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GERENCIAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS, DE COMPETÊNCIAS E FERRAMENTAS DE TI PARA PROJETOS Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Neli Miglioli Sabadin Adriana Fronza Marcos CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Ivan Tesck Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz Prof.ª Tathyane Lucas Simão Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa Prof. Ivan Tesck Revisão de Conteúdo: Augusto Geller Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2017 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 004.068 S113g Sabadin, Neli Miglioli Gerenciamento das partes interessadas, de competências e ferramentas de TI para projetos / Neli Miglioli Sabadin; Adriana Franza Marcos. Indaial : UNIASSELVI, 2017. 136 p. : il. ISBN 978-85-69910-46-6 1. Informática - Administração. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci Neli Miglioli Sabadin Adriana Fronza Marcos Possui Mestrado em PPG em ciências da Linguagem pela UNISUL, Especialização em Administração em banco de dados Oracle pela FESP e Graduação em Ciências da Computação pela FURB. Docente desde 2008. Formada em ciências da computação pela FURB e possui 15 anos de experiência em desenvolvimento de sistemas, onde já atuou em qualidade de software, desenvolvimento e análise de sistemas. Atualmente seu foco tem sido gerenciamento de projetos, onde adquiriu as certificações: PMP: Project Management Professional PSM I: Professional Scrum Master I Em suas experiências de gerente de projetos, atuou com equipes multidisciplinares e com situações distintas, como equipes remotas, projetos de longa e curta duração. Sumário APRESENTAÇÃO ......................................................................7 CAPÍTULO 1 Identificar as Partes Interessadas ......................................9 CAPÍTULO 2 Planejar o gerenciamento das partes interessadas ......37 CAPÍTULO 3 Gerenciar o engajamento das partes interessadas ........57 CAPÍTULO 4 Controlar o engajamento das partes interessadas .......77 CAPÍTULO 5 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto .............................................................95 CAPÍTULO 6 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI .....................................................117 APRESENTAÇÃO Esta disciplina apresenta os processos de gerenciamento das partes interessadas. Este conteúdo é abordado no 13º capítulo do guia PMBOK. Este assunto é muito importante para o PMI, pois antes de levar em consideração o cumprimento dos prazos, orçamento e qualidade, é preciso atender as necessidades das partes interessadas. Essa área inclui os processos necessários para identificar as pessoas, grupos ou organizações que possam afetar ou ser afetado pelo projeto, para analisar as expectativas das partes interessadas e seu impacto sobre o projeto e para desenvolver estratégias de gerenciamento adequadas para efetivamente engajar as partes interessadas nas decisões e na execução do projeto. O Caderno de estudos está dividido em seis capítulosda seguinte forma conforme abaixo: Capítulo 1 - Identificar as partes interessadas: consiste no processo de identificação de todas as pessoas ou organizações que podem ser afetadas pelo projeto e documentação das informações relevantes relacionadas aos seus interesses, envolvimento e impacto no sucesso do projeto. Capítulo 2 - Planejar o gerenciamento das partes: tem como objetivo, desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento, a fim de engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise de suas necessidades, interesses e impacto potencial no sucesso do projeto. Capítulo 3 - Gerenciar o engajamento das partes interessadas: aborda o processo de se comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades/expectativas, abordar as questões à medida que elas ocorrem, e promover o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto. Capítulo 4 - Controlar o engajamento das partes interessadas: estudaremos o processo de monitorar os relacionamentos das partes interessadas no projeto em geral, e ajustar as estratégias e planos para o engajamento das mesmas. Capítulo 5 - Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto: o objetivo desse capítulo é compreender e desenvolver as competências de um gerente de projetos. Capítulo 6 - Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI: esse capítulo é destinado a demonstrar estudos de casos de projetos, ferramentas e tecnologias; conhecer ferramentas e tecnologias de TI para gerenciar projetos; e utilizar ferramentas e tecnologias de TI para gerenciar projetos. As autoras. CAPÍTULO 1 Identificar as Partes Interessadas A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Identificar as partes interessadas tem como objetivo o processo de identificar pessoas. � Grupos ou organizações que podem ter impacto ou serem impactados por uma decisão, atividade ou resultado do projeto. � Analisar e documentar informações relevantes relativas aos seus interesses, nível de engajamento, interdependências, influência, e seu impacto potencial no sucesso do projeto. 10 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 11 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Contextualização Quando você vai viajar, inicialmente busca um destino que lhe interessa. Esse interesse pode ter surgido de uma indicação de um amigo, ou de uma reportagem que você viu em algum jornal, site ou televisão. Depois de decidido o destino, você normalmente busca mais informações do local aonde irá se hospedar, com qual empresa irá viajar e, também, se terá algum acompanhante nessa viagem. Ou seja, buscará parceiros para lhe ajudar direta ou indiretamente nessa empreitada. Ao longo desse processo de decidir data, roteiro, hospedagem, há uma série de parceiros nos quais você terá que confiar para que sua viagem saia da maneira que está planejando. De maneira muito semelhante, isso acontece em um projeto. E para que tenha sucesso, antes de qualquer coisa é fundamental a identificação das partes interessadas no projeto, com isso teremos a ajuda e manteremos os interesses de todas as partes interessadas. Neste capítulo falaremos da importância de termos uma boa coesão entre os envolvidos no projeto. Veremos que esse processo de identificação das partes interessadas talvez seja o processo mais crítico do gerenciamento do projeto, pois, descobrir as partes interessadas e escutá-las de forma efetiva no início trará um maior comprometimento, maior clareza de requisitos e objetivos e, consequentemente, menos mudanças no decorrer do projeto. Por isso, esperamos que você participe efetivamente para o sucesso desse projeto, pois também faz parte do grupo das partes interessadas. Identificando as Partes Interessadas Segundo o Guia PMBOK®, a tarefa de revelar os stakeholders (partes interessadas) consiste no processo de identificação de todas as pessoas ou organizações que podem ser afetadas pelo projeto e documentação das informações relevantes relacionadas aos seus interesses, envolvimento e impacto no sucesso do projeto. Você lembra o que significa stakeholder? Em inglês stake significa interesse, participação, risco. Holder significa aquele que possui. Assim, stakeholder também significa parte interessada ou interveniente.Ou seja, é o público estratégico 12 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos e descreve uma pessoa ou grupo que fez um investimento ou tem ações ou interesse em uma empresa, negócio ou indústria. A identificação das partes interessadas ocorre na fase de iniciação do projeto. Você saberia dizer o porquê? Como percebemos, é de extrema importância conhecer quem fará parte do projeto, pois se não forem identificadas corretamente as partes interessadas no início do projeto, é certo que isso ocorrerá mais tarde. E como tudo o que descobrimos tarde demais tem consequências, com os stakeholders isso não é diferente. Ao descobrirmos a existência de partes interessadas de forma tardia, poderemos ter impactos diretos ao projeto, por exemplo: mudanças de escopo, o que acarretará em atrasos nas atividades do projeto (gerenciamento do tempo do projeto) e também na parte orçamentária (gerenciamento de custos do projeto). Certamente toda mudança de escopo tende a ser muito mais cara e difícil de integrar do que as que ocorreram na fase inicial do projeto. Além de uma mudança de escopo poder fazer com que apareçam novas partes interessadas. É importante que seja reavaliada a lista das partes interessadas durante todo o projeto, para que se possa determinar se deve ser inserida uma nova parte interessada e o que isso representa para o projeto. A participação dos interessados vai mudando ao longo do projeto, como podemos ver no gráfico. Normalmente, nas fases iniciais do projeto as partes interessadas podem ter um grau maior de influência, mas o nível de influência diminui conforme o projeto avança. E de forma inversamente proporcional, temos que os custos associados às mudanças aumentam ao longo do projeto. 13 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Figura 1 – Participação das partes interessadas Fonte: Disponível em: <http://www.diegomacedo.com.br/gerenciamento- das-partes-interessadas-pmbok-5a-ed/>. Acesso em: 14 jul. 2016. Até agora falamos da importância de que as partes interessadas garantem o sucesso do projeto, mas uma dúvida deve ter surgido: O que é identificar as partes interessadas do projeto? Então, vamos lhe ajudar! Identificar as partes interessadas do projeto é o processo de identificar quaisquer pessoas, grupos ou organizações cujo interesse pode ser afetado de forma positiva ou negativa pelo projeto ou pelo produto resultante do projeto, assim como qualquer pessoa que possa exercer influência positiva ou negativa ao projeto. Como podemos ver na figura a seguir. Algumas partes interessadas mais comuns no projeto são: • o dono do projeto (sponsor) ou patrocinador; • o cliente; • o gerente de projetos; • a organização executora; • os membros da equipe do projeto. 14 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 2 – Partes Interessadas Fonte: Disponível em: <https://gp4us.wordpress.com/2015/06/26/ stakeholders-tecnicas-de-engajamento/>. Acesso em: 14 jul. 2016. Você já deve estar pensando que, com tantas pessoas envolvidas e pessoas de diferentes áreas e com diferentes interesses, com certeza elas pensam de formas distintas e possuem expectativas e objetivos diferentes. O grande desafio do gerente de projetos é saber encontrar resoluções adequadas para as divergências e conflitos que aparecem entre as partes interessadas. Veja essa sugestão de planilha. Após a identificação de cada parte, foi feita uma classificação de como elas influenciam, seu grau de poder e qual a estratégia a ser utilizada. 15 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Fi gu ra 3 – Id en tifi ca çã o do s S ta ke ho ld er s Fo nt e: D is po ní ve l e m : < ht tp :// bl og .m un do pm .c om .b r/w p- co nt en t/ up lo ad s/ 20 14 /1 0/ 1. pn g ac es so >. A ce ss o em : 3 1 ju l. 20 16 . Para auxiliar nesta tarefa, temos um guia, do qual você já deve ter ouvido falar, e que será nosso guia nesta disciplina, o PMBOK. Ele é o guia do conhecimento em Gerenciamento de Projetos, nele temos as áreas de conhecimento e os processos de cada área de conhecimento. Cada processo possui suas entradas, ferramentas e técnicas e as saídas, como apresentado na figura a seguir. • As entradas: o que eu preciso para executar o processo. • Ferramentas e técnicas: como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. • A(s) saída(s): o que resultou o processo. 16 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 4 – Fases Do PMBoK Fonte: PMBoK (2013). Vamos tentar usar um exemplo que ajudará você a colocar em prática essas três fases do PMBOK. Para auxiliá-lo no entendimento da importância do Guia PMBOK, imagine um exemplo hipotético, onde consideremos um processo do PMBOK como sendo uma pescaria. Teremos várias atividades neste projeto: convidar amigos para pescar, combinar datas e horários, escolher o lugar etc. Uma das atividades é pescar. Agora, voltando ao PMBOK, no processo de identificar as partes interessadas temos: • As entradas: são o que precisamos para pescar (lagoa, rio, mar, iscas etc.); • As ferramentas e técnicas: são o que precisamos para pescar (tarrafa, rede, caniço, vara de pesca, arpões etc.); • As saídas: são o que resulta da pescaria (peixes). A seguir detalharemos um pouco mais a fundo cada um desses itens. Para se aprofundar, acesse o site de Ricardo Vargas. Neste site você encontra diversos podcasts que vão, de maneira bem didática, lhe explicar um pouco mais sobre o gerenciamento das partes interessadas. Disponível em: <http://www.ricardo-vargas.com/pt/>. 17 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Detalhando as fases Neste tópico vamos detalhar cada uma das fases que apresentamos no tópico anterior. Começaremos explicando sobre os documentos de entrada, os documentos de aquisição, fatores ambientais da empresa e ativos de processos organizacionais. a) Entradas Figura 5 – Fases do PMBoK Fonte: PMBoK (2013). 1. Termo de abertura do projeto (Project Charter): segundo o PMBOK (2013), é um documento publicado pelo iniciador ou patrocinador do projeto que autoriza formalmente a existência de um projeto e concede ao gerente de projetos a autoridade para aplicar os recursos organizacionais nas atividades do projeto. O termo de abertura do projeto pode fornecer informações sobre as “partes internas e externas relacionadas e afetadas pelo resultado ou a execução do projeto, tais como patrocinador(es), clientes, membros da equipe, grupos e departamentos que participam do projeto, e outras pessoas ou organizações afetadas” pelo projeto (PMBOK, 2013, p. 394). 2. Documentos de aquisição (Procurement Documents): “Os documentos utilizados nas atividades de licitação e proposta, que incluem Convite para licitação, Convite para negociações, Solicitação de informações, Solicitação de cotação, Solicitação de proposta do comprador e as respostas do fornecedor” (PMBOK, 2013, p. 541). Se um projeto for o resultado de uma “atividade de aquisição ou estiver baseado em um contrato estabelecido, as partes desse contrato são as principais partes interessadas do projeto. Outras partes relevantes, como fornecedores, também devem ser consideradas na lista das partes interessadas do projeto” (PMBOK, 2013, p. 394). 18 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 3. Fatores ambientais da empresa (Enterprise Environmental Factors): “As condições que não estão sob o controle imediato da equipe e que influenciam, restringem ou direcionam o projeto, programa ou portfólio” (PMBOK, 2013, p. 545). De acordo com o PMBOK (2013), os fatores ambientais da empresa que podem influenciar o processo de identificar as partes interessadas incluem, entre outros: • cultura e estrutura da organização; • padrõesgovernamentais ou do setor (por exemplo, regulamentos, padrões dos produtos); • tendências globais, regionais ou locais, e práticas ou hábitos. 4. Ativos de processos organizacionais (Organizational Process Assets): “Planos, processos, políticas, procedimentos e bases de conhecimento específicas usadas pela organização executora” (PMBOK, 2013, p. 531). Conforme o PMBOK (2013), os ativos de processos organizacionais que podem influenciar o processo de identificar as partes interessadas incluem, entre outros: • modelos para registro das partes interessadas; • lições aprendidas em projetos e fases anteriores; e • registros das partes interessadas de projetos anteriores. Agora que já conhecemos quais são os documentos que fazem parte das entradas, vamos para o próximo. Mas, antes, vamos fazer um exercício? Atividade de Estudos: 1) Vamos organizar um evento? Se você fosse fazer um churrasco, ou uma festa para seu filho(a), ou organizar uma viagem, quais seriam as entradas? Quem seriam as partes interessadas? ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ 19 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ b) Ferramentas e Técnicas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as ferramentas e técnicas utilizadas para o gerenciamento das partes interessadas. Figura 6 – Fases do PMBoK Fonte: PMBoK (2013). 1. Análise das partes interessadas (Stakeholder Analysis): “A análise de partes interessadas é uma técnica de coleta e análise sistemática de informações quantitativas e qualitativas para determinar quais interesses devem ser considerados durante o projeto” (PMBOK, 2013, p. 527). [...] Ela identifica os interesses, as expectativas e a influência das partes interessadas e determina seu relacionamento com a finalidade do projeto. Também ajuda a identificar os relacionamentos das partes interessadas (do projeto e com outras partes interessadas) que podem ser aproveitadas para formar alianças e parcerias potenciais para aumentar a possibilidade de êxito do projeto, juntamente com os relacionamentos com as partes interessadas que devem ser influenciadas de maneiras diferentes nos vários estágios do projeto ou da fase, (PMBOK, 2013, p. 395). A análise de partes interessadas, na maioria das vezes, adota as seguintes etapas: • Identificar todas as potenciais partes interessadas do projeto e as informações relevantes, por exemplo, os papéis, departamentos, interesses, conhecimentos, expectativas e níveis de influência. As partes interessadas 20 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos principais geralmente são fáceis de identificar. Incluem as pessoas com papel de gerência ou que tenham poder de tomada de decisões afetadas pelo resultado do projeto, como o patrocinador, o gerente de projeto e o cliente principal. Para identificar as demais partes interessadas em geral, essa atividade é feita através de entrevistas. Esse processo ocorre até a identificação de todos os interessados. • Fazer a identificação do impacto ou apoio potencial que cada parte interessada poderia contribuir e também classificá-los a fim de definir uma estratégia de abordagem. Em um grande grupo de partes interessadas, é importante priorizá-las para garantir que sejam utilizados de forma eficiente os esforços na hora de comunicar e gerenciar suas expectativas. • Avaliar como as principais partes interessadas possivelmente irão reagir ou responder a várias situações, com o objetivo de planejar como influenciá-las para aumentar seu apoio e mitigar os impactos negativos em potencial. Segundo o PMBOK (2013), existem muitos modelos para classificação na análise das partes interessadas, como: • Grau de poder/interesse, no qual se agrupam as partes interessadas com base no seu nível de autoridade (“poder”) e seu nível de preocupação (“interesse”) em relação aos resultados do projeto. • Grau de poder/influência, agrupa as partes interessadas com base no seu nível de autoridade (“poder”) e no seu engajamento ativo (“influência”) no projeto. • Grau de influência/impacto, que incorpora as partes interessadas com base no seu engajamento ativo (“influência”) no projeto e na sua habilidade de efetuar mudanças no planejamento ou na execução do projeto (“impacto”). • Modelo de relevância, que descreve os tipos de partes interessadas com base no seu poder (capacidade de impor sua vontade), na urgência (necessidade de atenção imediata) e na legitimidade (seu envolvimento é apropriado). Na figura a seguir há um modelo de representação de grau de poder/ interesse, onde A-H representa a disposição das partes interessadas genéricas. 21 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Figura 7 – Representação de grau de poder/interesse Fonte: PMBoK (2013). Mas quem vai em que lugar? Essa matriz pode parecer confusa, mas vamos apresentar um modelo já preenchido. Neste nosso exemplo, temos o gerenciamento para a campanha de doação de sangue. Vejamos o exemplo: TÍTULO: 1ª SEMANA REGIONAL DE DOAÇÃO DE SANGUE DO VALE DO PARAÍBA Objetivo: Prover estoque de sangue suficiente para o período de Natal e Ano Novo (20/12/2014 a 10/01/2015). Justificativa: Historicamente, o período de férias e festas de final de ano ocasiona um aumento do número de acidentes, bem como outros eventos que exigem maior capacidade do Banco de Sangue. Neste ano, como prevenção à falta de estoque, vamos realizar uma campanha regional de doação no Vale do Paraíba (SP). Descrição Geral: O projeto terá início em outubro de 2014, incluindo planejamento, organização e a realização da semana de doação de sangue, que deverá ocorrer entre 01 e 05/12/2014. A 22 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos campanha deverá ser realizada em nível regional no Vale do Paraíba, contando com postos avançados de coleta de sangue em ao menos cinco cidades diferentes (a serem definidas) em torno de São José dos Campos. Exigências ambientais, sanitárias e outras devem ser consideradas. Publicidade e propaganda, bem como o uso de redes sociais na divulgação, são fatores críticos de sucesso. Observa-se como interessados neste projeto: • Secretarias do governo do Estado; • Secretarias municipais; • Laboratórios; • Hemonúcleos; • Postos de saúde; • Santa Casa; • Serviços de transporte; • Agências de publicidade; • Doadores (recorrentes e novos = 1ª doação); • Voluntários; • ANVISA; • ONGs; • Entidades filantrópicas. Fonte: Disponível em: <http://blog.mundopm.com.br/2014/09/22/ termo-de-abertura-do-projeto-exemplo-semana-de-doacao-de- sangue/#_Toc398491273>. Acesso em: 31 jul. 2016. Com base no cenário exposto, identificamos quem devemos manter satisfeito, quem deve ser gerenciado de perto e quem devemos manter informado. 23 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Figura 8 – Matriz de poder x interesse Fonte: Disponível em: <http://blog.mundopm.com.br/wp-content/ uploads/2014/10/2.png>. Acesso em: 31 jul. 2106. 2. Opinião especializada (Expert Judgment): opinião fornecida baseada em especialização numa área de aplicação, área de conhecimento, disciplina, setor econômico etc. adequada para a atividade que está sendo realizada. “Essa especialização pode ser oferecida por qualquer grupo ou pessoa com formação, conhecimento, habilidade, experiência ou treinamento especializado” (PMBOK, 2013, p. 554). Para garantir uma vasta identificação e o registro das partes interessadas, deve-se solicitar a opinião e o conhecimento de pessoas ou grupos que tenham conhecimento especializado ou treinamentona área em questão, como: • alta administração da empresa; • outras unidades dentro da organização; • principais partes interessadas já identificadas; • gerentes de projetos que trabalharam em projetos nesta mesma área (diretamente ou por meio de lições aprendidas); • especialistas no assunto do projeto ou da área de negócio; • consultores do setor; • ONGs: associações profissionais e técnicas, entidades reguladoras e organizações não governamentais. 24 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos A opinião especializada pode ser adquirida através de consultas individuais (reuniões particulares, entrevistas etc.) ou ainda em formato de painel (discussões de grupo, pesquisas de opinião etc.). 3. Reuniões: De acordo com o PMBOK (2013), as reuniões para análise de perfis são reuniões do projeto concebidas para desenvolver o entendimento das principais partes interessadas do projeto, e podem ser usadas para a troca ou análise de informações sobre papéis, interesses, conhecimentos e a situação geral de cada parte interessada do projeto. Atividade de Estudos: 1) Agora é com você, vamos continuar o preparativo proposto na atividade anterior. Agora você já definiu as entradas, vamos identificar as ferramentas. Não se esqueça de preencher a Matriz de poder X Interesse. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ c) Saídas Agora vamos preparar o documento de saída, fechando o ciclo de identificação das partes interessadas. Este documento tem todos os detalhes referentes às partes identificadas. 25 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Figura 9 – Fases do PMBoK Fonte: PMBoK (2013). 1. Registro das partes interessadas (Stakeholders Register): “Um documento do projeto que inclui a identificação e a classificação das partes interessadas do projeto” (PMBOK, 2013, p. 560). O principal resultado do processo de identificar as partes interessadas é o registro delas. Ele tem todos os detalhes referentes às partes identificadas. Conforme Mulcahy (2013), todas as informações sobre as partes interessadas são reunidas no registro das partes interessadas. Esse registro pode incluir o nome de cada parte interessada, seu cargo, superior, papel no projeto, informações de contato, principais requisitos e expectativas, impacto e influência, atitude em relação ao projeto, as classificações em que o indivíduo se enquadra e outras informações relevantes, conforme vemos no modelo a seguir: 26 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Fi gu ra 1 0 – M od el o de re gi st ro d as p ar te s in te re ss ad as Fo nt e: A da pt ad o de M ul ca hy (2 01 3) . Vale lembrar que esse registo deve ser examinado e atualizado regularmente, pois as partes interessadas podem ser alteradas, ou novas partes interessadas podem ser identificadas durante o ciclo de vida do projeto. Este registro será uma entrada no processo de planejar o gerenciamento das partes interessadas, nosso próximo capítulo. 