor, Deus
do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de construir-lhe um
templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá.
Quem é dentre vós pertencente ao seu povo, suba a Jerusalém e construa o
templo do Senhor’.”
(Esd 1, 1-4)
O REI CIRO
Quando Ciro tomou posse como rei, decidiu administrar os povos dominados não
lhes forçando costumes e religião, mas respeitando suas culturas. Essa decisão o levou a
libertar todos os povos que eram mantidos cativos na Babilônia desde Nabucodonosor.
Procurava, com isso, conquistar-lhes a lealdade e o respeito.
Na realidade, essa decisão era desígnio de Deus, pois havia chegado a hora
prevista pelos profetas para que o povo hebreu voltasse para casa. Isso aconteceu em
538 A. C., quando Ciro publica um decreto autorizando a restauração da comunidade
judaica, o culto a Iahweh e a reconstrução do templo em Jerusalém.
O cativeiro da Babilônia havia durado setenta anos.
O RETORNO À TERRA PROMETIDA
116
O anúncio de que podiam voltar à Palestina chegou aos ouvidos dos israelitas fiéis
como um mar de alegria. Na prática, no entanto, a volta e a vida dos já repatriados foram
cercadas de riscos e choques com os habitantes que haviam ocupado o território, pois
esses não aceitavam os recém-chegados. Por conta disso, reinou, durante muito tempo, a
violência, a pobreza e a injustiça.
O retorno iniciou-se um ano após Ciro conquistar a Babilônia. Como foi feito por
etapas, durou longo tempo. As primeiras dificuldades foram vencidas graças aos profetas
Ageu e Zacarias. As posteriores, por Neemias e Esdras. As participações desses últimos
foram tão importantes que o modelo de vida estabelecido por eles continuou a ser
seguido mesmo após suas mortes. Esta circunstância foi a que levou Jerusalém a tornar-
se o centro de atração dos judeus dispersos pelo mundo.
Sob o poder da soberania benevolente dos reis da Pérsia, durante 450 anos, a
nação recolhe-se e prepara-se para a vinda do Salvador.
 
Referência: Os Livros de Esdras e Neemias.
117
NASCE O JUDAÍSMO
O JUDAÍSMO E OS FARISEUS 
O fato de os hebreus ainda estarem submissos ao rei da Pérsia ao retornarem ao
seu país, portanto, privados de seus reis e de sua independência política, leva-os a se
organizarem numa comunidade prevalentemente religiosa. 
A partir desta época, a Lei, o templo e o sacerdócio passam a serem os pilares da
identidade do povo.
Com o fim da reforma religiosa realizada por Esdras, nasce a religião do povo
judeu: o Judaísmo. Este se desenvolverá do período pós-exílico até o surgimento do
cristianismo.
A partir de sua criação, a classe sacerdotal vai adquirindo uma influência cada vez
maior. Inicia-se um processo de valorização do culto exterior e a exigir-se uma rigorosa
observância aos preceitos exteriores da lei. Nesse processo, várias seitas passam a existir
e a terem influência na vida do povo.
Encontramos, entre essas seitas, a dos Fariseus. Seu nome veio da palavra
hebraica perouschim, que significa separados, pois eles procuravam andar apartados do
povo, fazendo alarde de uma santidade mais rigorosa. Nesse sentido, ostentavam
extrema rigidez nos princípios, uma pontualidade meticulosa em pagar o dízimo, em
guardar o sábado e o jejum, em observar as abluções, etc. 
Eles admitiam a Lei de Moises, no entanto, mantinham também tradições verbais,
tomadas principalmente durante o cativeiro. Freqüentemente desnaturavam a Lei por
comentários fantasiosos ou acrescentavam-lhe práticas vãs, supersticiosas ou inúteis. 
Em meio a sua grande soberba, consideravam que eram os autores das suas
próprias salvações, já que acreditavam que eram justificados apenas pela observância da
Lei. Este é um dos grandes enganos desses homens, pois não é suficiente a tutela da lei
para praticar a virtude e livrar-se do pecado, necessita-se, além disso, do auxílio da graça.
118
A continuidade desse processo fará com que a Lei venha a parecer mais importante que
o próprio Deus.
Os Fariseus gozavam, junto do povo, de alta consideração; os escribas ou
doutores da lei saíam das suas fileiras; eles usavam esta influência com vistas políticas.
Mas tais aparências de virtude ocultavam uma corrupção profunda; eles não passavam
de hipócritas.
O aparecimento das seitas contribuiu para afastaros judeus do verdadeiro culto e
assinalou o início da decadência da religião mosaica. Apesar disso, o povo de Israel não
deixou de permanecer unido na expectativa da vinda do Messias que havia de ser o seu
libertador.
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ALEXANDRE MAGNO E ANTÍOCO EPÍFANES
Passados longos anos depois de Ciro, a Judéia é conquistada por Alexandre
Magno. Após a morte desse rei, passa a sofrer a opressão dos seus sucessores, em
especial os lágidas ou ptolomeus, senhores do Egito, e os selêucidas, dominadores da
Síria e da Mesopotâmia:
“Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, reuniu um imenso exército, impôs
seu poderio aos países, às nações e reis, e todos se tornaram seus tributários.
Mas, adoeceu e viu que a morte se aproximava.
Convocou então os mais considerados dentre os seus cortesãos, e, ainda em
vida, repartiu entre eles o império.”
(I Mc 1, 1-10)
ALEXANDRE MAGNO
Alexandre Magno foi um grande rei que dominou o povo hebreu no ano 338 a.C..
Seu império era enorme, indo do Egito até a Índia. Morreu ainda jovem, com trinta e três
anos, e seus quatro generais e as suas dinastias passaram a governar os territórios que ele
deixou.
Encontramos, na passagem de Dn 8, 21-22, referência a respeito do aparecimento
e queda desse rei:
 
“O bode valente é o rei de Javã; o grande chifre que ele tem entre os olhos é o
primeiro rei. Sua ruptura e o nascimento de quatro chifres em seu lugar significam quatro
reinos saindo dessa nação, mas sem terem o mesmo poder.”
120
ANTÍOCO EPÍFANES IV
Os generais de Alexandre Magno, após sua morte, receberam cada qual seu
próprio reino. Dentre esses reis, originou-se um, tremendamente cruel, o selêucida
chamado Antíoco Epífanes IV, rei da Síria.
Deus, por diversas vezes, revelou ao profeta Daniel que esse rei levaria os judeus
a atravessarem um período de grande tribulação e perseguição, com a proibição de suas
práticas religiosas.
O início, o modo de proceder e fim do reinado de Antíoco Epífanes IV são
facilmente observados em Dn 8, 23-25:
 
“No fim do reinado deles, quando estiver cheia a medida dos infiéis, um rei
surgirá, cheio de crueldade e fingimento. Seu poder aumentará, nunca, porém por si
mesmo. Fará monstruosas devastações, terá êxito nas suas empresas, exterminará os
poderosos e o povo dos santos. Graças à sua habilidade, fará triunfar sua perfídia, seu
coração se inchará de orgulho; mandará matar muita gente que não espera por isso,
levantar-se-á contra o príncipe dos príncipes, mas será aniquilado sem a intervenção de
mão humana.”
 
Esses dois reis surgiram devido às infidelidades que continuavam a persistir, apesar
de tudo quanto Israel já tinha passado.
 
Referência: Conquistas e morte de Alexandre Magno (I Mc 1, 1-10).
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A GUERRA DOS MACABEUS
Devido aos crescentes ataques de Antíoco Epiífanes à fé do povo hebreu, a família
dos Macabeus decide resistir. Esses, apoiados por grupos de judeus piedosos (assideus),
organizam uma rebelião armada e conseguem a independência. Após essas lutas, surge
um período de paz que se estende por cerca de um século:
“Após ter derrotado o Egito regressou Antíoco e atacou Israel.
Então, o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que
todos os povos formassem um único povo.
Deviam suprimir holocaustos; violar os sábados; profanar o santuário;
esquecer a lei e transgredir as prescrições.
Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei seria morto.
Muitos dos israelitas uniram-se a eles, mas Matatias e seus filhos
permaneceram firmes.”
(I Mc 1, 20-62 )
A REVOLTA DOS MACABEUS
Antíoco Epífanes, Rei da Síria, publicou uma lei pela qual todos os súditos
estavam obrigados, sob pena de morte, a abraçar a religião pagã. Na prática, bania o
ensinamento e prática do Judaísmo:
 
"Pouco tempo depois, um velho ateniense foi enviado pelo rei para forçar os
judeus a abandonar os costumes dos antepassados, banir as leis de Deus da cidade,
macular o templo de Jerusalém, dedicá-lo a Júpiter Olímpico e consagrar o do monte
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Garizim, segundo o caráter dos habitantes do lugar, a Júpiter Hospitaleiro". (II Mc 6, 1-2)
 
Temendo as ameaças de morte, a maior parte dos habitantes de Jerusalém fugiu.
A cidade santa, abandonada por seus próprios moradores, tornou-se a morada dos
estrangeiros; o templo ficou desolado e deserto e as festas judaicas foram substituídas
por sacrifícios profanos. 
Muitos judeus, sob o jugo da espada, consentiram naquela impiedade; porém
outros se mantiveram firmes e se conservaram fiéis a Deus. Assim aconteceu a um santo
ancião de nome Matatias e a sete irmãos, chamados Macabeus, com sua mãe.
Confiando mais no poder de Deus do que no numero dos seus soldados, os
Macabeus desbaratam sucessivamente os generais de Antíoco.
A revolta dos primeiros Macabeus limitava-se à independência religiosa do povo,
mas com os anos foi tomando novos rumos, chegando os hebreus a conquistarem a
autonomia nacional.
No final das lutas, dos cinco filhos de Matatias, só restava Simão. Os Judeus,
satisfeitos com a paz conquistada, tinham-se reunido em Jerusalém, e deram a Simão e à
sua posteridade o poder real unido com a dignidade de sumo pontifico. Assim foi
estabelecida a dinastia dos Asmoneus.
Infelizmente, os reis Asmoneus, descendentes dos Macabeus, distanciaram-se dos
passos iniciais de sua família. Eles afastaram-se de Deus e tornaram-se verdadeiros
tiranos.
Tais reis degeneraram da virtude de seus maiores, e discordes entre si
envolveram-se em desastradas contendas com seus poderosos vizinhos, como, por
exemplo, os romanos. 
Foi assim que, novamente, o esquecimento da aliança com Deus pelo povo
hebreu, com o conseqüente abandono de seus mandamentos, tornou-se causa para que
uma nova invasão viesse a acontecer. Esta virá de um país distante, chamado Roma.
 
Referência: Todo o conteúdo dos Livros de Macabeus I e II.
123
ROMA INVADE A JUDÉIA
A INVASÃO ROMANA
No ano 63 A.C., Pompeu, à frente dos exércitos romanos, invade a Judéia,
reduzindo-a a uma província romana e privando-a definitivamente de sua independência
nacional. 
Este fato marca o começo de um ódio implacável do povo judeu contra Roma. 
No início da dominação, os romanos fazem da Judéia apenas uma nação tributária;
mas pouco depois lhe impuseram um Rei de nação estrangeira, Herodes, o Grande, que
ficará à frente da Galiléia. É em sua época que nascerá Jesus Cristo.
A dominação romana se estendeu até o início do 2º século da era cristã, quando a
Sagrada Escritura já estava praticamente concluída.
Consoante a profecia de Jacó, estava muito próxima a vinda do Messias, pois o
cetro saía de Judá e passava às mãos de uma dominação estrangeira: 
“Não se apartará o cetro de Judá, nem o bastão de comando dentre seus pés, até
que venha aquele a quem pertence por direito, e a quem devem obediência os povos."
(Gn 49, 8-10).
124
A EXPECTATIVA POR UM MESSIAS
____________________
 
“O homem reconhece que Jesus Cristo é verdadeiramente o Messias e o
Redentor prometido, porque nEle se cumpriu tudo o que anunciavam as
profecias e tudo o que representavam as figuras do Antigo Testamento.”
(SÃO PIO X, p. 36)
____________________
A EXPECTATIVA DO POVO HEBREU POR UM MESSIAS
Desde o começo de sua história, o povo hebreu sempre esperou pelo cumprimento
da promessa feita por Deus a Abraão de que faria de Israel uma grande nação, onde
todas as famílias na terra seriam benditas nela. Porém, mais do que fazer de Israel um
grande povo, a promessa tinha uma dimensão maior: estabelecer, inicialmente em Israel e
através deste por todo o mundo, o Reino de Deus na terra.
Foi devido às inúmeras dominações de povos estrangeiros no território israelita,
fruto de sua falta de fidelidade aos mandamentos de Deus, que a figura do Messias
surgiu e começou a assumir um papel de crescente importância na esperança dessa
nação. O Messias seria o instrumento de Deus na realização de sua promessa.
Durante a monarquia, o oráculo de Natã vincula a esperança da vinda do Messias
à família de Davi:
 
"Dirás, pois, ao meu servo Davi: ‘Eis o que diz o Senhor dosexércitos: Eu tirei-
te das pastagens onde guardavas tuas ovelhas para fazer de ti o chefe de meu
povo de Israel.
Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então
suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e
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firmarei o seu reino. Ele me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu
trono real’.”
(II Sm 7, 8-16)
 
Por causa desse oráculo, todos os reis saídos da dinastia de Davi passaram a ser
“ungidos” do Senhor por excelência. A conseqüência disso é que os hebreus passaram a
esperar um Messias vindo de um dos reis da dinastia de Davi, um Messias Régio.
Com o cativeiro da Babilônia, extingue-se a monarquia e, conseqüentemente, a
dinastia. A promessa de Deus, no entanto, feita inicialmente a Abraão e depois à dinastia
de Davi, certamente ocorreria. Surgiu, então, a expectativa de que Deus, no futuro,
suscitasse um descendente da “família” de Davi para executar sua promessa.
Depois do cativeiro, por se constituírem numa comunidade estritamente religiosa,
a autoridade do sumo sacerdote eleva-se a ponto de herdar a “unção” antes atribuída
apenas aos reis descendentes de Davi. Torna-se, por conseguinte, o segundo foco da
expectativa messiânica. Muitos, portanto, passaram a esperar um Messias Sacerdotal.
Outros, devido à situação de dominados em que viviam, alimentavam uma terceira
esperança messiânica: o messias seria um Guerreiro libertador, nacionalista e político, que
reconquistaria, através de lutas, em definitivo o país.
O CONHECIMENTO DA VINDA DE JESUS CRISTO
Todos os acontecimentos que ocorreram com o povo antigo tinham como fim
providencial comunicar e preparar a vinda do Messias, a realização da sua obra e o
estabelecimento do seu Reino.
Por conta disso, antes mesmo da vinda do Messias ao mundo, os homens já
possuíam algum conhecimento de Jesus Cristo. Isso porque Deus, logo após o pecado de
Adão e Eva, prometeu a humanidade um salvador. Promessa, depois, renovada pelos
Patriarcas e pelos Profetas.
Importante anotar que as profecias proferidas pelos profetas a respeito do Messias
prediziam muitos aspectos de sua vida, como a tribo e a família da qual devia sair; o
lugar e o tempo do nascimento; os seus milagres e as mais minuciosas circunstâncias da
sua Paixão e morte; a sua ressurreição e ascensão ao Céu; e o seu reino espiritual, que é
a Santa Igreja Católica. 
Dentre as muitas profecias contidas no Antigo Testamento e que descrevem
particularidades da vida do Messias, destacamos:
 
1. O anúncio da vinda do Messias: “O Senhor fez conhecer a sua Salvação.
Lembrou-se de sua bondade e de sua fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins
da terra puderam ver a Salvação de nosso Deus. Aclamai o Senhor, povos todos da terra;
126
regozijai-vos, alegrai-vos e cantai. Diante do Senhor que chega, porque ele vem para
governar a terra. Ele governará a terra com justiça, e os povos com equidade.” (Sl 97).
 
2. Onde nascerá o Messias?: “Mas tu, Belém de Éfrata, tão pequena entre os
clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Por
isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Ele se
levantará para os apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do
Senhor, seu Deus.” (Mq 5).
 
3. Como se dará o nascimento do Messias?: “Ouvi, casa de Davi: Não vos
basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso,
o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o
chamará ‘Deus conosco’. Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o
mal e escolher o bem.” (Is 7).
 
4. Como se chamará o Salvador?: “O povo que andava nas trevas viu uma
grande luz. Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do
feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã. Porque um menino nos nasceu, um
filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro
admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.” (Is 9).
 
5. O Messias virá cheio do Espírito de Deus: “Um renovo sairá do tronco de
Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor,
Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de
ciência e de temor do Senhor. Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que
ouvir dizer; mas julgará os fracos com equidade, fará justiça aos pobres da terra.” (Is
11).
 
6. O Messias conduzirá os homens ao céu: “Eis o que diz o Senhor JAVÉ: ‘Ai
dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto. Vou castigar esses pastores,
vou reclamar as minhas ovelhas. Vou tomar Eu próprio o cuidado de minhas ovelhas,
velarei sobre elas. Eu irei em socorro de minhas ovelhas para as poupar de serem
atiradas à pilhagem; e julgarei entre ovelha e ovelha. Para os pastoreá-las suscitarei um
só pastor, meu servo Davi. Será ele quem as conduzirá à pastagem e lhes servirá de
pastor. Eu, o Senhor, serei seu Deus, enquanto o meu servo Davi será um príncipe no
meio delas.” (Ez 34).
 
7. A pessoa do Messias: “Cresceu diante do povo como um pobre rebento
enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu
aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem
das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o
127
rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.” (Is 53).
 
8. Como se apresentará o Messias?: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta
gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; Ele é
simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta.” (Zac 9).
 
9. Pensamentos dos acusadores do Messias: “Cerquemos o justo, porque ele
nos incomoda; é contrário às nossas ações, ele nos censura de violar a lei e nos acusa de
contrariar a nossa educação. Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo
filho do Senhor! Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos
são muito diferentes. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. 
Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá 
quando da sua morte, porque, se o justo é Filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará 
das mãos dos seus adversários. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a 
sua doçura e a sua paciência. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, 
Deus deve intervir.” (Sb 2).
 
10. Visão dos sofrimentos do Messias: “Todos os que me vêem, zombam de
mim; dizem, meneando a cabeça: ‘Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve,
se o ama’. Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha
língua; Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores.
Transpassaram minhas mãos e meus pés: poderia contar todos os meus ossos. Repartem
entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica.” (Sl 21).
 
11. A salvação que o Messias trará: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas
enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um
castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas foi castigado por nossos crimes, e
esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele, fomos
curados graças às suas chagas.” (Is 53).
 
12. O Reino do Messias: “Olhando sempre a visão noturna, vi um ser,
semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do
ancião, diante de quem foi conduzido. A ele foram dados império, glória e realeza, e
todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio
será eterno; nunca cessará e seu reino jamais será destruído.” (Dn 7).
 
É possível encontrar também no Antigo Testamento personagens, figuras e
situações que personificam Jesus Cristo, como, por exemplo, o inocente Abel, o sumo
sacerdote Melquisedec, o sacrifício de Isaac, José vendido pelos irmãos, o profeta Jonas,
o cordeiro pascal e a serpente de bronze,levantada por Moisés no deserto. 
128
129
CONCLUSÃO
____________________
 
“Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e seus ouvidos
atentos aos seus clamores." (Sl 33,16)
____________________
O VALOR DA FIDELIDADE A DEUS
Chegando ao fim dessa primeira parte, é possível perceber que a verdadeira luta
do povo israelita não foi contra as espadas dos inimigos que invadiam seu território, mas
contra o paganismo que traziam os povos com que mantinham contato. 
Esse conflito espiritual teve início no tempo em que eram escravos no Egito e
persistiu até a época da dominação romana. 
Quando abandonavam o Senhor e entregavam-se as práticas pagãs, os Judeus
passavam a negar, a desrespeitar e até a lutar contra as leis e mandamentos sagrados sem
qualquer tipo de ressentimento ou escrúpulo.
Ora, todo pecado acarreta consigo duas conseqüências: culpa e castigo. Ainda que,
pela extinção da culpa, seja também perdoado o suplício da morte eterna no inferno,
todavia, Deus nem sempre perdoa os remanescentes dos pecados e a pena temporal que
lhes é devida. Como exemplo, temos o caso do Rei Davi, onde apesar do fervor de suas
preces, implorando dia e noite a misericórdia divina, foi punido por Nosso Senhor com a
morte do filho que tivera do adultério; com a revolta e a morte de seu filho Absalão, a
quem amava com particular carinho; e com outros castigos e flagelos, que já antes lhe
haviam sido cominados (II Sm 12, 7-13). 
O Senhor, muitas vezes, permite que assim aconteça para evitar que, na ocasião
de novo pecado, o homem tenha os pecados já cometidos por muito leves, e, com
atrevida afronta ao Espírito Santo, caia em outros mais graves, cumulando ira para o dia
130
do julgamento. Esse é um mistério da bondade divina.
No caso dos hebreus, os trágicos acontecimentos sofridos por eles no Antigo
Testamento foram consequências de seus pecados, tendo o Senhor permitido que
acontecessem para fazê-los retornarem a aliança que haviam rompido.
Observe que, de maneira individual, isso também ocorreu com o Rei Davi, com
Moisés, com Arão e tantos outros personagens bíblicos. Da mesma forma, pode também
acontecer conosco quando abandonamos a aliança com Deus para seguir a corrupção
deste mundo. 
No livro de Judite encontramos um pequeno relato de Aquior, chefe dos
Amonitas, que, apesar de inimigo do povo judeu, deixa claro que a fidelidade a Deus
sempre trouxe grandes benefícios ao judeus, enquanto que a infidelidade os levava a
ruína e a morte:
"Holofernes, marechal do exército assírio, foi avisado de que os israelitas se
dispunham à resistência e que haviam bloqueado as passagens dos montes. Explodiu
então a sua cólera, e, cheio de furor, convocou os príncipes de Moab e os generais dos
Amonitas e disse-lhes:
Dizei-me quem é esse povo que ocupa as montanhas; quais as suas cidades, a sua
força, o seu número; qual o poder e o efetivo de seu exército, quem é o seu chefe, e por
que motivo foi ele o único dentre todos os povos do oriente que nos desprezou,
recusando-se a sair ao nosso encontro para receber-nos pacificamente.
Aquior, chefe dos amonitas, respondeu-lhe: 
Meu senhor, se te dignas ouvir-me, dir-te-ei a verdade acerca desse povo que
habita nos montes, e nenhuma mentira sairá de minha boca. 
Esse povo é da raça dos caldeus; habitaram primeiramente na Mesopotâmia,
porque recusavam seguir os deuses de seus pais que estavam na Caldéia. Abandonaram
os ritos de seus ancestrais que honravam múltiplas divindades, e passaram a adorar o
Deus único do céu, o qual lhes ordenou que saíssem daquele país e fossem estabelecer-se
na terra de Canaã. 
Depois disso sobreveio a toda a terra uma grande fome, e desceram ao Egito
onde, durante quatrocentos anos, multiplicaram-se de tal forma que se tornaram uma
multidão inumerável. Oprimidos pelo rei do Egito, e obrigados a trabalhar na fabricação
de tijolos e de argamassa para a construção de suas cidades, clamaram ao seu Senhor, e
este feriu toda a terra do Egito com vários flagelos. A praga cessou, quando os egípcios
os expulsaram de sua terra; mas quiseram retomá-los para sujeitá-los de novo à
escravidão. Eles fugiram. O Deus do céu abriu-lhes o mar de tal modo que as águas
tornaram-se de cada lado sólidas como um muro, e eles atravessaram a pé enxuto pelo
fundo do mar. Entretanto, vindo em sua perseguição o inumerável exército dos egípcios,
foi de tal maneira envolvido pelas águas que não escapou um sequer que pudesse contar
à posteridade o acontecimento. 
131
Ao sair do mar Vermelho, ocuparam os desertos do monte Sinai, onde nunca
homem algum pôde habitar, nem um ser humano se fixar. Ali, tornaram-se-lhes doces e
potáveis as fontes amargas, e por espaço de quarenta anos receberam um alimento vindo
do céu.
Por toda parte onde entraram sem arco e sem flecha, sem escudos e sem
espada, Deus combateu por eles e venceu. Ninguém jamais pôde insultar esse
povo, a não ser quando ele se afastou do culto do Senhor, seu Deus. Mas
sempre que, ao lado de seu Deus, eles adoravam um outro, logo eram entregues
à pilhagem, à espada e à vergonha. E todas as vezes que se arrependiam de ter
abandonado o culto do seu Deus, o Deus do céu dava-lhes força para resistir. 
Finalmente, derrotaram os reis cananeus, jebuseus, fereseus, hiteus, heveus,
amorreus e todos os valentes de Hesebon, e tomaram posse de suas terras e de suas
cidades. 
Enquanto não pecavam na presença de seu Deus, eram bem sucedidos,
porque o seu Deus odeia a iniqüidade. 
Há alguns anos, com efeito, tendo-se afastado da via em que Deus lhes ordenara
caminhar, foram derrotados nos combates contra várias nações, e muitos dentre eles
levados para o cativeiro. Mas converteram-se de novo ao Senhor, seu Deus, e depois
dessa dispersão acham-se reunidos desde há pouco: retomaram a posse de suas
montanhas e de Jerusalém onde está seu santuário. 
Agora, pois, meu senhor, informa-te se esse povo cometeu alguma iniqüidade na
presença de seu Deus, e então subamos e o ataquemos, porque o seu Deus os entregará
nas tuas mãos, e ficarão sujeitos ao teu poder. Mas se esse povo não está manchado de
nenhuma ofensa para com o seu Deus, não o poderemos enfrentar, porque o seu Deus o
defenderá e seremos o opróbrio de toda a terra." 
Após toda essa exposição, é possível concluir que foi somente devido às
constantes intervenções de Deus, renovando a espiritualidade do povo nos “desertos” de
sua trajetória, que a aliança não foi desfeita, à esperança pelo Messias foi mantida e o
povo da promessa permaneceu unido.
132
O NOVO TESTAMENTO
 
133
A GENEALOGIA DE JESUS CRISTO
A Genealogia apresentada na Sagrada Escritura:
ADÃO conheceu EVA,
sua mulher, e ela deu à luz a Caim, a Abel e a Set. De Set surgiram: Enos,
Cainan, Malaleel, Jared, Henoc, Matusalém, Lamec
e finalmente NOÉ.
Este gerou três filhos, dentre eles Sem. Após Sem vieram: Arfaxad, Salé,
Heber, Faleg, Reu, Sarug, Nacor e Taré. Taré gerou três filhos,
dentre eles ABRÃO.
A partir dele apareceram:
Isaac, Jacó, Judá, Farés, Esron, Arão, Aminadab, Naasson, Salmon, Booz,
Obed, Jessé,
DAVI e seu filho SALOMÃO.
Salomão teve os seguintes descendentes: Roboão, Abias, Asa, Josafá, Jorão,
Ozias, Joatão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amon, Josias, Jeconias, Salatiel,
Zorobabel, Abiud, Eliacim, Azor, Sadoc, Aquim, Eliud, Eleazar, Matã, Jacó
e JOSÉ, esposo de Maria,
da qual nasceu JESUS.
(Adaptado de Gn 4-5; 11, 10-32; Mt 1, 1-17)
A GENEALOGIA EXISTENTE NA BÍBLIA
A genealogia existente no Evangelho de São Mateus, Mt 1,1-17, difere da
encontrada no Evangelho de São Lucas, Luc 3, 23-38, porque esses evangelistas
134
optaram por mostrar ramos diferentes da descendência de Davi. Mateus preferiu
enumerar os chefes e reis (sucessão dinástica), enquanto Lucas apresentou a
descendência natural de Jesus Cristo.
Segundo São Mateus, “as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde
Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo,
quatorze gerações” (Mt 1, 17).
A genealogia apresentada nas Escrituras tem como objetivo levaro leitor a
observar que Jesus Cristo é o legítimo herdeiro das promessas feitas por Deus a Israel.
Por isso, ela apresenta Jesus Cristo como descendente de Adão e Eva, Abraão e Davi.
Navegando na história desses personagens, Deus revela o início do pecado do
homem e a forma dele atingir sua salvação.
 
