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Biossíntese de Lípidios

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25 Bioquímica Metabólica | Bárbara C. Rovaris | Prof. Liz Claudio Miletti 
As células animais são compostas por várias 
organelas e pelo citosol. Dessa forma, algumas 
essas organelas realizam funções importantes em 
relação a síntese de lipídios. Sendo assim, alguns 
componentes importantes da célula animal são: 
 responsável pela elongação dos 
ácidos graxos. 
 responsável pela 
síntese de fosfolipídios, pela síntese de 
esterol, pela elongação dos ácidos graxos e 
pela dessaturação dos ácidos graxos. 
 responsável pela síntese do esterol e 
dos isoprenóis e pela síntese de ácidos 
graxos. 
 
A síntese de ácidos graxos começa com uma reação 
feita a partir do citrato. Essa reação acontece tanto 
na mitocôndria quanto no citosol das células. 
O citrato, por sua vez, é a forma pela qual a célula 
consegue passar o excesso de carbonos vindos dos 
carboidratos na forma de Acetil-CoA da mitocôndria 
para o citosol. 
Dessa forma, na mitocôndria ocorre a reação de 
síntese de citrato a partir da junção de uma molécula 
de Acetil-CoA com oxaloacetato. O Acetil-CoA é 
resultado do piruvato produzido no citosol pela 
glicólise. Sendo assim, quando há um acúmulo de 
Acetil-CoA e o organismo não precisa transformá-lo 
em ATP, ele pega esses Acetil-CoA em excesso e 
reage com o oxaloacetato a fim de produzir citrato. 
 
O citrato que está sendo formado começa a se 
acumular na mitocôndria, e isso funciona como um 
sinal para a célula de que esse citrato deve ser 
transportado para o citosol, para que os seus 
carbonos deem origem a moléculas de ácidos 
graxos. 
Sendo assim, no citosol acontece a reação de 
degradação do citrato. Ele é quebrado em duas 
moléculas: Acetil-CoA e oxaloacetato. 
 
O Acetil-CoA é utilizado para a síntese dos ácidos 
graxos. E o oxaloacetato é transformado em malato, 
pela enzima malato desidrogenase. E depois, o 
malato é convertido à piruvato, pela enzima málica. 
O piruvato retorna para o interior da mitocôndria, 
Biossíntese de Lipídios 
 
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onde é carboxilado e transformado, novamente, a 
oxaloacetato, para que a produção de citrato 
continue. 
Durante a reação com a enzima málica, há a redução 
de um NADP+. Esse NAHDPH+H+ é armazenado pela 
célula, para que, posteriormente, ele seja utilizado 
para a síntese dos ácidos graxos. 
 
Então, o Acetil-CoA, resultante da quebra de citrato 
no citosol, é transformado em Malonil-CoA, pela 
enzima acetil-CoA carboxilase. O que acontece 
nessa reação é que um ATP ativa o Acetil-CoA e é 
quebrado em ADP+Pi, além disso um bicarbonato 
(HCO3) entra na reação e se liga ao Acetil-CoA. 
 
Na segunda parte da síntese de ácidos graxos, há a 
participação de seis enzimas, que contam com a 
ajuda dos NADPH+H+ produzidos pela enzima málica 
ou, ainda, produzidos na via das Pentoses-Fosfato. 
Dessa forma, um outro acetil-CoA é quebrado, e o 
seu grupamento acetil se liga a uma proteína 
carregadora de acil (ACP) presente em um complexo 
enzimático. 
Depois disso, o acetil é mudado de lugar, e passa a 
se ligar a uma cisteína, também presente nesse 
complexo enzimático. Então, uma Malonil-CoA, 
produzido a partir de outro Acetil-CoA, é separado 
da CoA, e o grupamento malonil se liga a proteína 
carregadora de acil (ACP). 
Em seguida, o grupamento malonil perde um de seus 
carbonos para se ligar ao grupamento acetil, que se 
desliga da cisteína, e se liga diretamente ao malonil, 
formando uma molécula chamada de β Cetoacil-
ACP. Essa molécula é assim nomeada porque possui 
uma cetona ligada ao seu carbono β. 
Então, a β Cetoacil-ACP sofre uma reação de 
desidrogenação, e recebe hidrogênios de uma 
molécula de NADPH+H+. Dessa forma, ela passa a ser 
chamada de β Hidroxiacil-ACP, uma vez que ao 
receber os carbonos a cetona vira uma hidroxila, 
formando um álcool no carbono β. 
Depois disso, a β Hidroxiacil-ACP sofre uma reação 
de hidrogenação, na qual perde uma molécula de 
H20. Com isso, forma-se uma dupla ligação entre os 
carbonos α e β, e a molécula passa a ser chamada 
de enoil-ACP. 
Por fim, o enoil-Coa sofre uma reação de 
desidrogenação, novamente. E ganha hidrogênios de 
uma molécula de NADPH+H+, passando a se chamar 
Butiril-ACP. 
O Butiril-ACP, por sua vez, é formado por 4 carbonos. 
Dessa forma, ele recomeça o ciclo para que o 
número de carbonos de sua cadeia aumente. Sendo 
assim, a cada volta que ele dá são adicionados 2 
carbonos a sua molécula. O ciclo é feito até que se 
forme o palmitoil, um ácido graxo composto por 16 
carbonos, ou seja, o ciclo vai se repetir por 7 vezes. 
Depois de se formar um ácido graxo de 16 carbonos, 
ou seja, o palmitoil, ele pode passar por dois 
processos: a elongação e a dessaturação. Sendo 
assim, na elongação o palmitoil é aumentado, ou 
seja, são adicionados carbonos a sua cadeia. E na 
dessaturação, são adicionadas ligações duplas entre 
 
