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QUEIMADURAS CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA Discentes: Ana Beatriz de Souza Jacob Antunes Lyvia Martins Mayara Lopes Natale Sousa Docente: Cláudia Cunha. DEFINIÇÃO • As queimaduras são injúrias na pele decorrentes de um trauma, que podem ser caracterizadas como uma condição aguda ou crônica debilitante, podendo levar a morbidade e mortalidade. Usualmente ocorrem por escaldadura, contato com fogo e objetos quentes, por exposição a substâncias químicas, eletricidade, radiação, atrito ou fricção e exposição ao sol (CRUZ; CORDOVIL; BATISTA, 2012; DE OLIVEIRA et al., 2014; TAKINO et al., 2016). • Estima-se que anualmente as queimaduras sejam responsáveis por 11 milhões de feridos, ocupando o quarto lugar em relação á danos causados a saúde por acidentes (DAVÉ et al., 2018). Já no Brasil ocorrem cerca de 1 milhão de acidentes ao ano, do qual dois terços estão relacionados a causa térmica no domicilio, onde frequentemente as vítimas são adultos jovens do gênero masculino, crianças, adolescentes menores de 15 anos e idosos (DE CASTRO; JUNIOR, 2014; TAKINO et al., 2016). TIPOS DE QUEIMADURAS 1. Queimaduras Térmicas – É o tipo mais comum de queimadura, podendo ser causada por fogo, contato, exposição solar, pelo frio e por liquido quente, sendo a última responsável pela maioria dos eventos em crianças (INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES, 2014). A gravidade da queimadura será proporcional ao tempo de contato e a temperatura do líquido, podendo agravar de acordo com a região do corpo afetada e da idade da vítima (HAINES; FAIRBROTHER, 2015). 2. Queimaduras Químicas - Este tipo de queimadura possui como agentes diversas substâncias (ácidos, bases ou outros produtos orgânicos) e por isso necessita ser abordada de acordo com o agente causador. A dificuldade no atendimento está em descobrir qual o agente, até que isso ocorra e que ele seja removido o tecido continua em processo de destruição. As lesões normalmente se apresentam em espessura profunda parcial ou profunda completa (INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES, 2014). 3. Queimaduras por eletricidade - São causadas pela passagem de corrente elétrica pelo organismo, podendo gerar lesões cutâneas e lesões profundas que podem causar danos nos órgãos internos, como por exemplo, arritmias cardíacas. As correntes elétricas podem ser de baixa ou alta voltagem, sendo que as de baixa voltagem são correntes domésticas, que comumente causam queimaduras de espessura profunda parcial e profunda completa. Já as correntes elétricas de alta voltagem, superiores a 1000 volts, resultam em queimaduras de espessura profunda total com dano tecidual profundo Levando a um alto risco de óbito (INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES, 2014). QUANTO À PROFUNDIDADE QUEIMADURAS CAMADAS QUE ATINGEM A PELE 1º. GRAU OU DE ESPESSURA SUPERFICIAL EPIDERME 2º. GRAU OU DE ESPESSURA PARCIAL (SUPERFICIAL OU PROFUNDA) EPIDERME E PORÇÕES VARIADAS DA DERME SUBJACENTE 3º. GRAU OU DE ESPESSURA TOTAL LESÃO EM TODOS OS ELEMENTOS DA PELE INCLUINDO EPIDERME, DERME, TECIDO SUBCUTÂNEO, DESTRUIÇÃO DE FOLÍCULOS PILOSOS, GLÂNDULAS SUDORÍPARAS E SEBÁCEAS, DESTRUINDO OS ANEXOS DÉRMICOS E SUA RESERVA EPITELIAL 4º. GRAU TOTAL COM DANO TECIDUAL PROFUNDO LESÃO QUE AGRIDE TODAS AS CAMADAS DA PELE, ALÉM DO TECIDO ADIPOSO SUBJACENTE, MÚSCULOS, OSSOS E/OU OS ÓRGÃOS INTERNOS QUANTO A PROFUNDIDADE 1º. Grau 2º. Grau 3º. Grau 4º. Grau SINAIS E SINTOMAS 1º. Grau – Caracteriza-se por eritema, resultando em uma resposta inflamatória simples. O principal sintoma é dor que geralmente regride em 48 – 72 horas. Com exceção das queimaduras solares extensas, que também causam desidratação. Apresenta vermelhidão, dor, edema e descama em 4 a 6 dias. 2º. Grau – Muita dor. Este tipo de lesão necessita de vigilância constante, pois se não forem bem cuidadas a zona de estase pode progredir à necrose, aumentando o tamanho da queimadura, e podendo até convertê-la em uma queimadura de terceiro grau(NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2017). Superficial: a base da bolha é rósea, úmida e dolorosa. • Profunda: a base da bolha é branca, seca, indolor e menos dolorosa (profunda). 