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1 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas Sistema cardiovascular INTRODUÇÃO À EMBRIOLOGIA ♥ O aparelho circulatório é o primeiro sistema a atuar de forma eficiente no concepto. Começa a se desenvolver na 3 semana do desenvolvimento, bem precocemente, porque ele precisa crescer junto com o indivíduo em desenvolvimento. ♥ O sistema nervoso é o outro sistema que também se desenvolve precocemente, mas diferente do sistema cardiovascular, ele continua se desenvolvendo posteriormente ao nascimento, durante o primeiro ano de vida da criança. ♥ Ao nascimento o aparelho circulatório deverá estar preparado para se adequar rapidamente as mudanças súbitas no padrão circulatório de forma a passar imediatamente de uma respiração/ circulação placentar para uma respiração/ circulação pulmonar.. ♥ O sistema circulatório só vai completar o seu desenvolvimento no momento do nascimento. A base do desenvolvimento ocorre no período embrionário, mas algumas características só se dão por definitivas no nascimento. ♥ O desenvolvimento embrionário começa na fecundação que ocorre no terço distal da tuba uterina. Primeira semana ♥ Segmentação/ clivagem com a formação dos blastômeros. As células (zigoto) se dividem em 2 blastômeros, depois em 4, 8 e 16, e forma a mórula. ♥ Esse aglomerado de células puxa líquido para o seu interior e forma uma cavidade chamada de blastocele, a estrutura como um todo é chamada de blastocisto. No primeiro momento, essas células se dividem, mas não há um aumento de tamanho entre as divisões. O tamanho da mórula e do blastocisto é semelhante ao da célula ovo, e por isso a zona pelúcida se mantém e é ela que mantém os blastômeros unidos e que impede que haja implantação. ♥ No final da primeira semana, com o aumento do volume da blastocele, a zona pelúcida se rompe e no local que essa estrutura estiver, ela vai se implantar. Geralmente, com a migração através da trompa, quando a membrana pelúcida se rompe, o blastocisto se encontra já no útero e se implanta na parte superior da cavidade uterina, no processo de implantação/ nidação. Segunda semana ♥ Dois folhetos embrionários- disco bilaminar. ♥ Duas vesículas vitelínicas ♥ Dois trofoblastos: o trofoblasto descoberto tem grande poder digestivo invasivo e começa a se multiplicar, o trofoblasto que esta mais interno continua na forma de células e passa a ser chamado de citotrofoblastocitotrofoblastocitotrofoblastocitotrofoblasto. Já o que está mais externo se multiplica tão rápido que forma uma massa celular multinucleada chamada de sinciciotrofoblastosinciciotrofoblastosinciciotrofoblastosinciciotrofoblasto. ♥ Qual a importância da formação dessa diferenciação do trofoblasto? É porque a medida que ele vai digerindo a parede do útero, ele vai conseguindo alimento e vai transportando para o embrião bilaminar em desenvolvimento. Esse alimento precisa ser distribuído e por isso aparece entre o trofoblasto e a vesícula, um tecido chamado de mesoderma extramesoderma extramesoderma extramesoderma extra----embrionárioembrionárioembrionárioembrionário. É através desse tecido que o alimento absorvido pelo trofoblasto chega até o embrião. EMBRIOLOGIA 2 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ No final da segunda semana aparece uma cavidade no mesoderma extra-embrionário que é chamado de celoma extraceloma extraceloma extraceloma extra----embrionárioembrionárioembrionárioembrionário. Divide-se o mesoderma extra-embrionário em extra- embrionário visceral ou esplâncnico e mesoderma extra-embrionário somático ou parietal. O mesoderma extra-embrionário parietal/ somático + trofoblasto = córion (vai ser importante na porção fetal da placenta) ♥ Com a formação da cavidade fica um pedículo (pedaço de mesoderma) por onde as substâncias se difundem. Terceira semana ♥ Começa a formação do sistema nervoso e cardiovascular.. ♥ Forma-se a linha primitiva. ♥ Forma-se o mesoderma intra-embrionário, dentro do embrião, para ajudar a difundir substâncias. Os dois folhetos chamados