27 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Como podemos observar na figura a seguir, o documento que foi gerado como saída nesse processo será utilizado nos processos: • 5.2: Coletar os requisitos. • 8.1: Planejar o gerenciamento da qualidade. • 10.1: Planejar o gerenciamento das comunicações. • 11.1: Planejar o gerenciamento de riscos. • 11.2: Identificar os riscos. • 12.1: Planejar o gerenciamento das aquisições. Figura 11 – Diagrama do fluxo de dados do processo: identificar as partes interessadas Fonte: PMBoK (2013). Você pode estranhar essa numeração aparentemente aleatória, mas ela segue o Guia PMBOK, conforme a Figura 12, a seguir. 28 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Lembre-se de que as 10 áreas de conhecimento possuem uma numeração específica no PMBOK e se iniciam pelo capítulo 4, como vemos na Figura 12, onde conseguimos visualizar como elas se relacionam entre si: • 4: Gerenciamento da integração do projeto. • 5: Gerenciamento do escopo do projeto. • 6: Gerenciamento do tempo do projeto. • 7: Gerenciamento dos custos do projeto. • 8: Gerenciamento da qualidade do projeto. • 9: Gerenciamento dos recursos humanos do projeto. • 10: Gerenciamento das comunicações do projeto. • 11: Gerenciamento dos riscos do projeto. • 12: Gerenciamento das aquisições do projeto. • 13: Gerenciamento das partes interessadas. Segundo o PMBOK, as 10 áreas de conhecimento possuem 47 processos. Eles se relacionam da seguinte forma, conforme apresentado na figura: 29 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Fi gu ra 1 2 – Ár ea s de c on he ci m en to PM BO K (2 01 3) Conforme observamos na figura anterior, há relação entre os processos. Onde a entrada de um servirá de entrada em outro. Note que, neste diagrama, cada processo tem o número do capítulo do PMBOK ao qual se refere e uma cor distinta para identificar a área de negócio. 30 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Se você quiser conhecer mais sobre gerenciamento das partes interessadas, existem bons livros sobre este assunto. HELDMAN, Kim. Gerenciamento de projetos - guia para o exame oficial do PMI. Elsevier, 2015. MULCAHY, Rita. PMP Exam Prep, 8th Edition, 2013. (PMBOK 5. edição). PMI (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE). Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. QUAIS SÃO AS PARTES INTERESSADAS EM UM PROJETO? Veja neste artigo as partes interessadas no projeto, que são pessoas e organizações ativamente envolvidas no projeto ou cujos interesses podem ser afetados como resultado da execução ou do término do projeto. As partes interessadas são as pessoas ou organizações, pois cada projeto tem diferentes grupos de stakeholders. Em uma organização, as partes interessadas são o conselho de administração, gestão de empresas, funcionários, acionistas, fornecedores, clientes e os municípios em que a empresa atua, onde estão ativamente envolvidas no projeto ou há algum interesse afetando positivamente ou negativamente a execução do projeto. A equipe de gerenciamento do projeto precisa identificar cada parte interessada, para determinar os requisitos e as expectativas em relação ao projeto de todas as partes envolvidas. As partes interessadas podem mudar ao longo do ciclo de vida do projeto, mas para que isso não aconteça, é de responsabilidade do gerente de projeto avaliar as contribuições desde estudo dos grupos até o patrocínio por completo do projeto. Assim as partes interessadas são identificadas. Este processo é contínuo e pode ser muito difícil, mas um dos primeiros passos 31 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 é identificar todos os possíveis intervenientes. Se isto não for feito completamente, existe um grande risco de atrasos no projeto e, potencialmente, de aumento nas despesas ou até mesmo o cancelamento. Sempre se deve considerar as consequências sociais do projeto em relação a diferentes pontos de vista dos conceitos de justiça, equidade e direitos sociais. Estes são aspectos amplamente influentes de um projeto e podem estar em oposição direta aos interessados financeiros e funcionais que esperam tirar proveito do projeto. Um exemplo seria se uma estrada estivesse sendo construída entre duas cidades, os interessados incluem as empresas de construção da estrada, as empresas que irão utilizar o caminho paraaumentar o comércio, seus funcionários e autoridades fiscais municipais. Por outro lado, os conservacionistas podem opor-se à estrada como prejudicial para o terreno fértil de espécies raras. Ambientalistas podem opor-se ao potencial de poluição do ar ao longo da estrada. Proprietários de terra ao longo da rota podem opor-se à interrupção de sua propriedade de terrenos e edifícios. Cada grupo pode montar uma campanha que pode iniciar, mudar ou interromper o projeto de estrada. FIGURA 1 – PARTES DE UM PROJETO O gerente de projeto também pode se deparar com interessados com influência negativa ou positiva. Onde alguns se beneficiam de um projeto bem-sucedido, enquanto outros veem resultados negativos de um projeto bem-sucedido. Por exemplo, intervenientes financeiros, tais como sindicatos e fornecedores de materiais, podem usar de sua influência e de produção para exigir maior benefício financeiro, já os 32 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos empreiteiros podem afetar negativamente o projeto através de tempo e custos. Quando um atraso é causado por um grupo de interesse em especial, pode aumentar o custo do projeto. No caso das partes interessadas com expectativas positivas do projeto, seus interesses serão atendidos da melhor forma possível, mas se ajudarem o projeto a ter o sucesso desejado, já na parte negativa, seus interesses seriam mais bem atendidos se conseguissem impedir o progresso do projeto, sendo que a negligência pode aumentar muito a probabilidade de falha. Para que isso não aconteça, o gerente do projeto tem que balancear os interesses e garantir que a equipe do projeto interaja de maneira profissional e cooperativa, sendo que as partes interessadas do projeto são divididas em: • Clientes/usuários: são os que utilizam ou utilizarão o produto, serviço ou resultado do projeto, sendo que eles podem ser internos ou externos, em relação à empresa que está executando o projeto. Pode haver várias camadas de cliente, onde, em algumas áreas de aplicação, os termos clientes e usuários são sinônimos, e em outras, clientes referem-se à entidade que adquire o produto, e usuário aos que utilizam o produto. • Patrocinador: na realidade, o patrocinador é provavelmente o mais importante do projeto. Costuma ser algum executivo da empresa ou do cliente, com autoridade para diversas ações. Podem existir projetos com mais de um patrocinador, lembrando que não é a situação mais comum, mas não é um problema desde que todos estejam alinhados em relação aos objetivos e às premissas básicas do projeto. O cuidado que se deve ter é que o patrocinador sempre deve ser claramente apontado. O patrocinador também pode se envolver em outras questões importantes, como a autorização de mudanças de escopo, análise final, decisões e cancelamentos quando os riscos são particularmente altos. • Gerentes de portfólios/comitê de análise de portfólios: os gerentes são responsáveis por identificar, priorizar, autorizar o gerenciamento e controle do projeto, programa e outros trabalhos relacionados, para atingir objetivos de negócios estratégicos específicos, sendo que eles sempre estão tentando garantir que os projetos e programas sejam analisados a fim de priorizar a alocação de recursos, e que o gerenciamento do portfólio seja consistente e esteja alinhado às estratégias organizacionais. 33 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 • Gerente de programas: é o responsável pelo gerenciamento coordenado de múltiplos projetos inter-relacionados, direcionados a objetivos estratégicos. Ele é responsável ainda por compartilhar os recursos entre os projetos que constituem o programa, visando o benefício do programa, sempre estabelece entendimento e mantém comunicação com partes interessadas em múltiplos níveis, incluindo aqueles externos à organização. Ele é o que define e inicia o projeto, auxiliando os gerentes de projetos a gerenciar custo, cronograma e desempenho, trabalhando de modo a garantir o sucesso do programa. • Escritório de projetos: o PMO (Project Management Office) é um corpo ou entidade organizacional à qual são atribuídas várias responsabilidades relacionadas ao gerenciamento centralizado e coordenado dos projetos sob seu domínio. As responsabilidades podem variar, desde fornecer funções de suporte ao gerenciamento de projetos até ser responsável pelo gerenciamento direto de um projeto. Um PMO pode receber uma autoridade delegada para atuar como parte interessada integral e um importante deliberante durante o início de cada projeto, fazer recomendações ou encerrar projetos, ou ainda tomar outras medidas conforme a necessidade para manter os objetivos de negócios consistentes. Além disso, o PMO pode estar envolvido na seleção, no gerenciamento e na mobilização de recursos de projetos compartilhados ou dedicados. • Gerentes de projetos: o trabalho do GP envolve a aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto com intuito de atender seus objetivos. Sua aplicação ao longo de todo o trabalho permite avaliação do desempenho, aprendizado contínuo, sendo que ele é a pessoa responsável pela realização dos objetivos do projeto. • Equipe do projeto: é composta pelo gerente de projeto e pelos outros membros da equipe que executam o trabalho, mas não está diretamente envolvida com o gerenciamento do mesmo. Essa equipe pode ser composta de pessoas de grupos diferentes, com conhecimentos específicos ou com um conjunto específico de habilidades para executar o trabalho do projeto. • Gerentes funcionais: desempenham uma função gerencial dentro da área administrativa do negócio, como recursos humanos, finanças, contabilidade ou aquisição. Eles têm um pessoal próprio para executar o trabalho de forma clara para determinado assunto ou 34 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos serviço do projeto. • Gerenciamento de operações: tem a função em uma área de negócio principal, como pesquisa e desenvolvimento, design, fabricação, teste ou manutenção, sendo que os profissionais dessa área lidam diretamente com a produção e manutenção dos produtos da empresa. • Fornecedores/parceiros comerciais: os fornecedores são vendedores, fornecedores de empresas externas que assinam um contrato para o fornecimento de componentes ou serviços necessários ao projeto que está sendo executado. Já os parceiros comerciais fornecem uma consultoria especializada para preencherem um papel específico, como instalação, personalização, treinamento ou suporte para os envolvidos no projeto. Basicamente são esses os interessados no projeto. Com isso, finalizamos este artigo. Fonte: Disponível em: <http://www.devmedia.com.br/articles/ viewcomp.asp?comp=27997>. Acesso em: 7 fev. 2017. Através deste artigo fica clara mais uma vez a importância de termos um mapeamento assertivo em relação às partes interessadas. E esclarece que deve-se dar a devida importância às partes interessadas que afetam o projeto negativamente e não somente positivamente, pois os que afetam negativamente podem causar problemas sérios para o projeto. Algumas Considerações A partir deste processo pudemos entender o quanto é importante identificar adequadamente as partes interessadas do projeto e o mais cedo possível, pois dessa forma se pode identificar falhas em outros processos em tempo hábil de corrigir e garantir o sucesso do projeto, por exemplo: alterações no escopo, alterações na maneira de se comunicar com os interessados, entre outros pontos importantes. Também não podemos esquecer de reavaliar as partes interessadas durante todo o andamento do projeto, pois novas partes interessadas podem surgir. 35 Identificar as Partes Interessadas Capítulo 1 Aprendemos ferramentas e técnicas para facilitar a identificação e documentação das partes interessadas, como a matriz depoder e interesse. E ficou claro que este processo é essencial para garantir a identificação das partes interessadas de maneira efetiva. Referências HELDMAN, Kim. Gerenciamento de projetos - guia para o exame oficial do PMI. Elsevier, 2015. MULCAHY, Rita. PMP Exam Prep, 8th Edition, 2013. PMI (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE). Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. 36 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos CAPÍTULO 2 Planejar o Gerenciamento das Partes Interessadas A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento para engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise das suas necessidades, interesses, e impacto potencial no sucesso do projeto. � Planejar o gerenciamento dos stakeholders. � Utilizar as ferramentas e técnicas para planejar as partes interessadas. 38 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 39 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 Contextualização Você já parou para pensar o quanto complexo e trabalhoso pode ser o gerenciamento das partes interessadas de um projeto? Se pensarmos em projetos pequenos - de cinco pessoas, por exemplo -, não será complicado, certo? Você pode se comunicar o tempo todo com essas pessoas e manter todos sempre na mesma página, ou seja, com os mesmos objetivos e metas. Porém, esta não é a realidade da maioria dos projetos. Imagine um projeto com centenas de pessoas, onde cada parte interessada ou até mesmo grupos de partes interessadas podem estar com uma expectativa diferente em relação ao projeto. Isto não é incomum, quanto maior o projeto e quantidade de partes interessadas, maior a probabilidade de expectativas diversas. Também não é incomum que um gerente de projetos seja surpreendido com reclamações de partes interessadas que são fundamentais para o projeto. Isto ocorre geralmente pelo fato de não ter planejado corretamente o gerenciamento das partes interessadas e, com isto, não ter envolvido com eficácia ou na frequência necessária este público em definições ou tomadas de decisão. Neste capítulo falaremos da importância de termos um bom plano de gerenciamento de partes interessadas para garantir o engajamento necessário e atingir o sucesso das entregas do projeto. Também vamos falar das principais ferramentas e técnicas sugeridas pelo PMBOK®. Planejar o Gerenciamento das Partes Interessadas Segundo o Guia PMBOK®, o processo de planejar o gerenciamento das partes interessadas (ou stakeholders) tem como objetivo desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento, a fim de engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise de suas necessidades, interesses e impacto potencial no sucesso do projeto. O processo de planejar o gerenciamento de partes interessadas faz parte do planejamento do projeto, como pode ser verificado na figura a seguir, que demonstra todos os processos da área de gerenciamento de partes interessadas. 40 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 13 – Processos da área de gerenciamento de partes interessadas Fonte: Baseado em TIEXAMES (2016). Como em um relacionamento pessoal, quando não há uma comunicação eficaz e alinhamento de expectativas, existe uma probabilidade muito grande de haver problemas no relacionamento. Por exemplo, se você não falar para seu(sua) namorado(a) ou esposo(a) que alguma atitude o está incomodando, alguma coisa irá mudar? Não, mas depois de um tempo, você irá cansar e pode até mesmo terminar o relacionamento, porém, se você avisá-lo(a) a tempo de consertar o que está incomodando, ele(a) pode mudar suas atitudes e o relacionamento continuar em harmonia. O mesmo ocorre com a comunicação com seus colegas de trabalho, se não for eficiente, não atenderá às expectativas do trabalho em equipe. Da mesma forma ocorre em um projeto, se você mapear com eficácia as necessidades das partes interessadas e sustentar um bom relacionamento, mantendo todos atualizados sempre que possível, irá entregar exatamente o que se espera do projeto. Conforme Mulcahy (2013), as partes interessadas podem ser um ativo ou um problema no projeto, dependendo da qualidade do planejamento. Então, para gerenciar com eficácia os relacionamentos com tantas pessoas, você precisa criar um plano de gerenciamento das partes interessadas. Você deve pensar com antecedência sobre como o projeto irá gerar impacto sobre as partes interessadas, Alguns projetos podem conter centenas de partes interessadas, distribuídas em várias partes do mundo. É possível construir e manter relacionamento com todas elas? 41 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 Como um relacionamento familiar, dedique um tempo para pensar no que é importante para se manter um bom relacionamento e comunicação eficaz. como você e a equipe vão interagir com as partes interessadas, como você as envolverá na tomada de decisões, como gerenciará suas expectativas e como poderá mantê-las satisfeitas, garantindo que elas sejam um ativo, e não um problema no projeto. Segundo o PMBOK®, o gerenciamento das partes interessadas significa mais do que melhorar as comunicações e requer mais do que gerenciar uma equipe. O gerenciamento das partes interessadas envolve a criação e manutenção de relacionamentos entre a equipe do projeto e as partes interessadas, com o objetivo de satisfazer suas respectivas necessidades e requisitos dentro dos limites do projeto. No Capítulo 1 identificamos as partes interessadas e mapeamos quais precisam ser monitoradas de perto, quais precisamos manter satisfeitas e quais devemos monitorar e manter informadas. Com isto, saberemos onde deve ser investido mais esforço. É necessário conhecer e manter contato com este público na prioridade e frequência necessárias. Não podemos nos dar ao luxo de não ter relacionamentos com as principais partes interessadas. Quanto mais próximo você for das partes interessadas, mais elas se sentirão confortáveis para reportar problemas, e quanto mais tempo você passar com este público, melhor preparado estará para reconhecer suas impressões e preocupações em relação ao projeto. Algumas características importantes de um bom relacionamento são: honestidade, respeito, preocupação, sinceridade, simpatia e confiança. Lembre-se de estimular essas qualidades nos relacionamentos com as partes interessadas e oriente sua equipe para que tenha a mesma postura e preocupação e mantenha essas características importantes para qualquer relacionamento. Acreditamos que até aqui ficou claro o quanto é importante gerenciarmos de forma eficaz as partes interessadas do projeto, certo? Mas você deve estar se perguntando: “Como garantir um bom gerenciamento para projeto com centenas de partes interessadas?” A resposta é: “Com um bom planejamento”. E para realizar um bom gerenciamento, o Guia PMBOK® sugere ferramentas e técnicas para isto. Vamos entender um pouco mais sobre este processo no próximo capítulo. 42 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Detalhando as fases Neste tópico vamos detalhar cada uma das fases do processo de gerenciamento de partes interessadas segundo o PMBOK®, para termos como guia neste momento do projeto. Começaremos explicando sobre os documentos de entrada: plano de gerenciamento de projetos, registro das partes interessadas, fatores ambientais e organizacionais e ativos de processos organizacionais. a) Entradas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais as entradas para o processo de gerenciamento das partesinteressadas. Figura 14 – Planejar o gerenciamento das partes interessadas: entradas Fonte: PMBoK ® (2013, p. 399). Lembrando que as entradas é o que eu preciso para executar o processo. 1. Plano de gerenciamento de projetos (Project Management Plan): segundo o PMBOK®, as informações usadas no desenvolvimento do plano de gerenciamento das partes interessadas incluem, mas não se limitam a: • o ciclo de vida selecionado para o projeto e os processos que serão aplicados a cada fase; • descrição de como o trabalho será executado para alcançar os objetivos do projeto; • descrição de como os requisitos de recursos humanos serão cumpridos e como os papéis e responsabilidades, a estrutura hierárquica e o gerenciamento do pessoal serão abordados e estruturados para o projeto; 43 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 • um plano de gerenciamento de mudanças que documenta como as mudanças serão monitoradas e controladas; e • necessidades e técnicas para comunicação entre as partes interessadas. 2. Registro das partes interessadas (Stakeholder Register): segundo o PMBOK®, o registro das partes interessadas fornece as informações necessárias para planejar maneiras apropriadas de engajar as partes interessadas do projeto. 3. Fatores ambientais da empresa (Enterprise Environmental Factors): conforme o PMBOK®, todos os fatores ambientais da empresa são usados como entradas para esse processo, porque o gerenciamento das partes interessadas deve ser adaptado ao ambiente do projeto. Entre eles, a cultura, a estrutura e o ambiente da organização são particularmente importantes, porque ajudam a determinar as melhores opções para apoiar um melhor processo adaptativo para o gerenciamento das partes interessadas. 4. Ativos de processos organizacionais (Organizational Process Assets): segundo o PMBOK®, todos os ativos de processos organizacionais são usados como entradas para o processo Planejar o Gerenciamento das Partes Interessadas. Entre eles, o banco de dados das lições aprendidas e as informações históricas são particularmente importantes, porque ajudam no entendimento dos planos de gerenciamento anteriores e sua eficácia. Eles podem ser usados para planejar as atividades de gerenciamento das partes interessadas para o projeto atual. b) Ferramentas e técnicas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as ferramentas e técnicas utilizadas para o gerenciamento das partes interessadas. 44 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 15 – Planejar o gerenciamento das partes interessadas: ferramentas e técnicas Fonte: PMBoK ® (2013, p. 399). Lembrando que as ferramentas e técnicas são as formas como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. 1. Opinião especializada (Expert Judgment): segundo o PMBOK®, com base nos objetivos do projeto, o gerente de projetos deve utilizar a opinião de partes especializadas para decidir sobre o nível de engajamento requerido de cada parte interessada, em cada estágio do projeto. Por exemplo, no início de um projeto, pode ser necessário que as partes interessadas seniores estejam altamente engajadas, para remover quaisquer obstáculos ao êxito. Sua remoção bem-sucedida pode ser suficiente para que as partes interessadas seniores mudem o seu nível de engajamento de liderança para apoio, e outras partes interessadas, como usuários finais, podem tornar-se mais importantes. Para criar o plano de gerenciamento das partes interessadas, deve-se buscar a opinião e o conhecimento especializado de grupos ou pessoas com treinamento ou conhecimento especializado na área em questão, ou visão dos relacionamentos dentro da organização, tais como: • alta administração; • membros da equipe do projeto; • outras unidades ou pessoas dentro da organização; • principais partes interessadas identificadas; • gerentes de projetos que trabalharam em projetos da mesma área (diretamente ou por meio de lições aprendidas); • especialistas no assunto da área de negócio ou do projeto; 45 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 • grupos e consultores do setor; e • associações profissionais e técnicas, entidades reguladoras e organizações não governamentais (ONGs). A opinião especializada pode ser obtida por meio de consultas individuais (reuniões particulares, entrevistas etc.) ou em formato de painel (discussões de grupo, pesquisas de opinião etc.). 2. Reuniões (Meetings): segundo o PMBOK®, as reuniões devem ser feitas com especialistas e a equipe do projeto para definir os níveis de engajamento requeridos de todas as partes interessadas. Essas informações podem ser usadas na preparação do plano de gerenciamento das partes interessadas. 3. Técnicas analíticas (Analytical techniques): conforme o PMBOK®, o nível de engajamento atual de todas as partes interessadas deve ser comparado com os níveis de envolvimento planejados requeridos para a conclusão bem- sucedida do projeto. O engajamento das partes interessadas durante todo o ciclo de vida do projeto é essencial para seu êxito. O nível de engajamento das partes interessadas pode ser classificado como segue: Figura 16 – Níveis de engajamento Fonte: Baseado em TIEXAMES (2016). Através da matriz de avaliação do nível de engajamento das partes interessadas é possível ter a visão de como foi planejado o nível de engajamento, ou seja, qual o nível de engajamento esperado (planejado) de cada parte interessada e como este nível de engajamento é atualmente. 46 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Na sua opinião, quais dos níveis de engajamento devem gerar mais preocupação e ser tratados com urgência nos projetos? Valle et al. (2010) apresentam, em relação ao envolvimento e interesse dos stakeholders do projeto, uma matriz de estilo de liderança que o GP pode seguir, para melhor gerenciar a equipe. Acesse a obra e confira! VALLE, A. B. et al. Fundamentos do gerenciamento de projetos. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2010, 116 p. Como mostrado na figura a seguir, é possível verificar que a parte interessada 3 se encontra no nível de engajamento esperado, ou seja, ciente do projeto e dos impactos potenciais e dando apoio a mudanças. Já as partes interessadas 1 e 2 não estão no nível esperado, com isto, as ações e comunicações necessárias para fechar essas lacunas devem ser realizadas a fim de engajar estas partes interessadas. Figura 17 – Matriz de avaliação do nível de engajamento das partes interessadas Fonte: Baseado em TIEXAMES (2016). 47 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 Atividade de Estudos: 1) Vamos fazer um exercício para refletir? Como você faria para engajar as partes interessadas 1 e 2 representadas na figura anterior? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Algumas ações que podem ser realizadas, conforme Mulcahy (2013), são: • Saber por que as partes interessadas não apoiam o projeto e basear seu plano para gerenciar essas partes interessadas em lidar com esses motivos. • Determinar por que o interesse é baixo e pedir a outras pessoas que trabalharam com as partes interessadas sugestões de como envolvê-las. • Identificar maneiras de descobrir os requisitos da maneira mais eficiente possível quando a parte interessada é uma fonte importante de requisitos no projeto. • Assegurar que os requisitos sejam aprovados pelas partes interessadas como sendo precisos. • Enviar relatórios. • Convidar as partes interessadas para ingressarem oficialmente na equipe de gerenciamento de projetos. • Planejarreuniões periódicas com as partes interessadas durante o projeto para verificar se elas identificaram mais riscos. • Convidar as partes interessadas para participar do processo de gerenciamento de riscos; entre outros. c) Saídas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as saídas do processo Gerenciamento das partes interessadas. 48 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 18 – Planejar o gerenciamento das partes interessadas: saídas Fonte: PMBoK® (2013, p. 399). Lembrando que as saídas são o que resultou o processo. 1. Plano de gerenciamento das partes interessadas (Stakeholder management plan): o resultado de seu trabalho de planejamento será o plano de gerenciamento das partes interessadas, que se tornará parte do plano maior de gerenciamento de projeto. Segundo o PMBOK®, o plano de gerenciamento das partes interessadas é um componente do plano de gerenciamento do projeto e identifica as estratégias de gerenciamento necessárias para o engajamento das partes interessadas de maneira eficaz. O plano de gerenciamento das partes interessadas pode ser formal ou informal, amplamente estruturado ou altamente detalhado, com base nas necessidades do projeto. Além dos dados reunidos no registro das partes interessadas, o plano de gerenciamento das partes interessadas muitas vezes fornece: • níveis de engajamento desejados e atuais das principais partes interessadas; • âmbito e impacto da mudança nas partes interessadas; • inter-relacionamentos identificados e sobreposição potencial entre as partes interessadas; • requisitos de comunicações das partes interessadas para a atual fase do projeto; • informações a serem distribuídas às partes interessadas, incluindo idioma, formato, conteúdo e nível de detalhes; • motivo da distribuição daquela informação e o impacto esperado no engajamento das partes interessadas; • intervalo de tempo e frequência para a distribuição das informações necessárias às partes interessadas; e 49 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 • método para atualizar e refinar o plano de gerenciamento das partes interessadas à medida que o projeto progride e se desenvolve. Os gerentes de projetos devem estar cientes da natureza sensível do plano de gerenciamento do projeto e tomar as devidas precauções. Por exemplo, as informações sobre as partes interessadas resistentes ao projeto podem ser potencialmente prejudiciais, e deve ser dada a devida atenção à distribuição de tais informações. Na atualização do plano de gerenciamento das partes interessadas, a validade das premissas fundamentais deve ser revista para assegurar a exatidão e a relevância continuadas. O plano do gerenciamento das partes interessadas pode e deve ser revisitado durante todas as fases do projeto, isto porque os níveis de interesse e impacto das partes interessadas podem mudar ao longo do projeto. 2. Atualizações nos documentos do projeto (Project documents updates): segundo o PMBoK®, os documentos do projeto que podem ser atualizados incluem, mas não estão limitados a: • cronograma do projeto, e • registro das partes interessadas. Como pode ser visto na figura a seguir, o plano de gerenciamento de partes interessadas será uma entrada para os processos: • 5.2: Coletar os requisitos. • 13.3: Gerenciar o engajamento das partes interessadas. 50 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 19 – Diagrama do fluxo de dados do processo: planejar o gerenciamento das partes interessadas Fonte: PMBoK® (2013, p. 399). Atividades de Estudos: Vamos responder a algumas questões para fixar bem todo o conteúdo visto neste capítulo? 1) A partir de qual momento pode-se iniciar o processo de planejar o gerenciamento das partes interessadas? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Quais as informações mais importantes para o processo? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 51 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 3) Quais são os níveis de engajamento das partes interessadas a se considerar no planejamento? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5 AÇÕES PARA UMA BOA GESTÃO DAS PARTES INTERESSADAS EM PROJETOS No Brasil, pelo menos sete em cada dez gerentes de projetos não estão planejando ou executando qualquer estratégia de gerenciamento das partes interessadas que seja em seus projetos. Não coloquei entre aspas porque sou eu que estou dizendo isso. Ficou curioso para descobrir quem fez essa pesquisa e como é que eu sei disso, correto? Então, eu não descobri. Esta é apenas uma informação estatística gerada através de amostragem. Eu faço pesquisas (informais, diga-se de passagem) na área de Gerenciamento de Projetos desde 2011. Nessas pesquisas, conversei com GPs, líderes de PMO, clientes, diretores e pessoas comuns nas quais os projetos impactam de uma forma ou de outra. O que eu ouvi foi meio decepcionante. Salvo os projetos de desenvolvimento de software, que na maioria das vezes têm um plano de gestão de stakeholders bastante simples, porém eficaz, os demais projetos pesquisados contam com pouco ou nenhum planejamento em relação às Partes Interessadas. A importância das Partes Interessadas (Stakeholders) em um projeto é tamanha que na nova edição do PMBoK (5ª ed.) foi criada uma nova área de conhecimento – o Gerenciamento das Partes Interessadas – com quatro processos bem definidos. A área de Partes Interessadas era tratada na edição anterior dentro da área de Gerenciamento das Comunicações. Aí eu pergunto: você acha que o PMI se preocupou em criar uma área de conhecimento específica para algo que não teria tanta importância? 52 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos A maioria dos GPs trata as partes interessadas apenas como um grupo de pessoas que preciso manter informadas e eventualmente interagir com elas para algumas decisões pontuais. Esqueça esse conceito. Ter uma estratégia de gestão dos stakeholders é algo importantíssimo, independentemente da natureza do projeto, do orçamento, do tempo e da complexidade. Mais importante até do que “mantê-los informados e interagir eventualmente” é engajar essas pessoas para que elas consigam contribuir de alguma forma no sucesso do projeto. Contribuir? Sim, contribuir. E você não faz ideia de quanto eles podem contribuir, principalmente no planejamento dos seus projetos. Portanto, com base nas minhas experiências e de lições aprendidas compartilhadas com outros GPs e interessados no assunto, resolvi desenhar neste artigo cinco ações para gerenciar de forma eficaz as Partes Interessadas dos projetos. Vamos a elas: Ação 1 – Conheça os interesses, o grau de envolvimento e o impacto dos stakeholders no sucesso do projeto Você poderia dizer: “mas isso já é feito no Termo de Abertura”. Eu garanto a você que muita gente não faz isso. Boa parte dos Termos de Abertura do Projeto apenas identifica e traz em seu conteúdo alguns pontos focais, contatos internos da empresa e contatos do cliente. É importantíssimo que você cheque os interesses, o grau de envolvimento que cada stakeholder deve exercer e os impactos que essas partes interessadas podem ter no sucesso do projeto. Muitos GPs não se preocupam nem em marcar reuniões presenciais para conhecer esses indivíduos.Existem partes interessadas que você deverá se preocupar mais ou menos, mas é essencial que você tenha isso mapeado. Tente marcar reuniões com os principais stakeholders, aquelas pessoas que você consegue identificar que poderão te ajudar de alguma forma, contribuindo com ideias ou que, caso haja qualquer tipo de insatisfação, poderão impactar no trabalho e na própria existência do projeto. É nessa hora que você consegue deixar uma boa impressão, a impressão de que você está consciente dos objetivos daquele projeto e poderá iniciar os trabalhos com a certeza de que terá o apoio dos principais stakeholders (por mais que esse apoio possa ir diminuindo com o decorrer do projeto). Ação 2 – Filtre bem as informações fornecidas pelos stakeholders Muita atenção nisso que vou falar agora. Há stakeholders que gostam de trabalhar como “legistas de projetos”. Quando você precisa 53 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 da opinião deles para planejar alguma coisa, eles simplesmente somem. Ao mesmo tempo em que se algo der errado, qualquer ação mínima que seja, eles aparecem apenas para dizer “eu sabia que iria dar errado”. Há também aqueles afobados que saem pedindo uma série de mudanças no decorrer do projeto sem um forte argumento que sustente seu pedido. Você precisa saber ouvir e saber filtrar aquela informação. Às vezes o que é solicitado não faz sentido, não trará nenhum ganho efetivo para o objeto desse determinado projeto. Procure estar munido de bons argumentos e deixe que essas partes interessadas façam a “pajelança”. Eu costumo dizer que a melhor arma de um GP para stakeholders com esse perfil de atuação é o argumento bem embasado e os resultados obtidos. Ação 3 – Domine o conflito de interesses Essa talvez seja uma das ações mais importantes que um Gerente de Projetos precisa ter quando o assunto é Gestão das Partes Interessadas. Ser parte interessada não quer dizer “compartilhar do mesmo interesse dos demais”. Cada stakeholder tem um interesse específico no projeto, cabe ao GP saber equilibrar esses interesses dentro do objetivo final desse projeto. Já falei, em outras oportunidades, que o Gerente de Projetos precisa ter habilidades políticas para que o foco não seja desviado. Isso não quer dizer que você deva simplesmente ignorar solicitações de mudança ou críticas oriundas dessas partes, isso você não deve fazer de forma alguma, mas é mandatório que, independentemente do desejo desses indivíduos ou organizações, o foco do projeto seja mantido, mesmo que o propósito final sofra alterações no decorrer das atividades. Ação 4 – Comunicação é essencial Se você não produziu um plano de Comunicação, se não criou um Status Report (diário, semanal, quinzenal ou mensal) e se não desenvolveu uma Matriz de Análise das Partes Interessadas, já entra no jogo perdendo por 3×0. Para manter os stakeholders satisfeitos é necessário que você os mantenha informados, e nada melhor do que ter diretrizes de distribuição das informações do projeto bem desenhadas e funcionando conforme planejado. Existem stakeholders que precisam de um conteúdo de informação diferente de outros stakeholders. Por exemplo, o patrocinador do projeto precisa de informações sobre o desempenho dos custos, já o cliente final muitas vezes não precisa dessa informação. Mas uma coisa é 54 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos certa, todos precisam ser informados conforme seu plano, isso te dá credibilidade, faz com que todos percebam que você cumpre com os compromissos do projeto. Se você não é capaz de repassar um status report semanal (se for o caso) periodicamente, dá a entender às partes interessadas que não cumpre compromisso nenhum (mesmo que você cumpra a maioria). Portanto, muito cuidado com isso. O maior criador de “ruídos” em projetos é uma comunicação deficitária. Ação 5 – Acompanhe de Perto Quando você chega nessa linha aqui do artigo, a primeira coisa que pode pensar é: “que terrorismo é esse? Tenho que me preocupar com o projeto, não com os stakeholders”. Duas coisas: não é terrorismo e você deve se preocupar sim com as partes interessadas. A maioria dos GPs que são demitidos ou retirados de projetos em execução saem por solicitação de uma ou mais partes interessadas. Já disse na Ação 3 que existem muitos interesses envolvidos em um projeto. Basta você não estar alinhado com as necessidades de um stakeholder com alto poder e interesse no projeto. E-mails que você não responde, ligações que você não atende, questões que você não resolve, compromissos que você não cumpre, isso tudo pode se transformar em combustível para sua saída. Para que isso não aconteça, procure ajustar as estratégias para engajar as partes interessadas, elimine as resistências, dê mais suporte ao projeto e procure fazer com que os stakeholders também te suportem com isso. Gerenciar bem as Partes Interessadas é uma arte, pode acreditar. Se você faz isso bem, com certeza estará eliminando impactos negativos nos seus projetos e otimizando as ações com apoio irrestrito dos stakeholders mais importantes. Fonte: Disponível em: <http://pmkb.com.br/artigo/5-acoes-para-uma-boa- gestao-das-partes-interessadas-em-projetos/>. Acesso em: 20 jul. 2016.. Este artigo reforça a real importância do gerenciamento das partes interessadas e o quanto a maioria dos projetos tem dificuldade de planejar e manter um plano efetivo. Por mais que não haja tempo para realizar um bom planejamento, é necessário realizar e envolver e manter um relacionamento efetivo com as partes interessadas, somente assim se chega ao resultado esperado ao final do projeto. 55 Planejar o gerenciamento das partes interessadas Capítulo 2 Através deste artigo fica clara mais uma vez a importância de termos um mapeamento assertivo em relação às partes interessadas. E esclarece que deve-se dar a devida importância às partes interessadas que afetam o projeto negativamente e não somente positivamente, pois os que afetam negativamente podem causar problemas sérios para o projeto. Considerações Finais Neste capítulo pudemos verificar o quão importante é um bom planejamento de gerenciamento de partes interessadas para garantir o engajamento ideal e maximizar as chances de sucesso das entregas. Vimos que quanto mais próximos nos mantivermos das partes interessadas, mais elas se sentirão componentes do time e irão atuar para fazer realmente parte do objetivo maior, o sucesso do projeto. Esta proximidade só traz benefícios ao projeto, pois com isto serão facilmente detectados problemas, dúvidas, ou até mesmo possíveis mudanças de escopo. Algumas partes interessadas terão que ser gerenciadas com maior frequência e importância que outras, dependendo do grau de influência e interesse, porém é importante que todas sejam realmente contempladas no plano de gerenciamento de partes interessadas. É essencial que se invista o tempo necessário para gerar este plano na fase de planejamento do projeto, pois a realidade dos projetos atuais é não realizar este gerenciamento de forma eficaz e, com certeza, isto contribui para o fracasso da maioria deles. Envolva a equipe, clientes, patrocinadores e não deixe de realizar este planejamento por falta de tempo, pois este planejamento irá ajudar a não perder tempo tentando consertar ações realizadas e que estão fora das expectativas das partes interessadas. 56 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Referencias MULCAHY, Rita. PMP Exam Prep, 8th Edition, 2013. (PMBOK 5ª edição). PMI (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE). Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. TIEXAMES. Curso e-learning preparatório para os exames CAPM® e PMP® do PMI. 2016. Disponível em: <http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso- PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php>.Acesso em: 15 ago. 2016. http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php CAPÍTULO 3 Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades/expectativas. � Abordar as questões à medida que elas ocorrem. � Incentivar o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto e no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto. � Utilizar as ferramentas e técnicas para engajar as partes interessadas. 58 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 59 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Contextualização Não basta você planejar, tem que implementar o que planejou, tem que executar as estratégias para engajar as partes interessadas. E este é o objetivo deste terceiro processo do gerenciamento das partes interessadas, ele se encontra no grupo de execução do PMBOK. Gerenciar o engajamento das partes interessadas é um processo muito importante, pois as partes interessadas podem influenciar o projeto do início ao fim. Este processo inicia a partir do momento em que o projeto já tiver partes interessadas, ou seja, desde o início dele. Manter um relacionamento contínuo e efetivo com as partes interessadas irá aumentar as chances de sucesso do projeto em relação ao escopo e expectativas, isto porque a satisfação do cliente é tão importante quanto entregar um produto de qualidade. Neste capítulo falaremos da importância de mantermos um bom e efetivo relacionamento com as partes interessadas. Também vamos falar das principais ferramentas e técnicas sugeridas pelo PMBOK® para garantir que este processo seja conduzido da melhor forma. Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas Segundo o Guia PMBOK®, Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas é o processo de se comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades/expectativas, abordar as questões à medida que elas ocorrem e promover o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades, no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto. O principal benefício deste processo é que ele permite que o gerente de projetos aumente o nível de apoio das partes interessadas e minimize a sua resistência, ampliando de maneira significativa as chances de êxito do projeto. O processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas faz parte da execução do projeto, como pode ser verificado na figura a seguir, que demonstra todos os processos da área de gerenciamento de partes interessadas. 60 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 20 – Processos da área de gerenciamento de partes interessadas Fonte: Baseado em Tiexames (2016). Quais benefícios você pode obter com um bom engajamento das partes interessadas em seus projetos? Bom, se você pensou em algum dos benefícios abaixo, está compreendendo a importância deste processo no gerenciamento de projetos. Avalie e reflita sobre cada um deles. • Aumenta a chance de aceitação das entregas, pois as partes interessadas sentem que fizeram parte das decisões. • Evita que questões fiquem pendentes e sejam descobertas somente no momento da entrega. • Ajuda as partes interessadas a entender os benefícios e, com isto, apoiar o projeto. • Ajuda as partes interessadas a entender os riscos do projeto e ajudar a mitigá-los. • Ajuda a influenciar as expectativas das partes interessadas. • Encoraja as partes interessadas a participar ativamente do projeto. Algumas situações típicas no projeto de gerenciamento do engajamento das partes interessadas são citadas por Mulcahy (2013), de uma forma simples de compreender. Verifique os exemplos abaixo e reflita sobre a importância de cada situação: Exemplo 1: Um gerente de projetos sabe que determinada parte interessada não está satisfeita, porque uma de suas solicitações não foi incluída no escopo do projeto. O restante das partes interessadas concordou com o escopo, mas 61 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 o gerente de projetos prevê que essa pessoa continuará pressionando para adicionar sua solicitação. O gerente de projetos agenda uma reunião com a parte interessada para conversar sobre o motivo pelo qual essa solicitação não foi uma alta prioridade para as outras partes interessadas e para sugerir que ela desenvolva um caso de negócios para que a solicitação seja incluída em outro projeto. Exemplo 2: Durante a coleta de requisitos, uma parte interessada expressou preocupação sobre o impacto que o projeto teria sobre os demais trabalhos de seu departamento. O gerente de projetos entra em contato com ela e diz: "Lembrei-me de sua preocupação ao planejar o projeto. Você sabe que há pouca probabilidade de conseguirmos fazer esse projeto sem afetar o trabalho usual de seu departamento, mas, devido às suas preocupações, elaborei um relatório para lhe informar quando vamos afetar o trabalho usual de seu departamento. Há mais alguma coisa que eu possa fazer para diminuir o impacto negativo sobre seu departamento?". Exemplo 3: Um gerente de projetos nota que uma parte interessada que costumava fornecer ideias úteis regularmente passou a se envolver menos no projeto ultimamente. O gerente de projetos entra em contato com a parte interessada para dizer: "Senti falta de receber seu feedback sobre o relatório de desempenho. Sempre gostei dos seus comentários. Existe uma razão pela qual você tem se contido ultimamente? Há algo que eu possa fazer para que você se envolva mais novamente?" Veja que, conforme os exemplos, essas ações são proativas e podem evitar vários problemas no projeto, inclusive fazer com que o projeto ganhe tempo, pois incentiva o apoio das partes interessadas e também faz com que se sintam responsáveis e parte do projeto. Segundo PMBOK®, a habilidade das partes interessadas de influenciar o projeto é normalmente mais alta durante os estágios iniciais, e declina paulatinamente à medida que o projeto avança. O gerente de projetos é responsável pelo engajamento e gerenciamento das várias partes interessadas do projeto, e pode requisitar a assistência do patrocinador do projeto conforme necessário. O gerenciamento ativo do envolvimento das partes interessadas diminui o risco de o projeto não atingir suas metas e objetivos. No Capítulo 2 planejamos o gerenciamento das partes interessadas e neste capítulo vamos executar este plano para garantir o seu engajamento. 62 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Considerando uma situação onde as partes interessadas estão envolvidas no projeto de forma ampla, qual a melhor opção para mantê-las envolvidas: 1) Solicitar que revisem periodicamente a lista de requisitos do projeto. 2) Inclui-las nas reuniões de acompanhamento do projeto. 3) Enviar status de desempenho. 4) Mantê-las informadas sobre a situação das mudanças do projeto. Apesar de todas as opções serem boas ações para o projeto, a opção 1 seria a mais recomendada neste caso, pois a revisão dos requisitos irá ajudar a descobrir erros e mudanças. Com isto, é a melhor opção para manter as partes interessadas envolvidas. Detalhando as Fases Neste tópico vamos detalhar cada uma das fases do processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas, segundo o PMBOK®, para termos como guia neste momento de projeto. Começaremos explicando sobre os documentos de entrada: plano de gerenciamento das partes interessadas, plano de gerenciamento das comunicações, registro das mudanças e ativos de processos organizacionais. a) Entradas Nesta fase do projeto, vamos conhecerquais as entradas para o processo gerenciar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. 63 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Figura 21 – Gerenciar o engajamento das partes interessadas: entradas Fonte: PMBoK® (2013, p. 404). Lembrando que as entradas são o que eu preciso para executar o processo. 1. Plano de gerenciamento de projetos (Project Management Plan): o plano de gerenciamento das partes interessadas fornece orientação sobre a melhor maneira de as várias partes interessadas se envolverem no projeto. O plano de gerenciamento das partes interessadas descreve os métodos e as tecnologias usados para a comunicação das partes interessadas. O plano é usado para determinar o nível de interações das várias partes interessadas e, juntamente com outros documentos, ajudar a definir uma estratégia de identificação e gerenciamento das partes interessadas durante todo o ciclo de vida do projeto. Ou seja, estabelece as estratégias que serão usadas para engajar as partes interessadas e visando orientações para as comunicações no projeto. 2. Plano de Gerenciamento das Comunicações (Communications Management Plan): o plano de gerenciamento das comunicações fornece orientação e informações sobre o gerenciamento das expectativas das partes interessadas. As informações utilizadas incluem, mas não estão limitadas a: • Requisitos de comunicações das partes interessadas. • Informações a serem comunicadas, incluindo idioma, formato, conteúdo e nível de detalhes. Lembrando que as entradas são o que eu preciso para executar o processo. 64 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos • Motivo da distribuição da informação. • Pessoa ou grupos que receberão as informações. • Processo de encaminhamento. 