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Turorial 2 – Os primeiros Ciclos Menstruais 1. Explanar sobre a morfofisiologia do sistema reprodutor feminino. 1.1 Órgãos genitais externos (monte pubiano, grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, vestíbulo, glândulas vestibulares, bulbo vestibular, vascularização sanguínea e inervação) ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, MOORE ÓRGÃOS GENITAIS EXTERNOS FEMININOS Os órgãos genitais externos femininos são o monte do púbis, os lábios maiores do pudendo (que circundam a rima do pudendo), os lábios menores do pudendo (que circundam o vestíbulo da vagina), o clitóris, os bulbos do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores e menores. Os sinônimos vulva e pudendo incluem todas essas partes; o termo vulva é usado com frequência na clínica. O pudendo serve: Como tecido sensitivo e erétil para excitação e relação sexual Para orientar o fluxo de urina Para evitar a entrada de material estranho nos sistemas genital e urinário. Monte do púbis. O monte do púbis é a eminência adiposa, arredondada, anterior à sínfise púbica, tubérculos púbicos e ramo superior do púbis. A eminência é formada por massa de tecido adiposo subcutâneo. A quantidade de tecido adiposo aumenta na puberdade e diminui após a menopausa. A superfície do monte é contínua com a parede anterior do abdome. Após a puberdade, o monte do púbis é coberto por pelos pubianos encrespados. Lábios maiores do pudendo. Os lábios maiores do pudendo são pregas cutâneas proeminentes que proporcionam proteção indireta para o clitóris e para os óstios da uretra e da vagina. Cada lábio maior é preenchido principalmente por um “prolongamento digital” de tecido subcutâneo frouxo contendo músculo liso e a extremidade do ligamento redondo do útero. Os lábios maiores seguem em sentido inferoposterior do monte do púbis em direção ao ânus. Os lábios maiores situam-se nas laterais de uma depressão central (uma fenda estreita quando as coxas são aduzidas, a rima do pudendo, no interior da qual estão os lábios menores do pudendo e o vestíbulo da vagina. As faces externas dos lábios maiores na mulher adulta são cobertas por pele pigmentada contendo muitas glândulas sebáceas e por pelos pubianos encrespados. As faces internas dos lábios são lisas, rosadas e não têm pelos. Os lábios maiores do pudendo são mais espessos anteriormente, onde se unem para formar a comissura anterior. Posteriormente, em mulheres nulíparas (que nunca tiveram filhos), fundem-se para formar uma crista, a comissura posterior, que está situada sobre o corpo do períneo e é o limite posterior da vulva. Essa comissura geralmente desaparece após o primeiro parto vaginal. Lábios menores do pudendo. Os lábios menores do pudendo são pregas arredondadas de pele sem pelos e sem tecido adiposo. Estão situados na rima do pudendo, circundam imediatamente e fecham o vestíbulo da vagina, no qual se abrem os óstios externo da uretra e da vagina. Eles têm um núcleo de tecido conjuntivo esponjoso contendo tecido erétil em sua base e muitos pequenos vasos sanguíneos. Anteriormente, os lábios menores formam duas lâminas. As lâminas mediais de cada lado se unem e formam o frênulo do clitóris. As lâminas laterais unem-se anteriormente à glande do clitóris (ou muitas vezes anterior e inferiormente, assim superpondo-se à glande e encobrindo- a), e formam o prepúcio do clitóris. Nas mulheres jovens, sobretudo as virgens, os lábios menores estão unidos posteriormente por uma pequena prega transversal, o frênulo dos lábios do pudendo. Embora a face interna de cada lábio menor seja formada por pele fina e úmida, tem a cor rosa típica da túnica mucosa e contém muitas glândulas sebáceas e terminações nervosas sensitivas. Clitóris. O clitóris é um órgão erétil localizado no ponto de encontro dos lábios menores do pudendo anteriormente. O clitóris consiste em uma raiz e um pequeno corpo cilíndrico, formados por dois ramos, dois corpos cavernosos e a glande do clitóris. Os ramos fixam-se aos ramos inferiores do púbis e à membrana do períneo, profundamente aos lábios do pudendo. O corpo do clitóris é coberto pelo prepúcio. Juntos, o corpo e a glande do clitóris têm cerca de 2 cm de comprimento e < 1 cm de diâmetro. Ao contrário do pênis, o clitóris não tem relação funcional com a uretra ou a micção. Atua apenas como órgão de excitação sexual. O clitóris é muito sensível e aumenta de tamanho à estimulação tátil. A glande do clitóris é a parte mais inervada do clitóris e tem densa provisão de terminações sensitivas. Vestíbulo da vagina. O vestíbulo da vagina é o espaço circundado pelos lábios menores do pudendo no qual se abrem os óstios da uretra e da vagina e os ductos das glândulas vestibulares maiores e menores. O óstio externo da uretra está localizado 2 a 3 cm posteroinferiormente à glande do clitóris e anteriormente ao óstio da vagina. De cada lado do óstio externo da uretra há aberturas dos ductos das glândulas uretrais. As aberturas dos ductos das glândulas vestibulares maiores estão localizadas nas faces mediais superiores dos lábios menores do pudendo, nas posições de 5 e 7 horas em relação ao óstio da vagina na posição de litotomia O tamanho e a aparência do óstio da vagina variam com a condição do hímen, uma prega anular fina de mucosa, que proporciona oclusão parcial ou total do óstio da vagina. Após a ruptura do hímen, são visíveis as carúnculas himenais remanescentes. Esses remanescentes delimitam a vagina e o vestíbulo. O hímen não tem função fisiológica estabelecida, é considerado basicamente um vestígio do desenvolvimento, mas sua condição (e a do frênulo dos lábios do pudendo) muitas vezes oferece dados decisivos em casos de abuso de crianças e de estupro. Bulbos do vestíbulo. Os bulbos do vestíbulo são duas massas de tecido erétil alongado, com cerca de 3 cm de comprimento. Os bulbos do vestíbulo situam-se lateralmente ao longo do óstio da vagina, superior ou profundamente aos lábios menores do pudendo (não dentro), imediatamente inferiores à membrana do períneo. São cobertos inferior e lateralmente pelos músculos bulboesponjosos que se estendem ao longo de seu comprimento. Os bulbos do vestíbulo são homólogos ao bulbo do pênis. Glândulas vestibulares. As glândulas vestibulares maiores (glândulas de Bartholin), com cerca de 0,5 cm de diâmetro, estão situadas no espaço superficial do períneo. Situam-se de cada lado do vestíbulo da vagina, posterolateralmente ao óstio da vagina e inferiormente à membrana do períneo; assim, estão no espaço superficial do períneo. As glândulas vestibulares maiores são redondas ou ovais, sendo parcialmente superpostas posteriormente pelos bulbos do vestíbulo. Como os bulbos, são parcialmente circundadas pelos músculos bulboesponjosos. Os ductos delgados dessas glândulas seguem profundamente aos bulbos do vestíbulo e se abrem no vestíbulo de cada lado do óstio vaginal. Essas glândulas secretam muco para o vestíbulo durante a excitação sexual. As glândulas vestibulares menores são pequenas glândulas de cada lado do vestíbulo da vagina que se abrem nele entre os óstios da uretra e da vagina. Essas glândulas secretam muco para o vestíbulo da vagina, o que umedece os lábios do pudendo e o vestíbulo da vagina. Irrigação arterial e drenagem venosa do pudendo. A irrigação abundante do pudendo provém das artérias pudendas externa e interna. A artéria pudenda interna irriga a maior parte da pele, os órgãos genitais externos e os músculos do períneo. As artérias labiais e do clitóris são ramos da artéria pudenda interna. As veias labiais são tributárias das veias pudendas internas e veias acompanhantes da artéria pudenda interna. O ingurgitamento venoso durante a fase de excitação da resposta sexual causa aumento do tamanho e consistência do clitóris e dos bulbos do vestíbulo da vagina. Inervação do pudendo. A face anterior do pudendo (monte do púbis,parte anterior dos lábios do pudendo) é inervada por derivados do plexo lombar: os nervos labiais anteriores, derivados do nervo ilioinguinal, e o ramo genital do nervo genitofemoral. A face posterior do pudendo é inervada por derivados do plexo sacral: o ramo perineal do nervo cutâneo femoral posterior lateralmente e o nervo pudendo centralmente. Este último é o principal nervo do períneo. Seus nervos labiais posteriores (ramos superficiais terminais do nervo perineal) suprem os lábios do pudendo. Os ramos profundos e musculares do nervo perineal suprem o óstio da vagina e os músculos superficiais do períneo. O nervo dorsal do clitóris supre os músculos profundos do períneo e são responsáveis pela sensibilidade do clitóris. O bulbo do vestíbulo e os corpos eréteis do clitóris recebem fibras parassimpáticas via nervos cavernosos do plexo nervoso uterovaginal. A estimulação parassimpática provoca aumento das secreções vaginais, ereção do clitóris e ingurgitamento do tecido erétil nos bulbos do vestíbulo. 