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Aula de Dir. Civil II - 3º Período

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que não cumpre a sua obrigação passa a ter responsabilidades (normalmente é o mesmo dever de antes acompanhado de umas sanções pecuniárias), mas excepcionalmente, o sujeito pode ter obrigação sem responsabilidade, como ocorre na obrigação natural – espécie de obrigação inexigível judicialmente. É uma relação obrigacional onde o direito enxerga uma dívida que, entretanto, se não for cumprida não gera para o devedor uma responsabilidade. Exemplo: dívida de jogo ilícito. O credor não tem como cobrar, o que significa que se o devedor não paga, não nasce para ele uma responsabilidade. Contudo, essa relação é dotada de um vínculo jurídico, pois se ocorre o pagamento espontâneo, o direito passa a regular a relação, permitindo que o credor retenha o pagamento, não sendo obrigado a devolvê-lo. (art. 882 CC). Isto significa que o pagamento é devido. Também pode acontecer de uma pessoa ter responsabilidade sem ter obrigação, como na hipótese do fiador. Dívida prescrita é uma espécie de obrigação natural.
Rio, 03 de agosto de 2011
OBRIGAÇÃO E DIREITO SUBJETIVO
Direito Potestativo – não existe possibilidade de descumprimento.
	A relação obrigacional sempre envolve direito subjetivo, poder que uma das partes tem de exigir da outra uma conduta. Campo das obrigações, em regra, não envolve direito potestativo ( poder de satisfazer o seu direito sem que a outra parte precise praticar qualquer conduta).
	O direito subjetivo gera dever jurídico, enquanto o direito potestativo gera sujeição. Isso significa que o direito subjetivo pode ser descumprido, nascendo para o sujeito ativo a pretensão, o que não ocorre no direito potestativo que não comporta descumprimento.
CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAL DAS OBRIGAÇÕES
Obrigação positiva ou negativa;
Formais ou informais;
Principais ou acessórias;
Líquidas ou Ilíquidas;
De meio ou de resultado;
Com cláusula penal ou sem;
Simples ou compostas
Civis ou Naturais
Propter REM.
Relações
Dar, fazer = positiva
Não fazer = negativa
Formais ou solenes – a lei impõe uma forma.
Informais ou não solenes – art. 107 CC. A lei não impõe regras (formas) – geralmente são informais, tem que seguir uma forma sob pena de nulidade.
Principais – existência autônoma, não depende de nenhuma outra. Ex. locação.
Acessória – depende da principal para existir. Ex. fiança
O acessório segue o mesmo destino jurídico do princípio da gravitação jurídica.
Líquidas – aqueles que são certas quanto a existência e determinadas quando a montante.
Ilíquidas – aquelas em que falta, pelo menos, um desses elementos.
De meio – aquelas em que o devedor tem de empregar todos os meios e técnicas possíveis para a obtenção de um resultado, sem entretanto, responsabilizar-se por este. 
Resultado – aquelas em que o devedor só se exonera do vínculo jurídico se atingir o resultado esperado.
Com cláusula penal – serve para penalizar. É uma “multa”. É uma espécie de perdas e danos já pré-estabelecidas por acordo.
Simples – aquela que apresenta unidade de sujeito e de objetos.
Compostas – aquelas que apresentam multiplicidade de sujeitos em pelo menos um dos pólos, e/ou multiplicidade de objetos. 
Subjetivas – mais de um sujeito
Objetivas – mais de um objeto
Observação:
Sempre numa relação obrigacional, existem dois sujeitos, um que deve, devedor e a outra parte é o credor.
Subjetivas
Divisíveis
Indivisíveis
Solidárias
Objetivas
Alternativas
Cumulativas
Civis – é a regra, pode ser exigida judicialmente.
Naturais – as prestações não podem ser exigidas na justiça. Ex. geralmente tem um objeto ilícito, e.g., dívidas de jogo. Art. 882CC.
Ex.: dívida prescrita
Propter Rem – em face da coisa, está vinculada a existência da própria coisa.
É uma obrigação que nasce da existência da própria coisa, ou como dizem, alguns autores, em razão do direito de propriedade sobre alguma coisa. Essa obrigação excepcionalmente não acompanha a pessoa do devedor; ela adere a coisa no momento da cobrança, ainda que o débito seja anterior a sua titularidade.
Ex.: Iptu, Taxa de Condomínio, IPVA.
Obrigações Positivas e Negativas
Dar – entrega ou devolução de algum bem
Dar coisa certa – o sujeito sabe o que tem que dar, o bem está plenamente definido, bem determinado.
Dar coisa incerta - o bem a ser entregue não está plenamente definido desde o início. Art. 243 CC.
Bem	gênero
	Quantidade
	Qualidade – o mesmo que tipo
	O maior efeito que ocorre da coisa certa está no art. 313CC.
Observações:
1 – Por analogia o art. 313CC. Também se aplica para o devedor.
2 – Pagar também é um direito
Na obrigação de coisa incerta uma das partes vai ter que escolher a espécie (o tipo, a qualidade) do bem a ser entregue. Essa escolha é chamada de concentração do débito. Precisa ser externada para a outra de preferência escrita.
A quem cabe a escolha da concentração da escolha? A quem o contrato disser, porém se não estiver explícito a lei prestigia o lado mais fraco, neste caso o devedor. Art. 244CC.
A parte final do art. 244CC. Traduz o princípio da qualidade média. Aplica se em cima da boa fé. Art. 244CC também se aplica ao credor por analogia.
Obrigação de fazer: traduz prestação de atividade em regra, é o mesmo que prestação de serviço. 
1 – fazer impessoal ou fungível. O devedor não é contratado por suas características pessoais. Ele pode ser substituído.
2 – fazer personalíssima ou infungível – é aquela em que o devedor é contrato em razão de suas características pessoais. Ele não pode delegar a função para ninguém. 
E.g.: contrato de um artista para um show e outro vai no lugar.
Obrigação de não fazer: exige um dever de se abster de algo
 
