Eleco Apostila de prática 2012-2 (1)
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Eleco Apostila de prática 2012-2 (1)


DisciplinaElementos de Ecologia72 materiais338 seguidores
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corrente 
Os produtores primários nas águas correntes são basicamente diatomáceas e cianofíceas 
mucilaginosas que formam comunidades sobre as superfícies das rochas, o epilíton. Os 
consumidores primários nos rápidos são principalmente larvas de insetos capazes de se manter 
contra a velocidade da correnteza graças a seus corpos achatados, hidrodinâmicos e com órgãos tipo 
ganchos (larvas de simulídeos e de tricópteros) ou ventosas (larvas de blefarocéridos e peixes 
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loricariídeos) que os prendem às pedras. Outra adaptação dos animais dos rápidos é a presença 
comum de reotaxia e tigmotaxia positiva, que se manifesta, respectivamente, na natação contra a 
correnteza e no ato de agarrar qualquer superfície que entre em contato com o animal. Com exceção 
dos cascudos, que são herbívoros/detritívoros, os peixes atuam como consumidores secundários e 
podem deslocar-se livremente entre rápidos e remansos, mas sua distribuição pode variar em função 
da profundidade, tipo de fundo, etc. Algumas espécies vencem a correnteza utilizando, para 
descanso, áreas de velocidade nula entre as pedras (lambaris); outros, como o canivete, fixam-se às 
pedras por meio das nadadeiras peitorais expandidas e outros, ainda, como os bagres, escondem-se 
em frestas utilizando dentículos operculares. Os organismos dos rápidos são, freqüentemente, mais 
sensíveis a baixas concentrações de oxigênio dissolvido que os habitantes dos remansos. 
Texto elaborado pelas profs. Érica Caramaschi 
e Angela Sanseverino 
 
Prática de Rio-Riacho 
 
Córrego do Sertão (Campo Escoteiro) 
 
O objetivo é observar um ecossistema lótico, com enfoque em suas características físicas e 
adaptações dos organismos a diferentes meso e micro-hábitats. A prática é realizada próximo no 
córrego do Sertão, próximo ao local de acampamento. Esse corpo d\u2019água faz parte da bacia de 
drenagem Guapi/Macacu, e está de certa forma interligado, através de afluentes, aos canais do 
manguezal da APA Guapimirim, que representa o trecho final do gradiente lótico que será discutido 
na aula de riacho. Assim, notem que devem ser feitas algumas comparações também com a aula de 
manguezal. Seguir o roteiro para anotações e estudo. 
A aula prática envolve dois momentos: primeiramente, uma aula sobre a ponte à beira do 
riacho, que envolve observação de características físicas do ambiente e explicações a respeito do 
gradiente longitudinal de ecossistemas lóticos, envolvendo seus aspectos físicos, químicos e 
biológicos, incluindo o Conceito de Rio Contínuo (RCC), espiral de nutrientes e metabolismo da 
comunidade. Em um segundo momento, cada grupo será acompanhado por um monitor e será feita 
a prática de reconhecimento de adaptações dos organismos aos diferentes tipos de ambiente do 
riacho, através de fichas e coleta de material. 
 
 
Roteiro da prática: 
 
1) Após a explicação inicial da professora, observe e anote as seguintes características 
físicas do local, sempre tendo em mente a comparação com o manguezal: (i) granulação do 
substrato (ii) largura do rio; (iii) transparência da água; (iv) estrutura e presença de vegetação nas 
margens; (v) tipo de vegetação nas margens e nível de sombreamento do leito; (vi) formação de 
meandros; (vii) velocidade da correnteza (estimativa); (viii) presença de micro-hábitats. 
2) Responda, dentro do grupo, com ajuda do monitor, às questões colocadas nas fichas que 
relacionam fauna e hábitat, que serão entregues para cada grupo no momento da prática. 
3) Colete, com auxílio de peneira e/ ou picaré, os organismos presentes em diferentes locais 
do riacho (margem, leito e micro-hábitats variados), e coloque-os no balde para posterior 
observação. 
4) Reconheça, com auxílio do monitor e das pranchas de identificação, cada um dos 
organismos coletados e identifique suas principais adaptações para as características do local onde 
habitam. 
5) Ao final, reunir com os grupos restantes para discutir os resultados encontrados. 
 
