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Resumos PASS 3° período Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS–aula 1 Lara Canato Micheletto – TXX 01 ↳ importante ao falar com pacientes, anotar em prontuários, etc ↳ só não transformo a palavra em termos médicos quando não souber a palavra, ou colocar entre aspas a palavra que o paciente falou • vertigem: a pessoa ou o ambiente gira • tontura: desequilíbrio • cefaleia: dor de cabeça, tem regiões, pode ser frontal, occipital, se for a cabeça inteira será cefaleia holocraniana • diplopia: visão dupla, ao colocar um lápis o paciente enxerga dois • hipoacusia: ouve pouco, hipo de pouco • anacusia: não escuta nada, é surdez • otalgia: dor de ouvido, oto de ouvido e algia de dor • epistaxe: sangramento nasal • anosmia: perda do sentido do olfato • dispneia: sensação subjetiva de falta de ar (sintoma), se for sinal e vc puder ver com o paciente com alta frequência respiratória é taquipneia • ortopneia: falta de ar em decúbito dorsal • hemoptise: saída de sangue pela boca do sangue proveniente do trato respiratório, vem depois da tosse e o sangue é vermelho vivo • anorexia: falta de apetite • taquifagia: comer rápido • disfagia: dificuldade de comer, deglutição ruim • odinofagia: dor para engolir • dispepsia: dificuldade na digestão • regurgitação: volta do alimento para boca mas sem vomitar (expelir) e pode ser so suco gástrico • pirose: queimação retroexternal, queimação no meio do peito • hematemese: saída de sangue proveniente do aparelho digestivo, sangue mais escuro e vem depois do vômito • sialorreia: excesso de saliva • sialosquiese: diminuição da saliva • xerostomia: boca seca, sem saliva • constipação intestinal: diminuição do habito de evacuar • diarreia: fezes amolecidas • desenteria: fezes aquosas, mas com muco e sangue • melena: fezes enegrecidas (tipo borra de café) • enterorragia: sangue nas fezes • hemorroida: sangue que pinga no vaso após evacuar costuma ser hemorroida • menarca: primeira menstruação • amenorreia: parada de menstruar, mas ainda tem ciclos menstruais regulares, por ex qdo a mulher ta gravida • menopausa: parada definitiva das menstruações • disúria: dor para urinar • micturia: começo a urinar mais de noite do que durante o dia • oliguria: urinando pouco • poliúria: aumento do volume de urinar • anuria: parada de urinar • polaciúria: aumento da freq. Urinaria sem aumentar o volume • hiperemia: vermelhidão • sudorese: suor excessivo • mialgia: dor muscular • edema: inchaço causado por excesso de líquido retido nos tecidos do corpo. • anasarca: inchaço geral por todo o corpo Termos médicos Cabeça Olhos Ouvido Nariz Aparelho respiratório Aparelho digestivo Aparelho genitutário Outros Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 2 Caracteres Propedêuticos ↳ Dor: localização; intensidade; tipo; localizada ou irradiada; fatores de melhora e de piora (em que momentos ela aparece); frequência e tempo de duração; intensidade (fraca, média ou forte); sintoma/fenômeno que acompanha a dor (sudorese, náusea...) ↳ Febre: aferida ou não; melhora ou não com medicamento; horário; abrupta ou gradativa. ↳ Dispneia (grandes, médios ou pequenos) esforços; com ortopneia e/ou dispneia paroxística noturna (sintomas correlacionados). ↳ Tosse: com secreção, se sim que cor, ou seca; com hemoptise, em crise ou continua; quais horários são mais frequentes ↳ Edema: bilateral ou só em um membro; de manhã ou à noite. ↳ Vômito: quantidade; horários; com restos alimentares ou não; melhorou com medicação. Sinais vitais Pressão Arterial • Pulso• Freqüência Respiratória • Temperatura • Ectoscopia ↳ é a visão geral que eu tenho do paciente, antes de partir pro exame físico • Estado Geral maneira como eu vejo o paciente, – pode ser bom, regular ou péssimo • Fácies atípica, down, depressiva, hipertireoidismo, – cushing (face de lua cheia, mais gordinha), paciente parece ansioso, com medo • Atitude no leito atitude ativa (pessoa levanta sozinha, – não precisa de ajuda para se movimentar) e atitude passiva (pessoa precisa de ajuda para se movimentar) • Grau de consciência consciente ou inconsciente – • Grau de orientação ( tempo e espaço ) - orientado • Febre temp normal 36° - afebril ou febril– ↳ A intensidade de cada um é demonstrada por cruzes (1 até 4), variando de paciente para paciente: • Mucosas – avisar o paciente antes de mexer nessa parte, saber se está corado ou não, as mucosas podem estar normocoradas (vermelhinhas, estou satisfeito) ou hipocoradas (se está muito branco ou pouco, classificar +/4 ou ++/4, +++/4 quanto mais cruzes, mais – hipocorado, mucosa mais branca) • Icterícia está ictérico ou inictérico (mesmo sistema de– clasisficação da mucosa em relação às mucosas - +/4 , + +/4 Lara Canato Micheletto TXX 01– • Cianose acianótico ou cianótico– • Hidratação hidratado ou desidratado (também usa a – classificação 4/+ Anamnese ↳ Anamnese do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu doente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença, ou uma resposta humana aos processos vitais. Identificação do paciente e sua importância Nome: Antônio Carlos da Silva Sexo: Masculino - algumas doenças estão ligadas ao sexo Idade: 50 anos - doenças relacionadas à idade, por ex: dificilmente um adolescente será suspeita de neoplasia Estado Civil: casado relação com IST (infecção– sexualmente transmissível) Raça: branca - algumas doenças têm maior incidência em determinadas raças. Na negra,é a anemia falciforme, a amarela são problemas gástricos Profissão: pedreiro pode facilitar o diagnóstico e– também a relação médico-paciente Naturalidade: Foz do Iguaçu Residência: Cascavel Procedência (onde a pessoa estava nos últimos 15 a 30 dias): Cascavel - determinados locais apresentam a predominância de algumas doenças Religião: católico - algumas religiões não permitem determinados procedimentos Escolaridade: 1º G completo para saber como o medico– deve se comunicar Fonte da Anamnese: (quem está falando, fazendo as queixas): próprio paciente Data: 28/02/2012 1. Antecedentes • Pessoais - perguntar ao paciente se ele fuma, se já foi submetido a alguma cirurgia, se possui alguma alergia, se já sofreu fraturas, se teve algum tipo de doença na infância, se sofre com algum tipo de patologia (hipertensão, diabetes, depressão ). … • Familiares - perguntar se algum familiar possui/possuía algum tipo de doença/patologia. 2. Fonte, data, queixa e história • Fonte - quem relatou a identificação do paciente? Foi ele mesmo ou alguém fez isso (mãe, filha)? • Data - importante para se ter uma linha temporal do paciente. • Queixa principal e duração (QPD) - relato principal do paciente. Deve ser curto, simples e direto. Deve ser descrito entre aspas ou utilizando (SIC) após a queixa. − Exemplo: “tosse a 10 dias” ou tosse a 10 dias (SIC). Lara C. Micheletto - TXX 01 • História da doença atual (HDA) - a história que o paciente conta serve para identificar qual sistema está danificado; as perguntas seguintes devem ser direcionadas conforme a história. Exemplo: dor na barriga a 10 dias - − qual o sistema pode estar comprometido? digestivo; portanto, as perguntas do médico serão direcionadas a esse sistema. Ao terminar o HDA, é interessante que o− médico passe por uma revisão de sistemas junto ao paciente. Assim, não restarão dúvidas e pendências. 3. Revisão de sistemas • Cabeça - cefaléia, tontura, vertigem. • Olhos - diminuição da acuidade visual, dor, vermelhidão, ardência, secreção, diplopia. • Ouvidos - diminuição da acuidade auditiva, zumbidos, secreção, dor. • Nariz - hemorragia, secreção, dor, congestão. • Aparelho respiratório - dispneia,suscetibilidade a resfriados, tosse, expectoração (dor, aspecto, quantidade e cheiro), hemoptise, suor noturno, dor ventilatória dependente. • Aparelho cardiovascular - dispnéia, palpitação, dor precordial (irradiação), comportamento em relação com exercício, edema maleolar, sensação de batimentos no pescoço, síncope. • Aparelho digestório - apetite, mastigação, deglutição, dispneia, eructação, regurgitação, pirose, dor, náusea, vômito, sialorréia, funcionamento intestinal, eliminação de parasitos, hematêmese, melena, hemorróidas, icterícia. • Aparelho geniturinário -menarca, menstruação (regularidade, dor, duração), menopausa (gradual ou súbita, se teve complicações), vida sexual, corrimento (quantidade, duração, cor, cheiro, consistência), gravidez (pré-natal, aborto), micção (incontinência, disúria, nictúria, oliguria, polaciúria, hematúria, retenção urinária, doenças venéreas). • Sistema nervoso - paralisias, convulsões, síncope, perda de consciência, tremores, movimentos involuntário,s dor. • Sistema osteomuscular - dor muscular, rigidez, sinais de inflamação, calor, rubor. • Sistema hemolinfopoiético - transfusões, anemia, petéquias, manchas roxas, linfonodos aumentados, dor. • Sistema psiquiátrico - tentativa de suicídio, uso de drogas, uso de álcool, tristeza, angústia, insônia, ansiedade. Histórias finais • História pregressa - doenças da infância, adolescência, vida adulta, alergias, asma, rinite, eczema, urticária, dermatite de contato, alergia (bacteriana, medicamentosa, alimentar), emagrecimento, cirurgias, traumatismos, hábitos (sono, exercício, café, fumo, álcool, medicamentos). • História familiar - saúde dos familiares. Se mortos, atentar à causa e à idade. • História psicossocial - história social, ocupação, situação econômica, arrimo de família, relação do lar com a doença, educação, fatores emocionais, tratamento médico anterior a doença atual. 4. Propedêutica da dor • Tipo - cólica, queimação, pontada. • Intensidade - fraca, moderada, forte. • Tempo de duração. • Irradiação • Melhora/piora - caso se deite, coma, durma … • Local. - onde é a dor • Comentários - “eu tava com tanta dor que suei frio” Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 3 O método clínico centrado na pessoa ↳ O Método propõe um conjunto claro de orientações para que o profissional de saúde seja apto a realizar uma abordagem mais centrada na pessoa. É composto por 6 componentes, que se complementam O profissional experiente é capaz de perceber o momento adequado para usar cada um deles, de acordo com o fluir da sua interação com a pessoa que procura atendimento. Os componentes propostos por Stewart e colaboradores são: 1) Explorando a doença e a experiência da pessoa com a doença: Avaliando a história, exame físico, exames • complementares; Avaliando a dimensão da doença: sentimentos, • ideias, efeitos sobre a funcionalidade e expectativas da pessoa. Doença x adoecimento ↳ O paciente pode ter uma doença, mas não estar adoecido. ↳ O paciente pode não ter uma doença, mas estar adoecido. ↳ O paciente pode ter uma doença e estar adoecido ou não ter doença e não estar adoecido. 2) Entendendo a pessoa como um todo, inteira: A pessoa: Sua história de vida, aspectos pessoais e• de desenvolvimento; Contexto próximo: Sua família, comunidade, • emprego, suporte social; Contexto distante: Sua comunidade, cultura, • ecossistema. 3) Elaborando um projeto comum de manejo: Avaliando quais os problemas e prioridades;• Estabelecendo os objetivos do tratamento e do • manejo; Avaliando e estabelecendo os papéis da pessoa e • do profissional de saúde 4) Incorporando a prevenção e a promoção de saúde: Melhorias de saúde;• Evitando ou reduzindo riscos;• Identificando precocemente os riscos ou doenças;• Reduzindo complicações.• Prevenção primária: evitar o risco, como: peso, tabagismo e atividade física Prevenção secundária: reduzir risco, controlar doenças que já existem. Prevenção terciária: evitar a complicação da doença. Prevenção quaternária: “prevenção contra o médico”. Prevenir uma atitude médica possa causar riscos ao paciente. Até que ponto a prevenção é saudável. 5) Fortalecendo a relação médico-pessoa: Exercendo a compaixão;• A relação de poder;• A cura (efeito terapêutico da relação);• O autoconhecimento;• A transferência e contra-transferência.• 6) Sendo realista: Tempo e timing;• Construindo e trabalhando em equipe;• Usando adequadamente os recursos disponíveis.• Conclusão A evolução da capacidade tecnológica para ↳ realizar diagnósticos não acarreta necessariamente na satisfação dos pacientes com o atendimento, aliás, usualmente acontece o oposto. Os profissionais em geral estão mais preocupados↳ com as doenças, enquanto que os pacientes estão preocupados com seu sofrimento e dor Quanto mais tecnologia, mais afastamento da ↳ experiência da pessoa com a doença e, sobretudo, da avaliação das queixas sem uma correspondência física mensurável. Desse contexto, e do desejo das pessoas de ↳ serem compreendidas de forma mais integral, surgiu a abordagem centrada na pessoa, para ajudar os profissionais da saúde a entender as pessoas de uma forma que fosse além dos aspectos estritamente orgânicos e sim olhar para o indivíduo como um ser humano Lara C. Micheletto - TXX 01 O Método Clínico Centrado na Pessoa pretende ↳ sistematizar uma forma de atendimento que privilegie a compreensão da pessoa de forma inteira, melhorando os resultados e a satisfação de todos. A sua aplicação depende de uma forma de atuar ↳ sistemática e reflexiva, e não como uma sequência rígida pré-estabelecida. Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 4 Tabagismo ↳ as pessoas não deixam de fumar porque relaxam, para se distrair, acham que parar de fumar é muito difícil e nem tentam Quais fumantes devem ser abordados? - todos os fumantes Durante a abordagem não é importante - informar sobre os malefícios do tabagismo É importante - saber o momento do paciente, ver se está preparado parar de fumar - falar sobre todos os tipos de tratamento - falar sobre as dificuldades em parar Componentes da dependência da nicotina - físico: estou nervoso, to estressado , vou fumar, isso é desencadeado por algumas situações - psicológico: “estou triste vou fumar”, é uma dependência na qual o paciente usa em situações de tristeza, mal estar, quando está se sentindo solitário, etc - condicionamental: após refeições, assistir Tv, dirigir, está presente na rotina e em determinadas situações que eu faço, o gatilho que me leva Programa nacional de controle do tabagismo - prevenir a iniciação no consumo de derivados do tabaco entre crianças e adolescentes - estimular o abandono do fumo entre os já dependentes do cigarro - proteção no tabagismo passivo Abordagem para cessação do tabagismo *** a pessoa precisa QUERER e fazer a parte dela - abordagem cognitivo comportamental: é realizado com reuniões de grupo, como alcoólatras anônimos - tratamento medicamentoso: realizar o uso de medicamentos Programa de apoio ao fumante - primeiro dia faz entrevista inicial -. preenchimento de questionário, onde é realizada o teste de dependência química e falam qual é o seu intuito - encontros realizados 1 vez por semana - encontros com duração de uma hora - monitorização dos que param de fumar por um ano Lara Canato Micheletto TXX 01– Como ocorre? - apresentação - falar dos riscos do tabagismo à saúde - benefícios para quem deixa de fumar - atividade física - determinar um dia “D”: uma data para que o paciente pare de fumar, é escolhida em torno de 15 dias depois da conversa com o paciente - monitorar hábitos de vida - elabora-se um plano de ação - auto recompensa - identifica-se medos e barreiras - identifica-se gatilhos e situações difíceis - tenta-se aumentar a auto estima - preparação: alguns dias antes, um dia antes e o dia “D” - hoje é o dia “D”: é um dia especial, haverá mudanças na sua rotina APÓS 1 SEMANASEM FUMAR: - identificar situações potenciais de recaídas - incentivar - melhorar auto estima - parabenizar os que conseguiram durante a semana - identificar os que recaíram e marcar um novo dia “D” Programa de apoio ao ex- fumante: - monitorização telefônica uma vez por mês Tratamento medicamentoso: - “não existe medicamento para parar de fumar se o fumante não quer - avaliação do grau de dependência a nicotina: teste de Fagerstrom Lara C. Micheletto - TXX 01 Medicamentos - TRN (terapia de reposição de nicotina) 12 semanas: – adesivos transdérmicos, goma de mascar, spray nasal e pastilhas (inalador bucal só fora) - só é dado medicamentos para quem o resultado do teste der maior que 5 Terapia de reposição de nicotina - age preenchendo os receptores nicotínicos situados no SNC - grau de independência superior a 5 - fornece ao ex fumante a nicotina que ele obtinha dos cigarros, mas sem expor o paciente a substâncias tóxicas BUPROPIONA - é um anti depressivo - atua no bloqueio da recaptação neuronal da dopamina, noradrenalina e da serotonina de forma expressiva no núcleo accumbens - tomar cuidado com essa medicação para pacientes com euforia - antidepressivo mas também é aprovado para cessação de tabagismo - contra indicação: epilepsia, tumor do SNC, traumatismo craniano VARENICLINA - Champix - a nicotina é absorvida quando o indivíduo fuma o cigarro, se liga a receptores colinérgicos, contudo esse remédio se liga a esses receptores e faz liberar as substâncias do prazer mas de uma forma gradual - não passar esse medicamento para pacientes que já tiveram pensamentos suicidas Convenção “quadro” - brasil foi o centésimo país a assinar - reação do mundo em relação ao tabagismo - atividades alternativas para o culto do fumo - governo subsidia para o pequeno produtor rural que planta fumo para que ele plante outra coisa Brasil - maior produtor de fumo no mundo - segundo maior exportador de fumo no mundo - líder em campanhas antitabagismo - dia internacional de combate ao fumo: 31 de maio - dia nacional de combate ao fumo: 29 de agosto Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 5 Conceito de família e ciclos de vida C onceitos: “↳ a família é o lugar onde as mentes entram em contato entre si” ↳ é o lugar do reconhecimento da diferença, cujos membros pertencem a um mesmo contexto social e dele compartilham ↳ é ser um grupo de pessoas que convivem,tem laços intensos de proximidade e compartilham o sentimento de idade e pertencimento que influenciarão, de alguma forma, em suas vida Tipos de família ↳ família nuclear: uma geração de família, um homem, uma mulher que se juntaram e tiveram filhos ↳ família extensiva: família nuclear, mas aí também estão presentes avós, netos, sobrinhos, etc ↳ família unitária: formada por uma pessoa só, regras e dinâmica do lar vão ser diferentes ↳ família monoparental: formada só pelo pai ou só pela mãe junto dos filhos ↳ família reconstituída: família se refez com a adição de novos integrantes, ex: madrasta, padrasto, enteado, enteada, etc, duas famílias separadas que se juntaram ↳ família institucional: pessoas que tem uma relação direta entre elas, mas o papel de pai e mão, etc é feito por uma instituição, quem gera e quem cuida é uma instituição, ex: asilos ↳ família homossexual: formada por casais homossexuais, com filhos ou não, de origem biológica ou adotados Lara Canato Micheletto TXX 01– k Aspectos da estrutura da família família tem aspectos na sua estrutura que indicam↳ como ela vai funcionar: ↳ vínculos relacionais: relacionamento entre os membros da família de forma a caracterizá-los ↳ território: na estrutura das famílias existe um território, que é o local onde a pessoa possa se diferenciar dentro daquela família, e se eu não tiver fronteiras o filho vai invadir a função do pai, o pai vai querer virar filho, e isso gera processo de doença, pois interfere na estrutura, uma vez que gera conflitos ↳ limite: tem a ver com o território, mas principalmente se relaciona com regras, precisam ser claros, mas não muito rígido para não gerar conflitos ↳ relações: as vezes são muito intensas, mas são distantes ex: pais separados, onde o filho que nunca vê o pai vai passar um final de semana na casa dele. Os relacionamentos se muito intensos podem gerar conflitos também, fazendo com que os filhos percam a individualidade e sua essência, uma vez que não tiveram espaço para desenvolver isso. O ideal é a relação estar em equilíbrio Subsistemas familiares ↳ conjugal: é o casal, que negocia, organiza as bases da convivência e mantém uma atitude de reciprocidade interna e uma relação com outros sistemas (trabalho, serviço de saúde amigos, religião) ↳ parental: constituído pelas mesmas pessoas que compõem um casal ou pessoas que desempenham o papel de pais mediante filhos, sejam biológicos ou adotivos, esse sistema é chamado de executivo, uma vez que deve promover socialização, proteção, afeto, etc Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ filial: formado pelos filhos e pode ser subdividido de acordo com características específicas, como sexo, idade, relação com irmãos, etc Dinâmica familiar a estrutura das relações familiares se manifesta e↳ se mantém através da comunicação e dos papéis, normas e regras estabelecidos dentro do sistema 1 – comunicação é importante para estabelecer– boas relações 2 – papeis o que a mãe faz, o que o pai faz, o– que o filho faz, estabelece os deveres de cada um 3 – regras ou normas o que cada um pode e não– pode fazer 4 – padrões de comportamento – a maneira como os integrantes da família se comportam mudam a dinâmica da família, se os pais forem seguros a chance das crianças crescerem mais seguras é mais fácil, já onde existe comportamento abusivo as crianças talvez não respeitem as autoridades dos pais, etc 5 – relações triangulares tipo de relacionamento– particular onde eu tenho por exemplo relacionamento entre pai e mãe onde já estavam adaptados na vida de casal e aí nasce um filho, mas a pessoa fica na de ser mãe e esposa, fica transitando no triangulo onde a intensidade varia e sempre há prejuízo para um 6 – coesão/diferenciação a questão do limite, dar– espaço para as pessoas socializarem Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 6 Ciclos de vida familiar É o processo evolutivo que cumpre a família no↳ curso dos anos através da passagem de uma fase a outra da vida. São consideradas etapas previsíveis as situações↳ esperadas no desenvolvimento da vida familiar Já as etapas imprevisíveis são os fatos inesperados↳ que alteram o tempo e as funções da família, de forma a modificar seu ciclo vital (podemos citar como exemplos morte precoce, gestação na adolescência, etc.). As distintas etapas do ciclo de vida familiar são↳ marcadas por eventos particularmente significativos como os nascimentos e as mortes, as separações e as uniões, as inclusões e as exclusões dos membros das famílias, portanto, eventos que se referem às mudanças estruturais da família. As diferentes etapas do ciclo da vida exigem da↳ família uma série de ajustamentos para que esta possa cumprir sua função e permitir que seus membros cresçam livres e autônomos. Quando uma família não consegue realizar esses↳ ajustes e bloqueia uma etapa do ciclo vital, interrompendo a evolução, podem surgir problemas e perturbações, expressões de uma disfunção momentânea dentro da família, que não é capaz de enfrentar este evento. A família brasileira de classe média possui↳ similaridades estruturais e de funcionamento baseadas em princípios e expectativas da família de classe média norte-americana e obedece aos mesmos estágios do ciclo de vida, o que não pode ser transposto para a classe popular, a qual necessita de comentários específicos, já que possui uma diminuição, de seis, para três ou quatro estágios em seu ciclo.Estágios do ciclo de vida familiar de classe média 1- Saindo de casa: jovens solteiros 2- A união familiar através do casamento: o novo casal 3- Famílias com filhos pequenos 4- Famílias com adolescentes 5- Lançando os filhos e seguindo em frente 6- Famílias no estágio tardio da vida Estágios do Ciclo de Vida Familiar de Classe Popular: 1- Família Composta por Jovem-Adulto 2- Família com Filhos Pequenos 3- Família no Estágio Tardio Lara C. Micheletto - TXX 01 1. ADULTO-JOVEM As fronteiras entre a adolescência e a idade adulta jovem são confusas. Os adolescentes são responsáveis por si mesmos e utilizados como fonte de renda a partir dos 10 -11 anos de idade; 2. FAMILIA COM FILHOS PEQUENOS Começa sem que ocorra o casamento, mas com a geração de filhos e a busca por formar um sistema conjugal, assumir papeis paternos e realinhamento dos relacionamentos com a família. 3. FAMILIA NO ESTAGIO TARDIO Ocorre com frequência uma formação familiar com três ou quatro gerações. Sendo assim, há pouca possibilidade de haver “ninho vazio”, e muitas vezes, a base de sustentação familiar depende da aposentadoria de um dos avos, em geral a avó, que persiste com responsabilidades sobre a sobrevivência de todos. Ciclos de vida A utilidade do modelo de ciclo vital consiste na possibilidade, por parte do observador, de identificar a fase na qual se encontra a família em dado momento, propondo ajuda neste período crítico e, através da continuidade, observar a mudança e a reorganização na passagem de uma fase à outra. Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara Canato Micheletto TXX 01– PASS – aula 7 Abordagem familiar O QUE É? ↳ “É uma abordagem emocionalmente refletida e cientificamente adequada ao contexto social e familiar, respeitando as concepções, crenças e valores pessoais da família abordada. ↳ Para tanto, é preciso saber ouvir, explorar o entendimento visando potencializar os recursos familiares para promoção da saúde [...] ↳ Além disto realizar avaliações e intervenções familiares refletidas na história e contexto familiar.” OBJETIVOS ↳ Entender a família, sua estrutura, desenvolvimento, funcionamento e recursos para facilitar medidas de promoção da saúde e de prevenção de adoecimentos e, ainda, para auxiliar as famílias nas suas necessidades de comunicação; ↳ A prevenção deve incidir, não apenas nas famílias que são diretamente alvo de cuidados, mas também nas que se constituirão no futuro. GENERALIDADES ↳A prática do MFC envolve uma parceria entre o médico, a pessoa e família ↳ Os problemas clínicos e emocionais podem ser tratados com uma abordagem individual, centrada na pessoa, como uma dor de garganta na qual você resolve com uma abordagem individual ↳ ...mas alguns vão alcançar maior benefício com a abordagem familiar, estando a família presente ou não na consulta. ↳ A resistência ao convite de trazer a família ocorre com certa frequência, pois essa forma de abordagem, ainda parece inusitada ↳ É importante envolver a família nos cuidados com a saúde o mais cedo possível; ↳ Especialmente importante para doenças crônicas, puericultura, pré-natal, saúde mental e má adesão ao tratamento. como usar no pré natal? Preparar o casal para ↳ relações triangulares, aceitação do novo membro dentro da casa, não olhar somente a barriga, mas também para as relações daquela família, o pré natal Pode estar perfeito, mas mesmo assim as vezes ↳ é necessário chamar a família para falar de outros assuntos Na puericultura pode se perguntar se o casal vai ↳ ter outro filho, se a vó e o vô podem apoiar a mãe na hora do trabalho, falar sobre introdução alimentar do