Referência: Genealogia (Gn 4-5; 11, 10-32; Mt 1,1-17; Lc 3, 23-38).
135
O ANJO APARECE A MARIA SANTÍSSIMA
Muitos anos se passaram após a volta do povo hebreu do exílio até o dia em que
Deus cumpre sua promessa e dá ao mundo uma boa notícia:
“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da
Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se
chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
O anjo disse-lhe: ‘Ave, Cheia de Graça, o Senhor é contigo’.
Perturbou-se ela com essas palavras e pôs a pensar no que significaria
semelhante saudação.
O anjo disse-lhe: ‘Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.’
Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’
Respondeu-lhe o anjo: ‘O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do
Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente que nascer de ti será
chamado Filho de Deus’.”
(Lc 1, 26-35)
SÃO JOSÉ
São José residia com sua família ordinariamente em Nazaré, pequena cidade da
Galiléia. Ele ganhava o sustento de sua família com o trabalho de suas mãos, no ofício de
carpinteiro.
Apesar de Maria Santíssima e São José serem descendentes dos Reis de Judá, da
família de Davi, ambos viviam pobremente.
136
A missão de São José é das mais importantes na Bíblia: acolher, na fé, a escolhida
de Deus como esposa; dar a seu filho um nome e o sobrenome de sua família; proteger e
sustentar a família sagrada durante os difíceis momentos de seu início e acompanhar
Jesus Cristo em sua adolescência. Quando já não é mais necessário ao projeto de Deus,
retira-se em silêncio dos textos sagrados. 
A Igreja declarou São José “Patrono da Igreja”, pois acredita que Deus o elevou a
uma glória altíssima, e porque foi eminente a sua dignidade e a sua santidade na terra. Ele
é chamado pai adotivo de Jesus Cristo porque desempenhou para com Ele as funções de
pai.
Observe, por fim, que a proteção que São José dirige para os seus devotos é
poderosíssima, porque não é crível que Jesus Cristo queira negar alguma graça a um
Santo, a cuja autoridade quis estar sujeito na terra. Uma graça especial que devemos
esperar da intercessão de São José é a de uma boa morte, porque ele teve a felicidade de
morrer entre os braços de Jesus e de Maria. No entanto, para merecermos sua proteção,
devemos invocá-lo com freqüência e imitá-lo nas suas virtudes, sobretudo na sua
humildade e perfeita resignação à vontade divina, que foi sempre a regra de suas ações.
A ANUNCIAÇÃO DA VIRGEM MARIA
A salvação que Deus prometera estava a depender de dois fatores para ocorrer: da
criação de um povo que o reconhecesse como Senhor e de sua necessidade por um
messias. Criadas as condições, Deus envia seu anjo para dar ao mundo uma boa notícia.
A Boa Nova do anjo seria a doação espontânea de Deus que, tornando-se homem,
daria a sua vida pela remissão das faltas de toda a humanidade.
O Anjo Gabriel foi o primeiro a anunciar ao mundo a mensagem do nascimento de
Jesus Cristo; e suas palavras nos levam a entender com quanta alegria e elevação de
espírito devemos meditar este mistério da fé: "Eis que venho anunciar-vos uma grande
alegria para todo o povo" (Lc 2, 10).
A Santíssima Virgem encontrava-se em Nazaré, cidade da Galiléia, quando Lhe
apareceu o Anjo Gabriel e dirigiu-Lhe a saudação que todos os dias repetimos: “Ave, ó
cheia de graça; o Senhor é conVosco, bendita sois Vós entre as mulheres”.
O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis
que conceberás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus".
Maria perturbou-se ao ouvir tais palavras, mas o anjo a sossegou: "Não temas,
Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho,
e lhe porás o nome de Jesus".
Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?" O anjo
continuou: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a
sua sombra. Por isso, o ente que nascer de ti será chamado Filho de Deus".
137
A sua profunda humildade deu a conhecer com as palavras: “Eis aqui a escrava do
Senhor”, que Ela disse precisamente no instante em que se tornava Mãe de Deus. Por
fim, mostrou a sua fé e obediência dizendo: “Faça-se em Mim segundo a vossa palavra”.
Foi esse o começo da redenção do gênero humano.
Realmente, daquele momento em diante começou a cumprir-se a grandiosa
promessa de Deus a Abraão, quando lhe dissera que, um dia, “todos os povos seriam
abençoados em sua descendência” (Gn 22, 18).
Na conversa com o Arcanjo, soube Maria Santíssima que sua prima Isabel, mulher
de um sacerdote chamado Zacarias, embora em idade avançada, ia ter um filho. Com
santa solicitude, foi visitá-la para servi-la como humilde criada, como o fez por três
meses. Foi nesse momento que Maria Santíssima, respondendo à saudação da prima que,
inspirada pelo Espírito Santo, chamou-A “Mãe de Deus”. O filho que nascerá de Isabel
será João Batista, o santo Precursor do Messias.
MARIA SANTÍSSIMA
Através da desobediência de uma mulher, Eva, o pecado entrou no mundo. Foi
desejo de Deus que, por meio da obediência de outra mulher, Maria Santíssima, chegasse
a Salvação.
Ela foi escolhida dentre todas as mulheres para ser a mãe daquele que reataria a
aliança rompida, o que não significou, no entanto, que não pudesse recusar, pois Ele a
deixou com total liberdade de decidir se aceitaria ou não o seu pedido. Foi por isso que
somente após a sua aceitação é que o Espírito Santo fecundou-a divinamente.
A Igreja a considera o exemplo perfeito de obediência e fé, pois ao acolher com o
seu “sim” o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, abriu a brecha para que
Jesus Cristo entrasse no mundo e realizasse a sua missão.
Para que pudesse cumprir com tão grande missão e porque a mãe de seu futuro
filho não poderia nascer escrava do pecado, Deus a gerou sem o pecado original.
Nesse sentido, a Igreja Católica afirma que Deus escolheu Maria Santíssima ainda
no céu e que Ele, por meio de seu poder infinito, concedeu-lhe uma virgindade perpétua.
Sua participação na Bíblia é tão importante que a encontramos nos momentos
cruciais do ministério de Cristo e da Igreja: na Encarnação, na crucificação e em
Pentecostes.
Em Cl 1, 18, temos: “Cristo é a cabeça do corpo, da Igreja”. Ora, quem é a mãe
da cabeça, Cristo, é também a mãe de todo o corpo, a Igreja. Portanto, Maria Santíssima
é mãe de toda a Igreja.
A ORAÇÃO “AVE-MARIA” E O SANTO ROSÁRIO
138
O Arcanjo São Gabriel dirige-se a Virgem Maria e diz: "Ave, cheia de graça; o
Senhor é convosco". Por isso, quando saudamos a Santíssima Virgem, no Santo Rosário,
com as mesmas palavras do Arcanjo, nós nos congratulamos com Ela, lembrando os
dons e singulares privilégios com que Deus a favoreceu de preferência a todas as outras
criaturas.
Pouco tempo depois, quando a Virgem Maria encontrou Santa Isabel, esta lhe
disse: "Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre". Por isso,
ao pronunciar as palavras de Santa Isabel, no Santo Rosário, congratulamo-nos com
Maria Santíssima pela sua excelsa dignidade de Mãe de Deus, bendizemos a Deus e
damos-Lhe graças por nos ter dado Jesus Cristo por meio de Maria Santíssima.
A oração “Ave-Maria” é chamada saudação angélica porque principia com a
saudação que dirigiu à Virgem Maria o Arcanjo São Gabriel. É por meio dessa oração
que recorremos à Santíssima Virgem. Assim devemos rezá-la:
 
"Ave, Maria, Cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as
mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
R/. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa
morte.Amém."
 
A segunda parte da oração vem da Igreja. Com ela pedimos a proteção da
Santíssima Virgem no decurso desta vida e especialmente na hora da nossa morte, no
qual nos será mais necessária.
Lembra o Papa Leão XIII, na Carta Encíclica Adiutricem Populi, sobre o Rosário
de Nossa Senhora, que "a vantagem do santo Rosário é fornecer ao cristão um meio
prático e fácil para alimentar a sua fé e preservá-la da ignorância e do perigo do erro.
Porquanto, toda vez que nos pomos em oração diante dela e recitamos com devoção a
santa Coroa segundo o rito prescrito, nós recordamos a obra maravilhosa da nossa
redenção, de modo a contemplarmos, como se se desenrolassem agora todos aqueles
fatos que sucessivamente concorrem para torná-la ao mesmo tempo Mãe de Deus e Mãe
nossa".
O ADVENTO
O mundo teve de esperar séculos até a chegada do Messias. No entanto, esses
anos não se passaram à toa. Foram períodos de preparação que despertaram no homem
a necessidade da vinda do salvador.
A igreja, reconhecendo a importância desse período, promove, nas quatro semanas
que precedem a solenidade do santo Natal (festa comemorativa do nascimento de
Cristo), o período litúrgico denominado “Advento”. Neste tempo, a Igreja nos dispõe
139
para celebrar dignamente a comemoração da primeira vinda de Jesus Cristo a este
mundo, com o seu nascimento temporal. Procura, com isso, atualizar essa espera com a
intenção de que o homem desperte o desejo pela segunda vinda do Messias.
O NOME DE JESUS CRISTO
Os Judeus não colocavam qualquer nome em uma pessoa. Para eles o nome
servia tanto para a identidade como para a missão.
Assim, aconteceu também com o filho de Deus. “Jesus”, em hebraico, quer dizer:
“Salvador”. Isso significa que seu nome já traz a sua missão: salvar-nos da morte eterna
que merecíamos por nossos pecados. Dessa forma, ele designa a sua qualidade
característica na ordem da graça, a de Salvador do gênero humano. Seu nome foi
imposto conforme o que o Anjo do Senhor havia ordenado a Maria e a José, no oitavo
dia do seu nascimento, na cerimônia da Circuncisão.
Ao nome de “Jesus” se ajunta o de “Cristo” porque a palavra Cristo, que vem da
tradução grega do termo hebraico “Messias” e que significa “ungido”, dá a entender a
unção divina que o converte em Santo, Sacerdote e Rei dos domínios sobrenaturais.
Portanto, chama-se Cristo porque antigamente ungiam-se os reis, os sacerdotes e os
profetas e Jesus é Rei dos reis, Sumo Sacerdote e Sumo Profeta.
No entanto, a unção de Jesus Cristo não foi corporal, como a dos antigos reis,
sacerdotes e profetas, mas toda espiritual e divina, porque a plenitude da divindade habita
n’Ele substancialmente.
Ao pronunciar o nome de “Jesus Cristo" queremos dizer que este Verbo divino se
revestiu da natureza humana, e, sem deixar de ser Deus, se fez homem; que, como dote
de tão inefável união, obteve, enquanto homem, graças e privilégios de valor quase
infinito, entre os quais sobressai a qualidade de Salvador dos homens.
A diferença entre os “ungidos” do Senhor na Antiga Aliança (Saul, Davi, etc.) e
Jesus Cristo, é que Ele é o único ungido do Espírito Santo. É o Espírito Santo que faz
Maria Santíssima concebê-lo no início de sua vida, é Seu poder que sai de Jesus Cristo
nos seus atos de cura e é Ele que ressuscita Jesus Cristo dentre os mortos.
Por fim, chamamos Jesus Cristo “Nosso Senhor” porque, enquanto Deus,
juntamente com o Pai e o Espírito Santo, nos criou, como também porque, enquanto
Deus e homem, nos remiu com seu Sangue.
 
Referência: A anunciação do nascimento de Jesus Cristo (Lc 1).
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O NASCIMENTO DE JESUS CRISTO
José visitado em sonho por Deus compreende o que se passa com Maria
Santíssima e a aceita como esposa. Tempos depois, como havia sido profetizado, nasce
Jesus Cristo. Herodes, ao ser informado do nascimento, procura matá-lo:
“Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de
Davi, chamada Belém, para se alistar no recenseamento com sua esposa
Maria, que estava grávida.
Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho, e,
envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar
para eles na hospedaria.”
(Lc 2, 4-7)
O VERBO DE DEUS
Por causa da lei, a morte exercia cada vez mais seu poder. Não havia como
eliminar a sanção promulgada por Deus por causa da transgressão de Adão e Eva. O
gênero humano encaminhava-se para a perda e a obra de Deus ia definhando.
Por outro lado, era incompatível com a bondade divina que seres racionais e
partícipes do próprio Verbo perecessem e, corrompidos, voltassem ao nada porque o
diabo os havia enganado.
No entanto, a sentença havia sido promulgada e era imprescindível manter o
princípio da veracidade de Deus na legislação sobre a morte. Seria impensável que, para
nossa preservação, Deus, Pai da verdade, se mostrasse mentiroso.
Logo, que devia Deus fazer?
141
É certo que não adiantava apenas exigir dos homens que se arrependessem, pois
continuariam sob o poder da morte, sentença que não seria retirada. Isso porque o
arrependimento não liberta das condições naturais, mas apenas põe termo aos pecados.
Ora, se fosse apenas a falta, sem a conseqüente corrupção, o arrependimento
bastaria. No entanto, a transgressão aconteceu e os homens ficaram sob o poder da
corrupção (do corpo) devido a sua natureza, e seria inconveniente a lei ser abolida antes
de se ter cumprido o que Deus determinou.
Então, como resolver esta questão se tal empreendimento não era viável aos
homens, apesar de terem sido criados segundo a imagem de Deus, e nem aos anjos, uma
vez que eles não são imagens do Senhor?
A solução caberia só ao próprio Deus. Teria que enviar seu Filho a fim de que,
sendo a Imagem do Pai, pudesse re-criar o homem segundo a Sua imagem.
Ora, quem melhor do que Aquele que criou todas as coisas do nada para resolver
essa situação aparentemente impossível. Somente o Verbo de Deus poderia obter para o
homem tal graça e restauração. A Ele competirá duas coisas: reconduzir o corruptível à
incorrupção, e, ao mesmo tempo, preservar a sentença divina.
Ele, o Verbo de Deus, acima de tudo, era o único, portanto, capaz de refazer
todas as coisas, de sofrer por todos, de ser em favor de todos digno embaixador junto do
Pai.
HERODES
Herodes havia recebido dos romanos, povo que na época dominava a Palestina, o
título de “rei dos judeus”. Por ser um homem tremendamente ciumento de seu poder,
reagiu de modo enérgico e violento ao ser informado do nascimento de um menino que
seria o novo “rei dos judeus”. Para ele, como para muitos judeus, Jesus Cristo seria um
guerreiro conquistador que libertaria Israel de seu governo e do domínio dos romanos.
Herodes ainda viveu quatro anos depois do nascimento de Jesus o Salvador;
sobrou-lhe tempo para derramar sua ira no sangue das crianças inocentes por não ter
conseguido pegar o Filho de Deus.
No decorrer da historia de Nosso Senhor Jesus Cristo, havemos de deparar com
os nomes dos sucessores de Herodes o Magno: Archelau, seu filho; Herodes Antipas,
assassino de João Baptista, juiz do Salvador na sua paixão; depois , Herodes Agrippa I,
perseguidor dos Apóstolos, e Herodes Agrippa II sob cujo governo foi concluída a ruína
da nacionalidade judaica.
O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
142
O Filho de Deus Encarnado veio a este mundo concebido por obra sobrenatural
do Espírito Santo, tendo como mãe a Santíssima Virgem Maria.
A Escritura indica que nenhum outro devia se encarnar, a não ser o Verbo de
Deus, que salvará os homens: “Convinha, de fato, que aquele por quem e para quem
todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio
dos sofrimentos, o autor da salvação deles” (Hb 2, 10).
Dizer que Jesus Cristo, o Filho de Deus, “se encarnou” indica que Ele assumiu e
se apropriou da nossa natureza humana. Essencialmente, consiste na união substancial e
indissolúvel das naturezas divina e humana, em unidade de pessoa divina, a segunda
pessoa da Santíssima Trindade, conservando cada natureza todas as suas propriedades.Ele assumiu um corpo humano a fim de oferecê-lo em favor dos corpos
semelhantes ao seu. Isso ensina a Sagrada Escritura, ao dizer: “Uma vez que os filhos
têm em comum carne e sangue, por isso também Ele participou da mesma condição, a
fim de destruir pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo; e libertar os que
passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,14-15)
Com efeito, a Encarnação de Jesus Cristo se fez necessária devido o gênero
humano ter caído do primitivo estado de Justiça original, e se queria reabilitá-lo e,
sobretudo, dar satisfação completa e abundante por aquele pecado, era absolutamente
indispensável que um Deus-homem tomasse a seu cargo a empresa. Portanto, o motivo
da Encarnação foi remir os homens do pecado.
Ela não aconteceu logo no princípio da queda dos nossos primeiros pais porque
era necessário que o homem reconhecesse a sua desdita e a necessidade de um Deus
Salvador.
No entanto, desde cedo, os homens tiveram conhecimento do mistério da
Encarnação, porque Deus teve a bondade de revelá-lo a Adão após a condenação no
Paraíso. Posteriormente, lembrava-o sempre pela boca dos Patriarcas e Profetas.
Entre os povos idólatras, havia um conhecimento alterado e imperfeito a respeito
do mistério da Encarnação, que remontava à tradição primitiva do começo do mundo,
expressa pelo Proto-Evangelho ["Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência
e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar" (Gn 3,15)].
PRIVILÉGIOS DA VIRGEM MARIA
À Virgem Santíssima, a quem o Filho de Deus havia escolhido para ser sua futura
Mãe, quando realizasse a obra da sua Encarnação, desfrutou privilégios especialíssimos,
em atenção à sua maternidade, e o mais precioso foi o da sua Imaculada Conceição.
Por Imaculada Conceição entende-se "o fato de que, em atenção a que a
Santíssima Virgem ter sido a criatura escolhida para ser mãe do Salvador, por privilégio
especial e único em virtude do qual se lhe aplicaram antecipadamente os méritos da
143
Redenção, foi preservada da mancha do pecado original em que havia de incorrer por
descender de Adão pecador, por via de geração natural; e não só foi preservada do
pecado, mas também, desde o primeiro instante da sua concepção, foi enriquecida e
adornada com a plenitude dos dons sobrenaturais da graça” (Definição dogmática da
Imaculada Conceição, Papa Pio IX).
Deus Pai concedeu à Virgem Maria o privilégio da Imaculada Conceição porque
convinha à santidade e à majestade de Jesus Cristo que a Virgem destinada a ser sua
Mãe não fosse, nem sequer por um momento, escrava do demônio.
Cumpria-se, assim, a promessa divina dada pelo profeta Isaías: “Eis que uma
virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus conosco’” (Is 7, 14).
Foi no dia 8 de dezembro de 1854, que o Sumo Pontífice Pio IX, por uma Bula
dogmática, e com o consenso de todo o Episcopado católico, definiu solenemente, como
artigo de fé, a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem.
A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
No tempo determinado por Deus, Maria Santíssima foi assunta ao Céu. Junto com
sua alma foi levado ao Céu também o seu corpo.
A Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu foi definida pelo Santo
Padre Pio XII, em 1º de novembro de 1950.
Declara o Santo Papa: "Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e
todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence
também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o
pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos. Por esse
motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se
juntarão com a própria alma gloriosa. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-
aventurada virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado
com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na
corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos.
(...) a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida
terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (Constituição Apostólica
Munificentissimus Deus. Definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo
e alma ao céu, Papa Pio XII).
A NATUREZA HUMANA DO FILHO DE DEUS
Jesus Cristo possuía, simultaneamente, todos os ditos gêneros de graças e no mais
144
alto grau de perfeição, porque a sua dignidade pessoal era infinita, e era, além disso, o
Doutor por excelência em matéria de fé.
Por outro lado, devido à pena do pecado de nossos primeiros pais, Jesus Cristo
veio ao mundo com alguns defeitos de corpo e de alma. Eles existiram, ao lado das
prerrogativas de ciência, graça e poder, porque o fim intentado pelo Filho de Deus na
Encarnação foi satisfazer os nossos pecados, aparecer no mundo como um dentre os
homens, reservando todo o seu mérito para a fé, e dar-nos exemplo com a prática das
mais sublimes virtudes de paciência e imolação.
A natureza humana assumida pelo Filho de Deus na Encarnação tinha como
defeitos corporais, as misérias e debilidades inerentes a toda a natureza humana, tais
como a fome, a sede, a morte, etc.; não, porém, os defeitos conseqüentes a pecados
pessoais, nem os hereditários, nem os acidentalmente contraídos na concepção.
A natureza humana unida ao Filho de Deus tinha como defeitos de alma, em
primeiro lugar, a possibilidade de experimentar dor sensível, especialmente a que
produziriam as lesões corporais que havia de padecer no curso de sua paixão; em
segundo lugar, o sentir a contrariedade produzida pelos movimentos interiores da ordem
afetiva sensível e intelectual que supõem sempre um mal iminente, tais como a tristeza, o
temor e a cólera, tendo em vista que esses movimentos em Cristo nunca estiveram em
desacordo com a razão, à qual estavam em tudo submetidos.
Com a exceção dessas debilidades, o corpo de Jesus Cristo era soberanamente
formoso e perfeito.
JESUS CRISTO, DEUS E HOMEM AO MESMO TEMPO
Constitui Jesus Cristo um só ser, Deus e homem ao mesmo tempo, porque uma só
é a pessoa que subsiste em ambas as naturezas, divina e humana. Sendo assim, é perfeito
Deus e perfeito homem. Portanto, podemos dizer que há em Cristo mais de uma
vontade, a vontade divina como Deus; e como homem, a vontade humana.
O Filho de Deus Encarnado tem corpo, carne, ossos, membros, sentidos e órgãos,
como nós. Além disso, tem como nós alma dotada de inteligência e vontade com as
demais faculdades.
No entanto, o Filho de Deus, fazendo-se homem, não deixou de ser Deus, como
diz a Sagrada Escritura “quem vê o Filho, vê o Pai” (Jo 14, 9). Devido a isso é que
Maria Santíssima é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus Cristo, que é verdadeiro Deus.
A certeza de que Jesus é verdadeiro Deus se dá pelo testemunho do Pai Eterno,
quando disse: “Este é O meu Filho muito amado, no qual tenho posto todas as minhas
complacências: ouvi-O”; pela afirmação do próprio Jesus Cristo, confirmada com os mais
estupendos milagres; pela doutrina dos Apóstolos; e pela tradição constante da santa
Igreja Católica.
145
Muitas seitas propagam que, após Jesus Cristo, ocorreram outras revelações com
o objetivo de substituí-la ou corrigi-la. No entanto, não há que se esperar mais nenhuma
revelação, pois Cristo é a plenitude de toda a revelação.
A SEGUNDA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
Santíssima Trindade quer dizer: Deus uno em três Pessoas realmente distintas:
Pai, Filho e Espírito Santo. Afirma-se que Deus é um espírito em três Pessoas porque há
n’Ele três Pessoas, cada uma das quais se identifica com Deus, e possui os atributos da
divindade.
A primeira Pessoa da Santíssima Trindade é o Pai, isso porque não procede de
outra Pessoa, mas é o princípio das outras duas Pessoas, isto é, do Filho e do Espírito
Santo.
Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; Ele é Deus eterno, todo-
poderoso, Criador e Senhor, como o Pai; que se fez homem para nos salvar.
Chama-se “Filho” a segunda Pessoa porque é gerada pelo Pai porvia de
inteligência, desde toda a eternidade; e por este motivo se chama também Verbo eterno
do Pai.
Apesar de nós também sermos filhos de Deus, somente Jesus Cristo se chama
Filho único de Deus Pai porque só Ele é por natureza seu Filho. Quanto a nós, somos
chamados filhos de Deus porque Ele nos criou à sua imagem e nos conserva e governa
com a sua providência; e porque, por especial benevolência, Ele nos adotou no Batismo
como irmãos de Jesus Cristo e co-herdeiros, juntamente com Ele, da eterna glória: “A
prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho,
que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também
herdeiro por Deus.” (Gl 4, 6-7).
 
Referência: O nascimento de Jesus Cristo (Mt 1, 18-25 e Mt 2).
146
A INFÂNCIA DE JESUS CRISTO
Após terem levado o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, voltaram
para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré:
“E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos
homens.”
(Lc 2, 52)
A PURIFICAÇÃO DA VIRGEM MARIA
A lei de Moisés, no Antigo Testamento, obrigava todas as mulheres a purificar-se
depois do nascimento de seus filhos, indo ao templo, para ali oferecer um sacrifício.
A Santíssima Virgem, apesar de não estar obrigada à lei da purificação, porque
fora mãe por obra e graça do Espírito Santo, conservando a sua virgindade, sujeitou-se à
lei da purificação para nos dar exemplo de humildade e de obediência à lei de Deus.
Para que fosse feito o ritual da purificação, deveria a mulher oferecer uma oferta
ao templo. Como era pobre, ofereceu no templo o sacrifício das mães pobres, que era
um par de rolas ou dois pombos.
A Santíssima Virgem levou consigo seu filho, Jesus Cristo, para a cerimônia da
purificação. Isso aconteceu porque a lei antiga obrigava os pais a apresentar a Deus os
seus primogênitos, e a resgatá-los depois, mediante certa quantia de dinheiro.
Essa cerimônia havia sido estabelecida para que o povo se recordasse sempre de
que havia sido libertado da escravidão do Egito, depois que o Anjo matara todos os
primogênitos dos egípcios, e poupara os dos hebreus.
147
A CIRCUNCISÃO DE JESUS CRISTO
A circuncisão foi instituída na lei antiga por Deus para assinalar aqueles que
pertenciam ao povo de Deus, e para distingui-los dos povos pagãos.
Devido Jesus Cristo ser o Filho de Deus, Autor da lei, não estava sujeito à lei da
circuncisão, feita para os servos de Deus e para os pecadores. No entanto, não se
recusou a sujeitar-se, porque, tendo tomado sobre Si os nossos pecados, por amor a nós,
quis sofrer as penas devidas a esses pecados, e começar a lavá-los com o seu Sangue
desde os primeiros dias da sua vida.
Com a circuncisão, foi-Lhe dado o nome de Jesus, como já anteriormente o Anjo
havia ordenado da parte de Deus à Santíssima Virgem e a São José.
NÃO EXISTE MISTÉRIO NA INFÂNCIA DE JESUS CRISTO
A missão de Jesus Cristo, como pode ser visto em Is 53, 4-6, é morrer no lugar
dos homens, assumindo seus pecados. Ela terá seu início após seu batismo, ao atingir a
idade de trinta anos. Por esse motivo, Deus não considerou a infância de Jesus Cristo
objeto de importância para nosso conhecimento, não a colocando nas páginas do
Evangelho.
Não há, em virtude disso, mistério algum na infância de Jesus Cristo como
argumentam muitas falsas doutrinas. O que precisávamos saber sobre ela nos foi dito em
duas passagens:
- a primeira, aparece em Lc 2, 42-49, quando Jesus Cristo completa doze anos e é
levado por seus pais a Jerusalém, para as festas da Páscoa. Lá Jesus se perde de sua mãe
e é encontrado ao terceiro dia no Templo, sentado entre os Doutores, ouvindo-os e
interrogando-os. Quando sua mãe pergunta sobre seu paradeiro, ouvimos a primeira
declaração de Sua divindade: “E por que me procuráveis? Não sabíeis que é preciso
ocupar-Me das coisas de meu Pai?”.
- a segunda, acontece logo em seguida, em Lc 2, 51-52, quando o Evangelho
resume toda a história desse período: “Jesus vivia obediente a Maria e a José, e crescia
em idade, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”.
Sobre a vida do Menino Jesus, o que sabemos pela tradição é que, durante esse
período, Ele viveu a condição da maioria dos jovens de sua época: uma infância
submissa a seus pais e, na adolescência, uma vida pacata em sua comunidade, com
trabalho manual e participante da religião judaica. Labutava com São José nos humildes
misteres de carpinteiro. Tinha uns dezoito anos quando morreu São José seu pai adotivo.
Veio a ser então o único amparo da Virgem, sua mãe, e com seu trabalho, proveu as
necessidades do pobre lar. Mesmo em sua vida pública, Jesus Cristo levou uma vida
148
modesta, simples, e de extrema pobreza.
O importante, a esse respeito, é sabermos que toda a vida de Jesus Cristo foi digna
da sua concepção, nascimento e missão.
 