3º. Grau – Indolor. Existe a presença de placa esbranquiçada ou enegrecida. • Possui textura coreácea. • Não reepiteliza e necessita de enxertia de pele (indicada também para o segundo grau profundo). 4º. Grau -Regra dos nove (urgência). A superfície palmar do paciente (incluindo os dedos) representa cerca de 1% da SCQ. Áreas nobres/queimaduras especiais: Olhos, orelhas, face, pescoço, mão, pé, região inguinal, grandes articulações (ombro, axila, cotovelo, punho, articulação coxofemural, joelho e tornozelo) e órgãos genitais, bem como queimaduras profundas que atinjam estruturas profundas como ossos, músculos, nervos e/ou vasos desvitalizados. CÁLCULO DA ÁREA De acordo com a porcentagem da SCQ (Superfície da Área Queimada), a partir de três métodos: superfície palmar, regra dos nove de Wallace e através da tabela de Lund e Browder (INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES, 2014; NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2017). 1. Regra dos Nove de Wallace - cada região do corpo representa uma porcentagem da superfície queimada. Nos adultos a região cefálica e membros superiores representam 9% cada um, região de tronco ventral e dorsal e membros inferiores 18% cada, região palmar e perineal 1%. Área % queimadura Cabeça 9% M. Superiores 9% cada um M. Inferiores 18% cada um Tronco 18% ventral e 18% dorsal Períneo 1% 2. Gráfico de Lund-Browder - Método é indicado para avaliação de crianças, pois permite calcular o percentual da extensão corporal queimada conforme a faixa etária através de um diagrama que incorpora as alterações relacionadas às diferentes faixas etárias da criança (SILVA et al., 2015; NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2017; RUMPF et al., 2018). O avaliador deve preencher a tabela assinalando o valor de cada região atingida em relação ao grau de profundidade, para que assim, possa ter uma visão global da porcentagem correspondente aos diferentes graus de queimadura e a percentagem total da superfície corporal atingida. 3. Regra das Palmas - método pode ser utilizado para avaliar pequenas queimaduras, porém não há precisão ao definir o tamanho da palma do avaliador, dessa forma deve-se levar em consideração que a área média da palma, não incluindo os dedos estendidos, é de 0,5% da área queimada em homens e de 0,4% em mulheres. Com os cinco dedos incluídos a área aumenta a 0,8% em homens e 0,7% em mulheres, dessa forma adotou-se o consenso de que a palma equivale a 1% da SCQ (INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES, 2014; NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2017; THOM, 2017) CUIDADOS DA ENFERMAGEM O enfermeiro é o profissional melhor preparado para planejar e desenvolver instrumentos, protocolos, checklists, pois desenvolve diversas funções administrativas e organizacionais e não apenas aquelas ligadas ao cuidado assistencial (DA SILVA, 2017). Ao respeito, o exercício profissional do enfermeiro (Lei nº 7.498) define que é competência do mesmo gerenciar o cuidado e criar instrumentos tecnológicos que determinem as etapas processuais da enfermagem, direcionando fluxos de atendimento, procedimentos, tratamentos e situações diversas (COFEN, 2017). Instrumentos que facilitem a organização do atendimento e cuidado de enfermagem nos distintos espaços nos quais exerce seu papel como profissional de saúde. • Realizar o cálculo da superfície corporal com precisão é um dos pontos fundamentais para o início do tratamento, pois é a partir do percentual identificado que será definido o tipo de cuidado a ser feito, a quantidade de hidratação que o paciente terá que receber para repor os líquidos do corpo e se será necessária à transferência para uma unidadede tratamento especializada. Uma regra prática para avaliar a extensão das queimaduras pequenas ou localizadas, é compará-las com a superfície da palma da mão do acidentado, que