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Direito adquirido – Wikipédia  a enciclopédia livre

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gêneros variados nas sociedades humanas antigas organizadas em civilizações, precisamente pelo fato de serem
elas organizadas, vale dizer comportarem-se, de modo integrado e interdependente, à semelhança de um
organismo — e aqui se toma empréstimo semântico-cultural às ciências biológicas. Naturalmente, desde que
não se tivesse concebido e instaurado uma democracia, as organizações político-sociais antigas, na maior parte
em todos os sentidos, privilegiavam as classes detentoras do poder, costumeiramente a cúpula diretiva
(imperadores e sacerdotes). Na atualidade, a despeito da evolução e do progresso havidos desde então, a
situação ainda guarda ranços daquela estrutura antiga.
Pouco se dispõe em termos de informações suficientemente detalhadas a respeito do chamado período pré-
histórico. Embora se considere que a história da humanidade tenha começado com o advento da escrita, até
mesmo tal consideração padece de questionamento, pois as pinturas rupestres e outros registros e mesmo os
demais vestígios da chamada pré-história, num sentido amplo perfeitamente razoável, podem ser considerados
formas amplas de escrita, a merecerem, certamente, adequadas decifração e leitura, conseqüentemente, de
conhecimento cultural atinente.
Na antiguidade histórica ocidental e médio-oriental, entre os egípcios (3200AC – 525AC), sumérios e acádios
(2800AC – 2000AC), os babilônios (1800AC – 539AC), assírios (1875AC – 612AC), persas (539AC –
331AC), hebreus (1800AC – 100AC), cretenses, fenícios e hititas (3200AC – 1400AC), ainda que com as
feições híbridas político-religiosas como era usual, resguardavam-se os direitos adquiridos, tanto mais quanto
mais elevada, em relação ao poder, estivesse o beneficiário. Com efeito, para os detentores do poder per se,
nem havia que se falar em resguardar ou tutelar de qualquer forma os direitos: eles defluiam naturalmente da
condição superior ostentada. Quanto ao povo, realmente se pode falar em resguardo, tutela — ou não — de
tais direitos. E isso, naturalmente, era incipiente e frágil. Não se deve deixar de mencionar as civilizações e
culturas do extremo oriente. Assim, os chineses (3000AC – 210AC), os indianos (2500AC – 300AC) e os
japoneses (2700AC – 200AC) apresentaram notáveis contribuições ao patrimônio cultural da humanidade
como um todo. Lá, como cá, o jogo do poder dava o tom. Isso, com efeito, tem sido um traço característico
da jornada humana em toda a sua existência. Há, contudo, certas diferenças e especificidades muito acentuadas
entre os dois pólos, tais que perpassam os domínios amplos do Direito e da Moral. Isso é mais bem entendido
à luz da Antropologia Cultural Comparada, que foge ao escopo deste trabalho.
Foi na Grécia antiga (2000AC – 100AC) que os primeiros passos para a construção democrática ocorreram.
Realmente, com Clístenes, o reformador, tal ideal foi aprimorado: direitos políticos para todos os cidadãos,
participação representativa dos cidadãos no governo, por decisão em assembléias etc.. Já havia uma
configuração tripartite no governo: o legislativo, o executivo e o judicativo. É, então, na Grécia, sobretudo, com
o advento daquela reforma, que se passam a resguardar e tutelar mais os direitos dos cidadãos, assim também
os chamados direitos adquiridos.
O advento da civilização romana (750AC – 470DC) é que, através da absorção cultural aos vencidos,
notadamente aos Gregos, produziu uma como que estrutura cultural-institucional poderosa a tal ponto que
lançou as bases para os tempos seguintes, até os dias atuais. Lá, a despeito das oscilações a que todas as
nações estão sujeitas, consolidaram-se as práxis de cidadania, de direito, de democracia e de república. A
atualidade é-lhe tributária, não apenas pelo legado do Corpus Iuris Civilis, mas de toda a moderna concepção
essencial da práxis jurídica, como é hoje conhecida. Também lá, naturalmente, resguardados os interesses
maiores dos detentores do poder, havia uma base legal e uma prática regrada destinados a assegurar a
prestação jurisdicional. Os princípios clássicos de Ulpiano para o Direito (honeste vivere: viver honestamente;
neminem laedere: a ninguém prejudicar; suum cuique tribuere: dar a cada um o que a este pertence)
afiguram-se, de tão irrefutáveis, óbvios. Contudo, essa obviedade costuma trazer transtornos, como, de resto,
traz a tudo aquilo que é examinado superficialmente, eis que se não lhe conheçam os desígnios profundos.
