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Laryssa Barros – Medicina – Habilidades cirúrgicas Infecção de pele e tecido celular subcutâneo Anatomia e fisiologia da pele A pele é o maior órgão do corpo humano e é constituída por três principais camadas, a epiderme, a derme e a hipoderme. Epiderme= derivada da ectoderme, é constituída de quatro camadas, na sequência de superficial para profunda: a camada córnea, camada granulosa, camada espinhosa e camada basal ou germinativa. As principais células da epiderme são os queratinócitos. poros, pelos, queratinizada e possui terminações nervosas. Camada basal= região de proliferação e maturação dos queratinócitos, estes que migram para a camada espinhosa onde há abundância de desmossomos permitindo que as células estejam bem unidas entre si. Em seguida, destacam- -se os grânulos de queratina presentes na camada granular e, por fim, na camada córnea existem células anucleadas, pois os núcleos são secretados, bem como a queratina extracelular. As demais células constituintes são os melanócitos (coloração da pele), células de Langerhans (resposta imune) e células de Merkel. Derme= derivada da mesoderme, é dividida em derme papilar e derme reticular, separadas entre si pelo plexo vascular superficial. Esta é a grande importância dessa camada, pois vasos, nervos e anexos cutâneos estão presentes nessa camada formada de uma rica matriz extracelular. As células são fibroblastos, mastócitos e células dendríticas. Hipoderme= tecido adiposo. Defesa da pele Os mecanismos de defesa da pele são essenciais para o combate a inúmeros agentes infecciosos, tanto pela barreira física que impede ou dificulta a penetração bem como pela resposta imune eficaz após o contato com determinados agentes. Os principais mecanismos são, turnover celular, o pH, secreção celular, resposta imune e a própria flora bacteriana residente. Turnover= a descamação superficial da pele, processo fisiológico de renovação celular e eliminação de células mortas. Este evento favorece a “limpeza” externa da pele por eliminar possíveis agentes patógenos presentes nessa região bem como dificultar sua proliferação. PH= é ácido, em torno de 4,7 e 5,75, que também dificulta a proliferação e agressão bacteriana por tornar o meio inóspito a determinados agentes agressores. Imune= secreções de substâncias sebáceas, que contém elementos antibióticos protetores ao organismo, e também produz resposta imune pelas células de defesa presentes nas camadas celulares, por exemplo, as células de Langherans, mastócitos e células dendríticas. Flora bacteriana= são colonizadoras e estão presentes desde o nascimento, servindo como uma proteção natural ao organismo. Características Infecção é todo processo inflamatório em que existe um agente infeccioso conclui-se que todas as infecções determinam uma inflamação, definida como a presença de edema, hiperemia, dor, aumento da temperatura no local e, algumas vezes, perda de função. A infecção cirúrgica é decorrente da manipulação cirúrgica ou aquela que requer tratamento cirúrgico para a sua resolução completa. Algumas podem abranger ambas as categorias São muito prevalentes na prática clínica e têm grande variabilidade de apresentações, etiologia e gravidade. A maioria dos casos de infecção cutânea é de origem bacteriana ( estreptococos beta-hemolíticos ou por Staphylococcus aureus). Caracterizam-se pela presença de sinais de inflamação associados ou não a outras manifestações, como febre, ulceração, ou flictenas. FATORES DE RISCO ● Fatores ambientais (falta de higiene); ● Baixa resistência imunológica; ● Diabetes mellitus; ● Predisposição genética; ● Virulência e patogenicidade do microrganismo; ● Corticoides e imunossupressores; extremos de idade (neonatos e idosos); obesidade, desnutrição, choque, neoplasia, quimioterapia. Como fatores locais, têm-se: espaços fechados, necrose e desvitalização tecidual importantes, presença de corpos estranhos, baixa