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A COMUNIDADE E A ESCOLA DEMOCRÁTICA Aline Vieira Marchi Daniele Vaz da Costa Jéssica Fabiola Gervasio Marcia Moraes Joaquim Adans Professora- tutora: Fernanda Francisco Centro Universitário Leonardo da Vinci -UNIASSELVI Licenciatura em Pedagogia (PED-1492) - Disciplina: Seminário Interdisciplinar VIII 01/10/2019 RESUMO Neste trabalho será abordado o conceito de gestão democrática na escola, sua importância e verdadeiros desafios para que realmente haja esta integração e participação de todos. A gestão escolar não é apenas um conjunto de práticas burocráticas voltadas à escola, mas sim, uma forma do fazer democrático e da cidadania. A escola não deve se fechar, visando apenas o aprender, mas sim, trazer a comunidade, e a realidade do mundo atual e aquilo que cerca o jovem, gerando assim, um processo real de aprendizagem, sólido e que condiz com o que se vive atualmente. Sendo imprescindível que a comunidade esteja unida a escola e pronta para participar, colaborar e juntas conseguir uma educação de qualidade e eficaz para seus educandos. Palavras chave: Comunidade. Escola. Alunos. 1 INTRODUÇÃO Nosso trabalho aborda um tema que parece “utopia” em algumas escolas, onde não se visa esta oportunidade como algo real, porém se a equipe gestora estiver pronta para buscar esta união e conceito, a escola se transforma e todos se beneficiam com esta democratização. A educação tem como principal função promover estratégias para que a formação do cidadão se dê através da prática da cidadania e democracia. Quando isso não acontece no cotidiano, é preciso repensar na maneira que se esta fazendo, e rever aquilo que realmente é importante para que aconteça a educação igual e de qualidade para todos. A escola tem a responsabilidade de preparar o aluno para uma sociedade justa e cooperativa, e de forma que este venha a atuar para um bem como e seja crítico e ativo nesta. Logo, se é para a sociedade que a escola forma o indivíduo, conclui-se que ambos, ambiente escolar e meio social devam manter uma relação de reciprocidade para o bom andamento da educação. Por isso tem-se a percepção de que há a necessidade de uma mútua colaboração entre a esfera social e a dimensão escolar, principalmente, em relação ao meio externo do local a que as unidades de educação pertencem. Promover a integração da escola com a comunidade não é algo impossível de se acontecer na prática, porém todos precisam estar dispostos a trabalhar e cooperar com essa inter-relação de colaboração e ajuda mútua, fazendo da escola um lugar democrático. 2 CONCEITO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA A palavra gestão tem sua origem do latim “gestio”, que significa “ato de administrar, de gerenciar”, ou seja, o gestor de um determinado órgão ou instituição tem como principal função dirigir e gerenciar. Já a expressão “gestão democrática” ressalta a importância da participação de todos que estão relacionados a uma instituição, no caso de uma escola, a gestão escolar deve agregar pais, professores, alunos e demais funcionários. Deste modo, a gestão e a administração não ficam apenas nas mãos de uma única pessoa, mas oportuniza o poder em todas as suas dimensões havendo uma descentralização, ou seja, uma partilha na qual todos interagem no processo educativo e assim podem contribuir no processo de ensino aprendizagem. A gestão escolar é a maneira pela qual as escolas são organizadas, procurando melhor coordenar os processos educativos. Quando atribuímos o caráter democrático à administração escolar, temos que ter em vista o conceito citado anteriormente, porém agregam as ideias de cooperação, partilha do poder, e sensibilidade às necessidades envolvidas nos processos educativos (questões sociais, étnicas, religiosas, culturais, sexuais), e buscam desenvolver as potencialidades dos envolvidos na educação, para que assim a escola possa vir a somar ideias e estratégias de uma forma mais ampla. Gestão Democrática na escola pública é um processo por meio de quais decisões são tomadas e encaminhamentos são realizados, ações são executadas, acompanhadas, fiscalizadas e avaliadas coletivamente, isto é, com a efetiva participação de todos os segmentos da comunidade escolar (SEDUC, 2012, p. 7). Gerando assim uma oportunidade para expor vários pensamentos, ou seja, trazendo muitas opiniões sobre os assuntos que norteiam a escola. O que acaba trazendo um pensamento errado, de perca de poder das