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1 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
O PARTO 
 
DEFINIÇÃO: 
 
 
 
 
ESTREITOS E DIÂMETRO DA BACIA: 
 
A bacia possui 3 estreitos; 
 
Superior, que é composto por 3 conjugados: 
 
- Conjugado anatômico (borda superior da sínfise até o promontório sacral) – mede aprox. 11cm; 
- Conjugado diagonal (borda inferior da sínfise até o promontório sacral) – mede aprox. 12 cm (a principal); 
- Conjugado obstétrico (verdadeira): feito com base na rega de Smallie – que é 1,5 cm menor do que a diagonal; 
 
 
 
 
 
 
 
Médio 
- A referência do estreito médio da bacia é o diâmetro bi-isquiático (é o menor diâmetro látero-lateral da pelve materna) 
- É o estreito que mais implica em problemas na passagem do feto, principalmente por conta da biespinha isquiática, que mede em 
média 10,5 cm; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inferior: 
- O diâmetro anteroposterior mede em média, 9,5 cm. 
- Não impõe muitos problemas pois, existe a movimento exitus – que é a 
retropulsão do cóccix (aumentando o espaço – chegando até 11cm) 
 
 
 
 
2 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
PELVIMETRIA: 
 
É dividida na análise direta do tamanho (externo e interno) da pelve; 
 
Externa: 
- Faz uma avaliação indireta do diâmetro da biespinha isquiática; 
- Normalmente, se for maior que um punho fechado = bom prognóstico (BI deve ser maior 
que 10,5 cm) 
 
Interna: 
- É feita com base no cálculo do conjugado obstétrico (Regra de Smellie) 
 
 
 
 
PELVIGAFRIA: 
 
- Avalia a morfologia da pelve; 
- Com os dois polegares, avalia o ângulo subpubico e classifica em maior ou menor que 90° 
 
× Menor que 90° = bacia estreita (provavelmente dificulte a passagem da cabeça do bebê); 
 
- Outra análise pode ser feita pela saliência das espinhas isquiáticas; 
- Se ela for muito proeminente, pode ser que indique dificuldades na passagem do estreito médio; 
 
 
 
TIPOS DE BACIA: 
 
 
 
 
 
GINECÓIDE: 
 
- Mais frequente (50% dos casos); 
- Arredondada (formato) 
- Excelente prognóstico. 
 
MÃE = ideal para partos sem complicações; 
 
 
 
ANTROPÓIDE: 
 
- É uma bacia mais cumprida (grande diâmetro anteroposterior); 
- Pode chegar até a 25% dos casos; 
- Quando o feto consegue se insinuar (passar pelo estreito superior), o parto evolui bem. 
- É o que apresenta o menor diâmetro bituberoso. 
 
 
3 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
ANDRÓIDE: 
 
- É uma bacia mais masculina, em forma de funil (mais triangular); 
- Pode chegar até a 20% dos casos; 
- Apresenta uma distorcia crescente (quanto mais a criança vai descendo, mais tem dificuldade) 
- É o que apresenta maior dificuldade ao parto vaginal; 
- Lembrar que o ângulo subpubico desses pacientes são os mais estreitos de todos; 
 
 
 
PLATIPELÓIDE: 
 
- Apresenta o formato de ovo deitado; 
- É bem rara, apresenta-se somente em 5% dos casos; 
- Por conta do formato da bacia, é comum os fetos se insinuarem em posição transversa; 
- Apresenta o maior diâmetro bituberoso. 
 
 
 
 
 
FASES CLÍNICAS DO PARTO: 
 
O trabalho de parto é dividido em quatro fases clínicas, que são fase de dilatação (1º período), período expulsivo (2º período), dequitação 
placentária (3º período), uma hora após o parto (4º período). 
 
 
Início do trabalho de parto se dá: 
 
- Contrações rítmicas e dolorosas; 
- Com alterações cervicais (dilatação) 
- Modificações progressivas no colo (esvaecimento = apagamento) 
 
 
 
 
1º PERÍODO: contrações rítmicas e dolorosas. 
 
- Corresponde ao período de dilatação do colo, que se inicia com contrações uterinas efetivas e termina com a dilatação completa do colo. 
- O início do trabalho de parto efetivo é considerado na presença de contrações regulares, em uma média de 03 contrações em 10 min, 
com duração de cerca de 50 segundos cada, além de dilatação cervical entre 03 a 05 cm. 
 