perfusão sanguínea tecidual com hipóxia, hipercapnia e acidose. ERISIPELA infecção cutânea aguda superficial (EPIDERME + DERME), com importante comprometimento linfático. Determina descolamento da epiderme com formação de bolhas. Os limites são mais nítidos do que os encontrados nas celulites, e a pele adquire vermelhidão mais intensa ETIO= Streptococus β-hemolítico do grupo A – PYOGENES - (maior), mas pode ser causada pelos grupos B, C, D e G e stafilo aureus. Patogenese= Quebra de barreira cutânea com penetração do Streptococus provocando uma infecção Laryssa Barros – Medicina – Habilidades cirúrgicas superficial as bactérias migram para os vasos linfáticos e provocam uma reação inflamatória que caracteriza a doença. FR= Insuficiência venosa, diabetes, trauma, desnutrição e abuso de álcool. QC= incubação 2-5 dias Febre, calafrio, mal-estar e náuseas Placa eritematosa, bem delimitada, edemaciada, dolorosa e quente + Linfadenopatia regional, bolhas, necrose. DIAGNOSTICO= clínico e cultura (definitivo) TTO= Penicilina-procaína na dose de 400 a 600.000 UI, IM, de 12 em 12 h por 10-14 dias; casos mais graves: penicilina cristalina na dose de 3.000.000 UI, IV, de 4 em 4 h. casos recorrentes penicilina benzatina, 1.200.000 UI de 3 em 3 semanas por muitos meses Medidas gerais: repouso com membros elevados, compressas frias e desbridamento, caso necessário. Celulite É a infecção aguda da derme e do tecido subcutâneo (ate HIPODERME) processo inflamatório e infeccioso do tecido adiposo NÃO SUPURATIVO causa comum de internação hospitalar, tendo sido responsável por 10% das hospitalizações relacionadas com doenças infecciosas. Mais comum em mulheres brancas. A obesidade não é condição necessária para a sua existência. FISIOPATO= acontece quando um ponto de entrada, através das barreiras cutâneas normais, permite que as bactérias libere suas toxinas nos tecidos subcutâneos. ETIO= S. aureus e por estreptococos do grupo A; outros microrganismos podem estar envolvidos, como gram-negativos nas celulites originadas em fissuras interdigitais ou Haemophilus influenza em lactentes. FR= traumatismo na pele, úlcera na perna; insuficiência venosa ou arterial crônica, mordedura humana ou de animais, uso de piercing, DM. QC= Lesão dolorosa e infiltrativa, febre alta (38,5), eritema, calor e edema, supuração profunda e septicemia, casca de laranja, forma flictenas ou necrose. BORDAS MAL DELIMITADAS DIAGNOSTICO= clínico, pode ser solicitada cultura e se for positiva identificam-se: Microrganismos gram positivos, principalmente Staphylococcus aureus, estreptococos dos grupos A ou B, Streptococcus viridans, Streptococcus pneumoniae, Enterococcus faecalis. - Microrganismos gram- negativos, como Haemophilus influenzae e Pseudomonas aeruginosa. TTO= ATB SISTEMICO + SINTOMÁTICOS. Se localizadatratar em regime ambulatorial, incluir a administração empírica de penicilina resistente à penicilinase, cefalosporina de primeira geração, associação amoxicilina/ clavulanato, um macrolídeo ou uma fluoroquinolona. Elevação e a imobilização do membro, reduz o edema. CELULITE HEMORRÁGICA= rara, e descrita em pacientes com diabetes e imunodeprimidos; área de hemorragia dérmica e bolhas; o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) parece ser responsável pelo dano vascular. É indicado o uso de corticoide sistêmico. ERISIPELA X CELULITE Ambas as doenças tem predominância de acometimento em região de membros inferiores, 85% dos casos e na face (10%) e ocorre por solução de continuidade. A erisipela e celulite tem epidemiologia semelhante, pois estão relacionadas a fatores de risco como obesidade, diabetes mellitus, doença venosa periférica. Laryssa Barros – Medicina – Habilidades cirúrgicas As portas deentrada são lesões em pele como úlceras por problemas venosos ou pela própria dificuldade de cicatrização evidente em pacientes diabéticos. é necessário excluir a presença de trombose venosa profunda no membro acometido