Referência: A infância de Jesus Cristo (Lc 2, 39-52).
149
JOÃO BATISTA ANUNCIA O MESSIAS
Anos depois, São João Batista anuncia a vinda do Salvador do homem:
“Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em
seus corações se talvez João fosse o Cristo, ele tomou a palavra, dizendo a
todos: ‘Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que
eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos
batizará no Espírito Santo e no fogo’.”
(Lc 3, 16)
SÃO JOÃO BATISTA
São João Batista, filho de Zacarias e de Isabel, foi mandado por Deus para
anunciar Jesus Cristo aos hebreus, e para prepará-los para O receberem.
Desde sua juventude, retirou-se para o deserto, onde passou a maior parte da sua
vida, em uma austeríssima penitência.
Quando chegou o tempo de dar princípio à sua missão, vestido de pele de camelo
e cingido com um cinto de couro, saiu para as margens do Jordão e começou a pregar e
batizar. Ele dizia: “Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 3, 2).
São João Batista morreu degolado por ordem de Herodes Antipas devido ter
repreendido a vida escandalosa deste príncipe. A desculpa para assassiná-lo aconteceu
quando o rei Herodes, ligado por temerário juramento, deu à jovem bailarina a cabeça de
João Batista, como prêmio de sua dança.
A São João Batista foi dada a graça de não só anunciar a vinda do Cristo, como
fizeram outros profetas, mas de conversar com ele e batizá-lo. Foi ele que fez a
150
transferência do Antigo para o Novo Testamento e é ele que termina o ciclo dos profetas,
iniciado por Elias.
Muito embora tenha inaugurado o Evangelho, dele não participou. A esse respeito,
Jesus Cristo diz que “entre os nascidos de mulher não há maior que João. Entretanto, o
menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Lc 7, 28).
A razão dessas palavras é porque os participantes do Novo Testamento estão em
uma situação mais privilegiada do que aqueles que viveram no Antigo Testamento e não
tiveram a oportunidade de conhecer a doutrina que Jesus Cristo veio anunciar. Por outro
lado, serão julgados de forma mais dura do que aqueles, como declarou Nosso Senhor:
“Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!” (Mt
11, 20-24).
O batismo de São João Batista era dirigido para o arrependimento dos pecados
(batismo de conversão), enquanto o de Jesus Cristo (batismo sacramental, somente após
sua morte e ressurreição) será um renascimento para a graça de Deus.
 
Referência: O Testemunho de João Batista (Mt 3, 1-12).
151
O BATISMO DE JESUS CRISTO
Nosso Senhor Jesus Cristo, saindo de Nazaré, dirige-se ao Jordão a fim de ser
batizado por João Batista:
“No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: ‘Eis o Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do mundo’.”
(Jo 1, 29)
O BATISMO DE JESUS CRISTO
O batismo de Jesus Cristo por João Batista, no começo de sua vida pública, aos
trinta anos, marca a inauguração de sua missão na terra, bem como o início da chegada
do Reino de Deus e o momento em que Ele é manifestado a Israel como seu Messias.
Sua missão consiste em remir o homem, ou seja, perdoar seus pecados. Essa
remissão se efetuarápor sua vez mediante o Batismo que irá promulgar e inaugurar em
um futuro próximo.
Logo que João Batista O reconheceu, quis ao princípio escusar-se, mas dobrou-se
à ordem de Cristo e O batizou. Eis que, apenas Jesus saiu da água, abriram-se os céus, e
o Espírito Santo, sob a forma de uma pomba, desceu sobre Ele, e ouviu-se uma voz que
dizia: “Este é meu Filho muito amado, em Quem pus as minhas complacências!”.
Dessa forma, no batismo de Cristo se revelaram e manifestaram as três Pessoas
da Santíssima Trindade. Jesus Cristo, na natureza humana; o Espírito Santo, na forma de
pomba; e o Pai, na voz que se ouviu.
Observe que o céu também se abre para os homens, ao receberem a água
batismal, isso porque, ao lavar o pecado e indultar-nos da pena devida por ele, remove o
152
único obstáculo que, depois da paixão de Cristo, dificultava a entrada no céu. Todavia,
não entram logo na posse da glória, mas em tempo mais oportuno, quando passarem da
condição mortal para a imortalidade.
O CORDEIRO DE DEUS
“João viu Jesus que vinha a ele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado
do mundo’” (Jo 1, 29).
Pela primeira vez, ouve-se no Evangelho a comparação entre o cordeiro
sacrificado que substituiu os filhos dos hebreus no Egito durante a última praga e Jesus
Cristo, que seria o cordeiro sem mácula, colocado no lugar dos homens em sacrifício por
todos os seus pecados.
O SACRAMENTO DO BATISMO
O Batismo é o sacramento através do qual renascemos para a graça de Deus, e
nos tornamos cristãos. Ele nos confere a primeira graça santificante, que apaga o pecado
original e também o atual, se o há; perdoa toda a pena por eles devida; imprime o caráter
de cristão; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Paraíso, e torna-nos
capazes de receber os outros Sacramentos. É, pois, das fontes batismais que sairá o povo
da nova e eterna aliança.
Quem recebe o Batismo, renuncia para sempre ao demônio, às suas obras e aos
pecados do mundo.
A respeito dos pecados e das máximas do mundo, contrárias ao Santo Evangelho,
nos orienta Nosso Senhor: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém
ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a
concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede
do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre
a vontade de Deus permanece eternamente." (Jo 2, 15-17).
O Batismo é absolutamente necessário para a salvação porque Cristo disse
expressamente: “Quem não renascer na água e no Espírito Santo, não poderá entrar no
reino dos céus”, ou seja, se alguém, podendo não o recebe, é impossível que se salve.
Apesar dessa grande graça, a recepção do Batismo não nos livra dos sofrimentos
nesta existência mortal. Isso acontece porque Jesus Cristo ao assumir a fragilidade da
natureza humana, dela não se despojou antes de sofrer os tormentos da Paixão e a
própria morte; somente depois é que ressurgiu para a glória de uma vida imortal. Não é,
pois, de admirar que os fiéis, não obstante a justificação pela graça do Batismo,
153
continuem num corpo fraco e mortal, pois terão de sofrer muitas provações por amor a
Cristo, de passar pela morte e de ressurgir para uma vida nova, antes de serem dignos,
afinal, de desfrutar com Ele a eterna bem-aventurança.
Para receber o santo Batismo é preciso que os adultos tenham a intenção de
recebê-lo, pois sem ela o sacramento é nulo. Além da reta intenção, é necessária a fé
para receber a graça do sacramento, mas não para receber o sacramento ou o caráter.
Por isso, é que é lícito batizar as crianças, posto que não podem ter nem fé, nem
intenção. Por eles, quem tem fé e intenção são os que em seus nomes pedem o batismo,
ou, na falta destes, a Igreja.
O sacramento do Batismo não pode ser administrado mais de uma vez à mesma
pessoa porque ele imprime na alma caráter indelével. Esta é também a doutrina do
Apóstolo Paulo, que declarou: “Um é o Senhor, uma é a fé, um é o Batismo” (Ef 4, 5).
No ato do Batismo, Deus nos adorna com a graça santificante, e na mesma hora,
infunde-nos na alma as virtudes teologais, quais sejam: a Fé, a Esperança e a Caridade.
Atente para o fato de que, para o cristão se salvar, não basta ter recebido no Batismo as
virtudes teologais; mas é necessário fazer freqüentemente atos destas virtudes.
Finalmente, é possível afirmar que os que receberam o Sacramento do Batismo
são como que a continuação de Jesus Cristo que, neles como membros, vive e prolonga
a série de triunfos e merecimentos que conquistou quando vivia na terra. Por conta disso,
devem ter o cuidado de não manchar a sua vida com atos indignos da própria pessoa de
Jesus Cristo.
A CONFIRMAÇÃO OU CRISMA
A Confirmação, ou Crisma, é um Sacramento que nos dá o Espírito Santo,
imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos,
confirmando-nos na fé, e aperfeiçoando em nós as outras virtudes e os dons recebidos
no santo Batismo.
Sendo assim, o Sacramento da Crisma nos confere o mesmo Espírito, e nos dá as
mesmas forças (como aos Apóstolos), para que possamos resistir valorosamente à carne,
ao mundo e ao demônio, nossos inimigos declarados.
 
Referência: O Batismo de Jesus Cristo (Mt 3, 13-17).
154
A TENTAÇÃO NO DESERTO
Cheio do Espírito Santo, Jesus Cristo voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito
ao deserto, onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias:
“Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.
Disse-lhe então o demônio: ‘Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se
torne pão’.
Jesus respondeu: ‘Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a
palavra de Deus’ (Deut 8,3).
O demônio mostrou-lhe em um só momento todos os reinos da terra, e disse-
lhe: ‘Eu te darei todo este poder e a glória desses reinos se te prostrares diante
de mim’.
Jesus disse-lhe: ‘Está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e a ele só servirás’
(Deut 6,13).
O demônio levou-o ainda a Jerusalém, ao ponto mais alto do templo, e disse-
lhe: ‘Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito:
Ordenou aos seus anjos que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o
teu pé nalguma pedra’ (Sal 90,11s).
Jesus disse: ‘Foi dito: Não tentarás o Senhor, teu Deus’ (Deut 6, 16).
Depois de tê-lo assim tentado de todos os modos, o demônio apartou-se dele
até outra ocasião.”
(Luc 4, 1-13)
A TENTAÇÃO NO DESERTO
155
Jesus Cristo veio ao mundo como um novo Adão, porém com a missão de
restaurar o que os homens perderam. Assim como aconteceu com Adão, o demônio veio
tentá-Lo.
Observe que, apesar da tentação do demônio, Jesus Cristo não podia fazer o mal,
porque poder fazer o mal é defeito, e não perfeição da liberdade. Sendo assim, o Verbo
Encarnado teve e tem livre arbítrio, em grau excelente e perfeitíssimo, apesar do que, de
maneira alguma, pode pecar, porque a sua vontade deliberada esteve sempre de acordo
com a divina.
Portanto, nenhuma possibilidade existia de Jesus Cristo cair nas tentações do
demônio. Deixou-se, no entanto, ser tentado pelo demônio para ensinar-nos a maneira
como devemos resistir aos assaltos do inimigo, e para subjugar com a sua vitória a
audácia do demônio, ensoberbecido com a derrota que fez sofrer aos nossos primeiros
pais no Paraíso.
Em verdade, a vitória de Jesus Cristo sobre o tentador, além de antecipar o triunfo
da sua Paixão, marco de sua total obediência à vontade divina, deu-nos a graça de
também podermos resistir, já que venceu o tentador por nós.
Três foram às tentações que Jesus Cristo venceu no deserto: a da Desconfiança, a
da Ambição e do Poder. Elas tinham como finalidade principal questionar a atitude de
fidelidade de Jesus Cristo ao plano salvífico de Deus.
NÃO TENTARÁS O SENHOR, TEU DEUS
“Tentar a Deus” é o pecado que contra a virtude da religião cometem os que, sem
respeito pela Majestade divina, pedem e exigem a intervenção de Deus, como pondo à
prova a sua onipotência, ou a esperam em circunstâncias em que Deus não poderia
intervir, sem negar-sea si mesmo.
Sendo assim, o homem tenta a Deus quando confia em Seu auxílio, sem por de
sua parte o que pode e deve fazer.
A QUARESMA
Da mesma forma que a Igreja promove o “tempo do Advento” antes do Natal, ela
realiza o “tempo da Quaresma” antes da Páscoa (festa comemorativa da Ressurreição de
Jesus). No primeiro, procura despertar no homem a necessidade pela segunda vinda do
salvador e no segundo, deseja associar o homem ao mistério de Jesus Cristo no deserto,
preparando-o, por meio da penitência, para celebrar a festa de Páscoa.
A Quaresma é um tempo de jejum e de penitência, instituído pela Igreja por
156
tradição apostólica. Ela foi instituída para nos fazer conhecer a obrigação que temos de
fazer penitência em todo o tempo da nossa vida. Segundo os Santos Padres, a Quaresma
é figura para imitarmos, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus
Cristo fez no deserto.
Ela dura quarenta dias e vai da quarta-feira de cinzas até o domingo da Páscoa.
Nela, Jesus Cristo convida o homem a fortificar-se na oração, no jejum e na penitência
para vencer, com Ele, as tentações do demônio.
JEJUM E ABSTINÊNCIA
É importante compreender a necessidade de se considerar os que são atingidos por
nossos pecados e que precisam de toda satisfação. Ora, os atingidos são: Deus, o
próximo, e nós mesmos. Assim, pela oração aplacamos a Deus; pela esmola, damos
satisfação ao próximo; pelo jejum, infligimos castigo a nós mesmos.
O jejum tem o objetivo de nos dispor melhor para a oração, para fazer penitência
dos pecados cometidos, e para nos preservar de cometer outros novos.
A Santa Madre Igreja nos manda jejuar e abster-se de carne na Quarta-Feira de
Cinzas e na Sexta-Feira Santa; e que nos abstenhamos de carne em todas as sextas-feiras
do ano, em honra da Paixão de Jesus Cristo.
 
Referência: A tentação de Jesus Cristo no deserto (Mt 4, 1-11).
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A ESCOLHA DOS APÓSTOLOS
Deixando o Jordão, dirigi-se Jesus Cristo para a Galiléia, a uma cidade chamada
Cafarnaum, à margem do lago. Nesse local, começa sua missão de preparar e construir
sua Igreja. Passa a pregar a palavra de Deus e a escolher homens para segui-lo:
“Jesus passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão,
que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Jesus disse-lhes: ‘Vinde após mim, Eu vos farei pescadores de homens’. Eles,
no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no’.”
(Mc 1, 16-18)
O REINO DE DEUS
Podemos analisar o reino de Deus sob dois aspectos. Em sentido estrito e geral.
Em sentido estrito, o reino de Deus quer dizer a soberania de Deus sobre todos os
homens e todas as coisas, como também a providência pela qual Ele governa e acomoda
todas as coisas.
Em um sentido mais geral, porém, entende-se por reino de Deus um tríplice reino
espiritual, a saber: o reino de Deus em nós, ou o reino da graça; o reino de Deus na terra,
isto é, a Santa Igreja Católica; e o reino de Deus nos céus, ou o Paraíso.
O reino de Deus em nós ocorre pelas virtudes íntimas do coração, pela fé,
esperança e caridade. Essas virtudes nos constituem, por assim dizer, partes integrantes
de Seu Reino. Por isso, à semelhança do que dizia o Apóstolo, podemos dizer: “Vivo,
mas não eu propriamente, Cristo é quem vive em mim." (Gl 2, 20).
O reino de Deus na terra, que é a Santa Igreja Católica, certamente, não é obra
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dos homens, como assegura o Profeta: "Foi o próprio Altíssimo quem a fundou" (Sl 86,
5). Deus a edificou sobre uma rocha inabalável, Pedro, o Príncipe dos Apóstolos: "E eu
te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno
não prevalecerão contra ela." (Mt 16, 18). Seu governo é dirigido pela virtude e
assistência do Espírito Santo.
O reino de Deus nos céus é apresentado por Cristo Nosso Senhor no Evangelho
de São Mateus: "Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino que vos está
preparado desde o principio do mundo" (Mt 25, 34). Pela narração de São Lucas, era a
posse desse Reino que o ladrão pedia a Cristo para entrar: “Senhor, lembrai-vos de mim,
quando chegardes ao Vosso Reino” (Lc 23, 42). Da mesma forma, São João menciona
igualmente este Reino: “Quem não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar
no Reino de Deus” (Jo 3, 5). Por fim, o Profeta Isaías e o Apóstolo Paulo ensinam o
incomparável valor do Paraíso: “Nunca os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem
no coração do homem jamais penetrou, o que Deus tem preparado para aqueles que O
amam”. (Is 64, 4; I Cor 2, 9).
Observe, todavia, que antes de se obter o Reino de Deus nos céus é preciso
estabelecer primeiro o Reino da graça, pois não é possível que no homem reine a Glória
de Deus, se antes não reinar nele a graça divina.
OS DOZE APÓSTOLOS
Para formar a igreja primitiva serão escolhidos homens considerados sem valor
para a sociedade da época, mas que, transformados pelo Espírito Santo, irão ajudar a
consolidar o projeto divino.
Cristo Nosso Senhor escolheu doze apóstolos, representando as doze tribos de
Israel. Eles foram escolhidos para serem testemunhas da sua pregação e dos seus
milagres, depositários da sua doutrina, investidos da sua autoridade e encarregados de
anunciar o Evangelho a todos os povos. Apesar de bem próximos a Cristo, não
receberam tratamento diferente do que foi dispensado aos profetas, desde os do Antigo
Testamento até o mais recente, João Batista. Seus ministérios foram marcados de
perseguições e morte.
O resultado da pregação dos Apóstolos foi a destruição da idolatria e o
estabelecimento da Religião cristã.
Entre os Apóstolos, dois se destacam: São Pedro e São Paulo, chamados de
príncipes dos Apóstolos. Isso se deu porque São Pedro foi especialmente escolhido por
Jesus Cristo para Chefe dos Apóstolos e de toda a Igreja, e São Paulo trabalhou mais que
todos os outros na pregação do Evangelho e na conversão dos gentios.
Jesus Cristo governou a Igreja, inicialmente, através de Pedro e dos demais
apóstolos. Depois, por meio de seus sucessores, através da Ordem Sacerdotal. Seu
159
objetivo foi dotar a sua Igreja de uma estrutura hierárquica que permanecesse até a plena
consumação do Reino. Com efeito, na santa Igreja há um só que dirige e governa.
Invisivelmente, é Cristo a quem o Eterno Pai constituiu "cabeça de toda a Igreja, que é
Seu corpo" (Ef 1, 22-23); visivelmente, porém, é aquele que ocupa a cátedra de Roma,
como legítimo sucessor de São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos.
A Ordem Sacerdotal foi instituída por Jesus Cristo em dois momentos: na Última
Ceia, quando conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores o poder de consagrar a
Santíssima Eucaristia; e no dia da sua ressurreição, quando conferiu aos mesmos o poder
de perdoar e de reter os pecados. Por meio desses atos, os apóstolos foram constituídos
os primeiros Sacerdotes da Nova Lei em toda a plenitude do seu poder.
Para formar o grupo dos doze apóstolos, foram escolhidos “homens” e, da mesma
forma, esses fizeram para escolher seus colaboradores e sucessores. A Igreja, escolhendo
somente homens para pastorear seu rebanho, está, na realidade, tornando presente e
atualizando a escolha do próprio Cristo até sua volta. Isso não significa que as mulheres
estão excluídas da Igreja. Infinitas são as maneiras com que elas podem servir e seguir a
Nosso Senhor, objetivo maior do cristão.
Outro fato importante de se comentar é que foi seguindo o conselho de São Paulo,
em 1 Cor 7, 32-35, que a Igreja adotou o Celibato aos que decidiram se entregar com
amor radical ao serviço do Reino: “Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O
solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado
preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa.”
 
Referência: O início da pregação e os Apóstolos (Mt 4, 12-25).
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AS BODAS EM CANÁ DA GALILÉIA
Poucos dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia e Jesus e sua mãe
achavam-se ali. A certa altura da festa faltou vinho e Maria Santíssima foi interceder
junto a Jesus Cristo pelos anfitriões:
“Três dias depois,celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a
mãe de Jesus.
Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’.
Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não
chegou’.
Disse, então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’.
(Jo 2, 1-12)
A INTERCESSÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM
Pelos planos de Deus Pai aquela não era a época de Jesus Cristo começar a operar
milagres, mas demonstrando ser um filho obediente, decide atender ao pedido de Maria
Santíssima. Essa atitude de Jesus nos revela o grande prestígio que a Virgem Maria tem
perante Ele.
Ora, sabemos que Jesus Cristo é o nosso mediador junto de Deus porque sendo
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, só Ele, em virtude dos próprios merecimentos,
nos reconciliou com Deus e dEle nos obtém todas as graças.
Podemos, no entanto, recorrer também à intercessão da Santíssima Virgem em
virtude dos merecimentos de Jesus Cristo, e pela caridade que a une a Deus e a nós,
auxilia-nos com a sua intercessão a nos reconciliar com Deus, e nos alcançar as graças de
161
que precisamos nesta vida terrena e na outra eterna.
A razão de Maria Santíssima ter recorrido ao seu filho, nas Bodas de Caná, é
porque sabia que Ele tinha o poder de mudar água em vinho. Isso porque, depois da
Anunciação, ela passou a ter o conhecimento de que Jesus era o Filho de Deus,
consubstancial ao Pai, o Messias anunciado. Atendendo a seu pedido, Jesus Cristo
antecipa a hora e faz Seu primeiro milagre.
Importante lembrar, neste momento, que os milagres de Jesus Cristo não foram
feitos à revelia, mas tiveram um propósito definido: servir como prova da sua missão
divina, ou seja, para abonar sua missão, sua doutrina e sua Religião. Sendo assim, os
realizou para testemunhar o seu domínio soberano sobre o inferno, sobre os elementos,
sobre as doenças e sobre a morte. Quando os realizava por sua própria autoridade, ele
provava que não é somente o enviado de Deus, senão Deus como seu Pai. 
A multiplicação dos pães, por exemplo, aconteceu como prelúdio e figura de outro
milagre muito mais espantoso: a instituição da Eucaristia. Em véspera da sua morte, por
ocasião da última ceia, Jesus tomou o pão, o benzeu e o mudou em sua carne. Da
mesma forma, mudou o vinho do cálice em seu sangue. A transformação maravilhosa
operada por Nosso Senhor perpetua o Sacrifício cruento da Cruz através dos séculos. 
Diferentemente dos milagres que os judeus esperavam, com grandes catástrofes
vindas contra os inimigos de Israel, os milagres de Jesus Cristo foram praticados em sua
maioria sobre os próprios homens, para curar suas enfermidades. Por conta disso, em
seus milagres tem maior destaque o papel que cabe a bondade do que o papel relativo ao
poder. 
Até então, ninguém tinha feito tão assombrosos milagres e em tão avultado
número; Ele, todavia, promete que os seus discípulos farão em seu nome coisas mais
maravilhosas, o que prova como é fecunda, inesgotável, a virtude que traz no seu ser. 
A INTERCESSÃO DOS SANTOS
Podemos e devemos recorrer ao valimento dos Santos que estão nos céus. Não é
proibido honrar e invocar os Anjos e os Santos, e até o devemos fazer, porque é coisa
boa e útil, já que eles são amigos de Deus e nossos intercessores junto dEle.
Deve-se ter em mente, entretanto, que a Deus e aos Santos, não os invocamos da
mesma maneira. Pois a Deus pedimos que Ele mesmo nos conceda favores ou nos livre
de males. Aos Santos suplicamos que advoguem a nossa causa, e nos alcancem de Deus
tudo quanto necessitamos. Por isso, empregamos duas fórmulas distintas de oração. A
Deus dizemos: “Tende compaixão de nós! Ouvi-nos!” Aos Santos, porém: “Rogai por
nós!”
Aos bem-aventurados chegam as orações que se lhes dirigem, e esses estão
sempre dispostos a atender as orações e prover às necessidades, interpondo a sua valiosa
162
influência junto de Deus.
No entanto, nem sempre experimentamos os efeitos da sua intercessão, porque no
Céu se julga das coisas com critério divino, e pode suceder que não se ache que o pedido
feito esteja conforme o plano da providência.
Alguns alegam que a intercessão dos Santos é supérflua porque Deus não precisa
de medianeiro para atender as nossas orações. Estas ímpias asserções se rebatem
facilmente na Sagrada Escritura. Entre as diversas passagens, temos o exemplo de
Abimelec, onde Deus perdoou-lhe o pecado, mas só depois que Abraão intercedeu por
ele: "Abraão intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec, sua mulher e suas servas, e
deram novamente à luz. Porque o Senhor tinha ferido de esterilidade todas as mulheres
da casa de Abimelec, por causa de Sara, mulher de Abraão." (Gn 20, 17-18). Temos
também, por exemplo, o caso do Apóstolo Paulo que nunca cairia no erro de desejar,
com tanta insistência, que seus irmãos, “ainda vivos”, o auxiliassem com orações diante
de Deus: "Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo e em nome da
caridade que é dada pelo Espírito, combatei comigo, dirigindo vossas orações a Deus por
mim para que eu escape dos infiéis que estão na Judéia." (Rm 15, 30); e "se nos
ajudardes também vós com orações em nossa intenção. Assim esta graça, obtida por
intervenção de muitas pessoas, lhes será ocasião de agradecer a Deus a nosso respeito."
(2 Cor 1, 11). Nesse caso, observe que as orações dos vivos não fariam menos quebra à
honra e glória de Cristo Medianeiro, do que a intercessão dos Santos no céu.
 
