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FACULDADE ESTÁCIO DE SERGIPE CURSO DE PSICOLOGIA ELIZANGELA MARIA BOMFIM PIMENTEL SILVA JÉSSICA SOUZA QUEIROZ RAQUEL MARTINS MARINS DA CRUZ PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO ARACAJU – SE 2021 PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO Atividade acadêmica solicitada pelo Professor José Luis Marques Gomes da Costa, na disciplina de Psicodiagnóstico, do curso de Psicologia do Centro Universitário Estácio de Sergipe. ARACAJU 2021 INTRODUÇÃO Trazemos aqui uma breve reflexão sobre o Psicodiagnóstico, e como essa avaliação é feita por parte do psicólogo em contexto clínico. Também iremos traçar um paralelo entre o psicodiagnóstico tradicional e o psicodiagnóstico interventivo com base nas abordagens psicanalíticas (PIOP) e na terapia cognitivo-comportamental (TCC). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Psicodiagnóstico “é um conjunto de procedimentos que tem por objetivo coletar dados para testar hipóteses clínicas, produzir diagnóstico e descrever o funcionamento de indivíduos ou grupos em situações específicas”. (Hutz – 2019) O psicodiagnóstico é uma avaliação que somente pode ser realizada por um psicólogo abalizado e em contexto clínico. No início, o psicodiagnóstico tradicional sofreu fortes influências do modelo psicométrico e behaviorista. Seu objetivo principal girava em torno do diagnóstico para identificar ou não uma patologia. Para isso, uma entrevista era aplicada e também era possível utilizar técnicas projetivas, para que assim algumas hipóteses fossem levantadas para que a investigação psicológica pudesse resultar em uma compreensão sobre a problemática do cliente. O tempo era limitado e o psicólogo não podia intervir durante o processo. Ao encerramento, o examinador fazia uma devolutiva oral para o cliente e a devolutiva escrita era elaborada para quem solicitou a avaliação. O psicodiagnóstico interventivo, conhecido também como PI, foi fundamentado na prática da psicologia clínica e teve grande influência da Psicanálise. Trouxe modificações significativas para a avaliação clínica. O objetivo do PI vai além de diagnosticar, busca também compreender o cliente em sua totalidade e vem sendo utilizado desde a década de 90. Winnicott (1971) foi o precursor desse tipo de avaliação, ressaltando a importância da confiança e identificação na relação entre o terapeuta e o cliente. O psicodiagnóstico interventivo utiliza a associação livre, contando com a colaboração ativa por parte do paciente e uma das grandes mudanças é que agora o psicólogo pode intervir durante o processo e essa intervenção pode acontecer desde o primeiro atendimento. Não há uma sequência para ser seguida e o número de sessões não é predefinido. Ferramentas do psicodiagnóstico clássico como a entrevista e as técnicas projetivas também podem ser utilizadas, porém agora para facilitar o contato entre o psicólogo e o cliente. E as devoluções acontecem durante todo o processo e não apenas no final da avaliação, ou seja, a investigação e intervenção trabalham juntas nesse processo. Obtendo assim uma avaliação mais eficaz. A partir do momento que o psicólogo começa a intervir durante o processo, essa relação entre o cliente e o psicólogo se torna cada vez mais valorizada e os significados latentes, transferenciais e contratransferências são também analisados. Porém por se tratar de um exame psicológico e não de um processo terapêutico, não são analisadas condutas do cliente como silêncios, produções espontâneas e atrasos, conforme orienta os manuais e publicações clássicas. E apesar da significativa influência da psicanálise, esse método também pode ser realizado com base em outras correntes de pensamento. ANÁLISE DAS DIFERENÇAS E DOS PRINCIPAIS CONCEITS QUE SUBSIDIAM CADA UMA DAS ABORDAGENS (PSICANALISE E TCC) “O Psicodiagnóstico Tradicional é definido como processo com tempo limitado, com o emprego de técnicas psicológicas que buscam a compreensão dos problemas, avaliação, classificação e previsão do trajeto do caso, os quais seguem as seguintes etapas: entrevista inicial, aplicação de testes com sequência específica, entrevista devolutiva e se houver necessidade encaminhar para outra área. O objetivo central seria o diagnóstico, portanto as intervenções terapêuticas são consideradas perigosas nesse momento podendo prejudicar o vínculo com o profissional e provocar o abandono pelo paciente por conta da ansiedade. O Psicodiagnóstico Interventivo busca a compreensão da personalidade, instrumentalizado pelas técnicas projetivas e a entrevista clínica. Com o objetivo de esclarecer o significado e as origens das perturbações, ênfase na dinâmica emocional do paciente e da sua família, seleção de aspectos centrais, o processo clinico recebe destaque frente ao diagnostico.” Influências da psicanálise também aconteceram, visto que a psicanálise e seus conceitos eram utilizados para a interpretação do material que era produzido pelo paciente. Sendo o psicodiagnóstico um processo de investigação, os demais aspectos de técnica e de método para fundamentar a relação entre paciente e terapeuta, no que se refere ao método psicanalítico não são incluídos. Caso houvesse maiores influências da psicanálise no psicodiagnóstico, situações como: atraso, silêncio e produções espontâneas que fossem produzidas perto dos pacientes teriam que ser aceitos o que não é o caso nos exames psicológicos, assim como orienta os manuais e publicações clássicos. Sabe se que mesmo em psicodiagnóstico tradicional, possíveis efeitos terapêuticos podem surgir no momento da devolutiva, no entanto são considerados involuntários, visto que não são bem vistos para o resultado final do trabalho. REFLEXÃO FINAL Nesse trabalho abordamos o psicodiagnóstico tradicional e interventivo. Considerando que o psicodiagnóstico interventivo é uma modalidade de avaliação psicológica no contexto clinico, que caracteriza se pela concomitância da investigação e da intervenção, tendo como objetivo diagnosticar, entender e intervir na problemática do cliente. E o psicodiagnóstico tradicional é um procedimento cientifico de investigação e intervenção clinica que emprega técnicas e/ou testes com o proposito de avaliar uma ou mais características psicológicas, sendo um processo de investigação e estudo das características e funções psicológicas de um individuo. E concluímos que o psicodiagnóstico é uma atividade profissional do psicólogo, cuja formação durante o período de graduação é essencial. REFERÊNCIAS Heck, Vanessa & Barbieri, Valeria (2016). ‘‘ Psicodiagnóstico interventivo’’ BARBIERE, V. Psicodiagnóstico Tradicional e Interventivo: confronto de paradigmas? Psicologia: Teoria e Pesquisa. Jul-Set 2010, vol. 26 n. 3, pág. 505-513.