bebê Vários problemas mentais surgem da disfunção ↳ das famílias A abordagem familiar pode ser usada por ↳ qualquer médico independente da especialidade. Ex: doenças crônicas, alguém da família com asma e precisa usar bombinha e o médico vê que lele não usa, então o médico pode fazer uma abordagem familiar para ver o que está acontecendo Uma pessoa doente em casa pode adoecer uma ↳ família inteira, as vezes o paciente só melhora com o apoio da família ↳ Algumas atitudes ajudam na maior aceitação da abordagem em família: Respeitar as regras da família; ex: atendimento de • família adventista e tem o dia que eles precisam fazer jejum e não saem de casa, não adianta marcar consulta para esse dia Perceber o funcionamento e respeitar a hierarquia• da organização familiar; Ex: família de pais rígidos, não da para o médico passar sob a autoridade da pessoa centralizadora Facilitar a comunicação dentro da família; se a • comunicação for melhor as pessoas vão se sentir mais acolhidas e o ambiente vai ser mais pacífico Evitar lateralizar com um membro da família; Ex: • se eu atendo um caso e vejo que precisa de abordagem familiar, mas eu já conheço o paciente e tenho vínculo, mas isso é ruim pois assim pode ocorrer uma preferência em dar mais atenção ao paciente do que para a família, é preciso equalizar a abordagem Adaptar a comunicação ao estilo da família usar • – vocabulário adequado Auxiliar a família na busca de suas próprias • soluções, a família vai se sentir autônoma, ajudando na melhor aceitação ↳ Para vencer a resistência é importante não aceitar a primeira negativa, esclarecer os benefícios, desmistificar os medos e preconceitos; Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara Canato Micheletto TXX 01– ↳ O paciente e o médico devem decidir juntos quem deve comparecer a consulta; ↳ O único caso em que há contraindicação em convidar a família e realizar a consulta em conjunto é quando existir o risco de violência direta a alguém: ao paciente, a algum dos membros da família, ou a equipe de saúde. ABORDAGEM FAMILIAR NÃO É IGUAL TERAPIA DE FAMÍLIA! o médico é um facilitador, não significa que ele vai↳ resolver o problema ↳ A entrevista com a família pode-se dividir, esquematicamente em 4 etapas: Apresentação/Associação/Aproximação é • – preciso de maior aproximação para fazer alguns questionamentos específicos Entendimento da Situação/Avaliação pensar • – sobre a situação Educação em Saúde/Discussão falar sobre • – atitudes que a família poderia tomar, o que elas podem fazer Plano terapêutico/Facilitação ajuda essa família a • – criar um plano terapêutico e fazer a condução desse plano nos próximos encontros Caso clínico Dona Neusa, 55 anos, queixas frequentes de dores de cabeça associadas a ansiedade generalizada. Está preocupada devido ao histórico de neoplasia do sistema nervoso central da mãe. Paciente diz que o marido acredita que tais sintomas são “frescura da dono Neusa”. - Bom dia Neusa! E bom dia senhor...? - Bom dia doutor! Esse é o João, o meu marido. - Que bom, dona Neusa, que convidou e trouxe seu marido à consulta! - Obrigado, seu João, por ter vindo! (doutor está fazendo aproximação) - Não há de que doutor, o problema é só o horário de trabalho...mas hoje deu para eu vir...Mas o que aconteceu? - Com que o senhor trabalha? - Sou representante comercial. (aproximação e quebrando o gelo, mostrando interesse pela vida da família) - Não aconteceu nada de grave. - É sempre bom poder entender melhor como as famílias que atendemos funcionam. - Tenho tido algumas dificuldades em ajudar a dona Neusa com as dores de cabeça, e talvez, você possa me ajudar... - O quê você acredita estar acontecendo? (ouvir e avaliar) - Ah! É isso doutor? Eu já disse para ela deixar de besteira. Eu já notei...Toda vez que eu tenho que viajar a trabalho e anuncio a viagem ela passa mal! Aí vem com uma historia que vai morrer, que está sozinha em casa e ninguém vai acudi-la! Vai morrer nada...tá forte, doutor! - O que você acha dona Neusa? Tem se sentido sozinha? (paciente base era a dona Neusa mas o médico foi nele primeiro para não acontecer lateralização) - Tenho sim...tenho ficado muito tempo sozinha e como lhe falei antes, doutor...Aí acho que sobram as lembranças da minha mãe que morreu de câncer na cabeça...- Como vocês acreditam que poderiam melhorar essa situação? Conversem agora sobre isso. - Mas Neusa, quantas vezes eu já e falei que tu precisas arranjar alguma coisa para fazer fora de casa? - E tu pensas que é fácil? Se eu tivesse o segundo grau... - E por que tu não faz? Volta a estudar... Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara Canato Micheletto TXX 01– - Tu nunca tinha dito isso antes… (nunca houve boa comunicação nessa família, uma vez que moram há 30 anos juntos e não houve esse diálogo) - Estou vendo que vocês conseguiram achar uma excelente solução. Independentemente de tudo, voltar a estudar sempre é bom dona Neusa. A senhora tem uma tarefa: até o próximo encontro vai ter que buscar todas as informações sobre o retorno aos estudos. Pode ser? (médico propôs solução terapêutica) - Com certeza, doutor! - Até lá! Tenham uma boa semana! Ferramentas da abordagem familiar 1) CICLOS DE VIDA 2) GENOGRAMA ↳ Preencher o genograma não representa um fim em si mesmo e nem é uma questão simples, mas proporciona uma visão da estrutura familiar e suas interações. ↳ A informação não é estática, e sugerimos que seja usada uma consulta para realizá-lo, sabendo que algumas informações deverão ser colocadas e modificadas com o tempo por qualquer membro da equipe. ↳ O genograma é apenas um “esqueleto”, que deve ser revestido com importantes informações sobre a família. ↳ Dados, relacionamentos e localidades são a estrutura para a exploração: dos limites emocionais da fusão, dos fatores de proteção;• dos fatores de resiliência;• de rompimentos;• de conflitos críticos;• da quantidade de abertura;• do número de relacionamentos atuais e potenciais • na família. ↳O genograma possui dois elementos principais: o estrutural e o funcional. ↳ Em primeiro lugar dispomos os dados estruturais como: nome, idade, profissão, situação laboral, mortes na família citando datas e causas, doenças, cuidador principal e assinalamos o informante (paciente). ↳ O genograma funcional complementa as informações e traz uma visão dinâmica, pois mostra a interação entre os membros da família ↳ Existem regras básicas para a construção do genograma, como propõem Freitas e De la Revilla: 1-Há uma simbologia própria para a construção do genograma, que facilita a análise de possí veis influências na dinâmica do grupo, as quais podem estar atuando e tendo relação com o problema do paciente. 2-Sempre fazemos o genograma de, no mínimo, três gerações. 3-Primeiramente fazemos o do casal e seus filhos. 4-Fase do ciclo vital. 5-Sistema familiar de origem. 6-Estressores. 7-Rede social de apoio. 8-Interpretações do problema. 9-Relações familiares e vitais mais significativas. ↳ Elaborar um genograma supõe três níveis A) Traçado da estrutura familiar B) Registro das informações sobre a família. C) Descrição das relações familiares. esse genograma trata muito sobre as relações ↳ familiares e esse é o diferencial com o heredograma, que representa em geral a estrutura de uma família Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara Canato Micheletto TXX 01– ↳ teresa é o caso indice, ela que veio procurar o atendimento ciclo de vida e genograma são os mais usadaos↳ genograma ve relacionamento das pessoas↳ Ecomapa é o genograma com relação ao ambiente, por ex:↳ relação do indivíduo com a igreja, namorada, centro de saúde, trabalho, com instrumentos sociais em geral vê a relação das pessoas com o ambiente↳ F I R O ↳ Fundamental Interpersonal Relations Orientation é uma análise da intensidade das relações, é ↳ sobre se sentir parte da família ou não, relações intensas ou não você não se sente bem na família se não se ↳ sentir parte dela o FIRO mede o grau que essas pessoas se ↳ sentem inseridos na família P R A T I CE é um questionário, uma análise↳ é bom para estudantes do internato, porque dá ↳ um roteiro para o médico seguir mas só ate a habilidade for adquirida porque é ↳ uma ferramenta engessada e na verdade ela precisa ser dinâmica A P G A R FAMILIAR comum para avaliar recém nascidos fizeram ↳ – analogia com os cinco critérios para fazer um apgar familiar vai de 0 a 10 pontos↳ 5 critérios que cada um pontua 0, 1 ou 2↳ família de 8 a 10 funcional↳ – família de 4 a 7 está funcional mas precisa ↳ – melhorar famílias abaixo de 4 disfuncionais ↳ – quando mais disfuncional for a família, maior vai ↳ ser a atenção dada a elas Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 8 Sistemas de saúde ↳ Conceito É o conjunto de relações políticas, econômicas e↳ institucionais responsáveis pela condução dos processos referentes à saúde de uma dada população. Este se concretiza através de organizações,↳ regras e serviços que visam alcançar resultados condizentes com a concepção de saúde prevalente na sociedade. Consolidam-se em meados do século XX↳ Estruturas que visam garantir a prevenção de↳ doenças, oferta de serviço de cura e reabilitação , incluindo controle e definição de regras para produção de alimentos, medicamentos, proteção do meio ambiente, etc. Função de solucionar esses problemas de forma↳ mais ou menos abrangente em cada país. Resultado da participação do Estado no controle↳ dos diversos mecanismos que afetam a saúde e o bem- estar das populações Apresentam elementos similares:↳ Todos tem uma certa forma de organização• Contam com algumas instituições responsáveis por• determinadas atividades, rede de serviços Financiamento• São a resposta social organizada às condições↳ de saúde da população. São Influenciados pela dinâmica social e podem↳ influenciá-la. Componentes Todo sistema de saúde pode ser pensado com↳ base na articulação de três principais componentes: Cobertura• Recursos (humanos, econômicos, a rede de• serviços, os insumos, a tecnologia e o conhecimento). Organizações.• ↳ Cobertura populacional e catálogo de benefícios e ações de saúde • Cobertura de cidadãos - Garantia do acesso da população às ações e aos serviços de saúde • Cobertura de serviços - Amplitude da cesta: conjunto de ações e serviços aos quais a população tem acesso ↳ Recursos • Recursos Econômicos - Financiamento disponível para a atenção à saúde, ou seja, aos recursos que “entram” para a atenção à saúde. - São um componente estratégico para atingir os objetivos de proteger e melhorar a saúde dos cidadãos. • Recursos Econômicos → Recursos públicos - Provenientes de tributos pagos pela sociedade e incluem impostos diretos e indiretos e as contribuições da seguridade social. - São de arrecadação obrigatória. Recursos privados→ - São aqueles pagos diretamente pelas famílias, empresas e indivíduos e são chamados de voluntários. • Recursos Humanos - São os profissionais e técnicos que desenvolvem atividades na atenção a saúde. Rede de Serviços• → Serviços Coletivos - Dirigem-se à prevenção - Ações de impacto sobre o conjunto da população (controle ambiental, saneamento, vigilância sanitária e vigilância epidemiológica). → Serviços de Assistência Médica - Serviços ambulatoriais - Hospitalares - Atenção a doentes crônicos Lara C. Micheletto - TXX 01 - Atenção de longa duração Insumos• - Todos os tipos de recursos utilizados no tratamento e na prevenção em saúde. - Incluem equipamentos, medicamentos e suprimento para exames diagnósticos. Tecnologia e conhecimento• - Temas de grande relevância para a melhoria das condições de saúde da população. - Discutem alternativas e soluções de novas técnicas, práticas, procedimentos e insumos que permitem prevenir e combater os males da saúde. ↳ Organizações - Ministérios, agências e demais estruturas responsáveis pela condução das atividades, ações e serviços de saúde. - Possuem e respondem a certas relações de poder. Dinâmica dos sistemas de saúde ↳ Caracterizada por: Funções e relações que se estabelecem entre• seus componentes, resultam em políticas, ações e serviços prestados, determinam o desempenho dos sistemas e contribuempara os resultados nas condições de saúde da população. ↳ Funções dos Sistemas Financiamento• Prestação de serviços• Gestão• Regulação• São desenvolvidas a partir de relações políticas e↳ econômicas que se manifestam por meio dos interesses dos agentes e atores envolvidos direta ou indiretamente com os sistemas de saúde. ↳ Financiamento Relações entre financiadores e prestadores de• serviços de saúde nos sistemas • Fontes de Recursos - Impostos gerais (sistemas universais) - Contribuições sociais sobre o salário (seguros sociais) - Recursos privados (seguros ou planos de saúde particulares) • Formas de pagamento Pagamento direto→ Pagamento direto para posterior reembolso pelo→ seguro Pagamento indireto por terceiros pagadores→ segundo contrato: prestadores pagos pelo governo, seguros ou empresas operadoras segundo preços acordados previamente. Pagamento indireto por terceiros pagadores por→ meio de orçamentos ou salários: governo, seguros ou empresas operadoras pagam a partir de um orçamento geral e salário fixo. • Formas de pagamento pelos serviços Orçamento→ Pagamentos prospectivos: tipo de diagnóstico e→ tratamento Per capita: por quantitativo de pessoas adscritas→ ao prestador. Unidades de serviço (fee for service): por→ produtividade. • Prestação de Serviço É o objetivo final de todo sistema de saúde→ Depende de quais serviços são prestados, ou→ seja, abrangência deles, assim como do modelo de saúde adotado. Classificação:→ Complexidade -→ - Atenção básica - Atenção secundária: ambulatorial especializada - Atenção terciária: hospitalar • Prestação de Serviço Classificação:→ Horizontais de caráter coletivo→ - Vigilância Sanitária - Vigilância Epidemiológica - Serviços de promoção da saúde Oferta de medicamentos→ Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ Gestão É a função de organizar e estruturar a prestação• de ações e serviços nos sistemas de saúde. Traçar diretrizes, planejar, financiar e contratar• serviços, estruturar a rede em seus distintos níveis, dimensionar a oferta e avaliar as ações. Gestores são importantes na articulação política• com os diversos atores sociais. ↳ Regulação Conjunto de mecanismos legais e normativos que• conduzem a relação entre os componentes dos sistemas de saúde. Os governos constituem os principais agentes de• regulação, porém o mercado, os profissionais e os prestadores também possuem mecanismos próprios de regulação . ↳ Classificação Maioria dos países não tem um modelo puro.