Referência: As bodas de Caná da Galiléia (Jo 2, 1-12).
163
A CONVERSA COM NICODEMOS
Estando próxima a Páscoa dos Judeus, Jesus Cristo sobe a Jerusalém para celebrá-
la. Uma noite, um fariseu chamado Nicodemos, reconhecendo nos atos de Jesus Cristo
um poder vindo de Deus, interroga-o admirado:
“Disse-lhe: ‘Rabi, sabemos que és um mestre vindo de Deus. Ninguém pode
fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele’.
Jesus replicou-lhe: ‘quem não nascer de novo, não poderá ver o reino de
Deus’.
Nicodemos perguntou-lhe: ‘Como pode um homem renascer, sendo velho?
Porventura, pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda
vez?’
Respondeu Jesus: ‘quem não renascer da água e do espírito não poderá entrar
no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito
é espírito’.
Replicou Nicodemos: ‘Como se pode fazer isso?’
Disse Jesus: ‘Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser
levantado o Filho do homem, para que todo homem que nele crer tenha a
vida eterna’.”
(Jo 3, 1-16)
A VERDADEIRA ADORAÇÃO
Os sacerdotes da época de Jesus Cristo, inclusive Nicodemos, não entendiam a
nova religião que surgia. Enraizados durante anos numa forte estrutura de costumes e
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ritos exteriores, tinham dificuldade em aceitar que as práticas cerimoniais serviam apenas
para desenvolver a verdadeira adoração que é a “em espírito e verdade” (Jo 4, 24), ou
seja, a adoração sincera tira o seu valor do espírito e do coração que a oferece. 
Desta forma, o culto cristão será, antes de tudo, um culto interior, onde Deus é o
seu objeto primo e essencial; Jesus Cristo é o medianeiro, e os mistérios de sua vida
terrestre, sempre ao nosso alcance, são o alimento da nossa piedade. A Virgem Maria, os
Anjos e os Santos participam das nossas homenagens, mas unicamente como
intermediários que os transmitem a Deus.
Perceba que Jesus Cristo pode ter aproveitado para o culto cristão a substância e
os elementos do culto mosaico, mas aperfeiçoou-lhe a forma e modificou-lhe o espírito;
desta maneira, os edifícios cristãos, as festas e as cerimônias das nossas igrejas são para
as almas um ensino e uma lição; para os corações, um meio de subirem até Deus; para o
nosso ser, a expressão do culto mais perfeito.
Na passagem acima, Jesus Cristo explica a Nicodemos que será por um novo
nascimento, “renascendo da água e do espírito”, isto é, pelo Batismo e pela fé em Jesus
Cristo, que se formará o povo da nova aliança. 
Imagine como deve ter sido difícil para Nicodemos, naquele momento,
compreender as palavras de Jesus Cristo, pois somente após a Sua Páscoae a vinda do
Espírito Santo é que elas se tornariam compreensíveis.
A SERPENTE DE BRONZE
A serpente de bronze, referida por Jesus Cristo, é vista em Nm 21, 4-9. A situação
em que ela aparece é a seguinte: Muitas foram às vezes em que os hebreus murmuraram
no deserto contra Moisés e contra o Senhor. Tais murmurações acabavam por atrair
graves castigos. Foi notável entre estes castigos o das serpentes venenosas, por cuja
mordedura pereceu grande parte do povo; muitos, arrependidos depois, sararam olhando
para uma serpente de metal que, levantada em uma haste por Moisés, apresentava a
forma de cruz. A virtude desse emblema era símbolo da virtude que havia de ter a Santa
Cruz para curar as chagas do pecado:
“Partiram do monte Hor na direção do mar Vermelho, para contornar a terra de
Edom. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus
e contra Moisés: ‘Por que - diziam eles - nos tirastes do Egito, para morrermos no
deserto onde não há pão nem água? Estamos enjoados deste miserável alimento’.
Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e
mataram muitos.
O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e
contra ti. Roga ao Senhor que Ele afaste de nós essas serpentes’.
Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma
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serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela,
será salvo’. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se
alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a
vida.” (Nm 21, 4-9)
 
Referência: A conversa de Jesus Cristo com Nicodemos (Jo 3, 1-21).
166
A SAMARITANA NO POÇO DE JACÓ
Jesus deixou a Judéia e voltou para a Galiléia. Passando pela Samaria, chegou a
uma localidade chamada Sicar onde, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço de
Jacó:
“Veio uma mulher da Samaria tirar água.
Pediu-lhe Jesus: ‘Dá-me de beber’.
Aquela samaritana lhe disse: ‘Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim,
que sou samaritana!...’
Respondeu-lhe Jesus: ‘Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz:
Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma, e ele te daria uma água
viva. Todo aquele que beber desta água, tornará a ter sede, mas o que beber
da água que eu lhe der, jamais terá sede. Vem a hora, e já chegou, em que os
verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses
adoradores que o Pai deseja’.”
(Jo 4, 7-23)
OS SAMARITANOS
Os judeus, da época de Jesus Cristo, não se comunicavam com os samaritanos
porque seus habitantes, embora adorassem a Deus, por serem em sua maior
parte estrangeiros, prestavam também culto a outros deuses, segundo o costume das
nações donde tinham vindo:
“O rei da Assíria mandou vir gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Emat, de
Sefarvaim, e pô-la em lugar dos israelitas nas cidades da Samaria. Estes colonos 
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tomaram posse da Samaria e instalaram-se em suas cidades. (...) Adoravam também o 
Senhor, mas constituíram sacerdotes para os lugares altos, tirados dentre o povo, os quais
oficiavam por eles nos santuários dos lugares altos. Desse modo, adoravam o Senhor, e 
ao mesmo tempo prestavam culto aos seus próprios deuses, segundo o costume das 
nações de onde tinham sido transportados. (...) 
Ainda hoje seguem os seus antigos costumes; não temem o Senhor, não observam
suas leis, nem suas ordenações, nem a lei e os mandamentos que o Senhor deu aos filhos
daquele Jacó, a quem deu o nome de Israel.” (II Rs 17, 24-41)
Sendo assim, este misto de israelitas e colonos assírios seguia a religião verdadeira,
mas, ao mesmo tempo, aliavam superstições idolatras, tiradas do culto do bezerro de
ouro de Baal e das divindades assírias. 
Existia um duplo vínculo que ligava os Samaritanos à nação judaica: o livro da Lei
que eles conservavam no idioma nacional, e a fé no Messias prometido.
O ESPÍRITO SANTO
Durante seu ministério, Jesus Cristo não revela plenamente o Espírito Santo,
apenas sugere-o como aconteceu a Nicodemos (renascer da água e do Espírito) e a
Samaritana (água viva). Somente próximo de ser glorificado é que falará abertamente
sobre Ele, prometendo sua vinda.
 
Referência: Encontro com a Samaritana (Jo 4, 1-42).
168
O FIM DO MUNDO
Os Judeus promoveram uma festa em Jerusalém e, Jesus Cristo, dirigiu-se para lá,
a fim de pregar a Palavra:
“Em verdade, em verdade vos digo, vem a hora, e já está aí, em que os mortos
ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Pois, como o Pai
tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si
mesmo, e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. Não
vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos
sepulcros sairão deles ao som de sua voz: e os que praticaram o bem irão para
a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal, ressuscitarão para
serem condenados.”
(Jo 5, 25-29)
O PECADO
Existem duas espécies de pecado: o pecado original e o pecado atual.
Pecado original é aquele com o qual todos nascemos, exceto a Santíssima Virgem
Maria, e que contraímos pela desobediência de nossos primeiros pais.
Pecado atual, por sua vez, é aquele que o homem, chegado ao uso da razão,
comete por sua livre vontade. Ele divide-se em mortal e venial.
São pecados mortais aqueles que por sua natureza se opõem diretamente, ou são
incompatíveis com a submissão e amor a Deus, na ordem sobrenatural. O batizado que
ofende a Deus por algum pecado mortal perde, no mesmo instante, todos os
merecimentos que havia alcançado pela morte de Cristo na Cruz, tornando-o incapaz de
169
adquirir novos; priva a alma da graça e da amizade de Deus ficando absolutamente
interdita a porta do Paraíso; torna a alma escrava do demônio; fá-la merecer o Inferno e
também os castigos desta vida. São exemplos: os pecados de desprezo do amor divino e
os cometidos contra a honra de Deus; os de roubo, homicídio, adultério e os pecados
contra a natureza. Recebe o nome de mortal porque dá a morte à alma, fazendo-a perder
a graça santificante. Ele deve ser extinto, antes de se comungar, pelo remédio da
contrição e da Confissão.
Os pecados veniais são aqueles que constituem uma menor transgressão da lei
divina, no entanto, contém sempre uma ofensa a Deus, e causa prejuízos não pequenos à
alma. Recebe esta denominação porque é leve em comparação com o pecado mortal e
porque não nos faz perder a graça divina. Ele causa os seguintes prejuízos: enfraquece e
esfria em nós a caridade; dispõe-nos para o pecado mortal e faz-nos merecedores de
grandes penas temporais, neste mundo ou no outro.
O PURGATÓRIO
Apesar dos méritos de Jesus Cristo e os sacramentos terem bastante eficácia para
fazer com que instantaneamente os homens consigam a vida eterna, dispôs a divina
Sabedoria que não fosse plenamente restaurada em seus indivíduos a natureza humana
até o término da sua peregrinação na terra. Isto leva a que os homens necessitem adquirir
méritos e se abstenham de pecar para chegarem ao céu.
Sendo assim, as almas dos justos que morrem em graça, mas que, no instante de
falecer, não satisfizeram plenamente a pena temporal devida pelos seus pecados, não irão
para o céu, mas para um estado intermediário, chamado de Purgatório. Somente após a
completa satisfação é que elas entrarão no Paraíso.
Podemos aliviar as almas do Purgatório aplicando, em sufrágio delas, esmolas e
outras boas obras, sendo o meio mais eficaz o Santo Sacrifício da Missa. É possível,
também, aplicar-se às almas do Purgatório em geral, ou a algumas em particular, as
indulgências, quando a Igreja o autoriza. No caso da indulgência plenária, que é a que
perdoa toda a pena temporal devida pelos nossos pecados, se alguém morresse depois de
a ter recebido, iria logo para o céu, inteiramente isento das penas do Purgatório.
O CÉU
Céu é o lugar onde, desde o princípio do mundo, moram os anjos bem-
aventurados, e desde o dia da gloriosa ascensão de Jesus Cristo, os justos que foram
redimidos com o seusacrifício.
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Para que os justos possam entrar no céu é necessário ter terminado a sua vida
mortal e satisfeito plenamente neste mundo a pena correspondente aos seus pecados.
Observe que aqueles que, depois do batismo, cometeram pecados mortais ou
veniais e não fizeram a penitência suficiente para a remissão da pena temporal, mas
entregaram o espírito a Deus num ato de caridade perfeita, e especialmente se este ato é
o martírio, podem entrar imediatamente no céu.
O INFERNO
O Inferno é o lugar onde todos os que se rebelam contra a ordem de Deus, e em
seus pecados e crimes se obstinam para nunca mais se converterem, padecem horríveis
tormentos por toda a eternidade.
Nesse lugar de sofrimento, o suplício dos condenados cresce com a companhia de
todos os criminosos e malfeitores do gênero humano, misturados com os demônios cujo
fim é atormentá-los.
O Evangelho fala do Inferno como sendo um lugar onde se ouvem prantos e
ranger de dentes: "Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio
dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes." (Mt 13, 49-
50).
Observe que, segundo o Catecismo Romano, a expressão “infernos” tem uma
abrangência bem maior do que “inferno”, sendo designada como os ocultos receptáculos
em que são detidas as almas que não conseguiram a bem-aventurança do céu. Esses
receptáculos são de várias categorias.
- Um deles é a horrenda e tenebrosa prisão em que as almas réprobas são
atormentadas num fogo eterno e inextinguível, juntamente com os espíritos imundos.
Chama-se também “geena", e “abismo”. É o inferno propriamente dito.
- Há também um fogo de expiação, no qual, por certo espaço de tempo, as almas
dos justos são purificadas até que lhes seja franqueado o acesso da Pátria Celestial, local
onde nada de impuro pode entrar. É o Purgatório.
- Existe, afinal, um terceiro receptáculo, em que eram recolhidas as almas justas,
antes da vinda de Cristo. Ali desfrutavam um suave remanso, sem nenhuma sensação de
dor. Alentavam-se com a doce esperança do resgate. Estas almas eleitas aguardavam o
Salvador no seio de Abraão; foi a elas que Cristo Nosso Senhor libertou, na descida aos
infernos.
O LIMBO
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Todo aquele que morrer, por qualquer motivo, e não tiver tido o uso da razão, não
será julgado. O fato de ter ou não recebido o batismo é que determinará o local para
onde irá. Aquele que o recebeu irá para o Céu. Aquele que não recebeu, para um lugar
especial conhecido com o nome de Limbo.
O Limbo é um lugar distinto do Purgatório e do Inferno. Lá, seus habitantes
compreendem que estarão eternamente privados da felicidade proveniente da visão
beatífica pelo simples fato de terem nascidos filhos de Adão, e não por conta de castigo
de qualquer pecado pessoal. Nos condenados ao Limbo não se reveste o caráter de
suprema tortura, como acontece nos condenados ao Inferno. Lá eles terão a máxima
felicidade natural.
O Catecismo Romano ensina que a alma de Cristo, assim que se separou do
corpo, foi ao Limbo para libertar as almas dos justos que aguardavam a Sua vinda.
Quando chegou o dia da Ascensão, não entrou no Céu Jesus Cristo só, mas entraram
com Ele as almas dos antigos Patriarcas que Ele libertara do Limbo.
A este respeito, São Tomás de Aquino acrescenta que “Jesus Cristo baixou a esse
limbo no instante de ressuscitar, levando consigo as almas dos que ali estavam detidos, é
evidente que depois disto não tem nem pode ter o primitivo destino; pode ser, sem
embargo disso, que hoje sirva de morada aos inocentes, formando um só com o limbo
das crianças" (PEGUES, p. 257) .
 
O JUÍZO PARTICULAR
____________________
 
“Todos nós teremos de comparecer perante o tribunal de Cristo, para
que cada um receba retribuição do bem ou do mal, que tiver praticado em sua
vida terrena.” (2 Cor 5, 10)
____________________
 
Todo homem deverá comparecer duas vezes na presença do Senhor, para dar
conta de todos os seus pensamentos, ações e palavras, e para acatar a sentença de Deus.
A primeira ocasião é o momento de nossa morte; a alma é levada diante de Jesus
Cristo, onde Ele examinará com a máxima justeza tudo o que o homem fez, disse, e
pensou em sua vida. Neste momento, a alma será julgada, sentenciada e colocada no
Céu, no Purgatório ou no Inferno. E' o que chamamos Juízo Particular.
A segunda ocasião acontecerá quando todos os homens estiverem juntos perante o
tribunal de Deus; na ocasião, cada homem, de todos os séculos, saberá a sentença que a
seu respeito foi lavrada. Este Juízo se chama Universal.
172
Por Juízo, deve-se entender o ato em que Deus decide sobre o destino eterno do
homem, pronunciando uma sentença de prêmio ou castigo.
Observe que os bens do Paraíso e os males do Inferno, por enquanto, são
somente para as almas, porque só as almas estão no Paraíso ou no Inferno; no entanto,
depois da ressurreição da carne, quando os homens estiverem na plenitude da sua
natureza, tais bens serão para o corpo como para a alma.
Anote-se, por fim, que somente as almas que entram imediatamente na glória
vêem a essência divina ou a sacratíssima humanidade de Jesus Cristo. O juízo das almas
que vão para o Purgatório ou para o Inferno, celebra-se fazendo com que contemplem,
instantaneamente, todo o curso de sua vida, donde tirarão a convicção inquebrantável de
que, com justiça, merecem o lugar que lhes foi destinado, quer no Inferno, quer no
Purgatório.
O FIM DO MUNDO
____________________
 
"Os discípulos perguntaram-lhe: Qual será o sinal de tua volta e do fim
do mundo?
Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos
do céu, mas somente o Pai. Assim como foi nos tempos de Noé, assim
acontecerá na vinda do Filho do Homem. Nos dias que precederam o dilúvio,
comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé
entrou na arca. E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o
dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem."
(Mt 24, 36-42)
____________________
 
Encontramos no Evangelho, em Mt 24, 30-31, Jesus Cristo declarando que no
último dia Ele voltará e reunirá seus escolhidos: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho
do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir
sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade. Ele enviará seus anjos com
estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade
do céu à outra”.
Em seu discurso, Jesus Cristo também descreve os sinais do tempo em que há de
chegar, para que os homens, ao vê-los, reconheçam estar perto o fim do mundo. Estes se
darão por meio de extraordinários transtornos e comoções em toda a natureza, “e então
chegará o fim” (Mt 24, 6-29).
As Sagradas Escrituras enumeram três sinais principais: a pregação do Evangelho
173
pelo mundo inteiro: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para
servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim." (Mt 24, 14); a apostasia
e o anticristo: "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a
apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário,
aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no
templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus." (2 Ts 2, 3-4).
Apesar das grandes dificuldades que já se encontram presentes no mundo contra a
fé cristã, como sinal do fim dos tempos, é preciso que os católicos tenham sempre em
mente que nunca estarão sozinhos, pois declarou Nosso Senhor no Evangelho: “Eis que
estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).
No fim do mundo se seguirão os dois acontecimentos mais importantes do plano
de Deus: a ressurreição de todos os homens e o Juízo final.
A RESSURREIÇÃO DA CARNE
____________________
 
"Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão.
Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que
forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. Depois, virá o fim, quando entregar
o Reino a Deus, ao Pai, depoisde haver destruído todo principado, toda
potestade e toda dominação. Porque é necessário que Ele reine, até que ponha
todos os inimigos debaixo de seus pés. O último inimigo a derrotar será a
morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés." (I Cor 15, 22-26).
____________________
 
Deus tivera o cuidado de pôr alguns rudimentos a respeito da ressurreição da
carne nas antigas Escrituras. Todavia, mesmo no seio da nação judaica, e até nas classes
da sinagoga e do sacerdócio, os saduceus não acreditavam na ressurreição dos corpos e
faziam da vida imortal uma ideia errônea.
Nosso Senhor lembrou-lhes este dogma positivo da ressurreição, asseverando que
o Deus dos seus antepassados não é o Deus dos mortos, mas sim dos vivos e que depois
da ressurreição, os homens no céu serão como os anjos de Deus (Mt 22, 31-33).
Ensinou também que a ressurreição dos mortos acontecerá no fim do mundo e
depois seguir-se-á o Juízo universal.
Deus determinou a ressurreição dos mortos para que a alma do homem possa
receber juntamente com seu corpo o prêmio ou o castigo, conforme tenha feito o bem ou
o mal. Sua intenção é que a alma de nada tenha falta para sua completa felicidade.
No fim do mundo ressuscitarão todos os homens que morreram no transcurso do
174
tempo desde o princípio da humanidade e todos os que se acharem vivos no momento da
vinda de Jesus Cristo.
Ainda que todos estes acontecimentos sejam instantâneos, como parece indicar
São Paulo em I Cor 15, 51, sucederá que os homens, vivos um momento antes do fim,
passarão por uma morte instantânea e imediatamente irão ocupar o lugar que por suas
obras lhes corresponda:
 
“Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos
transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta
(porque a trombeta soará). Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos
transformados”. (I Cor 15, 51-52).
 
Observe que os homens não ressuscitarão do mesmo modo, pois os corpos dos
eleitos terão, à semelhança de Jesus Cristo ressuscitado, os dotes dos corpos gloriosos, o
que não acontecerá com os dos condenados, que trarão o horrível estigma da reprovação
eterna.
Desse modo, ressuscitarão em estado glorioso os corpos de todos os Santos,
vindos do céu, saídos do purgatório, ou surpreendidos na vida mortal pelos últimos
acontecimentos.
Na Sagrada Escritura, encontramos falando sobre a ressurreição dos justos e dos
condenados na passagem:
 
“Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham
nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz: os que praticaram o bem irão para a
ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem
condenados”. (Jo 5, 28-29).
 
O JUÍZO FINAL
____________________
 
“Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o
condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Quem
me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que
anunciei julgá-lo-á no último dia”. (Jo 12, 47-48).
____________________
 
As Sagradas Escrituras atestam que são duas as vindas do Filho de Deus.
175
Na primeira vez Jesus Cristo veio revestido da fragilidade humana para realizar o
plano de Deus e abrir, para o homem, o caminho da salvação.
Revestido da Sua glória, Ele virá mais uma vez na consumação dos séculos. Neste
tempo comparecerão todos os homens na presença do Juiz Supremo. Esta segunda volta
chama-se “Parusia” e significa “Dia do Senhor”: "Entretanto, virá o dia do Senhor como
ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão,
e será consumida a terra com todas as obras que ela contém." (2 Pd 3, 10). Ela tem a
finalidade de fazer justiça, isto é, dar aos justos a recompensa e aos ímpios o castigo que
tiver merecido.
Antes, porém, do advento de Cristo, a Igreja passará por uma provação final de tal
dimensão que abalará a fé de muitos crentes. A figura do Anticristo surgirá pregando um
pseudo messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus. Muito
do que Jesus Cristo falou já se esboça no mundo de hoje, deixando a certeza da vinda
desses dias. Como esse tempo é desconhecido, é importante aguardá-lo com atenção e
vigilância.
A razão do motivo da existência de outro Juízo, além do Juízo Particular, dar-se
porque até este juízo não terá havido ocasião propícia para manifestar a plenitude e
alcance do poder e da Soberania de Jesus Cristo; só quando tudo chegar ao fim é que se
poderá apreciar em conjunto, não só o valor dos atos dos homens, mas também o de
suas conseqüências.
Podemos observar isto no fato de que os mortos deixam, às vezes, filhos que irão
imitá-los, ou mesmo parentes ou discípulos que propagam durante suas vidas ou muito
além delas, seus ensinamentos em palavras e obras. Esta influência deve aumentar os
prêmios ou castigos dos próprios mortos. Para tanto, fazer-se necessário uma perfeita
averiguação de todas essas obras e palavras, quer sejam boas, quer sejam más. O que,
porém, somente é possível com um julgamento geral de todos os homens, quando
romper o último dia do mundo.
Afora esta circunstância, outras existem, como, por exemplo, a daqueles que
oprimiram os justos, e a daqueles que, durante a vida, procuraram ser tidos, falsamente,
por homens virtuosos e bons, muitas vezes lesando os justos em sua reputação. No fim
do mundo, tais homens verão manifestados, à vista de todo o mundo, os pecados que
cometeram, e observarão os justos recuperarem a boa fama, que lhes fora iniquamente
roubada aos olhos do mundo.
No Juízo universal há de manifestar-se a glória de Deus, porque todos hão de
reconhecer a justiça com que Deus governa o mundo, embora se vejam às vezes os bons
a sofrer e os maus em prosperidade.
O Juízo final terminará no momento que o Juiz pronuncia a sentença definitiva:
“Então o Rei dirá aos que estão à direita: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do
Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.” (Mt 25, 34). “Voltar-se-á em
seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o
176
fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.” (Mt 25, 41). Com isso, os justos
irão para a vida eterna e os condenados irão para o suplício eterno.
O anúncio do Juízo Final é um grande apelo à conversão que Deus deixou ao
homem.
O SUPLÍCIO ETERNO
A sentença contra os condenados será executada pelas mãos dos demônios.
Como justo castigo, os condenados continuarão a serem submissos à ação dos
demônios, da mesma forma que o foram neste mundo, sofrendo sob o império de seu
nefasto e tirânico poder.
No juízo final, a condenação dos réprobos será causa de novo suplício, isto porque
a partir daquele momento, não só padecerão os tormentos da alma, mas também os do
corpo. Inclusive, a tortura do corpo dos condenados será muito intensa, porque o lugar
que ocuparão atormentará cruelmente todos os seus sentidos e potências. No entanto,
não padecerão iguais suplícios, pois estes corresponderão ao número e gravidade dos
seus pecados.
Cabe anotar que o suplicio dos réprobos não diminuirá com o tempo. Isto
acontece devido à inflexível obstinação pelo mal e a perversidade de ânimo que os
acompanhava na época em que a morte os surpreendeu.
A VIDA ETERNA
____________________
 
“A vida terrena é breve e desastrosa, cheia de tantas e tão variadas
misérias, que antes devia chamar-se morte do que vida. Se, ainda assim, lhe
temos mais amor do que a qualquer outro bem; se nada conhecemos que nos
seja mais precioso e agradável [neste mundo] - qual não será, portanto, o zelo e
o ardor com que devemos procurar aquela vida eterna, que põe termo a todos
os males, que é o remate perfeito e absoluto de todos os bens?". (MARTINS, p.
199).
____________________
 
Pela graça de vê a face de Deus, que de todos é o maior e o mais precioso dom,
os bem-aventurados se tornam participantes da natureza divina, e entram na posse da
verdadeira e perfeita felicidade.
177
É por meio da virtude da Esperança, a qual foiinfundida por Deus em nossa alma,
que desejamos e esperamos a vida eterna.
A Igreja ensina que depois desta vida há outra, ou eternamente feliz para os justos
no Paraíso, ou eternamente desgraçada para os condenados no Inferno.
Observe que não temos como conceber a felicidade do Paraíso porque esta excede
os conhecimentos da nossa inteligência limitada, além do mais, os bens do Céu não
podem comparar-se aos bens deste mundo. A este respeito, escreve Santo Agostinho que
é mais fácil enumerar os males de que ficaremos livres, do que (expor) os bens e alegrias
que havemos de gozar.
Quanto a esta questão, a Igreja ensina que a felicidade dos que forem eleitos
consistirá em ver, amar e possuir eternamente a Deus, fonte e princípio de toda bondade
e perfeição; enquanto a desgraça dos condenados consistirá em serem para sempre
privados da vista de Deus, e punidos com suplícios eternos no Inferno. Anote-se que a
felicidade dos justos, e a desgraça dos condenados, será aumentada por terem-se juntado
aos seus corpos.
Por fim, imagine quanta honra Nosso Senhor nos fará quando nos chamar no céu
de amigos (Lc 12, 4), irmãos (Jo 20, 17), e nos disser que já não somos servos (Jo 15,
14), mas filhos de Deus (Jo 1, 12).
 
Referência: O julgamento no final dos tempos (Jo 5, 19-47).
178
O SERMÃO DA MONTANHA
Na Galiléia, Jesus Cristo sobe a uma montanha e inicia sua vida pública pregando
a uma grande multidão:
“Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Então abriu a boca e
lhes ensinava, dizendo:
‘Bem-aventurados
* os que têm um coração de pobre, porque deles é o reino dos céus!
* os que choram, porque serão consolados!
* os mansos, porque possuirão a terra!
* os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
* os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
* os corações puros, porque verão a Deus!
* os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
* os que são perseguidos por causa da justiça!
* quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente
todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque
assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós’.”
(Mt 5, 1-12; Luc 6, 20-23)
A NOVA LEI
No passado, Moisés recebeu a missão de subir no monte Sinai para obter de Deus
a lei e transmiti-la aos Israelitas. Agora, Jesus Cristo recebe a missão de subir a montanha
179
das Bem-aventuranças e entregar uma nova lei aos hebreus. Não mais uma lei escrita,
mas a lei do coração, aquela que diz que o merecimento do homem não está na
quantidade de suas obras, mas no amor com que as realiza.
Chegará o dia em que Jesus Cristo ouvirá novamente o apelo de Deus e subirá a
colina do Calvário. Selará no auge de seu sofrimento uma Nova Aliança com os homens,
não mais escrita em pedra, mas em seu próprio corpo. Desde então, todo aquele que
comungar de seu corpo renovará a aliança com Deus.
AS BEM-AVENTURANÇAS
No sermão da montanha é apresentado o primeiro anúncio da Boa Nova. As Bem-
aventuranças proclamadas são o projeto de Jesus Cristo para a criação de um novo
mundo, onde ensina ao homem detestar as máximas do mundo, e o convida a amar e
praticar as máximas do Evangelho, baseadas no amor, no perdão e na misericórdia.
Chama-se Bem-aventuranças aos atos das virtudes e dos dons que, por sua
presença na alma, são como uma antecipação e um penhor da vida eterna. Elas buscam
preparar o homem tanto para atingir o Reino dos Céus, como dotar-lhe de meios para
tornar sua vida feliz, tanto quanto é possível neste mundo. Sendo assim, nada é mais
proveitoso para ele do que o exercício assíduo dos dons e virtudes conducentes às Bem-
aventuranças.
Jesus Cristo chama bem-aventurados:
- os que têm um coração de pobre, porque têm o coração desapegado das
riquezas; fazem bom uso delas, se as possuem; não as procuram com solicitude, se não
as têm; e sofrem com resignação a perda delas se lhes são tiradas;
- os que choram, porque sofrem com resignação as tribulações, e se afligem pelos
pecados cometidos, pelos males e pelos escândalos que se vêem no mundo, pela
ausência do céu, e pelo perigo de perdê-lo;
- os mansos, porque tratam o próximo com brandura, e sofrem com paciência os
defeitos e as ofensas que dele recebem, sem alteração, ressentimentos ou vingança;
- os que têm fome e sede de justiça, porque desejam ardentemente crescer cada
vez mais na graça de Deus e na prática das obras boas e virtuosas;
- os misericordiosos, porque amam, em Deus e por amor de Deus, o seu próximo,
se compadecem das suas misérias, assim corporais como espirituais, e procuram socorrê-
lo conforme as suas forças e o seu estado;
- os de corações puros, porque não têm nenhum afeto ao pecado, sempre se
afastam dele, e evitam, sobretudo, toda a espécie de impureza;
- os pacíficos, porque vivem em paz com o próximo e consigo mesmos, e
procuram estabelecer a paz entre aqueles que estão em discórdia;
- os que são perseguidos por causa da justiça, porque suportam com paciência os
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escárnios, as censuras, as perseguições por causa da Fé e da Lei de Jesus Cristo.
A pregação na montanha envolveu três pontos principais: consolar os escolhidos,
trazer-lhes a esperança e ensinar-lhes o caminho.
Todo o ensino de Jesus Cristo trará, daqui para frente, em sua essência, as Bem-
aventuranças.
 