3. Registro de Mudanças (Change log): o registro das mudanças é usado para documentar as mudanças que ocorrem durante o projeto. Essas mudanças e seu impacto no projeto em termos de tempo, custo e risco são comunicados às partes interessadas apropriadas. Figura 22 – Gerenciar o engajamento das partes interessadas: entradas Fonte: Montes (2016). 4. Ativos de processos organizacionais (Organizational Process Assets): os ativos de processos organizacionais que podem influenciar o processo de Gerenciar o Engajamento das Partes Interessadas incluem, entre outros: • requisitos de comunicação da organização; • procedimentos de gerenciamento das questões; • procedimentos de controle das mudanças; e • informações históricas sobre projetos anteriores. 65 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Figura 23 – Gerenciar o engajamento das partes interessadas: ferramentas e técnicas Fonte: PMBoK® (2013, p. 404). Lembrando que as ferramentas e técnicas são as formas como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. 1. Métodos de Comunicação (Communication methods): os métodos de comunicação identificados para cada parte interessada no plano de gerenciamento das comunicações são usados durante o gerenciamento do engajamento das partes interessadas. Com base nos requisitos de comunicações das partes interessadas, o gerente de projetos decide como, quando e quais desses métodos de comunicações serão usados no projeto. 2. Habilidades Interpessoais (Interpersonal skills): o gerente de projetos se utiliza de habilidades interpessoais para gerenciar as expectativas das partes interessadas. Por exemplo: • estabelecimento de confiança; • solução de conflitos; • escuta ativa; e • superação da resistência à mudança. Lembrando que as ferramentas e técnicas são as formas como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. b) Ferramentas e técnicas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as ferramentas e técnicas utilizadas para o processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. 66 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Quando se fala em habilidade interpessoal, estamos falando da habilidade de lidar com outras pessoas de forma adequada, a necessidade de cada um e a exigência de cada situação. Segundo Chelegon (2013), o relacionamento interpessoal refere-se à relação com o próximo, é a competência através da qual o indivíduo se relaciona bem com as pessoas com as quais interage. É a habilidade necessária para entender e responder adequadamente às expectativas de outras pessoas. A habilidade interpessoal se exercita conhecendo, analisando e distinguindo sentimentos (intenções, motivações, estados de ânimo) pertencentes ao outro e controlando sua reação em função destes sentimentos. Essa compreensão do próximo lhe confere a habilidade de trabalhar eficazmente com outras pessoas, a competência para trabalhar em equipe, grupos, e é desejada ao exercício da liderança. 3. Habilidades de Gerenciamento (Management skills): o gerente de projetos utiliza habilidades de gerenciamento para coordenar e harmonizar o grupo a fim de cumprir os objetivos do projeto. Por exemplo: • facilitar o consenso para alcançar os objetivos do projeto; • influenciar as pessoas a apoiar o projeto; • negociar acordos para atender às necessidades do projeto, e • modificar o comportamento organizacional para aceitar os resultados do projeto. Atualmente um dos maiores desafios do gerenciamento de projetos é a gestão das pessoas que influenciam o projeto, ou seja, as partes interessadas. O Gerente de Projetos hoje precisa cumprir três papéis dentro das organizações, de acordo com Raj, Baumotte e Fonseca (2006), sob a ótica da gestão de pessoas. • Ser um parceiro para o ajuste das estratégias de pessoas à estratégia empresarial. • Ser um agente de mudança para gerir a transformação e a mudança. • Ser um colaborador das pessoas para ouvir e aumentar seu envolvimento e sua capacidade de participação. E para aumentar o envolvimento das pessoas em nossos projetos, precisamos nos atentar para os seguintes pontos: • motivação; • conflitos; • negociação; 67 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 • comprometimento; • gestão de pessoas; • desenvolvimento de pessoas; • superação de desafios; • situações de pressão e mudanças. c) Saídas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as saídas para o processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. Figura 24 – Gerenciar o engajamento das partes interessadas: saídas Fonte: PMBoK® (2013, p. 404). Lembrando que as saídas são o que resultou o processo. 1. Registro das Questões (Issue log): o gerenciamento do engajamento das partes interessadas pode resultar no desenvolvimento do registro das questões. O registro é atualizado quando são identificadas novas questões e as questões atuais são resolvidas. O registro de questões tem como objetivo documentar e acompanhar as questões relacionadas ao projeto. Questão é um ponto ou assunto em discussão ou em disputa ou um ponto ou assunto que não está resolvido e está sob discussão ou sobre o qual existem pontos de vista opostos ou desacordos. Na figura a seguir pode ser observado um exemplo típico de registro de questões. Lembrando que as saídas são o que resultou o processo. Questão é um ponto ou assunto em discussão ou em disputa ou um ponto ou assunto que não está resolvido e está sob discussão ou sobre o qual existem pontos de vista opostos ou desacordos. 68 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 25 – Exemplo de registro de questões Fonte: Baseado em Tiexames (2016). 2. Solicitações de Mudança (Change requests): o gerenciamento do engajamento das partes interessadas pode resultar em uma solicitação de mudança do produto ou do projeto. Ele também pode incluir ações corretivas ou preventivas no projeto propriamente dito ou na interação comas partes interessadas impactadas, conforme necessário. 3. Atualizações no Plano de Gerenciamento do Projeto (Project management plan updates): os elementos do plano de gerenciamento do projeto que podem ser atualizados incluem, entre outros, o plano de gerenciamento das partes interessadas. Esse plano é atualizado quando são identificados requisitos de comunicação novos ou modificados. Por exemplo, algumas comunicações podem não ser mais necessárias, um método de comunicação ineficaz pode ser substituído por outro, ou um novo requisito de comunicação pode ser identificado. É também atualizado como resultado do solucionamento das preocupações e da resolução das questões. Por exemplo, pode ser determinado que uma das partes interessadas tem necessidades adicionais de informações. 4. Atualizações nos Documentos do Projeto (Project documents updates): os documentos do projeto que podem ser atualizados incluem, mas não se limitam ao registro das partes interessadas. Este é atualizado quando há mudanças nas informações sobre as partes interessadas, quando são identificadas novas partes interessadas, ou se partes interessadas registradas não estiverem mais envolvidas ou não forem mais afetadas pelo projeto, ou se forem necessárias outras atualizações para partes interessadas específicas. 5. Atualizações nos Ativos de Processos Organizacionais (Organizacional process assets updates): os ativos de processos organizacionais que podem ser atualizados incluem, entre outros: • Notificações das Partes Interessadas. Podem ser fornecidas informações às partes interessadas sobre questões solucionadas, mudanças aprovadas e a situação geral do projeto. • Relatórios do Projeto. Os relatórios formais e informais do projeto descrevem o andamento do projeto e incluem lições aprendidas, registros de questões, relatórios de encerramento do projeto e resultados de outras áreas de conhecimento. 69 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 • Apresentações do Projeto. Informações formal ou informalmente fornecidas pela equipe do projeto a qualquer ou a todas as partes interessadas do projeto. • Registros do Projeto. Os registros do projeto podem incluir correspondência, memorandos, atas de reuniões e outros documentos que descrevam o projeto. • Feedback das Partes Interessadas. As informações recebidas das partes interessadas relacionadas com as operações do projeto podem ser distribuídas e usadas para modificar ou melhorar o desempenho futuro do projeto. • Documentação de Lições Aprendidas. A documentação inclui a análise das causas principais dos problemas enfrentados, o motivo que ocasionou a ação corretiva escolhida, e outros tipos de lições aprendidas sobre o gerenciamento das partes interessadas. As lições aprendidas são documentadas e distribuídas para que façam parte do banco de dados histórico tanto do projeto quanto da organização executora. Como pode ser visto na figura a seguir, o processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas será uma entrada para o processo: • 13.4: Controlar o engajamento das partes interessadas Lembrando que o Guia PMBOK é composto de 13 áreas de conhecimento e cada área tem seus processos, a área de gerenciamento de partes interessadas é a 13 do guia, o item 13.4 representa o quarto processo desta área. Lembrando que o Guia PMBOK é composto de 13 áreas de conhecimento e cada área tem seus processos, a área de gerenciamento de partes interessadas é a 13 do guia, o item 13.4 representa o quarto processo desta área. 70 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 26 – Diagrama do fluxo de dados do processo: gerenciar o engajamento das partes interessadas Fonte: PMBoK® (2013, p. 405). Reflita. Uma parte interessada em particular tem a reputação de solicitar muitas mudanças em projetos. Qual é a melhor postura que um gerente de projetos pode ter no início de um projeto para gerenciar essa situação? a) Dizer “não” algumas vezes à parte interessada para dissuadi- la de apresentar mais mudanças. b) Envolver a parte interessada no projeto o mais cedo possível. c) Conversar com o chefe da parte interessada para descobrir maneiras de direcionar as atividades da parte interessada para outro projeto. d) Pedir que a parte interessada não seja incluída na lista de partes interessadas. A resposta mais ideal, conforme Rita Mulcahy (2013), é a letra B. O gerente de projeto não pode evitar as partes interessadas, porque elas têm interesses no projeto. O gerente de projeto pode dizer “não”, mas isso não soluciona a causa-raiz do problema. Pode 71 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Atividades de Estudos: 1) Qual o maior benefício do processo Gerenciar o engajamento das partes interessadas? a) Manter o foco das partes interessadas no projeto. b) Permitir que as partes interessadas controlem o resultado do projeto. c) Aumentar o apoio e diminuir a oposição das partes interessadas. d) Eliminar todas as oposições ao projeto. 2) Qual das seguintes é uma entrada no processo Gerenciar o engajamento das partes interessadas? a) Métodos de comunicação. b) Plano de gerenciamento das comunicações. c) Reuniões. d) Registro de questões. 3) Como é chamado no PMBOK um assunto em discussão ou em disputa ou sobre o qual existem pontos de vista opostos? a) Problema. b) Questão. c) Discussão. d) Risco. haver algumas boas ideias nessas solicitações de mudanças. A única opção que lida com o problema é envolver as partes interessadas no projeto o mais cedo possível. 72 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos ENTREGANDO SUCESSO ENGAJANDO AS PARTES INTERESSADAS Resumo do artigo Gerenciar todo um projeto não é uma tarefa simples, às vezes pode parecer ser transmitida essa visão para uma parte de profissionais que não atuam com esta forma de trabalho mais “gestão”. Além de toda uma parte gerencial aplicada e grandes esforços para elaborar e gerenciar documentações do projeto, bem como buscar melhores processos para a execução do projeto, é preciso ter uma grande preocupação para o correto e eficaz envolvimento das partes interessadas. Texto principal Engajar os envolvidos é uma das tarefas principais do gerente de projetos, e que deve ser realizada em sua exaustão. E esse fator de envolvimento está muito ligado ao sucesso do projeto, afinal um projeto é concebido e entregue para atender a uma necessidade na qual um ou mais dos interessados serão os próprios utilizadores do produto ou serviço e, claro, muitos outros também serão afetados pelo projeto ao longo do seu ciclo de vida. Buscar envolver em todas as etapas as partes interessadas no planejamento do projeto é o ideal para que se obtenha um melhor resultado final em sua qualidade. Explore o conhecimento destes recursos e busque compreender suas necessidades e também suas apreensões, para melhorar os processos e garantir uma melhor aderência ao projeto. O documento de registro de partes interessadas deve ter iniciada a sua elaboração logo no começo do projeto, desde suas primeiras reuniões com os envolvidos. Este é um documento vivo, portanto é atualizado a cada saída ou entrada de novas partes interessadas. Conterá informações sobre o contato quanto à sua área de atuação, seu poder e influência no projeto, sua classificação quanto ao fato de ser um apoiador, resistente ou neutro no projeto, dentre outras informações de avaliação. A ideia é o gerente ter um melhor mapeamento de todos os envolvidos e, assim, traçar uma estratégia de gerenciamento. 73 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Tendo o cenário com recursos totalmente envolvidos, podemos destacar muitas vantagens que podem ser obtidas no gerenciamento durante o seu ciclo, e de imediato poderemos controlar melhora famosa (e extinta, por assim dizer o termo) restrição tripla (escopo, tempo e custo), pois com os recursos-chave alocados junto ao time do projeto, qualquer mudança em escopo, se necessária, a sua análise ocorrerá de forma mais rápida, assim como o gerenciamento de impactos no cronograma e orçamento. Quando a empresa trabalha em um ambiente mais projetizado na gestão dos seus projetos, pode ser interessante montar um time de projetos onde colaboradores-chave das áreas envolvidas façam parte integral do projeto. Geralmente é uma forma mais complicada de se conseguir, pois, basicamente, o que o gerente de projetos iria solicitar aos gerentes destes recursos (e que certamente são uma parte interessada) será pedir para talvez seu melhor recurso focar e realizar atividades quase em sua totalidade para o projeto, e dependendo das atividades desenvolvidas na sua área de origem, pode ser difícil esse alinhamento. Pois bem, montar uma equipe de projeto que seja composta por especialistas em processos de gestão de projetos e também trazer para perto os recursos especialistas no produto ou serviço que será entregue, aumenta significativamente suas chances de sucesso! Conclusão No preenchimento do registro das partes interessadas deverão constar as informações de identificação, avaliação e classificação, conforme sintetizado em texto acima, porém o documento contém também uma segunda guia de preenchimento, com demais informações de estratégia no gerenciamento das partes interessadas. Há questionamentos para preenchimento quanto ao interesse do stakeholder no projeto, se o mesmo tem alguma necessidade que seja interessante monitorar, uma avaliação de impacto neste interesse que foi cadastrado e sofra alterações, e também inserir as estratégias a realizar sobre a parte interessada que podem auxiliar em ganho de suporte ou reduzir obstáculos, e demais comentários. Na matriz de influência consta um quadro para identificação e visualização de uma forma para compreender o cálculo que será realizado, uma indicação automática por cores, para dar indicativos e auxiliar a estratégia de gestão junto à importância no projeto da parte 74 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos interessada cadastrada, calculando na forma de influência x impacto x poder x interesse. Dicas Algumas dicas para a utilização do documento de registro das partes interessadas: 1) Procure identificar o que de fato é mais importante em relação aos requisitos de interesse da parte interessada no projeto; compreender o que ele espera receber ajudará no caminho a seguir para entregar o esperado. 2) Analise bem o preenchimento das informações de avaliação, porque será o drive para gerar e calcular sua matriz de influência do projeto. 3) Tenha cuidado! – Atenção com as informações inseridas no documento e a sua divulgação. O registro das partes interessadas, assim como as informações de contato, são parte de um documento obrigatório do projeto ao qual todos os envolvidos podem ter acesso para buscar informações e auxiliar na comunicação. Porém, em relação às informações de classificação e estratégia direcionada às partes interessadas, talvez não seja interessante a disponibilização aberta de alguns dados que descreveu, como característica ou a forma como você, gerente, fará a respeito de determinadas ações e atitudes, sendo esta uma parte da gestão do gerente do projeto e/ou seu time. Fonte: Disponível em: <http://pmkb.com.br/artigo/entregando-sucesso- engajando-as-partes-interessadas/>. Acesso em: 22 ago. 2016. Este artigo reforça a importância de se envolver em todas as etapas do projeto das partes interessadas, desde o seu planejamento, para que se obtenha um melhor resultado final em sua qualidade. É necessário explorar o conhecimento destes recursos e compreender suas necessidades e também suas apreensões, para melhorar os processos e garantir uma melhor aderência ao projeto. 75 Gerenciar o engajamento das partes interessadas Capítulo 3 Considerações Finais Neste capítulo foi possível verificar as estratégias que o PMBOK sugere para executar o que foi planejado no processo de gerenciamento das partes interessadas. Ficou clara a importância de envolver as partes interessadas e manter uma comunicação assertiva. Isto porque as partes interessadas podem afetar diretamente o sucesso do projeto. Manter o envolvimento apropriado das partes interessadas fará toda a diferença para a visibilidade do projeto, mas, mais do que isso, irá garantir o apoio necessário para alcançar os seus objetivos. Verificamos também que a satisfação do cliente é tão importante quanto a qualidade das entregas, e para alcançarmos esta satisfação é necessário mantê- los ativos no projeto, seja participando ativamente ou sendo informados. Nunca se deve negligenciar este processo em um projeto, por mais que você pense não ter tempo para realizar essas atividades. Uma comunicação e engajamento bem executado, muitas vezes, farão com que se ganhe tempo no projeto, evitando retrabalhos ou ruídos na comunicação. Referências CHELEGON, Hamilton. Habilidades interpessoais para líderes. Webartigos, 2013. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/habilidades-interpessoais- para-lideres/114661/>. Acesso em: 18 set. 2016. MONTES, Eduardo. Registro das mudanças. Escritório de Projetos, 2016. Disponível em: <http://escritoriodeprojetos.com.br/registro-das-mudancas>. Acesso em: 18 de set. 2016. MULCAHY, Rita. PMP Exam Prep, 8th Edition, 2013. (PMBOK 5ª edição). PMI (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE). Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. RAJ, Paulo Pavarini; BAUMOTTE, Ana Cláudia Trintenaro; FONSECA, Dóris D’Alincourt. Livro de gerenciamento de pessoas em projetos. FGV Editora, 2006. 76 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos TIEXAMES. Curso e-learning preparatório para os exames CAPM® e PMP® do PMI. 2016. Disponível em: <http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso- PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php>. Acesso em: 15 ago. 2016. http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php CAPÍTULO 4 Controlar o Engajamento das Partes Interessadas A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Monitorar os relacionamentos das partes interessadas do projeto em geral. � Ajustar as estratégias e planos para o engajamento das partes interessadas. � Monitorar o engajamento das partes interessadas ao projeto. � Utilizar as ferramentas e técnicas para engajar as partes interessadas. 78 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 79 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 Contextualização Neste processo vamos nos assegurar de que aquilo que foi planejado para o gerenciamento das partes interessadas está funcionando. Se não estiver de acordo, será necessário realizar mudanças e ajustar as estratégias para que o engajamento ocorra da melhor maneira possível. Como vimos nos capítulos anteriores, manter um relacionamento contínuo e efetivo com as partes interessadas irá aumentar as chances de sucesso do projeto em relação ao escopo e expectativas e, consequentemente, obtendo a satisfação do cliente. E este processo fará o controle de engajamento, garantindo que o que foi planejado está realmente ocorrendo e funcionando, ou, se não estiver funcionando, fará os ajustes necessários. Neste capítulo falaremos de como monitorar o engajamento das partes interessadas. Também vamos falar das principais ferramentas e técnicas sugeridas pelo PMBOK® para garantir que este processo seja conduzido da melhorforma. Controlar o Engajamento das Partes Interessadas Segundo o Guia PMBOK®, controlar o nível de engajamento das partes interessadas é o processo de monitorar os relacionamentos das partes interessadas no projeto em geral, e ajustar as estratégias e planos para esse engajamento. O principal benefício desse processo é a manutenção ou aumento da eficiência e eficácia das atividades de engajamento das partes interessadas à medida que o projeto se desenvolve e o seu ambiente muda. O processo de controlar o engajamento das partes interessadas faz parte do monitoramento e controle do projeto, como pode ser verificado na figura a seguir, que demonstra todos os processos da área de gerenciamento de partes interessadas. 80 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 27 – Processos da área de gerenciamento de partes interessadas Fonte: Baseado em Tiexames (2016) Conforme Mulcahy (2013), manter o relacionamento das partes interessadas e controlar seu engajamento são responsabilidades contínuas do gerente de projetos. Monitorar o engajamento das partes interessadas no projeto lhe ajudará a entender as percepções delas sobre o progresso do projeto, o que por sua vez permitirá que você faça pequenos ajustes para garantir a continuidade do engajamento e do apoio das partes interessadas. Além de avaliar o engajamento das partes interessadas e melhorar e refinar as estratégias para incentivar o engajamento, esse processo também envolve a reavaliação do registro das partes interessadas, o acréscimo de partes interessadas, se necessário, e a observação de quando o envolvimento de uma parte interessada específica não é mais necessário. De uma forma direta, neste processo você irá comparar o trabalho realizado no processo de planejar o gerenciamento de partes interessadas a fim de verificar se está havendo algum desvio ou se o plano está sendo eficaz. Qualquer desvio identificado pode ser considerado um problema no projeto e deve ser investigado e tratado com a atenção necessária. Detalhando as Fases Neste tópico vamos detalhar cada uma das fases do processo de controlar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®, para termos como guia neste momento de projeto. Começaremos explicando sobre os documentos de entrada: plano de gerenciamento do projeto, registro das questões, dados do desempenho do trabalho e documentos do projeto. a) Entradas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais as entradas para o processo controlar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. 81 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 Figura 28 – Controlar o engajamento das partes interessadas: entradas Fonte: PMBoK® (2013, p. 410). Lembrando que as entradas são o que eu preciso para executar o processo. 1. Plano de gerenciamento do projeto (Project Management Plan): o plano de gerenciamento do projeto é usado para desenvolver o plano de gerenciamento das partes interessadas. As informações usadas no processo Controlar o Nível de Comprometimento das Partes Interessadas incluem, entre outras: • ciclo de vida selecionado para o projeto e os processos que serão aplicados a cada fase; • como o trabalho será executado para completar os objetivos do projeto; • como os requisitos de recursos humanos serão cumpridos, como os papéis e responsabilidades, a estrutura hierárquica e o gerenciamento do pessoal serão abordados e estruturados para o projeto; • um plano de gerenciamento de mudanças que documenta como as mudanças serão monitoradas e controladas, e; • necessidades e técnicas para a comunicação entre as partes interessadas. 2. Registro das Questões (Issue log): o registro das questões é atualizado quando são identificadas novas questões, e as questões atuais são resolvidas. Para cada problema ou questão do projeto, o GP deve: • identificar alternativas; • selecionar a melhor solução; Lembrando que as entradas são o que eu preciso para executar o processo. 82 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos • gerar as ações com responsável e data de término; • acompanhar o andamento das ações; • divulgar a solução e garantir o alinhamento dos envolvidos na solução; • facilitar a comunicação; • manter relacionamentos bons e construtivos entre as diversas partes interessadas; Sempre lembrando de envolver os responsáveis para tomar as decisões e para executar as ações. As questões não resolvidas ou mal resolvidas são fontes de conflitos e de atrasos no projeto e, muitas vezes, causa do cancelamento ou suspensão do projeto. 