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DERRAME PLEURAL • Cavidade pleural não contém ar, mas existe uma mińima quantidade de liq́uido, resultante do equilib́rio entre seus mecanismos de formacã̧o e de reabsorcã̧o. • Pelićula liq́uida praticamente de água, facilita, por um lado, o deslizamento de um dos folhetos pleurais sobre o outro, mas dificulta a separacã̧o entre eles, em razão das propriedades moleculares (elevada tensão superficial) do liq́uido pleural como um todo. • Quando a quantidade de liq́uido aumenta, anormalmente, acima de 100 a 300 mL, como consequência de um ou mais fatores que favorecem seu acúmulo na cavidade derrame pleural. • Líquido pleural - capilares sanguińeos da pleura parietal – com elevada pressão hidrostática (circulacã̧o sistêmica). - reabsorcã̧o se dá por dois mecanismos a) Líquidos cristalóides por diferença de pressão (pleura visceral) b) Proteínas, hemácias, água pleura visceral (pleura parietal) – com baixa pressão hidrostática (circulacã̧o pulmonar). FISIOPATO • ↑ P. hidrostática capilar (ex: insuf. Cardíaca cong) • ↓ P. oncótica capilar (ex: sind. Nefrótica) • Alt. Da permeabilidade da barreira pleurocapilar ( inflamação) • Obstrução linfática (ex: derrame neoplásico) • Passagem de líquido cavidade abdominal p/ pleural (ascite) ATENÇÃO -Exudato: ↑ permeabilidade da membrana pleurocapilar (K) proteińas (≥ 3,0 g%), marcadores inflamatórios bioquiḿicos e células EX: devem ter sua causa esclarecida pelos exames de material pleural. [infecciosas (tuberculose, pneumonia, viroses, fungos); neoplásicos; d. AI (lúpus, artrite reumatóide); pancratite, TP] -Transudato: Se normal ou pouco alterado, sendo o principal mecanismo a alteracã̧o das pressões hidrostática ou oncótica, a taxa proteica será inferior a 2,5 g%, os marcadores inflamatórios e as células serão normais. EX: insuficiência cardíaca e cirrose ___________________________________________ AVALIAÇÃO CLÍNICA ANAMNESE HMA: dispnéia, tosse, dor torácica. Há quanto tempo? Como começou? Evolução? IVAS recente? Sintomas associados? Fatores de melhora ou piora? Uso de medicamento? Astenia? Anorexia? Emagrecimento? Febre? Tipo de dor? Localização? Intensidade? Irradia? Dói para respirar? *dor torácica: lancinante em pontada, dói na inspiração, melhora em repouso do lado afetado, decúbito lateral sobre o lado acometido *tosse: normalmente é seca EXAME FÍSICO SSVV: PA-pode estra normal; T-normal; FC-↑; FR- ↑; Sat- pode estar baixa (em torno de 95%) EX. MUSCULAR: flexão, extensão, rotação lateral, rotação medial EX. CARDIOV EX. PULMONAR INSP- Abaulamento, desvio de traquéia (lado oposto), alargamento intercostal. PAL- ↓FTV ou ausência ↓Expansibilidade PER- Macicez, pode ter rebaixamento nível hepático AUS- ↓ MVUA 1º- Estabelecer presença de derrame pleural • dor ventilatório-dependente e macicez à percussão da parede torácica e pelas imagens radiológicas: •opacidade homogênea que, devido à acã̧o da gravidade, flui para as porcõ̧es mais declives da cavidade pleural, impedindo a visualizacã̧o do seio costofrênico; •imagem em menisco na interface derrame- pulmão, com bordos bem nit́idos •desvio contralateral do mediastino se o derrame for volumoso 2º Determinacã̧o da causa do derrame ou do mecanismo fisiopatológico envolvido. Se houver pistas consistentes que expliquem a ocorrência de derrame pleural, pode não ser necessária a investigacã̧o pleural (toracocentese e biópsia) **O derrame pode ser maligno? Se confirmada essa hipótese, a situacã̧o implica extrema gravidade e mau prognóstico. Portanto, tal diagnóstico precisa ser de certeza, por dado patológico (cito e/ou histopatológico). **Será necessário examinar o liq́uido pleural e fazer puncã̧o- biópsia pleural? Se a conduta depender desses resultados, deve- se proceder à investigacã̧o pleural. Transudatos: insuficiência cardiáca Exsudatos infecciosos: tuberculose e pneumonia Exsudatos não infecciosos: neoplasias metastáticas (carcinomas e linfomas), embolia pulmonar e colagenoses Situacõ̧es cirúrgicas: empiema, hemotórax e quilotórax EXAME DE IMAGEM RX: opacidade homogênea em um hemitórax que oblitera a visualizacã̧o do seio costofrênico homolateral e contorna a imagem do parênquima pulmonar deixando uma borda nit́ida em formato de parábola A radiografia de tórax também pode ser feita na incidência de Lawrell (decúbito lateral com raios horizontais, colocando o lado do derrame) TC: “Pleural split sign”. Observe a presença de