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MARIA JÚLIA M. GIURISATTO MED102UV
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NEOPLASIAS
É um novo crescimento, uma massa anormal de tecido, cujo crescimento ultrapassa e não é coordenado com o dos tecidos normais e persiste da mesma maneira excessiva depois da interrupção dos estímulos que deram origem à mudança. 
Obs.: O útero gravídico não é uma lesão neoplásica, porque as alterações relacionadas a gravidez são alterações que são interrompidas quando cessa a estimulação hormonal. Dessa forma, não se classifica como uma neoplasia, uma vez que, uma lesão neoplásica não cessa mesmo após a interrupção de estímulos. 
O termo “câncer” é comum para as lesões/tumores malignos. 
LESÕES BENIGNAS:
Possuem características macroscópicas e microscópicas brandas, sem potencial metastático e fácil remoção cirúrgica. 
1. NOMENCLATURA: 
DESIGNAÇÃO TECIDUAL + SUFIXO OMA
ARRANJO TECIDUAL: Ligação ao epitélio, lesão de revestimento. 
· PAPILAR: Papiloma
· TUBULAR/GLANDULAR: Adenoma
ORIGEM TECIDUAL: Surgem do tecido mesenquimal. 
· CONJUNTIVO: Fibroma
· MUSCULAR: Mioma
· CARTILAGEM: Condroma
· VASOS: Angioma
· ADIPÓCITOS: Lipoma
· MUSCULO LISO: Leiomioma
· OSSO: Osteoma
· VASO SANGUÍNEO: Hemangioma
· FIBRÓCITOS: Fibroma
2. CARACTERISTICAS: 
· Crescimento lento; 
· Mitoses normais – baixo índice mitótico (índice de divisão celular);
· Bem delimitada ou encapsulada;
· Função celular mantida;
· Aspecto expansivo (células lesionadas empurram o tecido não lesionado, não se ‘misturam”);
· Localizada;
· Coesão celular. 
3. EXEMPLOS:
A. LEIOMIOMA UTERINO:
O tipo celular que constitui a parede do corpo uterino são células musculares lisas. É a lesão neoplásica benigna mais comum nas mulheres. 
É uma lesão bem delimitada e com aspecto expansivo. As lesões benignas por serem tão bem delimitadas possuem grande possibilidade de intervenção cirúrgica (ressecar apenas a lesão neoplásica e não todo órgão). 
B. ADENOMA FOLICULAR DA TIREÓIDE:
É uma lesão neoplásica benigna com padrão de formação na microscopia de glândulas ou tubos. Na imagem observa-se que na lesão nodular há uma capsula (podendo ser mais rígida ou mais mole) circundando toda lesão.
C. PAPILOMA – BEXIGA
É uma lesão benigna que forma estruturas papilíferas.
 
LESÕES MALIGNAS: 
Denominado como câncer, se caracteriza por crescimento de massa anormal qual haverá invasão e destruição de estruturas adjacentes, disseminação a distancia e potencial letal. 
1. NOMENCLATURA:
SINONÍMIAS
· Blastoma
· Câncer 
· Adenocarcinoma – origem glandular 
· Carcinoma epidermóide – origem epitelial 
· Sarcoma – origem mesenquimal 
· Linfoma – origem de tecido linfoide **
· Leucemia – origem da medula óssea/leucócitos **
· Melanoma (melanocarcinoma) – origem de células melanocíticas 
· Neoplasia maligna 
· Tumor maligno 
2. CARACTERISTICAS: 
· Crescimento rápido; 
· Alto índice mitótico (mitoses anormais);
· Mal delimitada (difícil intervenção cirúrgica);
· Função celular alterada ou perdida;
· Aspecto infiltrativo; 
· Tendencia a implantes e metástases;
· Pouca coesão celular (discoesão);
· Invariavelmente curso fatal, se não tratado. 
3. FATORES DETERMINANTES:
· Tamanho;
· Tipo celular de origem;
· Grau de diferenciação;
· Localização;
· Índice mitótico;
· Tamanho celular;
· Anormalidades nucleares;
· Época de diagnóstico;
· Nível de invasão. 
4. EXEMPLOS:
A. TUMORAÇÃO RENAL: 
Aspecto infiltrativo, invasão da veia renal, as células tumorais/tecido lesado invade o espaço saudável, de maneira invasiva, se espalhando. Difícil intervenção cirúrgica. 
B. CARCINOMA DE MAMILO: 
Figura 1: Doença de Paget, característica de área mais avermelhada (lesão/ulcera o mamilo), é necessário investigação para casos de malignidade. 
