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Turorial 2 – Os primeiros Ciclos Menstruais 
1. Explanar sobre a morfofisiologia do sistema reprodutor feminino. 
1.1 Órgãos genitais externos (monte pubiano, grandes lábios, pequenos lábios, 
clitóris, vestíbulo, glândulas vestibulares, bulbo vestibular, vascularização 
sanguínea e inervação) 
ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, MOORE 
 
ÓRGÃOS GENITAIS EXTERNOS FEMININOS 
 Os órgãos genitais externos femininos são o monte do púbis, os lábios maiores do pudendo 
(que circundam a rima do pudendo), os lábios menores do pudendo (que circundam o vestíbulo 
da vagina), o clitóris, os bulbos do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores e menores. Os 
sinônimos vulva e pudendo incluem todas essas partes; o termo vulva é usado com frequência 
na clínica. O pudendo serve: Como tecido sensitivo e erétil para excitação e relação sexual Para 
orientar o fluxo de urina Para evitar a entrada de material estranho nos sistemas genital e 
urinário. 
Monte do púbis. 
O monte do púbis é a eminência adiposa, arredondada, anterior à sínfise púbica, tubérculos 
púbicos e ramo superior do púbis. A eminência é formada por massa de tecido adiposo 
subcutâneo. A quantidade de tecido adiposo aumenta na puberdade e diminui após a 
menopausa. A superfície do monte é contínua com a parede anterior do abdome. Após a 
puberdade, o monte do púbis é coberto por pelos pubianos encrespados. 
Lábios maiores do pudendo. 
Os lábios maiores do pudendo são pregas cutâneas proeminentes que proporcionam proteção 
indireta para o clitóris e para os óstios da uretra e da vagina. 
Cada lábio maior é preenchido principalmente por um “prolongamento digital” de tecido 
subcutâneo frouxo contendo músculo liso e a extremidade do ligamento redondo do útero. 
Os lábios maiores seguem em sentido inferoposterior do monte do púbis em direção ao ânus. 
Os lábios maiores situam-se nas laterais de uma depressão central (uma fenda estreita quando 
as coxas são aduzidas, a rima do pudendo, no interior da qual estão os lábios menores do 
pudendo e o vestíbulo da vagina. As faces externas dos lábios maiores na mulher adulta são 
cobertas por pele pigmentada contendo muitas glândulas sebáceas e por pelos pubianos 
encrespados. As faces internas dos lábios são lisas, rosadas e não têm pelos. 
Os lábios maiores do pudendo são mais espessos anteriormente, onde se unem para formar a 
comissura anterior. Posteriormente, em mulheres nulíparas (que nunca tiveram filhos), 
fundem-se para formar uma crista, a comissura posterior, que está situada sobre o corpo do 
períneo e é o limite posterior da vulva. Essa comissura geralmente desaparece após o primeiro 
parto vaginal. 
 
 
Lábios menores do pudendo. 
Os lábios menores do pudendo são pregas arredondadas de pele sem pelos e sem tecido 
adiposo. Estão situados na rima do pudendo, circundam imediatamente e fecham o vestíbulo 
da vagina, no qual se abrem os óstios externo da uretra e da vagina. 
Eles têm um núcleo de tecido conjuntivo esponjoso contendo tecido erétil em sua base e 
muitos pequenos vasos sanguíneos. 
Anteriormente, os lábios menores formam duas lâminas. As lâminas mediais de cada lado se 
unem e formam o frênulo do clitóris. As lâminas laterais unem-se anteriormente à glande do 
clitóris (ou muitas vezes anterior e inferiormente, assim superpondo-se à glande e encobrindo-
a), e formam o prepúcio do clitóris. 
Nas mulheres jovens, sobretudo as virgens, os lábios menores estão unidos posteriormente por 
uma pequena prega transversal, o frênulo dos lábios do pudendo. Embora a face interna de 
cada lábio menor seja formada por pele fina e úmida, tem a cor rosa típica da túnica mucosa 
e contém muitas glândulas sebáceas e terminações nervosas sensitivas. 
Clitóris. 
O clitóris é um órgão erétil localizado no ponto de encontro dos lábios menores do pudendo 
anteriormente. 
O clitóris consiste em uma raiz e um pequeno corpo cilíndrico, formados por dois ramos, dois 
corpos cavernosos e a glande do clitóris. Os ramos fixam-se aos ramos inferiores do púbis e à 
membrana do períneo, profundamente aos lábios do pudendo. O corpo do clitóris é coberto 
pelo prepúcio. Juntos, o corpo e a glande do clitóris têm cerca de 2 cm de comprimento e < 1 
cm de diâmetro. Ao contrário do pênis, o clitóris não tem relação funcional com a uretra ou a 
micção. Atua apenas como órgão de excitação sexual. 
O clitóris é muito sensível e aumenta de tamanho à estimulação tátil. A glande do clitóris é a 
parte mais inervada do clitóris e tem densa provisão de terminações sensitivas. 
Vestíbulo da vagina. 
O vestíbulo da vagina é o espaço circundado pelos lábios menores do pudendo no qual se 
abrem os óstios da uretra e da vagina e os ductos das glândulas vestibulares maiores e 
menores. 
O óstio externo da uretra está localizado 2 a 3 cm posteroinferiormente à glande do clitóris e 
anteriormente ao óstio da vagina. De cada lado do óstio externo da uretra há aberturas dos 
ductos das glândulas uretrais. As aberturas dos ductos das glândulas vestibulares maiores estão 
localizadas nas faces mediais superiores dos lábios menores do pudendo, nas posições de 5 e 7 
horas em relação ao óstio da vagina na posição de litotomia 
O tamanho e a aparência do óstio da vagina variam com a condição do hímen, uma prega 
anular fina de mucosa, que proporciona oclusão parcial ou total do óstio da vagina. Após a 
ruptura do hímen, são visíveis as carúnculas himenais remanescentes. Esses remanescentes 
delimitam a vagina e o vestíbulo. O hímen não tem função fisiológica estabelecida, é 
considerado basicamente um vestígio do desenvolvimento, mas sua condição (e a do frênulo 
dos lábios do pudendo) muitas vezes oferece dados decisivos em casos de abuso de crianças e 
de estupro. 
Bulbos do vestíbulo. 
 Os bulbos do vestíbulo são duas massas de tecido erétil alongado, com cerca de 3 cm de 
comprimento. Os bulbos do vestíbulo situam-se lateralmente ao longo do óstio da vagina, 
superior ou profundamente aos lábios menores do pudendo (não dentro), imediatamente 
inferiores à membrana do períneo. São cobertos inferior e lateralmente pelos músculos 
bulboesponjosos que se estendem ao longo de seu comprimento. Os bulbos do vestíbulo são 
homólogos ao bulbo do pênis. 
Glândulas vestibulares. 
As glândulas vestibulares maiores (glândulas de Bartholin), com cerca de 0,5 cm de diâmetro, 
estão situadas no espaço superficial do períneo. Situam-se de cada lado do vestíbulo da vagina, 
posterolateralmente ao óstio da vagina e inferiormente à membrana do períneo; assim, estão 
no espaço superficial do períneo. As glândulas vestibulares maiores são redondas ou ovais, 
sendo parcialmente superpostas posteriormente pelos bulbos do vestíbulo. Como os bulbos, 
são parcialmente circundadas pelos músculos bulboesponjosos. Os ductos delgados dessas 
glândulas seguem profundamente aos bulbos do vestíbulo e se abrem no vestíbulo de cada lado 
do óstio vaginal. Essas glândulas secretam muco para o vestíbulo durante a excitação sexual. 
As glândulas vestibulares menores são pequenas glândulas de cada lado do vestíbulo da vagina 
que se abrem nele entre os óstios da uretra e da vagina. Essas glândulas secretam muco para 
o vestíbulo da vagina, o que umedece os lábios do pudendo e o vestíbulo da vagina. 
Irrigação arterial e drenagem venosa do pudendo. 
A irrigação abundante do pudendo provém das artérias pudendas externa e interna. A artéria 
pudenda interna irriga a maior parte da pele, os órgãos genitais externos e os músculos do 
períneo. As artérias labiais e do clitóris são ramos da artéria pudenda interna. 
As veias labiais são tributárias das veias pudendas internas e veias acompanhantes da artéria 
pudenda interna. O ingurgitamento venoso durante a fase de excitação da resposta sexual 
causa aumento do tamanho e consistência do clitóris e dos bulbos do vestíbulo da vagina. 
Inervação do pudendo. 
A face anterior do pudendo (monte do púbis,parte anterior dos lábios do pudendo) é inervada 
por derivados do plexo lombar: os nervos labiais anteriores, derivados do nervo ilioinguinal, e 
o ramo genital do nervo genitofemoral. 
A face posterior do pudendo é inervada por derivados do plexo sacral: o ramo perineal do 
nervo cutâneo femoral posterior lateralmente e o nervo pudendo centralmente. Este último é 
o principal nervo do períneo. 
Seus nervos labiais posteriores (ramos superficiais terminais do nervo perineal) suprem os 
lábios do pudendo. Os ramos profundos e musculares do nervo perineal suprem o óstio da 
vagina e os músculos superficiais do períneo. O nervo dorsal do clitóris supre os músculos 
profundos do períneo e são responsáveis pela sensibilidade do clitóris. O bulbo do vestíbulo e 
os corpos eréteis do clitóris recebem fibras parassimpáticas via nervos cavernosos do plexo 
nervoso uterovaginal. A estimulação parassimpática provoca aumento das secreções vaginais, 
ereção do clitóris e ingurgitamento do tecido erétil nos bulbos do vestíbulo. 
 