1.2 Órgão genitais internos (vagina, útero, ovários, tubas uterinas e glândulas mamárias) VAGINA A vagina, um tubo musculo membranáceo distensível (7 a 9 cm de comprimento), estende-se do meio do colo do útero até o óstio da vagina, a abertura na sua extremidade inferior. O óstio da vagina, o óstio externo da uretra e os ductos da glândula vestibular maior e as glândulas vestibulares menores abrem-se no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios menores do pudendo. A parte vaginal do colo do útero está localizada anteriormente na parte superior da vagina. A vagina: • Serve como canal para o líquido menstrual • Forma a parte inferior do canal de parto • Recebe o pênis e o ejaculado durante a relação sexual • Comunica-se superiormente com o canal do colo do útero e inferiormente com o vestíbulo da vagina. A vagina geralmente encontra-se colapsada. O óstio costuma estar colapsado em direção à linha mediana, de modo que suas paredes laterais ficam em contato de cada lado de uma fenda anteroposterior. Superiormente ao óstio, porém, as paredes anterior e posterior estão em contato a cada lado de uma cavidade virtual transversal, que tem formato de H em corte transversal, com exceção de sua extremidade superior, na qual o colo do útero as mantém afastadas. A vagina situa-se posteriormente à bexiga urinária e à uretra, sendo que esta se projeta ao longo da linha mediana de sua parede anteroinferior. A vagina situa-se anteriormente ao reto, passando entre as margens mediais do músculo levantador do ânus (puborretal). O fórnice da vagina, o recesso ao redor do colo, tem partes anterior, posterior e lateral. A parte posterior do fórnice da vagina é a mais profunda e tem íntima relação com a escavação retouterina. Quatro músculos comprimem a vagina e atuam como esfíncteres: pubovaginal, esfíncter externo da uretra, esfíncter uretrovaginal e bulboesponjoso. A vagina está relacionada: • Anteriormente com o fundo da bexiga e a uretra • Lateralmente com o músculo levantador do ânus, a fáscia visceral da pelve e os ureteres • Posteriormente (da parte inferior para a superior) com o canal anal, o reto e a escavação retouterina. Camadas Mucosa: Interna, com numerosas pregas e revestida por epitélio estratificado pavimentoso não – queratinizado Muscular: Constituída por células musculares lisas organizadas Adventícia: Localizada externamente à camada muscular, é composto por tecido conjuntivo denso, rico em espessas fibras elásticas, que conferem elasticidade à vagina. IRRIGAÇÃO ARTERIAL E DRENAGEM VENOSA DA VAGINA As artérias que irrigam a parte superior da vagina originam-se das artérias uterinas. As artérias que suprem as partes média e inferior da vagina são ramos das artérias vaginal e pudenda interna. As veias vaginais formam plexos venosos vaginais ao longo das laterais da vagina e na túnica mucosa vaginal. Essas veias são contínuas com o plexo venoso uterino, formando o plexo venoso uterovaginal, e drenam para as veias ilíacas internas através da veia uterina. Esse plexo também se comunica com os plexos venosos vesical e retal. INERVAÇÃO DA VAGINA E DO ÚTERO Apenas o quinto ao quarto inferior da vagina tem inervação somática. A inervação dessa parte da vagina provém do nervo perineal profundo, um ramo do nervo pudendo, que conduz fibras aferentes simpáticas e viscerais, mas não fibras parassimpáticas. Apenas essa parte inervada somaticamente é sensível ao toque e à temperatura, embora as fibras aferentes somáticas e viscerais tenham seus corpos celulares nos mesmos gânglios sensitivos de nervos espinais (S2– S4). A maior parte da vagina (três quartos a dois quintos superiores) tem inervação visceral. Os nervos para essa parte da vagina e para o útero são derivados do plexo nervoso uterovaginal, que segue com a artéria uterina na junção da base do ligamento largo (peritoneal) com a parte superior do ligamento transverso do colo (fascial). O plexo nervoso uterovaginal é um dos plexos pélvicos que se estendem do plexo hipogástrico inferior até as vísceras pélvicas. Fibras aferentes simpáticas, parassimpáticas e viscerais atravessam esse plexo. A inervação simpática origina-se nos segmentos torácicos inferiores da medula espinal e atravessa os nervos esplâncnicos lombares e a série de plexos intermesentérico-hipogástrico- pélvicos. A inervação parassimpática origina-se nos segmentos S2–S4 da medula espinal e atravessa os nervos esplâncnicos pélvicos até o plexo hipogástrico inferior-uterovaginal. A inervação aferente visceral das partes superior (intraperitoneal; fundo e corpo) e inferior (subperitoneal; colo) do útero e da vagina diferem em termos de trajeto e destino. As fibras aferentes viscerais que conduzem impulsos de dor do fundo e do corpo do útero (acima da linha de dor pélvica) intraperitoneais seguem a inervação simpática retrógrada para chegar aos corpos celulares nos gânglios sensitivos de nervos espinais torácicos inferiores-lombares superiores. As fibras aferentes que conduzem impulsos de dor do colo do útero e da vagina (abaixo da linha de dor pélvica) subperitoneais seguem as fibras parassimpáticas retrogradamente através dos plexos uterovaginal e hipogástrico inferior e dos nervos esplâncnicos pélvicos para chegar aos corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais S2–S4. As duas diferentes vias seguidas por fibras de dor visceral são clinicamente importantes porque propiciam às mães vários tipos de anestesia durante o parto. Todas as fibras aferentes viscerais do útero e da vagina não relacionadas com a dor (aquelas que conduzem sensações inconscientes) também seguem a última via. ÚTERO O útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas. O embrião e o feto se desenvolvem no útero. As paredes musculares adaptam-se ao crescimento do feto e garantem a força para sua expulsão durante o parto. O útero não grávido geralmente está localizado na pelve menor, com o corpo sobre a bexiga urinária e o colo entre a bexiga urinária e o reto O útero é uma estrutura muito dinâmica, cujo tamanho e proporções modificam-se durante as várias fases da vida. Na mulher adulta, o útero geralmente encontra-se antevertido (inclinado anterossuperiormente em relação ao eixo da vagina) e antefletido (fletido ou curvado anteriormente em relação ao colo, criando o ângulo de flexão), de modo que sua massa fica sobre a bexiga urinária. Sendo assim, quando a bexiga urinária está vazia, o útero tipicamente situa-se em um plano quase transversa. A posição do útero muda com o grau de enchimento da bexiga urinária e do reto, e a evolução da gravidez. Embora seu tamanho varie muito, o útero tem cerca de 7,5 cm de comprimento, 5 cm de largura e 2 cm de espessura e pesa cerca de 90 g. O útero pode ser dividido em duas partes principais: o corpo e o colo.O corpo do útero, que forma os dois terços superiores do órgão, inclui o fundo do útero, a parte arredondada situada superiormente aos óstios uterinos. O corpo está situado entre as lâminas do ligamento largo e é livremente móvel. Tem duas faces: anterior (relacionada com a bexiga urinária) e posterior (intestinal). O corpo do útero é separado do colo pelo istmo do útero, um segmento relativamente estreitado, com cerca de 1 cm de comprimento. O colo do útero é o terço inferior cilíndrico e relativamente estreito do útero, que tem comprimento aproximado de 2,5 cm em uma mulher adulta não grávida. Para fins descritivos, é dividido em duas porções: uma porção supravaginal entre o istmo e a vagina, e uma porção vaginal, que se projeta para a parte superior da parede anterior da vagina. A porção vaginal arredondada circunda o óstio do útero e, por sua vez, é circundada por um recesso estreito, o fórnice da vagina. A porção supravaginal é separada da bexiga urinária anteriormente por tecido conjuntivo frouxo e do reto posteriormente pela escavação retouterina. A cavidade do útero, semelhante a uma fenda, tem cerca de 6 cm de comprimento do óstio uterino até a parede do fundo do útero. Os cornos do útero são as regiões superolaterais da cavidade do útero, onde penetram as tubas uterinas. A cavidade do útero continua inferiormente como o canal do colo do útero. O canal fusiforme estende-se de um estreitamento no interior do istmo do corpo do útero, o óstio anatômico interno, atravessa as porções supravaginal e vaginal do colo, comunicando-se com o lúmen da vagina através do óstio uterino. A cavidade do útero (em particular, o canal do colo do útero) e o lúmen da vagina juntos constituem o canal de parto que o feto atravessa ao fim da gestação. A parede do corpo do útero é formada por três camadas ou lâminas: • PERIMÉTRIO — a serosa ou revestimento seroso externo — consiste em peritônio sustentado por uma fina lâmina de tecido conjuntivo. Constituída de mesotélio e tecido conjuntivo • MIOMÉTRIO — a camada média de músculo liso — é muito distendido (mais extenso, porém muito mais fino) durante a gravidez. Os principais ramos dos vasos sanguíneos e nervos do útero estão localizados nessa camada. Durante o parto, a contração do miométrio é estimulada hormonalmente a intervalos cada vez menores para dilatar o óstio do colo do útero e expelir o feto e a placenta. Durante a menstruação, as contrações do miométrio podem causar cólica • ENDOMÉTRIO — a camada mucosa interna — está firmemente aderido ao miométrio subjacente. O endométrio participa ativamente do ciclo menstrual, sofrendo modificações de sua estrutura a cada estágio do ciclo. Se houver concepção, o blastocisto implanta-se nessa camada; se não houver concepção, a face interna dessa camada é eliminada durante a menstruação. consiste em um epitélio colunar simples, caracterizado por