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CLÍNICA MÉDICA AVC https://www.youtube.com/watch?v=2MYT9FYsyVo&t=92s AVC Acidente Vascular Cerebral (AVC) O AVC resulta da restrição de irrigação sanguínea ao cérebro, causando lesão celular e danos nas funções neurológicas, por uma redução repentina da circulação cerebral por um ou mais vasos sanguíneos que irrigam o cérebro. O AVC interrompe ou diminui o suprimento de oxigênio e geralmente causa lesão grave ou necrose dos tecidos cerebrais. Quanto mais rápido a circulação voltar ao normal após um AVC, maiores as chances de recuperação completa. Acidente Vascular Cerebral (AVC) Dados epidemiológicos: Estatísticas recentes mostram que, no Brasil, o AVC é uma das principais causa de óbito em adultos, superado apenas pelas neoplasias e doenças cardiovasculares. A proporção de incidência de casos de AVCs é de 80% para o isquêmico e 20% para o hemorrágico, sendo este último possuidor de maior letalidade que o primeiro. Após o AVC, os pacientes dentro de um ano aproximadamente: 31% evoluem para o óbito; 28% para o déficit neurológico grave; 11% para invalidez moderada; 11% para invalidez transitória; 17% evoluem sem sequelas. Acidente Vascular Cerebral (AVC) Etiologia (causas): Existem duas causas principais que diagnosticam os AVCs, as obstruções causadas por processos cardiovasculares ou malformação congênita e as hemorragias, como descrita abaixo: Obstrutivos: AVC-ISQUÊMICO (AVC-I) - Trombose, embolia, arterite, compressão e malformação das artérias cerebrais. Hemorrágicos: AVC-HEMORRÁGICO (AVC-H) - São resultantes da ruptura de microaneurismas, aneurismas, discrasias sanguíneas. Acidente Vascular Cerebral (AVC) Fatores de Risco: HAS: principal fator responsável por aproximadamente 70% da ocorrência dos casos. Cardiopatias: como a fibrilação ventricular, válvulas substituídas (próteses). Diabetes Mellitus: por alterar a viscosidade sanguínea, favorecendo a formação de trombos. Tabagismo: contribui para o aumento dos níveis pressóricos, favorecendo hemorragias, Dislipidemia: o acúmulo de gordura também favorece a formação de trombos, Acidente Vascular Cerebral (AVC) Fatores de Risco: Discrasias sanguíneas: favorecem a ocorrência de hemorragias pela deficiência da coagulação, Alcoolismo excessivo e uso de drogas ilícitas: aumentam a pressão intracraniana, Sedentarismo: favorece à hipertensão e ao diabetes. Ataque Isquêmico Transitório (AIT) É a interrupção temporária da circulação sanguínea, na maioria dos casos nas artérias carótidas. Este episódio transitório ou temporário de disfunção neurológica, comumente manifestado por uma perda súbita da função motora, sensorial ou visual, podendo durar alguns segundos ou minutos, não durando mais de 24 horas e não deixa sequelas. Normalmente, em 10% dos casos, precede um AVC, dentro do período de 3 anos. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): A isquemia diz respeito a qualquer processo durante o qual um tecido não recebe os nutrientes – e em particular o oxigênio – indispensáveis ao metabolismo das suas células. Assim o AVC é induzido por oclusão de um vaso ou redução da pressão de perfusão cerebral, seja esta provocada por redução do débito cardíaco ou por hipotensão arterial grave e sustentada. São subdivididos em três tipos diferentes: trombose de grandes artérias, trombose de pequenas artérias e acidente vascular embólico cardiogênico. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Os acidentes vasculares cerebrais trombóticos de grandes artérias deve-se a aterosclerose dos grandes vasos sanguíneos dentro do cérebro. A formação do trombo também pode ocorrer e, em conjunto com a aterosclerose, há uma redução no aporte sanguíneo para a área, resultando em isquemia e infarto. Os acidentes vasculares cerebrais trombóticos de pequenas artérias perfurantes afetam um ou mais vasos e constituem o tipo mais comum, sendo também chamados de acidentes vasculares cerebrais lacunares, em razão da cavidade que é criada quando o tecido cerebral infartado se dissipa. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Os acidentes vasculares cerebrais cardiogênicos estão associados às arritmias cardíacas, usualmente a fibrilação atrial. Os êmbolos originam-se a partir do coração e circulam até a vasculatura cerebral, resultando em um AVC. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Fisiopatologia: Ocorre quando um vaso sanguíneo é bloqueado, frequentemente pela formação de uma placa aterosclerótica ou pela presença de um coágulo que chega através da circulação de uma outra parte do corpo (COHEN, 2001). O fluxo sanguíneo é bloqueado ou diminuído por processo aterosclerótico, êmbolo ou trombo, levando à isquemia da área afetada, consequentemente, haverá uma diminuição do suprimento do oxigênio e nutrientes aos neurônios, levando à morte neuronal e a sequelas irreversíveis. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Fisiopatologia: AVC-I Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Território Vascular Déficit Neurológico Artéria carótida interna Déficit motor ou sensitivo contralateral, afasia (hemisfério dominante), negligência (hemisfério não dominante), desvio ocular contralateral. Artéria cerebral média Déficit motor e sensitivo (face e perna > perna > pé), afasia (hemisfério dominante), negligência (hemisfério não-dominante). Artéria cerebral anterior Déficit motor e/ou sensorial (pés > face e braços), distúrbio comportamental: abulia (vontade abolida), confusão, perda de memória e incontinência urinária. Sequelas Neurológicas Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Território Vascular Déficit Neurológico Artéria cerebral posterior Déficit motor (pedúnculo cerebral), dislexia (hemisfério dominante), alucinações visuais, perda da memória, perda sensitiva, nistagmo, dor (tálamo), paralisia