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Constituição Tributária dos Negócios

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R$ 1.000,00, que sujeita ao ICMS no valor de R$ 100.00, para não ter prejuízo, ele irá vender esse produto por R$ 1.100,00. O agroindustrial compra esse produto pelos R$ 1.100,00 e agrega R$ 900,00. O valor passaria a ser de R$ 2.000,00. Se os mesmos 10% de ICMS incidirem sobre os R$ 2000,00, o resultado é que os R$ 1.100,00 (R$ 1.000,00 de valor e R$ 100,00 de tributo) serão novamente sujeitos à tributação ao se exigir os R$ 200,00.
Por isso é que se criou uma sistemática não cumulativa de apuração desses tributos.
Em linhas muito gerais e sem entrar nos detalhes operacionais, quando alguém adquire um produto/mercadoria que se sujeitou ao ICMS ou ao IPI na etapa anterior, poderá aproveitar créditos referentes a essa (R$100,00 do exemplo). Esse aproveitamento só vale de IPI e de ICMS com ICMS e as regras são distintas entre um tributo e outro.
Outro dado muito importante é que a compreensão sobre se a atividade é prestação de serviços, ou comércio, ou industrialização, ou ainda, que tipo de cada uma dessas categorias é fundamental para, por exemplo:
· Averiguação se essa sociedade pode ou não optar pelo Simples Nacional
· Averiguação de qual é o enquadramento no Simples Nacional
· Averiguação de qual é a alíquota aplicável no caso do Lucro Presumido
· Compreender bem quais são os critérios aproveitáveis para fins de IPI, ICMS e no caso do PIS e COFINS não cumulativo.
Tributos sobre a Obtenção de Receita - O PIS e a COFINS são duas contribuições incidentes pela Receita Bruta, muito parecidas, motivo pelo qual são tratadas em conjunto. Existem dois métodos de apuração do PIS e a da COFINS: o método cumulativo e o método não cumulativo. A adesão a um regime ou a outro termina por ser influenciada pela opção pelo Lucro Real ou pelo Lucro Presumido em relação ao IRPJ e a CSLL. Quem é optante pelo Lucro Presumido, fica sujeito à sistemática cumulativa (Lei nº 9.718/98) e quem é optante pelo Lucro Real se sujeita ao PIS e COFINS não cumulativo (regidos pela Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03).
PIS e a COFINS Cumulativo versus o Não Cumulativo:
	Critério
	Cumulativo
	Não Cumulativo
	Base de cálculo
	Base de cálculo corresponde as receitas operacionais, ou seja, relacionadas à atividade da empresa.
	Totalidade das receitas, abrangendo inclusive as não operacionais.
	Critérios
	Não existe direito ao creditamento
	Existe direito ao creditamento.
	Alíquotas
	PIS: 0,65%
COFINS: 3%
	PIS: 1,65%
COFINS: 7,6%
A lógica operacional da não cumulatividade do PIS e da COFINS não é igual à do ICMS, sendo que a lei lista hipóteses próprias de creditamento e a forma de calcular os créditos também é distinta.
Tributos sobre a Obtenção de Lucro - A receita de uma empresa é a base inicial para a apuração de seu lucro que pode ser apurado por três caminhos distintos: o real, o presumido e o arbitrado.
O lucro, por sua correspondência ao acréscimo patrimonial é o fato gerador do Imposto de Renda e, ainda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O IRPJ e a CSLL derivam sempre da seguinte equação: 
Lucro x Alíquota IRPJ e CSLL
· Lucro Real - regime de apuração obrigatório para algumas empresas/atividades, mas optativo para a maior parte das empresas. A principal característica é que se consideram as despesas realmente realizadas (e comprováveis), o tributo não é recolhido caso haja prejuízo e existem benefícios fiscais (como por ex. os incentivos à inovação tecnológica) que só se aplicam nesse regime. Os optantes pelo lucro real apuram PIS e a COFINS na sistemática não cumulativa em regra.
