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RESENHA Residência Pedagógica: criando caminhos para o desenvolvimento profissional O artigo de Costa e Fontoura (2015) mostra uma pesquisa de mestrado, em que as autoras fazem um estudo de caso sobre o programa denominado Residência Pedagógica (RP), implementado no primeiro ano de estágio probatório para professores ingressantes na rede municipal de educação de Niterói, RJ, no ano de 2011. Elas trazem uma reflexão sobre possibilidades e relevância dessa forma de inserção profissional docente, utilizando entrevistas como corpus da pesquisa. Trazem ainda reflexões teóricas e práticas sobre a importância dos anos iniciais da docência e desenvolvimento profissional docente, destacando a importância da criação de espaços compartilhados de formação docente. Em um primeiro momento, as autoras traçam uma linha do tempo, e apresentam, por meio da colaboração de vários pesquisadores, a abordagem do processo formativo docente, a formação docente, a formação de professores iniciantes, entre outras temáticas relacionadas sempre ao desenvolvimento profissional dos docentes. Os estudos são abordados desde a década de 70, quando era muito evidenciada a dimensão técnica da formação de professores, com influência da tecnologia educacional e da psicologia comportamental; passando pela década de 80, em que a educação sofre influência dos estudos sociológicos, passando a ser vista como prática social, logo depois a década de 90 que caracteriza-se por uma produção acadêmica voltada para as práticas pedagógicas, evidenciando a produção de saberes escolares e docentes , por fim, até os anos 2000, quando o professor ganha centralidade, adquirindo um enfoque privilegiado. Logo depois, são apresentadas reflexões sobre a formação docente inicial de principiantes e sobre o próprio desenvolvimento profissional; professores iniciantes; e a complexidade nas relações da profissão docente. Vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, a Fundação Municipal de Educação de Niterói estabelece uma parceria com o Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (CEALE), viabilizando assim a iniciativa da Residência Pedagógica. Essa parceria foi estipulada por intermédio do Ministério da Educação- MEC, em que ofertou um curso com recursos do Plano de Ações Articuladas- PAR; durando 60 horas, garantia aos residentes uma certificação. A Residência Pedagógica foi realizada em Niterói, em 2011, este processo incluiu professores formados em língua portuguesa, que tinham de 1 a 25 anos de magistério. A rede municipal de Niterói adotou o modelo de Residência Pedagógica para os concursados aprovados para professor regente I. O respectivo programa deu-se início depois da convocação do concurso público, durante o estágio probatório dos docentes. Nesta perspectiva, a proposta da residência era de uma educação continuada para professores dos primeiros anos de alfabetização, dessa forma, os residentes selecionados tinham uma formação acadêmica diversificada (Letras, Pedagogia, História, Geografia). Após a residência, foram selecionados 6 professores que participaram da experiência para compartilharem suas vivências como residentes, através de uma entrevista, os docentes expressaram seus sentimentos, alegrias, receios, tanto os pontos positivos, bem como os negativos, apontando aspectos como Regência versus Experiência; Aspectos colaborativos; Relevância das formações e Reflexão das práticas docentes. Partindo do pressuposto de que o conhecimento pedagógico é algo contínuo, programas de Iniciação à Docência como a Residência Pedagógica trazem reflexões sobre a teoria e a prática. O artigo mostra as inúmeras dificuldades que os docentes residentes encontraram ao longo das experiências vivenciadas, salientando que essa prática deve ser compartilhada, levando em consideração o coletivo, construindo uma ética profissional, assim também como possibilita a construção de identidades. As autoras deixam claro nas considerações finais suas contribuições, tudo aquilo que elas querem repassar com esta pesquisa, que é lançar luzes sobre possibilidades de um processo de formação que realmente considere os sujeitos envolvidos e que tenha uma perspectiva ancorada no educacional e no social, visando a prática e reformulando o pensamento de que as atividades devem ocorrer isoladamente e não coletivamente, como propõe o projeto da Residência, pois nele, os professores passam por toda uma formação de apoio e acompanhamento ao professor ingressante. Os resultados que o artigo traz é uma maneira de refletir sobre a problemática existente no ensino básico, e o quanto isto deve ser aprimorado. Haja vista os diversos fatores políticos e sociais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. A RP possibilitou a oportunização da formação dos professores ingressantes dentro do horário de trabalho; a proposição de atividades que possibilitaram aos professores envolvidos dar visibilidade aos seus trabalhos permitindo a troca entre seus pares; a análise das produções dos alunos, numa perspectiva colaborativa; a reflexão das práticas docentes e a possibilidade de contar com um acompanhamento pedagógico É indispensável não compartilhar experiências como a Residência Pedagógica realizada em Niterói, pois tais atividades possuem total relevância e servem como base para a implementação de novos projetos como este, em diferentes modalidades e diferentes níveis de formação. O artigo transmite as informações com bastante clareza e pertinência, ou seja, esclarece todas as dúvidas acerca do que foi abordado, uma linguagem simples, porém não tão objetiva, mas que não implica na importância da pesquisa. Portanto, é válido considerar todas as reflexões que as autoras trazem para que o conhecimento seja compartilhado em seu processo de construção e reconstrução, servindo de aporte para novas formações. COSTA, Luciana Laureano; FONTOURA, Helena Amaral da. Residência Pedagógica: criando caminhos para o desenvolvimento profissional. Revista: @ambienteeducação, v. 9, n. 2, São Paulo, 2015, p. 161-177.