corresponde aproximadamente a 1% da superfície corporal. • Reconhecer a profundidade da queimadura também determina como o atendimento será direcionado. Em casos de queimaduras com bolhas, a conduta é individualizada, deve ser considerado o tempo de lesão, extensão da queimadura e disponibilidade de recursos da unidade. • A hidratação do paciente é de fundamental importância no tratamento das queimaduras. Quando a lesão ocorre, é comum que o paciente tenha a perda de grande volume de líquidos corporais. Se a hidratação não for reposta de forma adequada, o paciente pode chegar a ter um comprometimento da função dos rins e precisar de hemodiálise. Por isso, o volume da hidratação prescrita pelo médico deve ser respeitada. • Curativo – Em relação à limpeza da ferida, a água corrente é fundamental para o tratamento inicial com a posterior utilização de curativos específicos que devem ser, preferencialmente, aqueles que sejam não aderentes, que reduzam o número de trocas e a dor do paciente. O curativo deve ser realizado em quatro camadas, utilizando um antibiótico tópico (sulfadiazina de prata) ou outra cobertura a base de prata. O enfermeiro deve prestar atenção no período de troca dos curativos. Se o médico prescreve sulfadiazina de prata, a troca é realizada a cada 12 horas, mas se a substância for associada ao nitrato de cério, a troca é realizada uma vez a cada 24 horas. • Outro ponto importante é a forma como os dedos são enfaixados nos curativos. Esse procedimento deve respeitar a anatomia do corpo, por isso os dedos devem ficar sempre separados. Se o enfaixamento for realizado com os dedos unidos, a mobilidade do membro pode ser prejudicada, postergando a recuperação do paciente e desencadeando outros problemas. • A utilização de escalas de monitoramento da dor definem o uso dos analgésicos e outros produtos que serão utilizados diretamente na queimadura. Geralmente o paciente é questionado numa escala de 0 a 10, o quanto a sua dor pode ser definida em números. Mas, existem pacientes que não entendem essa escala, por isso é importante também reconhecer a dor pela expressão facial. Depois do tratamento realizado em ambulatório ou unidade especializada, o enfermeirao não pode esquecer- se de orientar o paciente a consulta de revisão para o acompanhamento adequado do comportamento da lesão. CUIDADOS DA ENFERMAGEM REFERÊNCIAS 1. CRUZ, B. de F.; CORDOVIL, P. B. L.; BATISTA, K. de N. M. Perfil epidemiológico de pacientes que sofreram queimaduras no Brasil: revisão de literatura. Rev Bras Queimaduras, v. 11, n. 4, p. 246-50, 2012. 2. COFEN. Lei nº 7.498/86, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 jun. 1986. Seção 1, p. 9.273 a 9.275. 3. DE CASTRO, A. N. P.; JÚNIOR, E. M. L. Desenvolvimento e validação de cartilha para pacientes vítimas de queimaduras. Sociedade Bras de Queimaduras, v. 13, n. 2, p. 103-13, 2014. Disponível em: <http://rbqueimaduras.org.br/content/imagebank/pdf/v13n2.pdf#page=19>. 4. INTERNATIONAL BEST PRACTICE GUIDELINES. Best Practice Guidelines: Effective Skin and Wound Management of Non-Complex Burns. Wounds Int, 2014. Disponível em: <http://www.woundsinternational.com/media/issues/943/files/content_11308.pdf>. 5. HAINES, E.; FAIRBROTHER, H. Optimizing emergency management to reduce morbidity and mortality in pediatric burn patients. Pediatric emergency medicine practice, v. 12, n. 5, p. 1-23; quiz 24-5, 2015. 6. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras. Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília: 2012. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_tratamento_emergencia_queimaduras.pdf>. 7. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS. PHTLS: atendimento pré-hospitalar ao traumatizado. 8. ed. Burlington: Jones & Bartlett Learning,2017. 8. SILVA, D. P. et al. Elaboração de protocolo de cuidados de enfermagem ao paciente queimado em unidades de pronto atendimento 24 horas. 2017. 30 f. Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Linhas de Cuidado em Enfermagem - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.