de hipoblasto e epiblasto passam a se chamar ectoderma, mesoderma e endoderma. ♥ Na parede do saco vitelínico, perto do alantóide, algumas células começam a se diferenciar e a formar ilhotas sanguíneasilhotas sanguíneasilhotas sanguíneasilhotas sanguíneas. Essas ilhotas são o primeiro sinal da formação do aparelho circulatório (curiosamente, o aparelho circulatório começa a se formar fora do embrião, isso porque é o local que terá mais nutrientes no embrião). Quarta semana ♥ O que acontece de mais importante são os dobramentos cefálico, caudal e laterais. O embrião que era plano se torna cilíndrico e quando isso ocorre incorpora-se uma parte do saco vitelínico dentro do embrião, o embrião se recobre pelo saco amniótico e se misturam ectoderma, mesoderma e endoderma. A partir disso não consegue se acompanhar o desenvolvimento semana por semana. ♥ Nessa semana começa o período embrionário que dura 5 semanas, indo até a oitava semana. Nesse período forma-se o primórdio de todos os nossos aparelhos (tirando o circulatório e o nervoso que começaram na terceira semana). MESODERMA EXTRA- EMBRIONÁRIO MESODERMA EXTRA- EMBRIONÁRIO VISCERAL OU ESPLÂNCNICO (Em volta das vesículas) MESODERMA EXTRA- EMBRIONÁRIO PARIETAL OU SOMÁTICO (Aderido ao trofoblasto) 3 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas INTRODUÇÃO AO SISTEMA CARDIOVASCULAR ♥ No momento do nascimento, a placenta será retirada e o bebê precisará respirar pelo pulmão e assim haverá necessidade de uma respiração dupla, uma indo nos tecidos e uma outra indo no pulmão. Um com função de levar o sangue oxigenado aos tecidos e a outra com função de oxigenar o sangue. ♥ Devido a essa necessidade de transformação de uma respiração única através da placenta para uma respiração dupla pelos pulmões, dizem que os primeiros 60 segundos do bebê são importantíssimos para a vida, nesse momento o pulmão que nunca foi utilizado, vai ser testado através de uma circulação dupla. VASCULOGÊNESE E ANGIOGÊNESE ♥ Na terceira semana, ao redor do alantóide, ocorre a formação das ilhotas sanguíneas no mesoderma extra-embrionário. São células que começam a se diferenciar e formam aglomerados que aos poucos vão se unindo e formam pequenos cordões celulares. Com o desenvolvimento, esses cordões começam a se fragmentar na sua porção central e a formar uma luz, um tubo. ♥ As células que se desprendem da parede da ilhota para dentro da luz do tubo formam as primeiras célula sanguíneas. ♥ No momento em que as primeiras ilhotas se formam na parede do saco vitelínico, essa reação de angiogênese e vasculogênese se espalha para todo lugar onde tiver mesoderma (extra ou intra- embrionário). ♥ Estes canas vasculares são formados a partir de três áreas: 1. Do pedículo do embrião - vasos vasos vasos vasos umbilicais:umbilicais:umbilicais:umbilicais: no mesoderma extra- embrionário somático ou parietal. Esses vasos vão ser os vasos que estarão no córion, sendo chamado então de vasos coriônicos, estando nas vilosidades placentárias onde haverá trocas entre a placenta e o sangue materno. 2. Do saco vitelínico- vasos vitelínicosvasos vitelínicosvasos vitelínicosvasos vitelínicos: correm pelo revestimento do saco vitelínico,a função principal é tentar trazer nutriente do saco vitelínico para o embrião. Esses vasos cumprem essa função durante um curto espaço de tempo, depois eles degeneram. 3. Do corpo do embrião- vasos cardinaisvasos cardinaisvasos cardinaisvasos cardinais: tem como finalidade distribuir o sangue dentro do corpo do embrião. ♥ As células livres no interior das ilhotas são nucleadas (hemácias primitivas e a UFC). Essas células pluripotenciais que darãoorigem a células sanguíneas estão na vesícula vitelínica. ♥ As nossas primeiras células sanguíneas se formam nas ilhotas sanguíneas no mesoderma extra- embrionário da região do alantóide, então o primeiro estágio da formação do sangue é a fase vitelínica da formação de sangue. ♥ Quando houver a formação de baço e fígado, essas células vão migrar para esses órgãos e durante um tempo a produção de células sanguíneas será neles- fase hepatoesplêncnica. ♥ Depois da nona semana, o embrião começa a ter osso (quando vira feto) e as células pluripotenciais vão migrar de fígado/ baço para o osso, dando origem a medula óssea. A partir desse momento, o sangue será produzido dentro dos ossos. Da nona semana ao nascimento é o período fetal. Fase de medula óssea. 