- É dividido em fase latente e fase ativa. 
 
▪ A fase de latência se inicia com contrações uterinas regulares, dolorosas, com progressão da dilatação cervical até cerca de 03 a 
04 cm, momento em que se inicia a fase ativa. 
 
 
FASE DE LATÊNCIA: 
 
- Contrações dolorosas e variáveis; 
- Mudança lenta / inexistente no colo. 
- Dilatação < 4 cm – segundo MS – (Observação, reavaliação, analgesia e orientação): 
 
 
FASE ATIVA: 
 
- Início do trabalho de parto; 
- Contrações rítmicas e dolorosas que gera mudanças progressivas do colo. 
- Dilatação > 4cm = início da fase ativa; 
- Internação para conduzir o parto. 
- Seguir o princípio do HANDS OFF (o parto é um mecanismo natural, sem necessidade de muita intervenção, pois vai evoluir 
naturalmente) 
 
4 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Ocorrem de forma distinta em multíparas ou primigestas; 
 
- Primigestas: primeira esvaece (afina), para depois começar a dilatar – pode durar de 10 a 12 horas 
- Multíparas: tudo ao mesmo tempo – pode durar 06 a 08 horas 
 
 
O que não fazer nesse momento? 
- Cardiotocografia 
- Acesso 
- Tricotomia 
- Enema (lavagem intestinal) 
- Amniotomia 
- Ocitona 
 
 
Como deve ser acompanhado? 
 
• Iniciar o acompanhamento pelo partograma; 
• Deixar a paciente a vontade (quiser caminhar, deitar-se, massagem, bola de pilates, etc.) 
• Auscultar BCF a cada 15 a 30 min 
• Toque vaginal (recomendação atual de 4 em 4 horas) 
• Análise das contrações em 1/1 hora; 
• Analgesia epidural (só para as que desejarem) 
 
 
 
2º PERÍODO: Expulsivo. 
 
- Quando a paciente chega a 10 cm de dilatação = início da saída do RN; 
- Esse período se inicia após dilatação completa e termina após o desprendimento fetal. 
- Esse período expulsivo apresenta um limite de tempo que é possível considerar, porque é um período muito estressante ao bebê; 
- Se houver a presença de distorcia de ombro, é necessário ficar pronto para as manobras de urgência. 
 
▪ A partir de 3 horas = período expulsivo prolongado (PEP); 
▪ Primigestas (até 3h) e multíparas (até 2h) 
▪ Passou das 3 horas = investigar a causa; 
▪ É necessário condutas para auxiliar o nascimento (uso de fórceps, indicação de cesárea.) 
 
 
O que deve ser feito? 
 
- Ausculta o BCF a cada 5 min; 
- Paciente pode sentir os puxos (vontade de evacuar devido a contrações intensas) – estimular a gestante a fazer força; 
 
 
 
 
 
3º PERÍODO: Dequitação; 
 
- Começa assim que o bebê nasce e é necessário ter a dequitação, a saída da placenta 
- Pode fazer uso de ocitocina IM na mãe assim que desprender o ombro – prevenção de atonia uterina; 
- Trações controladas no cordão umbilical – leves movimentos circulares (ir estimulando aos poucos a contração); 
- Esse período pode durar até 5 a 30 min após a saída fetal (é uma conduta mais passiva, agudada a dequitação espontânea) 
➔ Se passar 30 minutos e essa placenta não dequitar, indica a curagem uterina; 
 
 
 
5 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
▪ Baudolecque Schultze – Dequitação ocorre de maneira mais central (lado fetal) 
▪ Baudolecque Duncan – “Ducan = du canto” ocorre o início da dequitação (lado materno) 
 
 
 
 
 
 
 
 
4º PERÍODO: Período de Greenberg 
 
- É considerada a primeira hora pós parto. 
- É o período de maior risco porá hemorragias; 
- Vai ocorrer dois fenômenos: 
▪ Miotamponamento: contração da musculatura uterina para tamponar os vasos uteroplacentários; 
 
▪ Trombotamponamento – formação de trombos nos grandes vasos e um hematoma intrauterino – que promove o 
tamponamento das arteríolas e veias abertas no sítio placentário; 
 
▪ Indiferença uterina: o útero se torna apático, do ponto de vista dinâmico (apresentando fases de contração e relaxamento) 
 
▪ O útero chega na fase de contração uterina fixa – como avaliar? Com o globo de segurança de pinar. 
 
