A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
260 pág.
Aspectos Comportamentais da Gestão de Pessoas

Pré-visualização | Página 11 de 50

De acordo com Schacter (2003) a nossa mente comete peca-
dos, esquece e lembra em função de imperfeições e muitas vezes é impossí-
vel reduzir ou evitar esses efeitos.
Os sete pecados da memória citados por Schacter (2003) são: transitorie-
dade, distração, bloqueio (que são englobados na categoria pecados de 
omissão), atribuição errada, sugestionabilidade1, distorção e persistência 
(que são englobados na categoria pecados de memória por erro de 
atribuição).
1 Influências externas nas 
nossas recordações.
50
O indivíduo na organização
No quadro a seguir apresentamos um resumo dos pecados da memória 
causados por omissão:
Quadro 1 – Tipo de pecado de memória por omissão
Tipo de pecado de 
memória por omissão Características Exemplos
Transitoriedade
A memória se enfraquece 
através do tempo; incapaci-
dade de reter a informação.
Bill Clinton apresentou lapsos de memória 
no seu depoimento sobre o relacionamen-
to com Monica Lewinski – ele reconhecia 
que teve encontros, mas não sabia detalhar 
quantos. Seus acusadores chamaram de 
lapsos convenientes.
Distração
É uma quebra da conexão 
entre a atenção e a me-
mória. Nesse contexto, a 
atenção dividida também 
é considerada uma espécie 
de cegueira para a mudan-
ça. Os estudos sugerem que 
com a idade essa cegueira 
fica mais pronunciada.
Colocar os óculos em lugar errado e ter di-
ficuldade para achar. Outro exemplo clás-
sico é o experimento de Simons e Chabris 
apud Schacter (2003) em que a instrução 
é acompanhar um jogo de bola na tela e 
contar quantos lances observaram. No en-
tanto, durante a jogada aparece uma pes-
soa fantasiada de gorila. Concentradas em 
contar os lances da bola apenas metade 
dos participantes do experimento irão ver 
o gorila.
Bloqueio
Tentativa frustrada de bus-
car uma informação na me-
mória.
Um exemplo curioso realizado por Baker 
apud Schacter (2003) em que os participan-
tes tiveram que memorizar sobrenomes e 
profissões. Acontece que as palavras eram 
as mesmas em inglês: Potter – sobrenome; 
potter (oleiro); Baker e baker (padeiro). O 
resultado revelou que as pessoas memori-
zam mais facilmente profissões do que no-
mes. Alguns autores comentam que a falta 
de atributos associados aos nomes é que 
dificulta a associação e a memorização.
Como podemos perceber, a memória tem uma contribuição importante 
nas distorções de percepção.
Modelo do observador e a tomada de decisão
Modelo do observador
Quando estudamos a percepção humana, é importante conhecer referen-
ciais que permitam compreender o fenômeno (a percepção). O modelo do ob-
servador é um referencial que atende a essa necessidade. Alguns autores se 
destacam nesse estudo, dentre eles Humberto Maturana e Rafael Echeverría.
(S
C
H
A
C
TE
R,
 2
00
3.
 A
da
p
ta
do
.)
O indivíduo na organização
51
Outro filósofo da atualidade, Ken Wilber, discorre sobre as diferentes per-
cepções individuais. Para esse autor, cada ser humano tem suas próprias es-
truturas, sua história peculiar que influencia e governa o que ele pode com-
preender e o que ele vai ser em mundo supostamente “único” que está ali à 
sua volta (WILBER, 2006).
Isso significa que cada pessoa observa o mundo de forma particular e 
única. A área da Filosofia que se dedica ao estudo das diferentes interpreta-
ções da realidade pelo ser humano chama-se ontologia da linguagem.
Ontologia significa a nossa compreensão genérica do que é ser humano. 
Nessa abordagem a linguagem representa um papel importante na com-
preensão de como damos significado ao que acontece. Quando atuamos 
também observamos a nossa forma de atuação e essa observação pode ser 
analisada em diferentes níveis de profundidade.
Para explicar esses diferentes níveis de análise e aprendizagem foi desen-
volvido o modelo do observador. Argyris (1993) foi o precursor desse refe-
rencial de análise, ampliado por Echeverría (2008), envolvendo os seguintes 
elementos:
Observador Ação Resultado
1.ª Ordem
2.ª Ordem
