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caderno de processo III

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Faculdade Baiana de Direito 2020.2 Rachel Abreu 
CADERNO DE PROCESSO CIVIL III
PROVA 01: disponibilização dia – 25/09 e entrega dia 30/09
PROVA 02: disponibilização dia – 27/11 e entrega dia 02/12
1ª UNIDADE
DA ORDEM DO PROCESSO NO TRIBUNAL 
1. INTRODUÇÃO – no CPC de 2015 há um capítulo com o nome desse assunto que será estuda agora “da ordem dos processos no tribunal” = 929 a 946. Esse capítulo foi uma novidade do CPC de 2015; esses artigos se aplicam ao processamento de processos que tramitam no tribunal, que podem ser recursos, incidentes de competência do tribunal, ações de competência originaria do tribunal. 
- Além desses dispositivos, essa temática é também disciplinada por regimentos internos de tribunais, isso acontece porque o art. 96, I, a da CF autoriza que cada tribunal edite seu próprio regimento interno para dispor sobre a competência, funcionamento, e organização dos seus órgãos e sobre a ordem do processo nos tribunais. 
2. PROTOCOLO, REGISTRO E DISTRIBUIÇÃO – quando uma demanda chega no tribunal é preciso que ela se submeta ao regime de protocolo, registro e distribuição; é o art. 929, caput do CPC que trata sobre isso: 
Art. 929. Os autos serão registrados no protocolo do tribunal no dia de sua entrada, cabendo à secretaria ordená-los, com imediata distribuição.
- Primeiramente demanda deve ser protocolada no tribunal: esse protocolo pode ser feito de algumas formas – se o processo é físico esse protocolo deve ser feito ou na sede do tribunal ou em ofícios de justiça de primeiro grau, quando os serviços de protocolo forem descentralizados. O protocolo também pode ser feito pelos correios (convênios entre o judiciário e os correios). Se o processo é digital, o protocolo é feito digitalmente através do seu sistema de tramitação. 
- Feito o protocolo, no mesmo dia deve ser realizado o registro da demanda no tribunal: enquanto o protocolo tem como finalidade dar origem a demanda no tribunal, sendo importante guardar o comprovante do seu protocolo, o registro tem como finalidade dar publicidade a essa demanda. 
- após o registro, deve ser feita a imediata distribuição do processo no tribunal: nos termos art. 930 a distribuição deve observar a alternatividade (a distribuição deve ser feita de forma alternada, de maneira a dividir de forma igualitária o trabalho entre os órgãos do tribunal – ela evita que um órgão fique mais cheio que outro), o sorteio eletrônico (tem como finalidade evitar que haja escolha de juízo para processar a demanda no tribunal – preserva o juiz natural – aquele competente e imparcial) e a publicidade (garante que as próprias partes e a sociedade façam o controle da correção dessa distribuição, uma vez que elas passam a ter ciência dessa distribuição) 
 Art. 930. Far-se-á a distribuição de acordo com o regimento interno do tribunal, observando-se a alternatividade, o sorteio eletrônico e a publicidade 
 