• Caracterizado por aquele que predomina no país• Modelos• Modelo de Proteção Social→ - Seguridade Social ou Beveridgiano - Seguro Social ou Bismarckiano - Residual ou Assistencialista Modelo de Seguro Privado→ Modelos de proteção social Correspondem a modalidades de intervenção↳ governamental no financiamento, na condução e regulação dos diversos setores assistenciais e na prestação de serviços de saúde, com o consequente acesso e direito à cidadania. Seguridade Social ou Universal ou Beveridgiano↳ Se concretizam através dos Sistemas Nacionais de• Saúde; Estado presta diretamente os serviços de saúde.• Financiamento público com dinheiro dos impostos.• Mais eficientes, mais equânimes e portanto, com• maior impacto positivo nas condições de saúde. Trabalhadores são empregados públicos• Pode haver serviços contratados do setor privado,• porém sob controle do Estado. Estabelecimento de regras homogêneas para a• maioria das ações e serviços de saúde, garantindo serviços similares em todo o país. Exemplos• ↳ EXEMPLOS: • Modelo Semashko - Rússia e posterior aos países soviéticos, representado hoje pelo modelo Cubano. - Anterior ao Beveridgiano - Revolução soviética de 1917 - Centralizado e integralmente estatal. - Estrutura vertical, organização hierárquica e organizada em redes de serviços com responsabilidades bem definidas. • National Health Service - Sistema Inglês - Criado em 1946 - Primeiro sistema nacional de saúde Universal no Ocidente em um país capitalista • Seguro social ou Bismarckiano - Financiamento baseado nas contribuições dos empregados e empregadores. - Em geral segmentados por categoria. - Gera iniquidades pois os serviços e benefícios podem ser diferenciados entre categorias profissionais, dependendo da sua importância econômica. - Ênfase às ações curativas individuais. - A assistência médica nesses serviços é separada das ações de saúde coletiva (promoção e prevenção) - Dificuldade de garantia da atenção integral. Lara C. Micheletto - TXX 01 Seguro social ou Bismarckiano↳ Exemplos↳ • Residual ou assistencialista - O Estado não assume para si a responsabilidade de proteção universal à saúde. - Protege apenas alguns grupos mais pobres. - Gera enorme ineficiência, devido à baixa regularização estatal, miríade de prestadores e provedores de seguros. - Exemplo Estados Unidos→ - Programas públicos de proteção cobrem apenas os mais necessitados e parcialmente os aposentados. - Permanece descoberta uma parcela importante da população, sem acesso a seguros públicos ou privados. - Elevado gasto per capita em saúde. Modelo de seguro privado Organização fragmentada e descentralizada↳ Escassa regulação pública↳ Organizada através dos planos ou seguros↳ privados de saúde Exemplo↳ Estados Unidos• Tipos de Operadoras de Saúde Operadoras de saúde no Brasil Tipos de contrato • Regulamentação Em 1998, foi promulgada a Lei no 9.656, que↳ regulamentou o setor da saúde suplementar no Brasil, no que se refere às coberturas dos contratos independentemente do tipo de plano de saúde contratado, bem como os reajustes anuais no que tange aos planos de saúde individuais. Em 2000 foi sancionada a Lei no 9.961 que criou a↳ Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Está diretamente ligada ao Ministério da Saúde↳ Tem por objetivo regulamentar e fiscalizar as↳ operadoras de planos de saúde. A ANS possui uma diretoria colegiada, indicada↳ pelo Ministro da Saúde, formada por cinco membros, cada um com mandato de 3 anos não coincidente entre os membros. Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 9 História das Políticas de Saúde no Brasil Períodos Descobrimento ao Império (1500 a 1889)• República velha (1889 a 1930)• “Era Vargas” (1930 a 1964)• Autoritarismo (1964 a 1984)• Nova República (1985 a 1988)• Pós-constituinte (1989 ...)• Descobrimento ao Império (1500 – 1889) Cenário Político e Econômico• - País agrário extrativista Perfil Epidemiológico• - Doenças pestilentas • Organização da Saúde - Não dispunha de nenhum modelo de atenção à saúde - Boticários - Curandeiros - Medicina liberal • Chegada da Família Real Portuguesa - 1808 - Saneamento da Capital - Controle de navios - Novas estradas - Controle Sanitário Mínimo • Até 1850 a Saúde Pública - Delegação das atribuições sanitárias as juntas municipais - Controle de navios e saúde dos portos República Velha (1889 – 1930) • Cenário Político e Econômico - Economia baseada na agricultura. - Instalação do capitalismo no Brasil - Primeiras indústrias - Investimento estrangeiro - Precárias condições de trabalho e de vida das populações urbanas - Movimentos operários • Perfil Epidemiológico - Febre Amarela - Varíola - Tuberculose - Sífilis - Endemias rurais • Organização da Saúde - Modelo Sanitarista Campanhista: nascimento da saúde pública - Estado intervém somente naquilo que o indivíduo sozinho ou a iniciativa privada não podem fazer: liberalismo - Medicina liberal - Hospitais filantrópicos - Medicina curativa • Organização da Saúde - 1890 Conselho de Saúde Pública– - 1892 Laboratório de Bacteriologia– - 1894 Instituto Sanitário Federal– - 1897 Diretoria de Saúde Pública– - 1900 Instituto Soroterápico– - 1902 Rodrigues Alves lança campanha de– saneamento do RJ e combate a febre amarela urbana em SP. - 1923 Lei Elói Chaves– • Lei Eloy Chaves (1923)- Marco inicial da Previdência Social no Brasil - Organização dos CAP s (Caixas de Aposentadorias ́ e Pensões) - 1923- CAP dos Ferroviários - 1926 Portuários e Marítimos– • Lei Eloy Chaves (1923) Características dos CAP s→ ́ - Por instituição ou empresa - Financiamento e gestão: trabalhador e empregador - Seguro social - Aposentadoria e pensão - Assistência médica - Pouca intervenção do Estado. • Período marcado por: Dicotomia da Saúde Saúde Pública:→ - Prevenção e controle de doenças (coletiva) Lara C. Micheletto - TXX 01 - Saneamento - Campanhas de vacinação - Previdência Social: - Assistência médica (individual) “Era Vargas” (1930 – 1964) • Cenário Político e Econômico - Arranjo oligárquico da política Café com leite - Urganização - Crises de superprodução do café - Desvalorização da moeda • Perfil Epidemiológico - Predomínio das doenças da pobreza doenças– infecto-parasitárias - Início transição demográfica: envelhecimento da população (surgimento das doenças crônicas) • Organização da Saúde - Fracionamento da saúde - Saúde pública - Medicina Liberal - Hospital beneficente ou filantrópico - Hospital lucrativo (empresas médicas) • Organização da Saúde Fracionamento da saúde→ Saúde pública → - 1941 Serviço de combate a endemias; serviço – especial de saúde pública - 1956 Departamento nacional de endemias rurais– - Estado atuava basicamente em campanhas sanitárias e programas especiais (materno-infantil, epidemias rurais, tuberculose, hanseníase) - Modelo sanitarista desenvolvimentista - Criação do Ministério da Saúde • Organização da Saúde Fracionamento da saúde→ Medicina Liberal→ - Hospital beneficente ou filantrópico - Hospital lucrativo (empresas médicas) Criação dos IAPs→ • Organização da Saúde Criação dos IAPs→ - Institutos de aposentadorias e pensões - Unificou CAPs - Organizados por categorias: marítimos (IAPM); comerciários (IAPC); bancários (IAPB); transportes e cargos (IAPETEC); servidores do Estado (IPASE) - Financiamento: Estado, empregado e empregadores - Gerência: indicada pelo Estado - Aposentadoria, pensão e assistência médica Autoritarismo (1964 – 1984) • Cenário Político e Econômico - Regime autoritário - Governo autoritário e centralizador - Urbanização e industrialização crescentes - Milagre brasileiro (1968 a 1973) • Perfil Epidemiológico - Aumento da mortalidade infantil - Doenças Infecto-parasitárias: tuberculose, malária, Chagas - Acidentes de trabalho - Tripla carga de doenças: doenças da modernidade além das doenças da modernidade. • Organização da Saúde Saúde pública→ Medicina Previdenciária→ - Em 1966- Unificação dos IAPs e criação do INPS (instituto Nacional da Previdência Social) • Organização da Saúde Saúde pública→ - Programas verticais: materno-infantil, imunizações, interiorização das ações de saúde; esquistossomose, nutrição - Surgimento do movimento da Reforma Sanitária. • Organização da Saúde Medicina Previdenciária→ - Em 1966- Unificação dos IAPs e criação do INPS (instituto Nacional da Previdência Social) - 1972 Previdência para autônomos e empregadas – domésticas - 1973 Previdência para trabalhadores rurais:– FUNRURAL - 1974 Criação do Ministério da Previdência e – Assistência Social (MPAS) • Organização da Saúde Medicina Previdenciária→ - 1974 Plano de Pronta Ação: ampliação do– atendimento de urgência/emergência a toda a população nas clínicas e hospitais da previdência - 1977 Criação do INAMPS (Instituto Nacional de – Assistência Médica da Previdência Social) Lara C. Micheletto - TXX 01 • Organização da Saúde 1977 Criação do INAMPS (Instituto Nacional de → – Assistência Médica da Previdência Social) - Participação do Setor Saúde - Sem participação popular - Modelo assistencial médico-curativo, excludente e tecnicista - Pagamento por quantidade de procedimentos - Ausência de controle ou regulação - Problemas: corrupção, procedimento e paciente fantasmas... • Organização da Saúde - FAS (Fundo de Assistência Social) - Caixa Econômica Federal - Financiou a ampliação da rede privada (juros mínimos e prazo a perder de vista) Modelos de Atenção à Saúde Figueiredo (1979 – 1985) • Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde (PREV-SAÚDE) - Iniciativa de reorganização do Sistema de Saúde (aumento da integração entre os ministérios e secretarias) - Diretrizes que reforçavam atenção primária - Participação da Comunidade - Regionalização e hierarquização dos serviços - Referência e contra-referência - Integração das ações curativas e preventivas • AIS (Ações Integradas de Saúde) 1982– - Repasse dos recursos do INAMPS para as secretarias Estaduais de Saúde - Tentativa incipiente de descentralização do poder - Gestão ainda no nível federal - Amplia as ações de assistência (serviços previdenciários) para população não contribuinte) Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 10 Nova República (1985 – 1988) ↳ Cenário Político e Econômico Conquista da democracia• Interrupção da recessão econômica• Inclusão da Saúde na agenda política• Resgate da “dívida social” do período autoritário• ↳ Perfil Epidemiológico Queda da mortalidade infantil e doenças• imunopreviníveis Manutenção das doenças da modernidade• (aumento das causas modernas) Crescimento da AIDS• Epidemias de Dengue• ↳ Organização da Saúde Difusão da proposta da Reforma Sanitária→ Conceito ampliado de saúde• Reconhecimento da saúde como direito de todos• e dever do Estado Criação do Sistema Único de Saúde (SUS)• Participação popular (controle social)• Constituição e ampliação do orçamento• ↳ Organização da Saúde 8a Conferência Nacional de Saúde 1986• – “ Saúde, Direito de Todos e Dever do Estado”• Participação, pela primeira vez de entidades da• sociedade civil organizada Relatório encaminhado a Assembléia Nacional• Constituinte ↳ Organização da Saúde SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de→ Saúde 1987)– Transição entre AIS e o SUS• Repasses feitos através da Programação• Orçamentária Integrada (POI)• Superava a compra de serviços privados• Criação dos Conselhos Estaduais e Municipais de• Saúde Descentralização “Estadualização”• – Tudo que era do antigo INAMPS agora é da• Secretaria Estadual de Saúde• Investimentos agora direcionados ao setor público• - 1980 público absorvia apenas 28,7%– - 1987 público absorveu 54,1%– ↳ Organização da Saúde Problemas enfrentados na época:→ Desigualdade no acesso aos serviços de saúde• Multiplicidade e descoordenação entre as• instituições do setor. Desorganização dos recursos empregados nas• ações de saúde, curativas e preventivas. ↳ Organização da Saúde Problemas enfrentados na época:→ Baixa resolutividade e produtividade dos recursos• existentes. Falta de integralidade da atenção• Escassez de recursos financeiros.• Gestão centralizada e pouco participativa.