 
 
 
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Roteiro para estudo: 
 
o Descrever e comparar as características observadas (item 1 do roteiro) com aquelas do canal 
do manguezal da APA Guapimirim; 
o Marcar nas fichas os organismos coletados e o local em que foram encontrados. Comparar o 
que foi esperado com o que foi, de fato, encontrado; 
o Salientar as principais adaptações desses organismos para o tipo de hábitat utilizado; 
o Citar quais organismos que constavam nas fichas da dinâmica e não foram coletados na 
prática. Quais as possíveis explicações para essas ausências? 
o Responder às seguintes questões: 
o Ao que se devem as diferenças entre as características físicas observadas? 
o Qual a relação entre os ecossistemas Mata e Rio no trecho observado? 
o O que é a \u201cespiral de nutrientes\u201d? 
o Por que se considera que no trecho superior dos rios o metabolismo do sistema é 
heterotrófico e, no trecho médio, autotrófico? 
o Pode-se identificar influência antrópica no trecho observado? De que tipo? 
o Se seu grupo de trabalho fosse contratado para tentar minimizar o impacto antrópico 
desse trecho, quais ações vocês proporiam? 
 
 
BIBLIOGRAFIA: 
\u2022 Dudgeon, D. (2008). Tropical Stream Ecology. Ed. Elsevier 
\u2022 Vannote, R.L.; Minshall, G.W.; Cummins, K.W.; Sedell, J.R. & C.E. Cushing. (1980). The 
river continuum concept. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences 37: 130-137. 
\u2022 Townsend, Begon & Harper (2006). Fundamentos em Ecologia - Cap. 4. Ed. Artmed. 
 
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PRÁTICA DE MATA 
 
 A Prática de Mata objetiva, num sentido amplo, abordar conceitos, teorias e processos 
relacionados a florestas tropicais. Especificamente, buscaremos apresentar e entender quais são os 
fatores, que delineiam o que se entende por uma floresta tropical úmida. O foco está no 
entendimento de elementos relacionados à ciclagem de matéria, à sucessão ecológica e a 
características dos organismos. 
 A Mata Atlântica é composta por dois tipos principais de vegetação: a Floresta Estacional 
Semidecidual e a Floresta Pluvial Atlântica (também chamada de Floresta Ombrófila Densa). A 
primeira se estende pelo planalto (> 600 m de altitude) ao centro e sudeste do interior do país. A 
segunda cobre as elevações médias (\u22641.000 m de altitude) das encostas orientais da cadeia de 
montanhas situada ao longo da costa sul ao nordeste brasileiro. Esta floresta cobria uma área de 
aproximadamente 1,1 milhão de km2, o que corresponde a 12% da superfície do país se estendendo 
por mais de 3.300 km ao longo da costa entre as latitudes 6 e 30º S. Ela corresponde ao que se 
chama de Mata Atlântica sensu strictu. 
 Classificações mais amplas incluem as florestas semidecíduas e a Mata de Araucária como 
domínios da Mata Atlântica. Alternativamente, a vegetação atlântica brasileira pode ser tratada 
como um complexo de formações incluindo não somente a Mata Atlântica strictu sensu como 
também mata de araucária, a floresta semidecidual, e o mosaico de vegetações vizinhas abertas que 
incluem: formações em afloramentos rochosos, áreas pantanosas, florestas secas, manguezais e 
restingas. Tal classificação torna-se relevante do ponto vista de conservação uma vez que, por 
situarem-se nas áreas mais populosas do Brasil, estas florestas estão entre as florestas tropicais mais 
ameaçadas do mundo e estão reduzidas a cerca de 5 % de sua cobertura original. O trecho de Mata 
Atlântica que estudaremos faz parte da Floresta Ombrófila Densa com um clima úmido e quente 
sem estação seca. 
 Dentro do contexto da disciplina de Elementos de Ecologia, três pontos serão enfatizados: 
(i) mudanças temporais na vegetação, 
(ii) ciclagem de nutrientes, 
(iii) características dos organismos associadas a cada tipo de ambiente . 
 
 
Protocolo de prática \u2013 estrutura da vegetação arbórea em diferentes estádios sucessionais. 
 
Em uma das parcelas marcadas, o grupo medirá as seguintes variáveis: 
- PAP (perímetro à altura do peito = 1,3 m do chão) de todas as árvores a partir de 10cm; 
- cobertura do dossel 
Cobertura = NC / TC, onde, NC = número