 
 
O quarto período pode ser complicado em situações de: 
 
- Parto prolongado, há uma maior chance de atonia uterina, 
 
- Parto taquitócico não há tempo suficiente para acomodação dos tecidos durante a passagem do feto pelo canal de parto, 
favorecendo o aparecimento de sangramento pelo traumatismo. 
 
 
 
 
 
HORAS DE PARTO... 
 
✓ Nas multíparas, a fase latentedura cerca de 14 horas, a fase ativa de 06 a 08 horas, o período expulsivo cerca de 30 minutos e a 
dequitação de 05 a 30 minutos. Logo, o trabalho de parto nas multíparas pode durar mais que 18 horas. 
 
 
✓ Nas prímaparas, a fase latente pode ter duração de até 20 horas, a fase ativa dura uma média de 10 a 12 horas, o período expulsivo 
dura cerca de 50 minutos, e a dequitação entre 05 e 30 minutos. Portanto, o trabalho de parto frequentemente ultrapassa 12 horas. 
 
 
 
 
 
 
CURAGEM UTERINA 
 
6 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
CONTRAÇÕES: 
 
É importante lembrar que as contrações vão estar presente durante toda a gestação, porém, devido ao bloqueio progestagênico, a paciente 
será oligossintomática a elas; 
 
TIPO A: 
- Intensidade 2 a 4 mmHg; 
- Grande frequência; 
- Localizadas; 
- Antes de 28 semanas; 
 
 
TIPO B: 
- Intensidade 10 a 20 mmHg; 
- Aparecem após 28 semanas; 
- Chamadas de contração de Braxton-Hicks (incoordenadas, focais, de baixa intensidade, normalmente indolores e de 
curta duração) 
- Maior frequência 4 semanas antes do parto. 
 
 
 
Durante o parto é preciso lembrar do tríplice gradiente descendente; 
 
As contrações elas: 
» Iniciam no fundo; 
» Duram mais no fundo 
» Mais intensas no fundo. 
 
- Fazendo com que as contrações empurrem o bebê ao nascimento; 
- Se dividem em latentes e ativas; 
 
 
 
 
INDUÇÃO DO TRABALHO DE PARTO: 
 
Ocorre quando os benefícios de manutenção da gestação já não superam os riscos. 
 
 
Indicações de indução: 
 
» Pós datismo (Já passou da DPP); 
» RPMO (acima de 34 semanas); 
» Pacientes fora do TP 
 
 
Contraindicações da indução: 
 
- Se possuir contraindicações de parto vaginal por si só. 
- Vício pélvico 
- DCP (desproporção cefalo pélvica) 
- 2 cesáreas prévia 
- Apresentações anômalas (e.x., transversa, oblíqua, pelvi-podálica), 
- Placenta prévia 
- Emergência: sofrimento fetal ou materno (Ex: gestações prolongadas); 
 
 
 
ÍNDICE DE BISHOP: 
 
- Para fazer a indução do trabalho de parto, é necessário calcular o índice de Bishop; 
- Mnemônico D E C P A; (Dilatação, esvaecimento, consistência e posição); 
 
 
7 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
✓ Abaixo de 5 = Bishop desfavorável. 
 
✓ Entre 5 e 9 = Bishop intermediário 
 
✓ Acima de 9 = Bishop favorável 
 
 
 
 
 
 
 
Drogas de escolha: 
 
Ocitocina: Bishop favorável e intermediário (ocitocina em soroglicosado) 
 
Misoprostol: Bishop desfavorável (usa o miso para maturação do colo do útero antes de induzir o parto) 
 
- Dosagem de 25mcg, já inicia a maturação; 
- Sempre pensar na indicação do MISO quando a questão falar de “colo uterino está impérvio, grosso e longo” – precisa maturar; 
- Fica monitorando a paciente (pois pode evoluir para o TP); 
- E é contraindicado o uso em pacientes com cicatriz uterina (cesárea prévia); 
 
 
 
 
 
ESTÁTICA FETAL: 
 
- A relação do bebê com a bacia materna. 
- É feito com base no toque vaginal; 
 
 
 
ATITUDE 
 
Flexão (posição de bem estar); 
 
SITUAÇÃO 
 
Longitudinal; transversa 
POSIÇÃO (do dorso fetal em 
relação a mãe) 
 