decisões e da falta do temor que a escola provocava. Sem contar que não se entende a importância das reuniões, palestras e participação da família na escola, pois não se vê o motivo de tanta participação. Segundo Neidson Rodrigues (2003, p.38), “É falso ligar a questão da democratização da escola a um único aspecto da atividade escolar, seja ele administrativo, pedagógico, de participação da comunidade em processos decisórios, acadêmicos ou políticos da escola”. Este conceito vai além de simples ações, que geralmente contam com a participação de mais pessoas, mas sim de envolver a comunidade e um todo, contemplando todas as dimensões envolvidas na educação, ao passo que cada característica possui suas particularidades, métodos e estratégias específicas, onde, de maneira organizada tem se uma gestão participativa e organizada. Leva-se em consideração alguns fatores democráticos nesta gestão, como a participação, a autonomia, a transparência e o pluralismo. Estes são princípios que dão um tom e o que facilita a compreensão da concepção dessa gestão. 3. OS DESAFIOS DE UNIR A COMUNIDADE E A ESCOLA A gestão escolar democrática insere todos que estão envolvidos no ambiente escolar, como gestores, professores, funcionários, familiares, alunos e instâncias colegiadas (APMF, Conselho Escolar, Conselho de Classe e Grêmio Estudantil), todos envolvidos na comunidade escolar, podem dialogar e opinar, de maneira ativa, nas ações e decisões. Neste tipo de gestão a escola se torna um espaço mais aberto ao diálogo e busca por uma relação igual e respeitosa, ou seja, sem centralizar o poder apenas no diretor ou equipe gestora. Este modelo de gestão está amparado pela Constituição Federal de 1988 e reforçado pela Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) e pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Esta gestão é responsável por procurar uma educação de qualidade, pois visa que com a participação de todos o conhecimento se dará de forma mais fácil e amplo. Enfim, é por meio dela que os vínculos com a comunidade escolar acontecem e o resultado dessa aproximação é uma educação igual e boa para todos. Uma gestão compartilhada entre todos os envolvidos faz da escola um espaço participativo e mais atraente, principalmente para os estudantes. Para que isto realmente aconteça existem maneiras de colocar em prática, como algumas citadas abaixo. Importância da participação da comunidade escolar: Ouvir a comunidade escolar é o primeiro passo, pois a escola é feita para suprir as necessidades deste público, então, estar antenado a elas é primordial. É preciso valorizar a participação e intermediar as diferentes opiniões para que todos sejam ouvidos de uma maneira em que o diálogo se estabeleça, independentemente do tipo de ação e/ou decisão que será tomada. Quando as portas da escola estão abertas, é possível construir novos meios de lidar com diferentes assuntos, dentre eles: a falta de interesse dos alunos, as perspectivas em relação ao futuro dos envolvidos no contexto, as diferentes ações que prezem pela qualidade da educação, entre outros. Diferença de se fazer um planejamento eficiente: Planejar é essencial para se colocar em prática uma gestão escolar democrática que realmente seja efetiva. Não se pode simplesmente dizer que vai fazer, é preciso sentar e reunir-se com os principais agentes da formação acadêmica. Assim, é garantido que o planejamento não ficará apenas no papel. Família, alunos, gestores, funcionários, professores e a comunidade ao redor da escola precisam ter um ou mais representantes no momento de planejar as ações que são necessárias para que a instituição funcionede maneira eficiente e democrática. União de todos os responsáveis pela educação: Para que realmente aconteça esta democratização é necessário que todos queiram participar dessas ações e decisões. Por isso, o papel da gestão é de criar laços que façam com que todos queiram se fazer presentes na hora desta implementação. Embora pareça óbvio que essa participação é necessária para esse tipo de gestão, na prática pode não ser tão fácil. Por isso, é de suma importância que se planeje e, principalmente, que se tenha em mente quais os objetivos da instituição de ensino. Levantar todas as possibilidades e necessidades, partindo das considerações da população, ou seja, dos principais envolvidos em uma gestão democrática, é dar abertura para uma relação real entre escola e comunidade. Nos dias de hoje estar inserido em um espaço