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Dentro dos troncos dos nervos periféricos as fibras são envolvidas pelo tecido colágeno. São três as bainhas conjuntivas que entram na constituição de um nervo: - Epineuro: envolve todo o nervo e emite septos para seu interior - Perineuro: envolve os feixes de fibras nervosas - Endoneuro: trama delicada de tecido conjuntivo frouxo que envolve cada fibra nervosa. As bainhas conjuntivas conferem grande resistência aos nervos sendo mais espessas nos nervos superficiais, pois estes são mais expostos aos traumatismos. O exame ELETRONEUROMIOGRÁFICO tem sua principal indicação no diagnóstico topográfico, etiológico e prognóstico das afecções do sistema nervoso periférico e no diagnóstico diferencial entre afecções neurogênicas, miopáticas e da junção neuromuscular. A ENMG divide-se em duas partes: o estudo da condução nervosa ELETRONEUROGRAFIA (ENG) ELETROMIOGRAFIA DE AGULHA (EMG). ENMG fornece informações no tempo real do que está ocorrendo no nervo e no músculo, e em conjunto com os exames de imagem auxiliam no correto diagnóstico das afecções neuromusculares. O ESTUDO ELETRODIAGNÓSTICO é utilizado para fornecer o diagnóstico correto; localizar o nível lesional; conciliar o tratamento com a correção diagnóstica; fornecer informações a respeito do prognóstico. INDICAÇÃO : ENMG quando se depara com diminuição da sensibilidade (hipoestesia); sensação de choques e formigamento (parestesias); dores (algias); fraqueza (paresia); fadiga precoce; incoordenação (ataxia); diminuição da massa muscular (amiotrofia), câimbras e ou fasciculações; reflexos profundos diminuídos ou abolidos (hipo ou arreflexia miotática) Exemplos de possíveis locais lesionais e o diagnóstico diferencial mais comumente encontrados incluem: • CORNO ANTERIOR DA MEDULA: esclerose lateral amiotrófica; • RAÍZES: radiculopatia cervical ou lombossacral; • PLEXOPATIAS: síndrome de Parsonage Turner ou desfiladeiro torácico; • AXONAL: neuropatia tóxica e ou autoimune (PRN axonal – AMSAN); • DESMIELINIZANTE: metabólica (diabetes mellitus), autoimune (PRN – síndrome Guillain Barré), degenerativas (CMT – I); • JUNÇÃO NEUROMUSCULAR: miastenia gravis, síndrome Lambert-Eaton, botulismo; • MUSCULAR: polimiosite, distrofias musculares, paralisia periódica. Com o objetivo de obter o máximo de informações e realizar a ENMG com o mínimo de desconforto para o paciente é importante ter em mente a sequência temporal dos eventos que ocorrem quando o nervo responde a uma lesão. Se o exame for realizado muito precocemente poderá ser FALSO-NEGATIVO. Reinervação axonal tem um ritmo de crescimento de cerca de 1mm por dia (cerca de 2,5cm por mês) e está sendo realizado um estudo serial para o prognóstico, será necessário espaçar o tempo da ENMG de acordo com a taxa de regeneração axonal. FIBRAS EFERENTES VISCERAIS ESPECIAIS Músculos mímicos, m. estilo-hióideo e ventre posterior do digástrico. FIBRAS EFERENTES VISCERAIS GERAIS (SNA / P) Inervação das glândulas lacrimal, submandibular, sublingual NERVO INTERMEDIÁRIO DE WRISBERG (SENSITIVO) FIBRAS AFERENTE VISCERAIS ESPECIAL Gustação nos 2/3 ant. da língua FIBRAS AFERENTES VISCERAL GERAL Parte posterior das fossas nasais Face superior