3. Dados de Desempenho do Trabalho (Work performance data): os dados de desempenho do trabalho são as observações e medições básicas identificadas durante a execução das atividades realizadas para levar a cabo os trabalhos do projeto. Várias medições das atividades e entregas do projeto são coletadas durante vários processos de controle. Os dados são frequentemente vistos como o nível mais baixo de abstração de onde as informações são extraídas por outros processos. Exemplos de dados de desempenho do trabalho incluem a percentagem registrada do trabalho concluído, medidas de desempenho técnico, datas de início e término das atividades do cronograma, número de solicitações de mudança, número de defeitos, custos reais, durações reais etc. 4. Documentos do Projeto (Project documents): muitos documentos do projeto resultantes dos processos de iniciação, planejamento, execução ou controle podem ser usados como entradas de apoio para o controle do engajamento das partes interessadas. Eles incluem, entre outros: • cronograma do projeto; • registro das partes interessadas; • registro das questões; • registro das mudanças; e • comunicações do projeto. b) Ferramentas e técnicas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as ferramentas e técnicas utilizadas para o processo de controlar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. Sempre lembrando de envolver os responsáveis para tomar as decisões e para executar as ações. As questões não resolvidas ou mal resolvidas são fontes de conflitos e de atrasos no projeto e, muitas vezes, causa do cancelamento ou suspensão do projeto. 83 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 Figura 29 – Controlar o engajamento das partes interessadas. ferramentas e técnicas Fonte: PMBoK® (2013, p. 404). Lembrando que as ferramentas e técnicas são as formas como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. 1. Sistemas de Gerenciamento de Informações (Information management systems): o sistema de distribuição de informações fornece uma ferramenta padrão para que o gerente de projetos possa coletar, armazenar e distribuir as informações para as partes interessadas sobre os custos, o andamento e o desempenho do projeto. Ele também permite que o gerente de projetos consolide os relatórios de diversos sistemas e facilita a distribuição dos relatórios para as partes interessadas do projeto. Exemplos de formatos de distribuição podem incluir tabelas, análise de planilhas e apresentações. Podem ser usados recursos gráficos para criar representações visuais das informações de desempenho do projeto. 2. Opinião Especializada (Expert judgment): para assegurar a identificação abrangente e a listagem de novas partes interessadas, uma nova avaliação das atuais partes interessadas pode ser realizada. Pode ser solicitada a opinião de grupos ou pessoas com treinamento ou conhecimento especializado, tais como: • alta administração; • outras unidades ou indivíduos dentro da organização; • principais partes interessadas identificadas; • gerentes de projetos que trabalharam em projetos da mesma área (diretamente ou por meio de lições aprendidas); • especialistas no assunto da área de negócio ou do projeto; • grupos e consultores do setor; e Lembrandoque as ferramentas e técnicas são as formas como eu utilizarei as entradas para obter resultado do processo. 84 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos • associações profissionais e técnicas, entidades reguladoras e organizações não governamentais. A opinião especializada pode ser obtida por meio de consultas individuais (reuniões particulares, entrevistas etc.) ou em formato de painel (tais como discussões de grupo, pesquisas de opinião etc.). 3. Reuniões (Meetings): as reuniões de avaliação do andamento são usadas para trocar e analisar informações sobre o nível de comprometimento das partes interessadas. Essas reuniões são planejadas e alinhadas no planejamento do projeto no processo de Planejar Gerenciamento das Comunicações, processo que determina as necessidades de informação das partes interessadas e define os procedimentos e tecnologias de comunicação a serem utilizados no projeto (Quem, O que, Como e Quando as informações são distribuídas). c) Saídas Nesta fase do projeto, vamos conhecer quais são as saídas para o processo controlar o engajamento das partes interessadas segundo o PMBOK®. Figura 30 – Controlar o engajamento das partes interessadas: saídas Fonte: PMBoK® (2013, p. 404). Lembrando que as saídas são o que resultou o processo. 1. Informações sobre o Desempenho do Trabalho (Work performance information): as informações sobre o desempenho do trabalho são dados de desempenho coletados de vários processos de Lembrando que as saídas são o que resultou o processo. 85 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 controle, analisados em contexto e integrados, baseados nos relacionamentos entre as áreas. Assim, os dados sobre o desempenho do trabalho foram transformados em informações de desempenho do trabalho. Os dados por si mesmos não são usados no processo decisório, porque seu significado pode ser interpretado de modo incorreto. As informações, no entanto, são correlacionadas e contextualizadas, e fornecem uma base sólida para as decisões do projeto. As informações sobre o desempenho do trabalho são circuladas através dos processos de comunicação. Exemplos de informações sobre o desempenho são a situação das entregas, a situação da implementação das solicitações de mudança, e as estimativas previstas para terminar. 2. Solicitações de Mudança (Change requests): a análise do desempenho e das interações com as partes interessadas do projeto muitas vezes gera solicitações de mudança. Essas solicitações de mudança são processadas por meio do processo de Realizar o Controle Integrado de Mudanças, do seguinte modo: • as ações corretivas recomendadas incluem mudanças que alinham o desempenho futuro esperado com o plano de gerenciamento do projeto; e • as ações preventivas recomendadas podem reduzir a probabilidade de ocorrência de um desempenho futuro negativo para o projeto. 3. Atualizações no Plano de Gerenciamento do Projeto (Project management plan updates): à medida que as partes interessadas se comprometem com o projeto, a eficácia geral da estratégia de gerenciamento das partes interessadas pode ser avaliada. À proporção que mudanças na abordagem ou estratégia são identificadas, pode haver a necessidade de atualizações nas seções afetadas do plano de gerenciamento do projeto para refletir essas mudanças. Os elementos do plano de gerenciamento do projeto que podem ser atualizados incluem, entre outros: • Plano de gerenciamento das mudanças; • Plano de gerenciamento das comunicações; • Plano de gerenciamento dos custos; • Plano de gerenciamento dos recursos humanos; • Plano de gerenciamento das aquisições; • Plano de gerenciamento da qualidade; • Plano de gerenciamento dos requisitos; • Plano de gerenciamento dos riscos; • Plano de gerenciamento do cronograma; • Plano de gerenciamento do escopo; e • Plano de gerenciamento das partes interessadas. 86 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 4. Atualizações nos Documentos do Projeto (Project documents updates): os documentos do projeto que podem ser atualizados incluem, mas não estão limitados a: • Registro das Partes Interessadas. Este é atualizado quando há mudanças nas informações sobre as partes interessadas, quando são identificadas novas partes interessadas, ou se partes interessadas registradas não estiverem mais envolvidas ou não forem mais afetadas pelo projeto, ou se forem necessárias outras atualizações para partes interessadas específicas. • Registro das Questões. Ele é atualizado quando são identificadas novas questões e as questões atuais são resolvidas. 5. Atualizações nos Ativos de Processos Organizacionais (Organizacional process assets updates): segundo o PMBOK®, os ativos de processos organizacionais que podem ser atualizados incluem, entre outros: • Notificações das Partes Interessadas. Podem ser fornecidas informações às partes interessadas sobre questões solucionadas, mudanças aprovadas e a situação geral do projeto. • Relatórios do Projeto. Os relatórios formais e informais do projeto descrevem o andamento do projeto e incluem lições aprendidas, registros de questões, relatórios de encerramento do projeto e resultados de outras áreas de conhecimento. • Apresentações do Projeto. Informações formal ou informalmente fornecidas pela equipe do projeto a qualquer ou a todas as partes interessadas do projeto. • Registros do Projeto. Os registros do projeto podem incluir correspondência, memorandos, atas de reuniões e outros documentos que descrevam o projeto. • Feedback das Partes Interessadas. As informações recebidas das partes interessadas relacionadas com as operações do projeto podem ser distribuídas e usadas para modificar ou melhorar o desempenho futuro do projeto. • Documentação de Lições Aprendidas. A documentação inclui a análise da causa raiz dos problemas enfrentados, o motivo que ocasionou a ação corretiva escolhida, e outros tipos de lições aprendidas sobre o gerenciamento das partes interessadas. As lições aprendidas são documentadas e distribuídas para que façam parte do banco de dados histórico, tanto do projeto como da organização executora. Como pode ser visto na figura a seguir, o processo controlar o engajamento das partes é o último processo do Guia PMBOK e não serve de entrada para nenhum outro processo. 87 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 Lembrando que o Guia PMBOK é composto de 13 áreas de conhecimento e cada área tem seus processos, a área de gerenciamento de partes interessadas é a 13 do guia, o item 13.4 representa o quarto processo desta área. Figura 31 – Diagrama do fluxo de dados do processo: controlar o engajamento das partes interessadas Fonte: PMBoK® (2013, p. 410). Vamos refletir sobre todo o processo realizando alguns exercícios de fixação? Atividades de Estudos: 1) Qual o benefício da opinião especializada durante o processo “Controlar o engajamento das partes interessadas”? a) Reavaliar as partes interessadas, identificar novas partes interessadas e remover partes interessadas que não estejam mais associadas ao projeto. b) Criar uma estratégia para controlar o engajamento das partes interessadas. c) Entrevistar partes interessadas para descobrir seus pontos de vista a respeito do projeto. 88 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos d) Resolver assuntos relacionados a partes interessadas de forma a manter seu apoio. 2) Quais são as ferramentas e técnicas do processo “Controlar o nível de engajamento das partes interessadas”? a) Sistemas distribuídos, opinião especializada e técnicas analíticas. b) Técnicas analíticas, reuniões e sistema de informação de gerenciamento de projeto. c) Sistemas de gerenciamento de informação, opinião especializada e reuniões. d) Analista das partes interessadas,métodos de comunicação e habilidades interpessoais. 3) Qual seria uma forte razão para usar dados de desempenho do trabalho como entrada no processo “Controlar engajamento das partes interessadas”? a) Produzir relatórios de satisfação do cliente. b) Analisar os dados de desempenho a fim de verificar se as variações que estão ocorrendo no desempenho estão associadas com falta de identificação e/ou de engajamento das partes interessadas. c) Processar os dados para gerar informações úteis para cada parte interessada. d) Avaliar a eficácia dos processos de planejamento do projeto. 4) Qual utilidade tem o registro das questões para o processo “Controlar o nível de engajamento das partes interessadas”? a) Este processo é responsável por resolver questões pendentes. b) Este registro pode servir como base para avaliar a efetividade do engajamento com as partes interessadas. 89 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 PARTE III: GESTÃO DAS PARTES INTERESSADAS (STAKEHOLDERS) E O PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO Você já chegou ao final de um trabalho com a impressão de que aquilo não te representa? Já esteve em meio ao desenvolvimento de um projeto e sentiu uma enorme vontade de desistir por acreditar não estar atendendo à expectativa do cliente? Se a sua resposta foi positiva para essas indagações, continue a leitura, a gestão das partes interessadas abordada no texto trata exatamente das melhores práticas para tocarmos nossos projetos com credibilidade, pertencimento e também confiança. Como nosso respaldo teórico está pautado no Guia PMBOK@, falemos então acerca dos processos tratados nele e sobre a gestão das partes interessadas (stakeholders). Vale lembrar que, conforme a necessidade do mercado, novas áreas de conhecimento são inseridas no Guia, e foi exatamente o que aconteceu com a quinta edição, a mais recente, que trouxe a inclusão da gestão das partes interessadas. Assim, ao invés de nove, agora são dez áreas de conhecimentos discutidas e estudadas no Guia PMBOK@. Por qual motivo é importante estudá-la? Com o advento da tecnologia, o time das negociações mudou a percepção do cliente também, e nesse ensejo temos o famoso senso de urgência. Tudo isso somado resultou em um maior número de pessoas envolvidas com os projetos, e cada vez mais com voz ativa. Os processos são quatro e o primeiro trata de identificar as partes interessadas: listar seus interesses, envolvimento e impacto no sucesso do projeto. Ao pensarmos esse processo diante de um projeto na área de comunicação, é essencial conceber o seguinte, apenas a título de exemplo: para desenvolver desde um site ou até mesmo uma campanha, o primeiro passo é descobrir: quem são as partes interessadas? 90 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Pode-se dizer, numa análise inicial, que as partes interessadas são formadas por: cliente “patrocinador” do projeto, o cliente do seu cliente, os colaboradores da empresa que precisaram operar o site, ou explicar uma campanha criada, ou ainda, os sócios da empresa, seus colegas de trabalho que irão fazer com você o projeto. Cabe então ao profissional responsável pelo projeto, também conhecido como “gestor de projetos”, identificar os interesses de cada parte! Um exemplo que gosto de usar para falar sobre esse assunto são as festas infantis, quando a criança aniversariante é obrigada a vestir aquela roupa desconfortável e ficar horas numa fila recebendo os presentes, posar para foto quando, na verdade, o interesse dela era apenas se divertir com os amiguinhos. Certo, nesse momento precisamos refletir que cada ação que é imposta para essa criança é para satisfazer os interesses das partes interessadas presentes na festa: pais, avós, amiguinhos e sociedade num sentido geral. Assim, como chegamos aos impactos no sucesso do projeto? Os impactos são identificados ao avaliarmos quais eram os requisitos de sucesso. Que podem ser, nesse caso, a felicidade da criança; o conforto dos convidados; ou até mesmo as fotos ficarem bonitas. Cabe uma reflexão para abordarmos o segundo processo: não podemos ter tudo na vida! O que significa que alguns desses critérios irão consequentemente ter um peso maior em detrimento de outro. Lembrando que dentro do paralelo: nosso cliente são os pais da criança, a festa representa um site, campanha e demais projetos de comunicação. Já os convidados são os clientes do nosso cliente. Mas a criança é o requisito máximo de sucesso, pois se ela chorar e ficar triste, a festa não faz sentido! Aqui mora o fator subjetivo que exige por parte dos gerentes de projeto atenção redobrada com o intuito de identificar o que de verdade tem peso em cada projeto. Todo projeto de comunicação traz em seu seio a figura dessa criança que precisa ser satisfeita. Como satisfazer todos eles? Como chegar num consenso? A solução pode estar no segundo processo, que é planejar o gerenciamento das partes interessadas: desenvolver estratégias 91 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 para quebrar as resistências das partes interessadas e garantir seu engajamento no projeto. Ainda no exemplo da festa infantil, criar uma forma de comunicar à criança a importância de usar a roupinha no aniversário para que ela aceite e talvez faça uma cara mais feliz é o passo para quebrar a resistência e, se ela sorriu para a foto, bingo! Conseguimos o engajamento no projeto dessa parte interessada. Ocorre que tanto ao realizar projetos de comunicação como na situação dos aniversários infantis, as partes interessadas não estão preocupadas em ter esse cuidado para adquirir os melhores resultados. Por vezes, o gestor, bem como os pais, esquecem-se de criar uma situação que fomente o interesse das partes de acordo com o que tem valor para elas. Não iremos convencer nosso cliente a aceitar pagar um preço X, por exemplo, de um serviço, pois estamos precisando de dinheiro para fechar o mês, ou ainda ter a participação efetiva dos colaboradores com o trabalho de hora extra, por informarmos a eles que temos trabalho acumulado. Esses são interesses seus, não das suas partes interessadas! Ao pensarmos de forma ordenada e dentro das instruções da gestão de projetos, é notório que para tudo há uma solução, mas isso requer planejamento. Determinados autores chamam a atenção para a busca da identificação também do grau de importância de cada parte interessada, e ainda, as formas de mensurar a quantidade de esforço e recurso que será gasto para que seja obtida a satisfação desses interesses. Diante disso, consegue-se uma equação plausível para o planejamento determinar quais interesses serão considerados e quais serão descartados. O que serve para eleger uma relação mais clara de custo-benefício para o projeto. O terceiro processo trata de gerenciar o engajamento das partes interessadas: comunicar e interagir com as partes interessadas para atender suas necessidades e solucionar as questões quando ocorrem. 92 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Esse processo representa o que os profissionais de comunicação já estão cansados de saber na teoria, mas na prática reforçam a máxima de: casa de ferreiro, espeto de pau. E falo isso, pois sabemos o quanto é caro conseguir um novo cliente; justamente por essa razão é que precisamos investir para manter os que temos na base. Por termos conhecimento de causa, cantamos esse mantra para os nossos clientes com o intuito de desenvolver as melhores campanhas. E quando estamos num projeto é comum nos esforçarmos para conseguirmos o engajamento das partes interessadas, mas nos perdemos na hora de gerenciá-los e mantê-los. Tudo começa com a boa comunicação. As partes interessadas só irão ter disposição para fazer algo ou abrir mão de algum interesse quando compreenderem a razão disso. Explicarsempre com antecedência e detalhar os motivos pautados nos interesses específicos deles e do projeto como um todo de qualquer mudança no projeto é o caminho para manter o engajamento das partes interessadas. As pessoas tendem a ter uma postura mais solidária quando estão por dentro do assunto, quando se sentem parte dele. Lembra aquele “amigo” que só te procura quando precisa? Então, não seja essa pessoa para os envolvidos no seu projeto. Tenha um relacionamento sério com eles. Diante disso, chegamos ao quarto processo, que é controlar o engajamento das partes interessadas: monitorar os relacionamentos entre as partes interessadas e ajustar as estratégias para engajá-las extinguindo as resistências e fomentando o suporte ao projeto. Controlar o engajamento requer percepção para criar indicadores que servirão como termômetro da satisfação dos envolvidos num projeto. Quando identificar que alguma ação não está conforme combinado e já não supre a necessidade dos interessados, é hora de rever os pontos cruciais que foram acertados. Não espere uma reunião mensal para compreender que seu cliente não está percebendo o valor da marca dele nas ações que tem proposto, não espere uma campanha receber um retorno negativo dos críticos para efetuar a gestão da mudança. 93 Controlar o engajamento das partes interessadas Capítulo 4 Tente ser pragmático, estabeleça o hábito de listar todas as partes interessadas no seu projeto, depois faça a lista dos interesses de cada um e veja o que tem de comum entre eles, mensure com sua equipe a capacidade de entrega, o custo de cada ação e o como o tempo de execução trará impactos para o sucesso do projeto. E lembre-se sempre de comunicar! Fonte: Disponível em: <http://www.ideiademarketing.com. br/2016/07/20/parte-iii-gestao-das-partes-interessadas-stakeholders- e-o-profissional-de-comunicacao/>. Acesso em: 25 ago. 2016. Considerações finais Neste capítulo foi possível verificar que o processo controlar o engajamento das partes interessadas tem como objetivo monitorar os relacionamentos entre as partes interessadas e ajustar as estratégias para engajar as partes interessadas eliminando resistências e aumentando o suporte ao projeto. O principal benefício desse processo é a manutenção ou aumento da eficiência e eficácia das atividades de engajamento das partes interessadas à medida que o projeto se desenvolve e o seu ambiente muda. Com este controle constante é possível tomar ações para não deixar que o planejamento não seja executado ou para identificar falhas no planejamento e garantir assim o engajamento das partes interessadas e, consequentemente, o sucesso do projeto. Referências MULCAHY, Rita. PMP Exam Prep, 8th Edition, 2013. (PMBOK 5ª edição). PMI (PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE). Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. TIEXAMES. Curso e-learning preparatório para os exames CAPM® e PMP® do PMI. 2016. Disponível em: <http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso- PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php>. Acesso em: 15 ago. 2016. http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php http://www.tiexames.com.br/novosite2015/curso-PMP-Gerenciamento-de-Projetos-PMI.php 94 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos CAPÍTULO 5 Desenvolvimento de Competência para Gerentes de Projeto A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender as competências de um gerente de projetos. � Desenvolver as competências de gerente de projetos. 96 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 97 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 Contextualização Neste capítulo, vamos abordar quais são as competências esperadas para um gerente de projetos eficaz. O objetivo é, além de compreender, mostrar como desenvolver estas habilidades. É importante esclarecer que o gerente de projetos é a pessoa alocada pela organização para liderar a equipe responsável por alcançar os objetivos do projeto. O papel do gerente de projetos é diferente de um gerente funcional ou gerente de operações. O gerente funcional se concentra em proporcionar a supervisão de gerenciamento de uma unidade funcional ou de negócios, e os gerentes de operações são responsáveis pela eficiência das operações de negócios. Desenvolvimento de Competência para Gerentes de Projeto Segundo o guia PMBOK (2013), de maneira geral, os gerentes de projetos são responsáveis pelo atendimento de necessidades: de tarefas, necessidades de equipe, e necessidades individuais. Como o gerenciamento de projetos é uma disciplina estratégica crítica, o gerente de projetos torna-se o elo entre a estratégia e a equipe. Os projetos são essenciais para o crescimento e sobrevivência das organizações. Eles criam valor na forma de processos de negócios melhorados, são indispensáveis no desenvolvimento de novos produtos e serviços, e tornam mais fácil para a companhia responder às mudanças relativas ao ambiente, à concorrência, e de mercado. Assim sendo, o papel do gerente de projetos torna- se cada vez mais estratégico. Entretanto, a compreensão e aplicação do conhecimento, das ferramentas e técnicas reconhecidas como boas práticas, não são suficientes para o gerenciamento de projetos eficaz. Além das habilidades específicas a qualquer área e das proficiências de gerenciamento geral exigidas pelo projeto, o gerenciamento de projetos eficaz exige que o gerente de projetos possua as seguintes competências: a) Conhecimento: refere-se ao que o gerente de projetos sabe sobre gerenciamento de projetos. É o saber, é o que aprendemos nas escolas, nas universidades, na vida, em nossa bagagem, nos livros, no trabalho. Sabemos de muitas coisas, mas não utilizamos tudo o que sabemos. 