1.2 Órgão genitais internos (vagina, útero, ovários, tubas uterinas e glândulas 
mamárias) 
VAGINA 
 A vagina, um tubo musculo membranáceo distensível (7 a 9 cm de comprimento), estende-se 
do meio do colo do útero até o óstio da vagina, a abertura na sua extremidade inferior. 
O óstio da vagina, o óstio externo da uretra e os ductos da glândula vestibular maior e as 
glândulas vestibulares menores abrem-se no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios 
menores do pudendo. A parte vaginal do colo do útero está localizada anteriormente na parte 
superior da vagina. 
A vagina: 
• Serve como canal para o líquido menstrual 
• Forma a parte inferior do canal de parto 
• Recebe o pênis e o ejaculado durante a relação sexual 
• Comunica-se superiormente com o canal do colo do útero e inferiormente com o 
vestíbulo da vagina. 
A vagina geralmente encontra-se colapsada. O óstio costuma estar colapsado em direção à 
linha mediana, de modo que suas paredes laterais ficam em contato de cada lado de uma fenda 
anteroposterior. Superiormente ao óstio, porém, as paredes anterior e posterior estão em 
contato a cada lado de uma cavidade virtual transversal, que tem formato de H em corte 
transversal, com exceção de sua extremidade superior, na qual o colo do útero as mantém 
afastadas. 
A vagina situa-se posteriormente à bexiga urinária e à uretra, sendo que esta se projeta ao 
longo da linha mediana de sua parede anteroinferior. A vagina situa-se anteriormente ao reto, 
passando entre as margens mediais do músculo levantador do ânus (puborretal). O fórnice da 
vagina, o recesso ao redor do colo, tem partes anterior, posterior e lateral. A parte posterior do 
fórnice da vagina é a mais profunda e tem íntima relação com a escavação retouterina. 
 Quatro músculos comprimem a vagina e atuam como esfíncteres: pubovaginal, esfíncter 
externo da uretra, esfíncter uretrovaginal e bulboesponjoso. 
A vagina está relacionada: 
• Anteriormente com o fundo da bexiga e a uretra 
• Lateralmente com o músculo levantador do ânus, a fáscia visceral da pelve e os ureteres 
• Posteriormente (da parte inferior para a superior) com o canal anal, o reto e a escavação 
retouterina. 
Camadas 
Mucosa: Interna, com numerosas pregas e revestida por epitélio estratificado pavimentoso não 
– queratinizado 
Muscular: Constituída por células musculares lisas organizadas 
Adventícia: Localizada externamente à camada muscular, é composto por tecido conjuntivo 
denso, rico em espessas fibras elásticas, que conferem elasticidade à vagina. 
 
 IRRIGAÇÃO ARTERIAL E DRENAGEM VENOSA DA VAGINA 
As artérias que irrigam a parte superior da vagina originam-se das artérias uterinas. As artérias 
que suprem as partes média e inferior da vagina são ramos das artérias vaginal e pudenda 
interna. 
As veias vaginais formam plexos venosos vaginais ao longo das laterais da vagina e na túnica 
mucosa vaginal. Essas veias são contínuas com o plexo venoso uterino, formando o plexo 
venoso uterovaginal, e drenam para as veias ilíacas internas através da veia uterina. Esse plexo 
também se comunica com os plexos venosos vesical e retal. 
INERVAÇÃO DA VAGINA E DO ÚTERO 
 Apenas o quinto ao quarto inferior da vagina tem inervação somática. A inervação dessa parte 
da vagina provém do nervo perineal profundo, um ramo do nervo pudendo, que conduz fibras 
aferentes simpáticas e viscerais, mas não fibras parassimpáticas. Apenas essa parte inervada 
somaticamente é sensível ao toque e à temperatura, embora as fibras aferentes somáticas e 
viscerais tenham seus corpos celulares nos mesmos gânglios sensitivos de nervos espinais (S2– 
S4). 
A maior parte da vagina (três quartos a dois quintos superiores) tem inervação visceral. Os 
nervos para essa parte da vagina e para o útero são derivados do plexo nervoso uterovaginal, 
que segue com a artéria uterina na junção da base do ligamento largo (peritoneal) com a parte 
superior do ligamento transverso do colo (fascial). O plexo nervoso uterovaginal é um dos plexos 
pélvicos que se estendem do plexo hipogástrico inferior até as vísceras pélvicas. Fibras aferentes 
simpáticas, parassimpáticas e viscerais atravessam esse plexo. 
A inervação simpática origina-se nos segmentos torácicos inferiores da medula espinal e 
atravessa os nervos esplâncnicos lombares e a série de plexos intermesentérico-hipogástrico-
pélvicos. 
A inervação parassimpática origina-se nos segmentos S2–S4 da medula espinal e atravessa os 
nervos esplâncnicos pélvicos até o plexo hipogástrico inferior-uterovaginal. 
A inervação aferente visceral das partes superior (intraperitoneal; fundo e corpo) e inferior 
(subperitoneal; colo) do útero e da vagina diferem em termos de trajeto e destino. As fibras 
aferentes viscerais que conduzem impulsos de dor do fundo e do corpo do útero (acima da linha 
de dor pélvica) intraperitoneais seguem a inervação simpática retrógrada para chegar aos 
corpos celulares nos gânglios sensitivos de nervos espinais torácicos inferiores-lombares 
superiores. As fibras aferentes que conduzem impulsos de dor do colo do útero e da vagina 
(abaixo da linha de dor pélvica) subperitoneais seguem as fibras parassimpáticas 
retrogradamente através dos plexos uterovaginal e hipogástrico inferior e dos nervos 
esplâncnicos pélvicos para chegar aos corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos 
espinais S2–S4. 
As duas diferentes vias seguidas por fibras de dor visceral são clinicamente importantes porque 
propiciam às mães vários tipos de anestesia durante o parto. Todas as fibras aferentes viscerais 
do útero e da vagina não relacionadas com a dor (aquelas que conduzem sensações 
inconscientes) também seguem a última via. 
 
 
ÚTERO 
O útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas. O embrião e o feto se 
desenvolvem no útero. As paredes musculares adaptam-se ao crescimento do feto e garantem 
a força para sua expulsão durante o parto. O útero não grávido geralmente está localizado na 
pelve menor, com o corpo sobre a bexiga urinária e o colo entre a bexiga urinária e o reto 
O útero é uma estrutura muito dinâmica, cujo tamanho e proporções modificam-se durante as 
várias fases da vida. Na mulher adulta, o útero geralmente encontra-se antevertido (inclinado 
anterossuperiormente em relação ao eixo da vagina) e antefletido (fletido ou curvado 
anteriormente em relação ao colo, criando o ângulo de flexão), de modo que sua massa fica 
sobre a bexiga urinária. 
 Sendo assim, quando a bexiga urinária está vazia, o útero tipicamente situa-se em um plano 
quase transversa. A posição do útero muda com o grau de enchimento da bexiga urinária e do 
reto, e a evolução da gravidez. 
Embora seu tamanho varie muito, o útero tem cerca de 7,5 cm de comprimento, 5 cm de largura 
e 2 cm de espessura e pesa cerca de 90 g. O útero pode ser dividido em duas partes principais: 
o corpo e o colo.O corpo do útero, que forma os dois terços superiores do órgão, inclui o fundo do útero, a parte 
arredondada situada superiormente aos óstios uterinos. O corpo está situado entre as lâminas 
do ligamento largo e é livremente móvel. Tem duas faces: anterior (relacionada com a bexiga 
urinária) e posterior (intestinal). O corpo do útero é separado do colo pelo istmo do útero, um 
segmento relativamente estreitado, com cerca de 1 cm de comprimento. 
O colo do útero é o terço inferior cilíndrico e relativamente estreito do útero, que tem 
comprimento aproximado de 2,5 cm em uma mulher adulta não grávida. Para fins descritivos, é 
dividido em duas porções: uma porção supravaginal entre o istmo e a vagina, e uma porção 
vaginal, que se projeta para a parte superior da parede anterior da vagina. 
A porção vaginal arredondada circunda o óstio do útero e, por sua vez, é circundada por um 
recesso estreito, o fórnice da vagina. 
A porção supravaginal é separada da bexiga urinária anteriormente por tecido conjuntivo 
frouxo e do reto posteriormente pela escavação retouterina. 
A cavidade do útero, semelhante a uma fenda, tem cerca de 6 cm de comprimento do óstio 
uterino até a parede do fundo do útero. Os cornos do útero são as regiões superolaterais da 
cavidade do útero, onde penetram as tubas uterinas. A cavidade do útero continua 
inferiormente como o canal do colo do útero. O canal fusiforme estende-se de um estreitamento 
no interior do istmo do corpo do útero, o óstio anatômico interno, atravessa as porções 
supravaginal e vaginal do colo, comunicando-se com o lúmen da vagina através do óstio uterino. 
A cavidade do útero (em particular, o canal do colo do útero) e o lúmen da vagina juntos 
constituem o canal de parto que o feto atravessa ao fim da gestação. 
 
