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Resenha - Wallon e a Psicogênese da pessoa na educação brasileira O trecho analisado é escrito pela psicóloga, mestre e doutora em educação, Patrícia Junqueira Grandino que participou da idealização do livro Wallon editado juntamente com Hélène Gratiot-Alfandéry, psicóloga e professora francesa. O livro publicado em 2010 possui 134 páginas e faz parte da Coleção Educadores elaborada pelo Ministério da Educação com o intuito de democratizar o acesso de obras de qualidade produzidas por educadores e pensadores da educação. A ampla disseminação desse material constitui um passo importante para a melhoria do ensino e aprimoramento das práticas pedagógicas no Brasil. O volume em questão aborda o trabalho de Henri Wallon, importante médico, filósofo, psicólogo e político francês, cuja ampla formação foi de grande valia para sua contribuição no campo da psicogênese, que consiste na investigação da origem e desenvolvimento dos processos mentais e psicológicos. Seu estudo é concentrado na infância e na importante relação entre afetividade e psicomotricidade para o desenvolvimento do indivíduo. O trecho analisado começa discorrendo sobre a influência da trajetória clínica e formação extensa de Wallon para sua produção científica. Também traz alguns dados sobre o aumento de buscas no Brasil por seus estudos, o que indica uma tendência nas últimas décadas. Logo em seguida é introduzida a postura de Wallon diante de outras abordagens psicológicas, ele critica o quão limitante é o enfoque em psicométricas que se utilizam de testes de mensuração, quantificação e avaliação da inteligência infantil. O mesmo considera que o processo de desenvolvimento humano é complexo demais para ser reduzido a um único aspecto ou dimensão. Se opõe também à perspectiva linear do desenvolvimento, para ele é um processo fluido, marcado por avanços, recuos e contradições. Essa concepção traz luz a uma das maiores contribuições do autor: a singularidade do processo de desenvolvimento de cada indivíduo. Desconstruindo assim entendimentos tradicionais e reconhecendo que conflitos fazem parte da dinâmica. Compreendendo inclusive que as crises têm função importante, sendo até mesmo benéficas para o progresso. O psicólogo é fortemente influenciado pelo marxismo dessa maneira concebendo uma compreensão dialética a respeito dos estágios do desenvolvimento, onde não há uma série de etapas cronológicas e didáticas. Ele incorpora afetividade e inteligência, explicitando que essa relação é marcada por quebras e sobreposições que aparecem em “alternâncias funcionais”. Para ele a criança passa por algumas fases ora voltadas para o interior, ora voltadas para o exterior. Podemos perceber algumas delas ao longo do crescimento da criança: Fase 1 - Impulsivo e emocional(0 a 1 ano): Marcada pela afetividade, é quando a criança estabelece suas primeiras relações sociais e com o meio. Fase 2- Sensório-motor e projetivo(1 a 3 anos): Focada na exterioridade, é quando a motricidade e a fala estão em pleno desenvolvimento através da imitação. Fase 3 - Personalismo(3 a 6 anos): Momento em que se desenvolve a personalidade e autoconsciência. Predominantemente afetiva, essa é a fase em que mais podemos identificar a oscilação, enquanto se contrapõe ao adulto em determinados pontos a criança imita seus atos motores e posturas sociais. Fase 4 - Categorial(6 a 11 anos): Voltada para a exterioridade é nessa fase que se desenvolve o pensamento abstrato e raciocínio simbólico, beneficiando a atenção, memória e raciocínio lógico. Fase 5 - Adolescência(a partir dos 11 anos): Demasiadamente afetiva, essa fase é repleta de conflitos internos e externos devido às alterações físicas. Surge uma necessidade de se auto afirmar para lidar com as transformações de sua sexualidade. Vale destacar que para Wallon o desenvolvimento não acaba na adolescência pois afetividade e cognição estão constantemente dialogando ao longo da vida, alternando-se nas mais diferentes vivências da trajetória do indivíduo. Trazendo para a educação o teórico é inovador na compreensão do desenvolvimento humano permitindo que o educador investigue expressões e posturas como sinais que influenciam no desempenho escolar. Percebendo e entendendo o que esses sinais significam é possível traçar um plano efetivo que possibilite o aperfeiçoamento da inteligência da criança. GRANDINO, Patrícia Junqueira (org.). Wallon e a psicogênese da pessoa na educação brasileira. In: GRANDINO, Patrícia Junqueira; GRATIOT-ALFANDÉRY, Hélène (org.). Wallon editado. Recife: Massangana, 2010. Cap. 2. p. 31-42. (Coleção educadores).