98 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos b) Habilidade: refere-se ao que o gerente de projetos é capaz de fazer ou realizar quando aplica seu conhecimento em gerenciamento de projetos, ou seja, é o saber fazer, é tudo o que de fato utilizamos dos conhecimentos que detemos em nossos “arquivos” no dia a dia. c) Atitude: refere-se ao comportamento do gerente de projetos na execução do projeto ou atividade relacionada. A efetividade pessoal abrange atitudes, principais características de personalidade, e liderança, que fornecem a habilidade de guiar a equipe do projeto ao mesmo tempo em que atinge objetivos e equilibra as restrições do mesmo. Ou ainda, é o que nos leva a decidir se iremos ou não exercitar nossa habilidade de um determinado conhecimento, ela é o querer fazer. Conhecimento em Gerenciamento de Projetos O Guia PMBOK contém o padrão para gerenciar a maioria dos projetos, na maior parte das vezes, e em muitos setores econômicos. Este padrão é exclusivo ao campo de gerenciamento de projetos e tem relacionamentos com outras disciplinas de gerenciamento de projetos, tais como gerenciamento de programas e gerenciamento de portfólios. Os padrões de gerenciamento de projetos não abordam todos os detalhes de todos os tópicos. Este padrão limita-se a projetos individuais e aos processos de gerenciamento de projetos amplamente reconhecidos como boa prática. Habilidades interpessoais de um Gerente de Projetos Segundo o guia PMBOK (2013), os gerentes de projetos realizam o trabalho através da equipe e de outras partes interessadas. Os gerentes de projetos eficazes devem possuir uma combinação equilibrada de habilidades éticas, interpessoais e conceituais para ajudá-los a analisar situações e interagir de maneira apropriada. O guia descreve importantes habilidades interpessoais, tais como: 99 Desenvolvimento de competência para gerentes de projetoCapítulo 5 Liderança Existe uma diferença grande entre liderança (líder) e chefe, onde o chefe tem tendência a comandar pessoas, impor ordens, ser autoritário, e o líder conduz as pessoas e as inspira. Atualmente existem mais chefes do que líderes, mas um gerente de projetos não pode se encaixar no perfil de chefe, ele precisa ser um agente de mudanças, engajar e inspirar o seu time e ir junto com ele. Nem todos nascem líderes, porém todos podem desenvolver a liderança, e este deve ser o foco do gerente de projetos. Uma boa liderança garante um ambiente de trabalho mais saudável e, por consequência, o alto astral da equipe, que trabalhará muito mais motivada. Os líderes têm tendência a serem muito respeitados por seus funcionários, e o respeito tem muito mais eficiência do que o temor, ele busca não só resultados, mas a melhor maneira para ele e para a equipe conseguir alcançá-los, já que ele não pensa no poder como algo centralizado, e sim uma responsabilidade que deve ser dividida. O líder não costuma dizer que tem subordinados, e sim uma equipe, ou um time. Ele ouve as pessoas ao seu redor e está sempre disposto a tirar dúvidas, procura trazer o melhor de cada um e valoriza as habilidades individuais, respeitando suas dificuldades e trabalhando junto com a pessoa para ajudá-la a superá-las. O líder se responsabiliza junto com sua equipe quando algo não dá certo e divide a glória quando o objetivo é alcançado. Confira algumas dicas de como desenvolver habilidades de liderança, segundo o Portal IBC: • Conheça a organização: seja interessado, busque estar por dentro de tudo o que acontece em sua empresa. Um bom líder entende toda a máquina que movimenta uma organização, e não somente a sua engrenagem. • Prepare-se: esteja em constante processo de melhoria de suas habilidades técnicas e teóricas. Invista em Coaching para aprender técnicas de psicologia positiva, gestão de tempo e planejamento estratégico, aplicáveis em todas as áreas de atuação. 100 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos • Valorize seus colegas: conheça seus colegas, entenda suas qualidades e seus pontos de melhoria, utilize esse conhecimento para direcionar tarefas e motivar profissionais. Também é importante criar empatia e respeito entre você e seus colegas, pois em uma verdadeira equipe, há confiança e respeito mútuo, especialmente entre líderes e liderados. Existem vários tipos de liderança e você pode se adequar a um deles, de forma eficiente, de acordo com seu perfil. Construção de equipes O conceito de construção de equipes para os projetos é também muito conhecido como trabalho em equipe. A construção de equipes engloba as ações necessárias para criar o espírito de trabalho em equipe. Segundo a Revista Exame, a definição sobre equipes pode ser construída e representada em cinco etapas: Formação; Tempestade; Normatização; Performance; e Encerramento. Veja: AS ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE UMA EQUIPE Formação: na etapa de formação tenha foco na inclusão, e permita que as pessoas se conheçam e te conheçam. Como líder, é recomendável que você encoraje cada um a relatar a trajetória profissional, descrever suas habilidades, seus “causos” de sucessos, e você como líder, fale um pouco sobre objetivos da equipe e desafios. Tempestade: já na etapa de tempestade, os conflitos de ideias e ideais devem ser incentivados. Como líder, não queira ser o dono da verdade e permita que as pessoas discordem de você. Lembre-se: um ponto de vista é apenas a vista de um ponto. O comprometimento nasce quando há oportunidades para expor percepções. Normatização: a etapa de normatização é o momento em que os papéis e funções precisam ser definidos. Sem dúvida, que colocar as pessoas certas na função certa vai exigir uma boa dose de conhecimento sobre os liderados, e você, como líder, deve também permitir um tempo de acomodação e ser flexível no aprendizado com a equipe. Procure desenvolver 101 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 abordagens comuns e torne os liderados corresponsáveis por isso. Performance: os resultados começam a aparecer na fase de performance com a prática da disciplina e feedback constante. A chave, nessa fase, é que você, como líder, reconheça frequentemente as conquistas e esteja próximo para compartilhar novas estratégias e melhorias. Comunique constantemente os objetivos! Encerramento: nem toda equipe permanece para sempre junta, às vezes, ela pode ter sido construída para um determinado fim e é preciso encerrar as suas atividades. Aqui é importante que o líder e liderados registrem os aprendizados dessa jornada e façam uma celebração e reconheçam os esforços de todos. Nunca se esqueça de que a vaidade é inimiga do espírito de equipe. Confiança é a base de toda equipe, e também possui uma premissa básica: ela é doadora. Você não exige que os outros confiem em você. É você quem confia primeiro. Fonte: Revista Exame. In.: Clube do Concreto. Disponível em: <http:// www.clubedoconcreto.com.br/2013/09/as-etapas-da-construcao- de-uma-equipe.html>. Acesso em: 20 ago. 2016. Motivação Como motivar as pessoas? O que motiva uma pessoa em um projeto? As pessoas são motivadas por suas necessidades, e entender cada uma delas auxilia o Gerente de Projetos a provocar comportamentos positivos nas pessoas, servindo como exemplo a ser seguido. O gerenciamento dos recursos humanos é um item fundamental no projeto, uma vez que são as pessoas que executam um projeto, que “fazem as coisas acontecerem”, que produzem os entregáveis, que controlam a qualidade, que comunicam e que coordenam as ações nas disciplinas de gerenciamento de projetos mencionadas. Quando se fala em “fazer acontecer”, há um aspecto vital: a vontade. Para realizar qualquer trabalho, simples ou complexo, rápido ou longo, individual com ou esforços múltiplos, a vontade tem de estar presente. A grosso modo, vontade pode ser traduzida por motivação, ou seja, sem motivação não há ação. Das diversas teorias motivacionais, duas são bem aplicáveis ao gerenciamento de recursos humanos em projetos. A primeira é Hierarquia das 102 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Necessidades de Maslow, idealizada pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow (1908-1970). Pela Teoria de Maslow, as pessoas são motivadas em atender as suas necessidades, as quais obedecem a uma hierarquia em cinco níveis distintos, conforme demonstrado na figura a seguir. Figura 32 – Pirâmide de Maslow Fonte: Disponível em: <http://www.mood.com.br/piramide- de-maslow/>. Acesso em: 24 out. 2016. Seguem mais detalhes sobre cada nível, segundo Faria (2005): • Necessidades fisiológicas: estas são as necessidades mais básicas, mais físicas (água, comida, ar, sexo etc.). Quando não temos estas necessidades satisfeitas ficamos mal, com desconforto, irritação, medo, doentes. Estes sentimentos e emoções nos conduzem à ação na tentativa de diminuí-las ou aliviá-las rapidamente para estabelecer o nosso equilíbrio interno. Uma vez satisfeitas estas necessidades, nós abandonamos estas preocupações e passamos a nos preocupar com outras coisas. • Necessidades de segurança: no mundo conturbado em que vivemos procuramos fugir dos perigos, buscamos por abrigo, segurança, proteção, estabilidade e continuidade. A busca da religião, de uma crença deve ser colocada neste nível da hierarquia. 103 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 • Necessidades sociais: o ser humano precisa amar e pertencer. O ser humano tem a necessidade de ser amado, querido por outros, de ser aceito por outros. Nós queremos nos sentir necessários a outras pessoas ou grupos de pessoas. Esse agrupamento de pessoas pode ser a antiga tribo, ou a tribo (grupo) atual, no seu local de trabalho, na sua igreja, na sua família,no seu clube ou na sua torcida. Todos estes agrupamentos fazem com que tenhamos a sensação de pertencer a um grupo, ou a uma "tribo". Política, religião e torcida são as tribos modernas. • Necessidades de "status" ou de estima: o ser humano busca ser competente, alcançar objetivos, obter aprovação e ganhar reconhecimento. Há dois tipos de estima: a autoestima e a heteroestima. A autoestima é derivada da proficiência e competência em ser a pessoa que se é, é gostar de si, é acreditar em si e dar valor a si próprio. Já a heteroestima é o reconhecimento e a atenção que se recebe das outras pessoas. • Necessidade de autorrealização: o ser humano busca a sua realização como pessoa, a demonstração prática da realização permitida e alavancada pelo seu potencial único. O ser humano pode buscar conhecimento, experiências estéticas e metafísicas, ou mesmo a busca de Deus. A segunda teoria também é de um psicólogo norte-americano, chamada Teoria dos Dois Fatores ou Teoria Higiene-Motivação, de Frederick Herzberg (1923-2000). O autor considera como fatores de higiene aqueles que não causam motivação, mas se ausentes, trazem insatisfação, como o salário, condições de trabalho, tipo de gerência, os colegas de projeto e status (neste contexto, o salário é considerando, exclusivamente, como um instrumento de contratação ou de retenção de uma pessoa). A designação “fatores higiênicos” decorre de uma analogia à área hospitalar, pois as condições de higiene em um hospital não garantem a melhora do paciente, mas sua ausência trará consequências que certamente degradarão seu estado de saúde. De acordo com a teoria, os itens motivadores são aqueles que efetivamente causam satisfação: crescimento profissional, conhecimento, responsabilidade e reconhecimento (inclusive a premiação) que, na relação com a área hospitalar, representariam aqueles que trazem reais condições de melhoria ao paciente. 104 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Figura 33 – Teoria dos dois fatores ou teoria higiene-motivação Fonte: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/ slide/1249915/>. Acesso em: 22 ago. 2016. Com isto, vimos que a motivação da equipe é um item muito importante nas habilidades interpessoais de um gerente de projetos e devem ser compreendidas para que possa atuar com as equipes da melhor forma possível. Comunicação O gerente de projeto gasta aproximadamente 90% do seu tempo com a comunicação, seja ela formal, através de e-mail e atas de reunião ou informal. A habilidade de comunicação efetiva de um gerente de projeto é essencial para o sucesso do projeto, uma vez que gerenciar um projeto envolve comunicação formal e informal em diferentes níveis na organização. Esse tipo de comunicação inclui todas as atividades e comportamentos nos quais informações e ideias são transferidas entre o gerente de projeto e as pessoas que trabalham no projeto. O gerente deve dar direções; realizar reuniões e transmitir informações e ideias para o time de projeto, superiores, clientes, contratados, gerentes funcionais e outros gerentes e funcionários de fora do projeto; além de ser um ótimo ouvinte. O objetivo é alcançar alta performance por meio de uma comunicação aberta, desenvolvendo confiança e orientação efetiva. Com isto, um gerente de projetos que tem algum tipo de dificuldade ou limitação em relação à comunicação, deve buscar ferramentas que lhe auxiliem e garantam a comunicação eficaz do projeto. 105 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 Influência Compartilhar o poder e confiar nas "habilidades interpessoais” para fazer com que os outros cooperem para o alcance de objetivos comuns. Tomada de Decisões É a capacidade de analisar e ponderar as situações. A habilidade de tomar decisões eficazes é uma das competências mais importantes que uma pessoa pode desenvolver. Segundo Diniz (2012), quando desenvolvemos um modelo bem-sucedido de tomar decisões, temos os seguintes ganhos: • aumento da segurança e da confiança em um momento de decisão; • cada vez mais as decisões passam a ser tomadas de forma rápida; • quanto maior a responsabilidade, maior é o impacto das decisões; • essencial para momentos de crise; • permite maior competitividade no mercado. Existem quatro grandes tipos de decisões a serem tomadas no nosso dia a dia: • Decisões intrapessoais ou individuais: são as decisões que só afetam o meu bem-estar e o de mais ninguém, como: “ devo dormir mais 40 minutos ou levanto e pratico exercícios?” • Decisões interpessoais: são as decisões que afetam também o bem-estar de outras pessoas, como: “ devo sair pra jantar com a minha esposa ou fico em casa vendo futebol?” • Decisões de grupo: precisam ser tomadas por grupos de diferentes formas e tamanhos. • Decisões organizacionais: decisões que podem ser tomadas por pessoas ou grupos, mas que impactam as empresas e seus resultados no seu dia a dia. Independentemente do tipo de decisão a ser tomada, existem dois grandes aspectos que precisam ser considerados para uma boa escolha: pessoas e processos. Pessoas impactam as decisões por seus estilos e características distintas usadas durante os processos. Já o processo de tomada de decisão pode ser usado por qualquer pessoa para melhorar o seu resultado. 106 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Consciência Política e Cultural Saber usar as influências e relações de poder para influenciar em decisões relativas à equipe do projeto e seus objetivos. A cultura organizacional pode estimular a formação e o desenvolvimento de equipes ou funcionar como um entrave a elas. É uma variável relevante para a compreensão das ações humanas, funcionando como um padrão coletivo, que permite identificar nos grupos suas maneiras de perceber, pensar, sentir e agir. É mais que um simples conjunto de regras e hábitos, evidencia a construção de significados partilhados e vivenciados pelo conjunto de pessoas que pertencem a um mesmo grupo. Nas organizações, a cultura é continuamente formada, sempre existirão processos de aprendizagem em andamento e as coisas aprendidas, quando enraizadas, dão estabilidade ao grupo e tornam-se difíceis de mudar. Neste aspecto, em particular, reside um grande obstáculo à formação das equipes, pois elas não nascem prontas, se desenvolvem, o que demanda tempo. A formação e desenvolvimento de equipes acontecem ao longo de um tempo, exigindo convivência e experiências em comum. Negociação Negociação é um meio de conseguir o que se quer de outras pessoas. É uma comunicação de mão dupla para se chegar a um acordo quando ambas as partes possuem uma combinação de interesses comuns e opostos, ou seja, para resolver um conflito entre elas. A negociação ocorre quando as partes querem decidir suas diferenças e continuar o relacionamento de modo produtivo e gratificante, com um resultado aceitável para todos, fazendo uso da colaboração e aceitação (VERMA, 1996). Nesse sentido, para atingir o sucesso no projeto, os gerentes devem ser capazes de negociar com os especialistas técnicos, todos os gerentes envolvidos e a gerência superior acerca dos recursos, prioridades e responsabilidades. Eles devem negociar com os clientes com relação às mudanças de escopo, cronograma, orçamento e performance; e com os membros da equipe acerca das várias questões relacionadas à gestão do projeto durante o ciclo de vida do projeto (VERMA, 1996). Para Gramigna (2007, p. 36), “quando precisamos de outras pessoas para aprovar uma proposta, necessitamos nos cercar de algumas habilidades pessoais 107 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 específicas, como persuasão, influência, convencimento e negociação, para conseguirmos aquilo que almejamos.” Mais especificamente, o gerente de projetos deve ser capaz de analisar e avaliar as situações, e então,formular uma estratégia de negociação pertinente e adaptar um estilo de negociação flexível para ajustar as situações específicas e negociadores envolvidos no processo de negociação. A melhor maneira para se alcançar esse resultado é encorajar os envolvidos para trabalharem buscando ganhos mútuos (VERMA, 1996). Segundo Gramigna (2007, p. 24), é importante “estabelecer boas relações na empresa: saber como estabelecer boas relações no trabalho; negociar quando houver problemas; conseguir cooperação”. No entanto, nesse processo de negociação, os gerentes devem ser sensíveis aos sentimentos e dinâmicas das pessoas, de modo a atingir o resultado almejado, assim como prevenir a exaustão derivada do processo. A maioria dos projetos está organizada numa estrutura matricial na qual a responsabilidade e a autoridade são geralmente divididas entre as partes. Componentes do projeto são trazidos de diferentes setores e áreas funcionais, cada um com diferentes percepções, técnicas de gestão ou recursos, prazo e custo a ser utilizado no projeto (VERMA, 1996). Para tanto, o gerente de projeto deve se ater ao fato de que as diferenças culturais influenciam os processos e métodos de negociação, e assim procurar entender quais são os valores, crenças, atitudes e conhecimento das pessoas e seu impacto na negociação do projeto. Segundo Gramigna (2007, p. 24), é preciso “ter sensibilidade, demonstrar interesse pelos colaboradores e sensibilidade perante suas necessidades”. Ganho de Confiança A confiança está associada à cooperação, ao compartilhamento de informação e a solução eficaz. Gerenciamento de Conflitos Os conflitos no ambiente de projeto são inevitáveis, uma vez que pessoas com bagagens e habilidades diferentes que trabalham juntas, tomam decisões e buscam alcançar os objetivos do projeto de maneira diferente, possuem grande 108 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos potencial de conflito. Além disso, essas pessoas possuem diversas expectativas, emoções e pensamentos incompatíveis, somada à dinâmica de constante mudança dos projetos (VERMA, 1996). Gramigna (2007) ressalta que para entender os conflitos, é necessário entender a sua principal causa: a quebra de contratos; uma vez que em qualquer projeto com equipe, tudo se inicia com um contrato de expectativas e responsabilidades. Ainda, de acordo com Gramigna (2007, p. 230), “nesse contrato são definidas as normas de participação, as responsabilidades, as metas a alcançar, os prazos etc.” Definidos os detalhes, inicia-se o projeto. Se todos cumprem sua parte, tudo corre bem, do contrário, inicia-se o processo de conflitos. Nesse sentido, os gerentes de projeto devem identificar, analisar e avaliar todos os conflitos e o impacto de cada um deles na performance. Eles devem aprender como e quando estimular conflitos e como usá-los para aumentar a performance dos membros da equipe do projeto, uma vez que os conflitos nem sempre geram resultados negativos (VERMA, 1996). Para Gramigna (2007, p. 24), é importante “saber lidar com colaboradores quando apresentam problemas: agir com decisão e equidade quando tratar com colaboradores com problemas”. Um projeto com ausência total de conflitos gera pouco incentivo para inovação, criatividade e mudança, uma vez que os envolvidos estão confortáveis com o status e não estão preocupados em aperfeiçoar sua performance. Dessa forma, o gerente de projetos deve gerenciar os conflitos construtivamente para otimizar a performance da equipe do projeto e alcançar os objetivos de maneira satisfatória (VERMA, 1996). Caso os conflitos não forem gerenciados adequadamente, eles podem ser destrutíveis e prejudiciais à performance do projeto. Esse cenário pode diminuir a moral, a produtividade da equipe e dificultar o processo de tomada de decisão, tornando-o mais longo, complexo e difícil. Isso pode gerar ainda uma tensão entre as pessoas, o que pode causar coalizões competitivas dentro do projeto levando a um menor comprometimento, estabelecimento de metas incompatíveis e brigas desnecessárias de poder (VERMA, 1996). Coaching Meio de desenvolvimento da equipe do projeto para que alcance níveis mais altos de competência e desempenho. Para manter o progresso do projeto, é 109 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 preciso mais do que gerir processos assertivamente: é fundamental que o gerente também tenha capacidade de administrar o capital humano com maestria. Alguns aspectos importantes que podem ser trabalhados pelo Coaching, para que o gerente de projetos seja um líder de alta performance na gestão de projetos são conceituados abaixo, segundo Marques (2015): • Identificação da equipe: uma vez que a maioria dos projetos objetiva o alcance rápido de resultados, não há espaço para a má administração do tempo. Nesse sentido, líderes que conhecem o perfil de sua equipe possuem um forte diferencial para gerar grandes resultados em curto espaço de tempo. O Coaching Assessment é uma das poderosas ferramentas do Coaching, que fornece análise de perfil comportamental e possibilita o mapeamento dos profissionais de maneira objetiva. • Estratégias assertivas: a clareza e compreensão sobre os recursos que cada profissional pode oferecer facilitam o desenvolvimento de estratégias efetivas para alcance dos melhores resultados. O Coaching oferece ferramentas práticas para melhor gestão desse capital humano, justamente com o objetivo de desfrutar do máximo potencial que cada indivíduo possui. • Comunicação eficaz: com os planos estratégicos traçados, é hora de colocá-los em ação. Para transmitir as ideias, passar as informações necessárias, delegar tarefas e direcionar os colaboradores, é preciso que o líder tenha uma comunicação bastante assertiva. Essa é uma característica, também trabalhada pelo Coaching, que garante que as orientações sejam devidamente compreendidas. • Gestão de influência: além de possuir capacidade técnica, é fundamental que os colaboradores do projeto estejam comprometidos, motivados, engajados e focados. Estes comportamentos, entretanto, não são fáceis de serem estimulados e mantidos. Por isso, o líder precisa ser “bom de gente”, despertando em seus liderados o senso de pertencimento, mostrando como cada um é peça importante para o processo. Inteligência Emocional Além de todas as características e habilidades citadas acima, não podemos esquecer a inteligência emocional que se trata de um conceito em Psicologia, que descreve a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e 110 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles. Em outras palavras, a inteligência emocional é a capacidade de administrar as emoções para alcançar objetivos. Essa habilidade é essencial para o gerente de projetos, considerando que ele deve manter uma boa sintonia entre equipe e demais partes interessadas. Entenda e aprenda as funções dessas cinco características da Inteligência Emocional, segundo Kronberg (2016): • Autoconhecimento: conhecer a si mesmo permite definir com exatidão as próprias emoções, identificando também as diferentes nuances e intensidades de cada sentimento. Ao saber de onde vem determinada reação, o profissional adquire a capacidade de se preparar e definir estratégias de antemão para situações similares no futuro. • Autogestão: na prática da autogestão é possível reconhecer quais são as qualidades e também identificar quais as vulnerabilidades que se pode trabalhar. Administrar esses fatores significa impedir que eles se tornem um problema, e permite que o profissional atue com eficácia na administração das próprias habilidades e deficiências. • Motivação: o engajamento diminui quando o alcance das metas está muito distante. Por isso, profissionais com inteligência emocional compreendemque metas tangíveis, mas ainda assim desafiadoras, são ferramentas de desenvolvimento e otimização e respeitam seus limites pessoais e profissionais. Eles entendem que o perfeccionismo exagerado pode levar à perda de produtividade e frustração. • Empatia: pessoas empáticas têm uma boa capacidade de se relacionar e se interessam pela vida do próximo, construindo relacionamentos fortes e saudáveis, além de ter bom convívio com os demais colegas. A partir disso é possível melhorar o clima da empresa, neutralizar pessoas negativas e extrair boas experiências daquelas que enriquecem o dia a dia. • Habilidades sociais: ter um julgamento sensível em relação às pessoas ao redor faz com que o profissional tenha habilidade em interpretar e compreender quem está próximo a ele. Assim, torna-se possível identificar a personalidade dos colegas em pouco tempo e saber analisar suas reações em determinadas circunstâncias para saber lidar com elas. 111 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 5 DICAS PARA MELHORAR O GERENCIAMENTO DA EQUIPE DE PROJETO RESUMO Apresentação dos meios pelos quais os gerentes de projetos podem gerenciar melhor suas equipes. Com base nas experiências profissionais dos autores e nas propostas trazidas pela literatura especializada, é feita uma conexão entre a prática e a teoria. Posteriormente, são apresentadas dicas para melhorar e garantir um bom gerenciamento da equipe do projeto. INTRODUÇÃO Implementar um projeto de forma eficiente, harmoniosa e produtiva não é tarefa fácil, seja em projetos pequenos, médios ou grandes. O relacionamento interpessoal é bastante complexo e podem surgir disputas de poder, pressão para realização de trabalhos, dificuldades de entrosamento entre pessoas e equipes, desinformação, concepções diferentes sobre o tema proposto, entre outros. A experiência prática e a literatura especializada permitem assegurar que a figura do gerente de projeto constitui um dos principais determinantes para o sucesso dos projetos. E é por este motivo que ele é um personagem de interesse central. O gerente de projetos irá aplicar seus conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para alcançar o objetivo do trabalho. Ele nem sempre tem o domínio técnico do projeto, mas possui o entendimento do ambiente organizacional em que o projeto será executado. Segundo o Guia PMBOK (2013), gerentes de projetos possuem habilidades interpessoais necessárias para prosseguir na carreira, como liderança, comunicação, administração, negociação, motivação, resolução de conflitos, desenvolvimento da equipe. Estas e outras características tornam-se essenciais para uma boa gestão. Além disso, os gestores devem utilizar-se de estratégias para melhorar o gerenciamento da equipe do projeto, potencializando 112 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos o seu desempenho e garantindo o melhor aproveitamento das habilidades individuais em prol do sucesso do projeto. O presente artigo tratará das atribuições necessárias a um bom gerente de projetos e como ele deve trabalhar para gerenciar a sua equipe da forma mais proveitosa possível. DESENVOLVIMENTO A liderança e o trabalho em equipe Segundo Junior e Carvalho (2003), “o gerenciamento das equipes de projeto não é uma tarefa fácil, por dois motivos: o primeiro é que os times de projetos são extremamente dinâmicos, os membros do grupo estão em constante mudança; o segundo é que talvez somente o gerente do projeto e alguns membros da alta gerência conseguem ver a equipe do projeto como uma entidade única”. A liderança sempre foi vista como um dos fatores de sucesso nas empresas, no gerenciamento das equipes, e especialmente no gerenciamento de projetos. Esta característica é indispensável e determinante ao profissional que lida com pessoas, independente da área de atuação. Segundo Almeida (2013), “por definição todo gerente de projeto é um líder, pelo simples fato de estar na posição em que está, você é um líder, e liderança consiste na arte de conduzir pessoas, profissionais, grupos e equipes a alcançar, com êxito, os resultados planejados”. Segundo Paiva (2014), “gerir pessoas é sem dúvida, um dos maiores desafios no gerenciamento de projetos. Não é por acaso que a 5ª Edição do Guia PMBOK® ganhou uma nova área de conhecimento: Gerenciamento das Partes Interessadas do Projeto. […] Saber relacionar e conduzir a equipe de maneira eficiente é o nosso maior desafio, afinal de contas, não se faz projetos sozinhos”. Destaca-se aqui uma atribuição definidora dos resultados de uma equipe, a liderança pelo exemplo. Temos entre os autores, um fato vivenciado onde o gerente do projeto não cumpria os prazos que colocava para si mesmo. Por consequência, os liderados se sentiam flexibilizados e confortáveis para fazer o mesmo. O gerente não poderia – e não fazia – cobrar a pontualidade das entregas. 