Referência: O sermão na montanha (Mt 5, 1-16).
181
A ORAÇÃO DO PADRE-NOSSO
Em certo momento de sua pregação, Jesus ensina a oração do Padre-Nosso:
“Padre-Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
e perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém.”
(Mt 6, 9-13)
A ORAÇÃO
O primeiro ato com que o homem se ocupa no serviço de Deus é a oração. Ela é
realizada para adorá-Lo, para Lhe dar graças e para Lhe pedir aquilo de que se necessita.
Jesus Cristo, durante sua estadia na terra, buscou a Deus diversas vezes em
oração. Verifica-se isso ao observar que ela está presente antes dos retiros espirituais que
fez, das pregações que realizou e de todas as ações de cura e libertação que praticou,
bem como, antes dos momentos decisivos de sua missão e daqueles que deram início à
missão dos apóstolos.
Ele buscava a Deus em oração porque a sua vontade humana, independentemente
da divina, não podia realizar todos os seus desejos; necessitava, portanto, dirigir-se ao
Pai, suplicando-Lhe que com sua vontade onipotente, que é também a sua enquanto
Deus, executasse o que a vontade humana não podia realizar.
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Observe que todas as orações de Jesus Cristo foram acolhidas por Deus porque
Ele, que conhecia maravilhosamente os planos divinos, sempre pediu conforme o desejo
de seu Pai.
Após sua ressurreição, Jesus Cristo se tornará o destino de todas as orações. Isto
não significa excluir a Deus, pois a oração formulada em direção ao Filho sempre será
uma oração dirigida ao Pai, já que “Quem vê o Filho vê o Pai” (Jo 14, 4).
Quanto ao homem, Deus, em sua infinita misericórdia, quis que orasse e decretou
não conceder-lhe coisa alguma a não ser que peça em oração.
Interessante anotar que apesar da oração ter muita eficácia, muitas vezes as preces
não são atendidas. Isso ocorre ou porque se pede coisas que não convêm à eterna
salvação da alma, ou porque não se pede como se deveria.
O principal é pedir a Deus principalmente a sua glória, a salvação da alma e os
meios para consegui-la. Observe que todos os auxílios e graças devem ser solicitados em
nome de Jesus Cristo, como Ele mesmo ensinou e como pratica a Igreja. É permitido,
entretanto, pedir a Deus os bens temporais, sempre com a condição de que estejam de
acordo com à sua santíssima vontade, e não sejam obstáculo à eterna salvação de quem
reza.
Caso exista alguma dificuldade em saber como se deve orar, deve-se lembrar que
o Padre-Nosso é a oração por excelência, com cujo emprego está em perfeitasintonia
com o que Nosso Senhor deseja que peçamos.
A ORAÇÃO DO PADRE-NOSSO
A oração do Padre-Nosso é o modelo de todas as outras orações e a mais eficaz.
Ela contém claramente, em poucas palavras, tudo o que podemos esperar de Deus. É a
mais agradável a Deus porque é feita com as mesmas palavras que nos ditou o seu
Divino Filho.
Na oração do Padre-Nosso há sete petições precedidas de um preâmbulo. As três
primeiras, mais teologais, são para que a promessa da vinda da Glória de Deus seja
realizada. As quatro posteriores exprimem as expectativas materiais e espirituais do
homem. Elas são as seguintes:
- “santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino”: antes de qualquer
coisa, o homem deve pedir a glória de Deus, fim e objeto da criação; em seguida, deve
pedir para participar dela no céu.
- “seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”: depois, deve pedir que
a sua vontade sempre esteja de acordo com a vontade de Deus.
- “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”: deve pedir também o auxílio de Deus
para poder superar a fraqueza humana, tanto nas necessidades materiais, como nas
espirituais.
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- “perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e
não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal”: por fim, deve pedir o
afastamento de certos obstáculos que se opõem à aquisição do reino de Deus.
O homem precisa rezar o Padre-Nosso todos os dias, porque todos os dias ele tem
necessidade do auxílio de Deus.
 
Referência: Jesus Cristo ensina como orar (Mt 6, 1-18).
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JESUS RESPONDE AO CENTURIÃO
Voltando Jesus Cristo a Cafarnaum, um centurião veio-Lhe ao encontro e disse-
Lhe:
“Disse o centurião:
‘Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito’.
Disse-lhe Jesus: ‘Eu irei e o curarei’.
Respondeu o centurião: ‘Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha
casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado’.
Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: ‘Em verdade vos
digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel. Por isso eu vos
declaro que multidões virão do oriente e do ocidente e se assentarão no reino
dos céus com Abraão, Isaac e Jacó’.
Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: ‘Vai, seja-te feito conforme a tua fé’.”
(Mt 8, 5-13)
A SALVAÇÃO É PARA TODOS
A salvação, trazida pelo Messias, não será apenas para os judeus, mas para todo
aquele que, tendo fé em Jesus Cristo, o proclamar Salvador: "Manifestou-se, com efeito,
a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens." (Tt 2, 11).
Para os judeus, essa revelação era difícil de aceitar, pois mantinham profundo
desprezo pelos estrangeiros, que acreditavam serem indignos de receberem a salvação,
conforme se percebe na passagem: "Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te!
Também eu sou um homem! E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que
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se tinham reunido e disse: Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum
estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser
considerado profano ou impuro." (At 10, 26-28).
Explicar a seus compatriotas que os pagãos também tinham direito à mensagem da
salvação foi um sério problema que os apóstolos tiveram de enfrentar no início da Igreja.
A razão de Jesus Cristo concentrar seus esforços em evangelizar apenas o povo
hebreu foi porque cumpria as promessas anunciadas pelos profetas no Antigo
Testamento, mas todos os estrangeiros que demonstraram grande fé na sua pessoa
passaram a pertencer ao novo povo de Deus, como se percebe na passagem: "Um deles,
vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz. Prostrou-se aos pés de Jesus e
lhe agradecia. E era um samaritano. Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez?
Onde estão os outros nove? Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para
agradecer a Deus?! E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou." (Lc 17, 15-19).
As curas feitas por Jesus Cristo representam os primeiros sinais da vinda do Reino
de Deus e antecipam a vitória sobre o pecado. Será pela Cruz de Cristo que o Reino de
Deus será definitivamente estabelecido.
 
Referência: A salvação virá para todos (Mt 8, 5-13).
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O PERDÃO DOS PECADOS
Alguns dias depois, reuniu-se uma grande multidão ao redor de Jesus Cristo e Ele
a instruía:
“Um dia estava Jesus ensinando.
Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei. Apareceram
algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam-no
introduzi-lo na casa. Vendo a fé que tinham, disse Jesus: ‘Meu amigo, os teus
pecados te são perdoados’.
Então os escribas e os fariseus começaram a dizer consigo mesmos: ‘Quem
pode perdoar pecados senão unicamente Deus?’
Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, disse: ‘Que é mais fácil,
dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para
que saibas que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados
(disse ele ao paralítico), Eu te ordeno, levanta-te, toma o teu leito e vai para
casa’.
No mesmo instante, levantou-se ele a vista deles, tomou o leito e partiu
glorificando a Deus.”
(Lc 5, 17-26 )
A MISSÃO DE JESUS CRISTO
Jesus Cristo procura em cada discurso sempre identificar a missão que lhe foi
conferida por Deus, qual seja, “morrer pelos pecados dos homens” para justificá-los
diante de Deus: “Cremos naquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual
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foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para a nossa justificação.” (Rm 4, 24-25).
Assim, temos como efeito do mistério da Redenção que o homem ficou livre do pecado e
de suas penas, tanto do pecado original, pelo Batismo, como de todos os pecados
pessoais ou atuais, pelo Sacramento da Penitência.
A capacidade de assumir os pecados corresponde à outra de igual valor, a de
perdoar os pecados: "Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os
que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome." (At 10, 43).
Os fariseus, fechados em seu egoísmo, não compreendem que aquele que recebeu
o poder de assumir os pecados também pode perdoá-los: “E disse a ela: Perdoados te são
os pecados. Os (fariseus) que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem
é este homem que até perdoa pecados?” (Lc 7, 47-48).
O perdão reintegra o pecador ao seio do povo de Deus, do qual o pecado o havia
afastado ou até excluído. E, desde que o arrependimento seja sincero, a Igreja pode
perdoar todos os pecados, por numerosos e graves que sejam, porque Jesus Cristo Lhe
concedeu pleno poder de ligar e desligar. No entanto, Nosso Senhor não conferiu a todos
o desempenho de tão santo ministério, mas exclusivamente aos Bispos e sacerdotes.
Por fim, resta ressaltar que, apesar das graves conseqüências que trouxe o pecado
original, Deus não nos esqueceu, pois conferiu a Sua Igreja o admirável poder de perdoar
os pecados; que dá ao homem a oportunidade de recuperar, com o auxílio divino, o
antigo estado de graça.
 
Referência: Autoridade de perdoar os pecados (Mt 9, 1-8).
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O ENVIO DOS APÓSTOLOS
Reunindo seus apóstolos, Jesus Cristo confere-lhes o poder de expulsar demônios
e curar todo tipo de mal. Depois, envia-os às cidades próximas para evangelizar:
“Ide às ovelhas que se perderam da casa de Israel. Por onde andardes,
anunciai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os
mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de
graça dai!.”
(Mt 10, 6-8)
O ENVIO DOS APÓSTOLOS
O momento do envio associa os discípulos para sempre ao Reino de Deus, pois
Jesus Cristo passa a dirigir sua Igreja por intermédio deles e de seus seguidores.
Desta forma, quem não ouve a Igreja, seu magistério, acaba por cair em duas
passagens bíblicas: a primeira é a de Mt 10, 40: “Quem vos recebe, a mim recebe. E
quem me recebe, recebe aquele que me enviou.”; a segunda é a de Lc 10, 16: “Quem
vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita
aquele que me enviou.”
Portanto, quem deseja seguir Jesus Cristo e não querseguir a Igreja está, na
realidade, negando o próprio Jesus e Aquele que o enviou. Por isso, quem não ama a
Igreja Católica, não ama verdadeiramente Jesus Cristo.
Enquanto Jesus Cristo estava entre seus discípulos, a missão de seus seguidores
concentrava-se em anunciar a chegada do reino de Deus entre os homens. Após sua
morte, novos objetivos serão adicionados. Deverão os apóstolos, além de pregar o
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evangelho do reino e chamar à conversão, comunicar o perdão de Deus, obtido por
Cristo para todos, e anunciar a remissão dos pecados pelo Batismo e fé em Jesus.
O REINO DE DEUS NA TERRA
Jesus Cristo veio ao mundo implantar o Reino de Deus na Terra. Por conta disso,
o discurso a respeito do Reino de Deus sempre ocupou o centro de Sua pregação.
O Reino de Deus que Jesus Cristo anuncia aparece em seus primeiros passos de
forma bem modesta na terra, desenvolvendo-se com o tempo até ser conhecida como
Santa Igreja Católica.
Em verdade, o Corpo Místico da Igreja é formado por três Igrejas: a Igreja
Militante, os que estão na terra; a Igreja Padecente, os que estão no purgatório e a Igreja
Triunfante, os que estão no céu.
A Igreja triunfante é formada por todos os homens que triunfaram do mundo da
carne e da malícia do demônio, e que, livres e salvos das provações desta vida, já estão
no gozo da eterna felicidade. A Igreja militante é o conjunto de todos os fiéis que ainda
vivem na terra. A Igreja padecente é composta por aqueles que não alcançaram
imediatamente a recompensa dos seus méritos, e vão morar num lugar intermédio
chamado Purgatório.
O termo “Comunhão dos Santos” indica que todos os membros do corpo místico
de Jesus Cristo, tanto os que estão vivos, como os que expiam as suas faltas no
purgatório e os que estão no céu, vivem em estreita união, participando de forma comum
dos bens conducentes à felicidade eterna. Portanto, por meio da comunhão dos santos
temos ligação com antigos membros da Igreja militante, porque a caridade une as três
igrejas.
Seus membros são chamados Santos porque são chamados à santidade, e foram
santificados por meio do Batismo, além do que, muitos atingiram a santidade perfeita.
Observe que não participam da comunhão dos Santos os que foram condenados, e
nesta vida aqueles que não pertencem à Igreja, quer dizer, aqueles que estão em estado
de pecado mortal e se encontram fora da Igreja Católica.
Jesus Cristo deixou muitos meios para a Igreja militante alcançar o céu, bastando
utilizá-los. As almas do purgatório, por outro lado, nada podem fazer para terminar seu
tempo de purificação, por isso, nossas preces e, particularmente, a santa Missa, podem
ser aplicadas para abreviar seu tempo de sofrimento.
 
Referência: O Envio dos discípulos (Mt 10, 1-42).
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SÃO JOÃO BATISTA
Jesus Cristo ao terminar de confirmar aos discípulos de São João Batista que era
mesmo o Messias que devia vir, dirige-se à multidão:
“Tendo eles partido, disse Jesus à multidão a respeito de João: ‘Em verdade
vos digo, entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João
Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. Desde a
época de João Batista até o presente, o Reino dos Céus é arrebatado à força e
são os violentos que o conquistam. Porque os Profetas e a lei tiveram a
palavra até João. E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia voltar’.
(Mt 11, 11-14)
É ELE O ELIAS QUE DEVIA VOLTAR
As falsas doutrinas, adeptas do reencarnacionismo, entre elas o espiritismo,
apegam-se a passagem de Mt 11, 14, "E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia
voltar", na vã esperança de provar, por intermédio das Escrituras, a doutrina da
reencarnação. Baseando-se na frase de Nosso Senhor, ensinam que João Batista é Elias
reencarnado.
Ora, a intenção das palavras de Jesus Cristo foi dar a entender que o oráculo de
Malaquias se cumpriu de forma simbólica na pessoa de São João Batista. Comparando a
disposição de São João Batista em cumprir a vontade de Deus e o conteúdo de sua
missão com a de Elias, Jesus Cristo procurava revelar o seu valor perante os judeus
presentes.
A passagem a que Jesus Cristo se refere é Malaquias 3, 23, onde encontramos o
192
seguinte oráculo:
 “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do
Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os
pais, de sorte que não ferirei mais de interdito a terra.”.
A passagem acima nada mais é do que uma forma simbólica de expressar que
antes da vinda do Messias um último profeta apareceria (João Batista) para preparar a
chegado de Jesus Cristo.
Uma prova concreta de que João Batista não é Elias reencarnado ocorre no Monte
Tabor, quando da transfiguração de Jesus Cristo (Mt 17, 1-13). Perceba que, segundo o
ensinamento espírita, quando o espírito se materializa sempre se apresenta na forma da
última encarnação. Ora, esse fato não acontece na passagem mencionada. No Monte
Tabor quem aparece é Elias e não João Batista. Caso João Batista fosse à reencarnação
de Elias, como afirma a doutrina espírita, quem deveria aparecer era João Batista e não
Elias, já que o primeiro tinha morrido e não era mais preciso Elias substituí-lo. Inclusive,
é bom lembrar que o próprio João Batista nega categoricamente ser Elias em Jo 1, 19-21.
A RESPONSABILIDADE PELO CONHECIMENTO
“Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de
seus milagres, por terem recusado arrepender-se:
‘Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu?
Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram
feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. Por isso te digo: no dia do juízo,
haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!’” (Mt 11, 20-24)
 
A passagem acima é extremamente importante para a nossa salvação. Ela nos
alerta da responsabilidade que passamos a ter quando recebemos o anúncio do
Evangelho, ou seja, o conhecimento da vontade de Jesus Cristo para nossa vida. Diz-nos
São João: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso
pecado subsiste.” (Jo 9, 41).
A passagem também nos revela que seremos julgados de forma mais dura do que
aqueles que não tiveram a oportunidade de ter contato com a Palavra de Deus. Assim,
ensina Jesus Cristo: “Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma
do que para ti!”.
 
Referência: Mensagem de Jesus Cristo a São João Batista (Mt 11, 2-19).
193
194
JESUS CRISTO É O SENHOR DO SÁBADO
Num dia de sábado, atravessava Jesus Cristo e seus discípulos os campos de trigo.
Os fariseus, ao observarem que seus discípulos arrancavam e comiam as espigas,
passaram a censurá-los. Jesus Cristo disse-lhes:
“Não lestes na Lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no
templo o descanso do sábado, e não se tornam culpados? Ora, eu vos declaro
que aqui está quem é maior que o templo.
Se compreendêsseis o sentido desta palavra: Quero a misericórdia e não o
sacrifício..., não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do Homem é
senhor também do Sábado”.
(Mt 12, 5-8)
A TRADIÇÃO FARISAICA
Quanto mais crescia o ministério Público de Jesus Cristo, mais aumentava o
número de doutores da lei que se revoltavam com suas palavras e seus atos. Para eles,
Cristo agia mal-intencionado, procurando prejudicar as instituições essenciais do povo
judeu.
Dentre os costumes que Ele combatia estavam as tradições orais que, sob o
pretexto de assegurar a observância da lei escrita, extrapolavam os ensinamentos dos
mandamentos.
Em Mt 15, 1-6, encontramos um exemplo dessa situação: “Alguns fariseus e
escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: Por que transgridem
teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer. Jesus
195
respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição?
Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será
castigado de morte (Ex 20,12; 21,17). Masvós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a
sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus, esse já não é obrigado
a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a
palavra de Deus.”.
Perceba que Jesus Cristo não condena a verdadeira Tradição, a tradição que São
Paulo citou em II Ts 2, 15: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e guardai as tradições que
de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa.”. Ele condena é a falsa
tradição criada pelos fariseus e que se estabeleceu na sociedade judaica à medida dos
anos. Dessa forma, existiam duas tradições, uma tradição boa, contida nos livros da
Sagrada Escritura, e a tradição farisaica, que distorcia a Palavra de Deus.
OS ATOS DE JESUS CONDENADOS PELOS FARISEUS
Além da questão dos fariseus condenarem Jesus Cristo por seus discípulos
transgredirem o descanso do sábado comendo espigas (Mt 12, 1-2: “Eis que teus
discípulos fazem o que é proibido no dia de sábado.”), existiam outros atos que também
escandalizavam as autoridades religiosas de Israel, como, por exemplo: a interpretação
original aos preceitos escritos da lei; a familiaridade com que comia com os publicanos e
os pecadores públicos; os atos de expulsão de demônios; a concessão de perdão para os
pecados; o ato de considerar-se filho de Deus; a interpretação divina dada a respeito da
pureza dos alimentos; os atos de cura nos dias de sábado, entre outros. Serão esses atos
que levarão as autoridades religiosas judaicas a desejarem sua morte.
Atente, no entanto, para o detalhe que não foram todas as autoridades religiosas
que lhe desejavam mal. Algumas delas foram elogiadas por Jesus Cristo, como, por
exemplo, a situação em Mc 12, 34: “Vendo Jesus que o escriba falara sabiamente, disse-
lhe: Não estás longe do Reino de Deus.”.
O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO
O pecado contra o Espírito Santo ocorre todas as vezes que Deus revela o pecado
do homem, mostrando que precisa se converter e, junto com tal advertência,
proporcionando-lhe a graça para atingir tal objetivo, mas, apesar disso, ele reluta em
modificar sua conduta, desejando permanecer no erro. É a rejeição consciente da graça,
da misericórdia, do perdão, da salvação de Deus, muito parecido com o que aconteceu
no céu, com os anjos rebeldes.
196
Os pecados contra o Espírito Santo são: desesperar da salvação; presunção de se
salvar sem merecimentos; combater a verdade conhecida; ter inveja das graças que Deus
dá a outrem; obstinar-se no pecado e morrer na impenitência final. Eles têm esse nome
porque são pecados que se cometem por pura malícia, o que é contrário à bondade que
se atribui ao Espírito Santo.
Em Mt 12, 31, Jesus Cristo faz uma grave advertência para quem comete esse
pecado: "todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia
contra o Espírito não lhes será perdoada".
 
Referência: Arrancando espigas em dia de sábado (Mt 12, 1-8).
197
AS PARÁBOLAS
Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago. Acercou-se dele, porém, tal
multidão, que precisou entrar numa barca. E seus discursos eram feitos em forma de
parábolas:
 
“Saiu o semeador a semear;
(Explicação: O semeador semeia a palavra.)
Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as
aves e a comeram.
(Explicação: Os que estão junto ao caminho são aqueles em quem a palavra é
semeada, mas que não a entendem. Vem logo Satanás e tira a palavra que
neles foi semeada.)
Outra parte caiu no solo pedregoso, onde não havia muita terra; o grão
germinou logo, porque a terra não era profunda; mas, assim que o sol
despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou.
(Explicação: Aqueles que foram semeados nos lugares pedregosos são os que,
ouvindo a palavra, imediatamente, com alegria, a recebem; mas não têm
raízes; são inconstantes; sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por
causa da palavra, logo encontram uma ocasião de queda.)
Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão
não deu fruto.
(Explicação: O terreno, que recebeu a semente entre os espinhos, representa
aqueles que ouvem bem a palavra, mas, neles, os cuidados do mundo e a
sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa.)
Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se.
(Explicação: A terra boa, semeada, são aqueles que ouvem a palavra e a
198
compreendem, e produzem frutos: cem por um, sessenta por um, trinta por
um.)”
(Mc 4, 3-8; Mt 13, 19-23)
AS PARÁBOLAS
O novo que Jesus Cristo veio trazer não podia, logo no início de seu ministério, ser
proclamado abertamente porque mexia profundamente nas rígidas leis da religião judaica.
A divulgação aberta da chegada do Reino de Deus seria um grande escândalo para as
autoridades de Israel. Somente as pessoas mais humildes, que não estavam presas aos
rigores da Lei, é que poderiam absorver esses ensinamentos sem censurá-Lo.
No entanto, ao falar para o povo, certamente essas autoridades iriam escutar e
começariam a persegui-Lo. Então, para direcionar suas palavras somente aos seus
ouvintes, servia-se Jesus Cristo comumente de parábolas ou comparações. Somente aos
discípulos revelava o sentido delas. Esses, após Pentecostes, irão esclarecê-las ao povo.
Em Mt 13, 10-17, o próprio Jesus Cristo revela o motivo da utilização das
parábolas:
 
“Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: ‘Para que lhes falas em
parábolas?’ Respondeu Jesus: ‘Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino
dos Céus, mas a eles, não. Eis porque lhes falo em parábolas: Para que, vendo, não
vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. Assim se cumpre para eles o que foi
dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com
vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu (Is 6, 9s)’.”
 
Referência: A parábola do semeador (Mt 13, 1-23).
199
A SAGRADA EUCARISTIA
Um ano antes de sua instituição, Jesus Cristo expõe e promete a Eucaristia:
“Jesus replicou:
‘Eu sou o pão de vida:
aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá
sede.
Eu sou o pão da vida.
Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que
desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
Eu sou o pão vivo que desci do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que Eu hei de dar, é a
minha carne para a salvação do mundo.
Em verdade, em verdade vos digo:
Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu
sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha
carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma
bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e
Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim
também aquele que comer a minha carne viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu.
Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste
pão viverá eternamente’.”
(Jo 6, 35-58)
200
A COMPREENSÃO DO SACRAMENTO DA EUCARISTIA
A explanação de Jesus Cristo sobre a Eucaristia não foi compreendida pelos
Judeus presentes. Esses acharam que Ele falava de carne no sentido carnal, interpretando
como se fosse dar pedaços sangrentos de sua carne.
Somente depois de sua morte é que seus discípulos compreenderam que Ele se
referia ao “pão e ao vinho”, transformados, no momento da consagração, em seu “corpo
e em seu sangue”.
A SAGRADA EUCARISTIA
____________________
"Se reduzirmos o culto católico à sua expressão primordial e essencial, nada há
mais simples, nada que exija muitos preparativos: um pouco de pão, um pouco
de vinho, quatro palavras da boca do sacerdote, eis o Sacrifício da Missa, alma
deste culto, e que até, em rigor, chega para constituí-lo. Mas este culto, tão
simples em si mesmo, torna-se expressão eloquente das nossas adorações, da
nossa fé!". (Monsr. Cauly, 1913)
____________________
Sabendo que se aproximavao dia de sua morte, Jesus Cristo expõe, pela primeira
vez, a sagrada Eucaristia.
A Eucaristia é um Sacramento que, pela conversão de toda a substância do pão no
Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu preciosíssimo Sangue,
contém verdadeira, real e substancialmente seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua
Divindade, sob as espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual.
Sendo assim, na Eucaristia, debaixo das espécies de pão e vinho, Nosso Senhor
Jesus Cristo dá em alimento seu corpo e em bebida seu sangue, estando realmente ali
presente em forma sacramental, no mesmo estado de vítima imolada como esteve no
Calvário.
Relevante é entender a diferença deste Sacramento a todos os mais. Os demais
Sacramentos só adquirem sua razão de ser pela aplicação da matéria, ao serem
administrados a uma pessoa. O Batismo, por exemplo, somente surte seu efeito
sacramental no instante em que alguém recebe a ablução de água. No entanto, para a
integridade sacramental da Eucaristia basta a consagração da matéria; ambas as espécies
não deixam de ser Sacramento, ainda que sejam guardadas no cibório. Além disso, na
201
administração dos outros Sacramentos, a matéria não se muda em substância diversa, o
que já acontece na Eucaristia, pois onde o que antes da Consagração era simples pão e
vinho, passa a ser, desde que se efetuou a Consagração, verdadeira substância do Corpo
e Sangue de Nosso Senhor.
Acreditamos que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente
Jesus Cristo porque Ele mesmo afirmou, e assim no-lo ensina a Santa Igreja.
Podem ser atribuídos quatro sentidos a Eucaristia: o primeiro, de boa graça (ou
Eucaristia), porque contém verdadeiramente a Jesus Cristo, fonte e origem de todas as
graças; a segunda, como Sacrifício, por ser considerada como recordação da paixão do
nosso Divino Redentor, visto ter sido aquela imolação o sacrifício por excelência; a
terceira, como Comunhão, porque realiza a unidade de seu corpo místico, que é a Igreja;
e, finalmente, como Viático, como prenda da glória futura.
MELQUISEDEC
Melquisedec aparece breve, mas misteriosamente na narração sagrada como um
rei canaanita, que governava Salém (a tradição judaica identifica Salém com Jerusalém,
lugar que Deus escolheu para morar).
A diferença entre Melquisedec e os outros reis da época era que aquele cultuava o
Deus de Abraão. Ele, contrário ao costume de sua época, não imolava animais como
faziam Abraão e outros patriarcas, mas, por inspiração do Espírito Santo, levantava o
pão e o vinho para o céu e os oferecia por meio de cerimônias e orações especiais.
 
“Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e
vinho, e abençoou Abrão, dizendo: ‘Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo que criou o
céu e a terra! Bendito seja o Deus Altíssimo que entregou os teus inimigos em tuas
mãos!’ E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.” (Gn 14, 17-20)
 
A tradição patrística vê no pão e no vinho trazido para Abraão uma figura da
Eucaristia. Essa interpretação é acolhida no cânon da missa quando o Sacerdote pede a
Deus que aceite o presente Sacrifício, como aceitou os dos Justos da antiga Lei, Abel,
Abraão e Melquisedec:
 
“Sobre estes Dons, nós vos pedimos, vos dignai lançar um olhar favorável, e
recebê-los benignamente, assim como recebestes as ofertas do justo Abel, vosso servo, e
o sacrifício de Abraão, nosso patriarca, e o que Vos ofereceu vosso sumo sacerdote
Melquisedec, Sacrifício santo, Hóstia imaculada.” (Missal Romano, 1962, Oblações, 2).
 
Diz-se que Jesus Cristo é sacerdote “segundo a ordem de Melquisedec” (Sl 109,
202
1-4) para fazer notar a superioridade do sacerdócio de Cristo, que é eterno e eternamente
durará o seu efeito, sobre o levítico, que é apenas sombra e figura sua:
 
“Eis o oráculo do Senhor que se dirige a meu senhor:
‘Assenta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos o escabelo de teus
pés’. O Senhor estenderá desde Sião teu cetro poderoso: ‘Dominarás, disse ele, até no
meio de teus inimigos. No dia de teu nascimento, já possuis a realeza no esplendor da
santidade; Semelhante ao orvalho, eu te gerei antes da origem dos tempos’. O Senhor
jurou e não se arrependerá: ‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de
Melquisedec’.” (Sl 109, 1-4)
 
Melquisedec é apresentado pelo salmo como figura de Davi, que é, por sua vez,
figura do Messias, do Cristo, rei e sacerdote.
Quando Jesus Cristo terminar sua missão terá realizada a esperança messiânica na
sua tríplice função: Sacerdote, Profeta e Rei.
 
Referência: O pão da vida (Jo 6, 22-71).
203
A IGREJA DE JESUS CRISTO
Chegando ao território de Cesareia, Jesus Cristo revela aos discípulos a missão de
Simão:
“Jesus perguntou a seus discípulos: ‘No dizer do povo, quem é o Filho do
Homem?’
Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’
Jesus, então, lhe disse: ‘Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne
nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a MINHA
IGREJA, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será
ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus’.”
(Mt 16, 18)
O REINO DE DEUS NA TERRA
Deus criou um novo povo e dele veio Jesus Cristo. Este escolheu apóstolos e em
cima de um deles, Simão Pedro, edificou a Sua Igreja. Pedro, como pastor do rebanho,
terá por missão defender a fé de todo desfalecimento e de consolidar nela os outros
apóstolos. Será sobre a sua fé e o seu testemunho que Cristo Nosso Senhor construirá a
sua Igreja.
Somente a Pedro Jesus Cristo constituiu como “pedra”. Por isso, no grupo dos
doze ele ocupará o primeiro lugar. Essa vocação pastoral de Pedro sobre os apóstolos é
continuada pelo Papa com o auxílio dos Bispos.
204
A DOUTRINA CRISTÃ
____________________
A Graça é indispensável para a vida do homem. Deus no-la dá de forma
gratuita. Todavia requer de nós, para a alcançarmos, o único esforço que
podemos fazer: obriga-nos a pedi-la e a valer-nos dos meios ordinários por Ele
próprio estabelecidos para sua comunicação. Daí o preceito da oração e a
instituição dos sete Sacramentos.
____________________
A Religião cristã, aperfeiçoamento da Religião mosaica, se assenta sobre um
ensino solene, claro, completo, definitivo, lavrado para todos os tempos, todos os
lugares, e todas as almas.
O Revelador desta Doutrina foi Jesus Cristo, e basta corrermos os olhos pelas
páginas sagradas do Evangelho para verificarmos que é do Filho de Deus feito homem
que brotaram os dogmas cristãos sobre Deus, a Trindade, a criação, a encarnação, a
Redenção, a Igreja, a Ressurreição dos corpos, a vida futura, o céu e o inferno.
Essa doutrina deve ser recebida da Santa Igreja Católica. Isto porque Jesus Cristo
a confiou por meio de seus Apóstolos à Igreja Católica.
A veracidade dessa doutrina está prioritariamente assegurada por quem a revelou,
Deus, pois sendo Este Verdade e Bondade infinitas, não pode engarnar-Se, nem enganar-
nos. Por conta disso, cometem falta grave todos os que se descuidam de aprendê-la.
Além disso, sua veracidade também é demonstrada pela santidade das inúmeras pessoas
que a professaram e professam, pelo heróico testemunho dos mártires e pela sua plena
preservação através desses dois mil anos de muitas e contínuas lutas.
Tenha-se em mente que esta doutrina não é recente, mas é a mesma que os
Apóstolos já pregavam outrora, e que foi transmitida, com o passar dos séculos, ao
mundo inteiro.
A doutrina cristã divide-se em quatro partes, abrangendo o que o cristão deve crer,
fazer, receber e pedir, ou seja: o Credo, os Mandamentos, os Sacramentos e o Padre-
Nosso.
O Credo contém doze artigos. Acham-se neles tudo o que de mais importante
devemos crer acerca de Deus, de Jesus Cristo e da Igreja.
Nos Mandamentos estão dispostas todas as coisas que devemos fazer para agradar
a Deus.
Nos Sacramentos encontram-se os meios maravilhososque Jesus Cristo deixou
para nos perdoar os pecados, comunicar-nos a sua graça, e infundir e aumentar em nós
as virtudes da fé, da esperança e da caridade.
205
Atente que os sacramentos figurativos da antiga lei não passavam de meros sinais
da graça, não a produziam por si mesmos; enquanto os sacramentos da lei nova não só
significam a graça, mas também produzem-na por sua operação própria, em virtude da
sua instituição divina.
Por fim, acham-se, no Padre-Nosso, todas as coisas que devemos esperar de
Deus, e tudo o que Lhe devemos pedir.
A SANTA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA
Para perpetuar pelos séculos além o ensino da sua Doutrina de Verdade, para
fazer cumprir o plano de Deus de libertar a humanidade do pecado e transmitir a todos
os homens o beneficio de sua graça, Jesus Cristo fundou sobre a terra uma sociedade
visível, a qual se chama Igreja Católica. 
Para resguardar esta Igreja de qualquer erro no ensino, Jesus Cristo prometeu
estar com ela até o fim dos séculos.
Seus membros são chamados por uma graça particular de Deus, onde são
batizados e passam a professar a mesma fé, a observar a mesma lei divina, a participar
dos mesmos Sacramentos e a obedecer aos legítimos Pastores, principalmente ao
Romano Pontífice, a fim de que um dia alcancem à vida eterna.
Uma parte desses membros se encontra no Céu, e forma a Igreja Triunfante;
outra parte está no Purgatório, e forma a Igreja Padecente; a terceira, na terra, e forma a
Igreja Militante. Chama-se militante porque tais membros movem uma guerra incessante
contra os mais furiosos inimigos: o mundo, a carne e o demônio.
Observe que aqueles que tiveram a desgraça de morrer em pecado mortal não são
membros do corpo de Cristo e estão separados Dele por toda a Eternidade.
Membros vivos da Igreja são todos aqueles que, atualmente, estão na graça de
Deus. Os que estão em pecado mortal são considerados membros mortos da Igreja.
Desta forma, estão fora da verdadeira Igreja os infiéis, os judeus, os hereges, os
apóstatas, os cismáticos e os excomungados.
Cabe lembrar que o Soberano Pontífice, durante o seu pontificado, exerce o cargo
de vigário do único superior efetivo, Jesus Cristo, em cujo nome governa. Por isso
mesmo, o que a Igreja Católica nos propõe para crer ela não pode enganar-Se, porque,
segundo a promessa de Jesus Cristo, é sempre assistida pelo Espírito Santo. Em outras
palavras, ela é infalível. Todo Católico é obrigado a acreditar em todas as verdades que
ela ensina.
Além disso, é obrigado a fazer tudo o que ela manda, porque Jesus Cristo disse
aos Pastores da Igreja: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita;
e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10, 16). Aqueles que rejeitam as
suas definições perdem a fé, e fazem-se hereges.
206
Ponto relevante de ser mencionado é que fora da Igreja Católica, Apostólica,
Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca
de Noé, figura dessa Igreja.
Distingui-se a verdadeira Igreja de Jesus Cristo de tantas seitas fundadas pelos
homens e que se dizem cristãs por quatro características básicas: Ela é Una, Santa,
Católica e Apostólica.
É Una por possuir um só Deus na Trindade de três pessoas, por nascer de um só
Batismo, formar um só corpo, ser vivificada por um só Espírito, por seus membros
estarem unidos entre si na mesma fé e possuírem o mesmo chefe visível, o Romano
Pontífice.
É Santa devido à presença divina de Jesus Cristo, cabeça da Igreja, por serem
santas a sua Fé, a sua Lei e os seus Sacramentos, e porque fora dEla não há nem pode
haver verdadeira santidade.
É Católica por ser enviada em missão por Jesus Cristo aos fiéis de todos os
tempos, de todos os lugares, de todas as idades e condições. Seu caráter missionário se
origina da missão de Jesus Cristo e da missão do Espírito Santo. O termo “Católico”
significa “universal”.
É Apostólica por estar fundamentada sobre os alicerces da fé transmitida pelos
apóstolos, e porque é guiada e governada pelos legítimos sucessores dos Apóstolos.
Diz-se Romana porque os quatro caracteres acima citados se encontram somente
na Igreja Católica, que tem por chefe o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro.
A IGREJA DOCENTE E A IGREJA DISCENTE
A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo está disposta em dois grupos: uns que
mandam, outros que obedecem, uns que ensinam, outros que são ensinados. A parte que
ensina chama-se docente. A que é ensinada chama-se discente. Esta distinção foi
estabelecida pelo próprio Cristo em seu ministério.
A Igreja docente compõe-se de todos os Bispos (quer se encontrem dispersos,
quer se encontrem reunidos em Concílio), unidos à sua cabeça, o Romano Pontífice.
Este é sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e os Bispos são sucessores dos
Apóstolos, no que diz respeito ao governo ordinário da Igreja. Os auxiliares do Bispo na
cura das almas são os Sacerdotes, e principalmente os párocos.
O Papa e os Bispos são os que têm o poder de ensinar, sob a dependência destes,
os outros ministros sagrados. Além disto, eles têm o poder de administrar as coisas
santas, de fazer leis e de exigir a sua observância. Tal poder, no entanto, não vêm deles,
e seria heresia afirmá-lo; mas vem unicamente de Deus.
A Igreja discente é composta de todos os fiéis. Como membros desta Igreja,
somos obrigados a ouvir a Igreja docente, sob pena de condenação eterna, conforme
207
ensinou Jesus Cristo aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos
despreza, a Mim despreza" (Lc 10, 16).
O VIGÁRIO DE JESUS CRISTO NA TERRA
O Pontífice Romano e os Bispos são os legítimos Pastores da Igreja Católica. Os
outros Sacerdotes têm parte no oficio de Pastores.
O Pastor Universal da Igreja é o Pontífice Romano porque Jesus Cristo assim
determinou a São Pedro, o primeiro Papa (Mt 16, 18). Chamam-no “Vigário de Jesus 
Cristo” porque ele O representa na terra. 
Pedro, por disposição divina, estabeleceu em Roma a sua sede, onde veio a
falecer. Por conta disso, quem é eleito Bispo de Roma é também herdeiro de toda a sua
autoridade. Isso faz com que a dignidade do Papa seja a maior entre todas as dignidades
da terra e dá-lhe um poder supremo e imediato sobre todos e cada um dos Pastores e dos
fiéis.
Importante anotar que o Papa não pode errar. A infalibilidade papal é um dom que
foi concedido por Deus para que todos estejam certos e seguros da verdade que a Igreja
ensina. Ela assegura que o Papa é infalível, mas somente quando, na sua qualidade de
Pastor de todos os cristãos e em virtude da sua suprema autoridade apostólica, define
uma doutrina relativa à fé e aos costumes, que deve ser seguida por toda a Igreja.
A infalibilidade do Papa, contida na Sagrada Escritura e na Tradição, é uma
verdade revelada por Deus, e que, por conseguinte, todos devem crer como dogma ou
artigo de fé. Por conta disso, todo aquele que dessa definição duvidar, peca contra a fé;
e, se se obstina nesta incredulidade, já não seria mais católico, mas herege e
excomungado.
O PODER DAS CHAVES
O “Poder das chaves” é a faculdade que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou à sua
Igreja, pelos méritos da sua paixão, de abrir as portas do céu para o homem, retirando o
pecado e a pena por ele devida, únicos obstáculos que as mantinham fechadas.
Os ministros da Igreja, como dispensadores dos sacramentos, canais por onde flui
à alma a graça divina, são depositários, por delegação de Cristo, do poder das chaves.
No sacramento da penitência, o poder das chaves se exerce somente por
sacerdotes validamente ordenados, segundo o rito da Igreja Católica. Esses julgam do
estado do pecador, absolvendo-o, depois de lhe impor a penitência, ou negando-lhe a
absolvição.
208
 
Referência: A edificação da Igreja (Mt 16, 13-23).
209
A TRANSFIGURAÇÃO
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-
os à parte a uma alta montanha:
“Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas
vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
E eis que apareceram Moisés e Eliasconversando com ele.
Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: ‘Senhor, é bom estarmos aqui. Se
queres, farei aqui três tendas, uma para ti, uma para Moisés e outra para
Elias’.
Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela
nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: ‘Eis o meu Filho muito amado em
quem pus toda minha afeição; ouvi-o’.”
(Mt 17, 1-13)
A TRANSFIGURAÇÃO
Um dos milagres realizados por Jesus Cristo que, por sua natureza e pelas
circunstâncias em que aconteceram, teve particularíssima e excepcional importância foi o
da Transfiguração.
A Transfiguração dá um antegozo da vinda gloriosa de Cristo que se dará no final
dos tempos. Ela aconteceu no monte Tabor, onde envoltos em resplendores de glória,
Moisés e Elias falavam com Jesus Cristo a respeito do mistério da sua paixão.
A Transfiguração ocorre após Jesus Cristo ter revelado aos discípulos o mistério
da sua paixão. Neste momento, Nosso Senhor quis que três de seus discípulos ouvissem
210
o que proclamavam Moisés, Elias e Deus Pai, a respeito da sua autoridade e da
veracidade das suas palavras. Eles davam testemunho do que de mais importante havia
para o povo judeu no Antigo Testamento: a Lei, personificada em Moisés; os Profetas,
representados por Elias; e o Pai Celestial que deixou ouvir a sua voz, declarando Jesus
Cristo Filho muito amado, a quem todos deviam ouvir.
A Transfiguração e o Batismo acontecem em dois momentos marcantes da vida de
Cristo: o Batismo ocorre no limiar de sua vida pública e a Transfiguração no limiar de
seu sacrifício.
Elas são as duas mais importantes manifestações da divindade de Jesus. Nas duas
a Trindade aparece por completo: o Pai na voz; o Filho no homem; o Espírito Santo na
pomba, durante o Batismo, e na nuvem, no momento da transfiguração.
Observe que apesar de Deus ser espírito puríssimo; representam-se as três Pessoas
divinas por meio de certas imagens para dar a conhecer algumas propriedades ou ações
que se Lhes atribuem, ou a forma por que alguma vez apareceram.
O Pai declarou a filiação divina do Filho por ocasião do Batismo e da
Transfiguração porque a filiação natural de Jesus Cristo é o modelo com que deve
conformar-se a nossa filiação adotiva, e esta começa com a graça do batismo e consuma-
se na glória da bem-aventurança.
 
Referência: A transfiguração (Mt 17, 1-13).
211
A ANTIGA DIGNIDADE DO MATRIMÔNIO
Jesus Cristo deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão. Então vieram
os Fariseus e faziam-Lhe perguntas a respeito do matrimônio para O pôr à prova:
“Perguntaram-lhe: ‘É permitido ao homem repudiar sua mulher?’
Ele respondeu-lhes: ‘Que vos ordenou Moisés?’
Eles responderam: ‘Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a
mulher’.
Continuou Jesus: ‘Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa
lei; mas, no princípio da criação, Deus os fez uma só carne; assim já não são
dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem, o que Deus uniu’.
Continuando, disse: ‘Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete
adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com
outro, comete adultério’.”
(Mc 10, 2-12)
A ANTIGA DIGNIDADE DO MATRIMÔNIO
Nessa passagem, Jesus resgata o matrimônio colocando-o em sua antiga dignidade,
uno e indissolúvel. Não poderia o matrimônio, o “amor”, ser provisório. Vindo ele de
Deus, certamente resiste a tudo e, apesar das fraquezas humanas, rompe qualquer
barreira.
No entanto, para que isso ocorra, é preciso assemelhá-lo à entrega de Jesus Cristo
à cruz: esquecer-se de si mesmo para viver pelo outro.
Por conta disso, a mentalidade do mundo que ensina aos casais que “se não der
212
certo, separa” é totalmente contrária a vontade de Deus para a família. Isso é ensino do
demônio para que as pessoas considerem descartáveis umas às outras. Na verdade, Deus
deseja que um cônjuge seja “uma ajuda adequada” (Gn 2,18) para o outro em qualquer
circunstância (defeito físico, psicológico, doença, etc.). E quanto maior a dificuldade,
maior a graça enviada por Deus para que a família permaneça unida.
Vale comentar que a família foi constituída como um reflexo da Santíssima
Trindade. Como tal, não pode ficar limitada pelas paredes domésticas. Enquanto não sair
para exercer o papel para a qual foi criada, ser canal do amor divino, não estará
cumprindo a vontade de Deus. Além do mais, concentrando sobre si a razão do viver,
carrega-se de todo tipo de preocupação, o que fragiliza sensivelmente suas relações
pessoais.
O MATRIMÔNIO
____________________
 
“Se como união natural fora, desde o inicio, instituído para a
propagação do gênero humano, o Matrimônio foi depois elevado à dignidade
de Sacramento, a fim de que se gerasse e criasse um povo para o culto e
adoração do verdadeiro Deus e de Cristo Nosso Salvador”. (MARTINS, p. 388)
____________________
 
O regime matrimonial, depois do pecado, decaiu de sua primitiva dignidade moral.
Percebe-se isto na Lei de Moisés, quando foi permitido dar libelo de repúdio, se
houvesse motivo, e assim divorciar-se da mulher. Quando veio a Lei do Evangelho, estas
disposições foram abolidas, e o Matrimônio voltou ao seu estado de primitiva pureza.
Jesus Cristo elevou a dignidade do Matrimônio para simbolizar a sua própria união
com sua esposa, a Igreja. Nesse sentido, ensina São Paulo ao dizer que “o marido é a
cabeça da mulher, assim como Cristo o é da Igreja; por isso, deve o marido amar sua
esposa, e de sua parte deve a esposa amar e respeitar seu marido. Pois Cristo amou a
Igreja, e entregou-Se por ela” (Ef 5, 22-25).
Segundo o Sagrado Concilio de Trento, Deus não se limitou apenas a instituir o
Matrimônio, acrescentou-lhe um nó perpétuo e indissolúvel. Na verdade, Nosso Salvador
declarou: “O que Deus uniu, não deve o homem separá-lo” (Mc 10, 9). Logo, o vínculo
do Matrimônio é indissolúvel, isto é, não se pode quebrar senão pela morte de um dos
cônjuges. É por causa das palavras de Jesus Cristo que não cabe à Igreja questionar
sobre a “indissolubilidade” do matrimônio, como muitos desejam, apenas acolhê-la.
Para a santa Igreja, o Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor
Jesus Cristo que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher.
213
Ele também concede ao casal a graça de se amarem santamente e de educarem
cristãmente seus filhos.
A intenção de Nosso Senhor ao impor a lei da absoluta indissolubilidade do
Matrimônio é fazer com que os homens reconheçam que, na realização de casamentos, é
preciso atender mais a virtude do que à riqueza e à formosura.
Ora, é fácil perceber que pelo fato do homem está sob o jugo do pecado original,
se o matrimônio não fosse indissolúvel, jamais faltariam pretextos para os cônjuges se
divorciarem, pois o demônio, inimigo da paz e da pureza, lhos haveria de propor isso ao
menor desentendimento. No entanto, por saberem que não podem contrair matrimônio
com outra pessoa, isso faz com que sejam menos propensos a cóleras e desavenças; e se
chegam a separar-se um do outro, acabam por voltarem a se reconciliarem, pela
intervenção de pessoas amigas, e retomam à comunhão de vida conjugal.
Para que ninguém considere que é difícil cumprir a lei do Matrimônio, Jesus Cristo
nos deixou o Sacramento do Matrimônio. Ele produz, como efeito, o aumento da graça
santificante; e confere a graça especial para se cumprirem fielmente todos os deveres
matrimoniais. Nesse sentido, ajuda na perfeita fidelidade e harmonia conjugal, fundada
num amor sincero e sobrenatural, suficiente para resistir até a morte; e, ao mesmo
tempo, concede uma graça de generosidade e espírito de sacrifício em favor dos futuros
filhos, afim de que os pais não dificultem a sua procriação, e os recebam com alegria
para fazer deles dignos cidadãos da pátria terrena e da pátria celeste.
A graça deste Sacramento é um forte auxílio para que marido e mulher, unidos
pelos laços de mútua caridade, encontrem satisfação em seu afeto recíproco, não
procurem amores e relações estranhas e ilícitas, e que “o Matrimônio seja honesto”em
todos os sentidos, “e o leito nupcial imaculado”. Para preservar essa união, o nono
Mandamento de Deus proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os
cônjuges se juraram ao contrair matrimônio.
Observe que a poligamia é contrária à natureza do Matrimônio, como o prova
Cristo Nosso Senhor pelas seguintes palavras: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua
mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” (Gn 2, 24). Com
tais palavras, Cristo demonstrou que o Matrimônio foi, de tal maneira, instituído por
Deus, que se limita à união de duas pessoas, e não de várias. Realmente, se ao homem
fora licito tomar várias mulheres, nenhuma razão haveria para ser mais culpado de
adultério.
Lembre de que somente a Igreja tem o poder de estabelecer impedimentos, de
julgar da validade do Matrimônio e de dispensar dos impedimentos que Ela própria
estabeleceu. Por conta disso, o vínculo do Matrimônio cristão não pode ser dissolvido
pela autoridade civil, porque esta não pode ingerir-se em matéria de Sacramentos. Sendo
assim, a lei do divórcio civil não pode anular o matrimônio validamente contraído, visto
que nenhuma lei humana pode separar o que Deus uniu. Por conseguinte, ainda que
decretado e executado o divórcio civil, permanecem ambos os cônjuges unidos com os
214
laços do matrimônio e, se algum passa a segundas núpcias, Deus e a Igreja consideram a
sua união como mero concubinato.
O casamento civil não é mais que uma formalidade prescrita pela lei para os
cidadãos, a fim de dar e de assegurar os efeitos civis aos casados e aos seus filhos. Sendo
assim, um cristão não pode celebrar somente o contrato civil, porque este não é
Sacramento, e, portanto não é um verdadeiro matrimônio. Por isso, os esposos que
convivessem juntos, unidos somente pelo casamento civil, estariam em estado habitual
de pecado mortal, e a sua união seria sempre ilegítima diante de Deus e da Igreja.
Outra coisa é que, fiel às palavras de Jesus Cristo, a igreja não reconhece como
verdadeiro um segundo casamento quando o primeiro foi considerado válido. Se
divorciados voltam a casar-se no civil, colocam-se na situação da passagem acima (Mc
10, 2-12). Devido essa atitude contrariar diretamente a vontade de Deus, ficam
impossibilitados de terem acesso à comunhão eucarística e a desenvolverem certas
responsabilidades eclesiais. Isso não significa, no entanto, estarem separados da Igreja,
pois, como batizados, estão unidos à vida que nela se desenvolve, e, portanto, chamados
a dela participarem.
Por fim, resta lembrar que, neste mundo tão paganizado, onde se coloca o homem
como o centro de todas as coisas e não Deus, embora seja correto praticar a lei com
caridade, isso não significa que se deva sacrificar a Verdade da Lei de Deus em função
da caridade. Por exemplo, se a Palavra de Deus anuncia que não reconhece como
verdadeiro um segundo casamento quando o primeiro foi considerado válido, não será a
caridade para com os interessados que burlará este desejo divino: "Ora, eu vos declaro
que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa
uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete
também adultério" (Mt 19, 9).
 
Referência: Jesus Cristo fala sobre o matrimônio (Mt 19, 1-12).
215
O JOVEM RICO
Nesse instante, um jovem aproximou-se de Jesus Cristo e lhe perguntou:
“‘Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?’
Disse-lhe Jesus: ‘Se queres entrar na vida, observa os mandamentos’.
Disse-lhe o jovem: ‘Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que
me falta ainda?’
Respondeu Jesus: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos
pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!’
Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía
muitos bens’.”
(Mt 19, 16-22)
O JOVEM RICO
Quando o jovem respondeu a Jesus Cristo que vinha observando todos os
mandamentos, ele não estava mentindo. A palavra “mandamento” havia chegado aos
seus ouvidos como a “Lei” o havia ensinado. E, por este ângulo, ele a estava cumprindo
adequadamente. Não lhe haviam ensinado que não é suficiente a tutela da lei para
praticar a virtude e livrar-se do pecado, necessita-se, além disso, o auxílio da graça.
Jesus Cristo, em sua segunda resposta, revela o que estava oculto da Lei e que o
jovem não teve oportunidade de conhecer.
Começa por chamar a atenção ao maior dos mandamentos e que seria o de “amar
a Deus sobre todas as coisas” (Dt 6, 5). Esse preceito implica que as nossas intenções
terminem sempre em Deus; que a Ele estejam submetidos e por Ele regulados todos os
216
nossos pensamentos e afetos sensíveis, e que a norma de nossas ações exteriores seja o
cumprimento de sua santíssima vontade.
Como Jesus Cristo conhecia o coração do jovem, sabia que seu bem mais
precioso era sua riqueza e não Deus. O jovem não havia aprendido que devemos desejar
o que nos é necessário para a vida, e não a fartura dos alimentos e dos bens da terra.
Além disso, que não devemos estar demasiadamente preocupados com o futuro, mas
pedir o que nos é necessário no momento. Por isso, para testá-lo, Jesus pede que “venda
seus bens”. É, pois, dentro desta visão que o jovem falhava no cumprimento do
mandamento.
O pedido de Jesus Cristo ao jovem, para que “dê aos pobres a sua riqueza”, tanto
completa o sentido do que foi dito anteriormente como traz à luz o segundo maior
mandamento e que também estava escondido pelas letras da Lei: o de “amar ao próximo
como a si mesmo” (Mt 22, 39).
Amar ao próximo como a nós mesmos significa dizer: desejar-lhe e fazer-lhe, tanto
quanto pudermos, todo o bem que devemos desejar para nós mesmos, e não lhe desejar
nem fazer mal algum, tudo isso por amor a Deus.
Nesse momento, Jesus Cristo associou o amor a Deus ao amor ao semelhante.
Não poderia existir o primeiro sem existir o segundo, porque é impossível amar a Deus
sem amar também ao próximo.
É por isso que na oração do Padre-Nosso dizemos: “O pão nosso de cada dia nos
daí”, e não: “o pão me daí”. Isso acontece para nos lembrarmos de que, assim como os
bens nos vêm de Deus, assim também se Ele no-los dá em abundância, é para que
distribuamos o supérfluo com os pobres.
A lição que Nosso Senhor Jesus Cristo aplica ao jovem serve para todos nós, pois
nos ensina que devemos pedir o pão nosso de cada dia, ou seja, precisamos pedir a Deus
o que nos é necessário cada dia para a alma e para o corpo.
Por fim, perceba que quando Jesus Cristo pede ao jovem que observe os dez
mandamentos para atingir a vida eterna, Ele os está elevando e os tornando perenes. Daí
porque toda moral católica é baseada nos dez mandamentos.
 