Fasciite necrosante Atinge tecido subcutâneo e fáscia superficial; É a necrose rapidamente progressiva das camadas da pele chegando até a fáscia muscular, logo, é uma infecção profunda e grave. Os principais locais de acometimento são membros inferiores, períneo e abdome e ocorre por proliferação polimicrobiana. EPIDEMIO= rara, porém, extremamente incapacitante e letal, pois a mortalidade é em torno de 75%. Afeta em menor número crianças e pacientes jovens e seu risco aumenta em pacientes idosos, principalmente se doenças crônicas associadas como diabetes mellitus e doença vascular periférica; pode resultar de punções puntiformes, feridas operatórias ou trauma aberto ETIO= Streptococcus hemolítico do grupo A e o Staphylococcus aureus. FR= Doença vascular periférica, doenças pulmonares, insuficiência renal, DM, psoríase; imunossupressão, drogas intravenosas, cirurgias, abuso de álcool e drogas intravenosas. CLASSIFICAÇÃO= TIPO1: Anaeróbios + Aeróbios; TIPO2: Estreptococos do grupo A ou outros beta-hemolíticos. FISIOPATO: edema + eritema doloroso cianose + bolhanecrose + anestesia. QC= destruição fulminante do tecido, sinais sistêmicos de toxicidade e alta taxa de mortalidade. A dor é lacerante e desproporcional com achados semelhantes a celulite, que não melhora com sintomáticos. há coloração azulada nas lesões características da necrose tecidual, seguidas de coloração arroxeada e enegrecida, além disso, há formação de bolhas e descamação DIAGNOSTICO= (clínica + laboratório + imagem_) estabelecido cirurgicamente com visualização dos planos fasciais. desbridamento cirúrgico permite a coleta de material a ser obtido para culturas e coloração pelo gram. TC E RM. Laboratório= hemograma (leucocitose e desvio a esquerda), marcadores de inflamação como CPK (elevada devido a grande lesão muscular característica da agressão necrotizante), eletrólitos e função renal (IRA). Imagem= solicitados para avaliar os focos de lesões profundas e sua extensão interna. A RM é o exame mais indicado por evidenciar lesões em partes moles com maior definição TTO= Exploração cirúrgica precoce e agressiva associado a desbridamento de tecidos necróticos, juntamente com antibioticoterapia empírica de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A penicilina e Clindamicina são antibióticos com boa resposta a agentes streptococócicos Penicilina G, 4 milhões de unidade, a cada 04 horas + Clindamicina 4g/dia, EV, dividida em quatro doses diárias. Na suspeita de infecção mista deve ser acrescentado Metronidazol 1,5- 2,0g, EV, em 3 doses diárias + Ciprofloxacina 400mg, EV, 12/12h. PREVENÇÃO= limpeza de feridas e tratamento adequado conforme indicação médica, para evitar proliferação e disseminação de agentes infecciosos. GANGRENA DE FOURNIER caracterizada pela infecção extensa, aguda e grave de partes moles na região do períneo e parede abdominal, tem origem no escroto e no pênis, no homem, e na vulva e virilha, na mulher. Há presença de germes anaeróbios, bacilo gram-negativos ou, flora bacteriana mista. Laryssa Barros – Medicina – Habilidades cirúrgicas inicia como uma fasciíte necrotizante comum, com eritema, dor e calor local, associado a febre e mal-estar, com evolução rápida e progressiva. Está muito associada ao estado geral do paciente, aqueles imunodeprimidos e com doenças crônicas (DM) são mais acometidos. Pode ser uma infecção decorrente de abcessos perirretais, escaras de decúbito e pós-procedimentos cirúrgicos com cicatrização prejudicada. TTO= abordagem geral ao paciente, tratamento antibiótico e abordagem cirúrgica para debridamento da área necrótica; oxigenação hiperbárica e óleo de girassoltrata feridas e evita complicações. Furúnculo tipo de foliculite bacteriana, ou seja, uma inflamação da unidade pilossebácea causada por bactérias (tanto do folículo piloso quanto das glândulas sebáceas) ETIO= Staphylococcus aureus coagulase-positivo (+comum); pode ser sensível à meticilina (SASM) ou resistente