4 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas 3ª SEMANA DO DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO ♥ Separando o sangue da mãe do sangue do bebê há uma membrana placentária, por onde ocorrerão as trocas. ♥ Vilosidades coriônicas: → Primárias:Primárias:Primárias:Primárias: o trofoblasto invade a decídua (endométrio após a implantação) e forma projeções maciças de citotrofoblasto envolvidas pelo sincíciotrofoblasto. → Secundárias:Secundárias:Secundárias:Secundárias: projeções em que o mesoderma extra-embrionário penetra no centro da vilosidade primária. → TerciáriasTerciáriasTerciáriasTerciárias: são as vilosidades secundárias que são invadidas por um eixo central de mesênquima. Neste eixo mesenquimal, formam-se os vasos sanguíneos coriônicos. FORMAÇÃO DO CORAÇÃO ♥ Em um primeiro momento, os três sistemas de vasos vão drenar para a região chamada de área cardiogênica. O desenvolvimento do sistema nervoso vai fazer a porção anterior do embrião se curvar e vai trazer a área cardiogênica para sua região definitiva (mais inferior e anterior). Com isso teremos o posicionamento normal do sistema nervoso cranial e o coração mais inferior. ♥ A área cardiogênica é uma cavidade, porção do celoma intra-embrionário e tem uma cavidade chamada de celoma pericárdico. Quando os vasos se dirigem para essa região e se unem, formam dois vasos diferenciados, que são os tubos cardíacos. ♥ Inicialmente os tubos cardíacos possuem um revestimento endocárdico. Posteriormente migram células mesodérmicas que nessa região sofrem uma transformação diferente e formam ao redor do tubo endocárdico, um músculo estriado especial: músculo estriado cardíaco (revestimento epitelial com uma camada de tecido conjuntivo bem gelatinoso ao redor). O músculo cardíaco vai ser envolvido por tecido conjuntivo que também está sendo formado pelo mesoderma. Assim há a formação das três camadas do coração: endocárdio, miocárdio e epicárdio ou pericárdio visceral, já que temos outra camada revestindo a cavidade, o pericárdio somático ou parietal. 5 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Os vasos vitelínicos que vem do saco vitelínico vão ser incorporados ao embrião, formando um estilo primitivo, associados formação do aparelho digestório. ♥ A comunicação entre o aparelho digestório e o saco vitelínico se estreita e depois o saco vitelínico praticamente desaparece. Partes dos vasos permanecem e são incorporados pelos vasos umbilicais, que são os vasos vindos do córion. ♥ Os vasos cardinais circulam dentro do embrião. ♥ Esses três sistemas de vasos chegam aos tubos endocárdicos que formam o coração primitivo. ♥ Inicialmente, a partir do coração sai um tubo chamado tronco arterial, o qual se divide em arcos aórticos. Cada um dos arcos aórticos (ramo vascular) está dentro de um arco branquial e se ligam as aortas dorsais. ♥ Com a curvatura cefálica formam-se as 6 dobras na região cervical, os arcos branquiais denominados pela ordem de primeiro a sexto arcos branquiais (contados de cima para baixo). Estes arcos são supridos pelas artérias aórticas. ♥ O vasos aórticos formam 6 alças que interligam o saco aórtico com a aorta dorsal. ♥ Com o desenvolvimento estes arcos aórticos se modificam e se transformam nos vasos da base. ♥ Como o aparelho circulatório é formado fora do eixo mediano do nosso corpo, tudo que é formado do lado esquerdo também é formado pelo lado direito. Em um primeiro momento, a circulação do lado direito e esquerdo é igual. ♥ Com o desenvolvimento e com as flexuras do embrião, algumas estruturas de um lado e do outro se unem. É o que acontece na formação do coração, inicialmente o coração é formado por 2 tubos endocárdicos. Com as dobraduras laterais, esses tubos endocárdicos se unem e formam um coração único. Quando isso ocorre, os vasos que estavam ligados em um ou outro tubo endocárdico permanecem, mas os que estavam ligados a cada um dos tubos degeneram. Assim, passa a ter um padrão circulatório diferenciado de um lado para o outro. 