 
 
 
A parede do corpo do útero é formada por três camadas ou lâminas: 
• PERIMÉTRIO — a serosa ou revestimento seroso externo — consiste em peritônio 
sustentado por uma fina lâmina de tecido conjuntivo. Constituída de mesotélio e tecido 
conjuntivo 
• MIOMÉTRIO — a camada média de músculo liso — é muito distendido (mais extenso, 
porém muito mais fino) durante a gravidez. Os principais ramos dos vasos sanguíneos e 
nervos do útero estão localizados nessa camada. Durante o parto, a contração do 
miométrio é estimulada hormonalmente a intervalos cada vez menores para dilatar o 
óstio do colo do útero e expelir o feto e a placenta. Durante a menstruação, as 
contrações do miométrio podem causar cólica 
• ENDOMÉTRIO — a camada mucosa interna — está firmemente aderido ao miométrio 
subjacente. O endométrio participa ativamente do ciclo menstrual, sofrendo 
modificações de sua estrutura a cada estágio do ciclo. Se houver concepção, o 
blastocisto implanta-se nessa camada; se não houver concepção, a face interna dessa 
camada é eliminada durante a menstruação. consiste em um epitélio colunar simples, 
caracterizado por células ciliadas e células secretoras, 
A quantidade de tecido muscular no colo do útero é bem menor do que no corpo. O colo do 
útero é, em sua maior parte, fibroso e consiste principalmente em colágeno com uma pequena 
quantidade de músculo liso e elastina. 
Ligamentos do útero. 
Externamente, o ligamento útero-ovárico fixa-se ao útero posteroinferiormente à junção 
uterotubária. 
O ligamento redondo do útero fixa-se anteroinferiormente a essa junção útero tubárica. 
 O ligamento largo do útero é uma dupla lâmina de peritônio (mesentério) que se estende das 
laterais do útero até as paredes laterais e o assoalho da pelve. Esse ligamento ajuda a manter 
o útero em posição. As duas lâminas do ligamento largo são contínuas entre si em uma margem 
livre que circunda a tuba uterina. 
Lateralmente, o peritônio do ligamento largo é prolongado superiormente sobre os vasos 
como o ligamento suspensor do ovário. Entre as lâminas do ligamento largo de cada lado do 
útero, o ligamento útero-ovárico situa-se posterossuperiormente e o ligamento redondo do 
útero situa-se anteroinferiormente. 
 A tuba uterina situa-se na margem livre anterossuperior do ligamento largo, dentro de um 
pequeno mesentério denominado mesossalpinge. Do mesmo modo, o ovário situa-se dentro de 
um pequeno mesentério denominado mesovário na face posterior do ligamento largo. A parte 
maior do ligamento largo, inferior ao mesossalpinge e ao mesovário, que serve como 
mesentério para o próprio útero, é o mesométrio. 
O útero é uma estrutura densa situada no centro da cavidade pélvica. As principais sustentações 
do útero que o mantêm nessa posição são passivas e ativas ou dinâmicas. A sustentação 
dinâmica do útero é propiciada pelo diafragma da pelve. Seu tônus nas posições sentada e de 
pé e a contração ativa durante períodos de aumento da pressão intra-abdominal (espirro, tosse 
etc.) são transmitidos através dos órgãos pélvicos adjacentes e da fáscia endopélvica que o 
cercam. 
 A sustentação passiva do útero é proporcionada por sua posição — o modo como o útero 
normalmente antevertido e antefletido fica apoiado sobre o topo da bexiga urinária. Quando a 
pressão intra-abdominal aumenta, o útero é pressionado contra a bexiga urinária. 
 O colo do útero é a parte menos móvel do órgão em razão da sustentação passiva 
proporcionada pelos ligamentos fixados a ele, que também contém músculo liso: 
Ligamentos transversos do colo estendem-se da porção supravaginal do colo e das partes 
laterais do fórnice da vagina até as paredes laterais da pelve 
Ligamentos retouterinos seguem superiormente e um pouco posteroinferiormente das laterais 
do colo do útero até o meio do sacro; são palpáveis ao toque retal. Juntas, essas sustentações 
passivas e ativas mantêm o útero centralizado na cavidade pélvica e resistem à tendência de 
que o útero caia ou seja empurrado através da vagina. 
Relações do útero. 
O peritônio cobre o útero anterior e superiormente, com exceção do colo do útero. O peritônio 
é refletido anteriormente do útero sobre a bexiga urinária e posteriormente sobre a parte 
posterior do fórnice da vagina até o reto. 
Anteriormente, o corpo do útero é separado da bexiga urinária pela escavação vesicouterina, 
onde o peritônio é refletido do útero sobre a margem posterior da face superior da bexiga 
urinária. 
Posteriormente, o corpo do útero e a porção supravaginal do colo são separados do colo 
sigmoide por uma lâmina de peritônio e da cavidade peritoneal e do reto pela escavação 
retouterina. 
Lateralmente, a artéria uterina cruza o ureter superiormente, perto do colo do útero. 
 Irrigação arterial e drenagem venosa do útero. 
 A vascularização do útero provém principalmente das artérias uterinas, com possível irrigação 
colateral das artérias ováricas. 
As veias uterinas penetram nos ligamentos largos com as artérias e formam um plexo venoso 
uterino de cada lado do colo. As veias do plexo uterino drenam para as veias ilíacas internas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OVÁRIOS 
Os ovários são gônadas femininas com formato e tamanho semelhantes aos de uma amêndoa, 
nos quais se desenvolvem os oócitos (gametas ou células germinativas femininas). Também são 
glândulas endócrinas que produzem hormônios sexuais (estrógeno e progesterona). 
O polo superior do ovário está fixado à parede pélvica pelo ligamento suspensor do ovário 
(mesovário) e o polo inferior está fixado ao útero pelo ligamento útero – ovárico (remanescente 
do cordão fibroso embrionário que fixa a gônada em desenvolvimento ao assoalho da pelve). 
Sua superfície é coberta por um epitélio pavimentoso ou cúbico simples, o epitélio germinativo, 
que corresponde a uma modificação do mesotélio do peritônio. Sob o epitélio germinativo, há 
uma camada de tecido conjuntivo denso não modelado, pouco vascularizada, a túnica 
albugínea, responsável pela cor esbranquiçada do ovário. 
Abaixo da túnica, há a zona cortical, na qual predominam os folículos ovarianos, e, mais 
internamente, a zonamedular, que contém tecido conjuntivo frouxo fibroelástico com um rico 
leito vascular 
Cada ovário é suspenso por uma curta prega peritoneal ou mesentério, o mesovário. O 
mesovário é uma subdivisão de um mesentério maior do útero, o ligamento largo. 
Nas mulheres pré-púberes, a cápsula de tecido conjuntivo (túnica albugínea do ovário) que 
forma a superfície do ovário é coberta por uma lâmina lisa de mesotélio ovariano ou epitélio 
superficial (germinativo), uma única camada de células cúbicas que confere à superfície uma 
aparência acinzentada, fosca, que contrasta com a superfície brilhante do mesovário peritoneal 
adjacente com o qual é contínua. 
Depois da puberdade, há fibrose e distorção progressiva do epitélio superficial ovariano, em 
razão da repetida ruptura de folículos ovarianos e liberação de oócitos durante a oocitação. A 
fibrose é menor em usuárias de contraceptivos orais. 
Os vasos sanguíneos e linfáticos e os nervos ovarianos cruzam a margem da pelve, entrando e 
saindo da face superolateral do ovário dentro de uma prega peritoneal, o ligamento suspensor 
do ovário, que se torna contínuo com o mesovário do ligamento largo. Medialmente no 
mesovário, um ligamento útero-ovárico curto fixa o ovário ao útero. 
Consequentemente, os ovários costumam ser encontrados lateralmente entre o útero e a 
parede lateral da pelve durante um exame manual ou ultrassonográfico da pelve. O ligamento 
útero-ovárico é um remanescente da parte superior do gubernáculo ovariano do feto. O 
ligamento útero-ovárico une a extremidade proximal (uterina) do ovário ao ângulo lateral do 
útero, imediatamente inferior à entrada da tuba uterina (Figura 3.39A). 
 Como o ovário está suspenso na cavidade peritoneal e sua superfície não é coberta por 
peritônio, o oócito expelido na ovulação passa para a cavidade peritoneal. Entretanto, sua vida 
intraperitoneal é curta porque geralmente é aprisionado pelas fímbrias do infundíbulo da tuba 
uterina e conduzido para a ampola, onde pode ser fertilizado. 
 
 
 
TUBAS UTERINAS 
 As tubas uterinas (trompas de Falópio) conduzem o oócito, que é liberado mensalmente de um 
ovário durante a vida fértil, da cavidade peritoneal periovariana para a cavidade uterina. 
Também são o local habitual de fertilização. 
As tubas estendem-se lateralmente a partir dos cornos uterinos e se abrem na cavidade 
peritoneal perto dos ovários. As tubas uterinas (cerca de 10 cm de comprimento) estão em um 
mesentério estreito, a mesossalpinge, que forma as margens livres anterossuperiores dos 
ligamentos largos. Na disposição “ideal”, tipicamente mostrada pelas ilustrações, as tubas 
estendem-se simetricamente em direção posterolateral até as paredes laterais da pelve, onde 
se curvam anterior e superiormente aos ovários no ligamento largo em posição horizontal. Na 
realidade, observadas à ultrassonografia, muitas vezes as tubas estão dispostas 
assimetricamente e uma delas está em posição superior e até mesmo posterior em relação ao 
útero. 
As tubas uterinas podem ser divididas em quatro partes, da região lateral para a medial: 
• INFUNDÍBULO: a extremidade distal afunilada da tuba que se abre na cavidade 
peritoneal através do óstio abdominal. As fímbrias abrem-se sobre a face medial do 
ovário; uma grande fímbria ovárica está fixada ao polo superior do ovário 
• AMPOLA: a parte mais larga e mais longa da tuba, que começa na extremidade medial 
do infundíbulo; a fertilização do ovócito geralmente ocorre na ampola 
• ISTMO: a parte da tuba que tem parede espessa e entra no corno uterino 
• PARTE UTERINA: o segmento intramural curto da tuba que atravessa a parede do útero 
e se abre, através do óstio uterino, para a cavidade do útero no corno do útero. 
A parede da tuba uterina é composta de três camadas: 
• Mucosa: Constitui o revestimento interno da tuba uterina em um epitélio colunar simples 
(secretor e ciliado) e por uma lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo contendo fibroblastos, 
mastócitos, células linfoides, fibras colágenas e fibras reticulares. 
 • Camada muscular: Espessa camada de músculo liso disposto em uma camada circular ou 
espiral interna e uma camada longitudinal externa; 
• Camada serosa: Formada por um folheto visceral de peritônio; 
 