à meticilina (SARM). pode colonizar a pele sem causar danos por longos períodos, mas por motivos diversos como, por exemplo, quebra da barreira física ou deficiência do sistema imune penetram a pele e geram a agressão patológica. Em 25% dos casos gera furunculose recorrente tanto nos pacientes colonizados quanto naqueles contactantes FR= imunodeprimidos, diabetes, higiene ruim e má nutrição; histórico pessoal ou familiar e contato próximo com pessoas infectadas; obesidade (formação de dobras na pele que facilitam a proliferação bacteriana e dificultam a limpeza local) CONDIÇÕES PREDISPONENTES= Áreas com sudorese e atrito intenso. Oclusão da virilha e das nádegas pelas roupas, sobretudo em pacientes com hiperhidrose. comuns no pescoço, tórax, face e glúteos QC= Inicia-se como pápula vermelha profunda, sensível, firme, que aumenta rapidamente formando um nódulo sensível e profundo que permanece estável e doloroso por dias, tornando-se flutuante, sem calor ou sintomas sistêmicos. A dor torna-se moderada a grave a medida que o material purulento se acumula. Com o tempo, este botão amolece e drena o “carnegão” que elimina tecido necrótico e pus sanguinolento. A ocorrência de várias lesões semelhantes determina o quadro de furunculose. O período de incubação é de 4-10 dias. COMPLICAÇÕES= abcesso é a principal complicação. Forma-se uma cavidade formada por loculações digitiformes de tecido de granulação e pus que se estende para fora ao longo dos planos de menor resistência. ABCESSO NÃO É DOENÇA, É SINAL DIAGNÓSTICO= CLÍNICA= nódulo ou cisto sensível e flutuante; CULTURA. DIAG DIFERENCIAL= Cisto de inclusão epidérmica roto: quando lancetado, o cisto apresenta material queratinoso branco espesso. ✓ Cisto acneico: também pode ser muito semelhante ao furúnculo estafilocócico, mas devem estar presentes outros sinais de acne, como os comedões. ✓ Hidradenite supurativa: cistos limitados às regiões intertriginosas do corpo; infecção crônica supurativa com períodos de remissão das lesões, seguidos de exacerbações. Ocorrem principalmente na região inguinal e axilar; Requer extensa excisão das glândulas da região, seguida de enxertia de pele ou rotação de retalho, para a prevenção de recorrência. O agente causal mais frequente também é o Staphylococcus. Miíase: nódulo cutâneo após penetração de larvas de insetos na pele com região central orificial que é o local de entrada e saída da larva. Neste caso, a reação inflamatória é menos intensa TTO= incisão com lâmina de bisturi, com drenagem e evacuação do pus e exploração da cavidade para romper possíveis loculações. A ferida pode ser tamponada com gaze embebida em iodo- fórmio para estimular a drenagem. O local da cirurgia deve ser coberto com curativo úmido. SISTEMICO= cefalexina ou eritromicina 250mg/kg/dia, 06/06 horas, via oral, por sete a dez dias LOCAL= antibióticos tópicos como mupirocina ou ácido fusídico, 3 a 4 vezes ao dia, sempre após o banho. SUPORTE= Compressas quentes ajudam a acelerar a drenagem e cura + medidas de higiene e cuidados locais como limpeza com uso de antissépticos como a solução de clorexidina. A indicação de drenagem ocorre apenas se os pontos flutuantes já estiverem evidentes, de forma estéril, com um pequeno rasgo na região central facilitando a liberação das secreções. Em caso de não formação dos pontos de flutuação a drenagem não está indicada pelo profissional, exceto se ocorrer espontaneamente. Laryssa Barros – Medicina – Habilidades cirúrgicasPREVENÇÃO= higiene pessoal e dos familiares; Limpar e manter as unhas curtas. Nos casos de furúnculos que ficam recidivando, a aplicação de pomadas de antibiótico nas fossas nasais é necessária, visando acabar com as bactérias que ficam alojadas nessa região e, de lá, invadem a pele. PROFS -Não fixar dreno de penrose; drenar abcesso com lamina 11 (pontuda). Não se sutura abcesso -Ponto de flutuação= pelezinha fina em cima do abcesso. -Ver bem direitinho: celulite e erisipela.