6 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Isso é importante quando forem ocorrer as duas circulações, já que é preciso ter um fluxo levando sangue (artérias) e um fluxo trazendo sangue (veias). ♥ O que fica para o lado esquerdo, desenvolve-se mais um padrão arterial. ♥ O que fica para o lado direito desenvolve-se mais um padrão venoso. 7 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Inicialmente formam-se dois tubos endocárdicos porque se formam foram do meio (tudo que se forma no meio, se forma um só). ♥ Os dois tubos endocárdicos formam um coração único que recebe os sistemas de vasos. O fluxo de sangue dentro do tubo longo provoca uma dilatação, o que chamamos de átrio primitivo. Quando o sangue é empurrado, ele dilata outra porção que é chamada de ventrículo primitivo. Ao sair do coração, sai por um tubo único, se distribui pelos vasos aórticos e vai para o corpo. ♥ Posicionamento definitivo. ♥ O tubo único em que as cavidades átrio e ventrículo estão se desenvolvendo, desenvolve-se dentro de uma cavidade já existente, a cavidade pericárdica. ♥ Como a cavidade pericárdica tem um tamanho restrito, quando o coração vai crescendo para dentro, ele está preso nas extremidades, então ele não tem como se alongar. O coração que antes era tubular, vai se dobrando sobre si mesmo para se acomodar em uma cavidade restrita. Ao sofrer as dobraduras, pouco a pouco, o átrio que era inferior e o ventrículo mais superior vão se inverter. O átrio passa a ser mais superior e posterior e o ventrículo acabe vindo mais para frente e mais para baixo. FORMAÇÃO DO PERICÁRDIO PARIETAL E VISCERAL DA CAVIDADE PERICÁRDICA ♥ Pericárdio parietalPericárdio parietalPericárdio parietalPericárdio parietal: é a serosa que continua na parede. 8 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Pericárdio visceral/esplâncnico:Pericárdio visceral/esplâncnico:Pericárdio visceral/esplâncnico:Pericárdio visceral/esplâncnico: serosa que foi empurrada pelo coração. ♥ Cavidade pericárdicaCavidade pericárdicaCavidade pericárdicaCavidade pericárdica: cavidade virtual entre os dois pericárdios. Pela quantidade de líquido é quase imperceptível, mas umedece e permite que haja deslizamento entre os epitélios de revestimento. Uma serosa não gruda na outra porque tem epitélio e nem se soltam porque há essa cavidade. Por isso o coração consegue se movimentar dentro da cavidade. Derrame pericárdicoDerrame pericárdicoDerrame pericárdicoDerrame pericárdico: inflamação no pericárdio que causa o excesso de líquido da cavidade. HemopericárdioHemopericárdioHemopericárdioHemopericárdio: sangramento para dentro da cavidade. As das situações comprimem o coração e impedem que ele funcione corretamente. Fibrose:Fibrose:Fibrose:Fibrose: quando uma membrana gruda na outra.FORMAÇÃO DO TUBO CARDÍACO ÚNICO E CENTRAL ♥ As aortas dorsais vão e unir na linha média para formar a aorta. ♥ Eram dois tubos endocárdicos que se uniram e formaram um único tubo, o mesoderma ao redor forma o miocárdio (músculo cardíaco) e uma camada de tecido conjuntivo revestido de epitélio, que é o epicárdio ou pericárdio visceral. ♥ Nessa cavidade também tem a formação de um revestimento da parede que é o pericárdio parietal. ♥ Fechamento gradual do intestino anterior aproxima os campos cardíacos laterais na linha média ventral. ♥ Fusão dos campos e formação do tubo endocárdico primordial dentro de geléia cardíaca (matriz extracelular). ♥ Camada externa diferencia em miocárdio (expressão de Mef2). ♥ O mesentério ventral degrada. DOBRAMENTO DO CORAÇÃO PRIMITIVO ♥ O coração está na cavidade pericárdica preso na parte inferior pelas veiasveiasveiasveias e na parte superior pelo tronco arterialtronco arterialtronco arterialtronco arterial. ♥ O rápido crescimento do tubo cardíaco faz a cavidade pericárdica ficar pequena e por isso o coração primitivo sofre dobraduras. ♥ Como consequência o átrio que era embaixo fica em posição mais alta e posterior e o ventrículo fica na frente e em posição inferior. ♥ Fusão dos tubos cardíacos ♥ Formação do pericárdio visceral e parietal. 