 
 
 
 
 
 
Irrigação arterial e drenagem venosa dos ovários e das tubas uterinas. 
As artérias ováricas originam-se da parte abdominal da aorta e descem ao longo da parede 
abdominal posterior. Na margem da pelve, cruzam sobre os vasos ilíacos externos e entram 
nos ligamentos suspensores, aproximando-se das faces laterais dos ovários e das tubas 
uterinas. 
Os ramos ascendentes das artérias uterinas (ramos das artérias ilíacas internas) seguem ao 
longo das faces laterais do útero e se aproximam das faces mediais dos ovários e tubas 
uterinas. Tanto a artéria ovárica quanto a artéria uterina ascendente terminam bifurcando-se 
em ramos ováricos e tubários, que irrigam ovários e tubas uterinas das extremidades opostas 
e anastomosam-se entre si, criando uma circulação colateral de origem abdominal e pélvica 
para ambas as estruturas. 
 As veias que drenam o ovário formam um plexo venoso pampiniforme, semelhante a uma 
trepadeira, no ligamento largo perto do ovário e da tuba uterina. As veias do plexo geralmente 
se fundem para formar uma única veia ovárica, que deixa a pelve menor com a artéria ovárica. 
A veia ovárica direita ascende e entra na veia cava inferior; a veia ovárica esquerda drena para 
a veia renal esquerda. 
As veias tubárias drenam para as veias ováricas e para o plexo venoso uterino (uterovaginal). 
 
 
Inervação dos ovários e das tubas uterinas. 
 A inervação é derivada em parte do plexo ovárico, descendo com os vasos ováricos, e em parte 
do plexo uterino (pélvico). Os ovários e as tubas uterinas são intraperitoneais e, portanto, estão 
localizados acima da linha de dor pélvica. Assim, fibras de dor aferentes viscerais ascendem 
retrogradamente com as fibras simpáticas descendentes do plexo ovárico e dos nervos 
esplâncnicos lombares até os corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais T11–
L1. As fibras reflexas aferentes viscerais seguem as fibras parassimpáticas retrogradamente 
através dos plexos uterino (pélvico) e hipogástrico inferior e dos nervos esplâncnicos pélvicos 
até os corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais S2–S4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Glândulas mamárias 
As mamas são encontradas na parede anterior do tórax, anteriormente à fáscia profunda e aos 
músculos peitorais; separadas deles pelo espaço retromamário. Cada mama consiste em 
glândulas mamárias cercadas de tecido conectivo. 
As glândulas mamárias são glândulas sudoríparas apócrinas modificadas. Elas possuem uma 
estrutura dinâmica, o que significa que a sua anatomia muda dependendo da idade da mulher, 
fase do ciclo menstrual e status reprodutivo. 
As glândulas são ativas na mulher adulta após o parto (período puerperal). Neste período, o 
hormônio hipofisário conhecido como prolactina estimula a produção de leite pela glândula, 
enquanto o hormônio hipotalâmico chamado oxitocina estimula a ejeção do leite através do 
mamilo. 
Fora do período puerperal as glândulas são menos abundantes, com a maior parte do tecido 
mamário preenchida por tecido adiposo. 
Vamos agora rever a histologia das glândulas mamárias. A glândula é composta por 15 a 20 lobos 
secretores, que são separados por bandas fibrosas. Estas bandas fibrosas são chamadas de 
ligamentos suspensores da mama. Os lobos contêm numerosos lóbulos, que consistem em 
glândulas tubuloalveolares. Os ductos secretores dos lobos, chamados de ductos lactíferos, 
convergem e se abrem no mamilo. Cada ducto lactífero se dilata em um seio lactífero antes de se 
abrir no mamilo. 
A anatomia dos mamilos é ajustada para auxiliar na função da mama. Eles são cercados por uma 
região circular de pele pigmentada, chamada dearéola, que se torna ainda mais pigmentada e 
proeminente durante a puberdade. A aréola demonstra pequenas elevações pontuais em sua 
superfície, que são produzidas pelas muitas glândulas areolares. Estas são em sua maioria 
glândulas sudoríparas e sebáceas, bem como glândulas mamárias modificadas, chamadas de 
glândulas de Montgomery. Elas produzem uma secreção antimicrobiana que protege a superfície 
da aréola. 
A vascularização da mama vem de três fontes: 
• Ramos da artéria axilar suprem a parte lateral da mama. Estas são as artérias torácica 
superior, toracoacromial, torácica lateral e subescapular. 
• Ramos da artéria torácica interna, suprem a parte medial da mama, junto com as 
artérias mamárias mediais. 
• Ramos perfurantes da segunda, terceira e quarta artérias intercostais contribuem com a 
vascularização de todo o seio. 
 
As veias da mama seguem as artérias mencionadas anteriormente. Elas drenam para as veias 
axilar, torácica interna e segunda a quarta veias intercostais. 
Os ramos cutâneos anterior e lateral do segundo ao sexto nervos intercostais são responsáveis 
pela inervação da mama. Note que o mamilo é inervado pelo quarto nervo intercostal. 
 
 
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/torax
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/visao-geral-e-tipos-de-tecido-conjuntivo
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/histologia-visao-geral
 
2. Discorrer sobre o ciclo menstrual, a menarca, menopausa e os hormônios envolvidos. 
 
2.1 Discorrer sobre ovogênese, crescimento folicular e menarca 
 
Folículos Primordiais 
Os folículos primordiais, os mais primitivos, formados durante a vida fetal, são constituídos 
por um ovócito primário, circundado por uma única camada de células foliculares achatadas 
aderidas umas às outras através de desmossomos. Ao nascimento, esses ovócitos encontram 
– se parados na fase de diplóteno da prófase da meiose I. O ovócito primário é uma célula 
esférica que apresenta um núcleo grande e excêntrico com um único nucléolo bem evidente. 
Contém numerosas mitocôndrias, abundantes aparelhos de Golgi e retículo endoplasmático 
rugoso contendo poucos ribossomos. A maioria desses folículos se localiza na região cortical, 
próximo à túnica albugínea. Uma lâmina basal envolve as células foliculares e marca o limite 
entre o folículo e o estroma conjuntivo adjacente. 
A partir da puberdade, a cada dia um pequeno grupo de folículos primordiais inicia um 
processo de crescimento folicular – modificações do ovócito, das células foliculares e dos 
fibroblastos do estroma que envolve cada um desses folículos. Inicialmente, o ovócito aumenta 
de tamanho, e ocorre proliferação das células foliculares achatadas circundantes, que se 
tornam cuboides. Nesse estágio, o folículo passa a ser identificado como folículo primário. 
Dentre a grande população de folículos primordiais, não se sabe como são selecionados os 
folículos que abandonam seu estado de repouso e entra na fase de crescimento. O crescimento 
folicular é estimulado pelo FSH secretado pela hipófise. 
Folículos primários 
Na fase de crescimento, além do aumento de diâmetro do ovócito, o núcleo aumenta de volume, 
vários aparelhos de Golgi estão dispersos por toda a célula, o retículo endoplasmático rugoso 
torna – se em rico em ribossomos, além de abundantes ribossomos livres e mitocôndrias 
dispersas por toda a célula 
Enquanto uma única camada de células foliculares cúbicas circunda o ovócito, o folículo é 
denominado folículo primário unilaminar. Quando as células foliculares proliferam e se 
estratificam, formando várias camadas de células ao redor do ovócito primário que se 
comunicam por junções comunicantes, o folículo passa a ser denominado folículo primário 
multilaminar ou folículo pré - antral. Nesse caso, esta camada de células foliculares recebe o 
nome de células da granulosa. A lâmina basal se mantém entre a camada mais externa de células 
foliculares e o estroma de tecido conjuntivo. 
Além disso, uma espessa camada amorfa, chamada zona pelúcida, composta de várias 
glicoproteínas (que atribuem acidofilia a essa zona) é secretada e envolve todo o ovócito. 
Acredita – se que o ovócito e as células foliculares contribuam para a síntese da zona pelúcida. 
Delgados prolongamentos de células foliculares e microvilos do ovócito penetram a zona 
pelúcida e estabelecem contato entre si por junções comunicantes. 
 