células ciliadas e células secretoras, A quantidade de tecido muscular no colo do útero é bem menor do que no corpo. O colo do útero é, em sua maior parte, fibroso e consiste principalmente em colágeno com uma pequena quantidade de músculo liso e elastina. Ligamentos do útero. Externamente, o ligamento útero-ovárico fixa-se ao útero posteroinferiormente à junção uterotubária. O ligamento redondo do útero fixa-se anteroinferiormente a essa junção útero tubárica. O ligamento largo do útero é uma dupla lâmina de peritônio (mesentério) que se estende das laterais do útero até as paredes laterais e o assoalho da pelve. Esse ligamento ajuda a manter o útero em posição. As duas lâminas do ligamento largo são contínuas entre si em uma margem livre que circunda a tuba uterina. Lateralmente, o peritônio do ligamento largo é prolongado superiormente sobre os vasos como o ligamento suspensor do ovário. Entre as lâminas do ligamento largo de cada lado do útero, o ligamento útero-ovárico situa-se posterossuperiormente e o ligamento redondo do útero situa-se anteroinferiormente. A tuba uterina situa-se na margem livre anterossuperior do ligamento largo, dentro de um pequeno mesentério denominado mesossalpinge. Do mesmo modo, o ovário situa-se dentro de um pequeno mesentério denominado mesovário na face posterior do ligamento largo. A parte maior do ligamento largo, inferior ao mesossalpinge e ao mesovário, que serve como mesentério para o próprio útero, é o mesométrio. O útero é uma estrutura densa situada no centro da cavidade pélvica. As principais sustentações do útero que o mantêm nessa posição são passivas e ativas ou dinâmicas. A sustentação dinâmica do útero é propiciada pelo diafragma da pelve. Seu tônus nas posições sentada e de pé e a contração ativa durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal (espirro, tosse etc.) são transmitidos através dos órgãos pélvicos adjacentes e da fáscia endopélvica que o cercam. A sustentação passiva do útero é proporcionada por sua posição — o modo como o útero normalmente antevertido e antefletido fica apoiado sobre o topo da bexiga urinária. Quando a pressão intra-abdominal aumenta, o útero é pressionado contra a bexiga urinária. O colo do útero é a parte menos móvel do órgão em razão da sustentação passiva proporcionada pelos ligamentos fixados a ele, que também contém músculo liso: Ligamentos transversos do colo estendem-se da porção supravaginal do colo e das partes laterais do fórnice da vagina até as paredes laterais da pelve Ligamentos retouterinos seguem superiormente e um pouco posteroinferiormente das laterais do colo do útero até o meio do sacro; são palpáveis ao toque retal. Juntas, essas sustentações passivas e ativas mantêm o útero centralizado na cavidade pélvica e resistem à tendência de que o útero caia ou seja empurrado através da vagina. Relações do útero. O peritônio cobre o útero anterior e superiormente, com exceção do colo do útero. O peritônio é refletido anteriormente do útero sobre a bexiga urinária e posteriormente sobre a parte posterior do fórnice da vagina até o reto. Anteriormente, o corpo do útero é separado da bexiga urinária pela escavação vesicouterina, onde o peritônio é refletido do útero sobre a margem posterior da face superior da bexiga urinária. Posteriormente, o corpo do útero e a porção supravaginal do colo são separados do colo sigmoide por uma lâmina de peritônio e da cavidade peritoneal e do reto pela escavação retouterina. Lateralmente, a artéria uterina cruza o ureter superiormente, perto do colo do útero. Irrigação arterial e drenagem venosa do útero. A vascularização do útero provém principalmente das artérias uterinas, com possível irrigação colateral das artérias ováricas. As veias uterinas penetram nos ligamentos largos com as artérias e formam um plexo venoso uterino de cada lado do colo. As veias do plexo uterino drenam para as veias ilíacas internas. OVÁRIOS Os ovários são gônadas femininas com formato e tamanho semelhantes aos de uma amêndoa, nos quais se desenvolvem os oócitos (gametas ou células germinativas femininas). Também são glândulas endócrinas que produzem hormônios sexuais (estrógeno e progesterona). O polo superior do ovário está fixado à parede pélvica pelo ligamento suspensor do ovário (mesovário) e o polo inferior está fixado ao útero pelo ligamento útero – ovárico (remanescente do cordão fibroso embrionário que fixa a gônada em desenvolvimento ao assoalho da pelve). Sua superfície é coberta por um epitélio pavimentoso ou cúbico simples, o epitélio germinativo, que corresponde a uma modificação do mesotélio do peritônio. Sob o epitélio germinativo, há uma camada de tecido conjuntivo denso não modelado, pouco vascularizada, a túnica albugínea, responsável pela cor esbranquiçada do ovário. Abaixo da túnica, há a zona cortical, na qual predominam os folículos ovarianos, e, mais internamente, a zonamedular, que contém tecido conjuntivo frouxo fibroelástico com um rico leito vascular Cada ovário é suspenso por uma curta prega peritoneal ou mesentério, o mesovário. O mesovário é uma subdivisão de um mesentério maior do útero, o ligamento largo. Nas mulheres pré-púberes, a cápsula de tecido conjuntivo (túnica albugínea do ovário) que forma a superfície do ovário é coberta por uma lâmina lisa de mesotélio ovariano ou epitélio superficial (germinativo), uma única camada de células cúbicas que confere à superfície uma aparência acinzentada, fosca, que contrasta com a superfície brilhante do mesovário peritoneal adjacente com o qual é contínua. Depois da puberdade, há fibrose e distorção progressiva do epitélio superficial ovariano, em razão da repetida ruptura de folículos ovarianos e liberação de oócitos durante a oocitação. A fibrose é menor em usuárias de contraceptivos orais. Os vasos sanguíneos e linfáticos e os nervos ovarianos cruzam a margem da pelve, entrando e saindo da face superolateral do ovário dentro de uma prega peritoneal, o ligamento suspensor do ovário, que se torna contínuo com o mesovário do ligamento largo. Medialmente no mesovário, um ligamento útero-ovárico curto fixa o ovário ao útero. Consequentemente, os ovários costumam ser encontrados lateralmente entre o útero e a parede lateral da pelve durante um exame manual ou ultrassonográfico da pelve. O ligamento útero-ovárico é um remanescente da parte superior do gubernáculo ovariano do feto. O ligamento útero-ovárico une a extremidade proximal (uterina) do ovário ao ângulo lateral do útero, imediatamente inferior à entrada da tuba uterina (Figura 3.39A). Como o ovário está suspenso na cavidade peritoneal e sua superfície não é coberta por peritônio, o oócito expelido na ovulação passa para a cavidade peritoneal. Entretanto, sua vida intraperitoneal é curta porque geralmente é aprisionado pelas fímbrias do infundíbulo da tuba uterina e conduzido para a ampola, onde pode ser fertilizado. TUBAS UTERINAS As tubas uterinas (trompas de Falópio) conduzem o oócito, que é liberado mensalmente de um ovário durante a vida fértil, da cavidade peritoneal periovariana para a cavidade uterina. Também são o local habitual de fertilização. As tubas estendem-se lateralmente a partir dos cornos uterinos e se abrem na cavidade peritoneal perto dos ovários. As tubas uterinas (cerca de 10 cm de comprimento) estão em um mesentério estreito, a mesossalpinge, que forma as margens livres anterossuperiores dos ligamentos largos. Na disposição “ideal”, tipicamente mostrada pelas ilustrações, as tubas estendem-se simetricamente em direção posterolateral até as paredes laterais da pelve, onde se curvam anterior e superiormente aos ovários no ligamento largo em posição horizontal. Na realidade, observadas à ultrassonografia, muitas vezes as tubas estão dispostas assimetricamente e uma delas está em posição superior e até mesmo posterior em relação ao útero. As tubas uterinas podem ser divididas em quatro partes, da região lateral para a medial: • INFUNDÍBULO: a extremidade distal afunilada da tuba que se abre na cavidade peritoneal através do óstio abdominal. As fímbrias abrem-se sobre a face medial do ovário; uma grande fímbria ovárica está fixada ao polo superior do ovário • AMPOLA: a parte mais larga e mais longa da tuba, que começa na extremidade medial do infundíbulo; a fertilização do ovócito geralmente ocorre na ampola • ISTMO: a parte da tuba que tem parede espessa e entra no corno uterino • PARTE UTERINA: o segmento intramural curto da tuba que atravessa a parede do útero e se abre, através do óstio uterino, para a cavidade do útero no corno do útero. A parede da tuba uterina é composta de três camadas: • Mucosa: Constitui o revestimento interno da tuba uterina em um epitélio colunar simples (secretor e ciliado) e por uma lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo contendo fibroblastos, mastócitos, células linfoides, fibras colágenas e fibras reticulares. • Camada muscular: Espessa camada de músculo liso disposto em uma camada circular ou espiral interna e uma camada longitudinal externa; • Camada serosa: Formada por um folheto visceral de peritônio; Irrigação arterial e drenagem venosa dos ovários e das tubas uterinas. As artérias ováricas originam-se da parte abdominal da aorta e descem ao longo da parede abdominal posterior. Na margem da pelve, cruzam