113 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 A assertividade para harmonizar a equipe Em muitos projetos notamos a falta de assertividade, coordenação e direcionamento da equipe por parte do gerente de projetos para alcançar o objetivo final. Em um ambiente caótico e desorganizado, ideias, tempo e esforço são perdidos. Segundo Neves (2014), “assertividade é a habilidade de declarar os seus pontos de vista de uma forma persuasiva e com autoridade. É uma competência que o gerente do projeto necessita para ajudar a garantir comunicação eficiente com a equipe do projeto e com as partes interessadas, a fim de que as decisões que afetam o projeto sejam tomadas com um pleno conhecimento de suas consequências. […] A persuasão é a capacidade de se alcançar um consenso com relação a metas comuns, através de debates ou da força da argumentação”. Para garantir esta organização de ideias, tarefas e pessoas, é fundamental a realização de reuniões periódicas para controle e acompanhamento do projeto. A experiência dos autores comprova que resultados foram alcançados, uma vez instaurados estes encontros periódicos, que muitas vezes podem ser realizados mesmo à distância. Além de promover a integração da equipe, o próprio gerente se beneficia garantindo o conhecimento de todas as etapas e áreas do projeto. É um momento de troca de experiência, discussões saudáveis e ajuda entre os integrantes. A abertura com a equipe e a definição de responsabilidades Segundo Neves (2014), “a abertura é a habilidade de fazer com que os outros se sintam à vontade para se expressarem, a fim de que o projeto possa ser beneficiado com as suas contribuições, sugestões, preocupações e interesses”. A abertura é necessária como um meio de se beneficiar do conhecimento e da experiência de todos os envolvidos. Já que o gerente do projeto trabalha com vários profissionais, a abertura é uma competência importante: a maioria dos membros da equipe tem uma área de especialização em que possuem mais conhecimento do que o gerente do projeto. “Os relacionamentos na equipe são desenvolvidos com base no respeito mútuo, na confiança, e na confiabilidade”. 114 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Para aproveitar ao máximo as habilidades individuais, dentro da equipe, uma boa prática vivida pelos autores é a definição de uma Matriz de Competências. Garante-se, com esta ferramenta, a separação dos assuntos, a definição dos responsáveis por cada área do projeto, a quem deve ser reportado cada assunto e quem pode responder por ele. É importante definir a área de atuação de cada integrante da equipe para potencializar os ganhos técnicos e a ação gerencial do líder. A comunicação assertiva Segundo Mendes (2014), “o responsável imediato por gerir a comunicação entre a equipe de projetos e os Stakeholders é o gerente de projetos. […] Ele é um facilitador e agregador que necessita coordenar todosos recursos e esforços do projeto no sentido de entregar os resultados desejados (TRENTIM, 2011). Por se tratar de um cargo onde uma das responsabilidades está em processar, analisar e distribuir uma enorme gama de informações, o profissional precisa fazer valer sua habilidade de comunicação. A boa comunicação do gerente de projetos identifica problemas em potencial, solicita sugestões que melhorem o desempenho do projeto, mantém a satisfação dos clientes e evita surpresas”. A falta de comunicação pode acarretar atrasos, erros e desentendimentos capazes de comprometer até mesmo a finalização do projeto. A comunicação deve ser clara e objetiva, atingindo todos os envolvidos sobre cada assunto em que devam ser participados, ser reportados ou comunicados. É de grande auxílio elaborar uma matriz de comunicação, que inclua todos os stakeholders. Nesta matriz fica desenhada a rede de comunicação, com a definição dos assuntos nos quais cada parte interessada participa. Dicas para um bom gerenciamento da sua equipe 1. Conheça sua equipe: conhecer individualmente cada integrante da equipe é uma forma de potencializar o trabalho. Quando o gerente conhece a habilidade de cada colaborador que compõe o grupo, saberá aproveitar os pontos fortes de cada profissional, evitando assim, a baixa produtividade. 2. Motive sua equipe: o sucesso do projeto depende diretamente do empenho da equipe, sendo de suma importância 115 Desenvolvimento de competência para gerentes de projeto Capítulo 5 um gestor positivo, capaz de motivar os integrantes envolvidos e orientar rumo ao resultado desejado. Use indicadores para medir o desempenho e motivar os integrantes. 3 Tenha o controle do projeto: faça reuniões periódicas, garantindo um acompanhamento eficaz do projeto em todas as suas vertentes. 4 Saiba gerir os conflitos: “conflitos construtivos são uma marca das grandes equipes. Sem desacordos, as equipes raramente gerariam as melhores e mais criativas soluções”. (KATZENBACH; SMITH, 2002). Dose e administre os conflitos que aparecerem de forma a gerar benefícios para o projeto. 5 Comunique-se: garanta uma comunicação clara e eficiente. Não permita mal-entendidos ou conversas paralelas. O gerente é a fonte oficial da informação e deve fazer este papel sem que pareça um ditador, mas sim um multiplicador. Fonte: Disponível em: <http://pmkb.com.br/artigo/5-dicas-para-melhorar- o-gerenciamento-da-equipe-de-projeto/>. Acesso em: 25 set. 2016. Este artigo reforça que a gestão das pessoas é um dos maiores desafios no gerenciamento de projetos, e cabe ao gestor do projeto um esforço pessoal muito grande para aplicar os seus conhecimentos e habilidades, bem como desenvolver características inerentes e indispensáveis a sua função, tais como: liderança; assertividade; abertura com a equipe; e comunicação clara e objetiva, aprimorando continuamente o seu relacionamento interpessoal, para melhorar o gerenciamento da equipe de projeto e alcançar todos os objetivos propostos do projeto. Considerações Finais Neste capítulo, foi possível verificar as competências que um gerente de projetos precisa ter para conduzir os projetos da melhor maneira. Como o gerente de projetos tem um papel estratégico e crítico, pois é o elo entre a estratégia e a equipe, além das habilidades específicas a qualquer área e das proficiências de gerenciamento geral exigidas pelo projeto, o gerenciamento de projetos eficaz exige que o gerente de projetos possua as competências: Conhecimento, Desempenho e Pessoal. 116 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Com isto, podemos concluir que dificilmente encontraremos um gerente de projetos com todas as habilidades necessárias, pois são vários os desafios, principalmente falando-se em habilidades interpessoais. O gerente de projetos deve procurar desenvolver cada uma delas constantemente, até porque irá encontrar obstáculos diferentes em cada projeto que gerenciar. Referências DINIZ, Arthur. Tomada de decisão: uma arte a ser estudada. Barueri, 2012. Disponível em: <http://www.catho.com.br/carreira-sucesso/colunistas/arthur-diniz/ tomada-de-decisao-%E2%80%93-uma-arte-a-ser-estudada>. Acesso em: 28 nov. 2016. FARIA, Carlos Alberto de. As nossas necessidade e os nossos desejos. Bombinhas, 2014. Disponível em: <http://www.merkatus.com.br/10_boletim/112. htm>. Acesso em: 25 set. 2016. GRAMIGNA, Maria Rita. Modelo de Competências e Gestão de Talentos. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall (Pearson), 2007. KRONBERG. Entenda as cinco características da inteligência emocional para o alcance de metas profissionais em 2016. São Paulo, 2016. Disponível em: <http://www.grupokronberg.com.br/entenda-as-cinco-caracteristicas-da- inteligencia-emocional-para-o-alcance-de-metas-profissionais-em-2016/>. Acesso em: 28 nov. 2016. MARQUES, José Roberto. Como o coaching pode ajudar no gerenciamento de pessoas em projetos. 2015. Disponível em:< http://www.jrmcoaching. com.br/blog/como-o-coaching-pode-ajudar-no-gerenciamento-de-pessoas-em- projetos/#>. Acesso em: 28 nov. 2016. PMBOK. PMI (Project Management Institute). Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®) – 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. PORTAL IBC. Como desenvolver a habilidade de liderança. Disponível em: <http://www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/como-desenvolver- habilidade-lideranca/>. Acesso em: 20 out. 2016. https://www.google.com.br/search?biw=1360&bih=662&q=Prentice+Hall&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LUz9U3MC8wrSpWAjNTcoxNC7V0Msqt9JPzc3JSk0sy8_P0C0qTcjKLMzLz0uOTSosz81KLi1OLrTJzC4oy80oAgq8ZukYAAAA&sa=X&sqi=2&ved=0ahUKEwiphI7Jl4bSAhUDjJAKHdU1DhEQmxMIswEoATAP CAPÍTULO 6 Estudos de Casos, Ferramentas e Novas Tecnologias de TI A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Demonstrar estudos de casos de projetos, ferramentas e tecnologias. � Conhecer ferramentas e tecnologias de TI para gerenciar projetos. � Utilizar ferramentas e tecnologias de TI para gerenciar projetos. 118 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos 119 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 Contextualização Neste capítulo, vamos demonstrar alguns estudos de caso em projetos, que demonstram como utilizar as ferramentas e tecnologias sugeridas através das melhores práticas de gerenciamento de projetos do PMI. O PMI oferece vários estudos de caso para exemplificar o uso efetivo das metodologias de gerenciamento de projetos. Retratados em uma variedade de setores industriais e regiões, os estudos de caso apresentam os desafios, as melhorias práticas e as lições aprendidas. ESTUDO DE CASO SEGUNDO PMI – MINISTÉRIO DE OBRAS PÚBLICAS DO CHILE O objetivo deste estudo de caso foi documentar o resultado da construção de quatro estádios novos, conforme normas da FIFA e seguindo as boas práticas do Guia PMBOK. O desafio foi construir os estádios em nove meses, desde a fundação até o último tijolo, com uma quantidade de pessoas limitada para planejar e executar os projetos e um número limitado de gerentes de projetos experientes e certificados para contar nos projetos. Histórico: quando a democracia voltou ao Chile, em 1990, o crescimento sustentado e desenvolvimento do país exigiu a revisão de uma infraestrutura pública decadente. O Ministério da Infraestrutura Pública do Chile (Ministério de Obras Públicas, ou MOP) respondeu, através de substanciais mudanças internas, incluindo a adoção de um novo modelo que favorece concessões privadas e uma relação de trabalho mais próxima com a das prefeituras locais. Isso permitiu uma grande atualização dos aeroportos, portos, estradas, sistemas de água e prédios públicos do Chile. Liderados pela presidente Michelle Bachelet e apoiados pelo objetivo do governo para atrair grandeseventos desportivos e melhorar a infraestrutura do país durante este processo. O Chile ganhou da Federation Internationale de Football Association (FIFA) o direito de sediar, em 2008, a Copa do Mundo Feminina Sub-20. Considerado um projeto "nacional" patrocinado pela Presidência da República, esta iniciativa teve prioridade presidencial, e seus resultados foram altamente esperados pelos moradores do Chile. 120 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Desafios: quatro cidades: Temuco, La Florida, Coquimbo e Chillan foram selecionadas como potenciais locais dos jogos, através de um processo de licitação aberto pela FIFA. Havia apenas um problema: nenhuma das cidades tinha estádios de futebol que cumprissem com as normas rigorosas da FIFA. Eles tinham menos de um ano para construí-los. Isso envolveu um desafio sem precedentes: a construção de quatro estádios, a partir da fundação até o último tijolo, no período de apenas nove meses. Outro desafio: embora o retorno da democracia tenha levado a um crescimento substancial de investimento e um portfólio de projetos dez vezes maior do que era antes, a quantidade de pessoas disponíveis para planejar e executar esses projetos não se alterou. Agora o MOP tinha um número muito maior de projetos complexos, com prazos muito agressivos, e um número limitado de gerentes de projeto experientes e certificados com os quais poderia contar para esses projetos complexos. A necessidade de reforçar o capital humano do Chile, para melhorar a eficiência de seus projetos, era fundamental. Solução: o MOP rapidamente percebeu que não seria capaz de construir quatro estádios em nove meses usando os métodos informais e descentralizados de planejamento, gerenciamento e execução de projetos que tinham usado para projetos no passado. Os prazos, custos e exigências associadas eram demasiadamente complexos para usar os princípios e práticas ultrapassadas de gerenciamento de projetos. Então, o MOP teve de se modernizar com novas técnicas e práticas. Ao adotar os padrões do Project Management Institute (PMI), o MOP foi capaz de implementar a estrutura que precisava. Início: representantes do MOP viajaram para muito longe, incluindo Espanha e México, para encontrar novas ideias e formas de maximizar o valor dos seus projetos e o desempenho das suas equipes. Em sua jornada, eles se reuniram com líderes do PMI e descobriram que o escritório de gerenciamento de projetos (PMO) do MOP, que já estava consolidado, tinha que ser elevado a um papel estratégico dentro da organização, priorizado acima de serviços operacionais e muito alinhado com os objetivos estratégicos do MOP. Em 2006, Victor Orellana, secretário executivo do comitê de gerenciamento de projetos para o MOP, participou do congresso mundial do PMI em Santiago - Chile. Durante o evento de três dias, aprendendo sobre as normas do PMI, a agência encontrou exatamente o que precisava para aplicar no MOP, logo depois, através de uma parceria com o capítulo do PMI de Santiago de Chile 121 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 para desenvolver o que chamou de modelo GIP, Gestión Integrada de Proyectos, ou gerenciamento de projeto integrado. A abordagem foi composta da seguinte forma: • um extenso programa de treinamento para seus gerentes de projeto; • o desenvolvimento de processos de gerenciamento de projetos padronizados com base em Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK); • a nova estrutura organizacional baseada em equipes de projetos flexíveis; e • a aplicação de uma nova plataforma de tecnologia da informação para a coordenação centralizada e colaboração da equipe virtual. Padrões do PMI ajudaram a criar o sucesso: com base nas normas do PMI, o MOP criou uma equipe compacta, com um ponto central de comando e um gerente de projeto único. Cada cidade anfitriã em potencial foi representada por uma equipe satélite de três pessoas, que supervisionou a engenharia e a construção de cada estádio. Os projetos também foram apoiados por funcionários do PMO; no total, havia 250 trabalhadores em cada estádio e um total de 1.000 trabalhadores de todo o projeto. Este projeto marcou a primeira vez que o MOP usou práticas formais de gestão de projetos definidas pelo Guia PMBOK. O MOP usou os padrões do PMI como um guia sobre para onde ir, onde focar e um modelo de gerenciamento a seguir. Os padrões do PMI permitiram ao MOP avaliar a sua maturidade e determinar como melhorar. Tradicionalmente, o MOP realizou seu trabalho com base na "administração de contratos", assumindo o controle de cada parte do projeto em fases distintas e sucessivas; através da incorporação das práticas do PMI, o MOP realizou a transição para um modelo de gerenciamento de projetos que integrou todo o conjunto e atividades e os recursos em prol do mesmo objetivo final. Além disso, o MOP seguiu os padrões do PMI para alinhar seu pessoal em todos os níveis da organização, desde o presidente ao último trabalhador, de modo que todas as partes trabalhavam para um objetivo comum. Se pelo menos um dos níveis estivesse fora de alinhamento, o projeto certamente seria um fracasso. Foi fundamental ter uma visão e compreensão comum do plano, procedimentos e objetivos finais, além de agir como uma única entidade. O modelo de alinhamento do MOP contou com uma equipe liderada por um gerente de projeto, uma equipe de trabalhadores de 122 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos campo multidisciplinares, uma plataforma colaborativa de informação e comunicação, e um PMO para prestar apoio metodológico e coordenação geral. Hora do jogo: a pesquisa arquitetônica preliminar para o projeto começou em agosto de 2007, com um orçamento estimado de US$ 100 milhões. Os estádios mais antigos, que não satisfaziam as rigorosas normas da FIFA, foram demolidos, os processos de licitação foram realizados, e os contratos adjudicados entre janeiro e fevereiro de 2008 para começar o trabalho de construção nos locais dos novos estádios. O MOP exercitou a inovação no que diz respeito ao outsourcing. Em vez de terceirização para apenas um fornecedor, que era o modelo típico do MOP, a organização terceirizou diferentes partes do projeto para diferentes especialistas. Este dinheiro economizado diminuiu os problemas de comunicação, e ajudou o projeto a avançar mais rapidamente. Como o sucesso do projeto depende, em grande parte, das ferramentas que estão disponíveis para a equipe, o MOP aplicou ferramentas de colaboração, monitoramento e controle, ferramentas de comunicação e de supervisão, e ainda de elaboração de relatórios sobre cada estádio. Estas tecnologias incluíram plataformas de tecnologia colaborativas, baseadas em Microsoft® SharePoint, bem como ferramentas de apoio à comunicação on-line, gerenciamento de documentos e outras virtuais para as equipes dispersas do projeto. A interação virtual era uma necessidade, já que o estádio de futebol na localidade setentrional ficava a 2000 Km de distância do estádio de futebol do sul. Resultados: ao aplicar o estado da arte dos padrões do PMI em gerenciamento de projetos e tecnologias de ponta, mudando completamente como as obras públicas foram executadas, o MOP conseguiu o que ninguém no Chile pensava que era possível: os quatro estádios foram concluídos a tempo e dentro do orçamento, no final de outubro de 2008, com tempo mais que suficiente para se preparar para a Copa do Mundo Feminina Sub-20. Gol!: com base nesse projeto, o MOP gerou uma política de Estado, que é um selo de aprovação do governo do Chile, que reconhece importantes melhorias na infraestrutura de apoio. Além disso, a presidente Michelle Bachellete ficou tão satisfeita com os resultados do projeto que aprovou um segundo projeto, que inclui a construção de treze estádios de futebol adicionaisno Chile. Hoje, esse projeto está em sua segunda fase de execução, e o MOP está 123 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 planejando uma nova fase com o objetivo de ter um estádio de futebol que atenda às normas da FIFA em cada cidade chilena com mais de 200.000 habitantes – um compromisso que exige um investimento total de mais de US$ 150 milhões até 2012. Este projeto também inclui a construção de um grande número de centros de esporte de alto desempenho. Através de sua relação com PMI e com o Capítulo do PMI de Santiago do Chile, o MOP tem reconhecido o valor da referência técnica e metodológica para a gestão de seus projetos. As organizações estão trabalhando juntas para desenhar um plano formal de cooperação para apoiar projetos de reconstrução pós- terremoto. Este estudo de caso foi traduzido do original em inglês “Chile’s Government Builds Four New Soccer Stadiums”. Fonte: Disponível em: <http://www.pmi.org/BusinessSolutions/ OPM3-Case-StudyLibrary.aspx>. Acesso em: 9 fev. 2017. ESTUDO DE CASO SEGUNDO RICARDO VARGAS - ANÁLISE DE VALOR AGREGADO NO CONTROLE DE PROJETOS: SUCESSO OU FRACASSO? O objetivo desse estudo de caso é apresentar e discutir os principais obstáculos e benefícios do emprego da análise de valor agregado em projetos, incluindo fatores a serem melhorados e implementados durante o plano do projeto e ações a serem tomadas durante a execução e o controle do projeto. Também, através de um estudo de caso real na área da construção civil, a real aplicabilidade da técnica é confrontada com o referencial teórico, de modo a identificar aspectos da aplicabilidade da ferramenta comprováveis através do estudo de caso. Os resultados a serem apresentados e discutidos são subdivididos em duas partes: a primeira aborda as diferentes características de cada empreendimento e sua contribuição para o sucesso ou fracasso da implementação da análise de Valor Agregado, e a segunda aborda as características de similaridade encontradas em todos os empreendimentos que juntas favoreceram, ou não, a empregabilidade da ferramenta. 124 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos ESTUDO DE CASO A empresa pesquisada pertence ao setor da construção civil, setor esse que emprega de maneira estável o gerenciamento de projetos e é um dos segmentos que mais investe em pesquisas e novas ferramentas na área, além disso, é a única do mercado que reconhece publicamente a utilização da Análise de Valor Agregado dentro de seu processo de controle de obras. Essa empresa ocupa a 11ª posição nacional no segmento de construção pesada, fazendo parte de um dos três maiores grupos do segmento no país e líder em outros segmentos da economia, tais como o setor de concessões públicas e telecomunicações, com mais de 50 anos de fundação. Seu faturamento em 2001 foi da ordem de US$ 200.000.000, contando em seu quadro de funcionários com um contingente de 80 engenheiros e cerca de 4000 operários. Tratando do estudo de caso, inicialmente o assunto foi abordado através do processo de entrevista, em que os três profissionais do núcleo de planejamento da área de negócios da região sudeste da empresa posicionaram sua opinião sobre o processo de uma maneira ampla e abrangente. Esses profissionais foram os primeiros a serem entrevistados, por terem sido os que desenvolveram o sistema de controle de obras utilizando a análise de Valor Agregado. Após analisar os assuntos abordados pelos primeiros entrevistados, uma nova série de entrevistas foi realizada, baseada em um novo roteiro aberto de entrevistas, descrito no Anexo III, abordando os chefes das obras e os encarregados pelas áreas de planejamento de cada obra. Nesse momento, o objetivo foi evidenciar as práticas de planejamento, tratamento e obtenção de dados nos diferentes níveis, visando captar possíveis distorções, falhas conceituais, resistências e estilo de trabalho dentro do emprego da Análise de Valor Agregado nas respectivas obras. Em um terceiro e último momento, o resultado final das obras (prazos e custos) foi confrontado com os valores tabulados para a Análise de Valor Agregado que se encontravam em poder da área de planejamento da empresa e, a partir do confronto entre os resultados das entrevistas e os dados disponíveis na empresa, tentou-se buscar evidências que poderiam vincular o sucesso ou o fracasso de empreendimentos com a maturidade na utilização do Valor Agregado. 