• ↳Períodos Pós-constituinte (1989 ...) G, H, 7, 8• – Constituição da República de 1988 “Constituição Cidadã” Saúde como direito de todos e dever do Estado;• Ampliação do conceito de saúde;• Cria o SUS• ↳ Seguridade Social Art. 194 A seguridade social compreende um• – conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Constituição da República de 1988 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do• Estado, garantido mediante políticas sociais e Lara C. Micheletto - TXX 01 econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Art. 197. São de relevância públicas ações e• serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 198. As açõese serviços públicos de saúde• integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I - descentralização, com direção única em cada→ esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as→ atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade.→ Parágrafo único. O sistema único de saúde será• financiado, nos termos do art. 195, com recurso do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. SUS ↳ Objetivos Melhorar a qualidade da atenção à saúde• Romper com o passado de descompromisso e• irracionalidade técnico-administrativa Servir de norte ao trabalho do Ministério da Saúde• e das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. ↳ Organização da Saúde O Sistema Único de Saúde, o SUS, é formado• pelo conjunto de todas as ações e serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público. À iniciativa privada é permitido participar desse• Sistema de maneira complementar. ↳ Organização da Saúde Art. 200 - Ao Sistema Único de Saúde compete,• além de outras atribuições, nos termos da lei: I Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos→ – e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos II Executar as ações de vigilância sanitária e→ – epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador III Ordenar a formação de recursos humanos na→ – área da saúde ↳ Organização da Saúde Art. 200 - Ao Sistema Único de Saúde compete,• além de outras atribuições, nos termos da lei: IV Participar da formulação da política e da→ – execução das ações de saneamento básico V Incrementar em sua área de atuação o→ – desenvolvimento científico e tecnológico VI fiscalizar e inspecionar alimentos,→ – compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e água para consumo humano ↳ Organização da Saúde Art. 200 - Ao Sistema Único de Saúde compete,• além de outras atribuições, nos termos da lei: VII Participar do controle e fiscalização da→ – produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos VIII Colaborar na proteção do meio ambiente,→ – nele compreendido o do trabalho ↳ Princípios Doutrinários Universalidade• Equidade• Integralidade• Princípios doutrinários SUS - Universalidade Todo o cidadão tem direito ao atendimento,• independente de sexo, idade, cor, religião, raça... A saúde é um DIREITO de todos.• A saúde é direito de todos e dever do Estado,• garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (Const. Federal art. 196) Princípios Doutrinários SUS- Integralidade Cada pessoa é um todo indivisível• Homem é um ser integral, biopsicossocial e será• atendido em uma visão holística Ações de promoção, proteção e recuperação• Lara C. Micheletto - TXX 01 Composto por unidades de saúde nos diversos• níveis de atenção. Atendimento integral, com prioridade para as• atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais. (Const. Fed. art. 198) Integralidade de assistência entendida como um• conjunto articulado de serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema. (lei 8080 - art 7) Promoção: ações que favorecem adoção de• comportamentos menos arriscados à saúde. Prevenção: ações que objetivam a redução dos• fatores de risco relacionados aos agentes patogênicos e ao ambiente. Recuperação: ações que envolvem o diagnóstico• de doenças e tratamento. Reabilitação: recuperação parcial ou total das• capacidades no processo de doença e na reintegração do indivíduo. Proteção: ações que buscam desencadear as• medidas dirigidas à prevenção e ao controle das doenças. Princípios Doutrinários SUS - Equidade Tratar os desiguais de maneira desigual.• Levar em consideração as diferenças entre as• pessoas e disponibilizar ações que ajudem na saúde. Tratar as diferenças com o objetivo de alcançar a• igualdade Todo cidadão é igual perante o SUS e será• atendido conforme as suas necessidades. Igualdade com justiça.• Diretrizes - SUS ↳ Descentralização Descentralização, com direção única em cada• esfera de governo. Gestores Federal, Estadual e Municipal• Quanto mais próximo a gestão melhor a qualidade• do serviço. ↳ Regionalização Serviços de saúde devem se organizar em• regiões de saúde. As ações e os serviços públicos de saúde• integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único. (Const. Federal, art. 198) ↳ Objetivos da regionalização Garantir acesso, resolutividade e qualidade;• Garantir direito à saúde, reduzir desigualdades e• promover equidade; Garantir a integralidade na atenção;• Potencializar a descentralização;• Racionalizar os gastos e otimizar recursos.• ↳ Hierarquização Organização em níveis de assistência• Acesso a partir da atenção primária.• ↳ Resolutividade Serviço de saúde deve resolver os problemas de• saúde de acordo com o seu nível de competência ↳ Participação Popular em Saúde Conselhos de Saúde→ Permanentes• Paritários• Deliberativos• Conferências de Saúde→ Provisórios• Consultivo• Paritários• ↳ Setor privado complementar As instituições privadas poderão participar de• forma complementar do Sistema Único de Saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fim lucrativos (Cosnt. Federal Art 199)– Vedada destinação de recursos públicos para• auxílios à essas instituições e a participação de empresas ou capital estrangeiro na assistência à Saúde Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Constituição da Repúbica 1988• Lei Orgânica da Saúde 8080/90• Lei Orgânica da Saúde 8142/90• Normas Operacionais Básicas NOB• – Normas Operacionais de Assistência à Saúde • – NOAS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006• – ↳ Legislação Estruturante do SUS Lei Orgânica da Saúde 8080/90 de 19/09/1990→ Dispõe sobre as condições para a promoção,• proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Formulação de Políticas de Saúde• Trata do processo de descentralização, das• competências das diferentes esferas do governo e da organização do Sistema. ↳ Legislação Estruturante do SUS Lei Orgânica da Saúde 8142/90 de 28/12/1990→ Dispõe sobre a participação da comunidade na• gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) - Conferências de Saúde - Conselhos de Saúde Sobre as transferências intergovernamentais de• recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências - Recurso Federal: varia conforme PIB - Recurso Estadual: 12% - Recurso Municipal: 15% ↳ Legislação Estruturante do SUS Lei Orgânica da Saúde 8142/90 de 28/12/1990→ • Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) Conferências de Saúde• - § 1°. A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos com a representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde. ↳ Legislação Estruturante do SUS Lei Orgânica da Saúde 8142/90 de 28/12/1990→ • Dispõe sobre a participação da comunidadena gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) Conselhos de Saúde• - § 2°. O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo. ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Normas Operacionais Básicas NOB→ – 1991, 1992, 1993 e 1996• Aspectos de divisão de responsabilidades,• relações entre gestores e critério de transferência de recursos federais para estados e municípios. Municipalização• ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Normas Operacionais de Assistência à Saúde → – NOAS 01/2001 e 01/2002• Trata das especificidades do regionalismo da• assistência à saúde. Regionalização• Integralidade• ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006→ – Pacto em Defesa do SUS• Reafirmar a defesa do SUS• Projeto permanente de mobilização social• Elaborar e divulgar a carta de direitos dos• usuários. Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006→ – Pacto de Gestão• Descentralização; Regionalização• Financiamento; Planejamento• Regulação; Participação e Controle Social• Gestão do Trabalho; Educação na Saúde• Fortalecimento da gestão compartilhada no SUS.• Novas diretrizes para o Financiamento do SUS• ↳ Blocos do Financiamento Atenção Básica• Média e Alta Complexidade• Vigilância em Saúde• Gestão• Assistência farmacêutica• Mudança: CUSTEIO E CAPITAL.• ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006→ – Pacto pela Vida• Compromissos sanitários.• - Saúde do Idoso - Controle do câncer do colo do útero e da mama - Redução da mortalidade infantil e materna - Fortalecimento da capacidade de resposta às doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza - Promoção da Saúde - Fortalecimento da Atenção Básica ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006→ – Pacto pela Vida• Compromissos sanitários 2009• - Saúde do trabalhador; - Saúde mental; - Fortalecimento da capacidade de resposta do sistema de saúde às pessoas com deficiência; - Atenção integral às pessoas em situação ou risco de violência; - Saúde do homem. ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Portaria 399 Pacto pela Saúde 2006→ – Pacto em Defesa do SUS• Implementar um projeto permanente de• mobilização social com a finalidade de: - Mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS como sistema público universal garantidor desses direitos; - Alcançar, no curto prazo, a regulamentação da Emenda Constitucional no 29, pelo Congresso Nacional; - Garantir, no longo prazo, o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a saúde. - Aprovar o orçamento do SUS, composto pelos orçamentos das três esferas de gestão, explicitando o compromisso de cada uma delas. - Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuários do SUS. ↳ Arcabouço Jurídico do SUS Decreto 7508 de 28 junho de 2011→ Regulamenta a lei 8080/90• Estabelece:• - RENASES relação nacional de ações e serviços– de saúde - RENAME relação nacional de medicamentos– Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde• (COAP) cujo objetivo é a organização e a integração das ações e dos serviços de saúde, sob a responsabilidade dos entes federativos em uma Região de Saúde, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência aos usuários. ↳ Segundo o Ministério da Saúde, o SUS tem 6,1 mil hospitais credenciados, 45 mil unidades de atenção primária e 30,3 mil Equipes de Saúde da Família (ESF). ↳ O sistema realiza 2,8 bilhões de procedimentos ambulatoriais anuais, 19 mil transplantes, 236 mil cirurgias cardíacas, 9,7 milhões de procedimentos de quimioterapia e radioterapia e 11 milhões de internações. Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 11 As condições de saúde As condições de saúde podem ser definidas como↳ as circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistente e que exigem respostas sociais reativas ou proativas, eventuais ou contínuas e fragmentadas ou integradas dos sistemas de atenção à saúde. Tradicionalmente trabalha-se em saúde com uma↳ divisão entre doenças transmissíveis e doenças crônicas não transmissíveis. Essa tipologia é largamente utilizada, em especial pela epidemiologia. É verdade que essa tipologia tem sido muito útil nos estudos epidemiológicos, mas, por outro lado, ela não se presta para referenciar a organização dos sistemas de atenção à saúde. Do ponto de vista da resposta social aos↳ problemas de saúde, certas doenças transmissíveis, pelo longo período de seu curso natural, estão mais próximas da lógica de enfrentamento das doenças crônicas que das doenças transmissíveis de curso rápido. Por isso, tem sido considerada uma nova↳ categorização, com base no conceito de condição de saúde, desenvolvida, inicialmente, por teóricos ligados aos modelos de atenção às condições crônicas, e depois acolhida pela OMS (2003): as condições agudas e as condições crônicas. Essa tipologia está orientada, principalmente, por↳ algumas variáveis-chave contidas no conceito de condição desaúde: O tempo de duração da condição de saúde• (breve ou longo). A forma de enfrentamento pelo sistema de• atenção à saúde: - Episódica, reativa e feita sobre a queixa principal, ou - Contínua, proativa e realizada por meio de cuidados continuados. O modo como se estrutura o sistema de atenção• à saúde: - Fragmentado - Integrado. As condições agudas, em geral, apresentam um↳ curso curto, inferior a três meses de duração, e tendem a se autolimitar; ao contrário, as condições crônicas têm um período de duração mais ou menos longo e nos casos de algumas doenças crônicas, tendem a apresentar-se de forma definitiva e permanente As condições agudas, em geral, são↳ manifestações de doenças transmissíveis de curso curto, como dengue e gripe, ou de doenças infecciosas, também de curso curto, como apendicite ou amigdalites, ou de causas externas, como os traumas. As doenças infecciosas de curso longo são consideradas condições crônicas. As condições crônicas vão, portanto, muito além↳ das doenças crônicas, ao envolverem as doenças infecciosas persistentes, as condições ligadas à maternidade e ao período perinatal; as condições ligadas à manutenção da saúde por ciclos de vida; os distúrbios mentais de longo prazo; as deficiências físicas e estruturais contínuas; as doenças metabólicas; e a grande maioria das doenças bucais. Se, de um lado, as condições agudas manifestam-↳ se inequivocamente por eventos agudos, percebidos subjetiva e/ou objetivamente, as condições crônicas podem apresentar, em determinados