sobre os vasos ilíacos externos e entram nos ligamentos suspensores, aproximando-se das faces laterais dos ovários e das tubas uterinas. Os ramos ascendentes das artérias uterinas (ramos das artérias ilíacas internas) seguem ao longo das faces laterais do útero e se aproximam das faces mediais dos ovários e tubas uterinas. Tanto a artéria ovárica quanto a artéria uterina ascendente terminam bifurcando-se em ramos ováricos e tubários, que irrigam ovários e tubas uterinas das extremidades opostas e anastomosam-se entre si, criando uma circulação colateral de origem abdominal e pélvica para ambas as estruturas. As veias que drenam o ovário formam um plexo venoso pampiniforme, semelhante a uma trepadeira, no ligamento largo perto do ovário e da tuba uterina. As veias do plexo geralmente se fundem para formar uma única veia ovárica, que deixa a pelve menor com a artéria ovárica. A veia ovárica direita ascende e entra na veia cava inferior; a veia ovárica esquerda drena para a veia renal esquerda. As veias tubárias drenam para as veias ováricas e para o plexo venoso uterino (uterovaginal). Inervação dos ovários e das tubas uterinas. A inervação é derivada em parte do plexo ovárico, descendo com os vasos ováricos, e em parte do plexo uterino (pélvico). Os ovários e as tubas uterinas são intraperitoneais e, portanto, estão localizados acima da linha de dor pélvica. Assim, fibras de dor aferentes viscerais ascendem retrogradamente com as fibras simpáticas descendentes do plexo ovárico e dos nervos esplâncnicos lombares até os corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais T11– L1. As fibras reflexas aferentes viscerais seguem as fibras parassimpáticas retrogradamente através dos plexos uterino (pélvico) e hipogástrico inferior e dos nervos esplâncnicos pélvicos até os corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais S2–S4. Glândulas mamárias As mamas são encontradas na parede anterior do tórax, anteriormente à fáscia profunda e aos músculos peitorais; separadas deles pelo espaço retromamário. Cada mama consiste em glândulas mamárias cercadas de tecido conectivo. As glândulas mamárias são glândulas sudoríparas apócrinas modificadas. Elas possuem uma estrutura dinâmica, o que significa que a sua anatomia muda dependendo da idade da mulher, fase do ciclo menstrual e status reprodutivo. As glândulas são ativas na mulher adulta após o parto (período puerperal). Neste período, o hormônio hipofisário conhecido como prolactina estimula a produção de leite pela glândula, enquanto o hormônio hipotalâmico chamado oxitocina estimula a ejeção do leite através do mamilo. Fora do período puerperal as glândulas são menos abundantes, com a maior parte do tecido mamário preenchida por tecido adiposo. Vamos agora rever a histologia das glândulas mamárias. A glândula é composta por 15 a 20 lobos secretores, que são separados por bandas fibrosas. Estas bandas fibrosas são chamadas de ligamentos suspensores da mama. Os lobos contêm numerosos lóbulos, que consistem em glândulas tubuloalveolares. Os ductos secretores dos lobos, chamados de ductos lactíferos, convergem e se abrem no mamilo. Cada ducto lactífero se dilata em um seio lactífero antes de se abrir no mamilo. A anatomia dos mamilos é ajustada para auxiliar na função da mama. Eles são cercados por uma região circular de pele pigmentada, chamada dearéola, que se torna ainda mais pigmentada e proeminente durante a puberdade. A aréola demonstra pequenas elevações pontuais em sua superfície, que são produzidas pelas muitas glândulas areolares. Estas são em sua maioria glândulas sudoríparas e sebáceas, bem como glândulas mamárias modificadas, chamadas de glândulas de Montgomery. Elas produzem uma secreção antimicrobiana que protege a superfície da aréola. A vascularização da mama vem de três fontes: • Ramos da artéria axilar suprem a parte lateral da mama. Estas são as artérias torácica superior, toracoacromial, torácica lateral e subescapular. • Ramos da artéria torácica interna, suprem a parte medial da mama, junto com as artérias mamárias mediais. • Ramos perfurantes da segunda, terceira e quarta artérias intercostais contribuem com a vascularização de todo o seio. As veias da mama seguem as artérias mencionadas anteriormente. Elas drenam para as veias axilar, torácica interna e segunda a quarta veias intercostais. Os ramos cutâneos anterior e lateral do segundo ao sexto nervos intercostais são responsáveis pela inervação da mama. Note que o mamilo é inervado pelo quarto nervo intercostal. https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/torax https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/visao-geral-e-tipos-de-tecido-conjuntivo https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/histologia-visao-geral 2. Discorrer sobre o ciclo menstrual, a menarca, menopausa e os hormônios envolvidos. 2.1 Discorrer sobre ovogênese, crescimento folicular e menarca Folículos Primordiais Os folículos primordiais, os mais primitivos, formados durante a vida fetal, são constituídos por um ovócito primário, circundado por uma única camada de células foliculares achatadas aderidas umas às outras através de desmossomos. Ao nascimento, esses ovócitos encontram – se parados na fase de diplóteno da prófase da meiose I. O ovócito primário é uma célula esférica que apresenta um núcleo grande e excêntrico com um único nucléolo bem evidente. Contém numerosas mitocôndrias, abundantes aparelhos de Golgi e retículo endoplasmático rugoso contendo poucos ribossomos. A maioria desses folículos se localiza na região cortical, próximo à túnica albugínea. Uma lâmina basal envolve as células foliculares e marca o limite entre o folículo e o estroma conjuntivo adjacente. A partir da puberdade, a cada dia um pequeno grupo de folículos primordiais inicia um processo de crescimento folicular – modificações do ovócito, das células foliculares e dos fibroblastos do estroma que envolve cada um desses folículos. Inicialmente, o ovócito aumenta de tamanho, e ocorre proliferação das células foliculares achatadas circundantes, que se tornam cuboides. Nesse estágio, o folículo passa a ser identificado como folículo primário. Dentre a grande população de folículos primordiais, não se sabe como são selecionados os folículos que abandonam seu estado de repouso e entra na fase de crescimento. O crescimento folicular é estimulado pelo FSH secretado pela hipófise. Folículos primários Na fase de crescimento, além do aumento de diâmetro do ovócito, o núcleo aumenta de volume, vários aparelhos de Golgi estão dispersos por toda a célula, o retículo endoplasmático rugoso torna – se em rico em ribossomos, além de abundantes ribossomos livres e mitocôndrias dispersas por toda a célula Enquanto uma única camada de células foliculares cúbicas circunda o ovócito, o folículo é denominado folículo primário unilaminar. Quando as células foliculares proliferam e se estratificam, formando várias camadas de células ao redor do ovócito primário que se comunicam por junções comunicantes, o folículo passa a ser denominado folículo primário multilaminar ou folículo pré - antral. Nesse caso, esta camada de células foliculares recebe o nome de células da granulosa. A lâmina basal se mantém entre a camada mais externa de células foliculares e o estroma de tecido conjuntivo. Além disso, uma espessa camada amorfa, chamada zona pelúcida, composta de várias glicoproteínas (que atribuem acidofilia a essa zona) é secretada e envolve todo o ovócito. Acredita – se que o ovócito e as células foliculares contribuam para a síntese da zona pelúcida. Delgados prolongamentos de células foliculares e microvilos do ovócito penetram a zona pelúcida e estabelecem contato entre si por junções comunicantes. As células do estroma começam a se organizar ao redor do folículo primário multilaminar formando a teca interna, constituída principalmente por uma camada celular ricamente vascularizada, e a teca externa, constituída principalmente células do estroma sem maiores modificações. As células da camada granulosa estão separadas da teca interna por uma espessa lâmina basal. As células poliédricas que compõem a teca interna possuem receptores para o hormônio luteinizante (LH) e assumem características de células produtoras de esteroides. Seu citoplasma acumula numerosas gotículas lipídicas, apresenta um abundante retículo endoplasmático liso e as cristas mitocondriais são tubulares. Essas células da teca interna produzem o hormônio sexual masculino androstenediona, o qual penetra nas células da camada granulosa, onde é convertido pela enzima aromatase no estrógeno estradiol. Além das células secretoras, a teca interna contém fibroblastos, feixes de colágeno e uma rede rica de pequenos vasos. A teca externa é a camada externa e contém principalmente células musculares lisas e feixes de fibras colágenas. As células são semelhantes às células do estroma ovariano, porém se arranjam de modo organizado concentricamente em volta do folículo. Folículos secundários (ou antrais) À medida que os folículos crescem, principalmente em virtude do aumento (em tamanho e em número) das células da granulosa, eles ocupam áreas mais profundas da região cortical do ovário. O líquido folicular, formado por componentes do plasma e produtos secretados pelas