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Introdução: -a biomecânica utiliza ferramentas e métodos da engenharia para resolver problemas matemáticos e compreender sua relação entre estruturas e funções -em PPR, a biomecânica leva em consideração a forma como os esforços mecânicos são transmitidos e recebidos pelos tecidos biológicos (dente e fibromucosa) -no planejamento de PPR, alguns conceitos biomecânicos devem ser considerados para evitar fatores como formação de alavancas em torno do fulcro, planos inclinados, contatos oclusais prematuros nos dentes de suporte e reabsorção óssea no rebordo residual Suporte: -refere-se a propriedade da PPR de resistir ao deslocamento vertical no sentido oclusogengival. -os apoios oclusais são os principais elementos que conferem o suporte necessário para impedir o deslocamento da PPR durante a mastigação de alimentos consistentes -ademais, os encaixes, a superfície basal da sela e os conectores maiores da maxila também atuam otimizando o suporte da PPR -O planejamento de um PPR dentossuportada em relação ao principio de suporte é muito semelhante ao planejamento de um prótese parcial fixa, ou seja, ambas são suportadas exclusivamente pelos dentes pilares que recebem as cargas mastigatórias e as transmitem ao osso alveolar por intermédio do ligamento periodontal -neste tipo de prótese, o principio de suporte é primordial para a proteção das papilas -um suporte deficiente pode resultar no esmagamento das papilas, além de gerar inflamação tecidual na região, podendo progredir para uma reabsorção óssea no local -dessa forma, em espaços protéticos intercalados, o apoio deverá estar geralmente adjacente ao espaço protético, minimizando a incidência de forças obliquas ao periodonto -para que os apoios oclusais possam proporcionar a PPR desempenho biomecânico favorável, devem ser confeccionados com forma e contorno adequados a fim de garantir que a transmissão de forças seja paralela ao longo eixo dos dentes pilares -os nichos ou descansos oclusais por sua vez, deve ser confeccionados de forma a evitar o surgimento de planos inclinados e contatos prematuros, que estariam presentes caso a PPR fosse instalada em superfície não preparada -no planejamento de uma PPR dentomucossuportada, o principio de suporte torna- se complexo pela presença de duas vias de transmissão de forças que respondem de forma diferente frente aos esforços, o dente e a fibromucosa -a diferença entre a resiliência das fibras do ligamento periodontal e a compressibilidade da fibromucosa do rebordo residual determina um desequilíbrio biomecânico de suporte para esse tipo de prótese, baseado no sistema de alavancas -vale lembrar, que quanto maior a reabsorção óssea na região posterior, maior tende a ser a resiliência da fibromucosa que recobre o rebordo -alem disso, quanto maior a extensão da área edêntula, maiores serão os movimentos que a PPR tende a assumir quando em função -em situação como esta, a PPR tende a apresentar o movimento de aproximação ou rotação distal durante a mastigação de alimentos consistentes biomecânica em prótese parcial removível -e o movimento de afastamento o rotação mesial, durante a mastigação de alimentos pegajosos, tendendo a deslocar a prótese de sua própria posição -em PPR dentomucossuportada, os apoios determinam uma linha de fulcro em torno da qual existirá a tendência de ocorrerem movimentos de rotação quando a PPR estiver em função -a linha de fulcro passa pelos apoios mais distais dos dentes pilares diretos e resulta em um braço de resistência, voltado para a região dentada, e um braço de potencia, voltado para a região edêntula -quando uma força é aplicada nos dentes artificiais da extensão distal da PPR (braço de potência), ocorre um movimento de alavanca em torno da linha de fulcro -essa alavanca pode resultar em forças de compressão traumáticas sobre a fibromucosa e osso subjacente, podendo gerar desconforto ao paciente e aumentar a reabsorção óssea da região - além disso, quando essas forças prejudiciais ultrapassam o limite fisiológico dos dentes pilares, pode ocorrer aumento da mobilidade -a associações desses efeitos junto com a presença de biofilme bacteriano pode favorecer o desenvolvimento de doenças periodontais , levando o tratamento ao insucesso -a mucosa alveolar não é uma estrutura adequada para suportar as cargas oclusais em função de sua alta resiliência (1,3 mm), ao contrario dos dentes -portanto, deformação da fibromucosa pode ser até 13 vezes maior que a do dente dentro do alvéolo -além disso, o grau de compressão da fibromucosa é variável, de acordo com sua espessura e resiliência, e tais fatores também podem variar de uma região para outra no mesmo rebordo, bem como entre os rebordos superior e inferior -quanto mais flácida, menos densa e menos firmemente aderida ao osso