As células do estroma começam a se organizar ao redor do folículo primário multilaminar 
formando a teca interna, constituída principalmente por uma camada celular ricamente 
vascularizada, e a teca externa, constituída principalmente células do estroma sem maiores 
modificações. As células da camada granulosa estão separadas da teca interna por uma espessa 
lâmina basal. 
 As células poliédricas que compõem a teca interna possuem receptores para o hormônio 
luteinizante (LH) e assumem características de células produtoras de esteroides. Seu 
citoplasma acumula numerosas gotículas lipídicas, apresenta um abundante retículo 
endoplasmático liso e as cristas mitocondriais são tubulares. Essas células da teca interna 
produzem o hormônio sexual masculino androstenediona, o qual penetra nas células da 
camada granulosa, onde é convertido pela enzima aromatase no estrógeno estradiol. Além 
das células secretoras, a teca interna contém fibroblastos, feixes de colágeno e uma rede rica 
de pequenos vasos. A teca externa é a camada externa e contém principalmente células 
musculares lisas e feixes de fibras colágenas. As células são semelhantes às células do estroma 
ovariano, porém se arranjam de modo organizado concentricamente em volta do folículo. 
Folículos secundários (ou antrais) 
À medida que os folículos crescem, principalmente em virtude do aumento (em tamanho e em 
número) das células da granulosa, eles ocupam áreas mais profundas da região cortical do 
ovário. O líquido folicular, formado por componentes do plasma e produtos secretados pelas 
células foliculares, começa a se acumular entre as células foliculares. Os pequenos espaços que 
contêm esse fluido se unem formando uma grande cavidade, o antro folicular. A partir disso, 
esses folículos são chamados de folículos secundários ou antrais. A continuação da proliferação 
das células da camada granulosa do folículo secundário depende do hormônio folículo 
estimulante (FSH). Sob a influência do FSH, o número de camadas de células da granulosa 
aumenta, assim como o número de espaços intercelulares, contendo fluido folicular. Este fluido, 
um exsudato do plasma, contém glicosaminoglicanos, proteoglicanos e proteínas de ligação a 
esteroides produzidas pelas células da camada granulosa. Além disso, contém os hormônios 
progesterona, estradiol, inibina, foliostatina e ativina, os quais regulam a liberação de LH e FSH. 
Por sua vez, o FSH (juntamente com os estrógenos) estimula as células da camada granulosa a 
produzirem receptores para LH. 
SE LIGA! A inibina atua na regulação da síntese e secreção de FSH pela adeno – hipófise. 
Com a formação do antro, as células da camada granulosa se reorganizam de modo que algumas 
se concentram em determinado local da parede do folículo, formando um pequeno 
espessamento, o cumulus oophorus, que serve de apoio ao ovócito. Além disso, um pequeno 
grupo de células foliculares envolve o ovócito, constituindo a corona radiata. Este conjunto de 
células emite microvilosidade que penetram em toda a zona pelúcida e comunicam – se por 
meio de junções comunicantes, com as microvilosidades do ovócito. A corona radiata 
acompanha o ovócito quando este abandona o ovário por ocasião da ovulação. 
 
 
 
 
 
Folículos maduros (ou de Graaf) 
 Normalmente durante cada ciclo menstrual, um folículo antral cresce muito mais que os outros 
e se torna o folículo dominante, que pode alcançar o estágio mais desenvolvido de crescimento 
e prosseguir até a ovulação. Quando alcança seu máximo desenvolvimento, essefolículo é 
chamado folículo maduro, pré – ovulatório ou de Graaf. Como resultado do acúmulo de líquido, 
a cavidade folicular aumenta de tamanho e a camada de células da granulosa da parede do 
folículo torna – se mais delgada, sendo agora chamada de membrana granulosa, pois essas 
células não se multiplicam na mesma proporção que o crescimento do folículo. 
 Esses folículos têm suas tecas muito espessas. A continuação da formação do líquido folicular 
leva o cumulus oophorus, a corona radiata e as células foliculares associadas ao ovócito, a se 
separar da sua base, passando a flutuar livremente no líquido folicular. O folículo de Graaf pode 
ser observado como uma saliência transparente na superfície do ovário, quase tão grande 
quanto o próprio ovário. Os outros folículos que estavam crescendo com certa sintonia em 
relação ao dominante, entram em atresia. 
 
 
 
PUBERDADE E MENARCA 
 Puberdade significa o início da fase adulta, e menarca significa o primeiro ciclo de 
menstruação. O período da puberdade é causado por aumento gradual na secreção dos 
hormônios gonadotrópicos pela hipófise, começando em torno dos 8 anos de idade, e 
normalmente culminando no início da puberdade e da menstruação, entre 11 e 16 anos de 
idade, nas meninas (em média, aos 13 anos). 
Na mulher, assim como nos homens, a hipófise infantil e os ovários são capazes de funcionar 
completamente, se estimulados apropriadamente. Entretanto, assim como também é 
verdadeiro para os homens e por motivos ainda não entendidos, o hipotálamo não secreta 
quantidades significativas de GnRH (hormônio liberador de gonadotropina) durante a infância. 
Experimentos revelaram que o hipotálamo é capaz de secretar esse hormônio, mas o sinal 
apropriado de alguma outra área do cérebro para desencadear a secreção está ausente. 
Portanto, acredita-se, hoje, que o início da puberdade se dê por algum processo de 
amadurecimento que ocorre em alguma outra parte do cérebro, talvez em algum ponto do 
sistema límbico. 
Os primeiros ciclos depois do início da puberdade geralmente são anovulatórios, assim como 
os ciclos que ocorrem alguns meses a anos antes da menopausa, talvez porque o pico de LH não 
seja potente o bastante, nessas épocas, para provocar ovulação. 
Se o pico pré-ovulatório de LH não tiver grandeza suficiente, a ovulação não ocorrerá, e diz-se 
que o ciclo é “anovulatório”. As fases do ciclo sexual continuam, mas são alteradas das seguintes 
maneiras: primeiro, a ausência de ovulação leva ao não desenvolvimento do corpo lúteo, de 
maneira que não há quase nenhuma secreção de progesterona, durante a última porção do 
ciclo. Em segundo lugar, o ciclo é encurtado por vários dias, mas o ritmo continua. Por isso, é 
provável que a progesterona não seja necessária à manutenção do ciclo em si, muito embora 
possa alterar seu ritmo. 
 
2.2 Discorrer sobre o ciclo menstrual e os hormônios envolvidos 
TRATADO DE FISIOLOGIA MÉDICA, GUYTON 
HISTOLOGIA BASICA, JUNQUEIRA E CARNEIRO 
O sistema hormonal feminino, assim como o masculino, consiste em três hierarquias de 
hormônio, a saber: 
1. O hormônio de liberação hipotalâmica, chamado hormônio liberador de gonadotropina 
(GnRH). 
2. Os hormônios sexuais hipofisários anteriores, o hormônio folículo estimulante (FSH) e o 
hormônio luteinizante (LH), ambos secretados em resposta à liberação de GnRH do hipotálamo. 
3. Os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, que são secretados pelos ovários, em 
resposta aos dois hormônios sexuais femininos da hipófise anterior. 
Esses diversos hormônios são secretados com intensidades drasticamente distintas, durante as 
diferentes partes do ciclo sexual feminino mensal. A Figura 82-4 mostra as concentrações 
aproximadas nas variações dos hormônios gonadotrópicos hipofisários anteriores FSH e LH (as 
duas curvas inferiores) e dos hormônios ovarianos estradiol (estrogênio) e progesterona (as 
duas curvas superiores). A quantidade de GnRH liberada pelo hipotálamo aumenta e diminui 
de modo bem menos drástico durante o ciclo sexual mensal. Esse hormônio é secretado em 
pulsos curtos, em média uma vez a cada 90 minutos, como ocorre nos homens. 
 
RESUMO 
A cada 28 dias, mais ou menos, hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior fazem com que 
cerca de 8 a 12 novos folículos comecem a crescer nos ovários. Um desses folículos finalmente 
“amadurece” e ovula no 14 o dia do ciclo. Durante o crescimento dos folículos, é secretado, 
principalmente, estrogênio. Depois da ovulação, as células secretoras dos folículos residuais se 
desenvolvem em corpo lúteo que secreta grande quantidade dos principais hormônios 
femininos, estrogênio e progesterona. Depois de outras duas semanas, o corpo lúteo degenera, 
quando, então, os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, diminuem bastante, 
iniciando a menstruação. Um novo ciclo ovariano, então, se segue. 
 
Ciclo menstrual 
Estrógenos e progesterona controlam grande parte da estrutura e das funções dos órgãos do 
sistema genital feminino. A proliferação, diferenciação e secreção das células epiteliais, como 
também o tecido conjuntivo, dependem desses hormônios. Mesmo antes do nascimento, esses 
órgãos são influenciados por estrógenos e progesterona, que circulam no sangue materno e 
alcançam o feto pela placenta. Depois da menopausa, a síntese diminuída desses hormônios 
causa uma involução geral dos órgãos reprodutores. Depois da puberdade, os hormônios 
ovarianos, por estímulo da adeno-hipófise, fazem com que o endométrio passe por 
modificações estruturais cíclicas durante o ciclo menstrual, cuja duração é variável, com média 
de 28 dias. Ciclos menstruais geralmente começam entre 12 e 15 anos de idade e continuam até 
os 45 a 50 anos. Como os ciclos menstruais são consequência de eventos ovarianos 
relacionados com a produção de ovócitos, a mulher só é fértil durante o período em que tem 
esses ciclos. 
 
Para finalidades práticas, considera-se o começo de um ciclo como o dia em que se inicia o 
sangramento menstrual. Este sangramento consiste em minúsculos fragmentos de endométrio 
misturados com sangue dos vasos sanguíneos rompidos durante a menstruação. A fase 
menstrual do ciclo dura em média 3 a 4 dias. A fase seguinte do ciclo menstrual é denominada 
fase proliferativa, que é seguida pela fase secretória (ou luteal). Esta última começa após a 
ovulação e dura aproximadamente 14 dias. A duração da fase proliferativa é variável, em média 
10 dias. Apesar dessa divisão em fases, as mudanças estruturais que acontecem durante o ciclo 
são graduais; a divisão em fases depende da secreção diferencial de hormônios ovarianos, que 
se reflete em diferentes situações funcionais e clínicas da mulher durante o ciclo 
Fase proliferativa, folicular ou estrogênica 
 A mucosa uterina é bastante delgada após sofrer descamação na fase menstrual, medindo cerca 
de 0,5 mm de espessura. O começo da fase proliferativa coincide com o crescimento rápido de 
um pequeno grupo de folículos ovarianos que estão provavelmente na transição entre 
folículos pré-antrais e antrais. Quando sua teca interna se desenvolve mais intensamente, esses 
folículos começam a secretar ativamente estrógenos, cujas concentrações plasmáticas 
aumentam gradualmente. Os estrógenos agem no endométrio induzindo a proliferação 
celular, que reconstitui o endométrio perdido durante a menstruação (os estrógenos agem 
também em outras partes do sistema genital, por exemplo, induzindo a produção de cílios nas 
células do epitélio da tuba uterina). Durante a fase proliferativa, o endométrio está coberto por 
um epitélio colunar simples (Figura 22.20). As glândulas uterinas, formadas por um epitélio 
colunar simples, são tubos retilíneos, e seu lúmen é estreito (Figura 22.21). As células epiteliais 
gradualmente acumulam cisternas de retículo endoplasmático granuloso, e o complexo de Golgi 
aumenta de tamanho em preparação para o crescimento da suaatividade secretora. Ao término 
da fase proliferativa, o endométrio mede cerca de 2 a 3 mm de espessura. 
 