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os carbonos, para formação de ácidos graxos 
insaturados. Cada um desses processos ocorre em 
uma organela da célula, dessa forma a elongação é 
feita na mitocôndria e no retículo endoplasmático, e 
a dessaturação é feita apenas no retículo 
endoplasmático. 
Então, o palmitoil ou palmitato formado pelo ciclo 
anterior, pode sofrer elongação para formar o ácido 
esteárico, formado por 18 carbonos. Ou ele pode 
sofrer dessaturação, e criar uma ligação dupla no 
carbono 9, e formar o ácido palmitoleico. 
O ácido esteárico pode sofrer uma dessaturação no 
carbono 9 e virar o ácido oleico, ou sofrer elongação 
e formar ácidos graxos saturados de cadeias 
maiores. 
 
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No organismo animal, as dessaturases só 
conseguem fazer duplas ligação do carbono 9 para 
baixo, ou seja, os animais não conseguem formar 
ácidos graxos insaturados com ligações duplas 
acima do carbono 9. 
Sendo assim, os animais só produzem dois tipos de 
ácidos graxos insaturados: o ácido palmitoleico e o 
ácido oleico. Por esse motivo, eles precisam se 
alimentar de ácidos graxos insaturados produzidos 
apenas pelas plantas, para poder manter seu 
organismo. 
Dessa forma, existem dois ácidos graxos essenciais 
para os animais: α 
Sendo assim, ao se alimentarem desses ácidos 
graxos, os animais podem formar outros ácidos 
graxos ou, ainda, utilizá-los em outras vias 
metabólicas. 
 
 
A síntese dos triacilgliceróis acontece quando o 
organismo está no período absortivo, ou seja, quando 
o animal está se alimentando. 
A síntese dos triglicerídeos pode ter origem tanto no 
fígado quanto no tecido adiposo. Dessa forma, a 
glicose vinda do fígado e do tecido adiposo, é 
transformada em diidroxicetona fosfato, pela 
glicólise. E em seguida, é transformada em glicerol 
3 fosfato, pela enzima glicerol 3 fosfato 
desidrogenase, que adiciona hidrogênios, doados por 
um NADH+H+, a molécula de diidroxicetona fosfato. O 
fígado pode, ainda, dar uma molécula de glicerol 
proveniente da degradação de algum triacilglicerol 
durante o período pós-absortivo. Dessa forma, o 
glicerol é transformado em glicerol 3 fosfato, pela 
enzima glicerol quinase, que adiciona um fosfato a 
molécula que foi dodado por um ATP. 
Sendo assim, o glicerol se encontra em sua forma 
ativa de glicerol 3 fosfato. Então, um acil-CoA é 
quebrado e o acil é liberado da CoA, para que esse 
acil, se ligue a molécula de glicerol 3 fosfato. Quando 
ele se liga ao glicerol 3 fosfato, forma-se uma 
molécula de monoacilglicerol 3 fosfato. 
Em seguida, um outro acil-CoA sofre a mesma 
reação e se liga ao monoacilglicerol 3 fosfato, 
formando, agora, um diacilglicerol 3 fosfato. 
 
Então, uma enzima fosfatase retira o fosfato do 
diacilglicerol 3 fosfato, que passa a ser diacilglicerol. 
Isso é feito para que mais um acil