Referência: O jovem rico (Mt 19, 16-29).
217
A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta. Suas irmãs
mandaram chamar Jesus Cristo. Quando Ele chegou, já havia quatro dias que Lázaro
estava no sepulcro:
“Marta disse a Jesus: ‘Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria
morrido!’
Disse-lhe Jesus: ‘Teu irmão ressurgirá’.
Respondeu-lhe Marta: ‘Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia’.
Disse-lhe Jesus: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda
que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais
morrerá. Crês nisto?’.”
(Jo 11, 21-26)
 
A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
A diferença entre a ressurreição de Jesus Cristo e a de Lázaro, como a de outros
judeus que foram ressuscitados, acontece no fato de Jesus ter ressuscitado por virtude
própria, e os outros foram ressuscitados por virtude de Deus.
Outra coisa é que Jesus Cristo não retomou a vida terrestre como aconteceu com
eles. Embora tenha ressuscitado com o seu próprio corpo, a sua ressurreição foi de outra
ordem, pois conquistou e mereceu durante a sua vida mortal a glorificação do corpo que
começou a desfrutar depois da Ressurreição e da Ascensão.
Além disso, Lázaro e todos os outros tornaram a viver, sob a única condição de
218
morrerem novamente. Cristo Nosso Senhor, ao contrário,ressurgiu de tal maneira que,
vencendo e subjugando a morte, já não pode morrer. Confirma este fato a passagem:
“Ressuscitado dos mortos, Cristo já não morre. A morte já não tem poder sobre Ele”
(Rm 6, 9).
Portanto, Lázaro e os outros, tempos depois, voltaram a morrer, o que não
aconteceu a Jesus Cristo, que na presença dos seus discípulos, subiu por Si mesmo ao
Céu e que sendo, enquanto Deus, igual ao Pai Eterno na Glória, enquanto homem, foi
elevado acima de todos os Anjos e de todos os Santos, e constituído Senhor de todas as
coisas.
Somente no final dos tempos, todos os homens hão de ressuscitar, retomando
cada alma o corpo que teve nesta vida.
EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA
Jesus Cristo ao afirmar que Ele próprio é a ressurreição e a vida, ligou a esperança
de todos os homens na ressurreição à sua própria pessoa, ou seja, acredita-se na
ressurreição porque Jesus Cristo ressuscitou. E uma vez que Cristo ressuscitou, temos a
firme esperança de que também nós havemos de ressurgir; porquanto os membros
devem chegar à mesma condição [em que se acha] também a cabeça.
Sendo assim, a Ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da nossa Religião,
porque nos foi apresentada pelo próprio Jesus Cristo, como prova principal da sua
divindade e da verdade da nossa Fé.
Ora, acreditar que Cristo morreu não seria algo inusitado, pois também os pagãos,
os judeus, e todos os maus o acreditaram. Todos crêem que morreu. A fé [característica]
dos cristãos é a Ressurreição de Cristo. O que muito importa é crermos que ressuscitou.
Para o cristão, essa é uma verdade tão essencial que São Paulo, em I Cor 15, 12-
14, diz o seguinte: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E
se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé. Mas não!
Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram”.
Juntando o que Jesus Cristo falou em Jo 11, 25, “Eu sou a ressurreição e a vida”,
com o que disse em Jo 6, 35-58, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a
vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia”, conclui-se que Ele ressuscitará para uma
“ressurreição da vida” (Jo 5, 29) os que n’Ele tiverem crido e participado de sua
Eucaristia.
 
Referência: A ressurreição de Lázaro (Jo 11, 1-44).
219
220
A CAMINHO DE JERUSALÉM
Depois disso, Jesus seguiu para Jerusalém. Durante a caminhada, anuncia o que lá
ocorrerá:
“Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os doze e
disse-lhes: ‘Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue
aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o
entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e
crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará’.
(...)
Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e
fizeram-no montar. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho,
cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.
E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao
filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no
mais alto dos céus!”
(Mt 20, 17-19; 21, 7-9)
A ENTRADA EM JERUSALÉM
Chegando a Jerusalém para a festa da Páscoa, Jesus Cristo encontra a cidade
cheia de forasteiros que vinham de todas as partes. Para cumprir o que a Sagrada
Escritura falava a respeito da entrada do Messias em Jerusalém, Nosso Senhor entra
triunfante sobre um jumentinho e é aclamado pelo povo com palmas e ramos de oliveira.
Com isso, manifesta o que estava escrito pelo Profeta: “Exulta de alegria, filha de Sião,
221
solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; Ele é
simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta.” (Zac 9).
Sua entrada também aconteceu porque Ele desejava animar os seus discípulos,
dando-lhes por esta forma uma prova clara de que Ele ia sofrer e morrer
espontaneamente.
Observe que ao entrar Cristo em Jerusalém, foram-Lhe ao encontro o povo
simples e as crianças, não porém os grandes da cidade. Dispôs Deus assim, para nos dar
a conhecer que a soberba os tornaram indignos de tomar parte no triunfo de Nosso
Senhor, que ama a simplicidade do coração e a inocência. Ele será aclamado como
“aquele que traz a salvação“ (Hosana). O acolhimento recebido por Jesus Cristo em
Jerusalém revela a proximidade da vinda do Reino de Deus na terra, a santa Igreja. 
Até este momento, nenhum de seus discípulos havia compreendido
suficientemente bem a missão do Salvador. Ele viera não somente para instruir o mundo
e trazer-lhe uma religião mais perfeita, mas também para remir a humanidade culpada.
Ora, esta redenção havia de cumprir-se pelo sacrifício da sua vida e a efusão do seu
sangue, e isso eles ainda tinham dificuldade de entender.
Cinco dias depois desta ovação, Jesus Cristo subirá ao Calvário carregando sua
cruz.
A SEMANA SANTA
A Igreja promove, na semana que precede a festa da Páscoa, a Semana Santa. Ela
tem seu início na celebração da entrada de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos,
seis dias antes da sua Paixão.
Durante a Semana Santa se celebra a comemoração dos maiores mistérios
operados por Jesus Cristo para nossa redenção.
A divisão desses mistérios, na Semana Santa, dar-se da seguinte forma: na Quinta-
Feira Santa, celebra-se a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; na Sexta-
Feira Santa, recorda-se o mistério da Paixão e da morte do Salvador; e no Sábado Santo,
honra-se a sepultura de Jesus Cristo e a sua descida ao Limbo, e, depois do sinal do
Glória, começa-se a honrar a sua gloriosa ressurreição.
A intenção da Igreja é honrar a lembrança dos últimos dias de vida de Jesus Cristo
na terra.
Por fim, resta mencionar que da Quinta-Feira Santa até ao Sábado Santo não se
tocam os sinos em sinal da grande tristeza por causa da Paixão e morte do Salvador.
 
Referência: O terceiro anúncio da paixão (Mt 20, 17-28).
222
223
JESUS CRISTO CRITICA OS FARISEUS
Chegando a Jerusalém, Jesus Cristo dirige-se ao templo e inicia sua pregação
criticando os fariseus:
“Disse Jesus aos fariseus: ‘Bem sei que sois a raça de Abraão; mas quereis
matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós. Eu falo o que vi
junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai’.
‘Nosso pai’, replicaram eles, ‘é Deus’.
Jesus replicou: ‘Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, porque Eu saí de
Deus. É dele que Eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele
quem me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque
não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes como pai o demônio, e quereis
fazer os desejos de vosso pai. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo
a verdade, por que me não credes? Quem é de Deus, ouve as palavras de
Deus, e se vós não ouvis, é porque não sois de Deus’.”
(Jo 8, 37-47)
CRÍTICA AOS FARISEUS
Os sacerdotes dos dois mais importantes partidos religiosos eram conhecidos como
fariseus e saduceus. Existiam também os escribas que eram encarregados da
interpretação e do ensino da Lei de Moisés.
Na proporção em que a classe sacerdotal foi assumindo uma elevada importância
junto à comunidade judaica, nos anos que se seguiram à criação do Judaísmo, crescia
também um zelo religioso extremo pela observância aos cultos exteriores e ao que na Lei,
224
literalmente, estava escrito. Junto a esta situação, passaram a criar costumes e práticas
absurdas que, com o tempo, fizeram surgir uma falsa tradição. Eles não conseguiam
entender que o homem necessita para bem proceder não de um, mas de dois auxílios
exteriores: da lei para dirigi-lo, e da graça para socorrer a sua debilidade.
Esse cuidado exagerado chegou ao ponto deles considerarem sua falsa tradição
mais importante do que os próprios Mandamentos de Deus. Haviam esquecido que a Lei
de Deus é a lei suprema que rege todas as coisas e da qual dependem todas as outras leis.
Muitos anos depois, na época de Jesus Cristo, pouca coisa havia mudado.
Continuavam assentados numa rígida estrutura de normas e fechados para o mundo porum imenso orgulho. Por conta disso, ficaram sem condições de perceberem que as
promessas dos profetas, que tanto esperavam verem cumpridas, estavam sendo
realizadas por intermédio de Jesus Cristo. E porque seus corações estavam duros e
descrentes, os milagres feitos por Cristo não os sensibilizavam.
A vinda do Reino de Deus ocorre numa hora fundamental para o povo judeu e
para o mundo. Da forma em que estava estruturada a religião judaica, a Igreja estava
distante do próximo. Havia uma visível separação entre Igreja e caridade, como nos
mostra Jesus Cristo na parábola do Bom Samaritano:
 
"Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: 
Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna? 
Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês?
Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua
alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como
a ti mesmo (Lv 19,18).
Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás.
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?
Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de
ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos,
retiraram-se, deixando-o meio morto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um
sacerdote, viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e
passou também adiante. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e
moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e
vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e,
quanto gastares a mais, na volta to pagarei.
Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?
Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele.
Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo." (Lc 10, 25-37)
 
Esse ponto é extremamente importante para a nossa salvação porque as boas
225
obras que Deus nos pedirá conta particular no dia do Juízo são as obras de misericórdia.
Tais obras são aquelas com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades
corporais ou espirituais. Além disso, o perdão ao próximo será também motivo de
julgamento, pois os que não perdoam ao próximo não têm razão alguma para esperar que
Deus lhes perdoe, tanto mais que se condenam por si mesmos, dizendo a Deus que lhes
perdoe como eles perdoam ao próximo.
No quinto Mandamento encontramos tudo o que não devemos fazer ao nosso
próximo: dar a morte ao próximo, nele bater ou feri-lo, ou causar qualquer outro dano no
seu corpo, por nós ou por meio de outrem. Proíbe também ofendê-lo com palavras
injuriosas e querer-lhe o mal.
 
Referência: Acusações contra os escribas e os fariseus (Mt 23, 1-39).
226
OS FALSOS PROFETAS
Em uma de suas pregações, Jesus Cristo alerta sobre o futuro aparecimento de
falsos cristos e falsos profetas que farão grandes sinais e prodígios:
“Cuidai que ninguém vos seduza. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou
eu o Cristo. E seduzirão a muitos.
Irão levantar-se muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. Então se alguém
vos disser: Eis aqui está o Cristo! ou: Ei-lo acolá! não creiais. Porque se
levantarão falsos cristos, falsos profetas, que farão milagres a ponto de
seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.
Eis que estais prevenidos.
Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele
em casa, não o creiais. Porque, como o relâmpago parte do Oriente e ilumina
até o Ocidente, assim será a volta do Filho do homem.”
(Mt 24, 4-27)
CUIDADO COM OS FALSOS PROFETAS
Jesus Cristo, em Jo 10, 11-12, apresenta-se como o verdadeiro pastor e nos alerta
sobre o mal que os falsos pastores causam as ovelhas: “Eu sou o bom pastor. O bom
pastor expõe a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem
não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e
foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.”
Muitos textos, na Sagrada Escritura, referem-se ao surgimento desses falsos
pastores e de suas falsas doutrinas. Para melhor apresentá-los, sintetizamos alguns em
227
um único parágrafo:
 
“O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar
da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e
impostores.
Levantar-se-ão muitos falsos profetas, que introduzirão disfarçadamente seitas
perniciosas. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia.
Muitos serão seduzidos e seguirão nas suas desordens e serão, deste modo, a
causa de o caminho da verdade ser caluniado.
Cuidado com esses cães! Cuidado com esses charlatães! Cuidado com esses
mutilados!
Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas
baseados nas tradições humanas, nos rudimentos do mundo, em vez de se apoiar em
Cristo”. (I Tm 4, 1-2; II Pd 2, 1-3; Fl 3, 2-3; Cl 2 ,8 ).
A REENCARNAÇÃO
Nos dias de hoje existem inúmeras falsas doutrinas no mundo. Um grande número
tem em comum, como ponto doutrinário básico e fundamental, a doutrina da
reencarnação. Esta doutrina ensina que as almas dos falecidos deverão voltar a se
reencarnar em outros corpos, repetidas vezes, até que sejam purificadas.
Isto significa que, para os seguidores desta suposição, a missão salvadora de amor
e de redenção de Jesus Cristo de nada valeu, pois a grande oferta de Nosso Senhor foi
dar a sua vida por nós, apagando todos os nossos pecados, dando-nos a certeza de que
ressuscitaremos um dia como Ele ressuscitou. Pede-nos apenas que acreditemos em suas
palavras e que façamos o que ela nos ensina. Portanto, não é correto que nasceremos e
morreremos indefinidas vezes para obter a salvação, pois o homem não voltará após a
morte a viver outras vidas terrestres.
Encontramos na carta aos hebreus a confirmação de que o homem nasce e morre
somente uma vez:
"Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida
vem o juízo; assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados de
todos.
Do contrário, lhe seria necessário padecer muitas vezes desde o princípio do
mundo; quando é certo que apareceu uma só vez para destruição do pecado pelo
sacrifício de si mesmo". (Hb 9, 26-28).
 
A reencarnação é uma grande mentira do demônio que ilude os homens para que
acreditem que, errando nesta vida, terão uma nova chance para consertar seus erros. Isto
228
é totalmente errado, pois logo após a morte do homem vem o juízo particular e ele
receberá a sua retribuição eterna em função das suas obras e da sua fé, podendo, neste
momento, entrar de imediato no céu, ir ao purgatório para purificar-se ou seguir para o
inferno.
Fundamental é o conhecimento que nos traz o livro do Levítico, em Lv 19, 31,
pois nele encontramos Deus advertindo que tais práticas contaminam o homem: "Não
vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais
contaminados por eles". Inclusive, o primeiro Mandamento proíbe todo o comércio ou
trato com o demônio, e o filiar-se às seitas anticristãs.
Essa advertência de Deus cabe como uma luva para a doutrina espírita, que tem
como sua base a reencarnação, visto que todas as práticas do espiritismo são proibidas,
porque são supersticiosas, e muitas vezes não estão isentas de intervenção diabólica, e
por isso foram interditas pela Igreja.
Portanto, não é lícito interrogar as mesas chamadas falantes ou escreventes, ou
consultar de algum modo as almas dos mortos, por meio de espiritismo, pois quem
recorre ao demônio e o invoca comete um pecado enorme, porque o demônio é o mais
perverso inimigo de Deus e do homem.
Em Dt 18, 10-12, Deus expõe claramente seu sentimento a respeito das pessoas
que praticam essas coisas: "Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu
filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia,aos agouros, ao feiticismo,
à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou a invocação dos mortos, porque o Senhor, teu
Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas".
Eis alguns textos da Sagrada Escritura que negam a reencarnação:
1 - Em Lc 23,43, Jesus Cristo prometeu ao ladrão arrependido, crucificado ao seu
lado, que “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, nada de purificar-se em sucessivas
existências para alcançar o céu.
2 - Em I Cor 15, 13-14, São Paulo diz: “Se não há ressurreição dos mortos,
também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação,
vazia é também a nossa fé”.
3 - Em II Cor 5, 10, temos: “Teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo.
Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto
estava no corpo”.
4 - Em I Jo 1, 7, encontramos: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo
pecado”.
Como exemplos de algumas falsas doutrinas, que têm na reencarnação seu ponto
central, temos: Espiritismo, Macumba, Umbanda, Candomblé, Yoga, Igreja Messiânica,
Hinduísmo, Seicho No Iê, LBV, Budismo e Hari Krishn.
Existem, afora as falsas doutrinas mencionadas acima, outras formas que,
igualmente, de maneira sutil, afastam o homem da fé em Jesus Cristo e de sua Igreja,
como por exemplo: a consulta a horóscopos, a crença em leitura de cartas e das linhas da
229
mão, a busca pelo ocultismo, esoterismo, feitiçaria, curandeirismo e magia.
É preciso que o católico esteja alerta para não ser seduzido, até mesmo porque
várias dessas falsas doutrinas estão sob um nome ou aparência cristã. A melhor maneira
de se proteger e não ser enganado é crer e professar a doutrina cristã e obedecer aos
legítimos Pastores da Santa Igreja Católica.
 
Referência: O final dos tempos (Mt 24 e 25, 31-46).
230
CONSPIRAÇÃO PARA MATAR JESUS
Vendo que aumentava muito o número de pessoas que acolhiam os ensinamentos
de Jesus Cristo, os fariseus e seus seguidores passam a maquinar meios concretos de
prendê-lo e de matá-lo:
“Aproximava-se a festa dos pães sem fermento, chamada Páscoa.
Satanás entrou em Judas, que era um dos doze.
Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender
com eles sobre o modo de lho entregar. Eles se alegraram com isso, e
concordaram em lhe dar dinheiro.
E buscava ocasião oportuna para o trair, sem que a multidão o soubesse.
Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio
do Sumo Sacerdote, chamado Caifás, e deliberaram sobre os meios de
prender a Jesus por astúcia e de o matar.”
(Lc 22, 1-6; Mt 26, 3-4)
A CONSPIRAÇÃO CONTRA JESUS CRISTO
À medida que o ministério de Jesus Cristo ia crescendo, a inveja daqueles que
pertenciam as seitas judaicas, os escribas e fariseus, chefiados pelos príncipes dos
sacerdotes, se desenvolvia. Quando Cristo passou a desmascarar a hipocrisia e a reprovar
os vícios das autoridades religiosas mais abertamente, eles decidiram silenciá-Lo. 
Logo, não tardaram em persegui-Lo e desacreditá-Lo. Sempre que podiam,
interrogavam-nO procurando encontrar contradições em suas palavras para acusá-Lo
ante o governador romano. Em todas as suas tentativas, no entanto, devido a essas
231
autoridades temerem a reação do povo, Ele havia conseguido desviar-se de suas
intenções.
Com a ressurreição de Lázaro, praticada em circunstâncias tão extraordinárias,
multiplicou-se grandemente o número dos judeus que creram n’Ele e o ódio de seus
perseguidores cresceu na mesma medida.
Então, decididos a por em prática suas intenções, reuniram-se e passaram a tramar
Sua morte. Combinaram prender Jesus com algum ardil e às escondidas, por medo de
que o povo se alvoroçasse. Ao concluir a reunião, Caifás ao falar para os judeus do
conselho, sem o saber, anuncia a própria missão de Jesus Cristo, disse ele: "É preciso que
só um homem morra pelo povo e não pereça toda a nação" (Jo 18, 14).
A ocasião acontece quando um de seus discípulos, por um punhado de moedas,
decide traí-Lo. Neste momento, surge a grande oportunidade para prendê-Lo, julgá-Lo e
condená-Lo à morte.
Judas Escariotes será o discípulo que indicará, aos perseguidores de Jesus Cristo, o
exato momento em que Ele estará sozinho.
 
Referência: Conspiração dos sacerdotes contra Jesus Cristo (Mt 26, 1-5), Jantar
em Betânia (Mt 26, 6-13) e Traição de Judas (Mt 26, 14-16).
232
A CEIA PASCAL
Sabendo que estava próximo o momento de sua morte, Jesus Cristo, um dia antes
da Páscoa, reúne os discípulos e comemoram a Ceia Pascal. Nesse momento, Ele
apresenta a Eucaristia:
“Jesus pôs-se à mesa, e com ele os Apóstolos. Disse-lhes: ‘Tenho desejado
ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer’.
Tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu e deu-lho, dizendo:
‘ISTO É O MEU CORPO,
que é dado por vós; fazei isto em memória de mim’.
Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, deu-lho, dizendo:
‘Bebei dele todos, porque
ISTO É MEU SANGUE,
o sangue da Nova Aliança, derramado por MUITOS homens em
REMISSÃO DOS PECADOS’.”
(Mt 26, 26-28; Lc 22, 19-20)
O SACRAMENTO DA EUCARISTIA
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na última ceia que celebrou com
seus discípulos, na noite que precedeu sua Paixão. Ele a estabeleceu para ser um
alimento celestial de nossa alma, com que pudéssemos proteger e conservar em nós a
vida espiritual.
Sua intenção foi deixar na Igreja, que estava prestes a nascer, um sacrifício
perene, em reparação de nossos pecados, pelo qual o Pai do céu, a quem tantas vezes
233
ofendemos gravemente, Se volvesse da cólera à misericórdia, e do justo rigor à
clemência. 
Sendo assim, a última ceia da quinta-feira santa veio a ser o sacrifício da lei cristã.
Assim o quis Nosso Senhor quando falou: "Fazei isto em memória de mim".
Seria um Sacrifício visível, instituído debaixo das espécies de pão e de vinho, em
renovação daquele que logo ia consumar-se na Cruz, de maneira cruenta, uma vez por
todas, e cuja memória a Igreja havia de celebrar todos os dias, em toda a terra.
A CONSAGRAÇÃO
Antes de falar acerca da Consagração é preciso entender a diferença entre
Sacrifício e Sacramento.
O Sacramento é consumado pela Consagração. O Sacrifício tem toda a sua razão
de ser no ato de ofertar. Por isso, quando conservada no cibório, ou levada a um
enfermo, a Eucaristia tem caráter de Sacramento, e não de Sacrifício.
A Eucaristia, enquanto é Sacramento, torna-se ela causa de mérito para quem
recebe a Divina Hóstia, e confere-lhe todos os frutos espirituais. Enquanto é Sacrifício,
possui a virtude não só de merecer, como também de satisfazer. Assim como Cristo
Nosso Senhor mereceu e satisfez por nós em Sua Paixão: da mesma forma, os que
oferecem este Sacrifício, pelo qual se põem em comunhão conosco, merecem os frutos
da Paixão de Nosso Senhor e prestam satisfação.
O Santo Concílio de Trento fulminou com a pena de excomunhão contra quem
afirmasse que não se oferece a Deus um verdadeiro Sacrifício, no rigor da palavra, ou
que a oblação sacrificial não consiste em outra coisa senão em dar-Se Cristo a Si mesmo
como comida. O Concílio teve, porém, o cuidado de precisar que só a Deus se pode
oferecer Sacrifício.
A Consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por
Jesus Cristo na última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu
Sangue, por estas palavras: “Isto é o meu Corpo” (Mt 26, 26); “Isto é o meu Sangue”
(Mt 26, 28). Isso significa dizer que no momento da consagração a substância do pão
deixa de ser pão e a do vinho deixa de ser vinho.
As palavras que se ajuntam 'por vós e por muitos', foram tomadas parte de São
Mateus, parte de São Lucas (Mt 26, 28; Lc 22, 20). A Santa Igreja, guiada pelo Espírito
de Deus, coordenou-as numa só frase, para que exprimissem o fruto e a vantagem da
Paixão. De fato, se considerarmos sua virtude, devemos reconhecer que o Salvador
derramou Seu Sangue pela salvação de todos os homens. Se atendermos, porém, ao
fruto real que os homens dele auferem, não nos custa compreender que sua eficácia nãose estende a todos, mas só a 'muitos' homens.
Depois da consagração, as espécies sacramentais não são inalteráveis,
234
decompõem-se e transformam-se depois de poucos momentos de ingeridas como
alimento, e também se corrompem abandonadas por muito tempo à ação dos agentes
atmosféricos. Disso sucede que, quando estas duas coisas ocorrem, no mesmo instante
cessa a presença eucarística de Jesus Cristo, pelo fato de desaparecer o motivo que o
retinha enlaçado aos acidentes, e, mediante os acidentes, ao lugar por eles ocupado.
Chamam-se espécies a quantidade e as qualidades sensíveis do pão e do vinho,
como a figura, a cor, o sabor.
Tanto debaixo das espécies de pão, como debaixo das espécies de vinho, está
Jesus Cristo vivo e todo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Dessa
forma, tanto na hóstia como no cálice está Jesus Cristo todo inteiro, porque Ele está na
Eucaristia vivo e imortal como no céu; por isso onde está o seu Corpo, está também o
seu Sangue, sua Alma e sua Divindade; e onde está seu Sangue está também seu Corpo,
sua Alma e sua Divindade, pois tudo isto é inseparável em Jesus Cristo.
Quanto à divindade não há dificuldades, pois, nunca, nem mesmo durante a morte
do Redentor, se separou a pessoa divina de cada um dos componentes de sua
humanidade.
Não é possível ver, tocar, ou de algum modo chegar ao corpo de Jesus Cristo no
estado sacramental, porque aquelas espécies acessórias aos nossos sentidos, não são
acidentes do corpo de Cristo. Dito isso, percebe-se que as espécies sacramentais o
protegem, de sorte que, quando algum desalmado intente enfurecer-se contra o corpo de
Cristo, só consegue profanar o Sacramento.
A Igreja ensina que só aos sacerdotes foi dado poder de consagrar a Sagrada
Eucaristia, e de distribuí-la aos fiéis cristãos. Sempre foi praxe da Igreja que o povo fiel
recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes, e os sacerdotes comungassem por si
próprios, ao celebrarem os Sagrados Mistérios. Assim o definiu o Santo Concílio de
Trento; e determinou que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa
de sua origem apostólica, e porque também Cristo Nosso Senhor nos deu o exemplo,
quando consagrou Seu Corpo Santíssimo, e por Suas próprias mãos O distribuiu aos
Apóstolos.
Da mesma forma, também se proibiu que, salvo grave necessidade, ninguém sem
Ordens Sacras ousasse tomar nas mãos ou tocar vasos sagrados, panos de linho, e outros
objetos necessários à confecção da Eucaristia.
Por fim, resta anotar que no momento em que Jesus Cristo está na hóstia, não
deixa de estar no Céu, mas encontra-se ao mesmo tempo no Céu e no Santíssimo
Sacramento. Inclusive, Jesus está presente em todas as hóstias consagradas do mundo, e
isso por efeito da onipotência de Deus, a quem nada é impossível.
A TRANSUBSTANCIAÇÃO
235
A matéria do Sacramento da Eucaristia não pode ser diferente da que foi
empregada por Jesus Cristo na última ceia, no caso, o pão de trigo e o vinho de uva.
Depois da consagração, a substância do pão deixa de ser pão e a do vinho deixa de
ser vinho, pois elas se convertem, a do pão no corpo de Jesus Cristo e a do vinho no seu
sangue. A miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os altares das Igrejas
Católicas, é chamada transubstanciação.
Essa conversão faz-se precisamente no ato em que o sacerdote, na santa Missa,
pronuncia as palavras da consagração.
Assim, antes da transubstanciação, ao tocar os acidentes, o sacerdote tem nas
mãos as substâncias do pão e do vinho, depois da transubstanciação, o que passa a ter é,
identicamente, o corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Observe que, após a transubstanciação, Jesus Cristo encontra-se por inteiro em
cada parte das espécies sacramentais, e mesmo quando se fracionam, está tantas vezes
inteiro e completo, quantas partes se hajam feito. Ora, quando se parte a hóstia, não se
parte o Corpo de Jesus Cristo, mas partem-se somente as espécies do pão. Seu corpo
fica inteiro em todas e em cada uma das partes em que a hóstia foi dividida. Por conta
disso, tanto numa hóstia grande, como na partícula de uma hóstia, está sempre o mesmo
Jesus Cristo.
A transubstanciação expressa a conversão de toda a substância do pão na
substância do corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu
sangue. Perceba que se converte no corpo e sangue de Cristo somente a substância,
permanecendo sem alteração os acidentes. Esses continuam, no mesmo estado, a
quantidade, a cor, o gosto e mais propriedades. Os acidentes não se transformam porque
são necessários para manter e assegurar a presença sacramental de Jesus Cristo. Caso os
acidentes se transformassem em corpo e sangue de Cristo, aconteceria que o que foi pão
e vinho desapareceria absoluta e totalmente.
Essa admirável mutação dos elementos incute-nos, ainda, uma pálida noção
daquilo que se opera na alma. Deveras, ainda que se não perceba nenhuma mudança
exterior no pão e no vinho, contudo a sua substância passa, verdadeiramente, a ser Carne
e Sangue de Cristo; assim também, de modo análogo, nossa vida se renova
interiormente, quando recebemos a verdadeira vida no Sacramento da Eucaristia, posto
que em nós parece não ter havido nenhuma mudança.
Sendo assim, quem recebe Jesus Cristo constantemente no Sacramento da
Eucaristia estará sempre com a vida sendo transformada numa vida melhor, à base dos
ensinamentos do Evangelho e da igreja. Na prática, a pessoa estará substituindo a parte
invisível do sacramento, já que o seu testemunho de vida estará sendo o sinal visível da
presença de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia e no mundo. Por isso, nos disse
São Paulo em Gl 2,20: “Já não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim”. 
Para que nenhuma dúvida subsista quanto a transubstanciação, observe que
depois de relatar como Nosso Senhor consagrara o pão e o vinho, e dera aos Apóstolos
236
os Sagrados Mistérios, o Apóstolo Paulo acrescenta: “Examine-se, pois, o homem a si
próprio, e assim coma deste pão e beba do cálice; porque quem come e bebe
indignamente, come e bebe a sua própria condenação, por não discernir o Corpo do
Senhor” (1 Cor 11, 28). Ora, se no Sacramento não houvesse outra coisa que venerar,
como afirmam os hereges, senão uma lembrança e um sinal da Paixão de Cristo, que 
necessidade tinha o Apóstolo de exortar os fiéis, em linguagem tão grave, a examinarem-
se a si mesmos? Com aquela dura palavra “condenação”, declarava o Apóstolo que
comete nefando crime quem recebe indignamente o Corpo do Senhor, oculto de maneira
invisível na Eucaristia, e não o distingue de outra qualquer comida.
Ao final dessa exposição, cumpre lembrar o que os Santos Padres sempre
tornavam a encarecer. É que se não deve investigar, com excessiva curiosidade, de que
maneira se processa essa conversão, pois não podemos perceber com os sentidos, nem
encontramos fato análogo nas mudanças da natureza, nem até na própria criação das
coisas. Só pela fé podemos saber o que ela vem a ser.
A EFICÁCIA DO SACRAMENTO DA EUCARISTIA
O Sacramento da Eucaristia produz efeitos especiais, pois que, como nenhum
outro, enriquece a alma com tesouros de vida eterna.
Ele tem elevada eficácia na vida do homem porque, em primeiro lugar, real e
verdadeiramente, contém o próprio Jesus Cristo, princípio e autor da graça; além disso,
porque é o sacramento da sua paixão cujos méritos vai distribuindo e aplicando a
gerações sucessivas, visto que nele se nos dá em alimento o mesmo corpo, e em bebida o
próprio sangue do Redentor; e, finalmente, porque a eficácia dos Sacramentos
corresponde ao seu Simbolismo e este representa a unidade que formam Jesus Cristo e o
seu corpo místico, a Igreja.
Devido a isso, é possível assegurar que a entrada no reino dos céus é efeito
especialíssimo deste sacramento, por ser uma prenda da glória que Cristo com sua morte
nos mereceu.
Os principais efeitos que a Santíssima Eucaristia produz em quem a recebe
dignamente são: conserva e aumenta a vida da alma, que é a graça, como o alimento
material sustenta e aumenta a vida docorpo; perdoa os pecados veniais e preserva dos
mortais; produz consolação espiritual. Além desses, produz em nós os seguintes efeitos:
enfraquece as nossas paixões, e em especial amortece em nós o fogo da concupiscência;
aumenta em nós o fervor e ajuda-nos a proceder em conformidade com os desejos de
Jesus Cristo; dá-nos um penhor da glória futura e da ressurreição do nosso corpo.
O efeito mais imediato e admirável da Santíssima Eucaristia é preservar o homem
de cometer novos pecados, porque, como Sacramento de nutrição tonifica e vigoriza o
organismo espiritual, para a luta contra os agentes que alteram ou minam a vida Cristã, e,
237
como recordação da paixão do Redentor, põe em fuga os demônios vencidos por Cristo
na Cruz.
A eficácia deste sacramento, como alimento da alma, não aproveita a quem o não
recebe, pois a comida só aproveita a quem a toma; porém, como sacrifício, pode e, em
realidade, estende a sua ação a todos aqueles por quem se oferece, desde que, unidos a
Cristo e aos demais membros da Igreja pela fé e pela caridade, estejam em disposição de
aproveitar-se dos seus frutos.
Atente para o fato de que os efeitos do Sacramento da Eucaristia somente
produzem efeitos em nós quando o recebemos com as devidas disposições. Para recebê-
lo é preciso conhecer o que ensina a Doutrina Cristã a respeito deste Sacramento e
acreditá-lo firmemente. Esse conhecimento é necessário para que se possa comungar
com devoção.
 