9 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Sem mesentério ventral, tubo cardíaco cresce e dobra para o lado direito do embrião. ♥ Convergência sobrepõe região de influxo sobre a do efluxo. ♥ Encaixamento em cunha do conotronco (tronco arterioso) divide os coxins atriais e inicia a septação atrial e ventricular. 10 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas SISTEMA VENOSO PROFUNDO ♥ A formação das veias abdominais (cava) profundas segue o princípio da simetria bilateral. Porém, na cavidade abdominal, a veia cava inferior sofre um desvio (shunt) da esquerda para a direita. ♥ O sangue desviado passa pelo fígado e vai para a veia cava que atravessa o diafragma e se abre nos seios venosos desviando o sangue da esquerda para a direita. ♥ Forma-se ainda um canal preferencial que retorna o sangue venoso pela veia cava inferior. ♥ O ducto venoso forma um atalho no fígado que permite que a maior parte do sangue da placenta vá direto para o coração, sem passar pela rede capilar do fígado. 11 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas DESENVOLVIMENTO DAS VEIAS ASSOCIADAS AO CORAÇÃO EMBRIONÁRIO ♥ As veias do lado esquerdo do corpo, antes de chegar ao coração são desviadas (shunt) para as veias do lado direito. ♥ Ao receber menos sangue, o seio venoso esquerdo fica bem menor que o seio direito. ♥ As veias que chegam ao sei venoso direito são as cavas superior e inferior. ♥ Ao átrio esquerdo chegam 4 veias vindas 2 de cada pulmão, mas que recebem pouco sangue porque o pulmão ainda não funciona. ♥ A veia vitelínica esquerda regride e a direita formará a maior parte do sistema porta hepático. ♥ As veias umbilicais levam sangue oxigenado para o pulmão. 12 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Como acontece a divisão do coração único? O revestimento interno do coração, o endocárdio, é um tecido bastante moldável. O conjuntivo que fornece sustentação para o epitélio que reveste o coração é bastante moldável. Com o fluxo sanguíneo batendo dentro dessa cavidade, as paredes vão se proliferando e vão formando relevos em seu interior. O primeiro relevo significativo que a gente observa que o coração está sendo dividido, ele aparece justamente no ponto entre o átrio e o ventrículo primitivo. ♥ Começa a se formar na parede anterior e posterior uma projeção em formato de dedo que cresce de traz pra frente e vice-versa. Depois as duas se unem e o canal entre o átrio e o ventrículo que era 13 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas um orifício único, é dividido por essa projeção. O canal atrioventricular passa a ser dois canais: canal atrioventricular direito e canal atrioventricular esquerdo. A estrutura que se forma é o primeiro sinal da divisão do coração, e é chamada de coxim endocárdico. Todo o restante da divisão do coração vai depender da formação correta do coxim. ♥ Depois que o canal atrioventricular foi dividido em dois, ou ao mesmo tempo, é preciso dividir o ventrículo em dois e o átrio também. ♥ Ao mesmo tempo que esse coxim e o septo interventricular estão se formando, o átrio também está se dividindo, mas a divisão do átrio é mais difícil. Divisão do ventrículo ♥ O fluxo de sangue que passa pelo canal atrioventricular agora dividido em dois ganha velocidade, pressão. Assim, ele bate no fundo do ventrículo, e ao ficar batendo repetidamente, ele estimula o músculo cardíaco a se proliferar, formando uma estrutura em forma de lâmina que vai descendo do fundo do ventrículo ao coxim, dividindo o ventrículo em 2. ♥ O septo é muscular e é chamado de septo interventricular. ♥ O septo não chega até o coxim, par antes. Assim, há duas bolsinhas, uma de cada lado, que se comunicam entre si por um orifício, o forame