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Resumo Imunologia - parte 15

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isquêmica irreversível 
Todo esse processo é mediado por anticorpos IgM 
específicos para antígenos ABO. Desse modo, devem 
ser realizados testes e tipagem sanguínea para prevenir 
doações entre pacientes com sangue incompatível. 
A reação imune também pode ser mediada por IgG 
contra aloantígenos MHC do doador ou contra 
aloantígenos expressos sobre as células endoteliais. Tais 
anticorpos geralmente surgem como um resultado de 
uma exposição anterior a aloantígenos através de 
transfusão sanguínea, transplante anterior ou 
gravidezes múltiplas 
Obs: um possível mecanismo de resistência a esta 
rejeição é um aumento na expressão de proteínas 
reguladoras do complemento em células endoteliais do 
enxerto 
 
REJEIÇÃO AGUDA 
Ocorre dias ou semanas após o transplante, é um 
processo de lesão do parênquima e dos vasos 
sanguíneos do enxerto mediada por células T 
alorreativas e anticorpos. O tempo para início da 
rejeição aguda reflete o tempo necessário para gerar 
células T efetoras alorreativas e anticorpos em resposta 
ao enxerto. A rejeição pode ser celular ou humoral, mas 
ambos normalmente coexistem 
I. Celular: ocorre pela inflamação causada por 
citocinas produzidas por células T auxiliares e a 
morte mediada pelos CTLs das células do 
parênquima do enxerto e células endoteliais. Os 
infiltrados de linfócitos e macrófagos podem 
envolver os túbulos (tubulite), com necrose tubular 
associada e os vasos sanguíneos (endotelialite), com 
necrose das paredes vasculares dos capilares e 
pequenas artérias. Podem ser células T auxiliares 
CD4+ (as células Th1 secretoras de TNF e de células 
Th17 secretoras de IL-17; ambos os tipos 
contribuem para a ativação de macrófagos e 
endotélio e para o dano inflamatório ao órgão) ou 
CTLs CD8+ 
✓ Tempo: minutos a horas 
✓ Caracterizada pela oclusão trombótica da 
vasculatura do enxerto 
✓ Mediada por anticorpos preexistentes que 
reconhecem antígenos endoteliais do doador 
o Antígenos ABO 
o Aloantígenos proteicos → MHC → 
células endoteliais 
IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 17) Gabriela Chioli Boer – T9 
II. Humoral: os aloanticorpos causam rejeição aguda 
por ligação a aloantígenos, principalmente 
moléculas HLA, em células endoteliais vasculares, 
causando lesão endotelial e trombose intravascular 
que resultam na destruição do enxerto 
A ligação dos aloanticorpos na superfície da célula 
endotelial dispara a ativação do complemento, o 
que leva à lise das células, ao recrutamento de 
neutrófilos, e à formação de trombos. Os 
aloanticorpos também podem se acoplar a 
receptores Fc em neutrófilos e células NK, que, em 
seguida, destroem as células endoteliais. Além 
disso, a ligação do aloanticorpos na superfície 
endotelial pode alterar diretamente a função 
endotelial por induzir sinais intracelulares que 
aumentam a expressão de moléculas de superfície 
pró-inflamatórias e pró-coagulantes 
 
REJEIÇÃO CRÔNICA 
Atualmente é a maior causa de falha de aloenxertos; 
ocorre após meses ou anos da realização do transplante, 
sendo caracterizada pela oclusão arterial como um 
resultado da proliferação de células de musculo liso da 
íntima e os enxertos eventualmente falham 
principalmente por causa do dano isquêmico. 
Decorrentes da secreção de citocinas liberadas de 
macrófagos e linfócitos TCD4 (IFN-γ) 
O resultado é uma isquemia que pode ter como 
consequência o aparecimento de fibrose, conforme o 
tecido vai morrendo devido ao baixo suprimento 
sanguíneo 
No rim e no coração, a injeção crônica resulta em 
oclusão vascular e fibrose intersticial. Os transplantes 
de pulmão submetidos a rejeição crônica demonstram 
espessamentos nas pequenas vias aéreas (bronquiolite 
obliterante) e transplantes de fígado demonstram 
ductos biliares fibróticos e não funcionais 
 
PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA REJEIÇÃO 
DOS ALOENXERTOS 
TESTES UTILIZADOS PARA MINIMIZAR A 
REJEIÇÃO 
I. Tipagem sanguínea: o sangue do receptor é 
misturado com o soro contendo imunoglobulinas 
contra sangue tipo A e tipo B 
II. Tipagem do MHC ou determinação de alelos HLA: 
verificação da compatibilidade dos alelos do MHC 
do doador e receptor. O mais confiável que se tenha 
no máximo um alelo incompatível para aumentar a 
sobrevida do enxerto 
III. Detecção de anticorpos pré-existentes no receptor: 
a. Teste do painel de anticorpos reativos: os 
pacientes à espera do transplante são 
testados quanto à presença de anticorpos 
reativo pré-formados contra moléculas de 
HLA alogênicas prevalentes na população. 
Estes anticorpos, que podem ser 
✓ Tempo: dias a semanas 
✓ Processo de lesão do parênquima e dos vasos 
sanguíneos 
o Infiltrados inflamatórios, lesão endotelial 
e parênquima, trombose capilar focal 
✓ Mediada por células T (celular) e anticorpos 
(humoral) 
✓ A identificação de C4d em capilares do enxerto 
(figura C na última imagem) é usada como 
indicador de ativação do complemento e rejeição 
aguda humoral 
✓ Maior causa de falha de aloenxertos 
✓ Tempo: meses a anos 
✓ Lesão dominante: oclusão arterial resultante da 
proliferação de células musculares lisas da íntima 
→ vasculopatia do enxerto 
✓ Reação inflamatória crônica: células T alorreativas 
e produção de citocinas → estimulam a 
proliferação 
IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 17) Gabriela Chioli Boer – T9 
produzidos como um resultado de 
gestações, transfusões ou transplantes 
anteriores, podem identificar o risco de 
rejeição vascular hiperaguda ou aguda. 
Pequenas quantidades de soro do doente 
são misturadas com vários grânulos 
marcados com fluorescência e revestidos 
com moléculas de MHC definidas e 
presentes na população de doadores de 
órgãos. A ligação dos anticorpos do 
paciente com os grânulos pe determinada 
por citometria de fluxo. Os resultados são 
apresentados como percentagem de 
anticorpo reativo (PRA), que é a 
percentagem do conjunto de alelos do 
MHC com qual o soro do paciente reage 
b. Prova cruzada: irá determinar se o paciente 
tem anticorpos que reagem 
especificamente com as células daquele 
doador. O teste é realizado com a mistura 
do soro do receptor com os linfócitos do 
sangue do doador. Adiciona sistema 
complemento e se há anticorpos pré-
formados no soro do receptor contra 
moléculas de MHC do doador, as células 
do doador serão lisadas 
 
MÉTODOS PARA INDUÇÃO DE TOLERANCIA 
DOADOR-ESPECÍFICA 
Estratégia em teste: bloqueio do coestimulador, 
gerando anergia; quimerismo hematopoiético 
(transfusão de células-tronco do doador); e 
transferência ou indução de Tregs 
 
FÁRMACOS IMUNOSSUPRESSORES 
TRANSFUSÃO SANGUÍNEA 
É uma forma de transplante em que sangue ou células 
inteiras de um ou mais indivíduos são transferidos por 
via intravenosa para a circulação de outro indivíduo. 
O sistema de aloantígenos mais importante é o sistema 
ABO. Os indivíduos que não tem um antígeno 
especifico do grupo sanguíneo produzem anticorpos 
IgM naturais contra esse antígeno. Se esses indivíduos 
receberem hemácias expressando o antígeno-alvo, os 
anticorpos preexistentes ligam-se às células 
transfundidas, ativam o complemento e provocam 
reações de transfusão, que podem ser fatais. 
A transfusão através de uma barreira ABO pode 
desencadear uma reação hemolítica imediata, 
resultando tanto na lise intravascular das hemácias, 
mediada pelo sistema complemento, quanto na extensa 
fagocitose de eritrócitos revestidos por anticorpos e 
complemento e por macrófagos no fígado e no baço. 
A hemoglobina é liberada a partir das hemácias lisadas 
em quantidades que podem ser tóxicas para células do 
rim, causando necrose aguda de células tubulares 
renais e insuficiência renal.