Direita; Esquerda; anterior; posterior (sempre em relação a mãe); 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Cefálica; Pélvica; Córmica (transverso – deitada) 
VARIEDADE DA 
APRESENTAÇÃO 
 
Analisa se a cabeça está fletida; Defletida ou completa; incompleta; 
VARIEDADE 
DE POSIÇÃO 
Siglas que definem o quanto a criança está rodada e seu ponto de referência na 
bacia materna; 
 
 
8 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
VARIEDADES DE POSIÇÕES: 
 
- Denomina-se a variedade de posição com uma sigla de 3 letras, sendo a: 
 
A primeira corresponde ao feto (O – occipital, M – mento, N – naso etc.) 
E as outras duas ao ponto de referência materno: 
 
2ª: Referência ao lado materno ao qual o dorso está; 
3º: Levar em relação a mãe, aonde está a cabeça da criança; 
 
- EX: OEA – Occipto, esquerda anterior. (lado materno ao lado qual se orienta esse ponto) 
 
- Sempre lembrar que o ponto de referência do feto (Ex: mento) está em correspondência com o estreito superior da bacia materna à 
esquerda e anteriormente portanto, o dorso fetal está virado para a direita e a posição fetal é direita 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SITUAÇÃO 
 
APRESENTAÇÃO 
 
REFERÊNCIA 
 
LETRA 
Longitudinal Fletida Lambda O (Occipital) 
Longitudinal Defletida grau 1º Bregma B 
Longitudinal Defletida grau 2º Nariz N 
Longitudinal Defletida grau 3º Mento M 
Longitudinal Pélvica Sacro S 
Transversal Córmica (deitado) Acrômio A 
 
9 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
MANOBRA DE LEOPOLD ZWEIFEL: 
 
- 1º TEMPO: 
SITUAÇÃO (longitudinal ou transversa) – Deprimir o fundo uterino – avalia o fundo uterino e o polo fetal que ocupa esse fundo 
(podendo auxiliar na visualização da apresentação). 
 
- 2º TEMPO: 
POSIÇÃO FETAL (fletida, defletida em algum grau, pélvica ou córmica) – avalia posição através da palpação do dorso e partes fetais 
(dica: o dorso é a região mais rígida e contínua); 
 
- 3º TEMPO: 
INSINUAÇÃO (já passou o estreito superior da bacia) – Palpar estreito superior da bacia e sua mobilidade (no púbis) e tentar 
identificar se é polo cefálico ou pélvico; 
 
- 4º TEMPO: 
ALTURA DA APRESENTAÇÃO – Para visualizar o nível de penetração da apresentação (via palpação da barriga); 
 
 
 
 
 
 
 
ASSOCIADO a manobra de leopold, utiliza-se o toque vaginal: 
 
Para avaliar a altura da apresentação, utiliza-se o plano de DE LEE; 
 
- DE LEE tem como plano referência ZERO as espinhas ciáticas; 
- Tudo que estiver acima disso: negativo e tudo que estiver abaixo: positivo; 
- Quanto mais positivo = mais próximo de nascer; 
 
 
 
 
 
 
10 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
MECANISMO DE PARTO 
 
- São definidos como os movimentos que a criança faz, para passar pelo canal da bacia; 
- Todas ocorrem no “mesmo momento” 
 
 
1. Insinuação: quando o ápice da cabeça atinge o plano das espinhas ciáticas – estreito superior da bacia. Normalmente em OET; 
 
 
 
2. Descida: O polo cefálico insinuado percorre a distância do estreito superior para o inferior (De LEE) 
 
 
 
 
3. Rotação interna: Para adaptar o menor diâmetro nos estreitos da bacia – Colocar linha de orientação do feto (sagital) no diâmetro 
anteroposterior do estreito inferior da bacia da mãe. Rodar para nascer em OS ou OP (45°, 90° ou 135°). 
 
