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FARMACODERMIAS – MEDICINA UFCSPA 
Trata-se de respostas nocivas a drogas usadas em profilaxia, tratamento ou diagnóstico. Os principais 
motivos acabam sendo overdose, efeitos colaterais previsíveis, manifestações adversas inesperadas, 
inefetividade, erro na prescrição, uso ou manipulação do medicamento. As farmacodermias refletem o preço 
pago pela quantidade exorbitante de medicamentos que vêm sendo usado na farmacologia moderna. Uma 
mesma droga pode causas várias reações, assim como várias drogas podem convergir para uma resposta em 
comum. Respostas sistêmicas contemplam anafilaxia, vasculite, doença do soro e doença autoimune; já 
reações hematológicas podem incluir eosinofilia, anemia, neutropenia e trombocitopenia. Ademais, reações 
pulmonares como pneumonite alveolar ou intersticial e edema pulmonar podem ocorrer. Quanto às reações 
renais, são notáveis os casos de nefrite intersticial, glomerulonefrite e síndrome nefrótica. Por fim, há as 
reações cutâneas, que serão descritas abaixo, enquanto foco desse resumo. 
•Erupções: são relatadas desde 1866 e acometem quase 30% da população em geral. Causam 2% das 
internações em adultos, 6% das internações pediátricas e, de pacientes hospitalizados, quase 20% chegam a 
apresentar erupção. Como fatores de risco, temos: sexo feminino (auto anticorpos), neonatos, idosos, 
metabolizadores lentos (G6PD – dapsona), doença renal, insuficiência hepática, infecções em geral, 
hipotireoidismo, hipóxia, e associação de várias drogas (em idosos e pacientes hospitalizados). 
•Erupções exantemáticas: são as mais 
frequentes, e ocorrem de 7 a 14 dias do 
início do uso da droga. São dadas pela 
hipersensibilidade tardia do tipo IV, que 
envolve células T e citocinas. O quadro 
clínico é variável, mas pode ser 
morbiliforme, urticariano e papuloso sem 
exantema. Geralmente são simétricos, e 
pode apresentar eosinofilia. As mucosas 
também podem ser acometidas. As erupções 
exantemáticas acontecem comumente no uso de penicilinas (geralmente até 3 semanas após a exposição ou 
com 2 semanas após a interrupção), que podem desaparecer, inclusive, durante o uso da droga. Se a reação à 
penicilina ocorrer tardiamente, pode gerar casos mais graves. Outras drogas que causam essa erupção são: 
sulfas, ampicilina, diuréticos, tioureias, analgésicos, AINE’s, captopril, fenitoína, carbamazepina, 
glibenclamida, glimepirida, carbamazepina, clorpromazina e hidantoínas. 
•Erupção psoríaseforme: a suspensão de corticoterapia sistêmica nos 
pacientes com psoríase pode levar à psoríase pustulosa generalizada. Outras 
drogas que a causam incluem: lítio, betabloqueadores, antimaláricos, 
AINE’s, ampicilina, morfina, codeína, inibidores de ECA, terbinafina, 
ciclosporina e interleucinas. 
•Erupções pustulosas: há 3 manifestações: 1) erupções acneiformes → áreas atípicas com início abrupto. 
Há um monomorfismo nas lesões, com ausência de comedos (cravos); 2) agravamento da rosácea → 
causado por sais de iodo e bromo, propranolol, hormônio adrenocorticotrópico, corticosteroides, isoniazida, 
andrógenos, lítio, actinomicina D, ACO, cianocobalamina, sirolimos e hidantoinatos; e 3): AGEP (acute 
generalized exanthematous pustulosis) → eritema difuso com pústulas estéreis não foliculares. Tem 
evolução rápida e pode gerar sintomas sistêmicos. Causa pústulas, que desaparecem em 5 ou 10 dias, com 
descamação superficial sem sequelas. Embora não cause lesões viscerais, pode gerar leucocitose e 
eosinofilia. É o principal diagnóstico diferencial de psoríase pustulosa. Os principais medicamentos 
envolvidos são: antibióticos com anel betalactâmico, macrolídeos, cefalosporina, fluoroquinolona, 
isoniazida, vancomicina, minociclina, doxiciclina, hidroxicloroquina, terbinafina, itraconazol, inibidores de 
protease, paracetamol, carbamazepina e corticoides. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
•Eritema Pigmentado Fixo: são lesões arredondadas bem delimitadas, eritematosas e 
geralmente únicas. Surgem horas após a exposição da droga. São hipercrômicas 
residuais e reaparecem sempre no mesmo lugar. Podem ser bolhosas, e aparecem em 
genitália, membros superiores (mãos) e membros inferiores (pés). Os medicamentos 
que disparam essa reação são: sulfas, tetraciclinas, penicilinas, griseofulvina, nistatina, 
metronidazol, barbitúricos, benzodiazepínicos, dipirona, aspirina, ibuprofeno e 
fenolftaleína. 
 