células foliculares, começa a se acumular entre as células foliculares. Os pequenos espaços que contêm esse fluido se unem formando uma grande cavidade, o antro folicular. A partir disso, esses folículos são chamados de folículos secundários ou antrais. A continuação da proliferação das células da camada granulosa do folículo secundário depende do hormônio folículo estimulante (FSH). Sob a influência do FSH, o número de camadas de células da granulosa aumenta, assim como o número de espaços intercelulares, contendo fluido folicular. Este fluido, um exsudato do plasma, contém glicosaminoglicanos, proteoglicanos e proteínas de ligação a esteroides produzidas pelas células da camada granulosa. Além disso, contém os hormônios progesterona, estradiol, inibina, foliostatina e ativina, os quais regulam a liberação de LH e FSH. Por sua vez, o FSH (juntamente com os estrógenos) estimula as células da camada granulosa a produzirem receptores para LH. SE LIGA! A inibina atua na regulação da síntese e secreção de FSH pela adeno – hipófise. Com a formação do antro, as células da camada granulosa se reorganizam de modo que algumas se concentram em determinado local da parede do folículo, formando um pequeno espessamento, o cumulus oophorus, que serve de apoio ao ovócito. Além disso, um pequeno grupo de células foliculares envolve o ovócito, constituindo a corona radiata. Este conjunto de células emite microvilosidade que penetram em toda a zona pelúcida e comunicam – se por meio de junções comunicantes, com as microvilosidades do ovócito. A corona radiata acompanha o ovócito quando este abandona o ovário por ocasião da ovulação. Folículos maduros (ou de Graaf) Normalmente durante cada ciclo menstrual, um folículo antral cresce muito mais que os outros e se torna o folículo dominante, que pode alcançar o estágio mais desenvolvido de crescimento e prosseguir até a ovulação. Quando alcança seu máximo desenvolvimento, essefolículo é chamado folículo maduro, pré – ovulatório ou de Graaf. Como resultado do acúmulo de líquido, a cavidade folicular aumenta de tamanho e a camada de células da granulosa da parede do folículo torna – se mais delgada, sendo agora chamada de membrana granulosa, pois essas células não se multiplicam na mesma proporção que o crescimento do folículo. Esses folículos têm suas tecas muito espessas. A continuação da formação do líquido folicular leva o cumulus oophorus, a corona radiata e as células foliculares associadas ao ovócito, a se separar da sua base, passando a flutuar livremente no líquido folicular. O folículo de Graaf pode ser observado como uma saliência transparente na superfície do ovário, quase tão grande quanto o próprio ovário. Os outros folículos que estavam crescendo com certa sintonia em relação ao dominante, entram em atresia. PUBERDADE E MENARCA Puberdade significa o início da fase adulta, e menarca significa o primeiro ciclo de menstruação. O período da puberdade é causado por aumento gradual na secreção dos hormônios gonadotrópicos pela hipófise, começando em torno dos 8 anos de idade, e normalmente culminando no início da puberdade e da menstruação, entre 11 e 16 anos de idade, nas meninas (em média, aos 13 anos). Na mulher, assim como nos homens, a hipófise infantil e os ovários são capazes de funcionar completamente, se estimulados apropriadamente. Entretanto, assim como também é verdadeiro para os homens e por motivos ainda não entendidos, o hipotálamo não secreta quantidades significativas de GnRH (hormônio liberador de gonadotropina) durante a infância. Experimentos revelaram que o hipotálamo é capaz de secretar esse hormônio, mas o sinal apropriado de alguma outra área do cérebro para desencadear a secreção está ausente. Portanto, acredita-se, hoje, que o início da puberdade se dê por algum processo de amadurecimento que ocorre em alguma outra parte do cérebro, talvez em algum ponto do sistema límbico. Os primeiros ciclos depois do início da puberdade geralmente são anovulatórios, assim como os ciclos que ocorrem alguns meses a anos antes da menopausa, talvez porque o pico de LH não seja potente o bastante, nessas épocas, para provocar ovulação. Se o pico pré-ovulatório de LH não tiver grandeza suficiente, a ovulação não ocorrerá, e diz-se que o ciclo é “anovulatório”. As fases do ciclo sexual continuam, mas são alteradas das seguintes maneiras: primeiro, a ausência de ovulação leva ao não desenvolvimento do corpo lúteo, de maneira que não há quase nenhuma secreção de progesterona, durante a última porção do ciclo. Em segundo lugar, o ciclo é encurtado por vários dias, mas o ritmo continua. Por isso, é provável que a progesterona não seja necessária à manutenção do ciclo em si, muito embora possa alterar seu ritmo. 2.2 Discorrer sobre o ciclo menstrual e os hormônios envolvidos TRATADO DE FISIOLOGIA MÉDICA, GUYTON HISTOLOGIA BASICA, JUNQUEIRA E CARNEIRO O sistema hormonal feminino, assim como o masculino, consiste em três hierarquias de hormônio, a saber: 1. O hormônio de liberação hipotalâmica, chamado hormônio liberador de gonadotropina (GnRH). 2. Os hormônios sexuais hipofisários anteriores, o hormônio folículo estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), ambos secretados em resposta à liberação de GnRH do hipotálamo. 3. Os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, que são secretados pelos ovários, em resposta aos dois hormônios sexuais femininos da hipófise anterior. Esses diversos hormônios são secretados com intensidades drasticamente distintas, durante as diferentes partes do ciclo sexual feminino mensal. A Figura 82-4 mostra as concentrações aproximadas nas variações dos hormônios gonadotrópicos hipofisários anteriores FSH e LH (as duas curvas inferiores) e dos hormônios ovarianos estradiol (estrogênio) e progesterona (as duas curvas superiores). A quantidade de GnRH liberada pelo hipotálamo aumenta e diminui de modo bem menos drástico durante o ciclo sexual mensal. Esse hormônio é secretado em pulsos curtos, em média uma vez a cada 90 minutos, como ocorre nos homens. RESUMO A cada 28 dias, mais ou menos, hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior fazem com que cerca de 8 a 12 novos folículos comecem a crescer nos ovários. Um desses folículos finalmente “amadurece” e ovula no 14 o dia do ciclo. Durante o crescimento dos folículos, é secretado, principalmente, estrogênio. Depois da ovulação, as células secretoras dos folículos residuais se desenvolvem em corpo lúteo que secreta grande quantidade dos principais hormônios femininos, estrogênio e progesterona. Depois de outras duas semanas, o corpo lúteo degenera, quando, então, os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, diminuem bastante, iniciando a menstruação. Um novo ciclo ovariano, então, se segue. Ciclo menstrual Estrógenos e progesterona controlam grande parte da estrutura e das funções dos órgãos do sistema genital feminino. A proliferação, diferenciação e secreção das células epiteliais, como também o tecido conjuntivo, dependem desses hormônios. Mesmo antes do nascimento, esses órgãos são influenciados por estrógenos e progesterona, que circulam no sangue materno e alcançam o feto pela placenta. Depois da menopausa, a síntese diminuída desses hormônios causa uma involução geral dos órgãos reprodutores. Depois da puberdade, os hormônios ovarianos, por estímulo da adeno-hipófise, fazem com que o endométrio passe por modificações estruturais cíclicas durante o ciclo menstrual, cuja duração é variável, com média de 28 dias. Ciclos menstruais geralmente começam entre 12 e 15 anos de idade e continuam até os 45 a 50 anos. Como os ciclos menstruais são consequência de eventos ovarianos relacionados com a produção de ovócitos, a mulher só é fértil durante o período em que tem esses ciclos. Para finalidades práticas, considera-se o começo de um ciclo como o dia em que se inicia o sangramento menstrual. Este sangramento consiste em minúsculos fragmentos de endométrio misturados com sangue dos vasos sanguíneos rompidos durante a menstruação. A fase menstrual do ciclo dura em média 3 a 4 dias. A fase seguinte do ciclo menstrual é denominada fase proliferativa, que é seguida pela fase secretória (ou luteal). Esta última começa após a ovulação e dura aproximadamente 14 dias. A duração da fase proliferativa é variável, em média 10 dias. Apesar dessa divisão em fases, as mudanças estruturais que acontecem durante o ciclo são graduais; a divisão em fases depende da secreção diferencial de hormônios ovarianos, que se reflete em diferentes situações funcionais e clínicas da mulher durante o ciclo Fase proliferativa, folicular ou estrogênica A mucosa uterina é bastante delgada após sofrer descamação na fase menstrual, medindo cerca de 0,5 mm de espessura. O começo da fase proliferativa coincide com o crescimento rápido de um pequeno grupo de folículos ovarianos que estão provavelmente na transição entre folículos pré-antrais e antrais. Quando sua teca interna se desenvolve mais intensamente, esses folículos começam a secretar ativamente estrógenos, cujas concentrações plasmáticas aumentam gradualmente. Os estrógenos agem no endométrio induzindo a proliferação celular, que reconstitui o endométrio perdido durante a menstruação (os estrógenos agem também em outras partes do sistema