 IMPORTANTE!
Toda vez que houver alguma alteração no mamilo do tipo: sangramentos, descarga de secreção, vermelhidão, coceira, formação de “crosta”, se faz necessário pesquisa para malignidade. 
Figura 2: Área elevada/abaulada, há tambem retração no mamilo, lesão mamaria que possivelmente está em estagio avanço. É importante lembrar que quando uma lesão maligna esta crescendo, tem-se formação de um tecido endurecido junto a ela, causando deformações. 
C. LESÃO DE TECIDO CEREBRAL: 
Na figura abaixo observa-se que não há delimitação exata da lesão, nas áreas mais amareladas pode-se pensar na consideração de necrose. Tumor com desenvolvimento infiltrativo (célula maligna se mistura com o tecido benigno de maneira invasora). 
D. LIPOSARCOMA: 
Novamente em lesão maligna não há delimitação, ou seja, não se sabe onde a lesão se inicia e onde ela chega ao fim. Logo para fazer retirada cirúrgica da lesão se torna muito difícil. 
E. CARCINOMA PULMONAR:
Caráter infiltrativo, com bordas irregulares. 
5. EXCEÇÕES:
SUFIXO OMA 
Testículo – Seminoma: é uma lesão maligna; 
A figura demonstra uma lesão em quase toda área da estrutura, o tumor na área amarelada possui sensação de material macio, “saindo”, representando uma área de necrose. 
Caracteriza-se com alto índice mitótico, e deste modo rápido crescimento da lesão. Para que exista nutrição (sangue), é necessário proliferação vascular, entretanto o crescimento da tumoração é mais rápida, consequentemente haverá necrose. 
TUMORES MISTOS:
Formados por mais de um tipo tecidual; populações proliferantes diferentes, durante a diferencial tumoral. 
Ex: adenoma pleomórfico (tumor misto de glândula salivar), fibroadenoma. 
TERATOMA: 
É importante não confundir com tumores mistos, tem origem celular de células totipotentes com capacidade de gerar tecidos maduros ou imaturos de mais de uma camada celular germinativa. Encontrado em maior frequência na ginecologia, como em tumores ovarianos (forma dente, cabelo, sebo, etc.). 
CRITÉRIOS DEFINIDORES ENTRE NEOPLASIAS BENIGNAS E MALIGNAS:
DIFERENCIAÇÃO E ANAPLASIA
Diferenciação: Grau de semelhança, morfológica e funcional com a célula ou tecido que deu origem à neoplasia. Uma lesão bem diferenciada, é uma lesão formada por células bem parecidas com células que deram origem à aquela lesão. Uma lesão pouca diferenciada, é uma lesão formada por células pouco parecidas com aquelas que deram origem. 
Obs.: Uma lesão pouco diferenciada é uma lesão mais agressiva, pelo grau de anormalidade. 
· Tumores benignos: Bem diferenciados, baixo índice mitótico.
· Tumores bem diferenciados: Formados por células que lembram as células normais maduras do tecido que deu origem à neoplasia. Obs.: Geralmente, quanto menor a célula e maior o grau de anormalidade nuclear, menos diferenciado é o tumor ou maior o seu grau.
· Retenção das capacidades funcionais da célula original.
· Tumores malignos: Bem, moderadamente ou pouco diferenciados. 
Anaplasia: Uma célula anaplasica é uma célula completamente modificada; indiferenciação, ou seja, completamente diferente daquela que deu origem (muitas vezes impossível saber a origem celular que formou a lesão). Ponto fundamental da transformação maligna. Quanto mais anaplásico, menor será a atividade funcional especializada.
· Alterações morfológicas da célula anaplasica
· As células e seus núcleos variam em tamanho e forma (muito grandes a muito pequenos); ▪ Núcleos abundantes de DNA (hipercromáticos);
· Núcleos muito grandes para a célula (inversão da relação núcleo/citoplasma);
· Cromatina grosseiramente conglomerada junto à membrana nuclear;
· Nucléolos volumosos habitualmente presentes.
Displasia: Proliferação tecidual desordenada, com perda da uniformidade celular e arquitetural. Encontrada principalmente no epitélio (desorganização arquitetural). Uma célula que esta diferente de uma célula normal, esta com algum tipo de alteração com potencial de se tornar uma célula maligna. 
· Classificada de acordo com cada órgão, podendo ser leve, moderada e acentuada ou displasia de alto ou baixo grau.
