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Acidentes por Animais Peçonhentos

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3. Conhecer o controle e a prevenção contra animais peçonhentos. 
Prevenção geral: 
• Usar luvas de raspa de couro e calçados fechados, entre outros equipamentos de proteção individual (EPI), 
durante o manuseio de materiais de construção (tijolos, pedras, madeiras e sacos de cimento); transporte 
de lenhas; movimentação de móveis; atividades rurais; limpeza de jardins, quintais e terrenos baldios, 
entre outras atividades. 
• Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer. 
• Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados 
em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nesses lugares, usar um pedaço de madeira, 
enxada ou foice. 
• Os trabalhadores do campo devem sempre utilizar os equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas 
ou perneiras, evitar colocar as mãos em tocas, montes de lenha, folhas e cupinzeiros. 
Prevenção contra cobras e escorpiões: 
- usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem; 
- examinar e sacudir calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las; 
- afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários; 
- não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção; 
- limpar regularmente atrás de móveis, cortinas, quadros, cantos de parede; 
- vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meia-canas e rodapés; 
- utilizar telas e vedantes em portas, janelas e ralos. Colocar sacos de areia nas portas para evitar a entrada 
de animais peçonhentos; 
- manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros. Evitar plantas tipo 
trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada; 
- combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos para aranhas e 
escorpiões; 
- preservar os predadores naturais de aranhas e escorpiões como seriemas, corujas, sapos, lagartixas e 
galinhas; 
- limpar terrenos baldios pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas; 
- não colocar mãos ou pés em buracos, cupinzeiros, montes de pedra ou lenha, troncos podres, etc. 
 
 
 
 
 
4. Compreender como realizar o serviço de notificação para animais peçonhentos (passo a passo e o porquê de ser 
obrigatório) 
 
• INSTRUMENTOS DISPONÍVEIS PARA CONTROLE 
Não existem medidas específicas para controle da população dos animais peçonhentos. Por serem animais 
silvestres, são proibidos sua captura e transporte não autorizados legalmente. Portanto, a única garantia para 
que não haja acidentes é a prevenção de sua ocorrência. 
• Vigilância Ambiental 
Os animais peçonhentos podem estar presentes em vários tipos de ambiente. No caso de serpentes, há espécies 
que vivem em ambientes florestais e outras em áreas abertas, como campos cerrados e caatingas, o que torna 
inviável o monitoramento de sua presença na natureza. A diversidade de hábitos alimentares é grande e várias 
espécies alimentam-se de invertebrados, como moluscos, minhocas e artrópodes, ao passo que outras se alimentam 
de vertebrados, como peixes, anfíbios, lagartos, serpentes, aves e mamíferos. Ressalte-se como de importância no 
meio periurbano a presença de roedores, que aumenta a proximidade dos ofídios ao homem. 
A proteção de predadores naturais de serpentes, como as emas, siriemas, gaviões, gambás e cangambás, e a 
manutenção de animais domésticos como galinhas e gansos próximos às habitações, em geral afastam as serpentes. 
O crescimento da população dos escorpiões e de aranhas do gênero Loxosceles no meio urbano dificulta o 
controle desses animais, principalmente na periferia das cidades, onde encontram alimento farto, constituído por 
baratas e outros insetos. Inseticidas e outros produtos tóxicos não têm ação na eliminação dos animais no ambiente. 
Apesar de não serem bem conhecidos os fatores que acarretam mudanças no padrão das populações de animais 
peçonhentos em determinado meio, como é o caso de Loxosceles e Lonomia no Sul do país, desequilíbrios ecológicos 
ocasionados por desmatamentos, uso indiscriminado de agrotóxicos e outros produtos químicos em lavouras, e 
alterações climáticas ocorridas ao longo de vários anos, certamente têm participação no incremento dos acidentes 
e, conseqüentemente, importância em termos de saúde pública. 
 
• Ações de Educação em Saúde 
o As estratégias de atuação junto às comunidades expostas ao risco de acidentes devem incluir, além 
das noções de prevenção dos acidentes, medidas de orientação para a não realização de práticas 
caseiras e alternativas no manejo dos pacientes, tais como: 
§ o uso de torniquete ou garrote, embora ainda bastante difundido, tem sido associado a 
complicações locais nos acidentes botrópicos e laquéticos, por favorecer a concentração de 
veneno e agravar a isquemia na região da picada; 
§ sucção e incisão no local da picada propiciam, além de infecção cutânea, a ocorrência de 
hemorragia, não tendo nenhuma eficácia na redução da absorção do veneno; 
§ a colocação de substâncias como alho, esterco, borra de café e outros produtos permanecem 
como práticas ainda fortemente arraigadas na população. A crença nessas medidas provoca o 
retardo no encaminhamento do paciente para a unidade de saúde, que é feito tardiamente para 
a administração do soro, muitas vezes quando o indivíduo já apresenta complicações; 
§ medicamentos fitoterápicos e outras terapias alternativas não encontram respaldo na 
literatura científica para o tratamento dos acidentes por animais peçonhentos, devendo-se 
desestimular o seu uso. 
• Organização da Distribuição dos Soros Antipeçonhentos 
Desde a implantação do Programa Nacional de Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos, em 1986, todos 
os soros antipeçonhentos produzidos no Brasil são adquiridos pelo Ministério da Saúde e distribuídos às secretarias 
estaduais de saúde, que, por sua vez, definem os pontos estratégicos para atendimento dos acidentes e utilização 
correta e racional dos antivenenos. O diagnóstico correto e a terapêutica adequada são condições essenciais para 
o bom prognóstico dos casos. 
Deste modo, é preocupação constante do Ministério da Saúde garantir o acesso gratuito e universal ao 
tratamento soroterápico. Para tanto, as análises epidemiológicas das séries históricas dos acidentes ocorridos no 
Brasil têm sido fundamentais para o planejamento dessa distribuição. 
Assim, considera-se a marcada sazonalidade na ocorrência dos acidentes em determinadas regiões, o que 
orienta a aquisição destes imunobiológicos junto aos laboratórios produtores e a distribuição racional dos estoques 
aos estados. Além disso, as estratégias de distribuição de soros devem levar em conta o mapeamento das áreas de 
maior registro de casos, visando minimizar as distâncias entre os locais de ocorrência dos acidentes e as unidades 
de saúde. 
O acompanhamento da distribuição geográfica dos animais e dos acidentes permite definir estratégias para a 
organização da assistência médica e planejamento das ações de vigilância, incluindo a distribuição de soros 
antiofídicos compatível com o perfil epidemiológico dos acidentes.

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