Referência: A Santa Ceia (Mt 26, 17-29) e Jesus Cristo prediz a negação de
Pedro (Mt 26, 30-35).
238
A VINDA DO ESPÍRITO SANTO
Em seguida, Jesus Cristo anuncia que, com a vinda do Espírito Santo, os apóstolos
obterão poder para serem suas testemunhas e capacidade para prosseguirem com a
formação da Igreja:
“Se Eu não tivesse vindo e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas
agora não há desculpa para o seu pecado.
Agora vou para aquele que me enviou. Mas porque vos falei assim, a tristeza
encheu o vosso coração. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que
Eu vá! Porque, se Eu não for, o Paráclito, não virá a vós; mas se Eu for, vo-lo
enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da
justiça e do juízo.
Convencerá o mundo a respeito do PECADO, que consiste em não crer em
Mim.
Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, 
porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as 
coisas que virão.
Referi-vos estas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo havíeis de
ter aflições.
CORAGEM! EU VENCI O MUNDO.”
(Jo 15, 22; 16, 5-13; 16, 33)
O ESPÍRITO SANTO
239
Durante seu ministério, Jesus Cristo não revelou abertamente o Espírito Santo em
suas pregações. Somente quando vê que sua hora se aproxima é que fala sobre Ele,
prometendo sua vinda.
O Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é Deus eterno, infinito,
onipotente, Criador e Senhor de todas as coisas, como o Pai e o Filho. Ele procede do
Pai e do Filho como de um só princípio, por via de vontade e de amor.
Observe que, embora o Espírito Santo seja Deus, devemos confessá-Lo como
Terceira Pessoa (da Santíssima Trindade), distinta do Pai e do Filho, dentro da natureza
divina, e produzida pela vontade de um e de outro.
Cabe lembrar também que todas as três Pessoas divinas nos santificam
igualmente. No entanto, ao Espírito Santo, atribui-se especialmente a santificação das
almas. Isso acontece porque é obra de amor, e as obras de amor atribuem-se ao Espírito
Santo.
Os efeitos principais e mais próprios do Espírito Santo são: “O Espírito de
sabedoria e inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de ciência e de
piedade, e o Espírito do temor de Deus” (Is 11, 2-3). Esses efeitos se chamam dons do
Espírito Santo. Eles servem para nos confirmar na Fé, na Esperança e na Caridade, e
para nos tornar solícitos para os atos das virtudes necessárias para conseguir a perfeição
da vida cristã.
Contidos na Epístola de São Paulo aos Gálatas estão os frutos do Espírito Santo:
caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão,
fidelidade, modéstia, continência e castidade. Estas são ações boas da ordem
sobrenatural que, quando realizadas sob a inspiração do Espírito Santo, têm a virtude de
produzir prazer e alegria aos que as praticam.
O homem quando está em graça acha na virtude da fé e em seus inseparáveis
aliados, os dons do entendimento e da ciência, um poderoso remédio contra os males
desta sociedade ímpia e afastada de Deus
 
Referência: A promessa da vinda do Espírito Santo (Jo 15-16).
240
NO HORTO DAS OLIVEIRAS
Jesus Cristo, momentos antes de sua prisão, dirige-se ao Horto das Oliveiras. Lá
passa seus últimos momentos antes de sua oferta. Um de seus discípulos o entregará à
morte:
 
“Segundo o seu costume, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. E levou
consigo a Pedro, a Tiago e a João.
Quando chegou àquele lugar começou a ter pavor e a angustiar-se; e disse-
lhes: ‘Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo’.
E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava,
dizendo: ‘Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba,
faça-se a tua vontade!’.
E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como
grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão.
Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: ‘Simão,
dormes? Não pudeste vigiar uma hora! Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação. Pois espírito está pronto, mas a carne é fraca’.
Ao voltar pela terceira vez, disse-lhes: ‘Dormi agora e descansai. Basta! Veio a
hora! O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-
vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar’.
Jesus ainda falava, quando veio Judas, e com ele grande multidão.”
(Mt 26, 36-46; Mc 14, 32-42; Lc 22, 39-46)
JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS
241
Jesus Cristo, após a ceia, saiu da cidade acompanhado por seus Apóstolos.
Durante a caminhada, proferia-lhes os últimos ensinamentos.
Como costumava acontecer, foi ao jardim de Getsêniani, ou Horto das Oliveiras.
Lá chegando, passou a refletir em sua própria Paixão. Começou a orar e a
oferecer-Se ao Pai Eterno. 
Ao ver os múltiplos sofrimentos que o esperavam, ao ver a ineficácia destes para
tantos pecadores, o Salvador sentiu sua alma vergada ao peso de uma tristeza amarga.
Por três vezes repetiu a mesma prece : "Meu pai, se for possível, afastai de mim este
cálice! Cumpra-se todavia, a vossa vontade e não a minha!" (Mc 14, 36).
Tão intensa era sua oração que “seu suor tornou-se como grandes gotas de
sangue, que caíam sobre o chão” (Lc 22, 44).
Veio, então, Judas, o traidor, à frente de um esquadrão de soldados armados de
espadas, e deu a Jesus um beijo, que era o sinal combinado para dá-Lo a conhecer.
Jesus Cristo, abandonado pelos Apóstolos, que fugiram de medo, viu-Se sozinho.
Fora preso e amarrado por seus perseguidores. Em seguida, conduzido para ser julgado
no Sinédrio.
Diante do sofrimento e da morte que viriam com sua crucificação, a natureza
humana de Nosso Senhor Jesus Cristo fraquejou. No entanto, diante da certeza de todo
o bem que este ato ocasionaria à humanidade, aceitou cumprir a vontade de seu Pai,
renunciando a sua vontade e vencendo seus temores.
A passagem do Monte das Oliveiras nos revela um Jesus extremamente obediente
ao Pai e apaixonado pelos homens.
 
Referência: A angústia de Jesus Cristo no Morto das Oliveiras (Mt 26, 36-46) e a
Prisão de Jesus Cristo (Mt 26, 47-56).
242
JULGAMENTO DE JESUS CRISTO
No dia seguinte, na sexta-feira, Jesus Cristo é acusado formalmente e condenado a
morte de cruz. A acusação baseia-se, entre outras coisas, na tese de que ele se intitulava
“Filho de Deus”. O plano da Salvação dos homens estava para ser concluído:
“Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os
sacerdotes, escribas e anciãos.
O sumo sacerdoteperguntou-lhe: ‘És tu Cristo, o FILHO de DEUS
bendito?’
Jesus respondeu-lhe: ‘EU O SOU. E vereis o Filho do homem sentado à
direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu’.
O sumo sacerdote rasgou então suas vestes. ‘Para que desejamos ainda 
testemunhas?’ exclamou ele. ‘Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?’
E unanimemente o julgaram merecedor da MORTE.”
(Mc 14, 53-64 )
O JULGAMENTO DE JESUS CRISTO
Preso no Monte das Oliveiras, Jesus Cristo foi levado à casa de Anás, um príncipe
dos sacerdotes. Logo depois, foi para a casa do pontífice Caifás.
Jesus Cristo passou a noite entregue aos maus tratos de soldados grosseiros que o
molestaram continuamente com pancadas, cuspes e zombarias. Sofreu também por conta
do abandono de todos os seus discípulos que tinham fugido por medo.
Naquela mesma noite, Caifás reuniu o Sinédrio, onde os sacerdotes que
desejavam Seu mal, após inúmeros discursos e acusações falsas, julgam-No merecedor
243
da morte como blasfemo.
Ocorre que o Sinédrio não podia executar sua própria decisão porque os romanos,
que dominavam o país, haviam retirado seu poder de executar sentenças de morte.
Devido a isso, decidiram levá-Lo diante de Pilatos, governador da Judéia, em nome do
imperador romano Tibério, para obterem a confirmação do que tinham decidido.
Ao amanhecer, havendo-se reunido de novo o Sinédrio, foi Jesus levado ao
governador romano, Pôncio Pilatos, a quem os acusadores pediram que Lhe desse a
morte.
Ouvindo Pilatos dizer que Jesus era Galileu, enviou-o a Herodes Antipas, que
regia aquela província e estava em Jerusalém para a Páscoa. Este O desprezou e tratou
como louco, devolvendo-O vestido por escárnio com a túnica branca dos insanos.
Novamente, diante de Pilatos, Jesus Cristo é acusado de revolta política. Pilatos,
sem ver fundamento nas acusações e conhecendo a perfídia dos judeus, não O condenou
de imediato; mas como tinha que dar, por ocasião da Páscoa, liberdade a um malfeitor,
deixou que o povo escolhesse entre Jesus e Barrabás, um facínora. O povo, coagido
pelos inimigos de Cristo, acabou por escolher Barrabás.
Pilatos, governador de índole fraca, julgando acertado e ajuizado dar ao povo
alguma satisfação, fez açoitar Cristo Nosso Senhor pelos soldados, os quais, depois de O
terem transformado em uma chaga viva, com atroz insulto, colocaram-Lhe na cabeça
uma coroa de espinhos, sobre os ombros um trapo de púrpura, na mão um bordão, e
zombaram d’Ele saudando-O como rei. Apresentando ao povo Jesus Cristo flagelado e
coroado de espinhos, ele esperava comover a multidão que O perdoasse.
Esta, no entanto, gritava: "crucificai-o; crucificai-o!". Pilatos teve receio e para
acalmar o furor de Seus inimigos e da plebe amotinada, condenou Cristo à morte na
cruz. Antes, lavou as mãos protestando ser inocente pelo sangue do justo que ia correr.
Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos; mas, conhecendo
que a vontade do seu Eterno Pai era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação,
submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se
espontaneamente prender e conduzir à morte.
No julgamento de Jesus Cristo, uma das acusações foi a de que Ele tinha
blasfemado contra o templo de Jerusalém. A intenção do conselho Judaico era poder
acusá-lo de um crime que, ao ser condenado, fosse punido com a morte. Na realidade,
Jesus Cristo ao falar, “destruí este templo e eu o reedificarei em três dias” (Jo 2,19),
estava se referindo ao seu próprio corpo, quando de sua morte e ressurreição.
Por fim, perceba que quando a Bíblia faz referência aos homens que mataram ou
que contribuíram para o julgamento de Jesus, não os coloca como executores passivos de
um plano anteriormente escrito por Deus, pois em seu projeto estava incluída a livre
resposta do homem. Devido a isso é que, no devido tempo, esses homens serão julgados
pelos atos que praticaram.
Perceba, entretanto, que devem julgar-se responsáveis de tal culpa todos aqueles
244
que continuam a reincidir muitas vezes em pecados. Da mesma forma que nossos
pecados arrastaram Cristo Nosso Senhor ao suplício da Cruz, hoje em dia, ao cometê-
los, “crucificam de novo o Filho de Deus e publicamente o escarnecem” (Hb 6, 6). Tal
crime assume em nós um caráter mais grave, do que no caso dos Judeus; porquanto
esses “nunca teriam crucificado o Senhor da glória, se [como tal] O tivessem conhecido”
(1 Cor 2, 8). Nós, porém, que comumente afirmamos conhecê-Lo, todas as vezes que O
negamos em nossas obras, nos colocamos contra Ele.
A NEGAÇÃO DOS APÓSTOLOS
Com o julgamento de Jesus Cristo, sua prisão e posterior condenação, a fé dos
discípulos sofre um forte abalo. Eles se vêem abandonados e fogem assustados. Mesmo
São Pedro, o discípulo que Jesus Cristo havia destinado a ser a rocha da Igreja e que
havia se declarado disposto a segui-Lo até a morte, nega-o por medo.
A diferença entre a negação de São Pedro e dos demais apóstolos para Judas
Escariotes é que os primeiros, embora tenham caído num determinado momento,
posteriormente, confiaram na misericórdia de Deus e retomaram a caminhada de fé, o
que não aconteceu com o segundo. Deste modo, Judas não se arrependeu como os
outros, e vítima do desespero por causa da culpa, decidiu enforcar-se.
É possível perceber isso claramente na vida de São Pedro. Este amargurou o
Coração de Jesus Cristo negando-O três vezes, fugindo em seguida. Mas, olhado por
Jesus, caiu em si e chorou seu pecado por toda a vida. Poderia Cristo ter mandado Pedro
embora e chamado a João, pois este ficou todo o tempo aos seus pés quando estava na
cruz. Esta, no entanto, não foi a Sua atitude. Portanto, bastou o arrependimento sincero
de São Pedro para colocá-lo novamente a frente dos doze.
A atitude de São Pedro serve também para todos nós, pois mesmo cometendo um
pecado grave, não há porque desesperar, como fez Judas Escariotes, mas acreditar no
perdão de Deus. Para tanto, temos a Santa Igreja Católica, pois ela pode perdoar todos
os pecados, por numerosos e graves que sejam, porque Jesus Cristo Lhe concedeu pleno
poder de ligar e desligar. No entanto, para obter o perdão dos pecados, é necessário
detestá-los com arrependimento, além disso, também é necessário acusar-se deles ao
Sacerdote, isto é, confessá-los.
 
Referência: Jesus Cristo é levado diante de Caifás (Mt 26, 57-68), Negação de
Pedro (Mt 26, 69-75), O Suicídio de Judas (Mt 27, 1-10) e Jesus Cristo diante de Pilatos
(Mt 27, 11-26).
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A MORTE DE JESUS CRISTO NA CRUZ
Castigado pelos chicotes, levando na cabeça uma coroa de espinhos e nos ombros
uma enorme cruz, Jesus Cristo caminha para cumprir a promessa de Deus aos homens:
 
“Os soldados conduziram-no ao interior do pátio. Vestiram Jesus de
púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça. E
começaram a saudá-lo: ‘Salve, rei dos judeus!’
Davam-lhe na cabeça com uma vara e punham-se de joelhos como para
homenageá-lo.
Depois, conduziram-no fora para o crucificar.
Chegados ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os
ladrões, um à direita e outro à esquerda.
E Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’.
Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.
Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: ‘Salvou a outros,
que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!’
Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: ‘ESTE É O REI DOS
JUDEUS’.
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria,
mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua
mãe: Mulher, eis aí teu filho.
Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo
a levou para a sua casa.
Em seguida, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede.
Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma
esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.
Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: ‘Meu Deus, meu Deus,
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por queme abandonaste?’
Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.
Jesus deu então um grande brado e disse: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu
espírito’.
E dizendo isso, EXPIROU.
Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o Sábado.
Rogaram a Pilatos que se lhe quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram
os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, chegando, porém,
a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos
soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e
água.”
(Lc 23, 32-46; Jo 19, 25-37; Mc 15, 16-20)
A OBRA DE REDENÇÃO
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"Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a
todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens
a justificação que dá a vida." (Rm 5, 18).
____________________
 
É próprio e exclusivo de Jesus Cristo o atributo de Redentor do gênero humano
porque foi Ele quem, para quebrar as correntes com que nos tinham algemados o
demônio e o pecado, ofereceu e entregou ao Pai Seu sangue e Sua vida, como preço do
nosso resgate e liberdade.
Portanto, o pecado do homem foi a causa que levou Cristo Nosso Senhor a se
sujeitar ao mais cruel dos sofrimentos, conforme anunciou Deus através do profeta
Isaías: “Eu O feri, por causa da maldade do Meu povo” (Is 53, 8).
Ao entregar sua própria vida, Cristo ofereceu ao Eterno Pai uma satisfação
completa e exuberante, já que os seus tormentos compensaram os que mereciam os
nossos pecados.
Perceba que se alguém tivesse que sofrer todas nossas dores, mas só porque não
pudesse evitá-las, é certo que nessa atitude não veríamos grande valor. Mas, quando
alguém sofre a morte por nossa causa, de livre vontade, ainda que lhe seja possível
esquivar-se, é marcante que aconteceu aí uma prova de extremo amor.
Foi o que aconteceu com o sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Tal sacrifício foi
considerado por Deus reparador do pecado do homem porque um inocente sofreu
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injustamente, de livre escolha e por amor, por todos. Como Cristo Nosso Senhor é
totalmente inocente, uma vez que não tem pecado algum devido à existência da Pessoa
Divina do Filho, o seu sacrifício teve valor infinito de reparar todo e qualquer pecado.
Observe que nenhum homem na terra poderia satisfazer por nós porque a ofensa
feita pelo pecado a majestade infinita de Deus era, sob esse aspecto, também infinita; e,
para satisfazê-la, requeria-se uma pessoa que tivesse merecimento infinito.
De forma alguma poderia ser um anjo, pois era necessário que o Redentor fosse
homem para poder padecer e morrer e, ao mesmo tempo, que fosse Deus, para que
pudesse vencer a morte.
Entenda que se o Verbo tivesse apartado a morte somente por uma ordem, o
corpo, contudo, manter-se-ia mortal e corruptível, segundo a lei que rege os corpos. Ora,
sabia o Verbo de Deus que a corrupção (do corpo) dos homens somente poderia ser
destruída pela morte. Então, a fim de cumprir a vontade de Seu Pai, o Verbo revestiu um
corpo para ir ao encontro da morte neste corpo e fazê-la desaparecer. Por conseguinte,
não morremos mais como condenados, e sim, despertaremos dentre os mortos, momento
em que cessará em todos a corrupção pela graça da ressurreição.
Portanto, pelo sacrifício de seu próprio corpo, Jesus Cristo abrandou inteiramente
a cólera e indignação do Pai. Com isso, pôs termo à lei que pesava sobre nós, renovou-
nos o princípio da vida e nos deu a esperança da ressurreição. Caso não nos tivesse
ajudado, teríamos perecido completamente, mas como veio, todos os justos, não só os
que no mundo nasceram até a vinda do Salvador, mas também os que hão de existir até a
consumação dos séculos, conseguem salvar-se.
Sendo assim, depois do sacrifício de Nosso Senhor, o homem não deve recear
mais a morte, nem a corrupção, uma vez que a morte foi vencida e a corrupção
desapareceu.
Cabe lembrar que, apesar de Jesus Cristo ter morrido por todos, nem todos se
salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei e nem todos se
servem dos meios de santificação que nos deixou. Dessa forma, não basta que Jesus
Cristo tenha morrido por nós para nos salvar, é necessário que o fruto e os merecimentos
da sua Paixão e morte nos sejam aplicados, aplicação que se faz, sobretudo, por meios
dos Sacramentos. Ora, como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os
recebem com as condições devidas, acaba por se tornar inútil para si próprios a morte de
Jesus Cristo.
A PAIXÃO DE JESUS CRISTO
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A Lei característica do Evangelho, é, com a Caridade, a Lei do Sacrifício.
249
Disse Nosso Senhor: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo,
tome sua cruz e siga-me." (Mt 16, 24). Logo, a cruz é a verdadeira prova da fé, o
verdadeiro alicerce da esperança, o perfeito acrisolamento da caridade, numa
palavra, a estrada para o céu. 
 Jesus Cristo morreu na cruz; mas durante toda a vida ele a tinha levado;
pela via da cruz quer que andemos, no seu encalço, e por este preço, concede-
nos a vida eterna ...
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Deus havia prometido aos homens, logo após o pecado de Adão e Eva, um meio
de abolir sua sentença condenatória e confundir o demônio, mortal inimigo da
humanidade.
Isto se daria através da Paixão e Morte de seu Filho. Por meio do sacrifício de
Cristo, os homens compreenderiam o testemunho supremo do grande amor de Deus por
eles.
Jesus Cristo, profundo conhecedor do plano divino, aceitou executar o plano de
salvação de Deus Pai e entregou-se ao suplício. Do alto da cruz, pagaria à justiça divina o
castigo que nossos primeiros pais haviam cometido; e abriria o céu, que estava fechado a
todos os homens.
O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os
suplícios. Não havia outro que fosse mais vergonhoso e visto com tamanha repulsão.
Inclusive, a Lei de Moisés chama de "maldito o homem que pende do madeiro" (Dt 21,
23; Gal 3, 13).
A própria figura da cruz representava dor e sofrimento. Isso porque a forma com
que o corpo era pregado na cruz tornava mais aguda a sensação das dores e torturas que,
de per si, já eram sobremaneira violentas.
Apesar disto tudo, Deus Pai não poupou da agonia seu Filho único. O corpo de
Cristo foi torturado com toda a diversidade de suplícios.
Nosso Salvador não sofreu, entretanto, como os outros homens. Seu sofrimento
foi excessivamente maior do que de qualquer outra pessoa. Isto porque a própria
compleição do Seu corpo, formado pela virtude do Espírito Santo, fazia com que tivesse
uma maior sensibilidade, ou seja, sofria mais vivamente todas as grandes torturas.
Seguramente, o homem não tem como imaginar quanto padeceu Jesus Cristo.
É certo que a natureza humana estava unida à Pessoa Divina, mas nem por isso
deixou de sentir menos a amargura da Paixão. Era como se tal união não existisse; o que
era passível e mortal permaneceu passível e mortal; por sua vez, o que era impassível e
imortal - como se crê ser a natureza divina - conservou esta sua propriedade.
Observe que não era absolutamente necessário que Jesus Cristo padecesse tanto
porque o menor dos seus sofrimentos bastaria para a nossa redenção, pois cada um dos
seus atos era de valor infinito.
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No entanto, se vinha carregar a maldição que sobre nós pesava, de que modo
tornar-se-ia maldição, se não sofresse a morte dos malditos? Tal é, efetivamente, a morte
na cruz: “Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está
escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro.” (Gl 3, 13).
Outra coisa é que a lei que vigorava contra o homem, devido ao pecado de nossos 
primeiros pais, que impunha o castigo da morte e da corrupção (deterioração do corpo), 
necessitava de uma satisfação proporcional. 
Por conta disto é que Jesus Cristo quis sofrer tanto, pois desejava satisfazer mais
abundantemente à justiça divina. Assim, Cristo Nosso Senhor, ao tomar sobre si a
obrigação de satisfazer por todos os pecados do mundo, quis experimentar torturas e
dores proporcionadas ao castigo dado

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