subjacente for a fibromucosa, menor será a sua capacidade de suportar uma PPR e mais evidente será o movimento de rotação da PPR em torno da linha de fulcro -considerando a complexidade de casos de PPR de extremidade livre, os apoios devem ser posicionados distantes do espaço protético, ao contrario de PPRs dentossuportadas. -pois se o apoio estiver localizado próximo ao espaço protético, haverá a formação de uma alavanca de primeiro gênero, ou interfixa, ou seja, a resistência e a potencia caminham sentido contrario, em direção ao equador protético, tornando-se ativo. Porem isso não é desejável, pois irá gerar forças sobre o dente pilar -além disso, durante a mastigação de alimentos pegajosos, o grampo irá se afastar do equador protético e irá se tornar passivo -mas se o apoio estiver localizado distante do espaço protético (como recomendado), haverá a formação de uma alavanca de segundo gênero, então a resistência e a potencia caminham no mesmo sentido -então nesta situação, quando uma força mastigatória incide sobre a prótese, o grampo de retenção irá se movimentar no mesmo sentido, tornando-se passivo -retenção: -é caracterizada pela resistência da prótese ao deslocamento no sentido gengivo-oclusal -os pincipais fatores que atuam no sentido desse deslocamento são a força da gravidade, a ação muscular, a mastigação de alimentos pegajosos, a deglutição e a fonação -próteses confeccionadas dentro de uma zona de neutralidade permitem que a musculatura paraprotética auxilie na manutenção da prótese em posição, sendo considerada uma retenção fisiológica -próteses confeccionadas seguindo os princípios físicos e adesão, coesão e pressão atmosférica apresentam a retenção física favorecida -os elementos responsáveis pela retenção mecânica de uma PPR podem ser retentores diretos ou indiretos é importante lembrar que quanto maior o braço de resistência e quanto menor o braço de potência, menor será a força resultante que poderá ser prejudicial ao dente pilar, e menor será a possibilidade de que ocorram alterações danosas e irreversíveis sobre os mesmos -neste sentido, o grampo de retenção com sua ponta ativa flexível é o responsável pela retenção direta quando se encontra adjacente a espaços edêntulos -já o retentor indireto corresponde a um componente de estrutura metálica que é posicionado no dente mais distante possível da linha de fulcro imaginária que passa pelos retentores diretos principais -esses elementos têm como função principal melhorar a estabilidade da PPR, além de serem capazes de aprimorar o suporte e a retenção da mesma -dependendo da necessidade do caso, o retentor indireto pode ser representado por um apoio oclusal, por retentores ou pelos conectores maiores mandibulares, como a placa lingual -a retenção total de uma PPR corresponde a soma de todas as retenções e deve ser suficiente para impediro desalojamento da prótese durante atividades funcionais, como mastigação e fonação -quando se considera o principio de retenção é preciso ter em mente que o dente deve ser estabilizado frente as forças horizontais, geradas pelo grampo de retenção, que tendem a movimentá-lo no ato da inserção ou remoção da PPR, bem como durante a função -desse modo, o principio de reciprocidade deve ser respeitado durante o planejamento dos retentores da PPR, a reciprocidade deve ser considerada tanto no sentido horizontal quanto no vertical -no sentido horizontal, a reciprocidade é conferida pelos braços de retenção e oposição e baseia-se no principio de que forças iguais da mesma direção e de sentido contrariam se anulam -para que o dente pilar tenha estabilidade e não receba forças prejudiciais durante inserção e remoção da PPR, os grampos de retenção e oposição devem ser planejados para que a força resultante sobre os dentes pilares seja nula -no sentido vertical, a reciprocidade é conferida pelo toque simultâneo dos grampos de retenção e oposição nas superfícies vestibular e lingual do dente -isso assegura que, durante a passagem do braço de retenção pelo equador protético do dente pilar, sua ponta ativa seja flexionada sem causar seu deslocamento do dente pilar no sentido contrário, uma vez que o braço de oposição rígido estará propiciando a sua estabilização -esse principio é conseguido quando a distancia percorrida pelo braço de oposição, em contato com a superfície dental, for igual ou maior que a distancia percorrida pelo braço de retenção, desde o momento que este toca na superfície do dente pilar até seu assentamento final -estabilidade: -o principio de estabilidade refere-se á resistência da PPR as forças no sentido horizontal. -todos os elementos rígidos da PPR podem auxiliar na estabilidade, bem como o número, o grau de mobilidade e a distribuição dos dentes remanescentes na arcada, a qualidade, a quantidade e o tipo de rebordo residual, o grau de