períodos, eventos agudos, decorrentes de sua agudização, muitas vezes, causados pelo mal manejo dessas condições crônicas pelos sistemas de atenção à saúde. Portanto, os eventos agudos são diferentes de condições agudas e é comum que ocorram, também, nas condições crônicas. As situações das condições de saúde revelam uma• importância relativa crescente das condições crônicas no quadro epidemiológico. Os principais fatores determinantes do aumento• das condições crônicas são as mudanças demográficas, as mudanças nos padrões de Lara C. Micheletto - TXX 01 consumo e nos estilos de vida, a urbanização acelerada e as estratégias mercadológicas. Mundo e no Brasil Em todo o mundo, as taxas de fecundidade↳ diminuem, as populaçõesenvelhecem e as expectativas de vida aumentam. Isso leva ao incremento das condições crônicas pelo aumento dos riscos de exposição aos problemas crônicos. O que muda em relação aos países é a velocidade com que esse processo é desenvolvido. Há uma correlação direta entre os processos de↳ transição demográfica e epidemiológica (CHAIMOVICZ, 1997). A princípio, o declínio da mortalidade concentra-se seletivamente entre as doenças infecciosas e beneficia os grupos mais jovens que passam a conviver com fatores de risco associados às doenças crônicas e, à medida que cresce a população idosa, incrementando a expectativa de vida, as doenças crônicas tornam-se mais prevalentes. A modificação dos padrões de consumo↳ repercute nos comportamentos e nos estilos de vida. Padrões de consumo e de comportamentos não saudáveis vão se impondo e incrementando as condições crônicas. Dentre eles, destacam-se o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o sexo inseguro, a inatividade física, o excesso de peso, a alimentação inadequada e o estresse social. Entre 1950 e 1985, a população urbana dos países↳ desenvolvidos duplicou e dos países em desenvolvimento quadruplicou. Esse fenômeno da urbanização, de um lado, acelerou a transição demográfica, mas, de outro, pressionou os serviços de saúde, especialmente por parte das populações pobres que vivem nas periferias dos grandes centros urbanos. Por isso, menciona-se que as condições crônicas são doenças da urbanização. Paralelamente ao processo de urbanização,↳ desenvolveram-se estratégias mercadológicas eficazes de produtos nocivos à saúde, especialmente aqueles provenientes das indústrias de cigarro, álcool e alimentos industrializados. As estratégias mercadológicas assentam-se nas privações sociais e combinam privação social e exposição precoce aos produtos prejudiciais à saúde. As doenças crônicas e os distúrbios mentais• representam 59% do total de óbitos no mundo. Presume-se que esse percentual atingirá 60% até• o ano 2020 e as maiores incidências serão de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e câncer. Até o ano 2020, as condições crônicas serão• responsáveis por 78% da carga global de doenças nos países em desenvolvimento (OMS, 2003). Em 2005, dos 58 milhões de óbitos por todas as↳ causas ocorridos no mundo, estima-se que 35 milhões (60,3%) ocorreram por doenças crônicas (25 milhões por doenças cardiovasculares e câncer), o dobro de mortes causadas por doenças infecciosas, incluindo HIV/aids, tuberculose e malária; desses, 80% aconteceram em países de renda baixa ou média. Nos próximos dez anos, 388 milhões de pessoas morrerão, no mundo, por doenças crônicas (OMS, 2005). Em 1995, havia 135 milhões de portadores de• diabetes no mundo, 3/4 dos quais localizados nos países em desenvolvimento. As projeções indicam que haverá 300 milhões de portadores de diabetes no ano de 2025 (KING et al., 1998). Em relação aos distúrbios mentais há, atualmente,• mais de 400 milhões de pessoas portadoras dessas condições no mundo (OMS, 2003). Nos Estados Unidos, a situação epidemiológica é↳ fortemente marcada pelas condições crônicas: 133 milhões de americanos apresentam, pelo menos, uma doença crônica; as doenças crônicas são responsáveis por 70% das mortes e representam um terço da carga da doença antes dos 65 anos de idade. Lara C. Micheletto - TXX 01 Nos Estados Unidos, os gastos com a atenção às↳ doenças crônicas representam mais de 75% de um total de 2 trilhões de dólares anuais despendidos em saúde; as doenças crônicas são responsáveis por 1/3 dos anos potenciais de vida perdidos na população de menos de 65 anos de idade; Os custos diretos e indiretos do diabetes somam↳ 174 bilhões de dólares anuais, os de artrites 128 bilhões de dólares anuais, os de doenças cardiovasculares 448 bilhões de dólares anuais e os custos diretos de câncer são de 89 bilhões de dólares anuais (HEALTH DISPARITIES COLLABORATIVES, 2004; INSTITUTE OF MEDICINE, 2008). No Reino Unido, seis em cada dez adultos↳ apresentam uma doença crônica que exige cuidados de longa duração e que não pode ser curada. Essas pessoas, frequentemente, apresentam mais de uma doença crônica, o que torna a atenção mais complexa. Além disso, 80% dos atendimentos na atenção primária à saúde são por doenças crônicas e 2/3 das internações nos hospitais do Reino Unido são causadas por essas doenças (SINGH e HAM, 2006). Nos Estados Unidos, cada dia, são diagnosticadas↳ 4.100 pessoas com diabetes e, em consequência dessa doença, são feitas 230 amputações, 120 pessoas apresentam falência renal e 55 pessoas ficam cegas; situação semelhante pode ser observada na Europa (BENGOA, 2008). Nesse país, estima-se que, em 2015, 73% dos homens e 68% das mulheres terão sobrepeso; que as mortes por doenças crônicas crescerão 15%; que as mortes por diabetes aumentarão 44% (SPASOFF, 2011). As doenças crônicas determinam impactos fortes:↳ apresentam grandes efeitos adversos na qualidade de vida dos indivíduos, causam mortes prematuras e geram grandes efeitos econômicos negativos para as famílias, as comunidades e os países. As relações entre condições crônicas e pobreza↳ estão bem estabelecidas e compõem um círculo vicioso. De um lado, a pobreza favorece o aparecimento das doenças crônicas; de outro, as condições crônicas aprofundam a pobreza. As mortes causadas por doenças transmissíveis,↳ por condições maternas e perinatais e por deficiências nutricionais, combinadas, devem diminuir 3% nos próximos 10 anos. Estima-se que, no mesmo período, os óbitos devidos às doenças crônicas devem aumentar em 17%. Isso significa que da estimativa de 64 milhões de óbitos, no mundo, em 2015, 41 milhões (64,0%) serão por alguma doença crônica (OMS, 2005). A situação das condições de saúde no Brasil não↳ é muito diferente, ainda que singular, conforme se pode analisar através das mudanças das situações demográfica e epidemiológica. No Brasil, a transição demográfica é muito↳ acelerada. O efeito combinado de redução dos níveis de fecundidade e de mortalidade resulta numa transformação da pirâmide etária da população. O formato triangular, com base alargada, do início dos anos 2000, irá ceder lugar, em 2030, a uma pirâmide com parte superior mais larga, típica de sociedades envelhecidas. A população brasileira, apesar de baixas taxas de↳ fecundidade, vai continuar crescendo nas próximas décadas, como resultado dos padrões de fecundidade anteriores. Mas, manifesta-se um envelhecimento da população em decorrência da queda da fecundidade e do aumento da expectativa de vida. O percentual de jovens de 0 a 14 anos que era↳ de 42% em 1960 passou para 30% em 2000 e deverá cair para 18% em 2050. Diversamente, o percentual de pessoas idosas maiores de 65 anos que era de 2,7% em 1960 passou para 5,4% em 2000 e deverá alcançar 19% em 2050, superando o número de jovens. Lara C. Micheletto - TXX 01 Os resultados da PNAD 2008, mostraram que↳ 71,9% das pessoas de 65 anos ou mais declararam ter, pelo menos, um dos 12 tipos de doenças crônicas selecionadas. Do total de pessoas, 31,3% reportaram doenças crônicas, o que significa 59,5 milhões de brasileiros. 5,9% da população declarou ter três ou mais doenças crônicas (IBGE, 2010). A situação epidemiológica brasileira pode ser↳ analisada por várias vertentes: a mortalidade, a morbidade, os fatores de risco e a carga das doenças. A transição epidemiológica singular do país,↳ observada pelo lado da mortalidade, indica que, em 1930, as doenças infecciosas respondiam por 46% das mortes e que esse valor decresceu para um valor próximo a 5% em 2000; ao mesmo tempo, as doenças cardiovascularesque representavam em torno de 12% das mortes em 1930, responderam, em 2000, por quase 30% de todos os óbitos. Uma outra forma de analisar a situação↳ epidemiológica é pela carga de doenças. A análise da carga de doença no Brasil mostra que o somatório das doenças crônicas e das condições maternas e perinatais que constituem condições crônicas – – representam 75% da carga global de doenças no país, medidas em anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (AVAIs). A prevalência dos fatores de risco no Brasil↳ aponta no sentido de uma produção social de condições crônicas, já que eles respondem pela grande maioria das mortes por doenças crônicas e Lara C. Micheletto - TXX 01 por fração significativa da carga de doenças devida a essas condições de saúde. A taxa de mortalidade padronizada por idade por↳ doenças crônicas no Brasil, em pessoas de 30 anos ou mais, é de 600 mortes por cem mil habitantes, o que representa o dobro da taxa do Canadá e 1,5 vezes a taxa do Reino Unido (OMS, 2005). Como consequência, estima-se que morram, a cada dia, no Brasil, quase 500 pessoas em decorrência de infartos agudos do miocárdio e acidentes vasculares- cerebrais. Tomando-se as doenças cardiovasculares, as↳ taxas de mortalidade padronizadas por idade por cem mil habitantes, por doenças cardiovasculares, em pessoas com mais de 30 anos, caem sustentadamente nos países desenvolvidos, enquanto, no Brasil, apresentam tendência de queda em anos recentes, Com relação ao diabetes há um aumento da mortalidade por esta doença (MS, 2005). Boa parte das mortes por doenças crônicas• poderia ser evitada. A estimativa é de que poderiam ser evitadas, no mundo, em 2015, com medidas de prevenção de doenças crônicas, 36 milhões de mortes (OMS, 2005). A Tabela 7 compara os anos de vida perdidos• ajustados por incapacidade (AVAIs) do Brasil com os países do Grupo América A que inclui os países americanos que apresentam taxas muito baixas de mortalidade infantil e de adultos (Canadá, Cuba e Estados Unidos). Os dados mostram que existe uma carga• potencialmente evitável de doenças crônicas muito significativa, especialmente relacionada com as doenças cardiovasculares, com o diabetes, com as doenças respiratórias crônicas e com alguns tipos de câncer. Há que se observar ainda que, mesmo nesses• países de melhores níveis de saúde, os do grupo América A, há, ainda, uma margem grande de carga evitável das doenças crônicas. As consequências econômicas de um↳ enfrentamento inadequado das condições crônicas no Brasil é que, no período de 2005 a 2015, as perdas financeiras decorrentes de mortes prematuras causadas por doenças cardiovasculares e diabetes são estimadas em, aproximadamente, 50 bilhões de dólares. A perda estimada em 2005 foi 2,7 bilhões de dólares e poderá atingir, em 2015, 9,3 bilhões de dólares (OMS, 2005). Lara C. Micheletto - TXX 01 Pode-se afirmar que o mundo e o Brasil↳ apresentam um processo de envelhecimento de sua população e uma situação de transição das condições de saúde, caracterizada pela queda relativa das condições agudas e pelo aumento das condições crônicas. Ou seja, manifesta-se, universalmente, o fenômeno da transição epidemiológica. Existem padrões diferenciados de transição↳ epidemiológica, especialmente, verificáveis nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos a transição fez-se,• classicamente, por etapas sequenciais, segundo o modelo de Omram (1971). Nos países em desenvolvimento, apresenta• características específicas ao se superporem uma agenda tradicional e uma nova agenda da saúde pública. Por isso, em vez de falar transição epidemiológica↳ nos países em desenvolvimento, é melhor dizer de acumulação epidemiológica ou modelo prolongado e polarizado (FRENK et al., 1991) ou de dupla carga de doenças ou de duplo risco, caracterizada pela persistência de doenças infecciosas e desnutrição e pela escalada rápida das doenças crônicas (OMS, 2003). Essa situação epidemiológica singular dos países↳ em desenvolvimento define-se por alguns atributos fundamentais (MENDES, 1999; OMS, 2003): Superposição de etapas, com a persistência• concomitante das doenças infecciosas e carenciais e das doenças crônicas. Contratransições, ou seja, movimentos de• ressurgimento de doenças que se acreditavam superadas (doenças reemergentes como a dengue e febre amarela). Transição prolongada, a falta de resolução da• transição num sentido definitivo. Polarização epidemiológica, representada pela• agudização das desigualdades sociais em matéria de saúde. Surgimento das novas doenças ou enfermidades• emergentes. Essa complexa situação epidemiológica tem sido↳ definida, recentemente, como tripla carga de doenças (FRENK, 2006): Uma agenda não concluída de infecções,• desnutrição e problemas de saúde reprodutiva. O desafio das doenças crônicas e de seus fatores• de riscos, como tabagismo, sobrepeso, inatividade física, uso excessivo de álcool e outras drogas e alimentação inadequada. O forte crescimento da violência e das causas• externas Determinantes Sociais em Saúde Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 12 Atenção primária à saúde ↳ Internacionalmente tem-se apresentado a “Atenção Primária à Saúde” (APS) como uma estratégia de organização da atenção à saúde voltada para responder de forma regionalizada, contínua e sistematizada à maior parte das necessidades de saúde de uma população, integrando ações preventivas e curativas, bem como a atenção a indivíduos e comunidades. • Historicamente, a ideia de atenção primária foi utilizada como forma de organização dos sistemas de saúde pela primeira vez no chamado Relatório Dawnson, em 1920. • O documento do governo inglês procurou, de um lado, contrapor- se ao modelo flexineriano americano de cunho curativo, fundado no reducionismo biológico e na atenção individual, e por outro, constituir-se numa referência para a organização do modelo de atenção inglês, que apresentava elevado custo, crescente complexidade da atenção médica e baixa resolutividade. ↳ O relatório organizava o modelo de atenção em centros de saúde primários e secundários, serviços domiciliares, serviços suplementares e hospitais de ensino. Os centros de saúde primários e os serviços domiciliares deveriam estar organizados de forma regionalizada, onde a maior parte dos problemas de saúde deveriam ser resolvidos por médicos com formação em clínica geral. ↳ Os casos que o médico não tivesse condições de solucionar com os recursos disponíveis nesse âmbito da atenção deveriam ser encaminhados para os centros de atenção secundária, onde haveriam especialistas das mais diversas áreas, ou então, para os hospitais, quando existisse indicação de internação ou cirurgia. Essa organização caracteriza-se pela hierarquização dos níveis de atenção à saúde. ↳ Esta concepção elaborada pelo governo inglês influenciou a organização dos sistemas de saúde de todo o mundo, definindo duas características básicas da APS. • A regionalização • A integralidade ↳ Os elevados custos dos sistemas de saúde, o uso indiscriminado de tecnologia médica e a baixa resolutividade preocupavam a sustentação econômica da saúde nos países desenvolvidos, fazendo-os pesquisar novas formas de organização da atenção com custos menores e maior eficiência. ↳ Em contrapartida, os países pobres e em desenvolvimento sofriam com a iniquidade dos seus sistemas de saúde, com a falta de acesso a cuidados básicos, com a mortalidade infantil e com as precárias condições sociais, econômicas e sanitárias. ↳ Em 1978 a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) realizaram a I Conferência Internacional sobreCuidados Primários de Saúde em Alma-Ata, no Cazaquistão, antiga União Soviética, e propuseram um acordo e uma meta entre seus países membros para atingir o maior nível de saúde possível até o ano 2000, através da APS. ↳ Essa política internacional ficou conhecida como “Saúde para Todos no Ano 2000”. A Declaração de Alma-Ata, como foi chamado o pacto assinado entre 134 países, propôs uma definição para APS, denominada cuidados primários de saúde. • Os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e autodeterminação. ↳ Os cuidados primários de saúde representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e constituem o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde (Opas/OMS, 1978). ↳ No que diz respeito à organização da APS, a declaração de Alma-Ata propõe a instituição de serviços locais de saúde centrados nas necessidades de saúde da população e fundados numa perspectiva interdisciplinar como a participação social na gestão e controle de suas atividades. ↳ A Declaração de Alma-Ata representa uma proposta num contexto muito maior que um pacote seletivo de cuidados básicos em saúde. Nesse sentido, aponta para a necessidade de sistemas de saúde universais, isto é, concebe a saúde como um direito humano; a redução de gastos com armamentos e conflitos bélicos e o aumento de Lara C. Micheletto - TXX 01 investimentos em políticas sociais para o desenvolvimento das populações excluídas. ↳ Representa a compreensão de que a saúde é o resultado das condições econômicas e sociais, e das desigualdades entre os diversos países; e também estipula que os governos nacionais devem protagonizar a gestão dos sistemas de saúde, estimulando o intercâmbio e o apoio tecnológico, econômico e político internacional (Matta, 2005). ↳ A APS tornou-se uma referência fundamental para as reformas sanitárias ocorridas em diversos países nos anos 80 e 90 do último século. Entretanto, muitos países e organismos internacionais, como o Banco Mundial, adotaram a APS numa perspectiva focalizada, entendendo a atenção primária como um conjunto de ações de saúde de baixa complexidade, dedicada a populações de baixa renda, no sentindo de minimizar a exclusão social e econômica decorrentes da expansão do capitalismo global. ↳ A expressão “atenção primária à saúde” tem sido utilizada com distintas acepções, sendo duas predominantes: • APS como um nível de atenção do sistema de saúde • APS como modelo de organização do sistema de saúde Atenção Primária à Saúde - Atributos ATRIBUTOS ESSENCIAIS ↳ Constituir a porta de entrada do serviço • Espera-se da APS que seja mais acessível à população, em todos os sentidos, e que com isso seja o primeiro recurso a ser buscado. Dessa forma, a APS é o Primeiro Contato do usuário com o Sistema de Saúde. ↳ Continuidade do cuidado • A pessoa atendida mantém seu vínculo com o serviço ao longo do tempo, de forma que quando uma nova demanda surge esta seja atendida de forma mais eficiente; essa característica também é chamada de longitudinalidade. ↳ Coordenação do cuidado • Mesmo quando parte substancial do cuidado à saúde de uma pessoa for realizado em outros níveis de atendimento, o nível primário tem a incumbência de organizar, coordenar e/ou Integrar esses cuidados, já que frequentemente são realizados por profissionais de áreas diferentes ou terceiros, e que portanto têm pouco diálogo entre si. ↳ Integralidade • O nível primário é responsável por todos os problemas de saúde; ainda que parte deles seja encaminhado a equipes de nível secundário ou terciário, o serviço de Atenção Primária continua corresponsável. Além do vínculo com outros serviços de saúde, os serviços do nível primário podem lançar mão de visitas domiciliares, reuniões com a comunidade e ações intersetoriais. Nessa característica, a integralidade também significa a abrangência ou ampliação do conceito de saúde, não se limitando ao corpo puramente biológico. ATRIBUTOS DERIVADOS ↳ Orientação Familiar • Na avaliação das necessidades individuais para a atenção integral deve-se considerar o contexto familiar e seu potencial de cuidado e, também, de ameaça à saúde, incluindo o uso de ferramentas de abordagem familiar. ↳ Orientação Comunitária • Reconhecimento por parte do serviço de saúde das necessidades em saúde da comunidade através de dados epidemiológicos e do contato direto com a comunidade; sua relação com ela, assim como o planejamento e a avaliação conjunta dos serviços. ↳ Competência Cultural • Adaptação do provedor (equipe e profissionais de saúde) às características culturais especiais da população para facilitar a relação e a comunicação com a mesma. ↳ Com o movimento sanitário brasileiro, as concepções da APS foram incorporadas ao ideário reformista, compreendendo a necessidade de Lara C. Micheletto - TXX 01 reorientação do modelo assistencial, rompendo com o modelo médico-privatista vigente até o início dos anos 80. ↳ Essas experiências somadas à constituição do SUS (Brasil, 1988) e sua regulamentação (Brasil, 1990) possibilitaram a construção de uma política de Atenção Básica em Saúde que visasse à reorientação do modelo assistencial, tornando-se o contato prioritário da população com o sistema de saúde. ↳ PORTARIA N ° 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017 • Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). PNAB - PORTARIA No 2.436/2017 ↳ Art. 2o A Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária. • §1o A Atenção Básica será a principal porta de entrada e centro de comunicação da RAS, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede. • §2o A Atenção Básica será ofertada integralmente e gratuitamente a todas as pessoas, de acordo com suas necessidades e demandas do território, considerando os determinantes e condicionantes de saúde. Política Nacional de Atenção Básica ↳ Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior frequência e relevância em seu território. ↳ É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. ↳ Orienta-se pelos princípios da universalidade, acessibilidade e coordenação do cuidado, vínculo e continuidade, integralidade, responsabilização, humanização, equidade, e participação social. ↳ Atualmente, a principal estratégia de configuração da AB no Brasil é a saúde da família que tem recebido importantes incentivos financeiros visando à ampliação da cobertura populacional e à reorganização da atenção. ↳ A saúde da família aprofunda os processos de territorialização e responsabilidade sanitária das equipes de saúde, compostas basicamente por médicogeneralista, enfermeiro, auxiliares e/ou técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, cujo trabalho é referência de cuidados para a população adscrita, com um número definido de domicílios e famílias assistidos por equipe. • Equipe de Saúde da Família composta por, no mínimo, médico generalista ou especialista em Saúde da Família ou médico de Família e Comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS), responsável por, no máximo, 4.000 pessoas. • O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com um máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família. Política Nacional de Atenção Básica: Características do Processo de Trabalho ↳ Definição do território de atuação e de população sob responsabilidade das UBS e das equipes. ↳ Programação e implementação das atividades de atenção à saúde de acordo com as necessidades de saúde da população, com a priorização de intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde segundo critérios de frequência, risco, vulnerabilidade e resiliência. Inclui-se aqui o planejamento e organização da agenda de trabalho compartilhado de todos os profissionais e recomenda-se evitar a divisão de agenda segundo critérios de problemas de saúde, ciclos de vida, sexo e patologias, dificultando o acesso dos usuários. Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ Desenvolver ações que priorizem os grupos de risco e os fatores de risco clínico-comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o aparecimento ou a persistência de doenças e danos evitáveis. ↳ Realizar o acolhimento com escuta qualificada, classificação de risco, avaliação de necessidade de saúde e análise de vulnerabilidade, tendo em vista a responsabilidade da assistência resolutiva à demanda espontânea e o primeiro atendimento às urgências. ↳ Prover atenção integral, contínua e organizada à população adscrita. ↳ Realizar atenção à saúde na Unidade Básica de Saúde, no domicílio, em locais do território (salões comunitários, escolas, creches, praças etc.) e em outros espaços que comportem a ação planejada. ↳ Desenvolver ações educativas que possam interferir no processo de saúde doença da população, no desenvolvimento de autonomia, individual e coletiva, e na busca por qualidade de vida pelos usuários. ↳ Implementar diretrizes de qualificação dos modelos de atenção e gestão, tais como a participação coletiva nos processos de gestão, a valorização, fomento à autonomia e protagonismo dos diferentes sujeitos implicados na produção de saúde, o compromisso com a ambiência e com as condições de trabalho e cuidado, a constituição de vínculos solidários, a identificação das necessidades sociais e organização do serviço em função delas, entre outras. ↳ Participar do planejamento local de saúde, assim como do monitoramento e avaliação das ações na sua equipe, unidade e município, visando à readequação do processo de trabalho e do planejamento diante das necessidades, realidade, dificuldades e possibilidades analisadas. ↳ Desenvolver ações intersetoriais, integrando projetos e redes de apoio social voltadas para o desenvolvimento de uma atenção integral. ↳ Apoiar as estratégias de fortalecimento da gestão local e do controle social. ↳ Realizar atenção domiciliar destinada a usuários que possuam problemas de saúde controlados/compensados e com dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma unidade de saúde, que necessitam de cuidados com menor frequência e menor necessidade de recursos de saúde, e realizar o cuidado compartilhado com as equipes de atenção domiciliar nos demais casos. ↳ Equipes de Saúde da Família Ribeirinhas e Fluviais • As equipes de Saúde da Família Ribeirinhas e as Unidades Básicas de Saúde Fluviais estão direcionadas para o atendimento da população ribeirinha da Amazônia Legal e Pantanal Sul-Mato- Grossense, respectivamente. Considerando as especificidades locais, os municípios podem optar entre dois arranjos organizacionais para equipes de Saúde da Família, além dos existentes para o restante do País: I. Equipes de Saúde da Família Ribeirinhas (eSFR): desempenham a maior parte de suas funções em Unidades Básicas de Saúde (UBS) construídas/localizadas nas comunidades pertencentes a regiões à beira de rios e lagos cujo acesso se dá por meio fluvial; II. Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF): desempenham suas funções em Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF). ↳ Consultório na Rua • O Consultório na Rua é uma proposta que procura ampliar o acesso da população de rua e ofertar, de maneira mais oportuna, atenção integral à saúde, por meio das equipes e serviços da atenção básica. • As equipes de Consultórios na Rua (eCR) devem realizar as atividades de forma itinerante e, quando necessário, utilizar as instalações das Unidades Básicas de Saúde (USB) do território, desenvolvendo ações em parceria com as equipes dessas unidades, e devem cumprir carga horária mínima semanal de 30 horas. O horário de funcionamento deve se adequar às demandas das pessoas em situação de rua, podendo ocorrer em período diurno e/ou noturno, em todos os dias da semana. • As equipes poderão ser compostas pelos seguintes profissionais de saúde: - Enfermeiro - Médico - Assistente Social - Terapeuta Ocupacional - Psicólogo - Agente Social - Técnico ou Auxiliar de Enfermagem - Técnico em Saúde Bucal ↳ De acordo com a Portaria N° 122, de 25 de janeiro de 2012, as eCR terão acesso a processos de educação permanente, contemplando a abordagem das diferentes necessidades de saúde da população em situação de rua, bem como o desenvolvimento de competências para a prática da redução de danos. Lara C. Micheletto - TXX 01 ↳ São equipes multiprofissionais que podem se organizar em três modalidades, o que definirá os recursos financeiros a serem destinados, conforme observado a seguir: • Modalidade I • Modalidade II • Modalidade III ↳ Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) • Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram criados pelo Ministério da Saúde em 2008 com o objetivo de apoiar a consolidação da Atenção Básica no Brasil, ampliando as ofertas de saúde na rede de serviços, assim como a resolutividade, a abrangência e o alvo das ações. • Atualmente regulamentados pela Portaria no 2.488, de 21 de outubro de 2011, configuram-se como equipes multiprofissionais que atuam de forma integrada com as equipes de Saúde da Família (eSF), as equipes de atenção básica para populações específicas (consultórios na rua, equipes ribeirinhas e fluviais) e com o Programa Academia da Saúde. • Esta atuação integrada permite realizar discussões de casos clínicos, possibilita o atendimento compartilhado entre profissionais tanto na Unidade de Saúde como nas visitas domiciliares, permite a construção conjunta de projetos terapêuticos de forma que amplia e qualifica as intervenções no território e na saúde de grupos populacionais. • Com a publicação da Portaria 3.124, de 28 de dezembro de 2012, o Ministério da Saúde criou uma terceira modalidade de conformação de equipe: o NASF 3, abrindo a possibilidade de qualquer município do Brasil faça implantação de equipes NASF, desde que tenha ao menos uma equipe de Saúde da Família. ↳ Atenção Domiciliar (AD) • A atenção domiciliar (AD) configura-se como atividade a ser realizada na atenção básica pelas equipes de atenção básica (eAB) e pelos Serviços de Atenção Domiciliar (SAD) para atender pessoas incapacitadas ou com dificuldade de locomoção. O processo do cuidar em AD está ligado diretamente aos aspectos referentes à estrutura familiar, à infraestruturado domicílio e à estrutura oferecida pelos serviços para esse tipo de assistência. • Deverá, portanto, ser organizada em três modalidades: AD1, AD2 e AD3, e definida a partir da caracterização do paciente, do tipo de atenção e dos procedimentos utilizados para a realização do cuidado. Modalidade AD1 – Atenção Básica ↳ Destina-se a pacientes que possuam problemas de saúde controlados/compensados e com dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma unidade de saúde; e/ou pacientes que necessitem de cuidados de menor intensidade, incluídos os de recuperação nutricional, de menor frequência de visitas, com menor necessidade de recursos de saúde e dentro da capacidade de atendimento de todos os tipos de equipes que compõem a atenção básica. Modalidade AD2/AD3 – Melhor em Casa (SAD) ↳ Destina-se, na modalidade AD2, a usuários que possuam problemas de saúde e dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma unidade de saúde e que necessitem de maior frequência de cuidado, recursos de saúde e acompanhamento contínuo, podendo ser oriundos de diferentes serviços da rede de atenção, com necessidade de frequência e intensidade de cuidados maior que a capacidade da rede básica. A modalidade AD3 destina-se aos usuários semelhantes aos da AD2, mas que façam uso de equipamentos específicos. São pacientes de maior complexidade que dificilmente terão alta dos cuidados domiciliares. ↳ Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD) • Modalidade AD2: aos usuários que possuam problemas de saúde e dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma UBS e que necessitem de maior frequência de cuidado, recursos de saúde e acompanhamento contínuos, podendo ser provenientes de diferentes serviços da rede de atenção. A prestação de assistência à saúde na modalidade AD2 é de responsabilidade da equipe multiprofissional de atenção domiciliar (EMAD) e da equipe multiprofissional de apoio (EMAP). • Modalidade AD3: destinada aos usuários que possuam problemas de saúde e dificuldade ou Lara C. Micheletto - TXX 01 impossibilidade física de locomoção até uma unidade de saúde, com necessidade de maior frequência de cuidado, recursos de saúde, acompanhamento contínuo e uso de equipamentos, podendo ser oriundos de diferentes serviços da Rede de Atenção à Saúde. A prestação de assistência à saúde na modalidade AD2 é de responsabilidade da equipe multiprofissional de atenção domiciliar (EMAD) e da equipe multiprofissional de apoio (EMAP), ambas designadas para essa finalidade. Política Nacional de Atenção Básica ↳ A Atenção Primária à Saúde enquanto ciência constitui-se como o primeiro contato de indivíduos, famílias e comunidades com o sistema de saúde. Tem o papel centralizador de organização, coordenação e responsabilização dentro de um sistema de saúde. ↳ Quando não exerce o papel centralizador, verifica- se a fragmentação da atenção. Essa fragmentação provoca a diminuição da resolutividade, aumento dos custos e a prevalência, dentro dos serviços que compõem o sistema local de saúde, da organização de atender as condições agudas. ↳ A evidência científica revela para o SUS que há uma situação de tripla carga de doenças, com convivência de doenças infecciosas e parasitárias, causas externas e doenças crônicas. E que a sua resposta social é provida por um sistema de atenção à saúde fragmentado e voltado para a atenção às condições e aos eventos agudos. ↳ A evidência revela também que alguns países e alguns estados brasileiros que adotaram a Atenção Primária à Saúde, exercendo papel centralizador do Sistema de Saúde, têm conseguido responder melhor às necessidades colocadas pela situação de tripla carga de doenças e produzir resultados mais relevantes para a população. Lara C. Micheletto - TXX 01 PASS – aula 13 Redes de Atenção à Saúde ↳A Situação de Saúde no Brasil A transição Demográfica• A Carga de doenças• As condições de saúde A transição demográfica M ortalidade por grupo de causas A tripla carga de doença Uma agenda não concluída de infecções,• desnutrição e problemas de saúde reprodutiva. A forte predominância relativa das doenças• crônicas e de seus fatores de riscos, como tabagismo, sobrepeso, inatividade física, uso excessivo de álcool e outras drogas e alimentação inadequada. O forte crescimento da violência e das causas• externas. T ipologia das condições de saúde Condições Agudas X Condições Crônicas Qual a importância destes conceitos na↳ organização dos sistemas de atenção à saúde? Os sistemas de atenção à saúde C onceitos fundamentais Os sistemas de atenção à saúde são definidos↳ pela Organização Mundial da Saúde como o conjunto de atividades cujo propósito primário é promover, restaurar e manter a saúde de uma população (WHO, 2000). Daí que os sistemas de atenção à saúde são respostas sociais, organizadas deliberadamente, para responder às necessidades, demandas e representações das populações, em determinada sociedade e em certo tempo. Objetivos dos Sistemas de Atenção à Saúde O alcance de um nível ótimo de saúde, distribuído• de forma equitativa; A garantia de uma proteção adequada dos riscos• para todos os cidadãos; O acolhimento humanizado de todos os cidadãos;• A garantia da prestação de serviços efetivos e de• qualidade; A garantia da prestação de serviços com eficiência• Lara C. Micheletto - TXX 01 Tipologia de Organização dos Serviços Os sistemas de atenção à saúde podem↳ apresentar-se, na prática social, por meio de diferentes formas organizacionais. Na experiência internacional contemporânea, a tipologia mais encontrada é de sistemas fragmentados e redes de atenção à saúde. Sistemas Fragmentados O Brasil apresenta incoerência entre uma situação↳ de saúde que combina transição demográfica acelerada e tripla carga de doença, com forte predominância de condições crônicas, e um sistema fragmentado de saúde que opera de forma episódica e reativa e que é voltado principalmente para a atenção às condições agudas e às agudizações de condições crônicas. Os fundamentos da construção Redes de Atenção à Saúde Os serviços de saúde estruturam-se numa rede↳ de pontos de atenção à saúde, composta por equipamentos de diferentes densidades tecnológicas que devem ser distribuídos espacialmente, de forma ótima, em arranjos produtivos híbridos que combinam a concentração de certos serviços com a dispersão de outros (eficiência, efetividade e qualidade dos serviços). A estrutura operacional Redes de Atenção à Saúde Elementos constitutivos↳ a população adscrita à rede de atenção à saúde• estrutura operacional• o modelo de atenção à saúde• A estrutura operacional das redes de atenção à saúde expressam-se materialmente em seus cinco componentes: Centro de Comunicação da Rede• Pontos de Atenção• Sistemas Logísticos• Sistemas de Apoio• Sistemas de Governança• → Primeiro Componente - O centro de comunicação está localizado na atenção primária à saúde, no qual se coordenam os fluxos e os contra- fluxos do sistema de serviços de saúde, objetivando uma perfeita interação de todos os elementos integrados na rede. Deve exercer um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. → Atributos da APS - Primeiro contato - Longitudinalidade - Integralidade - Coordenação - Orientação familiar - Orientação comunitária Para desempenhar seu papel de centro de↳ comunicação da rede horizontal de um sistema de serviços de saúde, a atenção primária à saúde deve cumprir três papéis essenciais: Papel resolutivo•Papel organizador• Papel de responsabilização• Lara C. Micheletto - TXX 01 → Segundo Componente - Os pontos de atenção à saúde são os nós da rede da saúde e configuram- se como um local que se presta um serviço de saúde singular, segundo uma função de produção específica (atenção secundária e terciária). Não há uma hierarquização entre os distintos nós, nem entre eles e o centro de comunicação, apenas uma diferenciação dada por suas funções de produção específicas e por suas densidades tecnológicas respectivas. Ou seja, não há hierarquia, mas poliárquia entre os pontos de atenção à saúde. → Terceiro Componente - Os sistemas de apoio são os lugares institucionais das redes onde se prestam serviços comuns a todos os pontos de atenção à saúde, nos campos do apoio diagnóstico e terapêutico, da assistência farmacêutica e dos sistemas de informação em saúde. → Quarto Componente - Os sistemas logísticos são soluções tecnológicas, fortemente ancoradas nas tecnologias de informação, que garantem uma organização racional dos fluxos e contra-fluxos de informações, produtos e usuários nas redes de atenção à saúde. Os principais sistemas logísticos das redes de atenção à saúde são os cartões de identificação dos usuários, as centrais de regulação, os prontuários clínicos e os sistemas de transportes sanitários. → Quinto Componente - A governança é definida pela ONU como o exercício da autoridade política, econômica e administrativa para gerir os negócios do Estado. É o arranjo organizativo interinstitucional que permite a governança de todos os componentes das redes de atenção à saúde, de forma a gerar um excedente cooperativo entre os atores sociais em situação e a obter resultados sanitários efetivos e eficientes nas regiões de saúde (macro e microrregiões). Redes de atenção à saúde A governança regional Elementos constitutivos Redes de Atenção à Saúde A população adscrita à rede de atenção à saúde↳ Territórios• Populações• Estrutura operacional↳ Centro de Comunicação da Rede• Pontos de Atenção• Sistemas Logísticos• Sistemas de Apoio• Sistemas de Governança• O modelo de atenção à saúde↳ Modelo de Atenção à Saúde O modelo de atenção à saúde é um sistema↳ lógico que organiza o funcionamento das redes de atenção à saúde, articulando, de forma singular, as relações entre os componentes da rede e as intervenções sanitárias, definido em função da visão prevalente da saúde, das situações demográfica e epidemiológica e dos determinantes sociais da saúde, vigentes em determinado tempo e em determinada sociedade. O Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC) As evidências encontradas na literatura↳ internacional sobre os modelos de atenção à saúde e a singularidade do SUS fizeram com que Mendes desenvolvesse um Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC), capaz de ser aplicado no sistema público de saúde brasileiro. Lara C. Micheletto - TXX 01 Lara C. Micheletto - TXX 01