•Erupções Urticarianas: urticas de tamanho variados que duram 
menos de 24 horas e são bastante pruriginosas. Podem causar 
angiodema unilateral e não pruriginoso, com duração de 1h a poucos 
dias (reação por hipersensibilidade a IgE – liberação de histamina). 
Drogas causadoras: inibidores de ECA, sulfas, dipirona, AAS, 
penicilinas, cedeína e morfina. 
 
•Eritema nodoso: surge por várias etiologias, drogas é uma delas. São 
lesões nodulares, dolorosas, persistentes que ocorrem mais frequentemente 
na perna, região da tíbia (canela). Hanseníase é um importante diagnóstico 
diferencial. As drogas que causam esse eritema são AAS, barbitúricos, 
sulfas, brometos e anticoncepcionais. 
 
•DRESS (drug rash with eosinophilia and systemic symptoms): é uma reação grave, que pode ter relação 
com doença viral. O início é tardio, iniciando-se de 2 a 8 semanas após a exposição à droga. Causa 
exantema, linfadenopatia, febre (>38º), faringite e adinamia. Além disso, outros órgãos podem estar 
comprometidos, como fígado, rim, baço, SNC, sangue, tireoide e miocárdio. A clínica dermatológica dessa 
reação é múltipla: exantema (infiltrado e endurado, com acentuação folicular e tendência à eritrodermia), 
edema na face com acentuação periorbitária, púrpura nos membros inferiores, vesículas e bolas. As drogas 
que causam o DRESS são anticonvulsivantes (carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, primidona, 
lamotrigina) e sulfonamidas (dapsopna, sulfasalazina, alopurinol, terbinafina, minociclina, teicoplamida, 
espironolactona, talidomida, bloqueadores de canais de Ca2+, zalcitabina, ranitidina, sorbinil, zidovudina, 
nevirapina e sais de ouro). As alterações hematológicas nessa doença podem incluir anemia, leucocitose, 
linfocitose e atipia linfocitária, e eosinofilia (>25%). As transaminases, em 51% dos casos, também estão 
aumentadas. Outros achados da doença, um pouco mais raros, envolvem infiltrado pulmonar, aumento de 
bilirrubina, alterações na tireoide e alterações da função renal. Os critérios para diagnóstico são 3: erupção 
Rosácea pelo uso de corticoides. 
AGEP 
cutânea, alterações hematológicas (eosinofilia > 1500 / mm³ ou linfócitos atípicos – 10%) e envolvimento 
sistêmico (adenopatia com 2 cm ou mais, hepatite e aumento de transaminases, nefrite, pneumonia 
intersticial ou cardite). Infelizmente, por questões de demora do reconhecimento da síndrome ou necrose 
hepática maciça, 10% dos pacientes com DRESS acabam falecendo. 
 
Manifestações do DRESS 
•Eritema multiforme: descrito ainda em 1860. É uma reação aguda, autolimitada, com distribuição 
simétrica. São pápulas avermelhadas que evoluem para lesão. Há o eritema multiforme major e o eritema 
multiforme minor, que se diferenciam pelas lesões mucosas e apresentação de sintomas sistêmicos. A 
morfologia das lesões, além disso, permite a diferenciação dessa reação com SSJ e NET (descritas abaixo). 
O eritema multiforme predomina em adultos jovens, sendo raro na infância. Incide mais em homens, porém 
igualmente entre as raças. Pode ocorrer pela reação 
imunológica a infecções (HSV 1 e 2, Mycoplasma 
pneumoniae, Histoplasma capsulatum, Paparox vírus, EBV e 
doenças sistêmicas) e, em 10% dos casos, resposta a drogas. 
Parece, realmente, ter uma forte conexão com o HSV, referido 
por 50% dos pacientes e com seu DNA viral identificado em 
80% dos casos. O início do quadro é abrupto (prurido e 
queimação de 24h a 72h). As lesões, então, permanecem no 
mesmo local por até 7 dias. Em duas semanas, geralmente, o 
quadro total desaparece sem sequelas (em casos rarospode 
ocorrer sequela ocular). Para diagnosticar o eritema multiforme, algumas características são consideradas, 
como: tipo de lesão elementar, topografia das lesões (distribuição influenciada por fatores mecânicos e 
actínicos), lesão mucosa e sintomas sistêmicos. 
 
