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Constituição Tributária dos Negócios

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São tributos com referibilidade indireta, significa que o destino de sua arrecadação tem que ter alguma relação com a situação que gera a sua incidência (o trabalhador, quando paga a contribuição previdenciária que incide sobre sua remuneração, arca com a previdência social dos atuais aposentados, mas, ao mesmo tempo, garante seu acesso futuro à previdência). A ausência desse vinculo já foi entendida como causa de inconstitucionalidade de contribuições. Se dividem em:-
=
Valorização do imóvel
Contribuições Sociais: se subdividem em espécies, mas em geral vinculam-se aos recursos que geram e financiam a seguridade social.
Contribuições de intervenção no domínio econômico: função tipicamente extrafiscal, para que o estado controle, de certa forma, a economia.
Contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas: visam financiar as atividades representativas das categorias profissionais ou econômicas.
Contribuições Residuais: o Constituinte deu margem para a União criar, conforme critérios específicos, constituições não previstas.
Contribuições de Melhorias: são a espécie mais simples do gênero tributário. Se relaciona a ideia de justiça fiscal, pois é instituído para custear alguma obra pública que ocasione valorização imobiliária. Caso a Administração Pública vá constituir uma obra em determinada localidade e essa construção valoriza os imóveis daquele entorno, ela pode cobrar desses proprietários a contribuição de melhoria para custeio da obra. Prevalece uma ideia de proporcionalidade entre o beneficio recebido pelo contribuinte e a obra pública realizada. A coletividade não deveria arcar com algo que gere benefício apenas a uma parcela da população: a que teve seu imóvel valorizado pela obra pública, a essa característica dá-se o nome de “função redistributiva”. Com essas características é possível perceber que se trata de um tributo vinculado, pois sua arrecadação deve ser destinada à obra que lhe deu causa. Tem como fato gerador a valorização imobiliária decorrente que vai realizar a obra. A base do cálculo é a valorização:
Valor do imóvel após a obra
Valor do imóvel antes da obra
Essa “valorização a ser cobrada possui dois limites:
- Limite individual: diz respeito à despesa realizada.
-Limite total: é o acréscimo de valor que a obra resulta para cada imóvel beneficiado.
Empréstimo Compulsório: a União pode criar por meio de Lei Complementar para atender despesas extraordinárias de correntes de calamidade pública, guerra externa e sua iminência, ou no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.
Caso haja alguma dessas situações, e legislador fará a lei complementar necessária para sua criação e nela estará prevista a base de cálculo, o fato gerador e o contribuinte. 
ex:. supondo que o Brasil entre em guerra com a Argentina e precise arrecadar fundos para financiar sua investida.
Para tanto, decide criar um empréstimo compulsório, por meio de lei complementar prevendo que esse empréstimo recairá sobre a propriedade de aeronaves (fato gerador). A marca desse tributo, também raro, é a necessária restituição.
· Exigência Financeira: sempre será um tributo?
Tributo é prestação pecuniária, ou seja, deve ser sempre cobrado em dinheiro ou cujo valor nele se possa exprimir. Não impede que seja pago por meio de dação de bem imóvel (art.156, XI, do CTN).
Nem toda vez que alguém pagar certa quantia ao Estado estaremos falando em tributo. Seja porque estamos diante de receitas originárias, seja porque estamos diante de multa.
Receitas originárias: existem as multas, ou também chamadas de preço público. Não são consideradas espécies tributárias por se diferenciarem em dois pontos principais:
· Tarifas são espécies de receita originária pois derivam da exploração econômica do Estado do seu próprio patrimônio; e tributos são receitas de espécies derivadas, por se originarem do patrimônio particular.
· As tarifas são facultativas, pois o contribuinte paga apenas caso queira pagar, firmando vínculos contratuais.
Tributos e multas são formas de receita derivada do Estado, mas enquanto os tributos só decorrem da realização de uma conduta prevista e legítima perante lei, as multas servem para punir condutas proibidas.Tributos – Se relacionam ao poder tributário sobre a propriedade privada. Independem da vontade do indivíduo e não são forma de punição por determinado comportamento.
Multas – é uma forma de o Estado responder à violação de alguma norma. É justamente uma sanção de ato ilícito.
Ex:. multa de trânsito
As multas são sempre sanções de ato ilícito, mas não necessariamente de um ato ilícito tributário. Existem multas por ilícitos nos campos do Direito civil, processual, penal e econômico. Multas que não derivam do descumprimento de uma obrigação tributária, não se enquadram como multas tributárias. Obrigações tributárias têm que ter relação direta ou indireta com um tributo.
Obrigação Tributária Principal – é a obrigação de pagar tributo ou multa tributária.
Obrigação Tributária Acessória – se relaciona com obrigações de fazer ou deixar de fazer, no “interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”.
As multas tributárias podem nascer de situações vinculadas ao não pagamento de tributos a tempo e modo ou do não cumprimento das obrigações acessórias tributárias.
O pagamento da multa não elimina a necessidade do pagamento integral do crédito tributário. Nem toda prestação pecuniária paga ao Estado configura tributo. Quando disser respeito a uma punição por algo praticado pelo contribuinte, constituirá multa. E quando disser respeito à remuneração facultativa de um serviço posto à disposição do contribuinte, será tarifa/preço público. Porém, preenchidos os requisitos tributo, aí sim poderá ser considerado contribuição de melhoria, taxa, impostos, contribuições especiais ou empréstimos compulsórios.
· O princípio da legalidade como requisito dos tributos
 Tributos são prestações instituídas por lei, o que significa dizer que essas fontes de receitas derivadas devem ser criadas por lei ou ato normativo de igual força, como a medida provisória que tem força de lei ordinária. (art. 62 da CF/88)
O fato de ser necessária imposição legal para sua criação faz com que o nascimento dos tributos independa da vontade das partes envolvidas tornando-se o mero cumprimento de um comando legal. O aspecto de legalidade dos tributos faz com que pagá-los seja simplesmente a obediência a um preceito legal. 
A necessidade de criação por meio de lei é uma regra sem exceções (como a lei é aprovada pelos deputados e senadores, representantes do povo, podemos dizer que, ao menos teoricamente, o povo só paga os tributos que aceitou pagar).
Um tributo não instituído por lei, nos termos do art. 150, I, da CF, e 97 do CTN, é inconstitucional e não pode ser cobrado do contribuinte. 
O STF declarou como inconstitucional o art. 1º da Lei 9.960/00, que instituiu a Taxa de Serviços Administrativos (TSA), porque este não definiu de forma específica o fato gerador da exação. A consequência dessa declaração de inconstitucionalidade da lei é a impossibilidade de cobrança do contribuinte. 
Só Lei (ou Medida Provisória, que tem força equivalente) pode criar tributos. Essa regra é absoluta!
A exceção à regra quanto à alteração das alíquotas é válida para os seguintes tributos, conforme art. 153, § 1º, art; 177, § 4º, I, b e art. 155, § 4º da CF/88:
· Imposto de Importação
· Imposto de Exportação
· Imposto sobre Produtos Industrializados
· Imposto sobre operações Financeiras
· CIDE-Combustível
· ICMS-Combustível (alterável por convênio)
O Imposto sobre Produtos Industrializados tem forte caráter extrafiscal, ou seja, além do caráter arrecadatório, visa estimular ou desestimular certas condutas, no caso o consumo de determinados produtos, por exemplo.
Os tributos podem ser criados por meio de lei, seja ela ordinária ou complementar. Porém, alguns só podem ser criados por meio de lei complementar. A diferença entre Lei Ordinária e Lei Complementar é o quórum necessário à sua aprovação