 
 
 
 
 
4. Desprendimento cefálico (Deflexão): Depois da rotação interna, a cabeça se desprende do estreito inferior e se estende; 
 
 
 
 
5. Rotação externa: Restituição do movimento (Rodar a cabeça para a posição que estava antes da rotação interna) 
 
 
6. Saída ovóide: desprendimento do ombro (Desprender ombro anterior, depois o posterior) 
 
 
 
11 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Outros movimentos que auxiliam na saída, são: 
 
- Assinclitismo (movimento de um lado para o outro da cabeça) – ocorre durante a insinuação; 
➔ Pode ser: Anterior ou posterior (é o contrário do que é visualizado; - Ex: cabeça mais para trás = anterior); 
 
- Flexão da cabeça; 
 
- Cavalgamento dos ossos do crânio (vão se moldando aos menores diâmetros) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARTICULARIDADES DA APRESENTAÇÃO CEFÁLICA: 
 
 
Mecanismo da defletida de grau 1º: 
 
- Ocorre uma descida lenta; 
- Ponto de referência se torna a fontanela Bregmática (sutura sagitometópica); 
- Desprendimento em 2 tempos; 
- Nasce (um pouco mais difícil); 
 
 
 
Mecanismo da defletida de grau 2º 
 
- Ocorre uma descida mais lenta para se adequar aos diâmetros; 
- A criança está descendo de face, com o nariz de referência (sutura metópica); 
- É o pior prognóstico. 
- Dificilmente nasce 
 
 
 
Mecanismo da defletida de grau 3º 
 
- Descida lento; 
- É possível palpar tanto linha facial, quanto o mento (linha facial) 
- Pode confundir com apresentação pélvica (as vezes palpa a bochecha e pensa que é o bumbum); 
- Em casos de mento púbica, o bebê nasce(faz o movimento no púbis com o mento) 
 
 
IMPORTANTE! 
Os bebês normalmente se 
insinuam em OET e nascem 
(desprendimento) em OS ou OP 
 
12 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
ASSISTÊNCIA AO PARTO PÉLVICO: 
 
 
Não é um tipo de parto frequente (de 3 a 4% das gestações a termo); 
Incidência maior em IG menor; 
 
 
Alterações no mecanismo do parto: 
 
▪ No parto cefálico, o ponto de referência é a parte bi parietal – menor diâmetro que passa pelos estreitos da bacia. 
 
▪ No parto pélvico, a referência vira a parte bi trocantérica; 
 
 
- Os outros movimentos do parto, são os mesmos (insinuação, descida, rotação interna...) 
- É um parto de alto risco de evolução para cesariana; 
 
 
Indicações de cesariana: 
 
» Feto macrossômico; 
» Vício pélvico (bacias menores); 
» Prolapso de membros (uma perna do feto já saiu) 
» Inexperiência 
 
 
Parto vaginal: 
 
- Presença de toda equipe; 
- Evitar rotura da bolsa (a bolsa integra auxilia na descida e na dilatação das estruturas com mais facilidade); 
- Monitorização fetal 
- “Bebê sempre olha pra baixo” (as costas para cima e o rosto virado pra baixo); 
- Assim que o RN nasce, realiza uma “Alça de cordão” – Pois pode ser importante em possíveis manobras posteriores; 
- Considerar a realização de uma episiotomia materna (facilita o parto) 
- NÃO puxar (a cabeça pode defletir, dificultando muito a evolução do parto) 
 
 
MANOBRAS: 
 
» Tissen: Realização de uma contra tração quando a gestante apresenta contrações extremas (puxos); auxilia na dilatação das 
estruturas e na descida do bebê; 
 
» Bracht: Quando o corpo do bebê sai, “joga” o feto por cima do abdome materno, facilitando a liberação da cabeça e membros; 
 
» Liverpool: Deixar o bebê, que está com a cabeça ainda presa, pendendo (por uns 20s) para favoreça a flexão da cabeça e saída; 
 
» Mc Roberts: Hiperflexão da perna das gestantes, aumentando a abertura e facilitando a saída; 
 
» Mauriceau: Introdução dos dedos indicador e o dedo médio na boca do feto para apoiar a criança + pressão supra púbica = 
flexionando a cabeça e facilitando a saída; 
 
 
 
13 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Outras manobras: 
 
▪ Rojas e Pajot = utilizadas para liberação e desprendimento dos ombros; 
 
 
 
 
 
 
Manobras de emergência: 
 
Ex: Cabeça derradeira: quando o corpo da criança sai, mas a cabeça não; 
 
✓ Fórcipe de Piper; 
 
✓ Manobra de Zavanelli: Retorna o feto a cavidade uterina e inicia uma cesárea de urgência (péssimo prognóstico); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBS: VERSÃO EXTERNA 
 
Em casos de gestantes que apresentem após a 37º semana fetos com 
posição pélvica, pode ser indicado a realização da versão externa da 
posição para que seja possível o parto vaginal; 
 
Lembrar que: até a 34º semana, a criança tenta rotacionar da posição 
pélvica para a cefálica naturalmente; 
 