-Tipo de lesão elementar → 1) lesão em alvo típica (pode ser na íris); 2) lesão arredondada de até 3cm, com 
bordas regulares e até 3 zonas distintas (anel eritematoso periférico e anel eritematoso edematoso 
intermediário e centro púrpuro-violáceo/vesico-bolhoso); 3) lesão em alvo atípica elevada; e 4) lesão 
arredondada, edematosa, mal delimitada e palpável, com 2 zonas distintas. 
-Topografia das lesões → geralmente são numerosas, na face e em membros superiores. Dorso das mãos, 
região plantar, região cervical e tronco também são sítios comuns de lesão. Nos membros inferiores é menos 
frequente, assim como o fenômeno de Koebner. 
-Sintomas sistêmicos → estão presentes principalmente no EM major. Febre, astenia e artralgia 
acompanham o quadro. Pode ocorrer pneumonia atípica, assim como alterações renais, hepáticas e 
hematológicas, embora essas últimas três sejam raras. 
O tratamento consiste em medidas tópicas (antissépticos nas lesões erosadas, anestésicos locais e colírio nas 
lesões oculares), medidas sistêmicas (tratamento do agente desencadeante, anti-histamínicos e 
corticoterapia), além de medidas preventivas ao HSV. 
•Síndrome de Stevens-Johnson e NET: é muito raro, são 3 casos pra cada 1 milhão de habitantes. Ocorre 
uma erupção máculo-papular coalescente, com formação bolhosa e destacamento de epiderme. Dois ou mais 
sítios mucosos geralmente estão envolvidos. Se ocorrer em menos de 10% do corpo, chamamos de SSJ; caso 
acometa de 10 a 30%, seria o SSJ-NET (meio termo); a partir de 30%, então, estaria caracterizada a NET. 
SSJ é uma síndrome que dispara sintomas sistêmicos, e a mortalidade pode chegar a 40%. Os medicamentos 
que a causam incluem: sulfas, hidantoínas, carbamazepina, oxicans, alopurinol, Cotrimoxazol, 
aminopenicilina, cefalosporinas, quinolonas, vancomicina, rifampicina, etambutol e AINES. 
 
Sinais de gravidade da síndrome envolvem: febre alta (>40ºC), hipotermia, adenomegalia, artralgias, 
taquipneia/sibilos, hipotensão, eosinofilia, linfocitose com atipia, alterações de PFH, eritema confluente 
(>60%), dor/ardência, edema facial/língua/úvula, necrose, púrpura palpável, bolhas e destacamento da 
epiderme, sinal de Nikolsky positivo e erosões nas mucosas. 
-NET (necrose epidérmica tóxica) → ocorre um extenso destacamento da epiderme. É menos frequente na 
infância, mas pode ocorrer em qualquer fase da vida. Suas complicações são semelhantes aos graves 
queimados. Geralmente é idiossincrática a drogas como vacinas (sarampo, rubéola, caxumba) e químicos 
industriais. Além disso, o Mycoplasma pneumoniae pode gerar essa situação. As principais drogas que 
causam NET são carbamazepina, fenotoína, fenobarbital e lamotrigina, mas diversos outros medicamentos 
podem criar essa condição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na anamnese, é importante investigar todas as drogas e as datas de administração do paciente. Indagar, 
ainda, se houveram exposições prévias a esses medicamentos. Se preocupar, além disso, com a possibilidade 
de passagem pela placenta e leite materno. Não há constrangimento em buscar na literatura dados mais 
consistentes sobre os fármacos caso seja necessário. 
Como tratamento, se realizará a suspensão dos fármacos em uso e tratar prontamente as reações graves. Em 
caso de necessidade inquestionável do uso da droga, deve-se fazer uma profunda análise sobre benefícios e 
riscos, e possivelmente administrar a droga causadora em baixas doses.

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