do palato mole FIBRAS AFERENTES SOMÁTICO GERAL Parte do pavilhão auditivo Meato acústico externo (mús.. Estapédio sons altos) RAMO TEMPORAL OCCIPITOFRONTAL ORBICULAR DO OLHO (sup) SUPRA-CILIAR (CORRUGADOR DO SUPERCÍLIO) TÊMPORO-PARIETAL, AURICULAR ANTERIOR E SUPERIOR, RAMO ZIGOMÁTICO ORBICULAR DOS OLHOS (INF), MÚSCULO ZIGOMÁTICO MAIOR E MENOR PRÓCERO LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR MÚSCULO NASAL LEVANTADOR DO ÂNGULO DA BOCA ABAIXADOR DO SEPTO NASAL. RAMO BUCAL BUCINADOR MÚSCULOS DO LÁBIO SUPERIOR PARTES SUPERIORES DO ORBICULAR DA BOCA FIBRAS INFERIORES DO LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR. RAMO MARGINAL DA MANDÍBULA RISÓRIO LÁBIO INFERIOR E DO QUEIXO MENTONIANO RAMO CERVICAL PLATISMA DIGÁSTRICO 1° NM: DESCE PELO GIRO PRÉ-CENTRAL, E VAI ATÉ A PONTE NÚCLEO DO FACIAL (TRACTO CÓRTICO-NUCLEAR) 2° NM: SAI DA PONTE E RAMIFICA-SE PARA A FACE. • NÚCLEO DO 2°NM, ESTÁ LOCALIZADO NA PARTE INFERIOR DA PONTE, A FIBRA SE DIRIGE SUPERIORMENTE FORMANDO O JOELHO INTERNO E APRESENTA ORIGEM APARENTE NO SULCO BULBO-PONTINO. RAIZ MOTORA RAIZ SENSITIVA •NÚCLEO DO 2° NM PARTE SUPERIOR DA PONTE, NO FASCÍCULO SOLITÁRIO (RESPIRATÓRIO E VASOMOTOR) EMERGE DA PONTE A NÍVEL DO SULCO BULBOPONTINO LESÃO DE 1° NEURÔNIO MOTOR (PARALISIA SEGUIDA POR HIPERTONIA) LESÕES SUPRANUCLEARES LESÃO DE 2° NEURÔNIO MOTOR (PARALISIA) LESÕES INFRANUCLEARES SUPRA-NUCLEAR ATINGE O TRACTO CÓRTICO-NUCLEAR (ACIMA DO NÚCLEO DO NERVO FACIAL NA PONTE) LESÃO DE 1° NM, ACONTECE APENAS NO ANDAR INFERIOR DA HEMIFACE, LADO CONTRA-LATERAL. OCORRE DEVIDO A INERVAÇÃO BICORTICAL DO RAMO TEMPORO- FACIAL ISQUEMIA, HEMORRAGIA, TUMORES, TCE, ABCESSO CEREBRAL E PROCESSOS INFLAMATÓRIOS (MENINGITES E ENCEFALITES) ETIOLOGIA ◦ Paralisia do andar inferior da hemiface contra-lateral a lesão. ◦ Sinal orbicular de revillioid (Impossibilidade de fechar o olho) ◦ Desvio da comissura labial ◦ Bocal oval de pitres ◦ Hemiplegia do mesmo lado ◦ Contratura do lado lesado ◦ Começa hipotônico e desenvolve a hipertonia Pacientes com quadro agudo de paralisia facial periférica e sem um diagnóstico etiológico definido mesmo com investigação convencional clínica, laboratorial e de imagem. Descrita pela primeira vez em 1821 pelo britânico Sir Charles Bell, a paralisia de Bell (PB) consiste na paralisia do sétimo par craniano (nervo facial) de forma AGUDA, sem causa detectável, caracterizada clinicamente desde paresia facial unilateral e dor retro auricular até diminuição da sensibilidade gustativa e alterações de produção lacrimal. LESÃO DO NÚCLEO OU ABAIXO DO NÚCLEO LESÃO DE 2° NM, ATINGE A HEMI-FACE • INÍCIO SÚBITO : Dor retro-auricular, hipoestesia, e hiperacusia •RECUPERAÇÃO - 80% - 30-60 dias Paralisia Facial de Bell (periférica idiopática) Corresponde de 60% a 75% de todas as causas de paralisia facial. Incidência é maior em MULHERES GRÁVIDAS (45 casos por 100.000). A incidência anual de paralisia facial idiopática varia amplamente, desde 11,5 até 40,2 casos a cada 100 mil habitantes. Há alguns picos de incidência entre os 30 e 50 anos de idade e 60 e 70 anos. Paralisia facial periférica idiopática Sua causa é desconhecida (Peitersen, 2002) Evidencias crescentes sugerem que a causa principal é a reativação