Riscos da manobra: Risco de descolamento e sofrimento fetal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
DISTOCIA DE OMBROS: 
 
Sempre lembrar dos fatores de risco para uma possível distocia: 
 
- Macrossomia; 
- Diabetes gestacional 
- Distocia anterior 
- Vicio pélvico (= bacia pequena); 
 
Maior problema da distocia = imprevisível (emergências); 
 
Diagnóstico: 
O diagnóstico da distocia de ombro pode ser feito com base em achados, como: 
Sinal da tartaruga 
- Quando a gestante está na fase de contrações intensas (apresentando puxos), a criança ela tente a cair com a cabeça e 
voltar (a cada puxo), porque o bebê fica com o biacromial preso atrás do púbis; 
 
- Se passar >60 segundo do intervalo entre a exteriorização da cabeça e dos ombros = suspeitar do sinal da tartaruga. 
 
 
 
 
Complicações: 
▪ Risco de lesão no plexo braquial (principalmente se puxar a criança); 
 
 
 
 
 
Qual a conduta nessas situações? 
Mnemônico HELPE 4 
 
Help 
Episiotomia 
Levanta as pernas (Mc Roberts); 
Pressão supra púbica (Rubin I) – tentativa de abaixar o acrômio para que ele passe de baixo do púbis; 
Entra com manobras (Rubin II, Woods, Parafuso); 
4 apoios (Manobra de Gaskin) 
 
 
 
Manobra rotacionais: 
 
Manobra de primeira linha: 
 
▪ Mc Roberts (resolve 90% das distocias de ombro) – Hiperflexão da perna das gestantes, aumentando a abertura e facilitando a saída; 
 
▪ Mc Rubin I – Realiza-se pressão supra púbica sob as costas do feto, com o objetivo de abduzir o ombro e fazê-lo passar sob a sínfise. 
 
 
 
 
15 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Manobra de segunda linha: 
 
▪ Mc Rubin II: Coloca a mão no dorso no ombro e gira para baixo; 
 
▪ Woods: Pega na região anterior do ombro e gira o feto para trás; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manobra de Gaskin: Posicionar a paciente sobre os quatro membros, apoiada sobre as mãos e pernas. Aumenta o diâmetro e facilita a 
liberação do ombro posterior com uma suave tração descendente 
 
 
 
 
 
Quando da falha das manobras anteriores. 
 
▪ Fratura proposital da clavícula: Reduz o diâmetro bi-acromial e favorecer a passagem; 
 
▪ Manobra de Zavanelli: Reposicionamento cefálico para dentro da pelve, seguindo o mecanismo inverso exato da exteriorização 
cefálica e realiza uma cesariana de urgência (exige anestesia e tocólise); 
 
 
 
16 
OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
ASSISTÊNCIA AO PARTO NORMAL 
 
Manobras de conforto – medidas de humanização do parto; 
 
» Oferecer líquidos durante o trabalho de parto; 
» Tem direito a um acompanhante; 
» Monitorização intermitente (ausculta de 15 a 30 min no primário período e de 5 em 5 no período expulsivo) 
» Estímulo ao parto vaginal 
» Contato mãe / RN – melhora o vínculo; 
» Ligadura tardia de cordão 
» Uso de partograma; 
 
O que não deve ser feito (manobras de desconforto): 
» Venóclise de rotina 
» Analgesia exclusiva farmacológica (indicar medicas não farmacológicas); 
» Restrição de leito (indicar caminhas pelo leito/corredor); 
» Tricotomia de rotina 
» Enteroclisma de rotina (lavagem intestinal) 
» Episiotomia de rotina 
 
 
 
Posição de parto. 
 
- A parturiente deve ser orientada a escolher a posição QUE ELA DESEJA durante todo o trabalho de parto, inclusive, no período expulsivo 
- Posições verticalizadas costumam ter chance de desprendimento + eficaz 
 
 
 
 
 
 
 
 
EPISIOTOMIA: 
 
A episiotomia tem como função o aumento do diâmetro de saída quando o feto está pressionando o períneo (tentativa de reduzir o dano no 
tecido) além de poder possibilitar a execução de manobras. 
 