interventricular. ♥ Com o passar do tempo, o coxim prolifera e forma uma prega membranosa de tecido conjuntivo que vai separar definitivamente um ventrículo do outro. Logo, o septo interventricular é formado por uma porção muscular e uma membranosa. Pode ter um erro na divisão e não formar a porção membranosa, mas a comunicação vai continuar, a CV (comunicação interventricular). Divisão do átrio ♥ Cresce da porção mais cranial, dorsal do átrio, um septo em forma de meia lua/ lâmina, em direção ao coxim endocárdico que estará se formando. ♥ Como ele será o primeiro que está ali se formando dentro do átrio, ele é chamado de septo primeiro. A medida que esse septo cresce em direção ao coxim, o átrio vai sendo separado mas a comunicação entre os dois continua. Essa comunicação inicial, como é a primeira comunicação entre os átrios depois da formação do septo, ela é chamada de forame primeiro/ forame primo. ♥ A medida que esse septo vai crescendo em direção ao coxim, o forame primo vai se fechando, mas como não se quer perder a comunicação entre os átrios, a medida que ele vai se fechando vão se abrindo orifícios na parte superior desse septo primeiro, e se forma um segundo forame, o forame segundo. ♥ Ao mesmo tempo que isso está acontecendo, na porção do lado direito, forma-se um septo segundo, também no formato de meia lua e cresce da porção ântero-cranial em direção ao coxim. Ele não cresce até o coxim, também para antes, e fica u orifício, o que chamamos de forame oval. ♥ Parte desse septo primeiro degenera e fica somente uma lâmina. Isso cria uma comunicação entre o átrios como um sistema de válvulas. Quando o sangue chega ao átrio direito com pressão, ele passa pelo forame oval, consegue empurrar o pedaço de septo primo e cai no átrio esquerdo. Se a pressão nesse for maior, o septo primo encosta no forame oval e não deixa ele voltar. ♥ Isso é um dos truques para manter a circulação como única durante a vida uterina, mas que no momento do nascimento pode se fechar e separar um átrio um do outro. Logo, o que acontece logo após o nascimento é o fechamento do forame oval. 14 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas 15 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas 16 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ O forame oval funciona como uma válvula, a abertura dele ocorre quando a pressãoé maior do lado direito do que no lado esquerdo. O seu fechamento ocorre quando a pressão do lado esquerdo é maior do que a do lado direito. ♥ A septação do nosso coração em dois: → Coxim endocárdico divide o canal atrioventricular em esquerdo e direito. → Ventrículo ta formando, a partir de uma formação de um septo interventricular, um septo muscular espesso entre os dois ventrículos. → Átrio dividido em dois, mas a comunicação é mantida.. 17 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas ♥ Cordoálias: projeções do revestimento interno do coração para dar ancoragem ás lâminas das válvulas. ♥ No momento em que se divide o ventrículo em dois, é preciso dividir o tronco arterial em dois também. ♥ A divisão do tronco arterial é uma lâmina em espiral, por isso parece que a pulmonar está enrolada na aorta. Isso para que o coração jogue sangue para o corpo todo, e não que cada lado tenha sua circulação separadamente, Essa divisão espiral faz com que seja possível a abertura de vasos. ♥ Essa divisão espiral precisa terminar exatamente em cima do septo membranoso do ventrículo para a aorta ficar no ventrículo esquerdo e a pulmonar n ventrículo direito. ♥ Tinham 6 pares de arcos abrindo de um lado e do outro. Quando divide-se isso em espiral, consegue-se usar alguns desses ramos para formar o tronco da artéria pulmonar e a maior parte dos ramos para se ligarem a aorta. → Por exemplo, o 3 arco aórtico, tanto o ramo esquerdo quanto o direito vão poder se abrir no mesmo vaso que a aorta, formando vasos para o lado direito e para o lado esquerdo. CIRCULAÇÃO FETAL ♥ Átrio esquerdo > do ventrículo esquerdo é bombeado pela aorta > pólo cefálico > desce pela aorta > divide-se