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CITOLOGIA ONCÓTICA

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excesso do corante ligado ao citoplasma.
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Figura 20 - Falhas na etapa de clareamento dos esfregaços.
a;b - Esfregaços hidratados. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x e 400x. Preparações citológicas 
turvas sem detalhamento das características celulares. Na fi gura b se observam gotículas de água, em outro 
plano de visão. Esse artefato técnico se deve à contaminação do xilol (solução clareadora) com água. 
2.9 Montagem dos esfregaços citológicos
 É o processo em que é aplicada uma resina sintética dissolvida em um solvente, geralmente o xilol, 
permitindo a adesão entre a lamínula e a lâmina. A ligação entre as duas protege o esfregaço da dessecação 
e diminui as chances de descoloração ao decorrer do tempo. Os meios de montagem mais utilizados no 
nosso meio são o bálsamo do Canadá e o Entellan (Merck). 
Figura 21 - Procedimento de montagem.
Uma lamínula (24x50) é fi xada à lâmina 
por meio de uma resina sintética. A lamí-
nula deve cobrir todo o esfregaço, para 
a sua “leitura” completa, minimizando os 
riscos de diagnósticos falso-negativos.
 É fundamental que o procedimento de montagem seja rápido, imediatamente após a remoção do 
esfregaço do xilol, impedindo a penetração de ar entre a lâmina e a lamínula. Quando isso ocorre, poderão 
surgir artefatos, como a presença de pigmento acastanhado recobrindo a amostra (artefato corn flakes) ou 
a formação de bolhas.
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2.8 Clareamento dos esfregaços
 O xilol, um solvente, tem a finalidade de tornar as células translúcidas, participando no processo 
do seu clareamento, ou diafanização.
2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
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Figura 22 - Artefatos decorrentes da falha na “montagem das lâminas.
a; b - Artefato corn fl akes. Esfregaços cervicovaginais. Papanicolaou, 100x e 400x. Pigmento acastanhado 
(setas) se sobrepondo às células epiteliais por falha na montagem (evaporação do xilol antes da montagem 
e aprisionamento de ar entre a lâmina e a lamínula).
c; d - Bolhas. Esfregaço cervicovaginal. Papanicolaou, 100x e 400x. Observar o aparecimento de bolhas 
(setas) devido à demora no processo de montagem com aprisionamento do ar entre a lâmina e a lamínula. 
2.10 Avaliação microscópica das amostras citológicas
 Antes de se proceder a “leitura” dos esfregaços, é fundamental a checagem das iniciais do nome 
e sobrenome da paciente e do número de registro na lâmina, confrontando-os com os dados que constam 
na ficha de cada paciente. É importante ainda observar as informações clínicas.
 Inicialmente utiliza-se a objetiva de 4x para verificar a qualidade da fixação e coloração do espé-
cime, o fundo (área ocupada entre as células), assim como a celularidade (quantidade de células), a com-
posição celular (tipos de células) e a sua distribuição. Esses aspectos são considerados no item adequabili-
dade da amostra, da Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas (Ministério 
da Saúde - Inca, 2006) adaptado do Sistema Bethesda de classificação citológica dos esfregaços cervicais 
(2001). Inclui as seguintes categorias:
 
 • Satisfatória
A amostra que apresenta células em quantidade representativa (estimativa mínima de aproxima-
damente 8.000-12.000 células escamosas) bem distribuídas, fixadas e coradas, de tal modo que a 
sua visualização permita uma conclusão diagnóstica.
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 • Satisfatória, mas limitada para a avaliação
Falta de informações clínicas. Esfregaço obscurecido entre 50% a 75% de sua totalidade por 
vários fatores, entre eles: esfregaço acentuadamente hemorrágico devido ao trauma na colheita 
da amostra, esfregaço espesso com acentuada sobreposição celular por falha na distribuição do 
material na lâmina, esmagamento das células por compressão excessiva durante a confecção do 
esfregaço, dessecação celular devido à demora na fixação ou utilização de fixador com menor teor 
alcoólico, falhas na técnica de coloração. Outras causas de exames citológicos satisfatórios, mas 
limitados para a avaliação incluem a escassez de células epiteliais no esfregaço ou a sobreposição 
acentuada das células epiteliais por exsudato leucocitário. A escassez celular pode decorrer da 
atrofia do epitélio, comum na menopausa. O acentuado exsudato purulento (leucocitário) é deter-
minado por condições inflamatórias. 
 
 • Insatisfatória 
Esfregaço acelular ou obscurecido em mais de 75% da sua totalidade pelos mesmos fatores dis-
cutidos acima. Quando um exame citológico é categorizado como satisfatório, mas limitado ou 
insatisfatório para a avaliação, deve ser repetido o mais breve possível, uma vez que o estudo 
oncológico foi comprometido ou não foi possível, respectivamente.
Figura 23 - Amostras insatisfatórias para a avaliação.
a; b - Exsudato purulento intenso. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x. Os incontáveis neutrófi los e piócitos 
recobrem amplamente as células epiteliais, impossibilitando a sua avaliação. A insistência no diagnóstico de amostras 
como essas pode levar a resultados falso-negativos, pois alterações celulares signifi cativas podem passar despercebidas.
c - Esfregaço espesso. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. A preparação não uniforme do esfregaço pode resul-
tar em áreas espessas com várias camadas de células se sobrepondo umas às outras. Quando esse artefato é difuso, com-
promete a avaliação, uma vez que as células nas camadas mais profundas não são acessíveis ao estudo.
d - Esfregaço dessecado. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. O aumento nuclear signifi cativo, a sua coloração 
acinzentada e a perda dos detalhes da cromatina refl etem a dessecação da amostra. Quando essa alteração é difusa, não é 
possível a sua avaliação. Esse tipo de artefato pode determinar resultados falso-negativos ou falso-positivos. 
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2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
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 É importante observar que a ausência dos componentes da zona de transformação (células glan-
dulares endocervicais e/ou metaplásicas escamosas) não interfere na classifi cação do esfregaço quanto a 
sua adequacidade. Contudo, deve ser registrada como uma observação à parte, para que o ginecologista 
interprete esse dado no contexto clínico da paciente.
 A avaliação inicial com a objetiva de 4x é seguida pela utilização da objetiva de 10x, realizando-se 
a leitura sistemática de todos os campos microscópicos. A objetiva de 40x é usada quando é necessário um 
maior detalhamento das estruturas celulares. 
 Para evitar a fadiga visual, é recomendado que a leitura dos esfregaços citológicos seja iniciada 
pela parte mais alta da preparação à esquerda, correndo a lâmina no sentido vertical, sobrepondo uma 
parte de cada área previamente examinada.
Figura 24 - Modelo recomendado para o rastreamento citológico. A avaliação microscópica se faz através de 
movimento em zigue-zague, com sobreposição de campos microscópicos.
2.10 Marcação dos campos suspeitos
 Quando anormalidades celulares são identifi cadas, o citotécnico deve assinalá-las para posterior 
reavaliação do citopatologista. 
 A marcação dos campos suspeitos é realizada com caneta de ponta fi na e tinta permanente (à prova 
de água). Com a objetiva de 10x, fazer um ponto acima ou abaixo da estrutura que deseja se destacar ou 
alternativamente circulá-la. A seguir, retirar a lâmina do microscópio, girá-la para a superfície contrária e 
circular o mesmo campo já marcado previamente. Com um cotonete umedecido em álcool apagar a marca 
inicial. 
Figura