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SP 1 - ÚLCERAS (UC DOR ABDOMINAL, VÔMITO, DIARREIA E ICTERÍCIA)

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Fabiana Bilmayer | T2 INTEGRADO
UC XV - Dor abdominal, vômito, diarreia e icterícia
SP 1 - Subitamente
PERGUNTAS
1) Sobre úlceras (PÉPTICA) - Gástrica e duodenal X dispepsia funcional
a) Definição
ÚLCERA = defeito completo da mucosa.
A úlcera péptica é uma ferida que ocorre na camada de revestimento interno do tubo
digestivo superior, (chamada mucosa). Esta pode estar localizada no estômago (úlcera
gástrica) ou na primeira porção do intestino delgado (úlcera duodenal).
b) Epidemiologia
Extremamente comum.
É uma das doenças gastrointestinais mais custosas e prevalentes. A incidência nos EUA,
por ano, é de 500.000 casos - aproximadamente 1,8%, e a incidência global é de cerca de
1 caso por 1.000 pessoas/ano.
c) Etiologia
Causas
Fabiana Bilmayer | T2 INTEGRADO
Fatores de risco
● Cigarro (tabagismo)
● Álcool
● Predisposição genética
● Aspectos dietéticos
A maioria das úlceras pépticas é causada pela infeção por uma bactéria chamada
Helicobacter pylori ou por medicamentos anti-inflamatórios (como por exemplo o
ibuprofeno, e o diclofenaco ou anti-agregantes plaquetários (como é o caso do ácido
acetilsalicílico, e ticlopidina ou o clopidogrel).
Ao contrário do que se pensava anteriormente, o stress, o café e os alimentos picantes
não provocam úlcera péptica!
Fonte: Harrison
d) Fisiopatologia
1) Controle secretório descompensado (hipersecreção ácida gástrica)
Mecanismos desconhecidos.
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2) Mecanismos de defesa
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3) Lesão direta da mucosa gastroduodenal
- Álcool
- Tabaco
e) Classificação
● BORRMANN (tumores)
- Lesões duodenais tendem a NÃO ser malignas.
‘’TODA ÚLCERA GÁSTRICA DEVE SER BIOPSIADA E NENHUMA ÚLCERA DUODENAL
PRECISA SER BIOPSIADA.’’
● SAKITA (divide as úlceras em estágios evolutivos)
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● JOHNSON (de acordo com a localização da úlcera)
f) Quadro clínico
A maioria das úlceras pépticas (cerca de 70%) são assintomáticas.
O principal sintoma da úlcera péptica é a dor intensa, localizada na região superior e
mediana do abdômen e que por vezes pode irradiar para as costas. Esta dor é provocada
pela própria ferida, em especial quando o ácido do estômago entra em contacto com ela.
Classicamente a dor derivada a uma úlcera duodenal acontece cerca de 2-5 horas após
ingestão alimentar ou durante a noite (23h-02h, acordando o doente durante a noite),
alturas em que existe uma maior secreção ácida sem existirem alimentos no estômago.
Esta dor pode desaparecer e voltar a surgir após alguns dias ou meses.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
● Úlcera duodenal
Dor epigástrica em queimação 90 min a 3 h após as refeições, na maioria das vezes
noturna, que melhora após a alimentação.
● Úlcera gástrica
Manifesta-se com dor epigástrica em queimação que piora com ou sem relação com o
alimento; anorexia, aversão aos alimentos, perda de peso (em 40% dos casos). Há
grande variação individual. Sintomas semelhantes podem ocorrer em pessoas sem úlcera
péptica (dispepsia não ulcerosa); é menos responsiva à terapia padrão.
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Podem ainda surgir outras queixas como por exemplo distensão abdominal,
enfartamento precoce, náuseas ou vómitos, por vezes com sangue, fezes pretas (ver
hemorragia digestiva) e perda de peso.
g) Diagnóstico
O diagnóstico é habitualmente efetuado através de um exame endoscópico denominado
endoscopia digestiva alta, na qual um tubo flexível é introduzido pela boca e permite a
observação do esófago, estômago e duodeno.
Por vezes pode ser necessária a colheita de pequenos fragmentos da mucosa para análise
microscópica, com o objetivo de distinguir a úlcera péptica de outras doenças como por
exemplo o cancro do estômago.
Para além disso, podem ser necessários exames para avaliar a presença da bactéria
Helicobacter pylori.