Descumprimento das Obrigações
Obrigação de dar coisa certa
 Entrega							Restituição
 Perda								 Perda
destruição total destruição parcial		 s/culpa c/culpa
 deterioração						deterioração
s/culpa c/culpa s/culpa c/culpa s/culpa c/culpa
Obrigação de dar coisa certa – descumprimento
				c/culpa s/culpa
				 art. 246CC
Obrigação de fazer:	personalíssima -s/culpa 248, 1º parte
					c/culpa 247 e 248 § 2º parte
			
			impessoal –	s/culpa 248, 1º parte
					c/culpa 249 e 249, 2º parte
		 
 
Rio, 16 de agosto de 2011
Coisa Certa
O art. 238 refere-se a direitos inerentes a natureza do contrato.
Ex.: Carlos alugou seu automóvel para Flávio por 30 dias e no dia 17 do mês foi assaltado descumprindo a obrigação de restituir o bem. Omo o descumprimento foi sem culpa, ele não tem de pagar indenização a Carlos, nem mesmo o valor do veículo, mas será devedor do aluguel pelos dias de utilização até a data do assalto. 
Coisa Incerta
A princípio, na obrigação de coisa incerta o devedor que descumpre a prestação vai pagar indenização com culpa ou sem culpa (art. 246). Isso ocorre porque o credor espera neste caso um gênero e esse não perece jamais importar arquivo importar arquivo. Se Carlos se compromete a entregar a Flávio um cavalo, ele não tem desculpa para o inadimplemento, pois que ainda que ele tivesse pensado em entregar um determinado cavalo que veio a parecer por caso fortuito ou força maior considerando a expectativa do credor, ele ainda podia cumprir a obrigação levando outro, motivo pelo qual terá que pagar indenização. A solução, entretanto, não será essa se a coisa incerta fosse restrita a determinado local e todas as espécies do gênero devido, naquele local, viessem a perecer sem culpa dele.
Ex.: Carlos se comprometeu a entregar a Flávio um cavalo do Aras Boa Viagem, em função de uma grande enchente todos os cavalos do aras pereceram. Carlos não deve indenização.
Obrigações Compostas		- objetivas: de uma prestação (objeto) –	cumulativas
									 	Alternativas
				- subjetivas –	de um devedor
						e/ou credor		divisíveis
									indivisíveis
									solidárias
Compostas objetivas	- cumulativas:		o devedor

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