do vírus Herpes latente no gânglio do nervo facial (Diego, 1999; Holland, 2004; Valença, 2001) “paralisia facial herpética” ou “paralisia facial viral” (Stafell, 2005) Como o vírus danifica o nervo facial é incerto (Gilden, 2004) TRAUMA: FRATURAS, CIRÚRGICO TUMORES: GLOMUS JUGULAR, COLESTEATOMAS, NEURINOMAS INFECCIOSAS: OTITE MÉDIA, SÍNDROME DE RAMSAY-HUNT (PARALISIA DE BELL) A Síndrome de Ramsay Hunt típica caracteriza-se por paralisia facial periférica associada a erupções vesiculosas sob base eritematosa no pavilhão auricular ou cavidade bucal. É causada pela reativação do Vírus do Herpes Zoster no gânglio geniculado, com uma ocorrência maior em idosos ou imunodeprimidos O tratamento atual inclui AGENTES ANTIVIRAIS E ESTERÓIDES. Valaciclovir 500mg / Prednisona 1mg/Kg/dia/ colírio lubrificante (Systane Ul®) / tampão ocular a noite e analgésico (Tramal®) enquanto houvesse dor A síndrome de Ramsay Hunt é uma condição rara da infecção pelo Vírus Herpes Zoster e de difícil diagnóstico, sendo a história clínicae exame físico o padrão para o diagnóstico. LESÃO DO FORAME ESTILOMASTÓIDEO: PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA DE BELL Paralisia da hemiface homolateral ( Face assimétrica ) Apagamento das rugas frontais Apagamento do sulco nasolabial Desvio do septo nasal (lado sadio) Desvio da comissura labial (lado sadio) Ausência do reflexo córneo Não assovia e não sopra LAGOFTALMIA (Olho mais aberto do que o normal) EPÍFORA, ou lágrimas de crocodilo – lacrimejamento pelo meio do olho (bochecha) SINAL DE BELL (olhos fechados, o lado acometido mantém o olho aberto e o olho gira para cima e para fora SINAL DE NEGRO – olhar para cima sem movimentar a cabeça, lado acometido apresenta apenas a esclerótica (movimento exagerado) HIPOALGESIA do dorso da orelha LESÃO NO AQUEDUTO DE FALÓPIO (CANAL FACIAL) QUADRO CLÍNICO DA PARALISIA FACIAL DE BELL + AGEUSIA (2/3 anteriores da língua, lado acometido) HIPERACUSIA (dor a sons graves) Alterações das secreções salivares e lacrimais LESÃO NO GÂNGLIO GENICULADO DE FALÓPIO (CANAL AUDITIVO INTERNO) QUADRO CLÍNICO DA PARALISIA FACIAL DE BELL + Alterações lacrimais e salivares AGEUSIA (gustação comprometida) LESÃO NA PONTE Somente raiz motora de BELL CAUSAS: Cirurgias (plástica, dentária, da glândula parótida) DIPLEGIA FACIAL (LESÕES NUCLEARES) PONTE Afeta toda a face OU DUAS HEMIFACES. EX: Guillain barré, Polirradiculites e Hanseníase Anamnese: •Causa da Paralisia, •Quanto tempo, tratamento, medicação •História da doença atual NO EXAME FÍSICO DEVE-SE OBSERVAR : REAÇÕES MOTORAS •Assimetria de face •Apagamento dos sulcos e rugas do lado lesado •Comissura labial desviada para baixo •Narinas estreitadas não se dilatando na Inspiração e desvio do septo nasal •Repuxamento da fisionomia para o lado sadio •A pele de uma hemiface parece mais lisa •Supercílio parece mais flácido •Presença de epifora e Lagoftalmia •Sorriso e fala não acompanham o lado sadio •Mucosa dos lábios estreitada SINCINESIA Contração associada não desejada de um músculo ( ex. fechar o olho ao sorrir / contração do lábio ao piscar ) São estereotipados e reflexos durante a contração voluntária ou induzida. Ocorrem mais frequentemente após a paralisia periférica