125 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 No que diz respeito às obras avaliadas, elas foram caracterizadas pela empresa como obras de médio porte e média complexidade técnica, estando todas finalizadas no período desse trabalho. RESULTADOS Os resultados a serem apresentados e discutidos nesta seção abordam as diferentes características de cada obra e sua contribuição para o sucesso ou fracasso da implementação da análise de Valor Agregado. A segunda parte aborda as características de similaridade encontradas nas obras e as conclusões gerais sobre o estudo de caso. Os resultados obtidos no processo de entrevista e os cruzamentos com os dados reais fornecidos pela área de planejamento, como foi visto, foram significativamente diferenciados para cada empreendimento. TABELA 1 – ANÁLISE COMPARATIVA DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS TRÊS OBRAS AVALIADAS 126 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos A partir dessas diferentes características, pôde-se construir a Tabela 1, onde os principais fatores abordados são apresentados e avaliados em cada obra, bem como o resultado final quanto à fidelidade dos resultados e as conclusões preliminares. Os fatores avaliados já foram abordados na discussão e análise de cada obra, sendo eles: escopo; determinação de prazos e cronogramas; processo de orçamentação; tipo de contrato; tipo de cliente; parcerias e/ou consórcios; suporte e apoio organizacional; suporte por parte do cliente; distribuição geográfica dos trabalhos; presença de terceirizados; utilização e conhecimento dos índices; e modelos de projeção fornecidos pela ferramenta. Observa-se, a partir dos relacionamentos apresentados na Tabela 1, que a conclusão inicial de que foi bem-sucedida a implementação na obra 1 e fracassada na obra 3, não é necessariamente fruto de um fator isolado, mas sim, da associação de diversos fatores. Não é possível concluir que os resultados insatisfatórios encontrados na obra 3 foram provenientes ou da existência de consórcio ou da distribuição geográfica inadequada. O fracasso evidenciado é fruto de um conjunto de características desfavoráveis que contribuíram para que os resultados obtidos não fossem os desejados. 127 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 Por outro lado, ao se avaliarem as obras 1 e 2, tem-se um conjunto de características na obra 2 significativamente mais próximos ao da obra 1. No entanto, a principal diferença observada foi a falta de detalhamento do escopo, o que consequentemente impediu que o processo de orçamentação fosse satisfatório. Isso pode sugerir que esse seja um dos principais fatores que diferenciou também os resultados, como também se evidencia na tabela acima. No que diz respeito às similaridades, podemos também observar, a partir do processo de entrevistas e dos resultados obtidos, que algumas evidências comuns aos três projetos avaliados foram encontradas. Inicialmente, pode-se concluir que existem fatores relacionados à estrutura organizacional e ao modelo de gestão da empresa que podem interferir diretamente na fidelidade dos resultados, sugerindo uma necessidade de maior investigação sobre a influência da estrutura organizacional na aplicação da ferramenta. Também tratando de aspectos organizacionais, os responsáveis pela área de planejamento da obraquestionavam a necessidade de um número elevado de índices, e muitas vezes sugeriam que a determinação dos índices de desempenho era redundante. Uma avaliação preliminar dessas considerações permite que se possa, inicialmente, concluir que a Análise de Valor Agregado, tal como é evidenciada nos três empreendimentos, possa indicar a utilização de um conjunto excessivo de índices, superior à capacidade gerencial da obra, podendo até mesmo impossibilitar a sua aplicação, fruto de uma baixa prioridade dentro do processo e de uma sobreposição possivelmente desnecessária de índices. No que diz respeito ao valor dado à ferramenta pelos entrevistados, todos foram unânimes na consideração de que a Análise de Valor Agregado é um grande passo para o aprimoramento e a introdução de um mecanismo mais moderno de controle de obra, convergindo para o primeiro resultado do estudo de Thamhain (1998) sobre a popularidade de técnica, porém, dentro desse mesmo estudo, todos foram unânimes em concordar que as condições de mercado e a necessidade de velocidade na geração dos resultados impossibilitavam a dedicação ao uso da ferramenta como desejavam, constatando a afirmação do baixo valor da técnica apresentada no estudo de Thamhain (1998). 128 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Nas citações anteriores, pode-se também observar que, em todos os três casos, existiu a participação das áreas de planejamento da unidade de negócios. Contudo, essa participação foi diferenciada de obra para obra, podendo sugerir que o sucesso da obra 1, sob a ótica de implantação da ferramenta, tenha sido favorecido pela presença marcante de profissionais da área de planejamento. Com isso, pode-se concluir que, muitas vezes, os esforços da equipe da obra são diluídos em várias frentes, passando eles a se dedicar à ferramenta diretamente utilizada pelos altos executivos da empresa na avaliação dos empreendimentos, fazendo com que sejam abandonados ou realizados em segundo plano os outros esforços em outras ferramentas concorrentes, como foi o caso da Análise de Valor Agregado nas obras 2 e 3. Já para a obra 1, esse processo se inverteu. Nesse caso, a Análise de Valor Agregado era o principal mecanismo de controle da obra, tendo obtido todo o suporte necessário para seu sucesso. Finalmente, pode-se concluir que o estudo de caso possibilitou que fossem evidenciadas algumas características de projetos que favorecem a aplicação da ferramenta, bem como de outras que podem atuar como elementos dificultadores. Também pode ser comprovado que a implementação da Análise de Valor Agregado é um processo complexo que envolve diversos aspectos, desde a natureza do empreendimento até sua estrutura organizacional, seu escopo, sua distribuição geográfica e o relacionamento com o cliente, dentre outros, que merecem um estudo isolado mais detalhado. CONCLUSÕES A partir das abordagens apresentadas neste capítulo, pode-se concluir que a Análise de Valor Agregado é uma ferramenta poderosa no controle e na avaliação de desempenho. Porém, como a maioria dos projetos têm escopo insuficientemente detalhado, equipes com pouca experiência na ferramenta e uma natural dissociação do controle de custos e prazos, esses elementos tornam seus resultados questionáveis para o esforço necessário. Outra conclusão é que os resultados não são aparentes no curto prazo, podendo ser evidenciados em fases posteriores dos projetos, principalmente em termos de redução nos custos de operação e retrabalho. 129 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 Uma terceira conclusão é que, em projetos em que o escopo é claramente definido, ou em contratos de preço e trabalho fixos, a Análise de Valor Agregado apresenta relação custo-benefício favorável. Outro elemento que pode favorecer a aplicabilidade da ferramenta é a adequada capacitação dos times do projeto no uso da ferramenta e o devido suporte organizacional, que permita que a ferramenta seja simplificada para atender às necessidades específicas do projeto e da organização. Resumindo, as conclusões obtidas a partir da análise do referencial teórico e do confrontamento com o estudo de caso realizado são apresentadas e tem-se os aspectos listados a seguir: Natureza do projeto: a aplicação da Análise de Valor Agregado pode ser considerada com maior possibilidade de sucesso em projetos com objetivos claros e tangíveis, com um detalhamento de escopo simples e direto. Esse tipo de projeto apresenta melhores resultados no uso da análise, conforme foi evidenciado no estudo de caso (obra 1). Projetos com produtos ou serviços finais, incompletos ou indefinidos, ou projetos que envolvam aspectos de criatividade que impossibilitem um preciso planejamento apresentam elevada inviabilidade no uso da técnica, uma vez que, sem o planejamento estabelecido, os dados de desempenho não podem ser determinados (obras 2 e 3). Definição de escopo: a partir da evidência empírica obtida nas obras avaliadas e com base nas discussões teóricas apresentadas no referencial teórico, pode-se sugerir que a facilidade ou a dificuldade quanto ao detalhamento e a especificação do escopo permitem que a ferramenta seja favorecida ou desfavorecida, já que um escopo tangível, controlável e detalhado permite maior especificação do trabalho a ser realizado, e consequentemente, facilita o processo de medição dos valores reais e agregados. O estabelecimento de um escopo tangível, controlável e detalhado é um processo decorrente, na maioria das vezes, da natureza do empreendimento e do modelo de negócios estabelecido (contrato, tipo de cliente etc.). Com isso, uma dedicação ao processo de desenvolvimento de escopo possibilita diretamente um conjunto de resultados no emprego da Análise de Valor Agregado mais satisfatório. 130 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Informalidade no gerenciamento e resistência à mudança: pode-se observar, no estudo de caso, que a informalidade no controle dos projetos é elevada, e que existe e não pode ser desconsiderada a resistência encontrada na implementação de um novo modelo de controle. Essa resistência está normalmente associada a uma percepção de que o trabalho de planejamento e controle aumenta, de modo injustificável, ao se utilizar a ferramenta. Na tentativa de associar esses dois fatores, Antvik (1998) propõe que a resistência é decorrente de um processo cultural de informalidade no controle de projetos. Nesse aspecto, sugere-se que seja necessário um trabalho diferenciado de gerenciamento de mudanças, como por exemplo, o treinamento em gerenciamento de projetos, a realização de workshops, a criação de uma estrutura de suporte eficaz, o desenvolvimento de programas de reconhecimento da dedicação de profissionais ao assunto, inclusive com premiações e bônus. Tudo isso visa minimizar a resistência encontrada na sua implementação e favorecer o ambiente do projeto. Atratividade e valor da técnica: a partir da comprovação do estudo de caso e com base nas pesquisas apresentadas no referencial teórico, foi observado que a Análise de Valor Agregado é considerada por todos que já a adotaram ou conhecem seu funcionamento, como atrativa e abrangente. Porém, isso não se reflete na empregabilidade da técnica, já que, tanto no conjunto de entrevistados, quanto em diversos autores abordados no referencial teórico (WIDEMAN, 1999; FLEMING; KOPPELMAN, 1998), existe um consenso natural de que a técnica requer um esforço que, se não analisado de modo abrangente, pode não justificar sua adoção. Essa consideração converge para os resultados apresentados na pesquisa de Thamhain (1998). Treinamento: a Análise de Valor Agregado propõe uma mudança cultural no processo de controle de projetos, sendo necessário um acompanhamento por profissionais com experiência na utilização da ferramenta,bem como necessita de um processo de capacitação e treinamento intenso, de modo a reduzir a resistência a sua implementação decorrente do baixo conhecimento técnico da ferramenta. Suporte e apoio organizacional: o posicionamento da organização implementadora influencia diretamente os resultados. Como foi verificado empiricamente no estudo de caso, a obra 1, que contou com maior apoio organizacional que, por sua vez, deslocou 131 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 recursos especializados e acompanhou de modo permanente os resultados obtidos, teve melhores resultados do que os demais projetos, sob o ponto de vista de aplicabilidade da ferramenta. Contudo, é preciso considerar que essa mobilização tem um custo indireto que precisa ser determinado e contabilizado, pois a não determinação distorce os resultados obtidos no uso da ferramenta. Fonte: Disponível em: <http://www.ricardo-vargas.com/wp-content/ uploads/downloads/ricardo_vargas_earned_value_analysis_control_ projects_success_failure_pt.pdf>. Acesso em: 10 set. 2016. ESTUDO DE CASO - AEROPORTO DENVER INTERNATIONAL O Gerenciamento de Projetos garante que a construção da maior pista de pouso nos EUA seja concluída dentro do prazo e do orçamento. Apesar dos desafios orçamentais no setor do transporte aéreo, resultantes dos ataques terroristas de 9 de setembro, a equipe de projeto do Aeroporto Internacional de Denver (DIA) foi capaz de construir uma das maiores pistas de pouso dos EUA – a pista 16R/34L, também conhecida como Pista Internacional de Denver (DIR). A construção da DIR habilitou o aeroporto a acomodar voos internacionais e ajudou Denver e Colorado a atingirem seus objetivos de desenvolvimento econômico. Histórico: a capacidade de um aeroporto, para servir o tráfego aéreo internacional, tem um efeito direto sobre o desenvolvimento econômico de uma cidade. Jatos usados para viagens internacionais e transoceânicas são maiores do que aqueles utilizados em viagens domésticas, e precisam de pistas maiores para decolar e pousar. A fim de encorajar as companhias aéreas internacionais para incluir Denver em suas agendas, o DIA precisava de uma pista que pudesse acomodar esses jatos maiores, então convidou a equipe de projeto da construtora DMJM Aviation para projetar e construir a pista. O escopo do projeto incluía serviços de coordenação de design, seguros e segurança, sistemas de drenagem e nivelamento, pavimentação, iluminação e construção de uma estação de controle eletrônica. A equipe do projeto assumiu o compromisso de entregar 132 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos a pista concluída em menos de três anos. O orçamento do projeto original foi fixado em 166 milhões dólares (EUA). Desafio: a equipe do projeto teria de considerar diversos fatores na concepção e construção da DIR. Pistas internacionais são mais longas do que as pistas nacionais, pois devem acomodar jatos maiores. Além disso, a gestão do aeroporto determinou que fosse necessário considerar a próxima geração de jatos para atrair o tráfego aéreo internacional das grandes companhias aéreas. Os novos jatos jumbo, como o Airbus A380, são consideravelmente maiores do que seus antecessores e exigem mais área de pista para decolagem e pouso. Além disso, os jatos, decolando e pousando em altitudes mais elevadas, requerem pistas mais longas do que aquelas abaixo do nível do mar, uma vez que seus motores não funcionam de forma tão eficiente no ar mais rarefeito. Devido a esses fatores, o DIR teria de abandonar os modelos padrão de construção de pista para garantir que a pista pudesse suportar o tamanho e o peso desses gigantes voadores. Embora o projeto cobrisse uma área enorme, também era necessário que o projeto não interferisse com as operações diárias do aeroporto. Portanto, o teste de aceitação foi um desafio. Engenheiros frequentemente realizavam testes de aceitação dos materiais usados na construção para garantir que eles serviriam como deveriam. Os padrões da indústria requerem testes de aceitação em apenas dez por cento dos materiais utilizados na construção de uma pista. No entanto, devido a problemas com outras pistas de todo o país, a Federal Aviation Administration exigiu que os testes de aceitação fossem conduzidos em cem por cento dos materiais. Requisitos extensivos de testes, juntamente com um erro de cálculo não programado, criaram uma pressão adicional sobre o projeto. Os mapas que os pilotos usam para navegar nas pistas de todo o país são atualizados a cada 56 dias. O projeto teria de cumprir o prazo, a fim de ser incluído nestes mapas, caso contrário, seria necessário esperar um período adicional de 56 dias para ficar disponível ao tráfego aéreo. A equipe, originalmente, recebeu informações erradas sobre o prazo de publicação dos mapas. Eles tiveram que acelerar o cronograma do projeto por duas semanas, mantendo o seu compromisso com a qualidade, para estarem prontos a tempo para o prazo de publicação. Os ataques terroristas de 9 de setembro criaram os desafios mais complicados para o projeto. Após os ataques, o DIA teve que 133 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 fechar o canteiro de obras do projeto por várias semanas. Quando o aeroporto reabriu, no canteiro de obras do projeto, fora criado um sistema de segurança de acesso restrito. Os ataques também criaram uma pressão sobre o orçamento da FAA, e em setembro de 2002, uma parte do financiamento do projeto foi retirada. Solução: cada uma dessas questões desafiou a equipe a completar o projeto no tempo e no orçamento. As práticas de gerenciamento projeto padrão descritas no “Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos” (Guia PMBOK®) forneceram à equipe as ferramentas necessárias para navegar nos desafios e eliminar seu efeito sobre o produto final. O Guia PMBOK descreve os processos para completar o projeto e descreve as áreas do gerenciamento de projetos, as quais as equipes de projeto devem estar familiarizadas. Alinhadas a cada um desses processos e áreas de conhecimento estão as metodologias que ajudam as equipes de projeto a entregar produtos de alta qualidade no tempo e no orçamento. Durante o processo de início, a equipe do projeto define os objetivos da organização e por que este projeto seria o meio mais eficaz de alcançar esses objetivos. Ela também documenta o escopo preliminar do projeto, o tempo e o orçamento disponível para o projeto, além dos outros recursos necessários para a conclusão do mesmo. O processo de planejamento segue o processo de iniciação, durante o qual a equipe ainda define o cronograma e as necessidades financeiras do projeto. Dentro do processo de planejamento a equipe explora a forma sobre como o projeto irá utilizar as áreas de conhecimento, além de coletar informações e criar um cronograma detalhado do projeto. Para a equipe do projeto DIR, as fases de iniciação e planejamento do projeto foram construídas seguindo o plano original do aeroporto. Isso ajudou a garantir que a equipe do projeto, o aeroporto e a FAA estavam em acordo sobre os parâmetros básicos do projeto. Um método de gerenciamento de tempo descrito no Guia PMBOK é o fast tracking, uma técnica de compressão de cronograma em que as atividades que são normalmente feitas em sequência, passam a ser realizadas ao mesmo tempo. A equipe DIR empregou o fast tracking durante o primeiro ano do projeto, desenvolvendo os contratos de pavimentação e iluminação, e ao mesmo tempo, revendo os orçamentos e concluindo a preparação do local e os componentes de terraplenagem. 134 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos A pavimentação e iluminação da pista estão sujeitas a numerosas regulamentações, tornando o trabalho árduo até a sua conclusão. A equipe foi capaz de dedicaro tempo estimado pelo nível de atividade relativamente detalhadas descritas na licitação, garantindo que os contratos de iluminação e de pavimentação cobrissem todas as regulamentações necessárias. A equipe usou metodologias de gerenciamento de contratos padrão para garantir que todos os contratantes tivessem clareza sobre os serviços que deveriam oferecer e para eliminar a possibilidade de disputas contratuais. A fim de ajudar a simplificar o processo de aquisição, o projeto foi dividido em vários componentes, os quais foram abordados por vários contratos. Para melhor agilizar e simplificar o processo de aquisição, um gerente de projeto foi dedicado a aprovar as propostas. Combinando o conhecimento de gerenciamento de risco com processos de aquisição, a equipe do DIR também foi capaz de recuperar-se de vários possíveis problemas. O primeiro ocorreu durante o processo de pavimentação, quando o material de base da pista desmoronou e a equipe estava tentando instalar o sistema de iluminação na pista. A equipe, que nunca tinha trabalhado com o tal material antes, havia criado um plano de contingência em seu orçamento, cronograma e contratos. Conhecimento de gerenciamento de risco permitiu-lhes antecipar possíveis problemas e estruturar o projeto em torno deles, de modo a minimizar os seus efeitos. Através da utilização de metodologias de gerenciamento de tempo e risco, a equipe do projeto DIR foi capaz de evitar ser massacrada por problemas no orçamento e desafios trazidos pelos ataques terroristas de 9 de setembro. Em setembro de 2002, a FAA foi forçada a retirar parte do orçamento do projeto DIR devido a restrições orçamentais resultantes de 9/11. O financiamento federal pode ser imprevisível devido a mudanças nas prioridades do governo, mas a equipe já havia identificado um potencial risco para este tipo de financiamento. Como preparação para esta possibilidade, a equipe desenvolveu respostas e contingências se a FAA precisasse reduzir ou retirar o financiamento. A equipe determinou que, caso o projeto perdesse o financiamento, eles poderiam reduzir o trabalho sobre os componentes mais caros do projeto, tais como pavimentação, e usar o dinheiro restante para pagar o trabalho mais barato enquanto outros se concentravam para restabelecer seu orçamento aprovado. Isso também incluiu cláusulas do encerramento em todos os contratos, 135 Estudos de casos, Ferramentas e Novas tecnologias de TI Capítulo 6 permitindo-lhe manter relações positivas com os fornecedores, apesar da necessidade de adiar temporariamente o trabalho. Finalmente, em dezembro de 2002, a equipe assegurou um financiamento alternativo do Congresso e foi capaz de começar a trabalhar novamente. Maiores resultados: a pista 16R/34L do Aeroporto Internacional de Denver foi concluída em 18 de agosto de 2003. Após a sua conclusão, a DIR foi a primeira pista projetada para lidar com a próxima geração de aviões de grande porte no mundo. Embora as questões orçamentárias tenham obrigado a equipe a adiar a pavimentação, os processos de gerenciamento de projetos para o tempo, risco, aquisições e orçamento permitiu que a equipe completasse o projeto no prazo e no orçamento. a) A equipe do projeto concluiu a DIR significativamente abaixo do orçamento. A estimativa do orçamento original era de 166 milhões dólares (EUA), e o custo final do projeto foi de US$ 154 milhões. b) Devido ao orçamento disponível após a conclusão do projeto, a equipe foi convidada a projetar e construir uma unidade de resgate e combate a incêndio no aeroporto. c) O projeto de construção da DIR foi concluído 18 dias antes do previsto. d) A DIR é uma das maiores pistas dos EUA, 33 por cento maior do que as outras pistas no DIA e tem aproximadamente o dobro de tamanho das pistas de altitudes mais baixas. e) Com 16.000 metros de comprimento, 200 pés de largura, a pista tem 3,2 milhões de metros quadrados de áreas de superfície de concreto e 168.000 metros cúbicos de concreto. f) A pista é tão longa que um jato estacionado numa extremidade não é visível a partir da outra extremidade, devido à curvatura da terra. Este estudo de caso foi traduzido do original em inglês “Denver International Runway Project”. Fonte: Disponível em: <http://www.pmi.org/BusinessSolutions/ OPM3-Case-StudyLibrary.aspx>. Acesso em: 9 fev. 2017. 136 Gerenciamento das Partes Interessadas, de Competências e Ferramentas de TI para Projetos Considerações Finais Neste capítulo, foi possível verificar três casos de estudos publicados pelo PMI e pelo Ricardo Vargas, que demonstram desafios de grandes projetos, como a construção de quatro estádios em curto período de tempo e com um número limitado de gerentes de projetos experientes. Foi possível entender quais medidas cada equipe teve que tomar para garantir o andamento eficaz de cada projeto. Através destes exemplos e outros que são publicados pelo PMI, podemos associar com nossos projetos e tomar as devidas ações, quanto mais conhecimento tiver de outros projetos, mas fácil você conduzirá seus projetos. Referências PMI. Project Management Institute. Estudos de Caso em Gerenciamento de Projetos. 2003. Disponível em: <https://brasil.pmi.org/brazil/KnowledgeCenter/ CaseStudies.aspx>. Acesso em: 25 set. 2016. VARGAS, Ricardo Viana. Análise de valor agregado no controle de projetos: Sucesso ou Fracasso? Disponível em: <http://www.ricardo-vargas.com/wp- content/uploads/downloads/ricardo_vargas_earned_value_analysis_control_ projects_success_failure_pt.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2016.