3.ª Ordem
(E
C
H
EV
ER
RÍ
A
, 2
00
8.
 A
da
p
ta
do
.)
1 – O observador representa cada indivíduo enquanto age.
2 – A ação é a forma como ele responde ao que observa.
3 – Resultado é a interpretação que pode ser percebida de diferentes 
maneiras.
52
O indivíduo na organização
Um exemplo que pode ilustrar esse processo é o de João (observador) 
que foi ao cliente oferecer e demonstrar um produto (ação). Ao final da reu-
nião o cliente agradeceu e não manifestou o menor interesse em adquirir o 
produto (resultado). Podemos aqui ilustrar algumas maneiras de João res-
ponder a essa situação:
Voltar ao escritório e dizer para seu chefe que o cliente não sabe o que 1. 
quer e não vê razão para manter esse tipo de cliente em sua carteira de 
atendimento. Nessa situação, João coloca a culpa no cliente e em ne-
nhum momento reflete sobre o seu comportamento. Aprendizagem 
de primeira ordem.
João pode refletir com seu chefe sobre como contribuiu para esse 2. 
resultado. Esse raciocínio é chamado de aprendizagem de segun-
da ordem porque João assumiu a participação no processo e pode 
pensar em mudar sua postura e criar uma nova forma de abordar o 
cliente. 
João não só revê seu papel enquanto prestador de serviço como tam-3. 
bém reflete mais profundamente sobre o significado de prestar ser-
viços em todos os seus espaços existenciais (em casa, socialmente), o 
que pode gerar oportunidade para uma transformação mais profun-
da no tipo de observador (profissional e ser humano) que João é. Ele 
mudou enquanto observador do mundo. Aprendizagem de terceira 
ordem – transformacional.
O ser humano oferece um sentido próprio às diferentes situações com 
as quais se depara e, assim, constrói diferentes interpretações sobre a reali-
dade. De acordo com Echeverría (2008, p. 40): “não sabemos como as coisas 
são, sabemos apenas como elas são observadas”.
Domínios primários do observador
A forma como o ser humano se constitui em um observador particular, 
fundamenta-se em três domínios primários: linguagem, corpo e emoção 
(ECHEVERRÍA, 2002).
A linguagem é, sobretudo, o que faz dos seres humanos o tipo particular 
de seres que são, pois além de permitir falar sobre “as coisas”, a linguagem faz 
com que as “coisas” aconteçam.
O indivíduo na organização
53
A linguagem é geradora de novas realidades, portanto é ação. Não so-
mente falamos das “coisas”, alteramos o curso dos acontecimentos. Os seres 
humanos se criam a si mesmos na linguagem e através dela. Através da lin-
guagem é que conferimos sentido à nossa existência e é também a partir da 
linguagem que nos é possível reconhecer a importância dos outros domí-
nios não linguísticos, como o corpo e a emoção.
O corpo é o meio como o ser humano estabelece contato com a realidade. 
As expressões corporais são aprendidas e influenciadas pelo meio ambiente 
e pela cultura em que ele está inserido, portanto, todo movimento corporal 
tem um significado.
“Fisicamente, o corpo humano tem uma rica linguagem própria, e fala. Ele 
se manifesta na tensão arterial, no ritmo cardíaco, na temperatura, no equi-
líbrio, na regularidade respiratória ou digestiva, no cansaço, na disposição 
etc.” (MIRANDA, 2007, p.12).
As pessoas se manifestam através do seu corpo, refletindo a intensidade 
e natureza das emoções vividas como: medo, alegria, tristeza, desânimo e 
outras. Isso é como uma linguagem que pode ser lida. De acordo com Wolk 
(2008, p. 132), “essa é uma atitude, um modo de estar e de relacionar-se 
apoiado em um corpo que implica um modo de respirar, de perceber, de 
sentir, de responder etc.”
A emoção, de acordo com Maturana (2002), é a disposição corporal para o 
agir e, segundo Echeverría (2008), nos constitui em observadores diferentes. 
Distintos estados emocionais nos predispõem a observar certos eventos e a 
não observar outros. Uma pessoa tranquila observará coisas diferentes do 
que observa uma pessoa assustada, com medo, e o mesmo pode-se dizer a 
respeito de qualquer emoção.
A diferença que as emoções estabelecem no indivíduo

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.