Diagnóstico: EDA + pesquisa do H.pylori
Pesquisa do H.pylori
https://www.sped.pt/index.php/index.php?option=com_content&view=article&id=114
https://www.sped.pt/index.php/publico/exames-endoscopicos/endoscopia-digestiva-alta
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h) Diagnóstico diferencial
- Dispepsia funcional
- Gastrite
- Colelitíase
- Pancreatite crônica
- Câncer de estômago (ATENÇÃO)
i) Tratamento
O tratamento da úlcera péptica inclui:
1. Erradicação da bactéria Helicobacter pylori, caso se demonstre a infecção pela mesma.
O tratamento habitualmente utilizado inclui uma combinação de dois a três antibióticos e
de um inibidor da supressão do ácido gástrico durante 10 a 14 dias. Após o tratamento, é
necessária a confirmação da erradicação da infecção por esta bactéria. O teste mais
frequentemente utilizado é um teste respiratório. Habitualmente não é necessário repetir
a endoscopia digestiva alta com o objetivo de confirmar a erradicação da bactéria;
2. Inibidores da supressão de ácido – Os fármacos mais frequentemente utilizados são
os inibidores da bomba de protões (omeprazol, rabeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e
esomeprazol). Estes medicamentos inibem de forma intensa e duradoura a secreção de
ácido pelas células do estômago e são prescritos, habitualmente, durante 1 a 3 meses,
com o objectivo de possibilitar a cicatrização completa da úlcera;
3. Evitar ou reduzir o consumo de analgésicos, anti-inflamatórios e anti-agregantes
plaquetários.
Não existe necessidade de efectuar alterações aos hábitos alimentares habituais!
A maioria das úlceras pépticas respondem bem ao tratamento. As principais causas de
falência do tratamento são o não cumprimento da prescrição médica, a resistência do
Helicobacter pylori aos antibióticos prescritos e o consumo excessivo de
anti-inflamatórios. Existem, depois, algumas causas menos frequentes para a falência
do tratamento, nomeadamente uma doença que provoca aumento da secreção de ácido
pelas células do estômago chamada síndroma de Zollinger-Ellison e doenças que
provocam úlceras parecidas com a úlcera péptica como é o caso do cancro gástrico e a
doença de Crohn.
Caso exista persistência de sintomas após o tratamento ou caso a úlcera péptica se
localize no estômago, pode ser necessária a realização de nova endoscopia digestiva alta
para excluir outras doenças, em especial o cancro gástrico. Raramente é necessário
repetir endoscopia digestiva alta no caso de uma úlcera péptica localizada no duodeno.
Para prevenir a recidiva de úlcera péptica deve-se evitar os anti-agregantes plaquetários
e os anti-inflamatórios. Caso isso não seja possível, está indicado manter os inibidores
da supressão do ácido gástrico. Em algumas situações poderá estar indicado manter os
inibidores da supressão do ácido gástrico durante mais tempo para prevenção do
reaparecimento da úlcera péptica.
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j) Complicações
Quando não tratadas as úlceras pépticas podem originar:
1. Hemorragia digestiva: A hemorragia pode ser em pequena quantidade e apenas ser
observável em análises de sangue ou ser maciça e necessitar de internamento e
transfusões de sangue;
2. Perfuração: As úlceras pépticas podem causar um buraco na parede do estômago ou do
duodeno que origina um processo de inflamação e infecção da cavidade abdominal
denominada peritonite que pode necessitar de uma cirurgia no seu tratamento;
3. Cicatrizes e Estenoses: A inflamação pode causar cicatrizes que originam apertos que
provocam dificuldade na passagem dos alimentos (mais frequente nas úlceras da
transição entre o estômago e duodeno – Piloro).
k) Relação entre úlceras e H.pylori
O H. pylori é um microrganismo espiralado produtor de urease que coloniza a mucosa
do antro gástrico em até 100% das pessoas com UD e 80% daquelas com UG.
- Ele também é encontrado em pessoas normais (prevalência crescente com a idade)
e naquelas de baixo nível socioeconômico.
O H. pylori está invariavelmente associado à gastrite crônica ativa, confirmada pela
histologia que, ao longo dos anos, pode evoluir para gastrite atrófica e câncer gástrico.
● Outra causa da úlcera (a que não é devida ao H. pylori) são os anti-inflamatórios
não esteroides (AINEs).
Fabiana