genital, por exemplo, induzindo a produção de cílios nas células do epitélio da tuba uterina). Durante a fase proliferativa, o endométrio está coberto por um epitélio colunar simples (Figura 22.20). As glândulas uterinas, formadas por um epitélio colunar simples, são tubos retilíneos, e seu lúmen é estreito (Figura 22.21). As células epiteliais gradualmente acumulam cisternas de retículo endoplasmático granuloso, e o complexo de Golgi aumenta de tamanho em preparação para o crescimento da suaatividade secretora. Ao término da fase proliferativa, o endométrio mede cerca de 2 a 3 mm de espessura. Fase secretória ou luteal A fase secretória começa depois da ovulação e resulta da ação da progesterona secretada pelo corpo lúteo que se forma após a ovulação. A progesterona continua estimulando as células epiteliais das glândulas que já haviam crescido na fase proliferativa por ação do estrógeno. As células epiteliais começam a acumular glicogênio na porção infranuclear. Em seguida, a quantidade de glicogênio das células diminui, e produtos de secreção dilatam o lúmen das glândulas. Uma característica morfológica importante dessa fase é o fato de as glândulas se tornarem muito tortuosas (Figura 22.22). Nesse período, o endométrio alcança sua máxima espessura (cerca de 5 mm), como resultado do crescimento da mucosa, do acúmulo de secreção e do edema no estroma. Mitoses são raras durante a fase secretória. Se tiver ocorrido fertilização, o embrião terá sido transportado ao útero e aderido ao epitélio uterino durante a fase secretória, cerca de 7 ou 8 dias depois da ovulação. É possível que a secreção das glândulas seja uma fonte de nutrição para o embrião antes de sua implantação no endométrio. Um papel importante da progesterona é inibir contrações das células musculares lisas do miométrio, que poderiam interferir na implantação do embrião. Fase menstrual Se não ocorre a fertilização do ovócito e a implantação do embrião, o corpo lúteo deixa de funcionar 10 a 12 dias depois da ovulação. Em consequência, diminuem rapidamente os níveis de estrógenos e, principalmente, progesterona no sangue. Ocorrem vários ciclos de contração das artérias espirais do endométrio, que são fonte para a irrigação da camada funcional. Disso resulta um bloqueio do fluxo de sangue, produzindo isquemia e causando morte (por necrose) das paredes das artérias, assim como das células da porção da camada funcional do endométrio irrigada por esses vasos. As artérias se rompem após os locais de constrição; então, o sangramento começa. A maior parte da camada funcional do endométrio é separada da mucosa e cai no lúmen uterino, fazendo parte do fluido menstrual. O resto do endométrio encolhe devido à perda de fluido intersticial. A quantidade de endométrio e sangue perdida varia de uma mulher para outra, e até mesmo na mesma mulher em diferentes ciclos. Ao término da fase menstrual, o endométrio é reduzido a uma espessura muito delgada (a camada basal). Assim, ele está pronto para iniciar um novo ciclo, pois suas células começam a se dividir para reconstituir a mucosa por ação de estrógenos secretados em quantidades crescentes por folículos em ativo crescimento. A Tabela 22.1 resume os principais eventos do ciclo menstrual. Endométrio gravídico Se houve uma implantação embrionária, as células trofoblásticas produzem HCG, que estimula o corpo lúteo a continuar secretando progesterona. Portanto, assim que a gravidez se estabelece, a menstruação não ocorre, e o ciclo menstrual cessa durante toda a duração da gestação. A progesterona faz as glândulas uterinas tornarem-se mais dilatadas e mais tortuosas, bem como produzirem mais secreção do que durante a fase secretória. 2.3 Discorrer sobre a menopausa e os hormônios envolvidos MENOPAUSA Entre 40 e 50 anos de idade, o ciclo sexual geralmente torna-se irregular, e a ovulação muitas vezes não ocorre. Depois de alguns meses a alguns anos, o ciclo cessa totalmente, como mostrado na Figura 82-13. O período durante o qual o ciclo cessa e os hormônios femininos caem a quase zero é denominado menopausa. A causa da menopausa é o “esgotamento” dos ovários. Durante toda a vida reprodutiva da mulher, cerca de 400 dos folículos primordiais crescem em folículos maduros e ovulam, e centenas de milhares de óvulos degeneram. Em torno dos 45 anos de idade, apenas uns poucos folículos primordiais continuam a ser estimulados por FSH e LH e a produção de estrogênios pelos ovários diminui à medida que o número de folículos primordiais se aproxima de zero. Quando a produção de estrogênio cai abaixo de nível crítico, os estrogênios não conseguem mais inibir a produção das gonadotropinas FSH e LH. Em vez disso, como ilustrado na Figura 82-12, as gonadotropinas FSH e LH (principalmente FSH) são produzidas depois da menopausa em quantidades elevadas e contínuas, mas, como os folículos primordiais remanescentes ficam atrésicos, a produção de estrogênios pelos ovários cai quase a zero. Na época da menopausa, a mulher precisa reajustar sua vida de uma que era fisiologicamente estimulada pela produção de estrogênio e progesterona para uma desprovida desses hormônios. A perda dos estrogênios geralmente causa mudanças fisiológicas acentuadas, incluindo (1) “fogachos”, caracterizados por rubor extremo da pele; (2) sensações psíquicas de dispneia; (3) irritabilidade; (4) fadiga; (5) ansiedade; e (6) diminuição da resistência e da calcificação dos ossos no corpo inteiro. Esses sintomas são de magnitude considerável em apenas 15% das mulheres e necessitam de tratamento. A administração diária de estrogênio, em pequenas quantidades, normalmente reverte os sintomas, e, ao diminuir a dose gradativamente, é provável que as mulheres na pós-menopausa possam evitar sintomas graves. Grandes ensaios clínicos têm fornecido evidências de que a administração de estrogênios após a menopausa, embora melhore muitos dos sintomas desta, pode aumentar os riscos de doença cardiovascular. Consequentemente, o tratamento de substituição hormonal com estrogênios já não é prescrito sistematicamente nas mulheres pós-menopáusicas. No entanto, alguns estudos sugerem que o tratamento com estrogênios pode realmente reduzir o risco de doença cardiovascular caso seja iniciado precocemente, nos primeiros anos após a menopausa. Portanto, neste momento, recomenda-se que as mulheres na pós-menopausa, que desejam receber tratamento de substituição hormonal, falem com seus médicos para saber se os benefícios superam os riscos. Nos últimos 16 anos, a esperança de vida no Brasil aumentou em cinco anos, passando, de 67 anos (1991) para 72 anos (2007)1 . A população brasileira tornou-se, neste período mais longeva. No caso das mulheres, estas passaram a viver mais tempo, experimentando modificações em seus corpos que muitas gerações anteriores não conseguiram2 . O climatério é o período da vida das mulheres marcado por diversas transformações e mudanças que caracterizarão o término do período reprodutivo. É exatamente este o seu significado - a transição entre a fase reprodutiva e a não-reprodutiva das mulheres3 . No entanto, ainda que um fenômeno fisiológico, para algumas é percebido como uma fase natural e sinal de maturidade, enquanto para outras mulheres significa perdas, aproximação da velhice e sinônimo de doenças3 . A menopausa é definida como a cessação permanente da menstruação, que é resultado da perda da atividade folicular ovariana, reconhecida pela ocorrência consecutiva de doze meses de amenorréia, enquanto a perimenopausa é o período imediato que antecede a menopausa, quando se estabelecem mudanças endócrinas, biológicas e clínicas que culminam com a menopausa4 . Devido à possibilidade de a menopausa exercer conotações culturais, pessoais e sociais, muitas das quais podem influenciar o humor, outros fatores relacionados ao risco de depressão durante o climatério devem ser considerados. Em algumas sociedades orientais, a menopausa representa uma significativa mudança, que geralmente confere respeito, autoridade e um sentimento de alívio pelos anos anteriores de reprodução5 . Para outras mulheres, particularmente, aquelas que vivem em culturas que reverenciam a juventude, pode ser atribuída uma percepção negativa à menopausa5 . Modificações psicológicas e no estilo de vida comuns tantoao envelhecimento quanto à transição menopausal, tais como ganho de peso e redução da atividade física, contribuem para depressão e sintomas depressivos6 . As fases de peri e pós-menopausa, por se constituírem em períodos relativamente longos da vida das mulheres, devem merecer atenção crescente por parte da sociedade, especialmente devido à presença de sinais e sintomas, bem como de doenças, algumas de caráter crônico e degenerativo. Assim, os serviços de saúde devem estar capacitados para acolher essas História ginecológica e sintomatologia climatérica Rev Bras Crescimento Desenvolvimento Hum. 2010; 20(3) 778-786 – 780 – mulheres, proporcionando- lhes atenção e assistência de qualidade. É reconhecidamente cada vez maior o número de mulheres que se preocupam em ter uma vida saudável e optam por mudanças em seu estilo de vida, como tentativa de prevenir incapacidades, limitações, doenças e sintomas desagradáveis que possam prejudicar atividades de lazer, os relacionamentos interpessoais e o