Fase secretória ou luteal 
 A fase secretória começa depois da ovulação e resulta da ação da progesterona secretada 
pelo corpo lúteo que se forma após a ovulação. A progesterona continua estimulando as células 
epiteliais das glândulas que já haviam crescido na fase proliferativa por ação do estrógeno. As 
células epiteliais começam a acumular glicogênio na porção infranuclear. Em seguida, a 
quantidade de glicogênio das células diminui, e produtos de secreção dilatam o lúmen das 
glândulas. Uma característica morfológica importante dessa fase é o fato de as glândulas se 
tornarem muito tortuosas (Figura 22.22). Nesse período, o endométrio alcança sua máxima 
espessura (cerca de 5 mm), como resultado do crescimento da mucosa, do acúmulo de 
secreção e do edema no estroma. Mitoses são raras durante a fase secretória. 
Se tiver ocorrido fertilização, o embrião terá sido transportado ao útero e aderido ao epitélio 
uterino durante a fase secretória, cerca de 7 ou 8 dias depois da ovulação. É possível que a 
secreção das glândulas seja uma fonte de nutrição para o embrião antes de sua implantação no 
endométrio. Um papel importante da progesterona é inibir contrações das células musculares 
lisas do miométrio, que poderiam interferir na implantação do embrião. 
 
 
 Fase menstrual 
Se não ocorre a fertilização do ovócito e a implantação do embrião, o corpo lúteo deixa de 
funcionar 10 a 12 dias depois da ovulação. Em consequência, diminuem rapidamente os níveis 
de estrógenos e, principalmente, progesterona no sangue. 
Ocorrem vários ciclos de contração das artérias espirais do endométrio, que são fonte para a 
irrigação da camada funcional. Disso resulta um bloqueio do fluxo de sangue, produzindo 
isquemia e causando morte (por necrose) das paredes das artérias, assim como das células da 
porção da camada funcional do endométrio irrigada por esses vasos. As artérias se rompem 
após os locais de constrição; então, o sangramento começa. A maior parte da camada funcional 
do endométrio é separada da mucosa e cai no lúmen uterino, fazendo parte do fluido menstrual. 
O resto do endométrio encolhe devido à perda de fluido intersticial. A quantidade de 
endométrio e sangue perdida varia de uma mulher para outra, e até mesmo na mesma mulher 
em diferentes ciclos. 
Ao término da fase menstrual, o endométrio é reduzido a uma espessura muito delgada (a 
camada basal). Assim, ele está pronto para iniciar um novo ciclo, pois suas células começam a 
se dividir para reconstituir a mucosa por ação de estrógenos secretados em quantidades 
crescentes por folículos em ativo crescimento. A Tabela 22.1 resume os principais eventos do 
ciclo menstrual. 
Endométrio gravídico 
Se houve uma implantação embrionária, as células trofoblásticas produzem HCG, que estimula 
o corpo lúteo a continuar secretando progesterona. Portanto, assim que a gravidez se 
estabelece, a menstruação não ocorre, e o ciclo menstrual cessa durante toda a duração da 
gestação. A progesterona faz as glândulas uterinas tornarem-se mais dilatadas e mais 
tortuosas, bem como produzirem mais secreção do que durante a fase secretória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.3 Discorrer sobre a menopausa e os hormônios envolvidos 
 
MENOPAUSA 
Entre 40 e 50 anos de idade, o ciclo sexual geralmente torna-se irregular, e a ovulação muitas 
vezes não ocorre. Depois de alguns meses a alguns anos, o ciclo cessa totalmente, como 
mostrado na Figura 82-13. O período durante o qual o ciclo cessa e os hormônios femininos 
caem a quase zero é denominado menopausa. A causa da menopausa é o “esgotamento” dos 
ovários. Durante toda a vida reprodutiva da mulher, cerca de 400 dos folículos primordiais 
crescem em folículos maduros e ovulam, e centenas de milhares de óvulos degeneram. 
Em torno dos 45 anos de idade, apenas uns poucos folículos primordiais continuam a ser 
estimulados por FSH e LH e a produção de estrogênios pelos ovários diminui à medida que o 
número de folículos primordiais se aproxima de zero. 
 Quando a produção de estrogênio cai abaixo de nível crítico, os estrogênios não conseguem 
mais inibir a produção das gonadotropinas FSH e LH. 
 Em vez disso, como ilustrado na Figura 82-12, as gonadotropinas FSH e LH (principalmente FSH) 
são produzidas depois da menopausa em quantidades elevadas e contínuas, mas, como os 
folículos primordiais remanescentes ficam atrésicos, a produção de estrogênios pelos ovários 
cai quase a zero. 
Na época da menopausa, a mulher precisa reajustar sua vida de uma que era fisiologicamente 
estimulada pela produção de estrogênio e progesterona para uma desprovida desses 
hormônios. A perda dos estrogênios geralmente causa mudanças fisiológicas acentuadas, 
incluindo (1) “fogachos”, caracterizados por rubor extremo da pele; (2) sensações psíquicas de 
dispneia; (3) irritabilidade; (4) fadiga; (5) ansiedade; e (6) diminuição da resistência e da 
calcificação dos ossos no corpo inteiro. Esses sintomas são de magnitude considerável em 
apenas 15% das mulheres e necessitam de tratamento. A administração diária de estrogênio, 
em pequenas quantidades, normalmente reverte os sintomas, e, ao diminuir a dose 
gradativamente, é provável que as mulheres na pós-menopausa possam evitar sintomas graves. 
Grandes ensaios clínicos têm fornecido evidências de que a administração de estrogênios após 
a menopausa, embora melhore muitos dos sintomas desta, pode aumentar os riscos de doença 
cardiovascular. Consequentemente, o tratamento de substituição hormonal com estrogênios já 
não é prescrito sistematicamente nas mulheres pós-menopáusicas. No entanto, alguns estudos 
sugerem que o tratamento com estrogênios pode realmente reduzir o risco de doença 
cardiovascular caso seja iniciado precocemente, nos primeiros anos após a menopausa. 
Portanto, neste momento, recomenda-se que as mulheres na pós-menopausa, que desejam 
receber tratamento de substituição hormonal, falem com seus médicos para saber se os 
benefícios superam os riscos. 
 
Nos últimos 16 anos, a esperança de vida no Brasil aumentou em cinco anos, passando, de 67 
anos (1991) para 72 anos (2007)1 . A população brasileira tornou-se, neste período mais 
longeva. No caso das mulheres, estas passaram a viver mais tempo, experimentando 
modificações em seus corpos que muitas gerações anteriores não conseguiram2 . O climatério 
é o período da vida das mulheres marcado por diversas transformações e mudanças que 
caracterizarão o término do período reprodutivo. É exatamente este o seu significado - a 
transição entre a fase reprodutiva e a não-reprodutiva das mulheres3 . No entanto, ainda que 
um fenômeno fisiológico, para algumas é percebido como uma fase natural e sinal de 
maturidade, enquanto para outras mulheres significa perdas, aproximação da velhice e 
sinônimo de doenças3 . 
A menopausa é definida como a cessação permanente da menstruação, que é resultado da 
perda da atividade folicular ovariana, reconhecida pela ocorrência consecutiva de doze meses 
de amenorréia, enquanto a perimenopausa é o período imediato que antecede a menopausa, 
quando se estabelecem mudanças endócrinas, biológicas e clínicas que culminam com a 
menopausa4 . 
 Devido à possibilidade de a menopausa exercer conotações culturais, pessoais e sociais, muitas 
das quais podem influenciar o humor, outros fatores relacionados ao risco de depressão durante 
o climatério devem ser considerados. Em algumas sociedades orientais, a menopausa 
representa uma significativa mudança, que geralmente confere respeito, autoridade e um 
sentimento de alívio pelos anos anteriores de reprodução5 . Para outras mulheres, 
particularmente, aquelas que vivem em culturas que reverenciam a juventude, pode ser 
atribuída uma percepção negativa à menopausa5 . 
Modificações psicológicas e no estilo de vida comuns tantoao envelhecimento quanto à 
transição menopausal, tais como ganho de peso e redução da atividade física, contribuem para 
depressão e sintomas depressivos6 . As fases de peri e pós-menopausa, por se constituírem em 
períodos relativamente longos da vida das mulheres, devem merecer atenção crescente por 
parte da sociedade, especialmente devido à presença de sinais e sintomas, bem como de 
doenças, algumas de caráter crônico e degenerativo. Assim, os serviços de saúde devem estar 
capacitados para acolher essas História ginecológica e sintomatologia climatérica Rev Bras 
Crescimento Desenvolvimento Hum. 2010; 20(3) 778-786 – 780 – mulheres, proporcionando-
lhes atenção e assistência de qualidade. É reconhecidamente cada vez maior o número de 
mulheres que se preocupam em ter uma vida saudável e optam por mudanças em seu estilo de 
vida, como tentativa de prevenir incapacidades, limitações, doenças e sintomas desagradáveis 
que possam prejudicar atividades de lazer, os relacionamentos interpessoais e o trabalho, mais 
do que simplesmente ter vida longa. As características de uma vida saudável constituem-se na 
essência do que significa qualidade de vida relacionada à saúde7 . Psicologicamente, durante o 
climatério as mulheres devem lidar com mudanças internas decorrentes das alterações 
hormonais, perda do potencial reprodutivo e transição para uma idade mais avançada. 
Socialmente, na meia-idade, elas têm que enfrentar muitos problemas, incluindo filhos que 
saem de casa, doenças que surgem, a perda dos pais e de familiares, adoecimento de familiares 
e, por vezes, estresse e incompreensão no casamento. Nesse sentido, numerosas variáveis, 
sociodemográficas, nível educacional, status social e ocupacional, rendimentos e rede social 
podem influenciar o modo como as mulheres se adaptam às muitas mudanças que ocorrem 
durante os anos de transição menopausal8 
 