SINCINESIA é atribuída à hiperexcitabilidade ou à regeneração aberrante das fibras nervosas. A completa recuperação da paralisia é frequentemente impedida pela sincinesia que pode ser agravada pelo uso da eletroterapia inadequada. AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES • Sinais característicos •Funções Reflexas •Funções Motoras Viscerais (secreção glandular) •Função Sensitiva Somática (paladar ) •Função Motora Somática (mímica facial) •Função da Mastigação e Fala • Alergias • Herpes Zoster e simples • Erupções • Melanomas •Cicatrizes e queimaduras • Ulcera na boca e olhos • Esclerodermia (espessamento com endurecimento) •Adenoma Sebáceo ( bochechas, nariz, queixo ) •Sinais de instabilidade vaso-motora e deficiência vascular periférica ASPECTO DA PELE SINAIS CARACTERÍSTICOS ➢ LOGOFTALMO ( um olho aberto e outro fechado e a pálpebra inferior do lado paralisado forma uma concha onde a lagrima é coletada) incapacidade de fechar o olho ➢SINAL DE BELL ( desvio do globo ocular para cima e para fora quando não consegue fechar a pálpebra) rotação superior dos olhos ➢SINAL DE NEGRO ( maior elevação do olho do lado lesado ao olhar para cima - desnivelamento dos globos oculares e a íris fica quase encoberta ) Quando o paciente procura olhar para cima o globo ocular do lado paralisado excursiona mais no sentido vertical que o do lado são ➢SINAL DE REVILLIOID (incapacidade de fechar somente o olho do lado lesado ) ➢BOCA OVAL DE PITRES (abre a boca e evidencia a assimetria da comissura labial ovalada e obliqua) REFLEXOS FACIAIS O paciente devera manter os olhos fechado. O terapeuta deve anotar a primeira reação: ➢ REFLEXO MASSETERINO Percussão do martelo sobre o polegar ,na Percussão do martelo sobre o polegar no músculo do paciente que esta de boca aberta...reflexo de elevação da mandíbula. ➢REFLEXO NASOPALPEBRAL: Percussão entre as sobrancelhas...fechamento dos olhos ➢REFLEXO CORNEO – PALPEBRAL :Excitação da córnea... Fechamento do olho do lado sadio SENSIBILIDADE ➢TATIL Usar um algodão ou pincel de cerdas suaves ➢DOLOROSA ➢ ALGESIA ➢HIPERACUSIA ➢TERMICA / TERMOESTESIA ➢VIBRATORIA / PALESTESIA Usar vibrador em alguma proeminência óssea ➢LOCALIZAÇAO TATIL Usar o algodão para que o paciente identifique o local tocado. ➢AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES MOTORAS SOMÁTICAS OS MÚSCULOS DA EXPRESSÃO FACIAL ➢CORTICOTERAPIA ➢Prednisona (Grau B) • Proteção ocular • Óculos escuros, • Lubrificação • Adesivo de oclusão noturna. • Banho -xampu, sabonete •TERMOTERAPIA (CALOR SUPERFICIAL) • Lado sadio (encurtamentos musculares) • promover relaxamento •MASSOTERAPIA • Ascendente do lado lesado • Descendente do lado sadio (equilibrar tônus) •CRIOESTIMULAÇÃO associada com CINESIOTERAPIA • Gelo • 3 a 5 repetições • Pode ser combinado com o Kabat •CINESIOTERAPIA •FNP (Kabat) •Iniciar com resistência no lado sadio (irradiação) •Em frente ao espelho •Balão de soprar, língua de sogra ELETROTERAPIA*** sem eficiência (Revisão Cochrane) • Eletroestimulação (galvânica ou farádica) • FES Pode ser utilizado em fases crônicas, quando não há recuperação espontânea após os 6 meses. • Não recomendado em fase aguda ou subaguda • US – Pulsátil (crônica) reduzir contraturas