trabalho, mais do que simplesmente ter vida longa. As características de uma vida saudável constituem-se na essência do que significa qualidade de vida relacionada à saúde7 . Psicologicamente, durante o climatério as mulheres devem lidar com mudanças internas decorrentes das alterações hormonais, perda do potencial reprodutivo e transição para uma idade mais avançada. Socialmente, na meia-idade, elas têm que enfrentar muitos problemas, incluindo filhos que saem de casa, doenças que surgem, a perda dos pais e de familiares, adoecimento de familiares e, por vezes, estresse e incompreensão no casamento. Nesse sentido, numerosas variáveis, sociodemográficas, nível educacional, status social e ocupacional, rendimentos e rede social podem influenciar o modo como as mulheres se adaptam às muitas mudanças que ocorrem durante os anos de transição menopausal8 CICLO UTERINO Na fase proliferativa ou estrogênica tem-se a proliferação do endométrio. Ela ocorre do primeiro dia do ciclo menstrual até a ovulação, correspondendo à primeira fase do ciclo ovariano. Nesse momento, ocorre a proliferação progressiva de células epiteliais e do estroma endometrial, levando ao aumento da espessura do endométrio, pela estimulação do estrogênio. Na fase proliferativa, as glândulas endometriais que se encontravam estreitas e pequenas se alongam e assumem um formato mais curvado. O pico do estradiol ocorre entre os dias 8 e 10 do ciclo, nesse momento o endométrio se encontra com sua máxima capacidade glandular. O endométrio que inicialmente tinha 1 a 2 mm cresce e chega a 10mm na pré-ovulação. Depois da ovulação, cerca de 48 a 72 horas, ocorre a fase secretória ou progestacional. Ela ocorre após a ovulação, pela ação da progesterona. Nessa fase, o endométrio uterino está se preparando para receber um embrião, então há aumento de glicogênio e lipídios, aumento das glândulas endometriais e consequentemente da produção de muco e aumento do fluxo sanguíneo do endométrio, para melhor aporte de oxigênio e nutrientes. Vacúolos com glicogênio são formados pelas glândulas do endométrio, o glicogênio é secretado no endométrio e atinge sua capacidade máxima no sexto dia após a ovulação. Nesse tempo, o endométrio é capaz de receber um blastocisto para implantação. Quando não ocorre fecundação e consequentemente implantação uterina, a involução do corpo lúteo leva a redução de progesterona, isso faz com que as alterações endometriais ocorram. Inicia-se o processo de vasoconstricção pelo aumento de protaglandinas, principalmente PGF2alfa. Como as células estavam sendo irrigadas por vasos que agora estão constritos, ocorre atrofia e necrose celular da camada superficial do endométrio por falta de aporte de oxigênio. Assim, essas células começam a descamar. Para eliminar as células descamadas, o útero contrai. A descamação do endométrio é chamada de menstruação. 3. Abordar sobre a média e o desvio padrão aplicados à menstruação. 3.1 Conceituar média e desvio padrão Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades, Organização Pan- Americana da Saúde, 2010 A quantificação do estado de saúde e padrões de doença na população requer métodos e técnicas que permitam coletar dados de forma objetiva e eficiente; converter os dados em informação para facilitar sua comparação e simplificar sua interpretação; e transformar a informação em conhecimento relevante para as ações de controle e prevenção. Para conhecer os grupos de população que apresentam maior número de casos, os lugares com maior incidência ou prevalência de determinadas doenças e o momento em que ocorrem os eventos na saúde, devem-se aplicar sistematicamente alguns processos básicos de manuseio de dados ou variáveis. Um dos primeiros passos no processo de medição do estado de saúde na população é a definição das variáveis que o representam ou caracterizam. Variável: qualquer característica ou atributo que pode assumir valores diferentes. As variáveis podem ser de dois tipos, qualitativa e quantitativa. Denominamos variáveis qualitativas aquelas que são atributos ou propriedades. As variáveis quantitativas são aquelas nas quais o atributo mede-se numericamente e, por sua vez, podem ser classificadas em discretas e contínuas. As variáveis discretas assumem valores que são sempre números inteiros; por exemplo, o número de filhos de um casal, o número de dentes com cárie, o número de leitos de um hospital, o número de hemácias por campo, o pulso, etc, que somente podem tomar valores de um conjunto finito. As variáveis contínuas podem tomar tantos valores quanto permita a precisão do instrumento de medição; por exemplo, o peso ao nascer de um bebê de 2.500 gramas pode ser medido com maior precisão, como 2.496,75 gramas, se a nossa balança assim o permitir. Medidas de resumo de uma distribuição Muitas vezes é necessário utilizar um valor resumo que represente a série de valores em seu conjunto, isso é, sua distribuição. Para os dados de variáveis qualitativas e as quantitativas discretas, a proporção ou porcentagem, a razão e as taxas são algumas medidas típicas de resumo. Para os dados de variáveis quantitativas contínuas, no entanto, há medidas que resumem sua tendência para um valor médio (medidas de tendência central) e outras que resumem seu grau de variabilidade (medidas de dispersão). Cada uma proporciona informação complementar e útil para a análise epidemiológica. Medidas de tendência central As medidas de tendência central dos dados são a moda, a mediana e a média. A seleção das medidas depende do tipo de dados e propósitos. Os valores de muitas variáveis biológicas, como altura, se distribuem de modo simétrico. Outras variáveis, como a mortalidade e a taxa de ataque de uma epidemia, têm distribuição assimétrica. Para distribuições normais (exemplo de distribuição simétrica), a média, a mediana e a moda são idênticas. Para distribuições assimétricas, a mediana representa melhor o conjunto de dados, apesar de que a média tem melhores propriedades para a análise estatística e testes de significância • O valor mais frequente, ou seja o que mais se repete, é denominado moda • Esse valor que ocupa a posição central de uma série ascendente ou descendente é denominado mediana e divide a série em 50% das observações acima e 50% abaixo dela. Essa medida também é útil e pode ser empregada para representar a tendência central do conjunto de dados, principalmente quando não é conveniente usar a média devido à presença de valores extremos ou quando a distribuição é assimétrica, como na curva epidêmica • A média (x) também é muito útil e se obtém somando os valores de todas as observações e dividindo o resultado entre o número de observações Medidas de dispersão Para as variáveis quantitativascontínuas, as medidas de dispersão mais usadas são basicamente três: a amplitude, a variância e o desvio-padrão. Essas medidas representam a dispersão ou variabilidade dos dados contínuos. • A amplitude é a diferença entre o valor máximo e o valor mínimo de uma série de dados. • A variância, que mede o desvio médio dos valores individuais em relação à média, é o quociente entre a soma dos quadrados da diferença entre cada valor e a média, e o número de valores observados menos 1. • O desvio-padrão (DP) é a raiz quadrada da variância. O desvio-padrão e a média permitem descrever a distribuição da variável. Como vimos, a média e o desvio-padrão definem a distribuição normal e, por isso, são considerados seus parâmetros. A média, como medida-resumo de tendência central dos dados, é um indicador-medida-resumo da precisão das observações. Por um lado, o desvio- padrão, como medida-resumo da dispersão dos dados, é um indicador da variação das observações. Esses dois conceitos, precisão e variação, são de grande importância para documentar a incerteza com que observamos os fenômenos na população e constituem os princípios básicos do processo de inferência estatística, cujo uso nos permite derivar conclusões acerca de toda a população, observando somente uma amostra dela. 3.2 Abordar média e desvio padrão aplicados à menstruação Artigo HISTÓRIA GINECOLÓGICA E SINTOMATOLOGIA CLIMATÉRICA DE MULHERES PERTENCENTES A UMA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO ESTADO DO ACRE, Andréa Ramos da Silva e colaboradores, 2010 Trata-se de estudo observacional, descritivo, de corte transversal, desenvolvido com mulheres na pré, peri e pós-menopausa. Esta pesquisa foi realizada com 265 mulheres na faixa etária de 35 a 65 anos, cadastradas no Módulo de Saúde da Família Ruy Lino, no município de Rio Branco (Acre). Conforme se visualiza na Tabela 1, a média de idade a menarca foi de 13,3 (±1,8) anos. Este também foi o valor da mediana. A idade mínima da primeira menstruação foi 9 anos e a máxima, 20 anos (menarca tardia). As mulheres estudadas referiram, em média, 3,5 (±2,6) gestações e dois filhos vivos. Quanto à idade da menopausa, constatou-se que ela ocorreu em torno dos 47,5 (±5,3) anos. A média de idade em que a menopausa ocorre não se alterou de modo importante desde os relatos de Aristóteles e Hipócrates há quase dois mil anos, onde há registro desta idade por volta da quarta década. Autores medievais relataram que a parada da menstruação ocorria por volta dos 50 anos, muito próxima da média etária à menopausa da mulher do século XX, tanto nas mulheres brasileiras como nas de países desenvolvidos do Ocidente. Desta forma no presente estudo a média de idade obtida para a menopausa foi similar de outras pesquisas tanto nacionais como internacionais. 