derrame pleural loculado na região paravertebral direita. As pleuras parietal e visceral estão espessadas e se impregnam pelo contraste. DIAGNÓSTICO •Diante de derrame pleural novo e sem causa aparente, devemos sempre realizar uma TORACOCENTESE! ATENÇÃO: em alguns casos como ICC, hipoproteinemia, concomitância de tuberculose no parênquima pulmonar ou em outros casos que apresentam quadros típicos não é necessário. • 1° - Análise do líquido Aspecto purulento e/ou presenca̧ de germes e/ou pH baixo: empiema. Aspecto hemorrágico Hemotórax (definição formal: Relação hematócrito do derrame/hematócrito do sangue periférico > 0,5): acidente de puncã̧o, trauma ou neoplasia maligna; não costuma ocorrer na tuberculo- se. Leitoso (branco) Centrifugar: (1) Sobrenadante claro = empiema; (2) Sobrenadante turvo =quilotórax Serossanguinolento Mistura de líquido pleural com sangue. Acima de 10.000 hemácias/ml o líquido fica progressivamente "tingido" de sangue. Seroso Líquido pleural suigeneris (amarelo-palha). -Diferenciar entre exudato e transudato pelos critérios de Light Atenção: (proteína total do sangue – proteína total do líquido). Um resultado > 3.1 g/dl confirma se tratar de TRANSUDATO, anulando o resultado dos critérios de Light! Gradiente soro-pleural de proteínas - Exudato: assume-se que existe uma doença localizada na pleura dosagem proteína total, LDH, pH, glicose, celularidade (contagem de células mesoteliais, hemácias e leucócitos, estes últimos com diferencial), coloração de Gram, culturas e citologia oncótica PLEUROSCOPIA A pleuroscopia está indicada quando se julga que não haverá vantagem na execucã̧o de uma nova puncã̧o- biópsia. TORACOTOMIA EXPLORADORA A toracotomia exploradora está indicada apenas em situacõ̧es excepcionais, quando: os procedimentos habituais (puncã̧o, biópsia, pleurosco- pia) não foram efetivos e a principal suspeita for neo- plasia; há probabilidade de mesotelioma pleural; existe necessidade de descorticacã̧o/pleurectomia; necessidade de resseccã̧o pulmonar; ocorrem acidentes durante a pleuroscopia; há hemorragia pós-traumática grave. OUTRAS SITUAÇÕES ESPECÍFICAS Em caos de derrame pleural de causa indeterminada (quando não existe pista consistente e/ou não se chega a uma conclusão diagnóstica após a primeira toracocentese + puncã̧o-biópsia pleural). Se for transudato, como regra, a preocupacã̧o é menor, pois costuma estar associado a uma doenca̧ sistêmica cujo diagnóstico já é conhecido ou será esclarecido em seguida. Sendo um exsudato, por incluir possibilidades como neoplasia e tuberculose, confirmacã̧o diagnóstica. A presenca̧ de linfocitose dá ênfase a tal necessidade. TRATAMENTO 1. Transudatos Pleurais No transudato a pleura não está doente. Logo, o tratamento é direcionado para o controle da doença de base cuja descompensação está causando o derrame. Uma toracocentese terapêutica pode ser indicada na vigência de desconforto respiratório, visando o rápido alívio dopaciente. 2. Derrame Pleural Neoplásico Quimio e/ou radioterapia podem ser empregadas de forma paliativa, levando em conta que para a maioria dos tumores malignos a existência de derrame pleural neoplásico significa doença metastática incurável... O tumor que melhor responde a essas medidas é o carcinoma de pequenas células pulmonares.(1) toracocenteses repetidas; (2) pleurodese; (3) instalação de dreno tubular permanente (que pode ser manejado no domicílio pelo próprio paciente). 3. Derrame Parapneumônico É dividido em três categorias: (1) simples (2) complicado; e (3) empiema. (1) estéril, geralmente de pequeno a moderado volume. Ele não requer drenagem, e sua resolução acompanha a resolução da pneumonia com antibióticos. (2) alterações inflamatórias sugestivas de invasão bacteriana do espaço pleural, porém esta pode não ser formalmente demonstrada (bacterioscopia e cultura negativos). antibioticoterapia + drenagem torácica se: (1) glicose < 60 mg/dl; (2) pH < 7.2 ou (3) pH entre 7.2-7.3 e LDH do líquido pleural> 1.000 U/l. A presença de loculações (comum nos derrames parapneumônicos “não simples”) dificulta a drenagem tubular. Nestes casos, pode-se tentar a lise das aderências com método químico (ex.: instilação intrapleural de fibrinolítico + DNAse) ou mecânico (debridamento por videotoracoscopia). (3) Empiema representa infecção grosseira: antibioticoterapia + drenado o mais rápido possível, a fim de evitar a síndrome do encarceramento pulmonar secundária à fibrose pleural.