 
 
 
 
CICLO UTERINO 
Na fase proliferativa ou estrogênica tem-se a proliferação do endométrio. Ela ocorre do 
primeiro dia do ciclo menstrual até a ovulação, correspondendo à primeira fase do ciclo 
ovariano. Nesse momento, ocorre a proliferação progressiva de células epiteliais e do estroma 
endometrial, levando ao aumento da espessura do endométrio, pela estimulação do 
estrogênio. 
Na fase proliferativa, as glândulas endometriais que se encontravam estreitas e pequenas se 
alongam e assumem um formato mais curvado. O pico do estradiol ocorre entre os dias 8 e 10 
do ciclo, nesse momento o endométrio se encontra com sua máxima capacidade glandular. O 
endométrio que inicialmente tinha 1 a 2 mm cresce e chega a 10mm na pré-ovulação. 
Depois da ovulação, cerca de 48 a 72 horas, ocorre a fase secretória ou progestacional. Ela 
ocorre após a ovulação, pela ação da progesterona. 
Nessa fase, o endométrio uterino está se preparando para receber um embrião, então há 
aumento de glicogênio e lipídios, aumento das glândulas endometriais e consequentemente 
da produção de muco e aumento do fluxo sanguíneo do endométrio, para melhor aporte de 
oxigênio e nutrientes. 
Vacúolos com glicogênio são formados pelas glândulas do endométrio, o glicogênio é secretado 
no endométrio e atinge sua capacidade máxima no sexto dia após a ovulação. Nesse tempo, o 
endométrio é capaz de receber um blastocisto para implantação. Quando não ocorre 
fecundação e consequentemente implantação uterina, a involução do corpo lúteo leva a 
redução de progesterona, isso faz com que as alterações endometriais ocorram. Inicia-se o 
processo de vasoconstricção pelo aumento de protaglandinas, principalmente PGF2alfa. Como 
as células estavam sendo irrigadas por vasos que agora estão constritos, ocorre atrofia e 
necrose celular da camada superficial do endométrio por falta de aporte de oxigênio. Assim, 
essas células começam a descamar. Para eliminar as células descamadas, o útero contrai. A 
descamação do endométrio é chamada de menstruação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Abordar sobre a média e o desvio padrão aplicados à menstruação. 
3.1 Conceituar média e desvio padrão 
 
 
Módulo de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades, Organização Pan-
Americana da Saúde, 2010 
 
A quantificação do estado de saúde e padrões de doença na população requer métodos e 
técnicas que permitam coletar dados de forma objetiva e eficiente; converter os dados em 
informação para facilitar sua comparação e simplificar sua interpretação; e transformar a 
informação em conhecimento relevante para as ações de controle e prevenção. 
 
 Para conhecer os grupos de população que apresentam maior número de casos, os lugares com 
maior incidência ou prevalência de determinadas doenças e o momento em que ocorrem os 
eventos na saúde, devem-se aplicar sistematicamente alguns processos básicos de manuseio de 
dados ou variáveis. Um dos primeiros passos no processo de medição do estado de saúde na 
população é a definição das variáveis que o representam ou caracterizam. 
 
Variável: qualquer característica ou atributo que pode assumir valores diferentes. 
 
As variáveis podem ser de dois tipos, qualitativa e quantitativa. 
 
Denominamos variáveis qualitativas aquelas que são atributos ou propriedades. 
 
As variáveis quantitativas são aquelas nas quais o atributo mede-se numericamente e, por sua 
vez, podem ser classificadas em discretas e contínuas. As variáveis discretas assumem valores 
que são sempre números inteiros; por exemplo, o número de filhos de um casal, o número de 
dentes com cárie, o número de leitos de um hospital, o número de hemácias por campo, o pulso, 
etc, que somente podem tomar valores de um conjunto finito. As variáveis contínuas podem 
tomar tantos valores quanto permita a precisão do instrumento de medição; por exemplo, o 
peso ao nascer de um bebê de 2.500 gramas pode ser medido com maior precisão, como 
2.496,75 gramas, se a nossa balança assim o permitir. 
 
Medidas de resumo de uma distribuição 
Muitas vezes é necessário utilizar um valor resumo que represente a série de valores em seu 
conjunto, isso é, sua distribuição. Para os dados de variáveis qualitativas e as quantitativas 
discretas, a proporção ou porcentagem, a razão e as taxas são algumas medidas típicas de 
resumo. Para os dados de variáveis quantitativas contínuas, no entanto, há medidas que 
resumem sua tendência para um valor médio (medidas de tendência central) e outras que 
resumem seu grau de variabilidade (medidas de dispersão). Cada uma proporciona informação 
complementar e útil para a análise epidemiológica. 
 
 
 
 
 
Medidas de tendência central 
As medidas de tendência central dos dados são a moda, a mediana e a média. A seleção das 
medidas depende do tipo de dados e propósitos. Os valores de muitas variáveis biológicas, como 
altura, se distribuem de modo simétrico. Outras variáveis, como a mortalidade e a taxa de 
ataque de uma epidemia, têm distribuição assimétrica. Para distribuições normais (exemplo de 
distribuição simétrica), a média, a mediana e a moda são idênticas. Para distribuições 
assimétricas, a mediana representa melhor o conjunto de dados, apesar de que a média tem 
melhores propriedades para a análise estatística e testes de significância 
• O valor mais frequente, ou seja o que mais se repete, é denominado moda 
• Esse valor que ocupa a posição central de uma série ascendente ou descendente é 
denominado mediana e divide a série em 50% das observações acima e 50% abaixo dela. 
Essa medida também é útil e pode ser empregada para representar a tendência central 
do conjunto de dados, principalmente quando não é conveniente usar a média devido 
à presença de valores extremos ou quando a distribuição é assimétrica, como na curva 
epidêmica 
• A média (x) também é muito útil e se obtém somando os valores de todas as 
observações e dividindo o resultado entre o número de observações 
Medidas de dispersão 
Para as variáveis quantitativascontínuas, as medidas de dispersão mais usadas são basicamente 
três: a amplitude, a variância e o desvio-padrão. Essas medidas representam a dispersão ou 
variabilidade dos dados contínuos. 
• A amplitude é a diferença entre o valor máximo e o valor mínimo de uma série de dados. 
• A variância, que mede o desvio médio dos valores individuais em relação à média, é o 
quociente entre a soma dos quadrados da diferença entre cada valor e a média, e o 
número de valores observados menos 1. 
• O desvio-padrão (DP) é a raiz quadrada da variância. 
 O desvio-padrão e a média permitem descrever a distribuição da variável. 
Como vimos, a média e o desvio-padrão definem a distribuição normal e, por isso, são 
considerados seus parâmetros. A média, como medida-resumo de tendência central dos 
dados, é um indicador-medida-resumo da precisão das observações. Por um lado, o desvio-
padrão, como medida-resumo da dispersão dos dados, é um indicador da variação das 
observações. 
Esses dois conceitos, precisão e variação, são de grande importância para documentar a 
incerteza com que observamos os fenômenos na população e constituem os princípios básicos 
do processo de inferência estatística, cujo uso nos permite derivar conclusões acerca de toda 
a população, observando somente uma amostra dela. 
 
 
 
 
 
3.2 Abordar média e desvio padrão aplicados à menstruação 
Artigo HISTÓRIA GINECOLÓGICA E SINTOMATOLOGIA CLIMATÉRICA DE MULHERES 
PERTENCENTES A UMA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO ESTADO DO ACRE, Andréa Ramos da 
Silva e colaboradores, 2010 
Trata-se de estudo observacional, descritivo, de corte transversal, desenvolvido com mulheres 
na pré, peri e pós-menopausa. Esta pesquisa foi realizada com 265 mulheres na faixa etária de 
35 a 65 anos, cadastradas no Módulo de Saúde da Família Ruy Lino, no município de Rio Branco 
(Acre). 
Conforme se visualiza na Tabela 1, a média de idade a menarca foi de 13,3 (±1,8) anos. Este 
também foi o valor da mediana. A idade mínima da primeira menstruação foi 9 anos e a máxima, 
20 anos (menarca tardia). As mulheres estudadas referiram, em média, 3,5 (±2,6) gestações e 
dois filhos vivos. Quanto à idade da menopausa, constatou-se que ela ocorreu em torno dos 
47,5 (±5,3) anos. 
A média de idade em que a menopausa ocorre não se alterou de modo importante desde os 
relatos de Aristóteles e Hipócrates há quase dois mil anos, onde há registro desta idade por volta 
da quarta década. 
Autores medievais relataram que a parada da menstruação ocorria por volta dos 50 anos, muito 
próxima da média etária à menopausa da mulher do século XX, tanto nas mulheres brasileiras 
como nas de países desenvolvidos do Ocidente. Desta forma no presente estudo a média de 
idade obtida para a menopausa foi similar de outras pesquisas tanto nacionais como 
internacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. Discutir sobre a relação médico-paciente no que se refere à educação sexual. 
 