4. Discutir sobre a relação médico-paciente no que se refere à educação sexual. 4.1 Importância da educação sexual EDUCAÇÃO SEXUAL NO CONTEXTO FAMILIAR E ESCOLAR: IMPASSES E DESAFIOS, Gonçalves e colaboradores, 2013 De acordo com Souza (1991), educar sexualmente consiste em oferecer condições para que as pessoas assumam seu corpo e sua sexualidade com atitudes positivas, livres de medo, preconceitos, culpas, vergonha, bloqueios ou tabus. Conforme ressaltado por ECOS – Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana (ECOS, 2013), a educação sexual deve ser entendida como um direito que as crianças e/ou adolescentes têm de conhecer seu corpo e ter uma visão positiva da sua sexualidade; de manter uma comunicação clara em suas relações; de ter pensamento crítico; de compreender seu próprio comportamento e o do outro. Deve ser preocupação dos pais e educadores que os adolescentes tenham uma educação sexual sadia, pautado em valores e hábitos condizentes com a valorização da vida e com os direitos humanos. Frente ao exposto, a família e a escola, corresponsáveis pela formação do indivíduo, deve possibilitar aos jovens uma educação sexual que, pressupõe a busca de uma sexualidade emancipatória, ou seja, uma sexualidade gratificante, socialmente livre e responsável, subjetivamente enriquecedora concebida como parte integrante e essencial da vida humana. A educação sexual emancipatória pressupõe o desenvolvimento de ações educativas com a finalidade de promover a autonomia, buscando superar padrões de comportamentos hierarquizados e estereotipados, superando preconceitos e tabus (GARCIA, 2005). Em nossa sociedade, a sexualidade não tem sido explorada e/ou dialogada de modo que as pessoas sejam educadas a conhecê-la e aprender que o seu exercício não é feio e pecaminoso, culminando, nesse sentido, em uma deseducação sexual. O “não dialogar”, desse modo, facilita a exposição de adolescentes a situações de riscos relacionados ao exercício da sexualidade, como gravidez indesejada, contágio de infecções sexualmente transmissíveis e traumas psicológicos e emocionais resultantes da vivência de uma sexualidade frustrante (TRINDADE & BRUNS, 1999) 4.2Relação médico-paciente-família no que se refere à educação sexual Manual Atendendo a adolescente no consultório, FEBRASGO, 2017 A presença de pacientes adolescentes tem sido uma situação cada vez mais frequente nos consultórios dos ginecologistas. Entre os motivos de consulta destacam-se: ✓ avaliação de rotina do desenvolvimento da puberdade, ✓ problemas relacionados aos ciclos menstruais, cólicas, corrimento, ✓ desejo de contracepção. Obter a confiança da adolescente é o maior desafio que o profissional tem ao atender uma jovem que se encontra num momento de transição de desenvolvimento biopsicossocial. Alguns tópicos da anamnese ginecológica não diferem da paciente adulta, no entanto, aspectos relacionados à sexualidade devem ser abordados com cautela, pois na maioria das vezes a adolescente está acompanhada e nem sempre compartilha sua vida sexual com os familiares. Confiando no profissional, a adolescente terá oportunidade de discutir aspectos da sua sexualidade e receber orientação adequada sobre contracepção e prevenção de doenças de transmissão sexual. Situações frequentes que o ginecologista vai se deparar na consulta da adolescente: ✓ O profissional na maioria das vezes é escolhido pela mãe da adolescente, e com frequência é o próprio ginecologista da mãe. Neste caso, a mãe procura o profissional da sua confiança esperando que ele a mantenha informada sobre tudo o que ocorrer na consulta. ✓ A mãe resolve que está na hora de consultar, marca a consulta e depois comunica à filha, que não consegue exercer sua autonomia. Logo, essa adolescente vai à consulta contra a sua vontade. ✓ A adolescente quer consultar o ginecologista, mas sua mãe insiste em estar presente na sala de consulta, alegando que a filha “é menor de idade”. A consulta transcorre com restrição, pois o profissional não sabe até que ponto vai o relacionamento mãe-filha. ✓ A adolescente vai se consultar sem o conhecimento da mãe, o que deixa o ginecologista desconfortável pelos aspectos ético-legais da consulta em menores de idade. A história menstrual precisa ser detalhada. No caso de a adolescente não ter tido menarca, importante avaliar se já iniciou os caracteres sexuais. A idade da menarca e os ciclos menstruais subsequentes devem ser bem descritos quanto ao intervalo, quantidade e duração do fluxo e data da última menstruação. As adolescentes devem ser orientadas a marcarem seus períodos menstruais e, para isto, pode ser oferecido um calendário menstrual ou podem ser sugeridos aplicativos de controle do ciclo, disponíveis para smartphones. Muitas dúvidas surgem com relação aos ciclos irregulares no período da pós-menarca, e a orientação sobre imaturidade do eixo, comum nesta fase, tranquiliza a paciente ea sua mãe, muitas vezes preocupadas com o futuro reprodutivo. Uma das maiores dificuldades na anamnese é abordar assuntos ligados à sexualidade, uma vez que estamos frente a pacientes menores de idade, o que gera preocupação aos profissionais sobre aspectos ligados ao sigilo e privacidade. (10) Perguntas sobre vida sexual na presença da mãe são consideradas não apropriadas. O fato de a mãe entrar junto e dizer que “o relacionamento delas é ótimo” não sinaliza positivamente que ela tenha pleno conhecimento da vida sexual da sua filha. A menos que a adolescente fale espontaneamente que o motivo da consulta foi anticoncepção porque ela está tendo relações sexuais ou deseja iniciar, o ginecologista deve abordar com tato esse tópico, evitando deste modo criar uma situação de conflito entre mãe e filha. A clássica pergunta: “Você prefere que sua mãe saia?” nem sempre vai surtir o efeito desejado. Devemos lembrar que o fato de a paciente ser menor de idade serve de pretexto para que a mãe se sinta no dever de acompanhar todo o exame. Se a adolescente responder que prefere ficar sozinha, o ginecologista corre o risco de escutar a mãe retrucar para sua filha: “Por que você quer que eu saia, tem alguma coisa para esconder?”. Uma maneira adequada é perguntar: “Você faz questão da presença da sua mãe no momento do exame?”. Com essa abordagem, estamos dando a chance para a adolescente dizer que se sente segura para dirigir-se ao exame sozinha e dispensar o “apoio” da mãe zelosa, sem criar conflitos. Uma vez que tenhamos um momento a sós com a adolescente, os aspectos de sigilo devem ser abordados, garantindo a confidencialidade. Essa informação é muito importante, já que as adolescentes se sentem inseguras, principalmente quando o ginecologista foi escolhido pela sua mãe. Ao ser tranquilizada que o sigilo será preservado, teremos a oportunidade de orientar a respeito de contracepção e cuidados para se prevenir de infecções sexualmente transmitidas. Sabemos que na maioria das vezes os jovens iniciam a atividade sexual e só se preocupam com anticoncepção após alguns meses sem proteção e/ou com usos indiscriminados da contracepção de emergência Todos os dados coletados na anamnese e exame físico devem ser cuidadosamente registrados, inclusive o dado se a vida sexual é mantida em segredo para evitar quebra inadvertida de sigilo numa conversa com a mãe. Nas consultas subsequentes, nas adolescentes que eram virgens na primeira consulta, é importante sempre perguntar se ela já iniciou atividade sexual, e, para aquelas que já eram sexualmente ativas, se ainda mantém sua vida sexual em segredo. • Mostrar empatia para com a adolescente é fundamental para que a anamnese transcorra de maneira satisfatória. • Indagações sobre sexualidade nem sempre são bem aceitas pela paciente, principalmente por aquelas que vêm acompanhadas, cuja mãe se adianta para dizer que “o médico pode falar o que quiser porque a paciente não tem segredo nenhum”. Aguarde sempre iniciativa da adolescente ou um momento de privacidade para abordar questões sobre a vida sexual. • Procure sempre obter um momento a sós com a adolescente sem constrangê-la. Opte por uma forma mais sutil como “você faz questão da presença de sua mãe?” em vez de “você prefere que sua mãe saia?”. • Adolescente que não teve menarca deve ser examinada para avaliação do status puberal e, no caso de desenvolvimento puberal normal, avaliação do trato de saída. • Em adolescentes que tiveram menarca e são virgens, o exame ginecológico deve ser incentivado, mas pode ser protelado, caso a adolescente esteja sem queixas ginecológicas e sinta-se desconfortável de ser examinada na sua primeira visita ao ginecologista. • Adolescentes sexualmente ativas devem ser submetidas a exame ginecológico, salvo raras exceções, visando à pesquisa de infecções de transmissão sexual. Anamnese detalhada sobre menarca e ciclos subsequentes Questões éticas Relação mãe e filha Tranquilizar quanto à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise Garantir a confidencialidade e o sigilo Instruir a acompanhar os ciclos menstruais Empatia e confiança, desenvolvimento biopsicossocial