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Aula -08-Bibliotecas

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a prática de coleta de materiais bibliográficos em vários países, mantida
regularmente pela Library of Congress.
Os egípcios, que foram os primeiros a utilizar os talos do papiro na fabricação
de um suporte da escrita, também tiveram suas bibliotecas. Há indícios delas nas
ruínas dos templos de Karnak, Marieta, Denderah e Edfu. Diodoro da Sicília des-
creveu a biblioteca do templo de Tebas, onde estava sepulto Ramsés II. Há dúvida
sobre a real existência dessa biblioteca de Tebas, cuja fama certamente se deve ao
relato de Diodoro, que disse que em sua fachada estava a inscrição lugar de cura da
alma ou templo da alma, segundo alguns autores. Se esta biblioteca existiu ou não,
o fato é que essa inscrição seria, por muitos séculos, uma das mais surradas metá-
foras usadas para simbolizar a biblioteca. Para Milkau, um dos maiores estudiosos
da história das bibliotecas, a única biblioteca egípcia, de cuja existência não cabe
duvidar, seria a do templo de Hórus em Edfu.
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
A origem da biblioteca nos templos, a serviço da casta sacerdotal, por certo
marcará, durante muito tempo, a imagem que dela se construiria em diversas
sociedades, tanto do Ocidente quanto do Oriente. Foi muito longo o tempo para
que a biblioteca, como instituição social, se laicizasse, por assim dizer. (No Brasil,
que é um caso extremo, somente em 1808, é que passou-se a ter uma biblioteca fora
do comando das ordens religiosas).
Sabe-se que na Grécia havia bibliotecas nos templos, mas as primeiras bibli-
otecas importantes coincidiram com o período áureo da cultura helênica, a partir do
séc. IV a.C. Delas conquistou grande renome a que Aristóteles criou em sua escola
de filosofia e que teria sobrevivido, pelo menos em parte, até a Roma Imperial, onde
teria sido consultada por Cícero no séc. I a.C. Diz-se que a biblioteca de Aristóteles
foi o modelo que inspirou Ptolomeu I Soter a fundar no séc. III a.C a famosíssima e
quase lendária biblioteca de Alexandria, que, depois de sucessivos desastres na-
turais e saques cometidos pelo fanatismo de diferentes grupos religiosos ou con-
quistadores rapaces, acabaria se perdendo totalmente.
Vale a pena abrir um parêntese para lembrar que, em outubro de 2002, o
governo do Egito inaugurou a nova biblioteca de Alexandria, ou, em sua denomi-
nação oficial, a Bibliotheca Alexandrina. Trata-se, efetivamente, de um complexo
cultural, com bibliotecas, museus, áreas para exposições, centros educacionais e
um centro para convenções internacionais. Seu acervo tem como temas dominan-
tes os relativos às antigas civilizações de Alexandria e do Egito, da Antigüidade
até a Idade Média, além de material sobre as disciplinas contemporâneas. São 69
mil m2 de área construída, com capacidade para 4 a 8 milhões de volumes e 3.500
lugares para leitores. Dispõe de todos os modernos recursos da tecnologia da
informação www.bibalex.gov.eg.
A Idade Média foi a grande época das bibliotecas ligadas a ordens religiosas.
Foram elas, não só no Ocidente mas também no Oriente Médio, e não só entre
sacerdotes católicos mas também nos centros árabes de cultura, inclusive na Espa-
nha, para não se falar no trabalho minucioso dos mosteiros irlandeses espalhados
na Irlanda e no continente europeu, que preservaram para as gerações futuras o
legado cultural da Antigüidade greco-romana. A essas bibliotecas de mosteiros
iriam somar-se, a partir do séc. XIII, as bibliotecas das universidades européias que
então começavam a ser fundadas.
Entre os séculos XIII e XV alguns membros da nobreza européia também se
destacaram como colecionadores de livros e algumas dessas coleções viriam a
formar mais tarde o núcleo de importantes bibliotecas nacionais.