A idade média ocidental (470AC – 1450DC) denuncia a mescla cultural havida da hegemonia exercida pela
Igreja Católica Apostólica Romana sobre tudo mais. O direito comum, como, de resto, todas as decisões e os
escassos direitos cidadãos tutelados, era influenciado pelo direito eclesiástico.
A idade moderna (1450 – 1750), surgida do renascimento científico-cultural, tributária de vários pensadores de
renome, começa a dar a feição em bases metodológicas científicas, como hoje conhecidas, segundo o
paradigma do racionalismo bacon-cartesiano. A Revolução Francesa (1789 – 1799), apesar de controvertida,
e de ser ela mesma tributária da Revolução Estadunidense (1776 – 1783), classicamente consagrou o respeito
aos e a busca dos ideais de "igualdade, liberdade e fraternidade".
A idade contemporânea (1750 – atualidade) é o cenário do que se examina presentemente. Dotada de enorme
diversidade de correntes e escolas e tendências, padece, todavia, do ferimento essencial, posto que
idiossincrásico, que caracteriza o direito adquirido, objeto presente. Há de ficar suficientemente claro que por
ferimento tem-se em mente o dano causado à primazia do individual justo sobre o individual injusto, a do social
sobre o individual, a da justiça sobre a injustiça.
Na ordem jurídica brasileira, desde a Constituição de 1934 os direitos adquiridos vêm assegurados em nível
constitucional. Omitidos na Carta de 1937, restaurados na de 1946, eles perduram até hoje. Daí o constituinte
de 1988 ter enunciado que "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada"
(art.5º, XXXVI/CF). Optou, claramente, pela doutrina subjetivista da escola italiana, preconizada por Carlo
Francesco Gabba [(1835 – 1920) jurista italiano renomado, referência em Direito Adquirido], do mesmo modo
que Lei de Introdução ao Código Civil de 1942 (art.6º, § 2º). Segundo Gabba (Teoria della retroatività delle
leggi, 1891, 1897 e 1898), é adquirido o direito conseqüente a fato idôneo a produzi-lo, em virtude da lei do
tempo no qual o fato foi consumado, embora a ocasião de fazê-lo valer não se tenha dado antes da atuação de
uma lei nova sobre o mesmo direito, e que nos termos da lei sob cujo império se entabulou o fato do qual se
origina, entrou imediatamente a fazer parte do patrimônio de quem o adquiriu.
Direito Adquirido no Direito Público
O direito adquirido é tema de teoria geral do direito, especificamente do direito intertemporal, e tem crescido
de importância no direito público, em especial no direito administrativo. Autores brasileiros discutem o tema
abstratamente (Celso Antônio Bandeira de Mello, José Eduardo Martins Cardozo, Hugo de Brito Machado,
Elival da Silva Ramos )ou de forma aplicada (Fábio Mauro de Medeiros, Maria Garcia, Zélio Furtado da
Silva).
[1]
Referências
1. ↑ *RAMOS, Elival da Silva. A proteção aos direitos adquiridos no direito constitucional brasileiro. São Paulo:
Saraiva, 2003.
Bibliografia
PONTES FILHO, Valmir. Direito Adquirido ao Regime de Aposentadoria. O Princípio da
Segurança das Relações Jurídicas, O Direito Adquirido e a Expectativa de Direito
(http://www.direitodoestado.com/revista/RERE-6-SETEMBRO-2006-
VALMIR%20PONTES%20FILHO.pdf)
SILVEIRA, Cláudia Maria Toledo da. Direito adquirido como cláusula intangível no estado
democrático de direito.
Bibliografia
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. O direito adquirido e o direito administrativo. Revista
Trimestral de Direito Público, n. 24, p. 54-62, 1998.
CARDOZO, José Eduardo Martins. Da retroatividade da lei. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.
ESPÍNOLA, Eduardo; ESPÍNOLA FILHO,

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