como a escola, onde é necessário que se acompanhe essas transformações regularmente, torna-se possível encontrar maneiras de fazer a diferença para nossas crianças e jovens. Por isso fazer este compartilhamento de ações e decisões dentro da escola, dando espaço ao coletivo, é a melhor forma de atingir e manter uma gestão escolar democrática realmente eficaz, capaz de motivar todos os envolvidos, crescer como instituição, conquistando objetivos e alcançando novos patamares de desempenho. A interação entre a escola e a comunidade deve ser algo praticado e buscado por todos que a cercam, tendo como principal objetivo a eficácia da educação escolar e tudo que norteie seus trabalhos, bem como suas consequências para o meio comunitário e social. Esse conhecimento a cerca de tais possibilidades deve buscar saber quais as questões mais pertinentes, visando a integração, para que não haja uma cobrança da escola para com a comunidade ou vice-versa, gerando, assim, uma relação de conflito, afirma Ângelo Dalmás (1994, p. 22) “Vivenciar a participação envolve riscos e conflitos, num verdadeiro desafio aos que lutam por um constante envolvimento dos membros da comunidade educativa no processo participativo”. Esta gestão só irá conseguir uma efetiva participação da comunidade e, consequentemente, sua colaboração se ela trabalhar de forma democrática, onde a administração da escola deve assumir “(...) a interdependência escola-sociedade tem como objetivo situar as pessoas como participantes da sociedade – cidadãos (...)” (BRASIL, 1998 apud BEZERRA et al, 2010, p. 282), ou seja, só há a integração da comunidade com a escola se realmente houver uma gestão democrática. O processo de gestão democrática das instituições de ensino representa um importante instrumento de consolidação de democracia na sociedade, considerando que a escola e a sociedade estão dialeticamente constituídas. Promover a democratização da gestão escolar significa estabelece novas relações entre a escola e o contexto social no qual está inserida. Repensar a teoria e a prática da gestão educacional no sentido de eliminar os controles formais e incentivar a autonomia das unidades da educação constitue-se em instrumentos de construção de uma nova cidadania. Assim, a democratização institucional torna-se um caminho para que a prática pedagógica torne-se efetivamente prática social e possa contribuir para o fortalecimento do processo democrático mais amplo (GARBIN e ALMEIDA, 2007, p. 3). A partir do momento em que a gestão educacional torna-se democrática, a possibilidade de melhoramento social fica algo mais concreto, pois se pensará a prática pedagógica de uma forma mais ampla e não somente essa prática, mas tudo que possa vir a acrescentar de forma positiva à educação, gerando uma maior preocupação com o meio externo da unidade escolar, garantindo que a comunidade tenha participação nas ações realizadas durante o desenvolvimento das atividades educacionais, dentre outras. “O exercício democrático vive de uma ação coletiva; a cultura democrática cria-se com a própria democracia” (ibidem, p. 4). 4 CONSIDERAÇÔES FINAIS A escola democrática mostrou se algo tão importante para a sociedade e para o desenvolvimento dos alunos e jovens que lá estão. Por isso com este embasamento, percebe se sua importância e mostra- se o quão difícil é de tornar este bem algo praticável e realizado pelas escolas. Creio que uma estratégia para que realmente haja uma gestão democrática, e tornar a integração da escola com a comunidade, algo real, seria promovendo formações para os interessados em atuar nas mais diferentes funções da escola, desde a atuação nos Conselhos Escolares até o mais simples voluntariado, transformando a comunidade, deixando-a mais interessada e capacitada para agir no espaço escolar, colaborando de forma positiva e começando a acabar com as barreiras que possam haver entre escola e comunidade e que não devem existir para que se assegure uma educação de qualidade e que, impulsionada pela gestão democrática, seja promotora da cidadania. REFERÊNCIAS SILVA, João Henrique. Como a gestão escolar democrática pode ser aplicada em uma instituição de ensino. São Paulo. Escola da inteligência. 2015 BEZERRA, Zedeki Fiel. et al. Comunidade e escola: reflexões sobre uma integração necessária. Curitiba, n. 37, p. 282, 2010. PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. 3ª ed. São Paulo: Ática, 2000. SEDUC. Conselho Escolar. 3ª ed. Teresina, 2012.