· Pleomorfismo: número aumentado de mitoses, relação núcleo-citoplasma, hipercromasia nuclear, nucleomegalia. Célula alterada com o potencial de tornar-se maligna. 
· Geralmente para uma célula se tornar displasica, houve algum motivo, exemplo uma displasia de colo uterino, causada por uma infecção viral, uma displasiano esôfago por conta de refluxo gastroesfágico. Obs.: Pode evoluir para malignidade, ou, reverter-se e continuar benigna. 
· Epitélio: Quando envolvem toda a espessura = carcinoma “in situ”.
EXEMPLO: 
· Displasia de colo uterino, causa: infecção por HPV
· NC1 - Leve: restrita ao terço inferior
· NC2 - Moderada: dois terços inferior do epitélio 
· NC3 - Acentuada: toda extensão do epitélio. 
Sendo assim é relevante citar que quanto mais acentuada mais maligna, quanto mais perto de NC1 maior probabilidade de benignidade. Pode evoluir para ambos lados (leve para acentuada, ou acentuada para leve). 
CRESCIMENTO
· Neoplasias benignas: Ritmo de crescimento lento.
· Neoplasias malignas: crescimento local rápido (quantidade maior de mitoses), relacionado ao seu grau de diferenciação. Necessidade de aporte sanguíneo (necrose central)
Obs.: Quando um tumor sólido é clinicamente detectável, ele já completou uma porção importante do seu ciclo celular: importância da detecção precoce.
INVASÃO LOCAL
· Neoplasia benigna: Localizada, por vezes encapsulada (atrofia parenquimatosa) e não metastatizam ou invadem lugares distantes.
· Neoplasia maligna: Infiltração progressiva local, com destruição e penetração dos tecidos circundantes. Caráter infiltrativo.
· Tumores epiteliais “in situ” ou tumores invasivos: mostram características epiteliais de malignidade, sem invasão da membrana basal.
Obs.: Quando o tumor invade a membrana basal, pode atingir vasos sanguíneos e linfáticos - chance de ter metástases. Em geral, tumores malignos são mal demarcados a partir do tecido normal adjacente, e não apresentam um plano de clivagem bem definido. As neoplasias malignas quase nunca são encapsuladas, e são caracterizadas por crescimento infiltrativo, erosivo, que se estende como “patas de caranguejo” para os tecidos vizinhos. A multiplicação celular acelerada e continuada leva à invasão destruidora dos tecidos normais vizinhos produzindo a morte do hospedeiro. 
Metástases: Formação de um tumor secundário a partir de um tumor primário e sem conexão direta entre ambos, através de êmbolos tumorais (vasos sanguíneos ou vasos linfáticos).
· Implante secundários tumorais em tecidos distantes;
· Restrito às neoplasias malignas;
· Nem todas neoplasias malignas metastatizam com frequência. Ex.: Carcinoma basocelular e gliomas (neoplasias localmente invasivas);
· Quanto maior a anaplasia da lesão primária, maior a chance de metástases;
· Redução drástica da possibilidade de cura (mais aconselhável radio ou quimioterapia);
· Caracteriza de modo inequívoco um tumor como sendo maligno, pois tumores benignos não metastatizam.
VIAS DE DISSEMINAÇÃO:
Linfática: Mais característica dos carcinomas (comprometimento de linfonodos). (Considerar a drenagem do tecido da lesão primária).
· Linfonodo sentinela (congelação e patologia cirúrgica): Primeiro linfonodo de uma cadeia linfática regional que recebe o fluxo de linfa do tumor primário.
Hematogênica: Principalmente sarcomas. Fígado e pulmões, principais sítios, principalmente pelo aporte sanguíneo recebido. Embolização para o plexo paravertebral - metástase cerebral.
· Invasão da veia renal por adenocarcinomas renais.
Implante nas cavidades e superfícies corporais: Neoplasias ovarianas e de apêndice (pseudomixoma peritoneal). Disseminação celômica. 
ESTADIAMENTO:
· Estratificação de risco da neoplasia maligna, com bases microscópicas e macroscópicas, relacionada ao prognóstico, com finalidade de tratamento. “Colocar paciente em um grupo, para tratamento”.
· Considerar: Grau de infiltração; tamanho e extensão da lesão; tipo histológico; presença de infiltração vascular angiolinfática e perineural; comprometimento de margens cirúrgicas ou cápsula/serosa do órgão.
2020.2 | TRANSCRIÇÃO AULA

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