3. CONEXÃO E PREVENÇÃO – o instituto da conexão também se aplica no âmbito do tribunal já que podem existir ações de competência originaria do tribunal que guardam entre si um vinculo de semelhança ou algum vinculo que caracterize a conexão; havendo essas causas, elas deverão ser, em regra, reunidas para que sejam julgadas por um juízo prevento. 
- Há ainda os casos dos recursos e incidentes dos tribunais, que se submetem aos regramentos do art. 930, parágrafo único:
Parágrafo único. O primeiro recurso protocolado no tribunal tornará prevento o relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou em processo conexo. 
De acordo com esse dispositivo o primeiro recurso ou incidente protocolado no tribunal tornará prevento o relator para julgar recurso/incidente subsequente que seja interporto no mesmo processo ou em processos conexos. O mandado de segurança impetrado contra decisão judicial, uma vez protocolado no tribunal, também torna prevento o relator para recursos incidentes no mesmo processo ou em processos conexos. 
A prevenção existe ainda que o primeiro recurso/incidente já tenha sido julgado ou encerrado, mesmo com decisão transitado em julgado sobre esse recurso. 
- Realizado o julgamento não faz mais sentido suscitar a prevenção, pois o trabalho já foi feito, por isso a prevenção deve ser reconhecida antes do julgamento. Embora a prevenção possa ser reconhecida de ofício e pelas partes, não há que se falar em vicio nesse julgamento caso não se perceba a necessidade dessa prevenção anteriormente 
4. CONCEITOS FUNDAMENTAIS: VOTO, JULGAMENTO, ACÓRDÃO E EMENTA 
- o julgamento no tribunal deve ser feito, em regra, por colegiado – por mais de um membro; e isso faz com que conceitos fundamentais acabem aparecendo. Nesse julgamento, os julgadores apresentarão as suas manifestações individuais – o que entendemos como voto. 
O julgamento é o momento em que essas manifestações individuais são expressas.
 Realizado o julgamento, com a manifestação dos votos, será lavrado o acórdão – uma decisão proferida por mais um membro do tribunal (espécie de decisão), o acórdão é a reunião dos votos dos julgadores que conduzem a uma mesma conclusão/mesmo resultado. No direito processual civil brasileiro se criou a ficção jurídica do voto vencido – voto divergente que não se alinha aos votos que conduziam ao resultado/ a conclusão do julgamento. Com essa ficção jurídica, o acórdão deixa de ser a reunião dos votos convergentes (que chegam ao mesmo resultado) para ser a reunião de todo e qualquer voto apresentado no julgamento. 
Art. 941. § 3º O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrante do acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento. 
É possível que em um acórdão existam votos que levem a um mesmo resultado, mas com fundamentos diferentes, ou seja, há unanimidade de resultados, mas não há unanimidade de fundamentação e quando isso acontece poderá haverá uma dificuldade de se extrair a norma jurídica geral desse julgamento (ratio decidendi) 
Lavrado o acórdão, deverá ser produzida a ementa. A ementa é um elemento distinto do acórdão e é feita depois que o acórdão já foi elaborado; é um resumo do acórdão; a ementa deve ser fiel ao acórdão e caso haja alguma divergência entre elas, prevalece o acórdão. A falta de ementa não gera vicio no acórdão, porém, sua falta pode gerar um prejuízo em relação ao ato de comunicação processual do acórdão (ato de lavratura do acórdão/início de prazo recursal), se isso acontecer outro prazo deve ser disponibilizado e outra ementa deve ser feita – a parte pode apresenta um embargo de declaração ou uma petição simples apontando essa falta de ementa no acordão. 
Depois da elaboração da ementa ela é disponibilizada no diário oficial e depois disso se inicia o prazo recursal; 
art. 943, §2º Lavrado o acórdão, sua ementa será publicada no órgão oficial no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 944. Não publicado o acórdão no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da sessão de julgamento, as notas taquigráficas o substituirão, para todos os fins legais, independentemente de revisão.
Parágrafo único. No caso do caput, o presidente do tribunal lavrará, de imediato, as conclusões e a ementa e mandará publicar o acórdão. 
5. TUTELA PROVISÓRIA NOS TRIBUNAIS – tanto a tutela de urgência quanto a tutela de evidencia são admitida nos tribunais; nas ações de competência originaria dos tribunais o pedido pode ser feito incidentalmente quando o processo já foi iniciado ou em caráter antecedente – antes de iniciado o processo no tribunal; no âmbito dos recursos e incidentes, a tutela deve ser protocoladas depois de iniciados os recursos ou incidentes.
- o pedido de tutela pressupõe os preenchimento dos requisitos normais – tutela de urgência deve ser demonstrado a vero semelhança das alegações e perigo de dano do resultado do processo; para as tutelas de evidencia - nas ações originarias se aplica o art. 311; já nos recursos, se admite a tutela de evidencia demonstrando apenas a relevância da fundamentação recursal.

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