nas ilíacas esquerda e direita. > desviado pelas artérias umbilicais até a placenta > oxigenação na placenta > sangue volta > parte fica dentro do fígado e outra é desviada pelo ducto venoso > átrio direito > o sangue que sobra se mistura com o sangue que vem da cava superior > ventrículo direito > impulsiona o sangue pela pulmonar > sangue desviado pelo canal arterial par aorta > segue o ciclo. ♥ Sai um ramo da ilíaca, temos somente enquanto estamos dentro da barriga da mãe, que são as artérias umbilicais (são duas). ♥ As artérias umbilicais passam do lado da futura bexiga, passam pelo cordão umbilical e vão até a placenta, formam uma rede de capilares onde há troca com a placenta. Esses capilares se unem, formam vênulas, veias e voltam como vaso único, a veia umbilical. ♥ A veia umbilical leva um sangue bastante oxigenado. ♥ Se o sangue da veia umbilical passar pelo fígado, ele irá gastar todo o oxigênio. Para isso não acontecer, uma parte do sangue vai para o metabolismo hepático e a outra parte (que é a maior) vai ser desviada pelo ducto venoso, passa dentro do fígado sem participar do metabolismo hepático e chega a veia hepática inferior. ♥ O sangue que vem da cava inferior chega com pressão ao átrio direito, bate no forame oval e passa para o ventrículo esquerdo que irá distribuir o sangue. ♥ Também há o retorno venoso, que ocorre nesse sangue e que vem da veia cava superior que cai no átrio e não pressiona o forame oval. Cai no ventrículo direito, esse se contrai e joga para a pulmonar, mas o pulmão está colabado, então a pressão de resistência é enorme e pouquíssimo sangue consegue passar. O sangue que sobra é desviado para a aorta através do canal arterial (comunicação entre a pulmonar e a aorta). 18 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas 19 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas CIRCULAÇÃO PÓS-FETAL ♥ A placenta saiu, logo precisa dividir a circulação em duas, precisa fechar o ducto venoso, o forame oval e o canal arterial. Se não fechar, depois que nascer a pressão maior é do lado esquerdo, então ele vai se desenvolver e depois vai ficar mais espesso que o direito. ♥ Aorta > pulmonar > encher o pulmão de sangue > aumenta a pressão de sangue no pulmão, o que prejudica a circulação. ♥ A expansão do pulmão + presença de oxigênio + substâncias que serão liberadas no momento do nascimento (prostaglandinas) = canal arterial se fecha. DOENÇAS CONGÊNITAS DO CORAÇÃO Nascer com comunicação interventricular ♥ Prejudicial porque vai passar sangue de um lado para o outro, vai sobrecarregar o lado direito depois do nascimento. ♥ O septo membranoso não formou direito. 20 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas Nascer com comunicação interatrial ♥ Pode ser de forame primo ou forame oval Persistência de canal arterial ♥ As vezes precisa de medicamentos a base de prostaglandinas para fechar ou cirurgia. Tetralogia de Fallot ♥ Ocorre quando a divisão do tronco arterial ocorre de forma muito desigual. ♥ 4 alterações: → Estenose de válvula pulmonar → Hipertrofia do ventrículo direito → Comunicação entre ventrículos → Dextroposição da aorta (aorta abre no ventrículo direito ao invés do esquerdo) Dextrocardia ♥ O coração se desenvolve para o lado oposto, se desenvolve para o lado direito do mediastino. ♥ Ocorre durante o movimento de dobraduras. Transposição de grandes artérias ♥ Ocorre durante a divisão do tronco arterial, a aorta e origina do ventrículo direito e a pulmonar do esquerdo, resultando em circulações pulmonare e sistêmicas paralelas e independentes. 21 Maria Eduarda Sardinha Estrella 58 – 2025.2 Embriologia e Histologia dos sistemas Coarctação da aorta ♥ Estreitamento na luz da aorta. ♥ Provoca hipertensão das extremidades superiores, hipertrofia do ventrículo esquerdo e má perfusão de órgãos abdominais e extremidades inferiores. Ectopia cardíaca ♥ Malformação congênita rara em que o coração fica fora da cavidade torácica do recém nascido. ♥ Pode estar na superfície externa anterior ou deslocado para a cervical ou para o abdômen.