resiliencia da fibromucosa e, ainda, a relação interoclusal dos dentes artificiais e da sela com a musculatura paraprotética -o principio de estabilidade apresenta total interdependência do sistema de retenção, diferenciando-se na orientação das forças as quis promovem resistência -em geral, o planejamento de uma PPR de qualquer classe (de acordo com a classificação de Kennedy) sem modificação requer o planejamento de elementos indiretos para aprimorar o principio de estabilidade -isso porque nesse tipo de planejamento a distribuição de elementos diretos é linear, o que prejudica a estabilidade da prótese que tende a girar sobre o eixo formado pelos apoios principais -o planejamento de elementos indiretos nesses casos melhora a estabilidade da prótese, pois torna a distribuição de elementos superficial, já que a distribuição dos elementos remanescentes é mais importante que o número, minimizando a tendência da PPR de se deslocar devido a forças no sentido horizontal -princípios específicos para PPR dentomucossuportada: -de acordo com os princípios biomecânicos em PPR discutidos, observa-se que as proteses dentomucossuportadas apresentam-se mais desfavoráveis, necessitando do respeito a determinados princípios biomecânicos especificos durante seu planejamento e execução para que haja previsibilidade do sucesso da reabilitação protética -os princípios que serão descritos devem ser respeitados, a fim de favorecer a biomecânica da PPR dentomucossuportada instalação de implantes, possibilitando a manutenção do osso alveolar. -o objetivo da associação dos implantes a PPR é sempre favorecer a ampliação da área de estabilidade, posicionando os implantees em áreas edêntulas para transformar, por exemplo, ua classe I em classe III modificação 1 -alem disso, integra o uso de implantes ao planejamento das PPRs apresenta outras funções em potencial, como: previnir reabsorção óssea sob a base da prótese pela manutenção da altura óssea ao redor do implante , promover retenção adicional por meio do uso de sistemas de retenção do tipo bola, por exemplo, sobre o implante; -reduzir a tensão sobre os dentes suportes minimizando o movimento da base protética sobre a fibromucosa; -reduzir o número de grampos e melhorar o conforto para o paciente -considerações finais: -respeitar os princípios biomecânicos é um requisito fundamental para permitir o funcionamento adequado da prótese e a preservação dos tecidos biológicos de suporte -em casos de planejamento de PPR dentomucossuportada, a atenção deve ser redobrada, procurando aplicar, sempre que possível, os princípios biomecânicos específicos de forma a evitar a formação de alavancas e planos inclinados -alem disso, o profissional deve considerar a associação de implantes á PPR dentomucossuportada, uma vez que tal integração é responsável por uma melhor perspectiva de sucesso para este tipo de tratamento reabilitador -porém, é importante ressaltar que o uso de implantes agregados a PPR envolve custe e procedimentos cirúrgicos e que nem sempre tais fatores serão aceitos pelo paciente 1. o planejamento deve ser conduzido para a prevenção do aparecimento de alavancas de 1º gênero e planos inclinados, que geram forças laterais, por meio do posicionamento do apoio oclusal distante do espaço protético 2. a sela da PPR deve apresentar contato preciso com o rebordo residual de forma a favorecer o suporte ósseo; para isso, deve-se realizar moldagem funcional, em espaços edêntulos amplos, sejam eles intercalados ou extemidade livre, para favorecer o suporte e a estabilidade. 3. deve-se reduzir a extensão da mesa oclusal, diminuindo a largura dos dentes artificiais e montando os dentes artificiais até o primeiro molar, diminuindo assim o braço de potencia 4. deve haver o maior recobrimento possível da fibromucosa da área chapeável com o intuito de distribuir melhor os esforços sobre o osso alveolar e minimizando assim os riscos de reabsorção óssea acelerada 5. o ajuste oclusal deve ser realizado direcionando as forças no longo eixo dos dentes posteriores de forma simultânea e bilateral durante o fechamento e proporcionando a desoclusão dos dentes posteriores durante os movimentos de protrusão e lateralidade 6. quando estiverem indicados, os retentores indiretos devem ser posicionados o mais distante possível da linha de fulcro para melhorar estabilidade, suporte e retenção da PPR 7. quando os dentes pilares diretos forem reabilitados através da confecção de proteses fixas, pode-se lançar mão do uso de encaixes, que melhoram a biomecânica da PPR, além de permitir a eliminação de grampos, otimizando a estética do caso. 8. Sempre que possível, deve-se associar dentes de suporte e/ou retenção na região distal do rebordo, como a manutenção de raízes residuais ou a instalação de implantes, possibilitando a manutenção do osso alveolar