· Lucro Presumido - a questão das despesas deixa de ser tão polêmica porque a respectiva apuração dependerá de uma presunção legal. a lei estabelece que para determinada atividade presume-se que x% da receita é tributável. O percentual base é de 8%, mas varia de 1,6% a 32% a depender da atividade. Como o lucro presumido é muito mais fácil, muitas empresas aderem ao mesmo sem maiores considerações, sendo que a opção é feita no início do ano.
· Lucro Arbitrado - aplicado em situações excepcionais (art. 603 do RIR/2018) como descumprimento de obrigações acessórias por fraude, vícios, erros e deficiências que impeçam o fisco de realizar o lançamento conforme algum dos regimes anteriores. Algumas empresas induzem ao Lucro Arbitrado, considerando que este será inferior aos demais lucros.
Dos tributos sobre os vínculos com empregados e parceiros - quando uma empresa estabelece relações de prestação de serviços com terceiros, é provável que ela assume de imediato obrigações de Retenção na Fonte. Não é que ela vá tirar do próprio bolso o tributo, mas deve descontar do que pagaria a esse terceiro o valor de algum tributo.  Isso é certo quando falamos de IRPF, Contribuição Previdenciária do Segurado na contratação de pessoa física (exceção específicas para o MEI) e quase sempre previsto nas Leis Municipais, no caso de ISSQN. A relação com terceiros, especialmente pessoas físicas, impacta também os tributos da própria contratante, no que rotineiramente se considera como Custo Brasil ou custo da folha de salários. A remuneração é parte da base dos seguintes tributos: todas as Contribuições sociais a encargo da empresa (CPP, GILRAT), Contribuições ao Sistema S e Salário-educação (majorar o salário dos funcionários/pagamento de Contribuintes individuais que lhe prestem serviços importa em majorar diversos tributos). Algumas empresas podem recolher a Contribuição Previdenciária Patronal sobre a Receita Bruta (CPRB), mas estas são exceção. O MEI tem um tratamento totalmente diferenciado, com isenção da CPP para quem o contrata e inclusão da Contribuição Própria (CPS) no recolhimento unificado, de modo que não é necessária a retenção na fonte. Como temos diversas formas de recolher esses tributos de acordo com quem é contratado, o sistema tributário induz à pejotização.
Os tributos supradescritos são os principais tributos sobre a atividade empresária. Não é a toa que eles se concentram no regime de apuração diferenciada chamado:
· Simples Nacional - é o regime tributário diferenciado voltado para o Microempreendedor Individual - MEI, Microempresas - ME e Empresas de Pequeno Porte- EPP que podem optar por esse regime. Nem toda ME e EPP pode optar pelo Simples Nacional. Para que uma empresa possa ser optante pelo Simples Nacional, ela tem que preencher o disposto, cumulativamente, nos arts. 3º, 17, 30, da LC 123/2006. O MEI tem um regramento específico no art. 18/A. No Simples Nacional, temos a desoneração de diversos tributos, mais drástica no caso do MEI, mas também ocorre para a ME e para a EPP. 
No MEI, temos:
a) SIMEI - Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos Abrangidos pelo Simples Nacional: pagamento de valor fixo mensal (R$ 51,65), abrangendo a Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual (R$ 45,65); ICMS (R$ 1,00); ISS (R$ 5,00). (art. 18-A, § 3º, inc. V);
b) Isenção de IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS/PASEP, Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o 22 da Lei nº 8.212/1991 (art. 18-A, § 3º, inc. VI).
É preciso ficar atento ao preenchimento dos requisitos para a adesão ao MEI. é preciso considerar que o MEI tem tetos bem baixos no caso de benefícios previdenciários, haja vista a restrição contribuição previdenciária. A adesão ao MEI pelo empresário/empreendedor deve vir, assim que o empreendimento estiver mais maduro, acompanhado de medidas de planejamento financeiro no longo prazo. É preciso ressalvar que nem todos os tributos são abrangidos pelo Simples Nacional e alguns deles o são apenas parcialmente. Estar parcialmente no SN, especialmente nas operações interestaduais, tem sido uma das maiores dificuldades das empresas optantes por esse regime, uma vez que se torna necessário operacionalizar ICMS de distintos Estados. Quanto à forma de cálculo do Simples, os principais critérios são a receita bruta e o tipo de atividade. ara algumas atividades, em termos de custo tributário, o Simples