do III par (nervo oculomotor) paralisia do olhar vertical. Artéria vertebral Parestesia ipsilateral da face, nariz e olhos com parestesia contralateral do corpo, paresia facial, vertigem, ataxia, nistagmo, disfagia, disartria. Artéria basilar Tetraplegia ou hemiplegia/paresia, disartria, disfagia, nistagmo, vertigem, coma. Sequelas Neurológicas Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Manifestações clínicas: Dependendo da localização da lesão, do tamanho da área de perfusão inadequada e da quantidade de fluxo sanguíneo colateral, o paciente pode apresentar qualquer um dos seguintes sinais ou sintomas: Dormência ou fraqueza (hemiparesia) da face, braço ou perna paralisia (hemiplegia) especialmente em um lado do corpo; Confusão ou alteração no estado mental; Dificuldade em falar (disartria) ou compreender a fala; Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Manifestações clínicas: Distúrbios visuais, tontura; Dificuldade em deambular, tonteira ou perda do equilíbrio ou coordenação; Cefaleia intensa súbita. Tratamento: Clínico Visa detectar alterações da função respiratória, circulatória e no estado de consciência (Escala de Coma de Glasgow). Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I): Monitorização: Controle da função cardíaca e pulmonar; Betabloqueadores por via intravenosa (metoprolol/seloken®) e nitroprussiato de sódio (nipride®) em infusão contínua são as drogas de eleição. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I) Função Pulmonar: Utilização de oxigenoterapia (2-4l O2/min); Os doentes com AVC possuem o risco acrescido de insuficiência respiratória por hipoventilação, obstrução da via aérea e aspiração; A intubação no caso de insuficiência respiratória é potencialmente reversível. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I) Tratamento subsequente: Anticoagulação na exclusão de hemorragias, do contrário, contraindicada; Reabilitação fisioterápica e fonoaudiologia para diminuir as sequelas; Avaliação neurológica para intensificar tratamento específico; Terapiaantidepressiva, pois os pacientes tendem à depressão na fase de reabilitação. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I) Exames diagnósticos: Tomografia ou ressonância magnética (para definir se o AVC é isquêmico ou hemorrágico); Eletrocardiograma; Angiografia cerebral; Ecocardiograma. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I) Assistência de Enfermagem: Manter as vias respiratórias pérvias e oxigenação adequada durante a fase aguda da doença; Manter o equilíbrio hidroeletrolítico, oferecendo líquidos VO de acordo com a restrição hídrica e administrando líquidos EV de acordo com a prescrição médica; Assegurar uma nutrição adequada, avaliando as condições de deglutição do paciente; Corrigir problemas gastrointestinais, a fim de evitar esforço para defecar, administrando laxantes conforme prescrito; Realizar higiene oral e ocular cuidadosa; Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVC-I) Assistência de Enfermagem: Posicionar o paciente corretamente e alinhar suas extremidades; Realizar mudança de decúbito a cada 2 horas se não houver contraindicação, Administrar as medicações de acordo com a prescrição médica; Proteger o paciente contra acidentes mantendo as grades do leito sempre elevadas; Oferecer apoio emocional ao cliente e a família. Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) É resultante de uma hemorragia cerebral (ruptura de um vaso sanguíneo cerebral com sangramento para dentro do tecido cerebral ou dos espaços que circundam o cérebro). Pode ser causado por malformações arteriovenosas, ruptura de aneurisma, uso de anticoagulantes, hipertensão severa. O sangramento pode ocorrer nos espaços epidural, subaracnoide, intracerebral, extradural e intraventricular. Em geral o sangramento é de origem arterial e ocasionalmente rompe a parede do ventrículo lateral e provoca hemorragia intraventricular, a qual é, com frequência, fatal. Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) Fisiopatologia: A ruptura do vaso cerebral causada por aneurisma ou hipertensão provoca uma inundação pela ocupação das estruturas cerebrais, por onde deveriam estar sendo lubrificadas pelo líquor cefalorraquidiano, consequentemente, a irrigação sanguínea da área afetada deixou de ser realizada e com isso, há diminuição do aporte de oxigênio e glicose às células cerebrais, ocorrendo a morte neuronal em um processo mais agressivo do que no AVC-I. Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) Derrame trombótico Derrame embólico Hemorragia intracraniana AVC-H Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) Manifestações clínicas: Hemorragia (pode ser manifestada por uma epistaxe); Crises convulsivas (presentes em 30% dos casos de AVC-H); Cefaleia (de forma súbita, intensa e acompanhada de vômitos em jato); Déficit neurológico progressivo (pode ser visualizado pelas posições de decorticação ou descerebração e diminuição do nível de consciência); Insuficiência cardíaca (por aumento do trabalho cardíaco para fornecer suporte sanguíneo aos órgãos nobres). Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) Tratamento: Semelhante ao do AVC-I, com algumas particularidades: Repouso absoluto no leito; Administração de antihipertensivos como nimodipina; Administração de corticosteroides como dexametasona para diminuir o edema cerebral e facilitar a drenagem de excesso de líquidos; Administração de laxantes para evitar o esforço ao evacuar. Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H) Exames diagnósticos: Tomografia ou ressonância magnética (para definir se o AVC é isquêmico ou hemorrágico); Eletrocardiograma; Angiografia cerebral; Ecocardiograma; Estudo do líquor para detectar hemorragia subaracnoide. Assistência de enfermagem: A mesma empregada no paciente de AVC-I.