4.1 Importância da educação sexual 
EDUCAÇÃO SEXUAL NO CONTEXTO FAMILIAR E ESCOLAR: IMPASSES E DESAFIOS, Gonçalves e 
colaboradores, 2013 
De acordo com Souza (1991), educar sexualmente consiste em oferecer condições para que as 
pessoas assumam seu corpo e sua sexualidade com atitudes positivas, livres de medo, 
preconceitos, culpas, vergonha, bloqueios ou tabus. Conforme ressaltado por ECOS – Estudos e 
Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana (ECOS, 2013), a educação sexual deve ser 
entendida como um direito que as crianças e/ou adolescentes têm de conhecer seu corpo e 
ter uma visão positiva da sua sexualidade; de manter uma comunicação clara em suas 
relações; de ter pensamento crítico; de compreender seu próprio comportamento e o do 
outro. Deve ser preocupação dos pais e educadores que os adolescentes tenham uma educação 
sexual sadia, pautado em valores e hábitos condizentes com a valorização da vida e com os 
direitos humanos. 
Frente ao exposto, a família e a escola, corresponsáveis pela formação do indivíduo, deve 
possibilitar aos jovens uma educação sexual que, pressupõe a busca de uma sexualidade 
emancipatória, ou seja, uma sexualidade gratificante, socialmente livre e responsável, 
subjetivamente enriquecedora concebida como parte integrante e essencial da vida humana. 
 A educação sexual emancipatória pressupõe o desenvolvimento de ações educativas com a 
finalidade de promover a autonomia, buscando superar padrões de comportamentos 
hierarquizados e estereotipados, superando preconceitos e tabus (GARCIA, 2005). 
 Em nossa sociedade, a sexualidade não tem sido explorada e/ou dialogada de modo que as 
pessoas sejam educadas a conhecê-la e aprender que o seu exercício não é feio e pecaminoso, 
culminando, nesse sentido, em uma deseducação sexual. O “não dialogar”, desse modo, facilita 
a exposição de adolescentes a situações de riscos relacionados ao exercício da sexualidade, 
como gravidez indesejada, contágio de infecções sexualmente transmissíveis e traumas 
psicológicos e emocionais resultantes da vivência de uma sexualidade frustrante (TRINDADE 
& BRUNS, 1999) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.2Relação médico-paciente-família no que se refere à educação sexual 
 
 
Manual Atendendo a adolescente no consultório, FEBRASGO, 2017 
 
A presença de pacientes adolescentes tem sido uma situação cada vez mais frequente nos 
consultórios dos ginecologistas. Entre os motivos de consulta destacam-se: 
✓ avaliação de rotina do desenvolvimento da puberdade, 
✓ problemas relacionados aos ciclos menstruais, cólicas, corrimento, 
✓ desejo de contracepção. 
 
Obter a confiança da adolescente é o maior desafio que o profissional tem ao atender uma 
jovem que se encontra num momento de transição de desenvolvimento biopsicossocial. 
Alguns tópicos da anamnese ginecológica não diferem da paciente adulta, no entanto, aspectos 
relacionados à sexualidade devem ser abordados com cautela, pois na maioria das vezes a 
adolescente está acompanhada e nem sempre compartilha sua vida sexual com os familiares. 
Confiando no profissional, a adolescente terá oportunidade de discutir aspectos da sua 
sexualidade e receber orientação adequada sobre contracepção e prevenção de doenças de 
transmissão sexual. 
 
Situações frequentes que o ginecologista vai se deparar na consulta da adolescente: 
 
✓ O profissional na maioria das vezes é escolhido pela mãe da adolescente, e com 
frequência é o próprio ginecologista da mãe. Neste caso, a mãe procura o 
profissional da sua confiança esperando que ele a mantenha informada sobre tudo 
o que ocorrer na consulta. 
✓ A mãe resolve que está na hora de consultar, marca a consulta e depois comunica 
à filha, que não consegue exercer sua autonomia. Logo, essa adolescente vai à 
consulta contra a sua vontade. 
✓ A adolescente quer consultar o ginecologista, mas sua mãe insiste em estar 
presente na sala de consulta, alegando que a filha “é menor de idade”. A consulta 
transcorre com restrição, pois o profissional não sabe até que ponto vai o 
relacionamento mãe-filha. 
✓ A adolescente vai se consultar sem o conhecimento da mãe, o que deixa o 
ginecologista desconfortável pelos aspectos ético-legais da consulta em menores 
de idade. 
 
A história menstrual precisa ser detalhada. No caso de a adolescente não ter tido 
menarca, importante avaliar se já iniciou os caracteres sexuais. 
 A idade da menarca e os ciclos menstruais subsequentes devem ser bem descritos 
quanto ao intervalo, quantidade e duração do fluxo e data da última menstruação. 
 
As adolescentes devem ser orientadas a marcarem seus períodos menstruais e, para 
isto, pode ser oferecido um calendário menstrual ou podem ser sugeridos aplicativos de 
controle do ciclo, disponíveis para smartphones. 
 
Muitas dúvidas surgem com relação aos ciclos irregulares no período da pós-menarca, 
e a orientação sobre imaturidade do eixo, comum nesta fase, tranquiliza a paciente ea sua mãe, muitas vezes preocupadas com o futuro reprodutivo. 
 
Uma das maiores dificuldades na anamnese é abordar assuntos ligados à sexualidade, 
uma vez que estamos frente a pacientes menores de idade, o que gera preocupação 
aos profissionais sobre aspectos ligados ao sigilo e privacidade. (10) 
 
 Perguntas sobre vida sexual na presença da mãe são consideradas não apropriadas. 
O fato de a mãe entrar junto e dizer que “o relacionamento delas é ótimo” não sinaliza 
positivamente que ela tenha pleno conhecimento da vida sexual da sua filha. A menos 
que a adolescente fale espontaneamente que o motivo da consulta foi anticoncepção 
porque ela está tendo relações sexuais ou deseja iniciar, o ginecologista deve abordar 
com tato esse tópico, evitando deste modo criar uma situação de conflito entre mãe 
e filha. 
 
A clássica pergunta: “Você prefere que sua mãe saia?” nem sempre vai surtir o efeito 
desejado. Devemos lembrar que o fato de a paciente ser menor de idade serve de 
pretexto para que a mãe se sinta no dever de acompanhar todo o exame. Se a 
adolescente responder que prefere ficar sozinha, o ginecologista corre o risco de escutar 
a mãe retrucar para sua filha: “Por que você quer que eu saia, tem alguma coisa para 
esconder?”. Uma maneira adequada é perguntar: “Você faz questão da presença da 
sua mãe no momento do exame?”. Com essa abordagem, estamos dando a chance para 
a adolescente dizer que se sente segura para dirigir-se ao exame sozinha e dispensar o 
“apoio” da mãe zelosa, sem criar conflitos. 
 
Uma vez que tenhamos um momento a sós com a adolescente, os aspectos de sigilo 
devem ser abordados, garantindo a confidencialidade. Essa informação é muito 
importante, já que as adolescentes se sentem inseguras, principalmente quando o 
ginecologista foi escolhido pela sua mãe. Ao ser tranquilizada que o sigilo será 
preservado, teremos a oportunidade de orientar a respeito de contracepção e 
cuidados para se prevenir de infecções sexualmente transmitidas. Sabemos que na 
maioria das vezes os jovens iniciam a atividade sexual e só se preocupam com 
anticoncepção após alguns meses sem proteção e/ou com usos indiscriminados da 
contracepção de emergência 
 
Todos os dados coletados na anamnese e exame físico devem ser cuidadosamente 
registrados, inclusive o dado se a vida sexual é mantida em segredo para evitar quebra 
inadvertida de sigilo numa conversa com a mãe. Nas consultas subsequentes, nas 
adolescentes que eram virgens na primeira consulta, é importante sempre perguntar se 
ela já iniciou atividade sexual, e, para aquelas que já eram sexualmente ativas, se ainda 
mantém sua vida sexual em segredo. 
 
 
 
 
 
• Mostrar empatia para com a adolescente é fundamental para que a anamnese 
transcorra de maneira satisfatória. 
 • Indagações sobre sexualidade nem sempre são bem aceitas pela paciente, 
principalmente por aquelas que vêm acompanhadas, cuja mãe se adianta para dizer que 
“o médico pode falar o que quiser porque a paciente não tem segredo nenhum”. 
Aguarde sempre iniciativa da adolescente ou um momento de privacidade para abordar 
questões sobre a vida sexual. 
• Procure sempre obter um momento a sós com a adolescente sem constrangê-la. Opte 
por uma forma mais sutil como “você faz questão da presença de sua mãe?” em vez de 
“você prefere que sua mãe saia?”. 
• Adolescente que não teve menarca deve ser examinada para avaliação do status 
puberal e, no caso de desenvolvimento puberal normal, avaliação do trato de saída. 
• Em adolescentes que tiveram menarca e são virgens, o exame ginecológico deve ser 
incentivado, mas pode ser protelado, caso a adolescente esteja sem queixas 
ginecológicas e sinta-se desconfortável de ser examinada na sua primeira visita ao 
ginecologista. 
• Adolescentes sexualmente ativas devem ser submetidas a exame ginecológico, salvo 
raras exceções, visando à pesquisa de infecções de transmissão sexual. 
 
 
 
Anamnese detalhada sobre menarca e ciclos subsequentes 
Questões éticas 
Relação mãe e filha 
Tranquilizar quanto à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise 
Garantir a confidencialidade e o sigilo 
Instruir a acompanhar os ciclos menstruais 
Empatia e confiança, desenvolvimento biopsicossocial

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