A partir da publicação do primeiro livro impresso com tipos móveis por Johann
Gutenberg (cerca de 1452), rompe-se o longo monopólio que o livro manuscrito
exerceu no campo da cultura letrada, além de também se começar a romper o monopó-
lio que a Igreja exercia, em matéria de produção editorial. A revolução tecnológica
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
provocada pela imprensa promoveu, nos dois primeiros séculos seguintes, o que se
poderia chamar de primeira grande explosão bibliográfica, com conseqüências políti-
cas, econômicas, sociais e religiosas de longo alcance.
Foi no séc. XVII que surgiu em alguns dos países mais adiantados da Europa,
de modo quase simultâneo, o conceito de biblioteca pública moderna, aberta gra-
tuitamente para os interessados, funcionando em horários regulares, e que coloca-
vam à disposição dos leitores grandes acervos de livros. Eram bibliotecas financia-
das por mecenas ilustres, membros, obviamente, da classe dominante. Esse é um
movimento que continua até praticamente o séc. XX, quando se destacam as figu-
ras de filantropos (Andrew Carnegie (1835-1918), Henry Edwards Huntington (1850-
1927), John Pierpoint Morgan (1837-1913), Henry Clay Folger (1857-1930) e vários
outros) que investiram pesadamente em bibliotecas, principalmente nos Estados
Unidos. Andrew Carnegie, industrial do setor siderúrgico, nascido na Escócia, mas
radicado nos EUA, financiou a construção de inúmeras bibliotecas públicas no
Reino Unido e nos EUA. Henry Edwards Huntington formou uma das melhores
coleções de literatura americana e literatura inglesa, desde 1920, abrigada na Hun-
tington Library em San Marino, Califórnia, que possui mais de 400 milvolumes e
cerca de 3 milhões de manuscritos. John Pierpoint Morgan formou a Pierpoint
Morgan Library, em Nova York, cuja coleção de manuscritos medievais iluminados
é insuperável. A Folger Shakespeare Library, em Washington, contém cerca de 300
mil volumes sobre a cultura inglesa dos séculos XVI e XVII, sendo a maior coleção
do mundo de obras de e sobre William Shakespeare.
No Brasil, tudo indica que o primeiro grande mecenas em matéria de bibliote-
ca foi Pedro Gomes Ferrão de Castelo Branco (-1814). Homem rico, um dos grandes
senhores de engenho de seu tempo (sua ampla residência ainda existe, no centro
histórico de Salvador, onde funciona a sede do Instituto do Patrimônio Artístico e
Cultural da Bahia; é o solar Ferrão). Em seu plano de criação de uma biblioteca
pública em Salvador, em 1811, deixou para essa instituição todos os seus livros, e
50 mil-réis. Modernamente, pode-se citar, como exemplo de mecenato, a Biblioteca
José Mindlin – Centro Internacional de Estudos Bibliográficos e Luso-Brasileiros,
em São Paulo, que reúne as bibliotecas de dois grandes bibliófilos: José Mindlin e
Rubens Borba de Moraes (1899-1986), formando um acervo superior a 20 mil volu-
mes, aberta à consulta por estudiosos.
Além desse mecenato individual, lembre-se o trabalho de comunidades orga-
nizadas, principalmente as de imigrantes portugueses e seus descendentes, que
criaram e mantêm os gabinetes portugueses de leitura, de que é exemplo magnífico,
pela sua história, pelas instalações e acervo, o do Rio de Janeiro.
O desenvolvimento do sistema capitalista de produção, particularmente ao lon-
go dos últimos 150 anos, ao colocar novas exigências educacionais, visando à produ-
ção e reprodução de mão-de-obra mais qualificada, acarretou uma grande ampliação
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
das matrículas escolares e a elevação do nível educacional das populações dos países,
hoje chamados centrais ou hegemônicos. Na onda da valorização da educação como
mecanismo de mobilidade entre as classes sociais, algumas instituições culturais, como
as bibliotecas, particularmente as bibliotecas universitárias e públicas, adquiriram, a
partir de meados do séc. XIX, grande impulso, passando a ser vistas como instrumen-
tos auxiliares do processo de educação formal e um dos mais democráticos mecanis-
mos de realização da chamada educação permanente.
Fenômeno semelhante se deu, já no séc. XX, com as bibliotecas

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