Idealmente NÃO se deve fazer; 
 
Indicações: 
 
- Risco iminente de laceração; 
- Distocia de ombro; 
- Se for necessário instrumentação do parto. (Ex: fórceps); 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Técnica: 
 
Basicamente apresenta-se com dois modelos: 
 
▪ MÉDIO LATERAL (independente do lado) – sangra e causa MAIS danos musculares, porém com menos risco de rotura esfincteriana; 
 
▪ PERIENOTOMIA (medial / perpendicular) – Apresenta menor grau de lesão muscular, menor sangramento, dispareunia, deiscência e 
dor no pós-parto, no entanto há maior risco de prolongamento da lesão em direção ao esfíncter retal (em casos de prolongamento 
de episiotomia, pode danificar o esfíncter; 
 
No caso da episiotomia médio-lateral se faz uma secção de músculos do assoalho pélvico, frequentemente englobando o bulboesponjoso e 
transverso superficial do períneo 
 
 
 
 
 
Indica-se a realização de anestesia para o procedimento! 
 
- Não precisa uma raqui – pode indicar apenas o bloqueio do NERVO PUDENDO. 
 
- Faz a pesquisa manual das espinhas ciáticas e em seguida, faz o bloqueio do pudendo em movimento de leque (por toda região) 
 
 
 
 
Lacerações: 
 
1º GRAU: Acomete pele e mucosas; 
2 º GRAU: Atinge musculatura, porém sem acometimento esfincteriano (episiotomia médio lateral); 
3 º GRAU: Acomete a musculatura + esfíncter; 
4 º GRAU: Atinge mucosa retal 
 
 
 
 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
FÓRCIPES: 
 
Funções: 
 
- Apreensão: biparietomalomentoniana 
 (apresenta-se como um “capacete lateral” – para evitardanos na face do bebê); 
 
- Rotação: Transversa ➔ occipital (para facilitar a saída); 
- Tração: auxílio ao puxo materno; 
 
 
Tipos: 
 
- Kielland (utilizado em variedades de posição transversas e para realizar rotações amplas) 
- Simpson (normalmente o mais utilizado); 
- Piper (usado no caso de partos pélvicos – cabeça derradeira). 
 
 
 
 
 
Aplicabilidade: 
- Mnemônico ABCDEF: 
 
Ausência de DCP (desproporção cefalo pélvica); 
Bolsa precisa estar rota (bolsa íntegra NÃO) 
Conhecimento da variedade de posição 
Dilatação total (10cm) 
Estar insinuado (plano 0 de DeLee, podendo ter ultrapassado esse nível e estar em planos +1, +2, +3, em diante) 
Feto vivo 
 
 
O uso da EPISIOTOMIA é indicado (e obrigatório) após a prova da tração do fórceps (que garante q ele esteja bem alocado e irá sair) – caso 
não faça a prova de tração antes, corre o risco de fazer uma episiotomia desnecessariamente (pois se a prova for negativa – cesárea) 
 
 
Anestesia: 
- É necessário fazer a anestesia; 
- Bloqueio do nervo pudendo bilateral 
- Raqui/Peridural 
 
 
Possíveis complicações: 
- Lacerações de trajeto 
- Lesões cranianas 
- Cefalematomas (imag) 
 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
Técnicas para aplicação: 
 
- Coloca a mão (contraria a do fórceps) como guia e depois coloco a colher do fórceps (idealmente – primeiro a posterior) 
 
- Em seguida realiza a pega direta com a outra mão 
 
 
OBS: 
- Lembrar que o fórceps de Kielland corrige o assinclitismo do bebê 
- Sempre realizar a prova de tração – certificar que a criança irá sair (e não há nenhuma desproporção CP) 
 
 
 
Fórceps de Alívio: 
- É utilizado para aliviar o esforço do período expulsivo para a mãe e é utilizado quando o couro cabeludo do feto pode ser visualizado 
no introito vaginal sem separar os lábios 
 
- A rotação, se necessária, não deve ultrapassar 45 graus 
- Ele apresenta um padrão na classificação de DeLee (+3 ou +4) em OP; 
- Principais: Kielland e Simpson 
- Indicar para pacientes 
→ Cardiopatas 
→ Exaustão materna 
→ Presença de cicatriz uterina que estão realizando um parto normal. 
 
 
 
Fórceps de rotação: 
- Normalmente é sempre o posterior, porém em casos de posicionamento transverso indica-se primeiro a colher anterior; 
- Rotação: 45°, 90°, 135° e 180° 
- Principal: Kielland 
 
 
 
Situação especial: 
 
▪ Prova de tração negativa? Não faz a episiotomia – realização de cesárea de urgência; 
 
▪ Sempre que utilizar o fórceps, após o parto, é necessário analisar o canal de parto para se certificar que não houve nenhum 
dano na gestante; 
 
 
 
 
PARTOGRAMA: 
 
O partograma é uma representação gráfica, padronizada pela OMS, que avalia a evolução do trabalho de parto 
 
Fases: 
- Latência: não abre o partograma ainda; 
- Ativa: > 3cm, dilatações rítmicas e dolorosas – início do partograma; 
 
 
 
 
LINHA DE ALERTA: uma vez que a dilatação não está evoluindo adequadamente e passa aquela reta, é necessário ficar atento; 
 
LINHA DE AÇÃO: a partir do momento em que essa contração inadequada passa a linha de ação, é necessário tomar medidas (romper a bolsa, 
infusão de ocitocina, analgesia, cesariana) – fica a 4h depois da linha de alerta; 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DECIDA E 
DILATAÇÃO 
 
 
BFC 
 
CONTRAÇÕES 
 
TEMPO 
 
OUTROS PONTOS: 
MEDICAÇÃO, ANESTESIA, 
FLUIDOS etc.; 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
FASE ATIVA PROLONGADA (distocia funcional): 
 
- A dilatação uterina ocorre lentamente, em uma velocidade menor que 1cm/hora; 
- A curva de dilatação ultrapassa a curva de alerta e as vezes, a linha de ação. 
- Normalmente ocorre por falta de contrações uterinas eficientes (falta de motor); 
- Conduta: 
▪ Estímulo a deambulação, 
▪ Administração da ocitocina 
▪ Amniotomia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARTO PRECIPITADO (distocia de hiperatividade): 
 
- Dilatação, descida e expulsão do feto que ocorre em um período de 4 horas ou menos; 
- O padrão da contratilidade uterina é de: taquissistolia e hiperssistolia. 
- Pode ser decorrente a administração excessiva de ocitocina. 
- Risco de laceração do trajeto e hemorragia intracraniana na criança; 
- Conduta: 
▪ Avaliação constante da vitalidade fetal; 
▪ Revisão detalhada do canal de parto (risco de lacerações é frequente); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARADA SECUNDÁRIA DA DILATAÇÃO 
 
- Dilatação cervical permanece a mesma (e ultrapassa a curva de alerta) em dois ou mais toques sucessivos (intervalo entre os toques 
de 2 horas ou mais). 
 
- Causa: uma das principais é a DCP (desproporção cefalopelvica) absoluta (devido ao tamanho, macrossomia ou da bacia materna) ou 
relativa (decorrente de variedade de posição) 
 
- Conduta: 
▪ Estimulação da na movimentação da gestante; 
▪ Cesariana; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OBSTETRÍCIA 12 
Marina Prietto 
PARADA SECUNDÁRIA DA DESCIDA; 
 
- Caracteriza-se pela ausência de descida da apresentação em dois toques sucessivos com intervalo de 1 horas com o colo uterino 
completamente dilatado. 
 
- Considera-se que há parada secundária quando ocorre cessação da descida após 1h de atingir a contração completa; 
 
- A causa mais comum é a desproporção cefalopélvica ou por alterações de apresentação fetal (deflexão, transverso.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PERÍODO PÉLVICO PROLONGADO. 
 
- Período pélvico = período expulsivo. 
- A OMS define como limite de tempo do período expulsivo para primíparas de 2,5h e 1h para multíparas; 
- Apresenta-se com uma descida progressiva da apresentação, mas extremamente lenta; 
- Normalmente está relacionada com a contratilidade uterina deficiente 
- Conduta: 
▪ Ocitocina 
▪ Amniotomia 
▪ Fórceps de alívio; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FASE LATENTE PROLONGADA 
 
- Dilatação cervical menor que 3 a 4 cm apesar do tempo excessivo de contrações dolorosas e regulares; 
- Definida com duração maior que 20h em primíparas e 14 horas em multíparas; 
- Normalmente não necessita de correção, porém exige atenção pois é um fator de risco para parto disfuncional; 
 
 
 
OBS: Gestante na fase ativa do trabalho de parto, com o colo parcialmente dilatado e apresentando mais do que cinco contrações 
a cada 10 minutos, o que chamamos de TAQUISSISTOLIA 
 
➔ É responsável por diminuir o aporte de oxigênio fetal por causarem prejuízo à circulação placentária.

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